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Apresentando a edição brasileira e introdução
13/01/2026
A Igreja Católica tem uma doutrina social que resgata aspectos da fé cristã pouco característicos da antiga cristandade, apesar de fazer parte da mesma fé naquele tempo, nos tempos anteriores e nos tempos posteriores – que são os mais atuais, quando foi elaborado um compêndio desta doutrina, em 2004. Antes disto, em 1980, o CELAM publicou um livro chamado Fé cristã e compromisso social que, embora eu não tenha visto nenhum indício de que tenha sido usado na elaboração do compêndio, é quase um rascunho dele. Para evitar a tentação de separar a fé em Jesus desse compromisso social, vou ler esse livro nesse podcast.
O título do livro define bem suas articulações fundamentais: a fé como geradora de um compromisso social específico, que dela recebe origem, sentido e alcance. Qual a natureza desse compromisso, qual a figura da realidade na qual ele é chamado a exercer-se, quais as normas e condições do seu reto exercício? Eis as questões fundamentais, para as quais o leitor encontrará aqui respostas cuidadosamente elaboradas, claras e convincentes. Trata-se de um texto que alia com felicidade a severa ordem das razões, a clareza didática e a eloqüência persuasiva. A fé é considerada primordialmente na sua expressão comunitária, [apenas posteriormente] vem a ser institucional. É evidente que a responsabilidade social, sendo assumida pelo corpo da Igreja, é imposta individualmente a cada um dos seus membros no exercício da sua fé pessoal. Mas, como exigência de fé, a responsabilidade social só é autenticamente pessoal se for eclesial. Sendo assim, é a experiência da Igreja como corpo social que se constitui em referência primeira da militância individual, é o seu ensinamento, organizado em doutrina, que se torna normativo para o compromisso social de cada um dos seus membros.
Resenha crítica do livro na revista Síntese, p. 114, que está no link da FAJE
Parte 1 - A situação do homem na América Latina
Capítulo 1 - Perspectiva histórica
18/01/2026
Neste capítulo a história latinoamericana é dividida mais ou menos em quatro fases. A primeira, a dos povos indígenas, alguns dos quais “apenas emergiam para a cultura da pedra lascada”, enquanto “outros já haviam atingido altos níveis de cultura e de organização sócio-político-econômica” (p. 21). A segunda é a chegada dos europeus com “propósitos bem definidos mas incestuosamente mesclados: dilatar a fé e o império”, e aqui os autores deram um espaço considerável para desenvolver a ideia de que a Igreja “pode e deve olhar seu passado missionário e evangelizador na América Latina com humildade, mas não com humilhação” (p. 22), pelo lado da humildade porque teve representante entre os opressores, e pelo lado da não humilhação (o mais extenso) porque também teve representantes entre os oprimidos, e assim como em alguns casos chancelava os abusos, em outros denunciava. A terceira fase é a dos movimentos de independência, que numa quarta fase posterior1) percebeu-se que se tratou de uma independência política que não se refletiu numa independência econômica, e uma quarta fase, ou um desenvolvimento nefasto da terceira fase, quando essa dominação econômica se tornou uma dominação complexa envolvendo o capitalismo tanto do ponto de vista econômico quanto cultural (a sociedade de consumo, a sociedade de espetáculo gerada pela tecnocracia, etc) e a disputa de poder sobre a região entre as hegemonias capitalistas e o bloco soviético. Esta perspectiva histórica termina concluindo que a situação atual pe o resultado de fatores internos e externos ao continente, e que “o futuro da Igreja está comprometido com a evolução e o desenvolvimento integral deste continente” (p. 30), não obstante o incômodo com o fato de ele ser profundamente cristão ao mesmo tempo em que é profundamente desigual em termos sócio-econômicos.
