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    <title>mrclmlt</title>
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    <description>(Em construção, para variar)</description>
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      <title>Defender a terra é defender a vida</title>
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      <pubDate>Sat, 11 Jul 2026 04:00:00 -0300</pubDate>
        <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><img width="300" src="https://www.fides.org/app/webroot/files/appendeds/222/primopiano_22215.jpg"/><p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Chitr%C3%A9" target="_blank" rel="noopener">Chitré</a> – “Nosso único interesse é salvaguardar a vida de todo ser humano.” Com essas palavras, o bispo Rafael Valdivieso, de Chitré, resumiu recentemente a preocupação da Igreja panamenha em relação ao debate sobre a possível reabertura de projetos de mineração no país. Para o prelado, qualquer atividade que possa colocar em risco a saúde e a vida das comunidades deve ser examinada com responsabilidade.</p><p>Em diversos países da América Latina e do Caribe, a Igreja acompanha comunidades afetadas pelos impactos sociais e ambientais da mineração, defendendo a dignidade humana, os direitos dos povos e o cuidado com a criação. Isso não significa uma rejeição a toda atividade de mineração, mas sim um apelo ao discernimento baseado na Doutrina Social da Igreja: o desenvolvimento econômico não pode ser dissociado do respeito à vida, ao bem comum e à proteção da nossa casa comum.</p><p>Em julho de 2025, o Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (CELAM), juntamente com a Rede Igrejas e Mineração e com o apoio do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, apresentou as “Diretrizes Pastorais sobre os Impactos da Mineração na América Latina e no Caribe”. O documento, resultado de um processo de discernimento que envolveu cerca de 20 bispos que acompanham comunidades afetadas pela mineração, oferece critérios pastorais para abordar conflitos socioambientais sob a perspectiva da defesa da vida, dos direitos humanos e do cuidado com a criação.</p><p>Um ano depois, esse caminho continua com iniciativas de formação promovidas pelo centro teológico CEBITEPAL, pela Rede Igrejas e Mineração e pela CLAR (Confederação Latino-Americana de Religiosos). O curso online “Diretrizes Pastorais das Igrejas sobre a Mineração”, realizado de 19 de junho a 4 de setembro, visa fornecer ferramentas de discernimento e ação pastoral para acompanhar as comunidades afetadas por esses conflitos. “Hoje, na América Latina, a mineração invade todos os cantos de nossos territórios, especialmente em comunidades rurais e aldeias indígenas. Em muitos casos, desloca comunidades, gera conflitos sociais e é acompanhada por atividades profundamente destrutivas para a natureza e o meio ambiente”, afirma Pedro Sánchez, membro da Rede Igrejas e Mineração e um dos organizadores.</p><p>O curso aborda temas como a Doutrina Social da Igreja, espiritualidade ecológica, a defesa dos direitos socioambientais, o acompanhamento de comunidades vulneráveis ​​e a construção de alternativas pastorais que promovam justiça, participação e cuidado com a criação</p><h3>Um desenvolvimento que respeita a vida</h3><p>No Panamá, o debate em torno da possível reativação de projetos de mineração levou a Igreja a expressar, mais uma vez, sua preocupação com as consequências que as atividades extrativas podem ter sobre as comunidades e o meio ambiente. O bispo de Chitré, Rafael Valdivieso, observou que os bispos ouviram tanto especialistas quanto representantes de empresas de mineração e que a preocupação com os impactos que esses projetos podem ter sobre as comunidades vizinhas permanece. “Tudo o que ameaça a saúde e a vida humana é um perigo”, afirmou o prelado, referindo-se aos riscos associados à atividade de mineração.</p><p>Ele também enfatizou que a posição dos bispos não é motivada por interesses políticos ou econômicos, mas sim pela defesa da pessoa humana e do bem comum.</p><p>A posição do bispo está alinhada com a carta pastoral “Querida Panamá”, publicada em 2024 pela Conferência Episcopal Panamenha, na qual os bispos fizeram um apelo para que se ouvisse “o clamor da terra e do povo”, promovendo uma visão de ecologia integral e colocando o bem comum como critério fundamental para as decisões relativas ao desenvolvimento do país.</p><h3>Defendendo aqueles que defendem o território</h3><p>O caso de Honduras ilustra uma das dimensões mais dolorosas dos conflitos ligados à defesa do território: a violência contra aqueles que protegem os bens comuns e acompanham as comunidades mais vulneráveis.</p><p>A morte de Juan Antonio López, ministro da Palavra de Deus, agente pastoral e defensor da nossa casa comum, afetou profundamente a Igreja hondurenha e foi também noticiada pela Agência Fides (ver Fides, 14 de outubro de 2024). López tornou-se um símbolo de uma abordagem pastoral que entende o cuidado da criação como uma expressão concreta de uma perspectiva da realidade iluminada pela fé cristã. Para muitas comunidades eclesiais latino-americanas, a ecologia integral não é uma agenda externa à missão da Igreja, mas sim parte da proclamação do Evangelho e da opção preferencial pelos mais vulneráveis.</p><p>A violência contra defensores da terra continua a gerar preocupação no país. Após o assassinato de agricultores em maio de 2026 em Rigores, departamento de Colón, a Conferência Episcopal de Honduras expressou sua “profunda tristeza e indignação”, lembrando que “cada vítima é uma pessoa criada à imagem e semelhança de Deus”. Os bispos condenaram esses atos de violência e apelaram para que se trabalhe em prol da construção de “justiça, verdade e paz”.</p><p>A <a href="https://www.instagram.com/iglesiasymineria/" target="_blank" rel="noopener">Red Iglesias y Minería</a> (link pro instagram) lembrou que a região de Bajo Aguán, “terra do Ministro da Palavra Juan Antonio López”, tornou-se uma área onde aqueles que defendem o território enfrentam sérias ameaças. Segundo a organização, as mortes na região refletem “um problema com raízes estruturais que geram pobreza, desigualdade, violência, impunidade e ausência do Estado”. Para a Igreja, defender nossa casa comum implica necessariamente defender aqueles que trabalham por ela, especialmente aqueles que acompanham suas comunidades com fé e compromisso com a dignidade humana.</p><h3>Água como bem comum</h3><p>No Equador, a comunidade da Igreja participa da defesa da água, dos territórios comunitários e dos direitos das populações que vivem em áreas afetadas por projetos extrativistas.</p><p>Um dos casos mais significativos é o de Intag, na província de Imbabura, onde comunidades camponesas resistem a projetos de mineração devido aos seus potenciais impactos em um território considerado de grande valor ecológico. Após meses de mobilização comunitária, a empresa Semperterra retirou seus equipamentos da área em junho de 2026. Nesse contexto, o bispo Geovanni Mauricio Paz Hurtado, de Latacunga, expressou sua solidariedade às comunidades e declarou: “Estou muito satisfeito com a organização do Intag para defender o território. Devemos continuar defendendo os direitos humanos e os direitos da natureza”.</p><p>A defesa desses territórios faz parte do compromisso cristão com a criação e com as comunidades mais vulneráveis. O desenvolvimento econômico não pode ser dissociado da proteção dos ecossistemas, do acesso à água e da participação das populações locais nas decisões que afetam seus territórios.</p><p>A Rede Igrejas e Mineração também destacou que os conflitos relacionados à mineração no Equador revelam um problema mais amplo, ligado à poluição ambiental, ao impacto sobre os recursos hídricos e às tensões sociais geradas em torno de certos projetos extrativistas. Para a Igreja, esses conflitos levantam uma questão mais profunda: qual modelo de desenvolvimento pode garantir uma vida digna para as gerações presentes e futuras?</p><h3>Quando o território desafia o cuidado pastoral da Igreja</h3><p>Na República Dominicana, a defesa da água também se tornou um dos pontos de preocupação diante do avanço de projetos de mineração em áreas de importância hídrica no país.</p><p>A Igreja Dominicana, por meio de seu Ministério Pastoral para a Ecologia e o Meio Ambiente e da Conferência Episcopal Dominicana, expressou sua solidariedade às comunidades que defendem as cordilheiras Central e Norte, enfatizando que a água é um direito humano fundamental e um critério essencial para avaliar a viabilidade de qualquer projeto de mineração.</p><p>Essa preocupação tornou-se evidente em maio passado, quando padres acompanharam milhares de pessoas em uma marcha em Santiago de los Caballeros para defender a Cordilheira Norte, considerada uma reserva hídrica vital para inúmeras comunidades rurais. Entre os participantes estavam os padres Ramón Ramos e Rogelio Cruz, que reiteradamente enfatizaram que “a vida não é negociável” e exigiram que as decisões relativas a esses territórios incluam a participação das comunidades que os habitam.</p><p>A presença de padres ao lado dos fiéis destaca uma abordagem pastoral comum em todo o continente: escutar e acompanhar, discernindo como agir junto às pessoas que vivenciam diretamente as consequências das decisões econômicas e ambientais.</p><h3>Cuidar da Criação e Predileção pelos Pobres</h3><p>Da América Central aos Andes e ao Caribe, as experiências reunidas revelam uma preocupação pastoral comum: os conflitos relacionados à mineração não são meros debates sobre recursos naturais, mas questões que afetam indivíduos, comunidades, culturas e territórios específicos. Nesse sentido, as Igrejas da América Latina insistem que o cuidado com a criação é parte integrante da proclamação do Evangelho. A opção preferencial pelos mais vulneráveis e a proteção da nossa casa comum são dimensões inseparáveis.</p><p>O Cardeal Michael Czerny, Prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, ao apresentar as diretrizes pastorais sobre mineração em julho de 2025, afirmou: “É tempo de passar das palavras às ações”, enfatizando a necessidade de transformar a reflexão eclesial em ações concretas.</p><p>Seguindo essa linha, o Papa Leão XIV reafirmou que a questão ambiental não pode ser dissociada da justiça social e da defesa dos mais vulneráveis. Em sua Mensagem para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação de 2025, ele lembrou que “destruir a natureza não prejudica a todos igualmente” e que as consequências recaem especialmente “sobre os mais pobres, os marginalizados, os excluídos”. Na encíclica Magnifica Humanitas (15 de maio de 2026), ele retomou o tema, afirmando que “A qualidade do desenvolvimento se mede pela sua capacidade de manter unidos (...) a justiça para com as pessoas e o cuidado com a nossa casa comum”.</p><p>Num continente rico em recursos naturais, mas também marcado por profundas desigualdades, a questão que permeia o compromisso pastoral da Igreja é como construir um desenvolvimento que não deixe para trás os mais vulneráveis e que proteja a vida como dom de Deus.</p><p><small>Copiado do texto em espanhol de <strong>Laura Gómez Ruiz</strong> publicado na <a href="https://www.fides.org/es/news/77914-Defender_la_tierra_es_defender_la_vida_la_Iglesia_latinoamericana_ante_los_conflictos_mineros" target="_blank" rel="noopener">Agência Fides</a> em 09/07/2026.</small></p>]]></description>
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      <title>Cena</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 10 Jul 2026 02:00:00 -0300</pubDate>
        <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><img width="300" src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d2/Flute_with_musicial_notes.jpg"/><p>Um sujeito aleatório na frente de uma estação de metrô <a href="https://drauziovarella.uol.com.br/drogas-licitas-e-ilicitas/pare-de-fumar-21-passos-para-largar-o-cigarro/" target="_blank" rel="noopener">fumava um cigarro</a>, e um <a href="https://oarcanjo.net/site/" target="_blank" rel="noopener">morador de rua</a> das redondezas, flautista, pede um cigarro pro outro. Enquanto o cara do cigarro vasculha seus bolsos, chega outro morador de rua, mostra aos dois um punhado de moedas de cinco centavos, despeja nas mãos do flautista e também pede um cigarro pro cara do cigarro a quem o flautista tinha pedido, mas com a ressalva: &#8220;primeiro ele, porque primeiro os artistas&#8221;.</p><p>O flautista minimiza tentando explicar que todos somos iguais e <a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-57011191" target="_blank" rel="noopener">se não tivesse público também não tinha artista</a>, mas o outro morador de rua corta ele, apressando o cara do cigarro pra dar logo o cigarro do flautista (pois quanto mais o flautista se explicasse mais o cara do cigarro ia demorar pra distribuir os cigarros), o cara do cigarro se apressa, todos fumam e cada um vai pro seu lado, a não ser o flautista, que ficou tocando na frente da estação.</p><p>(<small>Baseado em fatos reais</small>)</p><p><small>A imagem que aparece quando compartilha o link é de Petar Milošević na <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Flute_with_musicial_notes.jpg" rel="noopener" target="_blank">Wikimedia</a></small></p>]]></description>
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      <title>Apenas mais uma de preconceito</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 08 Jul 2026 02:15:31 -0300</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>08/07/2026</p><hr /><blockquote><p>Então é assim que a vida faz<br />E sempre haverá um fim<br />Um pano rápido ou um plano<br />Longinquo do horizonte e os créditos</p><p>Os personagens se revelam<br />Atores no aplauso final<br />E para cada interpretação<br />O que lhe for proporcional</p><p>Fica muito bem em cinema<br />Romance de um romance ideal<br />Só vamos entao deixar combinado<br />Aqui há vida real</p><p>Não leve o personagem pra cama<br />Pode acabar sendo fatal<br />Então desmonta logo esta máscara<br />Voltamos a estaca zero,<br />Fica tudo igual<br />Normal</p><hr /><p><small>(Tudo igual<sup>1</sup> - Lulu Santos)</small></p></blockquote><p>Essa letra do Lulu Santos é sobre fingimentos no amor. Não necessariamente fingir que não se ama (mas também serve pra isso), porque pode ser fingir ser quem não se é para agradar, para manter - ou tentar manter - um relacionamento, e essas coisas.</p><p>Além do que o Lulu Santos queria dizer<sup>2</sup> serve também para todo o tipo de degradação que se costuma considerar como o lado ruim do amor, como tratar o outro como submisso, como objeto, como válvula de escape dos problemas, porque nesses casos esse tipo de pessoa também está representando um papel que não é de verdade (forte, poderoso, dominador, mais importante, etc). E tanto o parágrafo acima como esse também valem para situações de amizade.</p><p>Mas parece que de uns tempos para cá isso foi importado pelos influencers do ódio de rede social para se esconderem atrás do fingimento barato de teatro para tentar vender seus preconceitos como "atuação" - o que continuaria a ser asqueroso e nocivo mesmo que fosse verdade, quer dizer, mesmo que fosse um teatro.</p><p>O ápice disso é o Trump, que faz a performance mais bem acabada do discurso de ódio, como um cocô bonito que continua sendo merda qualquer que seja o formato que assuma, e depois disso veio Zelensky (o <a href="https://revistaforum.com.br/cultura/contra-os-deuses-do-vale-do-silicio-o-que-diz-a-musica-anjos-tronchos-de-caetano-veloso/" target="_blank" rel="noopener">palhaço líder</a> que em vez de levar o personagem pra cama levou para as urnas, e só não virou o que prometia porque o Putin é pior ainda que ele, obrigando o ex-actor a virar, tanto quanto possível, um presidente de verdade para defender a Ucrânia), o Bolsonaro, que apesar de ser um político a vida inteira só ficou famoso como personagem de comédia do <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Controv%C3%A9rsias_de_Custe_o_Que_Custar#Entrevista_de_Jair_Bolsonaro" target="_blank" rel="noopener">CQC</a>, e então daí foi ladeira abaixo, pelo menos no Brasil, com gente saindo direto dos feeds de ódio das redes sociais pro Congresso e pros outros cargos eletivos que tem por aí.</p><p>Mas o que sustenta isso são os "personagens" como o reality <a href="https://www.metropoles.com/celebridades/funcionaria-sai-em-defesa-de-viih-tube-apos-polemica-com-reality-show" target="_blank" rel="noopener">show de mentirinha</a> ou a xenofobia performática (que nesse caso é parente do <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Racismo_recreativo" target="_blank" rel="noopener">racismo recreativo</a> mas em vez de vender preconceito como diversão, parece estar sendo vendido também como estratégia de marketing pra chamar a atenção no youtube<sup>3</sup>), que só se revelam "personagens", "teatros", "representação" depois que a polícia bate na porta, dentro do mesmo espírito do "era só brincadeirinha" depois de uma declaração racista, misógina, ou qualquer outra coisa do tipo que se enquadre na <a href="https://www.a12.com/redacaoa12/igreja/o-que-a-igreja-ensina-sobre-preconceito" target="_blank" rel="noopener">Gaudium et spes 29</a>, ao contrário de uma representação artística de verdade, que se apresenta como tal, e não como realidade (não que a representação artística não possa ser enquadrada por ser uma representação artística, mas embora a podridão seja a mesma, um <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/J._K._Rowling#Pessoas_transg%C3%AAnero" target="_blank" rel="noopener">artista preconceituoso</a> e uma <a href="https://apublica.org/2025/07/brasil-paralelo-usou-laudo-falso-para-atacar-maria-da-penha/" target="_blank" rel="noopener">obra preconceituosa</a> não são a mesma coisa que podridão disfarçada de arte para se justificar).?</p><p>Além da <a href="https://nucleo.jor.br/curtas/2026/04/02/pl-senado-impedir-monetizacao-misoginia/" target="_blank" rel="noopener">monetização do ódio</a> que as big techs fazem, é claro.</p><hr /><p><sup>1</sup> Copiada do <a href="https://www.vagalume.com.br/lulu-santos/tudo-igual.html" target="_blank" rel="noopener">Vagalume</a></p><p><sup>2</sup> Não que eu saiba o que se passa, nem o que se passava na cabeça dele, mas considerando que ele é o <a href="https://wikipedia.org" target="_blank" rel="noopener">último romântico</a>, me parece uma interpretação justa.</p><p><sup>3</sup> Copiado do <a href="https://www.instagram.com/reel/Daf73foxBQC/" target="_blank" rel="noopener">instagram da Revista Cenarium</a>:</p><blockquote><p>🚨 A Justiça de Pernambuco determinou a suspensão do perfil do influenciador Gabriel Silva no Instagram por entender que ele utilizava a rede social para disseminar discursos de ódio, xenofobia e discriminação contra nordestinos, pessoas em situação de pobreza e outros grupos vulneráveis. A decisão liminar foi assinada em 1º de junho pelo juiz José Alberto de Barros Freitas Filho, da 26ª Vara Cível da Capital, em ação civil pública proposta pela Defensoria Pública de Pernambuco.</p><p>Após a divulgação da decisão, Gabriel Silva publicou um vídeo afirmando que esperava a restrição do perfil. Na gravação, ele criticou a atuação da Justiça, disse que "60% a 70%" do conteúdo que produz corresponde a um "personagem" criado para viralizar e sustentou que a maior parte de seus vídeos tem caráter humorístico. O influenciador também afirmou que não faria um vídeo para "pedir desculpas" ou "justificar o injustificável" e declarou que já havia recebido outros processos por declarações anteriores.</p><p>Ao fundamentar a liminar, o magistrado afirmou que a liberdade de expressão não possui caráter absoluto e não pode servir de escudo para discursos de ódio. A decisão cita publicações em que Gabriel afirma que "todo nordestino tinha que ter visto para sair do Nordeste", diz que nordestinos "nascem burros" e classifica o Nordeste como "o esgoto do Brasil". Para o juiz, as manifestações revelam uma conduta reiterada e justificam a suspensão integral do perfil, uma vez que a remoção de publicações específicas seria insuficiente para impedir novas violações.</p><p>Legenda e Produção de Conteúdo: Bianca Diniz<br />Design: Felipe Soares<br />Social Media: Pedro Rocha<br />Imagens: Reprodução/Redes Sociais</p></blockquote>
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      <title>Um novo teste</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 07 Jul 2026 01:22:31 -0300</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/07/2026</p><hr /><p>Lorem ipsum<sup>1</sup> dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Morbi aliquam nec erat ac ultrices. Proin egestas sapien vitae finibus mattis. Vestibulum ante ipsum primis in faucibus orci luctus et ultrices posuere cubilia curae; Nullam hendrerit nulla erat. Nunc eu efficitur dolor. Morbi non risus ac quam venenatis iaculis. Proin vehicula lobortis mauris. Aliquam erat volutpat. Nulla sodales ultrices facilisis. Morbi eget magna vitae lectus fringilla condimentum. Vestibulum ante ipsum primis in faucibus orci luctus et ultrices posuere cubilia curae; Donec eu sapien dui. Fusce tincidunt turpis nec iaculis dictum. Sed vehicula leo pellentesque, interdum diam in, cursus nunc.</p><p>Vestibulum sit amet elit mi. Cras interdum ante volutpat, elementum augue sed, efficitur felis. Morbi placerat, massa vel tincidunt pulvinar, dui sem eleifend leo, sit amet interdum elit dui quis lectus. Maecenas id aliquet elit. Nulla facilisi. Proin tincidunt, nisl a venenatis semper, erat orci porta dui, a maximus dolor ex eget lectus. Nunc tempus magna et neque sagittis suscipit. Ut nec purus eros. Maecenas quis massa orci. Ut leo libero, gravida quis diam et, ultrices scelerisque metus. Curabitur eu feugiat nisl, nec imperdiet metus. Nullam egestas lorem arcu, at ullamcorper odio tempor eu. Aenean rhoncus in enim vitae interdum. Integer dignissim ultrices sem. Mauris auctor, libero a semper gravida, nulla nisl maximus velit, in fermentum quam enim nec ligula.</p><img width="600" src="/midia/26g795-um-novo-teste.jpg"/><p>Nulla a sollicitudin nibh, nec malesuada lorem. Duis vitae lacus magna. In ac erat neque. Curabitur in pulvinar tellus, vitae mollis lorem. Nunc nec leo eget libero dapibus dictum. Curabitur ut metus et dui fringilla volutpat. Pellentesque eget feugiat metus. Vestibulum pharetra mauris non dui convallis, vel mattis enim elementum. Nunc metus urna, mattis in lectus eget, blandit dignissim tortor. Vestibulum non vehicula metus, ut tempor eros. Aenean viverra ultricies fermentum. Integer urna libero, consequat quis diam id, tincidunt euismod enim. Aliquam eu sapien a est fermentum tincidunt non tristique massa. Nullam volutpat tortor sed maximus aliquam.</p><p>Donec velit justo, pellentesque vitae efficitur eu, gravida nec elit. Cras malesuada nulla leo, volutpat rhoncus ligula pulvinar et. Donec rutrum ultrices tellus ac dapibus. Donec et est vel purus interdum scelerisque. Vivamus imperdiet lectus a commodo egestas. In et lorem vel purus pellentesque blandit sit amet nec dolor. Fusce non metus neque. Ut molestie iaculis ante, sed venenatis lorem condimentum quis. In et interdum mi. Aliquam erat volutpat.</p><p>Interdum et malesuada fames ac ante ipsum primis in faucibus. Aliquam consectetur, ante vel auctor iaculis, nibh sapien tincidunt neque, vel ullamcorper lorem lorem ut lorem. Mauris a ipsum non turpis fermentum tempus id in neque. Suspendisse sed sagittis sem. Donec bibendum nisl vel libero volutpat, nec viverra sapien viverra. Quisque nibh nibh, iaculis ac elementum molestie, rutrum in sem. Quisque metus lectus, molestie sed turpis id, porta hendrerit nulla. Mauris nec purus sit amet ipsum egestas rutrum. Sed aliquam libero mi, in fringilla libero fringilla vitae. Vestibulum hendrerit, enim eget ullamcorper ultrices, ligula odio lobortis nisl, sit amet tincidunt urna dolor ac justo.</p><p>Imagem: <a href="https://www.fecesc.org.br/inicial/teste/" target="_blank">Teste</a></p><p><sup>1</sup> Texto: <a href="https://br.lipsum.com/" target="_blank">Lorem ipsum</a></p>]]></description>
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      <title>O lado de cá e o lado de lá</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 02 Jul 2026 03:00:00 -0300</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>02/07/2026</p><p>O problema da Igreja Católica com a Teologia da Libertação, ou melhor, o problema <strong>na</strong> Igreja com a TdL nunca foi com a TdL e nem mesmo com o marxismo em si, que <q>tem elementos válidos e aproveitáveis<sup>1</sup></q>, e inclusive <q>por suas origens judaico-messiânicas conserva ainda elementos cristãos<sup>2</sup></q>, e sim que quando se mistura com (não quando dialoga com, e sim quando se mistura, se confundindo com) teologia cristã, <q>mantém a esperança, mas o posto ocupado por Deus é substituído pelo partido e, portanto, pelo totalitarismo de um culto ateístico, que está disposto a sacrificar toda a humanidade a seu falso deus</q><sup>3</sup>, porque a teologia precisa fazer o que quer que faça a partir de uma perspectiva de Deus, ou mais exatamente, a partir da Revelação que Jesus nos traz.</p><p>A reação às consequências do, digamos assim, "excesso de marxismo" na TdL (que fora isso sempre foi um patrimônio da Igreja - dá pra ver isso nas duas instruções sobre a teologia da libertação e em vários textos posteriores, não vou prcurar agora) em detrimento da Revelação foi rápida ("rápida" em termos de Igreja Católica: do livro <em><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Gustavo_Guti%C3%A9rrez_Merino" target="_blank">Teologia da Libertação: Perspectivas</a></em> ao pedido de dispensa do sacerdócio de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Leonardo_Boff" target="_blank">Leonardo Boff</a> foram mais ou menos 30 anos) e meio cruel (Boff foi praticamente cozinhado em fogo lento pela extinta Congregação para a Doutrina da Fé, presidida pelo próprio Ratzinger, por sinal, tanto é que ele pediu a dispensa e, até onde eu sei, até hoje não deram).</p><p>Já contra a <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Fraternidade_Sacerdotal_de_S%C3%A3o_Pio_X" target="_blank">FSSPX</a> que é mais ou menos da mesma época, a reação foi muito mais lenta e branda, e depois de idas e vindas, excomunhões e recomunhões, só agora eles decidiram <a href="https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2026-07/econe-lefebvrianos-ordenam-quatro-novos-bispos.html" target="_blank">se firmarem no cisma</a> (embora apontem o dedo do cisma pros outros) porque, até então eram <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Fraternidade_Sacerdotal_de_S%C3%A3o_Pio_X#Situa%C3%A7%C3%A3o_can%C3%B4nica" target="_blank">um problema interno da Igreja</a>, e não uma "ameaça" externa como a tentativa de fusão do marxismo com a TdL. Não que eu lamente isso, mas com o pessoal da teologia da libertação poderia ter sido assim também.</p><p>Mas a questão é Ratzinger disse mais uma coisa sobre o avanço do pensamento marxista dentro da TdL:</p><blockquote style="clear: both">Não há duvida de que é preciso levar em conta que um erro não pode existir sem conter simultaneamente um núcleo de verdade, Com efeito, um erro é tanto mais perigoso quanto maior for a proporção do núcelo de verdade nele contida<sup>4</sup>.</blockquote><p>Não vou dizer "que isso sirva para a Igreja apredner" - mas, desculpe, apesar disso eu pensei. O que eu vou dizer é que pelo menos sirva para os cristãos não se encantarem com coisas tão com cara de cristianismo como conservadorismo e tradicionalismo, porque "se um erro é tanto mais perigoso quanto maior for a proporção do núclo de verdade nele", muito mais perigoso que o canto de sereia do pensamento marxista, que afinal de contas nunca se apresentou como cristão, ao contrário do conservadorismo e o tradicionalismo, que se apresentam sucessivamente como cristianismo, cristianismo de verdade e cristianismo de verdade perseguido - e se deixar daqui a pouco também vão fazer com que "o posto ocupado por Deus seja substituído" por esses dois - valores? posicionamentos políticos? - enfim, por essa dupla. O marxismo misturado na teologia é mais fácil de se distinguir (pelo menos depois dos processos contra o pessoal da TdL), mas coisas tiradas de dentro da doutrina cristã (não o conservadorismo, que não faz parte da doutrina, mas pelo menos a tradição faz parte) e sobrevalorizadas aritificialmente são menos identificáveis e, pela lógica da frase de Ratzinger, mais perigosas (mais ou menos como na história de que <em>flatus</em> e <em>perfidus</em> eram deuses ou gregos ou romanos do peido barulhento mas inodoro e do peido silencioso mas fedorento - não sei se é isso mesmo, talvez tenham inventado esta história, mas pelo menos serve para chamar coisas como a FSSPX de pérfidas).</p><p><small>A imagem foi copiada do <a href="https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2026-07/econe-lefebvrianos-ordenam-quatro-novos-bispos.html" target="_blank">Vatican News</a>.</small></p><p><sup>1</sup> Ratzinger, J. (1984). Instrução sobre a Teologia da Libertação: (apresentação). Revista Eclesiástica Brasileira, 44(176), 691–694. Recuperado de <a href="https://revistaeclesiasticabrasileira.itf.edu.br/reb/article/view/3446" target="_blank">https://revistaeclesiasticabrasileira.itf.edu.br/reb/article/view/3446</a>. "Elementos válidos e aproveitáveis" apesar de ter se desenvolvido em oposição ao cristianisno, à sede de Deus e à sua esperança, conforme ele diz logo antes da parte citada.</p><p><sup>2</sup> <a href="https://revistas.ups.edu.ec/index.php/universitas/article/view/8.2006.10" target="_blank">Un giro doctrinal en la vida del Papa Ratzinger</a>, p. 230. No irignal em espanhol, <q>por sus orígenes judaico-mesiánicos conserva todavía elementos cristianos</q>. É uma cópia de 16 páginas de uma autobiografia do finado papa. A página 230 é da revista, e não da autobiografia (deveria ter um "apud" aí mas como é um texto pro meu blog e não para faculdade, não quis me dar ao trabalho de citar conforme a ABNT - mas dá pra ver de onde veio lá no texto, que é um pdf).</p><p><sup>3</sup> Idem ao 2. No original em espanhol o texto é <q>Queda la esperanza, pero el puesto de Dios lo sustituye el partido y, por tanto, el totalitarismo de un culto ateístico, que está dispuesto a sacrificar todo humanidad a su falso Dios.</q></p><p><sup>4</sup> Ratzinger, J. (1984). Explico-vos a Teologia da Libertação. Revista Eclesiástica Brasileira, 44(173), 108–115. Recuperado de <a href="https://revistaeclesiasticabrasileira.emnuvens.com.br/reb/article/view/3521" target="_blank">https://revistaeclesiasticabrasileira.emnuvens.com.br/reb/article/view/3521</a>, p. 109 (mas é a primeira do PDF).</p>]]></description>
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      <title>A maldita polarização</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 28 Jun 2026 12:00:00 -0300</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/06/2026</p><p>Eu fico angustiado com as <a href="https://archive.ph/JbZdp" target="_blank">apresentações exemplares</a> que eu leio sobre is eleitores independentes despolarizados. Apresentações exemplares no sentido de serem apresentados como exemplos, tais quais os santos da Igreja Católica, exemplos a serem colocados em prática na fé em Deus, e não no sentido de apresentações bem feitas, tão bem feitas a ponto de serem apresentações exemplares, até porque são apresentações mal feitas.</p><p>Deus é imparcial, mas dele pra baixo todo mundo tem lado, e eu sempre vou desconfiar desse tipo de apresentação exemplar de independência que pra mim é individualismo sabor independência, sem nem ter os avisos de conservantes e aromatizantes que indicam se tratar de um ultraprocessado barato.</p><p>"Não, porque quem vai decidir a eleição é quem não é nem antibolsonarista nem antipetista", "o eleitor independente não compra ideologias, avalia os resultados", como se tirar os direitos trabalhistas para baratear o "custo do empregado" não fosse muito mais fácil do que convencer os donos de empresas que o lucro... aliás, os donos de empresas nem lucram, qualquer "empreendedor" trabalha, no fim das contas, para os grandes acionistas, desses que tem o orçamento de cidades, de estados, de países em ações (não os que "investem" para melhorar a apostadoria, que deve ser o prioritariamente direito de quem trabalha e não de quem investe no mercado). Ninguém conta a proporção de quantos chutes a gol por bola na rede para celebrar o ataque contra os nossos direitos, nem quantas defesas espetaculares foram feitas depois que só uma bola entrou: o atacante só precisa acertar uma, e o goleiro, defender todas (e mesmo assim nenhuma defesa vai contar pontos na tabela).</p><p>Talvez seja porque perto de onde eu moro tem uma rua Patativa que eu sempre fique lembrando do <a href="https://www.youtube.com/watch?v=uJqH5Q4keEA" target="_blank">Viveiro de Pássaros (link pro youtube)</a>, da <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Cole%C3%A7%C3%A3o_Disquinho" target="_blank">coleção Disquinho</a>, que era um disco com uma música de mais ou menos dez minutos com metade de cada lado. Eu não lembro se o gato ou o dono do gato que se chamam Pinduca ou Manduca, então vou tratar o gato como Pinduca e o dono do gato como Manduca, e tem mais um personagem aí no meio mas a história é que o Manduca ou não sei quem arranjou um pica-pau pra colocar no viveiro onde <q>tem patativa, tem sabiá, tem tico-tico, tem candará, tem pintassilgo, tem curió, tem pinta-roxo e tem xororó, tem bicudo e tem castelo, quero-quero e colibri, cardeal e periquito, maricota e araxari</q>. O pica-pau chegou meio que dando coices (metafóricos) em todo mundo, mas depois se integrou no grupo, e começou a liderar uma revolução de pássaros para serem libertados do viveiro (com direito a um hino, "Senhor Deus dos passarinhos, vem ouvir essa oração, dize a todas que quem tem bom coração, não destrói os nossos ninhos nem nos prende na prisão", que irritou o Manduca e aí ele amarrou o bico deles, então eles cantam a música em murmúrios, já que foram calados à força, muito emocionante), que contou com o apoio inesperado do Pinduca, o gato, que aceitou a ideia de que só poderia ter a chance de caçar os passarinhos se eles estivessem livres, e dentro do viveiro nunca ia alcançá-los.</p><p>Bom, tem que ver o lado do Manduca e analisar porque, olha aí, os passarinhos presos, sem voar, estavam protegidos do Pinduca - a mesma ideia de quem acha que dá pra pesar o bolsonarismo golpista que está oferecendo a equipe de transição para o governo dos EUA com a mesma régua do PT que, bem, não é nenhum santo, tanto é que se vende como projeto político que escolhe o lado dos trabalhadores e não como o braço político de um projeto messiânico enviado por Deus para instaurar o seu reino na terra (até porque, ao contrário do que o bolonarismo prega, o reino de Deus vai se consolidando pela ação de Jesus Cristo que leva a ter fé nele, e não pelo voto nem de quem tem nem de quem não tem fé em Jesus). Tem doido também na esquerda (sempre tem o PCO para provar isso, e mesmo assim eles geram entretenimento - <q><a href="https://pt.wikiquote.org/wiki/Partido_da_Causa_Oper%C3%A1ria" target="_blank">quem bate cartão não vota em patrão</a></q> deveria ser eleito o bordão político do século, o que é provavelmente o único motivo que justifica eles receberem algum dinheiro público, caso recebam - e não tentativas de golpe, promessas de metralhar os inimigos <a href="https://www.nexojornal.com.br/expresso/2022/06/28/o-efeito-dos-ataques-de-bolsonaro-a-jornalistas-mulheres-em-3-relatos" target="_blank">nem trocadilhos grotescos sobre jornalistas querendo dar o furo para ele</a> só porque são mulheres - apesar das indesculpáveis defesas do Neymar e, às vezes, até do Bolsonaro), mas a maioria não confunde escolher um lado com aceitar Deus no seu coração.</p><p>São essas duas diferenças gritantes que são apresentadas como dois lados opostos mas equivalentes: um projeto político de esquerda onde até tem quem aproveite o poder para roubar, mas que tem um projeto político para obter um poder político com fins políticos, tudo politizado sem ser messianizado, e não um projeto de poder onde Deus, pátria e família se confundem entre si e com a política, fazendo Deus virar política pública, a pátria virar religião, a família a dona do poder e no fim nem Deus, nem a pátria nem a família são contemplados com aquilo que lhes é de direito - enfim, quero dizer que o que eles fazem é dar a Deus o que é de César e a César o que é de Deus, e no fim tanto o que Deus recebe, que deveria ser de César, quanto o que César recebe, que deveria ser de Deus, era tudo falsificado de qualquer forma.</p><p>Por fim, isso deveria ter ficado encaixado em algum lugar acima mas só lembrei agora: em vez de eleitores "independentes" que não tem lado, deveriam pensar em pessoas que tem lado mas não perdem a autonomia por causa disso (porque aí sim, "terceirizar" a autonomia para o lado que é assumido acontece e isso deveria ser discutido). E demonizar a polarização é um sintoma de quem quer uma sociedade de ovelhas dóceis, o que é necessário em relação a Cristo, o Bom Pastos, mas o rebanho de Cristo é uma coisa, uma sociedade de ovelhas é outra bem diferente, é que nem querer gerar tensão sem um polo positivo e outro negativo (mas eles querem uma sociedade de fios neutros, quase sempre desenergizados), um espaço indiferenciado onde não existem em cima, embaixo, esquerda nem direita para poder se orientar, com astronautas de mármore que em vez de voltarem mais puros do céu, voltam mais neutros de lugar nenhum, já que todos os lugares são iguais.</p><p>O que não tem nada a ver com a história mas é digno de nota: a salmista na missa de hoje com a criança no ambão (acho que é assim que se chama a mesinha onde se lê as leituras na missa). É claro que se foi porque não tinha um pai decente para ficar com a criança é ruim, mas tirando essa possibilidade, achei o equivalente religioso da Manuela D'Ávila ou da ex-presidente (ou ex-deputada?) da Austrália (ou da Nova Zelândia?) amamentando a criança no parlamento. Nos dois lugares sobram adultos demais e crianças de menos.</p><a href="https://unsplash.com/pt-br/@anniespratt?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Annie Spratt</a><a href="https://unsplash.com/pt-br/fotografias/urso-polar-deitado-no-chao-coberto-de-neve-UCpGF9OCe8c?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a>]]></description>
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      <title>Afeto e potência</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 25 Jun 2026 02:00:00 -0300</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/06/2026</p><p><q>Um dos elementos com base nos quais se pode diferenciar a espécie humana de outras é a racionalidade. A espécie humana, ao adquirir a consciência de si, desenvolve a inteligência e a capacidade de sobrevivência, construindo mecanismos que buscam vencer a morte. Porém, além do próprio ato de pensar sobre sua existência, o ser humano, em suas relações com o mundo que o rodeia, também experimenta emoções e sentimentos, como medo, raiva, alegria, esperança, segurança e humildade. A vida dos seres humanos está envolvida pelos afetos.</q></p><p><q>O pensador holandês <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Baruch_Espinoza">Baruch de Espinosa</a>, nascido no ano de 1632, pensa a vida afetiva não em termos de paixões, mas sim de afetos, valorizando as ações dos seres humanos em sua capacidade de afetar e serem afetados no cotidiano. Assim, em seu entendimento, é preciso conhecer os efeitos dos afetos entre nós – o que nos afeta e como somos afetados –, pois, dessa forma, saberemos como buscar a alegria e a potência de viver. O referido filósofo define as afecções da seguinte forma: “O corpo humano pode ser afetado de numerosas maneiras pelas quais a sua potência de agir é aumentada ou diminuída” (<em>Espinosa, 1991, III, post. 1</em>). Os afetos são sentimentos de aumento ou diminuição da nossa potência. Interagem com o corpo e, de acordo com a relação que mantêm com ele, podem aumentar nossa potência, por meio das grandes entidades afetivas – alegria e amor –, ou diminuí-la, com a tristeza e o ódio (<em>Giacoia, 2018</em>).</q></p><p><q>Nesse sentido, um corpo é tanto mais potente quanto mais é capaz de se relacionar de diversas maneiras e de perceber e conhecer as coisas ao seu redor. Isto é, o “corpo é tanto mais ativo quanto mais pode ser afetado distintamente, pois, na medida em que ele ‘se deixa afetar’, seu campo de conhecimento e, portanto, de ação e reação se expande, e com isso a possibilidade de padecer é menor” (<em>Jesus, 2015, p. 172</em>). De acordo com o pensamento espinosano, a potência do ser humano está na ação que produz para afetar e ser afetado de inúmeras maneiras.</q></p><p><q>O poder de afetar e ser afetado é um dos aspectos mais importantes da teoria do pensamento de Espinosa. A experiência dos afetos está no âmago da ficção de Clarice Lispector: por exemplo, quando uma de suas personagens (Ana, no conto “Amor”) adentra as profundezas do Jardim Botânico, vivencia os “instantes” do “trabalho secreto” que se descobrirá no jardim. Sendo assim, a literatura clariceana tenta desvendar a vida selvagem por meio da potência dos afetos, no impulso desejante de sentir a “própria coisa”.</q></p><p>(<small>Aléxia Fernanda Lourenço Lopes. <a href="https://www.vidapastoral.com.br/edicao/literatura-dos-afetos-em-clarice-lispector/" target="_blank">Literatura dos afetos em Clarice Lispector
</a>,</small></p><p><small>e imagem é de <a href="https://unsplash.com/pt-br/@mariahhewines?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText" target="_blank">Mariah Hewines</a> na <a href="https://unsplash.com/pt-br/fotografias/ondas-do-oceano-batendo-em-terra-durante-a-noite-6Sgi_ACDjMo?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText" target="_blank">Unsplash</a>)
      </small></p>]]></description>
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      <title>A dor não é um presente</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 20 Jun 2026 02:00:00 -0300</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/06/2026</p><p><blockquote>Não devemos espiritualizar a dor, reconduzino-a superficialmente à "vontade de Deus" ou a algum misterioso projeto seu, porque se corre o risco de minimizar esse sofrimento, de silenciá-lo, e de ferir as pessoas. Deus não quer o sofrimento. Ele carrega-o conosco e nos convida a confiar nele de forma perseverante. Lembremos o que dizia o papa Francisco: com Deus, a vida renasce sempre.</blockquote></p><p><small>Vídeo copiado do instagram do Vatican News.</small></p>]]></description>
    </item>
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      <title>Memórias congeladas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 16 Jun 2026 05:54:25 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>16/06/2026</p><p>Pode ser que seja por causa do frio que algumas memórias de outros tempos friorentos estejam voltando. Mas, o que é estranho, não são memórias como eu estou acostumado, lembranças de um acontecimento com as respectivas pessoas e sentimentos envolvidos (além das imagens e histórias associadas), e sim sentimentos e emoções esquecidos, que talvez eu não tenha sentido mais, ou que talvez tenham reaparecido mas muito fracamente, e nem a hipótese de terem sido simplesmente reprimidos em outras ocasiões eu posso descartar.</p><img width="600" alt="Foto noturna de uma estrutura metálica pintada de amarelo vibrante serve como guarda-corpo em primeiro plano. Ela é composta por tubos cilíndricos, incluindo um corrimão superior horizontal e colunas verticais que se fixam a uma mureta de concreto escuro e úmido no chão. Entre esses tubos amarelos, estendem-se horizontalmente finos cabos de aço paralelos. Logo atrás do guarda-corpo amarelo, há um portão ou grade de metal azul-escuro com barras verticais. Atrás das frestas da estrutura azul, avista-se uma parede encardida clara onde se projetam as sobras do guarda-corpo e das barras do portão, deixando tudo meio quadriculado." class="img" src="/midia/26f790-memorias-congeladas.jpg"/><p><em>Foto de coisas do presente para ilustrar um texto sobre coisas do passado.</em></p><p>Mas agora estão aí. Eu associo isso com o frio porque assim como a lembrança de uma ou outra pessoa traz junto os sentimentos e eventos associados à lembrança dela, esse(s) sentimento(s) deste momento estão associados ao frio. E assim como a lembrança de alguém evoca a lembrança de eventos e emoções associados a ela, ou a lembrança de eventos evoca a lembrança de emoções e eventos (etc), esses sentimentos evocam pessoas e eventos (as lembranças dessas pessoas e desses eventos, quer dizer).</p><p>Não que essas pessoas e eventos tenham uma conotação de frio como a ideia de uma pessoa fria, um acontecimento que não causa mais impactos, inerte, nem de distância, nem nada disso. São sentimentos e emoções relacionados ao frio, que se intensificam, se destacam, retornam com todo seu ímpeto e toda a sua força sempre que as temperaturas caem, uma espécie de submundo das memórias inacessível via terapia, recontatos, encontro com fotos antigas, textos antigos, arquivos antigos, coisas que se repetem ou que são parecidas com outras que aconteceram no passado, ou outras coisas deste tipo.</p><p>Como se o frio descongelasse emoções identificáveis apenas quando está frio, ou reacendesse memórias guardadas não em imagens nem em histórias (que é o que eu estou acostumado), mas em sentimentos que só esse frio consegue trazer à tona.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Não julgueis (2)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 10 Jun 2026 06:35:59 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/06/2026 - Teologia experimental</p><p>Enquanto as discussões sobre valores cristãos se concentram em sexualidade, teologia do domínio e conservadorismo X progressismo dentro das igrejas, os problemas mais fundamentais continuam intocados dentro dos porões esquecidos das pautas frias (que já devem estar congeladas de tão frias) das questões cristãs. “Não julgueis”, por exemplo.</p><p>Eu nem vou me dar ao trabalho de ir ver em qual livro-capítulo-versículo Jesus disse alguma coisa parecida com “não julgueis para não serdes julgados” porque é uma passagem tão batida quanto “Deus é amor” e Coríntios 13 que eu duvido que tenha alguma necessidade de indicar a origem para mostrar que está, sim, na Bíblia<sup>1</sup>.</p><img width="600" alt="Pessoa em primeiro plano aponta o dedo diretamente para a câmera, com o braço estendido ocupando grande parte da imagem. O foco está na mão e no dedo indicador, enquanto o rosto ao fundo aparece ligeiramente desfocado. A pessoa veste camiseta escura e está diante de um fundo claro e neutro, sem elementos adicionais visíveis. A composição centraliza o gesto de apontar, aproximando a mão do observador.
" class="img" src="/midia/26f789-nao-julgueis-2.jpg"/><p><em>Não aponteis o dedo</em></p><p>Pelo menos para mim isso sempre foi apresentado como uma relação de causa e consequência: se você julgar os outros, Deus vai lhe julgar / se você julgar os outros, os outros vão lhe julgar – mais ou menos como num filme estadunidense de faroeste com os dois caubóis apontando suas armas um para o outro. O que é um argumento meio utilitarista, <s>e até aí tudo bem</s><sup>2</sup>, mas não funciona, primeiro, porque tem pessoas que mesmo sem julgar as outras, ainda assim são julgadas por elas, e além disso, Deus já tinha julgado todo mundo nos condenando em Adão e Eva, e depois perdoando todo mundo pela cruz e ressurreição de Cristo, o que também é um julgamento divino, mas desta vez, definitivo. Aí não julgar não serve para nada<sup>3</sup>.</p><p>Então julgar é inevitável? Talvez seja mesmo, mas pelo menos é possível julgar, digamos, a partir de um lugar justo, que não é o lugar dos próprios méritos e capacidades. Isso sempre vai dar em um julgamento injusto.</p><p>Mas julgar os outros a partir das próprias dores e feridas  é (ou pelo menos me parece ser) um lugar mais justo menos injusto a partir do qual se pode julgar os outros. No mínimo, porque inevitavelmente isso leva à conclusão de que não é possível julgar o outro.</p><p>Foto de <a href="https://unsplash.com/pt-br/@adigold1?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Adi Goldstein</a> na <a href="https://unsplash.com/pt-br/fotografias/homem-apontando-para-a-camera--KobSuU7b3g?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p><p>—</p><p><sup>1</sup> Em todo caso, está lá.</p><p><sup>2</sup> Riscado só porque eu tenho uma certa antipatia pelo utilitarismo.</p><p><sup>3</sup> Por isso que antes de mais nada, não se deve julgar os outros porque Cristo disse para não julgar, mas eu estou tentando aplicar uma camada secundária à camada principal.</p><p><sup>4</sup> O (2) no título é porque tem <a href="https://mrclmlt.com.br/2026/04/23/nao-julgueis/">outra postagem</a> com esse mesmo título.</p>]]></description>
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      <title>Teste</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 09 Jun 2026 03:14:36 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/06/2026</p><img width="600" alt="Uma garota sentada na cama jogando os cabelos para trás tipo modelo saindo da piscina, mas no caso da imagem, em vez de água, os cabelos dela estão lançando um arco formado por vários livros, que estão meio que voando próximos ao cabelo dela." class="img" src="/midia/26f788-teste-7.jpg"/><p>Um teste é um procedimento estruturado concebido para avaliar se um assunto, alegação ou sistema atende a critérios específicos. O <br/><em>Concise Oxford English Dictionary</em> define um teste como: “um procedimento destinado a estabelecer a qualidade, o desempenho ou a confiabilidade de algo” (<a href="https://simple.wikipedia.org/wiki/Test">Wikipedia</a>)</p><p>Foto de <a href="https://unsplash.com/pt-br/@laciemarie?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Lacie Cueto</a> na <a href="https://unsplash.com/pt-br/fotografias/mulher-sentada-na-cama-com-livros-voadores-yHG6llFLjS0?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Se essa rua, se essa rua fosse minha</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 07 Jun 2026 06:55:34 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/06/2026</p><img width="600" alt="Uma foto em plano médio e ângulo normal mostra uma calçada de concreto cinza que se estende em direção ao fundo. À direita, há um portão e uma grade alta de metal marrom instalados sobre um muro bege claro, onde placas verticais com anúncios estão fixadas. À esquerda, parte de um carro preto está estacionada rente ao meio-fio, paralela à rua onde outros veículos transitam ao longe. No topo, uma rede densa de cabos e fios elétricos cruza o céu nublado, conectada a postes de energia ao longo da via urbana." class="img" src="/midia/26f787-se-essa-rua-se-essa-rua-fosse-minha.jpg"/><p><em>Apesar do título, é uma avenida.</em></p><p>Eu conheci esta avenida anos atrás em uma aventura: em vez de pegar um ônibus na estação Itaquera, eu peguei na estação Penha. Daria uma meia hora a mais de viagem, mas o mais importante é que eu iria sentado. Eu não conhecia o caminho vindo por aí, e quem sabe se eu reconheceria o ponto? (ok, não foi uma grande aventura).</p><p>Mas eu lembro desta curva, em particular, porque ela vem logo depois de uma praça e de uma igreja (o muro e as grades à direita são dela). Quando eu vi a praça, decidi que se não reconhecesse nada nos próximos cinco minutos, ela seria o meu ponto de referência (mas dali a três minutos eu cheguei no meu ponto).</p><p>Anos depois eu descobri que era dessa igreja que saía uma Ave Maria (alguma versão musical famosa, com uma voz feminina, que começa com Aaaaaaaaaaave. Mariiiiiii-iiiiiíaaaaa …) que eu ouvia um quilômetro e meio de distância meio-dia e acho que às vezes no fim da tarde também.</p><p>Tempos depois eu me mudei, e a minha casa ficava no final da avenida (estou misturando um pouco as coisas, mas também não pretendo fazer um mapa para ninguém), e a avenida deixou de ser uma fonte de angústia, um marco do não-sei-onde-estou (depois que me mudei pro final dela descobri que não era tão longe assim de casa), para se transformar em sinal de alegria e esperança, porque era o último trecho antes de chegar em casa. </p><p>No período da pandemia, ainda por cima era um alívio, porque era o sinal de que dali a pouco eu ia poder finalmente tirar a máscara que passava o dia inteiro na minha cara.</p><p>A avenida não tem nada demais. Se chama <a href="https://www.openstreetmap.org/?#map=19/-23.536021/-46.468110">Campanella</a>, e embora tenham algumas ruas chamadas Fulano ou Fulana Campanela pela região, eu não consegui descobrir o que a família fez de tão importante pra virar nome de avenida. Ela serve de ligação entre a Jacú Pêssego e a Águia de Haia<sup>1</sup>. Fora isso não tem nada demais: algumas igrejas, mercadinhos, padarias, postos de gasolina, pizzarias e por aí vai.</p><p>Não queria que ela<sup>2</sup> fosse minha, e não mandava ladrilhar se fosse. Talvez alargar, porque ela é larga demais para ser uma rua, mas estreita demais para ser uma avenida (embora tenha espaço para os carros estacionarem e se deslocarem tanto numa faixa quanto na outra). Não tem nenhum bosque que se chama Solidão, nem ningu´ém roubou meu coração ali (só um celular uma vez, mas foi longe dali).</p><p>Mas mesmo assim ela me conquistou com o tempo. De uma rua assustadora passou a ser uma avenida simpática, que tem lá os seus senões, mas gente-fina.</p><p>—</p><p><sup>1</sup> Eu não ando de carro, então talvez quem dirija saiba de outros caminhos. Mas de ônibus, tem um que sai da Águia de Haia, entra na Campanella, passa por baixo da Jacu Pêssego lá no final e entra na Pires do Rio.</p><p><sup>2</sup> O título era para ser “se essa curva fosse minha”, mas me confundi.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Corpus Christi, o sonho de uma visionária</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 02 Jun 2026 07:13:16 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>02/06/2026 - Teologia experimental</p><p>Juliana de Mont Cornillon foi uma freira agostiniana do Convento de “Mont Cornillon” que ficou conhecida por promover a introdução da Festa de Corpus Christi no âmbito da Igreja Católica. Aos 13 anos de idade optou pela vida religiosa e em torno de 1208 passou a ter visões que solicitavam à Igreja uma festa em honra do Santíssimo Sacramento, que ela confidenciou ao arcediago de Liége. Quando ele virou o papa Urbano IV, instituiu a festa de Corpus Christi um pouco antes de falecer em 1264. Ela faleceu em 1258, de causas naturais.</p><p>Juliana e sua irmã gêmea Agnes nasceram na vila de Retinnes, no Principado Episcopal de Liège. Ficaram órfãs aos cinco anos de idade e foram colocadas em uma espécie de casa de misericórdia recém-fundada de um mosteiro em Mont-Cornillon, nos arredores de Liège. O mosteiro parece ter sido estabelecido com base no modelo de um mosteiro duplo, com religiosos e religiosas vivendo nas alas respectivamente masculina e feminina do mosteiro. As duas meninas foram inicialmente colocadas em uma pequena fazenda ao lado. Juliana, após ingressar na Ordem aos 13 anos, trabalhou por muitos anos em seu leprosário. Agnes parece ter morrido jovem, pois não há mais menções a ela nos arquivos.</p><p>Desde a juventude, Juliana tinha grande veneração pela Eucaristia (assim como muitas mulheres de Liège) e desejava um dia festivo especial em sua honra. Quando Juliana tinha 16 anos, teve sua primeira visão, que se repetiu várias vezes posteriormente. Sua visão apresentava a lua em todo o seu esplendor, atravessada diametralmente por uma faixa escura. Com o tempo, ela passou a entender que a lua simbolizava a vida da igreja na terra, enquanto a linha opaca representava a ausência de uma festa litúrgica em honra ao Corpo e Sangue de Cristo. Sem ter como instituir tal festa, ela guardou seus pensamentos para si, exceto por compartilhá-los com uma anacoreta, Eva de Liège, que vivia em uma cela adjacente à Basílica de São Martinho, e com algumas outras irmãs de confiança em seu mosteiro. Sua visão está representada na <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Letra_capitular" target="_blank">letra capitular ilustrada</a> de sua Vita (conforme aparece em: Paris, Biblioteca de l’Arsenal, MS 945, fol. 2).</p><p>Por volta de 1225, ela foi eleita prioresa do mesmo mosteiro, e relatou suas visões ao seu confessor, o Cônego João de Lausanne (um cônego secular do capítulo colegiado da Basílica de São Martinho). O Cônego João tinha muitos contatos entre os distintos teólogos franceses e professores dominicanos que se reuniam em Liège. Entre eles estavam Roberto de Thorete, Bispo de Liège; Hugo de Saint-Cher, Prior Provincial Dominicano para a França; e Jacques Pantaleon de Troyes, Arcediago de Liège, que mais tarde se tornou bispo da Diocese de Verdun, depois Patriarca Latino de Jerusalém e, finalmente, papa, governando sob o nome de Papa Urbano IV. Consta que o Cônego João transmitiu a visão de Juliana a esses distintos líderes religiosos. Esses teólogos concordaram unanimemente que não havia nada na devoção da festa que fosse contrário à fé católica e apoiaram a sua instituição.</p><p>Ao receber a aprovação das autoridades religiosas locais, Juliana começou a trabalhar com o Cônego João, que ainda era um jovem, e juntos compuseram a versão inicial do ofício, Animarum cibus<sup>1</sup>. Este ofício antigo pode ser encontrado no manuscrito composto em Haia, na Biblioteca Nacional dos Países Baixos (KB 70.E.4). Em 1246, o Bispo Roberto instituiu a primeira festa do Corpo e Sangue de Cristo para sua própria diocese. No entanto, ele morreu no final daquele mesmo ano e nunca a viu concluída, embora a festa tenha sido celebrada pelos cônegos de São Martinho.</p><p>A vida de Juliana foi repleta de tumultos, em grande parte como consequência das controvérsias religiosas e políticas que assolavam Liège: uma classe média urbana emergente que exigia novos direitos, rivalidades políticas entre os Guelfos e os Gibelinos, e disputas internas entre a baixa nobreza de Flandres. Esses conflitos criaram um contexto propício para esse tipo de movimento.</p><p>Quando Juliana se tornou prioresa do convento, ela restabeleceu as regras agostinianas estritas. Em 1240, um homem chamado Roger tornou-se supervisor no mosteiro. Ele imediatamente antipatizou com Juliana e com suas cobranças, e incitou a população contra ela, acusando-a de desviar e roubar os fundos do hospital. Por causa disto ela fugiu para o eremitério de sua amiga, Dama Eva, e foi então acolhida na casa do Cônego João, ao lado da basílica. Com a ajuda de Roberto de Thourotte, o Bispo de Liège, Juliana foi inocentada, reconduzida ao seu cargo anterior no mosteiro e Roger foi deposto. Em 1247, porém, com a morte do Bispo Roberto, Roger recuperou mais uma vez o controle de Mont Cornillon sob o novo bispo, Henrique de Gueldre, e Juliana foi novamente expulsa. Esses eventos na biografia de Juliana apontam, até certo ponto, para o cenário histórico mais amplo de rivalidade pelo bispado vacante, amplificado pela excomunhão de Frederico II pelo Papa Inocêncio IV.</p><p>Depois disso, Juliana encontrou refúgio nos mosteiros cistercienses de Robermont, Val-Benoit e Val-Notre-Dame, e depois entre as beguinas pobres. Ajudada pela Abadessa Imene, que era irmã do Arcebispo Conrado de Colônia, Juliana fixou residência na Abadia Cisterciense de Salzinnes e, finalmente, em Fosses-la-Ville, no Condado de Namur, onde viveu em reclusão até sua morte. </p><p>Em seu leito de morte, ela pediu por seu confessor, João de Lausanne, supostamente para revelar-lhe segredos há muito ocultos. Mas nem ele nem nenhum de seus amigos de Liège chegaram. Após sua morte, com base em seus desejos, seu amigo, o monge cisterciense Gobert d’Aspremont, transferiu seu corpo para a Abadia de Villers. No domingo seguinte, seus restos mortais foram movidos para a seção do cemitério reservada aos santos. Embora seu culto tenha se desenvolvido imediatamente, ele só recebeu reconhecimento oficial em 1869, sob o Papa Pio IX.</p><p><em>Meio copiado, meio adaptado dos artigos sobre a santa nas wikipedias em <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Juliana_de_Mont_Cornillon" target="_blank">português</a>, <a href="https://es.wikipedia.org/wiki/Juliana_de_Fosses" target="_blank">espanhol</a> e <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Juliana_of_Li%C3%A8ge" target="_blank">inglês</a>. A imagem é da <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:AntiguaEasterCarpetMacaws.jpg" target="_blank">Wikimedia</a>.</em></p><p>—</p><p><sup>1</sup> Depois o papa pediu para Tomás de Aquino compor um novo ofício, sabe-se se lá porque, e foi aí que surgiu o atual <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Pange_lingua_gloriosi_corporis_mysterium" target="_blank">Pange lingua</a>, mais conhecido (pelo menos por mim) pelas duas últimas estrofes em pt-br, Tão sublime Sacramento.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Teste</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 01 Jun 2026 11:26:10 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>
<p><a href="/">Voltar para o início</a></p>

<p>01/06/2026</p>
<hr/>
<img width="600" alt="Uma foto em ângulo diagonal e contra-plongé mostra um guarda-corpo clássico com balaústres de concreto bege em uma sacada ou corredor externo. O chão é revestido com pisos cerâmicos claros em formato diagonal, e uma parede de textura grossa na mesma tonalidade bege surge em primeiro plano à direita. Ao fundo, por entre e acima da estrutura, é possível notar partes de um edifício sob a luz do dia." class="img" src="/midia/26f785-teste-6.jpg"/>
<p>Testando 1, 2, 3.</p>
<img width="600" alt="Uma foto panorâmica em plano médio mostra rolos metálicos espiralados de cerca concertina com lâminas cortantes dispostos horizontalmente em primeiro plano. Através e atrás das espirais de metal, destaca-se uma densa cerca viva de primavera (buganvília) com folhas verdes e flores de um rosa avermelhado vibrante. O contraste visual destaca a agressividade do metal laminado em meio à suavidade da vegetação natural." src="/midia/26f785-teste-6.jpg"/><p><em>Teste</em></p>
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Na corda bamba de sombrinha</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 28 May 2026 10:06:54 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/05/2026 - Teologia experimental</p><img width="600" alt="" src="/midia/26e784-na-corda-bamba-de-sombrinha.jpg"/><p>Normalmente eu escrevo por algum incômodo, não necessariamente os grandes incômodos da humanidade, mas os pequenos incômodos do dia a dia ou, pelo menos, aqueles sobre os quais dá pra escrever (pois tem aqueles sobre os quais não dá vontade nem de pensar, outros que não há condições nem de serem pensados, etc).</p><p>Mas no momento, não. E não digo isso pra me gabar. Tem as coisas mal equilibradas com pedaços de pau e cordas improvisadas com lençóis no passado, que se tentar ajeitar pode ser que melhore mas também pode ser que desmorone tudo. Tem o mapa do futuro, com os trechos de rua bem iluminados e os becos obscuros de um mapa impossível de conferir se está correto. E ainda tem as certezas, os pontos cegos e as boas e más surpresas do presente.</p><p>Talvez isso seja, ou talvez seja ao menos parecido, com a ideia de paz. Não uma tranquilidade que permita dormir até sonhar com muita frquência, nem baixar a guarda por mais do que um segundo, e sim conseguir lembrar de respirar pelo nariz e soltar o ar pela boca, planejar a longo prazo (dois meses, no meu caso) e ter uma ou duas rotas de fuga imprevisíveis, mas possíveis, sem nenhum abismo no final delas.</p><p>Inclusive, desta vez, também exclui devidamente a sensação de “finalmente cheguei lá”, uma miragem que o que esconde não é nem o mesmo deserto do qual se destaca, mas as areias movediças de um triunfalismo catastrófico.</p><p>Apesar da referência à “esperança equilibrista que dança na corda bamba de sombrinha” não é pelo equilíbrio (que já me explicaram que numa corda bamba circense só pode ser alcançado desequilibrando-se ao longo de toda a sua extensão) que, eu acho, vem esse tipo de paz – que sem fazer do que foi dito acima uma definição, talvez se pareça com o que se costuma chamar de paz de Cristo.</p><p><em>A esperança dança na corda bamba de sombrinha, e em cada passo dessa linha pode se machucar. Azar!, a esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar.</em></p><p>De todas as partes que podem emocionar alguém na missa, por muito tempo eu tinha que me preparar especialmente não para o ápice que é a transubstanciação do pão e do vinho, mas para a parte do Cordeiro de Deus: eu sempre passei numa boa pelo “Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo, tende piedade de nós”, mas precisava de muito autocontrole na parte do “dai-nos a paz”. Apesar de naquela época parecer um pedido dolorido (mais ou menos no sentido de para que me fazerem pedir alguma coisa que nunca vai ter?), talvez fosse porque a minha expectativa fosse a paz triunfalista catastrófica de antes: as consequências de não ter paz eram ruins, e as consequências de ter paz, também. </p><p>E talvez, reforçando mais uma vez que isso não é uma tentativa de definição, fosse assim por faltar a perspectiva de que Paz de Cristo, no sentido de um dom dado por Cristo, não é no entanto uma coisa que acontece num estalar de dedos de Jesus. É um dom que não “funciona” sem uma construção ao mesmo tempo posterior e paralela a ele1. </p><p>Enfim, talvez paz tenha mais a ver com conseguir caminhar na corda bamba de sombrinha em vez de ficar dependurado nela pelas mãos no mesmo lugar o tempo todo, do que com a ideia de “chegar lá”. E talvez eu tenha que aprender a escrever não só a partir de estar dependurado num problema, mas também de estar caminhando nessa corda.</p><p>Foto de <a href="https://unsplash.com/pt-br/@qld_traveller?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Sheila C</a> na <a href="https://unsplash.com/pt-br/fotografias/uma-mulher-em-pe-em-cima-de-um-poste-de-madeira-KS1AJrh_Q_4?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p><p>—</p><p>1 Deus pode fazer tudo sozinho se quiser mas o que quis foi fazer as coisas conosco, com a nossa participação etc (mesmo a nossa redenção por Jesus, que dependeu só do sacrifício de Cristo, mesmo assim não é imposta por Deus, mas abriu a possibilidade de aceitarmos ser redimidos, o que era impossível até o sacrifício na cruz, por exemplo).</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Catolicismo ultraprocessado</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 19 May 2026 05:01:07 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/05/2026 - Teologia experimental</p><img width="600" alt="" src="/midia/26e783-catolicismo-ultraprocessado.jpg"/><p>Basta uma leitura rápida e superficial da constituição pastoral <a href="https://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html">Gaudium et spes</a> para perceber o quanto a maioria dos mais renomados influencers católicos está mais empenhada com projeto político pouco ou nada alinhado com a doutrina da Igreja (se bem que nenhum outro é mais nem menos alinhado com ela) do que com uma defesa legítima do que a Igreja entende como valores cristãos:</p><p><strong>Confundindo, de propósito, “liberdade” com “liberdade irrestrita”:</strong></p><blockquote>
<p>Os homens de hoje apreciam grandemente e procuram com ardor esta liberdade; e com toda a razão. Muitas vezes, porém, fomentam-na dum modo condenável, como se ela consistisse na licença de fazer seja o que for, mesmo o mal, contanto que agrade. (17)</p>
</blockquote><p><strong>“Defendendo a fé” apontando o dedo para o ateísmo, em vez de tentar entender suas causas (esse dedo apontado entre elas):</strong></p><blockquote>
<p>[A Igreja] procura, no entanto, descobrir no espírito dos ateus as causas da sua negação de Deus, e, consciente da gravidade dos problemas levantados pelo ateísmo, e, levada pelo amor dos homens, entende que elas devem ser objecto de um exame sério e profundo. (21)</p>
</blockquote><p><strong>Vangloriando-se de serem os únicos tocados pela graça divina:</strong></p><blockquote>
<p>E o que fica dito, vale não só dos cristãos, mas de todos os homens de boa vontade, em cujos corações a graça opera ocultamente. (22)</p>
</blockquote><p><strong>Vendo no outro um inimigo:</strong></p><blockquote>
<p>O Concílio recomenda a reverência para com o homem, de maneira que cada um deve considerar o próximo, sem excepção, como um «outro eu» (27)</p>
</blockquote><blockquote>
<p>O nosso respeito e amor devem estender-se também àqueles que pensam ou actuam diferentemente de nós em matéria social, política ou até religiosa. Aliás, quanto mais intimamente compreendermos, com delicadeza e caridade, a sua maneira de ver, tanto mais fàcilmente poderemos com eles dialogar. (28)</p>
</blockquote><p><strong>Ignorando o apelo da Igreja à justiça social:</strong></p><blockquote>
<p>Além disso, embora entre os homens haja justas diferenças, a igual dignidade pessoal postula, no entanto, que se chegue a condições de vida mais humanas e justas. Com efeito, as excessivas desigualdades económicas e sociais entre os membros e povos da única família humana provocam o escândalo e são obstáculo à justiça social, à equidade, à dignidade da pessoa humana e, finalmente, à paz social e internacional. (29)</p>
</blockquote><p><strong>Ignorando, também, o apelo contra o individualismo:</strong></p><blockquote>
<p>A profundidade e rapidez das transformações reclamam com maior urgência que ninguém se contente, por não atender à evolução das coisas ou por inércia, com uma ética puramente individualística. (30)</p>
</blockquote><p><strong>Sem contar os que acham que, por motivos religiosos, as mulheres devem ser “do lar”:</strong></p><blockquote>
<p>Os homens e as mulheres que, ao ganhar o sustento para si e suas famílias, de tal modo exercem a própria actividade que prestam conveniente serviço à sociedade, com razão podem considerar que prolongam com o seu trabalho a obra do Criador, ajudam os seus irmãos e dão uma contribuição pessoal para a realização dos desígnios de Deus na história. (34)</p>
</blockquote><p><strong>Ou confundem o progresso terreno individual com o progresso do Reino de Deus, ou tentam desdenham da importância do progresso humano</strong></p><blockquote>
<p>Embora o progresso terreno se deva cuidadosamente distinguir do crescimento do reino de Cristo, todavia, na medida em que pode contribuir para a melhor organização da sociedade humana, interessa muito ao reino de Deus. (39)</p>
</blockquote><p><strong>Falam como se a Igreja pensasse que, exceto por Deus, apenas ela se basta:</strong></p><blockquote>
<p>Assim como é do interesse do mundo que ele reconheça a Igreja como realidade social da história e seu fermento, assim também a Igreja não ignora quanto recebeu da história e evolução do género humano. (44)</p>
</blockquote><blockquote>
<p>Ao ajudar o mundo e recebendo dele ao mesmo tempo muitas coisas, o único fim da Igreja é o advento do reino de Deus e o estabelecimento da salvação de todo o género humano. (45)</p>
</blockquote><p><strong>Defendem a família mas não as condições sociais necessárias para “fomentar a prosperidade doméstica”:</strong></p><blockquote>
<p>A autoridade civil há-de considerar como um dever sagrado reconhecer, proteger e favorecer a sua verdadeira natureza, assegurar a moralidade pública e fomentar a prosperidade doméstica. (52)</p>
</blockquote><p><strong>Enxergam as manifestações culturais atuais como um perigo:</strong></p><blockquote>
<p>Ainda que a Igreja muito tem contribuído para o progresso cultural, mostra, contudo, a experiência que, devido a causas contingentes, a harmonia da cultura com a doutrina nem sempre se realiza sem dificuldades.</p>
<p>Tais dificuldades não são necessàriamente danosas para a vida da fé; antes, podem levar o espírito a uma compreensão mais exacta e mais profunda da mesma fé. (62)</p>
</blockquote><p><strong>Se omitem diante da crescente degradação das condições de trabalho:</strong></p><blockquote>
<p>Finalmente, tendo em conta as funções e produtividade de cada um, bem como a situação da empresa e o bem comum, o trabalho deve ser remunerado de maneira a dar ao homem a possibilidade de cultivar dignamente a própria vida material, social, cultural e espiritual e a dos seus.</p>
<p>Dado que a actividade económica é, na maior parte dos casos, fruto do trabalho associado dos homens, é injusto e desumano organizá-la e dispô-la de tal modo que isso resulte em prejuízo para qualquer dos que trabalham.</p>
<p>Ora, é demasiado frequente, mesmo em nossos dias, que os trabalhadores estão de algum modo escravizados à própria actividade. Isto não encontra justificação alguma nas pretensas leis económicas. É preciso, portanto, adaptar todo o processo do trabalho produtivo às necessidades da pessoa e às formas de vida (67)</p>
</blockquote><p><em>Ultraprocessados</em></p><p>A lista é maior do que esta (a constituição pastoral tem mais 26 parágrafos e eu não tenho todo esse tempo), e alguém poderia muito bem selecionar outros trechos de parágrafos que, eventualmente, corroborassem o obscurantismo que essa maioria renomada promove. </p><p>Mas a questão é, eu acho, justamente essa: a Igreja não deixou de se opor ao aborto nem de restringir o casamento a uma mulher e um homem, por exemplo, mas mesmo sem deixar de lado essas doutrinas, projetou uma dedicação maior ao diálogo em vez da acusação, do enfrentamento, e da condeação; <a href="https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2026-04/papa-leao-xiv-coletiva-jornalistas-voo-regresso-viagem-africa.html#:~:text=Temos%20a%20tend%C3%AAncia%20de%20pensar%20que%2C%20quando%20a%20Igreja%20fala%20de%20moral%2C%20o%20%C3%BAnico%20tema%20moral%20%C3%A9%20o%20sexual">alargou sua perspectiva moral para além da sexualidade</a>; discerniu com clareza que Cristo, apesar de ser Rei, é um rei <a href="https://www.cnbb.org.br/sempre-tereis-pobres-entre-vos-mc-147/">pobre entre os pobres</a>, e por aí vai.</p><p>Mas não se vê – pelo menos eu não vejo – nada disso na maioria dos perfis de católicos famosos por aí, e sim, quase sempre uma doutrina ultraprocessada com sabor artifical de católica.</p><p>(A imagem é do blog <a href="https://www.ufrgs.br/laranjanacolher/2019/08/20/voce-sabe-o-que-sao-os-alimentos-processados-e-ultraprocessados/">Colher na laranja</a>)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Colonização e descolonização: uma história</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">26e782-colonizacao-e-descolonizacao-uma-historia</guid>
      <pubDate>Fri, 15 May 2026 05:14:11 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/05/2026</p><p>Tudo isso [os processos colonialistas na modernidade] foi desenvolvido sob a perspectiva do ego individualista e competitivo inaugurado pela Modernidade. O ego cogito (expresso na obra de René Descartes, O discurso do método, publicado em 1637) surgiu aproximadamente um século e meio depois da suposta “descoberta” da América. </p><p>O eurocentrismo do Norte da Europa, que lançou as bases da Revolução Industrial, ignorou o século XVI, período em que emergiu uma epistemologia eurocêntrica, como demonstra o debate filosófico-teológico entre Ginés de Sepúlveda e Bartolomé de las Casas, em 1550, entre outros eventos relevantes. Foi um desafio para Bartolomé de las Casas tentar demonstrar que os povos indígenas eram seres humanos com instituições culturais e políticas com as quais poderia e deveria estabelecer um diálogo. Infelizmente, a sua proposta foi rejeitada na prática e o genocídio foi o resultado de uma conquista realizada “a sangue e fogo”. </p><p>Por sua vez, o dualismo cartesiano era duplo: por um lado, estabelecia uma separação entre a alma racional e imortal do ser humano e o corpo material e mortal, e por outro lado, estabelecia uma separação entre o ser humano (considerado como ser superior) e natureza (considerada inferior). Deste último dualismo derivou-se a concepção de que as plantas e os animais (a natureza em geral) estavam destinados a ser meros objetos à disposição do ser humano, desprovidos de dignidade própria. </p><p>Na Modernidade, este dualismo tornou-se um anti-ambientalismo que nega sistematicamente a sagrada dignidade da vida da natureza, embora a vida humana dependa dela. O individualismo capitalista proposto por Adam Smith foi um desenvolvimento epistemológico desta metafísica e antropologia individualista e competitiva, que acabou por conduzir ao neoliberalismo de Friedrich von Hayek.</p><p>Enrique D. Dussel. <a href="https://www.pass.va/en/publications/studia-selecta/studia_selecta_10_pass/dussel.html">Colonización y Descolonización: Una Historia</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Estratégia e instintos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">26e781-estrategia-e-instintos</guid>
      <pubDate>Fri, 08 May 2026 02:37:37 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>08/05/2026 - Teologia experimental</p><img width="600" alt="" src="/midia/26e781-estrategia-e-instintos.jpg"/><h2>Esse texto fala de assédio sexual e por isto talvez não faça muito bem ler ele.</h2><p><em>Foto de lobos fofinhos só para não ir direto do alerta de assunto sensível pro texto.</em></p><p>Quando eu comentei com uma amiga que eu estava arrependido todas as vezes que eu tratei bem um sujeito que dia desses encurralou uma garota no banheiro feminino para assediá-la, ela observou, muito sabiamente, que não tem do que se arrepender (por tratá-lo bem até então) porque o assediador pode ser qualquer um, inclusive qualquer um que se apresente como um chamado homem de bem.</p><p>Não foi a primeira vez que eu li/ouvi isto, nem foi o primeiro assediador que surpreendeu por ter sido alguém acima de qualquer suspeita (se a empresa que o contratou tivesse feito uma simples consulta teria descoberto que já tinha um B.O. contra ele justamente por assédio, mas da forma como foi, só agora se descobriu que ele já havia ultrapassado a fase de suspeita há muito tempo. Mas talvez por ter sido com gente com quem eu conversei quase diariamente, do outro lado da parede do banheiro que eu usei também quase diariamente (uma parede alta mas que não chega no teto, então de qualquer um dos lados dá pra ouvir as conversas do outro lado) o qualquer um sujeito-acima-de-qualquer-suspeita aparece com um caráter hediondo em um nível um pouco maior.</p><p>Talvez seja mais ou menos a diferença entre um conhecimento teórico e a experiência concreta – como a diferença entre ter conhecer os efeitos da fome no ser humano, e passar fome por longos períodos durante um bom tempo, por exemplo.</p><blockquote>
<p>«Atingimos aqui o mistério da existência em um dos seus aspectos fundamentais. Elevando-se ao universo dos valores, da realidade que escapa ao alcance dos sentidos, realizando-se segundo o espírito, o homem se aproxima de sua plenitude não só espiritual mas também sensível, plenitude inatingível pelo homem que permanece imerso no mundo sensível. O animal realiza seus fins vitais obedecendo apenas aos instintos. O mesmo não sucede com o homem, porque nele o instinto é totalmente assumido pela razão e parcialmente suprido por ela. Por isso, o homem meramente instintivo desce a níveis de estupidez e de crueldade que o aviltam abaixo dos animais.» (Fé cristã e compromisso social, p. 85)</p>
</blockquote><p>O texto aí em cima de Fé cristã e compromisso social é sobre outra coisa, antropologia cristã e como a fé em Cristo tem como efeitos secundários (mas indispensáveis) o desenvolvimento pleno da humanidade dos fiéis, e nessa parte em particular eles estão argumentando que a salvação de Cristo abrange o corpo e a alma, que formam a unidade indivisível do que se chama ser humano, e Cristo veio salvar o ser humano inteiro, e não só a sua alma. O ponto em que eles querem chegar é que tanto a alma interfere no corpo quanto o corpo interfere na alma, ao contrário que sugere um certo tipo de espiritualismo descomprometido com a realidade em volta. Mais ou menos isso.</p><p>Mas essa citação em particular, isolada do contexto em que está escrita no livro, me parece o tipo de «aviltamento abaixo dos animais» para onde o «homem instintivo» desce se vive de acordo com seus instintos em detrimento da razão – porque um assediador está obedecendo a um instinto. Se fosse um animal, tudo bem, mas um ser humano fazendo o mal por causa de um instinto é pior do que o animal mesmo que os instintos se equivalham, quer dizer, os animais tem o direito de serem animais, nós não.</p><p>Mas no caso dos instintos do assediador, ele ainda é pior do que o «homem instintivo» que é pior do que um animal. Ele não é um monstro irracional que não sabia o que estava fazendo, nem um «homem instintivo» que por fraqueza, maldade, algum déficit emocional o cognitivo, ou por qualquer outra coisa, não se contenha, porque ele se contém. Sua razão consegue «assumir o instinto e supri-lo parcialmente», mas ele usa essa razão também para armar emboscadas e arapucas contra mulheres para satisfazer conscientemente um instinto que ele sabe que daquele jeito é errado satisfazer – tanto é que não faz isso na frente dos outros (a menos que saiba que esses outros aprovem isso), mas longe de qualquer olhar que pudesse condená-lo – e com mulheres que por algum motivo ou em determinado momento estejam em uma condição de fragilidade, e ninguém, ou pelo menos quase ninguém nesse mundo é forte o tempo todo.</p><p>É meio que exatamente o oposto do que os vampiros da Bella em Crepúsculo faziam: enquanto eles subjugam seus instintos assassinos, motivados pela fome (afinal são vampiros) para preservar os seres humanos à sua volta, para somente “liberar o instinto” caçando animais para beber o sangue deles (e mesmo assim fazendo um tipo de “manejo sustentável” para não interferir no equilíbrio ecológico da região), os assediadores subjugam seus instintos de dominação sexual1 até terem uma oportunidade de simularem essa dominação (porque a parte sexual não é o foco, o que eles querem é se sentirem dominadores), não por um impulso irresistível como se estivessem intoxicados por um desejo mais forte do que eles, mas por um cálculo frio e racional que resulta, no máximo, numa simulação grotesca de um frenesi sexual.</p><p>Não tem conclusão nenhuma. Querer explicar o mal é meio que <a href="https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2023-12/papa-francisco-audiencia-geral-nunca-dialogar-diabo-guardar.html">negociar com o diabo</a>, pelo menos no contexto dessa epidemia de assédio sexual em que vivemos, e esse texto não era uma tentativa de explicação, mas o desenvolvimento da ideia de que um assediador está abaixo até do «homem instintivo», já que não é instintivo, mas bem racional e usa essa razão para satisfazer um instinto que consegue dominar plenamente, mas usa como um veneno para levar sofrimento às mulheres. </p><p>A foto dos lobos, de <a href="https://unsplash.com/pt-br/@evablue?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Eva Blue</a> na <a href="https://unsplash.com/pt-br/fotografias/quatro-lobos-na-neve-fi4E2oZnHnw?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a>, era porque eu ia associar isso tudo com o conto da carochinha do macho alfa (que <a href="https://www.sciencearena.org/entrevistas/autocorrecao-ciencia-verdade-absoluta-david-mech-lobos/">o próprio criador já corrigiu</a> mas a correção teve bem menos repercussão que o conto), e como os coachs cristãos tentam aplicar a Cristo ignorando que ele é o Cordeiro de Deus (e não o macho alfa de Deus) mas não consegui desenvolver a ideia, então a imagem só serviu mesmo pro texto não vir imedatamente depois do alerta de assunto sensível no texto.</p><p> —-</p><p>1 E eu não sei nem se os animais tem algum instinto de dominação e sexual. Eu sei que tem um instinto de domínio, e outro instinto sexual, mas não sei se eles tem esse instinto de querer “mostrar quem é que manda” por meios sexuais.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Manual de defesa do pecado</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">26d780-manual-de-defesa-do-pecado</guid>
      <pubDate>Thu, 30 Apr 2026 06:44:54 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>30/04/2026 - Teologia experimental</p><p>Primeiro você precisa recorrer a uma interpretação literal da Bíblia. Não que toda e qualquer interpretação literal esteja errada só porque é literal (“amai-vos uns aos outros” não é em um sentido metafórico, por exemplo), e também é possível defender pecados com malabarismos interpretativos – mas como esse manual na verdade é uma crítica velada a uma defesa em particular de um pecado em particular, o primeiro passo vai ser recorrer à intepretação literal da Bíblia, por exemplo, <a href="https://www.a12.com/biblia/antigo-testamento/genesis/3">Gênesis 3</a>,16 (naquela parte em que Deus diz para Eva, e por extensão a todas as mulheres, que ela vai desejar o marido dela, mas ele vai dominá-la).</p><p>Ignore <a href="https://www.a12.com/biblia/novo-testamento/ii-sao-pedro/1">2Pedro 1</a>,201 .</p><p>Arme-se de todo o tipo de má-vontade, sentimentos maus e preconceitos que puder, mas passe sobre tudo isso muitas camadas do verniz da virtude, do bem e do belo.</p><p>Agora ignore também o Catecismo da Igreja Católica (se você já ignorou um trecho da Bíblia em favor de outro, isso é fichinha). Nesse exemplo, a parte do parágrafo <a href="https://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p2s2cap3_1533-1666_po.html#:~:text=um%20car%C3%A1cter%20universal.-,1607,-.%20Segundo%20a">1607</a> (não precisa ignorar o Catecismo inteiro, pelo menos) que diz</p><blockquote>
<p>Ruptura com Deus, o primeiro pecado teve como primeira consequência a ruptura da comunhão original do homem e da mulher. As suas relações são distorcidas por acusações recíprocas (106); a atracção mútua, dom próprio do Criador (107), converte-se em relação de domínio e de cupidez (108)2</p>
</blockquote><p>Ignorar isso serve para não precisar pensar que, ao menos segundo a Igreja, qualquer tentativa de sujeição feminina é uma consequência do pecado3, ou seja, não é uma ordem divina, nem parte da condição humana, mas pura maldade.</p><p>Adote um <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Nome_fantasia">nome fantasia</a>. Pode ser, nesse exemplo, “<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Frei_Gilson">Frei Gilson</a>“. “Padre”, “frei”, “pastor”, “irmã”, “apóstolo”, “missionário” sempre servem muito bem. Nem todo mundo que adota esses nomes fantasia está por aí defendendo pecados, é claro, e nem todo mundo que defende pecados adota esse tipo de nome fantasia (pode até não adotar nenhum), mas lembre-se que este manual é uma crítica velada.</p><p>Não escolha um pecado óbvio. Isso até funciona bem para chamar a atenção, mas depois as pessoas perdem o interesse. <a href="https://archive.is/kG9M6#selection-5485.0-5487.153">Defender que os homens sujeitem as mulheres</a>, por exemplo, é um pecado fácil de defender e sempre funciona, agregando o machismo arraigado na sociedade com interpretações pessoais e muito obtusas da Bíblia. Dá pra defender o armamentismo, a guerra e os extermínios sem muito esforço com esse tipo de interpretação também. O importante é estimular mais violência na sociedade.</p><p>Crie um ambiente muito religioso, como, por exemplo, terços às quatro da manhã transmitidos pelo instagram, <a href="https://gilvander.org.br/site/dom-ionilton-e-a-eucaristia/">adorações ao Santíssmo</a> também. Dê argumentos para quem não gosta da Igreja reafirmar esse sentimento; como brinde, você talvez ainda consiga deixar algumas pessoas que tem fé confusas (“Nossa, a Igreja ainda defende esse tipo de coisa? Tem um padre dizendo isso nos seus vídeos”).</p><p>Faça tudo em vídeos compridos. Quem quiser ir verificar seus delírios pessoais vai ter que assistir horas e horas intermináveis de vídeos e talvez desista. Se você escrevesse seria muito mais claro, e bastaria um ctrl+f para encontrar suas bobagens hermenêuticas.</p><p>Certifique-se de ter o apoio de um bispo. Isso dá credibilidade. Garanta isso arrecadando muito dinheiro para a diocese (e fazendo <a href="https://revistaforum.com.br/brasil/frei-gilson-quer-construir-megatemplo-da-fe-catolica-no-brasil/">obras faraônicas</a> também).</p><p>No fim, <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Nero#cite_note-fiddle-6">continue compondo em sua lira</a> enquanto os “dominadores” consomem as mulheres como o fogo.</p><p>—</p><p>1 “Antes de tudo, ficai sabendo que nenhuma profecia da Escritura admite interpretação pessoal”</p><p>2 A nota de rodapé 108 no texto do catecismo aponta justamente para Gn 3,16.</p><p>3 Aqui é bom esclarecer que ser pecado não serve como desculpa (“eu não queria ter esse comportamento possessivo, mas é que eu sou muito pecador” / “eu não queria ter esse comportamento possessivo, mas é que ela é muito pecadora”). A Bíblia não está fornecendo nenhuma justificativa para o mal, mas explicando sua causa em termos teológicos.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Uma fé que aprende</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">26d779-uma-fe-que-aprende</guid>
      <pubDate>Tue, 28 Apr 2026 06:25:29 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/04/2026</p><blockquote>
<p>Entrar em diálogo com o outro é acolhê-lo como dom. A fé cristã é bela, mas tem muito a aprender. A oferta generosa do outro não deve ser descartada, desprezada ou diminuída. Ao longo da história, aprendemos a ser mais humanos com a humanidade; aprendemos a ser mais cristãos com os não-cristãos; reconhecemos nossos erros e limites na crítica fundamentada de muitos que não professam a fé cristã. Nós cristãos devemos estar sempre de mãos estendidas, em atitude de generosa acolhida, para receber o que a humanidade inteira compartilha como sabedoria. Não fomos nós quem inventamos o bem. Nós não somos os únicos capazes de amar. Não é interesse só dos cristãos que o mundo seja melhor e mais fraterno.</p>
</blockquote><p>Solange Maria. <a href="https://www.paulus.com.br/portal/a-fe-crista-tem-algo-a-receber/">A fé cristã têm algo a receber</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Um caminho melhor que a guerra</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">26d778-um-caminho-melhor-que-a-guerra</guid>
      <pubDate>Sat, 25 Apr 2026 10:30:26 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/04/2026</p><img width="600" alt="" src="/midia/26d778-um-caminho-melhor-que-a-guerra.jpg"/><blockquote>
<p>“Eu não vejo o meu papel como o de um político; não sou um político, eu não quero entrar em um debate com ele”, observou o Pontífice, referindo-se ao presidente [estadunidense].<br/>“Não penso que a mensagem do Evangelho deva ser deturpada como alguns estão fazendo. Eu continuo a falar com força contra a guerra, buscando promover a paz, promovendo o diálogo e o multilateralismo com os Estados para encontrar soluções aos problemas.<br/>Muitas pessoas estão sofrendo hoje, muitos inocentes foram mortos e acredito que alguém deve se levantar e dizer que há um caminho melhor”.</p>
</blockquote><p>(<a href="https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2026-04/papa-leao-xiv-viagem-apostolica-argelia-aviao-jornalistas-guerra.html">Vatican News – a imagem também é deles, mas não tinha aquele textinho</a>)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Lista de listas de erros bíblicos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">26d777-lista-de-listas-de-erros-biblicos</guid>
      <pubDate>Fri, 24 Apr 2026 13:42:41 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>24/04/2026 - Teologia experimental</p><p>Há uns seis anos atrás eu andava às voltas com os erros bíblicos, especialmente no período da pandemia, quando algum político apoiador do governo do inelegível (agora preso, o inelegível, já que eu nem lembro quem era o apoiador) usou o versículo 10 do <a href="https://www.a12.com/biblia/antigo-testamento/salmos/90">salmo </a><a href="https://www.a12.com/biblia/antigo-testamento/salmos/90">89</a><a href="https://www.a12.com/biblia/antigo-testamento/salmos/90">/90</a> para justificar a proliferação da morte pela falta de cuidados (distanciamento social, lockdowns, etc). </p><p>É uma ideia completamente descabida sob qualquer ponto de vista minimamente civilizado (eu ia escrver “são”, mas ideias como aquela, justificar mortes no atacado porque a Bíblia “diz” que a vida dura até os oitenta anos, não são resultado de uma doença, e sim de maldade pura), mesmo sem que seja necessário argumentar. Mas mesmo assim eu fui atrás de argumentações e daí saíram as postagens que vão ser linkadas abaixo.</p><p>As que tem listas de erros bíblicos tem um alerta, mas vou reescrevê-lo assim: <em>Exemplos de erros histórico e científicos da Bíblia (copiados de A Bíblia sem mitos: uma introdução crítica, de Eduardo Arens, pgs. 216 e 217). Conforme o autor explica na página 214 do mesmo livro, nenhuma destas incoerências, discrepâncias, contradições e erros servem para fundamentar qualquer acusação de ilegitimidade da Bíblia, mas sim para fundamentar a necessidade do estudo do contexto no qual cada texto foi redigido, levando em consideração que nosso conceito de “verdade”, que hoje em dia implica a coerência entre um dado empírico e o que se diz dele, não é igual ao daqueles tempos tempos em que os textos bíblicos foram redigidos (depois de terem sido, em alguns casos, transmitidos oralmente), pois “verdade” para eles implicava na autenticidade, ou seja, na ideia de ser “fiel, estável, merecedor de confiança”</em>. Algumas das postagens não são as listas de erros bíblicos, mas o alerta vale pra elas mesmo assim:</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Não julgueis</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">26d776-nao-julgueis</guid>
      <pubDate>Thu, 23 Apr 2026 12:21:03 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/04/2026 - Teologia experimental</p><p>Print <a href="https://www.threads.com/@lanny_nascimento23/post/DXX7Y3zkVO6">desta postagem aqui</a> no threads.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Teologia de terracota</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">26d775-teologia-de-terracota</guid>
      <pubDate>Thu, 23 Apr 2026 07:15:50 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/04/2026 - Teologia experimental</p><p><small>A imperfeição da realidade é melhor que a perfeiçã das ilusões</small></p><p>Quando Espinoza escreveu “por realidade e perfeição entendo a mesma coisa”<sup>1</sup>, isso era argumento para ele demonstrar a concepção panteísta que ele tinha de Deus (para ele, as coisas só eram reais na medida em que são manifestações de Deus e meio que eram Deus, quer fosse a beleza da luz decantada em cores num arco-íris, quer fosse a tristeza de um ovo podre cheirando mal, por exemplo). Para um panteísta assim, refletir sobre o arco-íris ou sobre o ovo podre já é fazer teologia.</p><p>Eu já li inúmeras definições do que é teologia e, para mim, a melhor definição foi a que um curso no site do Senado deu, mas sobre política: “grandes correntes de pensamento político não são objetos que possam ser estudados a partir de uma definição clara, unívoca, aceita por todos”<sup>2</sup>, quer dizer, o Islã e o hinduísmo provavelmente vão dar definições diferentes do que é teologia, diferentes tradições cristãs também, e mesmo dentro só de uma só podem ter várias, já que as inúmeras definições que eu li foram todas definições católicas.</p><p>O Magistério da Igreja não ajuda muito, basicamente explica que a teologia não pode abrir mão do que o próprio Magistério ensina, mas também não deve virar um papagaio de pirata do mesmo magistério (<a href="https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/cti_documents/rc_cti_doc_20111129_teologia-oggi_po.html#2.4._Respons%C3%A1vel_ades%C3%A3o_ao_magist%C3%A9rio_eclesi%C3%A1stico">Teologia hoje: perspectivas, princípios e critérios, 37</a>)<sup>3</sup>. Também tem a definição de Clodóvis Boff, que embora eu não tenha lido a Teoria do método teológico dele, é mais ou menos como a fé no modo ciência, que que tem como objeto a Revelação – uma das piores coisas na minha opinião é a teologia tentar validar-se como ciência, meio que pegando carona na credibilidade científica, porque por mais que a ciência seja verdade, nem tudo o que é verdade é científico<sup>4</sup>; ou a de Gustavo Gutiérrez, “La teología es una reflexión sobre la fe, y la fe lo que tiene que hacer es movilizar a las personas para cambiar.”<sup>5</sup>, mas por mais bonita que seja, parece mais a descrição de uma função do que uma definição<sup>6</sup>.</p><p>As melhores definições que eu encontrei até agora, que são da teóloga Larissa Menegatti e dos padres Pierre Bigo e Fernando Bastos de Ávila, vão citadas respectivamente aí embaixo num mesmo bloco:</p><blockquote id="teologia">
<p>[A teologia contemporânea parte] não apenas de uma visão do “alto”, mas também de um olhar encarnado na história, e que considera a própria realidade circundante. … não se trata dele [do teólogo] em si mesmo, mas em sua fé, ou seja, em sua relação com Deus.<sup>7</sup> … a teologia, como disciplina, vale dizer como discurso educado da fé cristã, é uma só. A ótica que a especifica é contemplar tudo sob a luz da fé: primeiramente Deus e em seguida todas as coisas à luz de Deus. O objeto da teologia não é somente Deus enquanto acessível à razão ou enquanto revelado, mas, como já ensinava santo Tomás, também todos os seres enquanto podem ser vistos à luz de Deus. Pertence também à tarefa da teologia falar de política, de economia, de sociedade, enquanto não fale politicamente nem economicamente, porém teologicamente, isto é, à luz de Deus. Essa é a consideração específica do discurso teológico.<sup>8</sup></p>
</blockquote><p>Para mim são as melhores definições porque deixam claro que a teologia pressupõe a fé, mas pressupõe que está fé esteja inserida em uma realidade concreta, não em um céu platônico ideal – e por isso que me ocorreu a frase de Espinoza no começo, que realidade e perfeição<sup>9</sup> sejam a mesma coisa. Não que, como eu já disse, seja por considerar que tudo é Deus e como Deus é perfeito, tudo é perfeito, mas porque a fé precisa ser vivenciada na realidade que existe, não em uma realidade passada, ou idealizada, ou projetada. E quando aparecem teologias que deturpam o cristianismo, é porque estão baseadas em uma realidade igualmente deturpada (ou porque já passou, ou é uma idealização ou uma projeção).</p><p>Acho que a melhor demonstração disso, dessa fé inserida na realidade<sup>10</sup>, é a explicação dessa mestra em arte sacra<sup>11</sup> do porquê a imagem de Nossa Senhora Aparecida não é branca-que-perdeu-a-cor e sim negra:</p><p>—</p><p><sup>1</sup> Ética demonstrada à maneira dos geômetras – mas não lembro em qual capítulo, proposição ou página está (só sei que está lá).</p><p><sup>2</sup> Do curso Doutrina Política: Novas Esquerdas – Turma 1 em <a href="https://saberes.senado.leg.br/">saberes.senado.leg.br</a>:

<blockquote>
Grandes correntes de pensamento político não são objetos que possam ser estudados a partir de uma definição clara, unívoca, aceita por todos. Adversários e partidários têm interpretações diferentes de cada corrente, e mesmo no interior de cada uma delas encontramos divisões importantes. A seleção de assuntos e autores feita no curso é, portanto, necessariamente parcial.
</blockquote></p><p><sup>3</sup> “Hoje”, no caso do texto citado, é 2012, mas claro que o texto ainda vale hoje, quer dizer, 2026, nesse caso.</p><p><sup>4</sup> Quer dizer, “eles passarão, eu passarinho” ou “liberdade é uma palavra que não há quem explique e ninguém que não entenda” não são proposições científicas, por exemplo, mas também são verdade, mesmo sendo poesia, e acho que o mesmo vale para a teologia.</p><p><sup>5</sup> Outra que eu não sei de onde eu tirei, talvez daquele livro dele considerando o marco inicial da Teologia da Libertação (não lembro agora o nome), mas sei que a frase é dele.</p><p><sup>6</sup> Ou melhor, uma definição determinada por uma função; em todo caso, quem fala mal da fé cristã chamando-a de fantasia também está fazendo uma reflexão sobre a fé, e portanto também estaria fazendo teologia, por exemplo, se “reflexão sobre a fé” fosse uma definição.</p><p><sup>7</sup> Fundamentos científicos da fé cristã, p. 45.</p><p><sup>8</sup> Fé cristã e compromisso social, p. 139. A referência que eles fazem a s. Tomás de Aquino está na Summa Theologica P. I, Q1, A7 (não que eu tenha ido lá ver, eles é que colocaram no texto deles).</p><p><sup>9</sup> Não estou me referindo à perfeição à qual Jesus nos chama a alcançar, a perfeição da nossa filiação divina adotiva, que grosso modo é uma perfeição “em construção”, um trabalho de Deus em nós e nosso com Deus.</p><p><sup>10</sup> Que em todo caso é melhor porque existe, ao contrário da "perfeição" das ilusões, que não existe.</p><p><sup>11</sup> O vídeo original está no perfil do instagram de <a href="https://www.instagram.com/anarocha.art/reel/DXL-tQgjPFt/">@anarocha.art</a>.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Para sempre</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">26d774-para-sempre</guid>
      <pubDate>Thu, 23 Apr 2026 04:46:39 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/04/2026 - Teologia experimental</p><img width="600" alt="" src="/midia/26d774-para-sempre.png"/><h3>Se Cristo for o foco central, a vida eterna será a consequência</h3><p>Uma das ideias de Aristóteles que eu nunca entendi foi sobre as causas. Aparentemente existem quatro causas, ou quatro sentidos de causas, que podem ser o motivo pelo qual se faz alguma coisa, ou o objetivo, ou aquilo que desencadeia alguma coisa, e tem mais uma coisa aí que eu não me lembro. O que eu me lembro é que, pra mim, todas as quatro se dissolviam mais ou menos na mesma coisa (e acho que tem um quadrado lógico envolvido nessa história, mas posso estar confundindo uma outra coisa aí no meio). Desculpe não poder ajudar quanto a isso.</p><p>Eu sei, porém, que no meio disso surge a questão do telos, o objetivo. Eu lembro (muito vagamente) que (provavelmente) Espinoza cirticou (provavelmente) Descartes por colocar o telos, o objetivo, no lugar da causa …(momentos de reflexão ou de confusão mental)… aí no fim o problema é que Alguém criticou Outrem por tomar o efeito pela causa, mais ou menos como um sujeito atraído por uma garota que jura que ela está afim dele e conclui que é porque ela quer ele que ele quer ela.</p><img width="600" alt="" src="/midia/26d774-para-sempre.png"/><p>Cadeados fechados em determinados locais públicos são símbolos de eternidade
<p>Isso tudo porque o objetivo (o fim, o telos, a causa, seja lá o que for) do cristianismo não é alcançar a vida eterna. O objetivo do cristianismo é seguir Jesus. A vida eterna é só a consequência disso, mas não é a única e nem a principal¹. Mesmo a vida (a plenitude da vida, a vida plena, a vida verdadeira, etc) não é a consequência principal, porque a consequência principal é: Jesus (por isso que no começo eu encrenquei com a ideia de confundir causas e efeitos, mas é isso: Jesus é causa e consequência – alfa e ômega, se for pra escrever em termos bíblicos).</p>
<p>Mesmo quando são Paulo faz comparações entre o cristianismo e atletas correndo atrás da coroa de louros da vitória, é no sentido de responder à graça de Deus. Normalmente atletas disputam (não mais uma coroa de louros e sim) uma medalha de ouro por conquistarem o primeiro lugar, quer dizer, graças ao seu esforço eles conquistam esse prêmio; no caso do cristianismo, a “medalha de ouro” da vida eterma já foi conquistada por Cristo, e o esforço cristão só é possível por causa disso². Todo o esforço, disciplina e ascese cristãos não são a edificação de um propósito, a batalha por uma vitória, o esforço por uma recompensa e por aí vai, mas são o resultado de uma graça que já foi conquistada por Jesus³, e é só por isso que podemos ter uma feliz Páscoa.</p>
<p>(Foto de <a href="https://unsplash.com/pt-br/@anetakpawlik?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Aneta Pawlik</a> na <a href="https://unsplash.com/pt-br/fotografias/um-monte-de-cadeados-estao-presos-a-uma-cerca-hLp_yDqFtcE?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a>)</p>
<p>—</p>
<p>¹ Tecnicamente não viveremos no tempo, que vai acabar, então não vai ser eterna. Mas não tem jeito melhor de colocar isso porque ninguém, ou pelo menos eu não tenho, a experiência da ausência de tempo (o que é diferente da experiência da falta de tempo, que infelizmente eu conheço bem).</p>
<p>² E só faz sentido por causa disso; por isso que Paulo diz que se Jesus não ressuscitou, nossa fé é inútil. E é claro que nossos esforços, disciplina, ascese, etc, são indispensáveis, mas o foco dos esforços, disciplinas, etc, é seguir Jesus (porque ele não vai seguir-se a si mesmo no nosso lugar). Parafraseando o evangelho de são Mateus 6,33: buscai primeiro seguir Jesus, e tudo o mais (incluindo a vida eterna) vos será acrescentado.</p>
<p>³ Estou pensando naquelas velas (ou como era antigamente, bancos de igreja e vitrais) com uma plaquinha de “em agradecimento por uma graça alcançada”.</p>
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>📚 Razão e misticismo (Karen Armstrong)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">26c773-razao-e-misticismo-karen-armstrong</guid>
      <pubDate>Mon, 30 Mar 2026 02:47:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>30/03/2026</p><blockquote>
<p>Mythos e logos eram indispensáveis para o mundo pré-moderno. Dependiam um do outro para não empobrecer. Contudo eram essencialmente distintos, e considerava-se perigoso confundir seus discursos. Cada qual tinha sua função. O mito não era racional; suas narrativas não comportavam demonstrações empíricas. O mito fornecia o contexto que dava sentido e valor às atividades práticas. Tomá-lo como base de uma política pragmática podia ter conseqüências desastrosas, porque o que funcionava bem no mundo interior da psique não se aplicava necessariamente aos assuntos do mundo exterior. Por exemplo, ao convocar a primeira cruzada, em 1095, o papa Urbano II agiu no plano do logos. Queria que os cavaleiros europeus parassem de lutar entre si e de dividir a cristandade ocidental e fossem gastar suas energias numa guerra no Oriente Médio e ampliar o poder da Igreja. No entanto, quando essa expedição militar se misturou com mitologia popular, textos bíblicos e fantasias apocalípticas, o resultado foi catastrófico do ponto de vista prático, estratégico e moral. Durante o longo período das cruzadas seus participantes prosperaram sempre que o logos prevaleceu. Tiveram bom desempenho no campo de batalha, fundaram colônias viáveis no Oriente Médio e aprenderam a relacionar-se satisfatoriamente com a população local. Quando começaram a basear sua conduta numa visão mítica ou mística, amargaram freqüentes derrotas e cometeram terríveis atrocidades.</p>
</blockquote><p>(Karen Armstrong, Em Nome de Deus — Copiado de um PDF, portanto eu não sei as páginas.)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Origem divina da autoridade</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">26c772-origem-divina-da-autoridade</guid>
      <pubDate>Tue, 24 Mar 2026 23:11:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>24/03/2026</p><p>Jesus rejeita o poder opressivo e despótico dos grandes sobre nações (cf. Mc 10, 42) e suas pretensões de fazerem-se chamar benfeitores (cf. Lc 21, 25), mas nunca contesta diretamente as autoridades de seu tempo. Na diatribe sobre o tributo a ser pago a César (cf. Mc 12, 13-17), Ele afirma que se deve dar a Deus o que é de Deus, condenando implicitamente toda tentativa de divinizar e de absolutizar o poder temporal.</p><p>Jesus, o Messias prometido, combateu e desbaratou a tentação de um messianismo político, caracterizado pelo domínio sobre as nações (cf. Mt 4, 8-11). Ele é o Filho do Homem que veio «para servir e entregar a própria vida» (Mc 10, 45).</p><p>Copiado da Doutrina Social da Igreja.</p><p>“… a autoridade tem sua origem no Criador. Isto não significa que alguma pessoa detenha o poder por direito divino. Deus não legitima o poder de ninguém: a função de designar e organizar a autoridade é uma função humana. Porém, ‘é desígnio de Deus que haja uma autoridade na sociedade'”</p><p>(P., 499). (Fé Cristã e Compromisso Social, p. 97)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Guerra Espiritual</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">26c771-guerra-espiritual</guid>
      <pubDate>Sun, 22 Mar 2026 05:01:09 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>22/03/2026</p><p>Toda vez que eu ouço falar em “guerra espiritual” o que me vem à mente é uma das cenas de um livro de uma <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Marion_Zimmer_Bradley#Alega%C3%A7%C3%B5es_de_pedofilia">escritora com uma moral bastante questionável</a> que se passa em um planeta onde a maioria das pessoas é meio telepata, mas algumas são mais telepatas e outras, ainda, são uma espécie de “telepatas profissionais”, que trabalhavam em uma espécie de convento de telepatas chamados torres, e aí duas dessas torres entraram em guerra – uma guerra telepática em que eles se viam no plano espiritual (chamado de zona cinzenta) e faziam coisas uns contra os outros à distância.</p><p>Fora desses livros quem fala em guerra espiritual quase sempre está falando de religião, e acho que na maioria dos casos, de religião cristã. E acho que (correndo sérios riscos disso que eu acho acabar virando assunto em alguma confissão) esse tipo de pessoa está no melhor lugar que deveria, porque igreja também serve para ser curado – aqui vem a parte que talvez eu tenha que mencionar na confissão – porque a fixação que certos cristãos tem com a guerra chega a ser doentia.</p><p>Eu sei que na Bíblia, especialmente no Antigo Testamento, uma boa parte é guerra, mas desde que Cristo nasceu, morreu por nós e ressuscitou, tem que ler o Antigo Testamento à luz do Novo Testamento, e não fazer de Jesus algum tipo de Guerreiro Espiritual de última hora. Inclusive no Novo Testamento também existem referências bélicas, como os soldados perguntando pra João Batista como se converter (e ele mandou eles não reclamarem do salário nem agirem com injustiça, se não me engano), o rei da parábola que ia guerrear com outro que tinha mais soldados e Jesus disse que era melhor o rei com menos soldados ir lá e negociar do que ir pra guerra desfalcado, o centurião dizendo a Jesus que também tinha subordinados que lhe obedeciam (e portanto Jesus não precisava ir até não sei onde curar não sei quem, porque o centurião confiava na autoridade de Jesus) e depois Paulo combatendo o bom combate, etc, mas são referências bélicas e não um convite à luta armada.</p><p>Mesmo quando Pedro leva ao pé da letra o “levem uma espada”, e a usa para cortar a orelha de Malco, que estava junto com os que iam capturar Jesus, ele não bateu palmas pra Pedro, pelo contrário, repreendeu-o e foi atender o cara do time inimigo. Jesus nunca deixou de combater, mas sempre metaforicamente¹</p><p>Também tem aquela história de que Miguel, que significa “Quem como Deus?”, tem esse nome porque quando os anjos rebelados – posteriormente conhecidos como demônios – lutavam contra os anjos fiéis, diante das injúrias que o inimigo dizia contra Deus para convencer os anjos que permaneceram fiéis, Miguel teria dito justamente isso, “quem como Deus?” – mas foi uma batalha entre anjos e demônios para a qual Cristo não nos convocou (pois a convocação que Cristo faz é para segui-lo, e não para se alistar em exército nenhum), e mesmo assim ensinou que nossa parte nesta luta é o que se faz na Quaresma, Jejum e oração (não que seja para fazer só na Quaresma, enfim).</p><p>Então isto tudo era para argumentar que: nada na Bíblia sustenta nem justifica guerras espirituais; nada justifica dizer que existe uma guerra espiritual em curso; nada justifica adotar uma linguagem belicista para tratar de religião, a não ser tentar perverter o cristianismo.</p><p>Se fosse para ser mais bíblico, teria que se falar em uma agricultura espiritual, como a história do semeador, e as 651545149 parábolas com líros no campo, figueiras, celeiros e colheitas; ou em marujos espirituais, como os apóstolos chamados a serem pescadores de homens ou assustados na barca ou em que Jesus estava dormindo, ou para a qual se dirigia caminhando sobre as águas; pastores espirituais (o que dispensa exemplos); carpintaria espiritual (afinal Jesus também era o filho do carpinteiro); administração espiritual (as donas de casa das parábolas e outros administradores); etc, etc.</p><p>A imagem é de Christiaan Tonnis sob uma licença CC BY-SA 2.0, via <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mental_health_female_warrior_art.jpg">Wikimedia Commons</a>.</p><p>¹ Bom, teve o caso dos comerciantes no Templo, mas foi uma explosão momentânea de indignação contra o comércio espiritual que virou, e não uma espécie de rapa religioso sistematicamente organizado – nem uma milícia anti-comércio espiritual.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Introdução à vida não fascista (Foucault)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">26c770-introducao-a-vida-nao-fascista-foucault</guid>
      <pubDate>Thu, 19 Mar 2026 10:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/03/2026</p><blockquote>
<p>“Eu diria que O Anti-Édipo (possam seus autores me perdoar) é um livro de ética, o primeiro livro de ética que se escreveu na França desde muito tempo (é talvez a razão pela qual seu sucesso não se limitou a um “leitorado” particular: ser Anti-Édipo tornou-se um estilo de vida, um modo de pensamento e de vida).</p>
<p>Como fazer para não se tornar fascista mesmo (e sobretudo) quando se acredita ser um militante revolucionário? Como livrar do fascismo nosso discurso e nossos atos, nossos corações e nossos prazeres? Como desentranhar o fascismo que se incrustou em nosso comportamento?</p>
<p>Os moralistas cristãos buscavam os traços da carne que se tinham alojado nas dobras da alma. Deleuze e Guattari, por sua vez, espreitam os traços mais íntimos do fascismo no corpo. Prestando uma modesta homenagem a São Francisco de Sales, poderíamos dizer que O Anti-Édipo é uma introdução à vida não fascista.</p>
<p>Essa arte de viver contrária a todas as formas de fascismo, estejam elas já instaladas ou próximas de sê-lo, é acompanhada de certo número de princípios essenciais, que resumirei como segue [<a href="https://www.geledes.org.br/introducao-a-vida-nao-fascista-foucault/">neste link para o Geledés, de onde eu copiei este texto</a>]</p>
</blockquote>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>50 Tons de Trevas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">26c769-50-tons-de-trevas</guid>
      <pubDate>Tue, 17 Mar 2026 05:22:56 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/03/2026</p><p>Existe uma grande diferença entre mostrar uma nova perspectiva sobre alguma coisa – uma visão diferente, uma nova luz, até mesmo um novo elemento, ou um desdobramento – e querer abrir os olhos de alguém para alguma coisa.</p><p>Quem quer abrir os olhos de outra pessoa para qualquer coisa, uma coisa que (na cabeça do abridor de olhos) a outra pessoa não enxerga porque depende de uma ação dela que agora, finalmente, vai acontecer porque apareceu alguém para lhe fazer fazer uma coisa que ela não faria sem que esse alguém tivesse aparecido, provavelmente só quer lhe fazer fazer alguma coisa que não existe motivo nenhum para ser feita a não ser fazer a outra pessoa de trouxa.</p><p>Eu desconfio obstinadamente de qualquer abridor de olhos por puro instinto, mas talvez agora eu tenha uma referência bíblica para justificar a minha paranóia1 desconfiança:</p><blockquote>
<p>Então, Jesus disse: “Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem vejam e os que veem se tornem cegos”. Alguns fariseus, que estavam com ele, ouviram isso e lhe disseram: “Porventura também nós somos cegos?” Respondeu-lhes Jesus: “Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis ‘nós vemos’, o vosso pecado permanece”. (João 9,39-41)</p>
</blockquote><p>Os olhos abertos dos fariseus querem dizer que eles não precisam que Jesus lhes abra os olhos, como quem diz “não vem querer ensinar o padre a rezar a missa”, ou seja, eles tratan as trevas que eles enxergam como uma luz e “abrem” os olhos dos outros para essas mesmas trevas como se estivessem fazendo os outros verem a luz. Não que isso seja uma interpretação com grande valor teológico ou que tenha alguma serventia para uma homilia – mas é uma intepretação pelo menos possível.</p><p>Em todo caso, serve para todos os abridores de olhos que aparecem por aí: os iluminadores políticos, os iluminadores religiosos, os ilumindores comportamentais, os iluminadores psicológicos, etc, e não quero dizer, vou reforçar, que novas perspectivas, ampliação de perspectivas, esse tipo de coisa, sejam ruins.</p><p>Mas, e é isso que eu vou usar de argumento daqui pra frente, só quem pode abrir nossos olhos é Jesus. Quaisquer outras luzes são no máximo diferentes tons de trevas tentando se passar por uma iluminação.</p><p>A imagem é de <a href="https://unsplash.com/pt-br/@vandaantje?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Danielle Suijkerbuijk</a> na <a href="https://unsplash.com/pt-br/fotografias/petalas-abstratas-de-flores-cor-de-rosa-em-foco-suave-HaTBhwPC5z4?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p><p>—</p><p>1 Desconfio que hoje em dia seja “paranoia” sem acento, mas não tenho certeza.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>É que eu não sirvo nem para procurar emprego</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 12 Mar 2026 07:55:48 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/03/2026 - Teologia experimental</p><p><em>Texto de Mario Amadas no </em><a href="https://ctxt.es/es/20260301/Culturas/52441/mario-amadas-trabajo-buscar-curriculum-linkedin-contactos.htm"><em>Ctxt.es</em></a><em> que eu copiei e traduzi por conta própria</em></p><p>Procurar emprego é como tatear no escuro. Você nunca sabe com o que vai se deparar nas plataformas de busca nem com o tipo de ofertas que vai encontrar, e até mesmo as ofertas que combinem mais ou menos com seus interesses estarão descritas em termos tão imprecisos e confusos que nada nunca ficará muito claro, e aí eu diria que o que mais se parece com nossas buscas é uma versão trabalhista dos números cantados nos bingos de quermesse de igreja¹ que conhecemos. Vamos ver por quê.</p><p>Existem várias maneiras de procurar trabalho. A mais comum, suponho, é mergulhar na vasta oferta de plataformas de busca virtual como Infojobs, Indeed, Glassdoor, Trabajos.com, Infoempleo e o sem-fim² de armadilhas como essas, e ver se alguma das vagas se achega como um petzinho tímido curioso com seus chamados, e talvez você tenha sorte. O Linkedin, como rede social para encontrar trabalho, é outra coisa mas que no fundo é mais do mesmo: você tem uma longa lista de contatos que podem se interessar por você ou recomendar algo que possa lhe interessar – ou pode ser que seja você que venha a recomendar algo que possa lhes interessar – e depois há as próprias vagas, para as quais você se candidata, e algumas delas podem até dar uma olhada no seu perfil, vocês conversarem um pouco e nada mais. Mas se, por pura casualidade, você se candidatar e sua candidatura passar pelos primeiros filtros de seleção arbitrários e for chamado para uma entrevista, verá que a descrição da oferta geralmente tem pouco a ver com o que lhe explicam nessas primeiras etapas do processo seletivo, assim como o trabalho do dia a dia, se você finalmente conseguir o emprego, também terá pouco a ver com o que lhe explicaram durante o processo de candidatura.</p><p>Então a primeira dificuldade para conseguir trabalho vem da própria vaga mal redigida. E todos sabemos que algo como “um trabalho”, tão mutável e indefinido, não pode ser resumido direito em dois ou três parágrafos. Mas isso é uma coisa, e outra bem diferente é quando tudo é descrito em termos tão vaporosamente vagos que custa muito fazer alguma ideia exata de em que consiste o trabalho em questão, para que você possa decidir se vai tentar ou não tentar e ajustar um pouco mais a busca ou sua auto-apresentação.</p><p>O acúmulo de vagas nessas plataformas acaba por automatizar sua busca. Há tnta urgência em encontrar algo, e tanta pressa para pagar os boletos, que você ignora seus próprios critérios, como ter um emprego perto de casa ou, delirando um pouco, que você até goste, para se adaptar ao que vê, o que lhe leva a ceitar qualquer coisa mais ou menos. Assim começa essa sensação de vazio. Você vê tanta coisa e precisa tanto, que busca sem parar, e a busca desse jeito não é nem específica nem de acordo com o que você realmente gosta.  </p><p>Louise Glück diz em El iris salvaje que no final de seu sofrimento há uma porta, mas no final da busca por emprego nunca há o que realmente se quer. Nunca há nada que combine com seus gostos, nada que se aproxime dos seus sonhos, exceto em candidaturas espontâneas (um método frustrante de busca de emprego sobre o qual retornarei mais abaixo). Algumas ofertas pode ser que se pareçam, mas nunca são o que você realmente deseja. E nessas ofertas, geralmente há duzentos ou trezentos candidatos esperando a sua vez para a mesma vaga que você. Então, o que você faz nesse caso? Nada. Você envia seu currículo e pronto. tomara que gostem.</p><p>No fim das contas você é um produto que precisa se vender na entrevista. Ao final da busca, quando finalmente chega às primeiras entrevistas, você já se tornou o seu próprio seotr de vendas. Seu currículo – especificamente adaptado à vaga em questão – e, claro, sua carta de apresentação, são seus únicos recursos para fazer RH lhe descobrir no meio da multidão e lhe comprar.</p><p>Um currículo e uma carta de apresentação são pequenos fragmentos de autoengrandecimento onde o RH, sem dúvida, encontrará a confirmação definitiva de um talento e habilidade que ninguém nunca viu na história desse país. São documentos estrategicamente confeccionados para convencer, mas não são coisas que naturalmente convenceriam alguém de qualquer coisa. Assim, estamos legitimando algo que, no fundo, não tem nenhuma legitimidade. É, mais uma vez, um pacto fictício: ambas as partes acreditamos somos o que está nessa folha. Que estamos bem representados aí. Sim, os departamentos de RH precisam de alguma coisa pra se agarrar, mas o que esperam que digamos nessas cartas? Que somos pessoas preguiçosas, impontuais e que não querem trabalhar? Todos dizemos uma variação da mesma coisa: contrate-me, você me quer/você me precisa, sou melhor que todo mundo – uma promessa, cuja formulação dependerá dos pudores de cada pessoa ao escolher um tom ou outro para se apresentar. Mas é sempre a mesma coisa.</p><p>Você também nunca sabe se está sendo detalhista demais ou não, prolixo demais ou conciso demais, e tudo é tão arbitrário que não há consenso ou qualquer tipo de argumento para orientá-lo sobre o quanto dizer. Você pode pensar que detalhar seus estudos e experiência profissional seria útil, mas pode ser que tivessem preferido uma carta descrevendo suas motivações, algo mais pessoal que o defina melhor do que uma lista de estudos e empregos anteriores. Se sua carta de apresentação será bem recebida ou não é só por uma questão de sorte.</p><p>É enlouquecedor, mas você nunca sabe o que fazer para conseguir ou não a vaga. Tudo é tão opaco, cada etapa do processo tão nebulosa, tão dependente de cada oferta, que você não tem como saber o que deveria ter dito ou feito. A gente nunca sabe de nada.</p><p>Depois, há o eterno debate (que na verdade nunca é um debate, porque apenas uma das partes, o empregador, tem o poder de influenciar a realidade) sobre se o salário deve ou não ser incluído no anúncio da vaga, sobre se o conhecido princípio do “salário a combinar” faz sentido. Isso sempre prejudica os candidatos, porque não há como saber se vale a pena ou não. Uma pesquisa rápida revela que, quando incluem o salário, simplesmente fornecem uma faixa, entre dezoito e vinte e quatro mil, por exemplo, como se estivéssemos falando de uma diferença de cem ou duzentos euros. Tudo, dizem eles, depende do candidato, o que implica que não estão pagando pela vaga, mas pela pessoa, e que alguém que fala quatro idiomas receberá mais do que alguém que fala três. Pagam a uma pessoa que não conhecem por qualificações que consideram óbvias. Como acham que isso afeta as pessoas? Será que sabem? Será que sequer se fazem essa pergunta? Baseiam-se em dados objetivos, que veem refletidos no papel, e não naquilo que a pessoa pode contribuir, ao longo do tempo, para o ambiente e para o próprio trabalho, porque tudo isto são pressupostos a priori impostos como se fossem a grande verdade final.</p><p>Acredito que, como empresa, eles sempre têm a obrigação de pagar o máximo possível. É uma obrigação moral. Se a escala salarial varia de um mínimo de dezoito mil (ou menos) a um máximo de vinte e quatro mil (ou muito menos), significa que esses vinte e quatro mil euros são alcançáveis. E se você, ciente disso, vê que estão lhe pagando dezoito mil e quinhentos, já começa com o pé esquerdo, porque a empresa o valoriza apenas um pouco acima do mínimo (muito macabras essas últimas palavras). Você se sente menos valorizado e menos respeitado. Se, para uma vaga de tradutor técnico em uma empresa de máquinas pesadas, me dizem que vão me pagar dezoito mil por causa da minha formação em humanas, mas que se eu viesse da área de engenharia me pagariam vinte e sete mil para fazer o mesmo trabalho (um exemplo real, aliás), significa que as noções preconcebidas que mencionei anteriormente são, na realidade, um classismo estrutural que se impõe até mesmo nas entrevistas como um filtro, como uma seleção natural muito precisa de candidatos. Por isso, o salário deve estar vinculado ao cargo, e não ao candidato, que ainda não é conhecido.</p><p>Outros dirão que, com toda a sua formação acadêmica e domínio de vários idiomas, já merecem um salário maior do que alguém que se candidata à mesma vaga sem tanta experiência. Em outras palavras, possuem certos pré-requisitos que justificam receber um salário maior, independentemente do seu desempenho no trabalho. Se eu vir que você tem duas graduações e dez anos de experiência, pagarei mais do que se você tivesse uma graduação e dois anos de experiência. Por quê? O que justifica isso? Simples: a pessoa com duas graduações fará um trabalho melhor. Mas você tem certeza? Entronizado atrás dessa elegante mesa de mogno, você acha que sabe o suficiente para decidir que X merece receber mais do que Y por um trabalho que ainda nem começou, baseado unicamente no que está escrito em um pedaço de papel.</p><p>Esse é o critério. Esse é o grau do absurdo que estamos enfrentando.</p><p>Eu, por exemplo, tenho um diploma (em Humanidades) e um mestrado (em Crítica e Comunicação Cultural). E o que isso significa? Estritamente falando, nada. Será que os meus diplomas, só por causa deles, por causa dessas duas entradas no meu currículo, me dão o direito a um salário mais alto do que alguém que tem apenas um diploma ou que não estudou, mas que, devido à sua vocação e capacidade, pode candidatar-se exatamente aos mesmos empregos que eu? De modo nenhum. Isso não justifica nada. Paguem o máximo e depois decidam, com base na experiência diária, se a pessoa é um bom profissional.</p><p>E quanto à sua formação, ao que você estudou ou fez antes? Sim, às vezes é necessário conhecimento específico (não iríamos a um dentista que não soubesse o que está fazendo), mas esse treinamento é focado em uma (única) função, algo tão específico que faz parte do próprio trabalho: você exerce essa função porque foi treinado (apenas para isso). Mas para empregos que não exigem um treinamento tão específico, como quase qualquer emprego que exija formação em humanas, os critérios de seleção se tornam muito mais vagos, eu diria até mesmo indefinidos.</p><p>Além disso, existem outros fatores que determinam o bom ou o mau desempenho de alguém, e não apenas sua formação acadêmica, como diplomas de graduação ou mestrado. Reitero aqui, neste artigo flopado, que o salário deve sempre ser o máximo, por respeito a alguém que dedicará tanto do seu tempo a algo que não lhe pertence e não será para ela. Se a empresa pode pagar vinte e quatro [mil], deve pagar vinte e quatro [mil]; estará agindo de forma moralmente correta, e o contratado perceberá o comprometimento da empresa e trabalhará, pelo menos em termos salariais, com satisfação. E se o contratado não se adaptar, não tiver um bom desempenho ou qualquer outro problema, a empresa sempre terá a opção de não concluir o período de experiência. Estamos falando de situações em que a empresa não tem nada a perder.</p><p>Voltando ao que mencionei antes: candidaturas espontâneas são para a busca de emprego o que a ilusão é para o pensamento racional. Nesse tipo de busca, você envia, sem ser solicitado, um currículo irresistível, claro, com grande poder de persuasão, para uma empresa onde você gostaria de crescer, para usar o jargão da área, e espera que eles lhe chamem para uma entrevista. Ok, tudo bem. E depois? Nada.</p><p>A carta de apresentação é importante nesses casos, ainda mais do que em outros métodos de busca de emprego, porque o currículo sozinho não é suficiente para se destacar da multidão: “Eu sou essa pessoa e vocês precisam de mim” (o que, após o esgotamento dessas buscas, esconde um “tanto faz essa vaga e não acredito em nada do que vocês me dizem, mas preciso pagar o aluguel e é por isso que aceitarei o que não deveria aceitar”).</p><p>Você não perde o entusiasmo (mas perde), nem a esperança (mas perde também). A questão é que suas despesas estão se acumulando e se tornam a motivação mais eficaz que você tem para procurar emprego. Normalmente, porém, ninguém responde aos seus contatos, e o pior é que se candidatar a vagas sem ser solicitado é a única opção que realmente se alinha com seus gostos e aspirações, porque você está mirando em algo muito específico, algo que você já sabe que combina com você, algo que você gosta e onde você pode prosperar. É uma ação direta. No entanto, também é a opção mais frustrante. Porque você está enfrentando o nada.</p><p>Uma das consequências das dificuldades do trabalho ou da busca por emprego é que essa via crucis faz você se sentir uma fraude. Porque você sente que está fazendo algo errado. Que não encontrar um emprego é sua culpa. Que há algo em você que repele os departamentos de recursos humanos, que sua atitude é ousada demais ou tímida demais, que você não se capacitou o suficiente, que está procurando na área errada ou usando a abordagem errada. Por que os outros encontram emprego e eu não? O que estou fazendo de errado? É frustrante porque fazer o que você deveria fazer não está funcionando. E nas raras ocasiões em que alguém explica por que você não está avançando para a próxima etapa do processo seletivo ou por que não foi contratado, a explicação é genérica e impessoal, nunca específica, para ajudar você a entender sua situação, corrigir eventuais erros que possa ter cometido e ajudar você a buscar emprego melhor da próxima vez. Não há nada. E como não há nada, deve haver algo: você. E a culpa recai sobre você.</p><p>A verdade é que isso não tem nada a ver com você. Eles não lhe chamam porque existem centenas de pessoas como você, e acertar o tom nas entrevistas é simplesmente, e infelizmente, pura aleatoriedade. Você não sabe o que esperar porque não há como saber qual atitude ou palavras lhe garantirão o emprego, e porque a única coisa que define o processo seletivo é a arbitrariedade e o nepotismo. A única coisa que você pode fazer para conseguir um emprego, além de investir em educação (se puder) e ter um currículo apresentável, é persistir, usando todos os canais disponíveis e até mesmo aqueles que existem, mas que agora estão fora do sistema estabelecido e, eu diria, são ilógicos (como entregar um currículo pessoalmente), e continuar tentando até se esgotar ou até que alguma decisão arbitrária finalmente lhe dê a sua chance.</p><p>Se os anúncios de emprego fossem mais claros e a comunicação mais direta, se os critérios de seleção fossem exibidos com destaque na descrição da vaga e se o nepotismo não fosse tão disseminado, seria mais fácil para todo mundo encontrar trabalho. Tudo estaria em nossas mãos e ninguém além de nós mesmos poderia nos culpar pela nossa falta de sucesso. Como seria simples, então, saber o que fazer para encontrar emprego e tranquilidade.</p><p>—</p><p>¹ No texto original é “<em>así que yo diría que a lo que más se parecen nuestras búsquedas es a una variante laboral de esa to-to-tómbola de la canción que ya sabemos</em>“, e a <em>tómbola</em> é tipo um bingo de feira em não sei quais países hispanohablantes que virou <a href="https://www.letras.mus.br/marisol/855112/">letra de uma música</a> em que a cantora canta to-to-tómbola (mais ou menos como se cantasse “bin-bin-bingo” em português), aí como eu só vejo bingo em quermesse de igreja e não conheço nenhuma música sobre bingo, troquei a referência da “tómbola de la canción” pelos números cantados no bingo.</p><p>² Acho que ninguém usa “sem-fim” para dizer “infinito”, mas como no texto original é “<em>sinfín</em>“, eu lembrei da <a href="https://www.escritas.org/pt/t/1503/no-misterio-do-sem-fim">asa de uma borboleta entre o planeta e o sem-fim da Cecília Meireles</a>.</p><p>As imagens são, na ordem em que aparecem, de <a href="https://unsplash.com/pt-br/@wocintechchat?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Christina @ </a><a href="http://wocintechchat.com">wocintechchat.com</a><a href="https://unsplash.com/pt-br/@wocintechchat?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText"> M</a> na <a href="https://unsplash.com/pt-br/fotografias/tres-mulheres-sentadas-a-mesa-vzfgh3RAPzM?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a> (a das mulheres em reunião) e de <a href="https://unsplash.com/pt-br/@cytonn_photography?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Cytonn Photography</a> na <a href="https://unsplash.com/pt-br/fotografias/duas-pessoas-apertando-as-maos-n95VMLxqM2I?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a> (a do aperto de mãos).</p>]]></description>
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      <title>Os resíduos como uma nova forma de colonialismo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 10 Mar 2026 09:48:24 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/03/2026 - Teologia experimental</p><p>A busca por terras raras necessários para a transição energética é frequentemente considerada uma forma de neocolonialismo e hoje representa uma de suas manifestações mais evidentes, especialmente devido às suas implicações geopolíticas e econômicas. No entanto, existem outras práticas com uma estrutura neocolonial, menos visíveis, mas com consequências locais igualmente graves. Entre elas está a exportação de resíduos para a África e a Ásia por países ocidentais, especialmente plásticos, roupas usadas e lixo eletrônico.</p><p>A exportação de resíduos para o Sul Global é um fenômeno que persiste há décadas. No passado, foram feitas tentativas de regulamentá-la por meio da Convenção de Basileia sobre o Controle de Movimentos de Resíduos Perigosos (1989). Este documento visava não apenas limitar o movimento de resíduos, mas também ajudar os países em desenvolvimento a gerenciá-los e descartá-los de maneira ambientalmente correta.</p><p>Apesar das boas intenções, a Convenção não produziu resultados concretos na gestão internacional de resíduos. Pelo contrário, a situação piorou com o tempo. A exportação global de resíduos tem sido chamada de waste colonialism, ou colonialismo de resíduos, pois representa uma forma de exploração por países com um passado colonial sobre suas antigas colônias.</p><p>A manifestação mais comum desse fenômeno é a exportação de plásticos, que inicialmente não era abrangida pela Convenção de Basileia e só foi incluída em 2019 por meio de uma emenda específica.</p><p><strong>Ásia</strong></p><p>Durante anos, a China foi um dos principais destinos dos resíduos exportados, mas desde 2018 deixou de importar plásticos e outros resíduos. Como costuma acontecer em mercados sujeitos a restrições, os fluxos comerciais se deslocaram para outros países asiáticos, como Malásia, Vietnã e Indonésia, que receberam 1,4 bilhão, 1 bilhão e 600 milhões de quilos de resíduos plásticos, respectivamente, entre 2021 e 2023. A Índia também está entre os novos destinos, embora em quantidades menores. A Tailândia seguiu o exemplo da China e proibiu as importações de plástico a partir de 2025, depois de receber quase um milhão de toneladas entre 2018 e 2021.</p><p>Uma característica comum entre esses países é que a origem dos resíduos muitas vezes reflete antigas relações coloniais: Malásia e Índia importam plásticos do Reino Unido, enquanto o Vietnã os recebe da União Europeia.</p><p>A situação é ainda mais preocupante quando se leva em conta o aumento do valor total das importações de resíduos para a Ásia. De acordo com dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), entre 2017 e 2019, o valor das exportações de resíduos da União Europeia para os países da ASEAN — que incluem todos os estados asiáticos mencionados anteriormente, exceto China e Índia — aumentou 153%.</p><p>As consequências ambientais são evidentes. O aumento das importações de plástico nos países do Sudeste Asiático contribui para a poluição dos oceanos, já que uma parcela significativa do plástico nos mares provém de rios asiáticos, especialmente do rio Mekong, na Indochina.</p><p><strong>África</strong></p><p>O colonialismo dos resíduos também afeta a África. Além do plástico, o continente recebe grandes quantidades de roupas de segunda mão e lixo eletrônico. Esses materiais frequentemente se acumulam em aterros sanitários localizados nas principais cidades africanas, ao redor das quais surgiram bairros densamente povoados: Dandora em Nairóbi (Quênia), Agbogbloshie em Accra (Gana), Makoko em Lagos (Nigéria) e Tandale em Dar es Salaam (Tanzânia).</p><p>Um dos principais centros para onde vão roupas usadas é Accra, a capital de Gana. O problema reside no fato de que muitas dessas peças são feitas de materiais sintéticos e são difíceis de reutilizar. </p><p><strong>Fast fashion </strong></p><p>Isso é uma consequência direta do fast fashion, a indústria da moda descartável baseada no consumo rápido e em uma fraca cultura de reciclagem. Esse fenômeno, impulsionado principalmente nos países ocidentais, agora também envolve a China, que em poucos anos foi de importadora a exportadora de resíduos têxteis.</p><p>As roupas que chegam à África são revendidas em mercados de segunda mão, mas muitas acabam em aterros sanitários ou são queimadas. Essas práticas causam sérios danos ambientais.</p><p>Um estudo do Greenpeace de 2024 indicou que, em Accra, uma parcela significativa das roupas é usada como combustível doméstico, liberando poluentes e substâncias cancerígenas no ar.</p><p>Além disso, a presença de tecidos sintéticos em aterros sanitários promove a liberação de microplásticos que contaminam o solo, a água e o ar, afetando os ecossistemas locais.</p><p>Outra forma particularmente preocupante de colonialismo ambiental está relacionada ao lixo eletrônico, um dos tipos de resíduos que mais cresce no mundo. </p><p>De acordo com o último relatório da ONU, 62 bilhões de quilos de lixo eletrônico foram gerados em todo o mundo em 2022. A exportação desses materiais frequentemente vem de países do Norte Global como doações de equipamentos recicláveis ​​ou reutilizáveis. Por muito tempo, esse fluxo se aproveitou de uma brecha regulatória na Convenção de Basileia, que não regulamentava precisamente o comércio entre países exportadores e importadores. </p><p>Só recentemente foi introduzida uma nova emenda, em vigor desde 1º de janeiro de 2025, que regulamenta esses fluxos. Entre seus defensores está Gana, que, juntamente com a Nigéria, é um dos principais destinos do lixo eletrônico, embora a África seja o continente que produz a menor quantidade desse tipo de resíduo.</p><p>Um grande mercado de trabalho informal surgiu em torno da reciclagem e reutilização de lixo eletrônico. De acordo com um relatório de 2019 da Organização Internacional do Trabalho, quase 100.000 pessoas trabalham nesse setor na Nigéria, com capacidade para processar meio milhão de toneladas de resíduos por ano. Em Gana, segundo a ONG catalã Ciutats Defensores dels Drets Humans, cada tonelada de lixo eletrônico envolve aproximadamente quinze trabalhadores em atividades de reciclagem e duzentos em tarefas de reparos. Há também um significativo interesse econômico que dificulta o combate ao fenômeno: Gana arrecada cerca de US$ 100 milhões anualmente em impostos com a importação de lixo eletrônico, uma fonte de renda difícil de substituir.</p><p>No entanto, todas as atividades relacionadas à reciclagem e reutilização desses materiais envolvem sérios riscos à saúde e ao meio ambiente. De acordo com um estudo da Organização Mundial da Saúde, o gerenciamento de lixo eletrônico expõe a população a mais de mil substâncias químicas potencialmente nocivas ao cérebro, pulmões e sistema nervoso. Assim como na poluição plástica, os setores mais afetados tendem a ser os grupos sociais mais vulneráveis, especialmente mulheres e crianças.</p><p>—</p><p><a href="https://www.fides.org/es/news/77340-Los_residuos_como_nueva_forma_de_colonialismo_en_Africa_y_Asia">Texto original em espanhol</a> por Cosimo Graziani (Agência Fides, 11/02/2026). A imagem é da <a href="https://fastcompanybrasil.com/impacto/neste-natal-evite-comprar-roupa-o-planeta-agradece/">Fast Company Brasil</a>.</p>]]></description>
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      <title>Outro Teste</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 07 Mar 2026 17:31:50 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/03/2026</p><p>Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat. Duis aute irure dolor in reprehenderit in voluptate velit esse cillum dolore eu fugiat nulla pariatur. Excepteur sint occaecat cupidatat non proident, sunt in culpa qui officia deserunt mollit animit est laborum. Sed ut perspiciatis unde omnis iste natus error sit.</p><p>Voluptatem accusantium doloremque laudantium, totam rem aperiam, eaque ipsa quae ab illo inventore veritatis et quasi architecto beatae vitae dicta sunt explicabo. Nemo enim ipsam voluptatem quia voluptas sit aspernatur aut odit aut fugit, sed quia consequuntur magni dolores eos qui ratione voluptatem sequi nesciunt. Neque porro quisquam est, qui dolorem ipsum quia dolor sit amet, consectetur, adipisci velit, sed quia non numquam eius modi tempora incidunt ut labore et dolore magnam aliquam. </p>]]></description>
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      <title>Cristianismo Freemium</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 07 Mar 2026 11:16:08 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/03/2026 - Teologia experimental</p><p>Toda a doutrina da Igreja Católica está disponível em português no site do Vaticano – apesar de tudo: as letras são pequenas, os textos ficam praticamente ilegíveis no celular, algumas referências dá para saber do que se trata mas outras são incompreensíveis como “AAS não-sei-o-quê-lá” e, apesar de não ser frequente, uma vez eu precisei comparar o texto com a versão na língua original (que graças a Deus era italiano, e não latim, porque só sei reconhecer as palavras do Pai-nosso nessa língua), em inglês e em espanhol para entender o que ele queria dizer; fora isso, é “de graça” (consulte condições¹). Está tudo lá: tradição, magistério e a Palavra de Deus (de todas as Bíblias on-line, é uma das menos piores, ao menos entre as que são gratuitas).</p><p>É claro que o cristianismo não é baseado em um site, já que existiam cristãos antes de 1995, quando a <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Judith_Zoebelein">irmã Judith Zoebelein</a> colocou o site do Vaticano no ar: é em torno de uma paróquia que se vive o cristianismo. Não exclusivamente na paróquia, é claro, mas o cristianismo não é um exército de um homem só (nem é um exército, diga-se de passagem). Além disso, nem site nem paróquia nem coisa nenhuma vai adiantar sem que uma pessoa estabeleça uma relação pessoal e duradoura com Jesus Cristo, que não é um site, e com o qual se convive dentro e fora da igreja (fala-se muito da importância de ser cristão da porta da igreja pra fora, mas pouco se fala sobre quem esquece de Jesus da porta pra dentro, embora isso seja um outro assunto).</p><p>Em qualquer caso, é tudo de graça (consulte condições)². Para quem quiser ir além da missa, as paróquias costumam ter turmas de catequese, cursos bíblicos e/ou teológicos e outras coisas do tipo, tudo de graça (nas mesmas condições²). Então, por tudo isso, eu acho absolutamente incompreensível que existam cursos com “temáticas católicas”: como fazer um bom casamento, como ler a Bíblia³, as ideias do Padre Pio (que se não estão na Wikipedia, estão nos mesmos textos do Vaticano, já que ele é santo e portanto não deve ter reinventado a roda), e não me ocorre mais nenhum título de curso. Pra mim é tudo golpe, mesmo que (muito) eventualmente pode ser que seja um golpe meio involuntário.</p><p>Inscreva-se 🙂</p><p>Mas – e é aqui que vem o dedo apontado, pra acrescentar mais um assunto na próxima confissão – o que mais me choca são padres vendendo curso on-line. Eu sei que provavelmente eles não ganham bem, e que pode ser que um ou outro tenha despesas extras (um parente doente, arrecadação deficitária da igreja, qualquer coisa assim) mas, de modo geral me parece que a vocação era o sacerdócio, e não vender curso. Eu sempre imaginei que o “de graça recebestes, de graça deveis dar” (Mateus 10,8) não valesse só para os sacramentos que eles administram. Se um padre quer muito ensinar as pessoas a lerem melhor a Bíblia, normalmente ele tem uma paróquia onde pode oferecer isso, se ele descobriu ideias geniais entre as ideias do padre Pio, também.</p><p>A impressão que eu tenho é que pelo menos esses padres vendedores de curso estão inaugurando uma espécie de cristianismo freemium, com o “basicão” (sacramentos, missas, benção de terço) de graça, e quem quiser o cristianismo premium deles, que pague (só espero que as missas e as bençãos não venham “com propagandas que é o único jeito de manter o acesso gratuito”). E, embora eu não possa provar, tenho certeza mesmo assim que provavelmente esta versão premium tem o mesmo conteúdo que tem de graça no site do Vaticano (ou muito mais barato em algum livro na loja da Paulus ou da Paulinas). Eu entendo que qualquer um que se dedicou dez anos estudando um assunto ache normal cobrar para repassar o que aprendeu – mas os padres passaram dez anos estudando teologia para servir a Deus servindo às pessoas, se eu entendi direito, e não para investir num ramo com risco zero de prejuízo (pois quem duvidaria da qualidade de um produto – o curso – produzido e vendido por um “verificado” pela Igreja Católica?).</p><p>Eu, que estou muito longe de ser até mesmo um arremedo de especialista em Vaticano II, só tenho o mínimo de segurança pra entender o que eu ouço sobre isso porque há muitos anos fiz um curso com o falecido frei Boaventura Kloppenburg, sem o qual eu não teria aproveitado nem dez por cento da faculdade de teologia que eu fiz. E era de graça – tinha que pagar passagem, o ponto de ônibus era longe, às vezes tinha que pegar chuva, ou frio, ou frio e chuva pra chegar onde eles chamavam de “Cavalinho Branco”, acho que era esse nome – mas, fora isso, de graça. Uma vez, numa noite particularmente chuvosa e fria, ele “premiou” quem saiu de casa naquelas condições com um livro de textos do Vaticano II cheio de comentários dele que estão, para aqueles textos, mais ou menos como os comentários da Bíblia de Jerusalém (ou talvez seja a Bíblia do Peregrino, eu sei que uma delas é muito famosa como Bíblia de estudos) estão pro texto bíblico. De graça, promovido pela Diocese de novo Hamburgo, e não pelo Instituto Alguma Coisa em Latim com direito à devolução do dinheiro em <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/The_Ring_(2002)#Sinopse">sete dias</a> se você não gostar do conteúdo.</p><p>Nada contra um padre fazer um dinheiro por fora, mas porque não vai fazer isso vendendo Avon? (Eu esqueci e não vou sair atrás do nome daquele padre que ia no Gugu, não o padre Marcelo nem o padre Quevedo, mas como eu vi ele fazendo uma propaganda para alguma iniciativa social da Avon, então pra mim ele está vendendo Avon). Porque (ou será “porquê”? Eu nunca lembro) não abrir uma lanchonete do lado a igreja? Mas vender doutrina e ensinamentos religiosos que de outra forma são gratuitos, pra mim, parece ou uma releitura da venda de indulgências, ou um golpe.</p><p><strong>Foto de </strong><a href="https://unsplash.com/pt-br/@gl3nn?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText"><strong>Glenn Tan</strong></a><strong> na </strong><a href="https://unsplash.com/pt-br/fotografias/pessoas-em-pe-no-mercado-durante-a-noite-l3jU1tAEGzs?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText"><strong>Unsplash</strong></a></p><p>(Texto reciclado de 2024)</p><p>—</p><p>¹ Para acessar tem que pagar pelo computador e pela internet :/</p><p>² Claro que tem que pagar a passagem do ônibus, etc – eu às vezes vou na missa em igrejas perto do trabalho para economizar a passagem de ônibus pra igreja da minha paróquia, por exemplo, porque apesar de a igreja da minha comunidade ser do lado de casa, tem menos missas lá do que na sede da paróquia, porque o coitado do padre é só um.</p><p>³ Abra a Bíblia. Leia. Envie um pix agora que acabou o curso, obrigado.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>📚 Ideologia secularista (Karen Armstrong)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 27 Feb 2026 10:07:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/02/2026</p><blockquote>
<p>O Holocausto se tornaria um ícone do mal nos tempos modernos. Foi um subproduto da modernidade que, desde o início, envolveu com freqüência atos de limpeza étnica. Os nazistas utilizaram em seu programa de extermínio muitas das ferramentas e das conquistas da era industrial. Os campos de concentração constituíram uma hedionda paródia da fábrica, incluindo até a chaminé industrial. Fizeram pleno uso das ferrovias, recorreram à avançada indústria química, contaram com uma burocracia e uma administração eficientes. O Holocausto foi um exemplo de planejamento científico e racional, em que tudo se subordina a um único objetivo, limitado e claramente definido. Fruto do moderno racismo científico, o Holocausto foi à última palavra da engenharia social na chamada cultura “do jardim” [uma ideia semelhante ao higienismo social] do século XX. A própria ciência esteve profundamente implicada nos campos de extermínio e nos experimentos eugênicos ali realizados. O Holocausto mostrou, no mínimo, que uma ideologia secularista podia ser tão mortífera quanto uma cruzada religiosa.</p>
</blockquote><p>(Karen Armstrong, Em Nome de Deus — Copiado de um PDF, portanto eu não sei as páginas.)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Ideologia, fé e a teologia feita a partir da realidade</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">26b763-ideologia-f-e-a-teologia-feita-a-partir-da-realidade</guid>
      <pubDate>Mon, 23 Feb 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/02/2026 - Teologia experimental</p><p>Estabelecidos os parâmetros para o uso do termo ideologia, é possível agora relacioná-lo com a fé e a teologia. Primeiramente, importa admitir que não se trata de realidades homogéneas. O fato torna mais complexa a relação e a articulação entre os diversos conceitos.</p><p>A fé é uma experiência radical, não redutível a nenhuma outra, mediante a qual aderimos a Deus como o sentido e a significação de todos os sentidos e significações, cuja manifestação escatológica nos foi revelada na vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. A fé tem a estrutura de um encontro com o absoluto, que se exprime por uma conversão, uma celebração e um comportamento ético específico. A fé não é uma ideologia, porque não é uma falsa consciência de um encontro ilusório. A fé tem sempre uma referência ao absoluto, ao último, ao definitivamente importante, diante do qual tudo mais é relativo: os interesses, as visões do mundo, as ciências e as ideologias. A fé julga todas as ideologias e desmascara suas pretensões totalitárias.</p><p>A teologia se constitui como esforço e penetração racional da experiência e dos conteúdos da fé. A teologia é a fé pensante e pensada, crítica e sistemática, em uma palavra, é a fé que se procura compreender de uma forma reflexiva.</p><p>Em primeiro lugar, a teologia como disciplina, vale dizer, como discurso educado da fé cristã, é uma só. A ótica que a especifica é contemplar tudo sob a luz da fé: primeiramente Deus e em seguida todas as coisas à luz de Deus. O objeto da teologia não é somente Deus enquanto acessível à razão ou enquanto revelado, mas, como já ensinava santo Tomás (<em>Summa Theologica P. I, Q1, A7</em>), também todos os seres enquanto podem ser vistos à luz de Deus. Pertence também à tarefa da teologia falar de política, de economia, de sociedade, <em>enquanto fale não politicamente nem economicamente, porém teologicamente, isto é, à luz de Deus</em>. Essa é a consideração específica do discurso teológico. É o que confere unidade à teologia enquanto teologia.</p><p>Em segundo lugar, é importante ter presente o seguinte: <strong>ainda que a teologia seja uma só, existem modos diversos de realizar a tarefa teológica</strong>. A razão pela qual se constrói a teologia é sempre uma razão histórica. O teólogo não é um ser errático, desarraigado da realidade. Ele participa dos condicionamentos de seu tempo tanto materiais como espirituais. A elaboração teológica é sempre afetada pelo lugar social que ocupa o teólogo dentro da Igreja e dentro da sociedade.</p><p><em>Não é a mesma coisa fazer teologia a partir de uma barricada ou de um centro acadêmico, de Roma ou da Cidade do México.</em></p><p>Toda a teologia tem certos compromissos oriundos de seus destinatários, o povo, os letrados, os próprios teólogos, da linguagem que utiliza e dos instrumentos racionais que emprega. Na sua elaboração interna, isto é, na maneira como argumenta a partir da Escritura, da Tradição, do Magistério, do sensus fidelium e da razão teológica, a teologia é autônoma. Entretanto, quanto à seleção dos temas a estudar, quanto à forma e à ênfase de tratá-los, quanto à definição dos destinatários e por conseguinte quanto à própria linguagem, a teologia depende de sua inserção na história e na sociedade, depende portanto das opções que caracterizam a vida do próprio teólogo.</p><p>Todo discurso está ligado a um lugar social e a um enfoque epistemológico que permitem ou dificultam este ou aquele discurso, esta ou aquela posição. Isto é assim, não porque o queiramos, mas porque corresponde à objetividade do processo de reflexão.</p><p>É este o ponto em que se processa a articulação entre teologia e ideologia. Primeiramente importa dizer que a teologia está mais próxima da ciência, enquanto saber crítico e organizado, do que da ideologia. Contudo, na medida em que a teologia participa da sociedade e o teólogo é também um ator social, participa das tendências e das distintas posições que coexistem ou se antagonizam na sociedade. Como dizíamos acima, não há nenhuma ciência totalmente indene de um resíduo ideológico. Isto vale também para a teologia, não porém para a fé.</p><p>O que se pede à teologia é que tenha consciência deste fato e que permanentemente se interrogue: com que causa esta ou aquela teologia se compromete? que interesses estão subjacentes, de forma consciente ou inconsciente, a esta ou àquela elaboração teológica? Um pensamento crítico explicita seus interesses ocultos, dá-se conta de seus limites e está sempre aberto às exigências de purificação dos resquícios ideológicos presentes em sua elaboração.</p><p>O problema não é o de saber se uma teologia tem ou não dentro de si algum interesse. Todas elas têm. O problema real é julgar os interesses à luz do interesse de Deus revelado em Jesus Cristo e codificado em sua mensagem evangélica. Todas as teologias devem deixar-se julgar pela Palavra de Deus, que não é ideologia mas Revelação divina, e deixar-se confrontar com o Jesus da história e da fé. Para Ele nem tudo valia da mesma maneira; havia coisas que denunciou e coisas que anunciou como verdades de seu Pai em função das quais suportou perseguições e até a morte.</p><p>A questão não é de saber se há uma teologia comprometida e outra não comprometida. Toda a teologia é comprometida. Importa saber com que causas e em que forma se compromete a teologia. Para isso a fé é uma luz que nos pode ajudar a definir as causas e as opções: em favor dos pobres, pela justiça, pela mudança social orientada para maior participação, como forma de prefigurar os valores do Reino.</p><p>A teologia pode contaminar-se de ideologia quando se presta a ocultar situações de pecado ou legitima uma situação social que marginaliza milhões de pessoas ou promove um desenvolvimento desigual, criando relações de injustiça. Uma teologia pode fazer-se ideológica quando, nos problemas sociais, se dispensa de pensá-los de modo crítico e não ilusório, ou quando se contenta com uma visão meramente empírica, que não permite à fé oferecer todo o seu estímulo de humanização e de libertação. A teologia deve ser vigilante quanto à sua relação com a práxis, para que não seja instrumentalizada em uma direção que não seja evangélica nem represente os interesses de Deus revelados em Jesus Cristo. Impõe-se a todo teólogo uma vigilância ideopolítica, num duplo sentido: procurar elaborar uma teologia consciente de suas limitações e de seus resíduos ideológicos, buscando sempre uma aproximação maior do espírito crítico que a purifica do excesso ideológico por um lado, e por outro, impedir o mais possível que a teologia se instrumentalize nos seus discursos e sistematização em função de interesses que não sejam evangélicos e eclesiásticos.</p><p>Há duas formas básicas de fazer teologia como inteligência da fé: uma consiste em tomar os temas diretamente teológicos como são apresentados pela Igreja e procurar aprofundá-los racionalmente. Assim se estuda o tema de Deus, da Santíssima Trindade, de Jesus Cristo, da Graça, do Pecado, da Igreja, dos Sacramentos. O conteúdo teológico, objeto material, neste caso, já é dado. Basta que seja apropriado racionalmente dentro do método próprio da teologia. Esta tarefa foi executada com genialidade pelos grandes mestres medievais. Os conteúdos teológicos não têm apenas uma significação interior à Igreja mas também uma significação social.</p><p>Por exemplo: a fé, a teologia dizem que Deus é transcendente e santo, porém não é um Deus neutro; é um Deus que ama a justiça e abomina a iniqüidade, que é sensível ao grito do oprimido e que quer um culto que seja expressão de justiça, de misericórdia e de fidelidade. Tais afirmações incidem sobre as práticas dos cristãos que vão ao encontro das ânsias de justiça dos oprimidos. Vê-se pois assim que esta primeira maneira de fazer teologia não resulta numa teologia alienada que remete a salvação apenas para os horizontes escatológicos, mas é uma teologia que tem profundas incidências sobre a vida dos homens e das sociedades.</p><p>Há uma outra forma de fazer teologia que consiste em refletir sobre temas que não são diretamente teológicos, mas que são seculares ou temporais, buscando ver sua conexão com o desígnio de Deus e sua ordenação com o Reino. Assim se podem tomar temas como: secularização, processos de mudança social, análises de sistemas econômicos e políticos, valor das lutas populares em favor de maior justiça e participação. Neste caso, a indagação é a seguinte: como descobrir a dimensão teologal que está presente em tais realidades e como apresentá-la teologicamente? Tais realidades estão inseridas no mistério da criação de Deus, foram penetradas pelo mistério da encarnação; o Ressuscitado e seu Espírito estão presentes dentro dos dinamismos humanos, tudo está envolvido no <em>mysterium salutis</em>.</p><p>Numa palavra: há uma relação objetiva dessas realidades com Deus, mesmo se esta relação não seja conscientizada pelos diversos atores sociais. Entretanto, a fé permite ver essa dimensão teologal e ontológica. Por consequência compete também à teologia desentranhar o teologal destas realidades temporais e fazê-lo teológico. Isto é, fazê-lo um discurso de fé e de teologia, sob orientação do Magistério.</p><p>Ambos os métodos, utilizados de modo exclusivo, têm seus riscos. <em>O risco do primeiro método consistiria em permanecer num plano abstrato e não ser bastante sensível à voz de Deus que nos interpela a partir das realidades terrestres e especialmente a partir dos humildes, vivendo em condições de opressão. O risco do segundo método consistiria em pretender fazer uma releitura própria das fontes da Revelação, a partir exclusivamente daquelas realidades e da-quelas condições</em>. Somente uma permanente relação dialética entre os métodos permite que não só se evitem os riscos, mas também que se produzam resultados complementares e enriquecedores.</p><p><strong>Fé Cristã e Compromisso Social, pgs. 138-142</strong></p><p>A foto da fachada do centro de acolhimento para doentes criado por Madre Teresa em Kalighat é de <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Nirmal_Hriday_facade.jpg">thotfulspot</a>, <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0">CC BY 2.0</a>, via Wikimedia Commons, um pouco editada</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O antídoto da Quaresma</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 20 Feb 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/02/2026 - Teologia experimental</p><p>O cristianismo tem uma dimensão que foge do racional que ultimamente tem sido muito mais explorada do que o que tem de racional¹. Tem vários aspectos da fé cristã que envolvem o mistério divino manifestado de diferentes formas: o caráter trinitário do Deus único, a plenitude da divindade e da humanidade em Jesus Cristo, a maternidade divina do seio humano de Maria, etc, são mistérios que se, por um lado, não tem uma explicação completa, por outro lado são “razoáveis”, pelo menos no sentido de que graças ao esforço do cristianismo ancestral, é possível elaborar racionalmente mistérios mais amplos do que a razão pode alcançar.</p><p>Deus é maior que a razão humana, mas por ser o criador dela ele tem condições de surgir nela mais ou menos como, sendo divino, infinito e eterno, pôde se fazr humano, finito e sujeito à morte, como é no caso de Jesus, sem perder as qualidades divinas. E a partir daí dá pra jogar muita coisa pro mistério divino, mas o problema é que muitas vezes o que se joga para lá são coisas que não fazem parte de mistério nenhum, e na verdade são trapaças e fraudes usando o mistério divino como uma carapuça.<br/>Eu estou pensando em autoridades religiosas que exigem sacrifícios em particular, como tirar o dinheiro do próprio sustento para pagar um dízimo, “sacrifícios” sexuais justificados como caminho para algum tipo de conexão divina, isolamento social para manter a “pureza” e por aí vai.</p><p>A única objeção que me vem em mente a isto é o que nas bíblias mais antigas aparecia com o título “O óbulo da viúva”, uma passagem em Marcos (12,41-44) e em Lucas (21,1-4) que Jesus parece estar dando uma lição de matemática, razão e proporção, apontando para o tamanho da oferta de uma viúva que doou ao Templo duas moedinhas insignificantes, mas que eram tudo o que ela tinha para viver, uma oferta proporcionalmente muito maior do que os ricos que doavam mais dinheiro em quantidade que não faria falta para eles.</p><p>Isso pode levar a pensar que se depender da vontade de Jesus, todo o dinheiro de todo mundo deveria ir para o templo, e que seremos mais santos quanto mais padecermos em benefício dos líderes religiosos. Mas Cristo não ofereceu nenhuma compensação por esse esforço, pelo contrário: ele destacou uma pessoa completamente anônima, cuja contribuição proporcionalmente maior do que a de todos os outros continuou completamente anônima, já que nem os líderes do Templo nem os outros doadores ficaram sabendo da “medalha de ouro” que Cristo deu a ela – nem ela mesma.</p><p>Apesar de tudo, Cristo não estava falando de dinheiro nem de dízimo, se levar em conta as passagens imediatamente anteriores e posteriores à do óbulo da viúva: ela aparece como um contraponto ao exibicionismo dos escribas (fariseus, mestres da lei, os antagonistas em geral da mensagem de amor de Jesus), e não como exemplo de desapego material em nome de Deus (a mulher que gastou perfume nos pés de Jesus, Zaqueu, Mateus, as mulheres que assistiam Jesus com seus bens, e pela negativa, o jovem rico e o ricaço da passagem do rico e Lázaro é que são, entre outrois, exemplos de desapego material); no caso do óbulo da viúva, o desapego material é que serve como exemplo de que “o pouco com Deus é muito”, desde que se entenda que esse muito não é um muito material, e sim que Deus valoriza o pouco quando é proporcionalmente muito, seja em ele dinheiro ou em qualquer outra coisa – mas, principalmente, que Deus não dá o menor valor ao exibicionismo religioso³. E logo depois disso, nos dois Evangelhos, Jesus anuncia a ruína do Templo, que fora outros significados mais importantes, também serve para mostrar que Jesus não estava elogiando a disposição da viúva em manter o Templo de pé4.</p><p>Isso tudo é porque o óbulo da viúva não tem um significado financeiro, dizimista nem nada disso, mas significa o sacrifício sem retorno nenhum, motivado pela fé, quer dizer, ele não tinha nenhum objetivo (provavelmente não contribuiria nem para pagar um tijolo do Templo), era só expressão de fé mesmo.<br/>E a Quaresma, com seus sacrifícios periódicos anuais de jejum e abstinência, parece ser um bom antídoto a qualquer abuso do mistério do sacrifício gratuito5 desse tempo de conversão. Ninguém deveria ter argumentos para exigir sacrifícios extras de ninguém porque já existe um período de sacrifícios e penitências definidos (a Quaresma), e ninguém deveria exigir sacrifícios além dos perscritos pela Igreja (jejum e abstinência na Quaresma).</p><p>Foto (levemente editada) de <a href="https://unsplash.com/pt-br/@feiffert?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Frank Eiffert</a> na <a href="https://unsplash.com/pt-br/fotografias/person-crossing-net-bridge-wkHLXPvwTAA?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p><p>¹ Não que eu entenda profundamente o que significa “racional”, mas estou me referindo a qualquer coisa que tenha um encadeamento de argumentos que se sustente no amor misericordioso de Deus por nós².</p><p>² Também não é uma tentativa de uma definição absoluta de “razão”, mas, no máximo, uma tentativa de elaborar vagamente o que poderia ser uma “razão religiosa”, ou uma “razão cristã”, ou uma “razão católica”, mais ou menos por aí.</p><p>³ Um dos motivos pelos quais eu nunca daria certo como padre é que a última coisa na qual eu gastaria o dinheiro da igreja seria reformando o prédio, a não ser que fosse pra não cair: por mim teria que dar outro jeito de expressar a gandiosidade e a magnificiência divinas, mas nada contra também, eles devem saber o que estão fazendo.</p><p>4 Também não estou criticando o dízimo, mas existem três coisas bem diferentes: uma é o desapego material que uma oferta representa (e por um lado isso não precisa ser necessariamente em dinheiro, mas por outro lado, se nunca for em dinheiro, é um mau sinal), e outra é que realmente a obra de Deus não é feita só de contribuições espirituais, e quem se dedica integralmente a ela também tem necessidades materiais, e até aqui, tudo ok, mas a terceira coisa, que é um crime religioso hediondo, é a exploração tanto de Deus quanto das pessoas que acontece quando o dízimo substitui a própria religião.</p><p>5 “Gratuito” no sentido de que não se ganha nada com ele: mesmo que seja um exercício de autodomínio, dá pra fazer um exercício desses em qualquer época do ano, e qualquer exercício de autodomínio, religioso ou não, “se paga a si mesmo” pelo próprio desenvolvimento do autodomínio; e mesmo que tenha um caráter penitencial, a salvação vem de Jesus e não do esforço da penitência, que é indispensável mas só tem sentido dentro deste caráter de mistério.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Jejum e abstinência na Quaresma</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 17 Feb 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/02/2026 - Teologia experimental</p><h3>O que é o jejum/abstinência na Quaresma?</h3><p>Uma prática religiosa, tanto no sentido de penitência (porque somos pecadores) quanto de participação no sofrimento de Cristo na cruz (porque estamos <a href="https://www.a12.com/biblia/novo-testamento/galatas/2 ">crucificados com Cristo</a>). Como a cruz não tem sentido sem a Ressurreição, ou seja, não é um sofrimento em vão, apenas sofrer por sofrer, as renúncias desta penitência precisam incluir algum benefício para o mundo, mais ou menos como a Paixão de Cristo serviu para a nossa redenção.</p><p>Não é como se o resto do ano fosse de paz e tranquilidade pra compensar isso com passar algum perrengue na Quaresma. Todos os sofrimentos, dos menores aos maiores, podem ser oferecidos a Cristo[1] (e vividos com ele) todos os dias, mas eles geralmente são em função de outra coisa, como a penitência que é ter que correr pra não perder o ônibus: dá para oferecer esse sofrimento a Cristo, mas a intenção é pegar o ônibus, e não fazer penitência.</p><p>O período da Quaresma está mais para uma penitência voluntária só por Cristo, sem ganhar nada com isso, mas mais ou menos como atender ao pedido de Jesus “<a href="https://www.a12.com/biblia/novo-testamento/sao-mateus/26"> ficai aqui em vigília comigo</a>“[2], não no horto e sim na cruz, no caso, o que é diferente de abrir mão de alguma coisa por necessidade[3].</p><h3>O que não é o jejum/abstinência na Quaresma?</h3><ul>
<li>
<p>Não é nada do que aparece no incrível mundo do <a href="https://faculdadejesuita.edu.br/o-magisterio-da-igreja-em-tempos-de-redes-sociais/ ">magistério paralelo</a>: quem decide do que se abster é quem vai fazer a penitência, e ela não é um teste de resistência nem tem outras regras além das que a Igreja definiu[4].</p>
</li>
<li>
<p>Não é uma prática de <a href="https://adm.senado.leg.br/vcb/vocab/index.php?tema=28648">biopoder</a> ou de <a href="https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1808-42812025000100408&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt#:~:text=A%20empresa%20de,modos%20de%20sujei%C3%A7%C3%A3o">internalização da opressão</a>[5].</p>
</li>
<li>
<p>Não é sadomasoquismo.</p>
</li>
</ul><p>Apesar de certos entendimentos e argumentações que existem por aí, se a prática religiosa vira esse tipo de coisa, deixa de se religião e quase sempre vira exploração.</p><p>Foto de <a href="https://unsplash.com/pt-br/@annikamaria?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Annika Gordon</a> na <a href="https://unsplash.com/pt-br/fotografias/mulher-com-tatuagem-de-cruz-preta-em-seu-rosto-EUnVJFET3Q0?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p><ol>
<li>
<p>As alegrias também</p>
</li>
<li>
<p>Mateus 26,38</p>
</li>
<li>
<p>“Necessidade” inclui também uma necessidade ética, como a dos veganos que não comem carne e/ou outras coisas em protesto contra o sofrimento dos bichos, ou a de s. Paulo em <a href="/%3C/em%3Ewww.a12.com/biblia/novo-testamento/i-corintios/8">1 Coríntios 8</a> recomendando abster-se em benefício de quem está em processo de crescimento da fé.</p>
</li>
<li>
<p>Eu já vi influencers criticando alguém que decidiu fazer jejum de coca-cola e não de pepsi, explicando que Domingo não é dia de penitência mas se quiser fazer, pode, ou que é só pra “dar um alívio” e não o “dia do lixo” no meio da Quaresma, e outras digidoutrinas assim</p>
</li>
<li>
<p>Embora vá na linha de que <a href="https://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p3s1cap3_1949-2051_po.html#:~:text=2043.,liberdade%20do%20cora%C3%A7%C3%A3o%20(89). ">se não nos dominarmos seremos dominados</a></p>
</li>
</ol>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Falsos dilemas cristãos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 13 Feb 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/02/2026 - Teologia experimental</p><blockquote>
<p>Acorda, ó homem; toma consciência da dignidade de tua natureza. Recorda-te de teres sido feito à imagem de Deus que, embora corrompida em Adão, foi recriada em Cristo. Portanto, usa de modo justo das criaturas visíveis, como gozas da terra, do mar, do céu, do ar, das fontes, dos rios e tudo quanto neles achas de belo e de admirável. Por tudo dá louvor e glória ao Criador! (<a href="https://liturgiadashoras.online/oficio-das-leituras-de-sexta-feira-da-5a-semana-do-tempo-comum/ "> s. Leão Magno</a>)</p>
</blockquote><p>O cristianismo caricaturizado costuma fazer muito barilho quando se trata de aborto, bioética, teoria queer, guerra cultural, “conquista de almas” e coisas deste tipo, lá na sua essência o cristianismo tem mais a ver com a defesa do meio ambiente, da ocupação dos espaços de maneira justa, da distribuição de renda, justiça social, etc, enfim, tudo o que cabe em “usar de modo justo das criaturas visíveis” como escreveu Leão Magno.</p><p>Não é que a bioética e as pautas dos costumes devam ser ignoradas, mas se fosse por critérios – verdadeiramente – cristãos, brigar pela definição do que é ou não é uma família[1], por exemplo, deveria vir muito depois de acabar com o <a href="https://apublica.org/2025/07/problemas-causados-pelo-garimpo-na-terra-munduruku-seguem-ate-hoje/">garimpo na Amazônia</a>, com a escala 6×1 ou diminuir drasticamente o <a href="https://fjp.mg.gov.br/brasil-registra-deficit-habitacional-de-6-milhoes-de-domicilios/ ">déficit habitacional</a> no país.</p><p>&lt;&lt;<em>Aquilo que se vê é temporário</em>, como diz o Apóstolo, <em>quanto ao que não se vê, é eterno</em>&gt;&gt; (idem), mas seja o que for que seja (para ficar no exemplo) uma fmaília, ela precisa de um ambiente saudável, um lugar para morar, empregos dignos e esse tipo de coisas que passam longe daquilo pelo qual o cristianismo de rede social se interessa hoje em dia. É necessário seguir Jesus em meio a qualquer adversidade em todo o caso, mas com menos adversidades como essas, na maioria das vezes causadas pela ganância, o enfrentamento delas não precisa disputar tanta atenção com o seguimento de Cristo.</p><p>A imagem é de <a href="https://unsplash.com/pt-br/@jane_boyd?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Jane Boyd &amp; ECE Workshops</a> na <a href="https://unsplash.com/pt-br/fotografias/pintura-abstrata-azul-amarela-e-vermelha-HIuiU7lqxj0?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p><ol>
<li>
<p>que no céu talvez nem exista tal como a conhecemos, a julgar por Mateus <a href="https://mrclmlt.vivaldi.net/www.a12.com/biblia/novo-testamento/sao-mateus/22">22</a>, 31</p>
</li>
</ol>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Como é o verdadeiro jejum</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 10 Feb 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/02/2026 - Teologia experimental</p><p><em>Copiado e traduzido de <a href="https://www.vatican.va/content/francesco/es/cotidie/2018/documents/papa-francesco-cotidie_20180216_verdadero-ayuno.html">Cuál es el verdadero ayuno</a> [1], uma das reflexões na capela Santa Marta de 16 de fevereiro de 2018:</em></p><p>Quaresma: um tempo privilegiado para penitência e jejum, mas que tipo de penitência e jejum o Senhor espera de nós? O risco, na verdade, é “mascarar” uma prática virtuosa, ser “inconsistente”. E não se trata apenas de “escolhas alimentares”, mas de estilos de vida pelos quais devemos ter a “humildade” e a “consistência” de reconhecer e corrigir nossos próprios pecados. Essa é, em essência, a reflexão que o Papa ofereceu aos fiéis no início da Quaresma, durante a missa celebrada em Santa Marta na manhã de sexta-feira, 16 de fevereiro [de 2018].</p><p>A palavra-chave da meditação, sugerida pela liturgia do dia, foi “jejum”: “Jejum diante de Deus, jejum que é adoração, jejum com seriedade”, porque “o jejum é uma das tarefas a serem feitas durante a Quaresma”. Mas não no sentido de alguém que diz: “eu como só refeições quaresmais”. De fato, comentou Francisco, “essas refeições formam um banquete! Não se trata de mudar o que come ou de preparar o peixe dessa ou daquela forma para torná-lo mais saboroso”. Caso contrário, tudo o que se faz é “continuar o carnaval”. Ele enfatizou que é a palavra de Deus que nos adverte a “fazer com que nosso jejum seja genuíno. Verdadeiramente genuíno.” E acrescentou: “Se você não puder fazer um jejum total, daquele tipo que faz você sentir fome até os ossos”, ao menos “faça um jejum humilde, mas verdadeiro.”</p><p>A respeito disso, na primeira leitura (Isaías 58:1-9), “o profeta destaca muitas incoerências na prática da virtude”, e precisamente, “esta é uma delas”. A lista de Isaías é detalhada: “Dizeis que me procurais, falais comigo. Mas não é verdade”, e “No dia do vosso jejum, cuidais dos vossos próprios negócios”: isto é, enquanto “o jejum é um despojamento”, preocupamo-nos em “ganhar dinheiro”. E ainda: “Explorais todos os vossos trabalhadores”: isto é, explicou o Papa, enquanto dizemos: “Agradeço-te, Senhor, porque posso jejuar”, desprezamos os trabalhadores que, sobretudo, “devem jejuar porque não têm o que comer”. A acusação do profeta é direta: “Eis que jejuais apenas para litigar e brigar, e para ferir as mãos dos malfeitores”.</p><p>É um duplo padrão inaceitável. O Papa explicou: “Se queres fazer penitência, faze-a em paz. Mas não podes, por um lado, falar com Deus e, por outro, falar com o diabo, convidando ambos ao jejum; isto é incoerente”. E, seguindo sempre as indicações das Escrituras — “Não jejueis mais como hoje, para fazer ouvir a tua voz no alto” — Francisco advertiu contra o exibicionismo incoerente. E contra o comportamento daqueles que, por exemplo, dizem sempre: “Somos católicos, praticamos; pertenço a esta associação, jejuamos sempre, fazemos penitência”. A eles, idealmente, perguntou: “Mas jejuais com coerência, ou fazeis penitência incoerentemente, como diz o Senhor, com alarde, para que todos vejam e digam: ‘Que pessoa justa, que homem justo, que mulher justa?’”. Isto, na verdade, “é um truque; é maquiar-se de virtude. É maquiar-se de mandamento”. E acrescentou que é uma “tentação” que todos nós já sentimos em algum momento, “de fingir em vez de levar a sério a virtude, aquilo que o Senhor nos pede”. Pelo contrário, o Senhor “aconselha os penitentes, aqueles que se abstém de maquiar-se, mas com seriedade: ‘Jejuem, mas usem maquiagem para esconder que vocês estão fazendo penitência. Sorriam, sejam felizes.’ Diante de tantos que ‘têm fome e não podem sorrir’, esta é a sugestão para o crente: ‘Busque a fome para ajudar os outros, mas sempre com um sorriso, porque vocês são filhos de Deus e o Senhor os ama muito e lhes revelou essas coisas. Mas sem incoerências.’</p><p>Neste ponto, a reflexão do Papa aprofundou-se ainda mais, motivada pela pergunta: ‘Que tipo de jejum o Senhor quer?’ A resposta também vem das Escrituras, onde lemos primeiro: ‘Inclinar a cabeça como uma cana.’ Ou seja: humilhar-se. E a quem pergunta: ‘O que devo fazer para me humilhar?’, o Papa responde: ‘Mas pense nos seus pecados. Cada um de nós tem muitos.’ E ‘envergonhe-se’, porque mesmo que o mundo não os conheça, Deus os conhece bem.” Portanto, este é o jejum que o Senhor deseja: verdade e coerência.</p><p>E tem mais: “desfazer as amarras da maldade” e “desfazer os grilhões do jugo”. O exame de consciência, neste caso, centra-se no objetivo da nossa relação com os outros. Para melhor se fazer entender, o Papa deu um exemplo muito prático: “Penso em muitas trabalhadoras domésticas que ganham o pão com o seu trabalho” e que muitas vezes são “humilhadas e desprezadas”. Aqui, a sua reflexão abriu espaço para uma recordação pessoal: “Nunca consegui esquecer uma vez, quando fui à casa de um amigo, ainda criança. Vi a mãe bater na empregada doméstica. 81 anos… Nunca me esqueci disso”. Disso decorre uma série de perguntas, idealmente dirigidas a quem emprega pessoas: “Como as tratas? Como pessoas ou como escravas? Pagas-lhes o que é justo, dão-lhes férias? É uma pessoa ou um animal que vos ajuda em casa?” Um apelo à coerência que se aplica também às pessoas religiosas: “Em nossas casas, em nossas instituições: como me relaciono com o empregado que tenho em casa, com os empregados que trabalham em minha casa?” Aqui, o Papa acrescentou outra experiência pessoal, recordando um senhor “muito culto” que “explorava sua empregada doméstica” e que, quando lhe foi apontado que isso era um “pecado grave” contra pessoas “feitas à imagem de Deus”, objetou: “Não, Padre, tem que diferenciar: essas pessoas são inferiores”.</p><p>Por isso é necessário “desfazer os grilhões do jugo, soltar as cordas do mal, libertar os oprimidos, romper todo jugo”. E, comentando o profeta que adverte: “Reparti o teu pão com o faminto, acolhe em tua casa os pobres e os sem-teto”, o Papa contextualizou: “Hoje debatemos se devemos ou não dar abrigo àqueles que vêm pedir…”. E as instruções continuam: “Vista os nus”, mas “sem negligenciar a sua própria família”. Este é o verdadeiro jejum, aquele que envolve a vida diária. “Devemos fazer penitência, devemos sentir um pouco de fome, devemos rezar mais”, disse Francisco; mas se “fizermos muita penitência” e não vivermos o jejum desta forma, “a semente que brotará disso” será “a semente do orgulho”, a semente daqueles que dizem: “Obrigado, Senhor, porque posso jejuar como um santo”. E isso, acrescentou ele, “é o truque feio”, não o que o próprio Jesus sugere “para que os outros não vejam que estou jejuando” (cf. Mt 6,16-18). A pergunta que devemos nos fazer, concluiu o Papa, é: “Como me comporto com os outros? Meu jejum ajuda os outros?” Porque, se isso não acontece, esse jejum “é fingido, é inconsistente e leva você ao caminho de uma vida dupla”. É necessário, portanto, “pedir humildemente a graça da coerência”.</p><p>(A imagem é de <a href="https://unsplash.com/pt-br/@anniespratt?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Annie Spratt</a> na <a href="https://unsplash.com/pt-br/fotografias/esboco-do-rosto-da-mulher-tbY1dY9KIQA?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a> )</p><ol>
<li>
<p>porque a tradução para pt-br em <a href="https://www.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2018/documents/papa-francesco-cotidie_20180216_verdadeiro-jejum.html">O verdadeiro jejum</a> ficou ruim ↩</p>
</li>
</ol>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Pecados e Penducricalhos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 04 Feb 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>04/02/2026 - Teologia experimental</p><p>Em 2005, quando era arcebispo de Buenos Aires, o então cardeal Bergoglio reciclou um texto dele mesmo de 1991 para apresentar numa assembleia arquidiocesana, que mais tarde se tornou um pequeno livro chamado Corrupção e Pecado.</p><p>Neste texto, ele explica a diferença entre pecado e corrupção, começando por expandir a abrangência da corrupção para além da esfera das autoridades, mas mesmo atingindo também a nós, meros mortais, por tabela, ainda assim é inevitável pensar nas autoridades ao ler o texto do futuro papa.</p><p>Uma das piores consequências de se retirar a ideia de pecado do pensamento geral e relegá-la ao âmbito religioso é que a ideia fica nas mãos de um grupo mais ou menos homogêneo de pessoas que usa o pecado para manipular culpas, associando ele quase que exclusivamente coisas sexuais, e mais ainda, a coisas privadas e particulares.</p><p>Apesar disto, existe o pecado social, em cuja raiz estão males como a fome, o desemprego, etc, inclusive a corrupção, que é do que se trata o texto do livro, que no entanto não trata a corrupção como um pecado nem social, nem pessoal.</p><p>A ideia toda do livro (na verdade, um artigo) é que o pecador se reconhece como um pecador, e reconhece o pecado quando peca, o que lhe permite ver, ao menos no horizonte, a misericórdia de Deus.</p><p>O corrupto não vê o mal que faz como uma corrupção. Entre outras coisas, o corrupto reelabora sua maldade para que ela se torne “socialmente aceitável (p. 22), embora isso não faça com deixe de ter um “cheiro de podre” (p. 18):</p><blockquote>
<p>«Ocorre como com o mau hálito: dificilmente aquele que tem mau hálito o percebe. Os outros é que o sentem e têm que lhe dizer. (p. 19)»</p>
</blockquote><p>Embora a misericórdia divina seja suficentemente ampla para alcançar também o corrupto, ele não consegue vê-la no seu horizonte, afinal ele está firmemente apegado à aparência de que está tudo ok. Pra ele, não tem nada ali que precise ser perdoado.</p><p>Um dos melhores exemplos disso pra mim é o presidente do TJSP dizendo que vai manter os penduricalhos (que ele chama por um nome mais suave) porque “<a href="https://sem-paywall.com/https%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Fpoder%2F2026%2F02%2Ftj-sp-vai-manter-politica-de-penduricalhos-diz-novo-presidente-do-tribunal.shtml "> Nada é pago, nenhum centavo é pago, sem que haja, ou lei, ou decisão do Supremo, ou autorização normativa do Conselho Nacional. Nenhum centavo é pago além disso</a>“, o que pra mim é um jeito muito elegante de tornar a corrupção socialmente aceitável, e mais do que isso, legalizada.</p><p>Essa ideia também vale pra <a href="https://g1.globo.com/podcast/o-assunto/noticia/2026/02/04/o-codigo-de-etica-para-ministros-do-supremo-o-assunto-1653.ghtml ">resistência do STF em aceitar um código de ética</a>, e por mais males que essas corrupções legalizadas tragam, talvez o pior seja que a maioria das pessoas vai normalizando a corrupção, ou, nas palavras do então futuro papa Francisco:</p><blockquote>
<p>«Fomos nos acostumando mais à palavra [corrupção]… e aos fatos, como se fizessem parte da vida coditidana. (p. 8)»</p>
</blockquote><p><strong>Observações</strong></p><p>A ideia do livro é justamente mostrar que a corrupção vai além da corrupção praticada pelas autoridades e pode atingir a todos nós, pois é uma consequência do pecado, apesar de ele ser falsamente deslocado da condição de pecado para uma condição de “coisas da vida” (<em>um dos exemplos que o texto dá é de uma rica senhora que teve a bolsa roubada e reclama do aumento da criminalidade sem se incomodar com a prática do marido de despedir empregados antes de completar os três meses de experiência pra não precisar pagar os impostos sobre os empregados</em>), mas me pareceu caber muito bem no caso dos penduricalhos e da resistência do STF ao código de ética pra eles.</p><p><em>O subtítulo é o início do parágrafo que começ na p. 9, mas reescrito.</em></p><p>O livro é da <a href="https://www.avemaria.com.br/corrupcao-e-pecado-papa-francisco/p ">editora Ave-Maria</a>, mas é de 2013, e não a de 2022 que está no link. </p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Curso de masculinidade cristã</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">26b757-curso-de-masculinidade-crist</guid>
      <pubDate>Mon, 02 Feb 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>02/02/2026 - Teologia experimental</p><p>Módulo 1</p><p><strong>Isaías, 53</strong></p><p>1 Quem acreditou em nossa mensagem? Para quem foi mostrado o braço de Javé?</p><p>2 Ele cresceu como broto na presença de Javé, como raiz em terra seca. Ele não tinha aparência nem beleza para atrair o nosso olhar, nem simpatia para que pudéssemos apreciá-lo.</p><p>3 Desprezado e rejeitado pelos homens, homem do sofrimento e experimentado na dor; como indivíduo de quem a gente esconde o rosto, ele era desprezado e nem tomamos conhecimento dele.</p><p>4 Todavia, eram as nossas doenças que ele carregava, eram as nossas dores que ele levava em suas costas. E nós achávamos que ele era um homem castigado, um homem ferido por Deus e humilhado.</p><p>5 Mas ele estava sendo transpassado por causa de nossas revoltas, esmagado por nossos crimes. Caiu sobre ele o castigo que nos deixaria quites; e por suas feridas é que veio a cura para nós.</p><p>6 Todos nós estávamos perdidos como ovelhas, cada qual se desviava pelo seu próprio caminho, e Javé fez cair sobre ele os crimes de todos nós.</p><p>7 Foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; tal como cordeiro, ele foi levado para o matadouro; como ovelha muda diante do tosquiador, ele não abriu a boca.</p><p>8 Foi preso, julgado injustamente; e quem se preocupou com a vida dele? Pois foi cortado da terra dos vivos e ferido de morte por causa da revolta do meu povo.</p><p>9 A sepultura dele foi colocada junto com a dos injustos, e seu túmulo junto com o dos ricos, embora nunca tivesse cometido injustiça e nunca a mentira estivesse em sua boca.</p><p>10 No entanto, Javé queria esmagá-lo com o sofrimento: se ele entrega a sua vida em reparação pelos pecados, então conhecerá os seus descendentes, prolongará a sua existência e, por meio dele, o projeto de Javé triunfará.</p><p>11 Pelas amarguras suportadas, ele verá a luz e ficará saciado. Pelo seu conhecimento, o meu servo justo devolverá a muitos a verdadeira justiça, pois carregou o crime deles.</p><p>12 Por isso eu lhe darei multidões como propriedade, e com os poderosos repartirá o despojo: porque entregou seu pescoço à morte e foi contado entre os pecadores, ele carregou os pecados de muitos e intercedeu pelos pecadores.</p><p>Baseado em <a href="https://www.a12.com/biblia/novo-testamento/efesios/5 ">Efésios, 5</a></p><p>Inválido em caso de imposição ou exigência por autoridades civis, religiosas ou militares, oficiais ou não.</p><p>Inválido em caso de imposição ou exigência por qualquer outra autoridade humana também.</p><p>Inválido em caso de imposição ou exigência por qualquer outra pessoa humana, inclusive sem autoridade nenhuma.</p><p>Inválido em caso de imposição ou exigência em troca de alguma vantagem material, espiritual, social, psicológica ou qualquer outra vantagem.</p><p>Inválido em caso de expectativa de levar alguma vntagem com isso.</p><p>Inválido em casos de terapia em dia (exceto para terapias baseadas em pseudo-ciência).</p><p>Versículos 4, 5, 6, 9, 10, 11 e 12: válidos somente para Jesus.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O Raio que o Parta</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">26a756-o-raio-que-o-parta</guid>
      <pubDate>Mon, 26 Jan 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>26/01/2026 - Teologia experimental</p><p>Dizer que <em>pimenta no olho dos outros é refresco</em> não se encaixa bem no que eu quero dizer aqui, se bem que se encaixa bem no espírito de deboche do raio que caiu nos manifestantes bolso-golpistas em Brasília ontem.</p><p>Acontece que o raio acendeu a verve religiosa do lado de cá, mas em uma de suas piores versões, ainda que seja uma das versões mais difundidas de qualquer religião: o pensamento religioso mágico.</p><p>Por um lado é verdade que Deus não só acompanha nossas vidas, individual e coletivamente, como intervém nos acontecimentos (na Igreja Católica isso se chama <a href="https://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s2c1_198-421_po.html#:~:text=Deus%20realiza%20o%20seu%20des%C3%ADgnio%3A%20a%20divina%20Provid%C3%AAncia ">divina Providência</a> – no número 302 do texto no link, caso não vá direto), mas ela é voltada para o projeto de amor e salvação que Jesus veio anunciar no Evangelho, e não para destruir os inimigos ou servir entretenimento de qualidade.</p><p>A ideia contrária, de que Deus anda lançando raios literais ou metafóricos por aí conforme os erros da humanidade, já serviu para atacar o lado de cá, quando a AIDS foi interpretada como castigo divino contra a homossexualidade lá nos anos 80 do século passado, por exemplo.</p><p>Isso aparentemente era comum nos tempos da cristandade[1], e a autora Karen Armstrong mostra como uma relação incestuosa entre política e religião é danosa tanto do ponto de vista religioso quanto do ponto de vista político (<a href="https://www.mrclmlt.com.br/w/#armstrong1:~:text=Raz%C3%A3o%20e%20misticismo "> aqui</a> tem o trecho no qual ela explica isso). Isso é tão ruim quanto a tentativa de isolar completamente as esferas políticas e religiosas.</p><p>Se ignorar as pessoas seriamente feridas pela irresponsabilidade do Nicolas Ferreira, que não vai sofrer nenhuma consequência por ter arrastado aquela gente para uma floresta de equipamentos de metal num descampado no meio de uma tempestade, fica difícil não rir. Mas é um riso com o retrogosto amargo da aceitação das palavras do Senhor da Guerra na <a href="/%3Cem%3Ewww.vagalume.com.br/legiao-urbana/a-cancao-do-senhor-da-guerra.html">canção</a> do Legião Urbana, “lembre-se sempre que Deus está do lado de quem vai vencer”<em>, </em>em vez da aceitação das palavras de Jesus, que vão num sentido bem contrário:<em> que vos ameis uns aos outros (<a href="https://www.a12.com/biblia/novo-testamento/sao-joao/15"> João 15, 9-17</a>).</em></p><ol>
<li>
<p><em>provavelmente não menos comum do que é hoje em dia, tanto é que o bolsonarismo explorou essas ideias para chegar ao poder</em></p>
</li>
</ol>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Ostentação</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">26a755-ostenta-o</guid>
      <pubDate>Sun, 18 Jan 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/01/2026 - Teologia experimental</p><p>Em um mundo ideal – não no sentido de um ideal a ser realizado um dia, mas no sentido de um parâmetro de comparação – aminoria rica ajudaria a maioria pobre, sem abrir mão do direito a possuir os seus bens nem de atender ao direito dos outros de ter acesso ao que precisam. E talvez tenha, na prática, um ou outro ricaço que faça isso, mas a maioria, não. É mais fácil ver um pobre compartilhando o pouco que tem, às vezes abrindo mão de uma parte desse pouco, do que um rico fazendo isso.</p><p>Um dos problemas disto é que esses ricos, esses ricaços, acabam virando um exemplo pros outros, e o que eles tem pra mostrar é a sua riqueza, ou seja, o exemplo que eles dão é a ostentação. Então, aqui ambaixo, o que acaba importando não é ser rico, mas parecer rico. Não que isso seja uma regra, uma característica antropológica da humanidade, dos pobres, da nossa época, etc. Mas é o que faz todo mundo babar pelo Trump apesar da xenofobia e de todo o contexto tóxico do governo dele lá, e é o que faz todo mundo babar pelos riquinhos de terceiro escalão por aqui também.</p><p>Não dá pra contar com uma mudança de postura dos ricaços do mundo, nem dá pra pedir para as pessoas melhorarem seus critérios de admiração (até dá pra pedir, mas só isso), mas enquanto não melhorarem isso, vamos todos continuarmos reféns deste teatro de ostentação.</p><p>(A imagem é do site <a href="https://ndmais.com.br/internet/cesar-rincon-agita-o-verao-com-estilo-agro-ostentacao/ ">Ndmais</a>)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Arcebispo filipino pede que a festa do Santo Niño rejeite patrocinadores ligados a jogos de azar</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">26a754-arcebispo-filipino-pede-que-a-festa-do-santo-ni-o-rejeite-patrocinadores-ligados-a-jogos-de-azar</guid>
      <pubDate>Fri, 16 Jan 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>16/01/2026 - Teologia experimental</p><p>Cebu (Agência Fides) – A grande festa do Santo Niño, que vai até 18 de janeiro na Arquidiocese de Cebu, não deveria aceitar patrocínios ou doações de entidades ligadas a jogos de azar. Este foi o apelo público feito pelo Arcebispo de Cebu, Alberto Uy, que pediu aos organizadores do solene Sinulog Festival – o grande festival cultural e cívico que acompanha a celebração religiosa – que rejeitem contribuições de estabelecimentos de jogos de azar que veem as grandes multidões como uma mera oportunidade de lucro.</p><blockquote>
<p>“Meu apelo é simples, mas vem do coração: que o Sinulog continue sendo uma festa que realmente reflita a alegria, a pureza e a luz do Menino Jesus. Podemos honrá-lo não apenas com nossas danças, orações e celebrações, mas também por meio das decisões morais que tomamos na organização deste evento sagrado”,</p>
</blockquote><p>declarou o Arcebispo Uy. Ele acrescentou que os organizadores do festival devem escolher colaboradores “coerentes com os valores da fé, da família, da cultura e da comunidade”. “Existem muitas instituições, tanto públicas quanto privadas, que podem e querem apoiar a festa sem comprometer seu caráter moral”, enfatizou.</p><p>O Bispo Uy lembrou a todos que a festa do Santo Niño é, acima de tudo, uma celebração religiosa e espiritual, e apenas secundariamente um evento cultural e turístico. “A Igreja”, destacou, “incentiva as famílias a abandonar hábitos destrutivos como o jogo”, e, por isto, deseja que “as celebrações sagradas não sejam bancadas por entidades ligadas a esse tipo de prática”. E acrescentou que os estabelecimentos de jogos de azar “são ambientes que podem levar ao vício, à desestruturação familiar, a perdas financeiras e à confusão moral”.</p><p>Sempre no terceiro domingo de janeiro a cidade de Cebu, nas Filipinas, é tomada por uma grande festa popular. O Festival Sinulog surgiu como uma homenagem ao Menino Jesus e, ao longo dos anos, tornou-se uma das principais atrações turísticas anuais de todo o arquipélago.</p><p>O propósito original do festival é comemorar a chegada do cristianismo às Filipinas, pois foi nessa região que a primeira missa em território filipino foi celebrada. No centro da celebração está a oração: a novena preparatória é realizada todos os dias às cinco da manhã, atraindo milhares de fiéis. O festival culmina em 17 de janeiro com a solene procissão da imagem do Santo Niño — a estátua cristã mais antiga das Filipinas — e em 18 de janeiro com a Eucaristia na Basílica Menor do Santo Niño.</p><p>Nesse mesmo dia acontece um grande desfile que pode durar entre nove e doze horas, com danças tradicionais, trajes coloridos, carros alegóricos e música ao vivo. O Sinulog, que em 2026 gira em torno do tema “Unidos na Fé e no amor”, pretende ser uma celebração da fé, da história e da cultura. O ritual das danças tradicionais simboliza a transição do povo filipino de suas raízes pagãs para o cristianismo. As ruas se enchem de espectadores e artistas.</p><p>O festival começa com uma sugestiva procissão fluvial ao longo do Canal de Mactan: um barco decorado com a imagem do Santo Niño navega, acompanhado por uma flotilha de barcos menores repletos de devotos que oram por bênçãos e prosperidade. Em seguida, acontece o desfile da “Rainha do Festival”, que representa a Rainha Juana, a primeira rainha cristã de Cebu, que foi quem recebeu a imagem do Santo Niño de Fernão de Magalhães em 1521. O evento também adquiriu um notável peso público e cívico: além das celebrações religiosas, danças e desfiles, o festival abriga uma feira dedicada a pequenas e médias empresas, exibindo produtos e artesanato de Cebu, atraindo visitantes de todo o mundo.</p><blockquote>
</blockquote><p>Em um evento popular marcado por shows, festas de rua e apresentações, a prática do jogo também está presente, um grave problema social nas Filipinas. Segundo dados oficiais publicados em 2025 pela Philippine Amusement and Gaming Corporation (Pagcor), cerca de 32 milhões de filipinos — aproximadamente metade dos 60 milhões de adultos do país — jogam regularmente. O governo registrou um aumento de quase 200% em comparação com os 8,2 milhões de jogadores registrados no ano anterior, impulsionado principalmente pelos jogos de azar online.</p><p>Bispos, comunidades católicas e associações têm denunciado repetidamente os efeitos devastadores do jogo e lançado iniciativas e programas de reabilitação para combater essa forma de vício.</p><p><a href="https://www.fides.org/es/news/77242-ASIA_FILIPINAS_Que_la_fiesta_del_Santo_Nino_no_acepte_patrocinadores_vinculados_al_juego_de_azar_llamamiento_del_arzobispo_de_Cebu ">(PA) (Fides News Agency 13/01/2026)</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Não há destino</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">26a753-n-o-h-destino</guid>
      <pubDate>Fri, 09 Jan 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/01/2026 - Teologia experimental</p><p>A frase que Sarah Connor escreve no tampo de madeira de uma mesa com uma faca, “<em>não há destino</em>“, é uma perspectiva assustadora e libertadora. Ao mesmo tempo que Deus está de olho em tudo, incluindo os dois pardais que só valem uns trocados[1], não é ele que está decidindo pelas pessoas o que elas fazem, nem causando os acontecimentos[2].</p><p>Se tem alguma coisa determinada por Deus é que nossa adesão a ele é livre, se bem que “livre” não significa “tanto faz” em todo caso, e sim por vontade própria[3].</p><p>“Não há destino” assusta quando parece mais fácil alguém tomando as decisões por nós (e na verdade não é nem mais fácil, nem mais difícil decidir-se ou deixar decidirem: o problema é bem outro), mas mesmo que dê um frio na barriga, é uma perspectiva melhor do que a sua alternativa.</p><ol>
<li>
<p>Lucas <a href="https://www.a12.com/biblia/novo-testamento/sao-lucas/12 ">12</a>,6</p>
</li>
<li>
<p>embora esteja sempre conduzindo os acontecimentos para que levem aos objetivos que ele definiu, e faça intervenções pontuais pelo nosso bem, dentro dos parâmetros da sua Providência Divina</p>
</li>
<li>
<p>Deus faz a parte dele, inspira, move os nossos corações em direção a ele, até porque sem isso a nossa vontade própria não seria, sozinha, o suficiente, mas a decisão é da pessoa, e não um passe de mágica que faz com que alguém se decida a favor de Deus</p>
</li>
</ol>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Celam lança versão popular da Rerum Novarum, a primeira encíclica que marcou a históia social da Igreja</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">26a752-celam-lan-a-vers-o-popular-da-rerum-novarum-a-primeira-enc-clica-que-marcou-a-hist-ria-social-da-igr</guid>
      <pubDate>Sat, 03 Jan 2026 12:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/01/2026 - Teologia experimental</p><p>Rerum novarum, o texto fundacional da doutrina social da Igreja, publicada há 135 anos pelo papa Leão XIII, tem uma versão popular para “atualizar” seu conteúdo à luz das atuais realidades da América Latina.</p><p>O conselho Episcopal Latinoamericano e Caribenho (CELAM), através do Centro de gestão do Conhecimento, publica esta primeira encíclica social da Igreja com uma linguagem ao alcance de todos.</p><p>De fato, explica o monsenhor Lizardo Estrada, secretário geral do CELAM, este guia <em>“não pretende repetir um antigo documento, mas sim atualizá-lo a partir das realidades da América Latina e do Caribe, oferecendo uma linguagem mais próxima e comunitária que nos permita voltar às fontes sem ficar no passado”</em>.</p><p>O bispo assegurou que esta encíclica marcou um ponto de inflexão na reflexão cristã sobre a justiça, o trabalho, a economia e a dignidade humana, porque <em>“seu ensinamento abriu um caminho que ainda hoje ilumina nossas buscas como povos de fé e comunidades que caminham juntas”</em>.</p><p><strong>Vigência plena</strong></p><p>Monhenhor Estrada assegura que desde aquela época [século 19] nada mudou quanto às relações de poder e exploração, e agora novas tecnologias, novas formas de trabalho e novas pobrezas surgem como exploradoras.</p><p>Apesar da antiguidade, as intuições da Rerum novarum <em>“mantém uma força surpreendente. Sua denúncia da desigualdade, sua defesa dos trabalhadores e seu chamado a reconhecer a dimensão social da propriedade seguem nos interpelando”</em>.</p><p>A isto se acrescenta a novidade significativa de Leão XIV ao publicas sua primeira exortação apostólica, Dilexi Te (Eu te amei), sublinhando que <em>“as verdadeiras coisas novas de cada época são vsempre o clamor dos pobres, a dignidade de quem trabalha, a defesa da vida em sua totalidade e o cuidado da casa comum”</em>.</p><p>Ambos textos tem muita afinidade, e por causa disso mostram a continuidade do magistério social e <em>“sua capacidade para acompanhar as grandes mudanças da história sem perder sua raiz evangélica”</em>.</p><p>Ele também explicou que esta versão popular correlaciona respeitosa e fecundamente os dois documentos: o de Leão XIII, de 1891, e o de Leão XIV, de hoje, marcados pela mesma paixão pela justiça.</p><p>Você pode baixar o PDF da versão popular da Rerum novarum em espanhol no link <a href="https://bit.ly/3N1EpIJ">https://mrclmlt.vivaldi.net/bit.ly/3N1EpIJ</a></p><p>(Texto copiado e traduzido por minha conta e risco do original no <a href="https://adn.celam.org/celam-lanza-version-popular-de-rerum-novarum-la-enciclica-primera-enciclica-que-marco-la-historia-social-de-la-iglesia/">ADN CELAM</a>, e o link direto pro PDF é <a href="https://adn.celam.org/wp-content/uploads/2026/01/Las-cosas-nuevas-de-ayer-y-de-hoy_Final.pdf">https://adn.celam.org/wp-content/uploads/2026/01/Las-cosas-nuevas-de-ayer-y-de-hoy_Final.pdf</a>)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Abaixo Assinado</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">25l751-abaixo-assinado</guid>
      <pubDate>Wed, 17 Dec 2025 12:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/12/2025 - Teologia experimental</p><blockquote>
<p>[…] O Concílio Vaticano II ensina que a liberdade humana deve ser respeitada e salvaguardada e que só deve ser restringida na medida em que o bem comum o exige. […] A censura, portanto, só deve ser usada em casos muito extremos.[1]</p>
</blockquote><p>O Concílio Vaticano II tem um decreto chamado Inter Mirífica, que por si só é bem genérico, vago e chato, mas que dentro do contexto do pensamento comunicacional na Igreja até então (1966), foi uma virada de Copérnico (ou pelo menos o início dela) na relação da Igreja com as comunicações sociais. Este descreto, que além das características acima também é bem curto (provavelmente porque foi alvo da pressão de jornalistas e de sabe-se lá quem mais, tanto é que, se não me engano, foi o documento do Vaticano II aprovado com a votação mais apertada), e lá no final solicita que a Igreja complemente e aprofunde o assunto em uma então futura instrução pastoral, que é a Communio et Progressio citada aí em cima.</p><p>Esse trecho do documento é sobre o que a Igreja pensa sobre o poder de censura do poder civil sobre os cidadãos – mas também vale, ou deveria valer caso não valha, para as questões institucionais da Igreja consigo mesma.</p><p>Ultimamente o bem comum tem exigido mais censura do que teria se vivêssemos em uma sociedade um pouco mais saudável que a que temos, com gente usando a sua liberdade de expressão para atacar, dimunuir, incitar os outros ao mal, oprimir, promover o ódio, etc, tudo isso que temos visto nos últimos anos – o mesmo bem comum que anos atrás exigiu, pelo contrário, lutas contra a censura, nem que fosse por meio de letras com duplo sentido («Todo dia eu só penso em poder parar, meio-dia eu só penso em dizer não, depois penso na vida pra levar e me calo com a boca de feijão.»): se é certo e claro que por padrão “a liberdade humana deve ser respeitada e salvaguardada”, também é igualmente certo e claro que <e calar="" contrários]="" de="" e="" entre="" falar="" há="" outros="" para="" pares="" se="" tempo="" um="">&gt; [2].</e></p><p>Mas é doloroso ler que o arcebispo proibiu o pe. Júlio não só de se comunicar via redes sociais, como também de transmitir pela Internet as missas que ele celebra, pelo menos sem que se saiba o porque disto.</p><p>O arcebispo em questão é d. Odilo, cardeal e, até o último conclave, um <em>papabile</em> (assim como era também no conclave que elegeu Francisco). A questão é: qual d. Odilo censurou o padre? Porque tem o d. Odilo que proibiu uma cátedra de Foucault na PUC-SP [3] e depois promoveu a farinata [4], mas também tem o dom Odilo [muitas aspas] “comunista” [muitas aspas] [5] e que manteve pe. Júlio como vigário episcopal do Povo de Rua contra tudo e contra todos nos tempos do governo do inelegível[6], mantendo a decisão de d. Evaristo Arns, que delegou esta atividade ao padre. Os “dois” d. Odilos no fim das contas são o mesmo cardeal conservador que todos sabem que é conservador, mas um convervador (pelo menos) não-bolsonarista (mais ou menos como quem diz “vão-se os anéis, ficam os dedos”), mais para Alckmin (versão pré-PSB) e distante de um Malafaia da vida.</p><p>Pode ser que ele tenha censurado o pe. Júlio para proteção do próprio padre e, portanto indiretamente, em defesa da própria pastoral da qual ele é o vigário episcopal? Pode ser que ele tenha censurado o pe. Júlio porque o conservadorismo falou mais alto desta vez e ele não pôde resistir? Não se sabe porque ninguém explicou (o padre porque não pode, e o arcebispo, porque não quer – apesar da ínfima possibilidade de que também não possa por pressões tenebrosas, mas acho isso mais difícil), e se é verdade que não dá para acusar o cardeal de nada (nem de estar podando o padre Júlio) nem defender a decisão dele, também é verdade que dá para pedir explicações da decisão. Por isso, a melhor resposta é <a href="https://mautic.revistaforum.com.br/abaixo-assinado/padre-julio-lancellotti">este abaixo-assinado da Fórum (a revista)</a>, até porque tudo «o que tiverdes falado ao pé do ouvido, no interior da casa, vai ser proclamado sobre os telhados» um dia de qualquer jeito mesmo [7]).</p><ol>
<li>
<p>Instrução pastoral Communio et Progressio, <a href="https://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/pccs/documents/rc_pc_pccs_doc_23051971_communio_po.html ">86</a></p>
</li>
<li>
<p>Eclesiastes <a href="https://www.a12.com/biblia/antigo-testamento/eclesiastes/3 ">3</a>,1.7</p>
</li>
<li>
<p><a href="https://www.pucsp.br/sites/default/files/download/aci/2015_06_26_carta_aberta_a_prof.a_marilena_chaui_.pdf">PUC_SP</a></p>
</li>
<li>
<p><a href="https://ihu.unisinos.br/categorias/186-noticias-2017/572798-joao-doria-e-arcebispo-de-sao-paulo-pobre-nao-tem-habito-alimentar-pobre-tem-fome">IHU</a></p>
</li>
<li>
<p><a href="https://www.brasildefato.com.br/2022/10/17/arcebispo-de-sao-paulo-dom-odilo-scherer-e-alvo-de-ataques-e-fala-em-ascensao-do-fascismo/">Brasil de Fato</a></p>
</li>
<li>
<p><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2025-09/stf-condena-bolsonaro-27-anos-e-tres-meses-de-prisao">Agência Brasil</a></p>
</li>
<li>
<p>Lucas <a href="https://www.a12.com/biblia/novo-testamento/sao-lucas/12">12</a>,3</p>
</li>
</ol>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Maria de Verdade</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">25k750-maria-de-verdade</guid>
      <pubDate>Thu, 13 Nov 2025 12:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/11/2025 - Teologia experimental</p><p><em>Maria de Verdade – Carlinhos Brown (mas eu só consigo ler esta letra ouvindo a voz da Marisa Monte na minha cabeça)</em></p><p>Eu não li a maioria das análises, tanto as favoráveis quanto as desfavoráveis, do documento do Vaticano que desabona a ideia de Maria ser corredentora junto com Cristo, porque é um assunto chato e batido, que não é a primeira vez que aparece, a não ser sob essa roupagem.</p><p>Logo nos primórdios da Igreja teve um debate contra os “judaizantes”, judeus convertidos que tentaram condicionar a salvação de Cristo à conservação das práticas judaicas. Ao mesmo tempo e também depois disto, vieram os gnósticos, condicionando a salvação a não sei qual conhecimento (seria um determinado conhecimento?, uma conclusão a que se deveria chegar, numa espécie de heureka espiritual?, um estado místico de iluminação proporcionada pela sabedoria? – sei lá), e também a uma iniciação esotérica.</p><p>Também tem a ideia de que é a correção moral que garante a salvação, uma ideia que acho que deve ter perpassado toda a cristandade e sobreviveu a ela, mantendo-se firme até hoje [1], ou então o exibicionismo religioso, etc. A Teologia da Libertação, que é fruto de uma escuta atenta à voz do Espírito Santo (na minha opinião), teve que lidar com um certo ruído nesta comunicação, que consistiu em, às vezes, atribuir a salvação aos pobres, ao invés de atribuí-la a Jesus. A teologia da prosperidade hoje em dia faz praticamente a mesma coisa, mas substituindo (convenientemente) os pobres da Teologia da Libertação – e o verdadeiro salvador, Jesus Cristo [2] – pela prosperidade material.</p><p>Além de não ter lido a maioria das análises do documento, também não li o documento em si (está na minha lista de leituras). Mas não é necessário ter lido para imaginar que o problema é o mesmo dos mencionados acima: atribuir a salvação ao que não salva, e não a Jesus. Além disso, no caso da corredentora, ainda por cima é uma tentativa de jogar sobre Maria um peso – da salvação – que ela não tem que carregar, assim como se faz, fora de quaisquer conotações espirituais, com as mulheres (não só) hoje em dia, tentando jogar em cima dela pesos, fardos e responsabilidades que não são delas, ou não são só delas, mas que o machismo acha que cabe a elas só porque são mulheres.</p><p>Em vez de mulheres – e de Maria – idealizadas, talvez o principal sentido do boicote do Vaticano à ideia da corredentora seja ver as mulheres – e Maria – de verdade.</p><ol>
<li>
<p>«Prolifera em nossos tempos um neo-pelagianismo em que o homem, radicalmente autônomo, pretende salvar-se a si mesmo sem reconhecer que ele depende, no mais profundo do seu ser, de Deus e dos outros. A salvação é então confiada às forças do indivíduo ou a estruturas meramente humanas, incapazes de acolher a novidade do Espírito de Deus.» (<a href="https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20180222_placuit-deo_po.html "> Placuit Deo, 3</a> – Concgregação para a Doutrina da Fé</p>
</li>
<li>
<p>Mesmo que em várias passagens bíblicas o próprio Jesus diga “tua fé te salvou”, ele ainda é o único salvador. Pra mim essas passagens significam, em vez de uma fé que substitua Cristo, que há outros elementos que participam da salvação, ainda que ela não dependa de nenhum deles, a não ser de Cristo. Estes outros elementos são especialmente nós e Nossa Senhora, que fomos criados por Deus, mas também a fé, a caridade, etc.</p>
</li>
</ol>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Contexto Religioso</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">25k749-contexto-religioso</guid>
      <pubDate>Mon, 10 Nov 2025 12:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/11/2025 - Teologia experimental</p><p>Eu (ainda) fico espantado com quem acredita que “estamos todos no mesmo barco” e ideias afins, porque é uma demonstração ou de falta de empatia, de um isolamento em si mesmo (um “si mesmo” que pode ser que inclua sua própria bolha isolada dos outros), ou de maldade mesmo.</p><p>E estou pensando nisto depois de ter lido um texto de um comentarista dos grandes jornais responsabilizando, sutil e exclusivamente, as escolhas de um dos mortos na chacina do dia 28/10 (onde morreram culpados e inocentes de envolvimento com o crime organizado, mas no caso desse, em particular, ele estava envolvido).</p><p>Não é que as condições nas quais uma pessoa viva justifiquem os seus erros, mas quem vive encurralado em condições de vida injustas tem uma gama muito menor de opções do que quem está em condições melhores (ou menos piores). O contexto não determina, mas faz muita diferença.</p><p>Nem mesmo Jesus deixou de levar em conta os contextos das pessoas com quem lidou, nos relatos dos evangelhos: ele não pegou no chicote contra nenhum dos “imorais” que apareceram (como Zaqueu ou a adúltera que queriam apedrejar), nem foi duro com eles, e se foi duro contra a hipocrisia dos fariseus, não foi por questões morais mas, no entanto ele só pegou no chicote contra quem estava profanando o Templo – entre hipocrisias e imoralidades, o zelo de Jesus aparentemente transbordou apenas quando o pecado era quase que exclusivamente religioso (já que ele se se irritou contra os vendedores não por serem comerciantes, mas por estarem negociando no Templo).</p><p>Não quero parecer estar defendendo que dê pra usar a Bíblia como uma cartilha de comportamento (como fez o <a href="https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/06/jogo-politico-o-afastamento-de-bolsonaro-e-malafaia-e-um-novo-bispo-que-vira-conselheiro-do-ex-presidente.ghtml ">bispo político</a> que prega a união da direita porque Jesus ensinou que todo reino dividido contra si mesmo não fica em pé), mas uma das muitas coisas que se pode aprender com Jesus é que mesmo que o contexto não justifique nem determine nada, ele precisa ser levado em conta.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Lázaro, Jairo e a viúva de Naim</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">25j748-l-zaro-jairo-e-a-vi-va-de-naim</guid>
      <pubDate>Fri, 31 Oct 2025 12:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>31/10/2025 - Teologia experimental</p><p>Se eu não estiver enganado, existem três narrativas de ressurreições feitas por Jesus nos quatro Evangelhos (sem incluir nesta conta a ressurreição do próprio Jesus, depois da sua Paixão): a da filha de Jairo [1], a do filho da viúva de Naim [2] e a de Lázaro [3], que talvez seja a narrativa mais famosa destas três.</p><p>Na ressurreição de Lázaro, que eu acho a mais dramática, pode-se ver o sentimento de Jesus pelos que morrem – basicamente, o mesmo que o nosso, a tristeza incomensurável. Eu li alguma vez, já não sei onde, que é nesta narrativa em que está o menor versículo – agora já não lembro se de toda a Bíblia, de todo o Novo Testamento ou só dos quatro Evangelhos: “Jesus chorou” [4], o que aconteceu depois de ter ido ver onde haviam sepultado Lázaro. As lágrimas de Jesus pela morte de Lázaro são as mesmas que ele derrama por cada pessoa que morre, porque Deus não nos criou para morrermos, e sim para vivermos. A morte não foi planejada por Deus, mas depois de ter sido introduzida na humanidade pelo Pecado Original da própria humanidade, Deus “recalculou a rota” para fazer com que a vida vença inclusive a morte.</p><p>Isto talvez seja fácil de falar assim, longe de um velório (mas não é). “Tal pessoa está com Jesus no céu” é um consolo para quem tem fé, <em>mas consolar uma dor, especialmente esta, não significa anestesiá-la</em> – tanto é que Jesus chorou pela morte de Lázaro, mesmo sabendo que ia ressuscitá-lo dali a pouco – e também mesmo sabendo que morreria mais adiante para que a sua ressurreição fosse “primícia dos que morreram” [5]. E assim como Jesus sofre conosco por quem morreu [6], ele também sofre pelos vivos que ficaram, como se pode ver no caso do filho da viúva de Naim, que Jesus ressuscitou porque sofreu pelo sofrimento da mãe. Quer dizer, também é necessário lembrar que estamos com Jesus cá na terra, e talvez seja necessário lembrar primeiro disto, para que a lembrança de que os mortos estão com Jesus lá no céu (só para repetir: como lembrança da esperança, e não como uma tentativa de anestesia).</p><p>A fé na ressurreição, na nossa ressurreição depois que morrermos, pode parecer meio inocente, como se pode ver no caso da ressurreição da filha de Jairo quando as pessoas em volta começam a rir de Jesus ao ouvirem que a menina não está morta. Acho que devem ter pensado que Jesus era inocente (no sentido de uma criança que acredita em coisas fantasiosas, por exemplo) porque não se espera de um adulto que ele seja inocente assim, a ponto de dizer que um morto “apenas está dormindo” [7].</p><p>Mas talvez seja esta inocência que o Evangelho de Marcos 10,15 sugere quando Jesus diz que quem não receber o Reino de Deus como uma criança não entrará nele. Quer dizer, não a inocência pela falta de experiência na vida de quem toma o errado pelo certo, mas a confiança simples, como a das crianças, no Reino de Deus, na ressurreição que virá, e em que os nossos mortos “apenas estão dormindo”, mesmo em meio a toda a dor por este “sono” deles, uma dor que tanto é humana (como sabemos pelas nossas próprias dores e pela dor de Jesus nas outras duas narrativas) quanto é divina (que estão nas mesmas duas narrativas).</p><ol>
<li>
<p>Mateus 9,18-26</p>
</li>
<li>
<p>Lucas 7,11-17</p>
</li>
<li>
<p>João 11,1-44</p>
</li>
<li>
<p>João 11,35</p>
</li>
<li>
<p>1Cor 15,20</p>
</li>
<li>
<p>E cada um de nós sofre por um número limitado de pessoas, mas Jesus, por todo e cada finado da história da humanidade.</p>
</li>
<li>
<p>Mateus 9,24</p>
</li>
</ol>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Lucas 12, 54-59</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">25j747-lucas-12-54-59</guid>
      <pubDate>Fri, 24 Oct 2025 12:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>24/10/2025 - Teologia experimental</p><p>Jesus começa mostrando que sabemos ver os sinais do que vai acontecer no clima, mas não os sinais do que está acontecendo agora: a nossa redenção. Mas Jesus não pede que interpretemos sinais que dizem, indiretamente, algo que está escondido e precisa ser decifrado, mas sim que sejamos nós mesmos esses sinais, ou nas palavras do versículo 57: «porque também não julgais por vós mesmos o que é justo?», entrando em acordo com nossos adversários, o que só é possível perdoando – e só é possível perdoarmos porque antes de ofercermos o nosso perdão, nós fomos perdoados, <em>mesmo que isto não esteja explícito no texto</em>.</p><p>Isto talvez faça mais sentido ao ler o esclarecimento que o papa Francisco fez sobre um ponto impresvindível do perdão e da justiça. Primeiro, que perdoar é diferente de esquecer: «aqueles que perdoam de verdade não esquecem, mas renunciam a deixar-se dominar pela mesma força destruidora que os lesou» [1]. Mais adiante, prosseguiu escrevendo que </p><blockquote>
<p>a justiça procura-se de modo adequado só por amor à própria justiça, por respeito das vítimas, para evitar novos crimes e visando preservar o bem comum, não como a suposta descarga do próprio rancor. O perdão é precisamente o que permite buscar a justiça sem cair no círculo vicioso da vingança nem na injustiça do esquecimento. [2]</p>
</blockquote><p>Não entramos em acordo com um adversário esquecendo nem desrespeitando a justiça porque o parâmetro desta justiça é a <em>justiça divina que perdoa</em>, mas que (pelo que se pode deduzir das palavras de Jesus) também não esquece. Deus perdoa por amor, e toda ijnustiça que cometemos foi paga por Jesus na Cruz. A justiça divina, que é o perdão pela Cruz de Jesus, é o sinal do tempo presente [3] que precisamos reconhecer e, além de reconhecer, é aquilo do qual precisamos nos tornar sinais, perdoando por amor, pelo amor que vem de Deus.</p><ol>
<li>
<p>Fratelli Tutti, 251</p>
</li>
<li>
<p>252</p>
</li>
<li>
<p>versículo 56</p>
</li>
</ol>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Mens Sana In Corpore Marombado</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">25j746-mens-sana-in-corpore-marombado</guid>
      <pubDate>Wed, 22 Oct 2025 12:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>22/10/2025 - Teologia experimental</p><p>Talvez eu não entenda muito bem certas palavras – posso dizer de muitas delas o que Cecília Meireles diz só de uma, “liberdade”, uma palavra que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda [1]: tem muitas palavras que por mais que me expliquem, não há quem me explique, nem nenhuma explicação que eu entenda.</p><p>“Frouxo”, por exemplo. Eu sei ver quando uma mesa está frouxa, e até consigo entender que no sentido comportamental ela é o contrário de “um filho teu não foge à luta” [2]. Mas não preciso de uma guerra para isto: onde eu trabalho já houveram muitas oportunidades de sair no soco, e em todas elas eu, como o eu lírico do Poema em Linha Reta, me agachei para fora da possibilidade do soco [3].</p><p>Claro que se fosse o caso de alguém sofrendo uma violência, uma mulher sendo vítima de violência doméstica, ou contra crianças, etc, aí eu não daria tanto tanto peso à auto-preservação, mas até hoje não apareceu nenhuma oportunidade de testar assim, desse jeito (quer dizer, ter que recorrer à violência para interromper uma violência pior), e eu espero, sinceramente, que esta oportunidade continue sem aparecer.</p><p>Acho que além da poesia, a mistura de anti-violência, auto-preservação e medo (e eu não sei a porcentagem de cada sentimento no total) da minha postura também é corroborada por ninguém mais e ninguém menos que Deus: </p><blockquote>
<p>Ele não se compraz com o vigor do cavalo, nem aprecia os músculos do homem [4];</p>
</blockquote><blockquote>
<p>Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo [5];</p>
</blockquote><blockquote>
<p>E é por isso que eu me alegro nas fraquezas, humilhações, necessidades, perseguições e angústias, por causa de Cristo. Pois quando sou fraco, então é que sou forte [6];</p>
</blockquote><p>e devem ter outros exemplos na Bíblia, mas não me ocorrem agora [7].</p><p>Eu espero não estar fazendo uma contra-propaganda religiosa, porque o cristianismo não dá suporte para fraqueza, covardia e passividade, mas dá suporte para que o contraponto dessas coisas sejam a fé em Deus, a confiança na força de Deus e na Providência Divina (tanto é que no salmo 146/147, o versículo seguinte ao do parágrafo acima é «Javé aprecia aqueles que o temem, aqueles que esperam por seu amor.»). Quer dizer, uma coisa é recorrer à força para ajudar a defender alguém, outra é virar um cirstão no estilo “mens sana in corpore marombado”. Eu acho mais seguro confiar em Deus como se tudo dependesse dele e agir como se tudo dependesse de mim, dentro do possível [8]. E às vezes o possível é se agachar para fora da possibilidade do soco.</p><p>Tudo isso é por causa de uma reportagem do Intercept Br sobre a <a href="https://archive.ph/LmX4i">Cultura do medo</a>, na G4 Educação, onde os “frouxos não são bem-vindos”. O cristianismo não tem nenhuma “moral da frouxidão”, mas, como eu escrevi no parágrafo anterior, faz com que o contrário da frouxidão seja a confiança em Deus mais no que a confiança “nos músculos do homem”. Mas é por isto a minha dificuldade com a palavra “frouxo”: ao mesmo tempo em que os frouxos não são bem-vindos lá, o dono afirma que “levou a igreja para dentro da empresa” (além de não contratar esquerdistas, para dar uma ideia do naipe do sujeito). Se a igreja está dentro da empresa, Cristo deve estar fora dessa igreja – logo ele que que se comportou muito mais como o Servo Sofredor de Isaías 53 <a href="/#fn9">[9]</a> do que como o rei vitorioso nas batalhas do salmo 23/24 (se bem que, sendo Rei de fato, Jesus foi vitorioso mesmo morrendo crucificado, mas não venceu pelos “músculos do homem”, quer fossem os seus ou os de outrem, e sim pela sua confiança no Pai, que o ressuscitou).</p><p>Não que fosse ficar mais cristão se fosse uma empresa onde “os que não confiam em Deus não são bem=vindos”, até porque lugar de igreja não é dentro de uma empresa (muito embora seja necessário ter fé em Deus <em>principalmente</em> dentro de uma empresa hoje em dia, por inúmeros motivos). Mas mesmo sem entender ainda muito bem a palavra “frouxo”, tenho certeza de que essa retórica da força só pode ser considerada cristianismo dentro desta cultura de cristianismo freestyle corporativo que dá tanto lucro para meia dúzia de ricaços às custas da degradação do Evangelho [10] .</p><ol>
<li>
<p>citando assim, de memória, provavelmente não está escrito exatamente assim no Romanceiro da Inconfidência</p>
</li>
<li>
<p>eu penso muito nisso porque em caso de guerra no Brasil, eu fugiria pra outro país – desde que não fosse o país que estivesse em guerra com o Brasil, é claro</p>
</li>
<li>
<p>me agachei = corri para longe da briga, porque se o meu eu lírico só se agachasse teria levado um chute muito pouco lírico</p>
</li>
<li>
<p>Salmo 146/147,10</p>
</li>
<li>
<p>João 1,29 – <em>não porque eu tire o pecado do mundo, é claro, mas se até Jesus tira o pecado do mundo sacrificando-se como um cordeiro, e não lutando como um touro, quem sou eu para bancar o fortão</em></p>
</li>
<li>
<p>2 Coríntios 12,10</p>
</li>
<li>
<p>Esses eu copiei da Bíblia online da Paulus</p>
</li>
<li>
<p>A frase original, que eu não faço ideia de onde vem mas eu li nuns cartõezinhos com frases edificantes na sala de uma pastoral universitária, é “rezar como se tudo dependesse de Deus e agir como se tudo dependesse de nós”, mas eu ainda prefiro a minha versão, especialmente pela parte do “dentro do possível”. Mas rezar também é imprescindível, é claro.</p>
</li>
<li>
<p>A passagem, que é o capítulo inteiro, copiado da Bíblia online da Paulus, é esta: &lt;&lt; 1 Quem acreditou em nossa mensagem? Para quem foi mostrado o braço de Javé? 2 Ele cresceu como broto na presença de Javé, como raiz em terra seca. Ele não tinha aparência nem beleza para atrair o nosso olhar, nem simpatia para que pudéssemos apreciá-lo. 3 Desprezado e rejeitado pelos homens, homem do sofrimento e experimentado na dor; como indivíduo de quem a gente esconde o rosto, ele era desprezado e nem tomamos conhecimento dele. 4 Todavia, eram as nossas doenças que ele carregava, eram as nossas dores que ele levava em suas costas. E nós achávamos que ele era um homem castigado, um homem ferido por Deus e humilhado. 5 Mas ele estava sendo transpassado por causa de nossas revoltas, esmagado por nossos crimes. Caiu sobre ele o castigo que nos deixaria quites; e por suas feridas é que veio a cura para nós. 6 Todos nós estávamos perdidos como ovelhas, cada qual se desviava pelo seu próprio caminho, e Javé fez cair sobre ele os crimes de todos nós. 7 Foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; tal como cordeiro, ele foi levado para o matadouro; como ovelha muda diante do tosquiador, ele não abriu a boca. 8 Foi preso, julgado injustamente; e quem se preocupou com a vida dele? Pois foi cortado da terra dos vivos e ferido de morte por causa da revolta do meu povo. 9 A sepultura dele foi colocada junto com a dos injustos, e seu túmulo junto com o dos ricos, embora nunca tivesse cometido injustiça e nunca a mentira estivesse em sua boca. 10 No entanto, Javé queria esmagá-lo com o sofrimento: se ele entrega a sua vida em reparação pelos pecados, então conhecerá os seus descendentes, prolongará a sua existência e, por meio dele, o projeto de Javé triunfará. 11 Pelas amarguras suportadas, ele verá a luz e ficará saciado. Pelo seu conhecimento, o meu servo justo devolverá a muitos a verdadeira justiça, pois carregou o crime deles. 12 Por isso eu lhe darei multidões como propriedade, e com os poderosos repartirá o despojo: porque entregou seu pescoço à morte e foi contado entre os pecadores, ele carregou os pecados de muitos e intercedeu pelos pecadores.”&gt;&gt;</p>
</li>
<li>
<p>tste</p>
</li>
</ol>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Inferno e Paz</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">25j745-inferno-e-paz</guid>
      <pubDate>Tue, 14 Oct 2025 12:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/10/2025 - Teologia experimental</p><p>“Você vai para o inferno se não acreditar em Deus” é uma ameaça que, graças a Deus, não surte mais muito efeito hoje em dia. Mesmo quando funcionava era ruim (mas talvez ninguém percebesse isso) porque é mais ou menos como apontar uma arma na cara de alguém e tentar obrigar a vítima a acreditar em Deus. E agora é pior porque, além da ameaça, ela é irrisória, como ameaçar alguém fazendo arminha com as mãos: “acredite em Deus e também que vai sair uma bala da ponta do meu dedo indicador”.</p><p>Tem muita gente que não acredita em inferno, a ponto de Bento XVI ter que ter reafirmado a doutrina de que ele existe sim. Mas isso só serve pra quem já tem fé em Deus, quer dizer, gente que já acredita em Deus mas omite, cuidadosamente, essa parte, que é justamente sobre Deus não obrigar ninguém a acreditar nele – a ponto de permitir, às custas do seu próprio sofrimento divino, que alguém decida pelo rompimento definitivo com Deus, que é o que significa o inferno. Mas em geral, a ameaça é inócua porque ou o ameaçado já acreditava em Deus, quer acredite ou não também no inferno, ou não acredita em Deus e, se não acredita no principal, que é Deus, provavelmente não vai acreditar em detalhes como o inferno.</p><p>A questão é que se trata de escolhas definitivas, mas tem uma diferença entre escolher Deus e escolher não ir pro inferno (o que é confuso porque é meio redundante, mas escolher Deus por amor ao prṕprio Deus é diferente de escolher Deus por medo do inferno, apesar de levar a Deus também, mas só porque Deus é a única alternativa ao inferno). Só que, para além disto, a ameaça (“ou Deus ou o inferno”) não funciona também porque muita gente já conheceu (e sobreviveu) ao que considerava um inferno, e no meio de tantos sofrimentos a que estamos expostos hoje em dia, “você vai pro inferno” perde o caráter de ameaça e se parece com mais do mesmo pelo qual muita gente passou, ou ainda passa. Tem quem tente usar ainda o “mas o inferno mesmo é muito pior do que isto que você passou” como se as pessoas já não tivessem visto o que não tinha como ser pior piorar ainda mais, a despeito de parecer já o fundo do poço. Realmente o inferno é pior, mas isso só vai ter efeito com quem ama Deus e não precisa de ameaça nenhuma para isso.</p><p>Acho que nem falar em vida eterna adianta muito, porque quem acredita em vida eterna geralmente já acredita em Deus também, aí tem que convencer o outro, quando não acredita em vida eterna, que a vida eterna existe para daí Deus entrar na jogada. Não é que não seja verdade, mas na prática parece mais aquilo que a propaganda faz, que é criar uma necessidade que não existe e aí vender a solução. No fim me parece muito mais sensato falar de Deus, anunciar Jesus, que o básico do básico geralmente funciona melhor. Por mais que Paulo tenha dito que é necessário dar razões da própria fé, se for para argumentar tão mal é melhor falar da própria fé e deixar de lado a argumentação – até porque, dando razões ou não, quem converte alguém é Deus mesmo, e não os argumentos de alguém, sejam eles brilhantes ou horríveis.</p><p>Apesar de tanto inferno e vida eterna acima, isso tudo me ocorreu graças ao ceticismo com a mais recente paz em Gaza. Aliás, não é nem pelo ceticismo, mas sim pelo desdém de quem tem a certeza de que não vai durar. Esses pensamentos sobre as coisas eternas foram porque, até certo ponto não deixa de ser verdade: a paz em Gaza não vai durar. Mas isso é porque paz nenhuma aqui na terra vai durar, assim como também guerra nenhuma. Só o que vai perdurar eternamente é Deus e, por graça dele, quem entrar na vida eterna pela fé em Deus. E desdenhar de uma paz provisória (mesmo que tenha sido articulada por tanta gente ruim e por motivos ruins que nem eles) é desdenhar toda a possibilidade de paz que pode haver no mundo.</p><p>Paz nenhuma vai durar, e guerra nenhuma também não. Mas desdenhar de um alívio provisório implica em prolongar por nada um sofrimento provisório, o que é mais fácil de fazer quando o alívio ou o sofrimento é o dos outros e não o próprio, independente daquilo no que se creia ou deixe de acreditar.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Leão XIV, para além de conservador ou progressista</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">25j744-le-o-xiv-para-al-m-de-conservador-ou-progressista</guid>
      <pubDate>Fri, 03 Oct 2025 12:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/10/2025 - Teologia experimental</p><blockquote>
<p>[…] com base no tomismo, Leão XIII defendia que não caberia a Igreja Católica intervir no regime político dos estados, mas guiá-los em direção aos valores ético e morais do cristianismo. Sem contrapor a Igreja à forma de governo secular, consolidava-se as bases de criação da Doutrina Social Católica, abrindo caminho para o surgimento décadas depois do Concílio Vaticano II, em direção frontalmente oposta ao Vaticano I.</p>
</blockquote><blockquote>
<p>O documento que marcou o esforço de terceira via da chamada “sociologia católica” diante de um mundo polarizado entre esquerda e direita foi a Encíclica Rerum Novarum (1891), de Leão XIII. Nela, sistematiza-se as contraposições da Doutrina Social Católica em relação tanto ao modelo de sociedade capitalista quanto às alternativas socialistas e comunistas.</p>
</blockquote><blockquote>
<p>[…] a definição de progressista ou conservador usada para a política tradicional não serve para compreender o posicionamento político da Igreja Católica. Em alguns temas há afinidade com agendas políticas da esquerda em outros com a direita. Isso ocorre porque os valores que a Igreja disputa são os valores da modernidade e o papel da Igreja sob ela.</p>
</blockquote><p>Texto de <a href="https://diplomatique.org.br/leao-xiv-para-alem-de-conservador-ou-progressista/">Le Monde Diplomatique</a>, onde foi publicado dia 28 de maio de 2025</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Maldades Cristianizadas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">25i743-maldades-cristianizadas</guid>
      <pubDate>Tue, 30 Sep 2025 07:31:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>30/09/2025 - Teologia experimental</p><p>Ódio e violência, incluindo nisso tudo a vingança, não são coisas cristãs. Apesar disto, estas coisas fizeram parta da história do cristianismo, e a ideia não é renegar a presença disto nesta história, mas condenar que isso tenha havido. Mesmo que episódios como as Cruzadas e a Inquisição sejam cheios de matizes (às quais não faltam tentativas de “purificação”, em alguns casos excluindo os nuances mais semelhantes ao joio, e em outros, excluindo os nuances mais semelhantes ao trigo), não é porque o ódio e a violência (e outras coisas desse tipo) fizeram parte deles que se tornam justificáveis. Mas hoje em dia se faz algo pior do que justificá-los. Alguns cristão tentam repeti-los.</p><p>Às vezes a justificativa é a Bíblia, especialmente o Antigo Testamento interpretado ao pé da letra e isolado da elevação da Palavra de Deus à perfeição trazida por Jesus, mas até Moisés, que pela graça de Deus libertou o povo da escravidão do Faraó e fez uma breve participação especial no Novo Testamento, foi proibido de entrar na Terra Prometida porque, sendo imagem pré-figurativa de Jesus, afinal de contas não era Jesus e, portanto, também teve lá os seus vacilos diante de Deus.</p><p>Além do Antigo Testamento, eu já vi usarem o NT para justificar a violência (como quando Pedro sacou a espada para defender Jesus, ou quando o próprio Jesus disse para aranjar uma espada). Mas nesta passagem do Evangelho de Lucas 9,51-56 a descristianização do ódio e da violência está perfeitamente estampada: Tiago e João queriam evocar o fogo do céu contra a aldeia samaritana que não acolheu Jesus, e Jesus repreendeu esta ideia – mesmo sendo samaritanos que, além de não terem acolhido Jesus e seus discípulos na sua jornada rumo à Cruz e Ressurreição nesta passagem bíblica, eram inimigos viscerais dos judeus. Talvez não tenha sido à toa que no capítulo seguinte Lucas narre a parábola do Bom Samaritano.</p><p>É muito fácil, ou pelo menos é muito comum excluir da “lista das coisas cristãs” aquilo que repercute mal, sendo elas ou não coisas cristãs, quer dizer, é comum cristianizar ou descristianizar coisas conforme as conveniências do momento (e infelizmente, a cristianização forçada do ódio e da violência tem sido muito conveniente hoje em dia). Mas os interesses humanos, inclusive os mais mesquinhos, não tem a capacidade de transformar o mal no bem. Deus, pelo seu poder, consegue fazer com que as consequências de coisas más sejam boas, mas nem por isso transforma as coisas más em coisas boas, e por mais que a violência e o ódio apareçam tanto na Bíblia quanto na história do cristianismo, Jesus continua repreendendo essas maldades – já que ele consegue tirar consequências boas de nossas maldades, talvez tire consequências ainda melhores quando fizermos o bem.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Ordem e Progresso</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">25i742-ordem-e-progresso</guid>
      <pubDate>Mon, 29 Sep 2025 07:32:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>29/09/2025 - Teologia experimental</p><p>Talvez o meu problema com a palavra <em>progresso</em> que as pessoas usam quando dizem que querem melhorar, se desenvolver, etc seja porque eu sempre desconfio que elas estão de olho em um objetivo ideal cuja irrealidade fica velada.</p><p>Eu também não sei, quase sempre, se as pessoas estão falando de um progresso espiritual, de um progresso material, de um progresso intelectual, por exemplo. Mas sempre acho que é em direção a um ideal inalcançável, e a irrealidade recalcada serve para esconder, mais embaixo ainda, que não existe limite nenhum, só um progresso infinito que, na minha opinião, vai enlouquecer o candidato a progredir porque o seu horizonte é móvel como o que se vê no mar, e vai se afastando na medida em que se vai indo em direção a ele.</p><p>É claro que isto, esta visão do progresso, talvez seja o efeito da minha tendência meio niilista de achar que não adianta ter objetivo nenhum porque um objetivo viável agora pode se tornar inviável amanhã por causa da mudança abrupta das circunstâncias e, por isso, não adianta fixar objetivo nenhum: pode ser que o objetivo das pessoas exista e seja tangível, e elas só não me contaram qual é, mas sejam mais competentes do que eu para alcançá-los.</p><p>É mais ou menos como naquela história que Jesus conta em Lucas, do rei que tem que considerar se pode enfrentar com seus dez mil soldados o outro que vem com vinte mil – se bem que acho que ele estava falando sobre não confiar nos próprios recursos e sim na graça de Deus para poder segui-lo, mas estou descontextualizando isto para ficar só com o exemplo de que ele sugeriu que o rei com dez mil soldados deveria mandar uma delegação de paz para o rei que tinha vinte mil soldados.</p><p>O que eu acabo fazendo é o que Jesus sugere ao rei dos dez mil soldados: a delegação de paz que eu costumo enviar para a poderosa instabilidade das circunstâncias é colocar objetivos simples e imediatos (que não levam necessariamente a algum progresso): chegar no horário, lavar a roupa, essas coisas.</p><p>Claro que inclusive para isso eu conto, como eu acho que era o que Jesus queria dizer naquela passagem, com a graça de Deus mais do que com os meus próprios recursos por eles mesmos. No fim das contas eu recorro a eles, mas sabendo que o que faz dar certo é a graça de Deus (o que fica mais evidente quando os meus recursos não dão conta nem desses objetivos simples e imediatos).</p><p>Apesar de tudo isso, no fim das contas, o que eu deveria fazer era perguntar para as pessoas que dizem que querem melhorar o que elas querem dizer com isso.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O Tribalismo Cristao</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 23 Sep 2025 07:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/09/2025 - Teologia experimental</p><p><strong>Pertencer à tribo de Cristo liberta a Igreja do tribalismo e do etnocentrismo</strong></p><p>A inculturação se degenera em etnocentrismo quando é reduzida a uma estratégia humana, desconectada do mistério da Encarnação. Os apóstolos já reconheciam e ensinavam que nenhuma cultura ou pertença étnica pode monopolizar o Evangelho nem apropriar-se da Igreja.<br/><a href="https://www.fides.org/es/news/76781-VATICANO_El_arzobispo_Nwachukwu_a_los_nuevos_obispos_pertenecer_a_la_tribu_de_Cristo_libera_a_la_Iglesia_del_tribalismo_y_el_etnocentrismo "> Fonte: Agência Fides (em espanhol)</a>.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Devocao Mariana e Compromisso Social</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">25i740-devocao-mariana-e-compromisso-social</guid>
      <pubDate>Tue, 23 Sep 2025 07:28:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/09/2025 - Teologia experimental</p><p>Cidade do Vaticano, 06 set 2025 (Ecclesia) – O Papa encerrou hoje, no Vaticano, o 26.º Congresso Mariológico Mariano Internacional, ligando a devoção à Virgem Maria ao compromisso social, nas comunidades católicas:</p><p>Uma piedade e uma prática marianas orientadas para o serviço da esperança e da consolação libertam do fatalismo, da superficialidade e do fundamentalismo; levam a sério todas as realidades humanas, a começar pelos últimos e pelos descartados; contribuem para dar voz e dignidade àqueles que são sacrificados nos altares dos ídolos antigos e novos”</p><p><a href="https://agencia.ecclesia.pt/portal/vaticano-leao-xiv-ligacao-devocao-mariana-a-compromisso-social/ ">Agência Ecclesia</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Iii Encontro Nacional da Economia</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">25i739-iii-encontro-nacional-da-economia</guid>
      <pubDate>Tue, 23 Sep 2025 07:25:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/09/2025 - Teologia experimental</p><p>Representantes de comunidades e organizações de todo o Brasil se reuniram na Universidade Católica de Pernambuco, em Recife, para o III Encontro Nacional da Economia de Francisco e Clara. Com o lema “A economia pode ser justa para todas as vidas, agora!”, o evento refletiu sobre alternativas ao modelo econômico atual, considerado injusto e predatório. </p><p>Inspirados pelo Papa Francisco, os participantes defenderam uma transformação estrutural da economia, com foco na justiça social, sustentabilidade e solidariedade. Destacaram também o papel das Casas de Francisco e Clara e encerraram com um chamado à ação movido por indignação e esperança. </p><p><a href="https://adn.celam.org/brasil-iii-encuentro-nacional-de-la-economia-de-francisco-y-clara-pide-cambios-estructurales-y-justicia-social/ "> Fonte: ADN Celam (em espanhol)</a>, publicada em 20 de setembro de 2025.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>teste 2</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 12 Feb 2024 23:03:26 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/02/2024</p><p>Deus não se revela em visões misteriosas, mas em palavras nas quais podemos acreditar. (adaptado de s. Tomás de Aquino)</p><p>+info: <a href="https://oficioddc.blogspot.com/p/odc.html">https://oficioddc.blogspot.com/p/odc.html</a></p><blockquote>
<p>TesteAAA</p>
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</blockquote><p><a href="https://mastodon.social/@marcelolm/113397088665040959">https://mastodon.social/@marcelolm/113397088665040959</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>teste</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 12 Feb 2024 22:37:54 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/02/2024</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Mudou-se</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 25 Jan 2024 00:08:33 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/01/2024</p><p>para <a href="https://mrclsl.wordpress.com/">cá</a>:</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclsl/740442790417285120/marcelo">link para o tumblr</a></p><p>Mas talvez não mais (31/10)</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>/</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Confiando todas as necessidades da vida terrena ao Coração Divino livramos delas nosso coração, de modo que nossa alma se torna livre para participar da vida divina.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 22 Jan 2024 04:46:18 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>22/01/2024</p><h3> (S. Edith Stein. A mulher: sua missão segundo a natureza e a graça, p. 70)</h3><p>Confiando todas as necessidades da vida terrena ao Coração Divino livramos delas nosso coração, de modo que nossa alma se torna livre para participar da vida divina. (S. Edith Stein. A mulher: sua missão segundo a natureza e a graça, p. 70)</p><p>A participação da vida divina exerce ela própria um força libertadora tirando das preocupações terrenas seu peso e concedendo-nos, mesmo nessa temporalidade, um pedaço da eternidade, um reflexo da vida bem-aventurada, um caminho na luz. (S. Edith Stein. A mulher: sua missão segundo a natureza e a graça, p. 70)</p><p>A Igreja não prega nenhum sistema específico. A Igreja não oferece nenhum método; mas a Igreja oferece os princípios da verdadeira liberdade: acreditar no Deus libertador. (<a href="https://www.sicsal.net/romero/homilias/A/780709.htm">S. Oscar Romero</a>)</p><p>Para Cristo, Maria é algo além de sua mãe física, é mãe criada por Deus para gerar espiritualmente toda uma humanidade divina. “Mulher” soa como Adão chama de “Eva” aquela que será companheira da fecundidade que povoará a terra. (<a href="https://www.sicsal.net/romero/homilias/C/800120.htm">S. Oscar Romero</a>)</p><p>Na tarde da vida te julgarão pelo amor. (<a href="https://www.sicsal.net/romero/homilias/B/790121.htm">S. Oscar Romero</a>)</p><p>Toda a pompa, todos os triunfos, todos os capitalismos egoístas, todos os falsos sucessos da vida passarão junto com a figura do mundo. Tudo isso passa, o que não passa é o amor, é ter transformado o dinheiro, os bens, o serviço da própria profissão em serviço dos outros, é ter tido a alegria de partilhar e sentir-se irmão de todos os homens. (<a href="https://www.sicsal.net/romero/homilias/B/790121.htm">S. Oscar Romero</a>, com algumas adaptações)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O fogo do céu</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 26 Jun 2022 03:15:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>26/06/2022</p><img width="600" alt="Vendo isso, os discípulos Tiago e João disseram: “Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para destruí-los?” Jesus, porém, voltou-se e repreendeu-os. Lucas 9,54-55" src="/midia/o-fogo-do-ceu.gif"/>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O Senhor fará germinar sua justiça</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 25 Jun 2022 03:05:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/06/2022</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>As condições do amor de Deus</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 24 Jun 2022 21:09:24 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>24/06/2022</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Lc 1,46</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 22 Jun 2022 00:23:14 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>22/06/2022</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A obra libertadora de Cristo (mons. Romero)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 21 Jun 2022 03:15:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>21/06/2022</p><p>El segundo mensaje de hoy es que este Cristo se presente con su gran obra liberadora. Yo quisiera aclarar mucho esta palabra: La liberación. Muchos le tienen miedo a esa palabra. Muchos también abusan de esa palabra. Pues ni miedo ni abuso, la verdad es que liberación es una palabra bíblica y quiere expresar toda la obra salvadora del Señor a partir del pecado. La primera liberación que Cristo anuncia y que en la segunda lectura de hoy [Gl 3,26-29] San Pablo nos describe maravillosamente, es que Cristo ha venido a derribar el pecado y que por el bautismo que lava el pecado de los hombres y por la penitencia que los convierte de nuevo si se han apartado de él, un hombre se incorpora a Cristo y se hace hombre de nuevo.</p><p>Un hombre nuevo, esta es la obra liberadora. Hacer hombres nuevos, hombres que se despeguen del pecado, hombres que echen afuera sus egoísmos, sus idolatrías, sus soberbias, sus orgullos y se hagan humildes seguidores de Cristo el Señor. Todos son hijos de Dios por la fe en Cristo Jesús. Esta es la obra de Cristo, llamar a todos los hombres sin discriminación. Y San Pablo ha dicho, esa discriminación ya no cuenta en el cristianismo: “Ya no hay distinción entre judíos y no judíos, esclavos y libres, hombres y mujeres, porque todos ustedes son uno en Cristo Jesús”. Ya no hay clases sociales para el cristianismo. Ya no hay discriminación de razas. Por eso el cristianismo también choca, porque tiene que predicar esta obra liberadora de proclamar a todos los hombres iguales en Cristo Jesús. Renovación interior del corazón, esto es lo que hace a todos los hombres iguales: Renovarnos. Mientras no hay hombre nuevo, hay orgullo, hay discriminación. Ricos y pobres, cuando se convierten de verdad y se lavan por dentro con este bautismo de Cristo y creen de verdad en el Señor, ya no se distinguen el rico y el pobre, porque sólo hay un sentimiento de fraternidad en Cristo Jesús. No hay superior e inferior, porque uno y otro saben que no son nada en el orden de la gracia sin Cristo el redentor. Sólo hay un grande, Cristo que nos redime. Sólo hay un liberador.</p><p>Y por eso, hermanos, aquí también la distinción muy prudente, en nuestro tiempo, entre las falsas y verdaderas liberaciones. Esto es muy importante. Cómo se ha perseguido a la Iglesia confundiendo su mensaje con el mensaje de la subversión, de algo que estorba en el país. La Iglesia predica esta liberación en Cristo Jesús. La Iglesia promueve la dignidad del campesino, la dignidad del obrero. Promueve la dignidad del hombre humillado en esta situación en que se vive en el país, como si alguien no fuera hombre. Si es que hay vidas entre nuestros hermanos verdaderamente infrahumanas. Y la Iglesia predica la liberación de esa gente, precisamente a partir de desterrar el pecado, de denunciar la injusticia, el abuso, el atropello y decirles a todos los hombres que somos hijos de Dios, que hemos sido bautizados por Cristo.</p><p>Una liberación que pone en el corazón del hombre la esperanza: La esperanza de un paraíso que no se da en esta tierra. De allí que la Iglesia no puede ser comunista. La Iglesia no puede buscar solamente liberaciones de carácter temporal. La Iglesia no quiere hacer libre al pobre haciéndolo que tenga, sino haciéndolo que sea. Que sea más, que se promueva. A la Iglesia poco le interesa el tener más o el tener menos. Lo que interesa es que el que tiene o no tiene, se promueva y sea verdaderamente un hombre, un hijo de Dios. Que valga, no por lo que tiene, sino por lo que es. Esta es la dignidad humana que la Iglesia predica.</p><p>Una esperanza en el corazón del hombre que le dice: Cuando termine tu vida, tendrás participación en el reino de los cielos. Aquí no esperes un paraíso perfecto, pero existirá en la medida en que tú trabajes en esta tierra por un mundo más justo, en que trates de ser más hermano de tus hermanos; así será también tu premio en la eternidad, pero en esta tierra no existe ese paraíso. Aquí la diferencia es entre el comunismo, que no cree en ese cielo ni en ese Dios, y la Iglesia, que promueve con una esperanza de ese cielo y de ese Dios.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Privado: A</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 20 Jun 2022 10:22:43 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/06/2022</p><p>[googleapps domain=”docs” dir=”presentation/d/e/2PACX-1vSqrWkQwrQDLyXs2u74tzLlzWhG2i2yVM-4emz7qQjrwS5DepJC-RV2qAvtPyzeHCqM6O0KExiYS5bH/embed” query=”start=false&amp;loop=false&amp;delayms=3000″ width=”1058″ height=”624″ /]</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Privado:</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 20 Jun 2022 06:36:51 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/06/2022</p><p>[googleapps domain=”docs” dir=”presentation/d/e/2PACX-1vT20HoX40-XUCwxbQoMmjOtr5y7SzgndLx8gB8AEJgAha32aMi-XCdKzrve0ulEfw/embed” query=”start=false&amp;loop=false&amp;delayms=3000″ width=”1280″ height=”749″ /]</p><p>a</p><p>a</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O julgamento final</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 20 Jun 2022 03:15:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/06/2022</p><blockquote><p>Não julgueis, e não sereis julgados. Pois, vós sereis julgados com o mesmo julgamento com que julgardes; e sereis medidos, com a mesma medida com que medirdes. </p>Mt 7,1-2</blockquote><p>Deus era misericordioso no Antigo Testamento tanto quanto o é no Novo. Se Deus não corrigiu ideias como</p><blockquote><p>O Senhor indignou-se profundamente contra os filhos de Israel e rejeitou-os para longe da sua face </p>1Rs 17,18</blockquote><p>provavelmente foi porque não adiantaria falar como Jesus falou mais tarde para uma geração incapaz de entender a misericórdia – tanto é que na nossa própria geração (“pós-NT”, digamos assim) a ideia de um Deus vingativo e sanguinário faz sucesso como se Cristo tivesse matado todos os seus inimigos ao invés ter se entregado em sacrifício por todos como fez.</p><p>Deus é o supremo Juiz. Se nem ele fica julgando a nós, pobres pecadores, quem somos nós para julgarmos os outros? A partir do momento em que Deus, que poderia ser o sanguinário que é pintado no AT porque afinal de contas é Deus, ao contrário é misericordioso e compassivo, agir com bondade e misericórdia passa a ser uma obrigação.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Autocuidado</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 19 Jun 2022 16:45:06 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/06/2022</p><blockquote><p>Jesus perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “O Cristo de Deus”.<br/>Mas Jesus proibiu-lhes severamente que contassem isso a alguém. E acrescentou:<br/>“O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia”.<br/>Depois Jesus disse a todos: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará”.</p>Lc 9,20-24</blockquote><p>Se esta conversa entre Cristo e seus discípulos tivesse acontecido em um grupo de Whatsapp, Pedro não teria recebido um 👍 pela resposta certa, e sim uma ✝️. Isto porque Lucas escreveu uma versão mais leve do diálogo, já que em algum outro evangelho (não lembro qual, agora) Pedro até recebe um joinha (na forma de “não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas sim meu Pai…”), mas logo mais adiante Cristo lhe chama de 😈.</p><p>Seguir Cristo não quer dizer deixar de lado o sorriso e a alegria para entregar-se de braços abertos à dor e ao sofrimento constantes, mas significa que o prazer que o mundo nos dá se torna mais leve “posto que é chama” (como diria o poeta) enquanto vivemos do infinito que se abre para nós pela cruz de Cristo.</p><p>Jesus não era um vendedor, pois se fosse teria sempre ressaltado o consolo e o alívio de Deus que recebemos às vezes sem motivo, e às vezes pelos sofrimentos que passamos, enquanto teria deixado o “tome sua cruz cada dia” em letras pequenas sem repetir isso o tempo todo. Mas o que vem em letras pequenas é o consolo de Deus porque o motivo de seguir Cristo deve ser a fé, e não o pragmatismo de quem vai receber alguma coisa em troca disto. Há vantagens e desvantagens em crer em Cristo, mas os Evangelhos escrevem as vantagens em letras pequenas e as desvantagens, as escrevem em neon.</p><p>Tanto os sofrimentos quanto as alegrias vão aparecer na vida de qualquer pessoa em qualquer circunstância, creia ela em Deus ou não. Se forem vividas sem fé, serão sofrimentos e alegrias à serviço da morte, enquanto que se forem vividas com fé, estarão à serviço da vida.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Dois senhores</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22f725-dois-senhores</guid>
      <pubDate>Sat, 18 Jun 2022 23:15:59 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/06/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/dois-senhores.gif"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/06/b16.gif">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/06/b16.gif]</a><p>Fonte: <a href="https://www.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/homilies/2007/documents/hf_ben-xvi_hom_20070923_velletri.html">homilia de Bento XVI em 23 de setembro de 2007</a></p><p>Imagens: <a href="https://unsplash.com/@micheile?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">micheile dot com</a> on <a href="https://unsplash.com/@towfiqu999999?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a>, <a href="https://unsplash.com/@sharonmccutcheon?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Sharon McCutcheon</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/wealth?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a> e <a href="https://unsplash.com/@ecasap?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Elaine Casap</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/sharing?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Corações roubados</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22f724-coracoes-roubados</guid>
      <pubDate>Fri, 17 Jun 2022 05:18:41 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/06/2022</p><blockquote><p>Não junteis tesouros aqui na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e os ladrões assaltam e roubam. Ao contrário, juntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça e a ferrugem destroem, nem os ladrões assaltam e roubam. Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.</p>Mt 6,19-21</blockquote><p>O <strong>Necrológio dos Desiludidos do Amor</strong> (<a href="https://www.letras.mus.br/carlos-drummond-de-andrade/necrologio-dos-desiludidos-do-amor/">de Drummond</a>) é o resultado mais dramático dos corações roubados aqui na terra, mas não é nem nas nossas “paixões de primeira e de segunda classe” que mora o perigo de juntar nossos tesouros aqui na terra e não no céu – já que juntá-los no céu não impede um coração partido, e sim somente que ele seja roubado.</p><p>Juntar um tesouro “onde também estará o teu coração” aqui na terra é pedir para perdê-lo mais cedo ou mais tarde, e não se trata apenas da ganância por dinheiro e poder: perdemos nossos corações o tempo todo porque ele está em tesouros terrenos, que às vezes até podem parecer celestiais, mas no fim estão expostos como uma conta digital cuja senha é uma data de aniversário.</p><p>Não existe na terra nenhum sistema de proteção seguro o suficiente para proteger nossos tesouros com cem por cento de eficiência, e quando os roubarem, estarão levando com eles os nossos corações. Já o “cofre celestial” é seguro, especialmente para o nosso coração.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Ó precioso e admirável banquete!</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22f723-o-precioso-e-admiravel-banquete</guid>
      <pubDate>Thu, 16 Jun 2022 21:53:45 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>16/06/2022</p><blockquote><p>O unigênito Filho de Deus, querendo fazer nos participantes da sua divindade, assumiu nossa natureza, para que, feito homem, dos homens fizesse deuses. Assim, tudo quanto assumiu da nossa natureza humana, empregou-o para nossa salvação. Seu corpo, por exemplo, ele o ofereceu a Deus Pai como sacrifício no altar da cruz, para nossa reconciliação; seu sangue, ele o derramou ao mesmo tempo como preço do nosso resgate e purificação de todos os nossos pecados.</p><p>Mas, a fim de que permanecesse para sempre entre nós o memorial de tão imenso benefício, ele deixou aos fiéis, sob as aparências do pão e do vinho, o seu corpo como alimento e o seu sangue como bebida.</p>Das Obras de Santo Tomás de Aquino, presbítero (Opusculum 57, In festo Corporis Christi, lect. 1-4)<br/>(Séc. XIII)</blockquote>]]></description>
    </item>
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      <title>O novo tempo de Cristo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22f722-o-novo-tempo-de-cristo</guid>
      <pubDate>Thu, 16 Jun 2022 05:28:30 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>16/06/2022</p><blockquote><p>A Missa torna presente o sacrifício da cruz; não é mais um, nem o multiplica.</p>Ecclesia de Eucharistia, 12</blockquote><p>O ponteiro de um relógio se movimenta sobre cada um dos segundos para indicar que um deles passou.</p><p>Se o sacrifício de Cristo na cruz fosse o ponteiro de um relógio e a história humana a partir da cruz fosse a superfície onde ficam escritas as horas, seria esta superfície que se movimentaria sob o ponteiro.</p><p>O sacrifício diário da missa não é, como explicou João Paulo II na citação acima, a multiplicação do sacrifício nem um outro sacrifício, mas o mesmo. Com o passar do tempo aquele mesmo sacrifício permanece o mesmo, e é o tempo que vai girando até que Cristo venha novamente.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>A divisão das águas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 15 Jun 2022 13:23:03 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/06/2022</p><blockquote><p>Elias tomou então o seu manto, enrolou-o e bateu com ele nas águas, que se dividiram para os dois lados, de modo que ambos passaram a pé enxuto.</p>2Rs 2,8</blockquote><p>Na primeira vez que a Bíblia mencionou alguém batendo com alguma coisa nas águas para dividi-las e dar passagem segura pelo leito, o evento foi solene e grandioso, repercutindo pelos séculos até hoje e, quem sabe, pela eternidade também.</p><p>Mas agora Elias, prestes a ser arrebatado aos céus, está conversando com Eliseu enquanto caminham, sem nenhuma pompa e circunstância, e por motivo nenhum, Elias divide as águas para eles continuarem o caminho conversando.</p><p>A salvação que Deus nos oferece é solene e grandiosa, como a versão mais dramática e solene das águas se dividindo ao toque de Moisés; mas esta salvação também é cotidiana e silenciosa, pois é no nosso cotidiano que Deus vai nos salvando por causa da morte e ressurreição de Cristo.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>💛</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 14 Jun 2022 03:10:45 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/06/2022</p><blockquote><p>Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem!</p>Mt 5,44</blockquote><p>Deus nos criou para receber e retransmitir o seu amor, não para pôr mais ódio em circulação na praça. Por mais dolorido que seja manter amor entre os espinhos da inimizade, é a Deus que cabe podar estes espinhos e não a nós, a quem cabe amar em vez de odiar.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Oferecer a outra face</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 13 Jun 2022 13:38:05 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/06/2022</p><blockquote><p>Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda!<br/>(Mt 5,39)</p></blockquote><p>Nenhuma injustiça pode passar batida, como se ignorá-la fosse acabar com ela. Mas a justiça não vai ser feita reagindo individualmente, já que quase sempre a injustiça está amparada por um sistema injusto do qual alguns malvados se aproveitam, e a reação individual só vai alimentar esse ciclo violento, que sempre vai arrebentar no lado dos injustiçados.</p><p>E buscar a justiça também é um jeito de dar a cara a tapa.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Desejo e posse</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22f718-desejo-e-posse</guid>
      <pubDate>Sat, 11 Jun 2022 05:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/06/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686726308046192640/todo-aquele-que-olhar-para-uma-mulher-com-o">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A intensidade de Deus</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22f717-a-intensidade-de-deus</guid>
      <pubDate>Fri, 10 Jun 2022 11:36:01 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/06/2022</p><blockquote><p>“Sai e permanece sobre o monte diante do Senhor, porque o Senhor vai passar”. Antes do Senhor, porém, veio um vento impetuoso e forte, que desfazia as montanhas e quebrava os rochedos. Mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento houve um terremoto. Mas o Senhor não estava no terremoto. Passado o terremoto, veio um fogo. Mas o Senhor não estava no fogo. E depois do fogo ouviu-se <strong>um murmúrio de uma leve brisa</strong>. Ouvindo isto, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e pôs-se à entrada da gruta. Ouviu, então, uma voz que dizia: “Que fazes aqui, Elias?”<br/>(1Rs 19,11-13)</p></blockquote><p>Deus tem força e poder, apenas uma palavra da sua boca pode mover céus e terra. Mas nós só o encontramos na fragilidade do <em>“murmúrio de uma leve brisa”</em>, porque em toda a sua grandiosidade, o seu aspecto mais essencial é o amor.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Existir e viver</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 09 Jun 2022 06:18:47 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/06/2022</p><blockquote><p>Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal’. Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: ‘patife!’ será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de ‘tolo’ será condenado ao fogo do inferno.<br/>(Mt 5,21-22)</p></blockquote><p>A vida não se resume à sua manifestação externa. Atentar contra a existência alheia mesmo que apenas dentro de si é promover a morte, seguindo por um caminho contrário ao caminho da vida apontado por Deus, que não se contenta em nos dar apenas a vida, mas quer promover, através de nossas ações, a vida plena que ele nos oferece.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title/>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 08 Jun 2022 06:34:20 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>08/06/2022</p><blockquote><p>Ouve-me, Senhor, ouve-me, para que este povo reconheça que tu, Senhor, és Deus, e que és tu que convertes os seus corações!</p>1Rs 18,37</blockquote><p>Por mais que alguém fale de Cristo, dê o exemplo, explique, desenhe, tente convencer, etc., precisa se lembrar que quem converte as pessoas é Deus, e mais ninguém. É necessário evangelizar, mas também é necessário reconhecer os limites daquilo que cabe a nós, humanos, e daquilo que cabe apenas a Deus.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A riqueza degradante</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 07 Jun 2022 06:40:29 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/06/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686380965898108928/pela-vida-do-senhor-teu-deus-n%C3%A3o-tenho-p%C3%A3o-s%C3%B3">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Arquivo de notícias</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22f713-arquivo-de-noticias</guid>
      <pubDate>Tue, 07 Jun 2022 03:09:23 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/06/2022</p><strong>2022</strong><a href="/#05-06062022">05-06</a><a href="/#07062022">7</a><a href="/#08062022">8</a><h2>09-23/06</h2><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/687451274835329024/importante-em-frente-ao-estabelecimento-h%C3%A1-um">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/687244549586894848/na-primeira-vez-em-que-o-vaticano-divulga-os">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/687196952681709568/a-teoria-do-mais-tolo-%C3%A9-fundamental-para-as">link para o tumblr</a></p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p><a href="https://www.poder360.com.br/europa-em-guerra/guerra-na-ucrania-pode-ter-sido-provocada-diz-papa-francisco/">Poder 360</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/687008723902791680/as-autoridades-argentinas-retiveram-um-avi%C3%A3o">link para o tumblr</a></p><h2>08 de junho</h2><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686539231047385088/clientes-da-xp-ligados-ao-agroneg%C3%B3cio-reagiram-a">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686532842104160257/em-2022-a-economia-do-brasil-deve-crescer-menos-da">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686489192721711104/a-comiss%C3%A3o-de-investiga%C3%A7%C3%A3o-para-os-territ%C3%B3rios">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686468887515119616/o-stj-legitimou-a-invas%C3%A3o-da-pol%C3%ADcia-a-um">link para o tumblr</a></p><h2>7 de junho </h2><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686418731660967936/a-uni%C3%A3o-europeia-definiu-o-modelo-usb-c-como-o">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686379640713003008/duas-alunas-do-sesi-ms-criaram-um-absorvente-de">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686376489592160256/a-empiricus-fez-uma-demiss%C3%A3o-coletiva-em-uma">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686371368454045696/grupos-e-organiza%C3%A7%C3%B5es-cat%C3%B3licas-do-paquist%C3%A3o-atuam">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686367333400313856/as-reservas-de-ur%C3%A2nio-e-fosfato-no-cear%C3%A1-s%C3%A3o-o">link para o tumblr</a></p><h2>05 e 06 de junho de 2022</h2><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686356936409726976/a-mobiliza%C3%A7%C3%A3o-de-freiras-na-uganda-desde-o-in%C3%ADcio">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686334156725207040/um-indigenista-e-um-jornalista-est%C3%A3o-desaparecidos">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686303459576872960/a-turquia-reiterou-o-bloqueio-ao-ingresso-de">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686293305061949440/soldados-russos-capturados-e-presos-pela-ucr%C3%A2nia">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686284610460581888/o-bispo-silvio-b%C3%A1ez-afirmou-que-a-luta-pelos">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686283184213770240/o-chile-pretende-criar-uma-empresa-estatal-para-o">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686280176502489088/o-banco-de-venezuela-far%C3%A1-a-oferta-p%C3%BAblica-de-10">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686264501738356736/um-milh%C3%A3o-de-pessoas-n%C3%A3o-tem-acesso-cont%C3%ADnuo-%C3%A0">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686254179164028929/um-jornalista-sofreu-amea%C3%A7as-de-morte-ap%C3%B3s-revelar">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686252103503675392/um-atentado-matou-dezenas-de-pessoas-no-estado-de">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686246764903333888/fortes-tempestades-el%C3%A9tricas-na-fran%C3%A7a-causaram">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686208546715615232/religiosos-ativistas-no-sri-lanka-foram-presos">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686197470450122752/a-cantora-shakira-confirmou-a-separa%C3%A7%C3%A3o-do-jogador">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686196022551183360/o-stf-decidiu-ontem-4-que-o-imposto-de-renda-n%C3%A3o">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686193991169048576/a-china-mobilizou-ontem-4-for%C3%A7as-policiais-em">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O que o mundo pensa que ele é</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 06 Jun 2022 21:23:26 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/06/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22f712-o-que-o-mundo-pensa-que-ele-e.jpg"/><blockquote><p>Magda, já pensou alguma vez que talvez o mundo não esteja destinado a ser um lugar melhor? Talvez continue do jeito como é, a fim de que as pessoas possam escolher o que é realmente importante.</p>(<strong>Marion Zimmer Bradley</strong>, <em>Cidade da Magia</em>)</blockquote><p>A Bíblia e a doutrina da Igreja são muito claras quando explicam que a origem dos males no mundo é o pecado. Mas isto é uma questão de fé e só pode, talvez, servir como argumento para quem já tem fé – pois nada garante que a fé do outro vá tornar o argumento aceitável.</p><p>Esse trecho da citação não me leva a concluir que o mundo não é melhor porque é um jeito engenhoso de Deus nos forçar a ponderar o que é mais importante, mas acredito que quaisquer que sejam os motivos que façam o mundo ser pior do que poderia ser, no fim das contas é como Jaelle (a personagem na boca de quem a autora botou a frase citada) disse: sendo como é, o mundo nos obriga a escolher o que é realmente importante.</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/photos/Xu4Pz7GI9JY?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditShareLink">Unsplash</a> </p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A riqueza privada deve ter dimensão social (tradução)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22f711-a-riqueza-privada-deve-ter-dimensao-social-traducao</guid>
      <pubDate>Mon, 06 Jun 2022 01:48:20 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/06/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/imagem.jpeg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/06/pexels-photo-2219024.jpeg"><img width="600" alt="" src="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/06/pexels-photo-2219024.jpeg"/></a><p><em>Todos os habitantes do planeta podem possuir e usar igualmente seus recursos de acordo com o plano original de Deus</em></p><p><em>Esta é a segunda parte de uma análise das atitudes cristãs em relação à desigualdade. A primeira parte pode ser vista <a href="https://www.ucanews.com/news/a-christian-solution-to-asias-glaring-inequality/97366">aqui (em inglês)</a>.</em></p><p><em>Autor: <strong>Jose Mario Bautista Maximiano</strong> é o autor de ‘Global Business Ethics for Filipinos of the New Millennium’ (Anvil, 2001) e ‘Corporate Social Responsibility: Basic Principles and Best Practices’ (De La Salle University Press, 2004). As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem necessariamente a posição editorial oficial da UCA News.</em></p><p>Em várias reuniões de opinião sobre o tema da responsabilidade social, muitas vezes me perguntaram se sou contra a aquisição legal de riqueza ou propriedade privada. Claro que não, eu respondo de volta.</p><p>Que a propriedade privada é uma instituição necessária e que é básica para o estilo de vida humano normal são posições que sempre defendi – e há razões pessoais, morais, sociais e psicológicas que podem sustentar tais afirmações. Considero também que a promoção do bem comum exige o respeito pelo direito à propriedade privada e o seu exercício.</p><p>No entanto, do ponto de vista cristão, a propriedade privada não é um direito absoluto, pois é um meio e não um fim em si mesmo. A riqueza é um direito pessoal natural – sim, é – mas com obrigações sociais correspondentes.</p><p>Todo louco rico asiático é lembrado de que a riqueza privada tem uma dimensão social, um princípio que se baseia no destino universal dos bens da terra. É chamado de “intenção criativa original”, o que significa que Deus pretende dar os bens e recursos da terra a cada pessoa.</p><p>Foi o teólogo dominicano do século XIII Tomás de Aquino que formulou a lógica fundamental por trás da subserviência da propriedade privada ao bem comum.</p><blockquote><p>As necessidades da comunidade condicionam o direito à propriedade privada, o que significa que o bem comum ou o bem público deve prevalecer sobre a propriedade privada</p></blockquote><p>Santo Tomás de Aquino insistiu que “ninguém deve viver inconvenientemente”, o que pode se referir a um estado de pobreza que desumaniza. Mas quando a necessidade foi suprida e a posição de alguém razoavelmente considerada, é um dever dar àqueles que têm menos na vida do excedente de sua riqueza.</p><p>Em suma, ninguém tem justificativa para possuir ou manter para seu uso exclusivo o que não precisa. A doutrina social católica tem um princípio fundamental para isso, que é a dimensão social da propriedade privada que se fundamenta no destino universal dos bens da terra.</p><p>Do ponto de vista cristão, repito que Deus pretende dar os bens e recursos da terra a cada pessoa.</p><p>Portanto, a riqueza suada ou herdada é condicionada pelas necessidades da comunidade? É sim. As necessidades da comunidade condicionam o direito à propriedade privada, o que significa que o bem comum ou o bem público deve prevalecer sobre a propriedade privada.</p><p>Um exemplo é a decisão de 1997 tomada pela autoridade bancária em Zurique, onde a Comissão Bancária Suíça concordou em renunciar às leis de sigilo para permitir a investigação das relações da Suíça com os nazistas e os bens judeus desaparecidos da época do Holocausto.</p><p>Considerada um “avanço espetacular”, essa decisão histórica foi o cancelamento do direito de propriedade outrora inatacável em um esforço para recuperar a riqueza judaica roubada durante a Segunda Guerra Mundial que foi transferida pelos nazistas para suas contas bancárias na Suíça.</p><p>Uma verificação da realidade nos leva a uma triste conclusão de que uma porcentagem enorme dos bens da terra pertence a uma pequena porcentagem da população e a pequena porcentagem restante dos bens da terra é subdividida entre a população restante – os pobres – enquanto os mais pobres entre os pobres não possuem absolutamente nada.</p><blockquote><p>“Você está entregando a ele o que é dele. Pois o que foi dado em comum para uso de todos, você arrogou a si mesmo. O mundo é dado a todos e não só aos ricos”</p></blockquote><p>Lembre-se, o destino universal dos bens é um princípio cristão tão radical, pois significa que todos os bens materiais da terra não devem ser possuídos e usados ​​por uns poucos ricos poderosos, mas, ao contrário, que todos os planeta pode igualmente possuir e usar esses bens de acordo com o plano original de Deus.</p><p>Tudo se resume a isso: o mundo e seus recursos são dados a todos, que o presente de um rico para o pobre, em primeiro lugar, não pertence ao rico, e o presente é, na verdade, propriedade do pobre. Isto é o que Santo Ambrósio de Milão sempre dizia, como citado por uma importante doutrina do Concílio Vaticano II.</p><p>O venerável líder eclesiástico do terceiro século emitiu um severo aviso para os poucos poderosos em sua acumulação de riqueza e em seu desrespeito pelas necessidades da maioria pobre, dizendo: “Vocês estão entregando a ele o que é dele. Pois o que foi dado em comum para uso de todos, você arrogou a si mesmo. O mundo é dado a todos e não apenas aos ricos.”</p><p>Uma solução cristã para a pobreza e a desigualdade está na práxis deste princípio fundamental, que pode nos levar a aceitar de todo coração a norma de que a riqueza e a propriedade privada têm um caráter social com correspondentes obrigações sociais.</p><p>Então, e só então, um cara super-rico com quatro carros de luxo, um iate, um helicóptero, vários apartamentos exclusivos em Nova York, Dubai, Tóquio e Hong Kong, e uma casa de férias particular na ilha de Nihi Sumba, na Indonésia , se sentiria tão envergonhado ao ver as notícias de que quase três bilhões de seres humanos vivem com menos de cinco dólares por dia.</p><p>Então, para simplificar demais um cenário futuro, os ricos param de ficar mais ricos e os pobres, mais pobres.</p><p><strong>Fonte: <a href="https://www.ucanews.com/news/private-wealth-must-have-social-dimension/97415">UCA News</a></strong></p><p>Imagem: Rodolfo Quiru00f3s em <a href="https://www.pexels.com/pt-br/foto/cimento-fotografia-com-foco-seletivo-2219024/">Pexels.com</a></p>]]></description>
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      <title>Dn 3,57-88.56</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 05 Jun 2022 06:57:08 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/06/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686200231625375744">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686200659798867968">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclmlt/686200796126265344">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclmlt/686200858430636032">link para o tumblr</a></p>]]></description>
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      <title>Um olhar</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 05 Jun 2022 04:15:40 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/06/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22f709-um-olhar.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/06/prince-akachi-l3ihxodmyhq-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/06/prince-akachi-l3ihxodmyhq-unsplash.jpg]</a><p><a href="https://www.tumblr.com/mrcl-wordpress/686181536622592000/deus-n%C3%A3o-quer-que-o-nosso-olhar-reduza-o-outro-%C3%A0">link para o tumblr</a></p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@princearkman?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Prince Akachi</a> on <a href="https://unsplash.com/photos/IEbIKXo0fBc?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Ossos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 04 Jun 2022 22:43:35 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>04/06/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22f708-ossos.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/06/cara-shelton-_gpjphnycsw-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/06/cara-shelton-_gpjphnycsw-unsplash.jpg]</a><blockquote><p>Então ele me disse: “Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. É isto que eles dizem: ‘Nossos ossos estão secos, nossa esperança acabou, estamos perdidos!’ Por isso, profetiza e dize-lhes: ‘Assim fala o Senhor Deus: <strong>Ó meu povo, vou abrir as vossas sepulturas e conduzir-vos para a terra de Israel</strong></p>(<em>Ez 37,11-12</em>)</blockquote><p>Nos momentos em que nos encontramos soterrados pelos sofrimentos como se estivéssemos sepultados sob nossas dores é que podemos perceber quando Deus abre as sepulturas que nos prendem. Não é que Deus apareça só nas horas mais difíceis, mas nestas horas tenebrosas é que notamos Deus fazendo o que faz toda hora a nossa vida inteira.</p><p><br/>A fé em Deus não impede o sofrimento, mas nos deixa atentos à ação cotidiana e discreta de Deus.<br/>Não é uma coisa a se refletir e ponderar na hora da dor – nem de tentar consolar quem sofre dizendo isto enquanto está sofrendo. Mas assim como Cristo venceu a morte para que nós possamos viver, ele também venceu o sofrimento para que tenhamos condições de não sermos vencidos pela dor.</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/es/@socalcaral?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Cara Shelton</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/x-ray?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Trabalho e música</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 04 Jun 2022 16:29:56 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>04/06/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/imagem.jpeg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/06/pexels-photo-2114014.jpeg"><img width="600" alt="" src="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/06/pexels-photo-2114014.jpeg"/></a><p><em>Texto para um trabalho de faculdade para discutir a letra da música <a href="https://www.letras.mus.br/gabriel-pensador/30449/">Até Quando</a></em></p><p>&gt;Não adianta olhar pro céu<br/>
Com muita fé e pouca luta</p><p>A religião sempre foi um tema em evidência no Brasil, e se no passado determinava os rumos políticos do país porque no mundo todo era mais ou menos assim que as coisas funcionavam (ainda que no tempo em que a Igreja Católica existia em um sistema de padroado no país, sua influência em todo o mundo já começava a diminuir por causa do Iluminismo), desde 2018 tornou-se o arremedo de uma teocracia, já que é governado em nome de Deus sem, no entanto, levar muito em conta os seus critérios.</p><p>Assim, uma ideia que já vinha definhando dentro e fora do catolicismo, a de que (parafraseando o trecho da música destacado) adianta sim olhar pro céu com muita fé e pouca luta, retomou força, mesmo que agora assentada na política misturada não apenas com a religião, mas também com os quartéis – a ponto de vermos padres abençoando armas, a primeira-dama utilizando espaços civis como igrejas e militares agindo pretensamente em nome de Deus, protagonizando uma triste comédia em que a política, a religião e as forças militares se descaracterizam até perderem o sentido, ou parecerem perdê-lo, o que deve ser mais adequado às intenções das forças políticas que dominam o país.</p><p>Olhar para o céu não é uma questão de resultados (ou seja, de adiantar ou não), mas de necessidade, e olhar para ele "com muita fé e pouca luta" revela mais o quanto não há do que o quanto há de fé neste olhar.</p><p>&gt;Acordo, não tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar</p><p>&gt;Consigo um emprego, começa o emprego, me mato de tanto ralar
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar</p><p>A dessacralização em sentido estritamente religioso promovida por este governo e pelas forças que o sustentam ultrapassa o aspecto religioso para dessacralizar também coisas laicas (como a política e a disciplina militar, mencionadas em relação ao trecho anterior da música), incluindo aí o valor do trabalho. Sabemos que o desemprego fragiliza muito as relações trabalhistas, já que o funcionário passa a "valer menos" sob a alegação de que a fila do desemprego está maior, muito maior, e então se ele quiser melhores condições, que sinta-se livre para ir procurar em outro lugar, já que o patrão não vai ficar sem alguém para pôr no seu lugar. Se antes o trabalho tinha um valor "sagrado", hoje esse valor dessacralizado foi substituído pela ilusão do empreendedorismo e da "pejotização", que fragiliza os trabalhadores mas fortalece os empregadores, que têm menos deveres para com seus empregados e ficam livres para explorá-los mais. Nem tudo é dessacralização neste governo, afinal: o patrão torna-se cada vez mais divinizado, ao menos para o governo.</p><p>As duas realidades retratadas nos trechos citados, embora sejam diferentes, estão profundamente ligadas e não é possível falar do desemprego sem falar da precarização do trabalho.</p><p>Foto por Magda Ehlers em <a href="https://www.pexels.com/pt-br/foto/nuvens-brancas-2114014/">Pexels.com</a></p>]]></description>
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      <title>A meritocracia cristã</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 06 May 2022 05:28:43 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/05/2022</p><p>####<em>“complicamos o Evangelho e tornamo-nos escravos dum esquema que deixa poucas aberturas para que a graça atue.”</em></p><p>“Com efeito, o poder que os gnósticos atribuíam à inteligência, alguns começaram a atribuí-lo à vontade humana, ao esforço pessoal. Surgiram, assim, os pelagianos e os semipelagianos. Já não era a inteligência que ocupava o lugar do mistério e da graça, mas a vontade. Esquecia-se que «isto não depende daquele que quer nem daquele que se esfoça por alcançá-lo, mas de Deus que é misericordioso» (Rm 9, 16) e que Ele «nos amou primeiro» (1 Jo 4, 19).</p><p>Ainda há cristãos que insistem em seguir outro caminho: o da justificação pelas suas próprias forças, o da adoração da vontade humana e da própria capacidade, que se traduz numa autocomplacência egocêntrica e elitista, desprovida do verdadeiro amor. Manifesta-se em muitas atitudes aparentemente diferentes entre si: a obsessão pela lei, o fascínio de exibir conquistas sociais e políticas, a ostentação no cuidado da liturgia, da doutrina e do prestígio da Igreja, a vanglória ligada à gestão de assuntos práticos, a atração pelas dinâmicas de autoajuda e realização autorreferencial. É nisto que alguns cristãos gastam as suas energias e o seu tempo, em vez de se deixarem guiar pelo Espírito no caminho do amor, apaixonarem-se por comunicar a beleza e a alegria do Evangelho e procurarem os afastados nessas imensas multidões sedentas de Cristo.</p><p>Muitas vezes, contra o impulso do Espírito, a vida da Igreja transforma-se numa peça de museu ou numa propriedade de poucos. Verifica-se isto quando alguns grupos cristãos dão excessiva importância à observância de certas normas próprias, costumes ou estilos. Assim se habituam a reduzir e manietar o Evangelho, despojando-o da sua simplicidade cativante e do seu sabor. É talvez uma forma subtil de pelagianismo, porque parece submeter a vida da graça a certas estruturas humanas. Isto diz respeito a grupos, movimentos e comunidades, e explica por que tantas vezes começam com uma vida intensa no Espírito, mas depressa acabam fossilizados… ou corruptos.</p><p>Sem nos darmos conta, pelo facto de pensar que tudo depende do esforço humano canalizado através de normas e estruturas eclesiais, complicamos o Evangelho e tornamo-nos escravos dum esquema que deixa poucas aberturas para que a graça atue. São Tomás de Aquino lembrava-nos que se deve exigir, com moderação, os preceitos acrescentados ao Evangelho pela Igreja, «para não tornar a vida pesada aos fiéis, [porque assim] se transformaria a nossa religião numa escravidão».”</p><p><a href="https://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#O_pelagianismo_atual">Gaudete et exsultate, 48 e 57-59</a></p>]]></description>
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      <title>A paz é o fruto da solidariedade</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 06 May 2022 02:51:07 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/05/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22e705-4560-2.jpg"/><p><a href="https://x.com/mrclmlt/status/1522403060877860881?ref_src=twsrc%5Etfw">link para o twitter</a></p><p><a href="https://x.com/mrclmlt/status/1522403062584860673?ref_src=twsrc%5Etfw">link para o twitter</a></p><p><a href="https://x.com/mrclmlt/status/1522403064568758276?ref_src=twsrc%5Etfw">link para o twitter</a></p><p><a href="https://x.com/mrclmlt/status/1522403066238099458?ref_src=twsrc%5Etfw">link para o twitter</a></p><p><a href="https://x.com/mrclmlt/status/1522403067857092609?ref_src=twsrc%5Etfw">link para o twitter</a></p><p><a href="https://x.com/mrclmlt/status/1522403070101135361?ref_src=twsrc%5Etfw">link para o twitter</a></p><p><a href="https://x.com/mrclmlt/status/1522403071762087936?ref_src=twsrc%5Etfw">link para o twitter</a></p><p><a href="https://x.com/mrclmlt/status/1522403073544658944?ref_src=twsrc%5Etfw">link para o twitter</a></p><p><a href="https://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/justpeace/documents/rc_pc_justpeace_doc_20060526_compendio-dott-soc_po.html">Compêndio da Doutrina Social da Igreja</a> (202-203)</p><p>Imagem: <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Picswiss_BE-98-17_Biel-_Gerechtigkeitsbrunnen_(Burgplatz).jpg">Roland Zumbühl</a></p>]]></description>
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      <title>Deus não se importa</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 03 May 2022 20:58:03 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/05/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22e704-deus-nao-se-importa.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/05/picapaupassandopano.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/05/picapaupassandopano.jpg]</a><p>Às vezes confundimos o aspecto incondicional do amor de Deus com uma indiferença de Deus para conosco.</p><p>Não é incomum invocar o amor incondicional de Deus dizendo “tá tudo bem, Deus não se importa com isso”, seja lá o que “isso” for.</p><p>Mas Deus se importa, sim. Basta pensar em uma mãe que, por exemplo, avalia até o cocôzinho de um filho, ou nos apaixonados buscando interpretar os sinais mais sutis da pessoa amada (extrapolando até o ponto de interpretar o que não era nem sinal às vezes).</p><p>Não é o argumento mais forte do mundo, mas se nós, que vivemos equilibrados entre o pecado e a santidade, sabemos nos importar com os mínimos detalhes dos outros, o que se dirá de Deus que tem um amor infinitamente maior por nós.</p><p>É claro que o nosso senso de observação pode se degenerar em um instrumento para oprimir o outro, e assim cada detalhe bem observado se transforma num julgamento inconveniente como uma lança atravessada no peito do outro. Se nem Cristo veio para condenar e sim para salvar, quem somos nós para usarmos nosso senso de observação (que afinal é um dom de Deus) para fazer outro filho de Deus sofrer?</p><p>Deus se importa, sim, mas o seu amor supera qualquer bem ou mal que possamos sentir ou fazer.</p><p>Imagem: retirada do site <a href="https://fernandoeliasjose.com.br/o-meme-do-pica-pau-passando-pano/">Fernando Elias José</a></p>]]></description>
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      <title>Teste</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 03 May 2022 02:54:45 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/05/2022</p><img width="600" alt="" src="https://mrclmlt.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Capturar20.png"/><p>A, b, c, d, e, f, g.</p>]]></description>
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      <title>Noli me tangere</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 01 May 2022 22:49:12 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/05/2022</p><p>Um título em latim é muito conveniente para dar uma aparência de integridade a um texto que é apenas um palpite mal-embasado, mas é o que se tem para hoje (e todos os outros dias também) tentando entender porque Maria Madalena não pode tocar Jesus depois da Ressurreição, e Tomé sim.</p><p>Porque isto é importante? Seria necessário outro texto mal-feito para responder, então por enquanto a resposta (possível) é que não é importante (até que um dia eu descubra a importância desta questão, se houver alguma importância).</p><p>Antes de mais nada, a negativa de Jesus a Maria Madalena (de onde veio o noli me tangere do título, que significa não me toque em latim) e a permissão a Tomé são dois casos no evangelho de João em que alguém quis tocar em Jesus depois da Ressurreição, mas há um terceiro caso no evangelho de Mateus (28,9): Maria Madalena e “a outra Maria” puderam abraçar os seus pés e adorá-lo sem nenhuma restrição.</p><p>Respaldado na ideia de que os Evangelhos não são os relatos dos fatos como eles aconteceram exatamente, mas sim textos comunitários inspirados pelo Espírito Santo com fins teológicos baseados nos fatos testemunhados pelos discípulos que conviveram com Cristo, segue-se o chute a hipótese:</p><p>Não é uma hipótese sobre porque Maria Madalena não pôde tocá-lo, mas sobre porque nos outros dois casos, o de Tomé e das Marias em Mateus, sim. Tomé pôde tocar Cristo, mas nas suas chagas, e as duas Marias em Mateus puderam abraçar os seus pés para adorá-lo. No evangelho de João não há nenhuma explicação do motivo de Maria Madalena querer tocá-lo, mas Tomé tem a permissão (acompanhada por uma reprimenda pela falta de fé) de tocá-lo em suas chagas, e as duas Marias, que só queriam adorá-lo, puderam tocá-lo (e sem receber reprimenda alguma, por sinal).</p><p>Embora Cristo tenha ressuscitado em corpo e alma, não está mais “à disposição” de ser tocado e apalpado para ver que é verdade, pois agora é acessível exclusivamente pela fé e não por qualquer outro tipo de comprovação que possa haver. Além disto, tem dois sub-chutes duas sub-hipóteses: uma é que Tomé pode tocá-lo (além do declarado motivo pedagógico no texto de João) porque foi nas chagas, pois mesmo que nada justifique o sofrimento, ainda assim o sofrimento também é uma via de acesso se não a Cristo, pelo menos à fé em Cristo; a outra é que as duas Marias em Mateus formavam uma espécie de comunidade (ainda que fosse uma “nanocomunidade” só de duas pessoas) reunida para adorá-lo (mesmo que a princípio tenham ido lá para chorá-lo), e a adoração a Cristo também é, do mesmo jeito que com o sofrimento, uma via para a fé.</p><p>Imagem: <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:N%C3%A3o-Me-Toque?uselang=pt#/media/File:Bem_Vindo_a_N%C3%A3o_me_Toque_-_Capital_Nacional_da_Agricultura_de_precis%C3%A3o_-_panoramio.jpg">Bem Vindo a Não me Toque – Capital Nacional da Agricultura de precisão</a> (Wikimedia)</p>]]></description>
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    <item>
      <title>Primeiro de maio</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22e701-primeiro-de-maio</guid>
      <pubDate>Sun, 01 May 2022 12:47:17 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/05/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22e701-primeiro-de-maio.jpg"/><p>A Bíblia não menciona, mas nada impede de ver que Deus tenha criado o Dia do Trabalho no momento do “faça-se a luz” (Gn 1,3), ao mesmo tempo em que criava tudo o que estava criando. Como o relato da Criação mostra que Deus criou tudo em etapas, depois de ter criado a terra, o céu, etc., Deus também criou o dia da trabalhadora e do trabalhador ao mesmo tempo em que criava o ser humano à sua imagem e semelhança (Gn 1,27).</p><p>Junto com o Pecado Original veio a “maldição” do trabalho de parir entre dores e sofrimento, e comer o pão com o suor do próprio rosto. Mesmo que tenha sido Deus que tenha dito a maldição, quem amaldiçoou o trabalho – e tudo o mais – foi a atitude humana de desobediência quando pecou.</p><p>Assim como a “maldição” é uma obra nossa, e não de Deus, a exploração do trabalho, que por si mesmo é uma bênção de Deus (o trabalho, e não a exploração), também é obra nossa e não de Deus. </p><p>Mas do mesmo jeito que podemos explorar, também podemos combater esta exploração. As lutas por condições dignas de trabalho não precisam, necessariamente, de respaldo religioso para promovê-las, mas mesmo assim elas tem esse respaldo, já que também são lutas para reaproximar o trabalho da bênção de Deus que ele é (e que persiste mesmo sob toda esta exploração).</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@carolynchristine?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">carolyn christine</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Privado: Hello to you :)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 30 Apr 2022 11:49:05 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>30/04/2022</p><p>Welcome to your new Blog! We’re really excited to see what you do with it. This private post is here to show you what your posts will look like and to give you a few tips on getting started. Feel free to edit it, delete it or keep it saved as private for reference later.<br/></p><h2>Publishing</h2><p>If you’re familiar with WordPress, you’ll be right at home. To get started <strong>creating your own posts</strong> head to your Dashboard and click <a href="/wp-admin/post-new.php">Add New</a> to bring up the editor.</p><p>Fill it up with whatever you choose; it could be a recipe, a review of a new product you love, or simply a new idea that needs to be shared with the world.</p><p>Whatever you do decide to write about, it’s always a great idea to start off with a post telling your audience a little bit about yourself and what topics they can expect to read about on your blog.</p><p><strong>Tip:</strong> Choose a Category for your blog to help people discover it!</p><p>Hit <em>Publish</em> and that’s it – your post will be live and ready for reading.</p><p>The new post will be included in the <a href="/wp-admin/index.php?page=msreader.php">Reader</a> of other members and may also make an appearance on the Community front page, (<a href="https://mrclmlt.com.br/">mrclmlt.com.br/</a>).</p><p><em>P.S. Don’t forget to share your new creation far and wide! Tag Vivaldi (on </em><a href="https://twitter.com/vivaldibrowser"><em>Twitter</em></a><em> or </em><a href="https://facebook.com/vivaldibrowser"><em>Facebook</em></a><em>) – we’d love to see what you come up with!</em></p><h2>Customization</h2><p>There are a number of ways to customize the look of your new Blog. Head to your site’s <a href="/wp-admin/my-sites.php">Admin Dashboard</a> &gt; <a href="https://mrclmlt.com.br/wp-admin/themes.php">Appearance</a> and select one of the themes, site icon, header images, page layouts, custom widgets and much more.</p><h2>Import</h2><p>To import content from another blog, select <em><a href="/wp-admin/tools.php">Tools</a></em> &gt; <em><a href="/wp-admin/import.php">Import</a></em> from the menu in your dashboard. Right now there are importers for WordPress, Blogger and Tumblr. If you’d like to import content from another service, let us know!</p><h2>FAQ</h2><h3>What is the Vivaldi Community?</h3><p>A place for our friends to hang out online. We want to create a place where people can publish, read and discuss ideas with likeminded folks from around the world. We hope you like it.</p><h3>Do I have to use Vivaldi’s browser to be here?</h3><p>No. Many Community members use <a href="https://vivaldi.com">our browser</a>. But many don’t. Everyone is welcome.</p><h3>What’s included?</h3><p>Every member gets a free <a href="https://vivaldi.com/webmail/">webmail</a> account (username@vivaldi.net), access to the Vivaldi Forums, a free Blog with a custom domain (yourblog.vivaldi.net) and can synchronize their Vivaldi browser data across multiple devices.</p><h3>What’s the catch?</h3><p>We have no plans to monetize, share your data or start charging for any of these services. The Community is simply a way for us to give something back to our users. No catch.</p><h2>Help and Feedback</h2><p>Help articles for the Community can be found at <a href="https://help.vivaldi.com">help.vivaldi.com</a>. 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You can style it with a different background and text color.</p>By author name</blockquote><p><strong>And there are many more… Give it a try! 🙂 </strong></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Bem-aventurados os mansos, porque  herdarão a terra. (Mt 5,5)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 28 Apr 2022 18:56:33 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d699-bem-aventurados-os-mansos-porque-herdarao-a-terra-mt-55.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/micaela-parente-yggke6ahauw-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/micaela-parente-yggke6ahauw-unsplash.jpg]</a><blockquote><p>Gentileza, bondade de espírito, humildade.<br/>Humildade para Deus é aquela disposição de espírito com a qual aceitamos sua forma de lidar conosco como a melhor, sem, no entanto, disputar ou resistir.<br/>No AT, os humildes são aqueles que confiam inteiramente em Deus, mais do que em suas próprias forças, para defendê-los contra toda injustiça. Assim, a atitude humildade para com os ímpios implica em saber que Deus está permitindo as injúrias que infligem, que Ele os está usando para purificar seus eleitos, e que livrará Seus eleitos a Seu tempo. (Is 41.17; Lc 18.1-8)<br/>Bondade ou humildade são opostos à arrogância e egoísmo e originam-se na confiança na bondade de Deus e no Seu controle sobre a situação. A pessoa bondosa não está centrada no seu ego. Isto é obra do Espírito Santo, não da vontade humana. (Gl 5.23)</p><a href="https://play.google.com/store/apps/details?id=com.hsolution.bstrong">Bíblia Strong</a></blockquote><p>Há um aplicativo chamado Bíblia Strong que mostra a versão original de praticamente cada palavra da Bíblia, em grego ou hebraico, explicando o sentido deste termo na língua original. Isso ainda não é o suficiente para compreender o que o autor quis dizer com o que escreveu (sob inspiração do Espírito Santo), como <a href="https://mrcl.wordpress.com/2022/04/14/a-nocao-de-memorial-no-antigo-testamento/">neste caso</a>, mas ajuda a compreender um pouco melhor.</p><p>A mansidão que permitirá herdar a terra não parece ser a mansidão de quem aceita passivamente todo o mal que lhe acontece, como se fosse assim porque <strong>tem que</strong> ser assim, mas parece a mansidão de quem está agindo sob a liderança de Deus, que não paga o mal com o mal e nem recorre ao mal para conseguir o bem (pelo contrário, Deus oferece o bem tanto para quem faz o bem quanto para quem faz o mal, e assim como “extrai” o bem das maldades que fazemos, porque é Deus e não se deixa vencer pela maldade, também “extrai” o bem das coisas boas que fazemos e acredito que ele prefira fazer esta “extração” conforme a segunda alternativa).</p><p>Esta mansidão, enfim, parece implicar em não “lutar contra o mal” e também em não ficar indiferente a ele. Mesmo a atitude de espera quando não há o que fazer, pressupõe que não há o que fazer para impedir que o mal aconteça, mas que há o que fazer pelo menos no sentido de “demarcar posição” contra este mal enquanto se espera que Deus crie as condições para impedi-lo ou revertê-lo (e aí entra a ideia de esperar o tempo de Deus, que também não é o mesmo que “deixar ao Deus dará”); quanto a lutar contra o mal, quem luta contra contra ele é Deus, e a nós parece caber mais lutar pelo bem. Quando se luta contra o mal, é inevitável que eventualmente seja necessário recorrer a outro mal, mesmo que seja um “mal menor”, e o problema disto é que recorrer ao mal contra o mal apenas vai fortalecê-lo, enquanto que lutar pelo bem significa recorrer apenas ao bem – que é o que Deus faz, afinal de contas – fortalecendo, assim, o bem pelo qual se luta.</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@mparente?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Micaela Parente</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Superação da ética individualista</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 28 Apr 2022 07:40:50 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/imagem.jpeg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/15305ebcfc9713cc.jpeg"><img width="600" alt="" src="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/15305ebcfc9713cc.jpeg"/></a><p>A profundidade e rapidez das transformações reclamam com maior urgência que ninguém se contente, por não atender à evolução das coisas ou por inércia, com uma ética puramente individualística. O dever de justiça e caridade cumpre-se cada vez mais com a contribuição de cada um em favor do bem comum, segundo as próprias possibilidades e as necessidades dos outros, promovendo instituições públicas ou privadas e ajudando as que servem para melhorar as condições de vida dos homens. Mas há pessoas que, fazendo profissão de ideias amplas e generosas, vivem sempre, no entanto, de tal modo como se nenhum caso fizessem das necessidades sociais. E até, em vários países, muitos desprezam as leis e prescrições sociais. Não poucos atrevem-se a eximir-se, com várias fraudes e enganos, aos impostos e outras obrigações sociais. Outros desprezam certas normas da vida social, como por exemplo as estabelecidas para defender a saúde ou para regularizar o trânsito de veículos, sem repararem que esse seu descuido põe em perigo a vida própria e alheia.</p><p>Todos tomem a peito considerar e respeitar as relações sociais como um dos principais deveres do homem de hoje. Com efeito, quanto mais o mundo se unifica, tanto mais as obrigações dos homens transcendem os grupos particulares e se estendem progressivamente a todo o mundo. O que só se poderá fazer se os indivíduos e grupos cultivarem em si mesmos e difundirem na sociedade as virtudes morais e sociais, de maneira a tornarem-se realmente, com o necessário auxílio da graça divina, homens novos e construtores duma humanidade nova.</p><p><a href="https://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html">Gaudium et spes</a>, 30</p><p>Imagem: <a href="https://mastodon.art/@kraaico/108206429541205283">@kraaico@mastodon.art</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Eis o dia de Deus verdadeiro</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 28 Apr 2022 05:29:37 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/04/2022</p><p>Eis o dia ☼ de Deus verdadeiro✨,<br/>no clarão de luz 🌞 santa banhado🛀.<br/>Nele, o sangue do novo Cordeiro 🐑<br/>apagou ⛔ deste mundo 🌎 o pecado☠.</p><p>Deu a fé 🕯 novamente aos perdidos🏞,<br/>deu aos cegos 🕶 de novo a visão👁.<br/>Quem ❣ não há de perder todo o medo🌧,<br/>vendo o céu ser aberto ao ladrão😇?</p><p>Eis o fato que aos anjos 👼 assombra👻:<br/>ver o Cristo na cruz ✝️ como réu,<br/>e o ladrão 💣 que com ele padece😓,<br/>conquistar a coroa 👑 do céu.</p><p><strong>Hino da Liturgia das Horas</strong></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>É necessário se apropriar da fé em Deus.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 27 Apr 2022 21:00:08 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d696-e-necessario-se-apropriar-da-fe-em-deus.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/evie-s-wypgrt0qzkk-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/evie-s-wypgrt0qzkk-unsplash.jpg]</a><blockquote><p>Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana.</p>2Pd 1,20-21</blockquote><p>O significado de “profecia da Escritura” pode ser extrapolado para abranger toda a Bíblia, e a fé que se baseia na Bíblia não é propriedade particular de uma pessoa nem de um grupo. Assim como Deus inspirou os autores da Bíblia, ele também inspira a Igreja para extrair da Bíblia os conteúdos da fé que ela traz.</p><p>Mas é necessário apropriar-se individualmente desta fé em comum para praticá-la com autonomia: não para determinar seu conteúdo, mas para que cada pessoa que tem esta fé se responsabilize em agir conforme ela, porque a fé se torna uma graça de Deus desperdiçada quando não há uma adesão pessoal a ela.</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@evieshaffer?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Evie S.</a> on <a href="https://unsplash.com/photos/Q-ckzJJPgEU?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>As asas da fé</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 27 Apr 2022 17:46:21 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d695-as-asas-da-fe.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/designecologist-p1smtxl4jow-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/designecologist-p1smtxl4jow-unsplash.jpg]</a><blockquote>
<p>«De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.»</p>
Jo 3,17-18</blockquote><p>A polêmica sobre a definição da preponderância da fé ou das obras é antiga, e é um problema que já está superado há muito tempo. É necessário crer em Jesus e agir a partir desta crença, como duas asas que não levantam vôo se uma delas estiver ausente.</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@designecologist?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">DESIGNECOLOGIST</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Salmo 36(37),1-11</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22d694-salmo-36371-11</guid>
      <pubDate>Wed, 27 Apr 2022 06:56:16 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/04/2022</p><p>☞ 📖</p><p>1 Não te irrites😡 com as obras dos malvados👿<br/>nem invejes as pessoas desonestas🐍;<br/>2 eles murcham tão depressa como a grama🌱,<br/>como a erva verdejante secarão🏜️.</p><p>3 Confia no Senhor e faze o bem☑️,<br/>e sobre a terra⛰️ habitarás em segurança👮.<br/>4 Coloca no Senhor tua alegria🎉🎊,<br/>e ele dará o que pedir teu coração🧡.</p><p>5 Deixa aos cuidados do Senhor o teu destino🛬;<br/>confia nele, e com certeza ele agirá👼.<br/>6 Fará brilhar tua inocência como a luz💡,<br/>e o teu direito, como o sol do meio-dia☀️.</p><p>7 Repousa🌃 no Senhor e espera nele🌻!<br/>Não cobices a fortuna desonesta💣,<br/>nem invejes quem vai bem na sua vida🚫<br/>mas oprime os pequeninos e os humildes🗜️.</p><p>8 Acalma a ira e depõe o teu furor!😤<br/>Não te irrites😠, pois seria um mal a mais!<br/>9 Porque serão exterminados os perversos☠️,<br/>e os que esperam no Senhor terão a terra🏞️.<br/>10 Mais um pouco e já os ímpios não existem👋;<br/>se procuras seu lugar, não o acharás⁉️.<br/>11 Mas os mansos herdarão a nova terra🌄,<br/>e nela gozarão de imensa paz🏳️.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>São Jorge da Capadócia</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 23 Apr 2022 10:39:30 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d693-sao-jorge-da-capadocia.jpg"/><p><em>O Casamento de São Jorge e a Princesa Sabra</em></p><p>Em 303, Diocleciano (influenciado por Galério) publicou um édito que mandava prender todo soldado romano cristão e que todos os outros deveriam oferecer sacrifícios aos deuses romanos. </p><p>Jorge foi ao encontro do imperador para objetar, e perante todos declarou-se cristão. Não querendo perder um de seus melhores tribunos, o imperador tentou dissuadi-lo oferecendo-lhe terras, dinheiro e escravos. Como Jorge mantinha-se fiel ao cristianismo, o imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o de vários modos. E, após cada tortura, era levado perante o imperador, que lhe perguntava se renegaria a Jesus para adorar aos deuses romanos. </p><p>Todavia, Jorge reafirmava sua fé, tendo seu martírio, aos poucos, ganhado notoriedade e muitos romanos, tomado as dores daquele jovem soldado, inclusive a mulher do imperador, que se converteu ao cristianismo. </p><p>Finalmente, Diocleciano, não tendo êxito, mandou degolá-lo no dia 23 de abril de 303, em Nicomédia, na Ásia Menor.</p><p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Jorge_da_Capad%C3%B3cia">Jorge da Capadócia</a> (Wikipedia)</p><p>Imagem: <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Dante_Gabriel_Rossetti_-_The_Wedding_of_St_George_and_Princess_Sabra.jpg">Dante Gabriel Rossetti – The Wedding of St George and Princess Sabra</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Deus luta por nós ao nosso lado</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22d692-deus-luta-por-nos-ao-nosso-lado</guid>
      <pubDate>Sat, 23 Apr 2022 08:25:25 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d692-deus-luta-por-nos-ao-nosso-lado.jpg"/><p>«O que muitos combatem não é o verdadeiro Deus, mas a falsa ideia que fizeram de Deus»</p><p>«[Sobre] João Paulo I, quero destacar sua figura de catequista. Mesmo com a mais alta dignidade da Igreja, alegrou-se em ser um humilde catequista contando a história e fazendo um pontificado que começou sob o signo de um sorriso, de simplicidade. Sem dúvida, seu breve pontificado foi suficiente para dar-lhe um novo modo de ser, uma nova fisionomia a serviço do pontificado supremo. Este catequista escreveu um livro – antes de se tornar Papa, é claro -, publicado mais tarde sob o título “Ilustres Senhores”.</p><p><strong>Das cartas aos “Senhores Ilustres”</strong></p><p>Como bispo, ele escrevia uma carta mensal a uma das famosas figuras filosóficas, literárias etc. da humanidade, e as leituras de hoje, da Bíblia Sagrada, me parecem coincidir com uma carta escrita justamente para Chesterton, Gilberto Chesterton, inglês convertido ao catolicismo; uma de suas obras intitula-se “A esfera e a cruz”. João Paulo I retoma o tema de uma forma muito saborosa, muito catequética.</p><p><strong>Cena da “Esfera e da Cruz”</strong></p><p>Dois personagens aparecem nesse romance, o professor Lúcifer e o monge Miguel sobrevoando Londres, precisamente sobre a cúpula da catedral; O professor Lúcifer ri da cruz e o monge Miguel o adverte a dizer: “o que você ganha com esse ridículo? Vou lhe contar uma história”, e o monge começa a contar sobre um ateu, um renegado que subiu ao topo de uma igreja para arrancar a cruz e jogá-la no chão. Quando desceu, começou a ver cruzes e mais cruzes nas paliçadas da mata; e acabou com a floresta porque lhe parecia que a cruz devia ser arrancada do mundo. Ele chegou em sua casa, e aquele obcecado pela cruz até nos móveis ele viu a figura da cruz e estragou tudo; no dia seguinte, encontraram-no morto junto a um rio, enlouquecido contra a cruz.</p><p><strong>“Você começa destruindo a cruz e acabará destruindo o mundo”</strong></p><p>Lúcifer diz a Miguel: “Você inventou essa história.” “Claro que sim!” – diz Miguel – “mas ela representa plenamente o que vocês acabaram de blasfemar contra a cruz, e é que vocês, os anticristãos, acabam, depois de lutar contra a cruz, destruindo o mundo. O que seria o progresso sem a cruz? “Ah”, diz Lúcifer, “lutamos pelo progresso sem Deus, Deus não é necessário, basta o esforço do homem. O de um paraíso, de um Deus que dá prêmios depois, foi um Deus inventado ou pelos oprimidos para encontrar um evasão de sua situação injusta ou pelos opressores para domar os que estão sob seu poder. Basta a luta, é isso que salva o mundo. Não a fé em Deus que é uma fé alienante, mas a luta, a revolução e uma não alienante paraíso não virá além da história, mas aqui, construído pelo esforço dos homens”.</p><p><strong>Ivan Karamazov, ateu, protesta contra um paraíso obtido por heroísmo passado.</strong></p><p>Miguel sorri e lhe diz: “Vou citar um ateu” e cita uma carta de Iván Karamazov, um ateu que diz renunciar a uma luta em que apenas as gerações futuras se beneficiarão. Não é justo que ele trabalhe por um mundo melhor sem uma recompensa justa. E Miguel lhe diz: “Onde aquele que luta por um mundo melhor encontrará essa recompensa e quem vai dar a ele? O que seria o progresso sem Deus? O que seria uma luta só esperando um paraíso na terra? Não é mais do que pura ilusão!”</p><p>“É necessário. Há um sentido inato de vida no homem que o leva precisamente às lutas de protesto justas, não só pensando nas gerações futuras, eu renego, diz ele, uma luta em que trabalho até morrer, que não seja para que eu também tenha uma participação, uma recompensa, e esse sentido inato da vida e do além é a resposta do cristianismo. Não pode haver luta por um mundo melhor se não for baseada na justiça divina, em um Deus remunerado, em os esforços dos homens. Uma luta sem Deus não tem sentido”. “No final – diz-lhe Miguel – o que acontece a ti e a mim, talvez, é que formamos uma falsa ideia de Deus”.</p><p>O que muitos combatem – estas são já as palavras do Papa Luciani, João Paulo I – não é o verdadeiro Deus, mas a falsa ideia que fizeram de Deus. Um Deus que protege os ricos, que não faz nada além de pedir e atormentar, que tem inveja de nosso progresso, que nos espia continuamente de cima nossos pecados pelo prazer de puni-lo. Caro Chesterton, você sabe, Deus não é assim; ele é justo e bom ao mesmo tempo: pai também dos filhos pródigos que deseja ver não mesquinhos e miseráveis, mas grandes, livres, criadores de seu próprio destino. Nosso Deus é tão pouco rival do homem que quis fazer do homem seu amigo; chamando-o a participar de sua própria natureza divina, de sua própria eternidade feliz. Nem é verdade que Deus nos pede demais, pelo contrário, contenta-se com pouco porque sabe muito bem que não temos muito.</p><p>Esta é a lição catequética deste grande catequista do mundo que só apareceu na história universal e Deus o tirou de nós há um ano, poucos meses depois de nos dar esperança na simples palavra do verdadeiro Deus, diante de um mundo que falsificou a ideia de Deus.</p><p>O grandioso é que essa ideia de Deus não é uma invenção do Papa Luciani. Nas leituras de hoje encontro um título para a minha homilia que coincide com o pensamento do Papa, e por isso vamos fazer desta missa uma homenagem à doutrina, ao catequista, ao homem do sorriso, aquele que soube enfrentar os ateísmos mais absurdos com a simplicidade de um catequista para lhes dizer: não sejam simples, uma revolução sem Deus, um Deus sem homens ou homens sem Deus não é o panorama da história.»</p><p>São Oscar Romero. <a href="https://www.sicsal.net/romero/homilias/B/790930.htm">Lo que Dios da, es para todos los hombres</a>.</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@fridaae29?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Frida Aguilar Estrada</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>A força libertadora da caridade</title>
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      <pubDate>Fri, 22 Apr 2022 05:58:23 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>22/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d691-a-forca-libertadora-da-caridade.jpg"/><p>A caridade é amor recebido e dado; é «graça» (cháris).</p><p>Pela sua estreita ligação com a verdade, a caridade pode ser reconhecida como expressão autêntica de humanidade e como elemento de importância fundamental nas relações humanas, nomeadamente de natureza pública. Só na verdade é que a caridade refulge e pode ser autenticamente vivida. A verdade é luz que dá sentido e valor à caridade. Esta luz é simultaneamente a luz da razão e a da fé, através das quais a inteligência chega à verdade natural e sobrenatural da caridade: identifica o seu significado de doação, acolhimento e comunhão. Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, que se pode encher arbitrariamente. É o risco fatal do amor numa cultura sem verdade; acaba prisioneiro das emoções e opiniões contingentes dos indivíduos, uma palavra abusada e adulterada chegando a significar o oposto do que é realmente. A verdade liberta a caridade dos estrangulamentos do emotivismo, que a despoja de conteúdos relacionais e sociais, e do fideísmo, que a priva de amplitude humana e universal. Na verdade, a caridade reflecte a dimensão simultaneamente pessoal e pública da fé no Deus bíblico, que é conjuntamente «Agápe» e «Lógos»: Caridade e Verdade, Amor e Palavra.</p><p>Porque repleta de verdade, a caridade pode ser compreendida pelo homem na sua riqueza de valores, partilhada e comunicada. Com efeito, a verdade é «lógos» que cria «diá-logos» e, consequentemente, comunicação e comunhão. A verdade, fazendo sair os homens das opiniões e sensações subjectivas, permite-lhes ultrapassar determinações culturais e históricas para se encontrarem na avaliação do valor e substância das coisas. A verdade abre e une as inteligências no lógos do amor: tal é o anúncio e o testemunho cristão da caridade. No actual contexto social e cultural, em que aparece generalizada a tendência de relativizar a verdade, viver a caridade na verdade leva a compreender que a adesão aos valores do cristianismo é um elemento útil e mesmo indispensável para a construção duma boa sociedade e dum verdadeiro desenvolvimento humano integral. Um cristianismo de caridade sem verdade pode ser facilmente confundido com uma reserva de bons sentimentos, úteis para a convivência social mas marginais. Deste modo, deixaria de haver verdadeira e propriamente lugar para Deus no mundo. Sem a verdade, a caridade acaba confinada num âmbito restrito e carecido de relações; fica excluída dos projectos e processos de construção dum desenvolvimento humano de alcance universal, no diálogo entre o saber e a realização prática.</p><p>A caridade é amor recebido e dado; é «graça» (cháris). A sua nascente é o amor fontal do Pai pelo Filho no Espírito Santo. É amor que, pelo Filho, desce sobre nós. É amor criador, pelo qual existimos; amor redentor, pelo qual somos recriados. Amor revelado e vivido por Cristo (cf. Jo 13, 1), é «derramado em nossos corações pelo Espírito Santo» (Rm 5, 5). Destinatários do amor de Deus, os homens são constituídos sujeitos de caridade, chamados a fazerem-se eles mesmos instrumentos da graça, para difundir a caridade de Deus e tecer redes de caridade.</p><p>A esta dinâmica de caridade recebida e dada, propõe-se dar resposta a doutrina social da Igreja. Tal doutrina é «caritas in veritate in re sociali», ou seja, proclamação da verdade do amor de Cristo na sociedade; é serviço da caridade, mas na verdade. Esta preserva e exprime a força libertadora da caridade nas vicissitudes sempre novas da história. É ao mesmo tempo verdade da fé e da razão, na distinção e, conjuntamente, sinergia destes dois âmbitos cognitivos. O desenvolvimento, o bem-estar social, uma solução adequada dos graves problemas socioeconómicos que afligem a humanidade precisam desta verdade. Mais ainda, necessitam que tal verdade seja amada e testemunhada. Sem verdade, sem confiança e amor pelo que é verdadeiro, não há consciência e responsabilidade social, e a actividade social acaba à mercê de interesses privados e lógicas de poder, com efeitos desagregadores na sociedade, sobretudo numa sociedade em vias de globalização que atravessa momentos difíceis como os actuais.</p><p>Bento XVI. <a href="https://www.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate.html">Caritas in veritate</a>, 3-5</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@corygazai?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Cory Gazaille</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Justiça social</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 21 Apr 2022 20:50:24 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>21/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d690-justica-social.jpg"/><p>A prioridade do trabalho sobre o capital é uma das exigências de justiça social e os sindicatos são os expoentes desta luta</p><p>O desenvolvimento do conceito de justiça social a partir da tradição aristotélico-tomista recebe impulso nas Encíclicas Sociais. O conceito foi introduzido por Pio XI na <em>Quadragesimo Anno</em> (1931). O termo é citado sete vezes e sempre acompanhado dos adjetivos comutativa, legal/geral<em>. </em>Trata-se de um conceito que traz exigências precisas, tendo como critério a dignidade humana, tal como definiu Taparelli.</p><p>A economia é seu campo de aplicação mais imediato. Para Pio XI, existe uma <em>lei de justiça social </em>que deveria reger qualquer modelo econômico:</p><blockquote><p> É necessário que as riquezas, em contínuo incremento com o progresso da economia social, sejam repartidas pelos indivíduos ou pelas classes particulares de tal maneira, que se salve sempre a utilidade comum, de que falava Leão XIII, ou, por outras palavras, que em nada se prejudique o bem geral de toda a sociedade. Esta lei de <em>justiça social</em> proíbe que uma classe seja pela outra excluída da participação dos lucros. (<em>Q A </em>57)</p></blockquote><p>Aplica-se à esfera econômica com a mesma universalidade da justiça legal. Portanto, “cada um deve, pois, ter a sua parte nos bens materiais; e deve procurar-se que a sua repartição seja pautada pelas normas do bem comum e da justiça social” (<em>Q A</em> 58). Também em Santo Tomás de Aquino a justiça legal ordena o homem imediatamente ao bem comum.</p><p>A justiça social considera o ser humano na sua condição de pessoa humana, seus direitos e deveres como membro da sociedade. Assim como todos têm obrigações, todos têm benefícios, uma vez que o bem comum realiza-se somente “quando todos e cada um tiverem todos os bens que as riquezas naturais, a arte técnica, e a boa administração econômica podem proporcionar.” (<em>Q A</em> 75). Na ordem econômica, a fórmula da justiça social seria: todos os bens necessários para todos.</p><p>Ainda na esfera da economia, o mundo do trabalho é o campo principal de aplicação da <em>lei da justiça social</em>. O salário é um dos seus instrumentos principais. Para valorizar com justiça o trabalho, deve-se considerar sua dimensão pessoal e social (<em>QA</em> 69). O bem comum exige que se promovam postos de trabalho como condição de segurança e bem estar. O desemprego é um reflexo de uma economia injusta. A justiça social deve regular e determinar o salário do operário e de sua família, dispensando a exploração do trabalho infantil e da mulher (<em>Q A</em> 71).</p><p>A justiça social não se aplica somente ao campo econômico. Também “as instituições públicas devem adaptar o conjunto da sociedade às exigências do bem comum, isto é, às regras da justiça social” (<em>Q A</em> 110). Os seres humanos, considerados como pessoas, são iguais e, portanto, toda desigualdade em aspectos constitutivos da pessoa, como é o caso das suas necessidades materiais básicas, deve ser eliminada. Não basta apelar à moralidade nas relações entre empresários e trabalhadores, pois o sistema de produção se desenvolve no interior de uma estrutura social. A justiça social inspira a reforma das instituições. O Estado tem um papel insubstituível na aplicação desta lei (<em>Q A</em> 79), sempre em colaboração entre Estado, empresa e sociedade: “É preciso que esta justiça penetre completamente as instituições dos povos e toda a vida da sociedade. Em defender e reivindicar eficazmente esta ordem jurídica e social deve insistir a autoridade pública” (<em>Q A</em> 88).</p><p>O Concílio Vaticano, na <em>Gaudium et spes</em>, confere duas fundamentações teológicas decisivas. A primeira é a dignidade da pessoa humana criada à imagem e semelhança de Deus:</p><blockquote><p> A igualdade fundamental entre todos os homens deve ser cada vez mais reconhecida, uma vez que, dotados de alma racional e criados à imagem de Deus, todos têm a mesma natureza e origem; e, remidos por Cristo, todos têm a mesma vocação e destino divinos. Mas deve superar-se e eliminar-se, como contrária à vontade de Deus, qualquer forma social ou cultural de discriminação, quanto aos direitos fundamentais da pessoa, por razão do sexo, raça, cor, condição social, língua ou religião (…) Com efeito, as excessivas desigualdades econômicas e sociais entre os membros e povos da única família humana provocam o escândalo e são obstáculo à justiça social, à equidade, à dignidade da pessoa humana e, finalmente, à paz social e internacional (<em>GS</em> 29).</p></blockquote><p>A segunda fundamentação encontra-se na referência “à criação de algum organismo da Igreja incumbido de estimular a comunidade católica na promoção do progresso das regiões necessitadas e da justiça social entre as nações” (<em>GS</em> 90). A justiça social como exigência da dignidade humana tem alcance global e encontra sua fundamentação teológica no principio do destino universal dos bens: “Deus destinou a terra com tudo o que ela contém para uso de todos os homens e povos; de modo que os bens criados devem chegar equitativamente às mãos de todos, segundo a justiça, secundada pela caridade” (<em>GS</em> 69). Paulo VI, seguindo esta orientação do Concílio, cria a Comissão de Justiça e Paz (Motu próprio <em>Catholicam Christi Ecclesiam</em><em>,</em> 6 janeiro1967).</p><p>João Paulo II mantém a justiça social como um eixo da doutrina social da Igreja. Para ele, a “questão social” é identificada como questão de justiça social em cuja origem se encontram as estruturas de pecado e os mecanismos perversos (<em>Sollicitudo rei socialis</em>). Ao situar o trabalho humano como chave da questão social, o compromisso com a justiça se concretiza, em primeiro lugar na luta pelos direitos trabalhistas (<em>Laborem exercens</em>). A prioridade do trabalho sobre o capital é uma das exigências de justiça social e os sindicatos são os expoentes desta luta (<em>LE</em> 8). Bento XVI, em <em>Caritas in veritate</em>, recorda que a doutrina social nunca deixou de pôr em evidência a importância que têm a justiça distributiva e a justiça social para a própria economia de mercado, não só porque integrada nas malhas de um contexto social e político mais vasto, mas também pela teia das relações em que se realiza (<em>CiV</em> 35).</p><p>Caberá ao papa Francisco ampliar o conceito de justiça social (TORNIELLI e GALEAZZI, 2016; FRANCISCO, 2016). Na <em>Evangelii Gaudium</em>, o pontífice recorda que “ninguém deveria dizer que se mantém longe dos pobres, pois ninguém pode sentir-se exonerado da preocupação pelos pobres e pela justiça social” (<em>EG</em> 201). E destaca que a justiça social deve estar na pauta do diálogo entre as religiões: o diálogo inter-religioso, fundado na atitude de abertura na verdade e no amor, deve procurar a paz e a justiça social, é um compromisso ético que cria novas condições sociais (cf. <em>EG</em> 250).</p><p>Enciclopedia digital Theologica Latinoamericana. <a href="http://teologicalatinoamericana.com/?p=1495">Justiça Social</a>, Doutrina Social da Igreja.</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@theeastlondonphotographer?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Ehimetalor Akhere Unuabona</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>«Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia»</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 21 Apr 2022 05:19:31 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>21/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d689-felizes-os-misericordiosos-porque-alcancarao-misericordia.jpg"/><p>É necessário pensar que todos nós somos uma multidão de perdoados. Todos nós fomos olhados com compaixão divina.</p><p>A misericórdia tem dois aspetos: é dar, ajudar, servir os outros, mas também perdoar, compreender. Mateus resume-o numa regra de ouro: «o que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles» (7, 12). O Catecismo lembra-nos que esta lei se deve aplicar «a todos os casos», especialmente quando alguém «se vê confrontado com situações que tornam o juízo moral menos seguro e a decisão difícil».<br/><br/>Dar e perdoar é tentar reproduzir na nossa vida um pequeno reflexo da perfeição de Deus, que dá e perdoa superabundantemente. Por esta razão, no Evangelho de Lucas, já não encontramos «sede perfeitos» (Mt 5, 48), mas «sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Dai e ser-vos-á dado» (6, 36-38). E depois Lucas acrescenta algo que não deveríamos transcurar: «a medida que usardes com os outros será usada convosco» (6, 38). A medida que usarmos para compreender e perdoar será aplicada a nós para nos perdoar. A medida que aplicarmos para dar, será aplicada a nós no céu para nos recompensar. Não nos convém esquecê-lo.<br/><br/>Jesus não diz «felizes os que planeiam vingança», mas chama felizes aqueles que perdoam e o fazem «setenta vezes sete» (Mt 18, 22). É necessário pensar que todos nós somos uma multidão de perdoados. Todos nós fomos olhados com compaixão divina. Se nos aproximarmos sinceramente do Senhor e ouvirmos com atenção, possivelmente uma vez ou outra escutaremos esta repreensão: «não devias também ter piedade do teu companheiro como Eu tive de ti?» (Mt 18, 33).<br/><br/>Olhar e agir com misericórdia: isto é santidade.</p><p>Papa Francisco. <a href="https://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html">Gaudete et exsultate</a>, 80-82</p>]]></description>
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      <title>A luta contra o terror, segundo Oscar Romero</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 20 Apr 2022 22:32:56 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d688-a-luta-contra-o-terror-segundo-oscar-romero.jpg"/><p>la Iglesia está de acuerdo en las campañas contra el terror, con tal que se siembre esa campaña con amor</p><p>En esta hora, hermanos, en que la liberación es tomada por muchas voces de hombres, la Iglesia también grita liberación pero no en el tono de odio ni de venganza ni de lucha de clases, porque eso no construye. Estamos de acuerdo en que debe de haber una lucha contra el terror, no debe de implantarse el terror en nuestra patria. Pero un terror no se quita con otro terror. Una mala voluntad no se mata con otra mala voluntad. El odio no siembra nada bueno. Por eso, la Iglesia está de acuerdo en las campañas contra el terror, con tal que se siembre esa campaña con amor, que busque la conversión de los malos; que castigue a los rebeldes, cualquiera que sea, aunque sea la mano armada, tiene que ser juzgada si ha cometido un crimen, y tiene que reclamársele castigo contra aquel que ha hecho el mal y no se convierte hacia el bien.</p><p>Pero desde el punto de vista cristiano, la voz de la Iglesia les dice a los oprimidos, a los que sufren, a los torturados, a los desaparecidos, a los muertos criminalmente, a las madres que sufren, a los hogares, a los marginados, a los que sufren injusticia, a todos ellos les dice estas palabras: Amen a Dios. Amen a Dios, que al que ama a Dios hasta esas opresiones se convierten en bien. Miren a Cristo crucificado, la figura del oprimido más grande, la del hombre que sufre la injusticia más criminal de la tierra, la del inocente que muere en una cruz y mira a su propia madre hundida en el dolor de una injusticia y desde allí clama: “Padre, perdónalos porque no saben lo que hacen”. Y desde su dolor, injustamente sufrido, se convierte en el Redentor de los hombres.</p><p>Oscar Romero. <a href="https://servicioskoinonia.org/romero/homilias/A/771201.htm">A las madres por sus hijos desaparecidos</a>.</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@sadmax?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Amber Kipp</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>“Direito de usar e de abusar”</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 20 Apr 2022 19:19:50 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d687-direito-de-usar-e-de-abusar.jpg"/><p>Qué hermoso sería este concepto bíblico de pobreza y riqueza. No es malo tener. Ojalá todos fuéramos ricos. Lo malo es la insensibilidad.</p><p>Un profeta, Amós, que vivió siete siglos antes de Cristo, pero que se encuentra con una situación social muy parecida a la nuestra: su voz no pertenece a los siglos perdidos; su voz se hace actualidad para San Salvador de 1977. Un Cristo que nos cuenta una parábola tan terrible, de la suerte que se transforma del rico y el pobre en esta vida y en la otra; no es un cuentecito que Cristo contaba para endulzar los oídos de hace veinte siglos; es la amonestación seria de un Dios que nos dice para qué nos ha creado y cuál es el uso que hay que hacer de las cosas.</p><p>Y éste es precisamente el tema de esta Homilía de hoy: El recto uso de los bienes que Dios ha creado. Hay un mal uso, nos vamos a referir primero a este aspecto negativo, no porque sea lo principal. En el mensaje de Dios procuremos, hermanos, siempre buscar lo positivo. Pero al lado de lo positivo, que es la ley de Dios, el designio amoroso del Señor para con nosotros, los hombres entronizamos siempre un aspecto negativo, el pecado, la lucha contra el reino de Dios. Y esto durará a lo largo de los siglos. Y nadie se extrañe de que la Iglesia se llame perseguida. Si tiene que ser perseguida por el reino de las tinieblas. Si mientras la Iglesia proclame esta voluntad de Dios, siempre encontrará la voluntad del antidios, del anticristo, de las sombras del pecado, del misterio de la iniquidad que trata también de entronizarse. Aquí, el profeta Amós describe ese imperio de las tinieblas bajo el aspecto del lujo; esa vida muelle, qué bien la describe el profeta, a pesar de ser un pastor del desierto de Judea enviado contra su voluntad por el mismo Dios al reino del norte de Israel, donde bajo el imperio de Jerobam II, una sociedad en bonanza, en paz, no sabe aprovechar este signo de la paz para adorar a Dios y agradecérselo, sino para hacer una vida muy lujosa.</p><p>“Os acostáis en lechos de marfil, tumbados sobre las camas. Coméis los carneros del rebaño y las terneras del establo”. Son esas terneras que se alimentan sólo de leche y naturalmente su carne es muy blandita y esto gusta a los sibaritas del norte; “Canturreáis al son del arpa, bebéis vinos generosos, os ungís con los mejores perfumes y no os doléis de los desastres de José”.</p><p>Y Cristo nuestro Señor en su parábola, como haciendo un eco a esa vida muelle: “Había un hombre rico que se vestía de púrpura y de lino, y banqueteaba espléndidamente cada día”. Hermanos, ¿no les parece que no son rasgos escritos en 1977; pero son realidades de los siglos que, también, existen hoy en 1977, aquí entre nosotros?. Podrá preguntar el rico epulón y los ricos del norte de Galilea, y todos aquellos que se dan a la vida muelle, comodona: ¿Qué pecado hay en eso? Parece que no hay pecado. Y, el primero de los pecados es el haber subvertido el sentido de la propiedad. Como decían los paganos, definiendo la propiedad privada; “Jus utendi et abutendi”, derecho de usar y de abusar; si es mío, ¿por qué no voy hacer lo que me da la gana? No, el derecho de propiedad tiene unos límites, los que señala aquí la lectura sagrada en San Pablo a Timoteo. Dios le da la vida a las cosas del mundo y tienes que ver para qué las ha creado Dios. Y si es cierto que la propiedad privada es un derecho, sin embargo tiene, como dice nuestra constitución muy bien, una función social. Una función social que no es precisamente, como se dijo cuando se defendían los intereses ante los peligros de la ley del ISTA, sólo para producir más. No es eso la función social: producir más. Producir más sí, pero para el bien común. Los bienes que Dios ha creado para todos tienen que canalizarse por estructuras hacia al bien, hacia la felicidad de todos, y que no se dé este terrible contraste señalado por las lecturas de hoy: mientras él se banqueteaba, un pobre ni siquiera comía las migajas que caían de su mesa.</p><p>Y aquí tenemos ya, hermanos, las consecuencias de esta vida muelle, los errores tremendos. Además de ese falso concepto de propiedad, lo más terrible es esto: metaliza, hace insensibles a los hombres. ¿Qué es lo que aquí denuncia Jesucristo -cuando dice- que mientras el rico se banqueteaba, Lázaro “estaba echado en su portal cubierto de llagas y con ganas de saciarse de lo que tiraban de la mesa del rico, pero nadie se la daba. Hasta los perros se acercaban a lamerle las llagas?” Tenían más dicha los perros, los cuales podían comer los mendrugos con que el rico se limpiaba sus manos o los platos y se los tira al perro, y el pobre siquiera eso quería y ni eso se le daba. O como dice la primera lectura, también, después de describir esas orgías; “Y no os doléis de los desastres de José”. José era la tribu que se consideraba como más pobre, más necesitada; y los necesitados de José, pues eran como la expresión de la pobreza suma, de la miseria. Mientras unos, pues tienen abundancia, son insensibles.</p><p>Este es el pecado grave, la insensibilidad. Y aquí hermanos no lo estoy diciendo sólo de los grandes ricos, lo digo también de todos nosotros, que cuando tenemos algo que comer, un sorbete siquiera, una migaja, una tortilla, tal vez comiendo nosotros nos hacemos insensibles al pobre que no tiene ni eso. ¿Por qué no compartir, como dicen los profetas, hasta nuestras pobrezas? Es una traición, según el profeta Amós, contra la alianza con Yahvé. Si Dios había hecho una alianza con este pueblo, “seréis mi pueblo y yo seré vuestro Dios”, pero con la condición de que se sintieran todos pueblo de Dios, hermanos unos de otros. Tanto era sí que leemos una ley en el Levítico, capítulo 25, dice: “La tierra no puede venderse para siempre, porque la tierra es mía, ya que vosotros sois para mí como forasteros y huéspedes”. Era el concepto de los ricos de Israel de que ellos eran como renteros de Dios, como que Dios les había rentado unas tierras; la propiedad privada la consideraban a la luz de Dios y el pobre era el representante de Dios al que había que pagarle esa renta de la tierra. De allí que el rico y el pobre debían de sentarse a compartir juntos como dos limosneros. Dios le da limosna al rico y Dios, por el rico, le quiere dar limosna también al pobre.</p><p>Oscar Romero. <a href="https://servicioskoinonia.org/romero/homilias/C/770925.htm">El recto uso de los bienes que Dios ha creado</a></p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@camsaadat?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Ali Saadat</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>A oração</title>
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      <pubDate>Wed, 20 Apr 2022 07:11:33 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d686-a-oracao.jpg"/><p>“No sólo trabajar sin Dios, ni sólo orar sin trabajar”</p><p>Nada hay imposible a la oración; y si todo este pueblo cristiano de la arquidiócesis tomara la actitud de María frente a Cristo, y Cristo nos dijera como dijo a Marta: “No te preocupes de demasiadas cosas; sólo una cosa es necesaria”. ¿Cuál es esa cosa necesaria? Es la que ya se vislumbra siglos antes de Cristo, con la que termina la primera lectura de hoy que nos ha descrito, como transfigurando a Dios en unos hombres que visitan a Abraham; y Abraham objeto dichoso de esta teofanía, está frente a Dios y tiene la oportunidad de dar acogida a Dios y le sirve de los temeros de su cavada; y le da todo lo que puede dar un hombre generoso a un amigo que llega a visitarlo. El Hebrón, allá en Palestina, tiene un nombre en honor a Abraham; aquel pueblo se llama El Kalil, que quiere decir “el amigo”. No se puede dar a un hombre nombre más honroso que ese que se ha dado a Abraham: “el amigo de Dios, el que trataba con Dios como con un amigo, hombre de oración.</p><p>¿Por qué no nos proponemos todos, los que estamos haciendo esta reflexión, también, ganar un poquito de ese título: amigos de Dios? Pero cuando termina ese interesante encuentro de Dios con Abraham, como amigos que comen juntos, que comparten juntos, la frase termina diciendo: “… dile a Sara que dentro de un año, cuando retorne, le habrá nacido un hijo”. Esta es la esencia de ese mensaje de la primera lectura. Porque ese hijo de Abraham ya anciano, y de Sara estéril y vieja, es el hijo de la promesa. De allí va a nacer un pueblo que tendrá el honor, en la historia, de ser el vehículo de sangre que va a dar a luz al Redentor de los hombres. Jesús es descendiente de Abraham, ¡qué honor, el Hijo de Dios es descendiente de un anciano y de una estéril!</p><p>Este es el gran prodigio, el gran designio de Dios. Nada hay imposible para el Señor, le dice también el ángel a Maria, hablándole de otra esterilidad que se hace fecunda: Elizabeth, madre de Juan Bautista. Y San Pablo, en la lectura de hoy, nos describe lo único necesario: el misterio de Cristo, misterio escondido en Dios que se ha revelado a los hombres. Y dichoso aquél que llega a comprender que Dios se hizo hombre para salvar a los hombres; y que cada vida humana que se incorpora en esa corriente de redención / y se convierte en Cristo, se diviniza su vida. Porque Dios vino hecho hombre en Cristo, para hacer Dios a toda la humanidad que creyera en él. Esto es lo único necesario.</p><p>Por eso, cesando miramos a María extasiado frente a las palabras de Cristo, mientras Marta va y viene por la casa preparándole la comida, y reclama a Jesús: “Mira, mi hermana no me ayuda; dile que vaya a darme una mano”. Jesús defiende a María: -“Marta, Marta, tú te preocupas de muchas cosas, sólo una cosa es necesaria; y María ha escogido la mejor parte, que no se le va a quitar”.</p><p>Todo aquél que llega a comprender lo único necesario (Maná, en las Palabras de Cristo está oyendo el designio de Dios, el amor de Dios), es un alma en oración, es un alma contemplativo. Marta es la figura del alma activa. Asi lo han interpretado en todos los siglos, este bello pasaje del evangelio de hoy. Y a la luz de Marta que va y viene, podemos ver a la Iglesia en sus actividades pluriformes. ¡Qué maravilla es la Iglesia! Porque Jesús, al alabar la actitud de María, no está reprobando la actitud de Marta; lo que le está diciendo es: Ojalá toda su actividad proceda también de lo único necesario; porque no basta ser contemplativo, estar rezando, es necesario también trabajar; pero que cuando se va al trabajo, se lleve en el corazón la unidad de todo lo que se va a hacer, una perspectiva de fe que ilumine toda tu acción. Y aquí es, hermanos, donde yo quiero recomendar la necesidad de encontrar ese único necesario, la necesidad de orar.</p><p>Yo voy visitando en estos días comunidades preciosas de cristianos, y les aseguro que, a la luz de la Biblia y de la reflexión que allí surge, se levantan plegarias tan bellas que de veras la labor que la Iglesia está haciendo en El Salvador, sobre todo a través de las comunidades pequeñas, no tiene nada de subversivo, no tiene nada de político; v si tiene algo de político, es la gran política del Reino de Dios de despertar en los hombres la conciencia hacia Dios y de Dios hacia todos los hombres. ¡Que oración! ¡Que contemplación! Es necesario orar y trabajar. Pero el trabajo tiene que proceder de la oración. No se pueden disociar.</p><p>Todos supieron a través de los medios de comunicación que esta semana, el miércoles, hubo un apagón de muchas horas en New York; y cuando el Alcalde reclama a la compañía eléctrica, la compañía le dice: “Es un poder superior, Dios lo hizo”. Pero el Alcalde le reclama negligencia. Los dos tienen razón. Es como cuando los que prepararon un viaje a la luna dijeron: Técnicamente todo está preparado; ahora sólo nos resta orar; orar y poner en juego todas las energías humanas”.</p><p>No sólo trabajar sin Dios, ni sólo orar sin trabajar. “Ora et labora” era el gran lema de San Benito, el fundador de los benedictinos, que no descansan en su vida, orando y trabajando. Aquellos monasterios, donde los monjes parecen abejas hacendosas. No descansan un momento, pero en su corazón siempre están orando. Como María, contemplan lo único necesario; y como Marta, trabajan: van y vienen.</p><p>¡Qué hermosa fuera nuestra ciudad, los campos, los pueblos; donde los hombres profesionales, comerciantes, estudiantes, mujeres de hogar, del mercado, todos tuviéramos en el corazón un gran sentido de oración, y al mismo tiempo una honradez en el trabajo, una diligencia!</p><p>Mons. Oscar Romero. <a href="https://servicioskoinonia.org/romero/homilias/C/770717.htm">La oración</a></p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@valou_c?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Valou _c</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/ora-et-labora?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>A fé segundo Oscar Romero</title>
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      <pubDate>Wed, 20 Apr 2022 05:03:49 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d685-a-fe-segundo-oscar-romero.jpg"/><p>“Creer es cuando Dios dice hasta lo imposible, y el hombre acepta esa palabra. Se convence de que será verdad, y vive de esa palabra. Fe es entregarse al que le dice algo, creer es no dudar.”</p><p>“¿Quién era Abraham?, un pobre campesino. No conocía la revelación de Dios. No era circuncidado, no era judío. Un hombre del mundo. Y a ese hombre, Dios lo llama ya anciano, estéril, su mujer no le había dado ningún hijo. Y Dios promete: “Va a nacer de ti un hijo, que será padre de pueblos. Y en esa descendencia nacerá el Redentor del mundo. ‘Parece locura que a un viejo y a una anciana, estériles los dos…- y ahora dice la Escritura: “Ya parece un cuerpo muerto”- este cuerpo que parece muerto, a este desierto de la humanidad, anciano y estéril, Dios le dice que va a reverdecer como un jardín. Abraham cree. CREE. ¿Qué cosa es creer? Creer es cuando Dios dice hasta lo imposible, y el hombre acepta esa palabra. Se convence de que será verdad, y vive de esa palabra. Fe es entregarse al que le dice algo, creer es no dudar. El acto de Abraham es heroico; diría yo, divino. El comprende que de la iniciativa de Dios viene todo. No importan las condiciones humanas: Viejo y estéril parece un muerto. Pero Dios que hace resucitar a los muertos y da vida a los desiertos, será capaz de hacer también de mi esterilidad y de mi vejez, de mi muerte, un pueblo numeroso; y para colmo, del cual nacerá la redención y la vida eterna.<br/><br/>Por eso dice San Pablo en su lectura de hoy-. “”Abraham creyó, y esto es lo que le fue tenido en cuenta para justificarlo”. Abraham se justificó… En aquel momento Abraham comienza a ser el Kalil, el amigo de Dios, porque ya se entregó a Dios, y Dios le ha dado su iniciativa; Dios le está ofreciendo justificación. Y le pide como condición: “Cree, ten fe. Abraham podía reírse y decir. “Señor, estás loco, estás pensando en algo imposible; pero así como María cree también en la posibilidad de una virginidad fecunda, sin perderse la virginidad; Abraham y Sara Isabel, y todos esos hijos del milagro del Antiguo Testamento, son producto de esta fe.”</p><p>Oscar Romero. <a href="https://servicioskoinonia.org/romero/homilias/A/780611.htm">La justificación y la fe</a> </p>]]></description>
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      <title>Homilia de mons. Romero no segundo Domingo de Páscoa de 1977</title>
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      <pubDate>Tue, 19 Apr 2022 20:06:22 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d684-homilia-de-mons-romero-no-segundo-domingo-de-pascoa-de-1977.jpg"/><p><strong>trabajar en el presente por un mundo mejor, pero sin olvidar que las pascuas de la historia son imperfectas, que entre los aleluyas de la tierra hay muchos dolores y muchas espinas, que la resurrección que se celebra en la tierra siempre tiene en el centro la cruz del sufrimiento</strong></p><p>«Vida quiere decir justicia. Vida quiere decir respeto al hombre. Vida quiere decir santidad. Quiere decir todo ese esfuerzo por ser cada día mejor, porque cada hombre y cada mujer, cada joven, cada niño, vaya sintiendo que su vida es una vocación que Dios le ha dado para hacer presente en el mundo. No sólo la maravilla de la creación es imagen de Dios, sino la maravilla de la redención, que es elevación de la naturaleza, elevación de la sociedad, elevación de la amistad. Esa es la Pascua; y una parroquia que lleva el nombre pascual de la Resurrección tiene que vivir intensamente este sentido comunitario del paso de la muerte a la vida, de la imperfección a lo perfecto, a la santidad cada vez más elevada.</p><p>Porque sólo así, queridos hermanos, podemos servirnos de esta Pascua que Cristo nos regala. Y decían las lecturas de hoy que se iban agregando a esa comunidad, porque la veían tan atrayente por el amor. Esta es la fuerza de la Iglesia, queridos hermanos, no la violencia, no el odio, no el resentimiento, no la calumnia. Se está calumniando a la Iglesia en estos momentos en una forma tan burda; y eso no es Iglesia, aun cuando en nombre de la Iglesia se quiera calumniar a la Iglesia, el absurdo de que la Iglesia se destruyera a sí misma. La Iglesia ama, la Iglesia redime, haciéndose violencia a sí misma, hasta quedar como Cristo, tal vez, sacrificado en la cruz pero salvando al mundo con la fuerza del amor, que es entrega y es una fuerza misionera. Atrae al mundo.</p><p>Y ojalá que la comunidad parroquial en la cual estamos en este momento sea cada vez una antorcha luminosa que atraiga, que conglutine, que unifique todas las fuerzas maravillosas de la colonia y de la parroquia; porque tenemos que llegar a eso, queridos hermanos. No nos contentemos con una sociedad simplemente humana, con una amistad simplemente de simpatía. Elevémonos al amor que Cristo nos ha inspirado. Por amor a Dios amar a nuestro hermano, aún aquellos que son más difíciles, con quienes menos podemos comprendernos, perdonar, comprenderse, ésta es la fuerza que hace la comunidad de Cristo resucitado.</p><p>Y finalmente, un sentido escatológico, es decir un más allá de la historia, un trabajar en el presente por un mundo mejor; pero sin olvidar, como no lo olvidaban los israelitas cuando celebraban sus pascuas, que las pascuas de la historia son imperfectas, que entre los aleluyas de la tierra hay muchos dolores y muchas espinas, que la resurrección que se celebra en la tierra siempre tiene en el centro la cruz del sufrimiento; pero que a través de esas imperfecciones, de esas espinas, de esos dolores, de esos problemas, se abrían a unos horizontes. Los israelitas pensaban en una pascua del banquete perfecto, la alegría con Dios, y Cristo mismo decía: Ya no comeré con vosotros esta pascua hasta que juntos la comamos en el reino del Padre”. Peregrinar con El para que esta fiesta pascual que cada año se celebra en la parroquia sea una invitación a trabajar por hacer este mundo más humano, más cristiano; pero saber que no está el paraíso aquí en la tierra, no dejarnos seducir por los redentores que ofrecen paraísos en la tierra -no existen- sino el más allá con una esperanza muy firme en el corazón: trabajar el presente, sabiendo que el premio de aquella Pascua será en la medida en que aquí hayamos hecho más feliz también la tierra, la familia, lo terrenal.</p><p>Este es el equilibrio santo a que la Virgen misma nos invita, y mi documento termina con esta invocación a María: “Nuestro Divino Salvador no defraudará nuestra esperanza. Pongamos por intercesora ante El a la Reina de la Paz, patrona celestial de nuestro pueblo, madre del Resucitado. Que ella ampare a nuestra Iglesia, sacramento de la Pascua. Que como María, la Iglesia viva ese feliz equilibrio de la Pascua de Jesús, que debe marcar el destino de la verdadera salvación del hombre en Cristo: sentirse glorificada ya en los cielos, como imagen y principio de la vida futura y al mismo tiempo, ser aquí en la tierra, luz del peregrinante pueblo de Dios, como signo de esperanza cierta y de consuelo hasta que llegue el día del Señor”.»</p><p><a href="https://servicioskoinonia.org/romero/homilias/C/770417.htm">https://servicioskoinonia.org/romero/homilias/C/770417.htm</a></p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@jfdelp?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Jessica Delp</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Teste 19/04</title>
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      <pubDate>Tue, 19 Apr 2022 16:32:13 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/04/2022</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p>]]></description>
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      <title>Eis o dia de Deus verdadeiro</title>
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      <pubDate>Tue, 19 Apr 2022 05:29:33 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/04/2022</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p>]]></description>
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      <title>As mulheres ao pé da Cruz</title>
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      <pubDate>Mon, 18 Apr 2022 18:57:50 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d681-as-mulheres-ao-pe-da-cruz.jpg"/><p>Sabemos que Tu nos ama, Senhor, mas não sentimos esse amor e isso nos enlouquece</p><p>Tradução (feita pelo tradutor do Google) do texto da 13ª estação da Via Crucis do Vaticano no dia 15 de abril (que está no livreto mas <a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/ansa/2022/04/15/ucraniana-e-russa-carregam-cruz-juntas-mas-vaticano-corta-texto.htm">não foi lido durante a oração</a>): </p><p>Morte ao redor. Vida que parece perder valor. Tudo muda em segundos. A existência, os dias, a neve despreocupada do inverno, ir buscar os filhos à escola, ao trabalho, aos abraços, às amizades… tudo. Tudo de repente perde o seu valor. “Onde estás Senhor? Onde você está se escondendo? Queremos nossa primeira vida. Por que tudo isso? Que culpa cometemos? Por que você nos abandonou? Por que você abandonou nossos povos? Por que você dividiu nossas famílias assim? Por que não temos mais o desejo de sonhar e de viver? Por que nossas terras ficaram escuras como o Gólgota?”. As lágrimas se foram. A raiva deu lugar à resignação. Sabemos que Tu nos ama, Senhor, mas não sentimos esse amor e isso nos deixa loucos. Acordamos de manhã e ficamos felizes por alguns segundos, mas logo nos lembramos de como será difícil conciliar. Senhor onde você está? Fale no silêncio da morte e da divisão e nos ensine a fazer a paz, a ser irmãos e irmãs, a reconstruir o que as bombas queriam destruir.</p><p><a href="https://www.vatican.va/news_services/liturgy/libretti/2022/20220415-libretto-via-crucis.pdf">Texto original</a>: La morte intorno. La vita che sembra perdere di valore. Tutto cambia in pochi secondi. L’esistenza, le giornate, la spensieratezza della neve d’inverno, l’andare a prendere i bambini a scuola, il lavoro, gli abbracci, le amicizie… tutto. Tutto perde improvvisamente valore. “Dove sei Signore? Dove ti sei nascosto? Vogliamo la nostra vita di prima. Perché tutto questo? Quale colpa abbiamo commesso? Perché ci hai abbandonato? Perché hai abbandonato i nostri popoli? Perché hai spaccato in questo modo le nostre famiglie? Perché non abbiamo più la voglia di sognare e di vivere? Perché le nostre terre sono diventate tenebrose come il Golgota?”. Le lacrime sono finite. La rabbia ha lasciato il passo alla rassegnazione. Sappiamo che Tu ci ami, Signore, ma non lo sentiamo questo amore e questa cosa ci fa impazzire. Ci svegliamo al mattino e per qualche secondo siamo felici, ma poi ci ricordiamo subito quanto sarà difficile riconciliarci. Signore dove sei? Parla nel silenzio della morte e della divisione ed insegnaci a fare pace, ad essere fratelli e sorelle, a ricostruire ciò che le bombe avrebbero voluto annientare. (<a href="https://www.vatican.va/news_services/liturgy/libretti/2022/20220415-libretto-via-crucis.pdf">na página 57-58 do livreto, ou 29-30 do pdf</a>)</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@milada_vigerova?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Milada Vigerova</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Ver, ouvir e falar</title>
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      <pubDate>Mon, 18 Apr 2022 03:42:10 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d680-ver-ouvir-e-falar.jpg"/><p>A Páscoa não acontece para consolar intimamente quem chora a morte de Jesus, mas para abrir de par em par os corações ao anúncio extraordinário da vitória de Deus sobre o mal e a morte</p><p>As mulheres veem. O primeiro anúncio da Ressurreição é feito, não sob uma fórmula a decifrar, mas sob um sinal que se deve contemplar. Num cemitério, junto dum túmulo, onde tudo deveria estar em ordem e sossego, as mulheres «encontraram removida a pedra da porta do sepulcro e, entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus» (24, 2-3). Por outras palavras, a Páscoa começa invertendo os nossos esquemas. Chega com o dom duma esperança surpreendente. Mas não é fácil acolhê-la. Às vezes (temos de o admitir!) esta esperança não encontra espaço no nosso coração. Em nós, como nas mulheres do Evangelho, prevalecem interrogações e dúvidas, e a primeira reação face ao sinal imprevisto é o medo, é voltar «o rosto para o chão» (cf. 24, 4-5).</p><p>Com muita frequência, contemplamos a vida e a realidade com os olhos voltados para baixo; fixamo-nos apenas no dia de hoje que passa, desiludidos quanto ao futuro, fechamo-nos nas nossas necessidades, acomodamo-nos na reclusão da apatia, enquanto continuamos a lamentar-nos e a pensar que as coisas nunca vão mudar. E assim permanecemos imóveis diante do túmulo da resignação e do fatalismo, e sepultamos a alegria de viver. Mas, nesta noite, o Senhor quer dar-nos olhos diferentes, iluminados pela esperança de que o medo, o sofrimento e a morte não terão a última palavra sobre nós. Graças à Páscoa de Jesus, podemos dar o salto do nada para a vida, «e a morte não poderá mais defraudar-nos da nossa existência» (K. Rahner, O que significa a Páscoa, Brescia 2021, 28): esta foi abraçada, inteiramente e para sempre, pelo amor sem limites de Deus. É verdade; pode-nos amedrontar e paralisar. Mas o Senhor ressuscitou! Levantemos o olhar, retiremos dos nossos olhos o véu da amargura e da tristeza, abramo-nos à esperança de Deus!</p><p>Em segundo lugar, as mulheres escutam. Depois de terem visto o sepulcro vazio, dois homens em trajes resplandecentes disseram-lhes: «Porque buscais o Vivente entre os mortos? Não está aqui; ressuscitou!» (24, 5-6). Faz-nos bem ouvir e repetir estas palavras: não está aqui! Sempre que pretendemos ter entendido tudo acerca de Deus, podê-Lo arrumar nos nossos esquemas, repitamos a nós mesmos: não está aqui! Sempre que O procuramos apenas nas emoções, muitas vezes passageiras, ou nos momentos de necessidade, para depois O deixarmos de lado esquecendo-nos d’Ele nas situações quotidianas e nas opções concretas de cada dia, repitamos: não está aqui! E quando pensamos em confiná-Lo nas nossas palavras, nas nossas fórmulas e nas nossas tradições, mas esquecendo-nos de O procurar nos cantos mais escuros da vida onde há alguém que chora, que luta, sofre e espera, repitamos: não está aqui!</p><p>Ouçamos, também nós, a pergunta dirigida às mulheres: «Porque buscais o Vivente entre os mortos?» Não podemos fazer Páscoa, se continuamos a morar na morte; se permanecemos prisioneiros do passado; se na vida não temos a coragem de nos deixar perdoar por Deus – que perdoa tudo -, a coragem de mudar, de romper com as obras do mal, a coragem de nos decidirmos por Jesus e pelo seu amor; se continuamos a reduzir a fé a um amuleto, fazendo de Deus uma bela recordação de tempos passados, em vez de ir hoje ao seu encontro como o Deus vivo que deseja transformar-nos a nós e ao mundo. Um cristianismo que busca o Senhor entre as ruínas do passado e O encerra no túmulo da rotina é um cristianismo sem Páscoa. Mas o Senhor ressuscitou! Não nos demoremos ao redor dos túmulos, mas vamos redescobri-Lo a Ele, o Vivente! E não tenhamos medo de O procurar também no rosto dos irmãos, na história de quem espera e de quem sonha, na dor de quem chora e sofre: Deus está lá!</p><p>Por fim as mulheres anunciam. Que anunciam elas? A alegria da Ressurreição. A Páscoa não acontece para consolar intimamente quem chora a morte de Jesus, mas para abrir de par em par os corações ao anúncio extraordinário da vitória de Deus sobre o mal e a morte. Por isso, a luz da Ressurreição não quer delongar as mulheres no êxtase dum gozo pessoal, não tolera comportamentos sedentários, mas gera discípulos missionários que «voltam do sepulcro» (24, 9) e levam a todos o Evangelho do Ressuscitado. Por isso mesmo, depois de ter visto e escutado, as mulheres correm a anunciar aos discípulos a alegria da Ressurreição. Sabem que poderiam ser tomadas por loucas – aliás o Evangelho diz que «as suas palavras pareceram-lhes um desvario» (24, 9) –, mas não estão preocupadas com a sua reputação, a defesa da sua imagem; não reprimem os sentimentos, nem medem as palavras. Apenas tinham o coração ardente para transmitir a notícia, o anúncio: “O Senhor ressuscitou!”</p><p><a href="https://www.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2022/documents/20220416-omelia-veglia-pasquale.html">Homilia na vigília pascal em 16/04</a></p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@jmuniz?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Joel Muniz</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Privado: twwets</title>
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      <pubDate>Mon, 18 Apr 2022 02:31:32 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/04/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/681977794256896000/do-oriente-nos-vem-a-propicia%C3%A7%C3%A3o-%C3%A9-de-l%C3%A1-que-vem">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/681977747542769664/por-esse-motivo-%C3%A9s-convidado-a-olhar-sempre-para-o">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/681977695314362368/a-fim-de-que-a-noite-e-a-escurid%C3%A3o-da-ignor%C3%A2ncia">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://x.com/mrclmlt/status/1516447317599080453?ref_src=twsrc%5Etfw">link para o twitter</a></p><p><a href="https://x.com/mrclmlt/status/1516447323232079872?ref_src=twsrc%5Etfw">link para o twitter</a></p><p><a href="https://x.com/mrclmlt/status/1516447327673802752?ref_src=twsrc%5Etfw">link para o twitter</a></p><p><a href="https://x.com/mrclmlt/status/1515918622622892034?ref_src=twsrc%5Etfw">link para o twitter</a></p><p><a href="https://x.com/mrclmlt/status/1515915944786280449?ref_src=twsrc%5Etfw">link para o twitter</a></p><p><a href="https://x.com/mrclmlt/status/1507414254474911748?ref_src=twsrc%5Etfw">link para o twitter</a></p><p><a href="https://x.com/mrclmlt/status/1508610764029976583?ref_src=twsrc%5Etfw">link para o twitter</a></p><p><a href="https://x.com/mrclmlt/status/1509285902727716864?ref_src=twsrc%5Etfw">link para o twitter</a></p><p><a href="https://x.com/mrclmlt/status/1514917974913785862?ref_src=twsrc%5Etfw">link para o twitter</a></p><p><a href="https://x.com/mrclmlt/status/1515879722886045696?ref_src=twsrc%5Etfw">link para o twitter</a></p><p><a href="https://x.com/mrclmlt/status/1515879727764025354?ref_src=twsrc%5Etfw">link para o twitter</a></p>]]></description>
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      <title>A ressurreição antes da morte</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 17 Apr 2022 06:01:27 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d678-a-ressurreicao-antes-da-morte.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/bruno-van-der-kraan-v2hgnzrdfii-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/bruno-van-der-kraan-v2hgnzrdfii-unsplash.jpg]</a><p>“A Páscoa de Jesus de Nazaré e dos cristãos celebra as possibilidades escondidas na vida de cada pessoa e da humanidade. Afirma que a última palavra não é o discurso frio daqueles que impõem sua injusta ordem, lincham midiaticamente os líderes populares e mandam calar os profetas. Proclama que a ação realmente eficaz e grávida de futuro é aquela que estabelece a absoluta superioridade das vítimas. Evidencia que a direção certa e o sentido da vida está no cuidado da terra, no fazer-se semente de um mundo outro e de uma vida outra, tão possível quanto urgente.</p><p>Ademais, a ressurreição não é algo que acontece apenas depois da morte. Paulo nos surpreende afirmando que já ressuscitamos. Ele se refere ao dinamismo pascal do nosso batismo, que possibilita e pede a passagem de uma vida individualista a uma vida plena e solidária. “Procurem as coisas do alto”. E isso significa assumir um estilo de vida centrado no amor, no serviço e na partilha, na busca de uma segurança que tenha a justiça como mãe. O pecado ainda não perdeu totalmente sua influência, mas está mortalmente ferido, e não domina mais sobre nós.</p><p>É verdade que a ressurreição de Jesus não é algo que se impõe com força de evidência. O dia já havia amanhecido, mas, na cabeça de Maria Madalena e dos apóstolos, a experiência do fracasso pairava como escuridão. Só muito lentamente eles foram percebendo que os lençóis estendidos não estavam lá para cobrir um morto mas para acolher as núpcias de uma nova aliança de Deus com a humanidade. O sudário sim, depois de ter coberto a cabeça de Jesus, agora estava à parte e envolvia totalmente o templo, o lugar onde a morte fora tramada e decretada.</p><p>A Páscoa de Jesus de Nazaré inaugura uma Nova Criação. Ressuscitando e trazendo no corpo as feridas dos pregos e da lança, ele é o Homem Novo, o Novo Adão, o Irmão primogênito e solidário de todos os homens e mulheres. Os discípulos e discípulas se reúnem em torno da sua memória e organizam comunidades que continuam seu sonho e seu caminho. E as pessoas acolhidas nestas comunidades estabelecem vínculos que formam um Novo Povo de Deus, a comunhão dos grupos e movimentos de cuidadores e servidores, de gente que luta por vida abundante para todos.”</p><p><a href="https://cebi.org.br/reflexao-do-evangelho/a-ressurreicao-de-jesus-inaugura-uma-nova-criacao/">A ressurreição de Jesus inaugura uma nova criação</a></p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@brunovdkraan?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Bruno van der Kraan</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Salvação pela morte e ressurreição de Cristo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 16 Apr 2022 18:57:30 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>16/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d677-salvacao-pela-morte-e-ressurreicao-de-cristo.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/kelly-sikkema-my6cga4ggoi-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/kelly-sikkema-my6cga4ggoi-unsplash.jpg]</a><p>«Jesus não morreu por acaso, nem por doença, nem por acidente. Embora a comunidade cristã vá dizer que sua cruz se explica pelos desígnios da presciência de Deus (At 2,23; 4,28), é preciso, contudo, considerar os fatores históricos. Jesus foi levado à morte por causa do anúncio do Reino de Deus, o que implicava também o anúncio de outra imagem de Deus. Seja o anúncio do Reino de inclusão e igualdade, de perdão e liberdade, seja o anúncio de Deus como Pai de ternura, compaixão e misericórdia, isso incomodou os chefes religiosos.</p><p>Desde o início de seu ministério público e no decorrer de sua missão de anunciar o Reino e denunciar as práticas idolátricas do antirreino propagadas pelos chefes religiosos, Jesus foi perseguido. Foi ficando cada vez mais clara, para Jesus, a percepção de que a realização da vontade do Pai teria que passar pela entrega de sua vida. Mesmo que os evangelhos reflitam a interpretação das comunidades cristãs, há sólidas evidências de que o Jesus terreno revelou ter consciência do significado salvífico de sua morte (RYAN, 2020, p. 60-64). É o que se pode notar na indicação de que não veio para ser servido mas para servir (Mc 10,45), nos anúncios da paixão (Mc 8,31; 9,31; 10,32-34), nos relatos da instituição da eucaristia, em que ele manifesta a confiança de que sua morte servirá para a restauração de Israel e a renovação da aliança divina (Mt 26,26-30; Mc 14,22-26; Lc 22,14-20), e na oração no Getsêmani, na qual ele entrega sua vida àquele a quem chamava de Abbá (Mt 26,36-45; Mc 14,32-42; Lc 22,39-46). O próprio Jesus – e não apenas a comunidade cristã – deve ter lido sua morte à luz de textos proféticos: o martírio de um judeu fiel poderia expiar os pecados do povo (2Mc 7,37-38), o suplício do servo sofredor exerce o papel de sofrimento vicário no plano de Deus (Is 52,13–53,12). A confissão de fé dos primeiros cristãos de que a morte de Jesus tem poder salvífico (1Ts 5,10; Rm 4,25; 1Cor 15,3) certamente se fundamenta em atitudes e palavras do próprio Jesus.</p><p><strong>A morte como oferta sacrificial</strong></p><p>Ligada à morte, a ideia de sacrifício foi bastante útil para os Santos Padres explicarem o modo como se dá a salvação do gênero humano por Jesus Cristo (RYAN, 2020, p. 97-100). Clemente de Roma ensinava que o sangue de Cristo foi precioso para o Pai, já que foi derramado para a expiação do pecado humano e trouxe a graça do arrependimento. Atanásio ensinava que Jesus, oferecendo-se a si mesmo como sacrifício sem mancha, entregou-se à morte no lugar de todos os seres humanos, para acertar as contas com a morte e libertá-los das consequências da primeira transgressão. Segundo Ambrósio, por sua auto-oferenda, Jesus redimiu a carne humana, que era sujeita ao pecado. João Crisóstomo, nas homilias sobre a Carta aos Hebreus, se refere à morte de Cristo como sacrifício de propiciação para comprar o fim da raiva de Deus. De modo diverso, Agostinho afirma que o sacrifício de Cristo não foi para aplacar a ira de um Deus furioso, mas consequência de sua encarnação, que implicava a manifestação de sua solidariedade plena, até a morte na cruz, com a humanidade ferida e perdida.</p><p>Como o sacrifício de Cristo, também a comunidade cristã se oferece em sacrifício na eucaristia, por meio do sumo sacerdote Jesus Cristo, que se ofereceu a Deus em sua paixão por nós, na forma de servo, para que pudéssemos participar de sua cabeça gloriosa e, assim, praticar as boas obras que são o verdadeiro sacrifício a ser oferecido a Deus.</p><p><strong>A morte como expiação dos pecados</strong></p><p>Como único, verdadeiro, sumo e eterno sacerdote, Cristo oferece-se a si mesmo como vítima pascal. Assim, ele supera a instituição cultual do Antigo Testamento, ligada ao Templo e aos sacrifícios, indicando que, como a Lei, tampouco o culto salva. O único ato salvador a assegurar, de uma vez por todas (Hb 7,27; 9,12.26.28; 10,10), o perdão dos pecados e a comunhão com Deus é a morte sacrificial de Jesus, que veio para servir e dar a sua vida por nós (Mt 20,28), para derramar o seu sangue e nos purificar do pecado (1Jo 1,7), para nos resgatar a todos do poder do mal (1Tm 2,6). Em lugar de uma ação sagrada realizada no recinto do Templo e com rituais precisos (Lv 1-15) que mediassem o desejo humano de expiação (Hb 9,1-10), o sacrifício de Jesus acontece fora do Templo e da cidade santa, como assassinato de um malfeitor (Hb 13,12). Este é o verdadeiro culto a Deus, que responde plenamente aos anseios de expiação, pois abre o caminho para o repouso divino e a herança eterna. O grande ritual de expiação, que visava libertar Israel de seus pecados e restabelecer a aliança do povo com Deus (Lv 16), realiza-se definitivamente em Jesus Cristo, que carregou o pecado do mundo e o expiou com seu próprio sangue (Hb 9,6-14). Substitui-se a prática sacrificial de animais pela oferta de um único mediador entre Deus e os seres humanos (Hb 9,1-15), o único santuário, o único sacerdote, o único sacrifício realmente agradável a Deus, não o sacrifício simbólico celebrado com ritos religiosos, mas o sacrifício real da vida inteira doada em favor dos irmãos. Com sua morte sacrificial na cruz, Cristo supera todos os ritos e sacrifícios da antiga aliança (Hb 10,1-10). “Assim, ele suprime o primeiro para estabelecer o segundo” (Hb 10,9). Por isso, a cidade nova – a Igreja, o céu – não precisa de santuário, “pois o seu santuário é o próprio Senhor, o Deus todo-poderoso, e o Cordeiro” (Ap 21,22).</p><p>Daí o convite a que os cristãos superem a negligência (Hb 2,1), a incredulidade (Hb 3,12-13), a imaturidade espiritual (Hb 5,11-12) e saiam do recinto sagrado (Hb 13,13) para entrar em contato com o mundo onde se encontra o Cristo humilhado, que não se envergonha de ser nosso irmão (Hb 2,11) e continua a carregar a sua cruz no meio dos pobres. Assim, os fiéis alcançam a salvação em assemelhar-se a Jesus, em sua prática de amor ao próximo, no amar até o fim, até a doação da própria vida.</p><p><strong>A morte como pagamento do resgate do cativeiro</strong></p><p>Além da ideia de sacrifício, também a noção de resgate serviu para os Santos Padres apresentarem sua explicação soteriológica. Servindo-se da passagem de Mc 10,45 (“o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos”), alguns Padres da Igreja ensinam que, com sua morte e ressurreição, Jesus triunfa sobre o mal e resgata a humanidade que estava cativa, sob o poder do diabo. Gregório de Nissa afirma que a humanidade, com o pecado, havia se vendido a Satanás, o qual passou a ter direito sobre nós. Por questão de justiça, portanto, Deus precisava dar ao diabo, senhor da humanidade, a oportunidade de pedir o que quisesse como preço pelo resgate do ser humano. O diabo pediu o que era mais valioso do que a raça humana: o sangue do Nazareno, nascido de uma virgem e realizador de tantos milagres. Mas enganou-se porque não enxergara a divindade escondida dentro da humanidade do Senhor. Ao ressuscitar dos mortos, Jesus engana o diabo e o vence, e, unindo ao seu corpo toda a raça humana, a resgata do cativeiro diabólico. Para Agostinho, o diabo adquiriu direitos sobre a humanidade com o pecado dos primeiros pais. Por um ato de justiça e não de poder, Deus liberta a raça humana com a humildade de Cristo na encarnação, quando este não só se torna semelhante a nós, mas, embora inocente, assume também nosso sofrimento. Por ter matado um homem inocente, o diabo perdeu os direitos sobre a humanidade.</p><p>Todavia, essa ideia do resgate não foi assimilada por todos. Gregório Nazianzeno considera um ultraje chocante imaginar que o sangue de Cristo fosse o pagamento dado ao diabo pela libertação do ser humano; de modo diverso, ele entendia que o Pai aceitou a oferenda livre de Cristo não por exigência do diabo, mas porque, na economia da salvação, a humanidade deveria ser santificada pela humanidade de Deus, para que pudesse nos libertar vencendo o poder do tirano e nos conduzindo a si pela mediação do Filho.</p><p><strong>A morte como prestação de satisfação a Deus</strong></p><p>Com Anselmo da Cantuária, temos a passagem do uso de imagens ou metáforas para a elaboração de uma teoria soteriológica da satisfação (RYAN, 2020, p. 109-121). Ele quer oferecer uma elucidação racional dos mistérios da fé e responder a pensadores judeus que julgavam ofensiva à dignidade e à impassibilidade de Deus a ideia de encarnação. Daí o título de sua obra principal: Cur Deus homo? (Por que Deus se fez homem?). Seu argumento soteriológico se contextualiza na época feudal, em que a submissão à vontade da autoridade superior era essencial para a manutenção da ordem social e, portanto, em caso de ofensa à autoridade era exigida satisfação correspondente ao status social do ofendido. Situa-se ainda no contexto do sistema penitencial, em que havia penitências prescritas para pecados específicos em vista da satisfação para a reparação dos pecados. A satisfação oferecida pelo ofensor à autoridade e pelo pecador a Deus passou a ser uma analogia natural para explicar o sacrifício de Cristo em favor da redenção da humanidade.</p><p>Anselmo pressupõe a crença cristã de que Deus criou a humanidade para a felicidade eterna, o que requer a submissão completa da vontade humana aos planos divinos. Ao pecar, todos recusaram essa submissão, desonrando Deus e, em consequência, perturbando a ordem do universo. A superação do pecado envolve, portanto, a restauração da honra divina e o restabelecimento da harmonia do universo. Para isso há dois caminhos, o castigo divino ou a prestação de satisfação a Deus. O castigo é uma ideia inconcebível, pois contraria o desejo divino de que todos alcancem a bem-aventurança eterna. A prestação de satisfação por parte do ser humano é impossível, pois sendo infinita a dignidade de Deus é também infinita a ofensa contra ele e, portanto, a humanidade é incapaz de cobrir a distância entre o pecado cometido e a honra ofendida.</p><p>Por questão de justiça e por respeito à liberdade e à responsabilidade humanas, Deus não pode desconsiderar a ofensa e, portanto, a exigência de satisfação. Por misericórdia, Deus quer levar adiante o seu plano de ter todos consigo na felicidade eterna. A saída do impasse encontra-se na encarnação de Deus. A prestação da satisfação será feita por alguém que é ao mesmo tempo Deus perfeito e homem perfeito. A dívida é paga por alguém da raça humana, que sendo Deus apresenta-se como oferenda correspondente ao status divino daquele cuja honra foi ofendida. Como a morte é efeito do pecado, o Filho eterno de Deus não precisava morrer, mas livremente quis entregar-se à morte para satisfazer a honra divina; por este ato extremo de liberdade pessoal e de obediência ao Pai, sua auto-oferenda tem valor infinito, maior do que todo o pecado da humanidade. Sua morte presta satisfação apropriada para Deus e produz a redenção de toda a raça humana.</p><p>Com leves nuances de diferença, Tomás de Aquino acolhe a teoria de satisfação, enquanto considera que</p><blockquote><p>sofrendo por amor e por obediência, Cristo ofereceu a Deus mais do que exigia a compensação de todas as ofensas do gênero humano. (…) Portanto, a paixão de Cristo foi uma satisfação pelos pecados humanos não só suficiente, mas superabundante. (TOMÁS DE AQUINO, 2002, p. 693)</p></blockquote><p>Essas explicações da salvação pela morte – sacrifício, expiação, resgate, satisfação – sempre se correlacionam com a ressurreição. Se Cristo não tivesse ressuscitado, sua morte não teria poder salvífico. O primeiro efeito salvífico da morte e ressurreição do Senhor manifestou-se nos discípulos. A experiência pascal do encontro com o Cristo ressuscitado fez os discípulos vivenciarem, também eles, sua Páscoa particular: de medrosos e trancados em casa tornaram-se corajosos e ousados no anúncio da ressurreição do Senhor. Passaram a professar a inauguração, ainda que provisória, do Reino de Deus pregado por Jesus. A morte do mestre foi aceita pelo Pai, que se vingou dos mandantes e assassinos libertando a vítima do poder da morte e dando-lhe um novo modo de viver. Assim, a ressurreição de Jesus revela o significado universal da pessoa, da mensagem e da obra salvadora de Jesus.</p><p>Como não é possível entender o ministério público do anúncio do Reino sem o destino de morte, também não dá para separar a morte e a ressurreição. Surgiu muito cedo na comunidade uma interpretação soteriológica da morte e da ressurreição de Jesus, como dois eventos que se explicam mutuamente: em Jesus não há morte sem ressurreição, não há ressurreição sem morte. Sua morte não é vista apenas como acontecimento histórico, mas como evento salvífico: ele morreu por nossos pecados, como parte integrante da vontade salvadora de Deus. Sua ressureição, em conexão com a morte, é vista como intrínseca à revelação do desígnio salvador de Deus.»</p><p>Enciclopédia digital Theologica Latinoamericana. <a href="http://teologicalatinoamericana.com/?p=2488">A salvação em Jesus Cristo</a>, 5</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@kellysikkema?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Kelly Sikkema</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/resurrection?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A meritocracia cristã</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22d676-a-meritocracia-crista</guid>
      <pubDate>Sat, 16 Apr 2022 18:32:46 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>16/04/2022</p><p>“Com efeito, o poder que os gnósticos atribuíam à inteligência, alguns começaram a atribuí-lo à vontade humana, ao esforço pessoal. Surgiram, assim, os pelagianos e os semipelagianos. Já não era a inteligência que ocupava o lugar do mistério e da graça, mas a vontade. Esquecia-se que «isto não depende daquele que quer nem daquele que se esfoça por alcançá-lo, mas de Deus que é misericordioso» (Rm 9, 16) e que Ele «nos amou primeiro» (1 Jo 4, 19).</p><p>Ainda há cristãos que insistem em seguir outro caminho: o da justificação pelas suas próprias forças, o da adoração da vontade humana e da própria capacidade, que se traduz numa autocomplacência egocêntrica e elitista, desprovida do verdadeiro amor. Manifesta-se em muitas atitudes aparentemente diferentes entre si: a obsessão pela lei, o fascínio de exibir conquistas sociais e políticas, a ostentação no cuidado da liturgia, da doutrina e do prestígio da Igreja, a vanglória ligada à gestão de assuntos práticos, a atração pelas dinâmicas de autoajuda e realização autorreferencial. É nisto que alguns cristãos gastam as suas energias e o seu tempo, em vez de se deixarem guiar pelo Espírito no caminho do amor, apaixonarem-se por comunicar a beleza e a alegria do Evangelho e procurarem os afastados nessas imensas multidões sedentas de Cristo.</p><p>Muitas vezes, contra o impulso do Espírito, a vida da Igreja transforma-se numa peça de museu ou numa propriedade de poucos. Verifica-se isto quando alguns grupos cristãos dão excessiva importância à observância de certas normas próprias, costumes ou estilos. Assim se habituam a reduzir e manietar o Evangelho, despojando-o da sua simplicidade cativante e do seu sabor. É talvez uma forma subtil de pelagianismo, porque parece submeter a vida da graça a certas estruturas humanas. Isto diz respeito a grupos, movimentos e comunidades, e explica por que tantas vezes começam com uma vida intensa no Espírito, mas depressa acabam fossilizados… ou corruptos.</p><p>Sem nos darmos conta, pelo facto de pensar que tudo depende do esforço humano canalizado através de normas e estruturas eclesiais, complicamos o Evangelho e tornamo-nos escravos dum esquema que deixa poucas aberturas para que a graça atue. São Tomás de Aquino lembrava-nos que se deve exigir, com moderação, os preceitos acrescentados ao Evangelho pela Igreja, «para não tornar a vida pesada aos fiéis, [porque assim] se transformaria a nossa religião numa escravidão».”</p><p><a href="https://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html">Gaudete et exsultate</a>, 48 e 57-59</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>As culpas manipuladas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 15 Apr 2022 10:46:03 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d675-as-culpas-manipuladas.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/sparks-reliance-7h4ladpzhn0-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/sparks-reliance-7h4ladpzhn0-unsplash.jpg]</a><p>Hoje é o dia em que Cristo “carregou os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro” (1Pd 2,24) e, assim, retirou nossos direitos de lidar com nossas culpas, que pensávamos que tínhamos. Cristo se apresentou voluntariamente para morrer, e em qualquer caso sua morte resultaria no perdão dos nossos pecados, primeiro porque, humano como nós, Cristo teria morrido de qualquer jeito, e a brutalidade de sua morte foi uma obra humana, e não divina; além disto, não foi a brutalidade sofrida por Cristo que colocou sobre ele as nossas culpas, mas sim o desígnio de Deus, ou seja, Cristo assumiu nossas culpas porque Deus quis assim.</p><p>A mulher pecadora que foi salva do apedrejamento por Cristo mostra bem que ele já tinha assumido a responsabilidade pelas nossas culpas: não foi o argumento engenhoso de Cristo que a livrou, assim como não foi a brutalidade da Paixão que nos redimiu – se fosse assim, nossa salvação teria sido obra das violências que Cristo sofreu, e não da bondade de Deus. Libertar-se das culpas não significa que nada mais é pecado (tanto é que Cristo pediu à quase-apedrejada que não pecasse mais), mas significa que elas pertencem a Cristo, contradizendo assim até Homer Simpson: as nossas culpas não são mais nossas para que possamos botá-las em quem quisermos.</p><p>A Paixão de Cristo retirou de nós, inclusive, o direito de alguém culpar-se: se a mulher pecadora quisesse apedrejar-se a si própria, mesmo ela estava proibida de atirar a primeira pedra, ainda que fosse sobre si mesma.</p><p>A doutrina que a Igreja elaborou baseada na Bíblia e na Tradição já lida com isto tudo no sacramento da Penitência, e por sua fidelidade a Cristo, também exclui qualquer apedrejamento, inclusive simbólico, de qualquer pecador. Aí é necessário diferenciar o perdão de Cristo na cruz com o perdão da Igreja: Cristo nos perdoa do Pecado Original, e a Igreja vai lidando com os pecados pessoais, mas nada disto dá a alguém uma autorização de “portar pedras”, ainda mais quando se trata de lidar com as culpas, sejam elas as próprias, sejam as dos outros.</p><p>Acho que isso deveria incluir também as sessões de “expiação emocional” onde os condutores destas sessões estimulam os sentimentos de culpa para depois induzir o sentimento de ser perdoado. Afinal de contas, não atirar a primeira pedra inclui também não atirá-las com boas intenções, já que a condição que Cristo deu para poder atirá-las foi não ter pecado, mas não disse “quem tiver boas intenções que atire a primeira pedra”; a boa intenção é uma coisa diferente de não ter pecado, e como somos todos pecadores, nem a boa intenção libera qualquer apedrejamento, inclusive os apedrejamentos simbólicos.</p><p>Mas com certeza isto inclui também os manipuladores da culpa alheia, que atiram suas pedras para administrar o alívio de qualquer culpa: talvez acertem em cheio a culpa que apontam nos outros, mas não é porque tem razão que podiam ter apontado, e por isto ninguém deveria se sentir obrigado a nada quando os outros apontam as culpas de alguém. Ninguém se torna santo e imaculado por sofrer um apedrejamento injusto, mas qualquer pecador pode rejeitar qualquer apedrejamento amparado em Cristo, que eliminou qualquer possibilidade de algum apedrejamento ser justo – nem se parece que alguém “pede para apanhar”, ou mesmo que alguém peça com todas as letras, nada disto autoriza fazer o outro sofrer.</p><p>Sentir culpa, ao contrário do que geralmente parece, é bom e é saudável, mas qualquer ação alheia sobre esse sentimento não, pelo menos desde que Cristo, sem ter pecado, desautorizou qualquer apedrejamento antes de ter sido crucificado, e “se adonou” das nossas culpas na Sexta-feira Santa que se comemora hoje.</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@revivaltoday?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Sparks Reliance</a> on <a href="https://unsplash.com/photos/TU8bUiEr25c?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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    <item>
      <title>A noção de “memorial” no Antigo Testamento</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 14 Apr 2022 06:00:45 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d674-a-nocao-de-memorial-no-antigo-testamento.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/apresentacao3.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/apresentacao3.jpg]</a><p>O primeiro a dizer é que <em>zakar (qal)</em>, <em>mimneiskomai</em> (“lembrar/lembrar-se”), na Bíblia, não é mera ação de uma subjetividade que se aferra ao passado. Não é retrospecção histórica ou psicológica.</p><p>Poderia dizer-se que “lembrar” é um verbo performativo, realiza algo, expressa uma ação com consequências para o presente e o futuro e, com isso, uma ação que, desde o passado, irrompe no presente, abrindo futuro. Para tomar um caso profano, não litúrgico, pense-se na “recordação” do copeiro do Faraó em Gn 40,14.23 e 41,9.</p><p>“Lembrar-se” de José é intervir em favor dele. Quando o mesmo verbo aparece no contexto religioso do culto ou da oração, sua dimensão performativa se reforça, pois, quando Deus “se recorda”, atua salvificamente de acordo com suas promessas. Basta considerar que, em 68 ocorrências veterotestamentárias do verbo <em>zakar em qal</em> (um dos modos da conjugação verbal do hebraico), Deus é o sujeito do “lembrar-se” e o objeto é sua ação em prol da humanidade, e quando o sujeito de <em>zakar </em>é o ser humano, 69 vezes o objeto do ponto de vista gramatical é Deus ou sua ação salvífica.</p><p>Essa menção significa que o passado recordado se torna atuante, cheio de eficácia de salvação. Tal perspectiva é comprovada pelo oposto, quando se considera um texto como Sl 34,17 ou 9,7: Deus apaga a lembrança do ímpio. Seu desaparecimento, como se nunca tivesse sido, é atribuído a Deus.</p><p>De onde se deduz que o “recordar-se” de alguém, por parte de Deus, é algo que pertence, por assim dizer, à ordem ontológica, é existir diante de Deus e pela ação de Deus. “O ser humano vive, porque Deus se lembra dele e este tem o dever de louvar a Deus, lembrando suas maravilhas” (EISING, 1977, p.586). Por parte de Deus <em>zakar </em>é uma ação criadora em favor de seu povo (cf. EISING, 1977, p.591). O “lembrar(-se)” é, pois, eficaz, produz efeito.</p><p>Enciclopédia digital Theologica Latinoamericana. <a href="http://teologicalatinoamericana.com/?p=2009">Memorial</a>.</p><p>Imagem original: <a href="https://unsplash.com/@_k_arinn?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Karina Vorozheeva</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Em memória de Cristo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 14 Apr 2022 05:01:51 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d673-em-memoria-de-cristo.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/apresentacao2.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/apresentacao2.jpg]</a><p>«O Senhor Jesus, na noite em que foi entregue» (1 Cor 11, 23), instituiu o sacrifício eucarístico do seu corpo e sangue. As palavras do apóstolo Paulo recordam-nos as circunstâncias dramáticas em que nasceu a Eucaristia.Esta tem indelevelmente inscrito nela o evento da paixão e morte do Senhor. Não é só a sua evocação, mas presença sacramental. É o sacrifício da cruz que se perpetua através dos séculos.(9) Esta verdade está claramente expressa nas palavras com que o povo, no rito latino, responde à proclamação « mistério da fé » feita pelo sacerdote: « Anunciamos, Senhor, a vossa morte ».</p><p>A Igreja recebeu a Eucaristia de Cristo seu Senhor, não como um dom, embora precioso, entre muitos outros, mas como o dom por excelência, porque dom d’Ele mesmo, da sua Pessoa na humanidade sagrada, e também da sua obra de salvação. Esta não fica circunscrita no passado, pois « tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente ».(10)</p><p>Quando a Igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do seu Senhor, este acontecimento central de salvação torna-se realmente presente e « realiza-se também a obra da nossa redenção ».(11) Este sacrifício é tão decisivo para a salvação do género humano que Jesus Cristo realizou-o e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos como se tivéssemos estado presentes. Assim cada fiel pode tomar parte nela, alimentando-se dos seus frutos inexauríveis. Esta é a fé que as gerações cristãs viveram ao longo dos séculos, e que o magistério da Igreja tem continuamente reafirmado com jubilosa gratidão por dom tão inestimável.(12) É esta verdade que desejo recordar mais uma vez, colocando-me convosco, meus queridos irmãos e irmãs, em adoração diante deste Mistério: mistério grande, mistério de misericórdia. Que mais poderia Jesus ter feito por nós?Verdadeiramente, na Eucaristia demonstra-nos um amor levado até ao « extremo » (cf. Jo 13, 1), um amor sem medida.</p><p>Este aspecto de caridade universal do sacramento eucarístico está fundado nas próprias palavras do Salvador. Ao instituí-lo, não Se limitou a dizer « isto é o meu corpo », « isto é o meu sangue », mas acrescenta: « entregue por vós (…) derramado por vós » (Lc 22, 19-20). Não se limitou a afirmar que o que lhes dava a comer e a beber era o seu corpo e o seu sangue, mas exprimiu também o seu valor sacrificial, tornando sacramentalmente presente o seu sacrifício, que algumas horas depois realizaria na cruz pela salvação de todos. « A Missa é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, o memorial sacrificial em que se perpetua o sacrifício da cruz e o banquete sagrado da comunhão do corpo e sangue do Senhor ».(13)</p><p>A Igreja vive continuamente do sacrifício redentor, e tem acesso a ele não só através duma lembrança cheia de fé, mas também com um contacto actual, porque este sacrifício volta a estar presente, perpetuando-se, sacramentalmente, em cada comunidade que o oferece pela mão do ministro consagrado. Deste modo, a Eucaristia aplica aos homens de hoje a reconciliação obtida de uma vez para sempre por Cristo para humanidade de todos os tempos. Com efeito, « o sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício ».(14) Já o afirmava em palavras expressivas S. João Crisóstomo: « Nós oferecemos sempre o mesmo Cordeiro, e não um hoje e amanhã outro, mas sempre o mesmo. Por este motivo, o sacrifício é sempre um só. […] Também agora estamos a oferecer a mesma vítima que então foi oferecida e que jamais se exaurirá ».(15)</p><p>A Missa torna presente o sacrifício da cruz; não é mais um, nem o multiplica.(16) O que se repete é a celebração memorial, a « exposição memorial » (memorialis demonstratio),(17) de modo que o único e definitivo sacrifício redentor de Cristo se actualiza incessantemente no tempo. Portanto, a natureza sacrificial do mistério eucarístico não pode ser entendida como algo isolado, independente da cruz ou com uma referência apenas indirecta ao sacrifício do Calvário.</p><p><a href="https://www.vatican.va/holy_father/special_features/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_20030417_ecclesia_eucharistia_po.html">Ecclesia de eucharistia, 11-12.</a></p><p>Imagem original: <a href="https://unsplash.com/@nate_dumlao?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Nathan Dumlao</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>A importância dos sindicatos na doutrina da Igreja</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 13 Apr 2022 18:57:10 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d672-a-importancia-dos-sindicatos-na-doutrina-da-igreja.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/clem-onojeghuo-doa2duxyzrm-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/clem-onojeghuo-doa2duxyzrm-unsplash.jpg]</a><p>“A doutrina social católica não pensa que os sindicatos sejam somente o reflexo de uma estrutura « de classe » da sociedade, como não pensa que eles sejam o expoente de uma luta de classe, que inevitavelmente governe a vida social. Eles são, sim, um expoente da luta pela justiça social, pelos justos direitos dos homens do trabalho segundo as suas diversas profissões.”</p><p>“Com base em todos estes direitos, juntamente com a necessidade de os garantir por parte dos mesmos trabalhadores, surge ainda um outro direito: o direito de se associar, quer dizer, o direito de formar associações ou uniões, com a finalidade de defender os interesses vitais dos homens empregados nas diferentes profissões. Estas uniões têm o nome de sindicatos. Os interesses vitais dos homens do trabalho são até certo ponto comuns a todos; ao mesmo tempo, porém, cada espécie de trabalho, cada profissão, possui uma sua especificidade, que deveria encontrar nestas organizações de maneira particular o seu reflexo próprio.</p><p>Os sindicatos têm os seus ascendentes, num certo sentido, já nas corporações artesanais da Idade Média, na medida em que tais organizações uniam entre si os homens que pertenciam ao mesmo ofício, isto é, agremiavam-nos em base ao trabalho que eles faziam. No entanto, os sindicatos também diferem dessas corporações neste ponto essencial: os modernos sindicatos cresceram a partir da luta dos trabalhadores, do mundo do trabalho e, sobretudo, dos trabalhadores da indústria, pela tutela dos seus justos direitos, em confronto com os empresários e os proprietários dos meios de produção. Constitui sua tarefa a defesa dos interesses existenciais dos trabalhadores em todos os sectores em que entram em causa os seus direitos. A experiência histórica ensina que as organizações deste tipo são um elemento indispensável da vida social, especialmente nas modernas sociedades industrializadas. Isto, evidentemente, não significa que somente os trabalhadores da indústria possam constituir associações deste género. Os representantes de todas as profissões podem servir-se delas para garantir os seus respectivos direitos. Existem, com efeito, os sindicatos dos agricultores e dos trabalhadores intelectuais; come existem também as organizações dos dadores de trabalho. Todos, como já foi dito acima, se subdividem em grupos e subgrupos segundo as particulares especializações profissionais.</p><p>A doutrina social católica não pensa que os sindicatos sejam somente o reflexo de uma estrutura « de classe » da sociedade, como não pensa que eles sejam o expoente de uma luta de classe, que inevitavelmente governe a vida social. Eles são, sim, um expoente da luta pela justiça social, pelos justos direitos dos homens do trabalho segundo as suas diversas profissões. No entanto, esta « luta » deve ser compreendida como um empenhamento normal das pessoas « em prol » do justo bem: no caso, em prol do bem que corresponde às necessidades e aos méritos dos homens do trabalho, associados segundo as suas profissões; mas não é uma luta « contra » os outros.</p><p>Se ela assume um carácter de oposição aos outros, nas questões controvertidas, isso sucede por se ter em consideração o bem que é a justiça social, e não por se visar a « luta » pela luta, ou então para eliminar o antagonista. O trabalho tem como sua característica, antes de mais nada, unir os homens entre si; e nisto consiste a sua força social: a força para construir uma comunidade. E no fim de contas, nessa comunidade devem unir-se tanto aqueles que trabalham como aqueles que dispõem dos meios de produção ou que dos mesmos são proprietários. A luz desta estrutura fundamental de todo o trabalho — à luz do facto de que, afinal, o « trabalho » e o « capital » são as componentes indispensáveis do processo de produção em todo e qualquer sistema social — a união dos homens para se assegurarem os direitos que lhes cabem, nascida das exigências do trabalho, permanece um factor construtivo de ordem social e de solidariedade, factor do qual não é possível prescindir.</p><p>Os justos esforços para garantir os direitos dos trabalhadores, que se acham unidos pela mesma profissão, devem ter sempre em conta limitações que impõe a situação económica geral do país. As exigências sindicais não podem transformar-se numa espécie de « egoísmo » de grupo ou de classe, embora possam e devam também tender para corrigir — no que respeita ao bem comum da inteira sociedade — tudo aquilo que é defeituoso no sistema de propriedade dos meios de produção, ou no modo de os gerir e de dispor deles. A vida social e económico-social é certamente como um sistema de « vasos comunicantes », e todas e cada uma das actividades sociais, que tenham como finalidade salvaguardar os direitos dos grupos particulares, devem adaptar-se a tal sistema.</p><p>Neste sentido, a actividade dos sindicatos entra indubitavelmente no campo da « política », entendida como uma prudente solicitude pelo bem comum. Ao mesmo tempo, porém, o papel dos sindicatos não é o de « fazer política » no sentido que hoje comummente se vai dando a esta expressão. Os sindicatos não têm o carácter de « partidos políticos » que lutam pelo poder, e também não deveriam nunca estar submetidos às decisões dos partidos políticos, nem manter com eles ligações muito estreitas. Com efeito, se for esta a situação, eles perdem facilmente o contacto com aquilo que é o seu papel específico, que é o de garantirem os justos direitos dos homens do trabalho no quadro do bem comum de toda a sociedade, e, ao contrário, tornam-se um instrumento da luta para outros fins.</p><p>Ao falar da tutela dos justos direitos dos homens do trabalho segundo as suas diversas profissões, é preciso naturalmente ter sempre diante dos olhos aquilo de que depende o carácter subjectivo do trabalho em cada profissão; mas, ao mesmo tempo, ou primeiro que tudo, aquilo que condiciona a dignidade própria do sujeito do trabalho. E aqui apresentam-se múltiplas possibilidades para a acção das organizações sindicais, inclusive também para um seu empenhamento por coisas de carácter instrutivo, educativo e de promoção da auto-educação. A acção das escolas, das chamadas « universidades operárias » e « populares », dos programas e dos cursos de formação, que desenvolveram e continuam ainda a desenvolver actividades neste campo, é uma acção benemérita. Deve sempre desejar-se que, graças à acção dos seus sindicatos, o trabalhador não só possa « ter » mais, mas também e sobretudo possa « ser » mais; o que equivale a dizer, possa realizar mais plenamente a sua humanidade sob todos os aspectos.</p><p>Ao agirem em prol dos justos direitos dos seus membros, os sindicatos lançam mão também do método da « greve », ou seja, da suspensão do trabalho, como de uma espécie de « ultimatum » dirigido aos órgãos competentes e, sobretudo, aos dadores de trabalho. É um modo de proceder que a doutrina social católica reconhece como legítimo, observadas as devidas condições e nos justos limites. Em relação a isto os trabalhadores deveriam ter assegurado o direito à greve, sem terem de sofrer sanções penais pessoais por nela participarem. Admitindo que se trata de um meio legítimo, deve simultaneamente relevar-se que a greve continua a ser, num certo sentido, um meio extremo. Não se pode abusar dele; e não se pode abusar dele especialmente para fazer o jôgo da política. Além disso, não se pode esquecer nunca que, quando se trata de serviços essenciais para a vida da sociedade, estes devem ficar sempre assegurados, inclusive, se isso for necessário, mediante apropriadas medidas legais. O abuso da greve pode conduzir à paralização da vida sócio-económica; ora isto é contrário às exigências do bem comum da sociedade, o qual também corresponde à natureza, entendida rectamente, do mesmo trabalho.”</p><p><a href="https://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_14091981_laborem-exercens.html">Laborem Exercens, 20</a>.</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@clemono?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Clem Onojeghuo</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>A participação no sacrifício da cruz</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 13 Apr 2022 14:50:21 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d671-a-participacao-no-sacrificio-da-cruz.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/13042022.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/13042022.jpg]</a><p>«O cristão encontra na cruz a expressão máxima do amor de Deus e participa desse amor amando o próximo como Cristo nos amou. Na morte na cruz, Deus assume o ser humano em sua finitude e culpa. O Filho encarnado sofre ambas até a morte, a consequência última de uma e outra. Jesus Cristo na cruz as assume como condição de superação.</p><p>O sacrifício da cruz não é um ato de punição de Deus pelos pecados da humanidade exercido em seu Filho sob uma substituição vicária. Também não é um ato sádico do Pai nem masoquista do Filho. Deus não precisa de dor e sangue para salvar. A salvação é completamente gratuita (Rm 5, 1-21). É Deus que se sacrifica para o homem e essa doação incondicional enraíza a possibilidade do sacrifício do homem Jesus e seus seguidores como amor altruísta. Os discípulos de Cristo sacrificam-se por seu próximo com o mesmo amor gratuito com o que são amados. O que agrada o Pai é a vida toda dos cristãos em favor dos outros e a gratidão deles por sua condição de criaturas e pela salvação.</p><p>Os cristãos participam na paixão de Cristo consagrando-se apaixonadamente à vinda do reino e sofrendo as consequências. Cada um pode dizer que vive em e de Cristo crucificado, já que Cristo vive nele. A dor desempenha um papel expiatório quando é expressão de um amor que carrega o pecado do mundo. A dor inexplicável ou injusta de indivíduos e povos crucificados pela miséria e a injustiça, tem um valor salvífico simplesmente por ser sacramento do Jesus inocente, o Servo Sofredor. A mera questão dos pobres pela bondade de Deus, de forma semelhante ao grito de Jesus abandonado na cruz, faz sentido e ninguém pode silenciá-la (Mc 15, 33-34). Além disso, a dor e a sangue dos mártires que, como Jesus, o primeiro mártir, dão a vida por causa da fé e da justiça do reino, caracterizam o seguimento radical de Cristo.</p><p>O seguidor de Jesus teve que descobrir que Cristo morreu “por ele.” Diante da cruz é revelado ao cristão o seu pecado e, ao mesmo tempo, o perdão de Deus. Beijar o crucifixo na Semana Santa é uma expressão do reconhecimento da misericórdia de Cristo por uma pessoa que se sabe amada e conhecida de uma forma única e insuperável. Na experiência deste amor, o cristão conclui que quem justifica é Deus e não suas obras. A práxis messiânica (construtiva) e profética (crítica) dos cristãos é purificada na entrega sacrificada do Filho encarnado.»</p><p>Seguimento de Cristo. <a href="http://teologicalatinoamericana.com/?p=1411">Enciclopédia digital Theologica Latinoamericana</a></p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@mvds?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Mads Schmidt Rasmussen</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>A radiomensagem de João Paulo I</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 12 Apr 2022 08:53:55 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d670-a-radiomensagem-de-joao-paulo-i.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/autumn-goodman-bkhftud8pkc-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/autumn-goodman-bkhftud8pkc-unsplash.jpg]</a><p>Com esta fé, prosseguiremos. A ajuda de Deus não nos faltará, segundo a promessa indefectível: Eu estarei sempre convosco todos os dias, até ao fim do mundo (Mt., 28, 20). A vossa correspondência unânime e a solícita colaboração de todos aliviarão o peso do nosso múnus quotidiano. Iniciamos esta tremenda missão, com a consciência do carácter insubstituível da Igreja Católica, cuja imensa força espiritual é garantia de paz e ordem, e, como tal, está presente no mundo, sendo como tal reconhecida. O eco que a sua vida produz no mundo todos os dias é testemunho de que, apesar de tudo, ela está viva no coração dos homens, mesmo daqueles que não partilham a sua verdade e não aceitam a sua mensagem. Como disse o Concílio Vaticano II, “destinada a estender-se a todas as regiões, a Igreja entra na história dos homens, ao mesmo tempo que transcende os tempos e as fronteiras dos povos. Caminhando através de tribulações, a Igreja é confortada pela força da graça de Deus, que lhe foi prometida pelo Senhor, a fim de que, por causa da fraqueza da carne, não se afaste da perfeita fidelidade, mas permaneça esposa digna do seu Senhor e não cesse de renovar-se sob a luz do Espírito Santo, até que, por meio da Cruz, chegue à luz que não conhece ocaso” (Lumen Gentium, 9). Segundo o plano de Deus, que “convocou todos aqueles que olham com fé para Jesus, autor da salvação e princípio de unidade e de paz”, a Igreja foi constituída por Ele, “a fim de ser para todos e para cada um o sacramento visível desta unidade salvífica” (Ibid).</p><p>A esta luz, pomo-nos inteiramente, com todas as energias físicas e espirituais, ao serviço da missão universal da Igreja, que o mesmo é dizer, ao serviço do mundo, isto é, ao serviço da verdade, da justiça, da paz, da concórdia, da cooperação no interior das nações e entre os povos. Exortamos, antes de tudo, os filhos da Igreja a tomarem consciência sempre mais clara da sua responsabilidade: Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo (Mt., 5, 13 ss). Superando as tensões internas, que aqui e além se puderam criar, vencendo as tentações de identificação com os gostos e costumes do mundo, e bem assim as atracções de um fácil aplauso, unidos no único vínculo do amor que deve informar a vida íntima da Igreja como também as formas externas da sua disciplina, os fiéis devem estar prontos a dar testemunho da própria fé diante do mundo: Sempre prontos a responder, para vossa defesa, a todo aquele que vos pergunte a razão da vossa esperança (1 Ped., 3, 15).</p><p>A Igreja, neste esforço comum de responsabilização e de resposta aos problemas lancinantes do momento, é chamada a dar ao mundo aquele “suplemento de alma” que de tantos lados se invoca como coisa única que pode assegurar a salvação. Isto espera hoje o mundo, que conhece bem a sublime perfeição alcançada com as investigações e com a técnica, atingindo um cume, além do qual só há a vertigem do abismo: a tentação de substituir-se a Deus com a decisão autónoma que prescinde das leis morais e leva o homem moderno ao risco de reduzir a terra a um deserto, a pessoa a um autómato, a convivência humana a uma colectivização planificada, introduzindo não raro a morte lá onde Deus quer a vida.</p><p>A Igreja, cheia de admiração e amorosamente inclinada para as conquistas humanas, pretende, por outro lado, salvaguardar o mundo sedento de vida e de amor — das ameaças que lhe estão sobranceiras; o Evangelho chama todos os seus filhos a porem as próprias forças, e a própria vida, ao serviço dos irmãos, em nome da caridade de Cristo: Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos (Jo., 15, 13). Neste momento solene, queremos consagrar tudo o que somos e aquilo que podemos a este fim supremo, até ao último suspiro, consciente da missão que Cristo nos confiou: Confirma os teus irmãos (Lc., 22, 32).</p><p>No cumprimento da nossa árdua tarefa, ajuda-nos a suavíssima recordação dos nossos Predecessores, cuja amável benignidade e intrépida força nos servirá de exemplo no ministério pontifício: de modo particular, recordamos as grandíssimas lições de governo pastoral deixadas pelos Papas mais próximos no tempo, como Pio XI, Pio XII, João XXIII, que, com a sua sabedoria, dedicação, bondade e amor à Igreja e ao mundo, marcaram uma presença indelével no nosso tempo atormentado e magnífico. Mas é sobretudo para o saudoso Pontífice Paulo VI, nosso imediato Predecessor, que vai o sentimento comovido do Nosso afecto e da Nossa veneração. A sua morte rápida, que deixou o mundo atónito como os gestos proféticos de que constelou o seu inesquecível pontificado, pôs na devida luz a estatura extraordinária daquele grande e humilde homem, ao qual a Igreja deve a irradiação, que, apesar das contradições e hostilidades, conseguiu nestes últimos quinze anos, corno também a obra desmedida, infatigável e sem paragens, por Ele realizada em aplicar o Concílio e em garantir a paz ao mundo — a tranquilidade na ordem.</p><p><a href="https://www.vatican.va/content/john-paul-i/pt/messages/documents/hf_jp-i_mes_urbi-et-orbi_27081978.html">A primeira radiomensagem do Papa João Paulo I</a>.</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@auttgood?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Autumn Goodman</a> on <a href="https://unsplash.com/collections/11907665/sensibility?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Gloriemo-nos também nós na Cruz do Senhor!</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 11 Apr 2022 20:54:09 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d669-gloriemo-nos-tambem-nos-na-cruz-do-senhor.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/godwill-gira-mude-io8b-amcqfm-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/godwill-gira-mude-io8b-amcqfm-unsplash.jpg]</a><p>A Paixão de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é para nós penhor de glória e exemplo de paciência. Haverá alguma coisa que não possam esperar da graça divina os corações dos fiéis, pelos quais o Filho unigênito de Deus, eterno como o Pai, não apenas quis nascer como homem entre os homens, mas quis também morrer pelas mãos dos homens que tinha criado?</p><p>Grandes coisas o Senhor nos promete no futuro! Mas o que ele já fez por nós e agora celebramos é ainda muito maior. Onde estávamos ou quem éramos, quando Cristo morreu por nós pecadores? Quem pode duvidar que ele dará a vida aos seus fiéis, quando já lhes deu até a sua morte? Por que a fraqueza humana ainda hesita em acreditar que um dia os homens viverão em Deus? Muito mais incrível é o que já aconteceu: Deus morreu pelos homens.</p><p>Quem é Cristo senão aquele que no princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus: e a Palavra era Deus? (Jo 1,1). Essa Palavra de Deus se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14). Se não tivesse tomado da nossa natureza a carne mortal, Cristo não teria possibilidade de morrer por nós. Mas deste modo o imortal pôde morrer e dar sua vida aos mortais. Fez-se participante de nossa morte para nos tornar participantes da sua vida. De fato, assim como os homens, pela sua natureza, não tinham possibilidade alguma de alcançar a vida, também ele, pela sua natureza, não tinha possibilidade alguma de sofrer a morte. Por isso entrou, de modo admirável, em comunhão conosco: de nós assumiu a mortalidade, o que lhe possibilitou morrer; e dele recebemos a vida.</p><p>Portanto, de modo algum devemos envergonhar-nos da morte de nosso Deus e Senhor; pelo contrário, nela devemos confiar e gloriar-nos acima de tudo. Pois tomando sobre si a morte que em nós encontrou, garantiu com total fidelidade dar-nos a vida que não podíamos obter por nós mesmos. Se ele tanto nos amou, a ponto de, sem pecado, sofrer por nós pecadores, como não dará o que merecemos por justiça, fruto da sua justificação? Como não dará a recompensa aos justos, ele que é fiel em suas promessas e, sem pecado, suportou o castigo dos pecadores?</p><p>Reconheçamos corajosamente, irmãos, e proclamemos bem alto que Cristo foi crucificado por amor de nós; digamos não com temor, mas com alegria, não com vergonha, mas com santo orgulho.</p><p>O apóstolo Paulo compreendeu bem esse mistério e o proclamou como um título de glória. Ele, que teria muitas coisas grandiosas e divinas para recordar a respeito de Cristo, não disse que se gloriava dessas grandezas admiráveis – por exemplo, que sendo Cristo Deus como o Pai, criou o mundo; e, sendo homem como nós, manifestou o seu domínio sobre o mundo – mas afirmou: Quanto a mim, que eu me glorie somente na cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo (Gl 6,14).</p><p>Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo (Sermo Guelferbytanus 3:PLS 2,545-546) Séc.V</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@gi__ra?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Godwill Gira Mude</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Os conselhos de Padre Cícero</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 10 Apr 2022 08:24:40 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d668-os-conselhos-de-padre-cicero.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/22d668-os-conselhos-de-padre-cicero.png"/><p>Quem matou não mate mas<br/>Quem roubou não roube mais<br/>Romeiro de verdade<br/>Vive na fraternidade</p><p>Jesus cristo no calvário<br/>A Deus Pai se entregou<br/>Vencendo a maldade<br/>Seu amor ele provou</p><p>No exemplo de Maria<br/>Que a todos perdoou<br/>Da morte de seu filho<br/>Ela nunca se vingou</p><p>Combate à injustiça<br/>É um dever do cristão<br/>Não é a violência<br/>Que resolve a questão</p><p>A fraqueza do pequeno<br/>É viver na solidão<br/>Unidos somos forte<br/>No amor e no perdão</p><p>Viver a fraternidade<br/>É como água no sertão<br/>Fecunda a semente<br/>Do amor no coração</p><p>Ai chegar no juazeiro<br/>Tomei a resolução<br/>De seguir os conselhos<br/>Do padrinho Cicero Romão</p><p>Ofereço este bendito<br/>Ao meu padrinho conselheiro<br/>Deu a palavra certa<br/>Pra sair do cativeiro</p><p>Texto encontrado em <a href="https://repositorio.pucrs.br/dspace/handle/10923/8199">Padre Cícero Romão e o catolicismo popular no nordeste brasileiro: paradigma para ação pastoral da atualidade</a>.</p><p>Imagem: <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Padre_C%C3%ADcero_Rom%C3%A3o_Batista_(detalhe).png">Wikimedia</a></p>]]></description>
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      <title>O Coração transpassado de Jesus</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 09 Apr 2022 16:35:23 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d667-o-coracao-transpassado-de-jesus.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/09042022b.png"><img width="600" alt="" src="/midia/22d667-o-coracao-transpassado-de-jesus.png"/></a><p>«Para que uma Teologia do Coração de Jesus responda aos sinais dos tempos não bastam “hábitos de piedade” ou uma linguagem místico-contemplativa, litúrgica ou devocional por mais expressivos que possam ser. É a partir de uma autêntica misericórdia que surge um novo modo de perceber e de deixar-se tocar pelos mais graves problemas e desafios do mundo contemporâneo. Daí deriva uma atenção profética daquelas realidades onde o amor e a dignidade humana são negados.</p><p>Para compreender a Teologia do Coração é preciso olhá-la na perspectiva da libertação e a partir do Coração de Cristo como expressar a sensibilidade ao povo sofredor e ao mesmo tempo ser solidário com este povo oprimido que continuamente sofre e morre na busca por mais dignidade. A compaixão de Jesus não permaneceu somente no nível do afeto, desceu à prática, tornou-se carne na história, vestiu-se de acontecimento.</p><p>Luiz Carlos Susin utilizando o pensamento de Lévinas traduziu do hebraico a palavra “rakhamim” (misericórdia), que provém de “rekhem”, (útero), designando o gemido do ventre materno, a relação do útero e do corpo ao outro. Deus tem em si este gemido materno, a misericórdia, e é a partir de dentro que se dá a conhecer como libertador de um povo que se torna seu povo, gerando e libertando no mesmo gesto de misericórdia. “É maternalmente que se pode sofrer para além do sofrimento próprio, para além da doença e da dor que me reduzem ao meu próprio corpo”.</p><p>Em nossos dias, Deus continua com seu Filho se revelando na cruz das vítimas, na dor dos crucificados de todos os tempos e no sofrimento dos excluídos da religião e da sociedade. A morte de Jesus foi o selo final, coerente com sua vida. Quem, durante a vida se colocar ao lado dos oprimidos e contra os opressores, pagará com a própria vida o preço dessa opção, assim como foi com Jesus.</p><p>Jesus crucificado será sempre Jesus com o coração transpassado. Por isso que, ao mencionar os transpassados de hoje, o texto fará referência aos “povos crucificados” que Jon Sobrino faz referência em seus escritos, referindo-se a uma América Latina sofrida. Hoje em nosso mundo milhões de pessoas estão “crucificadas” – “transpassadas” pela fome e que sobrevivem nas mais diversas formas de desumanidade. Abordarei a situação da fome, da saúde e a realidade dos migrantes a nível mundial e por vezes com acenos para a América Latina. Essas realidades clamam por Misericórdia, por isso, a razão de estarem mencionadas no texto.</p><p>Jon Sobrino, em seus escritos, ao falar de Terceiro Mundo estará se referindo ao sul do Mundo (esta linguagem adotarei no texto) e para ele, não resta dúvida de que não há somente cruzes individuais, mas coletivas, e povos inteiros, por isso, “povo crucificado” e na ótica do<br/>transpassado há povos inteiros “transpassados”.</p><p>A “cruz” para Sobrino não significa somente a pobreza, mas também a morte e morte é o que experimentam os povos do sul do Mundo sofrendo de mil maneiras. É a morte lenta, por causa da pobreza, é morte rápida e violenta por causa das repressões e guerras, é morte indireta, quando os pobres são privados até de suas culturas para serem subjugados, enfraquecidos em sua identidade, tornando-os indefesos. E continua Sobrino, “morrer crucificado não significa simplesmente morrer, mas ser morto pelos poderes que se apossam de continentes em conivência com os poderes locais”.»</p><p>Neusa Falcade. <a href="https://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/5830">Coração de Jesus : história, cultura e teologia em torno de uma devoção religiosa</a>.</p>]]></description>
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      <title>Domingo de Ramos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 09 Apr 2022 15:58:12 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/04/2022</p><p>«La entrada triunfal de Jesús en Jerusalén, la Ciudad Santa expresa la manifestación como Rey y como Mesías. Mateo observa en la presencia del asna atada con su borrico al lado (v. 2) el cumplimiento de la profecía de Zacarías (v. 5). El asno, que fue una antigua montura de príncipes,10​ fue sustituido más adelante, en la época de la monarquía israelita, por el caballo, que representa mejor una manifestación de poder (cfr 1 R 5,6; 10,26-30; etc.). Por eso, la profecía de Zacarías, con el asno, daba el significado de que Jesús venía como un rey de paz que triunfa no con armas ni violencia, sino con humildad y mansedumbre.</p><p>Los Santos Padres han visto en este episodio un simbolismo: el asna madre representaría al judaísmo, sometido al yugo de la Ley, mientras que el borriquillo sería la gentilidad. Jesús introduce a unos y otros en la Iglesia, la nueva Jerusalén. Como a los personajes importantes de hoy se les extiende una alfombra a la entrada de un edificio, los discípulos y la multitud alfombran la entrada de Jesús en su ciudad (vv. 7-8). Y le aclaman como el Salvador: la palabra hebrea Hosanna tuvo en un principio ese sentido, una súplica dirigida a Dios: «¡Sálvanos!». Luego, fue empleada como grito de alegría para aclamar a alguien y es similar a la exclamación más actual de «¡Viva!». La muchedumbre manifiesta su entusiasmo gritando: «¡Viva el Hijo de David!». Se entiende así que la Iglesia haya recogido estas aclamaciones en el prefacio de la Santa Misa, pues con ellas se pregona la realeza de Cristo: «Ha sido costumbre muy general y antigua llamar Rey a Jesucristo, en sentido metafórico, a causa del supremo grado de excelencia que posee y que le encumbra entre todas las cosas creadas.11​</p><p>Así se dice que reina en las inteligencias de los hombres, no tanto por el altísimo y sublime grado de su ciencia, cuanto porque «Él es la Verdad» y porque los hombres necesitan beber de Él, de sus palabras y de sus hechos y recibir obedientemente la verdad. Se dice también que reina en las voluntades de los hombres, no sólo porque en Él la voluntad humana está entera y perfectamente sometida a la santa voluntad divina, sino también porque con sus mociones e inspiraciones influye en nuestra «libre voluntad» y la enciende en nobilísimos propósitos. Finalmente, se dice con verdad que Cristo reina en los corazones de los hombres, porque con su supereminente caridad y con su mansedumbre y benignidad, se hace amar por las almas de manera que jamás nadie —entre todos los nacidos— ha sido ni será nunca tan amado como Cristo Jesús». 12​13​</p><p>Los sinópticos y Juan establecen que Jesús supo que había gente en el área, como Simón el Leproso, así que pudo haber argumentado que la presencia del borrico había sido organizada por los discípulos de Jesús. El evangelio de Juan, no obstante, simplemente dice que Jesús encontró el borrico. Juan y los Sinópticos establecen que Jesús entonces montó al borrico (o en Mateo al borrico y a la burra, madre de este), dentro de Jerusalén. Los sinópticos añaden que los discípulos pudieron poner sus capas en el animal, haciéndolo así más confortable. Los Evangelios describen cómo Jesús entró a Jerusalén y cómo la gente alfombraba su camino y también cómo dejaba a un lado pequeñas ramas de árbol.14​</p><p>La gente también cantaba una parte del Libro de los Salmos, específicamente los versículos 25-26 del capítulo 118. …Bendito es el que viene en el nombre del Señor. Bendito es el enviado del Reino de Nuestro Padre [David]… El lugar de esta entrada no está especificado, pero se supone que tuvo lugar en la Puerta Dorada, desde donde se creía que el Mesías entraría a Jerusalén, otros estudiosos piensan que el lugar fue hacia el sur, pues tenía entrada directa hacia él.»</p><p><a href="https://es.wikipedia.org/wiki/Domingo_de_Ramos#Interpretaci%C3%B3n_y_simbolismo">Wikipedia</a></p><p>Imagem: <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Entry_into_Jerusalem_(Annunciation_Cathedral_in_Moscow).jpg">Wikimedia</a></p>]]></description>
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      <title>Liberdade, um nome transitivo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 09 Apr 2022 09:38:33 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/imagem.jpeg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/clodovisboffmariologiasocialp421.jpeg"><img width="600" alt="" src="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/clodovisboffmariologiasocialp421.jpeg"/></a><p>«Maria mostra, pois, que a liberdade é compromisso com e para os outros. A liberdade se realiza na solidariedade ou não é verdadeira liberdade. </p><p>Sem o respeito do outro, mais, sem a promoção do outro, a liberdade se perde e leva à perdição. </p><p>De resto, é justamente o caráter social da pessoa e, por consequência, de sua liberdade como liberdade-com, que funda a ideia de democracia. Esta nada mais é que a forma institucional da liberdade, vigorando na esfera da política. </p><p>Além disso, pelo fato de a liberdade só se realizar como liberdade-para, a verdadeira democracia é solidariedade, partilha e atenção privilegiada ao pobre. Donde a ideia de democracia ligada à de “socialismo”.»</p><p>(Clodovis Boff.<strong> Mariologia Social</strong>, p. 421)</p><p>Sobre <strong>nomes transitivos</strong>: <a href="https://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/complemento-nominal-sao-como-objetos-dos-nao-verbos.htm">Complemento nominal – São como objetos dos “não verbos”</a></p>]]></description>
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      <title>A nova aliança nas Bodas de Caná</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22d664-a-nova-alianca-nas-bodas-de-cana</guid>
      <pubDate>Thu, 07 Apr 2022 10:06:41 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/04/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/680866808941707264/o-evangelista-jo%C3%A3o-se-de-um-lado-falou-em-m%C3%A3e-de">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
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      <title>A humanidade desfigurada de Cristo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 07 Apr 2022 00:20:48 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d663-a-humanidade-desfigurada-de-cristo.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/06042022b.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/06042022b.jpg]</a><p>«Se dizemos que a Humanidade de Deus nos atingiu em nossa própria humanidade, o que devemos pensar da humanidade quando ela está des-figurada e ferida? O que crer quando a humanidade se desfigura e se desfaz? A tarefa da cristologia é a de afirmar a toda força que a Humanidade de Deus também está agindo, e em primeiro lugar, naqueles em que o rosto humano se desfigurou.</p><p>Porém, o que autoriza afirmar isto? A identificação de Jesus com os pobres. Mateus 25 não pode ter um sentido somente moral. Temos de pensar que esta identificação misteriosa do Filho do Homem com os pobres não é pretexto para justificar a injustiça nem a miséria. Não. Jesus se revela como o pobre entre os pobres, como o pobre mais pobre. A identificação de Jesus pobre e kenótico com os pobres da terra é o descenso de Jesus até o mais fundo, até o mais desfigurado do homem e do humano. Jesus, o Filho do Homem, não vem só para a condição humana realizada, mas vem para encontrar a condição desfigurada do homem, na figura abjeta do humano: os pobres da terra.</p><p>O Verbo encarnado de Deus é tratado de maneira inumana. Paradoxalmente, é na condição maltratada e humilhada que ele manifestou sua verdadeira humanidade. A cruz é lugar da revelação da Humanidade de Deus. O Filho do Homem veio ao encontro do homem e baixou até os abismos de sua desumanização. E desde o fundo das profundidades tenebrosas, a Humanidade de Deus aparece humanizando os pobres e maltra-tados. Não é que Jesus sofra em lugar dos sofredores, não é que Jesus assuma a pobreza e a inumanidade em lugar dos desumanizados e pobres; o sentido profundo da identificação de Deus com eles é que se criou uma espécie de comunidade de sofrimento entre eles e Jesus pobre e humilhado. Por isso se pode dizer com propriedade que eles são re-crucificados com ele, e ele com eles. “Dor com Cristo doloroso, quebranto com Cristo quebrantado” (EE 203). Não é possível conceber esta comunidade de sofrimento entre Jesus pobre e os pobres da terra se não nos inserimos solidariamente, qualquer que seja nossa condição humana, nesta comunidade sui generis, que somente encontra sentido n’Aquele que passou pela morte e que vive para sempre.»</p><p>Manuel Hurtado. <a href="https://www.faje.edu.br/periodicos/index.php/perspectiva/article/view/121">Novas Cristologias: ontem e hoje – algumas tarefas da Cristologia contemporânea</a>.</p><p>Imagem original: <a href="https://unsplash.com/@grantwhitty?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Grant Whitty</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>A verdade que nos liberta</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 06 Apr 2022 23:04:52 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d662-a-verdade-que-nos-liberta.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/06042022.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/06042022.jpg]</a><p>“A Instrução «<em><a href="https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19840806_theology-liberation_po.html">Libertatis Nuntius</a></em>» acerca de alguns aspectos da teologia da libertação anunciava que a Congregação tencionava publicar um segundo documento, que poria em evidência os principais elementos da doutrina cristã acerca da liberdade e da libertação. A presente Instrução responde a esse intento. Entre os dois documentos existe uma relação orgânica. Devem ser lidos um à luz do outro.</p><p>Sobre o tema deles, presente na medula da mensagem evangélica, o Magistério da Igreja tem se manifestado em numerosas ocasiões.2 O atual documento limita-se a indicar os seus principais aspectos <em>teóricos </em>e <em>práticos. </em>Quanto às aplicações que dizem respeito às diversas situações locais, compete às Igrejas particulares, em comunhão entre elas e com a Sé de Pedro, providenciá-las diretamente.</p><p>O tema da liberdade e da libertação tem uma evidente dimensão ecuménica. Com efeito, ele pertence ao património tradicional das Igrejas e comunidades eclesiais. Por isso mesmo o presente documento pode ajudar o testemunho e a ação de todos os discípulos de Cristo, chamados a responder aos grandes desafios do nosso tempo.</p><p>A palavra de Jesus: «A verdade vos libertará» (<em>Jo </em>8, 32) deve iluminar e guiar, neste terreno, todas as reflexões teológicas e todas as decisões pastorais.</p><p>Essa verdade, que vem de Deus, tem o seu centro em Jesus Cristo, Salvador do mundo. D’Ele, que é « o Caminho, a Verdade e a Vida » (<em>Jo </em>14, 6), a Igreja recebe aquilo que ela oferece aos homens. No mistério do Verbo encarnado e redentor do mundo, ela vai buscar a verdade sobre ó Pai e seu amor por nós como a verdade sobre o homem e sobre a sua liberdade.</p><p>Por sua cruz e ressurreição, Cristo realizou a nossa redenção: esta é a liberdade em seu sentido mais forte, já que ela nos libertou do mal mais radical, isto é, do pecado e do poder da morte. Quando a Igreja, instruída por seu Senhor, eleva a sua oração ao Pai: « livrai-nos do mal », ela está suplicando que o mistério da salvação se manifeste, com potência, na nossa existência de cada dia. Ela sabe que a cruz redentora é, verdadeiramente, a fonte da luz e da vida e o centro da história. A caridade que a inflama faz com que proclame a Boa-Nova e, através dos sacramentos, distribua os seus frutos vivificantes. É de Cristo redentor que partem o seu pensamento e a sua ação, quando, diante dos dramas que dilaceram o mundo, ela reflete sobre o significado e os caminhos da libertação e da verdadeira liberdade.</p><p>A verdade, a começar pela verdade sobre a redenção, que está no âmago do mistério da fé, é, pois, a raiz e a regra da liberdade, fundamento e medida de qualquer ação libertadora.”</p><p>Congregação para a Doutrina da Fé. <a href="https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19860322_freedom-liberation_po.html">Libertatis conscientia</a>, 2-3,</p><p>Imagem original: <a href="https://unsplash.com/@jurienh?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">jurien huggins</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>El hombre redimido por Cristo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 05 Apr 2022 18:12:57 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d661-el-hombre-redimido-por-cristo.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/yasser-mutwakil-kj9fdvqp7kc-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/yasser-mutwakil-kj9fdvqp7kc-unsplash.jpg]</a><p>“La excelencia de la «teología de la historia de la salvación», enseñada por el Concilio Vaticano II, aparece también si se consideran los efectos de la redención adquirida por Cristo el Señor. Por su cruz y resurrección, Cristo Redentor da a los hombres la salvación, la gracia, la caridad activa, y abre, de modo más amplio, la participación de la vida divina, simultáneamente «animando, por el mismo hecho, purificando y robusteciendo los deseos generosos con los que la familia humana intenta hacer su propia vida más humana y someter toda la tierra a este fin».</p><p>Cristo comunica estos dones, tareas y derechos a la «naturaleza redimida» y llama a todos los hombres para que por «la fe que obra por la caridad» (Gál 5, 6), se unan a su misterio pascual. En esto hemos conocido la caridad: porque él dio su vida por nosotros, también nosotros debemos dar la vida por los hermanos (1 Jn 3, 16), no cediendo ulteriormente al egoísmo, a la envidia, a la avaricia, a los diversos deseos malos, a la arrogancia de las riquezas, a la concupiscencia de los ojos y a la soberbia de la vida (1 Jn 2, 16). Por otra parte, el apóstol Pablo describe esta muerte al pecado y la vida nueva «en Cristo» de modo que los discípulos del Señor eviten todo engreimiento y afectación (cf. Rom 12, 3), como miembros de la comunión cristiana, honren las vocaciones y los «dones» según la justa diferencia de las personas (Rom 12, 4-8), «amándose mutuamente con caridad fraterna, adelantándose en darse mutuamente el honor» (Rom 12, 10), «teniendo los mismos sentimientos unos para con otros, no fomentando sentimientos de altivez, sino allanándose a los humildes,… no devolviendo a nadie el mal por el mal, procurando lo bueno no sólo delante de Dios, sino también delante de todos los hombres» (Rom 12, 16-17; cf. Rom 6, 1-14; 12, 3-8).</p><p>La doctrina, los ejemplos, también el misterio pascual de Jesús confirman que los esfuerzos de los hombres con los que procuran construir un mundo más conforme con la dignidad del hombre, son justos y rectos. Critican las deformaciones de estos esfuerzos cuando o piensan utópicamente de su éxito terreno o emplean medios contrarios al evangelio. Superan estos esfuerzos cuando se proponen con luz meramente humana, en cuanto que el evangelio ofrece un nuevo fundamento religioso específicamente cristiano a la dignidad y derechos humanos, y abre unas perspectivas nuevas y más amplias a los hombres como verdaderos hijos adoptivos de Dios y hermanos en Cristo paciente y resucitado.</p><p>Cristo estuvo y está presente a toda la historia humana. «En el principio existía el Verbo,… todas las cosas han sido hechas por él» (Jn 1, 1-3). «Es la imagen de Dios invisible, primogénito de toda creatura, porque en él han sido hechas todas las cosas en el cielo y en la tierra» (Col 1, 15-16; cf. 1 Cor 8, 6; Heb 1, 1-4). En su encarnación confirió a la naturaleza humana la máxima dignidad. Así el Hijo de Dios, en cierto modo, se une a todo hombre. Por su vida terrestre participó de la condición humana en todos sus aspectos, a excepción del pecado. En su pasión, por sus dolores humanos corporales y espirituales, fue partícipe de nuestra naturaleza con todos nosotros. Su paso de la muerte a la resurrección es también un nuevo beneficio que ha de ser comunicado a todos los hombres. En Cristo muerto y resucitado se encuentran las primicias del hombre nuevo, transformable y transformado en una condición mejor.</p><p>Así, con el corazón y con su obrar, todo cristiano debe conformarse a las exigencias de la vida nueva y obrar según la «dignidad cristiana». Estará especialmente dispuesto a respetar los derechos de todos (Rom 13, 8-10). Según la ley de Cristo (Gál 6, 2) y el mandamiento nuevo de la caridad (cf. Jn 13, 34) no tendrá cuidado por sus cosas propias ni buscará lo suyo (cf. 1 Cor 13, 5).</p><p>Usando de las cosas terrestres debe cooperar a la revelación de la creación, liberándola de la servidumbre de la corrupción del pecado (cf. Rom 8, 19-25) para que sirva a la justicia con respecto a todos por «los bienes de la dignidad humana, de la comunión fraterna y de la libertad». De esta manera, como en nuestra vida mortal hemos llevado, por el pecado, la imagen del Adán terreno, debemos, ya ahora, por la vida nueva, llevar la imagen del Adán celeste (cf. 1 Cor 15, 49), el cual constantemente «pro-existe» para el bien de todos los hombres.”</p><p>Comissão Teológica Internacional. <a href="https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/cti_documents/rc_cti_1983_dignita-diritti_sp.html">Dignidade e direitos da pessoa humana</a>, 2.2.3.</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@yasser_mutwakil?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Yasser Mutwakil</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Os preceitos da lei natural</title>
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      <pubDate>Tue, 05 Apr 2022 16:42:35 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d660-os-preceitos-da-lei-natural.jpg"/><p>«Nós identificamos, na pessoa humana, uma primeira inclinação, que ela compartilha com todos os seres: a inclinação para conservar e desenvolver sua existência. Há, habitualmente, entre os seres vivos, uma reação espontânea em face da ameaça iminente de morte: fuga, defesa da integridade da própria existência, luta para sobreviver. A vida física aparece, naturalmente, como um bem fundamental, essencial, primordial: daí brota o preceito de proteger a própria vida. Sob esse enunciado de conservação da vida se perfilam as inclinações para tudo o que contribui, de uma forma própria ao homem, à manutenção e à qualidade da vida biológica: integridade do corpo; uso dos bens exteriores, que garantam a subsistência e integridade da vida, tal como a nutrição, a vestimenta, a moradia, o trabalho; a qualidade do ambiente biológico… A partir dessas inclinações, o ser humano se propõe fins a realizar, que contribuem ao desenvolvimento harmonioso e responsável do próprio ser e que, portanto, lhe aparecem como bens morais, valores a buscar, obrigações a cumprir e direitos a fazer valer. Com efeito, o dever de preservar a sua própria vida tem como correlativo o direito de exigir o que é necessário à sua conservação em um ambiente favorável.</p><p>A segunda inclinação, que é comum a todos os seres vivos, concerne à sobrevivência da espécie, que se realiza pela procriação. A geração se inscreve no prolongamento da tendência de perpetuar o ser. Se a perpetuação da existência biológica é impossível ao próprio indivíduo, ela é possível à espécie, e, assim, em certa medida, se encontra vencido o limite inerente a todo ser físico. O bem da espécie aparece, então, como uma das aspirações fundamentais presentes na pessoa. Particularmente, em nossos dias tomamos consciência quando certas perspectivas, como o aquecimento climático, avivam nosso senso de responsabilidade para com o planeta como tal e da espécie humana em particular. Essa abertura a um certo bem comum da espécie anuncia já algumas aspirações próprias ao homem. O dinamismo para com a criação está intrinsecamente ligado à inclinação natural, que leva o homem para a mulher e a mulher para o homem, dado universal reconhecido em todas as sociedades. O mesmo vale para a inclinação de cuidar dos filhos e de educá-los. Essas inclinações implicam que a permanência do casal de homem e mulher, e até mesmo sua fidelidade mútua, já sejam valores a buscar, mesmo se eles só possam se manifestar plenamente na ordem espiritual da comunhão interpessoal.</p><p>O terceiro conjunto de inclinações é específico ao ser humano como ser espiritual, dotado de razão, capaz de conhecer a verdade, de entrar em diálogo com os outros e de estabelecer relações de amizade. Assim, deve-se reconhecer sua particular importância. A inclinação a viver em sociedade deriva, primeiramente, do fato de que o ser humano tem necessidade dos outros para superar seus limites individuais intrínsecos e atingir sua maturidade nos diferentes âmbitos de sua existência. Mas, para manifestar plenamente sua natureza espiritual, ele tem necessidade de estabelecer relações de amizade generosa com seus semelhantes e de desenvolver uma cooperação intensa na busca da verdade. Seu bem integral está, assim, intimamente ligado à vida em comunidade, que existe em virtude de uma inclinação natural e não por uma simples convenção, e que o faz se organizar em sociedade política [54] . O caráter relacional da pessoa se exprime também pela tendência de viver em comunhão com Deus ou o Absoluto. Isso se manifesta no sentimento religioso e no desejo de conhecer a Deus. Certamente, ela pode ser negada por aqueles que se refutam admitir a existência de um Deus pessoal, mas que permanece mais ou menos implícita na busca da verdade e do sentido que habita em todo ser humano.</p><p>A essa tendência específica do homem corresponde a exigência percebida pela razão de realizar concretamente esta via de relações e de construir a vida em sociedade em bases justas, que correspondam ao direito natural. Isto implica o reconhecimento da igualdade fundamental de todo indivíduo da espécie humana, além das diferenças de raça e de cultura, e um grande respeito pela humanidade lá onde ela se encontre, e inclusive do menor e do mais desprezado de seus membros. “Não faças para o outro o que não queres que te façam”. Nós reencontramos aqui a regra de outro, que hoje é posta como princípio próprio de uma moral de reciprocidade. O primeiro capítulo permitiu-nos reportar à presença dessa regra na maior parte das sabedorias, assim como no próprio Evangelho. É em referência a uma formulação negativa desta regra de ouro que são Jerônimo manifestava a universalidade de vários preceitos morais. “É justo o julgamento de Deus que escreve no coração do gênero humano: ‘Aquilo que não queres que te façam, não faças aos outros’. Quem não sabe que o homicídio, o adultério, os furtos e toda espécie de cobiça são o mal, e, por isso, que não queremos que sejam feitos a nós mesmos? Se não soubéssemos que estas coisas são más, jamais nos lamentaríamos quando elas nos fossem infligidas”. A regra de ouro une vários mandamentos do Decálogo, assim como numerosos preceitos budistas, até regras do confucionismo, ou ainda a maior parte das orientações das grandes Cartas que indicam os direitos das pessoas.</p><p>Ao final desta rápida explicitação dos princípios morais, que derivam da tomada de consciência pela razão das inclinações fundamentais da pessoa humana, estamos na presença de um conjunto de preceitos e valores que, ao menos em sua formulação geral, podem ser considerados universais, porque se aplicam a toda a humanidade. Eles se revestem, também, de um caráter de imutabilidade, na medida em que decorrem de uma natureza humana cujos componentes essenciais permanecem idênticos ao longo de toda a história. Todavia, pode acontecer que estejam obscurecidos ou mesmo apagados no coração humano em razão do pecado e dos condicionamentos culturais e históricos que podem influenciar negativamente a vida moral pessoal: ideologias e propagandas insidiosas, relativismo generalizado, estruturas de pecado … É necessário, portanto, ser modesto e prudente quando se invoca a “evidência” dos preceitos da lei natural. Mas é correto reconhecer nestes preceitos o fundo comum sobre o qual se pode apoiar um diálogo em vista de uma ética universal. Os protagonistas deste diálogo devem, no entanto, aprender a abstrair-se de seus interesses particulares para se abrir às necessidades dos outros e se deixar interpelar pelos valores morais comuns. Em uma sociedade pluralista, na qual é difícil se entender sobre os fundamentos filosóficos, tal diálogo é absolutamente necessário. A doutrina da lei natural pode trazer sua contribuição a tal diálogo.</p><p>É impossível permanecer no nível de generalidade, que é aquele dos princípios primeiros da lei natural. A reflexão moral, com efeito, tem necessidade de descer ao concreto da ação para aí lançar sua luz. Mas quanto mais ela enfrenta situações concretas e contingentes, tanto mais suas conclusões são afetadas por uma nota de variabilidade e de incerteza. Não é surpreendente, pois, que a aplicação concreta dos preceitos da lei natural possa tomar formas diferentes nas diversas culturas ou mesmo em épocas diferentes dentro de uma mesma cultura. Basta invocar a evolução da reflexão moral sobre questões como a escravatura, empréstimo a juros, duelo ou pena de morte. Às vezes, essa evolução conduz a uma compreensão melhor da interpelação moral. Às vezes, também, a evolução da situação política ou econômica traz uma reavaliação das normas particulares que foram estabelecidas anteriormente. De fato, a moral se ocupa de realidades contingentes que evoluem no tempo. Se bem que tenha vivido em uma época de cristandade, um teólogo como santo Tomás de Aquino, tinha uma percepção muito nítida. “A razão prática, escreve ele na Suma Teológica, se ocupa de realidades contingentes, nas quais se exercem as ações humanas. É por isto que, embora nos princípios gerais haja alguma necessidade, quanto mais se afronta as coisas particulares tanto mais há indeterminação (…). No campo da ação, a verdade ou a retidão prática não é a mesma para todos nas aplicações particulares, mas unicamente nos princípios gerais; e para aqueles que a retidão é idêntica em suas próprias ações, ela não é igualmente conhecida por todos. (…) E aqui, quanto mais se desce no particular, mais a indeterminação aumenta”.»</p><p>Comissão Teológica Internacional. <a href="https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/cti_documents/rc_con_cfaith_doc_20090520_legge-naturale_po.html">Em busca de uma ética universal: novo olhar sobre a lei natural</a>, 48-53.</p><p>Imagem: <a href="https://thecyberneticprincess.tumblr.com/post/680643357425418240">The Cybernetic Princess</a></p>]]></description>
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      <title>Culpas e sombras</title>
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      <pubDate>Tue, 05 Apr 2022 05:01:01 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d659-culpas-e-sombras.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/ylona-maria-rybka-muy1mbtelca-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/ylona-maria-rybka-muy1mbtelca-unsplash.jpg]</a><p>«”A época actual, a par de muitas luzes, apresenta também muitas sombras.” (TMA 36) Entre estas, pode-se assinalar em primeiro plano o fenómeno da negação de Deus nas suas múltiplas formas. O que fere particularmente é ser esta negação, em especial nos seus aspectos mais teóricos, um processo surgido no mundo ocidental. Relacionado com o eclipse de Deus encontra-se, em seguida, uma série de fenómenos negativos, como a indiferença religiosa, a difusa ausência do sentido transcendente da vida humana, um clima de secularismo e relativismo ético, a negação do direito à vida da criança não nascida, que chega a ser sancionado nas legislações em favor do aborto, e uma grande indiferença perante o grito dos pobres em vastos sectores da família humana.</p><p>A inquietante questão que se coloca é em que medida os crentes serão eles mesmos responsáveis por estas formas de ateísmo, teórico e prático. A Gaudium et spes responde com palavras cuidadosamente escolhidas: “Os próprios crentes, muitas vezes, têm responsabilidade neste ponto. Com efeito, o ateísmo considerado no seu conjunto não é um fenómeno originário, antes resulta de várias causas, entre as quais se conta também a reacção crítica contra as religiões e, nalguns países, principalmente contra a religião cristã. Pelo que os crentes podem ter tido parte não pequena na génese deste ateísmo.” (19)</p><p>A partir do momento em que o rosto autêntico de Deus foi revelado em Jesus Cristo, aos cristãos é oferecida a graça incomensurável de conhecer este Rosto: mas têm, igualmente, a responsabilidade de viverem de modo a manifestar aos outros o verdadeiro Rosto do Deus vivo. São chamados a difundir no mundo a verdade que “Deus é amor (ágape)” (1Jo 4,8.16). Porque Deus é amor, Ele é Trindade de Pessoas, cuja vida consiste na recíproca comunicação infinita no amor. Deste modo se conseguirá que a vida melhore, pois os cristãos difundem que a verdade do Deus amor é o amor recíproco: “Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.” (Jo 13,35) E isto até ao ponto de se poder dizer que muitas vezes os cristãos “pela negligência na educação da sua fé, ou por exposições falaciosas da doutrina, ou ainda pelas deficiências da sua vida religiosa, moral e social, antes esconderam do que revelaram o autêntico rosto de Deus e da religião” (GS 19).</p><p>Sublinhe-se, por fim, que mencionar estas culpas dos cristãos do passado não é apenas confessá-las a Cristo Salvador, mas também louvar o Senhor da história pelo Seu amor misericordioso. Os cristãos, de facto, não crêem apenas na existência do pecado, mas também e sobretudo no “perdão dos pecados”. Além disso, mencionar estas culpas quer dizer também afirmar a nossa solidariedade com aqueles que no bem e no mal nos precederam na via da verdade, oferecer no presente um forte motivo de conversão às exigências do Evangelho, e proporcionar o necessário prelúdio ao pedido de perdão a Deus que abre caminho à recíproca reconciliação.»</p><p><a href="https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/cti_documents/rc_con_cfaith_doc_20000307_memory-reconc-itc_po.html">Memória e reconciliação: a Igreja e as culpas do passado</a>, 5.5</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@yloryb?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Ýlona María Rybka</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Monoteísmo e violência: um nexo necessário?</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 05 Apr 2022 03:48:25 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d658-monoteismo-e-violencia-um-nexo-necessario.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/ivan-vranic-j9-2liz2_rc-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/ivan-vranic-j9-2liz2_rc-unsplash.jpg]</a><p>«O núcleo da fé religiosa, através dos mitos e dos ritos, das crenças e das devoções, dá testemunho da experiência misteriosa de Deus e interpela na profundidade todos os seres humanos. Deus é princípio e fim de todas as coisas. E nada é como Deus. O “monoteísmo” foi assim, durante muito tempo, também reconhecido, sob o ponto de vista da história da civilização, como a forma culturalmente mais evoluída da religião: a saber, o modo de pensar o divino mais congruente com os princípios da razão. A unicidade de Deus, acessível à filosofia, foi identificada como princípio da razão natural, que precede as tradições históricas das religiões. O pensamento puramente racional da unicidade de Deus, como ponto de convergência da razão e das religiões, servira justamente para regulamentar cultural e civilmente os conflitos confessionais e inter-religiosos da modernidade. Todavia é verdade que, no decurso da história e da própria modernidade ocidental, essa configuração da religião, que as filosofias e as ciências da cultura concordaram, em seguida, em chamar “monoteísmo judeo-cristão”, foi utilizada ideologicamente, na perspectiva de um directo paralelismo teológico-político para justificar a forma monárquica do poder soberano.</p><p>De qualquer modo, é indubitável que esse pensamento filosófico de Deus desenvolveu, entretanto, uma imagem – filosófica e política – do monoteísmo amplamente autónoma em face da autêntica revelação cristã, que tende para o deísmo, em parte atenuando, entre os próprios crentes, a originalidade da revelação cristã; em parte, desenvolvendo uma ideia do absoluto divino em tensão, se não em conflito aberto, com a interpretação coerente da fé. A cultura ocidental contemporânea, em reacção a um certo predomínio da unidade do ser e do verdadeiro, que caracterizou a maior parte das concepções filosóficas e políticas da própria modernidade, tende agora a privilegiar a pluralidade do bem e do justo: gerando uma significativa tensão entre o reconhecimento do pluralismo e a teorização de um princípio relativista. Sem mais, a consciência e o respeito das diferenças representa uma vantagem para a valorização das singularidades e para a abertura a um estilo hospitaleiro da convivência humana. Ao mesmo tempo, a evolução desta abertura deixa emergir também a sua contradição, ou seja, a incomunicabilidade dos mundos humanos, que assim são induzidos à desconfiança – se não à indiferença – perante o empenho em buscar o que é comum à dignidade do homem. A resignação ao relativismo radical como horizonte último e insuperável da demanda do verdadeiro, do justo, do bem, não constitui de facto uma melhor garantia para a satisfação e a cooperação da convivência humana. Ele transforma-se, de facto, inevitavelmente num motivo de justificação para a indiferença e a desconfiança recíproca acerca de qualquer tema da vida e de qualquer responsabilidade da política. Quando a busca da verdadeira justiça e o empenhamento pelo bem comum caiem sob a suspeita do conformismo e da constrição, a autêntica paixão pela igualdade, pela liberdade e pelos liames bons, acaba por ser radicalmente desencorajada. Não só. Semelhante perda de confiança e de motivações, provocada por um sentir relativista total, abandona as relações humanas a uma gestão anónima e burocrática da convivência civil. E não por acaso, uma parte conspícua da crítica social assinala hoje, juntamente com o crescimento de uma imagem pluralista da sociedade, a afirmação de um desígnio totalitário do pensamento único.</p><p>Na trilha deste paradoxo, o ideal – a própria ideia – da verdade é objecto de uma radical denúncia. A ideia de que a busca da verdade, além de necessária para o bem comum, possa ser pensada como empreendimento comum, partilhado pacificamente e atestado de forma respeitosa, é tida por ilusória e não realista. A verdade, nesta perspectiva, não surge pensada como princípio de dignidade e de união entre os homens, que os subtrai ao arbítrio e à perversão dos seus fechamentos egoístas, indiferentes à justiça do humano que é de todos. Pelo contrário, ela é, por vezes, explicitamente indicada como uma ameaça radical para a autonomia do sujeito e para a abertura da liberdade, sobretudo porque a pretensão de uma verdade objectiva e universal, de referência para todos, se bem que acessível ao espírito humano, é imediatamente associada a uma pretensão de posse exclusiva por parte de um sujeito ou grupo humano. Ela levaria assim à justificação do domínio do homem que reivindica a sua posse sobre o homem que, de acordo com essa pretensão, dela está privado. Em virtude desta representação da verdade, que a considera inseparável da vontade de poder, também o empenhamento na sua demanda e a paixão do seu testemunho são vistos a priori como matrizes de conflito e de violência entre os homens. Em semelhante enquadramento, a preocupante retomada do que chamamos comummente – e também de modo muito genérico – “fundamentalismos religiosos” é aceite como prova evidente e definitiva desta relação.</p><p>O colapso do panorama moderno é inesperado: o monoteísmo é, agora, arcaico e despótico, e o politeísmo criativo e tolerante. De qualquer forma, a classificação sumária do judaísmo, do cristianismo e do islamismo como as três grandes “religiões monoteístas”, pretende indicar assim a razão do perigo que elas representam para a estabilidade e o progresso humanista da “sociedade civil”. Mas não podemos passar em silêncio o facto de que, em certas partes intelectualmente relevantes da nossa cultura ocidental, a agressividade com que é reproposto este “teorema”, se concentra sobretudo na denúncia radical do cristianismo, ou seja, justamente da religião que, naquela fase histórica, surge realmente como protagonista da instância de um diálogo de paz, e para a paz, com as grandes tradições da religião e com as culturas laicas do humanismo. O facto de assim serem descaradamente associados a uma representação da fé no Deus Único como “semente da violência” fere, sem dúvida, milhões de autênticos crentes. E não apenas cristãos. Nos discípulos do Senhor induz certamente elementos de desconcerto e de embaraço, devido ao facto de a hodierna consciência cristã lhes aparecer muito afastada da pregação da violência. Podemos, por isso, compreender o espanto dos cristãos ao verem ser-lhes atribuída uma vocação religiosa à violência perante os fiéis de outras religiões ou também os propagandistas da crítica à religião: sobretudo se considerarmos que, em muitas partes do mundo, os cristãos são maltratados com a intimidação e a violência só por causa da sua pertença à comunidade cristã. Nas próprias sociedades democráticas e laicas, o vínculo com a pertença cristã foi, muitas vezes, apontado como uma ameaça para a paz social e para o livre confronto cultural, mesmo quando as argumentações apresentadas, em apoio de opiniões que concernem à esfera pública, apelam para recursos da racionalidade comum.</p><p>Não pode, decerto, negar-se o reacendimento, à escala mundial, do preocupante fenómeno da “violência religiosa”, não desprovido de significativas conexões com políticas de subversão étnica e de estratégia terrorista. Nem podemos ignorar, ao considerar a própria história do cristianismo, o desvairo e o desconcerto das nossas culposas e repetidas passagens pela violência religiosa. Como se introduz, na fé em Deus, a semente da violência? E como se perverte a bênção do reconhecimento do Deus único na maldição que arroja para o caminho da violência “em nome de Deus”? A nossa reflexão pretende essencialmente oferecer elementos de compreensão da qualidade cristã do monoteísmo, em vista de uma explícita acentuação do seu nexo intrínseco com o mistério da intimidade trinitária de Deus, revelado na incarnação do Filho de Deus feito homem. A conversão do nosso espírito e da nossa mente à melhor transparência da fé deve suscitar o generoso impulso do testemunho da singularidade desta fé: que a conjuntura histórica exige com especial urgência. Ao mesmo tempo, com as nossas reflexões, propomo-nos explicitar para todos “a razão da esperança que existe em nós” (1 Pd 3, 15), mediante o mais claro discernimento do apoio que a fé cristã torna disponível para a reconversão da razão ocidental ao espírito de um humanismo melhor.»</p><p><a href="https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/cti_documents/rc_cti_20140117_monoteismo-cristiano_po.html">Deus Trindade, unidade dos homens</a>, 3-7</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@hvranic?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Ivan Vranić</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>O trabalho é uma benção de Deus que o capitalismo transforma em maldição</title>
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      <pubDate>Mon, 04 Apr 2022 09:54:46 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>04/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d657-o-trabalho-e-uma-bencao-de-deus-que-o-capitalismo-transforma-em-maldicao.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/04042022.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/04042022.jpg]</a><p>«O trabalho é uma realidade humana de fundamental valor. Expressa a condição histórica do ser humano enquanto criador de cultura. Pensar o ser humano implica reconhecê-lo na sua condi ção de quem interfere na natureza transformando-a em cultura. A teologia da criação sem querer se tornar uma teologia do trabalho indica que o ser humano recebe de Deus as obras criadas e é chamado a unir-se à ação criadora divina mediante o trabalho. Antes de o pecado macular o sentido original do trabalho, o Criador já dera ao homem as ordens de cuidado do Jardim (Gn 2,15). A administração do mundo confiada ao ser humano é uma indicação desse desejo divino de que aquele que foi criado à sua imagem e semelhança expresse uma dimensão dessa imagem pela continuidade da própria obra criadora. Ainda assim, afirma-se que “o trabalho é um valor da vida humana, mas não é o único nem o supremo valor. O ser humano é chamado a trabalhar porque é criado à imagem do Deus criador, mas o trabalho não esgota o significado da vida humana nem o sentido da história da humanidade.”</p><p>A referência ao descanso do Criador – “Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, pois nele descansou depois de toda a obra da criação” (Gn 2,3) – sinaliza a limitação do próprio trabalho, ou seja, aponta o sentido do trabalho para além de si mesmo, como outrora afirmado. Parece indicar que o ser humano, que pode muito pelo trabalho, não pode tudo. O descanso mostra-nos como as forças humanas são finitas e como o trabalho tem seus limites. No mundo contemporâneo, organizado ao redor do trabalho, a expressão dopecado se manifesta pelas variadas formas de escravidão, trabalho forçado, desemprego, subemprego, salários insuficientes e defasados. É de suma importância garantir para o ser humano – homem e mulher – a experiência do trabalho como co-criação. Assim, como co-criador, o ser humano tem mais chances de tocar o sentido da transcendência do próprio trabalho e este haveria de ser expressão de cuidado pela vida.</p><p>As necessidades fundamentais do ser humano como alimentação, vestuário, moradia não deveriam ser os primeiros frutos do trabalho? Toda atividade no horizonte do trabalho deveria nos comprometer mais com a defesa da vida e lembrar-nos que “os direitos dos trabalhadores, como todos os demais direitos, se baseiam na natureza da pessoa humana e na sua dignidade transcendente”.»</p><p>João Justino de Medeiros Silva. <a href="https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/colecao.php?strSecao=resultado&amp;nrSeq=17725@1">Indicações para uma espiritualidade do cuidado à luz da teologia da criação</a>.</p><p>Imagem original: <a href="https://unsplash.com/@bruno_nascimento?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Bruno Nascimento</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Violência e desumanização</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 03 Apr 2022 20:59:51 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/04/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22d656-violencia-e-desumanizacao.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/03042022.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/04/03042022.jpg]</a><p>A riqueza do vocabulário hebraico ao trazer à luz as múltiplas possibilidades de vítimas e as ações violentas que recaíam sobre elas impressiona. São pessoas e/ou grupos de pessoas destinados à periferia da vida. A existências deles é eclipsada por aqueles que possuindo poder, criam periferias e, para lá, exilam todas as vítimas. Vítimas da violência que se apresentam como seres “sobrantes” e que não possuem mais lugar na sociedade. Na periferia, tomados pela dor da violência imposta, elas clamam.</p><p>Por isso a literatura bíblica não pode ser reduzida à violência. Na literatura profética, por exemplo, encontramos visões da sociedade sem as marcas da injustiça. Pois não haverá mais tirano, e aquele que zombava de todos desaparecerá. E todos os que tramam o mal serão eliminados: os que acusam alguém no processo, os que no tribunal fazem armadilha para o juiz e, por um nada, reprimem o justo (Is 29.20-21). Jeremias elogia o rei Josias porque ele fezjustiça e direito e julgou a causa dos pobres e necessitados (Jr 22.15-16). Em vez de explorar o pobre, Josias usou seu poder para protegê-los de serem explorados por outras pessoas poderosas. A noção do rei justo se torna uma visão do futuro em Is 11.1-9: com justiça ele julgará os pobres – significando que ele lhes dará seus direitos quando eles apelarem a ele. Toda essa ganância implacável terá um fim: porque a terra estará cheia do conhecimento do Senhor. Pois conhecer a Deus é fazer justiça e dar aos pobres seus direitos (Jr 22.16).</p><p>E, mais tarde, encontraremos Jesus frequentemente criticando as injustiças perpetradas contra os pobres pela elite rica preocupada com sua própria segurança e desejo de lucro. Ele repreende aqueles que exploram os recursos das viúvas (Mc 12.38-40; Lc 3.10-14; Is 10.1-2; Zc 7.10; Ml 3.5) e condena os líderes religiosos que roubam o povo (Mc 11.15-17; cf. Jr 7.8-11). Da mesma forma, ele expressa indignação com aqueles que ignoram suas obrigações com aqueles que precisam (Mc 3.1-6; 7.9-13; Lc 11.37-42; 14.1-6; cf. Lc 16.4,19-31). Na mesma tradição dos profetas, ele critica tanto aqueles que estão ansiosos demais com suas riquezas (Mc 4.18-19; Mt 6.24,27,33) como aqueles que con fiam demais em sua segurança financeira (Lc 6.24; 12.13-21). Em uma das parábolas de Jesus, o homem rico vai para o inferno por ignorar o pobre mendigo em seu portão (Lc 16.19-31). Ele não escutou a Moisés e aos profetas (Lc 16.31). E as palavras de Tiago contra os ricos poderiam ter saído diretamente dos profetas (Tg 5.1-6).</p><p>A conclusão parece óbvia, ou seja, o Antigo Testamento – assim como o Novo Testamento – condena absolutamente a violência (cf. Sl 11.5; Is 53.9b; Pv 3.31).</p><p>Luiz Alexandre Solano Rossi. <a href="http://periodicos.est.edu.br/index.php/estudos_teologicos/article/view/3594">Catálogo de violência e a desumanização dos pobres do Antigo Testamento</a>.</p><p>Imagem origianl: <a href="https://unsplash.com/@mrsunburnt?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Xu Haiwei</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>O papel da identidade social nas relações intergrupais</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 31 Mar 2022 22:17:55 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>31/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c655-o-papel-da-identidade-social-nas-relacoes-intergrupais.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/03/barbara-zandoval-pgbxzdhzy-e-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/03/barbara-zandoval-pgbxzdhzy-e-unsplash.jpg]</a><p>«Apesar de ser um tema amplamente discutido pela filosofia, sociologia e antropologia, do ponto de vista da psicologia social, as relações intergrupais fazem parte de sua agenda há um tempo relativamente recente (Costa, 2009). Um dos primeiros trabalhos a analisar as relações intergrupais e sua ligação com processos de discriminação social foi desenvolvido por Kurt Lewin (1997/1941), tendo contribuído substancialmente para a formulação posterior da teoria da identidade social. Este autor discute questões teóricas sobre discriminação social por meio da observação e análise dos acontecimentos sociais e movimentos sociais da década de 30, na Europa e nos EUA, especificamente, sobre questões referentes ao antissemitismo, luta das mulheres e dos negros pelo direito ao voto (Lewin, 1997/1941). O interesse de Lewin estava nas práticas de socialização e nas dinâmicas inter e intragrupais utilizadas pelos membros de grupos desprivilegiados face o cenário de discriminação do qual eram alvo. Suas contribuições foram utilizadas por Tajfel (1979), permitindo o desenvolvimento de teorizações mais sistemáticas sobre as relações intergrupais. De modo geral, Lewin dá ênfase ao caráter social do antissemitismo, situando-o em forças externas ao grupo discriminado e independente do comportamento ou características de seus membros. Acrescenta ainda que os pensamentos negativos relativos ao grupo de pertença dão origem a estratégias de adaptação ao grupo dominante e também ao grupo dominado. No entanto, esse processo de adaptação, segundo essa perspectiva, não se traduz em uma mudança efetiva no sistema social, visto que o grupo dominado, normalmente, assimila os valores do grupo dominante, como é o caso das análises em relação ao antissemitismo. Nessa perspectiva, o grupo dominado seria uma entidade subjetivamente formulada, capaz de integrar seus membros a partir de um destino comum, o que por consequência retira dos seus membros a distintividade individual (Cabecinhas, 2002a).</p><p>Allport (1962) apresenta em sua análise sobre o preconceito, a noção de generalização das características do grupo alvo como sendo uma das bases da categorização. Neste aspecto, essa ausência de distintividade individual percebida no grupo dominado gera no grupo dominante uma autonomia que não é capaz de ser experienciada pelo grupo dominado, resultando na manutenção das relações assimétricas de poder entre os grupos. É neste sentido que Allport insere o processo de estereotipização e rotulação na discussão sobre as relações intergrupais e enfatiza que a categoria, ou seja, o rótulo linguístico e o estereótipo fazem parte de um processo mental complexo, em que um estereótipo não pode ser idêntico a uma categoria, mas pode ser compreendido como uma ideia fixa que acompanha a categoria. O estereótipo atua, por sua vez, como um recurso justificatório para a aceitação ou rejeição categórica de um grupo e como recurso seletivo que assegura a manutenção da simplicidade no julgamento (Allport, 1962).</p><p>Em termos de uma reflexão sobre as contribuições seminais de Lewin e de Allport, podemos indicar que, se por um lado o primeiro autor enfatizava o caráter social das relações intergrupais entre grupos dominados e grupos dominantes, por outro lado, Allport focalizava sua análise do preconceito com base, principalmente em aspectos cognitivos, como falha cognitiva, processo de categorização, embora tenha salientado a natureza multifocal deste fenômeno. Deste modo, é possível supor a existência de uma articulação entre fenômenos de ordem intrapsíquica e social na base da construção das configurações derivadas das relações sociais. E são essas configurações que guiam o comportamento social.</p><p>Outro teórico que também contribuiu para o estudo das relações intergrupais foi Sherif (1961). Seus estudos realizados entre as décadas de 1950 e 1960 foram promissores em introduzir na psicologia social os primeiros passos para o entendimento dos conflitos intergrupais (Gaertner &amp; Dovidio, 2000).</p><p>Em um estudo denominado “Robbers Cave”, Sherif (1961) analisou as interações naturais de dois grupos de meninos em um acampamento de verão. Por uma semana, os grupos conviviam separadamente a fim de fortalecer as normas intragrupais. Na semana seguinte, os grupos eram colocados em situação de competição por meio de atividades esportivas. Por fim, na terceira semana, os grupos mantinham contato em situação neutra. Os resultados demonstraram dados interessantes sobre a formação de normas e a emergência de uma hierarquia dentro dos grupos. Na situação de competição, houve o surgimento de estereótipos e de hostilidade entre os grupos. Na situação neutra, embora não competindo entre si, a hostilidade entre os grupos não foi reduzida. Apenas após a intervenção dos pesquisadores, introduzindo metas que não poderiam ser atingidas sem a cooperação de ambos os grupos, as relações intergrupais vieram a se tornar mais harmoniosas (Gaertner &amp; Dovidio, 2000).</p><p>O modelo de Sherif (1961) estipulava que os comportamentos hostis entre os grupos, bem como, as representações que favorecem o endogrupo em relação ao exogrupo, resultam da situação de conflito e não das características ou estruturas internas do grupo e seus membros. As evidências indicam que tais comportamentos são resultantes da identificação dos membros com seu grupo, o que coloca a identidade social no centro das relações intergrupais (Neto &amp; Amâncio, 1997).</p><p>Levine e Campbell (1972), pioneiros a contribuírem com o estudo sobre conflito intergrupal, definiram essas considerações advindas dos estudos de Sherif como um conflito realista (propondo posteriormente o modelo do conflito realista), tendo em vista que os conflitos intergrupo foram gerados por condições de conflito reais, por isso, a denominação de conflito de interesses grupais. No entanto, para Tajfel e Turner (1979), os dados obtidos nas investigações de Sherif, apesar de levantarem importantes constatações sobre o comportamento intergrupal, deixam a desejar no sentido em que negligenciam a identificação dos participantes com seu grupo de pertença como determinante central na análise do comportamento intergrupal. A identificação com o próprio grupo foi tomada neste modelo como um fenômeno derivado apenas dos conflitos gerados no grupo.</p><p>Para Sherif (1961), a competição entre os grupos pode aumentar a coesão dos membros e a cooperação dentro do grupo, isto é, os conflitos intergrupais não apenas geram sentimentos antagônicos em relação ao exogrupo, mas podem proporcionalmente desenvolver dentro do próprio grupo sentimentos favoráveis que ampliam a satisfação com a pertença grupal (Cikara, Botvinick, &amp; Fiske, 2011). Contudo, a identidade social não é aludida como um fenômeno autônomo, mas secundário, ponto que para Tajfel e Turner (1979) é crucial no entendimento das relações intergrupais. Para esses autores, o desenvolvimento das identificações com o grupo de pertença é entendido na teoria do conflito realista basicamente como um epifenômeno do conflito intergrupal. Para a teoria do conflito realista, essas identificações aparecem ligadas a alguns padrões das relações intergrupais, mas não é apresentado um suporte em termos do processo que está por trás do desenvolvimento e manutenção da identidade grupal nem sobre o possível papel autônomo sobre os aspectos subjetivos do comportamento endogrupal e intergrupal dos membros do grupo (Tajfel &amp; Turner, 1979).</p><p>Desta forma, Tajfel e Turner (1979) defendem uma orientação teórica que possa ampliar esses achados, colocando a identidade social no centro do processo inerente às relações intergrupais e conflitos intergrupais. Inicia-se, então, uma longa jornada de investigações que se tornaram um marco no estudo do preconceito e discriminação através dos pressupostos da teoria da identidade social (Jenkins, 2014).»</p><p>Sheyla Christine Santos Fernandes; Marcos Emanoel Pereira. <a href="https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revispsi/article/view/38108/27560">Endogrupo versus Exogrupo: o papel da identidade social nas relações intergrupais</a></p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@barbarazandoval?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Barbara Zandoval</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Ouvir a voz do coração alheio</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 31 Mar 2022 20:43:53 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>31/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c654-ouvir-a-voz-do-coracao-alheio.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/03/bart-larue-jmd3ws9lbcc-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/03/bart-larue-jmd3ws9lbcc-unsplash.jpg]</a><p>“El documento de la Congregación para la Educación Católica, Varón y Mujer los creó, que promueve una metodología articulada en tres actitudes, escuchar, razonar y proponer para favorecer el encuentro con las necesidades de las personas y las comunidades; señala en los números introductorios que</p><blockquote><p>«en el sexo radican las notas características que constituyen a las personas como hombres y mujeres en el plano biológico, psicológico y espiritual, teniendo así mucha parte en su evolución individual y en su inserción en la sociedad. En el proceso de crecimiento esta diversidad, aneja a la complementariedad de los dos sexos, responde cumplidamente al diseño de Dios en la vocación enderezada a cada uno».</p></blockquote><p>De acuerdo con estas afirmaciones, habiendo escuchado las demandas de las personas transgénero y de sus familias, surgen algunos cuestionamientos. Si el diseño de Dios en la vocación personal se realiza en la diferencia complementaria de los sexos que constituyen a varones y mujeres tanto en el plano biológico, psicológico y espiritual, ¿qué antropología es capaz de incluir a quienes no responden experiencial, identitaria y corporalmente a ese registro? ¿De qué modo habrán de vivir su espiritualidad si esta está constituida en razón del sexo biológico? ¿Qué imagen de Dios nos transmite una enseñanza que no abraza toda realidad humana en la realización enderezada de la vocación a la que estamos llamados/llamadas?</p><p>Si como bien afirma el documento, «la primera actitud de quien desea entrar en diálogo es escuchar», propongo que el primer paso para nuestras reflexiones no sea «escuchar y comprender lo que ha sucedido en las últimas décadas. El advenimiento del siglo XX, com sus visiones antropológicas»,18 sino prestar una escucha atenta a las personas, con sus experiencias, sus sufrimientos y sus historias de vida, de modo tal que podamos razonar y proponer vinculando la sabiduría de la enseñanza eclesial con la vida de las personas para que realmente puedan vivir la vocación a la que han sido llamadas dónde y cómo se encuentren, inspiradas en el Evangelio.</p><p>El Papa Francisco entiende que la escucha</p><blockquote><p>«significa prestar atención, tener deseo de comprender, de valorar, respetar, custodiar la palabra del otro. En la escucha se origina una especie de martirio, un sacrificio de sí mismo en el que se renueva el gesto realizado por Moisés ante la zarza ardiente: quitarse las sandalias en el “terreno sagrado” del encuentro con el otro que me habla».</p></blockquote><p>La otra persona es «terreno sagrado» donde la vida florece em la palabra que se dice y se recibe con reverencia, porque transmite una experiencia y es capaz de generar el encuentro compartiendo no solo certezas sino también dudas y preguntas. En el camino de la escucha habrá que hacer un éxodo, salir de la comodidad del territorio conocido y seguro recorriendo caminos junto a otras personas liberándose de cualquier presunción de omnipotencia para poner los propios dones al servicio del bien común.</p><p>Propongo entonces la escucha atenta a la narración de una experiencia, sin «dirigir nuestra mirada hacia el otro con la finalidad de conocerlo, sino la de posibilitar que nos conozcamos en la mirada del otro, permitir que el otro nos alcance e inclusive que abrajuicio sobre nosotros».</p><p>Mi interés en este trabajo no será producir conocimiento acerca de la transexualidad ni plantear un discurso antropológico que la capture para «excluirla de», o la «inserte forzadamente» en una tradición de tendencia dualista y de configuración binaria. La misma complejidad de la situación demanda una reflexión atenta a la escucha de personas que nos solicitan con sus preguntas una comprensión válida de la sexualidad que pueda enriquecer sus vidas y a la vez que brinde un horizonte antropoteológico desde donde interpretar las nuevas expresiones de la sexualidad humana. Entre ellas, las que encarnan las personas transgénero y el modo en que se reconocen a sí mismas.</p><p>En la corriente viva del Evangelio anunciado por Jesús, transmitido en la Iglesia y que abraza todas las dimensiones existenciales de cada ser, también habremos de responder a la pregunta por ese Dios que creó a los seres humanos a su imagen y semejanza, y que en su creatividad infinita se deja ver en quienes pujan por descubrir quiénes están llamados/llamadas a ser.”</p><p>Andrea Sanchez Ruiz. <a href="https://erevistas.uca.edu.ar/index.php/TEO/article/view/3463">Hospedar la diversidad. Lo que Jesús hace con todas las personas</a>.</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@bartlarueeppler?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Bart LaRue</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>“Ópio do povo”</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 31 Mar 2022 19:02:42 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>31/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c653-opio-do-povo.jpg"/><p>«</p><p>No Brasil, a partir dos anos 1970, Hugo Asmann, Leonardo e Clodovis Boff e Frei Betto foram as difusores da teologia da libertação que, nada mais é do que a real opção da Igreja Católica na defesa dos interesses dos pobres, em razão da inércia do Estado e também ricos em socorrê-los e consequente ausência de materialização de direitos fundamentais, com a falta de moradia e de moradia decente, de salário digno, de emprego etc., a demonstrar que não era possível a Igreja permanecer distante destes fatos, preocupação primeira de Jesus Cristo, quando esteve entre nós.</p><p>Assim é que Michael Lowy, “A Teologia da libertação acabou?” Teoria e Direito, Fundação Perseu Abramo, n. 31, 1996, nos esclarece, com maestria, o que é esse movimento em prol dos pobres a afirmar que: “a teologia da libertação não é senão a ponta visível de um iceberg, isto é, de um imenso movimento social composto por comunidade de base, pastorais populares – da terra, operária, indígena, da juventude -, por redes do clero progressista (especialmente nas ordens religiosas), associações de bairros pobres, movimentos de camponeses sem-terra etc. Este movimento, que poderíamos chamar de cristianismo da libertação, nasceu no curso dos anos de 1960, como a primeira esquerda cristã brasileira (1960-1962) e com o sacrifício de Camilo Torres, o padre guerrilheiro morto em combate em 1966. Encontrou sua expressão religiosa mais avançada na teologia da libertação, a partir de 1971, ano da publicação das obras pioneiras de Gustavo Gutiérrez e Hugo Asmann. Enfim, forneceu boa parte dos militantes e simpatizantes da Frente Sandinista, da FMLN salvadorenha e do Partido dos Trabalhadores brasileiro,”.</p><p>E apesar dos contratempos, considerado que esse movimento desagrada aos poderosos e principalmente às políticas neoliberais que significa menos direitos aos pobres, pode-se afirmar que o cristianismo de libertação permanece vivo, inclusive em Belo Horizonte, sobre a liderança de Frei Gilvander, dentre outros católicos, que arregaçam as mangas e vão à luta, vão ao campo, em prol dos mais necessitados, evitando-se que inúmeros despejos fossem concretizados, inclusive em plena pandemia da Covid-19.,</p><p>Portanto, inúmeras ações políticas são praticadas, diariamente, por esse movimento no Brasil todo, considerando que a função social da propriedade ainda não foi bem assimilada, principalmente pelo Judiciário brasileiro, sopesando que, afinal, prevalece a sacralização da propriedade, com inúmeras reintegrações de posses sendo executadas, apenas adiando o problema dos sem tetos, caso não haja uma negociação, com a transferência dos despejados para locais apropriados.</p><p>E na atualidade esse necessário e as vezes incompreendido movimento ampliou o conceito de pobre, com a inclusão também dos negros e mulheres, dos índios e de toda camadas que forem atingidas por formas específicas de opressão. Portanto, é um movimento que vai ao encontro à nossa atual Constituição, considerando que tem por objetivo a inclusão de todos no ordenamento jurídico, não apenas formal, mas também materialmente.»</p><p>Newton Teixeira. <a href="https://domtotal.com/noticia/1571813/2022/03/redefinicao-da-critica-marxista-da-religiao/">Redefinição da crítica marxista da religião</a>.</p><p>Imagem: <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Opium_poppy.jpg">Wikimedia</a></p>]]></description>
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      <title>Razão, liberdade e amor</title>
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      <pubDate>Thu, 31 Mar 2022 06:16:08 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>31/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c652-razao-liberdade-e-amor.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/03/sven-brandsma-5fqfbkzhpns-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/03/sven-brandsma-5fqfbkzhpns-unsplash.jpg]</a><p>«Mas hoje a nossa pergunta é: na época da ciência e da técnica, ainda tem sentido falar de criação? Como devemos compreender as narrações do Génesis? A Bíblia não quer ser um manual de ciências naturais; ao contrário, deseja compreender a verdade autêntica e profunda da realidade. A verdade fundamental que as narrações do Génesis nos revelam é que o mundo não é um conjunto de forças contrastantes entre si, mas tem a sua origem e a sua estabilidade no Logos, na Razão eterna de Deus, que continua a sustentar o universo. Existe um desígnio sobre o mundo que nasce desta Razão, do Espírito criador. Julgar que isto está na base de tudo ilumina todos os aspectos da existência e infunde a coragem de enfrentar a aventura da vida com confiança e esperança. Portanto, a Escritura diz-nos que a origem do ser, do mundo, a nossa origem não é o irracional, mas a razão, o amor e a liberdade. Por isso, a alternativa: ou prioridade do irracional, da necessidade, ou prioridade da razão, da liberdade e do amor. Nós cremos nesta última posição.»</p><p><a href="https://www.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/audiences/2013/documents/hf_ben-xvi_aud_20130206.html">Bento XVI</a>.</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@seffen99?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Sven Brandsma</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>O pão e a Palavra</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 30 Mar 2022 21:46:13 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>30/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c651-o-pao-e-a-palavra.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/03/priscilla-du-preez-1u-rkwzmrew-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/03/priscilla-du-preez-1u-rkwzmrew-unsplash.jpg]</a><p>“Uma teologia da libertação corretamente entendida constitui, pois, um convite aos teólogos a aprofundarem certos temas bíblicos essenciais, com o espírito atento às graves e urgentes questões que a atual aspiração pela libertação e os movimentos de libertação, eco mais ou menos fiel dessa aspiração, põem à Igreja. Não é possível esquecer, por um só instante, as situações de dramática miséria de onde brota a interpelação assim lançada aos teólogos.</p><p>A experiência radical da <em>liberdade cristã</em> constitui aqui o primeiro ponto de referência. Cristo, nosso Libertador, libertou-nos do pecado e da escravidão da lei e da carne, que constitui a marca da condição do homem pecador. Ê pois a vida nova da graça, fruto da justificação, que nos torna livres. Isto significa que a mais radical das escravidões é a escravidão do pecado. As demais formas de escravidão encontram pois, na escravidão do pecado, a sua raiz mais profunda. É por isso que a liberdade, no pleno sentido cristão, caracterizada pela vida no Espírito, não pode ser confundida com a licença de ceder aos desejos da carne. Ela é vida nova na caridade.</p><p>As « teologias da libertação » recorrem amplamente à narração do Livro do <em>Êxodo</em>. Este constitui, de fato, o acontecimento fundamental na formação do Povo eleito. É preciso não perder de vista, contudo, que a significação específica do acontecimento provém de sua finalidade, já que esta libertação está orientada para a constituição do povo de Deus e para o culto da Aliança celebrado no Monte Sinai. Por isso a libertação do Êxodo não pode ser reduzida a uma libertação de natureza prevalentemente ou exclusivamente política. É significativo, de resto, que o termo <em>libertação</em> seja ás vezes substituído na Sagrada Escritura pelo outro, muito semelhante, de redenção.</p><p>Jamais se apagará da memoria de Israel o episódio que originou o Êxodo. Ele é o ponto de referência quando, após a destruição de Jerusalém e o Exílio de Babilónia, o Povo eleito vive na esperança de uma nova libertação e, para além dessa, na expectativa de uma libertação definitiva. Nesta experiência, Deus é reconhecido como o Libertador. Ele estabelecerá com seu povo uma nova Aliança, marcada pelo dom do seu Espírito e pela conversão dos corações.</p><p>As múltiplas angústias e desgraças experimentadas pelo homem fiel ao Deus da Aliança servem de tema para diversos salmos: lamentações, pedidos de socorro, ações de graças referem-se à salvação religiosa e à libertação. Neste contexto, a desgraça não se identifica pura e simplesmente com uma condição social de miséria ou com a sorte de quem sofre opressão política. Ela inclui também a hostilidade dos inimigos, a injustiça, a morte e a culpa. Os salmos nos remetem a uma experiência religiosa essencial: somente de Deus se espera a salvação e o remédio. Deus, e não o homem, tem o poder de mudar as situações de angústia. Assim, os « pobres do Senhor » vivem numa dependência total e confiante na providência amorosa de Deus. Aliás, durante toda a travessia do deserto, o Senhor nunca deixou de prover à libertação e à purificação espirituais de seu povo.</p><p>No Antigo Testamento, os profetas, desde Amos, não cessam de recordar, com particular vigor, as exigências da justiça e da solidariedade e de formular um juizo extremamente severo sobre os ricos que oprimem o pobre. Tomam a defesa da viúva e do órfão. Proferem ameaças contra os poderosos: a acumulação de iniquidades acarretará necessariamente terríveis castigos. Isto porque não se concebe a fidelidade à Aliança sem a prática da justiça. A justiça em relação a Deus e a justiça em relação aos homens são inseparáveis. Deus é o defensor e o libertador do pobre.</p><p>Semelhantes exigências encontram-se também no Novo Testamento. Ali são até radicalizadas, como demonstra o discurso das <em>Bem-aventuranças</em>. Conversão e renovação devem operar-se no mais íntimo do coração.</p><p>Já anunciado no Antigo Testamento, o mandamento do amor fraterno estendido a todos os homens constitui agora a suprema norma da vida social. Não há discriminações ou limites que possam opor-se ao reconhecimento de todo e qualquer homem como o <em>próximo</em>.</p><p>A pobreza por amor ao Reino é exaltada. E na figura do Pobre, somos levados a reconhecer a imagem e como que a presença misteriosa do Filho de Deus que se fez pobre por nosso amor. Este é o fundamento das inexauríveis palavras de Jesus sobre o Juízo, em <em>Mt</em> 25, 31-46. Nosso Senhor é solidário com toda desgraça; toda desgraça leva a marca de sua presença.</p><p>Contemporaneamente as exigências da justiça e da misericórdia, já enunciadas no Antigo Testamento, são aprofundadas a ponto de revestirem no Novo Testamento uma significação nova. Aqueles que sofrem ou são perseguidos são identificados com Cristo. A perfeição que Jesus exige de seus discípulos (<em>Mt</em> 5, 18) consiste no dever de serem misericordiosos « como vosso Pai é misericordioso » (<em>Lc</em> 6, 36).</p><p>É à luz da vocação cristã ao amor fraterno e à misericórdia que os ricos são severamente admoestados para que cumpram o seu dever.São Paulo, perante as desordens na Igreja de Corinto, acentua vigorosamente a ligação que existe entre tomar parte no sacramento do amor e repartir o pão com o irmão que se encontra em necessidade.</p><p>A Revelação do Novo Testamento nos ensina que o pecado é o mal mais profundo, que atinge o homem no cerne da sua personalidade. A primeira libertação, ponto de referência para as demais, é a do pecado.</p><p>Se o Novo Testamento se abstém de exigir previamente, como pressuposto para a conquista desta liberdade, uma mudança da condição política e social, é sem dúvida, para salientar o caráter radical da emancipação trazida por Cristo, oferecida a todos os homens, sejam eles livres ou escravos politicamente. Contudo a <em>Carta a Filêmon</em> mostra que a nova liberdade, trazida pela graça de Cristo, deve necessariamente ter repercussão também no campo social.</p><p>Não se pode portanto restringir o campo do pecado, cujo primeiro efeito é o de introduzir a desordem na relação entre o homem e Deus, àquilo que se denomina « pecado social ». Na verdade, só uma adequada doutrina sobre o pecado permitirá insistir sobre a gravidade de seus efeitos sociais.</p><p>Não se pode tampouco situar o mal unicamente ou principalmente nas « estruturas » económicas, sociais ou políticas, como se todos os outros males derivassem destas estruturas como de sua causa: neste caso a criação de um « homem novo » dependeria da instauração de estruturas económicas e socio-políticas diferentes. Há, certamente, estruturas iníquas e geradoras de iniquidades, e é preciso ter a coragem de mudá-las. Fruto da ação do homem, as estruturas boas ou más são consequências antes de serem causas. A raiz do mal se encontra pois nas pessoas livres e responsáveis, que devem ser convertidas pela graça de Jesus Cristo, para viverem e agirem como criaturas novas, no amor ao próximo, na busca eficaz da justiça, do auto-domínio e do exercício das virtudes.</p><p>Ao estabelecer como primeiro imperativo a revolução radical das relações sociais e ao criticar, a partir desta posição, a busca da perfeição pessoal, envereda-se pelo caminho da negação do sentido da pessoa e de sua transcendência, e destroem-se a ética e o seu fundamento, que é o caráter absoluto da distinção entre o bem e o mal. Ademais, sendo a caridade o princípio da autêntica perfeição, esta não pode ser concebida sem abertura aos outros e sem espírito de serviço.</p><p>Para responder ao desafio lançado à nossa época pela opressão e pela fome, o Magistério da Igreja, com a preocupação de despertar as consciências cristãs para o sentido da justiça, da responsabilidade social e da solidariedade para com os pobres e os oprimidos, relembram repetidamente a atualidade e a urgência da doutrina e dos imperativos contidos na Revelação.</p><p>Limitamo-nos a mencionar aqui apenas algumas destas intervenções: os pronunciamentos pontifícios mais recentes, <a href="https://www.vatican.va/holy_father/john_xxiii/encyclicals/documents/hf_j-xxiii_enc_15051961_mater_po.html"><em>Mater et Magistra</em></a> e <a href="https://www.vatican.va/holy_father/john_xxiii/encyclicals/documents/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem_po.html"><em>Pacem in terris</em></a>, <a href="https://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_26031967_populorum_po.html"><em>Populorum progressio</em></a> e <a href="https://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/apost_exhortations/documents/hf_p-vi_exh_19751208_evangelii-nuntiandi_po.html"><em>Evangelii nuntiandi</em></a>. Mencionemos ainda a carta ao Cardeal Roy, <em>Octogésima adveniens</em>.</p><p>O <a href="https://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/index_po.htm">Concílio Vaticano II</a>, por sua vez, tratou as questões da justiça e da liberdade na Constituição pastoral <a href="https://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html"><em>Gaudium et spes</em></a>.</p><p>O Santo Padre insistiu em diversas oportunidades neste tema, particularmente nas encíclicas <a href="https://www.vatican.va/edocs/POR0061/_INDEX.HTM"><em>Redemptor hominis</em></a>, <a href="https://www.vatican.va/edocs/POR0066/_INDEX.HTM"><em>Dives in Misericórdia</em></a> e <a href="https://www.vatican.va/edocs/POR0068/_INDEX.HTM"><em>Laborem exercens</em></a>. As numerosas intervenções que relembram a doutrina dos direitos do homem tocam diretamente nos problemas da libertação da pessoa humana em face dos diversos tipos de opressão de que é vítima. É preciso citar, especialmente neste contexto, o discurso proferido diante da <a href="https://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/1979/october/documents/hf_jp-ii_spe_19791002_general-assembly-onu_po.html">XXXVI Assembleia geral da ONU, em New-York, no dia 2 de outubro de 1979</a>.<a href="https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19840806_theology-liberation_po.html#_ftn14">[14]</a> No dia 28 de janeiro do mesmo ano, <a href="https://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/index_po.htm">João Paulo II</a>, ao abrir a <a href="https://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/1979/january/documents/hf_jp-ii_spe_19790128_messico-puebla-episc-latam_po.html">Terceira Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, em Puebla</a>, havia recordado que a verdade completa sobre o homem é a base da verdadeira libertação. Este texto constitui um documento de referência direta para a teologia da libertação.</p><p>Por duas vezes, em 1971 e 1974, o Sínodo dos Bispos tratou de temas que se referem diretamente à concepção cristã da libertação: o tema da justiça no mundo e o tema da relação entre a libertação das opressões e a libertação integral ou a salvação do homem. Os trabalhos dos Sínodos de 1971 e de 1974 levaram <a href="https://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/index_po.htm">Paulo VI</a> a esclarecer, na Exortação apostólica <a href="https://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/apost_exhortations/documents/hf_p-vi_exh_19751208_evangelii-nuntiandi_po.html"><em>Evangelii nuntiandi</em></a>, a relação que existe entre a evangelização e a libertação ou a promoção humana.</p><p>A preocupação da Igreja pela libertação e pela promoção humana traduziu-se também no fato da constituição da <a href="https://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/justpeace/index_po.htm">Pontifícia Comissão <em>Justiça e Paz</em></a>.</p><p>Numerosos Episcopados, de acordo com a Santa Sé, têm lembrado também eles a urgência e os caminhos para uma autêntica libertação humana. Neste contexto convém fazer menção especial dos documentos das Conferências Gerais do Episcopado Latino-Americano de Medellin, em 1968, e de Puebla, em 1979. <a href="https://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/index_po.htm">Paulo VI</a> esteve presente na <a href="https://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/homilies/1968/documents/hf_p-vi_hom_19680824_sp.html">abertura de Medellin</a>, <a href="https://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/index_po.htm">João Paulo II</a> na de <a href="https://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/1979/january/documents/hf_jp-ii_spe_19790128_messico-puebla-episc-latam_po.html">Puebla</a>. Ambos os Papas trataram do tema da conversão e da libertação.</p><p>Seguindo as pegadas de <a href="https://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/index_po.htm">Paulo VI</a>, insistindo na especificidade da mensagem do Evangelho, especificidade que deriva da sua origem divina, <a href="https://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/index_po.htm">João Paulo II</a>, no discurso de Puebla, lembrou quais são os três pilares sobre os quais deve assentar una autêntica teologia da libertação: <em>a verdade sobre Jesus Cristo, a verdade sobre a Igreja e a verdade sobre o homem</em>.</p><p>Não se pode esquecer a ingente soma de trabalho desinteressado realizado por cristãos, pastores, sacerdotes, religiosos e leigos que, impelidos pelo amor a seus irmãos que vivem em condições desumanas, se esforçam por prestar auxílio e proporcionar alívio aos inumeráveis males que são frutos da miséria. Entre eles, alguns se preocupam por encontrar os meios eficazes que permitam pôr fim, o mais depressa possível, a uma situação intolerável.</p><p>O zelo e a compaixão, que devem ocupar um lugar no coração de todos os pastores, correm por vezes o risco de se desorientar ou de serem desviados para iniciativas não menos prejudiciais ao homem e à sua dignidade do que a própria miséria que se combate, se não se prestar suficiente atenção a certas tentações.</p><p>O sentimento angustiante da urgência dos problemas não pode levar a perder de vista o essencial, nem fazer esquecer a resposta de Jesus ao Tentador (<em>Mt</em> 4, 4): « Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus » (<em>Dt</em> 8, 3). Assim, sucede que alguns, diante da urgência de repartir o pão, são tentados a colocar entre parênteses e a adiar para amanhã a evangelização: primeiro o pão, a Palavra mais tarde. É um erro fatal separar as duas coisas, até chegar a opô-las. O senso cristão, aliás, espontaneamente sugere a muitos que façam uma e outra.</p><p>A alguns parece até que a luta necessária para obter justiça e liberdade humanas, entendidas no sentido económico e político, constitua o essencial e a totalidade da salvação. Para estes, o Evangelho se reduz a um evangelho puramente terrestre.</p><p>É em relação à <em>opção preferencial pelos pobres</em>, reafirmada com vigor e sem meios termos, após Medellin, na Conferência de <em>Puebla</em> de um lado, e à tentação de reduzir o Evangelho da salvação a um evangelho terrestre, de outro lado, que se situam as diversas <em>teologias da libertação</em>.</p><p>Lembremos que a opção preferencial, definida em <em>Puebla</em>, é dupla: pelos pobres e pelos jovens. É significativo que a opção pela juventude seja, de maneira geral, totalmente silenciada.</p><p>Dissemos acima (cf. IV, 1) que existe uma autêntica « teologia da libertação », aquela que lança raízes na Palavra de Deus, devidamente interpretada.</p><p>Mas sob um ponto de vista descritivo, convém falar <em>das</em> teologias da libertação, pois a expressão abrange posições teológicas, ou até mesmo ideológicas, não apenas diferentes, mas até, muitas vezes, incompatíveis entre si.</p><p>No presente documento tratar-se-á somente das produções daquela corrente de pensamento que, sob o nome de « teologia da libertação », propõem uma interpretação inovadora do conteúdo da fé e da existência cristã, interpretação que se afasta gravemente da fé da Igreja, mais ainda, constitui uma negação prática dessa fé.</p><p>Conceitos tomados por empréstimo, de maneira a-crítica, à ideologia marxista e o recurso a teses de uma hermenêutica bíblica marcada pelo racionalismo encontram-se na raiz da nova interpretação, que vem corromper o que havia de autêntico no generoso empenho inicial em favor dos pobres.”</p><p><a href="https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19840806_theology-liberation_po.html">Libertatis nuntius</a>, IV-VI</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@priscilladupreez?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Priscilla Du Preez</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Tentação</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 30 Mar 2022 11:07:23 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>30/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/680146597369217024/toma-ami%C3%BAde-conselho-na-tenta%C3%A7%C3%A3o-e-n%C3%A3o-trates">link para o tumblr</a></p>]]></description>
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      <title>Contemplemos a paixão do Senhor</title>
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      <pubDate>Tue, 29 Mar 2022 08:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>29/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c649-contemplemos-a-paixao-do-senhor.jpg"/><p>«Quem venera realmente a paixão do Senhor deve contemplar de tal modo, com os olhos do coração, Jesus crucificado, que reconheça na carne do Senhor a sua própria carne. Trema a criatura perante o suplício do seu Redentor, quebrem-se as pedras dos corações infiéis e saiam para fora, vencendo todos os obstáculos, aqueles que jaziam debaixo de seus túmulos. Apareçam também agora na cidade santa, isto é, na Igreja de Deus, como sinais da ressurreição futura e realize-se nos corações o que um dia se realizará nos corpos. A nenhum pecador é negada a vitória da cruz e não há homem a quem a oração de Cristo não ajude. Se ela foi útil para muitos dos que o perseguiam, quanto mais não ajudará os que a ele se convertem?</p><p>Foi eliminada a ignorância da incredulidade, foi suavizada a aspereza do caminho, e o sangue sagrado de Cristo extinguiu o fogo daquela espada que impedia o acesso ao reino da vida. A escuridão da antiga noite cedeu lugar à verdadeira luz. O povo cristão é convidado a gozar as riquezas do paraíso, e para todos os batizados está aberto o caminho de volta à pátria perdida, desde que ninguém queira fechar para si próprio aquele caminho que se abriu também à fé do ladrão arrependido.</p><p>Evitemos que as preocupações desta vida nos envolvam na ansiedade e no orgulho, de tal modo que não procuremos, com todo o afeto do coração, conformar-nos a nosso Redentor na perfeita imitação de seus exemplos. Tudo o que ele fez ou sofreu foi para a nossa salvação, a fim de que todo o Corpo pudesse participar da virtude da Cabeça. Aquela sublime união da nossa natureza com a sua divindade, pela qual o Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14), não exclui ninguém da sua misericórdia senão aquele que recusa acreditar. Como poderá ficar fora da comunhão com Cristo quem recebe aquele que assumiu a sua própria natureza e é regenerado pelo mesmo Espírito por obra do qual nasceu Jesus? Quem não reconhece nele as fraquezas próprias da condição humana? Quem não vê que alimentar-se, buscar o repouso do sono, sofrer angústia e tristeza, derramar lágrimas de compaixão, eram próprios da condição de servo?</p><p>Foi precisamente para curar a nossa natureza das antigas feridas e purificá-la das manchas do pecado, que o Filho Unigênito de Deus se fez também Filho do Homem, de modo que não lhe faltasse nem a humanidade em toda a sua realidade, nem a divindade em sua plenitude. É nosso, portanto, o que esteve morto no sepulcro, o que ressuscitou ao terceiro dia e o que subiu para a glória do Pai, no mais alto dos céus. Se andarmos pelos caminhos de seus mandamentos e não nos envergonharmos de proclamar tudo o que ele fez pela nossa salvação na humildade do seu corpo, também nós teremos parte na sua glória. Então se cumprirá claramente o que prometeu: Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus (Mt 10,32).»</p><p>Dos Sermões de <strong>São Leão Magno</strong>, papa (Sermo 15, De passione Domini,3-4: PL 54,366-367) (Séc.V)</p><p>imagem: <a href="https://unsplash.com/@who_is_trent?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Trent Pickering</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>O pecado social</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 29 Mar 2022 05:42:23 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>29/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c648-o-pecado-social.jpg"/><p>«O pecado, no sentido próprio e verdadeiro, é sempre um acto da pessoa, porque é um acto de um homem, individualmente considerado, e não propriamente de um grupo ou de uma comunidade. Este homem pode ser condicionado, pressionado, impelido por numerosos e ponderosos factores externos, como também pode estar sujeito a tendências, taras e hábitos relacionados com a sua condição pessoal. Em não poucos casos, tais factores externos e internos podem atenuar, em maior ou menor grau, a sua liberdade e, consequentemente, a sua responsabilidade e culpabilidade. No entanto, é uma verdade de fé, também confirmada pela nossa experiência e pela nossa razão, que a pessoa humana é livre. E não se pode ignorar esta verdade, para descarregar em realidades externas — as estruturas, os sistemas, os outros – o pecado de cada um. Além do mais, isso seria obliterar a dignidade e a liberdade de pessoa, que se revelam — se bem que negativa e desastrosamente — também nessa responsabilidade do pecado cometido. Por isso, em todos e em cada um dos homens, não há nada tão pessoal e intransferível como o mérito da virtude ou a responsabilidade da culpa.</p><p>Como acto da pessoa, o pecado tem as suas primeiras e mais importantes consequências no próprio pecador; ou seja, na relação dele com Deus, que é o próprio fundamento da vida humana; e também no seu espírito, enfraquecendo-lhe a vontade e obscurecendo-lhe a inteligência.</p><p>Chegados a este ponto, devemos perguntar-nos: a que realidade se referiam os que, na preparação do Sínodo e no decorrer dos trabalhos sinodais, mencionaram não poucas vezes o pecado social? A realidade que está subjacente a tal expressão e conceito faz com estes tenham, na verdade, diversos significados.</p><p>Falar de pecado social quer dizer, primeiro que tudo, reconhecer que, em virtude de uma solidariedade humana tão misteriosa e imperceptível quanto real e concreta, o pecado de cada um se repercute, de algum modo, sobre os outros. Está nisto uma outra faceta daquela solidariedade que, a nível religioso, se desenvolve no profundo e magnífico mistério da Comunhão dos Santos, graças à qual se pode dizer que «cada alma que se eleva, eleva o mundo». (72) A esta lei da elevação corresponde, infelizmente, a lei da descida, de tal modo que se pode falar de uma comunhão no pecado, em razão da qual uma alma que se rebaixa pelo pecado arrasta consigo a Igreja, e, de certa maneira, o mundo inteiro. Por outras palavras não há nenhum pecado, mesmo o mais íntimo e secreto, o mais estritamente individual, que diga respeito exclusivamente àquele que o comete. Todo o pecado se repercute, com maior ou menor veemência, com maior ou menor dano, em toda a estrutura eclesial e em toda a família humana. Segundo esta primeira acepção, a cada pecado pode atribuir-se indiscutivelmente o carácter de pecado social.</p><p>Há certos pecados, no entanto, que constituem, pelo seu próprio objecto, uma agressão directa ao próximo e — mais exactamente, com base na linguagem evangélica — ao irmão. Estes são uma ofensa a Deus, porque ofendem o próximo. A tais pecados costuma dar-se a qualificação de sociais; e é esta a segunda acepção do termo. Neste sentido, é social o pecado contra o amor do próximo, que é tanto mais grave na Lei de Cristo, porquanto está em jogo o segundo mandamento, que é «semelhante ao primeiro». (73) é igualmente social todo o pecado cometido contra a justiça, quer nas relações de pessoa a pessoa, quer nas da pessoa com a comunidade, quer, ainda, nas da comunidade com a pessoa. É social todo o pecado contra os direitos da pessoa humana, a começar pelo direito à vida, incluindo a do nascituro, ou contra a integridade física de alguém; todo o pecado contra a liberdade de outrem, especialmente contra a suprema liberdade de crer em Deus e de o adorar; todo o pecado contra a dignidade e a honra do próximo. É social todo o pecado contra o bem comum e contra as suas exigências, em toda a ampla esfera dos direitos e dos deveres dos cidadãos. Pode ser social tanto o pecado de comissão como o de omissão: da parte dos dirigentes políticos, económicos e sindicais, por exemplo, que, embora podendo, não se empenhem com sabedoria no melhoramento ou na transformação da sociedade, segundo as exigências e as possibilidades do momento histórico; como também da parte dos trabalhadores, que faltem aos seus deveres de presença e de colaboração, para que as empresas possam continuar a proporcionar o bem-estar a eles próprios, as suas famílias e à inteira sociedade.</p><p>A terceira acepção de pecado social diz respeito as relações entre as várias comunidades humanas. Estas relações nem sempre estão em sintonia com a desígnio de Deus, que quer no mundo justiça, liberdade e paz entre os indivíduos, os grupos, os povos. Assim, a luta de classes, seja quem for o seu responsável ou, por vezes, o sistematizador, é um mal social. Assim, a contraposição obstinada dos blocos de Nações e duma Nação contra a outra e de grupos contra outros grupos no seio da mesma Nação, é igualmente um mal social. Em ambos os casos, pode fazer-se a pergunta, se é possível atribuir a alguém a responsabilidade moral de tais males e, por conseguinte, o pecado. Ora, deve admitir-se que realidades e situações como as que acabam de ser indicadas, ao generalizarem-se e até mesmo ao agigantarem-se como factos sociais, quase sempre se tornam anónimas, assim como são complexas e nem sempre identificáveis as suas causas. Por isso, ao falar-se aqui de pecado social, a expressão tem um significado claramente analógico. Em todo o caso, falar de pecados sociais, mesmo que seja em sentido analógico, não deve induzir ninguém a subestimar a responsabilidade individual das pessoas; mas tem em vista constituir um alerta para as consciências de todos, a fim de que cada um assuma as próprias responsabilidades, no sentido de serem séria e corajosamente modificadas essas realidades nefastas e essas situações intoleráveis.</p><p>Dito isto, de maneira clara e inequívoca, como premissa, é preciso acrescentar imediatamente que não é legítima nem aceitável uma acepção do pecado social, não obstante esteja muito em voga nos nossos dias nalguns ambientes, (74) a qual, ao opôr, não sem ambiguidade, pecado social a pecado pessoal, mais ou menos inconscientemente leva a diluir e quase a eliminar o pessoal, para admitir somente as culpas e responsabilidades sociais. Segundo esta concepção, que revela com facilidade a sua derivação de ideologias e sistemas não cristãos — hoje, talvez, já postos de parte por aqueles mesmos que a certa altura foram os seus fautores oficiais — praticamente todos os pecados seriam sociais, no sentido de serem imputáveis não tanto à consciência moral duma pessoa, quanto a uma entidade vaga e colectividade anónima, que poderia ser a situação, o sistema, a sociedade, as estruturas, a instituição etc.</p><p>Pois bem: a Igreja, quando fala de situações de pecado ou denuncia como pecados sociais certas situações ou certos comportamentos colectivos de grupos sociais, mais ou menos vastos, ou até mesmo de Nações inteiras e blocos de Nações, sabe e proclama que tais casos de pecado social são o fruto, a acumulação e a concentração de muitos pecados pessoais. Trata-se dos pecados pessoalíssimos de quem gera ou favorece a iniquidade ou a desfruta; de quem, podendo fazer alguma coisa para evitar, ou eliminar, ou pelo menos limitar certos males sociais, deixa de o fazer por preguiça, por medo e temerosa conivência, por cumplicidade disfarçada ou por indiferença; de quem procura escusas na pretensa impossibilidade de mudar o mundo; e, ainda, de quem pretende esquivar-se ao cansaço e ao sacrifício, aduzindo razões especiosas de ordem superior. As verdadeiras responsabilidades, portanto, são das pessoas.</p><p>Uma situação — e de igual modo uma instituição, uma estrutura, uma sociedade — não é, de per si, sujeito de actos morais; por isso, não pode ser, em si mesma, boa ou má.</p><p>No fundo de cada situação de pecado, porém, encontram-se sempre pessoas pecadoras. Isto é tão verdadeiro que, se tal situação vier a ser mudada nos seus aspectos estruturais e institucionais pela força da lei, ou — como acontece com mais frequência, infelizmente — pela lei da força, a mudança revela-se, na realidade, incompleta, de pouca duração e, no fim de contas, vã e ineficaz — para não dizer mesmo contraproducente — se não se converterem as pessoas directa ou indirectamente responsáveis por essa mesma situação.»</p><p><strong>João Paulo II</strong>. <a href="https://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/apost_exhortations/documents/hf_jp-ii_exh_02121984_reconciliatio-et-paenitentia.html">Reconciliatio et paenitentia</a>.</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@hasanalmasi?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Hasan Almasi</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Os novos paradigmas do Concílio Vaticano II.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 29 Mar 2022 04:52:32 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>29/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c647-os-novos-paradigmas-do-concilio-vaticano-ii.jpg"/><p>«O novo Pentecostes e o aggiornamento da Igreja desejados por João XXIII começaram a se fazer sentir desde a primeira sessão do Vaticano II, quando uma ampla maioria de padres conciliares se opôs aos documentos preliminares preparados sob a direção do Cardeal Alfredo Ottaviani, prefeito daquela que se chama hoje Congregação para a Doutrina da Fé, e que João XXIII decidiu devolver à fase de redação. Não se tratava de simples críticas a cada documento em particular, mas, de maneira implícita e num sentido análogo às “mudanças de paradigma” examinadas por Thomas S. Kuhn nas ciências duras, da rejeição radical de um paradigma teológico e da busca de um paradigma alternativo. Como diz o teólogo dominicano brasileiro Carlos Josafat Pinto de Oliveira, antigo professor da Universidade de Friburgo (Suíça), a emergência de um novo paradigma, teológico neste caso, manifesta intenções primordiais e opções fundadoras sobretudo através das quais é rejeitado; porque, nos momentos de transição, sabe-se bem o que não se quer, embora não se saiba bem ainda o que se quer positivamente. De fato, as intervenções dos cardeais, patriarcas e bispos, durante essa primeira sessão do concílio, concordavam, segundo Oliveira, em criticar o caráter a-histórico e intemporalmente unívoco dos documentos preliminares, que não levavam em conta nem a nova consciência histórica da cultura e da filosofia ocidentais, nem os avanços já realizados nesse domínio pelos estudos bíblicos, patrísticos, litúrgicos e sistemáticos, e tampouco indicações do bom Papa João XXIII acerca de uma leitura crente dos sinais dos tempos, como também a “atualização” correspondente da teologia e da pastoral eclesiais num mundo em mudança acelerada. Todos esses aspectos implicavam, ao contrário, uma visão histórica da realidade.<br/><br/>De minha parte, acrescento às considerações de Oliveira o fato de que, com Heidegger, a filosofia, até em representantes precavidos do catolicismo e do tomismo (como Étienne Gilson, a escola de Lovaina ou teólogos como Lubac, Congar, Karl Rahner ou von Balthasar), tinha superado o simples paradigma clássico da substância e estava superando o paradigma moderno do sujeito para se orientar para um novo paradigma não apenas teológico, mas histórico-cultural. Enquanto os dois primeiros paradigmas privilegiavam a identidade, a necessidade, a inteligibilidade e a eternidade como características fundamentais do primeiro princípio e, portanto, da compreensão de Deus, o novo paradigma que emergia, com a sua revalorização da categoria de relação com referência à de substância, convidava a repensar todas essas características a partir da diferença ou da alteridade (a relação), a partir do mistério, dando-se a conhecer como mistério, a partir da gratuidade e do dom e, por conseguinte, da imprevisível novidade histórica.<br/><br/>A mudança de paradigma que decorre disso em ética social aparece com evidência gritante se GS [Gaudium et spes] for comparada com o documento preliminar rejeitado pelos padres conciliares e cujo título era <em>De ordine morali Christiano</em>. Segundo Oliveira, esse documento defendia uma “ordem objetiva e absoluta” sem levar suficientemente em conta a realidade e a objetividade dos fatores humanos subjetivos e históricos, concebia Deus como um “vingador da ordem moral” e defendia uma atitude negativa e autoritária de condenação; tratava-se, em minha opinião, de um “eticismo sem bondade”, como aquele que o Papa Francisco critica na exortação Evangelii gaudium (EG 231). A bondade, de fato, sabe considerar a realidade singular de cada pessoa e de cada situação, e o eticismo é apenas uma caricatura da ética.<br/><br/>Por outro lado, o paradigma ético fundamental de GS não é negativo, mas positivo, porque está orientado pelos princípios da dignidade e da responsabilidade humanas. Esse não é um paradigma ético e social puramente “natural”, mas histórico, porque reconhece as realidades históricas plurais dos povos e das culturas, bem como as das estruturas sociais, políticas e econômicas.»</p><p><strong>J.C. Scannone</strong>. A Teologia do Povo (raízes teológicas do Papa Francisco), pgs. 186-188.</p><p>Imagem: <a href="https://fyblackwomenart.tumblr.com/post/679814830647050240/nataly-masalitina-happiness-is-like-a">Black Women Art!</a></p>]]></description>
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      <title>Espiritualidade e teologia</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 28 Mar 2022 20:04:41 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c646-espiritualidade-e-teologia.jpg"/><p>«Recentemente muitos teologos voltaram a acentuar a dimensão espiritual da teologia. H. Urs von Balthasar (1964, p. 270) buscou manter uma estreita relação entre teologia e espiritualidade, definida por ele como o aspecto subjetivo da dogmática. Para Ratzinger (2008, p. 48), a teologia “vive do paradoxo de que existe uma ligação entre fé e ciência”. Enquanto supõe a fé, o ponto de partida da pesquisa teológica se encontra na experiência do próprio mistério que ela busca compreender e comunicar. Ratzinger (2008, p. 49) afirma uma ligação estreita entre teologia e santidade, não por pietismo barato ou palavrório sentimental, mas por causa da lógica inerente à própria teologia que nasce da experiência de fé. Como dizia Lutero, sola experientia facit theologum. Outros corroboram a opinião de Ratzinger, apontando a fé como o início da teologia, uma vez que a teologia constrói seu discurso crítico e sistemático guiada pela fé. Para fazer teologia cristã, o teólogo precisa ser fiel e racional ao mesmo tempo, ou seja, antes de ensinar sobre Deus, ele próprio deve ser ensinado por ele (O’ COLLINS, 1991, p. 15).<br/>(…)</p><p>Hoje em dia se faz urgente, para a teologia, a tarefa de evidenciar a ligação estreita entre fé e razão, fé e ciência. Os riscos de uma interpretação meramente subjetiva do mistério cristão são enormes. A experiência cristã conta sempre com critérios objetivos de discernimento. Se por um lado o mais importante é o encontro amoroso com o Senhor, por outro a revelação, enquanto Palavra de Deus a nós dirigida, conta com inegável objetividade que a experiência não negligencia. Santa Teresa de Ávila (2010, p. 201), que experimentou o mistério cristão num nível muito profundo, afirmou: “O que tenho visto e sabido por experiência é que, nestas coisas, só fica a certeza de que procedem de Deus, na medida em que são conformes à Sagrada Escritura”. A doutora busca na objetividade da Sagrada Escritura confirmação de sua rica experiência. Sua subjetividade não inventa Deus, mas o reconhece e a ele se submete no conhecimento da revelação. Por outro lado, a beleza e grandeza do mistério ultrapassa tudo o que se diz sobre ele: “se o Senhor não me houvesse instruído, pouco teria aprendido com os livros. Nada entendia até que Sua Majestade me fez compreender por experiência” (SANTA TERESA DE JESUS, 2010, p. 171). Não se trata de um conhecimento recebido por via de informação, mas de vivência profunda. Em Santa Teresa encontramos um raro equilíbrio entre fé – experiência e razão – conhecimento. Aqui há dois extremos graves a evitar: um racionalismo que queira dispensar os cristãos de ter que crer e um experimentalismo que desobrigue a fé de mostrar a razoabilidade do conteúdo da revelação. Por outro lado, quem crê não precisa temer a ciência, afinal, como afirma o Papa Francisco na Lumen Fidei,</p><blockquote><p>o olhar da ciência tira benefício da fé: esta convida o cientista a permanecer aberto à realidade, em toda a sua riqueza inesgotável. A fé desperta o sentido crítico, enquanto impede a pesquisa de se deter, satisfeita, nas suas fórmulas e ajuda-a a compreender que a natureza sempre a ultrapassa. Convidando-o a maravilhar-se diante do mistério da criação, a fé alarga og horizontes da razão para iluminar melhor o mundo que se abre aos estudos da ciência (LF 34).</p></blockquote><p>O perigo maior em nossos dias parece ser o do experimentalismo, uma vez que o homem pós-moderno valoriza sobretudo o conhecimento estético, feito de sensações e sentimentos. Nesse caso a fé se distancia da razão. Ele corre, portanto, o sério risco de definir Deus a partir de sua subjetividade, criando para si um ídolo muito diferente do Deus de Jesus Cristo, que exige conversão e compromisso com o Reino.»</p><p>CARRARA, P. S.; CARMO, S. M. DO. <strong>A teologia como sapientia fidei: interfaces entre teologia e espiritualidade.</strong> <a href="http://periodicos.pucminas.br/index.php/horizonte/article/view/P.2175-5841.2014v12n34p510">HORIZONTE – Revista de Estudos de Teologia e Ciências da Religião, v. 12, n. 34, p. 510-533, 29 jun. 2014</a>.</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@ryoji__iwata?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Ryoji Iwata</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>O bem da caridade</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 28 Mar 2022 06:40:33 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c645-o-bem-da-caridade.jpg"/><p>“Diz o Senhor no Evangelho de João: Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros (Jo 13,35). E também se lê numa Carta do mesmo Apóstolo: Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. Quem não ama, não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor (1Jo 4,7-8). Examine-se a si mesmo cada um dos fiéis, e procure discernir com sinceridade os mais íntimos sentimentos de seu coração. Se encontrar na sua consciência algo que seja fruto da caridade, não duvide que Deus está com ele; mas se esforce por tornar-se cada vez mais digno de tão grande hóspede, perseverando com maior generosidade na prática das obras de misericórdia.</p><p>Se Deus é amor, a caridade não deve ter fim, porque a grandeza de Deus não tem limites. Para praticar o bem da caridade, amados filhos, todo tempo é próprio. Contudo, estes dias da Quaresma, a isso nos exortam de modo especial. Se desejamos celebrar a Páscoa do Senhor com o espírito e o corpo santificados, esforcemo-nos o mais possível por adquirir essa virtude que contém em si todas as outras e cobre a multidão dos pecados.</p><p>Ao aproximar-se a celebração deste mistério que ultrapassa todos os outros, o mistério do sangue de Jesus Cristo que apagou as nossas iniqüidades, preparemo-nos em primeiro lugar mediante o sacrifício espiritual da misericórdia; o que a bondade divina nos concedeu, demo-lo também nós àqueles que nos ofenderam. Seja, neste tempo, mais larga a nossa generosidade para com os pobres e todos os que sofrem, a fim de que os nossos jejuns possam saciar a fome dos indigentes e se multipliquem as vozes que dão graças a Deus. Nenhuma devoção dos fiéis agrada tanto a Deus como a dedicação para com os seus pobres, pois nesta solicitude misericordiosa ele reconhece a imagem de sua própria bondade.</p><p>Não temamos que essas despesas diminuam nossos recursos, porque a benevolência é uma grande riqueza e não podem faltar meios para a generosidade onde Cristo alimenta e é alimentado. Em tudo isso, intervém aquela mão divina que ao partir o pão o faz crescer, e ao reparti-lo multiplica-o. Quem dá esmola, faça-o com alegria e confiança, porque tanto maior será o lucro quanto menos guardar para si, conforme diz o santo Apóstolo Paulo: Aquele que dá a semente ao semeador e lhe dará pão como alimento, ele mesmo multiplicará vossas sementes e aumentará os frutos da vossa justiça (2Cor 9,10), em Cristo Jesus, nosso Senhor, que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.”</p><p>Dos Sermões de São Leão Magno, papa (Sermo 10 de Quadragesima, 3-5:PL 54,299-301) (Séc.V)</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@kiboka?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Nadya Spetnitskaya</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Quem somos nós?</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 28 Mar 2022 04:19:17 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c644-quem-somos-nos.jpg"/><p>“La primera afirmación de Andrade nos sitúa en el lugar desde el que ella hace teología. Interpelada por la realidad que la rodea, hace visible que la marginación de los empobrecidos llega hasta los límites del lenguaje. Ellos no entran en la definición de persona que aprendimos. Como tampoco entran quienes padecen demencia senil, discapacidad física se vera o sufren un retraso grave, los abandonados del mundo y del sistema. Su quehacer teológico se encarna en la dolorosa situación de quienes se encuentran en las fronteras de lo humano y en su impotencia quedan desposeídos de la dignidad que les es otorgada, mientras otros se arrogan para sí el ser sujetos, libres y autónomos, con capacidad para disponer de sus vidas y de la vida de otros/otras. у</p><p>Si incluir a los marginados no fuera motivo suficiente para incorporar al discurso teológico un nuevo concepto de persona, Andrade propone otras razones a lo largo de su profusa obra. Entre ellas, el impacto significativo que puede ofrecer un nuevo lenguaje antropológico a la hora de pensar los discursos sobre Dios, la creación, la gracia y el pecado.<br/>(…)<br/>La elección del término autopresencia para referirse a la persona no es casual. En su intento por proponer un concepto inclusivo, sin connotaciones previas, esta noción no conlleva ni la autoconciencia ni la autoposesión. Autopresente no es el yo encerrado en sí mismo, es quien es presente a sí mismo, a sí misma, y siendo en sí, tiene la capacidad para responder ante alguien, reaccionando a una presencia, una mirada, una palabra, un gesto.</p><p>Presente a sí misma, la persona es búsqueda y pregunta por su identidad. Pregunta que ha de ser respondida por quienes entretejen la trama de su vida. Esta dinámica implícitamente descubre la ausencia de un yo omnipotente. Por el contrario, la autopresencia se espera a sí misma en los demás, aguardando que otros/otras colmen sus deseos y carencias. Por tanto, por más difuso que sea el yo es esperanza que se abre indefinidamente al anhelo de una plenitud que al menos sacie su ser vulnerable y dependiente, allí donde se encuentre, como se encuentre.</p><p>Preguntar, buscar, esperar son procesos comunes a toda autopresencia; sin embargo, son propios de cada autopresencia y, por ende, intransferibles. El yo personal no puede ser reemplazado por nadie en sus vivencias. Su memoria, deseos y sentimientos le pertenecen. Es autónomo en su aper tura ilimitada y, por tanto, también puede manifestar, aún imperceptible mente, su rechazo.</p><p>La persona pregunta presente ante sí espera descubrir su propio mis terio como sí misma. Autopresencia-esperanza-autonomía “describen a una persona siempre necesitada de alguna sanación e integración que no es capaz de procurarse por sus propias fuerzas”. Es en el encuentro consigo con los demás y su contexto donde halla las respuestas a sus preguntas.</p><p>La pregunta por el misterio que soy no puedo responderla sin ti: Abiertas a más de sí, las personas se descubren a sí mismas y a sí mismas en comunión con otras.”</p><p>Sánchez Ruiz, A. (2019). Tu misterio es nuestra esperanza. Contribuciones del concepto de persona como autopresencia-en- relación. Revista Iberoamericana De Teología, 14(27), 11-41. Recuperado a partir de <a href="https://ribet.ibero.mx/index.php/ribet/article/view/13">https://ribet.ibero.mx/index.php/ribet/article/view/13</a></p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@graphics_cash?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Cash Macanaya</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Historicizar a salvação cristã</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 28 Mar 2022 01:55:01 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c643-historicizar-a-salvacao-crista.jpg"/><p>“Romero otorga una profundidad mística a la opción por los pobres al invitar a sus lectores a contemplar al Cristo de la pasión en el pueblo sufriente. En un artículo de 1972 trae a colación, sin cita, una frase de Karl Rahner: “La marcha de la historia sólo se entiende proyectándola sobre la pasión de Cristo y viceversa”. Inspirado en esa afirmación, Romero escribe: “Ha sido una conjugación de la pasión de Cristo y de la pasión de nuestro pueblo […] Una verdadera pasión del pueblo, del pueblo pobre que es, en último término, el que tiene que cargar la cruz fabricada por las ambiciones y rivalidades”.</p><p>El misterio de la encarnación permitió a Romero descubrir la presenciade Cristo en el rostro de los pueblos sufrientes. En 1971, invitaba a asumir la renovación posconciliar que se encuentra en el documento de Medellín, dado que “el espíritu marcó allí la hora y descubrió el verdadero rostro de la Iglesia de Cristo, encarnada y dando respuesta a nuestros pueblos”.</p><p>La contemplación de la Pasión del Señor en la pasión del pueblo tiene entonces hondas connotaciones políticas, pues lleva a la Iglesia a insertarse en el “via crucis nacional” para superar todo odio e injusticia y así permitir la recuperación de la dignidad de todos los hombres en la resurrección. Más adelante, en 1978, con toda la dramática experiencia de la creciente violencia en El Salvador, monseñor Romero hizo una lúcida contemplación política de la pasión cuando afirmó que:</p><blockquote><p>Cristo afeado y dolorido, oprimido y maltratado, no es sólo un individuo de la historia: en él hay que mirar al que carga todas las culpas y las consecuencias de todas las culpas. Él es la mejor figura de un pueblo desfigurado por el pecado de quienes integran este pueblo.</p></blockquote><p>Contemplar a Cristo en los que sufren los atropellos contra sus derechos fundamentales hace que la defensa de esos derechos sea parte del “minis-terio de la Iglesia a la humanidad”. Romero pedía que la Pascua tuviera incidencia social y política en la práctica de la comunidad cristiana. Las comunidades deben convertirse en “cirios de Pascua […] que descubran a nuestra patria los verdaderos caminos de su dignidad, de su paz y de su verdadero progreso”.</p><p>La opción por los pobres, fundada en la contemplación de la pasión de Cristo en la pasión del pueblo, será la semilla de lo que podríamos denominar una espiritualidad política; es decir, una fe que puede alimentarse a partir de una contemplación del Señor en la historia, en lo concreto de un mundo lacerado, de un pueblo sufriente. Ellacuría dirá que monseñor Romero contribuyó a historizar la salvación cristiana.”</p><p>Farfán Pacheco, M. M., &amp; Ruiz Serna, D. F. (2020). FE-POLÍTICA Y OPCIÓN POR LOS POBRES EN LA PRODUCCIÓN PERIODÍSTICA DE MONSEÑOR ÓSCAR A. ROMERO. Revista Iberoamericana De Teología, 16(31), 43-73. Recuperado a partir de https://ribet.ibero.mx/index.php/ribet/article/view/55</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@acharki95?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Aziz Acharki</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Cristo, sumo-sacerdote, é a nossa propiciação</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 27 Mar 2022 20:15:47 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c642-cristo-sumo-sacerdote-e-a-nossa-propiciacao.jpg"/><p>«Uma vez por ano o sumo sacerdote, afastando-se do povo, entra no lugar onde estão o propiciatório, os querubins, a arca da aliança e o altar do incenso; ninguém pode entrar aí, exceto o sumo sacerdote. Mas consideremos o nosso verdadeiro sumo sacerdote, o Senhor Jesus Cristo. Tendo assumido a natureza humana, ele estava o ano todo com o povo – aquele ano do qual ele mesmo disse: O Senhor enviou-me para anunciar a boa-nova aos pobres; proclamar um ano da graça do Senhor e o dia do perdão (cf. Lc 4,18.19) – e uma só vez durante esse ano, no dia da expiação, ele entrou no santuário, isto é, penetrou nos céus, depois de cumprir sua missão redentora, e permanece diante do Pai, para torná-lo propício ao gênero humano e interceder por todos os que nele creem.</p><p>Conhecendo esta propiciação que reconcilia os homens com o Pai, diz o apóstolo João: Meus filhinhos, escrevo isto para que não pequeis. No entanto, se alguém pecar, temos junto do Pai um Defensor: Jesus Cristo, o Justo. Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados (1Jo 2,1-2). Paulo lembra igualmente esta propiciação, ao falar de Cristo: Deus o destinou a ser, por seu próprio sangue, instrumento de expiação mediante a realidade da fé (Rm 3,25). Por isso, o dia da expiação continua para nós até o fim do mundo.<br/>Diz a palavra divina: Na presença do Senhor porá o incenso sobre o fogo, de modo que a nuvem de incenso cubra o propiciatório que está sobre a arca da aliança; assim não morrerá. Em seguida, pegará um pouco do sangue do bezerro, e com o dedo, aspergirá o lado oriental do propiciatório (cf. Lv 16,13-14). Ensinou assim aos antigos como havia de ser celebrado o rito de propiciação, oferecido a Deus em favor dos homens. Tu, porém, que te aproximaste de Cristo, o verdadeiro sumo sacerdote que, com o seu sangue, tornou Deus propício para contigo e te reconciliou com o Pai, não fixes tua atenção no sangue das vítimas antigas. Procura antes conhecer o sangue do Verbo e ouve o que ele mesmo te diz: Isto é o meu sangue, que será derramado por vós, para remissão dos pecados (cf. Mt 26,28).</p><p>Também a aspersão para o lado do oriente tem o seu significado. Do oriente nos vem a propiciação. É de lá que vem aquele homem cujo nome é Oriente e que foi constituído mediador entre Deus e os homens. Por esse motivo és convidado a olhar sempre para o oriente, de onde nasce para ti o Sol da justiça, de onde a luz se levanta sobre ti, para que nunca andes nas trevas, nem te surpreenda nas trevas o último dia; a fim de que a noite e a escuridão da ignorância não caiam sorrateiramente sobre ti, mas vivas sempre na luz da sabedoria, no pleno dia da fé e no fulgor da caridade e da paz.»</p><p><strong>Das Homilias sobre o Levítico, de Orígenes, presbítero</strong> (Hom. 9,5.10:PG12,515.523) (Séc.III)</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@darranshen?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Darran Shen</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Linguagem e (des)humanização</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 27 Mar 2022 08:15:20 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c641-linguagem-e-deshumanizacao.jpg"/><p>“Não somos nós que fazemos a pergunta pelo sentido da vida, mas a própria vida nos faz, quando exatamente as coisas já não fazem sentido e o coração humano continua pulsado por ter algo pelo qual viver. Mas também quando exatamente quando a vida nos inspira a encontrá-lo, de muitas formas, e sem forma definida alguma, pois é mistério e está além de toda forma. Como enigma, esconde algo de grandioso que pede sua decifração, e eis que nasce a linguagem, como cifras a serem não somente lidas, mas executadas onde as formas da beleza vão sendo assimiladas no interior humano que transbordam como fonte de sentido em seu agir, e eis o poeta, o que cifra o mundo, que nele se inspira, para outros também experimentarem. A linguagem é exatamente a decifração do mundo, e de modo especial a linguagem poética, que nasce da escuta atenta à essa vida maravilhosa e horrenda ao mesmo tempo, mas que algo faz o poeta acreditar que pode fazer sentido a vida, quer seja quando nos provoca ao encanto, quer seja quando não permite que nos percamos em delírios de nossas ilusões. É pelo surgimento da linguagem que o ser humano se humaniza e constrói uma sociedade em que suas formas sociais correspondam as formas daquilo que forma a sua consciência.</p><p>A Teologia tenderá a dizer que este “algo” que dá sentido à vida é “Alguém”. A Literatura ora concorda, quando este “Alguém” também provoca esse “algo”, mas com todo direito, desconfia de um “Alguém” que tão pouco tem “algo” a dizer à tarefa humana de ser humana, e mais ainda, quando em nome deste “Alguém” legitima as cegueiras que desumanizam a vida. Aqui a poesia é teológica quando é atéia, porque diz Deus no avesso. Quando o discurso sobre Deus não enxerga suas cegueiras é porque deixou de ser inspirado, ou seja, deixou de ser provocado por algo/Alguém que lhe provocava uma paixão pela vida, e assim, se torna apático com a vida concreta das pessoas e da sociedade para inventar um mundo paralelo, no qual se refugia e sacrilegamente chamará “céu”, como distância da condição humana. O santo que Zaratustra encontra não mais ama os homens para amar a Deus:</p><p>Pois por que — disse o santo — vim eu para a solidão? Não foi por amar demasiadamente os homens? Agora amo a Deus; não amo os homens. O homem é para mim, coisa sobremaneira incompleta. O amor pelo homem matar-me-ia.</p><p>É a partir desse momento que “Deus morreu”! Morre não porque já não tem mais nada a dizer a vida, mas sim porque já não o escutam, e o tratam como morto. Colocam em “Suas” palavras a legitimação da apatia de seus corações. Esse “deus” não era mistério, era um fantasma que assombrava pelo medo, e sua linguagem apática era teológica.</p><p>É aqui que a visão literária de Deus não é menos importante que a visão teológica, pois aquela por ser uma linguagem que nasce da escuta nunca deixou de escutar o Mistério da vida, esta por sua vez, acabou por sofrer de esclerocardia e surdez afetiva, dada sua paixão, demasiada paixão, pela razão cartesiana, que por sua vez temia a paixão, por fazer perder a razão. Nas palavras de Voltaire, o bom teólogo é aquele que tem um “coração gelado” e por isso o conselho:</p><p>Acaso era necessário odiar-se, perseguir-se, degolar-se por essas quimeras incompreensíveis? Corram com os teólogos, e o universo ficará tranqüilo (pelo menos em matéria de religião). Admitam-nos, dêem-lhes autoridade, e a terra será inundada de sangue.</p><p>Para o filósofo francês, a espada do frio teólogo se chama “dogma” e é causa de todas as barbáries, de modo que para conhecer a Deus não basta “uma razão para o conhecer” mas fundamentalmente ter “um coração para o amar”. Mais propriamente falando, Voltaire criticava o “dogmatismo” de uma linguagem cristã de Cristandade, ou seja, criticava o modo de ser apático de um cristianismo cultural que era usado para legitimar as escusas escolhas políticas de seu tempo, e que as Letras oriundas de uma consciência marcadamente humana, não aceitariam uma linguagem (modo) de ser desumano, por mais sagrada que pudesse ser a linguagem. O dia em que a linguagem teológica desumaniza é sinal que já não é Deus quem fala, mas alguém que se aproveita de Sua fama.”</p><p>Alex Villas Boas. <a href="https://revistas.pucsp.br/index.php/teoliteraria/article/view/22935">Se poeticamente o humano habita o mundo, poeticamente Deus habita o humano</a>.</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@duexsong?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Somruthai Keawjan</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>O livro de Rute</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 27 Mar 2022 04:03:14 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c640-o-livro-de-rute.jpg"/><p>“O quadro inicial da fome no livro de Rute começa dirigindo-se a uma família de Belém (bêth lehem = casa do pão). Essa família foge da crise migrando para os campos de Moab onde estes viverão por mais de dez anos. Logo morre o chefe da família, e, embora casados com mulheres moabitas, os dois rapazes também morrem sem deixar descendentes, ficando três mulheres, viúvas e sem filhos (Rt 1, 1-4). Essa emigração é consequência do individualismo provocado pelos altos tributos cobrados pelo império, que obrigavam o povo a trabalhar dobrado para pagá-lo e mesmo com todo esforço a miséria toma conta das famílias. Diante da fome a família de Elimeleque busca alternativas. Noemi retorna a Belém com uma das noras, Rute, e lá sobrevivem das sobras da colheita de um parente próximo, que posteriormente se casa com a jovem viúva, moabita, e também compra a terra do falecido parente judeu. Segundo Lopes (1997) a fome é consequência dos projetos de reconstrução promovidos por Esdras e Neemias, pois acentuaram os conflitos existentes em Jerusalém. A imagem do mal no livro de Rute pode ser identificada pelo quadro de crise e fome na terra.</p><p>É uma história de libertação precisamente porque descreve claramente os elementos básicos de uma história libertadora (Gn 12,10-20; 20,1-17; 26,1-17; Ex 1-3), como opressão, situação de risco de vida, de fome, viuvez, migração, sem-terra e sem comida, escravidão, cena de fome força a migração. Apresenta protesto em dois extremos: crise (o grito amargo de Noemi- Rt 1,20) e sua resolução (Rt 4,14-17). Rao (2009) diz que a história mostra o motivo de uso de artifícios, por Rute e Noemi, para sobrevivência.</p><p>A história de Rute não é inocente, mas é uma crítica velada à estrutura iníqua que gera fome, morte, migração, viuvez, marginalização da mulher etc. Apela para uma lei do tempo dos juízes, a lei da respiga, como superação da fome. Marianno (2010) diz que “para sobreviver em tempos de fome, a viúva mais velha colocou a serviço das duas a sua experiência de mulher vivida, de ler o caráter das pessoas com os olhos que o tempo lhe permitia ter” (MARIANNO, 2010, p. 121). A autora destaca que Noemi buscava justiça, trazendo à memória a história de seus ancestrais, como o caso de um sogro que largou sua nora no esquecimento e essa precisou usar artifícios comprometedores para que ele cumprisse com suas obrigações sociais (Gn 38). Essa era uma lei humanitária que permitia aos pobres rebuscar a área depois que os trabalhadores fizessem a colheita (Lv 19,9-10; Dt24,19). Rute pede a Noemi permissão para “respigar” em alguma lavoura cujo proprietário ou funcionários a recebessem, pois estavam no início da colheita da cevada, e Rute entra em ação para superar o mal daquele momento (FERREIRA, 2014). Embora pareça como mendicância, essa prática era não só aceita como garantida por direito ao estrangeiro, órfão e viúva (CARRASCO, 2002).”</p><p>Gláucia Loureiro de Paula. <a href="http://seer.pucgoias.edu.br/index.php/fragmentos/article/view/8903">O livro de Rute como proposta de superação do mal estrutural</a>.</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@raminix?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Ramin Khatibi</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>A fé e a razão</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 27 Mar 2022 02:41:07 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c639-a-fe-e-a-razao.jpg"/><p>“Pode-se dizer que a relação entre a fé e a razão, para não se deturpar, exige três principais momentos: 1 – preparação para a fé pela razão; 2 – ato da fé; 3 – inteligência do conteúdo da fé. No entanto, nem sempre se transita livremente e sem sobressaltos de um para outro momento passando-se por essas três etapas.</p><p>A interação entre esses três momentos é o itinerário ideal desejado para o cristão, todavia essas três etapas não se exigem mutuamente. Apenas o primeiro momento se impõe: pois, obrigatoriamente, só pode crer quem é dotado de razão (os animais não creem); quem não possui razão (no sentido de pensamento) não pode crer e assentir com a fé. A razão é condição primeira de possibilidade da própria fé.</p><p>Daí para diante – após a primeira etapa das relações entre a fé e a razão – surgem em campo outros fatores fundamentais para a continuidade da interação (da afirmação da fé); um deles é, por exemplo, a vontade, que pode levar à interação dessas etapas ou romper sua continuidade¹5. Por exemplo: a deliberação da vontade pode nos afastar da fé, recusando e rejeitando o ato da fé. Nesse caso, o movimento das relações entre a fé e a razão é esvaziado de seu significado e meta. Quando isso não ocorre, e o assentimento da razão se embasa na vontade, o processo continua na direção de certa intelecção da revelação.</p><p>Em suma, sob a conduta da fé, a razão não se extravia como acontece com os filósofos guiados exclusivamente pela razão. Esse seria o caso de alguns filósofos gregos nos quais Santo Agostinho se inspirou: Platão e Plotino. Eles viam a verdade e a almejavam (“trata-se da doutrina mais próxima da verdade cristã e dela devemos nos utilizar”); no entanto não possuíam os meios para alcançá-la (a verdadeira filosofia para Santo Agostinho era aquela que, não contente em mostrar fins, fornece meios para alcançá-los).</p><p>Toda filosofia que pretenda bastar-se a si mesma se equivocará, errará (os erros de Platão e de Aristóteles são os de uma razão autônoma), de modo que o único método seguro é o de ter a revelação como guia, a fim de se chegar a alguma inteligência de seu conteúdo. Em outras palavras, a razão só alcança a verdade com o auxílio da fé. A razão é impotente para abarcar e esgotar a verdade. Ela é convidada a crer, é-lhe pedido que compreenda a necessidade de crer se quiser compreender outras coisas.</p><p>A razão é inseparável da fé em seu exercício, pois não basta a si própria. Essa fórmula, tão estranha aos modernos e aos preconizadores de uma razão soberana, passa a ser a marca distintiva do itinerário agostiniano rumo à verdade.</p><p>Retomando alguns aspectos das relações entre fé e razão, nota-se que crer é um ato do pensamento”. Para crer, para ter fé, é preciso pensar; todo aquele que crê pensa, crendo pensa, pensando crê.<br/>Eis a resposta de Santo Agostinho a quem perguntasse sobre a ordem da intelecção e da fé, isto é, se devemos primeiro compreender” para crer ou crer para depois compreender No Sermão 45, on sobre o sentido da intelecção e da fé, diz que todos querem entender, mas nem todos querem crer. Se lhe dissessem: “compreenda para crer”, responderia, “crê para que compreendas” (Intelligam, ut credam; respondeo: Crede, ut intelligas”) acrescentando o versículo de Isaías: “se não crerdes, não compreendereis” (nisi credideritis, non intellegetis; Is 7, 9).</p><p>Diz o Hiponense, em seguida, que em parte tem razão aquele que diz “compreenda para crer” visto que ele (Santo Agostinho) fala para que creiam aqueles que não creem e sem entenderem o que ele diz não podem crer. Logo, é em parte verdade que se “compreender para crer” e também o que Santo Agostinho diz conforme o profeta: “crê para compreender”. E já que ambos têm razão, acrescenta: “Portanto compreende para crer, crê para compreender” (Ergo intellige, ut credas; crede, ut intelligas). E encer ra o Sermão dizendo como esses termos devem ser entendidos: “Compre ende minha palavra para crer; crê para que compreendas a palavra de Deus” (Intellige, ut credas, verbum meum; crede, ut intelligas verbum Dei).</p><p>Há razões para crer; uma delas é ser razoável, não confiar apenas na razão. Outra: a fé não é um fim em si mesmo, mas deve conduzir à intelecção. A fé, em si mesma, também pode se extraviar”. Ambos os termos são indissociáveis no percurso rumo à verdade.”</p><p>Mariana Paolozzi Sérvulo da Cunha. <a href="https://www.faje.edu.br/periodicos/index.php/perspectiva/article/view/2896">Santo Agostinho: fé e razão na busca da verdade</a>.</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@ohlrogge?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Niklas Ohlrogge</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>A voz do silêncio</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 26 Mar 2022 23:22:16 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>26/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c638-a-voz-do-silencio.jpg"/><p>«A palavra e o silêncio não são opostos, mas são como as duas faces de uma mesma moeda: aquele que ora não tem que escolher um e renunciar ao outro, mas conciliar os dois e mostrar que ambos são necessários para veicular a experiência vivenciada na oração. Deus colocou no ser humano uma necessidade e uma capacidade seja de silêncio seja de expressão verbal. O silêncio se situa entre dois exercícios de linguagem: ele procede da palavra e a ela reconduz. A linguagem da oração, porquanto se sirva de palavras, encontra-se sempre diante da dificuldade para exprimir o indizível.</p><p>Na oração, falar significa lutar contra a insuficiência e inadequação das linguagens existentes. Por esse motivo, muitas vezes, os grandes orantes preferem o silêncio à palavra. A linguagem deles busca indicações, alusões, um tatear na obscuridade para pronunciar o Inefável. É uma linguagem incerta que só pode balbuciar diante do que é transcendente.</p><p>Em uma verdadeira comunicação, silêncio e palavra devem por força sucederem um ao outro em uma verdadeira ética de comunicação, porque toda pergunta pede uma resposta, toda afirmação exige um deter-se para refletir sobre o seu peso, todo diálogo provoca uma deliberação recíproca (cf. LE BRETON,1997, p. 17).</p><p>Não existe palavra sem silêncio: As palavras dão significado ao mundo, nos permitem compreendê-lo, tocá-lo, são o instrumento para fazê-lo comunicável, mesmo se muitas vezes de modo imperfeito e limitado, porque o mundo está sempre em movimento e em uma complexidade crescente. O discurso não poderia existir a não ser na relação recíproca entre silêncio e palavra. O silêncio não é uma escória, um resto, um vazio a ser preenchido. Linguagem e silêncio se misturam na expressão da palavra: assim que podemos dizer que todo enunciado nasce do silêncio interior do indivíduo sempre em diálogo consigo mesmo. Toda palavra é precedida por uma voz silenciosa, por um sonho despertado repleto de imagens e pensamentos difusos sempre atuantes no nosso coração. Esse mundo caótico e silencioso jamais se deixa calar, carregado como é de desejos, emoções, e prepara uma formulação que surpreende com frequência quem a emite (cf. LE BRETON,1997, p. 19).</p><p>O que nos faz acreditar em um pensamento que existiria por si antes da expressão são os pensamentos já constituídos e já expressos que nós podemos reevocar a nós silenciosamente e para os quais nós nos damos a ilusão de uma vida interior. Mas na realidade esse silêncio presumido é vibrante de palavras, essa vida interior é uma linguagem interior (MERLEAU-PONTy, 1945, p. 213).</p><p>As palavras na sua trama de silêncio: Se a presença do ser humano é antes de mais nada aquela da sua palavra, ela é também inelutavelmente aquela do seu silêncio. A relação com o mundo não se trama somente na continuidade da linguagem, mas também nos momentos de suspensão, de contemplação, de retiro, isto é, em todos os momentos em que a pessoa se cala. Palavra e silêncio se misturam na conversação para conduzir a uma troca. Quando o homem se cala, isso não significa que se comunique menos. O silêncio não é nunca um vazio, mas o sopro entre as palavras,a réplica curta que autoriza a circulação de sentido, ou a troca de olhares, das emoções (cf. LE BRETON,1997, p. 25-27).</p><p>O silêncio põe a palavra em movimento, dando-lhe um ângulo particular. O ritmo do silêncio e da palavra cria a possibilidade da troca: as vozes, os olhares, os gestos, a distância que se mantém entre um e outro, tudo isso doa uma contribuição à circulação de sentido. Nenhum homem é reduzível somente ao seu discurso: o conteúdo da palavra é somente uma dimensão do processo da comunicação: as pausas, os modos de falar ou de calar, os silêncios, são igualmente decisivos. A voz se interrompe às vezes, retoma o seu sopro, deixa ao outro o tempo de uma réplica. Os breves silêncios que ornam a discussão permitem um átimo de reflexão antes de prosseguir com o raciocínio, verificando o acordo do outro com respeito a uma proposta susceptível de provocar uma divergência de opinião. Sem o reverso do silêncio, a comunicação seria impensável.</p><p>Por isso, uma oração silenciosa não é uma oração fracassada, onde não se deu o diálogo com o Senhor. Mas uma oração fecunda, profunda, cheia de afeto, expressão de um amor onde as palavras sobram.»</p><p>Alfredo Sampaio Costa. <a href="https://www.faje.edu.br/periodicos/index.php/perspectiva/article/view/2967">A oração como um falar e calar. Algumas questões sobre a linguagem da mística</a>.</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@_javardh_001?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Javardh</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>A gênese da alteridade</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 26 Mar 2022 06:15:30 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>26/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c637-a-genese-da-alteridade.jpg"/><p>«Em primeiro lugar, relembrarmos que o texto bíblico começa pela criação, criação do universo e criação do ser humano, e não pela história de Caim e Abel; Isto para tornar distância em relação aos ensaios sobre a violência de Girard, por exemplo. O que significa a criação do ser humano à imagem de Deus? Um dos aspectos da imagem de Deus expõe a diferença entre o homem e a mulher como estrutura mesma dessa imagem. A semelhança divina consiste na relação mesma do homem com a mulher. Esta relação “constitui ao mesmo tempo a humanidade do homem e a imagem de Deus”. Essa concepção mostra que não há imagem de Deus que não seja habitada pela alteridade. Num certo sentido, o primeiro dom de Deus é a própria alteridade. Um está inscrito na essência própria do ser humano, no coração de sua liberdade – a essência não é nem o masculino nem o feminino, mas sua relação. O outro está na essência, mas ele pode ser recusado no movimento da história, no movimento da própria liberdade. Uma das características da violência emerge por meio da negação do outro. Essa imagem é uma exigência que deve ser assumida pela liberdade. Não existe, com efeito, forma a priori, ou modelo acabado, para realizar essa imagem. A imagem exprime bem mais a condição de um projeto futuro: assumir o outro na sua irredutível diferença. E já que não existem modelos prontos a serem aplicados, a moral é convidada a ser criadora, imaginativa, de uma vida e de um agir onde a alteridade é respeitada.</p><p>Referida à alteridade, a imagem é também referida um futuro, a uma ordem escatológica. Se o sentido da imagem (de Deus) está presente em nós, a imagem em si mesma não se torna nunca nossa possessão. O ser masculino e feminino só existe enquanto tal na comunicação. A comunicação, o diálogo, a palavra, são uma vitória sobre o retorno ao fechamento em si mesmo em sua essência mais própria, característica da violência. Uma vitória, porém, sem finalização histórica, já que referida a uma ordem escatológica.</p><p>Além disso, criado à imagem de Deus, o homem não pode ver o modelo do qual ele é a imagem. Não sendo criado à imagem do mundo, mas de Deus, o homem é criado à imagem do invisível. Essa imagem ausente não pode ser o objeto de nenhuma contemplação narcísica ou fechada em si mesma. Ela só pode ser um convite para reencontrar seu modelo invisível. Como exercício e expressão da liberdade do homem, afirmando-se de alguma forma, a existência humana deve ser trabalhada por essa abertura, sob pena de destruir a si mesma e aos outros.</p><p>O ser humano tem, portanto, por vocação profunda, realizar em si mesmo a imagem de Deus, que não é outra coisa que o exercício da liberdade. Enquanto ser livre, o homem é imagem de Deus e <em>capax dei</em>. Nesse sentido, uma teologia da criação permite pensar que a liberdade finita é entregue a si mesma e entregue à sua própria responsabilidade. Essa reflexão teológica conduz a reconhecer que, em nome da revelação, o homem tem a capacidade de dar sentido à vida, de decidir sobre tudo, de maneira responsável, em razão de sua qualidade de filho de Deus, quer dizer, como ser racional e livre. Como <em>providentia sui</em> e <em>sibi ipsi</em>, o ser humano é auto-legislador. Ele não faz diretamente apelo a Deus para formular as normas de sua conduta, mas essa mesma liberdade deverá, no ato mesmo pelo qual ela toma consciência de si, exprimir o seu caráter de dom e sua passividade fundadora. Se ela omite esse traço, se ela quer se determinar e realizar-se segundo o modo da superpotência não admitindo nenhuma fronteira, nenhum limite, ela fenece na idolatria criminosa Ela faria ver, ao mesmo tempo, que ela é a imagem que tem de Deus: um Deus onipotente e sem limites que não é aquele da Aliança</p><p>Queremos dizer que o humano plenifica nele a imagem de Deus na medida em que, dominando seu próprio domínio, a exemplo de Deus, parando no seu ato de criar (e colocando aí um limite ao seu próprio domínio), “ele contribui à criação de um mundo pacífico, com esta doçura que é a renúncia às ilusões da superpotência e abertura dinâmica à alteridade. O humano se torna então um ser vivente que suscita a vida e se torna capaz da Aliança, à imagem de Deus”. Ora, é precisamente essa noção de aliança, que implica o respeito da alteridade, que a serpente vem colocar em dúvida.»</p><p>Pe. Dr. Eric Gaziaux. <a href="https://revistas.pucsp.br/index.php/culturateo/article/view/25021">A violência: percurso de ética fundamental</a>.</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@bakutroo?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">J W</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Solidariedade e misericórdia</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 26 Mar 2022 01:57:11 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>26/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c636-solidariedade-e-misericordia.jpg"/><p>«Enquanto na sociologia moderna, o conceito de solidariedade é relativamente recente, tendo sido incorporado no século 19, para a Bíblia, a ideia de que as pessoas precisam colaborar umas com as outras para haver paz social remonta à origem do próprio cristianismo. De fato, trata-se de um dos fundamentos da fé bíblica, como explica o reitor da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje), professor Jaldemir Vitório.</p><p>“A palavra ‘solidariedade’ corresponde, no mundo bíblico, ao que chamamos de ‘misericórdia’. Não é simplesmente uma ajuda entre aqueles que são iguais. Trata-se da misericórdia da relação de proximidade e afeto com o outro, especialmente pelos mais fracos, pobres e oprimidos”, explica.</p><p>Segundo o reitor da Faje, praticamente tudo na Bíblia vai se fundamentar a partir o conceito fundamental de misericórdia, que significa, em sua acepção bíblica, libertar os oprimidos e oferecer a ele uma terra de fraternidade. “Em seus primeiros escritos, no Torá, Deus firma um pacto para que Israel, sendo povo de Deus, também seja o povo da misericórdia e da solidariedade”.</p><p>“O Código Deuteronômico, que integra o Torá e representa, de certa forma, um código de conduta para o povo de Israel, tem um componente humanista muito forte. Em especial entre os capítulos 12 a 26, em que se dá muita ênfase ao dever de ser solidário com a viúva, do órfão, do pobre e do estrangeiro. Por que o código tem essa preocupação? São categorias que eram marginalizadas na época, cuja sobrevivência dependia da misericórdia do outro”, destaca Jaldemir Vitório.</p><p>Esse conceito de misericórdia fundamenta toda a doutrina cristã, até os dias de hoje. Faz-se, inclusive, cada vez mais necessário, uma vez que a modernidade vem apontando para a direção oposta, com a exacerbação do individualismo.</p><p>“Hoje, o radicalismo da valorização da pessoa como indivíduo. Estamos nos isolando, construindo muros cada vez mais altos entre nós. As pessoas acham que a solidariedade aumentou com a internet, mas não acredito nisso. A solidariedade virtual não gera comprometimento entre as pessoas. Costumo ilustrar isso com a história do indivíduo que tem milhares de seguidores no Facebook e que, na hora da morte, não tem ninguém no velório”, exemplifica.</p><p>Apesar do momento de exacerbação do individualismo, o reitor da Faje se mostra otimista em relação ao futuro. “Chegaremos a um ponto em que teremos que mudar essa postura, com o esgotamento dos recursos naturais e, consequentemente, das possibilidades de vivermos somente em função de nossas necessidades. Um mundo sem solidariedade não é só insuportável. É impossível”, conclui.»</p><p><a href="https://domtotal.com/noticias/detalhes.php?notId=736372">Solidariedade é o fundamento da fé cristã</a></p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@shanerounce?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Shane Rounce</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Depressão: doença ou problema espiritual?</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c635-depressao-doenca-ou-problema-espiritual</guid>
      <pubDate>Fri, 25 Mar 2022 19:55:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c635-depressao-doenca-ou-problema-espiritual.jpg"/><p>«O autor [do livro Depressão: Doença ou Problema Espiritual], Ismael Gomes de Oliveira Sobrinho,é médico pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), especialista em Psquiatria e Psicogeriatria pela Associação Brasileira dePsiquiatria (ABP) e mestre em Ciências da Saúde pela Fa-culdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (CMMG). Atua há dez anos na prática clínica e, em empresas e igrejas, realiza palestras relacionadas à saúde emocional, trabalho e espiritualidade cristã.</p><p>Com o intuito de responder ao título da obra, o capítulo um é denominado “Causas e Frequência”da depressão. Compreendendo que a Bíblia cristã é mais do que um conjunto de doutrinas teológicas, o autor aponta o erro em não se perceber as crises emocionais vivenciadas por muitos homens e mulheres que tinham uma vida espiritual profunda e sincera. Dúvida, apreensão, sintomas depressivos, angústia extrema, etc., podem ser percebidos nos textos bíblicos que relatam claramente o relacionamento das pessoas com Deus. Então, Sobrinho (2018)questiona: há casos bíblicos de depressão? Verificando textos bíblicos como I Reis 18-19 e Tiago 5.17, responde: “A bíblia […] não apresenta o termo ‘depressão’ registrado em suas páginas. Isso não nos impede de estarmos mais a tentos e verificarmos os dramas humanos vivenciados por esses homens que, apesar de ‘andarem com Deus’, acabaram por expressar diversos sintomas condizentes com momentos depressivos” (SOBRINHO, 2018, p. 22).</p><p>Aquela que ocupa o segundo lugar dentre as doenças que mais causam incapacidade para o trabalho, segundo a Organização Mundial da Saúde, também é um problema grave dentro da igreja. Apontando alguns levantamentos estatísticos aterradores, o autor demonstra como as pessoas com depressão têm sido alvo de preconceito e sobrecarga emocional ao longo da vida. Seja diagnosticada entre crianças ou adultos, a influência espiritual na doença seria apenas mais um ponto a ser verificado. Por isso, Sobrinho conclui: “dizer que a opressão maligna ou maldição familiar é a causa da depressão em uma família constitui, além de um erro teológico, uma grande fonte de culpa e de adiamento do tratamento adequado” (SOBRINHO, 2018, p. 29).</p><p>Após uma descrição histórica de cristãos fiéis que ficaram doentes (SOBRINHO, 2018, p. 30-31), o autor foca na depressão causada por fatores espirituais. Repelindo os conceitos da falta de fé e oração insuficiente, por exemplo, postula que é um erro resumir a causa das doenças em fatores espirituais como esses. Citando textos bíblicos, Sobrinho também trata da relação entre depressão e pecado. De fato, “de uma forma universal […] e indireta, podemos deduzir que toda enfermidade, e isso inclui a depressão, deriva do pecado. Isso não quer dizer que individual e diretamente toda depressão se origine dele” (SOBRINHO, 2018, p. 43). Ora, se a maioria dos casos depressivos não guarda relação direta com o pecado, é vital que o cristão também entenda as causas biológicas da doença (SOBRINHO, 2018, p. 49-54), a fim de que não se enquadre nos tipos de espiritualidade que adoecem (SOBRINHO, 2018, p. 65-68).</p><p>O segundo capítulo intitula-se “A Doença”.O autor aborda odiagnóstico da depressão(seu aspecto estritamente clínico), casos de exames complementares, escalas diagnósticas e medicamentos. Também instrui acerca da importância de se “diferenciar a depressão de sentimentos de tristeza normais e situações de luto” (SOBRINHO, 2018, p. 73). Nesse interim, destaca-se o Inventário de Depressão de Back (SOBRINHO, 2018, p. 74-80), sugerido pelo autor, e a compreensão clara dos sintomas da doença em virtude das possíveis confusões nos dias de hoje. Para tanto, Sobrinho elenca alguns dos principais sintomas da doença: (a) humor deprimido, (b) perda de interesse, prazer e falta de energia e (c) alterações de apetite, sono e desejo sexual. Reconhecendo que “a depressão não é um sintoma isolado, mas um conjunto de sintomas somados que irão exigir o tratamento médico especializado”(SOBRINHO, 2018, p. 82), aborda exemplos dos sintomas físicos(dor ou desconforto do peito, problemas de pele, sensibilidade do sistema gastrointestinal), cognitivos (alterações de memória e concentração) e queixas psicossociais (baixa autoestima, isolamento).</p><p>A obra ainda elenca alguns subtipos diferentes de quadros depressivos, “transtornos emocionais que apresentam sintomas depressivos ao longo de sua evolução com características atípicas, sazonais ou que se expressam de maneira menos ou mais intensa que a depressão típica” (SOBRINHO, 2018, p. 93). O autor apresenta a distimia, a depressão e transtornos emocionais no pós-parto, a depressão sazonal e a depressão com sintomas psicóticos, bem como a relação da doença com os transtornos de ansiedade (pânico, ansiedade generalizada e fobia social). Entrementes, o autor demonstra a diferença entre depressão e transtorno bipolar (SOBRINHO, 2018, p. 107-112), a relação entre a doença e o risco de suicídio (113-118), o crescente número de diagnósticos entre crianças, adolescentes e idosos (119-125) e, o caso deste leitor, a depressão em pastores e líderes cristãos (127-130).»</p><p>Ângelo Vieira da Silva. <a href="http://periodicos.pucminas.br/index.php/horizonte/article/view/25950">Resenha do livro Depressão: Doença ou Problema Espiritual</a></p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@ericmuhr?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Eric Muhr</a> on <a href="https://unsplash.com/photos/8HyrGTYPQ68?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Trabalho e capital na DSI</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 25 Mar 2022 17:48:57 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c634-trabalho-e-capital-na-dsi.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/22c634-trabalho-e-capital-na-dsi.png"/><p>“O trabalho, pelo seu caráter subjetivo ou pessoal, é superior a todo e qualquer outro fator de produção: este princípio vale, em particular, no que tange ao capital. Hoje, o termo «capital» tem diversas acepções: às vezes indica os meios materiais de produção na empresa, às vezes os recursos financeiros investidos numa iniciativa produtiva ou também em operações nos mercados financeiros. Fala-se também, de modo não de todo apropriado, de «capital humano», para indicar os recursos humanos, ou seja, os homens mesmos, enquanto capazes de esforço laboral, de conhecimento, de criatividade, de intuição das exigências dos próprios semelhantes, de mútua compreensão enquanto membros de uma organização. Fala-se de «capital social» quando se quer indicar a capacidade de colaboração de uma coletividade, fruto do investimento em liames fiduciários recíprocos. Esta multiplicidade de significados oferece ulteriores elementos para refletir sobre o que possa significar, hoje, a relação entre trabalho e capital.</p><p>A doutrina social tem enfrentado as relações entre trabalho e capital, salientando seja a prioridade do primeiro sobre o segundo, seja a sua complementaridade.</p><p>O trabalho tem uma prioridade intrínseca em relação ao capital: «Este princípio diz respeito diretamente ao próprio processo de produção, relativamente ao qual o trabalho é sempre uma causa eficiente primária, enquanto que o “capital”, sendo o conjunto dos meios de produção, permanece apenas um instrumento, ou causa instrumental. Este princípio é uma verdade evidente, que resulta de toda a experiência histórica do homem». Ele «pertence ao patrimônio estável da doutrina da Igreja».</p><p>Entre capital e trabalho deve haver complementaridade: é a mesma lógica intrínseca ao processo produtivo a mostrar a necessidade da sua recíproca compenetração e a urgência de dar vida a sistemas econômicos nos quais a antinomia entre trabalho e capital seja superada. Em tempos nos quais, no interior de um sistema econômico menos complexo, o «capital» e o «trabalho assalariado» identificavam com uma certa precisão não só dois fatores produtivos, mas também e sobretudo duas concretas classes sociais, a Igreja afirmava que ambos são em si legítimos: « de nada vale o capital sem o trabalho, nem o trabalho sem o capital ». Trata-se de uma verdade que vale também para presente, porque « é inteiramente falso atribuir ou só ao capital ou só ao trabalho o produto do concurso de ambos; e é deveras injusto que um deles, negando a eficácia do outro, se arrogue a si todos os frutos ».</p><p>Na consideração das relações entre trabalho e capital, sobretudo em face das imponentes transformações dos nossos tempos, se deve entender que «o principal recurso» e o «fator decisivo» nas mãos do homem é o próprio homem, e que «o desenvolvimento integral da pessoa humana no trabalho não contradiz, antes favorece a maior produtividade e eficácia do próprio trabalho». O mundo do trabalho está, efetivamente, descobrindo cada vez mais que o valor do «capital humano» tem expressão no conhecimento dos trabalhadores, na sua disponibilidade a tecer relações, na criatividade, na própria qualidade empresarial, na capacidade de enfrentar conscientemente o novo, de trabalhar juntos e de saber perseguir objetivos comuns. Trata-se de qualidades eminentemente pessoais, que pertencem ao sujeito do trabalho mais que aos aspectos objetivos, técnicos, operativos do trabalho mesmo. Tudo isto comporta uma perspectiva nova nas relações entre trabalho e capital: pode-se afirmar que, contrariamente ao que acontecia na velha organização do trabalho, em que o sujeito acabava por ser nivelado ao objeto, à máquina, nos dias de hoje dimensão subjetiva do trabalho tende a ser mais decisiva e importante do que a objetiva.</p><p>A relação entre trabalho e capital não raro apresenta traços de conflituosidade, que assume novas características com o mudar dos contextos sociais e econômicos. Ontem, o conflito entre capital e trabalho era originado, sobretudo, « pelo fato de que os operários punham as suas forças à disposição do grupo dos patrões e empresários, e de que este, guiado pelo princípio do maior lucro da produção, procurava manter o mais baixo possível o salário para o trabalho executado pelos operários». Atualmente, a conflituosidade de tal relação apresenta aspectos novos e, talvez, mais preocupantes: os progressos científicos e tecnológicos e a mundialização dos mercados, de per si fonte de desenvolvimento e de progresso, expõem os trabalhadores ao risco de ser explorados pelas engrenagens da economia e pela busca desenfreada de produtividade.</p><p>Não se deve julgar erroneamente que o processo de superação da dependência do trabalho em relação à matéria seja capaz por si de superar a alienação no trabalho e do trabalho. A referência não é só aos grandes bolsões de não trabalho, de trabalho clandestino, de trabalho infantil, de trabalho sub-remunerado, de trabalho explorado que ainda persistem, mas também às novas formas, muito mais sutis, da exploração dos novos trabalhos, ao super-trabalho, ao trabalho-carreira que às vezes rouba espaço a dimensões igualmente humanas e necessárias para a pessoa, à excessiva flexibilidade do trabalho que torna precária e não raro impossível a vida familiar, à modularidade do trabalho que corre o risco de ter graves repercussões sobre a percepção unitária da própria existência e sobre a estabilidade das relações familiares. Se o homem é alienado quando inverte meios e fins, também no novo contexto de trabalho imaterial, leve, qualitativo mais que quantitativo, podem dar-se elementos de alienação «conforme cresça a … participação [do homem] numa autêntica comunidade humana solidária, ou então cresça o seu isolamento num complexo de relações de exacerbada competição e de recíproco alheamento».”</p><p>As relações entre trabalho e capital (<a href="https://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/justpeace/documents/rc_pc_justpeace_doc_20060526_compendio-dott-soc_po.html#As%20rela%C3%A7%C3%B5es%20entre%20trabalho%20e%20capital">DSI, 276-280</a>)</p><p>Imagem: print de <a href="https://piaui.folha.uol.com.br/fome-sede-e-martirio-beira-mar/">Fome, sede e martírio à beira-mar</a> (Revista Piauí)</p>]]></description>
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      <title>A mortificação da carne</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 25 Mar 2022 07:08:17 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c633-a-mortificacao-da-carne.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/03/10064_9.pdf">10064_9</a><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/03/10064_9.pdf">Baixar</a><p>José Roberto Fortes Palau. <a href="https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/colecao.php?strSecao=resultado&amp;nrSeq=10064@1">A Força Salvífica da Mortificação. Proposta de uma nova reflexão teológico-pastoral acerca da mortificação cristã.</a> (<a href="https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/10064/10064_9.PDF">cap. 7</a>)</p><p>Imagem: <a href="https://thecyberneticprincess.tumblr.com/post/679667359570591744/enchantedbook-ariel-on-a-bats-back-louis">The Cybernetic Princess</a></p>]]></description>
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      <title>É melhor humanizar-se ou algoritmizar-se?</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 24 Mar 2022 23:04:52 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>24/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c632-e-melhor-humanizar-se-ou-algoritmizar-se.jpg"/><p>Enquanto preferimos evoluir às custas da nossa própria desumanização, esquartejando a nossa própria humanidade para que ela possa se adequar às exigências dos algoritmos de beleza, força e poder, que nós mesmos criamos para depois tratá-los como se fossem a nossa própria superação, Deus insiste em humanizar-se para que nós tenhamos uma espécie de rota de fuga de volta a nossa própria humanidade, que ele nos deu, para (ao contrário do que nos acostumamos) humanizar a força, a beleza, o poder, os seus algoritmos e o que quer que seja que criemos. Em vez de nos deixar submeter nossa carne a uma sequência finita de ações executáveis, preferiu ele próprio se fazer carne e habitar entre nós.</p><p><em>(Sim, é mais fácil escrever uma introdução de qualidade duvidosa para um antigo texto decente do que escrever um texto decente inteiro por si só).</em></p><p><strong>Cristo restituiu a perfeição original da humanidade</strong></p><blockquote><p>A humildade foi assumida pela majestade, a fraqueza, pela força, a mortalidade, pela eternidade. Para saldar a dívida de nossa condição humana, a natureza impassível uniu-se à natureza passível. Deste modo, como convinha à nossa recuperação, o único mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, podia submeter-se à morte através de sua natureza humana e permanecer imune em sua natureza divina.</p></blockquote><blockquote><p>Por conseguinte, numa natureza perfeita e integral de verdadeiro homem, nasceu o verdadeiro Deus, perfeito na sua divindade, perfeito na nossa humanidade. Por “nossa humanidade” queremos significar a natureza que o Criador desde o início formou em nós, e que assumiu para renová-la. Mas daquelas coisas que o Sedutor trouxe, e o homem enganado aceitou, não há nenhum vestígio no Salvador; nem pelo fato de se ter irmanado na comunhão da fragilidade humana, tornou-se participante dos nossos delitos.</p></blockquote><blockquote><p>Assumiu a condição de escravo, sem mancha de pecado, engrandecendo o humano, sem diminuir o divino. Porque o aniquilamento, pelo qual o invisível se tornou visível, e o Criador de tudo quis ser um dos mortais, foi uma condescendência da sua misericórdia, não uma falha do seu poder. Por conseguinte, aquele que, na sua condição divina se fez homem, assumindo a condição de escravo, se fez homem.</p></blockquote><blockquote><p>Entrou, portanto, o Filho de Deus neste mundo tão pequeno, descendo do trono celeste, mas sem deixar a glória do Pai; é gerado e nasce de modo totalmente novo. De modo novo porque, sendo invisível em si mesmo, torna-se visível como nós; incompreensível, quis ser compreendido; existindo antes dos tempos, começou a existir no tempo. O Senhor do universo assume a condição de escravo, envolvendo em sombra a imensidão de sua majestade; o Deus impassível não recusou ser homem passível, o imortal submeteu-se às leis da morte.</p></blockquote><blockquote><p>Aquele que é verdadeiro Deus, é também verdadeiro homem; e nesta unidade nada há de falso, porque nele é perfeita respectivamente tanto a humanidade do homem como a grandeza de Deus. Nem Deus sofre mudança com esta condescendência da sua misericórdia nem o homem é destruído com sua elevação a tão alta dignidade. Cada natureza realiza, em comunhão com a outra, aquilo que lhe é próprio: o Verbo realiza o que é próprio do Verbo, e a carne realiza o que é próprio da carne.</p></blockquote><blockquote><p>A natureza divina resplandece nos milagres, a humana, sucumbe aos sofrimentos. E como o Verbo não renuncia à igualdade da glória do Pai, também a carne não deixa a natureza de nossa raça. É um só e o mesmo – não nos cansaremos de repetir – verdadeiro Filho de Deus e verdadeiro Filho do homem. É Deus, porque no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus: e o Verbo era Deus. É homem, porque o Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,1.14).</p></blockquote><p><strong>Das Cartas de São Leão Magno, papa (Epist. 28, ad Flavianum,3-4: PL 54,763-767) (Séc.V)</strong></p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@lazycreekimages?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Michael Dziedzic</a> on <a href="https://unsplash.com/photos/vLmo8kAVVt4?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Mística de olhos abertos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 24 Mar 2022 17:33:13 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>24/03/2022</p><p>«Dorothy Day nasceu em 1897, em Nova York, passando a maior parte da infância em Chicago. Em 1916, retorna com a família para Nova York e começa a trabalhar no jornal socialista The Call. Trabalha também para a revista The Masses, opondo-se ao envolvimento dos EUA na Primeira Guerra Mundial. Em 1917, é presa ao protestar em frente à Casa Branca pelo direito do voto das mulheres e faz greve de fome, experiência que a marcou profundamente e que terá posteriormente influência em sua conversão.</p><blockquote><p>Eu perdi todo o sentimento da minha própria identidade. Eu refleti na desolação da pobreza, miséria, doença e do pecado. Que eu estaria livre depois de trinta dias não significava nada para mim. Eu nunca seria livre novamente, nunca livre quando eu soube que atrás das barras de todo o mundo havia homens e mulheres, jovens meninas e meninos, sofrendo restrição, punição, solidão e sofrimento por crimes dos quais todos nós éramos culpados.</p></blockquote><p>Na prisão começa a ler a Bíblia e as palavras divinas ecoam em seu coração, tanto que tenta se convencer de que a leitura era por mera diversão literária. Dorothy foi uma mulher de seu tempo, tempo de rebelião de costumes provocada, entre outras coisas, pelo avanço do movimento feminista que deu à mulher maiorcondição de envolvimento político e proporciona nova maneira de encarar a sexualidade.</p><p>Leva uma vida agitada e boêmia, tem um caso com Lionel Moise que resulta em uma gravidez e por pressão do parceiro, vê-se forçada a praticar o aborto. Casa-se posteriormente com Barkeley Tobey, produtor literário, mas acaba deixando-o e retomando o romance, por alguns meses, com Lionel Moise.</p><p>Vive tempos de estabilidade afetiva e emocional com Forster Batterham, botânico. Com ele tem uma filha, Tamar Theresa, em 1927, cujo nascimento marca o início de sua conversão, conforme lemos em sua autobiografia: “minha alegria de ter dado à luz a uma criança que me fez fazer algo definitivo. Eu queria que Tamar pudesse ter um caminho de vida e instrução”. O batismo da menina foioportunidade de pensar sobre sua própria experiência de fé:</p><blockquote><p>Eu sabia que batizaria minha filha a todo custo. Eu sabia que não a deixaria debatendo muitos anos como eu fizera, duvidando e hesitando, indisciplinada e amoral. Eu senti que era a maior coisaque faria por minha filha. Para mim, eu rezei pelo presente da fé. Eu tinha certeza, ainda sem garantia. Eu adiei o dia da decisão.</p></blockquote><p>Por conta das amigas Bee e Blanche, católicas devotas, Day começa a questionar sobre a fé e sobre a Igreja Católica. Relembrando alguns fatos do passado, diz: “o primeiro rosário que tive me foi dado por uma amiga de minha vida desordenada, que, mais tarde, se tornou comunista e foi ativa no trabalho para Espanha Legalista”. Ainda continua afirmando que “foi por eu sempre ir à catedral que Mary me deu o rosário. Eu não ia à missa porque era cedo e eu tinha que trabalhar”. Nota-se que durante sua vida, mesmo afastada, nunca perdeu a referência à Igreja com a qual tinha uma relação tradicional.</p><p>Ainda antes do batismo da filha, relata: “Tamar seria batizada e eu sabia que o rasgo que isso causaria nas relações humanas ao meu redor”. Mesmo sem a aprovação do companheiro, a menina é batizada. Essa decisão levou ao fim a relação com Batterham. Contudo, o batismo de Dorothy é posterior.</p><img width="600" a="" air",="" alt="Esta imagem mostra o famoso grafite " amarelo,="" arremessar="" banksy,="" bomba,="" boné="" branco="" buquê="" central="" class="img" cobrindo="" coloridas="" com="" concreto="" contra="" de="" desgastada.="" dinâmica="" e="" ele="" elemento="" em="" flores="" homem="" in="" is="" jovem,="" lenço="" love="" mensagem="" na="" o="" objeto="" obra="" ou="" pacífica="" parede="" paz="" pedra="" pintado="" postura="" preto="" protesto.="" que,="" quem="" resistência="" retrata="" rosto,="" roxo="" segura="" silhueta="" simbolizando="" src="/midia/22c631-mistica-de-olhos-abertos.jpg" style="float: left; margin-right: 15px; margin-bottom: 15px;" surpreendente="" the="" tons="" um="" uma="" vai="" vermelho,="" vez="" violência."="" é=""/><p>No momento de decisão, Dorothy sabia que “tornar-se católica significaria encarar a vida sozinha”, mas segue adiante. Tanto que seu relacionamento com Forster acaba e, assim, passa a ser mãe solteira. Isso não lhe é um peso, pois nota sua coerência de vida e de testemunho: “eu queria ser pobre, casta e obediente. Eu queria morrer para viver, para deixar o homem velho e vestir Cristo”.</p><p>Day nunca deixou enfraquecer seu compromisso pela justiça social e o viver entre os mais pobres. Ela acreditava numa “Igreja dos pobres” e ela mesma relata: “uma comunidade estava crescendo. Uma comunidade dos pobres, que apreciavam estar juntos, que sentiam que tinham embarcado em uma grande empreitada, que tinham uma missão”.</p><p>Após uma manifestação em Washington, Dorothy compreende que não havia conhecido nenhum leigo católico pessoalmente. Quando retorna para Nova York, encontra o Pe. Peter Maurin. Sobre esse encontro escreve: “Peter, o camponês francês, cujo espírito e ideias dominarão o resto deste livro, assim como eles dominarão o resto da minha vida”. Era o Pe. Peter quem falava sobre pobreza e sociedade para Dorothy e para os pobres. Será ele seu companheiro e parceiro de vida espiritual, além do trabalho apostólico. Em 1933, iniciam o Catholic Worker Movement (CWM), movimento que além da publicação de um jornal influente (com o custo de um centavo), fundou casas para os desabrigados da Grande Depressão e, aos poucos, foi se adaptando às novas exigências da sociedade.</p><blockquote><p>O CWM desejava viver um compromisso cristão radical a fim de criar uma nova sociedade “dentro da casca velha”. Os propósitos do CWM são: uma crítica da distribuição injusta da riqueza; uma crítica da organização política do governo; uma crítica das imagens distorcidas da pessoa humana causadas por classes, raça e sexo; uma forte condenação da corrida armamentista. Os meios para chegar a esses fins são: uma concepção personalista do ser humano; uma sociedade descentralizada; não violência; obras de misericórdia; e pobreza voluntária.</p></blockquote><p>Dorothy Day era uma revolucionária que buscou a revolução do coração combinada com a ação em defesa do ser humano, sempre em obediência e devoção à Igreja, que não era cega e nem acrítica. Vai à Roma com um grupo de mulheres durante o Concílio Vaticano II e pede aos padres conciliares que condenem a guerra.</p><p>É presa aos 75 anos por se declarar pacifista e morre em 29 de novembro de 1980, no meio dos pobres, em Nova York. Está em processo de canonização e já foi declarada Serva de Deus, por São João Paulo II,em 2000. Por seu itinerário espiritual, Dorothy Day pode ser considerada uma “mística de olhos abertos” e precursora da espiritualidade laical no espírito do Concílio Vaticano II. Sua vida é testemunho de uma espiritualidade de compaixão e solidariedade, comprometida com a transformação da sociedade.</p><p>Dorothy era uma pessoa que tinha consciência de seu corpo, valorizava sua sexualidade. Gostava de carinho, de estar com as pessoas, de ser amada e de amar. É justamente sua sensibilidade feminina, conforme afirma Bingemer, que a faz “apóstola dos mais pobres e defensora dos sem voz, paladina da paz e da justiça”. Sua difícil experiência com a maternidade teve grande importância em sua vida e marcou também seu engajamento social. A gravidez e o nascimento da filha representaram uma grande graça depois do aborto, pois imaginava que não poderia mais engravidar. É profundo e tocante o relato sobre essa passagem de sua vida.»</p><p><small>Ceci Maria Costa Baptista Mariani e Henrique Matheus Biondo Costa. <a href="http://periodicos.puc-rio.br/index.php/pesquisasemteologia/article/view/1058" target="_blank">Dorothy Day, “mística de olhos abertos”</a>. Também tem um breve texto sobre ela no <a href="https://www.vaticannews.va/es/iglesia/news/2025-11/dorothy-day-una-pequena-gran-mujer-americana.html" target="_blank">Vatican News</a>.</small></p>]]></description>
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    <item>
      <title>O fracasso do sacrifício</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c630-o-fracasso-do-sacrificio</guid>
      <pubDate>Thu, 24 Mar 2022 04:49:21 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>24/03/2022</p><p>«Em vista disso, faz-se necessário o desvendamento da estrutura mimética da subjetividade, para se alcançar o estágio da subjetividade em chave de desejo como doação, que seja capaz de engendrar a construção do espaço intersubjetivo do mútuo reconhecimento na assimetria do dom e na gratuidade. Para alcançar esse estágio é imprescindível o desmantelamento do desejo mimético violento que estrutura toda subjetividade, visto que a maneira de ser-no-mundo está marcada irreversivelmente pelo mimetismo, como mostrou exaustivamente René Girard.</p><p>A estrutura mimética da subjetividade justifica o paradoxo da condição humana, que se intercala entre violência e redenção, através da in-visibilização ou visilização do outro, do encobrimento ao reconhecimento (MENDOZA, 2016, p. 31-50). A novidade da análise do desejo de René Girard reside na “complexa exterioridade fundante” da subjetividade (MENDOZA, 2015a, p. 362), isto é, a configuração do desejo se dá pela influência de um terceiro. Esse terceiro se expressa tanto no modelo que se imita, como no próprio objeto desejado. À análise do mecanismo fundante da subjetividade chama-se “teoria do desejo mimético”, por meio da qual se compreende a violência intersubjetiva como vontade de onipotência, visto que na mímesis há um potencial aquisitivo. Nisso reside a raiz da violência intersubjetiva que assola a humanidade, desde os primórdios da humanidade. Compreende-se, pois, que o estágio do mútuo reconhecimento, além da dialética hegeliana como último estágio da subjetividade, passa pelo desvendamento do desejo mimético violento e sua subversão para o desejo mimético de doação.</p><p>E esta passagem se faz necessariamente, não pela negação do mimetismo, visto que não é possível deixar de imitar; antes, pela instauração de outro modelo a imitar. Se por um lado a teoria do desejo mimético explica a condição humana mergulhada na rivalidade, por outro lado ela, também, consegue justificar a passagem dessa condição para a condição humana marcada pela oferenda de si mesmo.</p><p>Esse outro modelo a imitar foi plenamente revelado em Jesus de Nazaré10, em sua oferenda de si mesmo no seio do contágio mimético. É exatamente essa condição humana reconciliada, marcada pela gratuidade, que o cristianismo dá testemunho para a instauração da Civitas Dei. Descobre-se assim a verdade antropológica do cristianismo, como modo de pôr fim ao mecanismo mimético violento da subjetividade e, consequentemente, da religião sacrificial. Cristo foi aquele que desvelou o fracasso da religião sacrificial e desmontou seus mecanismos vitimários. Não apenas isso, ele também revelou a verdade da inocência da vítima e, consequentemente, a universalidade e a transcendência do cristianismo.»</p><p>Cleusa Caldeira. <a href="https://periodicos.pucpr.br/pistispraxis/article/view/23336">Teologia e niilismo pós-moderno: a subjetividade vulnerável como locus theologicus no pensamento de Carlos Mendoza Álvarez</a></p><p>imagem: <a href="https://unsplash.com/@kingsleyoseiabrah?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Kingsley Osei-Abrah</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>A Comunidade humana</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 23 Mar 2022 22:30:32 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c629-a-comunidade-humana.jpg"/><p>Índole comunitária da vocação humana</p><p>Deus, que por todos cuida com solicitude paternal, quis que os homens formassem uma só família, e se tratassem uns aos outros como irmãos. Criados todos à imagem e semelhança daquele Deus que «fez habitar sobre toda a face da terra o inteiro género humano, saído dum princípio único» (Act. 17,26), todos são chamados a um só e mesmo fim, que é o próprio Deus.</p><p>E por isso, o amor de Deus e do próximo é o primeiro e maior de todos os mandamentos. Mas a Sagrada Escritura ensina-nos que o amor de Deus não se pode separar do amor do próximo, «…todos os outros mandamentos se resumem neste: amarás o próximo como a ti mesmo… A caridade é, pois, a lei na sua plenitude» (Rom. 13, 9-10; cfr. 1 Jo. 4,20). Isto revela-se como sendo da maior importância, hoje que os homens se tornam cada dia mais dependentes uns dos outros e o mundo se unifica cada vez mais.</p><p>Mais ainda: quando o Senhor Jesus pede ao Pai «que todos sejam um…, como nós somos um» (Jo. 17, 21-22), sugere – abrindo perspectivas inacessíveis à razão humana – que dá uma certa analogia entre a união das pessoas divinas entre si e a união dos filhos de Deus na verdade e na caridade. Esta semelhança torna manifesto que o homem, única criatura sobre a terra a ser querida por Deus por si mesma, não se pode encontrar plenamente a não ser no sincero dom de si mesmo (2).</p><p>Interdependência da pessoa humana e da sociedade humana</p><p>A natureza social do homem torna claro que o progresso da pessoa humana e o desenvolvimento da própria sociedade estão em mútua dependência. Com efeito, a pessoa humana, uma vez que, por sua natureza, necessita absolutamente da vida social (3), é e deve ser o princípio, o sujeito e o fim de todas as instituições sociais. Não sendo, portanto, a vida social algo de adventício ao homem, este cresce segundo todas as suas qualidades e torna-se capaz de responder à própria vocação, graças ao contacto com os demais, ao mútuo serviço e ao diálogo com seus irmãos.</p><p>Entre os laços sociais, necessários para o desenvolvimento do homem, alguns, como a família e a sociedade política, correspondem mais imediatamente à sua natureza íntima; outros são antes fruto da sua livre vontade. No nosso tempo, devido a várias causas, as relações e interdependências mútuas multiplicam-se cada vez mais; o que dá origem a diversas associações e instituições, quer públicas quer privadas. Este facto, denominado socialização, embora não esteja isento de perigos, traz, todavia, consigo muitas vantagens, em ordem a confirmar e desenvolver as qualidades da pessoa humana e a proteger os seus direitos (4).</p><p>Porém, se é verdade que as pessoas humanas recebem muito desta vida social, em ordem a realizar a própria vocação, mesmo a religiosa, também não se pode negar que os homens são muitas vezes afastados do bem ou impelidos ao mal pelas condições em que vivem e estão mergulhados desde a infância. É certo que as perturbações tão frequentes da ordem social vêm, em grande parte, das tensões existentes no seio das formas económicas, políticas e sociais. Mas, mais profundamente, nascem do egoísmo e do orgulho dos homens, os quais também pervertem o ambiente social. Onde a ordem das coisas se encontra viciada pelas consequências do pecado, o homem, nascido com uma inclinação para o mal, encontra novos incitamentos para o pecado, que não pode superar sem grandes esforços e ajudado pela graça.</p><p>Promoção do bem-comum</p><p>A interdependência, cada vez mais estreita e progressivamente estendida a todo o mundo, faz com que o bem comum – ou seja, o conjunto das condições da vida social que permitem, tanto aos grupos como a cada membro, alcançar mais plena e fàcilmente a própria perfeição – se torne hoje cada vez mais universal e que, por esse motivo, implique direitos e deveres que dizem respeito a todo o género humano. Cada grupo deve ter em conta as necessidades e legítimas aspirações dos outros grupos e mesmo o bem comum de toda a família humana (5).</p><p>Simultâneamente, aumenta a consciência da eminente dignidade da pessoa humana, por ser superior a todas as coisas e os seus direitos e deveres serem universais e invioláveis. É necessário, portanto, tornar acessíveis ao homem todas as coisas de que necessita para levar uma vida verdadeiramente humana: alimento, vestuário, casa, direito de escolher livremente o estado de vida e de constituir família, direito à educação, ao trabalho, à boa fama, ao respeito, à conveniente informação, direito de agir segundo as normas da própria consciência, direito à protecção da sua vida e à justa liberdade mesmo em matéria religiosa.</p><p>A ordem social e o seu progresso devem, pois, reverter sempre em bem das pessoas, já que a ordem das coisas deve estar subordinada à ordem das pessoas e não ao contrário; foi o próprio Senhor quem o insinuou ao dizer que o sábado fora feito para o homem, não o homem para o sábado (6). Essa ordem, fundada na verdade, construída sobre a justiça e vivificada pelo amor, deve ser cada vez mais desenvolvida e, na liberdade, deve encontrar um equilíbrio cada vez mais humano (7). Para o conseguir, será necessária a renovação da mentalidade e a introdução de amplas reformas sociais.</p><p>O Espírito de Deus, que dirige o curso dos tempos e renova a face da terra com admirável providência, está presente a esta evolução. E o fermento evangélico despertou e desperta no coração humano uma irreprimível exigência de dignidade.</p><p>Respeito da pessoa humana</p><p>Vindo a conclusões práticas e mais urgentes, o Concílio recomenda a reverência para com o homem, de maneira que cada um deve considerar o próximo, sem excepção, como um «outro eu», tendo em conta, antes de mais, a sua vida e os meios necessários para a levar dignamente (8), não imitando aquele homem rico que não fez caso algum do pobre Lázaro (9).</p><p>Sobretudo em nossos dias, urge a obrigação de nos tornarmos o próximo de todo e qualquer homem, e de o servir efectivamente quando vem ao nosso . encontro – quer seja o ancião, abandonado de todos, ou o operário estrangeiro injustamente desprezado, ou o exilado, ou o filho duma união ilegítima que sofre injustamente por causa dum pecado que não cometeu, ou o indigente que interpela a nossa consciência, recordando a palavra do Senhor: «todas as vezes que o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes» (Mt. 25,40).</p><p>Além disso, são infames as seguintes coisas: tudo quanto se opõe à vida, como seja toda a espécie de homicídio, genocídio, aborto, eutanásia e suicídio voluntário; tudo o que viola a integridade da pessoa humana, como as mutilações, os tormentos corporais e mentais e as tentativas para violentar as próprias consciências; tudo quanto ofende a dignidade da pessoa humana, como as condições de vida infra-humanas, as prisões arbitrárias, as deportações, a escravidão, a prostituição, o comércio de mulheres e jovens; e também as condições degradantes de trabalho; em que os operários são tratados como meros instrumentos de lucro e não como pessoas livres e responsáveis. Todas estas coisas e outras semelhantes são infamantes; ao mesmo tempo que corrompem a civilização humana, desonram mais aqueles que assim procedem, do que os que padecem injustamente; e ofendem gravemente a honra devida ao Criador.</p><p>Respeito e amor dos adversários</p><p>O nosso respeito e amor devem estender-se também àqueles que pensam ou actuam diferentemente de nós em matéria social, política ou até religiosa. Aliás, quanto mais intimamente compreendermos, com delicadeza e caridade, a sua maneira de ver, tanto mais fàcilmente poderemos com eles dialogar.</p><p>Evidentemente, este amor e benevolência de modo algum nos devem tornar indiferentes perante a verdade e o bem. Pelo contrário, é o próprio amor que incita os discípulos de Cristo a anunciar a todos a verdade salvadora. Mas deve distinguir-se entre o erro, sempre de rejeitar, e aquele que erra, o qual conserva sempre a dignidade própria de pessoas, mesmo quando está atingido por ideias religiosas falsas ou menos exactas (10). Só Deus é juiz e penetra os corações; por esse motivo, proibe-nos Ele de julgar da culpabilidade interna de qualquer pessoa (11).</p><p>A doutrina de Cristo exige que também perdoemos as injúrias (12), e estende a todos os inimigos o preceito do amor, que é o mandamento da lei nova: «ouvistes que foi dito: amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Mas eu digo-vos: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam» (Mt. 5, 43-44).</p><p>Igualdade essencial entre todos os homens</p><p>A igualdade fundamental entre todos os homens deve ser cada vez mais reconhecida, uma vez que, dotados de alma racional e criados à imagem de Deus, todos têm a mesma natureza e origem; e, remidos por Cristo, todos têm a mesma vocação e destino divinos.</p><p>Sem dúvida, os homens não são todos iguais quanto à capacidade física e forças intelectuais e morais, variadas e diferentes em cada um. Mas deve superar-se e eliminar-se, como contrária à vontade de Deus, qualquer forma social ou cultural de discriminação, quanto aos direitos fundamentais da pessoa, por razão do sexo, raça, cor, condição social, língua ou religião. É realmente de lamentar que esses direitos fundamentais da pessoa ainda não sejam respeitados em toda a parte. Por exemplo, quando se nega à mulher o poder de escolher livremente o esposo ou o estado de vida ou de conseguir uma educação e cultura iguais às do homem.</p><p>Além disso, embora entre os homens haja justas diferenças, a igual dignidade pessoal postula, no entanto, que se chegue a condições de vida mais humanas e justas. Com efeito, as excessivas desigualdades económicas e sociais entre os membros e povos da única família humana provocam o escândalo e são obstáculo à justiça social, à equidade, à dignidade da pessoa humana e, finalmente, à paz social e internacional.</p><p>Procurem as instituições humanas, privadas ou públicas, servir a dignidade e o destino do homem, combatendo ao mesmo tempo valorosamente contra qualquer forma de sujeição política ou social e salvaguardando, sob qualquer regime político, os direitos humanos fundamentais. Mais ainda: é necessário que tais instituições se adaptem progressivamente às realidades espirituais, que são as mais elevadas de todas; embora por vezes se requeira um tempo razoàvelmente longo para chegar a esse desejado fim.</p><p>Superação da ética individualista</p><p>A profundidade e rapidez das transformações reclamam com maior urgência que ninguém se contente, por não atender à evolução das coisas ou por inércia, com uma ética puramente individualística. O dever de justiça e caridade cumpre-se cada vez mais com a contribuição de cada um em favor do bem comum, segundo as próprias possibilidades e as necessidades dos outros, promovendo instituições públicas ou privadas e ajudando as que servem para melhorar as condições de vida dos homens. Mas há pessoas que, fazendo profissão de ideias amplas e generosas, vivem sempre, no entanto, de tal modo como se nenhum caso fizessem das necessidades sociais. E até, em vários países, muitos desprezam as leis e prescrições sociais. Não poucos atrevem-se a eximir-se, com várias fraudes e enganos, aos impostos e outras obrigações sociais. Outros desprezam certas normas da vida social, como por exemplo as estabelecidas para defender a saúde ou para regularizar o trânsito de veículos, sem repararem que esse seu descuido põe em perigo a vida própria e alheia.</p><p>Todos tomem a peito considerar e respeitar as relações sociais como um dos principais deveres do homem de hoje. Com efeito, quanto mais o mundo se unifica, tanto mais as obrigações dos homens transcendem os grupos particulares e se estendem progressivamente a todo o mundo. O que só se poderá fazer se os indivíduos e grupos cultivarem em si mesmos e difundirem na sociedade as virtudes morais e sociais, de maneira a tornarem-se realmente, com o necessário auxílio da graça divina, homens novos e construtores duma humanidade nova.</p><p>Responsabilidade e participação social</p><p>Para que cada homem possa cumprir mais perfeitamente os seus deveres de consciência quer para consigo quer em relação aos vários grupos de que é membro, deve-se ter o cuidado de que todos recebam uma formação mais ampla, empregando-se para tal os consideráveis meios de que hoje dispõe a humanidade. Antes de mais, a educação dos jovens, de qualquer origem social, deve ser de tal maneira organizada que suscite homens e mulheres não apenas cultos mas também de forte personalidade, tão urgentemente exigidos pelo nosso tempo.</p><p>Mal poderá, contudo, o homem chegar a este sentido de responsabilidade, se as condições de vida lhe não permitirem tornar-se consciente da própria dignidade e responder à sua vocação, empenhando-se no serviço de Deus e dos outros homens. Ora a liberdade humana com frequência se debilita quando o homem cai em extrema miséria, e degrada-se quando ele, cedendo às demasiadas facilidades da vida, se fecha numa espécie de solidão dourada. Pelo contrário, ela robustece-se quando o homem aceita as inevitáveis dificuldades da vida social, assume as multiformes exigências da vida em comum e se empenha no serviço da comunidade humana.</p><p>Deve, por isso, estimular-se em todos a vontade de tomar parte nos empreendimentos comuns. E é de louvar o modo de agir das nações em que a maior parte dos cidadãos participa, com verdadeira liberdade, nos assuntos públicos. É preciso, porém, ter sempre em conta a. situação real de cada povo e o necessário vigor da autoridade pública. Mas para que todos os cidadãos se sintam inclinados a participar na vida dos vários grupos de que se forma o corpo social, é necessário que encontrem nesses grupos bens que os atraiam e os predisponham ao serviço dos outros. Podemos legitimamente pensar que o destino futuro da humanidade está nas mãos daqueles que souberem dar às gerações vindoiras razões de viver e de esperar.</p><p>O Verbo encarnado e a solidariedade humana</p><p>Do mesmo modo que Deus não criou os homens para viverem isolados, mas para se unirem em sociedade, assim também Lhe «aprouve… santificar e salvar os homens não individualmente e com exclusão de qualquer ligação mútua, mas fazendo deles um povo que O reconhecesse em verdade e O servisse santamente» (13). Desde o começo da história da salvação, Ele escolheu os homens não só como indivíduos mas ainda como membros duma comunidade. Com efeito, manifestando o seu desígnio, chamou a esses escolhidos o «seu povo» (Ex. 3, 7-12), com o qual estabeleceu aliança no Sinai (14).</p><p>Esta índole comunitária aperfeiçoa-se e completa-se com a obra de Jesus Cristo. Pois o próprio Verbo encarnado quis participar da vida social dos homens. Tomou parte nas bodas de Caná, entrou na casa de Zaqueu, comeu com os publicanos e pecadores. Revelou o amor do Pai e a sublime vocação dos homens, evocando realidades sociais comuns e servindo-se de modos de falar e de imagens da vida de todos os dias. Santificou os laços sociais e antes de mais os familiares, fonte da vida social; e submeteu-se livremente às leis do seu país. Quis levar a vida dum operário do seu tempo e da sua terra.</p><p>Na sua pregação claramente mandou aos filhos de Deus que se tratassem como irmãos. E na sua oração pediu que todos os seus discípulos fossem «um». Ele próprio se ofereceu à morte por todos, de todos feito Redentor. «Não há maior amor do que dar alguém a vida pelos seus amigos» (Jo. 15, 13). E mandou aos Apóstolos pregar a todos a mensagem evangélica para que a humanidade se tornasse a família de Deus, na qual o amor fosse toda a lei.</p><p>Primogénito entre muitos irmãos, estabeleceu, depois da sua morte e ressurreição, com o dom do seu Espírito, uma nova comunhão fraterna entre todos os que O recebem com fé e caridade, a saber, na Igreja, que é o seu corpo, no qual todos, membros uns dos outros, se prestam mùtuamente serviço segundo os diversos dons a cada um concedidos.</p><p>Esta solidariedade deve crescer sem cessar, até se consumar naquele dia em que os homens, salvos pela graça, darão perfeita glória a Deus, como família amada do Senhor e de Cristo seu irmão.</p><p><a href="https://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html">Gaudium et spes (24-32)</a></p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@mariopurisic?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Mario Purisic</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Meditação cristã</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 23 Mar 2022 20:32:36 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c628-meditacao-crista.jpg"/><p>“A maior parte das grandes religiões que têm procurado a união com Deus na oração, têm indicado também os caminhos para a obter. Pois que « a Igreja católica nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo »,(18) não se deverão desprezar, por preconceito, tais indicações, só por não serem de origem cristã. Poder-se-á, pelo contrário, colher nelas o que contêm de bom, tendo o cuidado naturalmente de não perder nunca de vista a concepção cristã da oração, a sua lógica e as suas exigências, sendo do ponto de vista desta totalidade que aqueles fragmentos deverão ser formulados de novo e assim assumidos. Dentre tais « fragmentos » deve-se nomear, em primeiro lugar, a aceitação humilde dum mestre experimentado na vida de oração e das suas directrizes; deste aspecto sempre se teve consciência na experiência cristã desde os tempos antigos, em particular desde a época dos Padres do deserto. O mestre, experimentado no « sentire cum Ecclesia », deve não somente guiar e chamar a atenção sobre certos perigos, mas, como « pai espiritual », deve introduzir também, de modo vital, tratando de coração para coração, na vida de oração, que é dom do Espírito Santo.</p><p>A tardia era clássica não cristã distinguia, de bom grado, três estádios na vida de perfeição: as vias da purificação, da iluminação e da união. Tal doutrina serviu de modelo para muitas escolas de espiritualidade cristã. O esquema, em si válido, carece todavia de alguns esclarecimentos que permitam uma sua correcta interpretação cristã, evitando perigosos equívocos.</p><p>A procura de Deus através da oração deve ser precedida e acompanhada pela ascese e pela purificação dos próprios pecados e erros, porque, segundo a palavra de Jesus, somente « os puros de coração verão a Deus » (Mt. 5, 8). O Evangelho visa sobretudo uma purificação moral de falta de verdade e de amor e, a um nível mais profundo, de todos os instintos egoísticos que impedem o homem de reconhecer e aceitar a vontade de Deus na sua pureza. Não são as paixões enquanto tais que são negativas (como pensavam os estóicos e os neoplatónicos): mas a sua tendência egoísta. É dela que o cristão se deve libertar, para chegar àquele estado de liberdade positiva que a era clássica cristã chamava « apátheia », a Idade Média « impassibilitas », e os Exercícios Espirituais de Santo Inácio « indiferencia ».(19) Tudo isto é impossível sem uma radical abnegação, como se vê também em S. Paulo, que usa abertamente a palavra « mortificação » (das tendências pecaminosas).(20) Só esta abnegação torna o homem livre para realizar a vontade de Deus e de participar na liberdade do Espírito Santo.</p><p>Terá, por isso, de ser interpretada correctamente a doutrina daqueles mestres que recomendam « esvaziar » o espírito de todas as representações sensíveis e de todos os conceitos, mantendo, porém, uma amorosa atenção a Deus, de modo que permaneça no orante um vazio que pode ser então « cheio » pela riqueza divina. O vazio de que Deus precisa é o da renúncia ao próprio egoísmo, não necessariamente o da renúncia às coisas criadas que Ele nos deu e no meio das quais nos colocou. Não há dúvida que na oração nos devemos concentrar inteiramente em Deus e afastar o mais possível aquelas coisas deste mundo que nos prendem ao nosso egoísmo. Santo Agostinho é um mestre insigne sobre este ponto: se queres encontrar a Deus — diz —, abandona o mundo exterior e entra em ti mesmo. Todavia — prossegue —, não fiques em ti mesmo, mas vai mais além, porque tu não és Deus: Ele é mais profundo e maior do que tu. « Procuro a sua substância na minha alma e não a encontro; meditei, todavia, sobre a pesquisa de Deus e, inclinado para Ele, procurei conhecer, através das coisas criadas, ‘a realidade invisível de Deus’ (Rm. 1, 20) ».(21) « Fechar-se em si mesmos »: eis o verdadeiro perigo. O grande Doutor da Igreja recomenda o concentrar-se em si mesmos, mas também o ultrapassar o eu que não é Deus, mas só uma criatura. Deus é « interior intimo meo, et superior summo meo ».(22) Com efeito, Deus está em nós e connosco, mas transcende-nos no seu mistério.(23)</p><p>Do ponto de vista dogmático, é impossível atingir o amor perfeito de Deus, se se prescinde da sua auto-doação no Filho encarnado, crucificado e ressuscitado. N’Ele, sob a acção do Espírito Santo, tomamos parte, por pura graça, na Vida intra-divina. Quando Jesus diz: « Quem me vê, vê o Pai » (Jo. 14, 9) não se refere simplesmente à visão e ao conhecimento exteriores da sua figura humana (« a carne para nada serve »: Jo. 6, 63). Aquilo a que Ele se refere é, pelo contrário, um « ver » tornado possível pela graça da fé: um « ver » através da manifestação sensível de Jesus, o que Ele, como Verbo do Pai, quer verdadeiramente mostrar-nos de Deus (« O Espírito é que vivifica […]; as palavras que vos disse são espírito e vida », ibidem). Neste « ver » não se trata da abstracção puramente humana (« abs-tractio ») da figura em que Deus se revelou, mas de colher a realidade divina na figura humana de Jesus; de colher a sua dimensão divina e eterna na sua temporalidade. Como diz Santo Inácio nos Exercícios Espirituais, nós deveríamos procurar colher « o perfume infinito e a doçura infinita da Divindade » (n. 124), partindo da verdade revelada finita donde começámos. Ao elevar-nos, Deus é livre de « esvaziar-nos » de tudo o que nos agarra a este mundo, livre de atrair-nos completamente para a Vida trinitária do seu amor eterno. Todavia, este dom pode ser concedido somente « em Cristo, mediante o Espírito Santo » e não através das próprias forças, prescindindo da sua revelação.</p><p>No caminho da vida cristã, à purificação segue a iluminação mediante o amor que o Pai nos dá no Filho e a unção que d’Ele recebemos no Espírito Santo (cfr. 1 Jo. 2, 20). Desde a antiguidade cristã, fala-se da « iluminação », recebida no Baptismo. É ela que introduz os fiéis, iniciados nos divinos mistérios, no conhecimento de Cristo, mediante a fé que age por meio da caridade. Alguns escritores eclesiásticos até falam explicitamente da iluminação recebida no Baptismo como fundamento daquele sublime conhecimento de Cristo Jesus (cfr. Fil. 3, 8) que é definido como « theoria » ou contemplação.(24)</p><p>Mediante a graça do Baptismo, os fiéis são chamados a progredir no conhecimento e no testemunho dos mistérios da fé « mercê da íntima inteligência que experimentam das coisas espirituais ».25 Nenhuma luz de Deus torna « superadas » as verdades da fé. As eventuais graças de iluminação que Deus pode conceder ajudam a esclarecer melhor a dimensão mais profunda dos mistérios professados e celebrados pela Igreja, na esperança que o cristão possa contemplar a Deus como Ele é na glória (cfr. 1 Jo. 3, 2).</p><p>O cristão orante pode finalmente chegar, se Deus o quer, a uma experiência particular de união. Os sacramentos, sobretudo o Baptismo e a Eucaristia, (26) constituem o início objectivo da união do cristão com Deus. Por intermédio duma especial graça do Espírito, o orante pode ser chamado, sobre este fundamento, àquele tipo peculiar de união com Deus que, no ambiente cristão, é qualificado como mística.</p><p>O cristão precisa certamente de determinados tempos de retiro na solidão, para se recolher e reencontrar o seu caminho junto de Deus. Mas, dado o seu carácter de criatura, e de criatura que sabe que toda a sua segurança está na graça, o seu modo de aproximar-se de Deus não se funda numa técnica, no sentido estrito da palavra. Tal facto contradiria o espírito de infância exigido pelo Evangelho. A mística cristã autêntica não tem nada a ver com a técnica: é sempre um dom de Deus, do qual se sente indigno quem dele beneficia.(27)</p><p>Há determinadas graças místicas, conferidas, por exemplo, aos fundadores de instituições eclesiais em favor de toda a fundação, e também a outros santos, as quais graças caracterizam a sua peculiar experiência de oração e não podem, como tais, ser objecto de imitação e da aspiração por parte doutros fiéis, mesmo pertencentes àquela instituição, e desejosos duma oração sempre mais perfeita.(28) Podem existir diversos níveis e diversas modalidades de participação da experiência de oração dum fundador, sem que a todos deva ser conferida a mesma forma. Aliás a experiência de oração que ocupa um lugar privilegiado em todas as instituições autenticamente eclesiais antigas e modernas, é sempre, em última análise, algo de pessoal. E é à pessoa que Deus dá as suas graças em vista da oração.</p><p>A propósito da mística, deve-se distinguir entre os dons do Espírito Santo e os carismas concedidos, de modo totalmente livre, por parte de Deus. Os primeiros são uma realidade que cada cristão pode reavivar em si, mediante uma vida zelante de fé, de esperança e de caridade, para poder assim, através duma séria ascese, chegar a uma certa experiência de Deus e dos conteúdos da fé. Quanto aos carismas, S. Paulo afirma que são outorgados sobretudo em favor da Igreja, dos outros membros do Corpo místico de Cristo (cfr. 1 Cor. 12, 7). A tal propósito, deve-se recordar, seja que os carismas não podem ser identificados com dons extraordinários (« místicos ») (cfr. Rm. 12, 3-21), seja que a distinção entre os « dons do Espírito Santo » e os « carismas » pode ser bastante fluida. É certo que um carisma fecundo para a Igreja, não pode ser exercitado, no âmbito do Novo Testamento, sem um determinado grau de perfeição pessoal. Doutro lado, é certo que todo o cristão « vivo » possui uma tarefa peculiar (e neste sentido um « carisma ») « para a edificação do Corpo de Cristo » (cfr. Ef. 4, 15-16),(29) em comunhão com a Hierarquia, à qual « compete de modo especial não extinguir o Espírito mas julgar tudo e conservar o que é bom » (Lumen gentium, n. 12).”</p><p><a href="https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19891015_meditazione-cristiana_po.html">Alguns aspectos da meditação cristã</a></p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@omidarmin?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Omid Armin</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>A verdade e o amor se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 22 Mar 2022 09:41:47 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>22/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/679416406983458816/1-o-salmo-84-que-agora-proclamamos-%C3%A9-um-c%C3%A2ntico">link para o tumblr</a></p>]]></description>
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      <title>Eros e ágape, amores inseparáveis</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 22 Mar 2022 08:07:52 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>22/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/679410479493414912/entender-como-o-crist%C3%A3o-compreende-o-amor">link para o tumblr</a></p>]]></description>
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      <title>Jesus, a novidade cristã da aliança que supera o sacrifício</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 21 Mar 2022 06:01:26 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>21/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c625-jesus-a-novidade-crista-da-alianca-que-supera-o-sacrificio.jpg"/><p>“As religiões arcaicas se situam num tempo anterior à “era axial”. Algo de novo acontece entre os anos 900 e 200 antes de Cristo (700 anos que, nas eras da humanidade, são um período de tempo relativamente<br/>curto. Da Europa à China opera-se uma grande transformação religiosa e cultural que tem vigência até nossos dias. Por isso se chamaram de “era axial”, os anos que estabeleceram o eixo de nossa era. Na China, o taoísmo e o confucionismo reorganizam a religião e a vida do povo desde uma visão sapiencial e ético-política. Na Índia, o budismo reforma profundamente o hinduísmo, introduzindo o caminho óctuplo da espiritualidade, no qual o desapego e a renúncia ao desejo, e, consequentemente, a renúncia de qualquer sacrifício, são enorme salto de qualidade. Na Grécia, o nascimento e o exercício da racionalidade criam um espaço autônomo, com medidas, proporção e equilíbrio formal, teoria filosófica, lógica e jurídica, acuando os deuses para o Olimpo e criando a polis e a democracia, a ética política. Já os romanos saltam do direito de sangue para o direito da pessoa jurídica, uma invenção que permite operacionalizar a universalidade que os gregos alcançavam pela razão e os orientais pelas reformas religiosas. Este é o tempo em que se deixa para trás a vida e a religião tribal em torno de sacrifícios, para se abrir à universalidade através da ética da justiça objetiva, como também da ética da bondade, enfim, da compaixão.</p><p>Israel participa desta grande transformação da “era axial”. Em Israel, os profetas relativizam e contestam os cultos e o templo para insistir na centralidade religiosa da justiça e da misericórdia: “misericórdia e não sacrifício!” (Os 6,6). Essa profunda mudança foi aprendida com enorme crise, no caso de Elias; e foi exigida com consequências conflituosas e dolorosas em Isaías e Jeremias; tornou-se apocalíptica e missionária em Ezequiel, em Daniel e nos profetas do exílio. Mas tornou-se um “fio dourado” em meio às regressões sacrificais de Israel. A figura de Abraão é recordada como fundamento deste salto de qualidade: Abraão é a memória de um sacrifício que não foi cumprido, uma ordem religiosa de oferecer o primogênito em holocausto ao “grande patriarca celeste”, para reforçar o poder do patriarca terrestre; mas essa ordem foi transgredida em vista de uma nova obediência e de um novo interdito: a de “não fazer mal ao menino”. Abraão deixa assim a religião de seus pais, de sua pátria e de sua cultura, e se torna um errante, fugitivo e nômade; abre-se para um caminho de futuro, cortando os laços com o passado. É pai de um povo que vive de promessa e pai de muitos povos como modelo de fé que supera o sacrifício. De Abraão a Jesus, pode-se ler a Escritura com o fio dourado da busca de superação do sacrifício, desmascarando ou ao menos diminuindo, tornando assimétrica a violência que está sacralizada na justiça da vingança, na guerra aos outros, nas punições de todo tipo.</p><p>O próprio Girard, em O bode expiatório, comenta os Evangelhos para constatar como as atitudes de Jesus, as suas curas e libertações, seus ensinamentos, tudo leva para a liberdade abraâmica de não obedecer à<br/>Lei quando esta mesma Lei exige morte ou adoece e entristece, ainda que a Lei seja sagrada e constitua o coração da religião. O “Reino de Deus” é um critério de liberdade em relação a qualquer tipo de sacrifício. Mas Jesus acaba sendo sacrificado por causa disso, por relativizar e ameaçar o templo e a lei, a religião estabelecida sobre o retorno do sacrifício. Jesus repete: “Misericórdia e não sacrifício!” (Mt 12,7; 9,13; Lc 19,10).</p><p>Em João 8, 33ss, depois de Jesus salvar a pecadora da lei e do sacrifício e de se proclamar como palavra libertadora com autoridade, desencadeia-se com seus interlocutores uma discussão sobre quem é filho de Abraão. Jesus nega-lhes esse título: “Vós procurais matar-me, a mim que vos falei a verdade – isso Abraão não fez!” E em seguida desmascara-os como filhos de Caim, o homicida e pai da cidade e da cultura que escondem inimizade e violência nas muralhas e no manto das boas aparências – filhos do homicida e do pai da mentira desde as origens. Esta cena dramática desmonta a violência mascarada em justiça, em heroísmo e religião.</p><p>Finalmente, a Páscoa de Jesus, em todos os seus passos, é uma expulsão do “príncipe deste mundo”, o “acusador”, cujo poder é a violência mascarada e potencializada na religião, na ordem sagrada que sacrifica. Mas Jesus “amou até o fim” e atravessou a violência, rompendo seu círculo na liberdade do perdão, liberdade em relação ao círculo fechado do ódio e da vingança. O túmulo “vazio” testemunha que a morte de Jesus não é a do herói sacrificado cujo corpo, em grande mausoléu, se torna centro sagrado das instituições de poder e de ordem. A morte de Jesus termina num túmulo vazio. Não é a morte sagrada, o sacrifício arcaico, que salva. A ressurreição de Jesus não é resultado de um sacrifício, mas de um amor fiel e de um protesto com poder criador de Deus. De fato, a ressurreição, como coroamento do fio dourado da Escritura, é a definitiva vitória da misericórdia sem sacrifício, porque é uma vitória sem produzir vencidos; vitória sem vingança, sem novas vítimas; é força suave que chega por testemunhas femininas, trazendo outra lógica, a da religião do dom de vida sem precisar de morte; do reconhecimento e da ação de graças, sem precisar do preço da vida. Doravante, a palavra “sacrifício”, o da “Nova e Eterna Aliança”, profetizada por Jeremias e começada por Jesus, está livre para se referir à celebração do dom de Jesus numa refeição que inclui a todos e a todas como irmãos e irmãs.</p><p>A universalidade cristã, onde não há mais grego ou judeu, homem ou mulher, livre ou escravo, mas onde todos se juntam à mesa de ação da graças – a Eucaristia – é uma universalidade concreta, de corpos e de relações sociais, e não teórica ou jurídica como a universalidade grega e romana. O Cristianismo se tornou a religião da misericórdia e da Eucaristia, e, por isso, da igualdade e da liberdade. Mas os cristãos foram perseguidos por isso.”</p><p>Luiz Carlos Susin. <a href="https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/teo/article/view/8157">Da religião do sacrifício à religião da fraternidade</a>.</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@jontyson?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Jon Tyson</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Povos artífices do seu destino</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 20 Mar 2022 18:01:32 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/679288673360035840/a-isto-temos-de-chegar-a-que-a-solidariedade">link para o tumblr</a></p>]]></description>
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      <title>O dragão de Ap 12</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 20 Mar 2022 04:51:47 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c623-o-dragao-de-ap-12.jpg"/><p>Em verdade, Ap 12 focaliza apenas o primeiro nível (Dragão = Diabo), deixando em segundo plano suas concretizações históricas, as quais serão desenvolvidas no capítulo seguinte na forma das duas Feras: a dom Mar, que também tem sete cabeças e uma coroa sobre cada cabeça (Ap 13,1), e a da Terra, que, tem cara de cordeiro, mas voz de dragão (Ap 13,11).</p><p><br/>Notemos que o contraste entre os dois “sinais”, respectivamente, da Mulher e do Dragão, não poderia ser mais violento: da parte da Mulher, a suprema fraqueza, e da parte do Dragão, a máxima força; da parte da Mulher, a extrema expressão da humanidade, e da parte do Dragão, a mais repugnante manifestação de brutalidade.</p><p><br/>Contudo, sob estas aparências contrárias, lateja uma outra realidade. A aparente fraqueza da Mulher é a verdadeira força, e a aparente força do Dragão é a verdadeira fraqueza. A vitória está não com quem traz ódio, violência e morte, mas com quem sofre para testemunhar o Amor e dar a vida. Eis, portanto, o segredo que o Livro da Revelação quer desvendar a nossos olhos.</p><p><br/>(…)<br/>Quanto aos empreendimentos do Dragão, desembocam todos no fracasso: a tentativa de devorar o Menino, a batalha com Miguel, a perseguição da Mulher e, enfim, a perseguição dos fiéis. Seu assalto é típico de quem está desesperado e sabe-se perdido. Tudo o que intenta fracassa, para seu maior furor.</p><p><br/>(…) De fato, em Jesus o Reino de Deus enfrenta vitoriosamente o Reino de Satanás (Cf. Mt 12,25-29), ainda que este volte a se encarnar nos sistemas de injustiça que se sucedem na história.”</p><p>Clodovis Boff. Mariologia Social, p. 396-397</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@minstrellee?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Jade Lee</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/dragon?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>A visão cristã do desenvolvimento</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 19 Mar 2022 22:43:10 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/679193790796447744/o-desenvolvimento-n%C3%A3o-se-reduz-a-um-simples">link para o tumblr</a></p>]]></description>
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      <title>A novidade da fé bíblica</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 19 Mar 2022 07:03:44 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/679134693252366336/antes-de-mais-nada-temos-a-nova-imagem-de-deus">link para o tumblr</a></p>]]></description>
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      <title>Acordo x justiça</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 19 Mar 2022 06:16:56 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c620-acordo-x-justica.png"/><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/679131616700989440/os-simples-acordos-entre-empregadores-e">link para o tumblr</a></p><img width="600" alt="" src="/midia/22c620-acordo-x-justica.png"/>]]></description>
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      <title>São José e a ternura</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 18 Mar 2022 20:03:31 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c619-sao-jose-e-a-ternura.jpg"/><p>«Dia após dia, José via Jesus crescer «em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens» (Lc 2, 52). Como o Senhor fez com Israel, assim ele ensinou Jesus a andar, segurando-O pela mão: era para Ele como o pai que levanta o filho contra o seu rosto, inclinava-se para Ele a fim de Lhe dar de comer (cf. Os 11, 3-4).</p><p>Jesus viu a ternura de Deus em José: «Como um pai se compadece dos filhos, assim o Senhor Se compadece dos que O temem» (Sal 103, 13).</p><p>Com certeza, José terá ouvido ressoar na sinagoga, durante a oração dos Salmos, que o Deus de Israel é um Deus de ternura,[11] que é bom para com todos e «a sua ternura repassa todas as suas obras» (Sal 145, 9).</p><p>A história da salvação realiza-se, «na esperança para além do que se podia esperar» (Rm 4, 18), através das nossas fraquezas. Muitas vezes pensamos que Deus conta apenas com a nossa parte boa e vitoriosa, quando, na verdade, a maior parte dos seus desígnios se cumpre através e apesar da nossa fraqueza. Isto mesmo permite a São Paulo dizer: «Para que não me enchesse de orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás, para me ferir, a fim de que não me orgulhasse. A esse respeito, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Mas Ele respondeu-me: “Basta-te a minha graça, porque a força manifesta-se na fraqueza”» (2 Cor 12, 7-9).</p><p>Se esta é a perspetiva da economia da salvação, devemos aprender a aceitar, com profunda ternura, a nossa fraqueza.[12]</p><p>O Maligno faz-nos olhar para a nossa fragilidade com um juízo negativo, ao passo que o Espírito trá-la à luz com ternura. A ternura é a melhor forma para tocar o que há de frágil em nós. Muitas vezes o dedo em riste e o juízo que fazemos a respeito dos outros são sinal da incapacidade de acolher dentro de nós mesmos a nossa própria fraqueza, a nossa fragilidade. Só a ternura nos salvará da obra do Acusador (cf. Ap 12, 10). Por isso, é importante encontrar a Misericórdia de Deus, especialmente no sacramento da Reconciliação, fazendo uma experiência de verdade e ternura. Paradoxalmente, também o Maligno pode dizer-nos a verdade, mas, se o faz, é para nos condenar. Entretanto nós sabemos que a Verdade vinda de Deus não nos condena, mas acolhe-nos, abraça-nos, ampara-nos, perdoa-nos. A Verdade apresenta-se-nos sempre como o Pai misericordioso da parábola (cf. Lc 15, 11-32): vem ao nosso encontro, devolve-nos a dignidade, levanta-nos, ordena uma festa para nós, dando como motivo que «este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado» (Lc 15, 24).</p><p>A vontade de Deus, a sua história e o seu projeto passam também através da angústia de José. Assim ele ensina-nos que ter fé em Deus inclui também acreditar que Ele pode intervir inclusive através dos nossos medos, das nossas fragilidades, da nossa fraqueza. E ensina-nos que, no meio das tempestades da vida, não devemos ter medo de deixar a Deus o timão da nossa barca. Por vezes queremos controlar tudo, mas o olhar d’Ele vê sempre mais longe.»</p><p><a href="https://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_letters/documents/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html">Carta apostólica Patris Corde</a></p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@designecologist?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">DESIGNECOLOGIST</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Falhas e falas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 18 Mar 2022 10:07:44 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/03/2022</p><p>«Hoy le fallaste a Dios, pues no estás sol@ yo también lo hize, muchas veces a lo largo del día, y me encuentro evitando mi tiempo de oración, una y otra vez. Sabes hace tiempo entendí que está bien si hoy no di la talla delante de Dios, puedo ir a mi cuarto cerrar la puerta y hablar al respecto con Dios. Talvez al principio sea un poco extraño (escribir también se vale) por que nos enseñaron que orar no es más que pedir, pedir y pedir, cuado esto solo es una parte de orar.»</p><p><a href="https://libroscristianosqueleo.tumblr.com/post/677756907305549824">Cristiana adicta a los libros</a>. </p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@carolzanini?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Carolina Zanini</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a><br/> </p>]]></description>
    </item>
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      <title>Você não pode fazer tudo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 18 Mar 2022 07:24:39 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c617-voce-nao-pode-fazer-tudo.jpg"/><p>“Entre 1992 e 1994, trabalhei com o Serviço Jesuíta para Refugiados no Quênia. Meu ministério estava ajudando refugiados de toda a África Oriental que se estabeleceram em Nairóbi para iniciar pequenos negócios com a finalidade de sustentar a si mesmos e suas famílias. Com o tempo, abrimos uma pequena loja em uma favela, que comercializava artesanato para exilados, turistas e ricos quenianos. Foi o ministério mais agradável e gratificante que fiz.</p><p>Depois de um certo tempo, comecei a ficar estressado. Na época, eu estava muito envolvido com a administração da loja e na supervisão dos pequenos negócios dos refugiados, o que significava uma convivência diária, visitando suas casas nas favelas e os ajudando não apenas com seus problemas de negócios, mas também com suas preocupações com saúde, com os proprietários e questões legais.</p><p>Em seu ministério público, Jesus lidou com as pessoas diante dele, e somos chamados para fazer o mesmo – James Martin, S.J.</p><p>Certo dia eu falei ao meu diretor espiritual: “Eu não sei como posso fazer tudo isso!”</p><p>E respondeu: “Quem disse que você tem que fazer tudo?”</p><p>“É o que Jesus faria! Ele ajudaria todas essas pessoas”, observei.</p><p>“Bem, talvez. Mas eu tenho novidades para você: você não é Jesus!”, ressaltou o diretor espiritual.</p><p>Ao citar Jesus, precisamos nos lembrar de algo sobre seu próprio ministério: Quando Jesus deixou a Galileia e a Judeia, ainda havia doentes. Em outras palavras, Jesus não curou a todos. Em seu ministério público, Jesus lidou com as pessoas diante de si, e somos chamados para fazer o mesmo.”</p><p>Pe. James Martin. <a href="https://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/583691-7-licoes-que-aprendi-sobre-o-ministerio-sendo-jesuita-artigo-de-james-martin-sj">7 lições que aprendi sobre o ministério sendo jesuíta</a>.</p><p>Imagem: <a href="https://unsplash.com/@davidclode?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">David Clode</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>As migalhas sob a mesa</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 18 Mar 2022 05:37:51 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c616-as-migalhas-sob-a-mesa.jpg"/><p><em>“Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos.”</em></p><p>“O relato sobre a mulher siro-fenícia, como texto de memória coletiva constitutiva de identidade, apresenta uma autocompreensão da comunidade narrativa, dá voz a essa comunidade e convida os leitores a considerarem esses aspectos no labor interpretativo. A perícope reflete os esforços da comunidade para tra-çar sua identidade a partir das memórias daquele grupo de Jesus. Partindo do pressuposto de que o texto dá voz a uma comunidade que se compreende como portadora de memórias a respeito de Jesus, tornou-se necessário examinar não apenas a imagem de Jesus, mas também a imagem de si mesmo, que esse texto de memória apresenta.</p><p>Como a perícope está inserida em estruturas patriarcais de organização da sociedade, relegando a mulher à condição de marginalizada e oprimida, não seria estranho que o texto de Marcos assumisse os mesmos moldes de seu contexto histórico. No entanto, o evangelista é um porta-voz de uma comunidade de pessoas marginalizadas. E, por meio de uma hermenêutica adequada podemos concluir que há um caráter altamente subversivo nesse evangelho. Esse caráter subversivo começa a ser notado quanto o evangelista apresenta Jesus, como um profeta semelhante a Elias ou a Eliseu. Esses profetas realizaram suas atividades taumatúrgicas para além das fronteiras de Israel, em favor de mulheres estrangeiras. Ao associar Jesus com a figura desses profetas, o evangelista fundamenta a missão de evangelizar as nações como parte do ministério de Jesus e a participação ativa das mulheres nas primeiras comunidades. Ambos os aspectos não estavam previstos entre os discípulos de Jesus naquela época.</p><p>A questão em foco nessa passagem bíblica é o princípio da declaração sobre o puro e impuro, primeiramente a respeito dos alimentos e, em seguida, a respeito das pessoas. Pois, naquela época, o limite que dividia os alimentos em puros e impuros era o mesmo que dividia as pessoas em puras e impuras. Nesta última categoria estavam incluídos, principalmente, quem não pertencia ao povo de Israel e, na maioria dos casos, todas as mulheres por causa da menstruação e do sangramento após o parto. A mulher estrangeira era considerada duplamente impura, este era o caso da mulher siro-fenícia.</p><p>Primeiramente, o texto destaca que Jesus propositalmente entrou em territó-rio não apenas estrangeiro, mas também potencialmente hostil. Nesse caso, Jesus e seus discípulos fazem a experiência, não apenas de serem estrangeiros, mas de estarem à mercê dos nativos da região. Mas ao contrário da hostilidade esperada, apareceu-lhes uma mulher que pediu a Jesus uma ajuda para sua filha. E o que é mais impactante ainda, a resposta de Jesus à mulher foi excepcionalmente dura, nenhum outro suplicante nos evangelhos foi tratado da mesma forma.</p><p>Contudo, uma análise mais acurada do texto, mostra que a atitude de Jesus para com a mulher siro-fenícia é bastante paradigmática. A comunidade de Marcos apresenta a mulher siro-fenícia como o protótipo dos gentios que farão uma adesão ao evangelho, e a atitude de Jesus é uma representação da dificulda-de dos judeu-cristãos de aceitarem o ingresso de gentios na comunidade, no final do primeiro século. No diálogo entre Jesus e a siro-fenícia, a resposta da mulher é o único lugar onde Jesus é “superado” numa réplica. Ao ser vencido pela pa-lavra da mulher, Jesus corrige as posturas excludentes presentes na comunidade cristã posterior à sua ressurreição.”</p><p>Aila Luzia Pinheiro de Andrade e Fernanda Lemos. <a href="https://revistas.pucsp.br/index.php/culturateo/article/view/51341/37839">Jesus e a mulher siro-fenícia (Mc 7,24-30): ecos de uma memória coletiva</a>. Imagem: <a href="https://unsplash.com/@fredmarriage?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">freddie marriage</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/dog-under-table?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>Irrupción del pobre, quehacer filosófico y lógica de la gratuidad</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c615-irrupcion-del-pobre-quehacer-filosofico-y-logica-de-la-gratuidad</guid>
      <pubDate>Thu, 17 Mar 2022 23:09:24 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c615-irrupcion-del-pobre-quehacer-filosofico-y-logica-de-la-gratuidad.jpg"/><p>Artigo de 2017 do pe. J.C. Scannone</p><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/03/17032022b.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/03/17032022b.jpg]</a><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/03/irrupcion-del-pobre-quehacer-filosoficoy-logica-de-la-gratuidad-.pdf">irrupcion-del-pobre-quehacer-filosoficoy-logica-de-la-gratuidad-</a><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/03/irrupcion-del-pobre-quehacer-filosoficoy-logica-de-la-gratuidad-.pdf">Baixar</a><p>Imagem original: <a href="https://tulipas-de-narnia.tumblr.com/post/678827170109538304">Tulipas de Nárnia</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Converter-se</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c614-converter-se</guid>
      <pubDate>Thu, 17 Mar 2022 11:29:05 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678970170955415552/a-palavra-convers%C3%A3o-n%C3%A3o-passou-imune-ao">link para o tumblr</a></p>]]></description>
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    <item>
      <title>Ouvir o canto de Isabel</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c613-ouvir-o-canto-de-isabel</guid>
      <pubDate>Thu, 17 Mar 2022 06:53:38 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678953301467856896/do-opr%C3%B3brio-se-eleva-a-voz-de-isabel-que-canta">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>As características de Deus e as do ser humano no livro de Jonas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c612-as-caracteristicas-de-deus-e-as-do-ser-humano-no-livro-de-jonas</guid>
      <pubDate>Thu, 17 Mar 2022 05:22:29 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678947135443566592/quem-%C3%A9-deus-no-livro-de-jonas-essa-pergunta">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
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      <title>Imaginações diabólicas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c611-imaginacoes-diabolicas</guid>
      <pubDate>Wed, 16 Mar 2022 23:11:45 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>16/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678923682972827648/diabo-dem%C3%B4nio-sat%C3%A3-ou-satan%C3%A1s-acusador-for%C3%A7a">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
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      <title>Teologia da criação e criacionismo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c610-teologia-da-criacao-e-criacionismo</guid>
      <pubDate>Wed, 16 Mar 2022 19:22:34 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>16/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678909273064062976/um-caso-emblem%C3%A1tico-plantado-no-s%C3%A9culo-xix">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
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      <title>Perfeição</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c609-perfeicao-2</guid>
      <pubDate>Tue, 15 Mar 2022 17:05:41 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/03/2022</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A oração nos trans-figura</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c608-a-oracao-nos-trans-figura</guid>
      <pubDate>Sun, 13 Mar 2022 14:38:12 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678619691696193536/para-viver-com-mais-intensidade-o-caminho">link para o tumblr</a></p>]]></description>
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    <item>
      <title>A Igreja como mistério e instituição</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c607-a-igreja-como-misterio-e-instituicao</guid>
      <pubDate>Sun, 13 Mar 2022 06:21:37 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678588503841472512/do-ponto-de-vista-sociol%C3%B3gico-qualquer">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Sofrimento e retribuição na fé cristã</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c606-sofrimento-e-retribuicao-na-fe-crista</guid>
      <pubDate>Sun, 13 Mar 2022 05:12:59 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678584160017842176/o-ser-humano-quer-respostas-h%C3%A1-em-n%C3%B3s-um-desejo">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Verbum Domini, Bento XVI e a leitura canônica</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c605-verbum-domini-bento-xvi-e-a-leitura-canonica</guid>
      <pubDate>Sat, 12 Mar 2022 23:37:04 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678562940943728640/a-tem%C3%A1tica-da-leitura-can%C3%B4nica-da-escritura-foi">link para o tumblr</a></p>]]></description>
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      <title>A utopia privatizada</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c604-a-utopia-privatizada</guid>
      <pubDate>Sat, 12 Mar 2022 20:58:48 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678553042431492096/no-s%C3%A9culo-xx-a-arte-cinematogr%C3%A1fica-nos">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Breve contexto histórico-religioso do trabalho</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c603-breve-contexto-historico-religioso-do-trabalho</guid>
      <pubDate>Sat, 12 Mar 2022 12:08:12 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678519555238281216/na-civiliza%C3%A7%C3%A3o-greco-romana-estruturada">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A resistência ativa da fé</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c602-a-resistencia-ativa-da-fe</guid>
      <pubDate>Fri, 11 Mar 2022 23:46:23 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678472980774436864/portanto-a-liberdade-da-virgem-%C3%A9">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Manifestação do amor</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c601-manifestacao-do-amor</guid>
      <pubDate>Fri, 11 Mar 2022 21:48:38 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678461226805837824/quem-%C3%A9-esta-que-sobe-do-deserto-apoiada-em-seu">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A Carta Atenagórica e a Respuesta</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c600-a-carta-atenagorica-e-a-respuesta</guid>
      <pubDate>Fri, 11 Mar 2022 18:40:55 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678453798866468864/em-novembro-de-1690-circulou-em-puebla-um-folheto">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Uma leitura do Mistério da Encarnação: do divino ao humano e do humano ao divino</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c599-uma-leitura-do-misterio-da-encarnacao-do-divino-ao-humano-e-do-humano-ao-divino</guid>
      <pubDate>Fri, 11 Mar 2022 05:49:33 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678405256624947200/%C3%A9-na-dial%C3%A9tica-da-vida-di%C3%A1ria-que-a-teologia-quer">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Espiritualidade profética na ditadura – Brasil: nunca mais</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 10 Mar 2022 22:56:06 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678379055217885184/profeta-n%C3%A3o-%C3%A9-quem-adivinha-o-futuro-a-fun%C3%A7%C3%A3o-do">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Através de figuras, Israel aprendia a temer a Deus e a perseverar em seu serviço</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c597-atraves-de-figuras-israel-aprendia-a-temer-a-deus-e-a-perseverar-em-seu-servico</guid>
      <pubDate>Thu, 10 Mar 2022 19:13:07 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678365188342349824/desde-o-princ%C3%ADpio-deus-criou-o-homem-para-lhe">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O papel das mulheres católicas na política brasileira</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c596-o-papel-das-mulheres-catolicas-na-politica-brasileira</guid>
      <pubDate>Thu, 10 Mar 2022 09:28:12 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678328412914515968/se-por-um-lado-a-igreja-cat%C3%B3lica-n%C3%A3o-pode">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Tomar consciência de si e viver de modo empático leva a uma transformação do ser humano</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c595-tomar-consciencia-de-si-e-viver-de-modo-empatico-leva-a-uma-transformacao-do-ser-humano</guid>
      <pubDate>Thu, 10 Mar 2022 05:10:10 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678312178658541568/o-momento-em-que-vivemos-%C3%A9-marcado-pelo">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O sentido da vi(n)da de Cristo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c594-o-sentido-da-vinda-de-cristo</guid>
      <pubDate>Thu, 10 Mar 2022 01:01:43 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678295905593606144/meu-servo-o-justo-far%C3%A1-justos-in%C3%BAmeros-homens">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Como se deve pedir o divino auxílio</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c593-como-se-deve-pedir-o-divino-auxilio</guid>
      <pubDate>Wed, 09 Mar 2022 19:22:42 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678274981091770368/filho-sou-eu-o-senhor-que-conforta-no-dia-da">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A circuncisão do coração</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 08 Mar 2022 23:41:52 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>08/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678200756830109696/a-lei-e-a-alian%C3%A7a-foram-totalmente-mudadas">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Privado: teste com tumblrs incorporados</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c591-teste-com-tumblrs-incorporados</guid>
      <pubDate>Tue, 08 Mar 2022 13:22:31 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>08/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678156950989668352/uma-%C3%A1rvore-boa-n%C3%A3o-d%C3%A1-frutos-maus-uma-%C3%A1rvore-m%C3%A1">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/understands/674823921782161408">link para o tumblr</a></p><p><a href="https://www.tumblr.com/understands/166590570552">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Áudios do coração</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c590-audios-do-coracao</guid>
      <pubDate>Tue, 08 Mar 2022 12:06:09 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>08/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678156950989668352/uma-%C3%A1rvore-boa-n%C3%A3o-d%C3%A1-frutos-maus-uma-%C3%A1rvore-m%C3%A1">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A despatriarcalização de Deus na teologia feminista</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c589-a-despatriarcalizacao-de-deus-na-teologia-feminista</guid>
      <pubDate>Tue, 08 Mar 2022 04:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>08/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678111624708636672/a-despatriarcaliza%C3%A7%C3%A3o-de-deus-na-teologia">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Irineu de Lião</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 07 Mar 2022 04:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678025172692942848/gnose-irineu">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Protestos no Cazaquistão</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c587-protestos-no-cazaquistao</guid>
      <pubDate>Mon, 07 Mar 2022 03:51:20 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/678035274814619648/cazaquist%C3%A3o-permite-manifesta%C3%A7%C3%B5es-contra-a-guerra">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O poder de Deus</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c586-o-poder-de-deus</guid>
      <pubDate>Sun, 06 Mar 2022 08:14:12 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/03/2022</p><p><a href="https://www.tumblr.com/mrclpontowordpresspontocom/677961342086414336/a-superioridade-do-poder-n%C3%A3o-violento-de-deus">link para o tumblr</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Privado: Teste</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c585-teste-5</guid>
      <pubDate>Sun, 06 Mar 2022 03:17:11 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/03/2022</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>João Paulo II sobre o salmo 142/143</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c584-jp2sl142-143</guid>
      <pubDate>Fri, 04 Mar 2022 04:12:19 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>04/03/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22c584-jp2sl142-143.jpg"/><p>– O inimigo persegue a minha alma, *<br/>ele esmaga no chão minha vida<br/>– e me faz habitante das trevas, *<br/>como aqueles que há muito morreram.<br/>– Já em mim o alento se extingue, *<br/>o coração se comprime em meu peito!</p><p>Salmo 142(143), 3-4</p><p>“2 O Salmo começa com uma intensa e insistente súplica dirigida a Deus, fiel às promessas de salvação oferecidas ao povo (cf. v. 1). O orante reconhece que não tem qualquer mérito para fazer valer e, portanto, pede humildemente a Deus que não o julgue (cf. v. 2). Em seguida, ele fala sobre a situação dramática, semelhante a um pesadelo mortal, em que se está a debater: o inimigo, que é a representação do mal da história e do mundo, levou-o até ao limiar da morte. Com efeito, eis que está prostrado no pó da terra, que já é uma imagem do sepulcro; eis as trevas, que constituem uma negação da luz, sinal divino de vida; eis, por fim, “os mortos de há muito tempo”, ou seja, os que já passaram (cf. v. 3), entre os quais ele parece ter sido relegado.</p><p>3 A própria existência do Salmista está ameaçada: já lhe falta a respiração e o seu coração parece um bloco de gelo, incapaz de continuar a bater (cf. v. 4). O fiel, prostrado por terra e espezinhado, só tem as mãos livres, que se elevam para o céu num gesto que é, ao mesmo tempo, de pedido de ajuda e de procura de socorro (cf. v. 6). Efetivamente, o seu pensamento corre ao passado, em que Deus realizou prodígios (cf. v. 5). Esta centelha de esperança aquece o gelo do sofrimento e da provação, em que o orante se sente mergulhado, prestes a desfalecer (cf. v. 7). Em todo o caso, a tensão é sempre forte; mas um raio de luz parece vislumbrar-se no horizonte. Assim, passamos à outra parte do Salmo (cf. vv. 7-11).”</p><p>João Paulo II, quarta-feira, 9 de Julho de 2003</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O Jejum que agrada a Deus</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22c583-o-jejum-que-agrada-a-deus</guid>
      <pubDate>Wed, 02 Mar 2022 04:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>02/03/2022</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>Crédito da imagem: <a href="https://unsplash.com/@ghumuntu?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Abhishek Koli</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/freedom?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a>.</p><p><strong>Is 58, 3-7</strong></p><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/02/is583-7a.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/02/is583-7a.jpg]</a><p>3 “De que serve jejuar, se com isso não vos importais?<br/>E mortificar-nos, se nisso não prestais atenção?”<br/>É que no dia de vosso jejum, só cuidais de vossos negócios,<br/>e oprimis todos os vossos operários.<br/>4 Passais vosso jejum em disputas e altercações,<br/>ferindo com o punho o pobre.<br/>Não é jejuando assim que fareis chegar lá em cima vossa voz.<br/>5 O jejum que me agrada<br/>porventura consiste em o homem mortificar-se por um dia?<br/>Curvar a cabeça como um junco,<br/>deitar sobre o saco e a cinza?<br/>Podeis chamar isso um jejum,<br/>um dia agradável ao Senhor?<br/>6 Sabeis qual é o jejum que eu aprecio? – diz o Senhor Deus:<br/>é romper as cadeias injustas, desatar as cordas do jugo,<br/>mandar embora livres os oprimidos,<br/>e quebrar toda espécie de jugo.<br/>7 É repartir seu alimento com o esfaimado,<br/>dar abrigo aos infelizes sem asilo, vestir os maltrapilhos,<br/>em lugar de desviar-se de seu semelhante.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Guerra justa e o conflito na Ucrânia</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22b582-guerra-justa-e-o-conflito-na-ucrania</guid>
      <pubDate>Mon, 28 Feb 2022 04:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/02/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22b582-guerra-justa-e-o-conflito-na-ucrania.jpg"/><h2>Breve contextualização (descaradamente parcial e fundamentada nas interpretações do que eu acho que me lembro de ter lido sobre os envolvidos)</h2><p>A única justificativa aceitável da Rússia para invadir a Ucrânia, excluindo as desculpas esfarrapadas de lutar contra o neonazismo e a corrupção, <a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-60476325">é deter um avanço ainda maior da OTAN em direção às fronteiras russas</a>, que já se avizinham na Noruega, e também na Geórgia, que a Rússia anexou (criminosamente) e faz divisa com a Turquia, sem contar ainda <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Kaliningrado">Kaliningrado</a>, um território russo separado do resto do país que faz fronteira com a Lituânia e a Polônia. Se apenas a Ucrânia e a Finlândia entrarem para a OTAN, somente o sul da Rússia não ficaria cercado por aliados norte-americanos, atrapalhando muito o regime de envenenamentos e invasões de Putin para manter-se no poder.</p><p>A OTAN lembra muito os comensais da morte reunidos em torno de Voldemort nos tempos em que todos estavam em Hogwarts, <a href="https://harrypotter.fandom.com/pt-br/wiki/Tom_Riddle#Anos_em_Hogwarts_.281938-1945.29">“fracos em busca de proteção, ambiciosos em busca de alguma glória compartilhada e bandidos gravitando em direção a um líder que lhes mostrasse formas mais refinadas de crueldade”</a>, embora o princípio de formação da OTAN seja simples e bem-intencionado: <a href="https://www.nato.int/cps/en/natohq/topics_110496.htm">mexeu com um mexeu com todos</a>.</p><p>A Ucrânia tem uma clara preferência por ser explorada pelos EUA, via OTAN, em vez de ser explorada pela Rússia, que já faz isso desde os tempos dos czares, o que não parece uma má ideia (escolher a OTAN), se considerar que as suas alternativas se resumem a dois males mutuamente excludentes.</p><h2>Princípios católicos da guerra justa</h2><p>O Catecismo da Igreja Católica apresenta os princípios de uma guerra justa no número <a href="https://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p3s2cap2_2196-2557_po.html">2309</a>:</p><blockquote><p>– que o prejuízo causado pelo agressor à nação ou comunidade de nações seja duradouro, grave e certo;<br/>– que todos os outros meios de lhe pôr fim se tenham revelado impraticáveis ou ineficazes;<br/>– que estejam reunidas condições sérias de êxito;<br/>– que o emprego das armas não traga consigo males e desordens mais graves do que o mal a eliminar. O poder dos meios modernos de destruição tem um peso gravíssimo na apreciação desta condição.</p>CIC, Amarás o teu próximo como a ti mesmo.</blockquote><p>A Rússia parece satisfazer os últimos três requisitos, mas não o primeiro, já que sua única intenção é manter a OTAN distante do oeste do país, e a agressividade (quase sempre) passiva da OTAN não justifica a agressão contra a Ucrânia.</p><p>A Ucrânia está apenas se defendendo, se bem que impedir os homens de deixar o território e estimular civis a combaterem são medidas indefensáveis sem precisar recorrer a nenhum catecismo nem qualquer princípio religioso que seja, já que isto faz com que o sofrimento e o risco de morrer recaiam sobre a população ucraniana. A impressão que isto dá é que se fosse a Ucrânia no lugar da Rússia, a Ucrânia faria o mesmo, mas nem isto justifica a invasão agressiva russa.</p><p>A OTAN não está matando ninguém (neste conflito em particular) enquanto dá à Ucrânia condições de matar um punhado dos inimigos de ambos enquanto os ucranianos, armados ou não, arriscam suas vidas contra o exército russo.</p><p>Considerando os envolvidos e a doutrina católica de guerra, quem parece estar errando muito é a OTAN, a Ucrânia, a Rússia e também os princípios católicos da guerra justa.</p><h2>Ou é guerra ou é justa</h2><p><a href="https://domtotal.com/noticia/1477032/2020/10/nao-existe-guerra-justa-o-veredito-de-francisco/">Desde o papa Bento XV</a> que a ideia de uma guerra justa vem perdendo a força. Talvez fosse até possível discutir a legitimidade desta doutrina quando o que se entendia por “guerra” eram bandos armados de espadas se enfrentando (mas a conclusão já deveria ter sido a mesma, <a href="https://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/571509-nenhuma-guerra-e-justa-a-ruptura-do-papa-francisco">que não há guerra justa</a>). Não é que não hajam argumentos para entrar em uma guerra, mas todos eles passam longe de qualquer princípio cristão (nem o trecho do “<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Venda_sua_capa_e_compre_uma_espada">venda sua capa e compre uma espada</a>” serve aqui, já que pelo menos neste caso não se tem notícias de mortos por alguma espada perdida, embora seja necessário atropelar todo o restante do Evangelho para comprar até mesmo uma espada com base nesta passagem).</p><p>Se o papa Francisco vem cada vez mais deslegitimando esta doutrina, é porque as palavras de Cristo não mudam, mas o entendimento que se tem delas não apenas pode como deve evoluir, à exemplo da <a href="https://www.ihu.unisinos.br/188-noticias/noticias-2018/581441-o-papa-elimina-a-pena-de-morte-do-catecismo">tolerância à pena de morte</a>.</p><p>O único objetivo da guerra é a morte, e a morte não gera nem a justiça, nem a paz, pelo contrário, “O fruto da justiça semeia-se na paz para aqueles que praticam a paz.” (Tg 3,18)</p><p><a href="https://ensinarhistoria.com.br/dr-fantastico-o-filme-que-ridicularizou-guerra-fria/">Imagem</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Trecho da Imitação de Cristo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22b581-trecho-da-imitacao-de-cristo</guid>
      <pubDate>Fri, 25 Feb 2022 04:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/02/2022</p><p>«Não te glories da riqueza, se a tens, nem dos teus amigos, se são poderosos; mas em Deus que dá tudo e, sobretudo, deseja dar-se a si mesmo. </p><p>Não te envaideças do tamanho e da formosura do corpo, pois a mais leve enfermidade o deforma e corrompe. </p><p>Não te desvaneças da tua habilidade e do teu talento para que não desagrades a Deus, de quem procede tudo o que, naturalmente, tiveres de bom. </p><p>Não te julgues melhor que os outros, para que, aos olhos de Deus que conhece o que há no homem, não sejas tido pior. Não te comprazas de tuas boas obras, porque os juízos dos homens diferem muito dos juízos de Deus, a quem desagrada, muitas vezes, o que àqueles contenta.»</p><p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/A_Imita%C3%A7%C3%A3o_de_Cristo">A Imitação de Cristo</a>, cap. 7 (pgs. 29-30)</p><p>Imagem: <a href="https://twitter.com/ipeafro/status/1377790502125379587">postagem</a> do <a href="https://twitter.com/ipeafro">Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros</a> no Twitter.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Canção</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22b580-cancao</guid>
      <pubDate>Fri, 25 Feb 2022 01:54:47 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/02/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/imagem.webp"/><p>Poesia de 15 de outubro de 2002 (o que eu espero que sirva como desculpa). Imagem: Photo by <a href="https://unsplash.com/@joelfilip?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Joel Filipe</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/beautifull-colors?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a>.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Dois trechos de História da Igreja no Brasil – período colonial</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22b579-dois-trechos-de-historia-da-igreja-no-brasil-periodo-colonial</guid>
      <pubDate>Wed, 23 Feb 2022 04:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/02/2022</p><p>A terceirização da evangelização no Brasil colonial</p><p><strong>«Por concessão da Santa Sé, os reis de Portugal gozavam do direito de padroado sobre as novas colônias portuguesas. Deste modo os monarcas se constituíram como verdadeiros chefes espirituais das novas terras, por delegação do Papa. (…) Na realidade, tais privilégios levavam normalmente a uma identificação entre colonização e cristianização. (…) Assim os monarcas portugueses pensavam em criar no Brasil um Estado cristão, tendo como religião oficial o catolicismo. A missão deste Estado cristão era subjugar e incorporar os indígenas à cultura portuguesa e à religião cristã.</strong><br/><strong>O espírito de cruzada domina a colonização portuguesa. (…)<br/>Ser cristão, em última análise, é adotar a cultura portuguesa. (…)<br/>Outra consequência lógica dessa mentalidade é que a religião é reconhecida mais por limites territoriais do que por marcos espirituais.» (pgs. 156-158)</strong></p><p>O estado de guerra permanente sob o disfarce da paz no Brasil colonial</p><p><strong>«Em resumo, a política do Brasil era essencialmente uma política local. A coroa sempre manteve uma duvidosa ambiguidade em assuntos políticos, de um lado ouvindo com paternal solicitude as queixas dos que apelavam para ela, como por exemplo os jesuítas, em numerosa correspondênca, do outro lado nunca enfrentando os senhores locais (o famoso princípio do “poder moderador” de Pedro II), pois estes eram na realidade seus melhores colaboradores. Por isso a coroa nunca permitiu nem podia permitir tratados de paz entre africanos e colonizadores, indígenas e colonizadores. Há dois casos interessantes neste particular: um, por ocasião da guerra contra os potiguares no Rio Grande do Norte, quando ambas as partes começaram a se mandar embaixadas como se faz numa guerra “regular”. A coroa, consultada, reagiu de maneira taxativa (1692): não se fazem embaixadas de paz com os índios pois estes não são cristãos mas gentios. O outro caso se deu com os africanos aquilombados em Palmares. Começaram a ser enviadas embaixadas de paz de ambos os lados, houve trocas de presentes, a coroa foi consultada. Em 7 de fevereiro de 1686 veio a resposta por carta régia: os africanos foragidos vivem em pecado mortal, são revoltosos contra a vontade de Deus, e não se faz paz com os inimigos de Deus. Aliás, esta foi igualmente a opinião de Antônio Vieira, consultado por um colega seu que quis evangelizar os quilombolas de Palmares.</strong><br/><strong>Estes episódios demonstram o medo que reinava no centro do império português, Lsboa, no fnal do século XVII, e que exprimia a insegurançada administração central. Muto mais seguros estavam os senhores locais que, numa sociedade de extrema oposição social como é a sociedade escravocrata, mantiveram a única política segura e eficiente: a de manter o estado de guerra permanente sob o disfarce da paz. (…) Na realidade, a paz dos engenhos era fruto da “entrega da personalidade do escravo nas mãos do senhor”, conforme comentou Joaquim Nabuco. Este estado de guerra permanente era exercido de três modos, basicamente: pelos castigos, pela espionagem, pela religião.» (pgs. 256-257)</strong></p><p>Eduardo Hornaert et al. História da Igreja no Brasil: ensaio de interpretação a partir do povo: primeira época, período colonial.</p><p>Imagem: <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Meirelles-primeiramissa2.jpg">Wikimedia</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Trechos mais ou menos aleatórios do livro Mariologia Social</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22b578-trechos-mais-ou-menos-aleatorios-do-livro-mariologia-social</guid>
      <pubDate>Mon, 21 Feb 2022 04:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>21/02/2022</p><p>Mãe libertadora</p><p>«Se quisermos, agora, examinar o porquê do divórcio entre Maria e sociedade, devemos dizer, para começar, que esse problema não é específico da mariologia.<br/>(…)<br/>Existem, porém, razões especiais que explicam por que a fé em Maria não moveu à prática social. Uma delas é que Maria é vista sobretudo como “mãe”, na medida em que, na atual cultura patriarcal, e mais ainda na América Latina, a mãe é uma figura sobretudo doméstica, e não pública. Não se trata agora de substituir a imagem da mãe pela de libertadora, mas de rever e ampliar aquela imagem até incorporar o significado da última.»<br/>(pgs. 27-28)</p><p>O hino da Mãe de Deus é o hino dos libertos</p><p>«O Magníficat se dá no quadro da chamada Visitação [de Maria a Isabel], isto é, de um encontro apresentando os seguintes traços relevantes:</p><blockquote><p><strong>é um encontro de duas mulheres, no qual os homens, embora presentes, ficam como que na sombra, fato este que contrasta com o quadro de subordinação da mulher na sociedade palestinense, em que era tida como “menor”, condição esta simbolizada pelo porte do véu (cf. 1Cor 11,20);</strong></p></blockquote><blockquote><p><strong>em seguida, aqui estão presentes duas mulheres pobres, ambas desprezadas, uma porque estéril e outra porque moça insignificante do interior;</strong></p></blockquote><blockquote><p><strong>enfim, temos aqui duas mulheres grávidas, mulheres “benditas” por serem portadoras da vida</strong></p></blockquote><p>(…)</p><p>Tal é o contexto imediato em que Maria canta o Magnificat, o “hino dos libertos” por antonomásia – os libertos que são, em primeiro lugar, a própria Virgem, depois, os humildes e famintos e, enfim, o povo de Israel.»</p><p>(C. Boff. Mariologia Social, pgs. 324-325)</p><p>A liberdade integral</p><p>«Certamente, estas três camadas [do Magníficat: aquilo que Maria disse, a formatação dada pela tradição oral e os retoques de Lucas] se recobrem parcialmente. Com efeito, na redação atual, o sentido conotado, se não o denotado, é indiscutivelmente pós-pascal (…) Essa interface de sentido tem um importante valor hermenêutico, pois dá sustentação teórica à hermenêutica cristã da “libertação social”, enquanto esta permanece organicamente ligada à “libertação soteriológica”, quer como abertura a esta, quer como derivada dela.» (C. Boff. Mariologia Social, pgs. 326-327)</p><p>As “predecessoras” de Maria</p><p>«… pode-se ver no Magníficat uma aproximação de Maria com Judite. De fato, a bênção de Isabel sobre Maria: “Bendita és tu entre as mulheres” parece repercutir intencionalmente a do chefe do povo, Ozias, em relação a Judite: “Bendita és tu, filha, diante do Deus altíssimo, mais que todas as mulheres que viivem sobre a terra” (Jt 13,18). Em seguida, o mesmo Ozias acrescenta: “A coragem que tiveste não deixará o coração dos homens, que se lembrarão sempre da potência de Deus” (Jt 13,19). Ora, isso mesmo ressoa na proclamação de Maria: “Doravante as gerações me chamarão bendita… Grandes coisas fez por mim o Poderoso” (Lc 1,48b-49a). Mas é também Jael, outra libertadora astuciosa como Judite, que foi declarada “bendita entre as mulheres” (Jz 5,24)<br/>(…)<br/>Além de Judite e Jael, Maria pode ser aproximada ainda de outra libertadora do povo: Ester.<br/>(…)<br/>A tripla aproximação de Maria com Judite, Jael e Ester reveste um significado social nada desprezível, pois coloca Maria na fileira das grandes libertadoras de Israel. Mais ainda, ela emerge aí como a Libertadora suprema, aquela que esmagou a cabeça da serpente ou, dizendo melhor, a mãe d’Aquele que iria vencer para sempre o Dragão (Ap 12,1-5).» (C. Boff. Mariologia Social, pgs. 346-347)</p><p>Mariologia Social (Clodovis Boff)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Pequena lista de mercados próximos de estações da Linha 3 Vermelha de SP</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 20 Feb 2022 01:22:25 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/02/2022</p><p>Metrô Artur Alvim: <a href="https://goo.gl/maps/7Nc4GpURd2FxRwsJ6">Mini-mercado Extra</a></p><p>Metrô Guilhermina-Esperança: <a href="https://goo.gl/maps/Bwj5UrkSVxBkbBc38">Estrela Azul</a></p><p>Metrô Bresser-Mooca: <a href="https://goo.gl/maps/oKoWBgBh5MzVAoE8A">Mercado Ipanema</a></p><p>Metrô Pedro II: <a href="https://goo.gl/maps/Zdj5FMidFbdhCfRk7">Varejão do Brás</a></p><p>Metrô Anhangabaú: <a href="https://goo.gl/maps/1TCu5gCXeTausa5P8">Minimercado Ben-Hur</a></p><p>Metrô Santa Cecília: <a href="https://goo.gl/maps/TbLYR4sofzaTQNLt5">Mercado Extra</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Do dia o núncio alado</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22b576-do-dia-o-nuncio-alado</guid>
      <pubDate>Fri, 18 Feb 2022 04:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/02/2022</p><p>Do dia o núncio alado<br/>já canta a luz nascida.<br/>O Cristo nos desperta,<br/>chamando-nos à vida.</p><p>Ó fracos, ele exclama,<br/>do sono estai despertos<br/>e, castos, justos, sóbrios,<br/>velai: estou já perto!</p><p>E quando a luz da aurora<br/>enche o céu de cor,<br/>confirme na esperança<br/>quem é trabalhador.</p><p>Chamemos por Jesus<br/>com prantos e orações.<br/>A súplica não deixe<br/>dormir os corações.</p><p>Tirai o sono, ó Cristo,<br/>rompei da noite os laços,<br/>da culpa libertai-nos,<br/>guiai os nossos passos.</p><p>A vós a glória, ó Cristo,<br/>louvor ao Pai também,<br/>com vosso Santo Espírito,<br/>agora e sempre. Amém.</p><p>Hino do Ofício das Leituras na quinta-feira.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Sobre o provalecimento do “acordo”</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 18 Feb 2022 00:36:12 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/02/2022</p><blockquote><p>“O simples acordo entre empregado e empregador acerca do montante da remuneração não basta para qualificar como « justa » a remuneração concordada, porque ela « não deve ser inferior ao sustento » do trabalhador: a justiça natural é anterior e superior à liberdade do contrato.”</p></blockquote><p><a href="https://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/justpeace/documents/rc_pc_justpeace_doc_20060526_compendio-dott-soc_po.html#O%20direito%20%C3%A0%20remunera%C3%A7%C3%A3o%20eq%C3%BCitativa%20e%20distribui%C3%A7%C3%A3o%20da%20renda">Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 302</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Leigos na política</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22b574-leigos-na-politica</guid>
      <pubDate>Thu, 17 Feb 2022 23:35:48 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/02/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22b574-leigos-na-politica.jpg"/><p>«Não compete aos Pastores da Igreja intervir diretamente na construção política e na organização da vida social. Tal tarefa faz parte da vocação dos leigos, agindo por sua própria iniciativa, juntamente com seus concidadãos. Eles devem realizá-la, conscientes de que a finalidade da Igreja é difundir o Reino de Cristo para que todos os homens sejam salvos e que, por eles, o mundo seja efetivamente ordenado a Cristo.</p><p>A obra da salvação aparece, pois, indissoluvelmente unida à missão de melhorar e elevar as condições da vida humana neste mundo.</p><p>A distinção entre ordem sobrenatural da salvação e ordem temporal da vida humana deve ser vista ao interno de um único desígnio de Deus, o de recapitular todas as coisas em Cristo. É por isso que, em um e outro campo, o leigo, ao mesmo tempo fiel e cidadão, deve deixar-se guiar constantemente pela consciência cristã.</p><p>A ação social, que pode comportar uma pluralidade de caminhos concretos, terá sempre em vista o bem comum e será conforme à mensagem e ao ensinamento da Igreja. Evitar-se-á que a diferença de opiniões prejudique o sentido da colaboração, conduza à paralisia dos esforços ou produza desorientação no povo cristão.»</p><p>A orientação dada pela doutrina social da Igreja deve estimular a aquisição das competências técnicas e científicas indispensáveis. Ela estimulará também a busca da formação moral do caráter e o aprofundamento da vida espiritual. Fornecendo princípios e conselhos de sabedoria, essa doutrina não dispensa a educação para a prudência política, indispensável para o governo e gestão das realidades humanas.»</p><p>(<a href="https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19860322_freedom-liberation_po.html">Libertatis conscientia</a>, 80)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Salmo 56(57)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22b573-salmo-5657</guid>
      <pubDate>Thu, 17 Feb 2022 04:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/02/2022</p><p>“Este salmo canta a Paixão do Senhor” (Sto. Agostinho).</p><p>2 Piedade, Senhor, piedade,<br/>pois em vós se abriga a minh’alma!<br/>De vossas asas, à sombra, me achego,<br/>até que passe a tormenta, Senhor!</p><p>3 Lanço um grito ao Senhor Deus Altíssimo,<br/>a este Deus que me dá todo o bem.<br/>4 Que me envie do céu sua ajuda<br/>e confunda os meus opressores!<br/>Deus me envie sua graça e verdade!</p><p>5 Eu me encontro em meio a leões,<br/>que, famintos, devoram os homens;<br/>os seus dentes são lanças e flechas,<br/>suas línguas, espadas cortantes.</p><p>6 Elevai-vos, ó Deus, sobre os céus,<br/>vossa glória refulja na terra!</p><p>7 Prepararam um laço a meus pés,<br/>e assim oprimiram minh’alma;<br/>uma cova me abriram à frente,<br/>mas na mesma acabaram caindo.</p><p>8 Meu coração está pronto, meu Deus,<br/>está pronto o meu coração!<br/>9 Vou cantar e tocar para vós:<br/>desperta, minh’alma, desperta!<br/>Despertem a harpa e a lira,<br/>eu irei acordar a aurora!</p><p>10 Vou louvar-vos, Senhor, entre os povos,<br/>dar-vos graças, por entre as nações!<br/>11 Vosso amor é mais alto que os céus,<br/>mais que as nuvens a vossa verdade!<br/>12 Elevai-vos, ó Deus, sobre os céus,<br/>vossa glória refulja na terra!</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Verdade e paz social</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22b572-verdade-e-paz-social</guid>
      <pubDate>Wed, 16 Feb 2022 22:59:02 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>16/02/2022</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>“A paz social se alcança pela verdade; na verdade, essa paz só será possivel pela prática da justiça. Jamais podemos excluir a verdade do terreno social e político. O cristão deve sempre lutar pelo bem comum, fazendo com que a verdade prevaleça em todos os aspectos da vida. Numa sociedade democrática em que se respeitam os direitos fundamentais do ser humano, todos devem obrigar-se à verdade; sem ela, não são possíveis a ordem social e a prática do bem comum.”</p><p>(O Evangelho Social, manual básico de doutrina social da igreja, p. 41)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Homilia do papa em 16 de junho de 2013</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22b571-homilia-do-papa-em-16-de-junho-de-2013</guid>
      <pubDate>Wed, 16 Feb 2022 04:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>16/02/2022</p><p>A primeira leitura, tirada do Segundo Livro de Samuel, fala-nos de vida e de morte. O rei David quer esconder o adultério cometido com a esposa de Urias, o hitita, um soldado do seu exército, e, para o conseguir, manda colocar Urias na linha da frente para ser morto em batalha. A Bíblia mostra-nos o drama humano em toda a sua realidade, o bem e o mal, as paixões, o pecado e as suas consequências.</p><p>Quando o homem quer afirmar-se a si mesmo, fechando-se no seu egoísmo e colocando-se no lugar de Deus, acaba por semear a morte. Exemplo disto mesmo é o adultério do rei David. E o egoísmo leva à mentira, pela qual se procura enganar a si mesmo e ao próximo. Mas, a Deus, não se pode enganar, e ouvimos as palavras que o profeta disse a David: Tu praticaste o mal aos olhos do Senhor (cf. 2 Sam 12, 9). O rei vê-se confrontado com as suas obras de morte – na verdade o que ele fez é uma obra de morte, não de vida! –, compreende e pede perdão: «Pequei contra o Senhor» (v. 13); e Deus misericordioso, que quer a vida e sempre nos perdoa, perdoa-lhe, devolve-lhe a vida; diz-lhe o profeta: «O Senhor perdoou o teu pecado. Não morrerás». </p><p>Que imagem temos de Deus? Quem sabe se nos aparece como um juiz severo, como alguém que limita a nossa liberdade de viver?! Mas toda a Escritura nos lembra que Deus é o Vivente, aquele que dá a vida e indica o caminho da vida plena. </p><p>Penso no início do Livro do Génesis: Deus plasma o homem com o pó da terra, insufla nas suas narinas um sopro de vida e o homem torna-se um ser vivente (cf. 2, 7). Deus é a fonte da vida; é devido ao seu sopro que o homem tem vida, e é o seu sopro que sustenta o caminho da nossa existência terrena. Penso também na vocação de Moisés, quando o Senhor Se apresenta como o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob, como o Deus dos viventes; e, quando enviou Moisés ao Faraó para libertar o seu povo, revela o seu nome: «Eu sou aquele que sou», o Deus que Se torna presente na história, que liberta da escravidão, da morte e traz vida ao povo, porque é o Vivente. </p><p>Penso também no dom dos Dez Mandamentos: uma estrada que Deus nos indica para uma vida verdadeiramente livre, para uma vida plena; não são um hino ao «não» – não deves fazer isto, não deves fazer aquilo, não deves fazer aqueloutro… Não! – São um hino ao «sim» dito a Deus, ao Amor, à vida. Queridos amigos, a nossa vida só é plena em Deus, porque só Ele é o Vivente!</p><p><a href="https://www.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2013/documents/papa-francesco_20130616_omelia-evangelium-vitae.html">Texto completo</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Poder</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22b570-poder</guid>
      <pubDate>Tue, 15 Feb 2022 23:46:52 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/02/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22b570-poder.jpg"/><p>A mais recente <a href="https://www.tsf.pt/mundo/descentralizacao-saudavel-papa-concede-aos-bispos-poderes-ate-agora-reservados-a-santa-se-14590895.html">descentralização administrativa do Papa Francisco</a>, que dispensou a aprovação de Roma à intervenção de bispos e conferências episcopais na gestão dos seminários, na formação sacerdotal e na elaboração do catecismo, e substituiu-a por uma simples confirmação, demonstra o alinhamento do papa com a opção pelos pobres, na medida em que este alargamento da descentralização diminui o seu próprio poder sobre estes aspectos – uma diminuição já realizada também em outros aspectos anteriormente.</p><p>Este movimento dirige a Igreja ao mesmo rumo de Cristo, que “não se apegou à condição de ser igual em natureza a Deus Pai ao esvaziar-se de sua glória e tornar-se semelhante ao ser humano” (cf. fl 2,6-11), embora não signifique, obviamente, um caminho de renúncia ao poder, como se o Vaticano estivesse a caminho de se tornar uma espécie de ordem mendicante (apesar de ter um esmoleiro).</p><p>O problema com o poder não é possuí-lo, e nem mesmo buscá-lo ou mantê-lo, mas apegar-se a ele a ponto de fazer estas coisas às custas de outras coisas mais importantes do que ele, seja esta importância circunstancial ou absoluta. Como no caso do dinheiro, do sexo ou (um item que pode parecer estranho na lista) do chocolate, o problema do poder é para o que ele serve, e às custas do que se mantém ou se obtém.</p><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/02/poder.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/02/poder.jpg]</a><p>Seria ingênuo, e talvez até perigoso, sugerir que a Igreja, e também que às pessoas em particular simplesmente renunciem ao poder, não o busquem, rejeitem-no ou deixem-no de lado, porque se é verdade que no fim das contas ele pertence apenas a Deus, também é verdade que quase tudo o que pertence a Deus ele nos encarregou de administrar – e distanciar-se dele é agir como o personagem da parábola (cuja localização no Evangelho eu não tenho tempo de ir atrás agora) que enterrou a tal moeda que o rei lhe deu para cuidar e foi castigado por sua omissão. Até mesmo Cristo, ao aniquilar-se a ponto de deixar-se levar até a humilhação na Cruz, apenas absteve-se de usar o poder para livrar-se da humilhação, pois mesmo pregado na cruz não deixou de exercê-lo para admitir o “bom ladrão” nos céus.</p><p>A opção pelos pobres que o papa abraça ao imitar Cristo na descentralização de seus próprios poderes não significa fazer da injustiça contra os pobres a manifestação da vontade divina, e a renúncia que Cristo pede também não é abandonar-se ao acaso e deixar Deus na obrigação de resolver aquilo que ele dá condições de normalmente ser resolvido pela própria pessoa. Mas significa saber usar e saber se abster do poder que se tem, seja ele pouco ou muito, tendo em vista que ele pertence a Deus que espera que o poder seja um serviço aos outros, e não uma ferramenta de dominação.</p><p>Imagem original: <a href="https://unsplash.com/@childeye?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Alexis Fauvet</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/power?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Homilia do papa em 14 de abril de 2013</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22b569-homilia-do-papa-em-14-de-abril-de-2013</guid>
      <pubDate>Tue, 15 Feb 2022 04:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/02/2022</p><p>(…)<br/>Mas, façamos mais um passo: o anúncio de Pedro e dos Apóstolos não é feito apenas com palavras, mas a fidelidade a Cristo toca a sua vida, que se modifica, recebe uma nova direcção, e é precisamente com a sua vida que dão testemunho da fé e anunciam Cristo. No Evangelho, Jesus pede por três vezes a Pedro que apascente o seu rebanho, e o faça com todo o seu amor, profetizando-lhe: «Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te há-de atar o cinto e levará para onde não queres» (Jo 21, 18). Trata-se de uma palavra dirigida primariamente a nós, Pastores: não se pode apascentar o rebanho de Deus, se não se aceita ser conduzido pela vontade de Deus mesmo para onde não queremos, se não estamos prontos a testemunhar Cristo com o dom de nós mesmos, sem reservas nem cálculos, por vezes à custa da nossa própria vida. Mas isto vale para todos: tem-se de anunciar e testemunhar o Evangelho. Cada um deveria interrogar-se: Como testemunho Cristo com a minha fé? Tenho a coragem de Pedro e dos outros Apóstolos para pensar, decidir e viver como cristão, obedecendo a Deus? É certo que o testemunho da fé se reveste de muitas formas, como sucede num grande afresco que apresenta uma grande variedade de cores e tonalidades; todas, porém, são importantes, mesmo aquelas que não sobressaem. No grande desígnio de Deus, cada detalhe é importante, incluindo o teu, o meu pequeno e humilde testemunho, mesmo o testemunho oculto de quem vive a sua fé, com simplicidade, nas suas relações diárias de família, de trabalho, de amizade. Existem os santos de todos os dias, os santos «escondidos», uma espécie de «classe média da santidade» – como dizia um escritor francês –, aquela «classe média da santidade» da qual todos podemos fazer parte. Mas há também, em diversas partes do mundo, quem sofra – como Pedro e os Apóstolos – por causa do Evangelho; há quem dê a própria vida para permanecer fiel a Cristo, com um testemunho que lhe custa o preço do sangue. Recordemo-lo bem todos nós: não se pode anunciar o Evangelho de Jesus sem o testemunho concreto da vida. Quem nos ouve e vê, deve poder ler nas nossas acções aquilo que ouve da nossa boca, e dar glória a Deus! Isto traz-me à mente um conselho que São Francisco de Assis dava aos seus irmãos: Pregai o Evangelho; caso seja necessário, mesmo com as palavras. Pregar com a vida: o testemunho. A incoerência dos fiéis e dos Pastores entre aquilo que dizem e o que fazem, entre a palavra e a maneira de viver mina a credibilidade da Igreja.</p><p>Mas tudo isto só é possível, se reconhecermos Jesus Cristo; pois foi Ele que nos chamou, nos convidou a seguir o seu caminho, nos escolheu. Só é possível anunciar e dar testemunho, se estivermos unidos a Ele, precisamente como, no texto do Evangelho de hoje, estão ao redor de Jesus ressuscitado Pedro, João e os outros discípulos; vivem uma intimidade diária com Ele, pelo que sabem bem quem é, conhecem-No. O Evangelista sublinha que «nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-Lhe: “Quem és tu?”, porque bem sabiam que era o Senhor» (Jo 21, 12). Está aqui um dado importante para nós: temos de viver num relacionamento intenso com Jesus, numa intimidade tal, feita de diálogo e de vida, que O reconheçamos como «o Senhor». Adorá-Lo! A passagem que ouvimos do Apocalipse, fala-nos da adoração: as miríades de anjos, todas as criaturas, os seres vivos, os anciãos prostram-se em adoração diante do trono de Deus e do Cordeiro imolado, que é Cristo e para quem é dirigido o louvor, a honra e a glória (cf. Ap 5, 11-14). Gostaria que todos se interrogassem: Tu, eu, adoramos o Senhor? Vamos ter com Deus só para pedir, para agradecer, ou vamos até Ele também para O adorar? Mas então que significa adorar a Deus? Significa aprender a estar com Ele, demorar-se em diálogo com Ele, sentindo a sua presença como a mais verdadeira, a melhor, a mais importante de todas. Cada um de nós possui na própria vida, de forma mais ou menos consciente, uma ordem bem definida das coisas que são consideradas mais ou menos importantes. Adorar o Senhor quer dizer dar-Lhe o lugar que Ele deve ter; adorar o Senhor significa afirmar, crer – e não apenas por palavras – que Ele é o único que guia verdadeiramente a nossa vida; adorar o Senhor quer dizer que vivemos na sua presença convencidos de que é o único Deus, o Deus da nossa vida, o Deus da nossa história.</p><p>Daqui deriva uma consequência para a nossa vida: despojar-nos dos numerosos ídolos, pequenos ou grandes, que temos e nos quais nos refugiamos, nos quais buscamos e muitas vezes depomos a nossa segurança. São ídolos que frequentemente conservamos bem escondidos; podem ser a ambição, o carreirismo, o gosto do sucesso, o sobressair, a tendência a prevalecer sobre os outros, a pretensão de ser os únicos senhores da nossa vida, qualquer pecado ao qual estamos presos, e muitos outros. Há uma pergunta que eu queria que ressoasse, esta tarde, no coração de cada um de nós e que lhe respondêssemos com sinceridade: Já pensei qual possa ser o ídolo escondido na minha vida que me impede de adorar o Senhor? Adorar é despojarmo-nos dos nossos ídolos, mesmo os mais escondidos, e escolher o Senhor como centro, como via mestra da nossa vida.</p><p>Amados irmãos e irmãs, todos os dias o Senhor nos chama a segui-Lo corajosa e fielmente; fez-nos o grande dom de nos escolher como seus discípulos; convida-nos a anunciá-Lo jubilosamente como o Ressuscitado, mas pede-nos para o fazermos, no dia a dia, com a palavra e o testemunho da nossa vida. O Senhor é o único, o único Deus da nossa vida e convida-nos a despojar-nos dos numerosos ídolos e a adorar só a Ele. Anunciar, testemunhar, adorar. Que a bem-aventurada Virgem Maria e o apóstolo Paulo nos ajudem neste caminho e intercedam por nós. Assim seja.</p><p><a href="https://www.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2013/documents/papa-francesco_20130414_omelia-basilica-san-paolo.html">Texto completo</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Brevíssimo histórico das relações entre Ucrânia e OTAN</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 14 Feb 2022 21:00:46 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/02/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22b568-brevissimo-historico-das-relacoes-entre-ucrania-e-otan.jpg"/><p>Em 1992 a Ucrânia passou a integrar o então Conselho de Cooperação do Atlântico Norte, posteriormente rebatizado de Conselho de Associação Euroatlântico, e posteriormente, também tornou-se integrante da Associação para a Paz, um programa da OTAN para estreitar laços com Estados europeus e os remanescentes da antiga URSS.</p><p>Os laços entre Ucrânia e OTAN foram se estreitando cada vez mais até que em 2002 surgiram gravações revelando uma possível transferência de armamento bélico da Ucrânia para o Iraque, um ano antes da ocupação do Iraque para derrubar o então presidente Saddam Hussein. A reafirmação do desejo da Ucrânia de integrar a OTAN não foi suficiente para manter o ânimo da integração entre o país e a organização internacional.</p><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/02/euromaidan_03.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/02/euromaidan_03.jpg]</a><p>Desde então as relações permaneceram amistosas, e incluíram a cooperação em diversas atividades, porém o movimento de integração da Ucrânia ficou estacionado até 2014, quando o governo ucraniano pediu ao parlamento que reativasse o processo de adesão à OTAN em meio aos conflitos que levaram à anexação da Criméia à Rússia. Isto resultou na alteração dos objetivos da política externa ucraniana, que a partir de 2019 passou a incluir a adesão à OTAN e à União Europeia oficialmente na constituição do país.</p><p>As pesquisas de opinião demonstram uma opinião pública dividida, porém ainda majoritariamente favorável à adesão da Ucrânia tanto à OTAN quanto à União Europeia, um posicionamento com muita força na região ocidental do país que se inverte na porção oriental, onde o posicionamento favorável à Rússia é predominante.</p><p>Fontes: <a href="https://es.wikipedia.org/wiki/Relaciones_entre_Ucrania_y_la_OTAN">Wikipedia</a>, <a href="https://theconversation.com/whats-nato-and-why-does-ukraine-want-to-join-175821">The Conversation</a> e <a href="https://www.dw.com/en/ukraine-reaffirms-desire-to-join-nato-after-envoy-comments/a-60768298">Deutsche Welle</a>. (Imagem: <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Euromaidan_03.JPG">Wikimedia</a>)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Bloqueio de estradas no Chile resiste a planos de militarização</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 14 Feb 2022 06:31:41 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/02/2022</p><p>Os planos de militarizar as regiões fronteiriças ao norte no Chile foram insuficientes para encerrar os bloqueios dos caminhoneiros nas estradas da região iniciados depois da morte de um deles na última quinta-feira (10) em um crime atribuído a imigrantes venezuelanos.</p><img width="600" alt="" src="https://www.iglesiadesantiago.cl/arzobispado/site/artic/20220201/imag/foto_0000000320220201181830/Crisis_Migratoria_2022.jpeg"/><p>Até ontem (13) as estradas continuavam bloqueadas mesmo diante da iminência do estado de exceção que deverá entrar em vigor hoje e envolve a cooperação militar com a polícia para garantir a segurança e conter a violência, tanto contra estrangeiros como contra chilenos, causada pela crise que vem aumentando nos últimos dois anos, apesar da atuação de organismos como <a href="http://www.caritaschile.org/">Cáritas</a> e <a href="https://www.acnur.org/portugues/">ACNUR</a>.</p><p>Os bloqueios das estradas foram apenas mais uma das consequências desta crise forjada com a ajuda de políticas xenófobas promovidas ao longo do governo de Sebastián Piñera que, no entanto, tenta aprovar até 11 de março, fim de seu mandato, uma regulamentação menos hostil da nova lei de imigração que está em vigor desde abril do ano passado.</p><p>Fontes: <a href="https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2022/02/13/interna_internacional,1344575/caminhoneiros-fecham-acordo-no-chile-mas-seguem-com-bloqueios-de-rodovias.shtml">Estado de Minas</a>, <a href="https://www.efe.com/efe/america/portada/caos-en-la-frontera-de-chile-con-bolivia-tras-el-anuncio-estado-excepcion/20000064-4739348">EFE</a>, <a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/rfi/2022/02/10/governo-chileno-faz-mudancas-de-ultima-hora-em-nova-lei-de-migracao-para-lidar-com-crise-migratoria.htm">UOL</a>, <a href="https://www.dw.com/es/chile-militariza-cuatro-provincias-por-crisis-migratoria-en-el-norte/a-60759544">Deutsche Welle</a>, <a href="https://observador.pt/2022/02/12/governo-do-chile-militariza-e-poe-em-estado-de-emergencia-quatro-provincias/">Observador</a>, <a href="https://www.pauta.cl/nacional/diario-oficial-publica-reglamento-ley-migracion">Pauta</a> e <a href="https://www.iglesiadesantiago.cl/noticias/cech/iglesia-hace-urgente-llamado-a-las-autoridades-para-solucionar-crisis">Arzobispado de Santiago</a>. (Imagem: <a href="https://www.iglesiadesantiago.cl/noticias/cech/iglesia-hace-urgente-llamado-a-las-autoridades-para-solucionar-crisis">Arzobispado de Santiago</a>)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A busca da sabedoria</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 14 Feb 2022 04:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/02/2022</p><p>Dos Sermões de São Bernardo, abade<br/>(Sermo de diversis 15: PL 183,577-579)<br/>(Séc. XII)</p><p>Trabalhemos pelo alimento que não se perde. Trabalhemos na obra de nossa salvação. Trabalhemos na vinha do Senhor, para merecermos receber o salário de cada dia. Trabalhemos na sabedoria, pois esta diz: Quem trabalha em mim, não pecará. O campo é o mundo, diz a Verdade. Cavemos nele, pois aí está um tesouro escondido. Vamos desenterrá-lo! É assim a sabedoria, que se extrai de coisas ocultas. Todos nós a buscamos, todos nós a desejamos.</p><p>Foi dito: se quereis procurá-la, procurai. Convertei-vos e vinde! Queres saber do que te converter? Afasta-te de tuas vontades. Mas se não encontro em minhas vontades, onde então encontrarei a sabedoria? Minha alma deseja-a ardentemente; se vier a encontrá-la, isto não me basta. Cumpre pôr em meu seio uma medida boa, apertada, sacudida e transbordante. Tens razão. Feliz é o homem que encontra a sabedoria e que está cheio de prudência. Procura-a, pois, enquanto podes encontrá-la; e enquanto está perto, chama-a!<br/>Queres saber como está perto a sabedoria? Perto está a palavra, no teu coração e na tua boca; mas somente se a procurares de coração reto. No coração encontrarás a sabedoria, e a prudência fluirá de teus lábios. Cuida, porém, de tê-la em abundância e que não te escape como num vômito.</p><p>Na verdade, se encontraste a sabedoria, encontraste mel. Não comas demasiado, para que, saciado, não o vomites. Come de modo a sempre teres fome. A própria sabedoria o diz: Aqueles que me comem, ainda têm fome. Não julgues já teres muito. Não te sacies para que não vomites e te seja retirado aquilo que pareces possuir, por teres desistido de procurar antes do tempo. Pelo fato de a sabedoria poder ser encontrada enquanto está perto, não se deve deixar de buscá-la e invocá-la. De outro modo, como disse ainda Salomão: assim como não faz bem a alguém tomar o mel em demasia, assim quem perscruta a majestade, sente-se oprimido pela glória.</p><p>Feliz o homem que encontra a sabedoria. Feliz, ou, antes, muito mais feliz quem mora na sabedoria. Talvez Salomão queira aqui significar a superabundância. São três as razões de fluírem em tua boca a sabedoria e a prudência: se houver nos lábios primeiro a confissão da própria iniquidade; segundo a ação de graças e o canto de louvor; terceiro a palavra de edificação. Na verdade pelo coração se crê para a justiça, pela boca se confessa para a salvação. De fato, começando a falar, o justo se acusa. Depois, engrandece ao Senhor. Em terceiro, se até este ponto transborda a sabedoria, deve edificar o próximo.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Oração da manhã</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 13 Feb 2022 04:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/02/2022</p><p>Hino das Laudes na Liturgia das Horas</p><p>Eis que da noite já foge a sombra<br/>e a luz da aurora refulge, ardente.<br/>Nós, reunidos, a Deus oremos<br/>e invoquemos o Onipotente.</p><p>Deus, compassivo, nos salve a todos<br/>e nos afaste de todo o mal.<br/>O Pai bondoso, por sua graça,<br/>nos dê o reino celestial.</p><p>Assim nos ouça o Deus Uno e Trino,<br/>Pai, Filho e Espírito Consolador.<br/>Por toda a terra vibram acordes<br/>dum canto novo em seu louvor.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A supremacia da caridade</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22b564-a-supremacia-da-caridade</guid>
      <pubDate>Sat, 12 Feb 2022 04:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/02/2022</p><p>Dos Sermões do Bem-aventurado Isaac, abade do mosteiro de Stella<br/>(Sermo 31: PL 194,1292-1293)<br/>(Séc. XII)</p><p>Por que, irmãos, somos tão pouco solícitos em buscar ocasiões de salvação uns para os outros? Tão pouco cuidadosos em mais ajudarmo-nos mutuamente onde a necessidade for maior em carregar os fardos dos irmãos? O Apóstolo a isto nos exorta dizendo: Carregai os fardos uns dos outros e cumprireis assim a lei de Cristo; e em outro lugar: Suportando-vos reciprocamente na caridade. É esta, na verdade, a lei de Cristo.</p><p>Se há em meu irmão – seja por indigência seja por fraqueza corporal ou de educação – alguma coisa de incorrigível, por que não a suporto com paciência, e não a levo de bom grado? Pois está escrito: Seus filhos serão levados aos ombros e consolados no regaço? Não será porque me falta aquela caridade que tudo sofre, que é paciente para suportar e benigna para amar?</p><p>Certamente esta é a lei de Cristo, dele que assumiu verdadeiramente nossas enfermidades pela paixão e suportou nossas dores pela compaixão, amando os que carregava, carregando os que amava.<br/>Quem ataca o irmão em necessidade, quem põe armadilhas de qualquer tipo à sua fraqueza, está, sem dúvida alguma, sujeito à lei do demônio e a obedece. Sejamos então compassivos uns pelos outros, amantes da fraternidade, pacientes com as fraquezas, perseguidores dos vícios.</p><p>Toda vida que se preocupa sinceramente com o amor de Deus e, por ele, com o amor do próximo, é mais aprovada por Deus, sejam quais forem suas observâncias ou seus usos religiosos. A caridade é aquela em vista da qual tudo se deve fazer ou não fazer, mudar ou não mudar. É ela o princípio e o fim que devem regular tudo. Nada é culpável quando feito por ela e em conformidade com ela.</p><p>Oxalá ela nos seja concedida por aquele a quem não podemos agradar sem ela, pois sem ele nada absolutamente podemos, ele que vive e reina, Deus, pelos séculos infindos. Amém.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Toma consciência da dignidade de tua natureza</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 11 Feb 2022 04:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/02/2022</p><p>Dos Sermões de São Leão Magno, papa<br/>(Sermo in Nativitate Domini 7,2.6: PL 54,217-218.220-221)<br/>(Séc. V)</p><p>Tendo nascido, Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro homem, que jamais deixou de ser Deus verdadeiro, iniciou em si uma nova criação. Na figura do seu nascimento, ele entregou ao gênero humano um princípio segundo o espírito. Que inteligência poderá compreender este mistério? Que lábios o poderão contar? A iniquidade voltou à inocência, a velhice, à novidade, filhos alheios são adotados como próprios, e estranhos têm parte na herança!</p><p>Acorda, ó homem; toma consciência da dignidade de tua natureza. Recorda-te de teres sido feito à imagem de Deus que, embora corrompida em Adão, foi recriada em Cristo. Portanto, usa de modo justo das criaturas visíveis, como gozas da terra, do mar, do céu, do ar, das fontes, dos rios e tudo quanto neles achas de belo e de admirável. Por tudo dá louvor e glória ao Criador!</p><p>Aprecia com os sentidos do corpo a luz material. Com toda a intensidade do espírito abraça aquela verdadeira luz que ilumina todo homem que vem a este mundo e à qual se refere o Profeta: Aproximai-vos dele e sereis iluminados e vossos rostos não se cobrirão de confusão. Se somos templo de Deus e se o Espírito de Deus habita em nós, o que qualquer fiel possui no coração é muito maior do que tudo quanto se admira no céu.</p><p>Caríssimos, não vos estamos sugerindo ou aconselhando a desprezardes as obras de Deus ou a julgardes haver algo contrário à vossa fé nos bens criados pelo Deus de bondade. Nós vos exortamos, porém, a usardes com medida e discernimento da beleza de toda criatura e dos valores do universo, pois Aquilo que se vê é temporário, como diz o Apóstolo, quanto ao que não se vê, é eterno. Por conseguinte, nascidos para as realidades presentes, renascidos, porém, para as futuras não nos entreguemos aos bens temporais, mas estejamos atentos aos eternos. Para percebermos mais de perto nossa esperança, pensemos sobre o que a graça divina trouxe à nossa natureza. Ouçamos o Apóstolo: Estais mortos e vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória. Ele que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Santos e outras comemorações católicas do mês de fevereiro</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 10 Feb 2022 04:09:23 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/02/2022</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>«O Senhor é criador do mundo e protege o seu povo»</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 09 Feb 2022 05:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/02/2022</p><p>João Paulo II, quarta-feira, 29 de agosto de 2001 (sobre Jt 16,1-2.13-15)</p><p>O Cântico de louvor que acabamos de proclamar é atribuído a Judite, uma heroína que se tornou o orgulho de todas as mulheres de Israel, porque a ela coube exprimir o poder libertador de Deus num momento dramático da vida do seu povo. Deste seu cântico, a liturgia das Laudes faz-nos recitar apenas alguns versículos. Eles convidam a fazer festa, cantando em sintonia de vozes, tocando timbales e címbalos, para louvar o Senhor que “põe fim às guerras” (v. 2).</p><p>Esta última expressão, que define o verdadeiro rosto de Deus que ama a paz, introduz-nos no contexto em que nasceu o hino. Trata-se de uma vitória alcançada pelos Israelitas de maneira totalmente surpreendente, por obra de Deus que intervém para os subtrair à perspectiva de uma derrota iminente e total.</p><p>O Autor sagrado reconstrói este acontecimento alguns séculos mais tarde, a fim de oferecer aos irmãos e irmãs na fé, tentados pelo desencorajamento numa situação difícil, um exemplo que os possa animar. Desta forma, recorre ao que acontecera em Israel quando Nabucodonosor, irritado com a indisponibilidade deste povo perante os seus projetos de expansão e as suas pretensões idolátricas, enviara o general Holofernes com a tarefa bem definida de o dominar e aniquilar. Ninguém devia resistir a ele, que reivindicava as honras de um deus. E o seu general, compartilhando a sua presunção, desprezara a admoestação, que também ele recebera, de não atacar Israel, porque seria como ofender o próprio Deus.</p><p>Em última análise, o Autor sagrado deseja recordar precisamente este princípio, para confirmar os crentes do seu tempo na fidelidade ao Deus da Aliança: é preciso ter confiança em Deus. O verdadeiro inimigo que Israel deve temer não são os poderosos desta terra, mas a infidelidade ao Senhor. Ela priva-o da proteção de Deus e torna-o vulnerável. Ao contrário, quando é fiel o povo pode contar com a própria força de Deus, “magnífico no seu poder e invencível” (cf. v. 13).</p><p>Este princípio é maravilhosamente ilustrado por toda a história de Judite. O cenário é o da terra de Israel já invadida pelos inimigos. Do cântico emerge a dramaticidade deste momento: “O assírio veio das montanhas do norte com a multidão dos seus guerreiros. A sua multidão secava as torrentes, e a sua cavalaria cobria os vales” (v. 5). A arrogância efêmera do inimigo é realçada com sarcasmo: “Ele jurara incendiar o meu país, e passar ao fio de espada a minha juventude, e roubar os meus filhos, e levar as minhas filhas para o cativeiro” (v. 6).</p><p>A situação descrita pelas palavras de Judite é parecida com outras vividas por Israel, nas quais a salvação chegara quando parecia que já não havia caminhos de salvação. Não acontecera assim também a salvação do Êxodo, na passagem prodigiosa através do Mar Vermelho? Também agora o assédio por parte de um exército numeroso e poderoso tira qualquer esperança. Mas tudo isto só evidencia o poder de Deus, que se manifesta como um protetor invencível do seu povo.</p><p>A obra de Deus é muito mais luminosa, porque Ele não recorre a um guerreiro ou a um exército. Como outrora, no tempo de Débora, eliminara o general cananeu Sísera por meio de Jael, uma mulher (cf. Jz 4, 17-21), agora serve-se de novo de uma mulher inerme para ajudar o povo que se encontra em dificuldade. Firme na sua fé, Judite aventura-se até ao acampamento inimigo, seduz com a sua beleza o comandante e executa-o de maneira humilhante. O Cântico põe em grande evidência este fato: “O Senhor Todo Poderoso feriu-o, e entregou-o nas mãos de uma mulher que lhe cortou a cabeça. O seu chefe não caiu diante de jovens, nem foram heróis nem gigantes corpulentos que se lhe opuseram, mas foi Judite, filha de Merari, que o perdeu com a formosura do seu rosto” (Jdt 16, 5-6).</p><p>A figura de Judite tornar-se-á depois o arquétipo que permitirá não só à tradição hebraica, mas também à cristã, realçar a predileção de Deus por tudo o que é considerado frágil e débil, mas que precisamente por isso é escolhido para manifestar o poder divino.</p><p>Ela é uma figura exemplar também para exprimir a vocação e a missão da mulher, chamada à igualdade com o homem, de acordo com as suas características específicas, a desempenhar um papel significativo no desígnio de Deus. Algumas expressões do livro de Judite serão adotadas, de modo mais ou menos integral, pela tradição cristã, que verá na heroína hebraica uma das prefigurações de Maria. Não se sente talvez um eco dos tons de Judite quando, no Magnificat, Maria canta: “Derrubou os poderosos dos seus tronos e exaltou os humildes” (Lc 1, 52)? Por conseguinte, compreende-se como a tradição litúrgica, familiar aos cristãos quer do Oriente quer do Ocidente, gosta de atribuir à Mãe de Jesus expressões que se referem a Judite, como as seguintes: “Tu és a glória de Jerusalém, tu és a alegria de Israel, tu és a honra do nosso povo” (Jt 15, 9).</p><p>Partindo da experiência da vitória, o cântico de Judite concluiu-se com um convite a elevar a Deus um cântico novo, reconhecendo-o “grande e glorioso”. Ao mesmo tempo, admoestam-se todas as criaturas a permanecerem submetidas Àquele que com a sua palavra fez todas as coisas e as plasmou com o seu espírito. Quem pode resistir à voz de Deus? Judite recorda-o com grande ênfase: perante o Criador e Senhor da história, os fundamentos dos montes serão abalados e as rochas derreter-se-ão como a cera (cf. Jdt 16, 15). São metáforas eficazes para recordar que todas as coisas são “nada”, face ao poder de Deus. E contudo este cântico de vitória não quer amedrontar, mas confortar. De fato, Deus oferece o seu poder invencível em apoio de quantos lhe são fiéis: “Aqueles que Vos temem serão verdadeiramente grandes aos vossos olhos” (ibid.).</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>«O sacrifício de Abraão»</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 08 Feb 2022 05:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>08/02/2022</p><p>Das Homilias sobre o Gênesis, de Orígenes, presbítero<br/>(Hom. 8,6.8.9: PG 12,206-209)<br/>(Séc. III)</p><p>Abraão tomou a lenha do sacrifício e colocou-a sobre os ombros de seu filho Isaac. Tomou na mão o fogo e o cutelo, e foram ambos juntos. Ora, Isaac, carregando a lenha para o próprio holocausto, é uma figura de Cristo carregando sua cruz. No entanto levar a lenha para o holocausto é ofício de sacerdote. Torna-se então ele mesmo a vítima e o sacerdote. O que se segue: e foram ambos juntos refere-se a essa realidade, porque Abraão, como sacrificador, leva o fogo e o cutelo; mas Isaac não vai atrás e sim a seu lado, para que se veja que, juntamente com ele, exerce igual sacerdócio.</p><p>E depois? Disse Isaac a seu pai Abraão: Pai! Neste momento, uma palavra assim parece uma tentação. Como terá abalado o coração paterno esta palavra do filho que ia ser imolado! Mesmo endurecido pela fé, Abraão responde com voz branda: Que queres, filho? E ele: Vejo o fogo e a lenha, mas onde está a ovelha para o holocausto? Abraão respondeu: Deus providenciará uma ovelha para o holocausto, meu filho.</p><p>Impressiona-me a resposta cuidadosa e prudente de Abraão. Não sei o que via em espírito, pois responde olhando para o futuro e não para o presente: Deus mesmo providenciará uma ovelha. Assim fala do futuro ao filho que indaga pelo presente. O Senhor providenciava para si um cordeiro em Cristo.<br/>Abraão estendeu a mão para pegar a faca e imolar o filho. O anjo do Senhor chamou-o do céu, dizendo: Abraão, Abraão. Respondeu ele: Eis-me aqui. Tornou o anjo: Não toques no menino nem lhe faças nenhum mal. Agora sei que temes a Deus. Comparemos estas palavras com as do Apóstolo a respeito de Deus: Ele não poupou seu Filho, mas entregou-o por todos nós. Vede Deus rivalizando com os homens em magnífica generosidade. Abraão, mortal, ofereceu a Deus o filho mortal, que não morreria então. Deus entregou à morte por todos o Filho imortal.</p><p>Olhando Abraão para trás, viu um carneiro preso pelos chifres entre os espinhos. Dissemos acima, creio, que Isaac figurava Cristo e, no entanto, também o carneiro parece figurar Cristo. É muito importante ver como ambos se relacionam a Cristo: Isaac que não foi morto e o carneiro que o foi. Cristo é o Verbo de Deus, mas o Verbo se fez carne.</p><p>Padece, portanto, Cristo, mas, na carne; morre enquanto homem do qual o carneiro é figura; já dizia João: Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo. O Verbo, porém, permanece incorrupto, isto é, Cristo segundo o espírito; a imagem deste é Isaac. Por isto ele é vítima e também pontífice segundo o espírito. Pois aquele que oferece a vítima ao Pai, segundo a carne, este mesmo é oferecido no altar da cruz.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>«O Senhor proclama solenemente a sua palavra»</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 07 Feb 2022 05:12:02 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/02/2022</p><p>João Paulo II, quarta-feira, 13 de junho de 2001</p><p>Alguns estudiosos consideram o Salmo 28, que acabamos de recitar, como um dos textos mais antigos do Saltério. É poderosa a imagem que o sustém no seu desenvolvimento poético e orante: de fato, estamos perante o desencadear progressivo de uma tempestade. Ela é marcada no original hebraico por uma palavras, qol, que significa ao mesmo tempo “voz” e “trovão”. Por isso alguns comentadores deram ao nosso texto o título de “Salmo dos sete trovões”, devido ao número de vezes que essa palavra nele é repetida. Pode dizer-se, com efeito, que o Salmista concebe o trovão como um símbolo da voz divina que, com o seu mistério transcendente e inatingível, irrompe na realidade criada chegando ao ponto de a perturbar e amedrontar, mas que no seu significado mais profundo é palavra de paz e de harmonia. Aqui o pensamento vai para o capítulo 12 do IV Evangelho, onde a voz que, do céu, responde a Jesus, é entendida pela multidão como um trovão (cf. Jo 12, 28-29).</p><p>Ao propor o Salmo 28 para a oração das Laudes, a Liturgia das Horas convida-nos a assumir uma atitude de profunda e confiante adoração da Majestade divina.</p><p>São dois os momentos e os lugares aos quais o cantor bíblico nos conduz. No centro (cf. vv. 3-9) encontra-se a representação da tempestade que se desencadeia a partir da “extensão das águas” do Mediterrâneo. As águas marinhas, aos olhos do homem da Bíblia, encarnam a desordem que atenta contra a beleza e o esplendor da criação, chegando a corrompê-la, a destruí-la e a abatê-la. Por conseguinte, temos na observação da tempestade que se enfurece, a descoberta do poder imenso de Deus. Quem reza vê o furacão que se desloca para norte e cai na terra firme. Os cedros altíssimos do monte Líbano e do monte Sirion, chamado outras vezes Hermon, são arrancados pelos raios e parecem saltar sob os trovões como animais amedrontados. Os estrondos aproximam-se, atravessam toda a Terra Santa e descem para sul, nas estepes desérticas de Kades.</p><p>Após esta visão de grande movimento e tensão somos convidados a contemplar, por contraste, outro cenário que é representado no início e no final do Salmo (cf. vv. 1-2.9-11). Ao assombro e ao medo contrapõe-se agora a glorificação adorante de Deus no templo de Sião.</p><p>Há quase um canal de comunicação que une o santuário de Jerusalém com o santuário celeste: nestes dois âmbitos sagrados há paz e eleva-se o louvor à glória divina. O barulho ensurdecedor dos trovões é substituído pela harmonia do cântico litúrgico, o terror pela certeza da proteção divina. Agora Deus aparece “dominante sobre a tempestade” como “rei para sempre” (v. 10), isto é, como o Senhor e o Soberano de toda a criação.</p><p>Diante destes dois quadros antitéticos o orante é convidado a realizar uma dupla experiência. Em primeiro lugar, deve descobrir que o mistério de Deus, expresso no símbolo da tempestade, não pode ser apreendido e dominado pelo homem. Como canta o profeta Isaías, o Senhor, semelhante ao esplendor ou à tempestade, irrompe na história semeando pânico em relação aos perversos e aos opressores. Sob a intervenção do seu juízo, os adversários soberbos são destronados como árvores atingidas por um furacão ou como cedros despedaçados pelas flechas divinas (cf. Is 14, 7-8).</p><p>Nesta luz é evidenciado aquilo que o pensador moderno (Rudolph Otto) qualificou como o tremendum de Deus, ou seja, a sua transcendência inefável e a sua presença de juiz justo na história da humanidade. Ela ilude-se em vão ao pensar que pode opor-se ao seu poder soberano. Também Maria exaltará no Magnificat este aspecto do agir de Deus: “Exerceu a força com o Seu braço e aniquilou os que se elevavam no seu próprio conceito. Derrubou os poderosos dos seus tronos e exaltou os humildes” (Lc 1, 51-52).</p><p>Mas o Salmo apresenta-nos outro aspecto do rosto de Deus, o que se descobre na intimidade da oração e na celebração da liturgia. Segundo o pensador mencionado, é o fascinosum de Deus, ou seja, o fascínio que provém da sua graça, o mistério do amor que se propaga no fiel, a segurança serena da bênção reservada para o justo. Até perante a confusão do mal, das tempestades da história, e da própria cólera da justiça divina, o orante se sente em paz, envolvido pelo manto de proteção que a Providência oferece a quem louva a Deus e segue os seus caminhos. Através da oração chega-se à consciência de que o verdadeiro desejo do Senhor consiste em conceder a paz.</p><p>No templo é restabelecida a nossa apreensão e cancelado o nosso terror; nós participamos na liturgia celeste com todos “os filhos de Deus”, anjos e santos. E sobre a tempestade, semelhante ao dilúvio destruidor da maldade humana, curva-se então o arco-íris da bênção divina, que recorda “a aliança eterna concluída entre Deus e todos os seres vivos de toda a espécie que há na terra” (Gn 9, 16).</p><p>É esta, principalmente, a mensagem que se realça na leitura “cristã” do Salmo. Se os sete “trovões” do nosso Salmo representam a voz de Deus no universo, a expressão mais nobre desta voz é aquela com que o Pai, na teofania do Batismo de Jesus, revelou a Sua identidade mais profunda como “Filho muito amado” (Mc 1, 11 e par.). São Basílio escreve: “Talvez, e de maneira mais mística, “a voz do Senhor sobre as águas” ecoou quando veio uma voz do alto ao Batismo de Jesus e disse: Este é o Meu Filho muito amado. Então, de fato, o Senhor pairava sobre muitas águas, santificando-as com o Batismo. O Deus da glória ecoou do alto com a voz poderosa do seu testemunho… E podes também entender como “trovão” aquela mudança que, depois do Batismo, se realiza através da grande “voz” do Evangelho” (Homilias sobre os Salmos: PG 30, 359).</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>«A alma sedenta do Senhor»</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 06 Feb 2022 05:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/02/2022</p><p>João Paulo II, quarta-feira, 25 de abril de 2001</p><p>O Salmo 62, no qual nos detemos para refletir, é o Salmo do amor místico que celebra a adesão total a Deus, partindo de um anseio quase físico e chegando à sua plenitude num abraço íntimo e perene. A oração faz-se desejo, sede e fome, porque envolve a alma e o corpo. Como escreve Santa Teresa de Ávila, “a sede exprime o desejo de algo, mas um desejo tão intenso que perecemos se dele nos privamos” (Caminho de perfeição, c. XIX). Deste Salmo, a liturgia propõe-nos as primeiras duas estrofes, que estão centradas precisamente nos símbolos da sede e da fome, enquanto a terceira estrofe faz oscilar um horizonte obscuro, do juízo divino sobre o mal, em contraste com a luminosidade e a candura do resto do Salmo.</p><p>Então, iniciemos a nossa meditação com o primeiro cântico, o da sede de Deus (cf. vv. 2-4). É a aurora, o sol que está a nascer no céu obscuro da Terra Santa, e o orante começa o seu dia, indo ao templo para buscar a luz de Deus. Ele tem necessidade daquele encontro com o Senhor de maneira quase instintiva, dir-se-ia “física”. Assim como a terra árida é morta, enquanto não for irrigada pela chuva, e assim como nas fendas do terreno ela se parece com uma boca dessedentada e seca, assim o fiel aspira por Deus para ser por Ele saciado e poder assim existir em comunhão com Ele.</p><p>O profeta Jeremias já tinha proclamado: o Senhor é “fonte de águas vivas”, reprovando o povo por ter cavado “cisternas rotas, que não podem reter as águas” (2, 13). O próprio Jesus exclamará em voz alta: “Se alguém tem sede venha a mim e beba… que acredite em mim” (Jo 7, 37-38). Em plena tarde de um dia ensolarado e silencioso, Ele promete à mulher samaritana: “Quem beber da água que Eu lhe der, jamais terá sede, porque a água que Eu lhe der se tornará nele uma nascente de água a jorrar para a vida eterna” (Jo 4, 14).</p><p>No que diz respeito a este tema, a oração do Salmo 62 relaciona-se com o cântico de outro Salmo maravilhoso: “Assim como a corça suspira pelas correntes de água, assim também a minha alma suspira por Vós, ó meu Deus. A minha alma tem sede do Senhor, do Deus vivo” (41, 2-3). Pois bem, na língua do Antigo Testamento o hebraico a “alma” é expressa com o termo nefesh, que nalguns textos designa a “garganta” e em muitos outros chega a indicar todo o ser da pessoa.</p><p>Compreendido nesta acepção, o vocábulo ajuda a entender como é essencial e profunda a necessidade de Deus; sem Ele faltam a respiração e a própria vida. Por isso, o Salmista chega a pôr em segundo plano a própria existência física, se vier a faltar a união com Deus: “O vosso amor é mais precioso do que a vida” (62, 4). Inclusivamente no Salmo 72, repetir-se-á ao Senhor: “Além de Vós, nada mais anseio sobre a terra. A minha carne e o meu coração já desfalecem, mas o Senhor é para sempre a rocha do meu coração e a minha herança… o meu bem é estar perto de Deus” (vv. 25-26 e 28).</p><p>Depois do cântico da sede, eis que se modula nas palavras do Salmista o cântico da fome (cf. Sl 62, 6-9). Provavelmente, com as imagens do “lauto banquete” e da saciedade, o orador remete para um dos sacrifícios que se celebravam no templo de Sião: o sacrifício chamado “de comunhão”, ou seja, um banquete sagrado em que os fiéis comiam a carne das vítimas imoladas. Outra necessidade fundamental da vida é aqui utilizada como símbolo da comunhão com Deus: a fome é saciada quando se escuta a Palavra divina e se encontra o Senhor. Com efeito, “o homem não vive somente de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor” (Dt 8, 3; cf. Mt 4, 4). E aqui o pensamento do cristão corre para aquele banquete que Cristo preparou na última noite da sua vida terrestre, e cujo profundo valor Ele já tinha explicado durante o discurso de Cafarnaum: “A minha carne é, em verdade, comida e o meu sangue é, em verdade, bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue fica em mim e eu nele” (Jo 6, 55-56).</p><p>Através do alimento místico da comunhão com Deus, “a alma une-se a Ele”, como declara o Salmista. Uma vez mais, a palavra “alma” refere-se a todo o ser humano. Não é sem motivo que se fala de um abraço, de um abraço quase físico: Deus e o homem já estão em plena comunhão, e dos lábios da criatura não pode brotar senão o louvor jubiloso e agradecido. Mesmo quando estamos na noite escura, sentimo-nos protegidos sob as asas de Deus, como a arca da aliança é coberta pelas asas dos querubins. E então floresce a expressão extática da alegria: “Exulto à sombra das vossas asas”. O medo dissolve-se, o abraço não se aperta ao vazio, mas ao próprio Deus, enquanto a nossa mão se entrelaça com o poder da Sua direita (cf. Sl 62, 8-9).</p><p>A partir de uma leitura do Salmo à luz do mistério pascal, a sede e a fome que nos impelem para Deus encontram a sua satisfação em Cristo crucificado e ressuscitado, de Quem chega até nós, mediante o dom do Espírito e dos Sacramentos, a vida nova e o alimento que a sustém.</p><p>É o que nos recorda João Crisóstomo que, comentando a anotação joanina: do lado “saiu sangue e água” (cf. Jo 19, 34), afirma: “Aquele sangue e aquela água são símbolos do Batismo e dos Mistérios”, ou seja, da Eucaristia. E conclui: “Vedes como Cristo atraiu a si mesmo a esposa? Vedes com que alimento Ele nos nutre a todos nós? Fomos formados e somos nutridos pelo mesmo alimento. Com efeito, assim como a mulher nutre aquele que ela gerou com o próprio sangue e leite, assim também Cristo alimenta continuamente com o seu sangue aquele que Ele mesmo gerou” (Homilia III, destinada aos neófitos, 16-19 passim: SC 50 bis, 160-162).</p>]]></description>
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    <item>
      <title>«A atividade humana»</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 05 Feb 2022 05:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/02/2022</p><p>Da Constituição Pastoral Gaudium et spes sobre a Igreja no mundo de hoje, do Concílio Vaticano II<br/>(N. 35-36)<br/>(Séc. XX)</p><p>A atividade humana origina-se no homem e para o homem se ordena. De fato, ao trabalhar, o homem não apenas modifica os seres e a sociedade, mas aperfeiçoa-se a si também. Aprende muitas coisas, desenvolve suas faculdades, sai de si mesmo e se supera.</p><p>Este crescimento, se bem entendido, vale muito mais que toda a riqueza que possa ajuntar. O homem vale mais pelo que é do que pelo que tem.</p><p>Igualmente, tudo quanto os homens fazem para obter maior justiça, fraternidade mais larga e uma ordem mais humana nas relações sociais, tem maior valor do que os progressos técnicos. Estes podem proporcionar base material para a promoção humana, mas, por si sós, não conseguem realizá-la.</p><p>Esta é, pois, a norma da atividade humana: que corresponda ao genuíno bem da humanidade, de acordo com o desígnio de Deus, e permita ao homem, como indivíduo ou como membro da sociedade, a plena realização de sua vocação.</p><p>Contudo, muitos contemporâneos parecem temer um vínculo muito estreito entre a atividade humana e a religião. Vêem nisso um perigo para a autonomia das pessoas, das sociedades e das ciências. Se por autonomia das realidades terrenas entendemos que toda criatura e as sociedades gozam de leis e de valores próprios, que o homem deve gradualmente reconhecer, utilizar e organizar, tal exigência de autonomia é plenamente legítima. Não só é exigida pelos homens de hoje, mas concorda com a vontade do Criador. Em virtude mesmo da criação todas as coisas possuem consistência própria, verdade, bondade, leis e ordens específicas. Deve o homem respeitá-las reconhecendo os métodos próprios de cada ciência e técnica.</p><p>Seja-nos, portanto, permitido deplorar certas atitudes existentes mesmo entre cristãos, insuficientemente advertidos da legítima autonomia da ciência, que levaram, pelas tensões e controvérsias suscitadas, muitos espíritos a julgar que a fé e a ciência se opõem.</p><p>Se, porém, por “autonomia das realidades temporais se entende que as criaturas não dependem de Deus e que o homem pode usar delas sem qualquer referência ao Criador, quem reconhece a Deus não pode deixar de perceber a que ponto é falsa esta afirmação. Porque, sem o Criador, a criatura se reduz a nada.</p>]]></description>
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    <item>
      <title>Johnson &amp; Johnson dribla condenações por talco cancerígeno nos EUA</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 04 Feb 2022 23:42:18 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>04/02/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22b556-johnson-johnson-dribla-condenacoes-por-talco-cancerigeno-nos-eua.jpg"/><p>A matriz da Johnson &amp; Johnson, sediada em Nova Jersey, está explorando brechas legais na legislação norte-americana para reduzir os gastos com indenizações a clientes que desenvolveram câncer causado pelo uso de talcos contaminados com amianto.</p><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/02/johnsonjohnson_hq_building.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/02/johnsonjohnson_hq_building.jpg]</a><p><em>Sede da Johnson &amp; Johnson</em></p><p>A estratégia legal consiste em criar uma subsidiária responsável pelas indenizações, mas é uma solução que torna o processo mais longo e costuma resultar em pagamentos parciais ao credores.</p><p>O talco é um mineral que ocupa a posição mais baixa na <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Escala_de_Mohs">Escala (de dureza) de Mohs</a> e frequentemente é encontrado em locais onde também há amianto nas proximidades, ficando por isto suscetível à contaminação.</p><p>Diante de estudos contraditórios e inconclusivos sobre os riscos do talco e de recolhimentos de lotes com produto contaminado, a empresa considera que as condenações foram injustas, e que as informações sobre a insegurança do talco são desinformações e alegações infundadas, apesar de ter interrompido as vendas de talco para bebê desde 2020 nos EUA.</p><p>Fontes: <a href="https://www.reuters.com/business/healthcare-pharmaceuticals/inside-jjs-secret-plan-cap-litigation-payouts-cancer-victims-2022-02-04/">Reuters</a>, <a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-44819305">BBC Brasil</a> e <a href="https://olhardigital.com.br/2021/07/18/medicina-e-saude/acao-bilionaria-por-causa-de-talco-para-bebes-pode-fazer-a-johnson-johnson-se-dividir/">Olhar Digital</a>. (Imagem: <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:JohnsonJohnson_HQ_building.jpg">Wikimedia</a>)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Escritório de representação taiwanês nos EUA pode ser renomeado</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 04 Feb 2022 04:49:40 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>04/02/2022</p><p>Uma ofensiva legislativa protagonizada por alguns democratas e republicanos nas duas casas do congresso norte-americano pretende renomear o Escritório de Representação Econômica e Cultural de Taipei, atual nome do que é de fato a embaixada de Taiwan nos EUA, para Escritório de Representação de Taiwan.</p><p>O nome atual é utilizado nas representações taiwanesas em países que não reconhecem oficialmente a independência de Taiwan, mas mantém relações diplomáticas e comerciais extraoficiais com a ilha.</p><p>Tanto a China (cujo nome oficial é República Popular da China) quanto Taiwan (cujo nome oficial é República da China) atribuem cada qual a si próprio a legitimidade sobre todo o território chinês, seja o continental ou o insular, e consideram o outro governo ilegítimo.</p><p>A China foi fundada em 1912 e compreendia parte do mesmo território continental atual e a Mongólia. No fim da Segunda Guerra anexou o conjunto de ilhas que hoje é o território taiwanês. Em 1949 o Partido Nacionalista Chinês perdeu a guerra civil para o Partido Comunista Chinês e transferiu sua capital para Taipé. Desde então os dois governos disputam a China entre si.</p><p>Fontes: <a href="https://www.reuters.com/world/china/us-lawmakers-push-rename-taiwans-de-facto-embassy-washington-2022-02-04/">Reuters</a> e <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Taiwan">Wikipedia</a>. (Imagem: <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Taipei_Skyline_2020.jpg">Wikimedia</a>)</p>]]></description>
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    <item>
      <title>Nicarágua cassa universidades e organizações civis</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 03 Feb 2022 14:12:49 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/02/2022</p><p>A Asamblea Nacional de Nicaragua (equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil) aprovou a cassação da personalidade jurídica de cinco universidades nicaraguenses a pedido do Ministerio de Gobernación do páis (equivalente ao Ministério da Justiça brasileiro).</p><p>As cinco universidades funcionam sob a <a href="https://siteal.iiep.unesco.org/pt/node/2924">Ley 89</a>, que reconhece a função social de centros de ensino superior, sejam eles privados ou públicos, e por isto garante o acesso livre e gratuito dos cidadãos aos estabelecimentos de ensino enquadrados nesta lei.</p><p>O governo fundamentou a decisão no descumprimento de procedimentos burocráticos que as universidades, no entanto, disseram terem sido cumpridos, mas tiveram a documentação inexplicavelmente recusada pelo governo, motivo pelo qual suspeitam que a causa das recusas e cancelamentos seja o potencial que estes centros de ensino têm para divergir de Ortega, como alguns deles já o fizeram em outras ocasiões.</p><p>Além das universidades, outras organizações civis, como a Asociación de Cantautores Nicaragüenses e a Cáritas diocesana de Estelí, por exemplo, também tiveram seus registros cancelados pelo governo.</p><p>Fontes: <a href="https://www.vozdeamerica.com/a/6424717.html">VOA</a>, <a href="https://www.articulo66.com/2022/02/02/regimen-busca-aniquilar-cualquier-resistencia-juvenil-al-quitar-personeria-juridica-a-universidades/">Artículo 66</a>, <a href="https://www.laprensani.com/2022/02/03/nacionales/2945522-tres-analisis-sobre-las-causas-de-la-cancelacion-de-la-personeria-juridica-de-cinco-universidades-en-un-mismo-dia">La Prensa</a> e <a href="https://www.confidencial.com.ni/politica/regimen-cancela-personeria-a-upoli-ucatse-y-centros-vinculados-a-diocesis-de-esteli/">Confidencial</a>. (Imagem: <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Nicar%C3%A1gua#/media/Ficheiro:06.Plaza_de_la_Independencia_de_Granada.JPG">Wikimedia</a>)</p>]]></description>
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    <item>
      <title>Brasil deixou “passar a boiada” na fiscalização ambiental em 2021</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 02 Feb 2022 13:12:36 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>02/02/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22b553-brasil-deixou-passar-a-boiada-na-fiscalizacao-ambiental-em-2021.jpg"/><p>Uma análise dos dados divulgados na última terça-feira revelou que o IBAMA gastou menos da metade do orçamento de 219 milhões de reais disponibilizados após pressão na <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%BApula_do_Clima_de_2021">Cúpula do Clima de 2021</a>.</p><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/02/amazonia-desmatamento-divulgacao.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/02/amazonia-desmatamento-divulgacao.jpg]</a><p>Na reunião entre líderes de 40 países, a pressão de Europa e Estados Unidos serviu para o presidente brasileiro diminuir, na época, o tom das críticas ao que considera excessos na aplicação de leis ambientais, e cumprir o compromisso de aumentar o investimento em proteção ambiental, o que concretizou-se com o acréscimo no orçamento do IBAMA.</p><p>Mas a agência utilizou menos da metade do seu orçamento nas fiscalizações em campo, gastando em outras áreas como aquisição de equipamentos, por exemplo, o que levou a uma devastação na Amazônia de uma área equivalente à do estado norte-americano de Connecticut.</p><p>Enquanto o IBAMA prefere mensurar a atenção ao meio ambiente apontando o valor comprometido ao órgão, o <a href="https://www.oc.eco.br/">Observatório do Clima</a> considera mais eficaz apontar os valores gastos e pagos – pois a disponibilidade financeira por si só não impediu que em 2021 a devastação tenha sido a maior dos últimos 15 anos.</p><p>Fonte: <a href="https://www.reuters.com/world/americas/brazil-spent-less-than-half-its-2021-environmental-enforcement-budget-2022-02-01/">Reuters</a> (imagem: <a href="https://d24am.com/amazonia/meio-ambiente/amazonia-desmatamento-em-2021-e-o-maior-dos-ultimos-10-anos/">D24am</a>)</p>]]></description>
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    <item>
      <title>Peru proíbe temporariamente Repsol de descarregar óleo no país</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 01 Feb 2022 09:49:20 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/02/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22b552-peru-proibe-temporariamente-repsol-de-descarregar-oleo-no-pais.jpg"/><p>A empresa afirmou que é responsável por 40% do combustível peruano e que fará o necessário para não desabastecer o mercado, além de considerar a medida descabida e desproporcional.</p><p>O governo peruano proibiu temporariamente a Repsol de descarregar petróleo no país após um gigantesco vazamento que a empresa atribui às inesperadas consequências da erupção do vulcão em Tonga.</p><p>O governo peruano, por sua vez, pretende manter a proibição enquanto não houverem garantias técnicas de que outro vazamento pode ser evitado, enquanto trabalha em um processo Internacional contra a empresa, que tem quatro executivos impedidos pela justiça de sair do país pelos próximos 18 meses.</p><p>Fonte: <a href="https://www.reuters.com/world/americas/peru-temporarily-suspend-repsols-offshore-oil-unloading-after-spill-2022-01-31/">Reuters</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Juíza norte-americana nega favorecimentos para os assassinos de Ahmaud Arbery</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 01 Feb 2022 08:32:32 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/02/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22b551-juiza-norte-americana-nega-favorecimentos-para-os-assassinos-de-ahmaud-arbery.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/02/apresentacao1.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2022/02/apresentacao1.jpg]</a><p>Uma juíza norte-americana negou um acordo que previa o cumprimento de parte da pena de dois assassinos de Ahmaud Arbery em prisões federais, costumeiramente menos brutais do que as estaduais.</p><p>A sentença de nível estadual condenou os três, mas permitiu que um deles pudesse recorrer em liberdade. Ao enfrentar o julgamento em nível federal, a defesa dos outros dois conseguiu um acordo que permitiria o arranjo menos desfavorável, em troca da confissão deles.</p><p>A juíza levou em consideração os apelos da mãe, para quem a aceitação do acordo seria como permitir que os assassinos cuspissem na cara dela depois de terem matado seu filho.</p><p>Fonte: <a href="https://www.reuters.com/world/us/us-prosecutors-reach-hate-crime-plea-deals-ahmaud-arbery-murder-court-filings-2022-01-31/">Reuters</a></p>]]></description>
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    <item>
      <title>“O trabalho é a vocação do homem”</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 01 Feb 2022 05:29:09 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/02/2022</p><p>«E Deus criou» (<em>Gn </em>1, 27). Um Criador. Criou o mundo, criou o homem, e deu ao homem uma missão: administrar, trabalhar, continuar a criação. A Bíblia usa <em>trabalho</em> para descrever esta atividade de Deus: «Tendo Deus acabado no sétimo dia a <em>obra </em>que fizera, descansou de todo o seu <em>trabalho</em>» (<em>Gn </em>2, 2). E confia esta atividade ao homem: “Tendes de fazer isto, conservar aquilo, trabalhar para criar comigo – como se tivesse dito assim – este mundo, para que continue» (cf. <em>Gn </em>2, 15.19-20). A tal ponto que o trabalho é apenas a continuação da obra de Deus: o trabalho humano é a vocação do homem recebida de Deus no fim da criação do universo.</p><p>É o trabalho que torna o homem semelhante a Deus, pois com o trabalho o homem é criador, é capaz de criar, de criar muitas coisas; até mesmo de criar uma família para seguir em frente. O homem é criador e cria com o trabalho. Esta é a vocação. E a Bíblia diz: «Viu Deus que tudo quanto tinha feito era muito bom» (<em>Gn </em>1, 31). Ou seja, o trabalho tem em si uma bondade e cria a harmonia das coisas – beleza, bondade – e envolve o homem em tudo: no seu pensamento, na sua atuação, em tudo. O homem participa no trabalho. É a primeira vocação do homem: trabalhar. E isto dá dignidade ao homem. É a dignidade que o faz assemelhar-se a Deus. A dignidade do trabalho.</p><p>Certa vez, numa Cáritas, a um homem que não tinha trabalho e fora à procura de algo para a família, um empregado dessa entidade [deu-lhe algo para comer e] disse: “Pelo menos podes levar o pão para casa” – “Mas isto não me basta, não me é suficiente”, foi a resposta: “Quero <em>ganhar o pão </em>a fim de o levar para casa”. Faltava-lhe a dignidade, a dignidade de “fazer” o próprio pão, com o seu trabalho, e de o levar para casa. A dignidade do trabalho, que infelizmente é tão espezinhada.</p><p>Na história, lemos a brutalidade que fizeram com os escravos: foram levados da África para a América – penso nesta história, que diz respeito à minha terra – e nós dizemos: “Quanta barbárie!”. Mas ainda hoje há muitos escravos, muitos homens e mulheres que não são <em>livres </em>para trabalhar: são obrigados a trabalhar para sobreviver, nada mais. São escravos: o trabalho forçado… Existe o trabalho forçado, injusto, mal pago e que leva o homem a viver com a dignidade espezinhada. Há muitos, muitos no mundo. Muitos! Nos jornais, há alguns meses, lemos que num país da Ásia, um homem espancou até à morte um dos seus empregados que ganhava menos de meio dólar por dia, porque tinha feito algo de errado. A escravatura de hoje é a nossa “indignidade”, porque tira a dignidade dos homens, das mulheres, de todos nós. “Não, eu trabalho, tenho a minha dignidade”. Sim, mas os teus irmãos, não. “Sim, padre, é verdade, mas isto está tão longe, para mim é difícil compreendê-lo. Mas aqui onde estamos…”. Também aqui, no nosso lugar. Aqui, entre nós. Pensa nos trabalhadores, nos diaristas, que tu fazes trabalhar por um salário mínimo e não oito, mas 12, 14 horas por dia: isto acontece hoje, aqui. Em todo o mundo, mas também aqui. Pensa na empregada doméstica que não recebe um salário justo, não tem assistência da segurança social e nem sequer a possibilidade de se aposentar: isto não acontece apenas na Ásia. Também aqui.</p><p>Toda a injustiça que se faz a uma pessoa que trabalha, espezinha a dignidade humana; inclusive a dignidade daquele que comete a injustiça: abaixa-se o nível e acaba-se naquela tensão de ditador-escravo. Ao contrário, a vocação que Deus nos dá é tão bonita: criar, recriar, trabalhar. Mas isto pode ser feito quando as condições são adequadas e a dignidade da pessoa é respeitada.</p><p><a href="https://www.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200501_illavoro-primavocazione-delluomo.html">Homilia do Papa Francisco em 1 de maio de 2020.</a></p><p>Imagem de <a href="https://unsplash.com/@edulauton?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Edu Lauton</a> no <a href="https://unsplash.com/s/photos/woman-construction?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p>]]></description>
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      <title>São João Bosco</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 31 Jan 2022 03:57:32 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>31/01/2022</p><h2>Sempre trabalhei com amor</h2><p>“Antes de mais nada, se queremos ser amigos do verdadeiro bem de nossos alunos e levá-los ao cumprimento de seus deveres, é indispensável jamais vos esquecerdes de que representais os pais desta querida juventude. Ela foi sempre o terno objeto dos meus trabalhos, dos meus estudos e do meu ministério sacerdotal; não apenas meu, mas da cara congregação salesiana.</p><p> Quantas vezes, meus filhinhos, no decurso de toda a minha vida, tive de me convencer desta grande verdade! É mais fácil encolerizar-se do que ter paciência, ameaçar uma criança do que persuadi-la. Direi mesmo que é mais cômodo, para nossa impaciência e nossa soberba, castigar os que resistem do que corrigi-los, suportando-os com firmeza e suavidade.</p><p>Tomai cuidado para que ninguém vos julgue dominados por um ímpeto de violenta indignação. É muito difícil, quando se castiga, conservar aquela calma tão necessária para afastar qualquer dúvida de que agimos para demonstrar a nossa autoridade ou descarregar o próprio mau humor.</p><p>Consideremos como nossos filhos aqueles sobre os quais exercemos certo poder. Ponhamo-nos a seu serviço, assim como Jesus, que veio para obedecer e não para dar ordens; envergonhemo-nos de tudo o que nos possa dar aparência de dominadores; e se algum domínio exercemos sobre eles, é para melhor servirmos.</p><p>Assim procedia Jesus com seus apóstolos; tolerava-os na sua ignorância e rudeza, e até mesmo na sua pouca fidelidade. A afeição e a familiaridade com que tratava os pecadores eram tais que em alguns causava espanto, em outros escândalo, mas em muitos infundia a esperança de receber o perdão de Deus. Por isso nos ordenou que aprendêssemos dele a ser mansos e humildes de coração.</p><p>Uma vez que são nossos filhos, afastemos toda cólera quando devemos corrigir-lhes as faltas ou, pelo menos, a moderemos de tal modo que pareça totalmente dominada.  Nada de agitação de ânimo, nada de desprezo no olhar, nada de injúrias nos lábios; então sereis verdadeiros pais e conseguireis uma verdadeira correção.</p><p>Em determinados momentos muito graves, vale mais uma recomendação a Deus, um ato de humildade perante ele, do que uma tempestade de palavras que só fazem mal a quem as ouve e não têm proveito algum para quem as merece.”</p><p>(Séc. XIX. Dom Bosco. Epistolário, Torino, 1959, 4, 201-203)</p>]]></description>
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    <item>
      <title>Te Deum</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a548-te-deum</guid>
      <pubDate>Sun, 30 Jan 2022 02:03:21 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>30/01/2022</p><p>(A Vós, ó Deus, louvamos)</p><p>A vós, ó Deus, louvamos,<br/>a vós, Senhor, cantamos.<br/>A vós, Eterno Pai,<br/>adora toda a terra.</p><p>A vós cantam os anjos,<br/>os céus e seus poderes:<br/>Sois Santo, Santo, Santo,<br/>Senhor, Deus do universo!</p><p>Proclamam céus e terra<br/>a vossa imensa glória.<br/>A vós celebra o coro<br/>glorioso dos Apóstolos,</p><p>Vos louva dos Profetas<br/>a nobre multidão<br/>e o luminoso exército<br/>dos vossos santos Mártires.</p><p>A vós por toda a terra<br/>proclama a Santa Igreja,<br/>ó Pai onipotente,<br/>de imensa majestade,</p><p>e adora juntamente<br/>o vosso Filho único,<br/>Deus vivo e verdadeiro,<br/>e ao vosso Santo Espírito.</p><p>Ó Cristo, Rei da glória,<br/>do Pai eterno Filho,<br/>nascestes duma Virgem,<br/>a fim de nos salvar.</p><p>Sofrendo vós a morte,<br/>da morte triunfastes,<br/>abrindo aos que têm fé<br/>dos céus o reino eterno.</p><p>Sentastes à direita<br/>de Deus, do Pai na glória.<br/>Nós cremos que de novo<br/>vireis como juiz.</p><p>Portanto, vos pedimos:<br/>salvai os vossos servos,<br/>que vós, Senhor, remistes<br/>com sangue precioso.</p><p>Fazei-nos ser contados,<br/>Senhor, vos suplicamos,<br/>em meio a vossos santos<br/>na vossa eterna glória.</p><p>Salvai o vosso povo.<br/>Senhor, abençoai-o.<br/>Regei-nos e guardai-nos<br/>até a vida eterna.</p><p>Senhor, em cada dia,<br/>fiéis, vos bendizemos,<br/>louvamos vosso nome<br/>agora e pelos séculos.</p><p>Dignai-vos, neste dia,<br/>guardar-nos do pecado.<br/>Senhor, tende piedade<br/>de nós, que a vós clamamos.</p><p>Que desça sobre nós,<br/>Senhor, a vossa graça,<br/>porque em vós pusemos<br/>a nossa confiança.</p><p>Fazei que eu, para sempre,<br/>não seja envergonhado:<br/>Em vós, Senhor, confio,<br/>sois vós minha esperança.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Interdependência e comunidade</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a547-interdependencia-e-comunidade</guid>
      <pubDate>Sat, 29 Jan 2022 05:29:53 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>29/01/2022</p><p><strong>Índole comunitária da vocação humana</strong></p><p>Deus, que por todos cuida com solicitude paternal, quis que os homens formassem uma só família, e se tratassem uns aos outros como irmãos. Criados todos à imagem e semelhança daquele Deus que «fez habitar sobre toda a face da terra o inteiro género humano, saído dum princípio único» (Act. 17,26), todos são chamados a um só e mesmo fim, que é o próprio Deus.</p><p>E por isso, o amor de Deus e do próximo é o primeiro e maior de todos os mandamentos. Mas a Sagrada Escritura ensina-nos que o amor de Deus não se pode separar do amor do próximo, «…todos os outros mandamentos se resumem neste: amarás o próximo como a ti mesmo… A caridade é, pois, a lei na sua plenitude» (Rom. 13, 9-10; cfr. 1 Jo. 4,20). Isto revela-se como sendo da maior importância, hoje que os homens se tornam cada dia mais dependentes uns dos outros e o mundo se unifica cada vez mais.</p><p>Mais ainda: quando o Senhor Jesus pede ao Pai «que todos sejam um…, como nós somos um» (Jo. 17, 21-22), sugere – abrindo perspectivas inacessíveis à razão humana – que dá uma certa analogia entre a união das pessoas divinas entre si e a união dos filhos de Deus na verdade e na caridade. Esta semelhança torna manifesto que o homem, única criatura sobre a terra a ser querida por Deus por si mesma, não se pode encontrar plenamente a não ser no sincero dom de si mesmo.</p><p><strong>Interdependência da pessoa humana e da sociedade humana</strong></p><p>A natureza social do homem torna claro que o progresso da pessoa humana e o desenvolvimento da própria sociedade estão em mútua dependência. Com efeito, a pessoa humana, uma vez que, por sua natureza, necessita absolutamente da vida social (3), é e deve ser o princípio, o sujeito e o fim de todas as instituições sociais. Não sendo, portanto, a vida social algo de adventício ao homem, este cresce segundo todas as suas qualidades e torna-se capaz de responder à própria vocação, graças ao contacto com os demais, ao mútuo serviço e ao diálogo com seus irmãos.</p><p>Entre os laços sociais, necessários para o desenvolvimento do homem, alguns, como a família e a sociedade política, correspondem mais imediatamente à sua natureza íntima; outros são antes fruto da sua livre vontade. No nosso tempo, devido a várias causas, as relações e interdependências mútuas multiplicam-se cada vez mais; o que dá origem a diversas associações e instituições, quer públicas quer privadas. Este facto, denominado socialização, embora não esteja isento de perigos, traz, todavia, consigo muitas vantagens, em ordem a confirmar e desenvolver as qualidades da pessoa humana e a proteger os seus direitos.</p><p>Porém, se é verdade que as pessoas humanas recebem muito desta vida social, em ordem a realizar a própria vocação, mesmo a religiosa, também não se pode negar que os homens são muitas vezes afastados do bem ou impelidos ao mal pelas condições em que vivem e estão mergulhados desde a infância. É certo que as perturbações tão frequentes da ordem social vêm, em grande parte, das tensões existentes no seio das formas económicas, políticas e sociais. Mas, mais profundamente, nascem do egoísmo e do orgulho dos homens, os quais também pervertem o ambiente social. Onde a ordem das coisas se encontra viciada pelas consequências do pecado, o homem, nascido com uma inclinação para o mal, encontra novos incitamentos para o pecado, que não pode superar sem grandes esforços e ajudado pela graça.</p><p>(<a href="https://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html">Gaudium et Spes</a>, 24-25)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>As perseguições de S. Paulo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a546-as-perseguicoes-de-s-paulo</guid>
      <pubDate>Thu, 27 Jan 2022 05:56:11 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/01/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22a546-as-perseguicoes-de-s-paulo.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/cropped-2020-09-16-18.37.20.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/cropped-2020-09-16-18.37.20.jpg]</a><p><em>O centro de São Paulo (visto de dentro do metrô Brás)</em></p><p>Desde que eu mudei de casa, o semi-confinamento se tornou um pouco mais leve, graças à facilidade do acesso para comprar comida e à redução do foco em me descontaminar com álcool, pois onde eu alugo agora os comércios mais próximos não exigem que eu saia com o verdadeiro cantil inflamável que eu tinha que levar onde eu morava, e como são menores (onde os balcões e prateleiras ocupam mais ou menos um terço do espaço, dividindo o espaço dos clientes e o dos funcionários), não acumulam tanta gente como é onde eu alugava – sem contar a vizinhança mais afeita às máscaras, o que diminui a sensação de ser visto como o louco paranóico da pandemia (o que devo ser mesmo, a julgar pela quantidade de álcool que eu vinha gastando, mas ser visto como o louco paranóico da pandemia é pior do que ser ele). Mesmo assim nada disso me encorajou a ir para o centro por causa da comemoração do aniversário da cidade.</p><p>É difícil aceitar que o assunto da comemoração tenham sido nem sei quais eventos em vez do cuidado e a proteção contra as aglomerações. Mesmo que se argumente que só se entra em algum lugar com o passaporte da vacina (e não sei se isso está sendo assim ou não), é uma forma sutil de negacionismo tratar o passaporte como um passe-ivre para aglomerações.</p><p>Mas o pior desde aniversário da cidade foram as notícias nas redes sociais do pe. Júlio Lancelotti sobre a remoção dos moradores de rua, junto com os seus pertences, de lugares como a Praça da Sé ou do Pátio do Colégio. Além de serem cotidianamente desumanizados pela ausência de políticas públicas decentes que resgatem a sua dignidade, esta desumanização se torna a única política pública que o governo oferece a eles de fato: sumam! – se bem que apenas mandar sumirem ainda seria menos pior do que o que foi feito: retirá-los à força de onde estão todos os dias sem se incomodarem com a sorte deles nos outros dias.</p><p>A dignidade que políticas públicas decentes resgatariam não seria apenas a dos moradores de rua, que afinal não tem a sua dignidade perdida e sim negada, mas resgataria a dignidade de um governo que, este sim, perde-a cada vez mais com este tipo de ação, e no caso do governo não é nem o resgate de uma dignidade negada, mas sim perdida justamente por negá-la a quem tem direito a ela.</p><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/a58b0-pexels-photo-30732.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/a58b0-pexels-photo-30732.jpg]</a><p>A maioria dos santos é comemorada no dia em que morreu, e só de outros dois se comemora também o nascimento, além de Cristo: Nossa Senhora e João Batista. Apesar de Paulo também estar presente em uma outra comemoração em novembro, é uma comemoração dividida com Pedro e, de qualquer forma, meio indireta, já que o assunto dela é a dedicação de basílicas com os nomes deles. Esta do dia 25 de janeiro, no entanto, não é nem pelo nascimento nem pela morte de Paulo, mas pela sua conversão.</p><p>Com tantos significados religiosos e teológicos que esta conversão possui, talvez passe desapercebido que no fim das contas ele tenha virado o padroeiro desta cidade não por serem nomes capitais, seja na geografia ou no cristianismo, e sim pela questão da conversão – que no caso de uma cidade, não implica necessariamente uma conversão religiosa a Jesus, mas à simples humanidade que há em não perseguir Cristo, outrora perseguido nos cristãos por Saulo, e ainda hoje perseguido nos moradores de rua por São Paulo.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Conversão de São Paulo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a545-conversao-de-sao-paulo</guid>
      <pubDate>Tue, 25 Jan 2022 20:41:35 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/01/2022</p><p>Concelebre a Igreja, cantando,<br/>de São Paulo a grandeza e esplendor.<br/>De inimigo se fez um apóstolo<br/>pelo grande poder do Senhor.</p><p>Contra o nome de Cristo lutara,<br/>inflamado de grande furor,<br/>mas ardeu maior chama em seu peito<br/>anunciando de Cristo o amor.</p><p>Grande dom mereceu do Senhor<br/>no mais alto dos céus escutar<br/>as palavras do grande mistério<br/>que a ninguém é devido falar</p><p>Espalhando as sementes do Verbo,<br/>surgem messes com tais florações,<br/>que o celeiro dos céus é repleto<br/>com os frutos das boas ações.</p><p>Refulgindo, qual luz, ilumina<br/>todo o orbe com tal claridade<br/>que, dos erros a treva expulsando,<br/>faz reinar, soberana, a verdade.</p><p>Glória ao Cristo, a Deus Pai e ao Espírito,<br/>que governam a toda nação,<br/>e doaram aos povos da terra<br/>um tal vaso de sua eleição</p><p>Hino do dia da conversão de São Paulo </p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Doador da luz esplêndida</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a544-doador-da-luz-esplendida</guid>
      <pubDate>Mon, 24 Jan 2022 04:28:52 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>24/01/2022</p><p>Doador da luz esplêndida,<br/>pelo vosso resplendor,<br/>ao passar da noite o tempo,<br/>surge o dia em seu fulgor.</p><p>Verdadeira Estrela d’alva,<br/>não aquela que anuncia<br/>de outro astro a luz chegando<br/>e a seu brilho se anuvia,</p><p>mas aquela luminosa,<br/>mais que o sol em seu clarão,<br/>mais que a luz e mais que o dia,<br/>aclarando o coração.</p><p>Casta, a mente vença tudo,<br/>que os sentidos pedem tanto;<br/>vosso Espírito guarde puro<br/>nosso corpo, templo santo.</p><p>A vós, Cristo, Rei clemente,<br/>e a Deus Pai, Eterno Bem,<br/>com o Espírito Paráclito,<br/>honra e glória eterna. Amém.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Ninguém é excluído da bênção do Senhor, nem sequer os monstros do mar</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a543-ninguem-e-excluido-da-bencao-do-senhor-nem-sequer-os-monstros-do-mar</guid>
      <pubDate>Sat, 22 Jan 2022 23:35:26 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>22/01/2022</p><p><a href="https://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/audiences/2002/documents/hf_jp-ii_aud_20020710.html">João Paulo II</a></p><p><strong><em>Todas as criaturas louvem o Senhor</em></strong></p><p>1. No capítulo 3 do Livro de Daniel encontra-se inserida uma luminosa oração litânica, um verdadeiro e peculiar Cântico das criaturas, que a Liturgia das Laudes nos propõe várias vezes, em diversos fragmentos.</p><p>Ouvimos agora a parte fundamental, um grandioso coro cósmico, emoldurado por duas antífonas que o resumem:  “Bendito sois no firmamento dos céus, digno de louvor e glória eternos! Obras do Senhor, bendizei todas o Senhor, a ele glória e louvor eterno!” (vv. 56-57).</p><p>Entre estas duas aclamações desenvolve-se um solene hino de louvor, que se exprime com o convite repetido “bendizei”:  formalmente, trata-se apenas de um convite a bendizer a Deus dirigido a toda a criação; na realidade, trata-se de um cântico de agradecimento que os fiéis elevam ao Senhor por todas as maravilhas do universo. O homem faz-se voz da criação inteira para louvar e agradecer a Deus.</p><p>2. Este hino, cantado por três jovens hebreus que convidam todas as criaturas a louvar a Deus, nasce numa situação dramática. Os três jovens, perseguidos pelo soberano da Babilónia, encontram-se imersos na fornalha ardente devido à sua fé. E contudo, mesmo se estavam prestes a sofrer o martírio, eles não hesitam em cantar, em rejubilar, em louvar. O sofrimento áspero e violento da prova desaparece, parece que se dissolve na presença da oração e da contemplação.</p><p>É precisamente esta atitude de abandono confiante que suscita a intervenção divina.</p><p>De facto, como afirma a sugestiva narração de Daniel, “O anjo do Senhor, porém, tinha descido até Azarias e seus companheiros, na fornalha, e afastava o fogo. Mudou o lugar da fornalha em lugar onde soprava como que uma brisa matinal:  o fogo nem sequer os tocou e nem lhes causou qualquer mal nem a menor dor” (vv. 49-50). Os pesadelos desaparecem como o nevoeiro ao sol, os receios dissipam-se, o sofrimento é eliminado quando todo o ser humano se torna louvor e confiança, expectativa e esperança. Eis a força da oração quando é pura, intensa, abandono total a Deus, providencial e redentor.</p><p>3. O cântico dos três jovens faz desfilar diante dos nossos olhos uma espécie de procissão cósmica, que parte do céu povoado de anjos, onde também brilham o sol, a lua e as estrelas. Lá de cima Deus derrama sobre a terra o dom das águas que estão acima dos céus (cf. v. 60), isto é, as chuvas e a brisa matinal (cf. v. 64).</p><p>Contudo, eis que começam também a soprar os ventos, a explodir os relâmpagos e a irromper as estações com o calor e com o gelo, com o fervor do verão, mas também com a geada, o gelo, a neve (cf. vv. 65-70.73). O poeta insere no cântico de louvor ao Criador também o ritmo do tempo, o dia e a noite, a luz e as trevas (cf. vv. 71-72). No final o olhar poisa também sobre a terra, partindo dos cumes dos montes, realidades que parecem unir terra e céu (cf. vv. 74-75).</p><p>Eis que então se unem no louvor a Deus as criaturas vegetais que germinam na terra (cf. v. 76), as nascentes que trazem vida e frescor, os mares e os rios com as suas águas abundantes e misteriosas (cf. vv. 77-78). De facto, o cantor evoca também “os monstros marinhos” ao lado dos peixes (cf. v. 79), como sinal do caos aquático primordial ao qual Deus impôs regras para serem observadas (cf. <em>Sl </em>3-4; <em>Job</em> 38, 8-11; 40, 15; 41, 26).</p><p>Depois  é  a  vez  do  grande  e  variado  reino  animal,  que  vive  e  se  move nas águas, na terra e nos céus (cf. <em>Dn</em> 3, 80-81).</p><p>4. O último actor da criação que entra na cena é o homem. Primeiro, o olhar alarga-se a todos os “filhos do homem” (cf. v. 82); depois, a atenção concentra-se em Israel, o povo de Deus (cf. v. 83); a seguir, é a vez de quantos se consagraram totalmente a Deus não só como sacerdotes (cf. v. 84), mas também como testemunhas de fé, de justiça e de verdade. São os “servos do Senhor”, os “espíritos e as almas dos justos”, os “mansos e humildes de coração” e, entre eles, sobressaem os três jovens, Ananias, Azarias e Misael, que deram voz a todas as criaturas num louvor universal e perene (cf. vv. 85-88).</p><p>Ressoaram constantemente os três verbos da glorificação divina, como numa ladainha:  “bendizei, louvai, exaltai” o Senhor. Esta é a alma autêntica da oração e do cântico:  celebrar o Senhor sem parar, na alegria de pertencer a um coro que engloba todas as criaturas.</p><p>5. Gostaríamos de concluir a nossa meditação dando voz aos Padres da Igreja,  como  Orígenes,  Hipólito,  Basílio de Cesareia e Ambrósio de Milão, que comentaram a narração dos seis dias da criação (cf. <em>Gn </em>1, 1-2, 4a) precisamente em conexão com o Cântico dos três jovens.</p><p>Limitamo-nos a citar o comentário de Santo Ambrósio, o qual, ao referir-se ao quarto dia da criação (cf. <em>Gn </em>1, 14-19), imagina que a terra fala e, ao falar sobre o sol, encontra todas as criaturas unidas no louvor a Deus:  “Bom é deveras o sol, porque serve, ajuda a minha fecundidade, alimenta os meus frutos. Ele foi-me dado para o meu bem, está submetido comigo às canseiras. Geme comigo, para que chegue a adopção dos filhos e a redenção do género humano, para que possamos ser, também nós, libertados da escravidão. Ao meu lado, juntamente comigo louva o Criador, juntamente comigo eleva um hino ao Senhor nosso Deus. Onde o sol bendiz, ali bendiz a terra, bendizem as árvores de fruto, bendizem os animais, bendizem comigo as aves” <em>(Os seis dias da criação, </em>SAEMO, I, Milão-Roma 1977-1994, págs. 192-193).</p><p>Ninguém é excluído da bênção do Senhor, nem sequer os monstros do mar (cf. <em>Dn </em>3, 79). Com efeito, Santo Ambrósio prossegue:  “Até as serpentes louvam o Senhor, porque a sua natureza e o seu aspecto revelam aos nossos olhos alguma beleza e mostram ter a sua justificação” <em>(Ibid., </em>págs. 103-104).</p><p>Com mais razão nós, seres humanos, devemos acrescentar a este concerto de louvor a nossa voz feliz e confiante, acompanhada por uma vida coerente e fiel.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Ave Maria, Mãe da Esperança</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a542-ave-maria-mae-da-esperanca</guid>
      <pubDate>Sat, 22 Jan 2022 02:04:59 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>22/01/2022</p><p>Ave, Maria,<br/>Mãe da Esperança,<br/>Cheia de graça!<br/>Avé Maria!</p><p>Ditosa Virgem sois Vós, Maria,<br/>De cujo seio Cristo nasceu:<br/>Sois a nascente da eterna graça,<br/>Sois a formosa porta do Céu!</p><p>Eternamente por Deus pensada,<br/>Sois maravilha do seu amor;<br/>Em vós, Senhora, Deus Se contempla,<br/>Mãe gloriosa do Redentor!</p><p>Imaculada, cheia de graça,<br/>Sois a alegria da santa Igreja;<br/>Todas as gentes hão-de aclamar-vos:<br/>Salve, Rainha! Bendita seja!</p><p>Sois a mais bela das criaturas,<br/>De Deus Esposa, Mãe de Jesus:<br/>Sois Mãe dos homens, por vós gerados<br/>Do mesmo sangue dado na Cruz.</p><p>Salve, Mãe santa, por quem o mundo<br/>A paz divina dos Céus alcança;<br/>Do Céu à terra sois o caminho<br/>Donde vem Cristo, Rei da Esperança.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Santa Inês de Roma</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a541-santa-ines-de-roma</guid>
      <pubDate>Fri, 21 Jan 2022 04:59:42 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>21/01/2022</p><p>Tinha 13 anos quando foi cobiçada, por sua extraordinária beleza, riqueza e virtude, pelo jovem Fúlvio, filho do Prefeito de Roma, Semprônio. </p><p>Como o rejeitou, Inês foi levada a julgamento e obrigada a manter aceso o fogo sagrado de um templo dedicado a Vesta, deusa romana do lar e do fogo, o que recusou-se a fazer, dizendo: “Se recusei seu filho, que é um homem vivo, como pode pensar que eu aceite prestar honras a uma estátua que nada significa para mim? Meu esposo não é desta terra”, se referindo a Jesus. </p><p>“Sou jovem, é verdade, mas a fé não se mede pelos anos e sim pelos sentimentos. Deus mede a alma, não a idade. Quanto aos deuses, podem até ficar furiosos, que eu não os temo. Meu Deus é amor.” </p><p>Por isso foi condenada a ser exposta nua num prostíbulo no Circo Agnolo.</p><p>Via <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/In%C3%AAs_de_Roma">Wikipedia</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Ó Deus, autor da luz</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a540-o-deus-autor-da-luz</guid>
      <pubDate>Thu, 20 Jan 2022 15:20:02 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/01/2022</p><p>Ó Deus, autor da luz<br/>da aurora matutina,<br/>mostrai-nos vossa glória,<br/>que o dia já declina.<br/><br/>A tarde traz o ocaso,<br/>o sol já vai morrendo,<br/>e deixa o mundo às trevas,<br/>às leis obedecendo.<br/><br/>Aos servos que vos louvam,<br/>cansados do labor,<br/>as trevas não envolvam,<br/>pedimos, ó Senhor.<br/><br/>Assim, durante a noite,<br/>guardados pela graça,<br/>na luz da vossa luz,<br/>a treva se desfaça.<br/><br/>Ouvi-nos, Pai bondoso,<br/>e vós, Jesus, também.<br/>A vós e ao Santo Espírito<br/>louvor eterno. Amém.</p><p>Oração das vésperas de quinta-feira</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Devagar o sol vai se escondendo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a539-devagar-o-sol-vai-se-escondendo</guid>
      <pubDate>Wed, 19 Jan 2022 22:18:14 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/01/2022</p><p>Devagar, vai o sol se escondendo,<br/>deixa os montes, o campo e o mar,<br/>mas renova o presságio da luz,<br/>que amanhã vai de novo brilhar.<br/><br/>Os mortais se admiram do modo<br/>pelo qual, generoso Senhor,<br/>destes leis ao transcurso do tempo,<br/>alternância de sombra e fulgor.<br/><br/>Quando reina nos céus o silêncio<br/>e declina o vigor para a lida,<br/>sob o peso das trevas a noite<br/>nosso corpo ao descanso convida.<br/><br/>De esperança e de fé penetrados,<br/>saciar-nos possamos, Senhor,<br/>de alegria na glória do Verbo<br/>que é do Pai o eterno esplendor.<br/><br/>Este é o sol que jamais tem ocaso<br/>e também o nascer desconhece.<br/>Canta a terra, em seu brilho envolvida,<br/>nele o céu em fulgor resplandece.<br/><br/>Dai-nos, Pai, gozar sempre da luz<br/>que este mundo ilumina e mantém,<br/>e cantar-vos, e ao Filho, e ao Espírito,<br/>canto novo nos séculos. Amém.</p><p>(hino na oração das vésperas)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A insustentável leveza da Ômicron</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a538-a-insustentavel-leveza-da-omicron</guid>
      <pubDate>Fri, 14 Jan 2022 06:08:50 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/01/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/imagem.jpeg"/><p>Mesmo que seja uma variante menos grave, a “leveza” da Ômicron aparentemente vale apenas de uma perspectiva individual. Relevar o seu perigo por causa de uma menor gravidade é como não desviar de uma bicicleta que vai lhe atropelar, “afinal é mais leve”.</p><img width="600" alt="" src="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/01/pexels-photo-1692693.jpeg"/><p>E é esta leveza que está lotando os hospitais: <a href="https://www.gazetasp.com.br/capital/2022/01/1103704-um-terco-dos-motorista-de-onibus-da-capital-foram-afastados-por-covid-ou-gripe.html">um terço dos motoristas de ônibus do município de São Paulo</a>, <a href="https://www.gazetasp.com.br/grande-sao-paulo/2022/01/1103768-cidades-da-grande-sp-ja-somam-29-mil-servidores-afastados-com-covid-ou-gripe.html">2900 servidores públicos na Grande SP</a> e <a href="https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2022/01/13/covid-19-coronavirus-casos-mortes-13-de-janeiro.htm">87000 novos casos no país (só de casos conhecidos)</a> não significa que esta gente esteja toda ao mesmo tempo nos hospitais, é claro, mas já é o suficiente para superlotá-los a ponto de levar <a href="https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2022/01/13/medicos-de-sp-discutem-greve-em-assembleia-nesta-quinta-caos-anunciado.htm">os profissionais de saúde paulistanos a cogitar uma greve</a> (embora a notícia não tenha deixado muito claro se são só os da capital ou os de todo o estado) pelo esgotamento e a falta de estrutura dos hospitais. Toda esta leveza vai se tornando pesada à medida em que muitos “pesos pena” vão se acumulando, um acúmulo de levezas que pressiona os hospitais fragilizados pelo poder público e os profissionais fragilizados por dois anos ininterruptos de heroísmo combatendo a COVID na linha de frente.</p><img width="600" alt="" src="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/01/pexels-photo-2395253.jpeg"/><p>A postura explicitamente negacionista de pessoas como o presidente, e o negacionismo velado de outros agentes, <a href="https://educacao.uol.com.br/noticias/2022/01/13/covid-sp-nao-exigira-vacina-de-criancas-na-volta-as-aulas-diz-secretario.htm">como o secretário de saúde do estado de São Paulo</a>, reforçam a ilusão desta leveza, mas não é sobre eles que o peso insustentável dela vai recair.</p><p>Leia também: <a href="https://www.vozdeamerica.com/a/contagios-covid-19-duplican-americas/6395010.html">Los contagios por COVID-19 se duplican en las Américas</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O que o Papa Francisco realmente disse sobre ter pets ou filhos?</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a537-o-que-o-papa-francisco-realmente-disse-sobre-ter-pets-ou-filhos</guid>
      <pubDate>Fri, 14 Jan 2022 04:36:44 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/01/2022</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>Via <a href="https://domtotal.com/noticia/1559366/2022/01/o-que-o-papa-francisco-realmente-disse-sobre-ter-pets-ou-filhos/">Dom Total</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Golden Shower X COVID</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a536-golden-shower-x-covid</guid>
      <pubDate>Thu, 13 Jan 2022 04:38:20 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/01/2022</p><p>Há sete anos atrás as news eram um pouco menos fakes, e ideias como as a urinoterapia até circulavam, mas a voz da ciência, caso falhasse a do bom senso, no fim das contas se fazia ouvir e as ideias mais absurdas pelo menos não ganhavam nenhum status oficial.</p><p>Nos tempos atuais, em que até <a href="https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2022/01/06/twitter-reage-a-polemica-e-diz-ter-desafio-de-nao-arbitrar-a-verdade.htm">o Twitter dá o seu selinho no negacionismo</a>, a urinoterapia ressurge como uma alternativa viável dentro dos círculos conspiracionistas – não que todos eles necessariamente adotem esta ideia, mas dentro deles uma possibilidade não costuma ser necessariamente reprimida por ser esdrúxula.</p><p>A uretra, como o intestino, é o ambiente de várias bactérias disputando o espaço entre si, e estas bactérias podem tanto ser benéficas quanto maléficas. Todas elas saem junto com o xixi que a urinoterapia sugere beber, e quanto ao resto dos seus componentes, se servissem alguma coisa para o corpo, ele não teria eliminado-os – o xixi não serve nem mesmo como último recurso para evitar morrer por desidratação, já que o sódio da urina vai acelerar a desidratação, mais ou menos como a água do mar.</p><p>O negacionismo conspiracionista recentemente acrescentou mais uma função imaginária ao xixi: <a href="https://www-independent-co-uk.translate.goog/news/world/americas/christopher-key-drink-urine-conspiracy-b1990315.html?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt-BR&amp;_x_tr_pto=sc">o combate à COVID</a>. O que antigamente talvez soasse só como uma anedota, agora precisa ser rebatido e explicado com todas as letras – beber xixi não protege contra a COVID, nem serve como tratamento contra a doença.</p><p>Com informações de <a href="https://gizmodo.uol.com.br/urinoterapia-ma-ideia/">Gizmodo</a> e <a href="https://www.independent.co.uk/news/world/americas/christopher-key-drink-urine-conspiracy-b1990315.html">Independent</a>.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Pesquisa inédita aponta que abolição da escravidão é o fato mais importante da história do Brasil</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a535-pesquisa-inedita-aponta-que-abolicao-da-escravidao-e-o-fato-mais-importante-da-historia-do-brasil</guid>
      <pubDate>Tue, 11 Jan 2022 20:35:52 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/01/2022</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>via <a href="https://noticiapreta.com.br/pesquisa-inedita-aponta-que-abolicao-da-escravidao-e-o-fato-mais-importante-da-historia-do-brasil/">Notícia Preta</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Gerar e cuidar: os humanos com os animais e como animais.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a534-gerar-e-cuidar-os-humanos-com-os-animais-e-como-animais</guid>
      <pubDate>Tue, 11 Jan 2022 12:14:26 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/01/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22a534-gerar-e-cuidar-os-humanos-com-os-animais-e-como-animais.png"/><p>Artigo de Andrea Grillo, traduzido por Moisés Sbardelotto.</p><img width="600" alt="" src="/midia/22a534-gerar-e-cuidar-os-humanos-com-os-animais-e-como-animais.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/22a534-gerar-e-cuidar-os-humanos-com-os-animais-e-como-animais.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/22a534-gerar-e-cuidar-os-humanos-com-os-animais-e-como-animais.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/22a534-gerar-e-cuidar-os-humanos-com-os-animais-e-como-animais.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/22a534-gerar-e-cuidar-os-humanos-com-os-animais-e-como-animais.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/22a534-gerar-e-cuidar-os-humanos-com-os-animais-e-como-animais.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/22a534-gerar-e-cuidar-os-humanos-com-os-animais-e-como-animais.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/22a534-gerar-e-cuidar-os-humanos-com-os-animais-e-como-animais.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/22a534-gerar-e-cuidar-os-humanos-com-os-animais-e-como-animais.png"/><p>Via <a href="https://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/615776-gerar-e-cuidar-os-humanos-com-os-animais-e-como-animais-artigo-de-andrea-grillo">IHU</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A desconstrução é uma prática cristã válida. Pergunte a Martinho Lutero.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a533-a-desconstrucao-e-uma-pratica-crista-valida-pergunte-a-martinho-lutero</guid>
      <pubDate>Tue, 11 Jan 2022 06:09:43 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/01/2022</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>Via <a href="https://religionnews.com/2022/01/05/deconstruction-is-a-valid-christian-practice-ask-martin-luther/">Religion News Service</a>, traduzido no <a href="https://religionnews-com.translate.goog/2022/01/05/deconstruction-is-a-valid-christian-practice-ask-martin-luther/?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt-BR">tradutor do Google</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>“Como o dinheiro obscuro prostitui a igreja dos EUA e distorce o catolicismo”</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a532-como-o-dinheiro-obscuro-prostitui-a-igreja-dos-eua-e-distorce-o-catolicismo</guid>
      <pubDate>Tue, 11 Jan 2022 02:12:01 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/01/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22a532-como-o-dinheiro-obscuro-prostitui-a-igreja-dos-eua-e-distorce-o-catolicismo.png"/><p>No celular, tente a visualização em <a href="https://mrcl.wordpress.com/2022/01/10/como-o-dinheiro-obscuro-prostitui-a-igreja-dos-eua-e-distorce-o-catolicismo/#cel">story</a></p><img width="600" alt="" src="/midia/22a532-como-o-dinheiro-obscuro-prostitui-a-igreja-dos-eua-e-distorce-o-catolicismo.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/22a532-como-o-dinheiro-obscuro-prostitui-a-igreja-dos-eua-e-distorce-o-catolicismo.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/22a532-como-o-dinheiro-obscuro-prostitui-a-igreja-dos-eua-e-distorce-o-catolicismo.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/22a532-como-o-dinheiro-obscuro-prostitui-a-igreja-dos-eua-e-distorce-o-catolicismo.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/22a532-como-o-dinheiro-obscuro-prostitui-a-igreja-dos-eua-e-distorce-o-catolicismo.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/22a532-como-o-dinheiro-obscuro-prostitui-a-igreja-dos-eua-e-distorce-o-catolicismo.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/22a532-como-o-dinheiro-obscuro-prostitui-a-igreja-dos-eua-e-distorce-o-catolicismo.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/22a532-como-o-dinheiro-obscuro-prostitui-a-igreja-dos-eua-e-distorce-o-catolicismo.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/22a532-como-o-dinheiro-obscuro-prostitui-a-igreja-dos-eua-e-distorce-o-catolicismo.png"/><p>Visualização em story (fica melhor no celular do que a visualização acima)</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>Via <a href="https://www.ncronline.org/news/opinion/how-dark-money-prostitutes-us-church-and-distorts-catholicism">NCR</a>, traduzido no <a href="https://www-ncronline-org.translate.goog/news/opinion/how-dark-money-prostitutes-us-church-and-distorts-catholicism?_x_tr_sl=auto&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt-BR">tradutor do Google</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Batismo do Senhor</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a531-batismo-do-senhor</guid>
      <pubDate>Sun, 09 Jan 2022 01:16:58 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/01/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22a531-batismo-do-senhor.jpg"/>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Lázaro e o rico</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a530-lazaro-e-o-rico</guid>
      <pubDate>Fri, 07 Jan 2022 21:19:52 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/01/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22a530-lazaro-e-o-rico.jpg"/>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Sacrifícios humanos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a529-sacrificios-humanos</guid>
      <pubDate>Fri, 07 Jan 2022 07:51:07 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/01/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22a529-sacrificios-humanos.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/22a529-sacrificios-humanos.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/22a529-sacrificios-humanos.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/22a529-sacrificios-humanos.png"/>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A epifania: manifestação do desejado</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a528-a-epifania-manifestacao-do-desejado</guid>
      <pubDate>Fri, 07 Jan 2022 04:31:05 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/01/2022</p><p>Via <a href="https://www.jb.com.br/pais/opiniao/artigos/2022/01/1035085-a-epifania-manifestacao-do-desejado.html">JB</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A renovação das tradições na Bíblia</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a527-a-renovacao-das-tradicoes-na-biblia</guid>
      <pubDate>Thu, 06 Jan 2022 22:51:45 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/01/2022</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>A bíblia sem mitos, p. 69</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>J’accuse do Papa Francisco: “A Igreja está bloqueada, já não aquece o coração das pessoas”</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a526-jaccuse-do-papa-francisco-a-igreja-esta-bloqueada-ja-nao-aquece-o-coracao-das-pessoas</guid>
      <pubDate>Thu, 06 Jan 2022 10:34:04 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/01/2022</p><p>Via <a href="https://www.ilmessaggero.it/vaticano/papa_francesco_europa_cristianesimo_gay_fede_italia_epifania_crisi_fede-6423013.html">Il Messaggero</a> (traduzido no <a href="https://www-ilmessaggero-it.translate.goog/vaticano/papa_francesco_europa_cristianesimo_gay_fede_italia_epifania_crisi_fede-6423013.html?_x_tr_sl=auto&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt-BR">tradutor do Google</a>)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Tradições orais da Bíblia</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a525-tradicoes-orais-da-biblia</guid>
      <pubDate>Wed, 05 Jan 2022 17:47:44 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/01/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22a525-tradicoes-orais-da-biblia.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/01/abreaspas.png"><img width="600" alt="" src="/midia/22a525-tradicoes-orais-da-biblia.png"/></a><p>Talvez tudo isto pareça um tanto teórico e sem relação com a Biblia. No entanto, é um fato que uma boa proporção de escritos bíblicos foi composta com base em tradições orais. Prova disso é que encontramos:</p><p>Duplicações:</p><ul><li>duas tradições de um mesmo “tema”, por exemplo, dois relatos da criação (Gn 1,2-4a e 2,4b-25). As histórias sobre a jarra de azeite que não acabava e da ressurreição de um jovem se contavam tanto de Elias como de Eliseu (1Rs 17; 2Rs 4). Há dois relatos, porque foram duas as tradições diferentes, independentes uma da outra, uma relacionada ao “ciclo de Elias”, e a outra ao círculo de Eliseu.</li></ul><p>Pontos de vista divergentes sobre um mesmo fato:</p><ul><li>por exemplo, 15m 9,1-10.16; 11 é um relato da instituição da monarquia favorável a ela, enquanto 15m 8,1-22; 10,17-27 é contrário à sua instituição: são duas tradições com duas interpretações totalmente diferentes sobre um mesmo fato, provenientes de duas experiências históricas distintas. Menção explícita do emprego de tradições ou fontes de informação, como se lê em Js 10,13 (“o livro de Yashar”), em 1Rs 11,41 (“o livro dos feitos de Salomão”), em 1Rs 14,19 (“o livro das crônicas dos reis de Israel”), em 1Rs 15,7 (“o livro das crônicas dos reis de Judá”), e como o faz Lucas no início de seu Evangelho (1,3).</li></ul><p>Faltas de ordem lógica:</p><ul><li>por exemplo, segundo Gn 17,25, Ismael era um rapaz “de treze anos” ao ser circuncidado, mas quatro capítulos mais tarde, em 21,14, o mesmo Ismael resulta ser um menino que tem de ser carregado por sua mãe.</li></ul><p>A presença de anacronismos:</p><ul><li>estes resultam de atualizações de antigas tradições; por exemplo, em Gn 4, Caim e Abel aparecem como agricultor e pastor respectivamente (v. 2), não como nômades, e sua vida se situa junto com a existência de outros povos (v. 14s): como isto é possível, se são filhos de Adão e Eva e supostamente foi há pouco começada a raça humana? Isto se compreende, quando se toma consciência de que o relato que possuímos provém de uma época em que Israel já estava estabelecido na Palestina.</li></ul><p>Por estes e outros traços se deduz que existiram muitas tradições orais que tiveram diversas origens e se relatavam independentemente umas das outras, antes de serem reunidas e fixadas por escrito. Detenhamo-nos agora na tradição oral como tal.”</p><p>A Bíblia sem mitos, pgs. 65-66</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A falência do ex-presidente e ícone polonês Lech Walesa</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a524-a-falencia-do-ex-presidente-e-icone-polones-lech-walesa</guid>
      <pubDate>Wed, 05 Jan 2022 09:46:57 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/01/2022</p><p>Via <a href="https://www.dw.com/pt-br/a-fal%C3%AAncia-do-ex-presidente-e-%C3%ADcone-polon%C3%AAs-lech-walesa/a-60320917?maca=bra-rss-br-all-1030-rdf">Deutsche Welle</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Salmo 42(43)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a523-salmo-4243</guid>
      <pubDate>Tue, 04 Jan 2022 12:24:19 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>04/01/2022</p><p>Fazei justiça, meu Deus, e defendei-me contra a gente impiedosa; do homem perverso e mentiroso libertai-me, ó Senhor!</p><p>Enviai vossa luz, vossa verdade: elas serão o meu guia; que me levem ao vosso Monte santo, até a vossa morada! Então irei aos altares do Senhor, Deus da minha alegria. Vosso louvor cantarei, ao som da harpa, meu Senhor e meu Deus!</p><p>Sois vós o meu Deus e meu refúgio: por que me afastais? Por que ando tão triste e abatido pela opressão do inimigo?</p><p>Por que te entristeces, minh’alma, a gemer no meu peito? Espera em Deus! Louvarei novamente o meu Deus Salvador!</p><p>Talvez eu nunca tenha tido tanto medo da famosa <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/A_Noite_Escura_da_Alma#Termo_espiritual_na_tradi%C3%A7%C3%A3o_crist%C3%A3">noite escura da alma</a> porque nunca tive tanta fé assim para perder, afinal de contas; talvez, por outro lado, eu nunca tenha pensando muito nisto justamente para não inserir esse medo no meio de outros medos e coisas afins, o que seria um fermento na massa do desespero; mas o mais provável é que seja um pouco das duas coisas.</p><p>A resposta mais comum a qualquer crise de fé costuma ser a de que Deus está testando a fé por meio desta crise, uma resposta que eu não gosto, e só não descarto totalmente porque, afinal, vai que ela esteja mesmo correta (!!!).</p><p>Diante de uma resposta clara e simples da qual eu discordo, eu prefiro a minha própria resposta confusa, complexa e pouco confiável (afinal a ideia de Deus testando a fé, numa mistura de cientista fazendo um experimento com um técnico esportivo medindo o desempenho de um atleta está até na Bíblia, e não vou ser eu que vou comprar briga com a Bíblia), que consiste em um <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Senoide">gráfico senoidal</a> e em diferenciar escolha de decisão.</p><p>Acho que o <a href="https://mrcl.wordpress.com/2022/01/04/salmo-4243/#naosei">gráfico senoidal*</a> foi uma síntese possível que eu encontrei entre situações aterradoras que desafiam a minha fé (como a fome, o descaso e o sofrimento pelos quais incontáveis pessoas estão passando em consequência de um governo disposto a promover todo o tipo de impiedades em nome de Deus, desde que elas não afrontem a noção corrente e muito limitada de piedade cristã) e os casos que reforçam ela (como a beleza de uma flor e esse tipo de coisas).</p><p>Alguém me explicou uma vez que um gráfico senoidal é um círculo desenhado em um pĺano cartesiano em que o semi-círculo inferior fica localizado abaixo daquela linha horizontal do plano cartesiano e é deslocado para a direita até que a ponta esquerda deste semi-círculo inferior encoste na ponta direita do semi-círculo superior. Pode ser que às vezes não seja um círculo, pois pode ser elíptico ou ter outras formas geométricas meio circulares cujo nome eu não lembro, mas não importa porque qualquer coisa que ultrapasse “um círculo desenhado em um plano cartesiano etc.” ultrapassa também minha capacidade de entendimento.</p><p>Aí a minha fé, da qual às vezes eu posso dar as razões como em alguma das epístolas de Pedro e às vezes não, quase sempre fica neste tobogã senoidal no qual eu tendo a ignorar os vales quando está por cima, e escalar desesperadamente (mais escorregando do que subindo) quando está nos vales.</p><p>A ideia de enxergá-la como um círculo desmontado em um plano cartesiano veio contra a minha tendência a ficar oscilando entre concebê-la ora como uma dúvida sagradamente inquestionável sobre a qual não se deve pensar, ora concebê-la como um sistema perfeitamente harmônico e racional que no fim das contas dispensa qualquer necessidade de Deus no meio dele. Por isto a ideia deste círculo que sintetiza estas fases, sem misturá-las nem usar uma para explicar a outra. Em vez da fé ser uma postura possível, porém inexplicável, ou o resultado de uma competente reflexão, ela é um círculo que não se mantém nem pela explicação esclarecedora, nem pelo mergulho corajoso na escuridão do desconhecido, mas pela complementaridade das suas duas fases (e, é claro, pela graça de Deus, mas isto ele distribui para todo mundo como as petaleiras de Um Príncipe em Nova Iorque distribuíam pétalas para o príncipe Akeem).</p><p>Qualquer uma das duas fases, tomada por si só, seria qualquer coisa, menos fé: uma fé bem explicada e harmônica resultaria, na melhor das hipóteses, em uma teoria materialista mais ou menos como o comunismo marxista, e na pior, como o materialismo ganancioso dos mineradores de criptomoedas; já uma fé mergulhada em uma aceitação passiva das suas verdades é o retato fiel da caricatura de Sócrates suspenso em uma cesta (<a href="https://cultura.ma.gov.br/wp-content/uploads/2019/11/AS-NUVENS-ARIST%C3%93FANES.pdf">p. 9 do PDF</a>).</p><p>Esta relação entre fase positiva e fase negativa surgiu de uma ideia de um livro de Deleuze e Guatarri (O que é a filosofia?): “Uma tela pode ser inteiramente preenchida, a ponto de que mesmo o ar não passe mais por ela; mas algo só é uma obra de arte se, como diz o pintor chinês, guarda vazios suficientes para permitir que neles saltem cavalos.” (<a href="https://pedropeixotoferreira.files.wordpress.com/2014/03/deleuze-gilles-guattari-fecc81lix-o-que-ecc81-a-filosofia.pdf">p. 215 do livro, ou 68 da versão em PDF</a>), em que a fé seria como a obra de arte, mas tive que representar isto em um círculo, porque para mim ele é mais fácil de entender do que Deleuze, Guattari e arte.</p><p>Mas eu não posso abrir mão totalmente da ideia no livro por causa da parte dos cavalos. Em qualquer uma das fases do círculo desmontado em cima de um plano cartesiano é necessária uma decisão, mas o peso dela é maior na parte negativa, que são os vazios guardados na obra: nestas horas, manter ou largar a fé é uma questão de decisão (que são os cavalos saltando).</p><p>Eu acho que há uma diferença entre escolha e decisão. Escolher, no meio destas minhas ideias, não implica em abrir mão das outras possibilidades: sempre é possível comprar de outra marca se a primeira não agradou, por exemplo; mas uma decisão implica em abrir mão das outras possibilidades, não como quem está escolhendo entre uma ou outra marca, mas sim como quem precisa decidir entre comer ou pagar as contas, entre se alimentar ou alimentar os filhos, entre usar os trocados que tem para comer agora ou pagar a passagem até um lugar onde possa encontrar uma doação ou um bico, etc.</p><p>Uma decisão semelhante é necessária quando a fé está em crise, abrindo um espaço suficiente para os cavalos saltarem. O mais difícil é que este tipo de decisão não é como a aposta pascal, que é como se os cavalos estivessem pulando em uma prova de hipismo, mas é mais parecido com os cavalos selvagens pulando para salvar a vida.</p><p>Tanto uma fé “perfeita” quanto uma fé conivente com o absurdo não se sustentam. Se no fim das contas o salmista conclui aconselhando a própria alma a esperar em Deus e louvar novamente a Deus salvador, é porque antes sua alma estava gemendo e chorando no peito do salmista, e eu só consigo acompanhar o salmista como estes cavalos selvagens pulando em cima de curvas sobre um plano cartesiano.</p><p><a href="https://mrcl.wordpress.com/2022/01/04/salmo-4243/#paragrafo4">*Eu não sei nem o que é “senoidal” muito bem, só sei que é este o nome do gráfico.</a></p>]]></description>
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    <item>
      <title>Os propósitos do texto bíblico e as interferências na sua leitura</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 03 Jan 2022 12:49:20 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/01/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22a522-os-propositos-do-texto-biblico-e-as-interferencias-na-sua-leitura.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2022/01/abreaspas.png"><img width="600" alt="" src="/midia/22a522-os-propositos-do-texto-biblico-e-as-interferencias-na-sua-leitura.png"/></a><p>Nossa experiência também nos mostra que é mais fácil comunicar e compreender um relato do que um estudo filosófico, uma anedota do que uma reflexão profunda. Finalmente, a informação, por exemplo, de um problema de química se comunica de outra maneira que uma experiência pessoal ou um acontecimento.</p><p>Pois bem, os escritos da Bíblia comunicam experiencias e acontecimentos, não simples informação histórica ou outra (o que se passou); são produtos de reflexões sobre algo vivido ou acontecido (o que significa o que se passou). O que se comunica nos escritos bíblicos não é somente o que talvez se passou, mas a importância ou significação daquilo que se comunica; não tanto o “dado”, mas sua interpretação. Precisamente por isso se comunica, porque é significativo para o emissor. É importante recordar isto, porque se tende a pensar mais na informação como tal do que se passou, e se esquece que o que se queria comunicar era o seu significado. Assim, por exemplo, a recorrente pergunta “por que não se relatou nos Evangelhos algo a respeito dos anos de juventude de Jesus”? deve-se à incompreensão do que acabo de sublinhar. Não se relatou, porque não se considerou importante ou significativo, pois os evangelistas não pretenderam escrever uma biografia de Jesus (e menos ainda em sentido moderno), mas antes destacar a significação de sua pessoa e da missão que cumpriu – sua atenção era teológica, não cronística.</p><p>Antes de continuar – não pensemos que o importante seja simplesmente a comunicação da mensagem como tal -, devemos ter presente que, quando se transmite uma mensagem, se faz com um propósito. A mensagem como tal é aquilo que o emissor deseja comunicar ao receptor; é cognitiva. O propósito situa-se antes no nível da vontade e dos sentimentos: é aquilo que o emissor deseja que o receptor faça ou sinta, sua resposta vital ou reação à mensagem. A mensagem de uma fatura é informativa (existe a dívida); seu propósito é que se pague a dívida. Ambos são inseparáveis. A mensagem do Apocalipse é que Deus é o Senhor da história e que aqueles que lhe permanecem fiéis serão vitoriosos sobre as forças adversas. O propósito de seu autor é que os leitores de seu livro permaneçam fiéis a Deus, apesar das adversidades que os possam mover a questionar a justiça divina e sua soberania, e os tentem a abandonar a Deus. A mensagem é informativa, o propósito é que confiem em Deus. Portanto, ao falar da “mensagem” está implícita a noção de que se trata de uma comunicação com um propósito.</p><p>Quanto ao receptor, este escuta ou lê a mensagem criticamente: aceita-a ou rejeita-a total ou parcialmente, segundo seus próprios critérios e condicionamentos. O receptor compreende e interpreta a mensagem segundo sua formação cultural, sua condição socioeconômica, suas ideias, seus preconceitos, interesses e anseios, e também segundo a imagem que tem a respeito do emissor. Isso também faz parte de nossa experiência: “não o entendo”, “é um tonto, um reacionário”, “não me convence”, “estou de acordo, mas…”. Quantas vezes o receptor não nos compreende ou nos interpreta mal! Por quê? Frequentemente intervém o que se denominam interferências. Além das psicológicas, as mais frequentes são as ideológicas: filtram o que lhe convém, segundo seus preconceitos, o que o reafirma em sua posição e, por isso, não escuta a mensagem atentamente ou com abertura. São essas interferências que frequentemente impedem as pessoas de compreender a natureza e a razão de ser da Bíblia. Certamente, com a escuta da mensagem, vem a resposta do receptor, sua reação à mensagem (ao propósito do emissor): conversão, rejeição, meditação, perdão etc.</p><p>A Bíblia mitos, pgs. 62-63</p>]]></description>
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      <title>Meio e mensagem na Bíblia</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 03 Jan 2022 02:40:07 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/01/2022</p>]]></description>
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      <title>A Bíblia, testemunha da vida</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 02 Jan 2022 18:08:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>02/01/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/22a520-a-biblia-testemunha-da-vida.jpg"/><p><a href="https://es.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Arens">A Bíblia sem mitos</a>, pgs. 13-14</p><p><em>Cena de um dos filmes do <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Kirikou_et_la_Sorci%C3%A8re">Kiriku</a></em></p><p>«Nos meios informados, a maneira como se enfoca e se entende a Bíblia hoje é diferente da de “antes”. Isto é um fato. Herdeiros de uma tradição que acentuava sua qualidade de Palavra de Deus e que a considerava praticamente como ditada por Deus, alguns se sentem consternados, quando hoje lhes é dito que a Bíblia é literatura – literatura sagrada sim, mas literatura – e que, além disso, não há conflito com as ciências. Contribuíram não pouco com o “descobrimento” do caráter literário da Bíblia as descobertas de textos afins que, desde o século passado, estão ocorrendo no Oriente Médio, textos mais antigos do que os da Bíblia (mitos da criação, lendas, salmos, provérbios), bem como os estudos realizados nos campos da sociologia, da antropologia, da linguística e da literatura, entre outros. Consequentemente, têm sido apreciados aspectos e dimensões antes não considerados ou simplesmente ignorados, quando se tratava da Bíblia. Há algum tempo, valoriza-se cada vez mais a comunicação humana que se manifesta na Bíblia: o papel das tradições orais, do povo ou da comunidade onde tomaram corpo os diferentes escritos, o papel do redator, a influência da circunstância e da cultura etc.</p><p>A Bíblia é apreciada hoje, mais do que antes, por aquilo que é materialmente: um conjunto de expressões de vida, de testemunhos de vivências históricas e de fé. Sim, seu caráter vivencial e vivificante é talvez o aspecto mais importante: são escritos nascidos da vida e para a vida. Vida em chave religiosa, mas vida vivida. Por isso mesmo, hoje se valoriza muito mais sua dimensão comunicativa, sem por isso valorizar menos a presença de Deus ao longo do processo que conduziu à composição dos diferentes escritos que constituem a Bíblia. Valorizar a dimensão humana da Bíblia não é tirar-lhe a sacralidade, mas, sim, situá-la em nosso mundo, onde se originou: Deus manifestou-se através de acontecimentos históricos até se encarnar ele mesmo. na história. Enquanto se venerava a Bíblia como revelação direta de Deus, se carecia da objetividade necessária para poder apreciar sua profundidade e sua proximidade do homem. E enquanto se olhar a Bíblia como um conjunto de verdades doutrinais, não se valorizará seu caráter vivificante existencial.</p><p><em>O Apocalipse <a href="https://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/596072-o-apocalipse-nao-e-apocaliptico-e-um-quinto-evangelho">não é um livro apocalíptico</a></em></p><p>Para compreender bem e corretamente um texto composto em tempos passados, deve-se começar por compreender seu berço, seu momento histórico e cultural. Muitos creem que a única coisa que interessa é a relação texto-leitor (o que ele me diz?), e que indagar pela origem histórica de tal ou tal escrito pela comunidade e pelo momento histórico do autor, pelas condições culturais e circunstanciais, são perguntas irrelevantes. Grave erro! Precisamente por ignorá-las, chegou-se a interpretações absurdas que estão distantes da intenção do autor inspirado, por exemplo, com relação a determinadas ordens éticas ou ao tratar o Apocalipse. Depois de tudo, o escritor (por não falar da tradição oral precedente) foi inspirado por Deus dentro do contexto de sua história e de sua cultura, e não à margem dela, e o que escreveu respondia às necessidades desse momento, por isso escreveu para um auditório concreto, imediato, como é evidente nos profetas e nas cartas de São Paulo. Para entender retamente o que o texto diz hoje, deve-se começar por compreender o que dizia na sua origem. É uma questão de fidelidade à mensagem original de seu autor e de continuidade com sua intencionalidade original. É palavra de Deus, sim, mas em palavras de homens histórica e culturalmente situados e, portanto, com muitas limitações e condicionamentos.»</p>]]></description>
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      <title>Folheto da missa da Epifania</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 02 Jan 2022 15:37:19 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>02/01/2022</p><p>Via <a href="https://www.facebook.com/paroquianossasenhoradocarmoitaquera">paróquia N. Srª. do Carmo</a></p>]]></description>
    </item>
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      <title>O espaço da fé no deserto</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 01 Jan 2022 20:36:27 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/01/2022</p><p>Clodovis Boff. Mariologia Social, p. 400-401</p><p>«… o “foco” da metáfora [o deserto para onde a Mulher foi levada depois do parto, em Ap 12] aponta para o lado do “refúgio” [mais que a outros dois sentidos da imagem do deserto: lugar de intimidade e lugar de tentação]. Efetivamente, diz o texto que se trata do lugar “preparado por Deus”, onde a Mulher será “sustentada” por Ele, como o foi Israel com o maná, as codornizes e a água do rochedo (Ex 16 e 17), e como foi também nutrido o profeta Elias (1Rs 17,4.6; 19,5).<br/>A duração da proteção em relação à prova é de 1260 dias. Isso corresponde a três anos e meio, medida já evocada no mesmo capítulo (v.14). É a designação simbólica do tempo limitado, porque metade de sete, a medida plena. Trata-se, pois, de uma proteção limitada ao tempo da prova. Portanto, o Dragão “tem os dias contados”. Para os sofredores, importa muito saber quanto tempo resta ainda a sofrer. Eles não podem suportar a ideia de um sofrimento infinito ou indefinido. Daí, no Apocalipse, a preocupação pelos números. Aqui, só faltam “três anos e meio” para a prova chegar ao fim. Depois, vem a salvação definitiva, a vitória absoluta sobre todas as forças do mal.<br/>O que seria, para nós, hoje, esse “deserto” onde a Mulher-Igreja é protegida? É o espaço espiritual da fé. Só enquanto se mantém dentro da esfera da fé, pode a Igreja subsistir. E é nesta esfera que Deus lhe fornece o alimento de que necessita, isto é, a Palavra e os sacramentos. Seria possível alargar o sentido do “deserto” e entendê-lo como sendo todos os sistemas que opõem um dique ao avanço do mal, tais como as grandes religiões e também as instituições e movimentos sociais que defendem os direitos humanos, especialmente dos mais fracos.<br/>Agora, se ficarmos na interpretação especificamente mariológica, o deserto é o tempo da carreira humana de Maria, quando ela, com e como seu Filho, sofreu os assaltos do Dragão, na medida em que ele, usando dos poderes destem mundo, perseguiu efetivamente Cristo. Assim foi com a perseguição de Herodes quando Jesus era criança e também sua condenação à morte pelo Sinédrio e por Pilatos. Mas a provação da mãe do Messias e ao mesmo tempo sua proteção foram apenas por um tempo limitado. Com a Páscoa de seu Filho, terminou seu período de provação, e com sua própria Páscoa ─ a Assunção ─ ela foi definitivamente subtraída à perseguição do Maligno. E, ainda que sofra misteriosamente no Reino, mesmo aí será igualmente por um tempo limitado ─ o tempo da história. Já na parusia cessarão por completo suas dores, porque terá nascido o mundo novo e eterno (cf. Jo 16,21).»</p><p>Clodovis Boff. Mariologia Social, p. 400-401</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A Era Axial e a nossa (citação)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 01 Jan 2022 17:35:40 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/01/2022</p><blockquote><p>Em todos os tempos e em todas as tradições sempre houve gente que combateu a modernidade de sua época. Entretanto o fundamentalismo que vamos analisar é um movimento do século XX por excelência. É uma reação contra a cultura científica e secular que nasceu no Ocidente e depois se arraigou em outras partes do mundo. O Ocidente criou um tipo distinto de civilizado, totalmente inédito, que desencadeou uma reação religiosa sem precedentes. Os movimentos fundamentalistas contemporâneos têm uma relação simbiôntica com a modernidade. Podem rejeitar o racionalismo científico do Ocidente, mas não têm como fugir dele. A civilização ocidental mudou o mundo. Nada – nem a religião – serão como antes. Em todo o planeta há pessoas lutando contra essas novas condições e vendo-se obrigadas a reafirmar suas tradições religiosas, que foram concebidas para um tipo de sociedade inteiramente diverso.</p></blockquote><blockquote><p>No mundo antigo houve um período de transição semelhante, que se estende aproximadamente de 700 a 200 a.C. e que os historiadores chamam de Era Axial, porque foi crucial para o desenvolvimento espiritual da humanidade. Esse período resultou de uma evolução econômica – e, portanto, social e cultural – de milhares de anos que se iniciou na Suméria, onde hoje é o Iraque, e no antigo Egito. Nos quarto e terceiro milênios antes de Cristo os homens já não se limitavam a plantar o suficiente para satisfazer suas necessidades imediatas, mas produziam excedentes agrícolas que podiam comercializar e converter em ganhos extras. Assim conseguiram construir as primeiras civilizações, desenvolver as artes e organizar comunidades cada vez mais fortes: cidades, CIDADES-ESTADOS e, por fim, impérios. Na sociedade agrária o poder não se restringia ao rei ou ao sacerdote; ao menos em parte seu foco se deslocou para o mercado, fonte da riqueza de cada cultura. Começou-se a pensar que o velho paganismo, adequado aos ancestrais, já não convinha às novas circunstâncias.</p></blockquote><blockquote><p>Nas cidades e nos impérios da Era Axial os cidadãos adquiriam perspectivas mais amplas e horizontes mais extensos, diante dos quais os velhos cultos locais pareciam limitados e provincianos. Em vez de ver o divino incorporado em diferentes deidades, passaram cada vez mais a venerar uma única transcendência universal, fonte do sagrado. Dispondo de maior tempo livre, podiam cultivar uma vida interior mais rica; desejavam uma espiritualidade que não dependesse inteiramente de formas externas. Os mais sensíveis se afligiam com a injustiça social que parecia incrustada nessa sociedade agrária, dependente do trabalho de camponeses excluídos da alta cultura. Conseqüentemente surgiram profetas e reformadores, dizendo que a virtude da compaixão era crucial para a vida espiritual: a verdadeira devoção se revelava na capacidade de ver o sagrado cm todo individuo e na disposição para cuidar dos membros mais vulneráveis da sociedade. Assim brotaram no mundo civilizado da Era Axial as grandes religiões confessionais que continuaram guiando a humanidade: o budismo e o hinduísmo na índia; o confucionismo e o taoísmo no Extremo Oriente; o monoteísmo no Oriente Médio; o racionalismo na Europa. Apesar de suas grandes diferenças, essas religiões da Era Axial tinham muito em comum: todas partiram de velhas tradições para desenvolver a idéia de uma única transcendência universal; todas cultivavam uma espiritualidade interiorizada e enfatizavam a importância da prática da compaixão.</p></blockquote><blockquote><p>Hoje estamos vivendo um período de transição semelhante, como já dissemos.</p></blockquote><p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Karen_Armstrong">Karen Armstrong</a>. <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/The_Battle_for_God">Em nome de Deus</a>: o fundamentalismo no judaísmo, no cristianismo e no islamismo</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Fé e política</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 01 Jan 2022 16:13:27 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/01/2022</p><p>Aparentemente, os concílios que esclareceram tantos marcos fundamentais da fé católica não foram muito diferentes de uma assembleia sindical ou partidária. Ao menos o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Primeiro_Conc%C3%ADlio_de_%C3%89feso">primeiro concílio de Éfeso</a>, que compreendeu a maternidade de Maria a Deus, foi uma disputa entre duas perspectivas que não invocavam um beneplácito divino para se sustentarem, mas sim as habilidades políticas dos seus defensores.</p><p>Enquanto Nestório conciliava a divindade e a humanidade de Cristo em uma espécie de dualidade habitando o mesmo corpo, fazendo de Maria mãe do “fator humano” da dualidade, Cirilo via em Cristo uma unidade humano-divina, fazendo de todo e qualquer aspecto de Cristo um aspecto tanto humano quanto divino, incluindo a maternidade de Maria, mãe do ser humano, e também mãe de Deus indistintamente.</p><p>É claro que tanto Nestório quanto Cirilo representavam escolas de pensamento teológico ancoradas respectivamente em Constantinopla e Alexandria, que no fim das contas eram as verdadeiras protagonistas do enfrentamento. Enquanto hoje em dia há cristãos que se opõem a <a href="https://twitter.com/doisdedosdeteo/status/1474703328873492481">“sociologizar” a religião</a>, tornando-a praticamente intangível em uma redoma de isenção (e neste ponto dão as mãos aos que querem <a href="https://www.poder360.com.br/opiniao/contra-o-feriado-de-natal-e-todos-os-feriados-religiosos-escreve-maria-thereza-pedroso/">eliminar quaisquer sinais de presença religiosa na esfera civil</a>), a maternidade divina de Maria foi reconhecida em meio a um processo teológico-político, sujeito ao envio de delegações simbólicas, recuos estratégicos e artimanhas políticas (incluindo a manobra de Cirilo para abrir o concílio antes da chegada dos partidários antioquenos de Nestório, o que levou alguns bispos a participarem sob protesto, por condenarem a manobra).</p><p>O caos em que estas decisões foram tomadas pode até dar margem para que se diga que foram meras decisões humanas que nada tinham dos desígnios de Deus, mas seria uma postura semelhante a quem renega o mesmo caos, acrescido de crueldade, que mancha de sangue várias páginas do Antigo Testamento: assim como a crueldade sanguinária humana não impediu Deus de agir em meio ao banho de sangue em certas passagens do AT, não seria a malandragem política que o impediria (não que Deus endossasse a crueldade, isto está muito claro no NT, mas só Deus sabe o que ele pensa das ardilosas manobras políticas). Quero dizer que, se nem mesmo a inexistência prévia da criação não impediu que Deus criasse o que não existia, como é que o caos humano, sanguinário ou não, poderia amarrar as mãos de Deus a ponto de impedi-lo de agir? Acredito que não é por apreciar a ordem que Deus vá se negar a agir no meio da bagunça: se não fosse assim, teria criado robôs e não seres humanos confusos e caóticos.</p><p>Fé e política são suficientemente independentes entre si para não determinarem uma à outra, mas nenhuma das duas dá conta de lidar com as questões humanas isentando-se, seja a fé da política, seja a política da fé, ou qualquer uma delas das outras áreas humanas, como a ciência, a arte, etc. A Idade Média conseguiu funcionar muito bem enquanto a fé e a política mantiveram a independência e a complementariedade, e só acabou quando elas começaram a medir forças uma com a outra.</p><p>Esta dissociação serve apenas para aprofundar a exploração sobre nós, pois enquanto levamos a fé e a política a agirem como o poeta municipal e o poeta estadual, debatendo qual é capaz de bater o poeta federal, “<a href="https://poepedia.com/drummond/alguma-poesia/politica-literaria">o poeta federal tira ouro do nariz</a>“.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Feliz 2022</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">22a515-feliz-2022</guid>
      <pubDate>Sat, 01 Jan 2022 02:24:46 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/01/2022</p><img width="600" alt="" src="/midia/imagem.jpeg"/><img width="600" alt="" src="https://mrcl.files.wordpress.com/2021/12/image_editor_output_image-167230040-16410037880861029501869052999195.jpeg"/><p>Que o ano seja novo, de fato: iluminemos de justiça, solidariedade e teimosa esperança, cada ato. (Dom Helder Câmara)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Alemanha desativa mais três usinas nucleares</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l514-alemanha-desativa-mais-tres-usinas-nucleares</guid>
      <pubDate>Fri, 31 Dec 2021 16:23:02 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>31/12/2021</p><p>Via <a href="https://www.dw.com/pt-br/alemanha-desativa-mais-tr%C3%AAs-usinas-nucleares/a-60303458?maca=bra-rss-br-all-1030-rdf">Deutsche Welle</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Gente sensível ponto com</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l513-gente-sensivel-ponto-com</guid>
      <pubDate>Fri, 31 Dec 2021 15:55:29 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>31/12/2021</p><img width="600" alt="" src="/midia/21l513-gente-sensivel-ponto-com.jpg"/><p>No meu mundo ideal a sensibilidade seria um habilidade reconhecida muito mais do que uma simples característica pessoal, e tão celebrado quanto a inteligência, o conhecimento ou o raciocínio (<em>talvez houvesse até um Nobel da sensibilidade</em>). Mas no mundo em que vivemos, a sensibilidade não apenas pode ser, como quase sempre é tratada como uma fraqueza, Não só por uma questão de perspectiva por ser vista como tal.</p><p>Insensíveis (<em>não confundir com “fortes”, apesar de eles acharem que isso é ser forte</em>) podem desprezar a sensibilidade por ser uma fraqueza, o que é muito ruim, mas não é pior do que os que exploram a sensibilidade alheia, porque apesar de mais cedo ou mais tarde ferirem a sensibilidade explorada, não a desprezam: afinal, se não houvessem pessoas sensíveis, quem eles explorariam? Pode ser que julguem a sensibilidade uma coisa desprezível, como os insensíveis, mas precisam dela, pelo menos nos outros.</p><p>Por isto convém nunca deixar de lado a desconfiança de muitos elogios à sensibilidade, que afinal de contas não é um animalzinho de estimação para ser alimentada com elogios como se fossem a sua ração. Esta desconfiança é um modo de proteger a sensibilidade, especialmente para sua própria preservação. O que é pior é que às vezes se perde a sensibilidade justamente por causa do processo de protegê-la – quer dizer, no fim das contas tornar-se insensível não serve para protegê-la, o que não impede de este ser um recurso largamente utilizado.</p><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2021/12/ascobraslfveditado.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2021/12/ascobraslfveditado.jpg]</a><p>Cristo enviou seus discípulos como ovelhas em meio a lobos orientando-os a serem astutos como as serpentes e sensíveis como as pombas por isto. Apesar de serem orientações práticas para a evangelização (<em>e de que naquele tempo as pombas tivessem um pouco mais de dignidade que as atuais, que precisaram se tornar “ratos com asas” para sobreviver em meio ao lixo humano</em>), acrescentar astúcia à sensibilidade serve também como uma orientação extra-religiosa.</p><p>Se bem que até esta orientação pode descambar em uma maldade: tanto o golpista precisa combinar astúcia e sensibilidade (<em>estou tomando o do velho golpe do bilhete premiado como modelo de golpista</em>), quanto o religioso que envereda pelos caminhos de usar sua condição religiosa para se satisfazer nos outros (<em>seja sexual ou financeiramente</em>).</p><p>Além da percepção de fraqueza, a sensibilidade pode se confundir com uma fonte de dor da qual é melhor se desvencilhar, ou à qual é melhor sucumbir qual um martírio heroico idealista, que pode até apresentar alguma beleza se for possível recortá-la da dor que a causou. Em qualquer caso, já passamos há muito do tempo em que honra e martírio se identificam um com outro. Até nos tempos dos primeiros cristãos o que os mártires faziam de bom era não ceder: a morte deles foi uma imposição alheia injustificável como sempre é a morte de qualquer pessoa (<em>e a maioria das imposições também, mas este é outro assunto</em>).</p><p>Como de uma forma ou de outra a sensibilidade acaba se tornando uma cruz, Cristo acaba entrando no assunto por motivos religiosos desta vez, já que há três parágrafos atrás tinha entrado só pela boa ideia. Neste caso, é sobre como tornar possível carregar a cruz da sensibilidade sem morrer por causa dela, afinal Cristo disse “toma a tua cruz e segue-me”, mas não “toma a tua cruz e morra pregado nela”, pois a parte de Deus foi transformar a morte indesejada em causa de salvação, enquanto os que mataram Cristo queriam apenas que ele morresse, já que não podiam calá-lo.</p><p>A ideia de que a cruz significa necessariamente uma morte é bem disseminada, mas não é o significado que eu quero dar a ela neste texto – não é porque talvez signfique isto que não possa significar também outra coisa. Eu estou pensando em Mt 11,30 (<em>“o meu jugo é suave e meu peso é leve”</em>): logo mais adiante (12,14-15) Jesus fica sabendo que os fariseus discutiram meios de o matar e sa dali, o que eu espero que sirva de argumento para dizer que nada que leve à morte é bom, a não ser como uma licença literária.</p><p>Quem sou eu para dizer que só em Cristo é que é possível manter a sensibilidade sem matar ou morrer no processo? Talvez hajam outras alternativas, mas eu preciso levar em conta o seguinte:</p><p>1) se eu não posso afirmar categoricamente que só Cristo funciona para isto, por outro lado posso ao menos afirmar que funciona (<em>talvez não tanto pela experiência bem-sucedida, mas mais pela fé</em>), apesar de cogitar haverem outras possibilidades;</p><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2021/12/harry-potter-15-times-hermione-granger-was-worst.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2021/12/harry-potter-15-times-hermione-granger-was-worst.jpg]</a><p>2) se for viável manter a sensibilidade nestes termos por outros caminhos que não sejam os de Cristo, aí há uma situação parecida com a da Hermione Granger quando estava explicando para o sr. Lovegood que não dá para testar pedra por pedra do mundo para poder dizer que não existe uma Pedra da Ressurreição (<em>o que no livro deu num empate, já que a pedra existia, mas não era exatamente da ressurreição</em>), mas em relação à possibilidade de manter a sensibilidade por outros caminhos que não sejam os de Cristo, eu não tenho porque testar outras possibilidades quando já tenho uma que funciona (<em>e se tivesse um porquê, também não teria tempo e nem disposição para me tornar uma espécie de pesquisador das alternativas a Cristo</em>).</p><p>Aepsar de o cristianismo poder servir como uma ferramenta de exploração e opressão, a sua finalidade original é o oposto: cooperação e libertação. Ainda que isto esteja aquém do melhor que o cristianismo pode oferecer, que é a salvação de Cristo, na verdade quem salva é Cristo e não o cristianismo que, como sabemos, é uma espécie de canivete suíço que pode servir tanto a um projeto hediondo de poder (<em>como o bolsonarista, por exemplo</em>) e outras vilezas mais ou menos afins, quanto pode servir para fomentar a luta por justiça e liberdade das pessoas – e também da sensibilidade, sem a qual até mesmo os enviados de Cristo seriam apenas serpentes, assim como também a justiça e a liberdade.</p><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2021/12/canivsuico.jpeg"><img width="600" alt="" src="/midia/21l513-gente-sensivel-ponto-com.jpg"/></a><p>Enfim, incluir Cristo no páreo da auto-preservação da sensibilidade é uma medida que funciona para esta auto-preservação, mas excluí-lo a deixa exposta a se tornar ou refém da própria couraça que precisa criar para se proteger, ou uma insustentável leveza que ameaça constantemente partir ao meio quem se aventura a carregá-la.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Cristofacismo como discurso de proteção aos fundamentalismos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l512-cristofacismo-como-discurso-de-protecao-aos-fundamentalismos</guid>
      <pubDate>Thu, 30 Dec 2021 05:31:15 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>30/12/2021</p><p>Via <a href="https://ocaminheirodoreino.com/2021/12/29/cristofacismo-como-discurso-de-protecao-aos-fundamentalismos/">O Caminheiro do Reino</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Antropologia semita</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l511-antropologia-semita</guid>
      <pubDate>Wed, 29 Dec 2021 23:28:43 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>29/12/2021</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Francisco denuncia a los nuevos Herodes que desgarran la inocencia de los niños</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l510-francisco-denuncia-a-los-nuevos-herodes-que-desgarran-la-inocencia-de-los-ninos</guid>
      <pubDate>Wed, 29 Dec 2021 17:29:50 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>29/12/2021</p><p>Via <a href="https://www.religiondigital.org/vaticano/Francisco-denuncia-Herodes-desgarran-inocencia_0_2409359048.html">Religión Digital</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Como nossa busca por padrões pode explicar crenças e teorias da conspiração</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l509-como-nossa-busca-por-padroes-pode-explicar-crencas-e-teorias-da-conspiracao</guid>
      <pubDate>Wed, 29 Dec 2021 17:12:23 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>29/12/2021</p><p>Via <a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-59804961?at_medium=RSS&amp;at_campaign=KARANGA">BBC Brasil</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Nada de Mercosul: Boric afirma que futuro governo do Chile vai priorizar Aliança do Pacífico</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l508-nada-de-mercosul-boric-afirma-que-futuro-governo-do-chile-vai-priorizar-alianca-do-pacifico</guid>
      <pubDate>Wed, 29 Dec 2021 11:19:39 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>29/12/2021</p><p>Via <a href="https://rfi.my/826M">Rádio França Internacional</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Polícia de Hong Kong invade redação da agência pró-democracia Stand News</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l507-policia-de-hong-kong-invade-redacao-da-agencia-pro-democracia-stand-news</guid>
      <pubDate>Wed, 29 Dec 2021 10:57:25 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>29/12/2021</p><p>Via <a href="https://pt.euronews.com/2021/12/29/policia-de-hong-kong-invade-redacao-da-agencia-pro-democracia-stand-news">Euronews</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Por que Jesus ser negro incomoda tanto?</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l506-por-que-jesus-ser-negro-incomoda-tanto</guid>
      <pubDate>Wed, 29 Dec 2021 09:39:08 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>29/12/2021</p><p>Via <a href="https://www.dw.com/pt-br/por-que-jesus-ser-negro-incomoda-tanto/a-60256900">Deutsche Welle</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Como pornografia afeta o cérebro e hábitos sexuais de jovens como a cantora Billie Eilish</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l505-como-pornografia-afeta-o-cerebro-e-habitos-sexuais-de-jovens-como-a-cantora-billie-eilish</guid>
      <pubDate>Tue, 28 Dec 2021 22:47:11 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/12/2021</p><p>Via <a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-59809794?at_medium=RSS&amp;at_campaign=KARANGA">BBC Brasil</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Por que Índia proibiu financiamento de ONG de Madre Teresa de Calcutá</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l504-por-que-india-proibiu-financiamento-de-ong-de-madre-teresa-de-calcuta</guid>
      <pubDate>Tue, 28 Dec 2021 19:20:53 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/12/2021</p><p>Via <a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-59809320?at_medium=RSS&amp;at_campaign=KARANGA">BBC News Brasil</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O legado de Johannes Kepler, 450 anos após seu nascimento</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l503-o-legado-de-johannes-kepler-450-anos-apos-seu-nascimento</guid>
      <pubDate>Tue, 28 Dec 2021 10:51:42 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/12/2021</p><p>Via <a href="https://www.dw.com/pt-br/o-legado-astron%C3%B4mico-de-johannes-kepler-450-anos-ap%C3%B3s-seu-nascimento/a-60266671">Deutsche Welle</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O nascimento de Jesus para uma mãe solteira sinaliza um desafio profético ao patriarcado (National Catholic Reporter)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l502-o-nascimento-de-jesus-para-uma-mae-solteira-sinaliza-um-desafio-profetico-ao-patriarcado-national-catholic-reporter</guid>
      <pubDate>Tue, 28 Dec 2021 06:45:17 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/12/2021</p><p>Via <a href="https://www.ncronline.org/news/spirituality/jesus-birth-single-mom-signals-prophetic-challenge-patriarchy">National Catholic Reporter</a>, traduzido no <a href="https://www-ncronline-org.translate.goog/news/spirituality/jesus-birth-single-mom-signals-prophetic-challenge-patriarchy?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt-BR">tradutor do Google</a>.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>‘Pior roubo de salários da moda’: os trabalhadores passam fome enquanto os fornecedores indianos das principais marcas do Reino Unido se recusam a pagar o salário mínimo (The Guardian)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l501-pior-roubo-de-salarios-da-moda-os-trabalhadores-passam-fome-enquanto-os-fornecedores-indianos-das-principais-marcas-do-reino-unido-se-recusam-a-pagar-o-salario-minimo-the-guardian</guid>
      <pubDate>Tue, 28 Dec 2021 04:22:36 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/12/2021</p><p>Via <a href="https://www.theguardian.com/global-development/2021/dec/16/worst-fashion-wage-theft-workers-go-hungry-as-indian-suppliers-to-top-uk-brands-refuse-to-pay-minimum-wage?CMP=Share_iOSApp_Other">The Guardian</a>, traduzido no <a href="https://www-theguardian-com.translate.goog/global-development/2021/dec/16/worst-fashion-wage-theft-workers-go-hungry-as-indian-suppliers-to-top-uk-brands-refuse-to-pay-minimum-wage?CMP=Share_iOSApp_Other&amp;_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt-BR">tradutor do Google</a>.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>GCompris 2 llega con nuevas actividades para mejorar la habilidad mental y la comprensión lectora</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l500-gcompris-2-llega-con-nuevas-actividades-para-mejorar-la-habilidad-mental-y-la-comprension-lectora</guid>
      <pubDate>Tue, 28 Dec 2021 02:23:21 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/12/2021</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>El veterano Hubble vs. el nuevo telescopio Webb</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l499-el-veterano-hubble-vs-el-nuevo-telescopio-webb</guid>
      <pubDate>Tue, 28 Dec 2021 00:45:51 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/12/2021</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>“Há um critério para saber se Deus está perto de nós ou se está longe”</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l498-ha-um-criterio-para-saber-se-deus-esta-perto-de-nos-ou-se-esta-longe</guid>
      <pubDate>Mon, 27 Dec 2021 20:29:04 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/12/2021</p><p>Fonte: <a href="https://www.ihu.unisinos.br/170-noticias/noticias-2014/531897-a-palavra-de-deus-faz-doer-um-encontro-com-oscar-romero">IHU</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Mulheres afegãs são impedidas de viajar desacompanhadas no novo regime Talibã (Rádio França Internacional)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l497-mulheres-afegas-sao-impedidas-de-viajar-desacompanhadas-no-novo-regime-taliba-radio-franca-internacional</guid>
      <pubDate>Mon, 27 Dec 2021 19:04:26 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/12/2021</p><p>27 dez 2021</p><p>Aparentemente a promessa de menor rigidez vai ser mais ou menos como pintar as celas de cor-de-rosa e botar pom-pons nas algemas, pelo jeito.</p><p>Link da notícia original: <a href="https://rfi.my/81wG">https://rfi.my/81wG</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Desastres climáticos mais caros em 2021 custaram quase R$ 1 trilhão, aponta relatório (Rádio França Internacional)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l496-desastres-climaticos-mais-caros-em-2021-custaram-quase-r-1-trilhao-aponta-relatorio-radio-franca-internacional</guid>
      <pubDate>Mon, 27 Dec 2021 11:13:15 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/12/2021</p><p><a href="https://www.rfi.fr/br/mundo/20211227-desastres-clim%C3%A1ticos-mais-caros-em-2021-custaram-quase-r-1-trilh%C3%A3o-aponta-relat%C3%B3rio">Leia a notícia original no site da RFI</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Rússia e Ucrânia: a cronologia de uma guerra não declarada (Deustsche Welle)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l495-russia-e-ucrania-a-cronologia-de-uma-guerra-nao-declarada-deustsche-welle</guid>
      <pubDate>Mon, 27 Dec 2021 09:43:33 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/12/2021</p><p><a href="https://www.dw.com/pt-br/r%C3%BAssia-e-ucr%C3%A2nia-a-cronologia-de-uma-guerra-n%C3%A3o-declarada/a-60245938">Leia no site da Deutsche Welle</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Cidade do Paraguai atrai alemães extremistas e antivacina (Deustsche Welle)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l494-cidade-do-paraguai-atrai-alemaes-extremistas-e-antivacina-deustsche-welle</guid>
      <pubDate>Mon, 27 Dec 2021 09:17:40 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/12/2021</p><p><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2021/12/24/vacinacao-infantil-bolsonaro-diz-que-nao-ha-morte-de-criancas-que-justifique-algo-emergencial.ghtml">Leia no site da Deustsche Welle</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Santos Inocentes mártires (28/12)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l493-santos-inocentes-martires-28-12</guid>
      <pubDate>Mon, 27 Dec 2021 06:31:58 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/12/2021</p><p>Notícia no site do <a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2021/12/24/vacinacao-infantil-bolsonaro-diz-que-nao-ha-morte-de-criancas-que-justifique-algo-emergencial.ghtml">G1</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Salmo 81/82 (quem és tu para julgar o teu irmão?)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l492-salmo-81-82-quem-es-tu-para-julgar-o-teu-irmao</guid>
      <pubDate>Mon, 20 Dec 2021 19:11:11 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/12/2021</p><img width="600" alt="" src="/midia/21l492-salmo-81-82-quem-es-tu-para-julgar-o-teu-irmao.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/21l492-salmo-81-82-quem-es-tu-para-julgar-o-teu-irmao.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/21l492-salmo-81-82-quem-es-tu-para-julgar-o-teu-irmao.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/21l492-salmo-81-82-quem-es-tu-para-julgar-o-teu-irmao.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/21l492-salmo-81-82-quem-es-tu-para-julgar-o-teu-irmao.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/21l492-salmo-81-82-quem-es-tu-para-julgar-o-teu-irmao.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/21l492-salmo-81-82-quem-es-tu-para-julgar-o-teu-irmao.png"/>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Abaixo o clima natalino!!</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l491-abaixo-o-clima-natalino</guid>
      <pubDate>Sun, 19 Dec 2021 23:02:57 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/12/2021</p><p>O aspecto mais irritante do Natal é o clima de esperança, harmonia e paz que as propagandas natalinas evocam. E o mais deprimente é o efeito que este clima causa em quem passou o ano inteiro correndo atrás deste clima e não alcançou.</p><p>Logo mais, depois do Natal, vão recomeçar as sugestões para planejar o ano que vem, revisar o ano que passou e criar expectativas de que em 2022 tudo vai ser diferente, como em um passe de mágica inspirado na magia do natal emoldurada pelas decorações das lojas e inspirada nas imagens de felicidade das ceias farta de Natal e a troca de presentes caros protegidos por embalagens brilhantes e arrematadas em belíssimos laços praticamente impossíveis de serem feitos.</p><p>Isto pode parecer apenas mau-humor, mas o fim de ano nunca foi um período de paz, pelo menos fora das propagandas. Bom, talvez seja mau-humor, afinal de contas, mas não é “apenas” mau-humor: todo este clima é uma armadilha consumista para que todos sintam-se encorajados a gastar o décimo-terceiro (um dos poucos direitos que ainda não perdemos) e, porque não, a afundar-se em dívidas já que até os poucos direitos preservados estão valendo pouco (desvalorizados para que ninguém sinta muita pena quando nos tirarem, quem sabe).</p><p>Este clima natalino é muito irritante porque se baseia em nada e serve somente como estímulo consumista, e as expectativas que este clima insufla só vão se realizar em caso de coincidências. De modo geral, todo ano-novo vai ser tão ruim ou tão bom quanto foi o ano que está terminando, mas se o clima natalino fosse um clima de ponderação e raciocínio, ninguém gastaria tanto, nem colocaria suas esperanças em expectativas que, como sempre, estão destinadas a se tornarem frustrações doze meses depois.</p><p>Ao contrário do que pode parecer, eu não tenho nada contra fazer planos, sonhar e ter expectativas. Mas é parecido com o exemplo de Kant do pássaro imaginando que no vácuo sua velocidade seria maior devido à ausência do atrito do ar, mas sem ponderar que é este mesmo atrito que lhe permite levantar vôo, pra começo de conversa: o clima natalino consumista é mais ou menos como este vácuo cheio de luzes piscantes e vitrines brilhantes, cuja ausência de atrito dá a sensação de que agora vai, mas esconde que é um vácuo que não vai dar sustentação quando alguém quiser bater suas asas.</p><p>É necessário ter esperanças, mas também é necessário ter os pés no chão, como duas asas que, se falta uma, não adianta bater desesperadamente a outra.</p><p>Por isto prefiro o clima de Natal da oração do breviário do dia 18 de dezembro:</p><blockquote><p>Ó Deus todo-poderoso, concedei aos que gememos na antiga escravidão, sob o jugo do pecado, a graça de ser libertados pelo novo natal do vosso Filho, que tão ansiosamente esperamos. Por NSJC…</p></blockquote><p>Entra ano e sai ano e nós ainda gememos na antiga escravidão, e não seremos libertados pelos fogos de artifício da virada – nem pelas compras do natal. Mas seremos libertados pelo novo natal de Cristo, uma esperança que dá consistência a quaisquer outras esperanças que se fundamentem nela.</p><p>Gememos ainda, e vamos continuar a gemer ano que vem também. Mas também vamos continuar a caminhar porque esta esperança, de ser libertados pelo novo natal de Cristo, só acontecerá de uma hora para a outra depois que for se realizando aos poucos, no dia a dia desta caminhada, de modo quase imperceptível. Não é que alguém vá poder dizer, ainda na terra, “estou livre, cheguei lá”: quando puder dizê-lo, já vai estar no céu. Mas esta libertação é a culminância de um processo desenrolado pouco a pouco enquanto estamos aqui, iniciado pela crucificação e Ressurreição de Cristo, que não se compra nas promoções de fim de ano, não está dentro do peru de natal, nem aparece entre os brilhos das propagandas de compre e seja feliz típicas deste período.</p><p>O desespero de algumas pessoas com este clima natalino (o do consumismo), que fica escondido e amordaçado pelo próprio clima natalino, é também o resultado imediato do vácuo que ele gera (para dar a sensação de que agora vai). Mais do que um resultado, talvez seja mesmo o preço deste clima todo.</p><p>A esperança sustentável do Natal é o nascimento de Cristo, que é a nossa libertação, nascido de um “sim” de Maria carregado de esperanças que não eram um clima de expectativa vazio, mas da vida que se renova na cooperação entre o Criador e a criatura cooperando tanto com ele quanto com as outras criaturas entre si.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Hino de Laudes a partir de 17/12</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 17 Dec 2021 11:20:02 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/12/2021</p><img width="600" alt="" src="/midia/21l490-hino-de-laudes-a-partir-de-17-12.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/21l490-hino-de-laudes-a-partir-de-17-12.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/21l490-hino-de-laudes-a-partir-de-17-12.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/21l490-hino-de-laudes-a-partir-de-17-12.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/21l490-hino-de-laudes-a-partir-de-17-12.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/21l490-hino-de-laudes-a-partir-de-17-12.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/21l490-hino-de-laudes-a-partir-de-17-12.png"/>]]></description>
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      <title>A economia ou a vida¹</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 17 Dec 2021 10:48:18 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/12/2021</p><p>Deus criou a humanidade “modelando” barros e costelas e insuflou nesta matéria o espírito, e mesmo quem não acredita nisto aceita que nada na origem da vida envolveu dinheiro. Não precisamos de dinheiro para amar, para sorrir e nem para ter esperança. O dinheiro não é o sentido da vida, e só a ganância (um brinde anexado no Pecado Original) é capaz de esvaziar o coração de alguém a ponto de fazer do dinheiro um fim em si mesmo – e é este tipo de ganância que, entre outras coisas, faz com que a maioria permaneça em uma injustificável miséria enquanto uma micronesca minoria acumula mais e mais matéria, mais ou menos como buracos negros que sugam tudo, desde a matéria até a luz ao seu redor (eu não sei qual é o contrário de “gigantesca”, e “pequenesca” ainda me pareceu ser ainda muito grande para a des-proporção da quantidade de ricos para com a quantidade de pobres).</p><p>A partir desta perspectiva da futilidade que é o dinheiro, quem tem demais pode muito bem tentar convencer quem não tem, ou tem muito pouco, de que Deus fez o mundo assim, sem recursos disponíveis para todo mundo, e que o melhor é aceitar, afinal, quem é que vai querer discutir com Deus (além de Jó)? Não faz tanto tempo assim, aliás, que a ideia de que é melhor ser pobre porque Deus gosta dos pobres servia como um conto-do-vigário teológico para manter os explorados vergados sob o jugo dos seus exploradores. Depois do Concílio Vaticano II a conversa é outra, mas nem todos os cristãos levam-no em conta (e nem mesmo todos os católicos o aceitam), muito menos todos os integrantes das outras religiões, e assim continuam proliferando contos-do-vigário ora convencendo os pobres a ficarem pobres porque Deus ama a pobreza deles, ora convencendo os pobres que Deus está só esperando um investimento feito com fé para trocar isto por muito dinheiro (e se o dinheiro não vem, é porque faltou fé, enquanto isto tem que continuar investindo até que a fé apareça).</p><p>Assumindo que a Doutrina Social da Igreja representa mais ou menos a vontade de Deus, o que Deus quer é que a criação esteja disponível a todas as pessoas que ele criou (e apesar de Deus não ter criado o dinheiro, não deixa de ser uma criação indireta já que o ser humano, criado por Deus, criou por sua vez o dinheiro, entre outras coisas): não que todas as pessoas devam poder comprar tudo o que possam sonhar, nem que todas devam ficar peladas em Assis como São Francisco, mas só que todas tenham acesso seja ao que Deus criou, seja ao que o ser humano criou com o que Deus criou.</p><p>Eu parto destes princípios religiosos para desvalorizar o dinheiro, mas não é necessário partir do mesmo princípio para chegar à mesma conclusão: o dinheiro não é o centro em torno do qual a vida e o mundo giram em volta.</p><p>Quando o bolsonarismo colocou o falso dilema da escolha entre economia e saúde, a intenção era preservar a saúde e a economia dos mais ricos às custas da saúde e da economia dos mais pobres, pois a intenção era que os mais pobres continuassem a tocar os serviços necessários para os mais ricos e, morrendo ou ficando incapacitados neste processo, não teria problema pois o que não falta no país são desempregados para substituí-los. Acontece que qualquer caso em que economia, saúde (expandindo agora para itens que não entraram na questão da pandemia), amor, trabalho, religião, etc., entrem em conflito, não é porque uma coisa valha ou tenha que valer mais do que a outra, mas porque uma coisa está sendo injustamente mais valorizada do que a outra. Até os martírios cristãos entre os séculos I e III foram causados por governantes que impuseram um conflito, manter a fé ou a vida, que não existiria sem aquelas decisões governamentais.</p><p>Mas não é porque o bolsonarismo antepõe a economia à vida, nem porque dinheiro não é tudo (as últimas quatro palavras antes deste parêntesis resumem os primeiros quatro parágrafos deste texto, mas eles deram muito trabalho para eu deletá-los agora e substituí-los por elas) que melhorar as condições financeiras da população se torne uma questão classificada entre um problema secundário e um problema em si.</p><p>A maioria das pessoas que melhorou as condições de vida (quer dizer, as condições materiais) graças aos governos petistas foi quem votou mal para eleger este governo bolsonarista, mas isto não é motivo para que devolver-lhe  melhores condições dependa de ter aprendido a(lguma) lição. Gente vivendo em condições decentes votando mal é melhor do que gente morrendo à míngua votando bem – e se o ciclo de viver bem e votar mal para viver mal e votar bem pra viver bem e votar mal (e assim por diante) ficar se repetindo, é melhor repeti-lo até que a maioria aprenda a viver bem e votar bem (sem cair no conto das arminhas e mamadeiras de piroca da vida) do que esperar que aconteça uma espécie de aperfeiçoamento da consciência para depois melhorar as condições de vida das pessoas.</p><p>1: Texto inspirado em parte nos cometários <a href="https://www.facebook.com/mrclmlt/posts/10159244832142860">deste post</a> do Facebook.</p>]]></description>
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      <title>Lawfare</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 16 Dec 2021 11:07:35 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>16/12/2021</p><img width="600" alt="" src="/midia/21l488-lawfare.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/21l488-lawfare.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/21l488-lawfare.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/21l488-lawfare.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/21l488-lawfare.png"/><p><a href="https://twitter.com/czmartins/status/1471150378393776131">Postagem original</a> no Twitter</p><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2021/12/lawfare0.png"></a><p><em><img width="600" alt="" src="/midia/21l488-lawfare.png"/></em></p>]]></description>
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      <title>«Agro é censura»</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 16 Dec 2021 09:28:30 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>16/12/2021</p><p><a href="https://www.instagram.com/p/CXefQ4jBf0X/">Postagem original</a> no Instagram do Brasil de Fato</p><p>A educação sofre sendo sucateada; os professores e os PMs, ganhando mal; a população, à mercê tanto da bandidagem quanto da violência policial; mas é a honra do agronegócio que as autoridades se empenham em resguardar – porque para elas o dinheiro do agronegócio vale mais do que a dignidade da população.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>“Um olhar sobre apps, entregadores e as novas lutas”</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 15 Dec 2021 03:09:24 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/12/2021</p><p><a href="https://outraspalavras.net/outrasmidias/um-olhar-sobre-apps-entregadores-e-as-novas-lutas/"></a><a href="https://outraspalavras.net/outrasmidias/um-olhar-sobre-apps-entregadores-e-as-novas-lutas/">https://outraspalavras.net/outrasmidias/um-olhar-sobre-apps-entregadores-e-as-novas-lutas/</a></p>]]></description>
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      <title>São Musk</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 14 Dec 2021 18:54:15 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/12/2021</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Teste 2</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 14 Dec 2021 18:31:57 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/12/2021</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Teste</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 14 Dec 2021 18:03:14 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/12/2021</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p><p>Isso só funcionava no wordpress :(</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O anti-modernismo anacrônico</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 13 Dec 2021 21:38:43 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/12/2021</p><p>Se o conservadorismo quisesse o retorno à Idade Média, seria de se esperar que pelo menos as Universidades, criadas naquele período, fossem preservadas, mas nem isto se salva. O que interessa a este conservadorismo, pelo menos quando se mistura com o catolicismo, é o “programa” de Gregório XVI:</p><blockquote>
<p>A reação agressiva da instituição católica contra a modernidade não tardaria. Gregório XVI (1831-1846), o novo papa, realizou um pontificado dentro de uma linha programática da situação cultural e política de seu tempo. A cultura era dominada pelo iluminismo, anticlericalismo, maçonaria e pelo elemento antirreligioso, enquanto na política oficial predominava a restauração. Neste contexto, o papa publica a encíclica Mirari vos (1832). Entre as temáticas tratadas, em termos duríssimos, estão as duas fontes do mal: liberdade de imprensa e o indiferentismo religioso. Na mentalidade da cristandade medieval e da sociedade perfeita reinantes, o papa não consegue constatar nenhum sinal positivo em seu tempo e, por sua vez, não identifica as situações preocupantes dentro da instituição religiosa que necessitam de transformação. A ideia de renovação da Igreja é rejeitada, considerada um ultraje. Condena as ferrovias, pontes, energia elétrica. Tudo é sinal da modernidade e, por consequência, erros que devem ser condenados. O modelo de Igreja da cristandade prevalecerá durante todo o século XIX. (<a href="http://teologicalatinoamericana.com/?p=1357">Enc. digital Theologica Latinoamericana, Catolicismo contemporâneo</a>)</p>
</blockquote><p>Este modelo de Igreja da cristandade, em que a fé é a condição da dignidade de alguém, manteve-se em pé às custas de um <a href="http://teologicalatinoamericana.com/?p=592">golpe político</a>, quando Pepino, O Breve, inaugurou a dinastia Carolíngia pela deposição da dinastia Merovíngia com o aval do papa Zacarias (servindo como modelo para o Congresso brasileiro em 2016, que deu aval ao golpe contra Dilma), e precisou do reforço mútuo entre a Igreja e o Estado para sobreviver.</p><p>Foi a partir deste golpe que as decisões políticas começaram a ser confundidas com a vontade de Deus, e a fé, a condição para a cidadania, pelo menos é o que parece para alguém que não é nem teólogo nem historiador.</p><p>Gregório XVI tentou reviver a cristandade à força da autoridade papal, e os conservadores atuais, tentam hoje o mesmo à força do bolsonarismo. Este <em>revival</em> talvez até fosse uma ideia plausível lá por 1800, só que hoje em dia serve apenas a duas coisas: legitimar a exploração humana e, no cristianismo, substituir a transcendência da espiritualidade pela imanência da política.</p><blockquote>
<p>Written with <a href="https://stackedit.io/">StackEdit</a>.</p>
</blockquote>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>teste</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 11 Dec 2021 12:08:14 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/12/2021</p><p>[https://cebsdobrasil.com.br/wp-content/uploads/2017/12/atelie-15.jpg]</p><p><img width="600" alt="teste2" src="/midia/cnbbpresente"/></p><h2>outra imagem</h2><p>[https://mrcl.files.wordpress.com/2021/12/cnbbpresente.jpg]<br/>
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<p>Written <strong>with</strong> <a href="https://stackedit.io/">StackEdit</a>.</p>
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      <title>teste</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 11 Dec 2021 11:39:30 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/12/2021</p><p>[https://cebsdobrasil.com.br/wp-content/uploads/2017/12/atelie-15.jpg]<br/>
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<p>Written <strong>with</strong> <a href="https://stackedit.io/">StackEdit</a>.</p>
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      <title>Welcome file</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 11 Dec 2021 11:26:38 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/12/2021</p><p>—</p><p>—</p><p>Hi! I’m your first Markdown file in <strong>StackEdit</strong>. If you want to learn about StackEdit, you can read me. If you want to play with Markdown, you can edit me. Once you have finished with me, you can create new files by opening the <strong>file explorer</strong> on the left corner of the navigation bar.</p><p>StackEdit stores your files in your browser, which means all your files are automatically saved locally and are accessible <strong>offline!</strong></p><h2>Create files and folders</h2><p>The file explorer is accessible using the button in left corner of the navigation bar. You can create a new file by clicking the <strong>New file</strong> button in the file explorer. You can also create folders by clicking the <strong>New folder</strong> button.</p><h2>Switch to another file</h2><p>All your files and folders are presented as a tree in the file explorer. You can switch from one to another by clicking a file in the tree.</p><h2>Rename a file</h2><p>You can rename the current file by clicking the file name in the navigation bar or by clicking the <strong>Rename</strong> button in the file explorer.</p><h2>Delete a file</h2><p>You can delete the current file by clicking the <strong>Remove</strong> button in the file explorer. The file will be moved into the <strong>Trash</strong> folder and automatically deleted after 7 days of inactivity.</p><h2>Export a file</h2><p>You can export the current file by clicking <strong>Export to disk</strong> in the menu. You can choose to export the file as plain Markdown, as HTML using a Handlebars template or as a PDF.</p><p>Synchronization is one of the biggest features of StackEdit. It enables you to synchronize any file in your workspace with other files stored in your <strong>Google Drive</strong>, your <strong>Dropbox</strong> and your <strong>GitHub</strong> accounts. This allows you to keep writing on other devices, collaborate with people you share the file with, integrate easily into your workflow… The synchronization mechanism takes place every minute in the background, downloading, merging, and uploading file modifications.</p><p>There are two types of synchronization and they can complement each other:</p><ul>
<li>
<p>The workspace synchronization will sync all your files, folders and settings automatically. This will allow you to fetch your workspace on any other device.</p>
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<p>To start syncing your workspace, just sign in with Google in the menu.</p>
</blockquote>
</li>
<li>
<p>The file synchronization will keep one file of the workspace synced with one or multiple files in <strong>Google Drive</strong>, <strong>Dropbox</strong> or <strong>GitHub</strong>.</p>
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<p>Before starting to sync files, you must link an account in the <strong>Synchronize</strong> sub-menu.</p>
</blockquote>
</li>
</ul><h2>Open a file</h2><p>You can open a file from <strong>Google Drive</strong>, <strong>Dropbox</strong> or <strong>GitHub</strong> by opening the <strong>Synchronize</strong> sub-menu and clicking <strong>Open from</strong>. Once opened in the workspace, any modification in the file will be automatically synced.</p><h2>Save a file</h2><p>You can save any file of the workspace to <strong>Google Drive</strong>, <strong>Dropbox</strong> or <strong>GitHub</strong> by opening the <strong>Synchronize</strong> sub-menu and clicking <strong>Save on</strong>. Even if a file in the workspace is already synced, you can save it to another location. StackEdit can sync one file with multiple locations and accounts.</p><h2>Synchronize a file</h2><p>Once your file is linked to a synchronized location, StackEdit will periodically synchronize it by downloading/uploading any modification. A merge will be performed if necessary and conflicts will be resolved.</p><p>If you just have modified your file and you want to force syncing, click the <strong>Synchronize now</strong> button in the navigation bar.</p><blockquote>
<p><strong>Note:</strong> The <strong>Synchronize now</strong> button is disabled if you have no file to synchronize.</p>
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<p><strong>ProTip:</strong> You can disable any <strong>Markdown extension</strong> in the <strong>File properties</strong> dialog.</p>
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<p>You can find more information about <strong>LaTeX</strong> mathematical expressions <a href="http://meta.math.stackexchange.com/questions/5020/mathjax-basic-tutorial-and-quick-reference">here</a>.</p>
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    </item>
    <item>
      <title>Welcome file</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l478-welcome-file</guid>
      <pubDate>Sat, 11 Dec 2021 11:25:59 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/12/2021</p><p>Hi! I’m your first Markdown file in <strong>StackEdit</strong>. If you want to learn about StackEdit, you can read me. If you want to play with Markdown, you can edit me. Once you have finished with me, you can create new files by opening the <strong>file explorer</strong> on the left corner of the navigation bar.</p><p>StackEdit stores your files in your browser, which means all your files are automatically saved locally and are accessible <strong>offline!</strong></p><h2>Create files and folders</h2><p>The file explorer is accessible using the button in left corner of the navigation bar. You can create a new file by clicking the <strong>New file</strong> button in the file explorer. You can also create folders by clicking the <strong>New folder</strong> button.</p><h2>Switch to another file</h2><p>All your files and folders are presented as a tree in the file explorer. You can switch from one to another by clicking a file in the tree.</p><h2>Rename a file</h2><p>You can rename the current file by clicking the file name in the navigation bar or by clicking the <strong>Rename</strong> button in the file explorer.</p><h2>Delete a file</h2><p>You can delete the current file by clicking the <strong>Remove</strong> button in the file explorer. The file will be moved into the <strong>Trash</strong> folder and automatically deleted after 7 days of inactivity.</p><h2>Export a file</h2><p>You can export the current file by clicking <strong>Export to disk</strong> in the menu. You can choose to export the file as plain Markdown, as HTML using a Handlebars template or as a PDF.</p><p>Synchronization is one of the biggest features of StackEdit. It enables you to synchronize any file in your workspace with other files stored in your <strong>Google Drive</strong>, your <strong>Dropbox</strong> and your <strong>GitHub</strong> accounts. This allows you to keep writing on other devices, collaborate with people you share the file with, integrate easily into your workflow… The synchronization mechanism takes place every minute in the background, downloading, merging, and uploading file modifications.</p><p>There are two types of synchronization and they can complement each other:</p><ul>
<li>
<p>The workspace synchronization will sync all your files, folders and settings automatically. This will allow you to fetch your workspace on any other device.</p>
<blockquote>
<p>To start syncing your workspace, just sign in with Google in the menu.</p>
</blockquote>
</li>
<li>
<p>The file synchronization will keep one file of the workspace synced with one or multiple files in <strong>Google Drive</strong>, <strong>Dropbox</strong> or <strong>GitHub</strong>.</p>
<blockquote>
<p>Before starting to sync files, you must link an account in the <strong>Synchronize</strong> sub-menu.</p>
</blockquote>
</li>
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    </item>
    <item>
      <title>Cristianismo Moderno</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l477-cristianismo-moderno</guid>
      <pubDate>Sat, 11 Dec 2021 08:40:29 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/12/2021</p><p><strong>Sumário</strong></p><p>1 O período moderno</p><p>2 Os descobrimentos e a expansão da cristandade</p><p>3 A evangelização de populações não cristãs</p><p>3.1 Os ameríndios</p><p>3.2 Os povos da África</p><p>3.3 A escravidão colonial e o catolicismo</p><p>4 As Reformas</p><p>4.1 As reformas protestantes</p><p>4.2 As Igrejas Cristãs</p><p>4.3 Reforma Católica</p><p>4.4 Novas e velhas ordens e congregações</p><p>5 A religiosidade popular latino-americana</p><p>6 Referências bibliográficas</p><p><strong>1 O período moderno</strong></p><p>No alvorecer do que chamamos período moderno (a partir do século XV), uma série de instâncias da vida social, econômica e política mudou drasticamente. Desde o cisma gerado pelo papado em Avinhão, a autoridade dos papas vinha sendo minada pelo desejo de autonomia dos soberanos nacionais em seus Estados em formação. Esta transformação política, que substitui a descentralização característica do sistema feudal por uma centralização, extrapola a esfera da política estatal e se desdobra em outras áreas. Exemplos da ação do Estado em outras esferas são o mercantilismo econômico, que se baseia na prerrogativa real de estruturar a economia por meio da concessão de monopólios e a preservação de estancos reais; e o controle que, progressivamente, os monarcas exerceram sobre o catolicismo ou sobre o processo de Reforma nos seus domínios (liderando, como na Inglaterra, administrando, como na França, ou impedindo, como no caso dos Ibéricos). É possível pensar que até mesmo a geografia e a demografia mudaram abissalmente com a integração das Américas e da África no sistema político, econômico e religioso do Ocidente moderno.</p><p>Tal período se finda com o advento do liberalismo republicano, sendo esse filho da Ilustração que tem início ainda no século XVII, com filósofos como John Locke e Thomas Hobbes, na Inglaterra. Esses pensadores acabam por romper com a aura divina que legitimava o poder dos reis absolutistas. Em seus textos, o governo monárquico surge como uma necessidade da vida em sociedade – Hobbes – e as distinções nobiliárquicas não mais são produzidas por diferenças inatas, mas construções sociais – Locke. O trabalho desses filósofos vai preparar e ajudar a fundamentar o pensamento iluminista do século seguinte. Embora pouco se diga sobre isso, os dois grupos, ingleses do século XVII e franceses do XVIII, operam com conceitos que já eram usados por teólogos do século XVI, como o dominicano Francisco de Vitória, considerado o fundador do direito internacional, e o jesuíta Luís de Molina (ZERON, 2011, p.203 et seq.). Ambos, assim como outros teólogos de sua época, operavam largamente com a ideia de direitos naturais, como direitos inerentes a todos os homens. Os jesuítas foram inclusive acusados de propagandear o regicídio, por defenderem o direito de se opor à tirania, o que sem dúvida contribuiu para a sua supressão. (ANDRÉS-GALLEGO, s.d., p.168 et seq.)</p><p><strong>2 Os descobrimentos e a expansão da cristandade</strong></p><p>O período moderno foi, sem dúvida, marcado pela mudança no escopo de relações da cristandade com o mundo externo a ela. Se nos primórdios do cristianismo e no medievo o palco de tais relações foi o Mediterrâneo, agora os espaços privilegiados para estes encontros serão o Atlântico e o Índico. Será por aí que as trocas mercantis e culturais passarão a acontecer com uma frequência cada vez maior. Novos povos serão conhecidos, uma nova geografia será desenhada e novos desafios ao cristianismo também aparecerão.</p><p>Os novos contatos serão, na verdade, fruto de velhos conhecidos. A expansão europeia se inicia com os portugueses a partir da expulsão dos mouros que habitavam seu território na península Ibérica havia cerca de sete séculos. Daí para Ceuta, em 1415, já apresentando o padrão de conjunção da ação militar, com a expansão da fé e os objetivos mercantis que marcaram as conquistas da modernidade ibérica. Ceuta, uma praça comercial de grande importância no extremo norte da África, no estreito de Gibraltar, era a confluência entre o mar conhecido e o novo, uma espécie de esquina entre a península e as novas possibilidades africanas. Foi, por isso mesmo, a ponta de lança para a busca de novas regiões com ganhos potenciais mais ao sul. Passava-se assim dos mouros aos povos animistas, também chamados de pagãos.</p><p>Mas foi sem dúvida com o infante D. Henrique, o navegador, que a expansão lusitana teve seu maior impulso. Esse filho do rei D. João I, o fundador da dinastia de Avis (1385-1581), foi o articulador da tomada de Ceuta e da consequente série de conquistas que lhe sucedeu. Na sequência vieram: as ilhas do Atlântico (arquipélago da Madeira, os Açores e outras ilhas menores) e a passagem do cabo Bojador por Gil Eanes em 1434, depois foram a foz do rio Senegal e o arquipélago do Cabo Verde em 1456. Seu nome aparece explicitamente na bula <em>Romanus Pontifex</em>, de Nicolau V, datada de 1455, que, ainda impregnada do espírito das Cruzadas, lhe autoriza a conquista militar como mecanismo para a expansão da fé sobre os sarracenos (muçulmanos) e outros infiéis (povos animistas subsaarianos).</p><p>Pelo Mediterrâneo, o comércio dos artigos vindos da Ásia era monopólio de italianos desde a quarta cruzada (1202-1204), quando foi fundado o reino latino de Constantinopla – hoje Istambul. Assim, a Europa era, na primeira metade do século XV, inundada de produtos vindos da África, pela península Ibérica, e da Ásia, pela península Itálica. No entanto, este quadro muda drasticamente depois que os turcos do Império otomano conquistam a praça mercantil de Constantinopla em 1453, data que foi usada por muito tempo como marco fundamental da passagem do medievo para a idade moderna. Deste momento em diante, a incerteza do abastecimento e a elevação dos preços tomaram conta dos principais mercados consumidores de produtos asiáticos (especiarias, louças, sedas e outros produtos finos).</p><p>Abre-se, assim, a demanda por novas rotas comerciais para o Oriente, seja pelo Atlântico sul – passando o Cabo das Tormentas –, com os portugueses, seja buscando a circum-navegação da terra com os espanhóis. Esses últimos, por terem concluído o processo de expulsão dos mouros e a unificação das casas de Aragão e Castela somente em 1492, ano em que a mesquita de Córdoba cai em mãos espanholas, estavam em considerável desvantagem frente aos lusitanos. Certamente por isso, a Coroa espanhola apostou uma pequena soma de dinheiro, se comparada aos vultosos gastos da corte madrilena, numa expedição de três embarcações chefiada por Cristóvão Colombo, que partiu rumo ao ocidente naquele mesmo ano.</p><p>O objetivo da expedição de Colombo era chegar ao reino do grande Kan, apresentado por Marco Polo em suas crônicas. O plano era simples, chegar ao paralelo das ilhas Canárias, marco divisório do oceano Atlântico entre portugueses e espanhóis desde o Tratado de Alcáçovas, de 1479, e seguir para oeste até as chamadas Índias. A base dos cálculos de Colombo estava completamente equivocada. Sobre isso, aliás, o advertiram os geógrafos da Universidade de Salamanca. É preciso que se diga que, não obstante sejam estes estudiosos católicos frequentemente apresentados como equivocados e curtos de entendimento frente ao visionário Colombo, a realidade foi bem outra. Longe de acreditarem que a terra era plana, os professores de Salamanca se apoiavam nos cálculos de Eratóstenes, da Grécia antiga, que calculou a linha em torno do equador como equivalente a cerca 40.000 km (a medida exata é 40.072 km). Enquanto Colombo se apoiava em cálculos feitos Ptolomeu de Alexandria, que usou um método que o induziu ao erro e chegou a um valor cerca de 20% menor que o de Eratóstenes. Logo, o debate que antecedeu a partida das embarcações rumo ao oriente pelo ocidente era sobre a viabilidade da viagem em termos da sua duração; do tempo que ficariam à mercê dos ventos e ondas, sem água potável e sem entrepostos de abastecimento. No entanto, foi a partir deste equívoco que os europeus contataram uma nova gama de populações com indivíduos genericamente chamados de “índios”, já que, comprovando o equívoco cometido pelo célebre navegador, esse julgou ter chegado ao arquipélago do Japão (toda a porção do mundo a leste de Jerusalém era designada pelo termo Índias).</p><p>De qualquer maneira, um fato merece destaque: a expansão da fé católica, ainda nos moldes das Cruzadas, sempre esteve presente nas viagens da Expansão Ibérica; da autorização papal às dezenas de menções à fé e a Deus no diário de Colombo, há fartas evidências de que a ampliação do mundo cristão, pelo crescimento dos domínios dos Reis católicos, sempre pairou no imaginário e nos corações dos envolvidos neste processo.</p><p><strong>3 A evangelização de populações não cristãs</strong></p><p><em><strong>3.1 Os ameríndios</strong></em></p><p>O processo de colonização foi marcado por uma série de ambiguidades, o interesse na colonização foi apenas uma delas. Por um lado muitos europeus que desembarcaram na América vieram imbuídos do ideal de obtenção de ganhos materiais e sociais, como títulos e cargos na governança do Novo Mundo, usando como pano de fundo a expansão da fé católica como autorizava Nicolau V. Por outro, a Bula <em>Sublimis Deus<a href="http://teologicalatinoamericana.com/?p=596#_ftn1"><strong>[1]</strong></a></em>, do papa Paulo III, de 1537, o mesmo que referendou o instituto da Companhia de Jesus, apontava para outra diretriz geral para o contato com os habitantes das novas terras. Segundo essa bula, a vida, a liberdade e as propriedades de todos os povos contatados pelos europeus deveriam ser preservadas e o processo de conversão só poderia ser feito pela pregação e bom exemplo. Assim, desembarcam na América conquistadores e missionários com percepções distintas da terra e dos habitantes e com objetivos igualmente distintos para esses.</p><p>No caso da América espanhola, ainda que os jesuítas tenham tido um papel importante, os primeiros missionários a chegarem foram os padres das ordens mendicantes, em especial os franciscanos. No entanto, foram os frades dominicanos, especialmente Pedro de Córdoba, Antonio Montesinos, Julián Garcés (bispo de Tlaxcala) e Bartolomé de las Casas, os que mais se notabilizaram na defesa da vida e da liberdade dos indígenas, com que se preocupava o papa Paulo III. Os dois primeiros viajaram a São Domingos, na ilha <em>La Española</em>, em 1510, fundando a primeira casa da ordem nas Américas. Foi exatamente uma pregação duríssima em favor dos índios, proferida pelo frei Antonio de Montesinos em nome de todos os seus companheiros, em 1511, que impactou las Casas.</p><p>Este, até então, havia participado de combates contra grupos indígenas que resultaram na morte de dezenas de espanhóis e de milhares de nativos, possuíra índios como escravos (na verdade, em <em>encomienda</em>, uma modalidade de trabalho não remunerado imposta aos indígenas), não obstante já se dedicasse ao trabalho de evangelização e batismo da população local. Segundo Carlos Josaphat, na própria avaliação que las Casas faz dos resultados da prédica de Montesinos, ele os coloca em uma espécie de gradação: “houve quem ficasse ‘atônito’, outros ‘empedernidos’ e uns poucos ‘compungidos’, mas ninguém convertido” (JOSAPHAT, 2000, p.59). Se isto de fato ocorreu, las Casas estava ao menos entre os compungidos, já que não tardou para que se convertesse em grande defensor dos povos nativos da América.</p><p>A crença que perdurou desde o século XIX até bem pouco tempo, de que os povos poderiam ser classificados entre avançados e primitivos, foi largamente utilizada para explicar o fenômeno da conquista. Só dos anos 1980 para cá é que os pesquisadores – historiadores, sociólogos e antropólogos – se despiram do velho mito eurocêntrico que aferia o grau de evolução de cada cultura pela semelhança que esta guardava com a cultura ocidental coeva. A grande questão historiográfica a ser respondida era como um grupo tão pequeno de colonizadores pôde dizimar uma população tão grande de nativos (ROMANO, 1972, p.97-106). Na verdade, isso pouco tem a ver com o fato de algumas culturas possuírem Estado com poder coercitivo e outras não. Se deve muito mais à característica americana de sua população não se constituir uma totalidade, portanto se organizam em grupos que possuem interesses específicos e, para alcançá-los, estabelecem estratégias próprias, como alianças com os colonizadores. Isso aconteceu com os povos tributários dos astecas repetindo-se, de modo semelhante por toda a América, inclusive nas alianças entre franceses e tamoios, na baía de Guanabara. Nesse cenário de diversidade e conflitos, potencializado pela presença de europeus interessados em tirar proveito das disputas entre os povos nativos, é que atuaram os missionários; ora de maneira pacífica, ora ampliando um dos lados beligerantes, em nome do que acreditavam ser a implantação da fé numa terra à mercê do demônio. Era uma equação simples: perder corpos (inclusive os seus) e salvar almas (inclusive as suas).</p><p>Quando os jesuítas chegaram à América espanhola encontraram toda uma obra de catequese e conversão dos indígenas que já vinha sendo empreendida pelos mendicantes. No caso dos domínios portugueses, os missionários da Companhia de Jesus foram os protagonistas nesse processo de cristianização. No Brasil, os membros das ordens mendicantes atuaram em menor escala. Sabe-se apenas que o celebrante da primeira missa no Brasil, e portanto capelão na esquadra cabralina, era o bispo franciscano Dom frei Henrique de Coimbra, que ia como missionário para Calicute.</p><p>Já os padres jesuítas chegaram junto com o primeiro governador-geral Tomé de Souza, em 1549. Era um grupo pequeno liderado pelo padre Manuel da Nóbrega, que imediatamente começou a percorrer as aldeias catequisando e batizando os índios. Atendendo a um pedido de Nóbrega, então já ciente do tamanho da tarefa evangelizadora, alguns anos mais tarde, quando chega o segundo governador-geral Duarte da Costa, aporta um novo grupo com José de Anchieta. Este novo grupo se desloca para o sul, em direção à capitania de São Vicente, fundando ali o colégio São Paulo de Piratininga.</p><p>Segundo se percebe nas cartas enviadas pelos missionários, a evangelização destes povos tinha uma curta duração, consistindo em uma efusiva aceitação inicial, seguida do completo abandono tão logo os padres se ausentavam da tribo (CASTELNAU-L’ESTOILE, 2006, p.109). A solução para esse dilema da “vinha estéril” foi a criação do aldeamento. Por meio dos chamados descimentos e de adesões voluntárias ou pressionadas pelo risco da escravização pelos bandeirantes, os índios se integravam em comunidades controladas pelos padres jesuítas, constituindo um espaço de civilização e ordem, que garantia uma maior durabilidade da sua cristianização. Nos aldeamentos, os nativos se organizavam em torno da liderança dos padres da Companhia, passando a adotar os hábitos cristãos, aprendendo ofícios e se sedentarizando. Este conjunto de elementos representava, na ótica dos padres, o suporte para uma conversão mais duradoura.</p><p>As missões jesuíticas ficaram famosas como lugares de abrigo para a população indígena no Brasil, mas eram frequentemente fornecedoras de força militar e de trabalho alugada pelos padres às Câmaras municipais, aos particulares que solicitassem ou às outras ordens que necessitassem. Na expulsão dos franceses que resultou na fundação da cidade do Rio de Janeiro, em 1555, os índios aldeados foram de suma importância do ponto de vista militar. Do mesmo modo, os índios aldeados pelos jesuítas na região amazônica, desde a primeira metade do século XVII, compuseram a mão de obra predominante na coleta das chamadas drogas do sertão. Nos séculos XVII e XVIII, a produção artística dos índios aldeados em várias partes da América – escultura, pintura, música e confecção de instrumentos musicais –, que inicialmente era apenas um dos mecanismos da catequese, foi adquirindo características próprias, passando a ser conhecida como arte missioneira ou barroco missioneiro. Uma das características desta arte é a influência de elementos estéticos indígenas nas produções. Com a expulsão dos jesuítas do Império português em 1759 e no Império espanhol em 1767, as missões foram entregues a outras ordens – em geral mendicantes – ou a administradores civis.</p><p><em><strong>3.2 Os povos da África</strong></em></p><p>Tanto os missionários mendicantes quanto os padres da Companhia de Jesus atuaram nas repetidas tentativas de cristianização da África. Os resultados deste processo variaram muito, de região para região, sempre com avanços e retrocessos. Para que se possa abordar minimamente esta história é preciso compreender que a África é um continente extremamente vasto e que seus habitantes são diferentes de região a região e de povo a povo. Há pelo menos duas grandes matrizes religiosas na África, mas uma imensidão de possibilidades de combinações e interações entre elas: a islâmica e a animista. A islâmica se instalou com a expansão do islã pelo norte do continente e posteriormente com as vagas de expansão intracontinental através do Saara. Já a animista, mais característica dos povos subsaarianos, é profundamente ligada à natureza e aos seus fenômenos, atribuindo-lhes espíritos. Além disso, incorpora elementos sociais divinizados, como líderes, guerreiros ou personalidades muito marcantes, que, junto com os mitos de criação e construção do mundo, vão compor o panteão dos orixás. Com isso pode-se compreender a imensa tarefa de cristianizar uma área que é quase quatro vezes maior que o Brasil de hoje. Vamos apresentar, apenas a título de exemplo, os casos de Angola, Congo e Guiné, regiões que mais sofreram os efeitos dos contatos com os europeus, dentre os quais se destaca deploravelmente o tráfico de escravos.</p><p>As facilidades ou dificuldades para a evangelização da costa sul-ocidental do continente que hoje é a da Angola, derivou das alianças entre portugueses e os chefes locais <em>sobas</em>, subordinados ao grande soberano Ngola, que governava o reino Ndongo. Essas alianças tinham como fundamento tanto os ganhos políticos e comerciais, quanto os interesses religiosos. Segundo a conveniência do momento, os <em>sobas</em> se convertiam ao catolicismo ou voltavam ao animismo, ou ainda se aproximavam dos reformados. Um dos maiores interesses na proximidade com os sobas é que, devido à grande autonomia com que governavam seus territórios, eram eles que controlavam grande parte do tráfico de escravos de Angola para a América. Sua conversão sempre foi vista com certa desconfiança pelos jesuítas, posto que, com grande frequência, não era duradoura.</p><p>Os portugueses chegaram à costa do Congo nos primeiros anos do século XVI, dando início ao processo de evangelização da região. Na <em>Cronica d’el Rei D. João II</em>, de aproximadamente 1502, seu autor Rui de Pina relata que tanto o chefe local <em>mani Soyo</em>, com alguns dos seus ministros, como chefe da região, o <em>mani Congo</em>, com muitos seguidores, aceitaram o batismo e a fé católica prontamente, dando origem a todo um processo sincrético que envolve não apenas religião, mas também política e alianças comerciais. Para começar, muitos autores, como Marina Melo de Souza, acreditam que a cruz já era para a cultura do congo um símbolo místico e divinatório, o que facilitaria a absorção do crucifixo católico como símbolo religioso, bem como a associação das imagens de santos e terços aos <em>minkisi</em>, denominação genérica de objetos mágicos ou de culto religioso naquela região (SOUZA, 2005). Outra mostra desta simbiose é que, a partir de 1509, os soberanos congoleses passaram a ostentar nomes portugueses associados aos seus.</p><p>No caso da Guiné, ainda mais ao norte, o jesuíta Baltazar Barreira, responsável pela missão de Angola e fundador do colégio de Cabo Verde, assume no princípio do século XVII a missão de evangelizar o povo daquelas terras. Barreira e seus companheiros enfrentaram a concorrência dos <em>bexerins</em>, como eram chamados os sacerdotes islâmicos, e dos <em>jambacouse</em>, como eram designados os sacerdotes locais, incumbidos de identificar os feiticeiros e comedores de almas que, segundo a crença local, produziam doenças e mortes. Como não poderia deixar de ser, com tantas matrizes religiosas disputando espaço nos corações e mentes dos habitantes, o sincretismo foi tal que, em pouco tempo, os jesuítas passaram a ser chamados de bexerins dos cristãos (SANTOS, 2011, p.187-213). Ali também, relatou Barreira, a gente cristã, pela pouca doutrina e pelo muito contato com os animistas, facilmente voltava aos seus antigos cultos. Além desta concorrência, havia os problemas com o tráfico de escravos. Os sacerdotes animistas e os bexerins também funcionavam como agenciadores e atravessadores no comércio de escravos transaariano, que levava escravos – principalmente mulheres como futuras esposas – para as regiões islâmicas (LOVEJOY, 2011, p.32). Tudo isso se soma ainda ao tráfico de escravos para a América, que gerava muitas críticas dos jesuítas aos demais religiosos católicos, acusando-os de não pregarem, nem catequizarem, apenas traficarem. No entanto, os padres jesuítas também possuíam escravos. Embora pouco se saiba quantitativamente da participação desses no comércio de africanos, é certo que esta houve. De modo geral, a alta mortalidade de sacerdotes, a concorrência com outros grupos religiosos mais bem estruturados e respaldados pela sociedade local, além do parco investimento da Coroa portuguesa, pode explicar o relativo fracasso da missão de converter os africanos no litoral atlântico.</p><p>De modo geral, a presença europeia na África foi, como no início da colonização na América, costeira. O cristianismo, enlaçado no mesmo processo, também. A diferença é que, na América, progressivamente a colonização foi se interiorizando. Ocupando, ainda que parcamente, áreas cada vez mais ao interior, levava consigo a catequese e a Cruz, fenômeno que não se deu na África, onde o principal interesse era a administração de áreas litorâneas para controlar o comércio, principalmente o de escravos.</p><p><em><strong>3.3 A escravidão colonial e o Catolicismo</strong></em></p><p>É preciso que se esclareça, antes de abordar tão delicado assunto, que durante boa parte de sua vigência a escravidão não apenas era legal, bem como moralmente lícita. Isso não implica dizer que, vista dos dias de hoje, se possa considerá-la, ou a qualquer condição de trabalho análoga a ela, minimamente aceitável. O que se constata aqui é restrito ao período que se encerra na metade do século XIX, senão antes. Esta constatação se faz necessária para compreendermos como era possível que escravos alforriados também comprassem escravos para trabalharem em seu lugar, e como um grupo pequeno de feitores poderia controlar uma quantidade de escravos, não raras vezes, dez vezes maior.</p><p>Antes que se pense em passividade, é preciso considerar a autonomia que estas pessoas escravizadas tinham de estipular suas próprias estratégias cotidianas, que não eram necessariamente a clara revolta e o recurso à violência, embora as inúmeras rebeliões de escravos atestem ser este recurso viável não apenas para os senhores, mas também para os escravos. Porém, o número de vezes em que os escravos recorreram à violência da rebeldia foi muito menor do que o número de vezes em que o cálculo de perdas e ganhos levou-os a tomarem outro caminho, por certo menos arriscado. Deve-se considerar que, frequentemente, historiadores e outros autores colocam nas cabeças e bocas de personagens históricos discursos que só chegaram a eles muito depois. No caso da escravidão, o conceito iluminista de liberdade só aportou na América para os letrados entre o final do século XVIII e o início do século XIX, e significava a autonomia econômica e o direito à participação política. O significado da liberdade muda com o passar do tempo. Assim, quando falamos de escravidão colonial estamos tratando de um costume ou regra tácita da sociedade que a perpassava de alto a baixo. Muitas rebeliões foram apaziguadas quando certas condições de trabalho foram estabelecidas (REIS e SILVA, 1989, p.103).</p><p>É a essa escravidão que os textos do clero colonial católico se referem. De fato, não são textos libertários, e nem teriam como sê-lo. Estariam mais bem classificados como utópicos, que lidam com uma escravidão em que o senhor desempenha funções paternas: ensinar, tutelar, alimentar e corrigir. Veja-se o que diz o jesuíta Jorge Benci, em seu livro intitulado <em>Economia Cristã dos Senhores no Governo dos Escravos</em>, escrito pelos idos de 1700: “Deve o senhor ao servo o pão para que não desfaleça” (BENCI, 1977, p.53). No primeiro dos quatro discursos do livro, o autor coloca sob a rubrica <em>pão</em> uma série de obrigações do senhor para com o seu escravo: comida, vestimenta e cuidados na enfermidade. No segundo discurso, a argumentação começa com a seguinte afirmação: “como os servos são criaturas racionais, que constam de corpo e alma, não só deve o senhor dar-lhes o sustento corporal para que não pereça o seu corpo, mas o espiritual para que não desfaleçam suas almas” (BENCI, 1977, p.83). Isso nos permite perceber que o mito afirmando que o clero católico defendia a teoria de que os escravos não tinham alma é completamente infundado. O esforço do clero católico em catequisar, coerentemente às suas crenças, batizar, casar sacramentalmente e sepultar segundo o rito cristão os escravos, é evidência mais que bastante para mostrar que a postura geral entre o clero católico era bem oposta a essa. Ademais, Benci também chama veementemente a atenção dos senhores a respeito da sua obrigação religiosa para com os seus escravos.</p><p>O pensamento colonial católico acerca da escravidão parece ter tido início com Alonso de Sandoval, reitor do colégio jesuítico de Cartagena de las Índias (1605-1617). Em seu livro <em>Um tratado sobre a escravidão</em>, apresenta um longo estudo voltado para a compreensão e o ensino dos povos recém-chegados da África ao porto de Cartagena. Na verdade, mais que um programa catequético, Sandoval desenvolve uma verdadeira “soteriologia” dos escravizados. O primeiro passo desta “soteriologia” foi classificar todos os negros africanos e das ilhas do Índico como etíopes, que já eram associados à descendência de Cam, amaldiçoada pelo pecado deste contra seu pai, Noé. Daí se desenvolve o pensamento de Sandoval, apontando que, segundo Isidoro de Sevilha, na divisão do mundo a África correspondia aos descendentes de Cam. Portanto, a escravidão nos moldes cristãos, onde os senhores assumem funções paternais para com seus escravos, representaria a redenção da maldição de Cam. Isso por representar a inserção dos “etíopes” no novo povo eleito: a Igreja.</p><p>Também em Cartagena de las Índias, atuou São Pedro Claver que ali viveu e evangelizou durante quase toda a primeira metade do século XVII. Na região portuária da cidade, acolhia, alimentava e confortava os africanos escravizados que desembarcavam, sem medir gastos (SPLENDIANI e ARISTIZABAL, 2002, p.86). Aferia os conhecimentos doutrinários, para checar se haviam sido batizados na África e se tal batismo era válido<a href="http://teologicalatinoamericana.com/?p=596#_ftn2">[2]</a>, catequizava a todos e batizava, ocasionalmente “sob condição”, os escravizados, colocando em seus pescoços uma medalhinha de chumbo, que de um lado tinha a face de Jesus e no outro a de Maria, para poder reconhecer os seus batizados na cidade. Em seu processo de beatificação consta que tinha constantes desentendimentos com as senhoras da cidade, por recolher pelas ruas e praças os negros para a celebração da missa, apesar do mau cheiro que esses exalavam, por suas feridas e precárias condições de higiene que lhes eram impostas (SPLENDIANI e ARISTIZABAL, 2002, p.90 et seq.).</p><p><strong>4 As Reformas</strong></p><p>O termo reforma, embora de conteúdo semântico pouco delimitado, foi utilizado durante toda a Idade Média como o chamado à mudança e à correção tanto dos fiéis, no sentido da conversão e santidade, quanto da correção dos problemas de disciplina e ética dentro do clero católico. Em vários contextos medievais o uso do termo reforma esteve vinculado à busca da purificação e da santificação dentro da Igreja. Somente após o surgimento e a afirmação política do movimento luterano é que o termo ganha aspecto de ruptura.</p><p>Tradicionalmente, o fenômeno da emergência da Reforma Protestante vem sendo explicado a partir de suas causas internas. As mais antigas vias historiográficas situam em Lutero e nas 95 teses publicadas na catedral de Wittenberg o foco explicativo da Reforma. Posteriormente, a historiografia marxista incorporou a venda das indulgências do clero alemão, extrapolando o fenômeno como prática generalizada do catolicismo, e transformou Lutero numa espécie de revolucionário lançando-se contra as estruturas opressivas do poder financeiro eclesiástico. Tanto em uma quanto em outra vertente, o peso da ruptura recaía totalmente nos desvios e “abusos” comportamentais do clero católico.</p><p>No entanto, para uma melhor compreensão do fenômeno, as razões do surgimento e da afirmação da Reforma devem ser pensadas de modo mais amplo. Em primeiro lugar, os “abusos” do clero não são causa suficientes para a Reforma, afinal o movimento reformador já existia dentro da própria Igreja desde a Idade Média e nunca se tinha visto grupos que propusessem rupturas na proporção que começa a se ter a partir de vozes como Lutero e os anabatistas. Além disso, as principais referências a abusos nos textos dos reformadores são relativas a práticas litúrgicas e costumes católicos, como a comunhão em apenas uma espécie, e não sobre as eventuais práticas privadas do clero. Muitos críticos não eram separatistas, como Erasmo de Roterdã, por exemplo. Por último, pode-se pensar que, alguns anos mais tarde quando a Reforma Católica corrigiu grande parte dos desvios de conduta generalizados entre clérigos, os reformadores não propuseram o retorno (DELUMEAU, 1989, p.59 et seq.).</p><p>Certamente as causas mais profundas da Reforma estão ligadas às angustias coletivas do final do medievo. A principal delas era a morte e a consequente ida para o inferno. Não por acaso, os concílios na baixa Idade Média – Lyon (1274) e Florença (1438-1445) – e no início da era moderna – Trento (1545-1563) – se ocupam deste ponto doutrinário. Fenômenos como a peste negra, a guerra dos Cem Anos, o Grande Cisma no Ocidente, que gerou três homens alegando serem o verdadeiro papa, a ameaça dos turcos otomanos, foram, enfim, uma série de problemas que abalaram e desorientaram as consciências do europeu em geral. O horror ao pecado e o medo da morte foram algumas das consequências deste processo, para o qual a solução apresentada pelas correntes reformadoras era mais acessível se comparada ao purgatório católico.</p><p>De fato, pela teologia reformada, o pessimismo dominante gerava uma solução simplificada para o binômio pecado/inferno: a Graça advinda da fé, que era bastante e suficiente para tornar justo o homem, por si só inerentemente pecador. A novidade dos reformadores era propor uma fé individual que resgatasse individualmente do pecado. Consequência deste postulado era que cada indivíduo era seu próprio sacerdote, reduzindo ao mínimo a eclesiologia e praticamente extinguindo os ministérios ordenados. Como muitos sacerdotes possuíam vida condenável, e desde a propagação da <em>Devotio Moderna</em> muitos leigos buscavam uma vida santificada, a ideia reformada de um sacerdócio universal não foi difícil de ser propagada. De igual modo, a leitura do texto bíblico, que neste período já não era rara fora do ambiente litúrgico, também passa a ser de individual direção. Como aponta Jean Delumeau (1989, p.78), “os reformadores não ‘deram’ aos Cristãos os livros santos traduzidos em língua vulgar que a Igreja teria anteriormente lhes recusado”. O que aconteceu é que a profusão de cópias em línguas diferentes do latim gerou a familiaridade e o desejo de ler e interpretar as Sacras Letras.</p><p><em><strong>4.1 As reformas protestantes</strong></em></p><p>O fenômeno das reformas posteriormente chamadas de protestantes não teve início com Lutero, mas sem dúvida alguma teve nele seu primeiro grande protagonista. O frei agostiniano Martinho Lutero, que ingressou na ordem como cumprimento de uma promessa quando em perigo de morte, tornou-se um monge diligente e escrupuloso. Provavelmente já lhe atormentava a consciência a grande questão que o levaria à ruptura com o catolicismo: a justificação do homem. Ademais de uma miríade de críticas comportamentais, como a cobrança pelas indulgências praticada por parte do clero de sua própria terra, a grande questão de Lutero sempre foi a da salvação ou danação das almas, o que era uma questão comum à época. No fundo, as normalmente supervalorizadas noventa e cinco teses publicadas na catedral de Wittenberg e a viagem a Roma não estão no centro da Reforma Luterana. Ao contrário do que muitos autores afirmam, Jean Delumeau, baseado em textos do próprio Lutero, diz que “esta viagem a Roma não parece ter sido determinante na evolução interior” do futuro reformador (DELUMEAU, 1989, p.86). Já sobre as teses que foram copiadas e impressas por toda a Europa é preciso notar que, quando inquirido sobre essas no capítulo dos Agostinianos reunido em Heidelberg (abril de 1518), Lutero deu menos importância à questão das indulgências do que à sua doutrina sobre a justificação (DELUMEAU, 1989, p.90). A visão do agostiniano alemão era fortemente marcada por uma leitura pessimista da obra de Santo Agostinho, decalcando no ser humano uma total inoperância contra o pecado, ficando esse, então, à mercê da Graça divina e nada mais. Assim, irremediavelmente pecador, o homem, enquanto indivíduo, só teria uma solução: a fé individual. Nas palavras do próprio Lutero: “O livre-arbítrio depois da queda não é mais que uma palavra vã; fazendo-lhe o que é possível o homem peca mortalmente” (DELUMEAU, 1989, p.106).</p><p>Desse modo, persistindo na sua doutrina da justificação possível apenas pela fé, Lutero abre as portas para outros pensadores proporem doutrinas autônomas e estabelecerem confissões próprias. E foi exatamente o que fez o humanista francês João Calvino. Por insistência do pai formou-se, inicialmente, em direito. Com a morte desse, torna-se teólogo em Paris, todavia não sendo ordenado sacerdote. Aderiu à Reforma e por isso foi expulso de Paris junto com outros huguenotes. Seguiu para Basiléia e depois para Genebra, onde se estabeleceu. O marco inicial da doutrina calvinista foi a publicação, em 1536, ainda em Basileia, da sua obra <em>Institutio Religionis Christianae</em>, onde começa a se apresentar efetivamente como reformador. Nela Calvino segue a eclesiologia luterana, ensinando que a Igreja é o conjunto dos eleitos, cujos nomes só Deus conhece, sendo portanto essencialmente invisível. Mas em uma edição posterior (1541), apresentará a Igreja visível como alvo de grande estima e obrigatória comunhão. Dada a sua percepção de uma distância incomensurável entre Deus e o homem, fomenta a iconoclastia, reafirmando que apenas as Escrituras podem oferecer um caminho para conhecer Deus. Partilhando do pessimismo do reformador de Wittemberg, Calvino amplia a sua reflexão quando publica, em 1552, um tratado sobre a predestinação, explorando a premissa de que Deus concede a sua graça a quem assim o desejar. Os grupos que aderem ao calvinismo abraçam a predestinação, porque Deus escolhe a quem dá a sua Graça e que, consequentemente, será salvo. Aos que não foram eleitos para a salvação só restaria o inferno. Como nesta doutrina uma das maneiras de tornar perceptível ao mundo o grupo dos eleitos era frutificar o trabalho diligente e o comportamento austero em riquezas, esta crença se figurava muito atraente aos burgueses – principalmente aos financistas –, que eram tidos como pecadores pelo catolicismo.</p><p>A última das três grandes vertentes de reformadores é a anglicana. O rei Henrique VIII era um católico fervoroso, tendo até mesmo chegado a escrever um manifesto contra os erros de Lutero. Ao que parece, esta devoção só se sustentou enquanto o rei acreditava que o papa lhe seria sempre favorável. Quando o papa Clemente VII negou o pedido de anulação do casamento para o qual Henrique havia pedido licença a Júlio II, o rei percebeu que não tinha em Clemente o aliado incondicional de que necessitava. Para ele, era necessário um segundo matrimônio na busca por um herdeiro masculino, que evitaria o retorno das guerras e conflitos pelo trono inglês. Daí surge a ruptura da Inglaterra, por uma lei – o Ato de Supremacia (1534) – sem nenhuma questão teológica ou disciplinar a propor ao catolicismo. Esta reforma era meramente uma questão de obediência e jurisdição. Ao rei cabia, a partir de então, a dupla jurisdição que tantos conflitos causara na Idade Média: a temporal e a religiosa, a mitra e a coroa repousando na mesma cabeça.</p><p><em><strong>4.2 As Igrejas Cristãs</strong></em></p><p>Como consequência do movimento reformista iniciado no século XVI, o que se observa no cenário religioso é o aprofundamento das rupturas entre as várias vertentes do cristianismo. À antiga divisão entre Oriente e Ocidente, que, a bem das tentativas feitas no ocaso do medievo, pouco se avançou concretamente rumo ao reencontro, soma-se a fratura da reforma e as múltiplas divisões colaterais à doutrina da livre interpretação das escrituras. Este ponto específico, comum à grande maioria das vertentes doutrinárias, associado à emergência do indivíduo como referência e agente relevante, ensejou a proliferação e a fragmentação das correntes reformadoras em uma miríade de credos. Assim, ao longo dos cem anos seguintes aos processos fundadores reformistas, as comunidades confessionais se multiplicaram pela Europa (JEDIN, 1972, p. 577).</p><p>Além disso, as identidades nacionais nascentes se associaram às identidades religiosas, o que conduziu às disputas e guerras de cunho religioso, em especial na França, com a Noite de São Bartolomeu, quando os católicos massacraram os protestantes em Paris, e a Guerra dos Trinta Anos, que tinha, entre as causas dos conflitos, disputas entre católicos e protestantes.</p><p>A multiplicação de denominações foi inevitável e, até certo ponto, previsível. A livre interpretação das Escrituras e a eclesiologia que atribui um papel quase nulo à igreja visível dariam, inevitavelmente, em dissenções e dissenções das dissenções. Ademais do protestantismo clássico de Lutero, Calvino e Zuínglio, acrescenta-se o anglicanismo. E nesse, os fiéis de influência calvinista, críticos das reminiscências católicas do anglicanismo, iniciam o movimento puritano, que se desdobrará entre os colonizadores da América do Norte e os que, na França, formariam os huguenotes. Igualmente derivados do grupo calvinista, surgiram os presbiterianos, que se distinguem pelo governo dos anciãos (presbíteros). Ainda derivados dos anglicanos, os batistas surgem dos ingleses que viviam na Holanda, em 1608, caracterizando-se pela defesa do imersionismo para o ritual do batismo. Nos séculos seguintes surgirão pietistas, metodistas, adventistas, pentecostais, além de novas separações do catolicismo no século XIX: as igrejas veterocatólicas.</p><p><em><strong>4.3 Reforma Católica</strong></em></p><p>Da parte católica, já havia um movimento reformista iniciado ainda na Idade Média, conhecido como Reforma Gregoriana, em alusão ao papa Gregório VII (1073-1085), e que teve avanços e retrocessos ao longo dos séculos. Entretanto, fazia-se urgente que os reformadores tivessem uma resposta. Esta era uma demanda do clero católico e uma exigência do imperador Carlos V. Esse, preocupado por ter seu Império dividido entre católicos e reformados, buscava impor uma solução conciliatória, que preservasse a unidade de seus domínios. Nessa tensão, celebra-se o Concílio de Trento, cerne da Reforma Católica moderna.</p><p>Desde a Dieta de Worms, reunida em 1521, na qual Lutero refirmou a sua doutrina sobre a justificação pela fé na presença do imperador Carlos V, na cristandade já se demandava um concílio (ALBERIGO, 1995, p.325). Não apenas pela gravidade da ruptura que ameaçava se alastrar, mas certamente também por influência da doutrina conciliarista, ainda em voga. Um dos maiores defensores de um novo concílio geral era o próprio Lutero, ainda que provavelmente para ganhar tempo em seu processo de excomunhão (JEDIN, 1960, p.99). A escolha da cidade onde teria lugar a assembleia foi difícil e complexa. Para os luteranos, grandes fomentadores da ideia de um concílio reformador, a sede do concílio deveria ser na Alemanha, onde nasceu o conflito. No entanto, o tempo passava, os papas se sucediam, e a oposição de Roma à sua convocação era evidente. Não apenas pela aversão à doutrina conciliarista da qual a proposta estava impregnada, mas também pelo fato de que, ao menos em parte, uma tentativa semelhante fracassara em Augsburgo. O concílio só começou a se configurar de forma efetiva depois de um encontro de Carlos V com o Papa Paulo III, ocorrido em Roma, na primavera de 1536.</p><p>Houve então uma primeira convocação, no ano seguinte, para a cidade de Mântua, que não foi possível pela guerra entre Carlos V e Francisco I e pelas exigências feitas pelo duque de Mântua para abrigar o concílio. Em outubro de 1537, o concílio foi transferido para Vicenza, igualmente sem sucesso. Quando a expansão das doutrinas reformadas já havia avançado muito e ameaçava penetrar na península Itálica, revestiu-se de urgência uma ação por parte da Cúria romana. Esta ação foi a efetiva convocação do Concílio para a cidade de Trento, estrategicamente localizada no Tirol, ainda pertencente ao Império, mas de fácil acesso aos prelados italianos. Ainda assim, o Concílio foi realizado num período turbulento, entremeado de guerras que fizeram com que os trabalhos fossem suspensos e recomeçassem.</p><p>Logo de início, a divergência entre a Cúria e o imperador ficou clara: enquanto à Cúria interessava a imediata condenação do luteranismo, o imperador desejava a reforma da Cúria para então entabular um diálogo com a vertente reformada e preservar a unidade confessional do Império (ALBERIGO, 1995, p.334). A primeira das três etapas do Concílio (1545-1548) foi a mais importante. Nela foram celebradas 10 sessões, nas quais foram reafirmadas as fontes de autoridade no catolicismo – Escrituras e Tradição –, a doutrina do pecado original, a justificação pela fé e pelas obras e a validade dos sacramentos. Na segunda etapa (1551-1552), quando tiveram lugar 6 sessões, foram acertados cânones sobre a eucaristia, penitência e extrema-unção. Após longa interrupção, o Papa Pio IV convoca um terceiro período (1562-1563), no qual ainda foram celebradas 9 sessões. Este último período foi marcado por decretos disciplinares que objetivavam uma reforma na Cúria, ainda alvo de duras críticas.</p><p>Um dos pontos centrais do Concílio, principalmente na primeira etapa, foi a questão da justificação do homem, tema central na reforma luterana. Para Carlos V e seus aliados dentro do Concílio, a definição católica deveria admitir duas formas de justificação alternativas: a fé e as obras, que poderiam vir juntas ou preferencialmente a fé. Desse modo, às novas vertentes do cristianismo ficaria resguardada a crença na fé como forma de justificação, e aos católicos reservado o direito de acrescentar as obras como necessárias à salvação. A ação dos padres jesuítas Diego Laynez, que sucederia Inácio de Loyola no controle da Companhia de Jesus, e Alfonso Salméron, grande erudito e exegeta, contribuiu decisivamente para a distinção doutrinária marcada no texto final do concílio.</p><p>Além desta questão central, os conciliares em Trento procuraram estabelecer com máxima clareza os saberes e as práticas envolvidas em cada um dos sacramentos. Não apenas por estarem estes sendo postos em questão pelo movimento reformador, mas por considerar que é deles que nasce a verdadeira santidade, e se esta for perdida é por onde se a recobra ou ainda se a aumenta.</p><p><em><strong>4.4 Novas e velhas ordens e congregações</strong></em></p><p>O movimento de caráter espiritual que surgiu no final da Idade Média, conhecido em sua totalidade como <em>Devotio Moderna</em>, assenta-se na emergência da referência ao individual em diversas esferas da vida cotidiana, inclusive na religiosa. Erwin Iserloh, se referindo ao ocaso do medievo, afirma que</p><blockquote><p>(…) se había puesto en marcha un proceso de individualización, que descubría lo particular en lo universal, y se liberaron enormes fuerzas espirituales, artísticas y religiosas. En conexión con ese movimiento está el despertar de un laicismo consciente de su responsabilidad, la evolución de las ciudades y la formación de los estados nacionales ( HUBERT, 1973, p.573)</p></blockquote><p>indicando que o mesmo fator está na raiz de distintos fenômenos. Trata-se da progressiva emergência do indivíduo como referência, que tanto redunda no laicismo crescente no cenário religioso europeu dos séculos seguintes, quanto fundamenta as novas formas de relacionamento com o divino que se instauram dentro da própria Igreja. Se não em função deste novo modelo de piedade, ao menos a partir dele, a reforma católica vai pôr em marcha uma reforma das ordens religiosas.</p><p>Ao se tratar das reformas nas ordens religiosas, é preciso que se distinga a que foi empreendida na Espanha pelo cardeal Cisneros, a pedido do papa Alexandre VI e com apoio da monarquia católica. Essa distinção deve ser feita não apenas pela sua importância interna, mas pelos desdobramentos que esta reforma vai ter na América, com a vinda de missionários de ordens já reformadas para o trabalho catequético e missionário. Por influência de Cisneros, os franciscanos e beneditinos espanhóis foram reformados, retornando ao rigor na observância de suas regras, então perdido. De modo semelhante, sob a liderança de Santa Tereza d’Ávila, o foram as carmelitas. Aos frades carmelitas é São João da Cruz que estende o mesmo espírito reformista. Acresce-se a esses místicos São João de Ávila, o apóstolo da Andaluzia, que pregava a reforma do clero e o aprofundamento espiritual, e Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, autor dos Exercícios Espirituais. Curiosamente, o espírito antirreformista também se fazia notar; basta dizer que todos os quatro santos de espírito místico e reformador tiveram que se haver, de uma maneira ou de outra, com a inquisição espanhola.</p><p>A Companhia de Jesus assumiu características singulares frente às ordens mendicantes e às demais. Destas, a mais distintiva foi a instauração do quarto voto: o de obediência especial ao papa em relação às missões. Além disso, não habitavam em mosteiros e não se fixavam em um só lugar, sendo fundamentalmente missionários de inspiração paulina. Basta considerar que muitos dos colégios e missões fundados nos primeiros anos eram dedicados à memória de São Paulo: Piratininga, Luanda, Goa etc. Logo após a fundação, foram enviadas as primeiras missões para dentro da própria Europa, buscando recobrar os católicos que haviam migrado para as doutrinas reformadas. Logo em seguida foram enviados missionários jesuítas para cristianizar os rincões mais distantes no planeta: da América ao Japão. Um grande exemplo de missionário jesuíta foi São Francisco Xavier, um dos companheiros de Inácio de Loyola na fundação da Companhia, enviado à Índia e ao Japão, após um acordo entre os jesuítas e a Coroa portuguesa.</p><p>Outras ordens foram fundadas neste espírito de reforma do clero regular: Santo Antônio Maria Zaccaria (1502-1537) fundou os Clérigos regulares de São Paulo, chamados de barnabitas, por seu monastério de São Barnabé; a Ordem dos Clérigos Regulares de Somasca, os somascos, foi fundada por São Jerónimo Emiliano, um leigo consagrado que se dedicou ao cuidado dos órfãos. São Jerônimo era muito próximo de São Caetano de Thiene, que fundou a ordem dos teatinos. O santo da alegria, São Felipe Neri, fundou uma comunidade de clérigos seculares conhecida como Congregação do Oratório, ou oratorianos. Algumas mulheres também criaram ordens regulares neste movimento, como Santa Angela de Merici (1474-1540), que foi fundadora da <em>Compagnia delle dimesse di Santa Orsola</em> (as chamadas ursulinas), destinada ao abrigo e educação de meninas abandonadas. É importante notar que o Estado não cumpria as funções de cura, sustento e educação dos súditos. Cabia a instituições caritativas, em geral ligadas às iniciativas do clero católico, desempenhar este papel.</p><p><strong>5</strong> <strong>A religiosidade popular latino-americana</strong></p><p>O termo religiosidade popular refere-se, por si só, às leituras e interpretações do povo e da relação que esse estabelece com o sagrado (NASCIMENTO, 2009, p.119-30). Frequentemente, constitui-se do amálgama entre tradições e crenças de origens diversas com a doutrina e a liturgia católica, resultando em formas de culto, crenças e devoções semelhantes às católicas, mas com significados deslocados pelos saberes populares. Sem sombra de dúvidas, as práticas religiosas populares de Portugal e Espanha, passadas quase sempre pela via materna, deram origem, no encontro com os ritos locais ameríndios e os importados da África, ao catolicismo popular latino-americano (DUSSEL, 1983, p.200).</p><p>Para uma melhor compreensão desta simbiose de formas e conteúdos religiosos, é preciso considerar que, do ponto de vista da antropologia cultural, a religiosidade é a forma com a qual as sociedades lidam com o inesperado e com o que lhes escapa ao controle – como o resultado das colheitas, o regime das chuvas, os problemas de saúde e a morte. O cristianismo, como religião revelada, transcende este aspecto primeiro, mas acaba dialogando com ele, na medida em que se propaga por meio da pregação de suas verdades. Na medida em que foi alcançando grupos cada vez mais distantes em termos de padrões culturais, o conteúdo da pregação passou por filtros cada vez mais variados e foi associado a formas de crer e ver o mundo cada vez mais distintas da judaico-europeia, da qual saiu o modelo católico que chega à idade moderna.</p><p>Por outro lado, os missionários católicos, preocupados em garantir a salvação dos menos letrados, empreenderam enormes esforços catequéticos. No entanto, neste contexto de confronto religioso com os reformadores, o povo católico iletrado e os povos ágrafos foram, no mais das vezes, subavaliados na sua capacidade de aprendizado e de compreensão doutrinária. Nos séculos XVI e XVII, abundavam na cristandade os catecismos resumidos para as crianças, os rudes, os brutos e todos considerados curtos de inteligência (MUÑOZ, 2006, p.417). Em cada espaço do globo havia rudes e brutos específicos, mas de modo geral eram os camponeses, os pobres, os índios e os africanos, neste último caso tantos os que viviam lá quanto os que foram trazidos para a América e seus descendentes. É em meio a este povo de <em>rudes e brutos</em> que um modelo muito particular de catolicismo vai se desenvolver na América Latina. É possível considerar que neste processo de evangelização sob condições muito específicas, ou seja, em um contexto de colonização e conquista, construiu-se um catolicismo mestiço.</p><p>O fato é que a cultura popular e a sua religiosidade encontraram, nas formas católicas de culto ou de expressão de seus valores, mecanismos para viabilizar suas crenças ancestrais, assim como suas necessidades imediatas. Por isso, antes das últimas décadas do século XX, havia uma grande distância entre a devoção católica aos santos e o pedido de sua intercessão, e a crença popularesca no poder atribuído aos santos de fazer milagres, com poderes que lhes seriam próprios – apenas para citar um exemplo. Do mesmo modo, a doutrina católica como expressa em Trento sobre os sacramentos dista em muito da interpretação que deles se fazia nas camadas mais populares – dos rudes e brutos – menos afeitas a complexos conceitos teológicos. Até as irmandades de leigos, lugar do catolicismo não clerical por excelência, eram não raras vezes usadas muito mais como lugares para visibilidade e status sociais que efetivamente de culto e adoração (BOSCHI, 1986, p.14).</p><p>A popularização da doutrina e os movimentos de leigos incrementados pelo Concílio Vaticano II tenderam a diminuir a distância entre o que a Igreja ensina e o que o povo mais engajado no catolicismo crê. No entanto, fora dos círculos estritamente católicos, as crenças perpassadas de figurações católicas ainda se mantém.</p><p><em>Carlos Engemann,</em> Brasil.</p><p><strong>6 Referências</strong> <strong>bibliográficas</strong></p><p>ALBERIGO, Giuseppe (org.). <em>História dos Concílios Ecumênicos</em>. São Paulo: Paulus, 1995.</p><p>ANDRÉS-GALLEGO, José. <em>Por qué los jesuitas</em>: razón y sinrazón de una decisión capital. Disponível em: <a href="http://www.larramendi.es/i18n/consulta/registro.cmd?id=1221">www.larramendi.es/i18n/consulta/registro.cmd?id=1221</a>. Acesso em 6 out 2014.</p><p>BENCI, Jorge. <em>Economia Cristã dos Senhores no Governo dos Escravos</em>. São Paulo: Grijalbo, 1977.</p><p>BOSCHI, Caio César. <em>Os leigos e o poder</em> – irmandades leigas e política colonizadora em Minas Gerais. São Paulo: Ática, 1986.</p><p>CASTELNAU-L’ESTOILE, Charlotte de_. Operários de uma vinha estéril_: os jesuítas e a conversão dos índios no Brasil 1580-1620. Bauru: Edusc, 2006.</p><p>COXITO, Amândio A. Luis de Molina e a escravatura. In: <em>Revista Filosófica de Coimbra</em>. n.15, p.117-36. 1999.</p><p>DELUMEAU, Jean. <em>Nascimento e afirmação da Reforma</em>. São Paulo: Pioneira, 1989.</p><p>DIXON, C. Scott. <em>Protestants: A History from Wittenberg to Pennsylvania, 1517-1740</em>. Oxford: Wiley-Blackwell, 2010.</p><p>DUSSEL, Enrique. <em>Historia general de la iglesia en América Latina</em>: introducción general a la historia de la iglesia en América Latina. Tomo I. Salamanca: CEHILA, 1983.</p><p>JEDIN, Hubert. <em>Breve historia de los concílios</em>. Barcelona: Herder, 1960.</p><p>______ (org.). <em>Manual de Historia de la Iglesia</em> – Reforma, Reforma Católica y Contrarreforma. v. V. Barcelona: Herder, 1972.</p><p>JOSAPHAT, Carlos. <em>Las Casas, todos os direitos para todos</em>. São Paulo: Loyola, 2000.</p><p>LOVEJOY, Paul E. <em>Transformations in Slavery</em>: a history of slavery in Africa. 3ed. Cambridge: Cambridge University Press, 2011. p. 24-32.</p><p>MAHN-LOT, Marianne. <em>A conquista da América Espanhola</em>. Campinas: Papirus, 1990.</p><p>MARCOS, Jesús Varela; SHENEIDER, Cristina Seibert. A Política Atlântica dos Países Ibéricos e o Descobrimento do Brasil. In: <em>Revista del Seminário Iberoamericano de Descubrimientos y Cartografia</em> – Seminários Temáticos. Valladolid: Seminario Iberoamericano de Descubrimentos y Cartografia Instituto Interuniversitario de Estudios de Iberoamérica y Portugal, 2001.</p><p>MARTINEZ, José Luis. <em>Pasajeros de Indias:</em> Viajes trasatlánticos en el siglo XVI. Ciudad de México: Fondo de Cultura Económica, 1999.</p><p>MARTÍNEZ-HIDALGO, José Maria. <em>Las naves del Descubrimiento e sus hombres.</em> Madrid: Mapfre, 1991.</p><p>MUÑOZ, Miguel Luis López-Guadalupe_._ Religiosidad institucional y religiosidad popular. In: PEÑA, Antonio Luis Cortés (org). <em>Historia del cristianismo</em>. v. III – El mundo moderno. Granada: Trotta – Universidad de Granada, 2006.</p><p>NASCIMENTO, Mara Regina do. Religiosidade e cultura popular: catolicismo, irmandades e tradições em movimento. In: <em>Revista da Católica</em>. Uberlândia, v.1, n.2. 2009.</p><p>PÉREZ, Demetrio Ramos. Colombo e os seus descobrimentos. In: ALBUQUERQUE, Luís de (dir.). <em>Portugal no Mundo</em> – séculos XII-XV. Lisboa: Publicações Alfa, 1989.</p><p>REIS, João José; SILVA, Eduardo (orgs.). <em>Negociação e conflito.</em> Rio de Janeiro: Cia. das Letras, 1989.</p><p>ROMANO, Ruggiero. <em>Os conquistadores da América.</em> Lisboa: Publicações D. Quixote, 1972.</p><p>SANDOVAL, Alonso. <em>Um Tratado sobre la Esclavitud</em>. Madrid: Alianza Editorial, 1987.</p><p>SANTOS, Vanicléia Silva. Bexerins e jesuítas: religião e comércio na costa da Guiné (século XVII). In: <em>MÉTIS: história &amp; cultura</em>. v.10, n.19, p. 187-213. jan/jun 2011.</p><p>SOARES, Mariza de Carvalho. Descobrindo a Guiné no Brasil colonial. In: <em>Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro</em>. Rio de Janeiro, n. 161 (407), p.71-94. abr/jun 2000.</p><p>SOUZA, Marina de Mello e. Evangelização e poder na região do Congo e Angola: a incorporação dos crucifixos por alguns chefes centro-africanos, séculos XVI e XVII. In: <em>Actas do Congresso Internacional Espaço Atlântico de Antigo Regime: poderes e sociedades</em>. 2005. Disponível em: <a href="http://cvc.instituto-camoes.pt/eaar/coloquio/comunicacoes/marina_mello_souza.pdf">cvc.instituto-camoes.pt/eaar/coloquio/comunicacoes/marina_mello_souza.pdf</a>. Acesso em 15 dez 2014.</p><p>SPLENDIANI, A.; ARISTIZABAL, T. <em>Processo de beatificación y canonización de san Pedro Claver</em>. Bogotá: CEJA, 2002.</p><p>ZERON, Carlos Alberto de Moura Ribeiro. <em>Linha de fé</em> – a Companhia de Jesus e a escravidão no processo de formação da sociedade colonial (Brasil, séculos XVI e XVII). São Paulo: EDUSP, 2011.</p><p><a href="http://teologicalatinoamericana.com/?p=596#_ftnref1">[1]</a> Essa bula foi escrita pelo papa Paulo III após ter recebido uma carta do dominicano Julián Garcés. Nessa carta, o bispo de Tlaxcala (hoje um dos estados que compõem o México), denuncia a extrema crueldade com que os conquistadores tratavam os habitantes da América, sob o pretexto de que esses não conheciam a fé.</p><p><a href="http://teologicalatinoamericana.com/?p=596#_ftnref2">[2]</a> Era frequente que se considerasse inválido um batismo que não fora precedido de catequese, aceitação da fé e desejo pelo batismo. O arcebispo de Sevilha D. Pedro de Castro y Quiñones proferiu, no início do século XVII, uma instrução que se tornou modelar para a catequese de africanos e nela recomendava que se questionasse se o indivíduo havia ouvido catequese, se a tinha compreendido, se a tinha aceitado e se havia desejado ser batizado. Claver utilizava essa instrução no seu trabalho.</p><blockquote><p>Copiado de http://teologicalatinoamericana.com/?p=596 with <a href="https://stackedit.io/">StackEdit</a>.</p></blockquote>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Xarala ialarala</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21l476-xarala-ialarala</guid>
      <pubDate>Thu, 09 Dec 2021 05:44:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/12/2021</p><p>As graças de Deus não recebem este nome gratuitamente, pois Deus as concede de graça. Mas a ideia de que “não existe almoço grátis” vale também para estas graças, que são gratuitas apenas da parte de quem as recebe – pois Deus não paga ninguém com graças e dons, já que não deve nada a ninguém. Até mesmo a maior graça, a nossa salvação, não é mérito nosso, embora tenha sido paga por Cristo na cruz.</p><p>Chamamos estes dons de Deus de “graças” pelo mesmo motivo que chamamos um dos cartões do banco de “crédito”, e aqui as coisas se tornam confusas porque eu nunca entendi direito isto, mas vá lá: o crédito que o banco nos dá é um crédito do ponto de vista do banco, porque na contabilidade deles, esse empréstimo aparece como um crédito que eles tem a receber de nós, e não um crédito que ele nos dá, mas eu posso ter entendido errado isso, ou, pior ainda, ter entendido certo e explicado errado.</p><p>Mas se eu entendi certo, um crédito é terrível para todos os envolvidos: o banco tem um crédito que não sabe se vai receber, e quem usa esse crédito não sabe se vai poder pagar. É pior pra quem usa, e de qualquer maneira, na prática, a banca o banco nunca perde.</p><p>O “crédito” de Deus, que são as suas graças, não exigem pagamento (e não são terríveis), mas de graça é só para nós, pois se não fizemos nada pra merecê-las, ficamos em débito com Deus por recebê-las. É claro que, diferente dos bancos, Deus não vai pôr o nome de ninguém no SPC nem tirar a casa de quem eventualmente não dê conta dos débitos para com Deus (porque já foram pagos por Cristo), então tudo fica na conta da boa vontade: as graças que recebemos servem a algum propósito divino.</p><p>Nada disto é novidade: São Paulo já deixou escrito que “tudo se faça para a edificação comum” (1Cor 14,26), o Catecismo da Igreja Católica também repete que “qualquer que seja o seu carácter, por vezes extraordinário, como o dom dos milagres ou das línguas, os carismas estão ordenados para a graça santificante e têm por finalidade o bem comum da Igreja. Estão ao serviço da caridade que edifica a Igreja.” (CIC 2003), ou seja, não basta usar as graças de Deus para satisfazer os critérios de bom uso delas, mas é necessário usá-las principalmente para o bem alheio.</p><p>Por isto que São Paulo, ainda no mesmo capítulo 14, dá preferência ao dom da profecia (não no sentido de “adivinhação”) que ao de línguas. O dom de línguas supõe fé e a presença de Deus, mas a profecia supõe as mesmas coisas sem, no entanto, centrar-se em quem foi agraciado, e sim em contemplar todos – quem recebeu a graça, quem está em volta, e Deus. Por mais que algumas graças extraordinárias possam até ser divertidas (como o dom da bilocação, por exemplo), a ideia não é fazer delas exposições em um picadeiro – isso cabe aos artistas circenses e aos X-Men, nos divertir com suas habilidades.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Quinta-feira da primeira semana do Advento</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 02 Dec 2021 05:42:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>02/12/2021</p><img width="600" alt="" src="/midia/21l475-quinta-feira-da-primeira-semana-do-advento-2.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2021/12/coment-is261-6.png"><img width="600" alt="" src="/midia/21l475-quinta-feira-da-primeira-semana-do-advento-2.png"/></a><p><em>Is 26,1-6</em></p>]]></description>
    </item>
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      <title>O despejo da Arquidiocese</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 18 Nov 2021 05:41:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/11/2021</p><p>O site 247 <a href="https://www.brasil247.com/regionais/sudeste/igreja-catolica-despeja-familias-de-casa-ocupada-na-zona-leste-de-sp">noticiou o despejo de uma invasão</a> a uma propriedade da Arquidiocese de São Paulo. Aparentemente o local era um depósito e o pessoal, sem ter condições de ter alguma casa, o ocupou para morar.</p><p>Acho que é inquestionável o direito da Arquidiocese de reaver o seu imóvel, que afinal de contas serve à missão da Igreja e manter sua ocupação não vai resolver o déficit habitacional da cidade. Mas o modo como a Arquidiocese exerceu o seu direito é indefensável, já que não parece impossível primeiro procurar garantir algum alojamento para os invasores antes de despejá-los. É lamentável que ela não tenha respondido à reportagem, pois é necessário saber se ninguém na instituição pensou em ponderar se os direitos da Arquidiocese realmente valem mais do que a dignidade dos invasores, nem se, sendo uma instituição religiosa, é cabível agir como se fosse um simples CNPJ indiferente ao elemento humano, tal e qual uma empresa disposta a tudo, ou pelo menos disposta a ser completamente indiferente ao sofrimento alheio, para não ter prejuízo.</p><p>Não é nem o caso de pensar “será que Cristo teria agido assim?”, pois a missão de Cristo não implicava na posse de propriedades, diferente da Igreja, que no cumprimento de sua missão, delegada por Cristo, precisa ter propriedades no seu nome; mas é o caso de se perguntar quais são os pressupostos arquidiocesanos da licença que ela se deu para suspender os próprios ensinamentos quando se trata de defender seus próprios direitos, já que seus ensinamentos são os da própria Igreja, e os seus direitos se fundamentam no mesmo Deus que criou, por amor, os invasores despejados.</p><p>É cada vez mais forte por todo o mundo a inversão de valores que sobrepõe o cumprimento de um direito, muitas vezes legítimo, às consequências nefastas que este cumprimento vai causar nos outros: é o que vemos quando os produtores de carne exercem o seu direito de vender seus produtos pelo preço que bem entenderem, indiferentes à incapacidade da maioria das pessoas de pagá-lo; quando a Petrobrás vende a gasolina dentro do país pelo preço de exportação; quando as empresas precarizam o trabalho e reduzem os salários, no exercício dos direitos recém-adquiridos de explorar ainda mais os trabalhadores, indiferentes ao impacto que o exercício destes direitos terá sobre eles; quando um juiz condena à prisão alguém que roubou para matar a fome; quando a liberdade de expressão passa a servir à expressão de preconceitos, violências e mentiras; etc.</p><p>A tarefa da Igreja é, grosso modo, conduzir a humanidade a Deus, e os imóveis da Igreja servem de suporte a esta tarefa. Mas se uma porção da Igreja se permite pisar na própria humanidade que deve conduzir, representada naquele momento pelos invasores do imóvel, para garantir os direitos que poderia ter garantido sem pisar em ninguém, o que está em jogo ainda é a missão que recebeu de Cristo ou a substituição do poder que recebeu de Cristo pelos poderes humanos que todos os envolvidos sabem que um dia vão passar?</p><p>Se for assim mesmo, então esta exigência imperiosa dos próprios direitos, que são divinos, se transformam em uma profanação destes próprios direitos, ao usar recursos divinos para promover uma desumanização que dispensa qualquer ajuda para se disseminar no mundo.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A submissão às autoridades constituídas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21k473-a-submissao-as-autoridades-constituidas</guid>
      <pubDate>Sun, 07 Nov 2021 05:39:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/11/2021</p><p>Lendo Rm 13,1 (“Cada qual seja submisso às autoridades constituídas, porque não há autoridade que não venha de Deus; as que existem foram instituídas por Deus.”) além do sentido óbvio de acatar as determinações das autoridades, também é possível entender que ser “submisso às autoridades constiuídas” significa não minar o sentido de autoridade em si.</p><p>Além de não legitimar a obediência a determinações más ou injustas, afinal a autoridade é “ministra de Deus” (v. 4) e não é possível fazer o mal nem cometer injustiças em nome de Deus (e dizer que a ação é em nome de Deus não quer dizer que seja mesmo); Rm 13,1 também serve para impedir que quem exerce a autoridade desgaste-a a ponto de não valer nada.</p><p>Mas é precisamente desgastar a autoridade oque o bolsonarismo mais faz, tanto no executivo, é óbvio, que em vez de governar se dedica a explorar ambiguidades e brechas legais para proteger as práticas mais nocivas e destrutivas que puder (o negacionismo científico, os preconceitos misóginos, racistas, homofóbicos, etc, o armamento da população, a devastação da natureza, etc); quanto nos outros poderes, como por exemplo o Lira mudando o regimento em cima da hora para aprovar uma PEC, um juiz qualquer mandando para a cadeia alguém que roubou para matar a fome, e também o fomento generalizado de coisas como a brutalidade gratuita dos PMs que dominaram aquela mulher com as duas crianças em MG, ou o MP gaúcho recorrendo da absolvição de quem rouba comida vencida para não passar fome.</p><p>Não que este método, a exploração de brechas legais para proteger injustiças e coisas destrutivas afins, seja uma inovação bolsonarista, afinal é um método muito antigo, geralmente aplicado contra pessoas comuns e que foi “normalizado” de 2016 em diante, primeiro no golpe contra a Dilma e depois na prisão do Lula. Mas é o método que o bolsonarismo aprendeu a aplicar com muito sucesso para impor sua maldade em (aparentemente) todos os âmbitos da sociedade brasileira.</p><p>Se o desgaste da autoridade não for o objetivo, pelo menos é um efeito colateral muito desejável para quem deseje (momento teoria da conspiração) descartar a autoridade (que é exercida por alguém, mas não pode ser apropriada para si) e substituí-la pela força bruta (fim do momento teoria da conspiração, obrigado). Uma pessoa que eventualmente não se dê o respeito, ainda assim precisa ser respeitada, pelo menos de um ponto de vista religioso cristão. Mas uma autoridade que desmereça a própria autoridade que exerce já perdeu a própria legitimidade pelo mesmo motivo que o versículo 1 de Rm 13 justifica a aceitação da autoridade: porque ela vem de Deus.</p><p>Esta interpretação de Rm 13,1 não é nem canônica, obviamente, e nem deve ser muito ortodoxa (a verdade é que eu não sei se é hetero ou ortodoxa porque entendo pouco do assunto), portanto não estou querendo dizer aqui, nem indiretamente, que Deus também é oposição ao governo bolsonarista e a prova disto seria Rm 13,1.</p><p>Mas mesmo sem igualar esta interpretação aos pensamentos de Deus (que estão tão acima dos nossos pensamentos quanto o céu está acima da terra, cf. Is 55,9), acredito que ela segue caminhos pelo menos um pouco mais próximos dos caminhos de Deus (igualmente distantes dos nossos caminhos como no caso dos pensamentos, ainda em Is 55,9) do que as interpretações bolsonaristas da Bíblia.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Tolerância religiosa</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21j472-tolerancia-religiosa</guid>
      <pubDate>Sun, 10 Oct 2021 05:36:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/10/2021</p><img width="600" alt="" src="/midia/21j472-tolerancia-religiosa.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2021/12/postestudodoutrinacatolicaedtd.png"><img width="600" alt="" src="/midia/21j472-tolerancia-religiosa.png"/></a><p>O print acima é de uma postagem feita em um grupo dedicado ao estudo da doutrina católica, embora seja difícil encontrar lá tanto o estudo quanto a doutrina católica. A minha impressão, que não se baseia em uma análise criteriosa sobre as postagens, é que a maioria delas é apenas uma distorção conservadora da doutrina da Igreja, exceto as postagens devocionais e as de “coach espiritual” (no estilo “espere porque Deus logo vai te levantar”).</p><p>O padre na imagem da postagem, <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Michael_M%C3%BCller_(writer)">Michael Muller</a>, foi um padre falecido em 1899 que, aparentemente, era um reflexo fiel do pensamento da sua época (e, portanto, dificilmente faria postagens apoiando ideias descabidas com mais de cem anos de idade, se tivessem redes sociais naqueles tempos), motivo pelo qual pouco importa o texto da foto (“É ímpio dizer ‘respeito toda religião’. Isto é o mesmo que dizer ‘respeito o diabo tanto como Deus, o vício tanto como a virtude, a falsidade tanto como verdade, a desonestidade tanto como a honestidade, ao inferno tanto como o céu’.”), que não vale nem a pena correr atrás para verificar se é dele mesmo.</p><p>Mas, na mesma postagem, abaixo da foto dela, há uma citação de Leão XIII na encíclica <a href="https://www.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_01111885_immortale-dei.html">Imortale Dei</a>: “Tolerar igualmente todas as religiões é o mesmo que ateísmo”, uma encíclia onde parece que Leão XIII está defendendo, sob muitos argumentos, a liberdade da Igreja perante o Estado, ao mesmo tempo em que aponta a ruína do Estado se ele não incorporar a si mesmo os valores cristãos e não der ouvidos à Igreja (“parece” porque li por cima, apenas procurando a tal citação que iguala tolerância religiosa e ateísmo). Não é uma encíclica sobre a diversidade religiosa, sobre eucumenismo, nem nada: apenas o parágrafo 37 diz que “Relativamente à religião, pensar que é indiferente tenha ela formas disparatadas e contrárias equivale simplesmente a não querer nem escolher nem seguir qualquer delas. É o ateísmo menos o nome”, o que deixa tanto a frase quanto a ideia muito diferentes das da postagem. O argumento de Leão XIII é que dizer que todas as religiões dão no mesmo é uma forma de ateísmo, e depois que, dadas as diferenças entre elas, é coerente clncluir que algumas estarão mais em conformidade com Deus do que outras; isto vai servir de embasamento, parece, para que no parágrafo seguinte ele defenda que liberdade de expressão não é o mesmo que dizer qualquer coisa irrestritamente.</p><p>Em nenhum momento o papa diz “apenas a Igreja deve falar”, mas fica implícito que, para ele, seria melhor calar quaisquer vozes contrárias à Igreja (mas de modo implícito, e não como uma orientação eclesiástica). Por outro lado, no parágrafo 38 o papa aborda com mais de cem anos de antecedência a questão das fake news e do negacionismo, embora sem usar estes termos: “Se a inteligência adere as opiniões falsas, se a vontade escolhe o mal e a ele se apega, nem uma nem outra atinge a sua perfeição, ambas decaem da sua dignidade nativa e se corrompem.”, embora fique claro que ele esteja falando sobre a Igreja apontar o único caminho correto para o céu, e não sobre vacinas e a terra plana (mas muito dificilmente ele seria contra vacinas e favorável à terra plana, eu acho).</p><p>Mas não existe ao longo de todo o texto nenhuma defesa e nem qualquer legitimação da intolerância religiosa. Há a defesa da censura, é verdade, mas se até mesmo há menos de cinquenta anos atrás a censura era uma prática oficial no Brasil, às vésperas de 1900 (a encíclica é de 1885) ninguém acharia estranha esta ideia – afinal somente hoje em dia se sabe, eu espero, que censurar não impede que as coisas sejam ditas mesmo sob censura.</p><p>Embora a Igreja não seja isenta de críticas, de outro lado existe um ranço secular contra ela, que só pode ser parcialmente explicado. E estes grupos conservadores, na tentativa de “salvar” a Igreja (quando na verdade estão tentando salvar apenas sua própria concepção de Igreja, e, de qualquer modo, quem salva é Cristo, e não o conservadorismo nem o progressismo), apenas alimentam este ranço, o que me dá a impressão de que reforçam mais as tentativas de destruir a Igreja do que de contribuir para com o projeto de Cristo em mantê-la até que ele volte.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>“Deus acima de tudo”</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21i471-deus-acima-de-tudo</guid>
      <pubDate>Thu, 23 Sep 2021 05:35:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/09/2021</p><p>Cada vez mais as palavras parecem valer menos, mas não porque elas tenham perdido o seu valor, à semelhança da relação entre a crença em Deus e a sua existência: diante de certas interpretações relativistas sobre a fé, que condicionam a existência de Deus a que haja alguém que tenha fé nele (contrariando a sentença de Sartre, quando diz que “a existência precede a essência”, embora Sartre estivesse falando sobre outra coisa), há a resposta à pergunta (acho que retórica, e acho, também, que eu li em Nietzsche) “uma árvore que cai produz algum som se não houver ninguém que o escute?”, que é sim.</p><p>Assim como o som da árvore caindo não depende de um ouvido que o ouça, Deus existe; e pelos mesmos motivos, ou pelos mesmos raciocínios, as palavras não perdem o valor pela falta de reconhecimento. Só que mesmo mantendo o seu valor intrínseco, o contínuo descaso para com a palavra pode, aos poucos, corroer a percepção deste valor. Não que todas as pessoas necessariamente reajam assim – pois tanto os valores quanto a clareza da percepção dos próprios valores varia de pessoa para pessoa -, mas os mentirosos precisam, necessariamente, esvaziar a percepção do valor das palavras, para poderem agir (e falar) como se elas não valessem nada.</p><p>Eleger-se explorando a ideia de “Deus acima de tudo” é um jeito engenhoso de recorrer à fé de quem crê em Deus, afinal qualquer um que creia em Deus sabe dos próprios erros que comete, e então sabe, ou deveria saber, que errar não significa automaticamente negar Deus; assim, o que parece é que o presidente comete erros, alguns até graves, mas que são apenas tropeços em um caminho no qual Deus está acima de tudo. Ou seja, eleger-se sob o mote “Deus acima de tudo” foi um jeito de dar muito pano para ser passado pelos crentes que queiram fazê-lo. Não era uma declaração de fé, mas uma defesa prévia (não uma justificativa, uma explicação ou uma desculpa, apenas uma defesa) dos caminhos tortuosos, apresentados como uma espécie de “caminhos de Deus”, porque tudo começou em um hipócrita “Deus acima de tudo”.</p><p>Talvez demore para descobrir que Deus não passa pano para atrocidades e injustiças (se nem mesmo para Moisés Deus passou pano, tanto é que o impediu de entrar na Terra Prometida por muito menos que atrocidades e injustiças), e enquanto Deus age por seus caminhos misteriosos e nos seus tempos insondáveis, cabe a nós, pelos caminhos que Deus nos mostra e no tempo que ele nos deixa conhecer, agir como o próprio Deus, não enquanto Todo-poderoso, mas enquanto opositor ferrenho das atrocidades e injustiças contra a sua criação, especialmente quando estas injustiças e atrocidades são contra seus filhos e suas filhas.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A corrosão da liberdade</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21i470-a-corrosao-da-liberdade</guid>
      <pubDate>Sat, 18 Sep 2021 05:34:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/09/2021</p><p>O jeito clássico de acabar com a liberdade é a repressão, a opressão, a prisão, e outras coisas do tipo. Ou, às vezes, a pessoa pode se enganar, mais ou menos como um Pinóquio (não por causa da mentira, neste caso, mas porque, se não me falha a memória, ele aceitou o convite do sr. Estromboli para poder ter a liberdade de brincar o dia inteiro mas foi, ao contrário, escravizado).</p><p>Outro jeito muito sutil de acabar com a liberdade é desgastá-la, reivindicando-a para tudo, em todo momento, quase que indiscriminadamente.</p><p>Acho que é isso que acontece com a reivindicação da liberdade de não usar máscaras, de receitar cloroquina, de fazer testes obscuros com pacientes para agradar o governo, de levar a vida normalmente em meio a uma pandemia como se ela não existisse, de negar a eficácia das vacinas, a existência da pandemia, etc.</p><p>Enquanto assistimos a isto, corre-se o sério risco de que alguma hora apareça alguém dizendo “agora chega, eu vou botar ordem nisto” e a maioria aceitar de bom grado.</p><p>Acho que bolsonaro não é bem um (exclusivamente no sentido figurado) anti-cristo, mas sim um anti-joãobatista, uma espécie de anti-precursor que vai aplainando os caminhos de quem venha para, este sim, completar o trabalho da repressão.</p><p>Não digo que isto esteja na iminência de acontecer, como se eu soubesse de coisas que os outros não sabem. Mas tenho as minhas suspeitas de que forçar a democracia e a liberdade até os seus limites possa levar a maioria a, em algum momento, rejeitar a liberdade, pelo menos se assimilar como sendo legítimos estes abusos deste governo contra ela.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Manchete</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21i469-manchete</guid>
      <pubDate>Sat, 18 Sep 2021 05:33:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/09/2021</p><p>Na manchete de um jornal católico diocesano eu li alguma coisa sobre o compromisso cristão contra o aborto. Eu não li a matéria, porque o título é autoexplicativo, e o conteúdo deve ser a mesma pregação a convertidos de sempre. Eu sei que é importante marcar a posição da doutrina da Igreja, mas este item, em particular, todos já conhecem. E não é que um jornal diocesano católico não deva insistir nisto, mas eu me pergunto porque só nisto?</p><p>Ser contra o aborto é um compromisso cristão. Ser contra o assédio às pacientes de um Pérola Byington da vida, também. Assim como ser contra a homofobia, contra a violência machista, contra a exploração do trabalhador promovida pelas últimas reformas trabalhistas, contra o racismo, contra o descaso e os ataques à educação, à cultura; contra o desmonte das políticas de segurança alimentar e do serviço social, contra a priorização do rendimento das grandes companhias em detrimento do rendimento das massa de cidadãos; há uma lista enorme de posicionamentos que são compromissos cristãos, todos presentes no catecismo, no magistério dos papas e na doutrina social da Igreja.</p><p>Este jornal diocesano, em particular, não é parecida com um esgoto como algumas publicações e periódicos cristãos que se vê por aí. Mas a disseminação da defesa explícita de um determinado ponto da doutrina, e só deste ponto, como se ele fosse um mal isolado, e não causado por outros que, igualmente, são contrários à doutrina e que, no fim das contas, levam a qualquer um concluir que, do jeito que as coisas estão, um aborto é uma solução aceitável, é tão abortista quanto as ativistas argentinas de lenços verdes.</p><p>O recorte de apenas um ponto da doutrina em detrimento de todo o resto serve apenas para reforçar o discurso de ódio do conservadorismo que dissocia o ataque à vida que ocorre no aborto dos outros ataques à vida que os mesmos conservadores patrocinam (ou, no mínimo, ignoram solenemente) quando o povo é oprimido pelas políticas econômicas e sociais que tanto o governo quanto o congresso aprovam semana após semana, numa espécie de jansenismo onde os eleitos não são determinados por alguma graça divina, mas apenas financeira.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Masturbação, religião e política</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21i468-masturbacao-religiao-e-politica</guid>
      <pubDate>Fri, 17 Sep 2021 05:32:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/09/2021</p><p>Eu sempre achei curioso, e às vezes meio perturbador, que na letra do Credo Campesino (não sei de quem é a autoria, mas nada se iguala à interpretação de Mercedes Sosa, exceto, talvez, pelo dueto entre ela e Nana Moskouri), Pilatos, o pretor de Jesus golpeado, torturado com escárnios e martirizado na cruz, um romano imperialista, desalmado e (eis o adjetivo curioso e perturbador) “puñetero”.</p><p>A princípio me pareceu que fosse só mais um xingamento, menos sério do que imperialista e desalmado, para ridicularizá-lo, e esta se tornou uma das dúvidas menores da vida que me acompanham há anos, até que eu fui no google tradutor e descobri que punẽtero, em espanhol, significa sangrento (por isto agora acho que, em portguês, Pilatos seria “o romano imperialista, sanguinolento e desalmado”, mas continua o tom de ridicularização, porque “sanguinolento” me remete inevitavelmente ao Bento Carneiro, o Vampiro Brasileiro).</p><p>Acredito que sangrento seja puñetero porque um puñetazo (um soco) pode muito bem ser sangrento, e mesmo que não tire sangue, um soco sempre é violento como quase qualquer coisa que também possa ser chamada de sangrenta. E aí eu entendi (sem nunca ter me perguntado isso antes) que o brasileiro “punheta” vem de punho, pois um homem se masturba com os punhos. Resolvida esta dúvida, veio a questão da siririca: de onde vem esta palavra? Se punheta se refere aos punhos, siririca vem do quê?</p><p>Tem um peixe com este nome, mas ele não se parece em nada com uma vagina ou uma mulher se masturbando; mas, aparentemente, siririca também é um dos nomes que se dá a um anzol emplumado, então eu suponho que o formato de gancho do dedo na siririca em uma vagina peluda combine bem com um anzol emplumado.</p><p>Além de dúvidas menores, estas reflexões sobre o puñetero do Credo Campesino sempre foram questões marginais a uma outra dúvida com a qual volta e meia eu me ocupo: porque a masturbação é um pecado? O Catecismo dedica um parágrafo inteiro (2352), desdobrado em duas partes, à masturbação, dentro da doutrina sobre o sexto mandamento (“não cometer adultério”), compreendido como um mandamento que diz respeito não somente ao adultério em si, mas a toda a sexualidade humana (2336). Porém no catecismo a masturbação não é, pelo menos diretamente, um pecado contra o matrimônio, e sim contra a castidade.</p><p>Os parágrafos do 2351 ao 2356 formam uma lista de ofensas contra a castidade que, aparentemente, vai das mais leves às mais pesadas (pois começa pela luxúria e termina no estupro). A parte que cabe à masturbação é ser um ato “intrínseca e gravemente desordenado”. A primeira vez que eu li isto, me soou parecido com o Severo Snape, eu acho que em Ordem da Fênix (talvez tenha sido em Cálice de Fogo, mas é no livro em que eles estão se preparando para as provas dos Níveis Ordinários de Magia, em todo caso), quando ele diz, ameaçadoramente, que aqueles que forem mal nos NOMs sofrerão o seu (suspense: terror? vingança? uma morte lenta e cruel?) desagrado, que pode parecer um alívio, se bem que o desagrado de Snape poderia ser bastante terrível, dada a sua habilidade tanto em poções quanto em magia das trevas. De qualquer forma, foi neste tom que eu li no Catecismo que a masturbação é um ato “intrínseca e gravemente…” (pecaminoso? imoral? indecente? mortal?) “desordenado”.</p><p>Sempre que se fala em males menores, aparece alguém para lembrar que “de grão em grão, a galinha enche o papo”, ou seja, que pequenos problemas, isolados, são quase que irrelevantes, mas o seu acúmulo pode se tornar algo grave e muito maior do que o que se esperava. Então por muito tempo me pareceu que era isto: o problema da masturbação é que é um probleminha que, acumulado, aí vira coisa pior. Foi o que me disse uma freira, uma vez: para não encanar com a masturbação, a não ser que fosse frequente e/ou virasse um vício.</p><p>Mas eu encanei, não com a masturbação, e sim com o “intrínseca e gravemente”: isto significa que o problema da masturbação não depende de quantidade, apenas um grão já é problemático, ainda mais que além de intrínseco, é gravemente alguma coisa: desordenado (grande coisa!).</p><p>Junto com isto, as terríveis admoestações dos pregadores de internet sobre o assunto: “não pode comungar quem se masturbou!”, “é um pecado grave e, portanto, mortal!”, foram algumas coisas que eu li por aí. Mas a única gravidade da masturbação à qual o catecismo se refere é o seu caráter desordenado, e eu sempre achei bem difícil acreditar que alguém vá para o inferno por causa de bagunça (que é como eu entendo “desordenado”). Fora isto, pode-se “cavar” uma gravidade maior de modo indireto: no parágrafo 2390, lê-se que “[fora do matrimônio, o ato sexual] constitui sempre um pecado grave e exclui da comunhão sacramental”, e no parágrafo da masturbação, o 2352, lê-se que “o uso deliberado da faculdade sexual fora das normais relações conjugais contradiz a finalidade da mesma”; então, juntando tudo, aí estaria a gravidade da masturbação.</p><p>Mas ainda assim é uma relação forçada e muito indireta: a masturbação é uma ofensa à castidade (que em qualquer caso precisa ser guardada: a maneira como o catecismo trata a castidade é quase uma poesia), enquanto que o 2390 fala sobre sexo fora do casamento em geral (incluindo heterossexualidade, homossexualidade, solteiros, casados, praticado seja por padres, freiras ou leigos casados). Talvez o terror que os discursos anti-masturbação inspirem venha do fato de terem como objetivo apenas de causar o terror, e não de querer explicar o problema e o seu tipo de gravidade, pois, diante de tantas violências sexuais (estas sim, explicitamente condenadas, e com força, pelo catecismo) e das dores de cabeça mais sérias que envolvem o sexo (os corações partidos e as relações sem prazer, por exemplo), a masturbação não só parece, como de fato (eu acho que) é, uma questão muito menor.</p><p>Mas o seu pequeno tamanho também não significa irrelevância. Assim com é um ato “intrínseca e gravemente desordenado”, o próprio catecismo reconhece que coisas como a angústia, da qual a masturbação ajuda a reduzir a pressão, atenua e reduz a culpabilidade moral. O que a masturbação parece ser, no fundo, é um indício de um problema e também uma solução com um grande potencial de ela própria se tornar, igualmente, outro problema, seja no lugar do problema original ou acrescentado a ele.</p><p>Talvez seja mais compreensível pensá-la como o problema do cheque especial, que nem é um problema, e sim uma solução: surge uma necessidade inesperada, e ele está lá para resolver (nem sei se ainda existe cheque especial, para falar a verdade), ou houve um gasto inesperado, e sempre tem o cheque especial para cobrir o susto. É dolorido, porque é um dinheiro mais caro, mas vira um foco de atenção mesmo quando, no mês seguinte, o dinheiro para pagar o cheque especial falta para alguma outra coisa esperada, e aí é necessário usar, de novo, o cheque especial, e seguem-se os meses, sempre usando o cheque especial para cobrir um buraco aberto porque foi preciso pagar o cheque especial do mês anterior, mas as necessidades e os gastos inesperados, por sua própria natureza, não vão esperar até que dê para se organizar para fechar o buraco que começou na primeira vez que foi preciso entrar no cheque especial, e portanto podem acontecer, novamente, antes que a pessoa consiga ter se organizado. É claro que o normal é que alguém entre no cheque especial, e consiga se apertar no mês seguinte para incluí-lo nas despesas do mês sem precisar usá-lo de novo – mas quem consegue isto hoje em dia?</p><p>Usar cheque especial é, portanto, “intrínseca e gravemente desordenado”, porque significa que algo está tão bagunçado que alguém não tinha uma reserva a mais naquele mês – e pode ser que seja uma pessoa bagunçada, assim como pode ser o contexto econômico bagunçado (desordenado) a ponto de levar até as pessoas mais organizadas a entrarem no cheque especial.</p><p>A bagunça intrínseca e grave que leva à masturbação pode ser uma coisa passageira, ou pode ser o sinal de algo pior (pois, por exemplo, homens que somente entendem por “mulher” alguma que se pareça com as da capa da Playboy estão numa bagunça tamanha que “bagunça” não expressa a gravidade e as consequências disto). A pressão que precisa ser aliviada pela masturbação pode ser que seja a de um período difícil, mas uma vida sob constante pressão a ponto de exigir um igualmente constante alívio também é uma desordem, e uma desordem grave. E pode ser que seja a pessoa é que tenha se metido em problemas que deixem tudo bagunçado, mas também pode ser que o contexto no qual vivemos, sob um governo que, nos seus melhores momentos, é no máximo um governo desastrado (embora muito mais frequentemente seja um governo bolsonarista vil, mesquinho, e despreparado, quase sempre descambando para a violência e opressão, para ficar numa listagem não exaustiva dos seus males).</p><p>Existem ativistas para tudo hoje em dia, inclusive há um ativismo contra a masturbação. Pode parecer ridículo, e talvez pareça mesmo, se for um ativismo focado em pepecas e pirocas que, exceto em casos de transtornos psíquicos ou de pessoas maldosas, via de regra as pessoas têm condições de administrar muito bem sem ajuda de nenhum ativista. Mas se o foco deste ativismo forem as condições indignas sob as quais as pessoas estão submetidas a ponto de a masturbação se tornar uma tábua de salvação, então ele é um grande benefício.</p><p>Mas a questão não era nem criticar os ativistas, nem os pregadores da internet que tocam o terror condenando ao inferno quem se masturba (embora eles, os pregadores, mereçam ser criticados), e sim tentar entender o que existe de tão ruim na masturbação a ponto de, mesmo sendo um assunto irrelevante, merecer ser mencionada na doutrina da Igreja (pois é um assunto que às vezes parece uma paranoia exagerada de saudosistas da Idade Média): afinal a masturbação, em si, apesar de ser “intrínseca e gravemente etc.”, é um problema menor, que habitualmente beira a irrelevância; mas sua prática disseminada, que poderia ser um sinal de liberdade e prazer, na verdade é um sinal do quanto estamos vergados sob uma realidade política, econômica e social intencionalmente injusta, opressora e maldosa.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Estruturas de pecado e pecados pessoais</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 17 Sep 2021 05:32:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/09/2021</p><p>O moralismo que aponta os erros alheios nas atitudes individuais pode às vezes até estar apontando corretamente o que de fato é um erro, quando não um pecado, e se apegam ao fato de terem razão no que apontam (mesmo quando não têm) para legitimar a “denúncia”. Mesmo quando apontam para problemas coletivos (o aborto, por exemplo), ainda assim o foco é culpar o indivíduo (mesmo que sejam muitos indivíduos – como nas orações do terço em frente a hospitais como o Pérola Byington, para ficar no exemplo da questão do aborto).</p><p>De outro lado, existe o foco nos pecados estruturais, ou nas estruturas de pecado, que é o que afinal eu acho ser possível atacar no que diz respeito à política, mesmo correndo o perigo de invalidar o sacrifício redentor de Cristo – afinal, se considerar-se o pecado exclusivamente como o resultado de estruturas opressoras, Cristo não morreu para redimir os pecadores, mas para sanar as estruturas sociais.</p><p>Este foi um dos erros da Teologia da Libertação (que entretanto mais acertou do que errou), ou, no mínimo, esta transferência total da culpa para as estruturas pesou demasiadamente no seu discurso. Ao mesmo tempo em que isto não invalida a TL, legitima a preocupação da Igreja em corrigi-la, embora isto não valha para os excessos que houveram nesta correção (mais políticos do que pastorais, aparentemente).</p><p>Mas não há um equilíbrio possível entre ponderar culpas pessoais e estruturas de pecado. O que é possível é denunciar e combater estas estruturas sabendo que sua origem é o pecado; há com certeza pecados pessoas nas bases destas estruturas, mas também estes pecados pessoais são posteriores ao pecado que Cristo veio destruir.</p><p>É necessária a fé em Cristo no que diz respeito aos pecados pessoais, que em menores ou maiores medidas, sustentam estas estruturas de pecado. Mas é necessaria – repetindo – a fé em Cristo, e não os dedos apontados contra os pecadores. Salvo excessões em que a relação entre duas pessoas permita ou exija isto, jogar na cara do pecador os seus pecados, por si só, não vai servir para que ele pare de pecar; fazê-lo sentir-se culpado, muito menos. Quase sempre o dedo apontado e a culpabilização servem a fins diferentes da conversão dos pecados, por isto que levar Cristo, que é quem salva, é muito diferente de soterrar alguém sob quaisquer culpas.</p><p>Combater o pecado na esfera pessoal é imprescindível, mas é uma tarefa que só o próprio pecador e Cristo podem “atacar” diretamente. Enquanto este combate é necessário, também não é possível esperar tornar-se santo para combater as estruturas de pecado (tão facilmente ignoradas pelo moralismo, por sinal), sem no entanto desprezar a santidade neste combate, ou seja, combater com a fé e não com o pecado.</p><p>As estruturas de pecado não são exclusivamente as condições econômicas e políticas degradantes (e degradadas) como as que vivemos agora, mas esta degradação também reforça as estruturas de pecado, e mesmo que só Cristo possa (e vá) erradicá-las de fato e para sempre, cabe a nós, os “degredados filhos de Eva”, combatermos cada qual em si próprio o pecado, e combater juntos estas estruturas tais como se apresentam em cada momento.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Conversão e liberdade</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21i466-conversao-e-liberdade</guid>
      <pubDate>Thu, 16 Sep 2021 05:31:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>16/09/2021</p><p>“Converter-se” sempre foi uma palavra que, tanto ela quanto suas variações, me causou repugnância. Sempre que a ideia de conversão aparecia, lendo um trecho da Bíblia ou ouvindo alguma freira da minha adolescência, o meu cérebro a encaminhava para o setor dos meus demônios interiores, que por sua vez a reencaminhava para o meu escritório das atitudes a serem tomadas em um relatório que oferecia duas alternativas: ou adotar, na marra e à força, ainda que voluntariamente, um conjunto de regras facilmente resumido em moralismo (embora eu não soubesse o nome na época); ou quebrar tudo (metaforicamente) e proclamar a liberdade contra tudo isso.</p><p>As minhas conversões ao longo da vida não dizem respeito somente ao cristianismo, mas também a ideias, pessoas e, em caso de paixão, às garotas por quem eu me apaixonei. Particularmente, nas vezes em que eu me apaixonei, o que era (e ainda é) uma garota, eu transformava em deusa, templo e bíblia, o que pode até parecer romântico, mas é, pelo menos eu acho, uma espécie de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=57LC5gY2kno">passivo-machismo</a>, e toda a dor (quer fosse a da rejeição, quer a do fim do relacionamento) era a de me sentir traído pelo abandono (ou pela indiferença) de quem deveria me salvar.</p><p>Tanto as minhas conversões a ideias quanto a pessoas em geral adotavam mais ou menos este mesmo padrão, mas sem a paixão e a entrega total por que, na verdade, me apaixonar sempre implicou em tentar transferir todo o peso da responsabilidade sobre a minha vida à garota que eu amasse (e isto dependia de bem menos do que um relacionamento: a maioria nem sabe que fui apaixonado por ela); ou seja, daria para associar conversão e paixão em um diagrama de Euler, com o círculo da conversão abrigando círculos menores representando as minhas conversões a ideias e pessoas, e, ainda dentro deste círculo da conversão, um maior, o da paixão, aplicável exclusivamente às garotas por quem eu me apaixonei.</p><p>Isto, é claro, pode ser um dos motivos de uma vida amorosa em que os sucessos se parecem com uma gota d’água indistinta em um oceano de fracassos; mas também é, no que diz respeito à questão religiosa, um dos motivos das minhas idas e vindas em relação ao cristianismo: ou converter-se em detrimento da liberdade, ou libertar-se em detrimento da conversão. Esta oposição irreconciliável, que em todo caso se trata de uma <a href="https://dicionario.priberam.org/idiossincrasia">idiossincrasia</a> minha e não de um tratado teológico-romântico, veio à tona das minhas lembranças lendo <a href="http://www.ihu.unisinos.br/612830-carta-aos-galatas-contexto-conteudo-e-relacao-com-os-atuais-tradicionalistas-de-igreja">este texto</a> sobre a carta aos Gálatas no site do IHU.</p><p>No que se diz respeito a Cristo, conversão não se opõe a liberdade, nem significa converter-se ao tradicionalismo, um péssimo cacoete disfarçado de fé, nem ao catecismo. Quanto à liberdade, converter-se não implica em adotar nem aceitar este ou aquele costume; o que não significa desprezar nem o catecismo nem o Magistério da Igreja, mas sim em aprender a diferenciar entre tornar-se catecismos vivos e tornar-se <a href="https://www.youtube.com/watch?v=0wFvMPYi1dk">evangelhos vivos</a> (e sabemos que Cristo pregou um Evangelho e não um catecismo, pois o catecismo é justamente o suporte proposto pela Igreja para que se consiga não viver o Evangelho, mas tornar-se evangellhos vivos, mais ou menos à moda de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Cal%C3%A1bria">São João Calábria</a>).</p><p>Quanto à conversão, a única conversão que liberta é converter-se a Cristo, o resto é “começar pelo Espírito e terminar pela carne” (cf Gl 3,3), isto quando ao menos começa pelo Espírito.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O selo de Marx</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 15 Sep 2021 05:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/09/2021</p><p>As políticas assistenciais que foram tão demonizadas durante as eleições de 2018 (e reabilitadas à força para compensar os efeitos da pandemia) não deveriam ser chamadas de “assistenciais”, e sim de “essenciais”, porque a assistência que prestam é aproveitada por todo mundo, desde os que são contemplados por ela até os que passam longe de um dia precisarem delas.</p><p>Não é novidade, porém não custa repetir que elas não existem apenas para as pessoas fisícas, mas também para as empresas e, embora até sofram críticas (especialmente quando houve aquele socorro aos bancos não lembro quando), não sofrem um décimo da oposição que aquelas voltadas às pessoas sofrem, e isso é ótimo: ruim é o combate contra as políticas assistenciais voltadas para as pessoas e os desvios que os operadores destes recursos eventualmente fazem – o que o próximo governo pode muito bem mitigar revogando a falta de transparência e a fragilização na fiscalização promovidas pelo governo bolsonaro.</p><p>Além das pessoas, que são (e se não são, deveriam ser) prioridade, e das empresas, as políticas assistenciais para as igrejas e templos religiosos também são muito combatidas, em grande parte porque não estão tendo caráter assistencial, e sim o de legalização de sonegações e artimanhas fiscais (incluindo a velha artimanha do “devo, não nego, e nem vou pagar”) de alguns grandes grupos religiosos (incluindo, infelizmente, alguns católicos: eu não sei como isto está agora, mas há alguns anos haviam algumas congregações católicas entre os grandes grupos religiosos devedores, e sua única expectativa era não pagar nada). Mas, exceto o apoio à legalização de calotes, também não deveria haver motivos para combater estas políticas assistencias para as religiões; deveria haver motivos, aliás, para aumentá-las, como a repressão às perseguições contra as religiões de matriz africana, por exemplo, que eu nunca vi terem sido resolvidas (e nem parecem ser tratadas como perseguição religiosa, e sim como mais um caso de polícia corriqueiro).</p><p>Quase sempre o combate a uma política assistencial é motivado apenas por ranço: anticapitalistas que são contra ajuda aos bancos, anticomunistas que são contra ajuda a qualquer coisa que não seja uma empresa, antirreligiosos que se divertem com a ideia de enforcar o último rei nas tripas do último padre (uma ideia que eu jurava ter lido em algum livro de Nietzsche, mas na verdade é de um padre chamado Jean Meslier, apesar de ser incorretamente atribuida a Voltaire – parece que eu não li direito alguma coisa há alguns anos atrás); é mais ou menos como o ranço contra os privilégios aos juízes e políticos: ninguém deveria ser contra os dois meses de férias e as toneladas de auxílio deles, deveria sim era lutar para que isto se extendesse (ou seria estendesse?) para toda a população!</p><p>A onda anticomunista, que deveria se chamar “delirar contra um delírio”, pois é parecida com o Dom Quixote lutando contra os moinhos de vento, mas sem a nobreza e a dignidade do Cavaleiro da Triste Figura, afinal, entre erros e perigos, o comunismo tem ideias muito mais simpáticas do que as do seu antagonista, que só tem erros e perigos; esta onda anticomunista é o principal entrave ao fortalecimento de políticas públicas assistenciais. É claro que ela esconde gente que tem medo de ver seus lucros mesquinhos “desviados” em prol das pessoas que mais necessitam, das empresas menores que, no entanto, em conjunto trazem mais benefícios do que os gigantescos CNPJs, e no caso das religiões, acho que é só ranço mesmo (exceto pelas referidas legalizações das maldades já praticadas).</p><p>O caráter delirante do anticomunismo vê uma espécie de Selo de Marx em qualquer tipo de ajuda assistencial (quase que exclusivamente quando é dirigda às pessoas, é bom lembrar), mas também eles vêem (ou veêm? enfim, enxergam) o Selo de Marx em quase tudo, estão mais embriagados de Marx que toda a China, parece. Mas se for para aprovar medidas assistenciais que beneficiem a população, melhor aprová-las sob o nome de socialismo (mesmo não sendo “propriedades” socialistas) do que negá-las em nome de um anticomunismo que fica até mesmo aquém de um delírio quixotesco. Não se trata de redimir o comunismo, mas de (que me perdoe o venerável Pio XII) preferir o ônus de ter que explicar depois que estes direitos não são comunistas, ao ônus de negar estes direitos por causa de ranço, delírio e confusão.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A liberdade e o bem</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 04 Sep 2021 05:28:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>04/09/2021</p><p>A liberdade e o bem são duas coisas diferentes entre si, só que esta diferença quase desaparece quando se considera o seu funcionamento, mais ou menos como o que acontece com o coração e o sangue, que só sustentam a vida movimentando-se unidos.</p><p>Se a ideia da união necessária entre a liberdade e o bem estiver correta, a moralidade se torna uma condição indispensável para a liberdade, pois a opção pelo bem irá trazer consigo a liberdade, e a opção pelo mal irá tolhê-la.</p><p>O problema é que a própria moralidade pode ser invadida pelo mal e, sem trocar de nome, se transformar em moralismo, que substitui o bem pela vaidade e reduz a liberdade à vanglória. Não que a vaidade seja má, mas ela se torna assim quando toma o lugar do bem, como na imagem de um homem doando comida com uma das mãos e segurando um pau de selfie com a outra. Este tipo de moralismo, que já é ruim, é ainda menos pior que o moralismo de quem tem uma vida correta e, vangloriando-se da sua correção, se permite jogar na cara dos outros os seus erros, quase sempre com a desculpa de denunciá-los para que possam ser corrigidos. A denúncia do mal é sempre necessária, mas ela, por si só, não corrige ninguém e o moralista deliberadamente ignora isto.</p><p>O moralismo acaba arrastando consigo a moralidade para o fundo do esgoto (não porque esteja lá, mas porque o que está no fundo do esgoto faz questão de exibir um letreiro gigantesco escrito “moralidade”), enquanto lutamos pela liberdade, dissociada da moral mas confundida com um bem (não que a liberdade não seja um bem, mas ela, sozinha, não é o bem). E é aqui que entra a questão dos fins e dos meios.</p><p>A liberdade a qualquer preço se degenera a ponto de se tornar a liberdade de fazer o mal, o que por si só acaba com a liberdade como se ela comesse a si própria até acabar, mas antes disto, de qualquer forma, a maldade dos meios já havia intoxicado a liberdade. É por isto que os fins não justificam os meios: é porque eles contaminam os fins como na autofagia da liberdade conquistada a qualquer preço.</p><p>Portanto, condicionar a liberdade ao bem não significa agregar a ela, ou condicioná-la, a um moralismo; mas significa conquistar a liberdade pelo bem, <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ensaios#Os_ensaios">que não é o único caminho</a> para conquistá-la, mas é o único caminho de mantê-la depois de conquistada.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O sacrifício de Cristo e a submissão das mulheres</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21i463-o-sacrificio-de-cristo-e-a-submissao-das-mulheres</guid>
      <pubDate>Fri, 03 Sep 2021 04:50:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/09/2021</p><p>Na maioria das vezes em que alguém tenta justificar o próprio machismo na passagem de Ef 5,21-32, costuma começar em “mulheres sejam submissas” e terminar em “aos seus maridos”, pulando os versículos anteriores e posteriores como se eles fossem as linhas arranhadas de um disco antigo. Mas a passagem começa com “Sede submissos uns aos outros” e continua “no temor de Cristo”, para só então falar primeiro das mulheres, depois dos homens e enfim da Igreja, sem distinguir em que ponto do texto, especificamente, o assunto passou a ser a Igreja – cuja submissão a Cristo ninguém nega.</p><p>Se a Palavra de Deus não muda, isto não se aplica às distorções secularmente aceitas, e menos ainda quando estas distorções fundamentam e justificam injustiças. Portanto, antes que alguém pense que as mulheres devem ser submissas aos maridos, deveria lembrar que, antes, é necessário submetermo-nos uns aos outros. Como isto funciona? Eu não sei, mas quem pretende submeter as mulheres aos homens deveria, pelo contrário, resolver isto, pois se esta submissão mútua vem antes da (pretensiosamente religiosa) submissão feminina, é porque deve ser mais importante, e sugerir a submissão das mulheres suprimindo esta submissão mútua é somente fazer dos próprios desejos a Palavra de Deus – assim como sugerir esta submissão em algum momento posterior também, afinal, mesmo em uma interpretação literal, Paulo diz para as mulheres que “submetam-se”, e não para os homens que “submetam-nas”, ainda que menos errado não seja o mesmo que correto.</p><p>Cristo, por exemplo, nunca disse que os convertidos de fora do judaísmo deveriam observar a lei de Moisés, nem que não deveriam, e a Igreja deliberou, no “concílio” de Jerusalém (At 15, 5-21), que fora a abstenção “das impurezas da idolatria, da imoralidade, da carne asfixiada, e do sangue” (v. 20), o resto não era problema (e mais tarde os dois últimos itens também caíram); inspirada pelo Espírito Santo, a Igreja submeteu-se à vontade de Cristo em um caso sobre o qual Cristo não deixou nenhuma orientação expressa. Se existem orientações expressas de Cristo (“amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”, ṕor exemplo), nenhum marido tem legitimidade alguma para dar outras orientações expressas que não sejam as que Cristo deixou – em outras palavras, sua autoridade se fundamenta em Cristo de modo semelhante à autoridade daquele rei do Pequeno Príncipe, a quem o sol se submete ao se pôr todos os dias na hora em que tem que se pôr, e ao nascer todos os dias na hora que tem que nascer e, sabiamente, não manda o sol fazer nada diferente disto.</p><p>Colocar as coisas nestes termos pode até parecer piada, mas não é: nas questões sobre as quais Cristo não deixou nenhuma orientação específica, a Igreja, assistida pelo Espírito Santo, até hoje decide (e decide conforme a vontade de Cristo, a quem é submissa); as mulheres, submissas ao marido como a Igreja a Cristo, também. E Cristo não está tentando convencer a Igreja a não trabalhar fora de casa, não está exigindo que a Igreja satisfaça seus caprichos masculinos, não fica dizendo à Igreja qual roupa deve vestir, nem cobra o jantar pronto quando chegar em casa; muito menos é violento, infiel, escorado e indiferente, por exemplo (em exemplos que nem deveriam mais fazer sentido).</p><p>Os maridos, que são o Cristo nesta passagem de Efésios, “devem amar suas esposas como amam seu próprio corpo” que, segundo A Bíblia sem Mitos (p. 126), significa o próprio “eu” na antropologia semítica (que era a compreensão do ser humano a partir da qual tanto Paulo quanto Cristo escreveram ou disseram o que está registrado, sob a inspiração do Espírito Santo, na Bíblia), e somente isto poderia bastar para desfazer qualquer interpretação machista desta passagem de Efésios; mas antes de colocar a medida do amor neles próprios, Paulo colocou como medida o amor de Cristo pela Igreja, que se entregou por ela.</p><p>Talvez esta passagem de Efésios se resuma, enquanto “conselheira matrimonial”, ao seu início (“sede submissos uns aos outros”), aconselhando as esposas a levarem em conta o marido naquilo que elas decidem, e os maridos a tratarem a sua esposa em pé de igualdade (“como a seu próprio corpo”, considerando aí “corpo” no sentido de “eu”, conforme o livro mencionado acima), o que seria uma forma de submissão mútua.</p><p>Seja como for, o pano de fundo de qualquer interpretação bíblica é o sacrifício de Cristo para a nossa salvação, e não o sacrifício dos outros em prol dos próprios sentimentos de superioridade.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A ostentação política da fé</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21i462-a-ostentacao-politica-da-fe</guid>
      <pubDate>Wed, 01 Sep 2021 04:48:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/09/2021</p><p>Se há alguma grande diferença entre a declaração de Pedro (Mt 16,16), “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” e a do espírito impuro no Evangelho de ontem (Lc 4,34), “eu sei quem és: o Santo de Deus” (exceto pelo alinhamento de ambos para com Deus), talvez quem estude teologia a fundo saiba, porque os dois não me parecem estar dizendo coisas muito diferentes além das palavras que usaram.</p><p>A fé em Deus vale por si só, e só Deus sabe o quanto às vezes a sua manifestação pode sair truncada, por isto que só cabe a ele julgar, por sinal, especialmente quando é para condenar a falta de fé de alguém, mas mesmo quando se julga que alguém tem uma grande fé, quem sabe mesmo o tamanho dela é Deus.</p><p>E é isto o que, na mistura entre fé e política, degrada tanto a fé quanto a política. Não que esta degradação mútua sirva como argumento para fingir que as duas coisas não se relacionam, quando na verdade talvez se relacionem mais profundamente do que possa parecer, mas a fé em Deus como bandeira política pode ser erguida tanto pelo bolsonarismo quanto pelo demônio (que inclusive tem mais fé em Deus do que qualquer um, bolsonarista ou não), o que não desbota a bandeira, mas também não faz dela um certificado de idoneidade.</p><p>O melhor que se pode oferecer a qualquer pessoa é a fé em Deus, mas quando um político só tem a oferecer como plataforma esta mesma fé em Deus, ou sua fé ou sua política é apenas uma fachada para sabe-se lá o que. A fé em Deus não leva à política (a menos que o monge copista tenha se enganado e em vez de “batizai” devesse ter escrito “elegei-vos em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” em alguma passagem do NT que eu não vou procurar agora).</p><p>A fé em Deus pode determinar o modo como a pessoa faz política, mas muitas coisas também podem determinar, e a despeito da gigantesca importância que há em ter fé em Deus, ela por si só não é, ou não deveria ser, requisito nem muito menos plataforma política. Mas, repetindo, isso não significa que fé e política estariam melhor longe uma da outra. Na própria Bíblia há ótimas plataformas políticas (alimentar o órfão, proteger a viúva, alimentar quem tem fome, agasalhar quem tem frio, etc.) e até mesmo preferências políticas (como em 1Sm 8,9 – embora isso não se aplique ao reinado do próprio Deus, como se vê no versículo 7). Jesus Cristo não aprovava nem a ocupação romana, nem a violência contra esta ocupação; Abraão intercedeu por Sodoma, equilibrando-se em uma linha fina entre a humildade e a ousadia (pedindo desculpas pela insistência sem deixar, porém, de insistir), Ciro, conquistou a Babilônia de Nabucodonosor e encerrou o exílio babilônico certamente movido por Deus, mas o fez agindo politicamente (e não como um profeta que gritasse “ouvi, Israel”), e os pŕoprios profetas agiam politicamente também, entre tantos outros exemplos.</p><p>Mas até mesmo a fé mais gigantesca em Deus não é motivo para votar nem deixar de votar em ninguém, embora a fé não seja irrelevante: defender o porte geral de armas em detrimento de uma política de segurança pública, o crescimento da economia em detrimento da saúde, a devastação da natureza em favor de maiores lucros, são posicionamentos (entre outros) que não demonstram nenhuma falta de fé em Deus, mas sim que os fiéis que foram eleitos não tem a menor dificuldade em por a fé de lado para ignorar a maldade das suas decisões.</p><p>Nada justifica que alguém esconda a sua fé, mas quando ela precisa ser ostentada em troca de votos, é um sinal seguro de que ali a fé não vai conversar com a política, a não ser como uma pretensa justificativa para a maldade, e para angariar apoio aos projetos diabólicos escondidos sob o véu da ostentação da fé.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Isenção espiritual (1/1)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21h461-isencao-espiritual-1-1</guid>
      <pubDate>Fri, 27 Aug 2021 04:46:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/08/2021</p><p>Jesus Cristo veio ao mundo com uma missão espiritual, redimindo espiritualmente a cada ser humano quando sacrificou-se (e enquanto ainda sacrifica-se) na sua Paixão e ressuscitou no Domingo, tanto é que, surpreendentemente, repreendeu até mesmo o materialismo excessivo do povo quando percebeu que este povo o seguia somente para encher a barriga (Jo 6,26), apesar de, pelo contrário, usualmente repreender e condenar, a favor do povo oprimido, os poderosos opressores. Um povo oprimido é quase sempre um povo faminto, já que uma das primeiras providências dos opressores é, de um jeito ou de outro, fomentar a fome, seja para enfraquecer fisicamente as possibilidades de resistência daqueles que oprime, seja para forçar aqueles que oprime a dependerem do próprio opressor para comerem – e Jesus passa por cima de tudo isto para criticar quem o seguia por comida.</p><p>Mas se a fé em Deus não se sustenta no materialismo de quem pretende que esta fé ponha comida no prato (ou dinheiro na conta, o que é muito mais comum), a desconexão com a realidade material que pretende “ganhar um fuscão no Juízo Final” (Comportamento Geral – Gonzaguinha) purificando-se de qualquer materialidade revela um déficit de fé que é nocivo, não pelo déficit em si (quem é que não precisa repetir o “eu creio, ajude a minha falta de fé” de Mc 9,24?), mas por esconder este déficit sob aquela pureza.</p><p>E realmente esta isenção de mundo purifica muito os isentos, sempre rezando e ligados em Deus, mas (exceto por um retiro espiritual temporário para fortalecimento da fé) isto os deixa semelhantes aos piores materialistas gananciosos que acumulam riqueza para si sem reparti-la com o resto.</p><p>Neste tipo de acumulador, egoísta e ganancioso, é até fácil identificar o seu materialismo nocivo; já o materialismo de quem não é egoísta nem ganancioso, mas (sendo rico ou não) procura promover materialmente o bem alheio, é mais difícil detectar a chaga materialista, e mais difícil ainda apontá-la, por causa da nobreza que há na promoção alheia – e de qualquer forma, é muito menos pior um materialismo solidário do que um egoísmo materialista. Mas este materialismo altruísta é uma versão não-religiosa daquela espiritualidade isenta do mundo, e no fim das contas ambos separam a alma e o corpo no melhor estilo “golpe do Dr. Estrange”, cada um guardando para si uma porção da realidade enquanto renega a outra.</p><p>E é esta espiritualidade isenta do mundo que condena coisas como o Concílio Vaticano II, o método histórico-crítico de interpretar a Bíblia, o uso de conceitos sociológicos e antropológicos na teologia e, também, um certo tipo de espiritualidade socialmente engajada. Este tipo de espiritualidade tem os seus riscos óbvios (dos quais a Teologia da Libertação poderia ser um ótimo estudo de caso), mas são os mesmos riscos que correram os servos da Parábola dos Talentos (Mt 25, 14-30) que não esconderam os talentos que receberam em um buraco para devolvê-los intactos ao seu dono – a parábola fala dos que multiplicaram os talentos e do que escondeu o que recebeu, mas não da possibilidade de perder os talentos na tentativa de fazê-los render, se bem que talvez isto esteja implícito tanto no elogio dos que os fizeram render, quanto na condenação do que escondeu o talento.</p><p>A esta santidade com pés de barro, o papa Francisco contrapõe <a href="https://mrclmlt.github.io/site/%E2%80%9Chttp://www.ihu.unisinos.br/186-noticias/noticias-2017/567507-nao-tenhamos-medo-de-nos-sujar-por-nossa-gente-manifesta-se-francisco-em-mensagem-ao-celam%E2%80%9D">“sujar os pés na lama”</a>, que é o resultado de encarnar a espiritualidade (como Maria encarnou o Evangelho, nas palavras do <a href="https://mrclmlt.github.io/site/%E2%80%9Chttps://portal.pucminas.br/imagedb/documento/DOC_DSC_NOME_ARQUI20130906182452.pdf%E2%80%9D">Documento de Puebla, 301</a>) em vez de esconder-se nela para deixá-la intacta às custas de negá-la aos outros. (continua)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Religião e cultura</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21h460-religiao-e-cultura</guid>
      <pubDate>Thu, 26 Aug 2021 04:23:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>26/08/2021</p><p>Uma religião inevitavelmente produz algum tipo de cultura, tanto quanto reproduzirá alguma cultura. No caso do cristianismo, alguns elementos da cultura religiosa onde ele surgiu foram mantidos nos primórdios, como a decisão “conciliar” de manter a proibição contra comer carne de animais sufocados (que deve ter perdurado por um bom tempo) por exemplo, enquanto que outros elementos culturais incompatíveis com a fé cristã foram proibidos, tal como a poligamia ou algumas práticas religiosas comuns entre os povos gentios do período bíblico, por exemplo.</p><p>Apesar desta relação intrínseca entre religião e cultura, a fé não é um elemento cultural, apenas o é a cultura que se origina dela (ou que se reproduza nela, como o casamento, que apesar de assumir características próprias como matrimônio cristão, não foi inventado pelo cristianismo). E embora a Igreja trabalhe tendo em vista a inculturação do Evangelho (em termos muito diferentes e distantes dos que levaram aos genocídios dos séculos passados, como se pode ver <a href="http://www.ihu.unisinos.br/169-noticias/noticias-2015/548711-qnao-tenham-medo-do-conflitoq-a-inculturacao-do-evangelho-segundo-bergoglio">neste texto</a> do então cardeal Bergoglio), a fé não se confunde com a cultura.</p><p>Não foi a evangelização que produziu estes genocídios e outros horrores que mancham com sangue a história do cristianismo, mas sim, justamente, a impermeabilidade da cultura, a ocidental, no caso, ao evangelho. Pelo menos é o que se pode perceber pela contínua e intransigente reprodução dos piores aspectos culturais destes tempos, ainda por cima justificada como defesa do cristianismo.</p><p>Embora qualquer pecado não deixe de ser pecado pela força do desejo de alguém, nem por maioria de votos, não há nenhum que justifique a misoginia, o racismo, a homofobia e inúmeras outras violências que hoje se comete em nome da defesa da fé cristã. Também não há <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Decreto_contra_o_Comunismo">decreto de 1949</a> que justifique as perseguições <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-08-23/em-nome-do-pai.html">contra outros cristãos</a>, assim como não há zelo religioso que as justifique quando são <a href="https://www.poder360.com.br/brasil/cpi-da-intolerancia-religiosa-da-alerj-vai-convocar-presidente-da-fundacao-palmares/">contra outras religiões</a>.</p><p>Aliás, se trocar “opção pelos pobres” por “opção pelo bolsonarismo”, as instruções <a href="https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19840806_theology-liberation_po.html">Libertatis Nuntius</a> e <a href="https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19860322_freedom-liberation_po.html">Libertatis Conscientia</a> passam a se aplicar à “bolsoteologia” (mais anti-cristã que qualquer Nietzsche) em grau muito maior do que se aplicam à Teologia da Libertação dos dias de hoje.</p><p>A fotógrafa Boushra Almutawakel, autora das famosas fotos da mãe e filha usando roupas coloridas que aos poucos vão se descolorindo e, depois, desaparecendo dentro de burcas, disse em uma entrevista que a opressão, representada nas fotos, dá a impressão de que <a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-58295032">“É como se a cultura fosse muito mais forte do que a religião.”</a>, o que se repete na “bolsoteologia” tão fortalecida em 2021.</p><p>E enquanto a nossa cultura se mantiver impermeável ao Amor pregado (inclusive a uma cruz, antes de ressuscitar) no Evangelho, vamos continuar deteriorando as nossas almas (pretensamente) <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/The_Battle_for_God">em nome de Deus</a>.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A desfiguração de Cristo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21h459-a-desfiguracao-de-cristo</guid>
      <pubDate>Sat, 07 Aug 2021 04:43:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/08/2021</p><p>Acreditar em Deus sempre implica em um comprometimento que, no fim das contas, diz mais sobre quem crê do que sobre Deus – mais ou menos como o Pedro de Freud, que quando fala sobre Paulo, revela mais de si mesmo do que de Paulo.</p><p>Não que Deus seja como o bicho-papão de Harry Potter, que neste caso mudaria conforme a fé e não conforme o medo de quem se aproxima; mas se Deus é tal como é seja lá como for, ele não é como quer a fé do crente só porque sua fé quer assim. Deus – ao contrário do bicho-papão, convém dizer – se revela tal como é mas entre véus e sombras provenientes de nós, e no entanto não se reduz a estes véus e sombras, o que deveria ser lembrado tanto quanto por quem fala de Deus quanto por quem ouve o que se fala, especialmente quando quem fala se esquece que “ninguém jamais viu o Pai, a não ser aquele que vem de junto de Deus” (algum versículo entre Jo 6,41 e 51).</p><p>A fé no poder, na supremacia e na condição absolutamente vitoriosa de Deus, muito em voga hoje em dia, não está de maneira nenhuma errada; mas a parte do poder, da supremacia e da vitória é demasiadamente propagada, a ponto de substituir o próprio Deus, como se pode ver em quem acredita que a derrota, a miséria e as desgraças significam a ausência de Deus, quando na verdade isto é consequência da ausência de fé (não necessariamente ausente em quem sofre estes males) ou, pelo menos, deste deslocamento da fé, de Deus para a vitória, o poder, etc.</p><p>Às vezes os males de alguém podem até ser pela falta de fé em Deus, mas eu aposto (quer dizer, chuto, porque saber mesmo eu não sei) que na maioria das vezes, refletem a ausência da fé da coletividade em seu entorno que poderia ter evitado ou minimizado as consequências destes males, por exemplo(segue um possível gatilho): um jovem que se mata, como <a href="https://revistaforum.com.br/noticias/homofobia-lucas-sucidio/">este</a> que brincou de beijo gay, foi hostilizado como se fosse mesmo gay e se matou pela homofobia que sofreu; não dá para afirmar, pelo suicídio, nem que tinha nem que não tinha fé em Deus, mas a falta de fé alheia, dos que foram hostilizá-lo no tik-tok, é muito evidente.</p><p>Se bem que deduzir que este tipo de pessoas, que vai hostilizar outras na internet, não acredita em Deus, também não está certo: se a fé que tem em Deus inclui a permissão para a homofobia (que não poupou nem o garoto que depois tentou explicar, em vão, que nem gay era), então talvez haja sim fé, só que em algum tipo de divindade homofóbica, um Senhor dos bullyings (e não dos exércitos, como na Bíblia) e pai da intolerância – que em qualquer caso ou significa um erro grave de qualquer igreja cristã minimamente decente, que se enganaria muito ao pregar um Deus que que é amor (quem sabe por uma adulteração dos monges copistas, que podem ter trocado um eventual “ódio” por “amor” no texto original); ou significa uma fé que desconfigura Deus, tal qual Cristo desfigurado de tanto sofrimento na Paixão (e crer em Cristo mesmo desfigurado pela violência é muito diferente de desfigurá-lo pela violência).</p><p>Já a fé em um Deus que se fez criança, e até menos ainda, um aglomerado de células que iam virar um feto (para depois nascer, crescer, etc.), que certamente é muito mais difundida, é a que parece estar menos em voga hoje em dia, pois não foi este tipo de fé que foi propagada na vitória deste governo eleito (segundo sua própria crença) em nome de Deus – se bem que todos os reis de Israel também governavam em nome de Deus, e a maioria deles foi desaprovada pelo próprio Deus.</p><p>A falta de fé é uma condição sombria, mas não é o ateísmo que está nos levando a ficar na fila da doação de ossos no açougue (entre outros exemplos da nossa decadência social sob este governo), e sim esta fé que desfigura Deus e também ao próximo, na medida em que a fé em Deus não proíbe que o próximo seja tratado pior do que os cães que antigamente eram os que corriam atrás dos ossos para roer os restinhos de carne presos neles.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Blog encerrado</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 16 Jan 2021 19:41:18 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>16/01/2021</p><p>Como todos os outros.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Flávio, Kundera, Paulo e Cristo (1/3)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21a457-flavio-kundera-paulo-e-cristo-1-3</guid>
      <pubDate>Thu, 14 Jan 2021 16:42:34 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/01/2021</p><img width="600" alt="" src="/midia/21a457-flavio-kundera-paulo-e-cristo-1-3.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/21a457-flavio-kundera-paulo-e-cristo-1-3.png"/><p>O que significa a compaixão de Cristo, que ele tem por nós a ponto de sacrificar-se por nós na cruz (não sem antes nascer por nós, curar-nos por nós, etc.)? No vídeo Reflexão do Evangelho do dia 14 de janeiro de 2021, o <a href="https://youtu.be/XqwkI1HMoGo">padre Flávio</a> nos explica: «… Esse procedimento ousado [o modo como o leproso aborda Cristo] provoca em Jesus o sentimento de compaixão. A compaixão é aquele sentimento que nos mobiliza, pois nos faz sentir a dor do outro (…) é fazer da dor do outro a sua própria dor. Jesus se sente irmanado na dor do leproso…» (no terceiro minuto do vídeo, entre os segundos 17 e 48).<br/><br/>Deus é infinitamente maior do que nós, e toda esta grandeza, obviamente livre de quaisquer pecado, não se degrada em soberba, pois mesmo incomparavelmente maior do que nós, Deus humilhou-se a ponto de morrer por nós (“por nós” porque morreu em lugar de nós, mas também “por nós” no sentido de que temos participação neste homicídio deicida).<br/><br/>Portanto a origem da compaixão é o rebaixamento de um ser superior à inferioridade de um ser menor. Mas nós, que devemos nos tornar “outro Cristo” (conforme algum documento da Igreja que não me lembro agora e nem tenho tempo de procurar), também precisamos guardar as devidas proporções nesta imitação.<br/><br/>O que nos cabe na nossa (fazendo aqui um coro com Maria no Magnificat) pequenez é, como disse o padre, fazer da dor do outro a nossa própria dor, mas não como quem se rebaixa à dor alheia, pois a criatura compassiva em condições de assumir a dor alheia não o faz a partir de sua própria fortaleza, e sim da sua própria fragilidade.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Aglomeração espiritual</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21a456-aglomeracao-espiritual</guid>
      <pubDate>Wed, 13 Jan 2021 04:17:52 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/01/2021</p><p>Todo o texto do Evangelho de hoje, Mc 1,29-39, gira em torno do que é público, comunitário, coletivo: a sogra de Pedro passa a servi-los depois de ser curada, a cidade inteira se ajuntou na porta da casa de Pedro, e depois de rezar, Cristo foi a outras aldeias na redondeza para proclamar o Evangelho por lá também.</p><p>A única cena que destoa de tudo isto é a oração de Jesus, solitária (quando ainda estava bem escuro e num lugar deserto), antes da hora de acordar, como se fosse uma culminância de todo o trabalho do dia anterior e também a abertura dos trabalhos do dia.</p><p>Em uma outra passagem, que eu não vou ir pesquisar agora qual é, Jesus deixa clara a importância da oração coletiva (“quando dois ou mais se reunirem no meu nome…” etc.), e a Bíblia como um todo, também. Mas aparentemente isto serve como manifestação pública da fé e para fazer pedidos – o que talvez demonstre o quanto é mais importante pedirmos coletivamente, mais do que individualmente.</p><p>Mas agora Jesus vai rezar sozinho, e se a oração coletiva é necessária, a oração individual é indispensável. É urgente, por exemplo, que venham logo as condições sanitárias para podermos nos reunir em oração, seja em missas (e em cultos, etc.), procissões, reuniões informais de oração e por aí vai, mas o cuidado para com a vida é uma prioridade anterior em uma situação temporária (apesar de ser longa, muito longa) como é a situação nesta pandemia.</p><p>Porém, não há pandemia que impeça a oração individual, e ela pressupõe, antes dos pedidos para que Deus resolva os nossos problemas individuais, a reinserção da coletividade neste ato solitário. Pelo menos é a oração que se deduz desta passagem do Evangelho de hoje. Toda ela é perpassada pela multidão: uma multidão que vai até Jesus antes dele ir rezar no deserto, e outra multidão que vai ser procurada depois dele ir rezar no deserto.</p><p>Logo depois de ser curada a sogra de Pedro vai servir os outros, que por sua vez, vão servir a mais outros (dá para supor que uma aglomeração na frente da porta de alguém, cheia de gente aguardando “atendimento”, fragilizada inclusive por doenças, tenha dado bastante trabalho para os auxiliares de Jesus organizarem a bagunça), e toda a logística de ir às aldeias vizinhas ainda mais.</p><p>A oração de Jesus, solitária em um deserto, se dá no meio disto. Ele não disse “pára tudo!!” no meio do fervo, mas foi rezar, entre uma rodada e outra de trabalho, pelo trabalho em prol da multidão.</p><p>Parece, assim, que a oração é, antes de ser o momento de pedir por si, de interceder pelos outros, de restaurar as energias esgotadas, parece ser antes o momento de reunir, espiritualmente, a coletividade na própria individualidade, um momento de união com Deus que, justamente por causa de Deus, nos põe em união com todas as pessoas.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Antigos espíritos do mal</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21a455-antigos-espiritos-do-mal</guid>
      <pubDate>Tue, 12 Jan 2021 04:31:23 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/01/2021</p><img width="600" alt="" src="/midia/imagem.jpeg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2021/01/mumm-ra-mockup_01.jpeg"><img width="600" alt="" src="https://mrcl.files.wordpress.com/2021/01/mumm-ra-mockup_01.jpeg"/></a><p><em>mockups-design.com*</em></p><p>Às vezes é difícil criticar os alguns tipos de conservadores por causa do jogo ambíguo que eles fazem com com algumas ideias. Não que seja difícil dizer “ora, mas que bobagem” depois de ver algumas delas, mas detalhar a bobagem é um pouco mais complicado.</p><p>Por exemplo: o aborto é pecado, mas o abandono dos filhos pelos pais também; a homossexualidade é pecado, mas olhar as mulheres com desejo, também; defender o comunismo é pecado, mas defender o individualismo egoísta (redundância) da precarizações das condições do trabalho, também. Em todos estes pares, eles só se escandalizam com o primeiro termo, e se manifestam alguma contrariedade contra o segundo, é com o mesmo entusiasmo do Gênio defendendo o Jafar.</p><p>Estes protestos anti-pecados, mesmo feitos “em nome de Deus”, não garantem a anuência de Deus, ainda que, em essência, digam verdades. Por exemplo: “sei quem tu és: o Santo de Deus” (Mc 1,24) tem toda a cara de um genuíno e profundo louvor da alma que encontra a imensidão do amor de Deus – mas saiu da boca de um espírito maligno no evangelho de hoje.</p><p>Isto não significa, é óbvio, que proclamar que Cristo é o Santo de Deus nos coloque em pé de igualdade com o diabo; mas significa, sim, que até mesmo as verdades mais profundas, sem perderem a própria legitimidade, não legitimam quem as proclama. E Cristo não hesita em calar quem a proclama com as piores intenções (cf. Mc 1,25).</p><p>Isto não significa calar esse tipo de conservadores, mas significa, sim, que apenas falar a verdade, como quem diz “postei e saí correndo”, não serve para nada, ou, pelo menos, para nada de bom, pois esse tipo de coisa até o diabo faz.</p><p>*Imagem: <a href="https://docecaneca.com.br/produto/caneca-mumm-ra-2/">https://docecaneca.com.br/produto/caneca-mumm-ra-2/</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Convertei-vos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21a454-convertei-vos</guid>
      <pubDate>Mon, 11 Jan 2021 13:56:16 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/01/2021</p><img width="600" alt="" src="/midia/21a454-convertei-vos.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2021/01/screenshot_20210111-104824.png"><img width="600" alt="" src="/midia/21a454-convertei-vos.png"/></a><p>O Porta dos Fundos tem um vídeo chamado Jerusalém Alerta* que, parodiando o sensacionalismo de programas como o Cidade Alerta, “denuncia” aos cidadãos o surgimento do cristianismo. O apresentador contrapõe os novos costumes que a nova religião representa aos costumes tradicionais da sociedade de então, como o monoteísmo diante do tradicional politeísmo, a pouco hollywoodiana concepção de Cristo (se fosse Zeus tinha engravidado Maria até na coxa, quisesse ela ou não) e por aí vai.</p><p>No evangelho de hoje o apresentador poderia encontrar outro sinal de que a nova religião, o cristianismo, não era boa coisa: o ponto de partida da pregação do evangelho que Cristo fez começou a partir da prisão de João Batista.</p><p>O evangelho não começou a ser pregado porque Cristo viu os céus se abrirem em sua glória ou porque ele viu a beleza de Deus no sorriso de uma criança, nem motivado por uma visão do inferno repleta de efeitos especiais, mas porque um profeta foi preso.</p><p>A Boa Notícia começou a ser divulgada depois de uma má notícia.</p><p>É claro que Deus não é uma espécie de urubu que fica esperando as desgraças para fazer alguma coisa (como se Cristo ficasse marcando os dias em um calendário entitulado “João já foi preso?” para começar a pregação), mas de fato Cristo não ficou esperando manifestações transcendentais para agir, e sim o fez depois de algo tão terreno, e também infeliz, como uma prisão injusta.</p><p>Apesar de todos os milagres, tanto ao longo dos quatro evangelhos quanto ao longo da história da Igreja, o cristianismo acontece, mesmo, no feijão-com-arroz dos tempos comuns (e tantas vezes difíceis) em que vivemos (se bem que o preço do feijão e do arroz já não permitem mais associá-los ao cotidiano das coisas simples e comuns; enquanto Cristo multiplica os pães e os peixes, o “governo cristão” multiplica os preços dos alimentos).</p><p>As manifestações religiosas cheias de pompa e circunstância são indispensáveis e necessárias (tipo as missas solenes com o evangelho incensado), mas isto só tem sentido a partir daquilo que se vive no dia a dia: o evangelho vivido dentro dos ônibus lotados, do trabalho explorado, dos malabarismos para suprir as necessidades com um salário que não paga nem a metade, e da luta para que todos possamos desfrutar de condições melhores que as que nos oferecem – como sistemas de transporte público mais dignos (ao invés de condições facilitadas para comprar carros), condições dignas de trabalho (ao invés de precarizações que nos transformem em “empreendedores”), salários justos, etc.</p><p>Cristo não começou a pregar o evangelho a partir da ocorrência de uma prisão injusta porque dependia de um evento funesto para arregaçar as mangas, mas sim porque o evangelho é libertação. Esta libertação, que deve ser primeiramente espiritual em cada indivíduo, leva necessariamente e dentro dos termos evangélicos à libertação mais terrena das condições opressivas às quais somos submetidos diariamente, como um sinal.</p><p>A pregação de Cristo não libertou João Batista da prisão, o que demonstra que não é o resultado que é o objetivo (como se Deus fosse um gerente cobrando uma melhora nos gráficos), e sim a luta, que deve ser a manifestação concreta da libertação da pregação do evangelho que Cristo faz, todos os dias, aos nossos corações.</p><p>*Na verdade nome do vídeo é “Zeus Castiga”.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Aglomerações de fim de ano</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21a453-aglomeracoes-de-fim-de-ano</guid>
      <pubDate>Wed, 06 Jan 2021 06:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/01/2021</p><blockquote><p>La sociedad tecnológica ha logrado multiplicar las ocasiones de placer, pero encuentra muy difícil engendrar la alegría.</p>Paulo VI – Gaudete in Domino, 8.</blockquote><p>As festas clandestinas e as aglomerações à beira-mar demonstram como a necessidade de prazer aprisiona cada pessoa, a ponto de ignorar que estamos em meio a uma pandemia sem termos uma estrutura hospitalar adequada e ainda sem vacina, pelo menos no Brasil – quer seja uma ignorância sincera, quer seja uma ignorância “por opção”, pois às vezes pode ser mais confortável minimizar os riscos ou considerar os cuidados necessários como exageros fundamentados em teorias da conspiração.</p><p>Geralmente é o sexo desregrado que serve para os moralistas apresentarem como exemplo de que as pessoas buscam apenas o prazer e o colocam no lugar de Deus, mas eles ignoram que assim como a Igreja vê no sexo uma ferramenta que serve para outra coisa que não seja o prazer, muitas pessoas fazem sexo sem ser nem pelo prazer nem pelo que a Igreja ensina ser o uso adequado do sexo. Por isto, a fixação do moralismo no comportamento sexual, o prazer prossegue “hedonizando” tudo o que toca, como um Rei Midas que transforma tudo em satisfação pessoal, desejo e gozo intenso, sem que se questione o – parece nome de filme pornô – império do prazer, que não é bem um império mas uma necessidade que se torna maior do que si mesma, a ponto de se tornar quase um elemento primordial, como o fogo era para Heráclito.</p><p>Acontece que o problema do prazer é o espaço da alegria que ele ocupa, impedindo-a de poder se assentar no seu lugar adequado. É semelhante à diferença entre um refrigerante como a Pepsi ou a Coca-cola e um suco natural que não tenha sido adoçado: alguém pode até alegar que a “cola” destes refrigerantes vem da noz-de-cola, mas ainda assim a diferença entre eles e o suco natural faz de ambos coisas diferentes, e não variações da mesma coisa. Pois o prazer, que não exclui necessariamente a alegria, também não é ele próprio a alegria, que é outra coisa muito diferente.</p><p>E o que é a alegria? Cristo. Para mais detalhes, vá procurar encontrá-lo.</p><p>Mas o assunto principal deste texto não é a sugestão do parágrafo acima – apesar de ele ser a única coisa importante do texto, pelo menos no sentido da relevância (pois este texto é apenas uma divagação mal-escrita). O assunto principal é a substituição da alegria pelo prazer que fazemos, uma constatação feita a partir da citação do texto de Paulo VI, que eu encontrei na exortação apostólica Evangelii Gaudium (parágrafo 7). Este texto é considerado o roteiro do pontificado do Papa Francisco, uma consideração que eu li em vários lugares, mas principalmente no livro A Teologia do Povo, de J.C. Scannone (p. 17), sobre “as raízes teológicas do Papa Francisco”, que é o subtítulo e também um resumo exato do livro.</p><p>Assim, apesar de a necessidade de prazer ser uma necessidade que, dentro de suas próprias  fronteiras, é apenas mais uma necessidade, como por exemplo comer ou se divertir, hipertrofiada como um fisiculturista anabolizado do jeito que vem sendo, o prazer se torna uma prisão triste e desoladora, fazendo até o soma de Admirável Mundo Novo parecer uma metáfora inocente. Não é que ninguém aguente mais a pandemia, e nem suporte mais esse isolamento, mesmo sendo assim, meia-boca, como tem sido: aglomerar faz falta, nem que seja pelo prazer de reclamar que tem muita gente e era melhor ter ficado em casa. Mas as aglomerações de fim de ano, que devem ter deixado os aglomerados saciados do prazer que buscavam, são apenas uma fase de um processo de tristeza que eles tentaram resolver com este prazer, e que vai voltar, só espero que não na forma de uma entubação hospitalar típica desta pandemia.</p><p>Seria melhor – ou no mínimo mais saudável – tentar procurar a alegria, para poder compartilhá-la quando pudermos aglomerar sem o risco do coronavírus, do que buscar no prazer o que ele, coitado, não pode oferecer.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Jejum e fome</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21a452-jejum-e-fome</guid>
      <pubDate>Tue, 05 Jan 2021 15:10:27 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/01/2021</p><p>O Reino de Deus é espiritual, mas seus sinais são tangíveis, têm forma, peso, sabor, cheiro e cor. Mas apesar de tudo, Deus poderia ter se limitado a, por exemplo, ter criado uma placa milagrosa escrita “convertei-vos porque o Reino de Deus está próximo”. Seria um sinal corpóreo de uma coisa espiritual. Só que serviria apenas de sinal (pois o exemplo não é um poço dos desejos versão placa milagrosa).</p><p>Os sinais do Reino de Deus tem uma função dupla: espiritual e material. Acreditar em Deus, como disse, se não me engano, São Tiago, até o diabo acredita, e não vai para o céu por isto. E se é verdade que quem faz o bem, mesmo sem acreditar em Deus, está mesmo assim cooperando com Deus, também é verdade que fazer o bem por causa de Deus expande-o, não porque o bem se torna mais eficiente, mas porque vai mais longe.</p><p>Os apóstolos queriam fazer o bem. Se colocaram no lugar da multidão faminta e foram sugerir a Cristo que despachasse o povo para comprar comida. Mas Cristo fez mais do que isto: alimentou-os ali mesmo. O milagre não é nem a comida, nem a “mágica” de multiplicar os pães. O milagre é libertar o povo com as ferramentas do Reino que, mesmo sem ter se realizado ainda, já está entre nós.</p><p>Cristo veio para anunciar o Reino de Deus, e não para comer e beber, tanto é que os seus jejuns merecem destaque nas narrativas evangélicas. Mas ao longo dos evangelhos, Jesus Cristo come, bebe, e alimenta e cura as pessoas, o que nos mostra que fome e jejum são duas coisas muito diferentes, e enquanto o jejum deve ser feito (o Tempo do Natal nem acabou ainda, mas a Quaresma já está à espreita logo ali, em fevereiro), a fome compulsória e opressora precisa ser combatida – assim como todas as outras injustiças análogas a ela.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A ordem dos tratores</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21a451-a-ordem-dos-tratores</guid>
      <pubDate>Mon, 04 Jan 2021 16:36:21 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>04/01/2021</p><p>No Evangelho, Cristo, “percorrendo toda a Galiléia, ele ensinava em suas sinagogas, proclamava a Boa Nova do Reino e curava toda a doença e enfermidade entre o povo” (Mt 4,23).<br/><br/>A proclamação da Boa Nova precedia as curas, mas Cristo não deixava de incluí-las na sua “agenda”. Talvez tenha sido uma novidade na época, anunciar uma coisa e depois confirmá-la com sinais concretos, mas nos tempos de hoje, se tornou um esquema muito manjado.<br/><br/>Não é nem pelo fato de que qualquer um pode forjar sinais que legitimem aquilo que fala (qualquer um mesmo: há um vídeo no Youtube comprovando que o Papa Francisco quer se colocar acima de Deus por uma gravação mostrar um crucifixo em primeiro plano e o Papa mais para o fundo e, como o Papa estava em um palco, quem gravou enquadrou o crucifixo na parte de baixo, e o papa na parte de cima, e se isso vale como prova de qualquer coisa, qualquer coisa serve como prova de qualquer coisa também). Mas também há o seguinte: Cristo, sabidamente, foi a causa das curas e todos os outros sinais que apresentou, e estes eram sinais da Boa Nova que ele pregava; mas hoje em dia quem garante que os sinais que as pessoas apresentam para legitimar o que falam não foram eventos completamente desconexos entre si? Se eu perco o ônibus todos os dias e num dia qualquer, rezando uma Ave-Maria pelo caminho, pego ele extraordinariamente no horário, isto pode ser ou não um pequeno milagre de Nossa Senhora, mas não faz de mim uma Jacinta nem me dá legitimidade para reunir uma comunidade dos Rezadores de Ave-Marias Para Não Perder o Ônibus.<br/><br/>O exemplo é ridículo, mas por muito menos alguns agraciados por coincidências aleatórias reunem em torno de si seguidores, seja na esfera religiosa, seja em outras (financeira, sexual, etc.).<br/><br/>Cristo falou primeiro e fez depois. E hoje em dia não se trata, necessariamente, de fazer o contrário – fazer primeiro e falar depois – até porque este também é um esquema bem manjado.<br/><br/>Cabe a nós, a partir da ordem na qual Cristo fez as coisas, fazer a segunda por causa da primeira. “Transformar o mundo” pode significar muita coisa boa, e também muita coisa ruim. Agora, transformá-lo por causa da Boa Nova não tem erro, desde que não nos limitemos nem à proclamação, nem à transformação; a não ser, é claro, que o que esteja em jogo não seja nem a Boa Nova, nem a transformação do mundo a partir dela.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Se deixar com eles, eles levam até os bodes</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21a450-se-deixar-com-eles-eles-levam-ate-os-bodes</guid>
      <pubDate>Sun, 03 Jan 2021 03:13:39 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/01/2021</p><p>Na Epifania do Senhor (Mt 2,1-12) podemos observar, nos magos vindos do Oriente (que a Bíblia não diz que eram reis, mas também não diz que não eram, portanto) podemos observar, nos Três Reis Magos, como às vezes até mesmo os caminhos mais obscuros levam a Cristo.</p><p>Eles estavam procurando Cristo (embora às vezes ele seja encontrado sem querer, até porque sempre ele já estava nos procurando antes), mas no seu lugar encontraram Herodes. Na sua busca, colocaram o malvado no encalço de Cristo.</p><p>Aproveitando-se da inocência dos Três Reis Magos (que não sabiam dos planos homicidas de Herodes), enviou-os à frente, como batedores involuntários, para depois usar as informações deles contra Cristo. Mas, depois de encontrar o Senhor recém-nascido, foram avisados em sonho para deixar Herodes de lado.</p><p>É muito conhecida a ideia de que Deus se serve até do mal para fazer o bem – o que de maneira nenhuma justifica qualquer mal – mas a ideia principal é que, quaisquer que sejam os caminhos que nos levam a Cristo, o caminho de volta já não será igual ao que nos levou a ele.</p><p>Isto é uma metáfora para a conversão, mas também a informação, muito literal, que independente de como julguemos ser o caminho que percorremos, além de olhar para o céu (o que é indispensável), é necessário olhar também para a terra onde nossos pés estão pisando, para não voltar pelo caminho que leva à morte.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Quem é o Cristo?</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21a449-quem-e-o-cristo</guid>
      <pubDate>Sat, 02 Jan 2021 14:46:47 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>02/01/2021</p><p>São João Batista, o profeta, a voz que clama do deserto, o precursor, o homem sacrificado por dizer a verdade, o batista, se define, antes de mais nada, pelo que ele não é: “eu não sou o Cristo” (Jo 1,20). Mais do que um modelo, um exemplo ou uma inspiração, esta definição primária que ele faz de si, pela negativa, é uma essência – e ela sim assume esta função de modelo, exemplo, etc.</p><p>Aqueles que seguem Cristo o representam diante dos outros, e esta representação deveria servir apenas para conduzir quem está diante do representante ao representado, ou seja, representar Cristo significa exclusivamente conduzir o outro a Cristo. Por um lado, só é possível fazer isto, conduzir a Cristo, a partir da Igreja; por outro lado, os apóstolos, os pastores, o rebanho, o fiel, não são apóstolos, pastores, fiéis, etc., da Igreja, mas de Cristo.</p><p>Se é necessário levar Cristo ao outro, e igualmente necessário fazer isto a partir da Igreja, não é a Igreja que deve ser levada ao outro. Talvez, como estratégia, funcione em alguns casos, mas esta não é a única, nem a melhor – nem deveria ser a principal, até porque o anúncio de Cristo não precisa de estratégias (embora elas sejam muito convenientes, pois mesmo com estratégias é fácil se perder nisto tudo, sem estratégias, então, fica mais fácil ainda). A questão é que a Igreja é uma necessidade indispensável que não pode ser relativizada nem muito menos posta de lado, mas – assim como São João Batista – não é o Cristo.</p><p>A Igreja sabe muito bem disto, mas cada pessoa que a integra pode facilmente se confundir. Pois, assim como São João Batista e a Igreja, aquele que representa Cristo não é o Cristo, e assim como o Batista, esta deveria ser a primeira apresentação de si.</p><p>Somos Cristo quando buscamos primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, somos Cristo quando praticamos obras de piedade, somos Cristo quando não respondemos às injustiças com outras injustiças nem com violência, somos Cristo quando não perdemos a cabeça quando a única coisa que resta é a fé… podemos ser Cristo de muitas maneiras e em muitos sentidos, mas não somos o Cristo.</p><p>Assim como é necessário sabermos que não somos o Cristo, é necessário sabermos que quem se apresenta como tal também não é (exceto, é claro, o próprio Cristo). São estes, que mesmo se declaram com muita humildade a superioridade de Deus sobre si próprios, se colocam como a melhor via de acesso a Cristo, ou como dignos de confiança irrestrita, ou então como quem deve ser obedecido em nome de Deus (pois a pessoa que pede ou exige obediência distorce profundamente o sentido de obediência que o Evangelho apresenta).</p><p>São João Batista ainda repete, até hoje, que não é o Cristo, para que nos lembremos que identificar-se com Cristo é diametralmente oposto a identificar-se, seja pelo que se fala, seja pelo que se faz, como Cristo.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Nossa Senhora das Pesquisas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">21a448-nossa-senhora-das-pesquisas</guid>
      <pubDate>Fri, 01 Jan 2021 17:03:51 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/01/2021</p><p>Um anjo anuncia a Maria que ela será a mãe de Cristo, depois ela visita Isabel e seu espírito exulta em Deus, o Salvador; então ela e José vão a Belém para o recenseamento, não encontram onde se hospedar e ela acaba parindo dentro de uma caverna onde os animais comem; logo em seguida aparecem pastores que, durante o trabalho, receberam uma mensagem de um anjo, informando que Cristo tinha nascido.<br/><br/>Enquanto isto, Maria “retinha todos esses acontecimentos procurando-lhes o sentido” (Lc 2,19), como nós que procuramos o sentido das coisas, tanto as mesmas sobre as quais Maria refletia, quanto outras diferentes.<br/><br/>Entre tantas memórias que a Igreja celebra ao longo do ano, poderiam incluir uma memória das Bodas de Caná (mas João Paulo II preferiu fazer disto um mistério Luminoso do Rosário) para celebrar o dia em que Maria contou aos trabalhadores o resultado das suas reflexões: “fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Maria, Mãe de Deus</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20l447-maria-mae-de-deus</guid>
      <pubDate>Thu, 31 Dec 2020 23:29:02 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>31/12/2020</p><p>Às vezes as pessoas tratam as diversas religiões como se fossem variações diferentes da mesma coisa, o que não é verdade. Apesar disto, existem semelhanças óbvias, e diferenças marcantes, algumas vezes muito práticas, como uma igreja pela qual eu passei no intervalo de algum curso de não sei o que, e me pareceu ter cara de igreja católica, ia ter missa dali alguns minutos, mas como saber se era ou não sem perguntar? Aí vi uma foto do papa e ficou fácil porque, embora a religião católica não seja centralizada do papa, acho que só ela se dá ao trabalho de pendurar alguma foto dele nas paredes.</p><p>Outro “diferencial” é Maria, que amanhã é o tema da solenidade do primeiro dia do ano e também fica muito em evidência nesta época do Natal. A disciplina da teologia que estuda Maria se chama “Mariologia”, um nome que deveria ser repensado porque também pode se aplicar ao estudo do doce de mariola, e que eu confesso que passei correndo por cima, por ter sido justamente no final do ano e absolutamente tudo é correria em final de ano, com ou sem pandemia.</p><p>No fim a vivência prática da relação com Maria se sobrepõe muito a qualquer estudo, porque em relação a ela se tem muito mais a viver do que a dizer, é a impressão que eu tenho.</p><p>E justamente por ser um assunto mais amplo nos seus aspectos práticos do que teóricos, ele implica muito na dimensão social da devoção a Nossa Senhora. Eu acho que faz muita falta a (pelo menos aparente) dissociação entre a devoção a Maria e os aspectos sociais disto.</p><p>Os católicos, quando querem, sabem se mobilizar para além da Internet, o que é provado, por um exemplo agradável e positivo, nas romarias para Aparecida, e por um exemplo desagradável e negativo, as reações quase histéricas contra o aborto.</p><p>Até quem é favor da legalização do aborto é, na sua maioria, contra abortar, pois o foco deles não é o aborto em si mas a precariedade das estruturas sociais que transformam a gravidez, que de outra forma é uma graça de Deus, em uma maldição terrível para quem sofre mais com a exploração capitalista. Claro que há histeria também do outro lado, apesar de a histeria católica quase sempre gritar mais alto, mas poderia ser de outra forma, e justamente dentro desta espiritualidade mariana (observação irrelevante: “Marianalogia” soaria melhor que “Mariologia”).</p><p>O “sim” de Maria não foi um sim parcial, como parece ser a defesa da vida dos grupos pró-vida que se mobilizam só quando uma criança estuprada vai abortar ou quando o aborto é aprovado na Argentina, por exemplo. O “sim” foi um sim integral, em defesa da vida em toda a sua extensão, incluindo, portanto, a vida das crianças que vivem em condições precárias, dos adolescentes que precisam trabalhar e por isto não podem estudar, dos jovens que depois de não terem podido estudar, não conseguem trabalhar, e por aí vai: os adultos em situações precárias, os idosos abandonados, ou que então ainda são obrigados a trabalhar no limite de suas forças… Os direitos humanos, tão atacados e menosprezados nestes tempos bolsonaristas, são a “versão civil” da exaltação dos humildes e dos famintos que Deus saciou no Magnificat cantado por Maria na visita a Isabel, relembrada no mínino em todas as segundas e nos sábados, porque é o segundo mistério gozoso do terço. E o próprio Magnificat é repetido diariamente entre o fim da tarde e o início da noite por quem reza a Liturgia das Horas junto com toda a Igreja.</p><p>O combate ao aborto deveria ser um tópico (fundamental, mas localizado) dentro do movimento de defesa da vida, e não sua maior expressão. Mas da maneira como é, parece ser apenas formalmente uma luta católica, ou mesmo religiosa, servindo na prática a outros interesses bem distantes de qualquer coisa que possa ser chamada de “religião”.</p><p>Enquanto a defesa da vida não for integral como o sim de Maria, e também como ensina a doutrina da Igreja, não só o aborto vai passar mais cedo ou mais tarde, mas toda a boiada que já passou e os defensores da vida não notaram ou então não dão bola, vai continuar passando por cima de todos nós, sejam conservdores, progressistas, crentes, ateus ou quem quer que seja – especialmente os mais vulneráveis.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>As vidraças do Carrefour</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20k446-as-vidracas-do-carrefour</guid>
      <pubDate>Sat, 21 Nov 2020 18:28:40 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>21/11/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20k446-as-vidracas-do-carrefour.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/11/amber-kipp-fykdj0giuke-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/11/amber-kipp-fykdj0giuke-unsplash.jpg]</a><p>A propriedade privada deve ser respeitada e protegida na medida razoável do seu uso em prol do bem comum. Quando ela se torna um instrumento de opressão, porém, por isto mesmo ela perde seus “direitos”.</p><p>Uma pessoa vale mais do que uma propriedade, mas esta é uma relação em que os termos não poderiam se antagonizar, pois a propriedade privada é posse de alguém cujo valor é igual ao de quem é oprimido por esta propriedade. Em si mesma a propriedade não oprime ninguém, mas o uso opressor, por parte do proprietário, torna-a opressora.</p><p>As vidraças do Carrefour nunca fizeram nada para ninguém, mas seu valor é infinitamente menor do que o homem que foi morto pelos seguranças do Carrefour. Se é verdade que erros acontecem e é necessário relevar que ninguém é perfeito, também é verdade que o mesmo erro repetido deixa de ser uma falha pontual e se torna um indício de que é um procedimento habitual, reconhecido ou não. Mesmo que o Carrefour não tenha a intenção de violentar os negros, as repetidas violações demonstram que mesmo assim elas acontecem – se não era a intenção violentar os negros, o Carrefour também não se importa que elas aconteçam em suas lojas.</p><p>Se a intenção do Carrefour não é violentar ninguém nem impedir a violência, ele é sim responsável pelas repetidas violências que ocorrem nas suas dependências, tanto as que sabemos quanto as que ainda não descobrimos. Como o poder público se omite, a exemplo do presidente que ignora a morte de um homem negro e nega o racismo para preservá-lo, cabe à sociedade reagir. E se não é possível elogiar a violência da reação, é menos possível ainda se opor a ela quando recai somente sobre a propriedade que o Carrefour usa para violentar os negros.</p><p>A violência dos protestos do dia 20 não foi contra outras pessoas, mas contra as coisas (a propriedade) do Carrefour. Se fosse pelo prazer de quebrar as coisas gratuitamente seriam vandalismos, como a mídia os chamou. Mas foram uma reação cuja nocividade quase desaparece diante do mal que, para não atrapalhar os negócios, o Carrefour promove com a sua omissão.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Lc 16,9</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 07 Nov 2020 14:37:06 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/11/2020</p><p>Onde Cristo sugere que se faça amigos com o dinheiro desonesto, uma interpretação forçada e descontextualizada poderia concluir que roubar é bom – ou que, pelo menos, é uma sugestão de Cristo.</p><p>Forçando a interpretação para outro lado, pode ser que Cristo esteja apenas dizendo, implicitamente, que não existe dinheiro honesto: um centavo ou um milhão contém em si a mesma quantia de desonestidade, quer venha de um trabalho honesto, quer seja o lucro de algum pecado. Neste caso o dinhheiro é sempre, por definição, sujo. Forçando um pouco mais a barra desta intepretação, mesmo o sexo pode ou não ser santo, mas o dinheiro, nunca.</p><p>Uma solução esperta poderia ser dar todo o dinheiro à Igreja, livrando-se assim desta impureza vil e deixando-a nas mãos de quem está suficientemente perto de Deus para não se contaminar; quem sugerisse isto, se é que já não foi sugerido por aí, além de roubar aplicando um golpe religioso-financeiro, teria que apagar o versículo 9 do capítulo 16 de Lucas, pois Cristo sugere exatamente o contrário, a depeito da desonestidade intrínseca do dinheiro: usá-lo em benefício dos outros.</p><p>Eu não acho que Cristo esteja condenando quem usa o dinheiro para si, pois até dar um dinheiro custa outro dinheiro, e além disto, ninguém é de ferro. O problema é não compartilhar e, pior ainda, o apego emocional ao dinheiro que a incapacidade de compartilhar pressupõe.</p><p>Quando lemos “não podeis servir a Deus e ao dinheiro”, o termo grego que Lucas usa é “mamonnas” (ou “mammonnas”, ou “mammonas”, eu não tenho certeza de quantos emes e enes tem no meio da palavra), cujo radical é “mamon”, um termo hebraico que tem a ver com dinheiro, mas também se transformou numa personificação do dinheiro em uma divindade – e quem não paga um dízimo a algum banco hoje em dia?</p><p>Se você procurar “mamon” no google e for parar no verbete correspondente da Wikipedia, vai ver lá que o papa Bento XVI disse em algum discurso que (estou citando de cabeça porque se eu abrir mais uma janela no computador para conferir, trava tudo aqui – fica aí a sugestão para me doarem um computador com SSD, mas nada menor que 300 GB, por favor, porque menos que isso eu prefiro tentar fazer uma ligação de pendrives em série) “mamon”, no fim das contas, significa não admitir perder nos negócios financeiros – e o melhor exemplo disto seria, acho eu, as concessões à iniciativa privada, nas quais o governo continua gastando com o que foi concedido, pagando à empresa que administra a concessão, e a empresa nunca perde dinheiro (basta ver a linha 4-amarela do metrô de SP ou o apagão no Amapá, que quem está resolvendo, ainda que com muita má vontade, é o governo e não a concessionária que não tem vontade nenhuma de resolver, seja ela boa ou má).</p><p>A pobreza alheia é um mal que mancha não o pobre, mas os outros que tem mais que ele, pois se é verdade que é um problema sistêmico e nenhuma ação individual vai resolvê-lo, não é porque não dá para resolver que não seja responsabilidade de todas as pessoas: quanto mais rico, mais responsável; mas até quem consegue, no máximo, se virar com um ou dois salários mínimos também tem responsabilidade nisto. Enquanto apoiarmos que alguém possa ter quantias imensuráveis de dinheiro enquanto outros ficam com uma carência inversamente proporcional, todos nós vamos estar sustentando toda esta pobreza, coletivamente, e se não formos capazes de ajudar quem precisa, ainda estaremos apoiando isto pessoalmente.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Gentileza</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 06 Nov 2020 12:55:18 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/11/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20k444-gentileza.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/11/garotagentileza.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20k444-gentileza.png"/></a><p>Talvez seja mais fácil compreender a parábola em Lc 16,1-8 depois de ler o versículo seguinte, 9: “fazei-vos amigos com a riqueza injusta, para que, no dia em que ela vos faltar, eles vos recebam nos tabernáculos eternos.”</p><p>O administrador desonesto achou melhor garantir seu futuro fraudando as dívidas que os outros tinham com o seu patrão para que eles pagassem menos, esperando que, com este favor (ainda que tenha sido um favor desonesto), eles o ajudassem depois do fim do “aviso prévio” que recebera do patrão.</p><p>Se Cristo estava relativizando a desonestidade, ou então achou tão óbvio que o foco da parábola era a troca de favores e não a relativização da desonestidade, eu não sei, assim como eu não sei se o foco da parábola é mesmo a troca de favores, porque é uma parábola bem confusa e os comentários sobre ela por aí não (me) ajudam muito.</p><p>Uma interpretação rápida e simplista poderia ser alguma coisa como “sejam legais com os outros nesta vida para que eles sejam legais com vocês na vida eterna”; e assim como há a observação de que os “filhos da luz” tem uma tendência à serem grosseiros com os outros, também está implícita a recomendação para que não o sejam.</p><p>Os “filhos do mundo” não tem, afinal de contas, a perspectiva do respaldo de Deus, o que os obriga a serem muito mais prudentes do que os “filhos da luz”, mais ou menos como Hermione observou sobre os bruxo que, confiando nos seus poderes, teriam dificuldade em usar a lógica para encontrar a garrafa correta no final de Harry Potter e a Pedra Filosofal: é mais ou menos como se os “filhos da luz” tivessem uma tendência a tocar um “foda-se” para o mundo que vai passar tendo em vista o que há de vir – e pelo que se pode deduzir do versículo seguinte, o 10, o modo como lidamos com as coisas temporais também interfere nas coisas eternas.</p><p>Daria para dizer que entre ver a luz e ser grosseiro, e não ver a luz e ser amável, seria melhor então ser um filho da luz que é cavalo com os outros do que um filho do mundo amável? Eu não sei, mas acho que não. Entre as primeiras coisas que a luz de Deus ilumina não está a amabilidade para com os outros, mas se não é possível que Deus ilumine isto também, como esperar que, parafraseando o versículo 10, quem não se deixa iluminar nas coisas pequenas se deixe iluminar nas coisas grandes? Afinal, ainda no versículo 10, “quem é injusto nas coisas pequenas o será também nas grandes”, o que talvez explique porque religiosos tão iluminados sejam inesperadamente vis em escândalos financeiros ou sexuais.</p><p>É possível que eu esteja distorcendo um pouco os versículos de 8 a 10 em favor do que eu penso, mas acho que só estou defendendo um detalhe relevante desta passagem: ainda que não se justifique “desviar-se” do que Deus quer para tratar bem os outros, o que Deus quer também não justifica tratar mal as pessoas.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Escolhas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 04 Nov 2020 16:50:08 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>04/11/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20k443-escolhas.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/11/lc1433.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20k443-escolhas.png"/></a>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Lc 14, 1-6</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 30 Oct 2020 13:39:33 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>30/10/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20j442-lc-14-1-6.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/comentlc141-6.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20j442-lc-14-1-6.png"/></a>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Lc 12,14</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 19 Oct 2020 16:11:22 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/10/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20j441-lc1214.png"/><img width="600" alt="Photo by Ferdinand studio on Unsplash
" src="/midia/20j441-lc1214.png"/><p>Ser uma pessoa vitoriosa e ser uma pessoa cristã não são duas coisas incompatíveis, mas ser uma pessoa cristã para ser uma pessoa vitoriosa é uma instrumentalização da religião, uma atitude errada, e é inútil, porque não funciona – portanto, é uma coisa errada e inútil.</p><p>A Providência divina garante que Deus proverá o necessário para vivermos e sobrevivermos; e Deus promove a justiça entre as pessoas com certeza; mas esta justiça costuma ser mais coletiva do que individual, e quem “ganha uma causa” depois de pedir a Deus por isto é bom que se lembre que é mais provável que tenha ganho esta causa porque isto serve aos planos de Deus e não porque Deus deu razão a quem “ganhou a causa” – pois pode muito bem ser que Deus dê razão a alguém que acha que deveria ganhar, mas perde porque isto não é parte do plano de Deus. O que eu quero dizer é que talvez isto seja o significado de “Quem me estabeleceu para ser vosso juiz…?” em Lc 12,14.</p><p>O homem que pede a Jesus o julgamento da divisão da herança talvez merecesse, ou talvez não, e Cristo não se ocupa com isto, mas com o indício de ganância que o pedido do homem revelou. É necessário que nós desenvolvamos o discernimento para agir com justiça, e Cristo não é nenhum Dom Pedro I para exercer o papel de Poder Moderador. A Providência divina é a garantia de Deus, e a justiça divina consiste em orientar tudo para a salvação das pessoas: entre nós, cabe aprender a agir com justiça, e quanto mais este aprendizado for fundamentado em Deus, melhor.</p><p>Assim como Cristo não é, conforme ele próprio, juiz, ele também não é, conforme as minhas divagações, um certificado de justiça e correção. Não que Cristo não seja, mais do que justo, a própria Justiça, mas evocar Cristo para certificar nossa própria justiça e correção é corromper a imagem de Cristo, inclusive quando temos razão – a menos que se trate de uma revelação particular de Deus, o que fazemos é com base em nossos valores, critérios, e coisas do tipo, que podem se basear na Bíblia ou textos religiosos ou não, e mesmo quando se baseiam nisto, ninguém garante, ou pelo menos Cristo não o faz, que determinada decisão está em conformidade com Deus.</p><p>Tem coisas que são óbvias: não deixar que alguém morra certamente está em conformidade com Deus, já matar alguém não está. Então, exceto pelas coisas óbvias, temos três alternativas: julgar as coisas sem se importar com Deus nestes julgamentos, julgar as coisas tentando adequar este julgamento dentro dos critérios de Deus, ou fingir que o julgamento foi com base em critérios divinos.</p><p>A terceira opção é a dos nobres cidadãos de bem que consentem na degradação humana e ambiental para livrarem a pátria do comunismo e fazer dela um Estado mais cristão que o Vaticano – uma opinião pessoal que não sabemos se Cristo aprova ou não.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Lc 12, 1-7</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 16 Oct 2020 13:47:31 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>16/10/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20j440-lc-12-1-7.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/lc121.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20j440-lc-12-1-7.png"/></a><p><em>Photo by mahdi rezaei on Unsplash</em></p><p>Os fariseus da época de Cristo acreditavam em viver a fé nos seus aspectos exteriores, o que, junto com o antagonismo ao domínio romano, lhes dava prestígio entre o povo, embora não fizessem nada disto por convicção e sim pelo reconhecimento que agir assim – representar exteriormente a fé e antagonizar o domínio romano – lhes dava.</p><p>A hipocrisia de que Jesus acusa os fariseus é esta: o objetivo deles era apenas o reconhecimento e para isto não importava serem o que representavam. Como a fé representada era muito difícil de ser vivida além da representação, valia a pena “pagar de santo” para aproveitar o afago no ego e todos os mimos que o reconhecimento traz.</p><p>Mas a hipocrisia não era novidade no mundo naquela época, e muito menos é agora. E se fingir-se de santo também não é, talvez haja alguma inovação vinda da política bolsonarista neste sentido. Embora muita gente seja bolsonarista por julgar-se um cidadão de bem (e mesmo que o conceito de “bem” neste caso seja discutível, o fato é que muita gente entra nesta por indentificar-se sinceramente com este “bem” representado pelo bolsonarismo), mas isto também não é novidade, pois não é a primeira vez que alguém hipócrita engana uma quantidade imensa de pessoas.</p><p>A novidade do bolsonarismo é fazer da fé uma bandeira política, diferente (mas não muito) dos fariseus, que se escondiam na hipocrisia apenas pelo prestígio, pois não iriam livrar o povo da dominação romana que antagonizavam – quem tentou isto foram os zelotas, sem sucesso –, nem eram os santos que pareciam. Mesmo o tempo da cristandade, que identificava religião e estado na Idade Média, não é comparável, pois a identificação não era artificial. A hipocrisia bolsonarista consiste em fazer da fé farisaica uma bandeira política que não tem o menor interesse na fé, a não ser como verniz para conquistar o poder político e acobertar a corrupção dos poderosos.</p><p>É uma imitação grotesca do que as minorias – as mulheres, os negros, os homossexuais, etc. – vinham fazendo ao longo dos últimos anos, forçando a criação de políticas justas que garantissem os seus direitos: apresentando-se com sua fé farisaica, o bolsonarismo fez da fé uma bandeira política não como afirmação da própria fé, mas como alavanca para combater quem não a tem (“não a tem” segundo a ótica bolsonarista).</p><p>Transformando a fé em uma bandeira, o combate político se torna um combate religioso, e quem não apoiaria um governante “eleito em nome de Deus”? O problema é que a fé e o “em nome de Deus” são usados apenas como chamarizes para ganhar o poder dos votos, e também como escudo para perpetuar a corrupção, afinal, o que significam alguns desvios e algumas corrupções, que nem são novidade no país, frente a cristianização da nação?</p><p>É claro que objetivo do cristianismo passa bem longe de cristianizar nações, pois o objetivo do cristianismo é simplesmente anunciar Cristo que morreu e ressuscitou para nos salvar, e eleito de Deus por eleito de Deus, a maioria dos reis de Israel também o eram, e foram um fracasso tanto do ponto de vista político, como do ponto de vista da fé – o que significa que nem os que Deus elegeu ele mesmo eram flor que se cheirasse só por terem governado em nome de Deus.</p><p>Mas “cristianismo”, “fé”, “Deus” e afins são palavras corrompidas no bolsonarismo, palavras vazias que servem apenas ao projeto de poder voltado à ambição dos que foram eleitos dentro deste projeto.</p><p>A única luz no fim do túnel são as palavras de Cristo assegurando que nada dito às escondidas deixará de ser revelado, mas tomara que até mesmo antes disto seja possível aprender a votar de acordo com a fé, e não votar na na bandeira de uma fé desfigurada tecida com os fios da hipocrisia.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>deuses</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 15 Oct 2020 02:33:40 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/10/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20j439-deuses.png"/><img width="600" alt="" src="/midia/20j439-deuses.png"/><p>«O Filho Unigênito de Deus, querendo que fôssemos participantes da sua divindade, assumiu a nossa natureza para que, feito homem, fizesse os homens deuses.» (Catecismo da Igreja Católica, § 460)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Sobre as postagens abaixo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20j438-sobre-as-postagens-abaixo</guid>
      <pubDate>Thu, 15 Oct 2020 01:25:20 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/10/2020</p><p>As postagens abaixo vieram do <a href="https://minhageografia.blogspot.com/">meu antigo blog</a> e eu não sei ainda muito bem como configurá-las.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Precedente paulino</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 05 Oct 2020 14:17:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/10/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20j437-precedente-paulino.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/1e486-gl1252c8.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20j437-precedente-paulino.png"/></a><p>Paulo vive insistindo em suas cartas que é um apóstolo pela vontade Deus e não pela vontade de qualquer outra pessoa. De perseguidor do cristianismo passou a ser o mais fervoroso cristão (um ex-cristofóbico, portanto) depois de ter sido escolhido por Cristo em pessoa!</p><p>Eu lembro de ter lido há anos atrás que o bispo Edir Macedo evocou a conversão de São Paulo para legitimar a própria vocação de bispo: aparentemente, na reportagem foi questionado que era a hierarquia católica que deveria dar o aval a um bispo, e aí, se não me falha a memória, ele levantou este precedente paulino. Se São Paulo pode, porque eu também não?</p><p>Não tenho a certeza de que Edir Macedo tenha dado esta declaração, pois faz muito tempo que li isto, e não saí procurando pelo Google a reportagem, mas quer ele tenha dito isto, quer não, este precedente paulino costuma ser invocado, não necessariamente fazendo-se uma relação explícita a Paulo, mas ao longo da história houve um considerável número  de pessoas que, assim como o apóstolo, foram chamadas diretamente por Cristo à revelia da Igreja. Nenhuma delas lembra, porém, que mais tarde Paulo encontrou-se com Pedro, e o próprio São Pedro deu o seu aval (que não deve ter sido solicitado por Paulo) em uma de suas cartas, sem contar que este aval já havia sido dado no Concílio de Jerusalém pelos próprios apóstolos, incluindo Pedro.</p><p>Não é que Cristo não chame as pessoas, muito pelo contrário. Mas o caso de São Paulo não é um precedente legítimo para nenhum outro caso, ou, pelo menos, não serve como desculpa para ninguém arrogar-se autoridade alguma.</p><p>Na carta aos Gálatas, logo no versículo 8 do primeiro capítulo, o próprio Paulo, depois de reafirmar sua eleição por Deus, nega qualquer possibilidade de haver uma outra revelação de Deus diferente da própria revelação do Evangelho, mesmo que um anjo do céu venha fazê-la.</p><p>Isto serve, ou deveria servir, para qualquer maluco que pensar ter recebido alguma ordem de Deus, conferir na Bíblia e nos escritos da Igreja se esta ordem está  em conformidade com o Evangelho. Mas serve também para eventuais discípulos destes malucos conferirem se o seu mestre não está chamando suas próprias ilusões de Deus e explorando a boa-vontade tanto dos discípulos quanto do próprio Deus. Se estas revelações divinas incluírem qualquer coisa sexual, então, nem precisa ler nada, venham estas revelações de quem vierem.</p><p>Se, por um lado, a Bíblia precisa ser interpretada, por outro lado, já dá para descartar, de antemão, qualquer interpretação que revele que o discípulo deva agradar o mestre, seja sexual ou materialmente. Mesmo a lembrança de 1Tm 5,18 (“o operário merece o seu salário”) ou de qualquer outra passagem do Novo Testamento que ampare o sustento de quem trabalha na obra de Deus, não deve deixar de lado de que isto é responsabilidade  de uma comunidade, e não uma cobrança que possa ser feita a um indivíduo específico, muito menos pelo próprio beneficiário.</p><p>Aliás, qualquer tipo de exploração, seja ela amparada em uma distorção da Bíblia ou não, já se pode saber de antemão que pode vir de qualquer um, mas não de Deus.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Santo anjo do Senhor…</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 02 Oct 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>02/10/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20j436-santo-anjo-do-senhor.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/37bf9-02.102bsantos2banjos2bda2bguarda252c2bm.obg_.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/1da5b-02.102bsantos2banjos2bda2bguarda252c2bm.obg_.jpg]</a>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Teologia da Libertação, ou quase</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20j435-teologia-da-libertacao-ou-quase</guid>
      <pubDate>Thu, 01 Oct 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/10/2020</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Jó 9,8-10</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 30 Sep 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>30/09/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20i434-jo-98-10.png"/><p>    	 	 	 	  <a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/b5bb7-j25c325b32b9252c8-10.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20i434-jo-98-10.png"/></a></p><p>A natureza dispensa apresentações no que diz respeito à sua encantadora beleza exuberante que, ainda por cima, é acompanhada de todos os outros benefícios que nos dá além desta beleza. Quem crê em Deus vê em toda esta beleza e neste socorro que a natureza nos proporciona a manifestação de Deus, o que certamente dá um sentido renovado à natureza, à beleza e ao socorro que ela nos presta.</p><p>Ocasionalmente o crente procura utilizar-se disto, a beleza da natureza, como um argumento em prol da existência de Deus, especialmente quando tenta convencer algum cético. E pode até ser que aqui e ali ele funcione. No livro Cérebro e Crença o autor, um cético, aliás, narra o testemunho de um cientista, outrora também um cético, que foi forçado a aceitar a existência de Deus diante da visão maravilhosa de uma cachoeira congelada.</p><p>Mas, no geral, o crente não percebe que esta associação entre a gloriosa beleza divina e sua manifestação na natureza quase sempre só funciona porque, a princípio, ele já acreditava em Deus e, se esta beleza reforça a sua fé, não foi o que o levou a ela.</p><p>A beleza da natureza é só um dos aspectos magníficos dela, e todos eles remetem a Deus justamente para quem crê nele: a proteção, a beleza, o socorro, a força e o poder que chegam até nós pela natureza são reflexos da proteção, da beleza, etc., de Deus, e quem crê nele deveria observá-la mais em prol da própria fé do que em prol da conversão alheia.</p><p>Há uma prece, rezada pela Igreja a cada quatro domingos pela manhã, que pede a Deus “mostrai-nos vossa bondade, refletida em todas as criaturas, para contemplarmos em todas elas a vossa  glória.” Esta prece resume o olhar cristão sobre a natureza, cuja própria glória é reflexo da glória de Deus, e se não é só isto que nos coloca sob o dever de protegê-la, é a partir disto que se coloca este dever.</p><p>Mas a prece se estende a todas as criaturas, o que inclui os seres humanos, seja por também serem parte da natureza (ainda que alguns a destruam), seja por também serem, afinal, criaturas de Deus.</p><p>Como nós também somos reflexos desta glória de Deus, o amor-próprio fundamentado nela fica mais bem assentado do que fundamentado em qualquer outra coisa. Você não é reflexo da glória de Deus pelo que faz, e sim pelo que Deus fez (ou seja, você), mas também pode fazer-se reflexo desta glória de Deus em si, e é nisto que consiste o sentido de reencontrar-se.</p><p>Além disto, assim como você, o outro, independente de crença ou de qualquer outra condição, também é reflexo desta glória de Deus, e é nisto que consiste amar o próximo – inclusive aos inimigos, e Cristo deixou isto bem claro porque o infeliz o desgraçado o inimigo também é uma criatura de Deus e, pelo menos por isto, digno de ser amado.</p><p>Se dependemos da proximidade com Cristo para podermos amar – seja a si, seja aos outros, ver em todos o reflexo da glória de Deus (mesmo em quem tenta escondê-la o quanto for possível) assegura ao olhar que inclua também a dignidade alheia, pois às vezes o que é feito em nome de amar o próximo é justamente o contrário. Todo o amor e o respeito que se tem para com Deus leva, necessariamente, ao amor e ao respeito para com o outro, e se não for assim, a própria religiosidade se transforma em uma obra de ficção de péssima qualidade.</p><p>		p { margin-bottom: 0.25cm; line-height: 115%; background: transparent }</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Uma defesa desnecessária</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 29 Sep 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>29/09/2020</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Fé e circunstâncias</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20i432-fe-e-circunstancias</guid>
      <pubDate>Mon, 28 Sep 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/09/2020</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Sacrifícios e injustiças</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20i431-sacrificios-e-injusticas</guid>
      <pubDate>Fri, 25 Sep 2020 16:11:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/09/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20i431-sacrificios-e-injusticas.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/84328-25092020.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20i431-sacrificios-e-injusticas.png"/></a><p>Jesus Cristo sofreu por nós para que este sacrifício saldasse nossas dívidas e ofensas a Deus, então a partir disto, temos o nome limpo diante Dele. Também a partir disto, todo o sofrimento que vivemos é o sofrimento de Cristo, que vivido apenas em nós seria somente um sofrimento inútil e sem sentido, mas atrelado a Cristo (por ele mesmo), este sofrimento passa a ter algum sentido – qual seja, a salvação do mundo.</p><p>Eu não sei se os sofrimentos de uma determinada pessoa valem pela salvação dela ou se funcionam mais ou menos como uma vaquinha em que todos contribuem com o seu sofrimento e Deus os redistribui convertidos em graças para quem precisa – ou, ainda, se são as duas coisas; no fim pode ser talvez não seja nada disto e baste saber que nossos sofrimentos estão atrelados ao de Cristo e pronto. </p><p>Se existem santos que procuraram ocasiões para sofrer voluntariamente (como aqueles que pediam a Deus para serem mártires, indo pregar em locais de conflito ou simplesmente indo fazer qualquer coisa em locais onde era arriscado declarar-se cristão), esse exemplo deles, em particular, eu não sigo. Primeiro porque declarar uma covardia requer outro tipo de coragem (lições de poesia aprendidas no Poema em Linha Reta, aqui) e tomara que Deus leve em conta esta coragem em declarar a covardia; mas também eu tenho a impressão de que hoje em dia não é necessário sair correndo atrás do sofrimento, porque ele está a nossa espreita em todos os cantos.</p><p>Certamente há os sofrimentos menores, quase patéticos de tão ridículos (como a chave que quebrou na fechadura, e pelo lado de fora; a mistura que roubaram da marmita na geladeira da firma; a água que faltou bem na hora do banho, e ainda por cima religaram depois que a pessoa deu um jeito e já estava saindo de casa; coisas assim sem gravidade ) que, no entanto, podem acumular-se no coração de alguém propenso a guardar nele os sofrimentos, ou até mesmo no de alguém que, sem esta propensão, está numa fase assim.</p><p>E há também os maiores sofrimentos, e nem todos dão boas manchetes no noticiário. Qualquer um destes sofrimento está à espreita de qualquer um, e se é verdade que para cada um ele vai ter um peso diferente, também é verdade que no fim é inevitável passar por sofrimentos. Então, por isto, acho que não é necessário sair  correndo atrás de problemas, porque eles já estão por aí nos rondando.</p><p>Mas entre todos estes problemas, há aqueles causados por conta das condições sociais estabelecidas em nosso meio: o trabalho precarizado, a violência que os governantes condenam (e às vezes nem isto) ao mesmo tempo em que se omitem em coibir, a seletividade da violência que coíbem quando o fazem, a omissão quanto às mazelas na estrutura da educação e da saúde pública, aliás, a omissão do governo em geral, que agora deixou de ser vergonha mas virou um projeto político para ser implantado, em nome do combate ao comunismo e da eficiência do governo, a extorsão, legalizada ou não, dos preços e dos juros quando os preços caem, a conivência da população com tudo isto, etc.</p><p>Quem padece destes sofrimentos, está sofrendo com Cristo e este é o único sentido que é possível dar a eles. Mas sofrer com Cristo não significa deixar que estas condições sociais permaneçam assim, opressoras e homicidas. Quem sofre com a precariedade está se santificando, mas quem promove esta precariedade não está santificando nem aos outros e nem a si mesmo, nem que estivesse fazendo isto na melhor das intenções de santificar os outros (mas muito raramente a perversidade de quem oprime é acidental). Se fosse assim, o príncipe dos apóstolos seria Judas e não Pedro, e os maiores santos seriam os carrascos de Cristo.</p><p>Por isto que combater estas estruturas opressivas, e também se policiar para não dar-se licenças pontuais de reproduzi-las nas próprias ações cotidianas, é, como o é viver os próprios sofrimentos juntamente com Cristo, unir os próprios esforços aos de Deus para salvar e redimir a humanidade.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Super Trunfos religiosos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20i430-super-trunfos-religiosos</guid>
      <pubDate>Tue, 22 Sep 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>22/09/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20i430-super-trunfos-religiosos.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/182f2-baneiradoarcoiris.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/07984-baneiradoarcoiris.jpg]</a><p>O IHU publicou uma reportagem sobre a audiência do Papa Francisco com uma comunidade de católicos LGBT onde ele disse (já no título da reportagem): “<a href="http://www.ihu.unisinos.br/602958-francisco-para-os-pais-de-homossexuais-a-igreja-ama-os-vossos-filhos-do-jeito-que-eles-sao-porque-sao-filhos-de-deus">A Igreja ama os vossos filhos do jeito que eles são, porque são filhos de Deus</a>“. Nos comentários da <a href="https://www.facebook.com/InstitutoHumanitasUnisinos/posts/4325098857537451?__cft__[0]=AZXL1UtiZ-Mfyyofzm7mCoCTRLxfCym1q0bUi4cF7wUvUCP-QBg81idChDD0u_bdEs9bcwo2SkTVl7F-gkggaK9oRai-zFxEt38lmRL7rlVNvxZh4uP4GcyamlBsYlyE69ncnYHDWl31RoCAzuI7w1hmS_iw6uoZXmZfnyikojgWo7K4Ztn_Xmmr8d9rGfQf-l4&amp;__tn__=%2CO%2CP-R">publicação do facebook</a>, não há, felizmente, manifestações particularmente homofóbicas (há um “Esse aí [provavelmente o papa] joga pra torcida. Só não vê quem não quer…” que não chega a ser necessariamente homofóbico, mas levemente “franciscofóbico”, o que é mais ou menos o assunto deste post).</p><p>Na verdade o motivo deste post é outro comentário, que diz “Papa repete o Catecismo da Igreja Católica redigido por Ratzinger e promulgado por João Paulo II.” Ainda que diga uma coisa óbvia, pode muito bem ser um comentário de apoio a um papa que não só remete à fidelidade à doutrina, como reconhece que o papa Francisco continua fazendo o mesmo trabalho e seguindo na mesma linha dos dois papas anteriores, como todos os papas, por sinal.</p><p>Mas eu me acostumei a compreender o jeito que as pessoas se referem a Bento XVI como uma indicação de apoio ou crítica (com grandes riscos de estar errando na avaliação, é claro): apoiadores (quase sempre conservadores e saudosos da Igreja das catacumbas) se referem a ele pelo nome papal, críticos, por Ratzinger, um nome associado (na minha imaginação fértil) à perseguição à teologia da libertação, a Leonardo Boff, à Congregação para a Doutrina da fé enquanto sucessora do Santo Ofício, etc. Então eu interpretei este comentário como uma crítica a Bento XVI e, por extensão, a João Paulo II, ao papa Francisco e também ao catecismo.</p><p>Já li em algum lugar (e acho que foi em outro artigo do IHU) que o atual catecismo da Igreja está impregnado da mentalidade retrógrada e conservadora de Bento XVI, mentalidade que contava com a simpatia e o apoio de João Paulo II, e o exemplo era a condenação à masturbação, no <a href="https://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p3s2cap2_2196-2557_po.html">parágrafo 2352</a> do catecismo, como um pecado grave.</p><p>Eu não sei sobre a mentalidade retrógrada de Bento XVI e a simpatia de JPII, mas arrisco dizer que o primeiro é contraditório e complexo como todo mundo o é, liberando missas em latim para delírio dos conservadores, e renunciando para surpresa de todos, numa atitude nada conservadora, por exemplo. E João Paulo II é um personagem ainda mais complexo. Acho estes posicionamentos pró-um-papa ou anti-outro-papa um tanto quanto rasos superficiais limitados aborrecedores, porque isto vira um jogo de Super Trunfo que funciona bem com aviões ou carros, e mais ainda na sua melhor evolução, que foi Pokémon, mas não com figuras como papas ou padres (porque há também o Super Trunfo dos padres, que faz uma disputa entre “cartas” como Júlio Lancelotti e Fábio de Melo, por exemplo). Só que eu não queria escrever sobre papas e padres, e sim sobre o meu Super Trunfo particular, o arriscado Super Trunfo dos pecados (pois sempre há o risco de errar a avaliação, mas como eu não vou ser lembrado no futuro pelas minhas avaliações corretas sobre coisa nenhuma, é um risco  que eu já assimilei).</p><p>Masturbação e homossexualidade são pecados sim, mas não há nada na doutrina da Igreja que sirva para justificar a homofobia ou acusar a Igreja de um preciosismo como combater a masturbação, a não ser na medida em que qualquer pecado, seja ele um homicídio ou um palavrão, deve ser combatido. Só que ao mesmo tempo em que nenhum pecado é defensável, há pecados piores (e outros ainda muito piores) e pecados menos relevantes. Em algum lugar do catecismo, e eu não vou ir lá procurar agora o parágrafo, há esta distinção entre graus de gravidade dos pecados e, também, entre circunstâncias agravantes e atenuantes de um mesmo pecado, com a ressalva de que não se deve negligenciar os pecados mais irrelevantes por um motivo que pode ser resumido no ditado “de grão em grão, a galinha enche o papo”.</p><p>Estes dois pecados servem como exemplo de como é possível distorces a doutrina em favor de um preconceito ou de outro, pois não há nada no catecismo que condene ao inferno nem homossexuais, nem quem se masturba.</p><p>No já mencionado parágrafo 2352, a masturbação é uma grave desordem que não tem como ser uma coisa positiva; no parágrafo 2357 os atos homossexualidade são  qualificados como “intrínsecamente desordenados”. Como Deus se chama (citando não sei qual vídeo do Porta dos Fundos) “Deus e não bagunça”, qualquer desordem é algo a ser evitado. Mas nem a inclusão da masturbação na lista de pecados justifica uma campanha contra uma desordem (no máximo, justifica organizar o que está bagunçado, e o perigo que há na masturbação consiste justamente em deixar tudo sem resolver), nem muito menos a desordem dos atos homossexuais justifica as cruzadas anti-LGBT que se promove “em nome” da doutrina e da virtude.</p><p>A pornografia, por exemplo, “é um grave atentando contra a dignidade das pessoas” (no parágrafo 2354), e a fornicação, “gravemente contrária à dignidade das pessoas” (no parágrafo 2353), ou seja, contrariedades graves à dignidade são piores do que desordens, pelo menos dentro dos meus achismos, que, aliás, são o fundamento deste texto. Por isto fica difícil explicar que haja tanta atenção para uma falácia como a “cura gay” e não exista uma mobilização tão grande e espalhafatosa contra algo muito pior (um “grave atentado”) como a pornografia, a não ser a instrumentalização da doutrina em nome de um preconceito, o que dá apenas um verniz religioso a uma atitude criminosa e contrária ao cristianismo.</p><p>No fim das contas, a Igreja e a sua doutrina acabam servindo para fins completamente alheios aos de Cristo, que afinal é a origem dela, e os cruzados conservadores não percebem o quanto são aliados de quaisquer detratores da Igreja (que eles sonham estar defendendo contra as trevas, o que é um trabalho de Cristo e não de qualquer outra pessoa), pois atribuindo-se a condição de paladinos da sã doutrina,e da moral, deturpam estas duas coisas e, embora justifiquem as críticas contra a Igreja, aumentam e alimentam estas críticas mais ou menos como o combustível alimenta um incêndio.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>De onde menos se espera…</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20i429-de-onde-menos-se-espera</guid>
      <pubDate>Mon, 21 Sep 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>21/09/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20i429-de-onde-menos-se-espera.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/22c1c-matthew_the_evangelist.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/de41b-matthew_the_evangelist.jpg]</a><p>Há muitos meios de ser uma pessoa desprezível: trair o povo, enriquecer por uma atividade em que a corrupção é generalizada, ou ser responsável por cobrar os impostos para o governo, por exemplo. E São Mateus conseguiu ser uma pessoa desprezível por todos estes meios.</p><p>É verdade que os traidores, os corruptos e quem arrecada impostos recebe afagos, seja daquele que se beneficiou de uma traição, seja quem lucra com a corrupção (que dificilmente é um ato solitário) ou com o dinheiro arrecadado. Mas são afagos pontuais, ao contrário da vileza cotidiana apontada pelos outros.</p><p>Exceto por posturas políticas indefensáveis (como a relativização de coisas como o racismo ou a homofobia, por exemplo), em ambos os lados políticos há gente desprezada apenas por seu pensamento político (no mínimo, o desprezo do lado antagônico). Também há condições pessoas que podem levar alguém a ser injustamente desprezado – para aproveitar o exemplo dos parêntesis acima, os negros e os homossexuais, e também as mulheres, os imigrantes, os idosos, etc. Há pessoas desprezadas por algum defeito físico, ou por extrapolarem os padrões inalcançáveis de beleza, por causa do status social, etc. </p><p>Na lista acima é possível perceber a diferença que há entre ser desprezado e ser desprezível: uma posição política, uma diferença com qualquer padrão ilusório de como se deve ser, podem levar ao desprezo alheio; já São Mateus certamente era alguém desprezível pela atividade que exercia.</p><p>Embora o Barão de Itararé tenha eternizado a ideia de que de onde menos se espera, daí é que não sai nada, mesmo alguém tão baixo como São Mateus (embora este apequenamento dos publicanos tenha sido marcado em Zaqueu, tão baixo que precisou subir em uma árvore para conseguir ver a Jesus) foi capaz de converter-se e se tornar não só um apóstolo, mas também um Evangelista (um círculo ainda mais restrito do que o dos apóstolos); praticamente um integrante da nata celestial, uma surpresa para quem não tinha a menor perspectiva de ser lembrado no futuro, a não ser anonimante como integrante de uma classe  desprezada. </p><p>Mesmo que ele não tenha roubado ninguém, ainda assim era  uma espécie de pelego (pelo menos no sentido de que trabalhou, antes de ser chamado por Cristo, para os opressores). Isto também reforça que, mesmo se tratando de pessoas desprezíveis, elas não devem ser desprezadas (embora suas posturam devam ser combatidas), quanto mais não se deve desprezar quem quer que seja por puro preconceito,</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A verdade na Bíblia</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20i428-a-verdade-na-biblia</guid>
      <pubDate>Sat, 19 Sep 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/09/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20i428-a-verdade-na-biblia.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/d0b7b-noah-buscher-m19qtooxpks-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/d0b7b-noah-buscher-m19qtooxpks-unsplash.jpg]</a><p>Estes <a href="https://mrcl.wordpress.com/2020/09/15/erros-historicos-e-cientificos-da-biblia/">erros</a> e <a href="https://mrcl.wordpress.com/2020/09/18/divergencias-entre-conceitos-teologicos-na-biblia/">contradições</a> demonstram que a Bíblia foi escrita por seres humanos, e como este fato não elimina a sua inspiração divina, é necessário esclarecer quais são os limites deste texto que Deus escreveu utilizando as limitações dos seus autores inspirados.</p><p>O propósito da Bíblia é a salvação das almas, e não oferecer um guia prático para o dia a dia. «À luz do que foi exposto [outras considerações do autor, incluindo as listas com erros bíblicos que eu copiei ao longo desta semana] deve-se distinguir não somente entre ignorância e erro, mas também entre verdade histórica e científica e verdade salvífica na Bíblia … É antes a segunda, a verdade salvífica, que constitui o propósito imediato da Bíblia.» (Eduardo Arens, A Bíblia sem mitos: uma introdução crítica, p. 232).</p><p>É verdade que a Bíblia não contém erros, mas esta inerrância vale apenas para a verdade salvífica que era o objetivo de Deus ao inspirar seus autores a registrarem estas inspirações – e eles o fizeram segundo os dados que possuíam, utilizando os recursos que havia à mão, expressando-se através de ideias e imagens próprias do tempo em que viviam, e estas ideias e imagens se tornaram ideias e imagens da salvação.</p><p>A Bíblia não é uma fonte de informação: se por um lado ela oferece certeza absoluta a respeito da verdade salvífica, por outro, quando acerta em outras áreas é mais por uma coincidência involuntária do que pelo mérito de seus autores.</p><p>E mesmo no que diz respeito à verdade salvífica, a Bíblia tem limites: tudo o que está escrito nela é verdade, no que diz respeito à salvação que Deus nos oferece, mas a verdade salvífica não está inteiramente registrada nela, e sim a parte que é o essencial para a salvação (cf. o mesmo livro, p. 233).</p><p>Fixar estes limites não diminui o tamanho da Bíblia, mas preserva-a de ser dilapidada para fins completamente alheios ao seu escopo salvífico.</p><p>É necessário crer na Bíblia, mas além da Bíblia há a Igreja, e além das duas, a consciência. Somente uma ou duas destas instâncias levam a fanatismos variados. O livre acesso à Palavra de Deus pressupõe a livre interpretação da Palavra, mas fixar-se na própria interpretação sem levar em conta a interpretação da Igreja é tão obtuso quanto aceitar a interpretação da Igreja como se ela tivesse recebido diretamente das mãos de Deus no Sinai. Não que o esclarecimento da Igreja não seja proveniente de Deus, pois é Deus que revela à Igreja o que ela proclama, mas ainda que a Igreja seja inspirada por Deus, esta inspiração recai sobre seres humanos, que devem discernir a inspiração que recebem tanto quando qualquer um de nós deve discernir a verdade que recebe da Igreja. Mais ou menos como o som precisa de um meio para se propagar, tanto a Bíblia quanto a Igreja são o meio pelo qual a voz de Deus se propaga.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Divergências entre conceitos teológicos na Bíblia*</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20i427-divergencias-entre-conceitos-teologicos-na-biblia</guid>
      <pubDate>Fri, 18 Sep 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/09/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20i427-divergencias-entre-conceitos-teologicos-na-biblia.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/417ae-ying-ge-yo1cwjvkfy-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/0ca6f-ying-ge-yo1cwjvkfy-unsplash.jpg]</a><p> Por favor leia também o alerta depois do fim da lista 🙂 </p><p>«Como se tudo isto [as listas das outras três postagens anteriores desta semana] fosse pouco, a bem da verdade, deve-se reconhecer que existe uma série de textos e de conceitos teológicos divergentes na Bíblia, que são mais chocantes. … Vejamos alguns exemplos [retirados do livro A Bíblia sem mitos: uma introdução crítica, de Eduardo Arens, das páginas 222 e 223]:</p><ul>
<li>Enquanto Deus categoricamente ordenou “Não matarás”, o mesmo Deus ordenou a Josué a passar a fio de espada todos os habitantes de Maquedá e de Jasor (Js 10,28ss; 11,10ss). E que dizer da pena de morte decretada por Deus para “o que ferir seu pai ou sua mãe” ou para “o que os maldizer” (Ex 21,15ss)?</li>
<li>Sabe-se que, enquanto segundo Lv 24,20 Deus decretou que se pague “fratura por fratura, olho por olho, dente por dente”, Jesus mais tarde declarou esta lei divina inaceitável (Mt 5,38ss). A atitude de Jesus com relação à Lei de Deus, em muitos aspectos, foi “liberal”. Pelo menos, ele não considerou o Antigo Testamento infalível e imutável.</li>
<li>Em Gn 18,21 Deus se mostra ignorante do que acontece em Sodoma e Gomorra.</li>
<li>Enquanto em Nm  23,19 e em 1Sm 15,29 se afirma que Deus “não mente nem se arrepende”, são abundantes os exemplos de sua mudança de opinião: veja Gn 6,6; Ex 32,11ss; Joel 2,13ss; Ez 20,13 etc.</li>
<li>Resulta chocante ler em Ez 20,25 que Deus mesmo admite que, durante o período do êxodo, “cheguei a dar-lhes preceitos que não eram bons e normas com as quais não podiam viver”. Até se admite que “Deus colocou um espírito de mentira na boca de todos estes teus profetas” (1Rs 22,18-23). É conhecido que nem todas as profecias se cumpriram, como se queixava Jeremias (20,8ss) e já se advertia em Dt 13,2ss.</li>
<li>Em alguns textos do Antigo Testamento negava-se a existência de uma vida além da morte (confira Sl 88,4-13; Jó 7,8.21; 14,13-22; Eclo 14,16ss; 17,22s). Nos textos mais antigos se admitia a existência de outros deuses (veja Gn 31,53; 1Sm 26,18ss; 1Rs 18).</li>
<li>A Lei de Deus permitia o divórcio, se “a mulher não mostra graça aos olhos” de seu marido (Dt 24,1ss). Mas Jesus declarou inválida essa lei e, para isso, remeteu a Gn 1,27 e 2,24, porque “no princípio não era assim” (Mt 19,3-9).</li>
<li>O que é necessário para salvar-se? Se nos ativermos à resposta dada por Jesus em Mc 10,17ss ao jovem que pergunta, basta guardar os mandamentos do Decálogo. Mas segundo Atos 16,30ss, que responde à mesma pergunta, é necessário ter “fé no Senhor Jesus”. Mais claramente, em Gl 3,1-14, Paulo contrapôs as palavras de Hab 2,4 às de Lv 18,5 para argumentar que não é pela  Lei,  mas pela fé que se obtém a justificação salvadora diante de Deus.</li>
<li>À luz do conhecimento que n[os, cristãos, temos e professamos a respeito da pessoa de Jesus Cristo, em conformidade  com Jo 1,1 (“a palavra era Deus”) e 20,28 (Tomé: “Meu Senhor e meu Deus”), seria considerado errônea a afirmação que lemos em 1Cor 15,25-28: “…no final também se submeterá o Filho (Jesus Cristo) àquele que submeteu a ele todas as coisas (ou seja, a Deus), para que Deus seja tudo em todos”.» </li>
</ul><p>* Nenhuma destas incoerências, discrepâncias, contradições e erros da  Bíblia serve para fundamentar qualquer acusação de ilegitimidade da  Bíblia, mas sim para fundamentar a necessidade do estudo do contexto no  qual cada texto foi redigido, partindo do pressuposto de que nosso  conceito de “verdade” contemporâneo implica a coerência entre o dado  empírico e o que se diz dele, enquanto que no tempo em que os textos  foram redigidos (depois de terem sido, em alguns casos, transmitidos  oralmente), “verdade” implicava na autenticidade, ou seja, na ideia de   ser “fiel, estável, merecedor de confiança”, conforme o que o autor diz  na página 214 deste mesmo livro de onde copiei a lista. </p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Incoerências entre coisas ditas por Deus na Bíblia*</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20i426-incoerencias-entre-coisas-ditas-por-deus-na-biblia</guid>
      <pubDate>Thu, 17 Sep 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/09/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20i426-incoerencias-entre-coisas-ditas-por-deus-na-biblia.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/b20c7-hatice-yardim-lodjs_r3dei-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/14924-hatice-yardim-lodjs_r3dei-unsplash.jpg]</a><p>Por favor leia também o alerta depois do fim da lista 🙂 </p><p>«… alguns exemplos de discrepâncias entre textos nos quais supostamente Deus teria revelado algo que, depois de tudo, resulta incoerente com outra revelação ou informação [retirados do livro A Bíblia sem mitos: uma introdução crítica, de Eduardo Arens, das páginas 220 a 222].</p><ul>
<li>Deus advertiu a Adão e Eva que, “no dia (beyom) em que comerem da árvore da ciência do bem e do mal, morrerão sem remédio” (Gn 2,17). Mas a serpente lhes assegura que “de maneira alguma morrerão”, quando comerem do fruto proibido (3,4). Pois bem, comeram do fruto e não morreram nesse dia, tal como a serpente o havia antecipado, mas muitos anos mais tarde. A morte em questão era física, real, não moral ou simbólica (relacionada com a alma, uma ideia grega?), coisa que de nenhum modo sequer se sugere, além de que seria uma ideia totalmente alheia ao povo judaico.</li>
<li>Deus disse a Abraão que seus descendentes seriam oprimidos “durante quatrocentos e cinquenta anos” (Gn 15,13), mas em Ex 12,41 se indica que a opressão no Egito durou 430 anos. Não se sabe de nenhuma outra “opressão”.</li>
<li>Causa surpresa que, em Ex 6,3, Deus diga não ter-se dado a conhecer como Iahweh, senão como “El Shadday (Deus  todo-poderoso)”, quando ao longo de todo o livro do Gênesis aparece identificando-se como Iahweh.</li>
<li>É chamativo o número de vezes em que Deus se refere a si mesmo como “Iahweh”, como se tratasse de outra pessoa: veja Gn 18,19; Ex 3,12; 16,29; 27,21 etc. No Decálogo, em Ex 20,2-6, fala de si mesmo na primeira pessoa (eu), mas subitamente, a partir do v. 7, passa a falar de si mesmo na terceira pessoa.</li>
<li>Em Ex 11,1, Deus antecipa a Moisés que o faraó mesmo “o expulsará daqui (do Egito)”, mas é contradito por 14,5ss.</li>
<li>Segundo Ex 12,5, Deus ordenou a Moisés que para a Páscoa sacrifiquem “um animal sem defeito, macho, de um ano. Escolhê-lo-ão entre os cordeiros e cabritos”. No entanto, em Dt 16,2 o mesmo Deus ordena-lhes sacrificar  “uma vítima pascal de gado maior (= bois) e menor”, e pode ser “cozida” (v. 7) em vez de ser “assada”, como se ordenou em Ex 12,8.</li>
<li>O terceiro mandamento do Decálogo, em Ex 20,11, dá como motivo para a observância do sábado como dia de repouso o descanso de Deus depois da criação, mas Dt 5,15 dá como motivo a libertação do Egito.</li>
<li>Em Is 2,4 o profeta anuncia da parte de Deus que “forjarão de suas espadas arados e de suas lanças charruas”, mas Joel ordena também da parte de Deus: “Forjem espadas de seus arados e lanças de suas charruas” (3,10; 4,10).</li>
<li>Ezequiel prediz no cap. 26 a destruição de Tiro, mas em 29,18ss Deus lhe dá a conhecer que Nabucodonosor não conseguiu o propósito antes anunciado. A profecia antes referida a Tiro agora é substituída por outra semelhante, mas referindo-se ao Egito, que desta vez, sim, corresponde aos fatos. Quem se equivocou com relação a Tiro?</li>
<li>Enquanto em Amós 9,7ss o Senhor anuncia a exterminação de Israel, logo depois (v. 9s) se corrige e afirma que somente “morrerão todos os pecadores de meu povo” e não “todo o reino pecador”.</li>
<li>Até o próprio Jesus se teria ocasionalmente equivocado. O anúncio de que de Jerusalém não ficaria “pedra sobre pedra” (Mc 13,12 e par. [= passagens paralelas nos outros Evangelhos]) não se cumpriu: veja o muro das lamentações, que é parte do muro daquele tempo. Que dizer sobre a antecipação da negação de Pedro? Segundo Mc 14,30, Jesus lhe teria dito “antes que o galo cante pela segunda vez”, mas segundo os outros evangelistas seria antes que um galo cante” pela primeira vez (Mt 26 34.75; Lc 22,24.61).</li>
<li>Segundo Mt 10,10, Jesus teria instruído seus discípulos a não levarem pelo caminho “nem alforje, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão”, mas, de acordo com Mc 6,8ss, teria estipulado que “com exceção de um só bastão, nada tomarão pelo caminho… Vão calçados com sandálias, mas não se vistam com duas túnicas”. Os Evangelhos apresentam muitíssimos mais exemplos de discrepâncias.»</li>
</ul><p>* Nenhuma destas incoerências, discrepâncias, contradições e erros da  Bíblia serve para fundamentar qualquer acusação de ilegitimidade da  Bíblia, mas sim para fundamentar a necessidade do estudo do contexto no  qual cada texto foi redigido, partindo do pressuposto de que nosso  conceito de “verdade” contemporâneo implica a coerência entre o dado  empírico e o que se diz dele, enquanto que no tempo em que os textos  foram redigidos (depois de terem sido, em alguns casos, transmitidos  oralmente), “verdade” implicava na autenticidade, ou seja, na ideia de   ser “fiel, estável, merecedor de confiança”, conforme o que o autor diz  na página 214 deste mesmo livro de onde copiei a lista. </p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Discrepâncias entre textos bíblicos*</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20i425-discrepancias-entre-textos-biblicos</guid>
      <pubDate>Wed, 16 Sep 2020 14:01:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>16/09/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20i425-discrepancias-entre-textos-biblicos.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/1ce4f-clay-banks-ocnokxbmwqg-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/d1a85-clay-banks-ocnokxbmwqg-unsplash.jpg]</a><p>Exemplos de contradições e incoerências entre textos da Bíblia (retirados do livro A  Bíblia sem mitos: uma introdução crítica, de Eduardo Arens, das páginas 217-218). Por favor leia o alerta depois do fim da lista:</p><ul>
<li>«Segundo o primeiro relato, o homem foi criado no final, enquanto no segundo relato, depois do homem Deus cria as plantas, depois os animais e, finalmente, em separado, a mulher.</li>
<li>Segundo Gn 6,19s Noé recebeu de Deus a ordem de colocar um casal de todo tipo de animal, porém segundo Gn 7,2ss deveriam ser sete casais, mas de animais puros, e dos impuros somente um casal,</li>
<li>Segundo Gn 7,4.12.17 o dilúvio teria durado quarenta dias, mas segundo Gn 7,24 afirma-se que durou cento e cinquenta dias.</li>
<li>O lugar onde ocorreu o famoso milagre da água que brotou da rocha, chamado Meribá, segundo Ex 17,1-7 situava-se em Rafidim, mas segundo Nm 20,1-13 se encontrava em Cadesh.</li>
<li>Quem foi o sogro de Moisés: Jetro, Jeter, Reguel ou Hobab (Ex, 2,18; 3,1; 4,18; Jz 1,16)? Sempre é o sogro, ou seja, o mesmo.</li>
<li>O Decálogo não coincide, quando se comparam as duas versões em Ex 20 e Dt 5.</li>
<li>Segundo Jr 22,19 e 36,30, o rei Joaquim teria um enterro humilhante “fora das portas de Jerusalém” e não teria descendência. Mas 2Rs 24,6 informa-nos que “Joaquim se associou a seus pais, e seu filho Joaquim [os dois tem nomes parecidos, com algumas letras reorganizadas em cada nome no original, pelo que vi na versão do Rei James com os códigos de Strong, e os tradutores se viram ora trocando o “m” final em um nome por um “n” no final do outro, ora colocando um “e” depois do “J” inicial para diferenciá-los, por exemplo; no livro de onde estou copiando esta lista, o autor decidiu escrever os dois nomes iguais] reinou em seu lugar”. Qual dos dois está certo?</li>
<li>De acordo com 2Sm 24,1s, Deus ordenou a Davi fazer um censo em Israel. Mas segundo 1Cr 21,1 o censo foi feito por insistência de Satanás.</li>
<li>O resultado do censo realizado por Davi, segundo 2Sm 24,9, foi que “havia em Israel oitocentos mil homens de guerra e em Judá havia quinhentos mil”. Segundo 1Cr 2,15, as cifras eram de “um milhão e cem mil e de quatrocentos e setenta mil” respectivamente. As cifras, além disso, são descomunalmente imensas para a população daqueles tempos na Palestina.</li>
<li>2Sm 24,24 informa que Davi comprou um terreno para construir um altar para Deus por cinquenta siclos de prata, mas, segundo 1Cr 21,25, Davi pagou seiscentos siclos de ouro pelo mesmo terreno.</li>
<li>Os Evangelho sinópticos (Mt, Mc e Lc) situam a expulsão dos vendilhões no Templo por parte de Jesus no final de sua vida pública, mas João a situa no início (cap. 2).</li>
<li>De acordo com Mt e Mc, Jesus apareceu aos discípulos na Galileia, não em Jerusalém, como se lê em Lc e em João. Além disso, segundo Lucas, a ascensão de Jesus teria sido no mesmo dia de sua aparição e perto de Betânia, enquanto, segundo Atos, teria ocorrido quarenta dias depois e no monte chamado das Oliveiras (1,3.12). Discrepâncias entre os Evangelhos são abundantes, e a lista seria enorme (veja uma sinopse dos Evangelhos).»</li>
</ul><p>* Nenhuma destas incoerências, discrepâncias, contradições e erros da  Bíblia serve para fundamentar qualquer acusação de ilegitimidade da  Bíblia, mas sim para fundamentar a necessidade do estudo do contexto no  qual cada texto foi redigido, partindo do pressuposto de que nosso  conceito de “verdade” contemporâneo implica a coerência entre o dado  empírico e o que se diz dele, enquanto que no tempo em que os textos  foram redigidos (depois de terem sido, em alguns casos, transmitidos  oralmente), “verdade” implicava na autenticidade, ou seja, na ideia de   ser “fiel, estável, merecedor de confiança”, conforme o que o autor diz  na página 214 deste mesmo livro de onde copiei a lista. </p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Erros históricos e científicos da Bíblia*</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20i424-erros-historicos-e-cientificos-da-biblia</guid>
      <pubDate>Tue, 15 Sep 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/09/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20i424-erros-historicos-e-cientificos-da-biblia.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/e4092-arif-riyanto-ud9nadgj2mc-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/9b2f3-arif-riyanto-ud9nadgj2mc-unsplash.jpg]</a><p>Exemplos de erros histórico e científicos da Bíblia (retirados do livro A Bíblia sem mitos: uma introdução crítica, de Eduardo Arens, das páginas 216 a 217). Por favor leia também o alerta depois do final desta lista:</p><ul>
<li>«Em Lv 11,6 e em Dt 14,7 proíbe-se comer a lebre “porque ela rumina”, quando, na realidade, ela não é um ruminante, mas um roedor. Igualmente em Lv 11,22, se cataloga o gafanhoto como “um bicho alado que anda sobre quatro pés”, quando na realidade tem seis pés.</li>
<li>Em Jó 20,16 se afirma que “a víbora mata com a língua” (literalmente), quando, de fato, é com as presas.</li>
<li>Jó 26,11;37,18: “as colunas do céu cambaleiam…” pois o céu é uma “abóbada sólida como espelho  de metal fundido”. O céu é realmente assim?</li>
<li>Certamente o grão de mostarda não é “a menor de todas as sementes que há na terra” (Mc 4,31).</li>
<li>A arqueologia evidenciou que  Jericó, Hai, e Gabaon não eram habitadas nos tempos de Canaã (Js 6-9). Igualmete Lakish e Taanak não sofreram destruição alguma e não passaram a ser cidades israelitas antes do séc. X.</li>
<li>O percurso da conquista apresentado em Juízes 1 é muito diferente do que encontramos em Josué. Além disso, foram incluídas cidades como Dor, Jerusalém, Gezer, Meguido e Taanak (Jz 1,21ss), que continuaram sendo cananeias, não israelitas, durante muito tempo depois da conquista.</li>
<li>Judite 1,1 está errado: Nabicodonosor não foi proclamado rei dos assírios nem reinou em Nínive, que havia sido destruída por seu pai em 612.</li>
<li>O famoso Baltazar, em Daniel 5, na realidade nunca foi rei. Tampouco era filho de Nabucodonosor, mas de Naboind, o último rei babilônico.</li>
<li>Contrário ao que está dito em Dn 6,1, não foi Dario, o Medo, (que nos é desconhecido) quem conquistou a Babilônia, mas Ciro.</li>
<li>Dario (persa) não foi “filho de Xerxes” (Dn 9,1), mas antes seu pai!</li>
<li>Segundo Dn 11,2, a Ciro sucederiam “três reis” antes que seu império tivesse caído, mas sucederam-lhe nove reis!</li>
<li>Mc 9,17-28 narra a cura de um menino “possuído por espírito mudo”, mas a descrição corresponde ao que hoje conhecemos como epilepsia: “atira-o por terra, lança espuma e range os dentes, e fica rígido”.</li>
<li>At 7,16 confunde Abraão com Jacó (confira Gn 23,17ss;33,19).»</li>
</ul><p>* Nenhuma destas incoerências, discrepâncias, contradições e erros da  Bíblia serve para fundamentar qualquer acusação de ilegitimidade da  Bíblia, mas sim para fundamentar a necessidade do estudo do contexto no  qual cada texto foi redigido, partindo do pressuposto de que nosso  conceito de “verdade” contemporâneo implica a coerência entre o dado  empírico e o que se diz dele, enquanto que no tempo em que os textos  foram redigidos (depois de terem sido, em alguns casos, transmitidos  oralmente), “verdade” implicava na autenticidade, ou seja, na ideia de   ser “fiel, estável, merecedor de confiança”, conforme o que o autor diz  na página 214 deste mesmo livro de onde copiei a lista. </p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Como lidar com os erros da Bíblia?</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20i423-como-lidar-com-os-erros-da-biblia</guid>
      <pubDate>Mon, 14 Sep 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/09/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20i423-como-lidar-com-os-erros-da-biblia.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/72407-1mike-von-fqbvh6dbtd8-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/e646e-1mike-von-fqbvh6dbtd8-unsplash.jpg]</a><p>No final do capítulo 3 (Cristãos: admirável mundo novo) do seu livro Em nome de Deus, Karen Armstrong descreve o início do combate, nos EUA, entre a interpretação literal e a interpretação crítica da Bíblia, um combate que ainda se faz presente hoje em dia quando passagens do Antigo Testamento são utilizadas como fundamento para coisas desumanas como, por exemplo, a homofobia; quando críticos da religião em geral e ou do cristianismo em particular utilizam as contradições, incoerências e erros científicos (biológicos, históricos, físicos, etc.) na Bíblia para tentar invalidá-la e, por conseguinte, invalidar a religião que a adota; e quando cristãos com posições políticas divergentes entre si (grosso modo, esquerda e direita) utilizam passagens bíblicas discordantes tanto para fundamentar sua própria posição quanto para atacar a posição alheia:</p><p>“Observando a discrepância entre a hipótese de Darwin e o primeiro capítulo do Gênesis, alguns cristãos, como Asa Gray (1810-88), amigo e colega do naturalista inglês, tentaram conciliar a seleção natural com uma leitura literal do livro bíblico. Posteriormente o projeto conhecido como Ciência da Criação se esforçaria ainda mais para conferir ao Gênesis respeitabilidade científica. Tanto empenho era inútil: como mito, a história bíblica não constitui um relato histórico das origens da vida, e sim uma reflexão mais espiritual acerca do significado profundo da existência, e sobre isso o logos científico nada tem a declarar.<br/>Embora Darwin não tivesse tal intenção, a publicação da Origem [das Espécies] provocou uma escaramuça entre religião e ciência, porém os primeiros tiros foram disparados não pelos religiosos, e sim pelos secularistas mais agressivos. Thomas H. Huxley (1825-95) na Inglaterra e Karl Vogt (1817-95), Ludwig Buchner (1824-99) Jakob Moleschott (1822-93) e Ernst Haeckel (1834-1919) no continente europeu popularizaram a teoria darwiniana, dirigindo-se a vastas plateias para provar a incompatibilidade entre ciência e religião. Na realidade pregaram uma cruzada contra a religião.” (Não posso dar a referência de quais são as páginas onde se encontra o texto, porque li ele em uma versão eletrônica pirateada, só sei que está no final do capítulo referido acima)</p><p>Neste livro, Karen Armstrong traça as origens mais ou menos paralelas do fundamentalismo nas três grandes religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo e islamismo), demonstrando (conforme o que eu entendi) que o fundamentalismo é uma reação de defesa diante do medo causado pelas incertezas postas pela modernidade. É uma síntese muito suspeita pelo fato de que eu li apenas os capítulos referentes ao cristianismo, embora em outra oportunidade eu tenha lido o livro todo (emprestado de uma biblioteca) e ele seja bem mais abrangente do que as minhas observações sobre ele.<br/>Segundo ela (ou pelo menos segundo o que eu entendi do livro dela), as religiões fundamentam-se em mitos, não no sentido de lendas ou folclore, mas sim (os mitos) como forma de expressar aquilo que se quer dizer acerca de questões existenciais, enquanto que a ciência fundamenta-se no logos, que é a maneira racional de investigar e compreender a realidade. <br/>Eu não sei se mito e logos signficam estritamente isto (eu não fui consultar o dicionário), mas de maneira geral o que eu entendi foi que a religião expressa verdades usando mitos, enquanto que a ciência o faz usando logos; além disto, o objeto da ciência é diferente do objeto da religião, razão pela qual o conflito surge quando se tenta “cientificizar” a religião ou então quando se tenta o contrário, fazer das explicações científicas, explicações religiosas.<br/>Ética, moral e religião não são propostas científicas e seus pressupostos não são cientificamente comprováveis (não existem impedimentos científicos para alguém andar nu por aí, por exemplo), bem como as descobertas científicas não são menos científicas por seu uso imoral (a imoralidade que há em qualquer chacina não impediu a bomba atômica de funcionar em Hiroshima e Nagasaki, e nem mesmo uma bomba atômica, em si, é da alçada religiosa, mas apenas o seu uso contra seres humanos).</p><p>Como alguns fundamentalistas de hoje utilizam trechos da bíblia para justificar seu conservadorismo, e seus oponentes eventualmente também utilizam outros trechos para justificar o seu próprio progressismo (como Jacques Ellul fez no seu maravilhoso livro Anarquia e Cristianismo), sem contar os argumentos antirreligiosos fundamentados nas inconsistências da Bíblia, eu resolvi copiar quatro listas que encontrei no livro A Bíblia sem Mitos, de Eduardo Arens, com diversas incoerências, contradições e erros bíblicos, que eu achei melhor copiar do que tentar resumir e explicar eu mesmo (desprovido de aptidão literária como eu sou, isto iria virar algo parecido com videocassetadas bíblicas, que não chegariam a parecer falta de respeito religioso porque não seriam nem engraçadas, já que eu também não sou humorista, mas resultaria em um texto apenas deprimente e sofrível) e vão ser publicadas ao longo dos próximos quatro dias.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O verdadeiro católico</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20i422-o-verdadeiro-catolico</guid>
      <pubDate>Thu, 10 Sep 2020 05:39:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/09/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20i422-o-verdadeiro-catolico.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/d36fe-1cor8252c2.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20i422-o-verdadeiro-catolico.png"/></a><p>O que faz de alguém um católico? Obedecer os mandamentos? Mas aquele jovem que disse a Cristo que obedecia a todos os mandamentos e não foi capaz de vender tudo o que possuía e entregar aos pobres <a href="https://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sao-mateus/19/22/">não pôde permanecer junto a Cristo</a> mesmo obedecendo a todos os mandamentos. Talvez obedecer ao catecismo, que inclui não só os dez mandamentos mas também regras para casos que estão ligados aos mandamentos, mas não parecem? Então o católico que defendia a pena de morte até o dia primeiro de agosto de 2018 deixou de ser católico no dia 2 (a menos que tenha mudado sua opinião conforme <a href="https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/papa-altera-paragrafo-do-catecismo-sobre-pena-de-morte/">a nova redação do parágrafo 2267</a> do catecismo). Ou obedecer ao papa? Ou a todos os papas anteriores também?</p><p>Eu tenho uma definição do que é ser católico, e provavelmente você também tem uma, e isto não é um problema. Mas usar as nossas definições de “ser católico” para acusar outra pessoa de não ser católica, ou, pelo menos, para acusá-las de não serem católicas o suficiente transformam o que era somente uma definição pessoal para nortear as próprias ações, em uma regra válida para todos – como se alguns soubessem mais que os outros.</p><p>Para isto que serve ler o que São Paulo escreveu na sua primeira carta aos coríntios. Neste trecho da liturgia de hoje, ele está falando sobre outra coisa, que é restringir-se de algo que não está errado para que aqueles que não entendem isto não pensem que pode tudo. O sujeito sabe que não tem problema em comer as carnes oferecidas aos ídolos, mas um outro sujeito ainda não entendeu isso, vê o primeiro comendo as oferendas e daqui a pouco vai pensar que não tem problema fazer suas oferendas também e tudo vira uma bagunça – em um tempo onde o cristianismo ainda estava se formando. Aquele sujeito esclarecido, que entendia que a carne oferecida aos  ídolos era carne como qualquer carne e não faria mal comê-la, não entendia, porém, o quanto isto poderia escandalizar o seu irmão que não entendeu e, além disto, induzi-lo a aplicar esta liberalidade a outros aspectos para onde ela não valia. Por isto que quem “acha que conhece bem alguma coisa, ainda não sabe como deveria saber”.</p><p>Mais do que uma expressão de humildade socrática (“só sei que nada sei”), São Paulo está alertando os profundos conhecedores da Bíblia, das leis e da moral que isto não é tudo, e tudo isto pode ser mais nocivo aos outros do que se não soubesse nada. </p><p>Mas hoje esta ideia, de que quem acha que conhece ainda não sabe, serve muito para estes fiscais do catolicismo alheio, rapidíssimos em detectar o menor traço de comportamento não católico nos outros, inclusive nos padres e nos bispos – é curioso que a prática inquisitorial cotidiana, abandonada pela hierarquia católica, tenha sido voluntariamente assumida por alguns leigos, que proibidos de usar a fogueira (inclusive pela hierarquia que criticam), queimam os outros em “apologias” que podem até estar corretas, mas são incapazes de dialogar com qualquer um fora dos seus círculos de pureza doutrinária.</p><p>As doutrinas católicas servem para ser aplicadas na própria vida, mas não é porque são corretas que devem servir de régua para medir os outros. Se alguém acha que conhece bem alguma coisa, não sabe como deveria saber porque, no fim das contas, o sabe-tudo é Deus e não o nobre apologeta do século XXI, que não consegue entender que não sabe de tudo, inclusive sobre si, e também que não sabe (mesmo que ache que sabe) se pode  condenar os outros à sua volta com sua correta  régua moral – e é com esta régua, não o catecismo da Igreja, mas esta que ele usou durante a vida, que Deus vai medi-lo, incluindo aí aquilo que Ele sabe e nós não (cf. <a href="https://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sao-lucas/6/38/">Lc 6,38</a>, também na liturgia de hoje).</p><p>*Na imagem, o zelador Willie dos Simpsons, um verdadeiro escocês, em referência à <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Fal%C3%A1cia_do_escoc%C3%AAs_de_verdade">falácia do escocês de verdade</a>.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Passagem</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20i421-passagem</guid>
      <pubDate>Wed, 09 Sep 2020 06:17:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/09/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20i421-passagem.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/633f6-1cor7252c31.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20i421-passagem.png"/></a><p>Photo by <a href="https://unsplash.com/@simone_busatto?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Simone Busatto</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/world?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a> </p><p>A transitoriedade do mundo em que vivemos não nos dispensa dos cuidados que devemos ter com o planeta e com os outros, pois se nem Cristo sabe quando o mundo vai acabar (Mt 24,36), não nos cabe agir como se já estivesse tudo acabado. </p><p>A transitoriedade do mundo é, no entanto, a causa da sensação que temos de que não pertencemos a este mundo. Se inventarmos destinos  que não sejam Cristo, perdemos este mundo e o definitivo. Mas se posicionarmos o nosso destino em Cristo precisamos lembrar que ele também é o caminho (Jo 14,6), um caminho que não é o mundo mas que está presente no mundo, e embora ele possa ser percorrido sejam quais forem as condições, se elas forem melhores, podemos evitar sofrimentos que, além de serem desnecessários, podem tomar proporções tão grandes que arriscam até mesmo nossa fé.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Desajustes</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 08 Sep 2020 05:01:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>08/09/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20i420-desajustes.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/dd524-mt1252c18.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20i420-desajustes.png"/></a><p>Photo by <a href="https://unsplash.com/@oboa?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">OB OA</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/holy-spirit?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a> </p><p>Até hoje há quem duvide que Maria tenha ficado grávida pela ação do Espírito Santo, e sugira que isto é uma metáfora, ou que, pelo menos, a ação do Espírito Santo não excluiu a necessidade de ela e José terem tido que fazer sexo para depois disto o Espírito Santo entrar em ação.</p><p>Apesar de dois mil anos depois ser possível, agora, abordar este assunto menos apaixonadamente (embora ainda seja possível ouvir risadas diante da ideia de uma Virgem Mãe), na época de Cristo a gravidez de Maria pareceu o que parece a muitos na nossa época: uma fantasia. Mas uma passagem bíblia sugere que, no tempo de Jesus,  pelo menos os fariseus também não tenham aceitado que Maria tenha engravidado do Espírito Santo sem ter feito sexo com José. Mais do que isto, é possível que julgassem que ela tivesse traído José antes do casamento (isto é uma possível explicação para terem dito a Jesus, em Jo 8,41, que não eram filhos da fornicação). </p><p>Se isto for verdade, então sabemos que Maria teve que conviver com o peso de ter sido vista como adúltera e Cristo, de ser filho do adultério, o que naquela época tinha um peso muito maior do que podemos imaginar.</p><p>Mas não precisamos fazer muito esforço imaginativo para reproduzir este peso: basta ver como pesa sobre quem tem famílias “desajustadas” o julgamento de que a causa de quaisquer problemas sejam estes desajustes, e que estes desajustes sejam responsabilidade de ambos os pais e, especialmente, das mães, tantas vezes responsabilizadas pelo fracasso de qualquer relação amorosa, incluindo o casamento.</p><p>As pessoas que não se ajustam a quaisquer expectativas, aliás, são julgadas severamente, pois os “santos” de hoje não são capazes nem de se abster de atirar a primeira pedra, ao contrário dos pecadores que, apesar de tudo, não tiveram coragem de atirá-la na mulher que Cristo salvou de um apedrejamento.</p><p>Enquanto lemos histórias de santos que tiveram experiências religiosas sublimes como conversar com Maria, com Cristo, com algum anjo ou com outro santo (sem contar as experiências religiosas não-cristãs que se oferece por aí hoje), pouco fazemos para alcançar a epifania divina que há em simplesmente não julgar quem não é como esperaríamos que deveria ser (que, aliás, certamente precedeu quaisquer outras experiências místicas dos santos que viram e ou ouviram as coisas miraculosas que suas biografias nos relatam).</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>As duas narrativas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20i419-as-duas-narrativas</guid>
      <pubDate>Sat, 05 Sep 2020 04:53:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/09/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20i419-as-duas-narrativas.jpg"/><p><i> </i></p><p><i> </i><i>Photo by <a href="https://unsplash.com/@viniciusamano?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Vinicius “amnx” Amano</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/the-creation?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></i></p><p><i>«Do ponto de vista da crítica bíblica</i>, urge recordar que <i>a primeira narrativa da criação do homem é cronologicamente posterior à segunda</i>. A origem desta última é muito mais remota. Este texto mais antigo define-se como “javista”, porque para nomear a Deus serve-se do termo “Javé”. É difícil não se ficar impressionado com que a imagem de Deus nele apresentada encerre traços antropomórficos bastante marcados (entre outros, lemos nele que… <i>o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida</i>). Em confronto com esta descrição, a primeira narrativa, isto é, exatamente a considerada cronologicamente como mais recente, é muito mais amadurecida quer no que diz respeito à imagem de Deus, quer na formulação das verdades essenciais sobre o homem. Provém da tradição sacerdotal e ao mesmo tempo “eloísta”: de “Eloim”, termo por ela usado para denominar Deus.</p><p>Dado que nesta narrativa a <i>criação do ser inteligente</i>como homem e mulher, a que se refere Jesus na sua resposta segundo <i>Mt</i>19, está inserida no ritmo dos sete dias da criação do mundo, poder-se-lhe-ia atribuir sobretudo caráter cosmológico: o homem é criado na terra juntamente com o mundo visível. Ao mesmo tempo, porém, o Criador ordena-lhe que subjugue e domine a terra: ele é portanto colocado acima do mundo. Embora o homem esteja tão intimamente ligado ao mundo visível, a narrativa bíblica não fala todavia da sua semelhança com o resto das criaturas, mas somente com Deus (<i>Deus criou o homem à Sua imagem, criou-o à imagem de Deus</i>…). No ciclo dos sete dias da criação manifesta-se evidentemente uma gradualidade nítida1; o homem, pelo contrário, não é criado segundo uma sucessão natural, mas o Criador parece deter-se antes de o chamar à existência, como se tornasse a entrar em si mesmo, para tomar decisão: <i>Façamos o homem à Nossa imagem, à Nossa semelhança</i>…</p><p><i>O nível daquela primeira narrativa</i> da criação do homem, embora <i>cronologicamente posterior, é sobretudo de caráter teológico</i>. Indica-o principalmente a definição do homem baseada na sua relação com Deus (“à imagem de Deus o criou”), o que encerra ao mesmo tempo a afirmação da impossibilidade absoluta de reduzir o homem ao “mundo”. Já à luz das primeiras frases da Bíblia, não pode o homem ser compreendido, nem explicado até ao fundo, com as categorias deduzidas do “mundo”, isto é, do conjunto visível dos corpos. Apesar de também o homem ser corpo. <i>Gn</i> 1, 27 verifica que esta verdade essencial acerca do homem se refere tanto ao homem como à mulher: <i>Deus criou o homem à sua imagem… criou-os homem e mulher</i>. É preciso reconhecer que a primeira narrativa é concisa, livre de qualquer vestígio de subjetivismo: contém só o fato objetivo e define a realidade objetiva, quer ao falar da criação humana, do homem e da mulher, à imagem de Deus, quer ao acrescentar pouco depois as palavras da primeira bênção: <i>Abençoando-os, Deus disse-lhes: “crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra”.»</i></p><p><i>João Paulo II, A Teologia do Corpo. 2ª catequese, 12/09/79 (</i><i></i>Na primeira narrativa da Criação encontra-se a definição objetiva do homem), 3-4. </p><p>Disponível no site <a href="http://teologiadocorpo.com.br/002-na-primeira-narrativa-da-criacao-encontra-se-a-definicao-objetiva-do-homem/">Teologia do Corpo</a>.<br/></p><p><i>		h1 { margin-bottom: 0.21cm; background: transparent; page-break-after: avoid } 		h1.western { font-family: “Liberation Serif”, serif; font-size: 24pt; font-weight: bold } 		h1.cjk { font-family: “Noto Serif CJK SC”; font-size: 24pt; font-weight: bold } 		h1.ctl { font-family: “Noto Sans Devanagari”; font-size: 24pt; font-weight: bold } 		p { margin-bottom: 0.25cm; line-height: 115%; background: transparent } </i></p><p>  		p { margin-bottom: 0.25cm; line-height: 115%; background: transparent } 		em { font-style: italic }</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Alegria alheia</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20i418-alegria-alheia</guid>
      <pubDate>Fri, 04 Sep 2020 14:35:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>04/09/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20i418-alegria-alheia.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/e1159-lc5252c33.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20i418-alegria-alheia.png"/></a><p>A tristeza não pode ser tratada como uma erva daninha inconveniente que se infiltra no jardim das nossas felicidades, mas precisa ser cultivada como um dos sentimentos que, tal como os outros, é resultado da fertilidade dos nossos corações. Somente um coração anestesiado pode se livrar da tristeza, mas esta anestesia leva junto a alegria e assim o coração se torna uma pedra imóvel, indiferente e cega. </p><p>Um coração vivo está sujeito a tudo, mas caso se apegue à alegria, ela se transforma em uma promessa de tristeza porque mais cedo ou mais tarde vai passar. O contrário deste  apego à alegria é uma fuga constante da tristeza, que assim nunca chega e, por isto, também nunca passa. </p><p>Exceto pelos casos clínicos de depressão, que devem ser tratados pela medicina, o melhor é sentir o que está disponível no momento sem tentar nem impedir, nem obrigar o sentimento a ficar.</p><p>Mas se a alegria forçada ainda se justifica  como um palhaço que esconde suas próprias tristezas para deixar pelo menos os outros alegres, a tristeza forçada só serve para impressionar os outros, fingindo uma gravidade  que não existe. E é esta hipocrisia que os fariseus cobravam dos discípulos de Cristo.</p><p>Se a Igreja determina momentos com rituais de tristeza é para que quem está bem possa lembrar que existem sofrimentos alheios pululando à nossa volta. Mas sempre há fariseus querendo fazer da  tristeza um modo de vida, cobrando-a dos outros quando não conseguem atingir a alegria alheia que não podem suportar.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>São Gregório Magno</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20i417-sao-gregorio-magno</guid>
      <pubDate>Thu, 03 Sep 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/09/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20i417-sao-gregorio-magno.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/e643d-s25c325a3ogregoriomagno.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/025b9-s25c325a3ogregoriomagno.jpg]</a><p>   Imagem: <a href="https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=160374">Wikimedia</a> </p><p> Filho do homem, eu te coloquei como sentinela da casa de Israel (Ez  3,16). É de se notar que o Senhor chama de sentinela aquele a quem envia  a pregar. A sentinela, de fato, está sempre no alto para enxergar de  longe quem vem. E quem quer que seja sentinela do povo deve manter-se no  alto por sua vida, para ser útil por sua providência. </p><p>Como é  duro para mim isto que digo! Ao falar, firo-me a mim mesmo, pois minha  língua não mantém, como seria justo, a pregação e, mesmo que consiga  mantê-la, a vida não concorda com a língua.  </p><p>Eu não nego ser  culpado, conheço minha inércia e negligência. Talvez haja diante do juiz  bondoso um pedido de perdão no reconhecimento da culpa. Na verdade,  quando no mosteiro podia não só reter a língua de palavras ociosas, mas  quase continuamente manter o espírito atento à oração. Mas depois que  pus aos ombros do coração o cargo pastoral, meu espírito não consegue  recolher-se sempre, porque está dividido entre muitas coisas. </p><p>Sou  obrigado a decidir ora questões das Igrejas, ora dos mosteiros; com  frequência ponderar a vida e as ações de outrem; ora auxiliar em certos  negócios dos cidadãos, ora gemer sob as espadas dos bárbaros invasores e  temer os lobos que rondam o rebanho sob minha guarda. Por vezes, devo  encarregar-me da administração, para que não venha a faltar o necessário  aos submetidos à disciplina da regra. Às vezes devo tolerar com  igualdade de ânimo certos ladrões, ora opor-me a eles pelo desejo de  conservar a caridade. Estando assim dispersa e dilacerada a mente,  quando voltará a recolher-se toda na pregação, e não se afastar do  ministério da proclamação da Palavra? Por obrigação do cargo, muitas  vezes tenho de encontrar-me com seculares; por isso sempre relaxo a  guarda da língua. Pois se constantemente me mantenho sob o rigor de  minha censura, sei que sou evitado pelos mais fracos e nunca os atraio  para onde desejo. Por esta razão, muitas vezes tenho de ouvi-los  pacientemente em questões ociosas. Mas, sendo eu mesmo fraco, arrastado  aos poucos pelas palavras vãs, começo a dizer sem dificuldade aquilo que  a princípio tinha ouvido com má vontade; e ali onde me aborrecia cair,  agrada-me permanecer. </p><p>Que, pois, ou que espécie de sentinela sou  eu, que não estou de pé no monte da ação, mas ainda deitado no vale da  fraqueza? Poderoso é, porém, o criador e redentor do gênero humano para  conceder-me, a mim, indigno, a elevação da vida e a eficácia da palavra.  Por seu amor, me consagro totalmente à sua palavra.</p><p>(<a href="https://liturgiadashoras.online/tempocomum/22terca-saogregorio">Das Homilias sobre Ezequiel, de São  Gregório Magno, papa</a>)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A verdade vos libertará</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20i416-a-verdade-vos-libertara</guid>
      <pubDate>Wed, 02 Sep 2020 04:26:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>02/09/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20i416-a-verdade-vos-libertara.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/d1225-thetruthisoutthere.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20i416-a-verdade-vos-libertara.png"/></a><blockquote>
<p><i>«De muitas pessoas também saíam demônios, gritando: “Tu és o Filho de  Deus”. Jesus os ameaçava e não os deixava falar, porque sabiam que ele  era o Messias.» (Lc 4,41)</i></p>
</blockquote><p>Quem pode nos libertar com a verdade é Deus. Não somos suficientemente livres para nos libertarmos, nem conhecemos o suficiente para conhecer a verdade. Nem sempre parcialidade significa ser tendencioso: às  vezes, como neste caso, somos parciais na medida em que conhecemos a verdade parcialmente. A existência de Deus é uma verdade, por exemplo, mas não é toda a verdade, e aí podemos  avançar até a Trindade, a divindade-humanidade de Cristo que é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade e, daí, percorrer toda a doutrina da Igreja que é, toda ela, verdade, mas não é, ela, toda a verdade.</p><p>Não é um princípio que deva servir para encontrar  as verdades  extra-doutrinais, pois Deus não deixou cacos de uma verdade despedaçada distribuídos aleatoriamente pelo mundo, mas é um princípio que serve para termos cuidado com a verdade.</p><p>Mentir é um pecado e não mentir é  ter cuidado com a verdade, e portanto, é óbvio (além de repetitivo), falar  a verdade também é ter cuidado com a verdade.</p><p>Eu li <a href="https://www.veritatis.com.br/o-demonio-sabia-que-jesus-era-deus/">aqui</a> uma boa explicação de porque Jesus impedia os demônios de falarem que  ele é o messias: os judeus da época esperavam um messias político, mais ou menos como o que os eleitores do Bolsonaro esperam dele, o salvador dos  valores judaico-cristãos, ou algo parecido; mas Cristo, que realmente era o messias e nisto os  demônios estavam falando a verdade, não oferece uma salvação política, e definitivamente não é militante de nenhum partido, e nisto a verdade que os  demônios falvam confundia mais do que esclarecia.</p><p>Por mais que a verdade não deva ser escondida, e sim pelo contrário, deva ser proclamada, é necessário verificar bem porque certas verdades são ditas. Denunciar o pecado, por exemplo, é necessário, mas quais pecados estão sendo denunciados em detrimento de quais outros? Um pecado homossexual é pior do que uma fornicação heterossexual? Os pecados sexuais desqualificam as virtudes dos pecadores? E o pecado da ganância pode ser mais tolerável que os sexuais desde que o ganancioso pague o dízimo regularmente, seja em prol da construção de um santuário ou da alimentação dos pobres? </p><p>Eu também não sei. Mas sei que a verdade realmente liberta, como a luz que ilumina o caminho. Quando ela é proclamada como uma lança para machucar o outro, porém, apesar de ela não deixar de ser verdade (assim como Cristo não deixou de ser o Messias dependendo de quem o proclamasse), ao invés de iluminar, fere. E quando fere, se torna apenas um instrumento de dor. É  verdade que Deus nos ensina, às vezes. pela dor, mas isto porque ele é Deus e sabe curar a ferida para uma condição melhor ainda do que a anterior. Algum de nós tem autorização de Deus para fazer o outro sofrer por algum motivo nobre? </p><p>Toda verdade jogada na cara com um tapa serve, provavelmente, apenas para satisfazer os  desejos medonhos de quem a jogou, mas se Deus pode transformar até essa  dor em salvação, isto não significa que quem a jogou tenha feito isto em nome de Deus. Significa apenas que transformou a verdade, iluminada e bela, em mesquinhas mini-certezas (vamos pedir piedade).</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Espiritualidade</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20i415-espiritualidade</guid>
      <pubDate>Tue, 01 Sep 2020 03:56:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/09/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20i415-espiritualidade.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/6af9f-1cor2252c13.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20i415-espiritualidade.png"/></a><p>Photo by <a href="https://unsplash.com/@mbrunacr?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Miguel Bruna</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/soul?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a> </p><p>A realidade espiritual é muito diferente de espasmos espirituais, que até podem inserir alguém na realidade espiritual, mas no fim são experiências físicas, psíquicas e emocionais. </p><p>A realidade espiritual não existe sem estar em paralelo com a realidade natural. Estes espasmos espirituais são saltos que não sustentam um vôo, e sempre se retorna à terra. Agora, vivida em paralelo com a realidade mais natural que – já – conhecemos, a realidade espiritual ganha corpo, talvez até asas, e certamente pernas. Ficar aqui é insuficiente, mas fugir daqui não leva a nenhum lugar, seja espiritual, seja natural (físico, emocional, psíquico).</p><p>Apesar deste paralelismo, a natureza não compreende o que é espiritual, e por isto só é possível falar da espiritualidade até certo ponto, a partir do qual só a experiência espiritual é posśível. Mesmo assim, esta experiência espiritual será uma fuga se não estiver em paralelo com a vida e o mundo cotidiano, mas é esta rota de fuga (da matéria e da alma) que seitas e aproveitadores deste tipo aproveitam para oferecer a título de espiritualidade.</p><p>A vida “funciona” sem espiritualidade nenhuma, mas tudo o que a sustenta tende a se tornar maior do que a vida, e acaba se degenerando na ganância de um crescimento ilimitado, não da vida, mas do que a sustenta. </p><p>E para que a vida vá além de uma função de vida, e para que a espiritualidade não  se torne uma rota de fuga, é necessário que a vida e a espiritualidade aconteçam em Cristo, dentro de uma realidade renovada mas inserida dentro da realidade comum que conhecemos bem.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Da Imitação de Cristo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20h414-da-imitacao-de-cristo</guid>
      <pubDate>Mon, 31 Aug 2020 15:33:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>31/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h414-da-imitacao-de-cristo.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/d0b7b-noah-buscher-m19qtooxpks-unsplash.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/dc33b-noah-buscher-m19qtooxpks-unsplash.jpg]</a><p>Ouve,  	filho, minhas palavras suavíssimas, que superam toda a ciência dos filósofos  	e sábios deste mundo<i>.  	Minhas palavras são espírito e vida</i>  	(cf. Jo 6,63), não ponderáveis por humanas inteligências.  </p><p>	Não  	devem ser puxadas para a vã complacência, mas escutadas em silêncio,  	acolhidas com total humildade e afeição íntima.  </p><p>	Eu  	disse: <i>	Feliz  	a quem instruis, Senhor, e lhe ensinas tua lei para que o alivies nos dias  	maus </i>	(Sl  	93,12-13) e para que não se sinta abandonado na terra.  </p><p>	Eu,  	diz o Senhor, ensinei no início aos profetas e até hoje não cesso de falar a  	todos. Porém muitos, à minha voz, são surdos e endurecidos.  </p><p>		Muitos se comprazem em atender ao mundo mais que a Deus; com maior  	facilidade seguem os apetites de sua carne do que a vontade de Deus.  </p><p>	O  	mundo promete coisas temporárias e pequeninas e é servido com imensas  	cobiças. Eu prometo bens sublimes e eternos e se entorpecem os corações dos  	mortais.  </p><p>	Quem  	me serve e obedece com tanto empenho em todas as coisas, quanto se serve ao  	mundo e aos seus senhores?  </p><p>	Cora  	de vergonha, servo preguiçoso e descontente, porque aqueles estão mais  	prontos para se perderem do que tu para viveres.  </p><p>	Mais  	se alegram aqueles com a vaidade do que tu com a verdade.  </p><p>	E, no  	entanto, por vezes se frustra sua esperança,ao passo que jamais falha a  	alguém minha promessa, nem sai de mãos vazias quem em mim confia.  </p><p>	O que  	prometi, darei; o que falei, cumprirei.  </p><p>	Sou  	eu o remunerador dos bons e inabalável acolhedor de todos os fiéis.  </p><p>		Escreve minhas palavras em teu coração e rumina-as com cuidado; serão muito  	necessárias no tempo da tentação.  </p><p>	O que  	não entendes ao ler, entenderás quando te visitar.  </p><p>		Costumo visitar de dois modos meus eleitos: pela tentação e pela consolação.  	 </p><p>	E  	lhes leio diariamente duas lições: uma, arguindo seus vícios; outra,  	exortando a progredir na virtude.  </p><p><i>	Quem  	tem minhas palavras e delas faz pouco caso, terá quem o julgue no último dia</i>  	(cf. Jo 12,48). </p><p>(Texto da segunda leitura do Ofício das Leituras, retirado de A Imitação de Cristo, e copiado <a href="https://www.liturgiadashoras.online/tempocomum/22segunda">daqui</a>) <br/></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Não tenhas medo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20h413-nao-tenhas-medo</guid>
      <pubDate>Sat, 29 Aug 2020 03:37:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>29/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h413-nao-tenhas-medo.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/96bb2-jr1252c17.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20h413-nao-tenhas-medo.png"/></a><p>Photo by <a href="https://unsplash.com/@mbrunacr?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Miguel Bruna</a> on <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p><p>Quando Deus pede a Jeremias que não  tenha medo, ele pede, antes disto, que ele tenha coragem (“põe a roupa e o cinto, levanta-te e comunica-lhes tudo o que eu te mandar dizer”). Os teólogos costumam identificar determinadas palavras ou expressões que possuem um significado que não está explícito naquela palavra ou expressão – como no caso de “conhecer”, que pode significar aquilo que entendemos por conhecer, mas também pode  significar “sexo”. Esta identificação entre “põe a roupa e o cinto…” e “coragem” que eu estou fazendo é resultado exclusivamente da minha especulação e, mais  precisamente, uma interpretação direcionada ao que eu quero dizer – ou seja, eu não estou interpretando a Bíblia, mas tentando explicar uma ideia. </p><p>Muito ardiloso.</p><p>Mas a questão é que o pedido para que o profeta tenha coragem está separado do pedido para que não tenha medo. Afinal, ter coragem e não ter medo são duas coisas bem diferentes.</p><p>É necessário ter coragem para anunciar a Palavra de Deus, em primeiro lugar, porque é a Palavra de Deus, e no Antigo Testamento temer a Deus era um argumento muito mas funcional do que qualquer outro (não que hoje não seja, mas somos uma geração mais ousada em relação a Deus, tanto para bem quanto para mal). Ainda hoje é necessário coragem para anunciar a Palavra de Deus e pelo mesmo motivo do temor, mas hoje sabemos que este temor precisa ser consequência do amor a Deus e não da falsa impressão de que estamos lidando com um psicopata divino que às vezes o AT pode passar. Além disto, não é muito confortável confrontar o mundo com a Palavra de Deus. Existem outros motivos mas eu não tenho tempo agora.</p><p>Mas não ter medo, neste caso, está separado da frase de encorajamento porque Deus está se colocando como a defesa do profeta. O medo é um mecanismo de defesa que faz alguém sair correndo ou sair na porrada diante de uma ameaça, por exemplo, e é muito recomendável – especialmente sair correndo – de modo geral. Mas o enfrentamento da ameaça, que pode parecer  coragem, no fundo é medo. E Deus não está pedindo para o profeta enfrentar as ameaças, nem sair correndo delas.</p><p>Nos tempos paranóicos em que vivemos, onde uma pessoa não precisa ser clinicamente paranóica para embarcar nas paranóias coletivas como a invasão extraterrestre ou o fantasma comunista, entre muitas outras, é necessário não ter medo neste sentido. Ainda mais no que diz respeito à religião, em que facilmente o medo pode levar alguém a sair correndo (como o jovem nu que sai correndo no Evangelho de Marcos) ou, então, a enfrentar na porrada as ameaças anti-cristãs que alguém identifique por aí.</p><p>Isto não é sobre as desgraças, sejam as maiores (a morte, a fome, etc.) ou as menores (perder o ônibus, o celular ou a hora, etc.), que Deus eventualmente impede ou permite na vida das pessoas. É sobre não se colocar nem como a muralha de Deus nem como a espada de Deus. Se Deus se compromete a defender o profeta, ele não está sugerindo que ele não leve um guarda-chuva num dia nublado ou vá para o centro sem nenhum trocado no bolso para garantir, quer dizer, não está sugerindo que o profeta seja imprudente, e nem o assunto é sobre prudência; mas seu compromisso em defender o profeta é para que ele não saia correndo diante das ameaças (reais ou imaginárias) que houverem por estar comunicando o que Deus está mandando, bem como não saia atacando seus antagonistas “reis de Judá e seus príncipes, os sacerdotes e o povo da terra”.</p><p>Não adianta os cristãos tentarem atacar nem se defender dos seus inimigos, sejam eles  reais ou imaginários, sejam eles pessoas ou conceitos. Para isto que serve o “não tenhas medo” de Deus ao profeta: para que o cristianismo não seja reduzido a um instrumento de guerra, seja como arma ou como escudo, como tão facilmente se transforma ao longo de toda a história.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Guerra santa</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20h412-guerra-santa</guid>
      <pubDate>Fri, 28 Aug 2020 04:32:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h412-guerra-santa.png"/><p>
<a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/3c422-sl4546252c9-10.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20h412-guerra-santa.png"/></a>

Imagem: foto de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Jeff_Widener">Jeff Widener</a>, e propriedade da <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Associated_Press">Associeted Press</a>.
<p>
<p>Qualquer guerra é uma guerra contra Deus, se do outro lado está outra pessoa  que o próprio Deus criou. Portanto nada justifica combater nem mesmo quem se considere inimigos de Deus. Os erros, as injustiças, os pecados, as violências, tudo isto precisa, é claro, ser combatido, mas não as pessoas que operam estas maldades.</p>
<p>No fim, o guerreiro vai sempre  se apegar a guerra, e se não encontrar inimigos, vai criar algum, apenas pelo prazer do combate, e quando Deus reprimir as guerras, quebrar arcos, lanças, escudos e armas, o que o guerreiro vai fazer? Aceitar andar por aí desprotegido daquilo em que confiava, ou vai lutar, mesmo sem querer, contra Deus e a favor da guerra?</p>
<p>É claro que há guerras acontecendo à nossa volta: guerras sangrentas no estrangeiro, guerras nos morros entre os traficantes, guerras “culturais” contra as minorias (que não sangram menos por isto) que depois se transformam em violência dos mais variados modos contra elas… Mas não lutar não significa fugir  da guerra, e sim promover, mesmo em meio ao conflito, a paz, a justiça e o amor.</p>
</p></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Santa Mônica de Hipona</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20h411-santa-monica-de-hipona</guid>
      <pubDate>Thu, 27 Aug 2020 03:22:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h411-santa-monica-de-hipona.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/e61a5-manualofprayers-018c-monica.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20h411-santa-monica-de-hipona.png"/></a><a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Saint_Monica_of_Hippo">Wikimedia Commons, the free media repository</a><p>Santa Mônica é famosa não apenas por ser a mãe de Santo Agostinho, mas por ter lutado incansavelmente pela conversão do filho. Embora falasse, tentasse convencê-lo e até brigasse com ele – quando ele se converteu ao maniqueísmo – sua luta consistiu, basicamente, na oração. Afinal quem nos converte é Deus.</p><p>Ela poderia ser apresentada como uma espécie de apoio sobre o qual Agostinho pôde encontrar a Deus, como se ela fosse um altar – e não estaria longe disto, basta ver seus sacrifícios maternos.</p><p>Mas ela está mais para uma gigante, pois não foi uma escadaria inerte sobre a qual Agostinho percorreu o caminho para o céu, mas sim um guindaste sempre preso a ele sem limitar seus movimentos, pronto a guindá-lo até as alturas, onde ela já se encontrava, quando ele estivesse preparado.</p><p>Seu filho deixou obras incríveis, sua teologia marca o pensamento da Igreja até hoje, e suas ideias em geral também não perderam por completo a validade, a ponto de ter sido declarado doutro da Igreja. Enquanto isto, ela não deixou nenhuma obra escrita, nenhuma marca teológica, sem genialidades nenhumas para habitarem as prateleiras das bibliotecas.</p><p>É verdade que o tempo em que ela viveu provavelmente não permitiria que ela avançasse sobre o conhecimento monopolízado pelos homens, mas não se sabe também se isto era do interesse dela.</p><p>O que sabemos é que os fundamentos de toda a sabedoria e inteligência de Santo Agostinho estão na sabedoria e na inteligência de sua mãe, que podemos ver refletidas na obra do filho, que precisou apenas desenvolver – magistralmente, é verdade – aquilo que, no fim das contas, recebeu de Santa Mônica.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Coração</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20h410-coracao</guid>
      <pubDate>Wed, 26 Aug 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>26/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h410-coracao.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/3e3b9-adobe_post_20200825_1003170.8935856493038143.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20h410-coracao.png"/></a><p>Photo by <a href="https://unsplash.com/@fideletty?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Etty Fidele</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/open-heart?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></p><p>Não é apenas a abundância material que fecha o coração. Os excessos são um tipo de abundância acessível mesmo para quem não é rico. </p><p>Matéria e espírito não são dois aspectos humanos em oposição, nem valem mais um do que o outro, pelo menos a princípio, pois dedicar-se ao espírito e esquecer-se do corpo enfraquece o espírito, e vice-versa.</p><p>Acontece que, à primeira vista, tudo é matéria. A realidade espiritual sempre é observada indiretamente, e no fim das contas precisa tocar a matéria para ser percebida. As nossas almas não aparecem quando nos vemos no espelho nem fazem sombras quando a luz do sol nos toca; e mesmo sendo reais, se não podemos percebê-las, são realidades como um grão de poeira vagando em torno de Júpiter, que existe mas não faz diferença para absolutamente ninguém. Só acessamos as coisas espirituais pelos ouvidos, pelos nossos sentimentos, e pelos efeitos sobre a matéria que a realidade espiritual puder ter.</p><p>Assim, fica a impressão de que o que importa mesmo é a matéria, e que a realidade espiritual é secundária, senão dispensável – isto se existir.</p><p>Por outro lado, por não ser óbvia, a realidade espiritual requer certa dedicação e esforço que podem se transformar , pela eventual dificuldade, em prioridade, levando alguém a priorizar as coisas espirituais em detrimento das coisas materiais, mesmo que esta pessoa não se dê conta de que continua presa à matéria, pois é através dela que percebe o espiritual.</p><p>As riquezas do mundo não se resumem às financeiras, mas a abundância delas fecha o coração porque passam a ocupar, no coração de quem a possui, todos os espaços, incluindo os dedicados às outras pessoas, à espiritualidade e a Deus. Ricos que não compartilham o que tem sõ responsáveis pela má distribuição de renda que leva os outros, que são a maioria, à pobreza; pessoas obcecadas por algum sentimento põem a satisfação do seu desejo em sentir acima dos sentimentos dos outros, e também acima da própria noção de que os outros também são pessoas; até mesmo o sofrimento abundante, que teoricamente ninguém procura, pode fechar o coração do sofredor ao sofrimento alheio, que pode ser menor, mas ainda assim relevante. Do mesmo jeito, a abundância espiritual, que – em um exemplo – oferece apenas uma benção sem nem perguntar se o abençoado tem o que comer em casa, ou até mesmo um lugar para morar, fecha o coração da pessoa espiritualizada que ignorando em si a matéria que não deixa de possuir, ignora as necessidades materiais dos outros que, em certos momentos, são prioridades.</p><p>Tudo isto, sejam riquezas, emoções, espiritualidade, etc., são coisas  que têm não apenas o seu valor, mas também a sua necessidade. Mas desassociadas de Deus por nós, acabam tomando espaços que não lhes competem, criando um equilíbrio nocivo e impedindo que Deus desequilibre tudo constantemente, que é o que nos faz participar da ação dele no mundo.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Filtragens desreguladas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20h409-filtragens-desreguladas</guid>
      <pubDate>Tue, 25 Aug 2020 03:28:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h409-filtragens-desreguladas.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/8cfcc-mt23252c24.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20h409-filtragens-desreguladas.png"/></a><p>O aborto é o resultado final de uma sequência de crimes e pecados: a omissão do governo, a violência, o machismo, a ausência de limites, a ausÊncia de infra-estruturas básicas. Tudo isto, cada ponto desta linha do mal pressionando o próximo e sendo pressionado pelo anterior, vai concentrar a somatória de pressões exatamente sobre o ventre da mulher – ou da criança, como no caso da menina de dez anos do Espírito Santo.</p><p>Se os grupos de pressão, uma outra linha que também amarrar uma das suas pontas nas mulheres, à altura dos seus ventres, estivessem preocupados com a vida, com Deus ou com as mulheres, não as encontrariam apenas na hora do aborto.</p><p>Aliás, não se pode dizer que estes grupos não se preocupem com a vida, Deus ou as mulheres, mas pergunta-se o que eles entendem por estes termos, para conseguirem manter o silêncio enquanto Deus é violentado nas mulheres que sofrem abuso mas não engravidam, nos negros cujas vidas são ceifadas diariamente, nas crianças que são abusadas sistematicamente…</p><p>O aborto é, sim, um pecado, e a sua defesa uma violência (espiritual) contra si. Mas é um pecado que, sem perder nada da sua gravidade por isto, é resultado de outros pecados que acontecem cotidianamente, sistematicamente, sem que estes grupos se manifestem contra eles.</p><p>Quando eles acordam e reagem, repentinamente, diante da ameaça de um aborto, eles estão coando o mosquito com muito zelo (um mosquito que deveria, sim, ser coado), mas engolem no mais completo silêncio o camelo, sem nunca abaixar o dedo em riste apontado contra outrem, tenha outrem dez ou cem anos.</p><p>Cristo não veio para deixar passar o mosquito, e sim para começarmos a não deixar passar o camelo. É necessário se opor ao aborto, mas nada, nem isto, justifica tocar o terror às mulheres, ainda mais às crianças. Se o ardor do amor à vida não for capaz de se mobilizar contra toda a violência prévia ao aborto, o ardor pró-vida só conseguirá queimar tudo a sua volta, numa violência diferente, mas análoga à que pensa combater.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A fé e a dor</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20h408-a-fe-e-a-dor</guid>
      <pubDate>Mon, 24 Aug 2020 05:14:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>24/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h408-a-fe-e-a-dor.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/cab23-1598245863011741-0.png"> <img width="600" alt="" src="/midia/20h408-a-fe-e-a-dor.png"/> </a><p>
<p>Imegem: <a href="https://unsplash.com/@ethanchoover">https://unsplash.com/@ethanchoover</a></p>
<p>A Providência divina é o “conceito teológico” sob o qual se resume a ideia da proximidade e da atenção de Deus para conosco. Deus interfere em nossas histórias para nos salvar, orienta nossos caminhos e nos livra de perigos.</p>
<p>Mas os os males que se desenrolam em nossas histórias fazem um contraste gigantesco com a presença íntima e ininterrupta de Deus junto a cada pessoa. E continuamos a sofrer os males que, se por um lado, é verdade que poderiam ser piores, por outro, já são suficientemente ruins como foram.</p>
<p>A resposta mais fácil é a do teste da fé: Deus testa a nossa fé com sofrimentos, dores e males para vermos até onde ela vai (porque Deus, que já conhece tudo, conhece também os nossos limites). Mas isto faz de Deus um cientista do mal, demonstrando a nós evidências concretas dos limites da nossa fé com experiências que faz conosco. Portanto, esta resposta não serve.</p>
<p>Talvez seja mais provável que Deus leve o livre-arbítrio a sério, e o mal seja resultado do livre-arbítrio de quem o comete. Deus certamente age para que o mal não domine e nem predomine, impedindo-o, mas as más ações, que produzem este mal, Deus se abstém de impossibilitar. Não que Deus deixe mesmo as más ações correrem soltas, pois há a consciência, e também a voz de Deus no coração de cada um pedindo para que não faça o mal, e sim faça o bem. Mas há obstinados que ultrapassam estas barreiras.</p>
<p>Deus precisa nos socorrer depois do sofrimento quando alguém não aceitou este socorro antes de fazer outrem sofrer. Mesmo que se alegue que quem sofreu também é pecador e, portanto, o sofrimento não foi tão injusto, ainda assim isto é da conta de Deus e não nossa, além do mais ele não deu a ninguém o direito de punir os outros com o sofrimento, e menos ainda com o mal. Por isto que se diz que a liberdade dada por Deus é para fazer o bem, e o uso desta liberdade para o mal é um abuso, e Deus só tolera esta perversidade para cumprir com a promessa de liberdade mesmo quando ela é usada contra Deus (pois o mal causado a qualquer pessoa é também dirigido a Deus, não importam se o malvado não quisesse atingi-Lo).</p>
<p>A fé é o que nos permite ser salvos por Deus, pois, de novo por causa da liberdade, ele não vai obrigar ninguém a se salvar. A fé consiste justamente na garantia desta liberdade, pois não nos prende ao mal e abre nossas portas à ação salvadora de Deus. Portanto a fé não é necessária por causa do sofrimento.</p>
<p>A fé é necessária para que Deus nos socorra nos nossos sofrimentos, mesmo os menores, mas que se torna heróica nos maiores.</p>
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O dogma da virgindade de Maria #2</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20h407-o-dogma-da-virgindade-de-maria-2</guid>
      <pubDate>Sat, 22 Aug 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>22/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h407-o-dogma-da-virgindade-de-maria-2.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/cd11e-1597985400983284-0.png"> <img width="600" alt="" src="/midia/20h407-o-dogma-da-virgindade-de-maria-2.png"/> </a><p> Photo by <a href="https://unsplash.com/@birminghammuseumstrust?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Birmingham Museums Trust</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/virgin?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a> </p><p>O dogma da virgindade de Maria mostra outro aspecto da ação de Deus, além da sua <a href="https://minhageografia.blogspot.com/2020/08/o-dogma-da-virgindade-de-maria-1.html">simplicidade desconcertante</a>. </p><p>Todas as pessoas nascem virgens, mas somente a virgindade feminina, como a de Maria, tem uma marca física, tangenciável, que desaparece quando a virgindade é perdida. Embora fazer sexo não torne alguém uma pessoa adulta, uma relação sexual com uma criança é impossível (pois o nome disto é estupro e será apenas isto mesmo que alguém não chame assim), ou seja, não existe uma criança que não seja virgem. </p><p>Além disto, a infância simboliza, entre outras coisas, a pureza e a inocência, e também <a href="https://www.paulus.com.br/portal/liturgia-diaria/dia-14-terca-feira-11/">é uma condição que Jesus impõe para poder entrar no Reino de Deus</a>. E a virgindade perpétua de Maria é a reverberação da saudação do anjo a ela, “cheia de graça”. Não que ela não tenha se tornado adulta e sofrido como um cão (não só, mas principalmente na Paixão de Cristo), nem que fosse uma mulher infantilizada. Mas esta graça que as crianças possuem (e a possuem até menos do que Maria, que foi concebida sem pecado original) e que, por isto, representam, é perfeitamente simbolizada pela virgindade.</p><p>Por isto a virgindade de Maria é uma espécie de redundância dos outros dogmas acerca dela, que já estavam mais ou menos presentes neste da virgindade.</p><p>Alguns sistemas elétricos podem ser construídos com redundâncias, dispositivos de proteção que garantem que se a alimentação de algum equipamento for cortada, a energia vai ter outro caminho para chegar até ele, e assim não interromper a alimentação.</p><p>A revelação de Deus, realizada em Cristo e registrada pela Bíblia, também possui redundâncias similares (Cristo é o novo Adão, os repetidos perdões de Deus ao povo pecador são imagens efêmeras da redenção definitiva dada a nós por Cristo na Cruz, etc.), que assinalam não só o cumprimento das promessas, mas também a realização delas antes mesmo do cumprimento (pois se a plenitude do cumprimento acontece em Cristo, a redenção, a salvação, o perdão, o amor, etc., de Deus sempre estiveram presentes e operando no mundo).</p><p>Os outros três dogmas de Maria (sua Maternidade Divina, sua Imaculada Conceição e sua Ascenção) já estavam presentes no dogma da virgindade de Maria: a pureza da Mãe de Deus, menor apenas que a pureza de Cristo; a concepção totalmente livre e isenta de pecado original; e a continuidade da graça que ela manteve por não ter pecado durante a vida, que a torna digna da Ascenção.</p><p>Em si mesmo o dogma é quase insignificante a ponto de parecer até engraçado que alguém tenha se preocupado com isto. Mas a virgindade de Maria é uma espécie de potencialidade que contém em si os outros dogmas acerca dela, que em conjunto testemunham tanto o que precisamos nos tornar (discípulos de Cristo, santos, pessoas que dão à luz a Cristo no mundo, etc.) para a Glória de Deus, um conjunto de testemunhos que se unifica em um só discurso no dogma da virgindade de Maria.</p><p> ~~~O~O~~~ </p><p>Os dogmas da Igreja, além dos dogmas marianos, são também testemunhos dos caminhos que Deus abre, como o que abriu para o povo de Deus no Mar Vermelho, para os percorrermos com segurança em direção a Deus (que é a linha de chegada mas ao mesmo tempo caminha conosco). Não é uma segurança fácil, porém, pois o caminho é seguro porque foi aberto por Deus e porque ele o percorre conosco, mas as muralhas de água dos lados são naturalmente assustadoras. Os dogmas estão depositados no leito lamacento do caminho que percorremos em direção a Deus, como seixos que ajudam a firmar os passos e não afundar o pé na lama. Não é possível percorrer este caminho sem sujar os pés nele, como disse o papa Francisco, mas é um caminho de vida que leva, também, à Vida.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O dogma da virgindade de Maria #1</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20h406-o-dogma-da-virgindade-de-maria-1</guid>
      <pubDate>Fri, 21 Aug 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>21/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h406-o-dogma-da-virgindade-de-maria-1.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/12a77-1597935671581988-0.png"> <img width="600" alt="" src="/midia/20h406-o-dogma-da-virgindade-de-maria-1.png"/> </a><a href="https://unsplash.com/@birminghammuseumstrust?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Birmingham Museums Trust</a><a href="https://unsplash.com/s/photos/virgin?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a><p>O dogma da virgindade de Maria costuma levar a atenção para a intimidade dela, e particularmente ao estado do seu hímen (“será que ficou intacto na hora do parto?”, “mas como uma criança pode ser concebida sem fazer sexo?” ou “bom, mas depois que Cristo nasceu ela e José…”), fazendo do nascimento de Cristo um enredo de ficção científica: “há muito tempo atrás, em uma galáxia muito distante, as mulheres eram fecundadas por inseminação artificial e pariam em cesáreas, numa sociedade repleta de virgens-mães guerreiras em uma batalha contra o mal…”; sem contar que, se o hímen intacto for mesmo o assunto principal do milagre, finalmente teremos a replicação dos milagres bíblicos em laboratório e a partir daí as portas ficam abertas para inventarem, Deus nos livre disso!, uma religião científica.</p><p>Mas dá para tirar alguma coisa mais interessante daí (ou menos desinteressante, porque eu não sou nenhum gênio também) do que o hímen de Maria ou uma sinopse meio plagiada de Guerra nas Estrelas.</p><p>No salmo 76/77 (versículos 12 a 20), Deus faz maravilhas, faz as águas tremerem e os abismos se agitarem só de se aproximar deles, a chuva cai e na tempestade se ouve a sua voz entre os trovões, e ainda por cima Deus abre o seu caminho em meio ao mar, uma estrada pelas águas mais profundas, e faz tudo isso sem deixar o menor rastro dos seus passos. Os relatos dos milagres de Deus costumam ser muito exuberantes, como os relatos de super-heróis fazendo coisas incríveis em um filme campeão de bilheteria para combater os inimigos, mas Deus não é um arrasa-quarteirão.</p><p>Já no Novo Testamento os milagres de Cristo, apesar de serem impactantes, são mais discretos (a cura de uma hemorragia aqui, de uma mão seca ali, um passeio sobre as águas para um público muito pequeno, quarenta dias de jejum, etc.), exceto talvez no caso de Lázaro. Estes milagres não eram para ser provas de credibilidade (como os dos milagreiros de hoje em dia), mas o cumprimento das promessas de libertação, que Deus improvisa quando não tem jeito, mas que acontece contidianamente nas coisas mais corriqueiras às quais ninguém dá bola por serem corriqueiras.</p><p>Essa discrição da ação de Deus serve, primeiro, para ninguém basear sua fé em milagres, que não comprovam a legitimidade de ninguém. Mas também servem para que a nossa participação na ação de Deus no mundo possa acontecer na vida em que nós vivemos, sem que necessariamente tenhamos que sair por aí com um cajado gritando “só Jesus salva” no meio das aglomerações para cumprir nossa missão religiosa. Ou seja, esta discrição da ação de Deus serve para que Deus possa impregnar nossas ações simples e comuns com a força da ação dele, mas sem efeitos especiais nem  resultados verificáveis (pois ninguém vê o sinal dos passos de Deus, conforme o salmo 76/77, inclusive nas ações de Deus casadas às nossas).</p><p>A virgindade de Maria é um dogma justamente por isto: o Verbo se fez carne sem deixar indícios do que fez, sem provas nem vestígios do milagre, porque a função do milagre é a salvação e não virar um show barato. A intervenção de Deus é simples, discreta e cotidiana, e a única prova de que alguma coisa tem a ver com Deus é… bom, eu também não sei, porque a ação de Deus não acontece segundo um algoritmo. </p><p>A fé em Deus consiste justamente em ter fé sem depender de provas, evidências e demonstrações. Se às vezes aparece uma ou outra prova (como aquela freira subindo um morro enquanto chovia, e ela pensava “eu saí da minha casa, do meu país, pra vir pra cá cumprir a missão de Deus para ficar andando a pé morro acima abaixo de chuva depois de um dia inteiro trabalhando, meu Deus do céu você não vê que…” e não se sabe o resto do pensamento porque ele foi interrompida pela buzina do carro de um padre do outro lado da avenida, oferecendo para ela uma carona), somos nós que vemos ali uma prova, porque Deus já estava agindo antes dela surgir aos nossos olhos, e vai continuar agindo depois independente da nossa percepção.</p><p>Ou seja, o dogma da virgindade de Maria é sobre a simplicidade desconcertante da ação de Deus, que age sem deixar vestígios que comprovem o que ele fez, e da qual a nossa participação depende apenas de um sim a Deus, que muda tudo profundamente enquanto, ao mesmo tempo, mantém tudo no lugar.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O dogma da Mãe de Deus</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20h405-o-dogma-da-mae-de-deus</guid>
      <pubDate>Thu, 20 Aug 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h405-o-dogma-da-mae-de-deus.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/3c1ab-1597761462640496-0.png"> <img width="600" alt="" src="/midia/20h405-o-dogma-da-mae-de-deus.png"/> </a><p>Enquanto Deus é grandioso, onipotente, inefável (uma palavra que eu nem sei direito o que significa, mas soa bem quando se refere a Deus), nós, humanos, somos humanos, impotentes, etc.</p><p>Em torno dos anos 400 as pessoas debatiam como as duas naturezas de Cristo, a humana e a divina, se “acomodavam” em Cristo, afinal era possível que a natureza divina domasse a humana para Cristo fazer o seu trabalho santo, ou que a Segunda Pessoa da Ssmª. Trindade tivesse sequestrado para si o corpo e a alma que estava dentro do útero de Maria depois do seu Sim. Talvez fosse um Cristo internamente dividido, e sua parte humana dissesse “ah, vou deixar o Pai de lado e fugir para morrer em paz”, como muitos anos depois aconselhou Raul Seixas, e a parte divina dissesse “não, vamos em frente!”; talvez a parte humana ficasse quietinha no seu canto, só observando Deus tomar as decisões no seu corpo – as possibilidades são infinitas.</p><p>Mas a Igreja decidiu afirmar que as duas naturezas de Cristo, mesmo bem diferentes uma da outra, agiam em harmonia completa, orientadas para o mesmo objetivo, as duas sentindo as mesmas coisas, no mais completo acordo entre si quanto ao que fazer, dizer ou pensar. Afinal, qualquer outra alternativa que não fosse esta faria de Deus um invasor de corpos, ou deixaria Deus confinado em um plano metafísico (como um espírito possuindo um corpo), etc. E o melhor meio de expressar isto é determinar de quem Maria é mãe: da natureza humana que ela gerou? Da natureza divina que gerou ela?</p><p>Seria razoável considerar que Maria era mãe de Cristo quanto a sua humanidade, restringindo-se a ser mãe apenas deste aspecto de Cristo. Afinal Deus já existia e ela não gerou Deus. Mas isto redividiria Cristo em dois. Por isto, no concílio de Éfeso a Igreja decidiu que ela era Mãe de Deus.</p><p>Quando Maria gerou Cristo, Deus não adentrou um corpo alheio presente no útero de Maria, mas formou um corpo humano, como o de qualquer outro humano, para si – o que faz de Deus também um ser humano tão humano quanto nós. As duas naturezas, a divina e a humana estão tão unidas entre si a ponto de ser impossível dizer uma coisa de uma sem automaticamente estar dizendo o memo da outra. Então, se Maria é mãe de Jesus, necessariamente também é mãe de Deus.</p><p>Isto pode soar um tanto quanto ousado, dizer que uma criatura pariu a Deus, amamentou Deus, limpou a (que Deus não me castigue) bundinha suja do Bebê-Deus, mas é isto que a união perfeita das  duas naturezas em Cristo significa: Deus não veio a nós como um extraterrestre, mas como um ser humano terráqueo comum, sem no entanto deixar de ser Deus eterno e todo-poderoso, criador do céu e da Terra e por aí vai.</p><p>Maria ser mãe de Deus significa que a presença de Deus é mais do que um símbolo, uma representação, uma alegoria ou uma metáfora, mas é tão real e concreta quanto qualquer coisa real e concreta que possa existir. Isto é necessário para não fazer de Deus um Deus alheio, ocupado em lustrar o seu trono divino que pode até vir nos salvar, quem sabe, mas depois de regar o jardim divino e fazer uma inspeção celeste enquanto a gente se vira por aqui.</p><p>Por isto que se é verdade que Cristo é a água viva que nos sacia e o alimento que nos dá a vida, também é verdade que quem patrocina isto, por uma graça de Deus, é Maria, que nos oferece seu Filho.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O dogma da Imaculada Conceição de Maria</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20h404-o-dogma-da-imaculada-conceicao-de-maria</guid>
      <pubDate>Wed, 19 Aug 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h404-o-dogma-da-imaculada-conceicao-de-maria.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/57be6-postagem1908.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20h404-o-dogma-da-imaculada-conceicao-de-maria.png"/></a><p>Photo by <a href="https://unsplash.com/@skmuse_?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Suad Kamardeen</a> on <a href="https://unsplash.com/@skmuse_?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a> </p><p>Normalmente o dogma da Imaculada Conceição de Maria está associado à necessidade de que o corpo humano que gestaria o corpo humano-divino de Cristo deveria ser tão puro e santo e santo quanto pode ser um ser humano, então, para não macular o corpo do Filho de Deus, a sua mãe foi preservada, por uma graça de Deus, do pecado original.</p><p>No documento em que proclama este dogma, o papa ressalta que, no fim das contas, foi uma graça “desnecessária” dada por Deus a Maria, pois Deus é Deus mesmo que nascesse de uma pecadora.</p><p>Como todos estes textos não são estudos sobre os dogmas, mas a minha opinião sobre o significado deles, a minha opinião é que:</p><p>a) por muitos e muitos anos as mulheres foram associadas a Eva como a tentadora de Adão. São Paulo também diz isto em alguma de suas cartas mas este deveria ser um assunto apenas secundário, sem muito valor, como o vinho que o apóstolo recomenda que (se não me engano) Tito beba com frequência ou a capa que ele pede para que não sei quem traga não sei de onde o apóstolo a esqueceu. É um assunto menor porque, ao mesmo tempo em que Eva pode ser, sim, considerada a tentadora de Adão, Adão poderia muito bem ter sido associado à fraqueza de quem cai em tentação e portanto não merece confiança – ou a merece tanto quanto quem o tentou. A maldade que reina no coração humano facilmente associa Eva à tentação, responsabilizando tacitamente, por esta associação, as mulheres pela violência que sofrem dos homens, como se, assim como Eva tentou Adão, toda e qualquer mulher, por extensão, fosse uma tentadora de homens por definição. Uma argumentação destas pode até um dia ter feito algum sentido, pois não se pode contar sempre com a inteligência de quem argumenta nem de quem aceita um argumento assim. Mas ao afirmar a Imaculada Conceição de Maria, o que nem precisava de argumento para ser defendido, que é o absoluto respeito às mulheres, agora tem. A má-fé de quem se utiliza das imagens religiosas consiste, também, em exigir uma contra-argumentação religiosa. Um sujeito que justifique, nem que seja apenas para si, que fez o mal que fez (ou que apenas pense o mal que pensa) porque, afinal, está diante da impureza de Eva, normalmente não aceita o que é apenas óbvio (ou “inscrito por Deus na consciência humana” na linguagem das doutrinas da Igreja) e não vai se convencer, portanto, apenas pela sensatez de que a culpa da violência é de quem a comete e não de quem a sofreu (uma pessoa pode se colocar em situações de perigo e ser responsabilizada por isto, mas este é o caso de um acidente, de algum infortúnio, e uma pessoa que comete uma violência não é um acidente e nem um infortúnio). Assim, o dogma da Imaculada Conceição é o argumento irrefutável contra quaisquer desculpas que recorram a associação das mulheres com Eva – um argumento irrefutável porque o dogma é, por si mesmo, irrefutável: se no Antigo Testamento Eva era a imagem da mulher, a imagem feminina do Novo Testamento é Maria, concebida sem pecado original e, portanto, sem associação nenhuma da feminilidade à impureza nenhuma. Não que todas as mulheres sejam Maria, mas a partir da sua Imaculada Conceição qualquer ideia que se faça do que seja a feminilidade não inclui mais associação alguma com pecados, impurezas e tentações nesta ideia.</p><p>b) o outro significado é que recebemos de Cristo a promessa de nos livrarmos de todo e qualquer pecado graças a sua ressurreição. Mas esta libertação do pecado não é somente o fim da história, pois está também no seu início. Se a história da salvação passa, logo em seus primórdios, pelo pecado original (sob o jugo do qual ainda vivemos, pois o batismo elimina o pecado original mas não a fragilidade que ele deixa na alma), o ato final desta história que começa no Novo Testamento começa por uma graça, a Imaculada Conceição de Maria, dada tão gratuita e livremente por Deus a ela como as graças  que ele nos dá.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O dogma de Nossa Senhora da Assunção</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20h403-o-dogma-de-nossa-senhora-da-assuncao</guid>
      <pubDate>Tue, 18 Aug 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h403-o-dogma-de-nossa-senhora-da-assuncao.png"/><p>
<a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/68de6-my2bpost.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20h403-o-dogma-de-nossa-senhora-da-assuncao.png"/></a>
<p> Photo by <a href="https://unsplash.com/@farrinni?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Farrinni</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/girl-door?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a> </p>
<p>Os dogmas católicos servem para esclarecer questões obscuras relevantes para a fé. Por exemplo, diante da possibilidade de alguém conceber Cristo como uma espécie de semi-deus com capacidades sobre-humanas e usar isto como motivo para se isentar de viver como Cristo, há um dogma afirmando que sua humanidade não é diferente da nossa (exceto pelo pecado original, que aliás é outro dogma) e que ele se utilizou dos mesmos recursos que temos à disposição na nossa própria humanidade; isto, porém poderia levar a fazer de Cristo um ser humano heróico, incomum, singular, realmente incrível e evoluído, mas somente humano, e então há outro dogma afirmando a plena divindade de Cristo, que é não um símbolo ou um representante de Deus, mas é o próprio Deus se tornando humano, vivendo, morrendo e ressuscitando por nós. </p>
<p>Sendo plenamente humano e plenamente divino (o que não o transformou numa terceira coisa, segundo outro dogma), Cristo tanto viveu quanto morreu por nós, e ressucitou pelo mesmo motivo. Isto garante a igualdade de condições, mas também ressalta a divindade dele, da qual podemos participar sem, no entento, possuí-la.</p>
<p>Mas a promessa da ressurreição, mesmo tão próxima de nós, mais do que a própria morte (que é uma condição e não uma promessa nem um objetivo em si), ainda assim soa distante, afinal Cristo, mesmo plenamente humano, voltou para onde estava antes, e só Deus sabe quando (literalmente) a parcela da humanidade que não é ao mesmo tempo Deus (e que corresponde a todos que não sejam o próprio Jesus Cristo) vai inaugurar o céu. Cristo ressuscitou abrindo o caminho para a ressurreição, mas nenhuma de suas criaturas humanas chegou lá ainda, vai saber se isto não é uma emboscada.</p>
<p>Aqui entra a assunção de Maria, celebrada no domingo passado. Embora Deus não precisasse ser conduzido por ninguém até nós, veio conduzido por ela, como um filho conduzido pela mãe, reafirmando que na temporalidade que começa a etenidade (ou seja, o Reino de Deus que é o nosso futuro não está exclusivamente lá nesse futuro, mas já começa aqui, no tempo que um dia vai acabar).</p>
<p>Assim como ela conduziu Deus à humanidade, o dogma da assunção de Maria afirma que ela é a primeira humana como nós, que não somos Deus, a chegar lá como todos estaremos um dia, ressuscitados de corpo e alma no Reino de Deus.</p>
<p>A primeira exclusivamente humana a viver no Reino de Deus é Maria, o que justifica ainda a fé na intercessão dela por nós, que assim como recebeu Deus em meio à humanidade, agora está lá para receber a humanidade junto a Deus – afinal dificilmente alguém poderia sustentar que ela fosse passar o início da própria vida eterna despreocupada com quem ainda não chegou, e embora a nossa condução ao Reino de Deus seja, digamos assim, operacionalizada por Deus mesmo, a intercessão de uma criatura que agora vê a Deus como sempre foi vista por ele (cf. 1Cor 13,12), que pede a Deus não com a fé, mas na plenitude da realização da vida, cause mais impacto que nossas próprias intercessões, ainda condicionadas pela parcialidade da fé que é o que temos agora.</p>
<p>E é um contrassenso que ainda haja qualquer ilusão de superioridade fundamentando o machismo e a opressão por parte dos homens em relação às mulheres, pois é uma mulher, tão mulher quanto aquelas que tantos deles consideram inferior, que está esperando eles lá.</p>
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Fé dogmática</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20h402-fe-dogmatica</guid>
      <pubDate>Mon, 17 Aug 2020 14:51:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h402-fe-dogmatica.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/5841a-1597675788034088-0.png"> <img width="600" alt="" src="/midia/20h402-fe-dogmatica.png"/> </a><p>A modernidade trouxe a humanidade à razão com a mesma falta de critérios que a geração anterior teve com a religião. Não que razão e religião sejam duas faces da mesma moeda, mas tanto a razão quanto a religião, usadas ou vividas sem critérios, se transformam (figuradamente) em armas de destruição em massa.</p><p>Se a religião antigamente pecava (como força de expressão) por negar a razão, a modernidade peca (idem) por negar a religião. A cristandade (no ocidente, bem como Islã e o judaísmo no Oriente Médio) pagaram pela negação. A modernidade também.</p><p>Quanto mais a modernidade tenta varrer a religião para baixo do tapete como se fosse o resto do lixo deixado pelas gerações anteriores, mais o ímpeto religioso reage convulsivamente vivendo à margem das estruturas da modernidade, causando uma outra reação convulsiva racional (que tem seus espasmos apesar da aparente frieza), ambas as reações dirigidas uma contra a outra, e assim ambas dão-se as mãos na cultura de morte.</p><p>A Igreja Católica (que não é a única religião, mas é a que eu mais conheço mal – porque as outras eu conheço pouco e conheço mal) tem entre suas doutrinas os dogmas que eventualmente podem despertar sentimentos de repulsa nos dias atuais, ou desprezo, talvez escárnio, também. Mas são estes dogmas que impedem que a religião na Igreja se torne um instrumento de opressão – a condição de pecadores é um dogma, por exemplo, esquecido por pessoas como Torquemada ou os cruzados que, agindo como paladinos da justiça divina, apenas confirmaram o dogma em suas ações, o que ao menos deveria servir para relembrá-los disto.</p><p>Que o aborto seja um pecado é inegável, mas a frente anti-aborto não lembra, ou talvez não saiba, que também é composta por pecadores tão pecadores quanto seus oponentes. Seus meios de atuação, mesmo bem-intencionados nos seus fins, trazem à tona outra doutrina católica (que não sei se é dogmática – mas nem tudo precisa ser dogma para estar correto) que diz que os fins não justificam os meios.</p><p>Assim como é pecado abortar, o terrorismo também é. Deus que é Deus todo-poderoso age na base do amor e não do terror, e poderia, sendo Deus todo-poderoso, tocar o terror se quisesse. Se por um lado é verdade que a mera consciência (do dogma) de que somos pecadores, por si só, não serve para corrigir ninguém, serve como ponto de partida para, ao menos, questionar se a cruzada moral em que nos envolvemos está dentro de parâmetros religiosos e racionais aceitáveis. Particularmente no que diz respeito à religião, São Paulo, uma espécie de Tony Stark apostólico (se os apóstolos fossem os Vingadores), foi lá e conversou com os hereges, pagãos e descrentes de todo o tipo – e não consta  que foi formar um cordão de isolamento em volta dos templos pagãos.</p><p>A razão é, apesar de parecer o contrário, muito mais bem distribuída do que a religião (outra doutrina católica: Deus deu a capacidade da razão a todos os seres humanos junto com a vida), pois a religião, mesmo que possa ser esboçada pela razão, precisa ser revelada (pois do contrário continua sendo razão). Isto significa que é mais fácil religiosos serem racionais do que o contrário – ou talvez menos difícil, pelo menos.</p><p>Embora os dogmas sejam revelações extraídas da Palavra de Deus, não são inferências racionais, e por isto são dogmas, ou seja, verdades (como as verdades racionais) mas de fé. E se os dogmas fossem um pouco mais bem conhecidos e estudados, especialmente pelos fiéis religiosos, isto evitaria cenas como as do domingo passado.</p><p>Se as verdades (dogmáticas) religiosas tem precedência sobre as verdades da razão, isto não significa que (com raras exceções entre as quais não se conta o terrorismo) quem conhece e acredita nas verdades religiosas tenha autorização para agir como animais irracionais. Por mais que conheçamos a verdade, a conhecemos “como se víssemos por um espelho” (parafraseando 1Cor 13,12), e isto, já que a caridade parece não servir como argumento, deveria servir para que “o bom combate” contra o pecado seja feito com prudência, e não se servindo de pecados para combater outros pecados.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A vida antes da vida</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20h401-a-vida-antes-da-vida</guid>
      <pubDate>Sat, 15 Aug 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h401-a-vida-antes-da-vida.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/7acd6-my2bpost.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20h401-a-vida-antes-da-vida.png"/></a><p>Apesar de ter criado não só tudo o que existe, mas também a vida que há na criação, Deus ainda é acusado de ter sido, no Antigo Testamento, uma espécie de assassino exterminador sanguinário. Sendo Deus a Vida e tendo compartilhado-a com o ser humano que criou, Deus também insiste (apesar das acusações) em manter a vida de quem criou e vivificou.</p><p>Neste trecho de Ezequiel, Deus ainda deixa claro, de maneira literal, objetiva e direta, que a morte não é seu negócio, mas sim a vida. Muitas vezes o caminho de conversão, e o caminho da pós-conversão também, é um corredor apertado feito com paredes de espinhos, mas os espinhos, que foram criados por Deus, é verdade, no entanto não foram colocados por ele lá. Fomos nós (coletivamente, não eu ou você) que colocamos ou deixamos colocar estes espinhos lá, e se é verdade que a morte não é uma consequência necessária da liberdade, também é verdade que é consequência de escolhas possíveis (embora não recomendadas) possibilitadas pela nossa liberdade. Mas a conversão é converter-se à vida, onde a morte, como uma muralha inevitável que limita a vida, foi ultrapassada por Cristo na sua ressurreição – e a conversão consiste justamente em não deter-se nos muros da morte durante a vida, e ultrapassar a grande muralha da morte ao fim da vida, outrora intransponível, seguindo os passos de Cristo.</p><p>Nestes tempos de intolerância, quando muitos de nós erguem muros de intolerância fatal contra negros, indígenas, homossexuais, mulheres, crianças, idosos, estrangeiros, pobres e qualquer outra pessoa que ameace o resquício de poder vazio que possuem, Deus não só tolera os fomentadores da morte como também insiste em oferecer-lhes a conversão à vida.</p><p>Esta vida que Deus nos oferece já nos foi dada, primeiro na criação do mundo, e depois na ressurreição de Cristo (a árvore da vida, preterida em prol da outra árvore por Adão e Eva e então inacessível a partir de sua queda, agora tem seus frutos à nossa disposição). Se esta vida se parece com uma obra do governo inaugurada às pressas para ganhar votos, é porque Deus (que não inaugura nada às pressas e não depende destes artíficios para ganhar votos) nos quer construindo, junto a ele, a vida inacabada que temos. </p><p>A julgar pela eficiência da cultura de morte que construímos com os dons que Deus nos deu, se usarmos esses dons para a construção da vida que Deus pede de nós, ela pode ficar maravilhosa.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Um caso de poliamor</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20h400-um-caso-de-poliamor</guid>
      <pubDate>Fri, 14 Aug 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h400-um-caso-de-poliamor.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/7d44b-ez16252c8.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20h400-um-caso-de-poliamor.png"/></a><p>Deus passou a maior parte do Antigo Testamento atrelando o povo eleito a si, em um interminável jogo de traição-perdão-fidelidade, onde o povo traía Deus, que ia na contramão mantendo-se fiel e perdoando, então o povo prometia uma fidelidade que, vê-se depois, não iria manter.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>∞ Ao infinito, e além ∞</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20h399-ao-infinito-e-alem</guid>
      <pubDate>Thu, 13 Aug 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h399-ao-infinito-e-alem.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/26358-mt18252c21.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20h399-ao-infinito-e-alem.png"/></a><p>O perdão tem benefícios psicológicos muito grandes, e talvez o mais óbvio deles  seja se libertar do ressentimento que mantém quem nos ofendeu tão próximo do nosso coração quanto quem amamos. Sem contar a nobreza do ato, que sendo uma virtude, contribui para fortalecer o caráter e, por isto, contribuir para com o desenvolvimento coletivo.</p><p>Nada disto faz o perdão uma atitude fácil, mas seus benefícios compensam de longe as dificuldades. Aliás, é tão difícil que Pedro achou melhor perguntar para Cristo quantas vezes deveria perdoar alguém, pois até mesmo naquele tempo deveria ter gente insuportável. É uma equação difícil entre a capacidade ilimitada de nos ofenderem e a paciência limitada que possuímos, e Pedro precisava saber, digamos assim, o resultado: talvez sete? Cristo oferece outro: setenta vezes sete.</p><p>Mas a parábola a seguir, da disparidade entre o homem que devia muito, teve sua enorme dívida perdoada e depois não foi capaz de perdoar a dívida irrisória que outro tinha com ele. O final da história foi trágico.</p><p>A parábola mostra mais do que as contas de Cristo e de Pedro quais são os limites do perdão: Deus. Deus é ilimitado, e sua capacidade de perdoar talvez não tenha limites, ou talvez até tenha, mas ainda assim seria um limite muito maior do que o nosso. Mais do que os benefícios psicológicos e a correção das atitudes, o perdão é um dom de Deus, tanto quando nos perdoa, quanto quando nos dá a capacidade de perdoar, não sete ou setenta vezes sete, mas até o limite em que o próprio Deus pode perdoar.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A proteção de Deus</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20h398-a-protecao-de-deus</guid>
      <pubDate>Wed, 12 Aug 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h398-a-protecao-de-deus.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/74bbb-sl1262527127252c2.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20h398-a-protecao-de-deus.png"/></a><p>É necessário salvar o mundo, mas qualquer todas as propostas de salvação que não incluam a participação de Deus acabam deteriorando o mundo ainda mais, mesmo sem querer.</p><p>Seja o materialismo que distorce a Teologia da Libertação (que não é em si materialista), seja a afetação de pureza dos conservadores (entre outras coisas), é muito fácil cair na tentação de querer fazer o bem sem incluir Deus no meio disto.</p><p>É esta tentação que alguém como Bolsonaro, por exemplo, explora, mesmo que mencione Deus na sua propaganda. Se houver uma ameaça comunista no Brasil, o que eu duvido, não é o liberalismo materialista dele que vai salvar o país – nem o desprezo pela ciência ou o incentivo ao ódio contra os outros que ele promove.</p><p>Se as consequências políticas deste desespero são até mesmo fatais, como provam as cem mil mortes (sem contar os que não morreram por causa da pandemia), individualmente este desespero dilacera qualquer pessoa.</p><p>E qualquer pessoa pode se lembrar que devemos agir como neste salmo, fazendo junto com Deus o que é possível e deixando Deus resolver ele mesmo o que não é. Esta proteção de Deus, se for reconhecida, impede o desespero que se expressa  em “levantar de madrugada ou à noite retardar o seu repouso”, e também de eleger um filisteu disfarçado de herói.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Possibilidades de si</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20h397-possibilidades-de-si</guid>
      <pubDate>Tue, 11 Aug 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h397-possibilidades-de-si.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/e037a-mt18252c3.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20h397-possibilidades-de-si.png"/></a><a href="https://unsplash.com/@mustafa_omar?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Mustafa Omar</a><a href="https://unsplash.com/s/photos/pregnancy?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a><blockquote><p>“Por que preservamos nossos nomes? Por hábito, exclusivamente por hábito. (…)   E,   finalmente,   porque   é agradável falar como todo mundo e dizer o sol nasce, quando todo mundo sabe que essa é apenas uma maneira de falar.” (Gilles Deleuze e Félix Guattari. Mil Platôs – Capitalismo e Esquizofrenia, vol. 1, p. 10)</p></blockquote><p>Não sabemos quem somos e a única maneira de lidar com isto é não afirmar a identidade – a não ser como Deleuze e Guattari, por hábito e para poder se fazer compreender.</p><p>Ter consciência de que não sabemos quem somos é importante para não caírmos na mentira de quem nos diga que sabe e pode nos revelar, mas ainda assim é um jogo perigoso, pois a tentação de se apegar  a uma identidade sempre possível, sempre ideal e sempre fictícia prevalece com facilidade em momentos de maior fragilidade. É necessário saber mudar, mas também é necessário lembrar  que mudamos de um hábito para outro, de uma maneira de falar para outra, de uma maneira de compreender-se para outra, em projetos de identificação sempre parciais.</p><p>Converter-se e se tornar criança, que Cristo coloca como condição para entrar no Reino dos Céus, é necessário para que estejamos sempre disponíveis a encontrar nossas verdadeiras identidades que permanecem resguardadas apenas nele, pois só em Cristo é possível encontrar-se a si próprio (o que explica, em parte, a leitura do evangelho de sexta-feira, onde Cristo diz que quem quiser salvar sua vida vai perdê-la, mas quem perdê-la por ele vai encontrá-la, pois Cristo está falando explicitamente da vida, é claro, mas também se aplica à identidade). Somente as crianças admitem que não sabem quem são e compreendem que sua identidade é, no fim das contas, uma brincadeira.</p><p>Converte-se e tornar-se criança, porém, não é fazer da identidade apenas uma brincadeira, mas conseguir ao mesmo tempo obtê-la e desapegar-se dela, como as crianças brincando, em um desapego que não é ser indiferente à identidade, mas sim em atenção à identidade, a nossa verdadeira identidade, que vai se revelando em nós à medida em que Cristo vai se revelando a nós.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Festa de São Lourenço, diácono e mártir</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20h396-festa-de-sao-lourenco-diacono-e-martir</guid>
      <pubDate>Mon, 10 Aug 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h396-festa-de-sao-lourenco-diacono-e-martir.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/9680b-festades.louren25c325a7o.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20h396-festa-de-sao-lourenco-diacono-e-martir.png"/></a><a href="https://unsplash.com/@margzu?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Margarita Zueva</a><a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a><p>«Tem, irmãos, tem o jardim do Senhor não apenas rosas dos mártires; tem também lírios das virgens, heras dos casados, violetas das viúvas. Absolutamente ninguém, irmãos, seja quem for, desespere de sua vocação; por todos morreu Cristo. Com toda a verdade, dele se escreveu: <i>Que </i><i>quer salvos todos os homens, e que cheguem ao conhecimento da verdade</i> (1Tm 2,4).</p><p>Compreendamos, portanto, como pode o cristão seguir Cristo além do derramamento de sangue, além do perigo de morte. O Apóstolo diz, referindo-se ao Cristo Senhor: <i>Tendo a </i><i>condição divina, não julgou rapina ser igual a Deus. </i>Que majestade!<i> Mas aniquilou-se, tomando a condição de escravo, feito semelhante aos homens e reconhecido como homem</i> (Fl 2,7-8). Que humildade!</p><p>Cristo humilhou-se: aí tens, cristão, a que te apegar. Cristo se humilhou: por que te enches de orgulho? Em seguida, terminada a carreira desta humilhação, lançada por terra a morte, Cristo subiu ao céu; sigamo-lo. Ouçamos o Apóstolo: <i>Se ressuscitastes com Cristo, descobri o sabor </i><i>das realidades do alto, onde Cristo está assentado à destra de Deus</i> (Cl 3,1).» </p><p>(Sermão de S. Agostinho apresentado no ofício das leituras da festa de S. Lourenço)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>São Domingos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20h395-sao-domingos</guid>
      <pubDate>Sat, 08 Aug 2020 07:12:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>08/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h395-sao-domingos.png"/><p> <a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/0fd21-s.domingos.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20h395-sao-domingos.png"/></a></p><p> (Photo by <a href="https://unsplash.com/@srz?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">sydney Rae</a> on <a href="https://unsplash.com/s/photos/texture?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a>) </p><p>A crença em uma heresia é ruim, muito ruim, pois ela distorce uma realidade cuja verdade se expressa na Igreja pela Palavra de Deus, a Tradição (que é diferente do tradicionalismo conservador atualmente em moda) e o Magistério.</p><p>Mas as heresias dariam ótimos roteiros de filmes, o que me leva a pensar que os hereges só foram hereges, afinal, porque não tinham cinema – se bem que naquele tempo teria sido possível escrever romances ao invés de heresias doutrinárias.</p><p>São Domingos surgiu como santo no combate à heresia do catarismo (que vem do grrego “katharós” e significa “puro”).</p><p>Segundo esta heresia (e é aqui que entra o roteiro, que na verdade é uma sinopse mas tudo bem porque não sou roteirista nem escritor), nós somos o resultado de um combate cósmico entre as forças do bem e do mal. </p><p> O deus bom, que é o do Novo Testamento, criou-nos todos anjos puros e bons, mas o deus mau engangou alguns destes anjos e aprisionou-os em corpos no maléfico mundo material criado por este deus mau.</p><p>O Antigo Testamento, um texto do deus mau, reaparece no NT (que é obra do deus bom) como João Batista, um demoníaco antagonista de Cristo, que é o protótipo da alma purificada que retorna ao mundo puro e celestial do deus bom. Há variações sobre a percepção de Cristo que, no fim, seria mau também como o deus que criou o mundo material, Elias reencarnado em João Batista e sabe-se lá quem mais. Esse Cristo mau é diferente do Cristo bom encarnado em Paulo, mas neste caso não seria um espírito decaído e posteriormente iluminado, mas sim um anjo que se deu ao trabalho de descer do paraíso para salvar-nos a nós, presos na matéria maléfica.</p><p>Mas tudo bem, porque basta pertencer ao catarismo para passar por um ritual de purificação que simboliza o desejo de reascender à pureza do mundo espiritual criado pelo deus bom. Tudo isto antagonizando a Igreja Católica que já era mal-falada muito antes de ser considerada um arcaísmo medieval. Fim. Emocionante (ou seria na pena de alguém com talento).</p><p>Este tipo de ideia, outrora combatida pela Igreja, se repete em partes, isoladamente ou recombinadas a outras ideias, mas infelizmente não em filmes ou romances e sim em visões de mundo que muitas vezes motivam as atitudes das pessoas em geral – não exclusivamente das pessoas cristãs: a dissociação da espiritualidade com o caos do dia-a-dia; a criação de grupos de pessoas autoproclamadas puras e superiores aos não-iluminados; o desprezo pelo sofrimento alheio (afinal qualquer um alheio ao grupo de iluminados é um impuro que por isto mesmo sofre); às vezes essas ideias não assumem contornos espirituais e o grupo dos puros e iluminados pode determinar-se pela riqueza, pela cor branca da pele, pela região em que nasceu, pelo emprego ou pelo grau de instrução, etc.</p><p>Por isto a importância de São Domingos (além do necessário culto aos santos no que este culto implica na presença de Deus atestada na santidade deles): enquanto Roma enviava pregadores para contraporem à heresia a doutrina correta, eles iam com a pompa principesca que, se por um lado não invalidava o que pregavam, por outro afastava a maioria das pessoas deles (pois ninguém dá muita bola para um engomadinho arrogante falando de humildade); já são Domingos decidiu adotar um estilo simples e mendicante, que deu origem à ordem dos dominicanos.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Completas de 07 de agosto de 2020</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20h394-completas-de-07-de-agosto-de-2020</guid>
      <pubDate>Sat, 08 Aug 2020 04:58:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>08/08/2020</p><p>Áudio extraído <a href="https://www.youtube.com/watch?v=rkwKNVXd5TQ">deste vídeo</a> do canal Percurso Católico no Youtube.</p><p>
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Perdas e ganhos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20h393-perdas-e-ganhos</guid>
      <pubDate>Fri, 07 Aug 2020 15:17:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h393-perdas-e-ganhos.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/d77c8-mt16252c25.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20h393-perdas-e-ganhos.png"/></a><p>Cristo é explícito ao afirmar que quem quiser salvar sua vida vai perdê-la, mas quem perdê-la por causa dele (pois há outros jeitos de perder a vida) irá encontrá-la. Isto remete imediatamente aos mártires, mas seu martírio só tem sentido quando se observa algo a mais que não está explícito na afirmação de Cristo.</p><p>Se é necessário perder a vida por Cristo, é porque antes disto é necessário viver por ele. Se Cristo ressalta a necessidade de perder a vida por ele é porque se trata do que ele veio revelar, e não é óbvia, sem esta revelação, a necessidade de perder a vida por ele; mas a partir disto, se torna óbvio que, antes de morrer, é necessário viver por ele.</p><p>Os mártires não são mártires por causa da crueldade inadmissível de quem os executou, mas por encontrarem em Cristo a vida, e manterem-se junto à vida mesmo diante da crueldade definitiva dos seus executores. O objetivo, seja dos mártires, seja de Cristo, não é o martírio, e sim a vida, que é o que Cristo nos oferece, não importa o que pensemos que seja ou não a vida.</p><p>Tudo o que compreendemos como vida é uma semente, uma potência de vida que realmente é vida, mas é perecível fora do solo. Uma vez no solo, a semente não morre, embora desapareça porque se transforma em flor – assim como a vida perdida por Cristo não se perde, mas se transforma naquilo que todo o resto que compreendemos como vida promete. </p><p>Se nos mantivermos agarrados às promesas de vida, continuaremos procurando-a sem nunca encontrar, desistindo de buscar, ou destruindo até mesmo a promessa de vida que há em tudo aquilo que Deus criou.</p><p>Mas se vivermos por Cristo, será possível realizar a promessa de vida que há em toda a criação, tanto antes quanto depois de morrer.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Transfiguração do Senhor</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 06 Aug 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h392-transfiguracao-do-senhor.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/12df8-transfigdosenhor.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20h392-transfiguracao-do-senhor.png"/></a>]]></description>
    </item>
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      <title>Migalhas de si</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 04 Aug 2020 15:12:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>04/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h391-migalhas-de-si.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/90622-mt15252c27.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20h391-migalhas-de-si.png"/></a>]]></description>
    </item>
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      <title>Cura d’Ars</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20h390-cura-dars</guid>
      <pubDate>Tue, 04 Aug 2020 05:59:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>04/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h390-cura-dars.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/dec34-s.curad2527ars.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20h390-cura-dars.png"/></a>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Vésperas de segunda-feira na segunda semana do saltério (décima oitava semana do tempo comum)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 03 Aug 2020 14:54:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/08/2020</p><p>[soundcloud url=”https://api.soundcloud.com/tracks/869414500″ params=”color=#62279b&amp;auto_play=true&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false&amp;show_teaser=true” width=”100%” height=”166″ iframe=”true” /]</p><a href="https://soundcloud.com/marcelo-luis-79796378">Marcelo Luís</a><a href="https://soundcloud.com/marcelo-luis-79796378/decima-oitava-semana-do-tempo">Décima oitava semana do tempo comum – segunda semana do saltério – vésperas de segunda-feira</a><a href="https://soundcloud.com/marcelo-luis-79796378/decima-oitava-semana-do-tempo">13 min</a>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Garantia de felicidade absoluta ou o seu dinheiro de volta!</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 03 Aug 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h388-garantia-de-felicidade-absoluta-ou-o-seu-dinheiro-de-volta.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/0f3ea-jr28252c9.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20h388-garantia-de-felicidade-absoluta-ou-o-seu-dinheiro-de-volta.png"/></a>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Acabando com a instrumentalização política do paradigma da identidade – Jeune Afrique</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 02 Aug 2020 01:43:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>02/08/2020</p><a href="https://www.jeuneafrique.com/1022050/politique/tribune-en-finir-avec-linstrumentalisation-politique-du-paradigme-identitaire/">https://www.jeuneafrique.com/1022050/politique/tribune-en-finir-avec-linstrumentalisation-politique-du-paradigme-identitaire/</a>]]></description>
    </item>
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      <title>Verdades ditas ao mentir</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 01 Aug 2020 05:17:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/08/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20h386-verdades-ditas-ao-mentir.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/4726a-jr17252c9.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20h386-verdades-ditas-ao-mentir.png"/></a>]]></description>
    </item>
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      <title>Santo Inácio de Loyola</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 31 Jul 2020 04:57:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>31/07/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20g385-santo-inacio-de-loyola.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/baf4e-jr2b26252c8.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20g385-santo-inacio-de-loyola.png"/></a><a href="https://pt.wikiquote.org/wiki/In%C3%A1cio_de_Loyola">Wiquiquote</a>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>postagem de quinta, 30/07</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20g384-postagem-de-quinta-30-07</guid>
      <pubDate>Thu, 30 Jul 2020 03:41:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>30/07/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20g384-postagem-de-quinta-30-07.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/ec29f-1596080155107486-0.png"> <img width="600" alt="" src="/midia/20g384-postagem-de-quinta-30-07.png"/> </a><p>

Eu lembro que há anos atrás a reciclagem de materiais era assunto ou de quem estava sem dinheiro para comprar uma coisa nova e improvisava com o que tinha e economizar dinheiro com isto, seja para comprar a versão industrializada do que improvisou, seja para ficar com o improvisado e gastar o dinheiro com outra coisa.

Tempos depois, a reciclagem se transformou em um ato de consciência ecológica, para reduzir o disperdício de materiais cuja fonte não é renovável, para não produzir lixo que não se decompõe na natureza, ou pelo menos para  fugir do consumismo que, de modo geral, contribui significativamente para a degradação do meio ambiente, tanto por causa do lixo quanto por causa da exploração nociva dos recursos naturais.

E embora hoje essa preocupação esteja em evidência nos debates, objetivos e programas das organizações oficiais e das organizações coletivas, ainda fazemos pouco pela reutilização e reciclagem das coisas que usamos, mesmo que já o façamos muito mais do que antigamente.

Mas esta preocupação revela também uma perversidade, que não está na preocupação ecológica em si, e nem na reciclagem, mas na incapacidade que nós temos de fazer o mesmo com as pessoas, que descartamos muito mais facilmente do que qualquer pote de margarina usado depois que ela acabou.

As empresas normalmente demitem funcionários sem a menor consideração, mesmo quando respeitam todas as leis trabalhistas que, depois das reformas nos governos Temer e Bolsonaro, legalizaram a desvalorização dos trabalhadores. As pessoas, nas suas relações particulares, também descartam umas às outras com menos dó do que a uma roupa velha. Existem exceções, e muitas, mas elas apenas confirmam a regra.

A maior expressão desta atitude são os presídios, que formalmente servem para a reinserção de pessoas na sociedade, mas que hoje são o mais próximo que podemos chegar a uma pena de morte que, felizmente ainda proibida pelas leis, acaba sendo executada nas prisões. Não que todos morram dentro dos presídios, mas lá dentro já não são mais tratados com a dignidade devida às pessoas que ainda são. Na maioria das vezes eles não estão presos para pagarem pelos seus crimes, e sim para ficar a vida inteira marcados por eles, quer saiam da vida criminosa, quer não.

Esta poderia ser a atitude de Deus, que não é obrigado por nada nem por ninguém a nos aguentar (tomando por base eu mesmo, com quem Deus tem a mais infinita paciência, mais até do que a paciência que eu tenho comigo mesmo), e não só aguenta como quer “reciclar”, que nem o oleiro de Jeremias, ao preferir refazer o vaso a jogar tudo fora.

Deus nos moldou e nós nos deixamos deteriorar (uma deterioração que se manifesta especialmente na degradação das relações entre as pessoas), mas Deus se prontifica, gratuitamente, a nos remoldar e, mais do que isto, em vez de remoldar-nos ao “projeto original”, remoldar-nos a uma condição inimaginavelmente plena – que se por um lado não tem como concretizar-se aqui neste mundo e nesta vida, por outro lado, também não tem como realizar-se se não começar a acontecer hoje.
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Egito prende cinco mulheres influentes por postagens em Tiktok</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 29 Jul 2020 12:33:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>29/07/2020</p><a href="https://allafrica.com/stories/202007280954.html">https://allafrica.com/stories/202007280954.html</a><a href="https://allafrica.com/stories/202007280954.html"></a>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Santa Marta</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 29 Jul 2020 04:46:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>29/07/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20g382-santa-marta.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/8969b-jo11252c21-22.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20g382-santa-marta.png"/></a><p>Os mártires da Igreja podem parecer meio suicidas às vezes, tamanha a sua disposição para morrer. Na verdade, em um contexto de perseguição, eles mantiveram a fé mesmo diante da morte, e o que se celebra no seu martírio é a fidelidade que mantiveram ante a opressão extrema de quem lhes exigiu escolher entre a fé e a vida.</p><p>Esta divisão entre fé e vida não existe, mas foi forjada pelos seus perseguidores para forçar aqueles mártires a abandonar a fé em troca de manter a vida. Se às vezes as declarações de alguns deles ou os relatos sobre eles sugerem um desejo pelo martírio, é porque nem sempre as ideias de uma pessoa são muito claras, e nem sempre quem fez um relato consegue evitar um certo sadismo, porque nem os mártires nem quem fez os relatos são perfeitos.</p><p>Portanto, descontando os arroubos emocionais do santo e os de quem relatou o martírio dele, o que estes sacrfícios demonstram é justamente o apego à vida – pois a morte injustamente imposta pelo perseguidor não pode vencer a vida, que é mantida por Deus e recebida pela fé depositada Nele.</p><p>E é a fé em Deus e na vida que esta fé em Deus torna eterna que Marta afirma quando eleva, com todo o esforço que isto supõe, a fé acima da dor pela morte do irmão. A fé em si, por mais indispensável que seja agora, é passageira – pois junto a Deus no céu não será mais fé e sim realidade plena; a fé se orienta a Deus e, por causa disto, à vida. E é por isto que tanto os mártires quanto Marta fazem o mesmo movimento: submersos na dor, no medo e no desespero, elevam as mãos acima da superfície das águas do sofrimento segurando nelas a fé em Deus. E o fazem não porque isto impeça o sofrimento, mas permitem que Deus em seu coração segure esta onda, ou seja, deixam-se amparar por Deus, enquanto sofrem.</p><p>Se por um lado o sofrimento não pode ser evitado, também não deve ser procurado. O que se deve tentar evitar são as situações que levam ao sofrimento, dentro de um contexto razoável, é claro.</p><p>Mas como na alegria podemos manter a fé em Deus, no sofrimento também podemos. Não que isto seja tão fácil de fazer quanto é fácil de escrever. Mas os momentos de alegria são um bom espaço de treinamento para manter a fé não por causa da alegria, mas ao mesmo tempo e apesar dela. Por que é do mesmo jeito que é necessário manter a fé nos momentos de sofrimento: ao mesmo tempo que ele, e apesar dele. Porque a alegria se mantém sustentada por causa da fé, e o sofrimento, pelo contrário, só se dissolve pela mesma fé que pode manter a alegria.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>As maldades de Deus</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20g381-as-maldades-de-deus</guid>
      <pubDate>Tue, 28 Jul 2020 06:45:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/07/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20g381-as-maldades-de-deus.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/7ba52-jr2b14252c17.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20g381-as-maldades-de-deus.png"/></a><p>Quando Jesus Cristo, que é a segunda pessoa da Santíssma Trindade, assumiu as culpas da humanidade pagando por todas elas na Cruz, ele fez algo novo mas não muito diferente do que Deus vinha fazendo ao longo de todo o Antigo Testamento.</p><p>Deus, que não é mau, passou o Antigo Testamento inteiro sendo apontado como o responsável por não sei quantos males, chagas e doenças, seja do seu próprio povo, seja dos inimigos de seu povo. Esta atribuição é característica do pensamento religioso daqueles tempos, e embora até o próprio Deus tenha assumido o personagem do Deus malvadão, o fato é que as manifestações de misericórdia e bondade divina são muito mais significativas do que a sua “maldade” (mesmo que às vezes esta misericórdia venha acompanhada da irritação de Deus, que muitas vezes diz que vai salvar, voltar atrás da promessa de castigo, perdoar, etc., apesar de o povo merecer a maldade evitada).</p><p>Tudo isto, o retrato do Deus muito malvado, às vezes é o reconhecimento, por parte do profeta, do povo, de quem esceveu o texto bíblico, do poder de Deus (que não vai dizimar a humanidade, mas só porque não quer e não porque não pode).</p><p>Este olhar do profeta Jeremias, que chora lágrimas sem fim lamentando o sofrimento alheio, é mais próximo do olhar de Deus que, mesmo irritado (não sem razão), sofre o sofrimento das pessoas, de cada uma delas. Tanto é que Cristo, no fim das contas, não lançou fogo e enxofre sobre quem o matou, mas deixou-se crucificar e ainda perdoou todo mundo enquanto pagava pelos pecados que não tinha cometido.</p><p>Deus, que é santo, sem pecados, puro e inocente (sem deixar de ser poderoso e inigualável), oferece a paz e o amor a nós, que somos pecadores, impuros e culpados (além de nada poderosos, mas muito comuns); mas nós apontamos o dedo para os outros quase mais rápido que o diabo fugindo da cruz: pedimos segurança e nos contentamos que ela seja às custas de gente sofrendo dentro de presídios, pedimos paz e nos contentamos que ela seja às custas de policiais que não sabem se vão voltar para casa no fim do turno, pedimos amor e nos contentamos que ele seja às custas de quem não consegue receber amor; pedimos justoça e nos contentamos que ela seja às custas da injustiça alheia, pedimos pão e nos contentamos que ele seja às custas da fome dos outros (etc.).</p><p>Aí não é que Deus não queira dar o que pedimos, mas enquanto nós mesmos promovemos a maldade para nos beneficiarmos disto, porque Deus iria impedir a maldade alheia quando não impede a nossa própria maldade? Enquanto os outros sofrem com os nossos pecados, Deus, que é Pai de todos vai isentar apenas meia dúzia de sofrerem dos pecados alheios?</p><p>Em várias passagens do Novo Testamento está escrito que o importante é crer em Cristo e isto basta para ir para o céu. Mas toda a longa e complexa rede de conselhos, exortações, proibições e obrigações serve para não ir para o céus às custas do sofrimento alheio. Não que eu saiba quem vai ou não e nem determine as condições de um ou outro resultado, mas, seja no céu ou no inferno, todos corremos o risco de passar a eternidade tendo que encarar – eternamente – as pessoas que desprezamos, odiamos matamos ou deixamos morrer. Se for no céu, melhor passar a eternidade de bem com todo mundo que estiver lá.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Crise do governo na Somália (notícia do L’osservatore Romano)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20g380-crise-do-governo-na-somalia-noticia-do-losservatore-romano</guid>
      <pubDate>Mon, 27 Jul 2020 14:27:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/07/2020</p><a href="https://www.osservatoreromano.va/it/news/2020-07/crisi-di-governo-in-somalia.html">https://www.osservatoreromano.va/it/news/2020-07/crisi-di-governo-in-somalia.html</a>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Justiça divina</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20g379-justica-divina</guid>
      <pubDate>Mon, 27 Jul 2020 06:47:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/07/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20g379-justica-divina.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/2d665-tg2b1252c20.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20g379-justica-divina.png"/></a><p>Há muito tempo atrás uma professora do Magistério explicou à turma que o problema em castigar crianças nunca foi o castigo em si, mas a motivação: um castigo “pedagógico”, que ensine alguma coisa à criança, não só é válido como é necessário (desconsiderando o “aprendizado” de castigos dolorosos ou violentos); já descarregar raiva de quem castiga é a pior motivação para um castigo, e geralmente castigos dolorosos ou violentos servem apenas para isto: um adulto descontar sua raiva em uma criança.</p><p>Esta ideia se aplica também à esta passagem de Tiago: vemos maldades e pecados correrem livres e soltos diariamente diante dos nossos olhos e se encolerizar diante disto é fácil, muito fácil. É quase necessário, pelo menos do ponto de vista que a indiferença apenas piora.</p><p>Mas esta raiva, esta cólera, não resolve, e reagir com raiva diante da maldade serve apenas ao mesmo propósito descarregar a raiva que fundamenta muitas vezes os castigos dados às crianças (embora estas maldade e pecados aos quais me refiro sejam feitas por adultos). Descarregar a raiva serve exclusivamente para isto: descarregar a raiva. Mas há quem descarregue esta raiva em nome de Deus, até porque há quem sinta raiva até do que não deveria ser objeto de raiva. Justa ou não, a raiva de ninguém vai fazer bem algum que seja (se Deus consegue extrair disto um bem, é porque ele é Deus, e não porque este possível bem justifique a raiva e a cólera).</p><p>Nem o mais santo entre nós tem permissão para ser o justiceiro de Deus, seja com uma espada, seja com uma caneta em suas mãos.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Festa de São Tiago</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20g378-festa-de-sao-tiago</guid>
      <pubDate>Sat, 25 Jul 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/07/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20g378-festa-de-sao-tiago.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/24a33-1595569334932582-0.png"> <img width="600" alt="" src="/midia/20g378-festa-de-sao-tiago.png"/> </a><p>Os santos são santos e merecem a veneração que lhes dedicamos. Mas é mais fácil para nós, agora, venerá-los, do que no tempo que lhes foi contemporâneo. Há uma certa relação entre santidade e perseguição, que não implica na atribuição de santidade ao que quer que seja apenas por sofrer a perseguição, mas não existe santo que não a tenha sofrido.</p><p>Hoje podemos ver São Francisco, São Bento, São Benedito, Santa Joana D’Arc, etc., já consagrados pela história depois de o terem sido por Deus, mas em seu próprio tempo, e sabe-se lá por quanto tempo depois, é mais provável que eles tenham sido vistos como São João Paulo II, Santa Madre Teresa de Calcutá ou São Josémaria Escrivá, canonizados mas, ainda assim, suspeitos.</p><p>O fato é que os santos não nasceram santos, e o seu caminho rumo à santidade dificilmente terá sido um caminho reto e plano. Justamente pelo contrário, quem caminha, mesmo rumo à santidade, dificilmente evitará se sujar na poeira da estrada. Isto não justifica qualquer pecado que seja, mas dentro de uma redoma de cristal totalmente esterilizada dificilmente se encontrará a santidade, a não ser no caso de relíquias e estátuas de santos que já estão com Deus no céu.</p><p>São Tiago, o Maior (de quem celebramos a festa hoje), por exemplo, ficou mal-visto pelos outros apóstolos, junto com seu irmão São João, graças ao pedido da mãe deles para que os filhos ficassem um à direita e o outro à esquerda no Reino de Deus, que os queria destacados entre os apóstolos como o eram para ela. Além disto, ele e o irmão foram repreendidos por Jesus, que lhes explicou que não veio para perder, e sim para salvar almas, depois que eles sugeriram a Jesus queimar com o fogo do céu aos samaritanos que haviam recebido mal o Senhor (o que rendeu aos dois o apelido de Boanerges, que significa Filhos do Trovão, por causa do seu temperamento). Depois da ressurreição de Cristo, a crença popular sugere que passou por Portugal e Espanha (onde termina o famoso caminho de Santiago de Compostela), mas por fim, morre martirizado por Herodes em Jerusalém mesmo, e se torna o único apóstolo cuja morte foi narrada na Bíblia (em At 12).</p><p>Talvez São Tiago possa ter sido visto como um “filinho da mamãe”, na melhor das hipóteses, ou como um homicida em potencial, depois de querer queimar os samaritanos, mas não estamos mais nos primórdios da Era Cristã para saber o que poderiam ter pensado dele, além do relato bíblico de que os outros apóstolos não gostaram do pedido da mãe dos Boanerges.</p><p>Seja como for, o santo não foi um santinho bonitinho e este é o ponto sobre 2Cor 4,7: nós somos estes vasos de barro, tais como qualquer santo, nos quais está contido o tesouro que é o esplendor da luz de Deus. Quando este esplendor se confunde com o barro no qual está contido, surgem os triunfalismos e as teologias da prosperidade que levam tanta gente a julgar que pode se apropriar do esplendor de Deus. Isto é uma lástima, mas ao menos serve para identificar de onde a santidade passa longe: destes vasos que se julgam pura luz.</p><p>Na dúvida, sempre é melhor desconfiar de qualquer santo que não tenha sido canonizado e que ainda não tenha ido para o céu junto de Deus. Incluindo cada um de nós, também. Mas é igualmente bom e conveniente não descartar os meio suspeitos, que pode ser que não valham nada mesmo, já que não é o serem suspeitos que os faz santos – mas não existe santo que não tenha sido meio suspeito (a começar por Cristo, que além de suspeito, foi julgado, condenado e executado ante de ressuscitar gloriosamente).</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Crescei e multiplicai-vos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20g377-crescei-e-multiplicai-vos</guid>
      <pubDate>Fri, 24 Jul 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>24/07/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20g377-crescei-e-multiplicai-vos.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/57535-1595466209831206-0.png"> <img width="600" alt="" src="/midia/20g377-crescei-e-multiplicai-vos.png"/> </a><p>
<p>Jeremias repete a expressão “crescei e multiplicai-vos”, ordem dada por Deus à humanidade no Gênesis (mas não como coelhos, <a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/01/catolicos-nao-devem-se-reproduzir-como-coelhos-aconselha-o-papa.html">complementou</a> o Papa Francisco em 2015).</p>

Aqui esta expressão aparece reafirmando aquela ordem, e também parece o marco de uma promessa: “quando vos tiverdes multiplicado e crescido na terra…”.

Para além da reprodução humana, isto também deve significar o quão distantes estamos disto, seja como uma ordem, seja como meta. Pois crescemos em número, mas ao invés de nos multiplicarmos, nos dividimos cada vez mais.

Esta divisão constante é o contrário do que o que Deus promove entre nós, a união que resulta do amor. </p><p>Não podemos apenas pensar em “crescei e multiplicai-vos” numérica e biologicamente. Se gerar filhos é uma graça dada por Deus, é uma graça para nós, porque Deus mesmo não depende das nossas relações sexuais para nos criar.</p><p>“Crescer” é muito diferente de engrandecer-se, mas estamos cumprindo a ordem de Deus apenas neste sentido, como se ela fosse “engrandecei e proliferai-vos”. Precisamos de pessoas, de mais pessoas neste mundo, e precisamos tratá-las como tal, assim como precisamos tratar a Terra como outra graça de Deus, e não tratar ambos – as pessoas e a Terra – como algo a ser explorado.</p><p>Enquanto tratarmos e permitirmos tratarem as pessoas como números, como coisas e como recursos, estaremos reforçando os ódios e as divisões que são obstáculos ao projeto de Deus. Sendo o projeto de Deus, ele vai se cumprir, sejam quais forem os obstáculos – é apenas para nós que estes obstáculos dificultam tudo.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Desejos artificiais</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20g376-desejos-artificiais</guid>
      <pubDate>Thu, 23 Jul 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/07/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20g376-desejos-artificiais.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/988c0-1595429511326804-0.png"> <img width="600" alt="" src="/midia/20g376-desejos-artificiais.png"/> </a>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Festa de Maria Madalena</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20g375-festa-de-maria-madalena</guid>
      <pubDate>Wed, 22 Jul 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>22/07/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20g375-festa-de-maria-madalena.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/7c155-1595371873319799-0.png"> <img width="600" alt="" src="/midia/20g375-festa-de-maria-madalena.png"/> </a><p>

Maria Madalena não ficou esperando sentada para ver no que ia dar a morte de Cristo: no dia seguinte estava lá no túmulo, vigiando contra toda esperança.

Nem tudo é digno de ser vigiado, e nem tudo aquilo digno de ser vigiado é da conta de um ou outro em particular. Mas Maria Madalena foi, como uma sentinela, vigiar o que o Senhor vigiava, e por isto sua vigília não foi em vão.

Fazer as coisas como se Deus não fizesse nada é inútil, e entre isto e deixar de fazer as coisas esperando que Deus o faça, está Maria Madalena, vigiando junto com o Senhor. Nem sozinha, nem sem fazer nada.

Qualquer coisa que construamos só não será vã se for feita junto com Deus.
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Intocáveis</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20g374-intocaveis</guid>
      <pubDate>Tue, 21 Jul 2020 13:49:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>21/07/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20g374-intocaveis.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/d642d-1595339387958620-0.png"> <img width="600" alt="" src="/midia/20g374-intocaveis.png"/> </a>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Aquilo que surpreenderá a todos pelo fato de poder ter estado oculto quando terá sido o óbvio*</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20g373-aquilo-que-surpreendera-a-todos-pelo-fato-de-poder-ter-estado-oculto-quando-tera-sido-o-obvio</guid>
      <pubDate>Tue, 21 Jul 2020 04:36:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>21/07/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20g373-aquilo-que-surpreendera-a-todos-pelo-fato-de-poder-ter-estado-oculto-quando-tera-sido-o-obvio.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/11805-1595306161907699-0.png"> <img width="600" alt="" src="/midia/20g373-aquilo-que-surpreendera-a-todos-pelo-fato-de-poder-ter-estado-oculto-quando-tera-sido-o-obvio.png"/> </a>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Oração e poesia</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20g372-oracao-e-poesia</guid>
      <pubDate>Mon, 20 Jul 2020 03:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/07/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20g372-oracao-e-poesia.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/fd65a-1595212249062266-0.png"> <img width="600" alt="" src="/midia/20g372-oracao-e-poesia.png"/> </a><p>Depois que o pior passou tudo piorou mais um pouco, mas se tornou suportável (ou menos insuportável) pela oração. Bem, na verdade não se tornou nem mais suportável nem menos insuportável, mas a oração criou condições de para que fosse possível continuar, mesmo insuportavelmente.</p><p>Isto desde que eu retomei a oração da Liturgia das Horas, que a princípio não me interessou tanto como oração mas como poesia, e afinal ela não é menos poética por ser antes disto uma oração.</p><p>Quando a Samaritana questiona como Cristo vai lhe dar a água viva prometida nos versículos anteriores sem um balde para tirá-la do poço, ele explica que a água que ele vai dar se tornará uma fonte que jorra para a vida eterna – ou seja: quem beber dela terá dentro de si a fonte de água.</p><p>Eu encontrei esta relação entre a oração e a passagem da Samaritana no Catecismo (2560-2561) e enquanto eu lia ficou difícil, a princípio, saber se o texto falava sobre oração ou poesia. E aí eu percebi que, rezando, esta água viva que Cristo nos prometeu também é poesia – pena que não vem com talento junto.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Gente insuportável</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20g371-gente-insuportavel</guid>
      <pubDate>Sat, 18 Jul 2020 14:39:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/07/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20g371-gente-insuportavel.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/568f7-1595083192328844-0.png"> <img width="600" alt="" src="/midia/20g371-gente-insuportavel.png"/> </a><p>
<p>A humanidade, em termos gerais, é insuportável.</p>
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A força de Deus</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20g370-a-forca-de-deus</guid>
      <pubDate>Fri, 17 Jul 2020 12:50:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/07/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20g370-a-forca-de-deus.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/bb4f8-1594990242078540-0.png"> <img width="600" alt="" src="/midia/20g370-a-forca-de-deus.png"/> </a><p>
São Paulo não está sugerindo que permaneçamos na fraqueza, mas sim que nossa força seja a de Cristo. Enquanto nossas próprias forças prevalecem não percebemos o quanto elas são insuficientes – e às vezes até o percebemos, mas ainda assim insistimos nelas.

Mas é em nossas fraquezas que damos a oportunidade para que Cristo nos mostre a sua força, que não é como imaginamos, mas como Deus ama.
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Códigos religiosos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20g369-codigos-religiosos</guid>
      <pubDate>Fri, 17 Jul 2020 03:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/07/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20g369-codigos-religiosos.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/80a59-pe2bmiguel2bluiz2bduarte.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20g369-codigos-religiosos.png"/></a><p>A frase é uma citação da oração sugeria após a reflexão do Evangelho de hoje (Mt 12,1-8), que fala sobre as críticas dos fariseus aos discípulos que colhiam espigas em um sábado, dia de repouso obrigatório pelas leis vigentes, para comer (tanto o texto do Evangelho quanto a reflexão do padre  Luiz Miguel Duarte estão <a href="https://www.paulus.com.br/portal/liturgia-diaria/17-sexta-feira/#.Xw_JESVv_IU">aqui</a>).</p><p>E se fala sobre as leis religiosas, também serve para as leis civis. Mas são assuntos que eu não domino – as leis civis e as religiosas. Mas fico pensando nas “leis” que uma pessoa impõe a outra, quando informa que é pecado ir na missa do sábado à tarde quando tem o domingo livre, chegar atrasado ou sair antes do fim da missa, comer antes da missa, usar saia por causa da modéstia, etc.</p><p>Nada disso está errado, apesar de tudo. Se a missa começa em tal hora não tem porque chegar quase na hora do “Graças a Deus”, a modéstia é uma virtude santa e por aí vai. Mas os experts em doutrina (e devem ser mesmo, pelo menos os que leio pela internet) respondem mecanicamente, citam título, capítulo e parágrafo exatos, dizem o que pode e o que não pode e quem perguntou que se vire!</p><p>Não tem problema – pelo contrário, é ótimo – que tenha gente disposta a compartilhar o seu conhecimento de pormenores que a maioria das pessoas não sabe com pessoas que tem a disposição de saber. Mas falta um cuidado, há uma negligência imensa destes respondedores em ir além tanto da pergunta quanto da resposta.</p><p>Sem duvidar da boa vontade de quem fica respondendo estas perguntas, responder o que está escrito é uma coisa que até um robô poderia fazer, e até com mais precisão – mas o robô não vai salvar a alma que não tem por instruir tão bem os fiéis em dúvida, a mesma ausência de alma que têm os “sim”, “não”, “pode” e “não pode” dos respondedores da internet.</p><p>Seria melhor pedir o endereço da pessoa e mandar uma cópia do catecismo, ou – melhor ainda – perguntar àquela pessoa quais são as condições dela dentro das quais ela quer fazer ou deixar de fazer isto ou aquilo. Às vezes pode ser só preguiça ou desorganização mesmo, mas quem sabe em que condições vive quem está procurando se informar? Quem poderia saber não se interessa a não ser em responder, quando poderia encontrar alguém com quem compartilhar (nem que seja o pouco que é possível pela internet) um pouco da vida.</p><p>As leis eclesiásticas não são um código mais ou menos aleatório de regras e proibições como um jogo de xadrez (ia escrever “jogo de futebol”, mas xadrez fica melhor porque também tem bispos); são, como na citação do padre, balizas que devem servir à vida, mas lançadas assim, como respostas de uma faq, servem ao que quer que seja mas não à vida com Deus, que é ao que deveriam servir quando foram escritas.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Santo é o seu nome</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20g368-santo-e-o-seu-nome</guid>
      <pubDate>Thu, 16 Jul 2020 03:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>16/07/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20g368-santo-e-o-seu-nome.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/64f1a-qui2b16.7.202blc2b1252c49.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20g368-santo-e-o-seu-nome.png"/></a><p>O Cântico de Maria tem ecos das maravilhas que Deus fez com Elias no monte Carmelo, em todo o AT, e ecoa, por sua vez, em cada uma das maravilhas que Deus faz por nós cotidianamente.</p><p>Maria, concebida sem pecado, é a Mãe de Deus, Nossa Senhora de várias coisas, rainha dos apóstolos e etc., enquanto que Elias (que tornou o monte Carmelo famoso a ponto de atrair os eremitas que muito tempo depois formariam a Ordem Carmelita) tem um peso tão grande a ponto de a profecia da vinda do messias incluir o retorno do profeta.</p><p>Mas não foi a imensidão da fé e da santidade de Maria nem de Elias que provocou as maravilhas de Deus – apesar de a fé e a santidade serem, por si só, maravilhas de Deus também.</p><p>Deus faz maravilhas porque seu nome é santo, e é pelo seu próprio nome e pela própria santidade que elas são feitas.</p><p>Entre nós certamente somos alguns mais dignos, outros menos, alguns mais esforçados e outros menos, enfim, há diferenças entre nós em relação à dedicação a Deus.</p><p>Mas o amor – a maior maravilha de Deus – por nós depende apenas dele, que é muito maior do que as nossas maiores barreiras a este amor (o que não deve estimular nossas barreiras, e sim a ver este amor ultrapassando-as).</p><p>Assim como todas as suas outras maravilhas, operadas em nós porque “santo é o seu nome”.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>É a paz que ele vai anunciar.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20g367-e-a-paz-que-ele-vai-anunciar</guid>
      <pubDate>Wed, 15 Jul 2020 14:34:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/07/2020</p><img width="600" alt="" src="/midia/20g367-e-a-paz-que-ele-vai-anunciar.png"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/cece1-qua2b15.7.202bsl2b84_85252c9.png"><img width="600" alt="" src="/midia/20g367-e-a-paz-que-ele-vai-anunciar.png"/></a><p>Anúncios não são novidade: os preços mais  baixos, as melhores relações de custo X benefício, promoções-relâmpago, ganhe dinheiro sem sair de casa, etc. Há também declarações sobre a orientação sexual de alguém famoso, denúncias de crimes, continuações de filmes, compra e venda de grandes empresas, sem contar os anúncios menos divulgados porque não são da conta do grande público.</p><p>Em meio a tantos anúncios, o salmo deixa a expectativa de um anúncio de Deus: a paz.</p><p>Este anúncio já foi feito, com Cristo, que veio anunciar a paz. Mas ele não só já foi feito, como continua a sê-lo. Cristo é o fiador da paz que vemos em pequenas notícias cotidianas que quase nunca se tornam grandes manchetes nos jornais, e em pequenos fatos que podem parecer nem merecer ser anunciados.</p><p>E mesmo já tendo anunciado, e prosseguir anunciando-a, Deus ainda irá anunciar a paz. Definitivamente.</p><p>Este anúncio, e esta paz, são obra de Deus, e não nossa. Mas mesmo que ele a promova e realize de qualquer jeito, faz diferença para nós participarmos disto ou não. Deus não deixa de fazer o que ele quer fazer, e convida todos a participarem, só que não obriga ninguém.</p><p>E quando a paz for anunciada, quem promove a guerra e o conflito deixará o que sempre fez de lado em prol do anúncio de Deus? Melhor que sim, mas no calor do combate estes gladiadores vão interromper seus golpes no meio da execução, abrir mão da vantagem recém-adquirida no meio da luta, ou deixar passar em branco os golpes que sofreram? Haja força de vontade!</p><p>Quem já promove a paz – a paz de Deus, e não a paz do silêncio cúmplice, do cemitérios ou da alienação – terá que lidar somente com a surpresa, pois assim como a paz de Cristo surpreende desde a sua crucificação, morte e ressurreição, a paz que ele irá anunciar está além de qualquer coisa que já tenhamos conhecido ou que possamos ter imaginado.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Sutil Providência</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20b366-sutil-providencia</guid>
      <pubDate>Wed, 05 Feb 2020 02:59:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/02/2020</p><p>Um detalhe que sempre me intrigou ao longo dos quatro evangelhos é que depois da maioria dos milagres Cristo recomenda que eles não sejam divulgados, como no evangelho de hoje (Mc 5, 21-43).</p><p>E eu ficava divagando “mas porquê?”, “será que os que não ouviram esta recomendação pecaram?”, “e como faz com a parte que diz que é pra divulgar o bem que Deus fez?”, entre outras divagações deste tipo (aliás, não é à toa que o nome deste blog é Divagar Divagarinho).</p><p>Agora tenho uma ideia sobre qual pode ser o motivo. Queria que pegassem o meu salário proporcionalmente ao tanto de ideias que eu tenho, aliás.</p><p>Sobre os milagres, acho que Cristo não quer que as pessoas misturem as coisas: ele não é um milagreiro e não veio para salvar o mundo através da prestidigitação nem com efeitos especiais. Tendo feito milagres, os fez como sinais quando surgiu uma oportunidade de agregar ao sinal um benefício prático concreto a alguém. </p><p>Isto me faz desconfiar muito de qualquer milagreiro por aí. Não que eu duvide dos milagres que eles fazem. Mas desconfio da integridade do milagreiro quando ele precisa propagar os seus milagres, oferencendo-os como prova de que merece fé.</p><p>Isto, esta fé fundamentada em provas, descaracteriza a própria fé (pois ela não é um teorema, nem uma função científica, nem um caso jurídico para amparar-se em provas), e até mesmo desvia dela, porque Jesus Cristo veio para nos preceder na ressurreição – depois de ter nos precedido na Cruz.<br/></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Dez talentos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20b365-dez-talentos</guid>
      <pubDate>Mon, 03 Feb 2020 08:58:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/02/2020</p><p>A parábola dos dez talentos, narrada em Mt 25, 14-30 e em Lc 19, 11-27; sempre me assustou muito, porque eu sempre me identifiquei com o infeliz que, temendo o patrão muito rigoroso,  enterrou o tal talento para evitar problemas.<br/>Eu imagino que tenha feito isto pensando “bom, assim eu não arrisco perder o talento e aí o homem não me xinga”. Mas o patrão reclama que o servo poderia ter ao menos colocado o talento em um banco para render juros.<br/>O meu medo desta parábola estava em me identificar com o medo conservador do servo, que preferiu manter o talentinho recebido do que tentar fazê-lo valer mais sob o risco de perdê-lo – mas ao guardá-lo bem guardado, perdeu-o do mesmo jeito.<br/>Aí eu percebi um dia destes que o problema deste cara não era zelo, mas sim preguiça. O próprio patrão “explica” isto quando diz que o servo poderia ao menos ter colocado o talento em um banco, onde estaria guardado do mesmo jeito que esteve guardado enterrado mas rendendo juros – só que daria um pouco mais de trabalho (não sei como eram os bancos no tempo de Cristo, nem se “banco” é uma tradução feita para entendermos hoje o que na época era parecido, só que não propriamente um banco, mas bancos dão trabalho e são irritantes; imagine ter que conseguir comprovante de residência e ter os documentos bem conservados naquela época, sem contar o nome limpo, ou melhor, o nome imaculado que eles querem que tenha e sem contar as portas giratórias).<br/>Talvez, afinal de contas, o problema do servo não fosse preguiça, e ele fosse só um conservador por convicção, mas com certeza era, a preguiça, a origem do meu medo desta parábola.<br/>O que Cristo quer que façamos com os talentos que ele nos deu, seja individualmente, seja à Igreja, é que arrisquemos. Preguiça, medo ou excesso de zelo não vão servir como boas desculpas, aparentemente.<br/>E o conservadorismo por princípio (acho eu) muito menos!<br/>E se este texto serve para fazer uma cara feia aos conservadores (que parecem pensar que foi o latim que morreu na Cruz por nós), serve para fazer uma cara feia para mim também. Porque se por um lado eu não posso dizer que eu não arrisque, por outro lado, eu faço isto titubeando tanto que pareço o Dobby carregando o invisível Crouch Jr. consigo ao longo do acampamento da final de Quadribol. Ou como se eu arriscasse mas só depois de dez anos de planejamento e documentos carimbados em vinte vias.<br/>Então acho que este era o meu problema, o do servo mau e infiel – e talvez o dos conservadores de hoje em dia: apenas preguiça. E a falta de confiança em Deus que faz frutificar os riscos assumidos, e tem misericórdia de nós quando tentamos e não dá em nada também.<br/></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Pelo amor ou pela dor</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20a364-pelo-amor-ou-pela-dor</guid>
      <pubDate>Sun, 26 Jan 2020 06:42:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>26/01/2020</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Conversão de S. Paulo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20a363-conversao-de-s-paulo</guid>
      <pubDate>Sun, 26 Jan 2020 00:40:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>26/01/2020</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Pouco com Deus</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20a362-pouco-com-deus</guid>
      <pubDate>Tue, 07 Jan 2020 03:11:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/01/2020</p><p>Colocar o apego ao dinheiro – ou a quaisquer outras posses – acima do bem comum é uma atitude nefasta cuja maldade se manifesta na miséria, no egoísmo e na cultura de morte contemporâneos. </p><p>Por outro lado, o bem alheio não se encontra em nossos bolsos necessariamente, ou seja, não dependemos de ter dinheiro para fazer o bem.</p><p>Quando os discípulos perguntam a Cristo “Queres que gastemos duzentos denários para comprar pão e dar-lhes de comer?” (Mc 6, 37), ele não diz “é, é isso mesmo! Vamos todo mundo coçando os bolsos.”, nem “não, porque somos maiores do que estas coisas mundanas”, mas apenas pede que alguém vá ver quantos pães tem – e descobrimos que eles tem cinco pães e dois peixes.</p><p>Talvez daí que tenha surgido a expressão “o pouco com Deus é muito” (e seu corolário: “o muito sem Deus é nada”), mas esta expressão omite um aspecto fundamental do pouco multiplicado: compartilhar. </p><p>Dividir o pouco entre todos não sugere dinheiro, rios de dinheiro, embora supostamente (para a alegria dos defensores do “não existe almoço grátis”) alguém tenha comprado estes pães, e também a rede onde foram pescados os peixes. Mas o que está em jogo é o que se tem para compartilhar, e não o que se poderia ter, e nem mesmo está em jogo o que se deveria ter. A questão é ajudar-se mutuamente com aquilo que se tem.</p><p>O milagre da multiplicação dos pães não é um milagre gastronômico e nem econômico: é  sim o milagre de, querendo fazer o bem a um grande número de pessoas sem ter tantos recursos para isto, Deus agir para multiplicar o pouco e, assim, dividir o pouco entre muitos </p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A impotência do cristianismo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">20a361-a-impotencia-do-cristianismo</guid>
      <pubDate>Wed, 01 Jan 2020 18:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/01/2020</p><p>Entre terapias e espiritualidades que prescindem de religião, o cristianismo não tem, eu acho, nenhum tipo de prática ou técnica salvadora para oferecer neste mercado místico contemporâneo. </p><p>Mesmo ir à missa, a oração, a leitura e o estudo da Bíblia e os atos de caridade, que por si só são mais do que úteis, necessários; ainda assim são, como todo o resto, coisas úteis e ou necessárias, mas não nos fazem circular por todo o nosso ser, sejam as periferias, seja o centro, como o que o cristianismo nos faz circular. <br/>Até mesmo um pai-nosso ou um almoço doado a quem tem fome, embora não se percam, podem ser fruto de uma satisfação egoísta e não de uma manifestação da caridade de Deus. </p><p>O cristianismo exige comprometimento e entrega, coisas que implicam em esforços e renúncias que se, por um lado, não são comportamentos exclusivos do cristianismo (até o ladrão que cava um túnel embaixo do cofre do banco para roubá-lo precisa ter compromisso, precisa se entregar àquela atividade, precisa de esforço e faz renúncias), somente nele encontram um sentido que não os transforme em um sofrimento pelo sofrimento ou.em um masoquismo disfarçado. </p><p>O cristianismo exige também atenção, ponderação, um equilíbrio por sermos pecadores lidando com pecadores junto a Deus que é santo; ou seja, é preciso confiar como crianças, mas ser astuto como uma serpente e sem deixar de ser sensível como uma pomba. <br/>Não há dez pai-nossos e cinco ave-marias que bastem para nos transformar, embora sem isto também seja cem vezes mais difícil a salvação. </p><p>O que o cristianismo pode oferecer entre curas, prazeres, experiências sensoriais inefáveis e poderes que todos os outros “players” deste mercado oferecem com tanto empenho e desenvoltura? A resposta é nada, e é por causa da única coisa que o cristianismo pode oferecer: Cristo. </p><p>Apenas Cristo, e Cristo Crucificado, é o que o cristianismo tem para oferecer ao mundo – e ao mercado místico contemporâneo. E somente Cristo que, no fim das contas, pode nos fazer caminhar em direção à plena realização que sentimos e sabemos ser nosso destino, que somente nele pode ser encontrada. </p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Quem me dera</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19l360-quem-me-dera</guid>
      <pubDate>Tue, 24 Dec 2019 11:44:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>24/12/2019</p><p>As minhas decisões não são um compêndio da doutrina cristã só porque eu sou católico, nem são um modelo a ser seguido ou, pior, um padrão a ser adotado (!), sejam as decisões ruins, sejam as boas, ou sejam as duvidosas.</p><p>Um exemplo de decisão duvidosa que eu tomei foi amar sem ser correspondido. É uma “decisão” meio gaiata, porque no fim das contas eu fiz isto a vida inteira, amar sem ser correspondido, querendo ou não. Portanto a decisão não foi tanto amar sem ser correspondido, mas sim continuar a amar mesmo sem a menor expectativa de que eu venha a ser correspondido (embora mantendo uma esperança inversamente proporcional à expectativa).</p><p>Essa correspondência tem aspectos, é claro: a garota que eu gosto já gostou de mim, e se ela não me ama foi porque eu pude viver o ciclo completo do amor fracassado, que consiste em se apaixonar, depois ser correspondido, e depois agir de tal forma a perder a chance. Outro aspecto são as duas crianças, um amor independente, porém intrinsecamente relacionado ao primeiro amor. E há ainda o aspecto do respeito que ela tem. O respeito é uma coisa que pode ser conquistada, mas que no caso dela, da garota que eu amo, vem dela, que me respeita menos por méritos meus e sim mais por ela adotar o respeito como uma prática habitual em todos os casos em que ele seja aplicável.</p><p>Eu poderia arranjar outra garota (“poderia” num sentido hipotético e fantástico, já que nas poucas vezes em que “arranjei” uma garota, isto aconteceu em circunstâncias bem peculiares; a maior parte da vida amorosa eu fui o personagem da poesia Timidez, de Cecília Meireles); então, corrigindo, eu poderia encontrar outro amor não correspondido, e roer as unhas à espera do efeito deus ex machina das tais circunstâncias peculiares, mais raras do que diamantes.<br/>Não seria um caminho fácil, porém seria o caminho já conhecido, alargado, aplainado e asfaltado da minha vida amorosa, de cuja estrada eu já conheço os passos que não vão dar em nada, pois seus segredos (e as músicas do Secos e Molhados) sei de cor.<br/>Seria, também, um caminho melhor, muito melhor, do que o descaminho das soluções machistas (pois não é por não praticá-lo que sou isento de machismo), que na melhor das hipóteses resultaria em um rancor eterno e (das duas uma)  divã ou mesinha de bar. E eu sei que eu escolheria o bar, porque se eu fosse do tipo que escolheria o divã talvez nem tivesse chegado neste ponto, prá começar.</p><p>Melhor sofrer por amor do que lutar contra ele (se não aparecer nada melhor até o fim, este vai ser o título deste texto).</p><p>O que restou para ser decidido foi se eu continuaria a amar a garota que eu amo para além do sublime “amai-vos uns aos outros”. A minha decisão foi o resultado de uma adaptação particular do conceito católico de matrimônio (não que o matrimônio se reduza ao seu conceito, mas ao mesmo.tempo ele é, sim, conceituável), que resultou no seguinte:</p><p>Primeiro, um casamento sem contrapartidas (uma característica que, na inimaginável – porém desejada – e remota hipótese de ela um dia quem sabe querer casar comigo, seria mantida – não por bondade, mas por estratégia porque até certo ponto eu sei com quem eu estou lidando). Isto consiste em não exigir nada dela que seja, a princípio, irrecusável, ou seja, não considerar nada que eu queira dela como algo irrecusável. Ou, dito de outro modo, ela não é, da minha parte, obrigada a nada, e nem eu me dou o direito de obrigá-la em nome de terceiros (as crianças, Deus ou a Igreja, por exemplo – porque, do contrário, isto daria margem a coisas como “não estou exigindo isto por mim, mas sim por/pela [insira aqui as crianças, Deus ou a Igreja]”).</p><p>Depois, um casamento unilateral. Para todos os efeitos, eu sou casado com ela, mas esses efeitos só se aplicam a mim: não ficar com outras pessoas, buscar o bem do outro cônjuge, até gerar filhos é um item que já foi cumprido, atender as demandas dela (as que eu posso, porque eu não cumpro 90% das expectativas dela, eu sei). É claro que eu não saio dizendo por aí que eu sou casado (o que soaria até meio doentio), geralmente a minha resposta à pergunta “mas vocês estão juntos?” é “eu não poderia dizer nem que sim, nem que não”, mas considero ofensivo o status de “enrolados” para este caso. “Nem que sim, nem que não” é uma definição bastante objetiva, apesar de ser complexa, e talvez por isto as pessoas associem com “enrolados”, mas são duas coisas completamente diferentes.</p><p>A Igreja não determina o que é um matrimônio (põe limites e encontra nele um sacramento, mas não o determina) e eu me aproveito muito desta indeterminação. “Matrimônio”, aliás, é como “vida”, “homem”, “mulher”, palavras que poderiam substituir “liberdade” no verso “… é uma palavra que não há quem a explique nem ninguém que não entenda”.</p><p>Talvez eu possa chamar a minha decisão de “compromisso irrevogável unilateral por motivos religiosos, dado em resposta a uma paixão, sem ser abençoado nem proibido pela Igreja”. Mas pode ser que, pelo contrário, haja uma CID para decisões como esta.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Os limites da arte</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19l359-os-limites-da-arte</guid>
      <pubDate>Mon, 23 Dec 2019 16:48:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/12/2019</p><p>A arte certamente tem limites. Como exemplo, pode-se usar uma hipotética obra, digamos uma pintura, que represente um ato sexual pedófilo, que o autor entitule de “O Abuso da Inocência” e explique que serve para alertar contra o mal da pedofilia. O título e a intenção demonstrariam claramente o rechaço do autor e da sua obra ao mal da pedofilia, mas mesmo assim seria uma obra digna de censura, porque nem a liberdade da arte e nem o combate à pedofilia justificariam a exibição do ato, mesmo que apenas representado em um quadro (não que uma eventual releitura do quadro “Saturno devorando um filho”, rebatizado com o mesmo “O Abuso da Inocência” e com as mesmas nobres intenções do exemplo fora dos parêntesis, pudesse ser censurado – o exemplo.fora dos parêntesis era o de uma obra de arte digna de censura, o exemplo dentro destes parêntesis, o de uma obra idêntica àquela, sem no entanto um elemento censurável).</p><p>Um exemplo.assim tão extremo serve apenas para demonstrar, ao mesmo tempo, tanto a imensa extensão da liberdade da arte quanto a existência de limites a ela: por mais longínquos que sejam os seus limites, eles existem.</p><p>O especial de natal do Porta dos Fundos, que eu não assisti, mereceria censura há, talvez, cinco ou dez anos atrás, pelos mesmos motivos que justificam-na hoje. Mas hoje, em 2019, não cabe esta censura. </p><p>O cristianismo já foi um projeto político concretizado no tempo em que a cristandade era, para todos os efeitos, idêntica à sociedade. Depois que a sociedade abandonou o cristianismo como projeto político, a religião passou a ser um aspecto entre outros da sociedade e, embora o cristianismo realmente seja verdade e deva ser ouvido (“convertei-vos e crede no evangelho”), ainda assim a verdade não deve ser imposta – embora Deus imponha a sua vontade na sua atuação discreta e misteriosa, se ele quisesse impor a verdade proclamada pelo cristianismo, não teria instiuído o livre-arbítrio.</p><p>Apesar disto, há cinco ou dez anos atrás seria muito justo considerar a censura ao especial de natal do Porta. Porém hoje o cristianismo está sendo usado desfiguradamente por uma porção da sociedade para a promoção de candidatos. </p><p>Há uma diferença muito grande entre um candidato identificar-se com o cristianismo e um candidato identificar o cristianismo consigo mesmo. Nem o Papa identifica o cristianismo consigo mesmo, já que ele é o legítimo sucessor de Pedro, e não a Igreja em si.</p><p>Candidatos cristãos são falácias, o máximo que pode haver são cristãos candidatos. Até mesmo Judas, mais cristão do que todos nós, porque era um dos Doze Apóstolos, tomou decisões erradas – e as consequências das suas decisões provam que quanto mais alto é o cargo do cristão (pois além de Apóstolo era quem cuidava do das finanças do grupo), piores serão os seus menores erros.</p><p>Quando a política “se torna” cristã, ela expõe o cristianismo ao jogo político com todas as características do jogo político, e faz parte deste jogo político a crítica oposicionista, que pode muito bem ser feita em uma obra artística – como um filme do Porta dos Fundos.</p><p>O cristianismo tem sua própria política (basta ler a Doutrina Social da Igreja); porém quando “o cristianismo” governa um país, ele é o poder vigente, e o poder vigente é, entre outras coisas, o alvo dos humoristas. </p><p>As propostas políticas cristãs podem e devem ser implantadas na sociedade, mas devem ser implantadas de modo a contemplarem toda a sociedade, que não é toda ela cristã, infelizmente.</p><p>E este não é o caso deste governo, que evoca o cristianismo e esquece-o conforme lhe convenha, não para trabalhar em prol da implantação de valores cristãos na sociedade, mas sim para satisfazer uma base de apoio – que insiste em adaptar o cristianismo às suas próprias convicções pessoais, ao invés de adaptar as próprias convicções ao cristianismo. Se a maioria da população fosse politeísta, Bolsonaro iria se declarar enviado por Baal com a mesma convicção.</p><p>Uma vez que o cristianismo foi reduzido (e desfigurado) a um projeto político, ele se torna alvo dos ataques a que todo e qualquer projeto político está sujeito.</p><p>Isto não torna louvável nem menos ofensivo o vídeo do Porta dos Fundos, mas dá a eles o direito de desfigurar as imagens cristãs exatamente do mesmo modo que os políticos cristãos estão fazendo.</p><p>Nem todo o direito é santo (como não o é o direito que alguns países tem de executar prisioneiros, por exemplo) e este direito que o Porta dos Fundos possui também não o é – e portanto eu não defendo o direito deles de fazerem o que fizeram. Mas eles – e, diga-se de passagem, qualquer artista – adquirem automaticamente este direito quando os governantes arrogam-se o direito, que também não é santo, de fazerem política com o cristianismo.</p><p>Do mesmo modo que um comerciante cristão não comercializa o próprio cristianismo – e se o fizer reduz o cristianismo aos seus negócios, igualmente um político cristão não politiza o próprio cristianismo, pois quando o faz, reduz o cristianismo à sua própria política. Cristianizar a política é necessário, mas politizar o cristianismo é uma blasfêmia maior – e anterior – às obras de arte que usam as imagens cristãs para darem o seu recado.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Questionáveis sugestões</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19l358-questionaveis-sugestoes</guid>
      <pubDate>Sun, 22 Dec 2019 14:46:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>22/12/2019</p><p>Li – de relance, nem lembro onde, talvez na semana passada – que a Igreja precisa abolir algumas  das suas doutrinas para avançar.</p><p>Eu, por outro lado, acho o contrário: o que a Igreja precisa é de radicalizar-se nas suas doutrinas para avançar.</p><p>Se a Igreja só ordena homens, resolve-se facilmente o problema ordenando mulheres. Mas isto não vai resolver o problema do machismo que corre solto pelos corredores da Igreja, e ainda por cima (na minha chutologia) vai liberar os homens de uma das poucas funções no mundo em que eles tem que se doar (quase) tanto quanto as mães se doam. </p><p>Ordenar as mulheres me parece uma demanda que atende mais aos interesses de padres relapsos (não que seus defensores sejam necessariamente relapsos) do que os interesses pastorais da Igreja. E não é muito diferente de abandono parental: num mundo em que a grande maioria dos homens abandona os filhos deixando-os sob os encargos exclusivos das mães, é coerente que eles deixem também o peso da batina sobre os ombros das mulheres; mas não é por ser coerente que deixa de ser igualmente errado.</p><p>Acho que seria mais justo (porque eu também tenho direito de sugerir minhas teorias malucas) criar uma Ordem das Mães ou ressuscitar (não era para ser um trocadilho sacro) a Ordem das Virgens, que existe mas ninguém fala dela, já que no mundo em que vivemos hoje, a virgindade é como um saldo negativo no banco (o que pouca gente sabe é que o saldo negativo do correntista é um saldo positivo pro banco, porque para ele significa um direito à espera de ser recebido – e no caso do sexo, o indivíduo é o banco; embora esta analogia seja um pouco confusa e muito incerta, já que eu nunca entendi direito isto, seja o sexo ou a contabilidade).</p><p>Muito parecido com isto é a questão do aborto. Já li (o que tem cara de fake news, mas eu já li mesmo, só não lembro onde nem quando; e preciso considerar a possibilidade de que eu tenha dado importância a alguma leitura irrelevante, mas) já li que seria melhor para a Igreja retirar o aborto do rol de pecados graves; mas o certo (“certo” segundo a minha opinião) seria mesmo reforçar doutrinas favoráveis às mães, como, por exemplo, dar indulgência plenária pra toda mulher grávida, e depois outra quando parisse, e mais outras periódicas, sei lá, a cada aniversário de um filho, ou quando ele casasse, se tornasse padre, religiosa ou religioso. E poderiam, também, dar uma indulgência plenária no fim da vida para os pais que realmente tenham participado ativa e positivamente tanto da criação dos filhos quanto do bem-estar das mães (porque se é verdade que uma mulher casada e com filhos tenha uma dupla responsabilidade para com os filhos e para com o marido, sendo que os filhos são prioridade em relação a ele, também pode ser muito bem verdade que na igualmente dupla responsabilidade do marido para com os filhos e a esposa a prioridade dele seja ela – uma mulher não vale pelos filhos que tem, mas ter filhos multiplica o valor que, sem eles, já era incomensurável). Valorizar a maternidade e a paternidade dá no mesmo que combater o aborto, mas é muito mais benéfico do que montar acampamento na frente do Pérola Byngton – e dá menos ranço, pelo menos em mim.</p><p>Acho que há casos em que a boa disposição de alguém se revela em fatos concretos, e é isso que as pessoas cobram da Igreja quando exigem coisas como ordenação feminina, afrouxamento da doutrina em relação ao aborto e outras coisas do tipo (como vender todos os bens do Vaticano ou acabar com a obrigatoriedade do celibato para os padres). <br/>Mas nem sempre acabar com as regras elimina o problema: talvez, aprofundar ainda mais elas seja mais eficiente.<br/>É mais ou menos isto que acontece quando, por exemplo, o Papa resolve incluir mais uma ocasião em que matar é proibido (retirando a licença para a pena de morte do catecismo), ou quando Cristo diz “Não julgueis que eu vim abolir a Lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição” (Mt 5, 17).</p><p>Não que as minhas questionáveis sugestões equivalham a “levá-los [a Lei e os profetas] à perfeição”. Embora eu ache-as válidas (senão não teria sugerido), todas elas foram só para não ficar apenas nos dois primeiros parágrafos.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>opinião disfarçada de teoria</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19l357-opiniao-disfarcada-de-teoria</guid>
      <pubDate>Fri, 20 Dec 2019 17:06:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/12/2019</p><p>Acho que homossexualidade e heterossexualidade são as duas manifestações empíricas da relação sexual, que, por sua vez, é uma das maneiras de vivenciar a sexualidade.</p><p>Se o que eu acho estiver correto, então as relações sexuais (heterossexuais e homossexuais) são, em princípio, pecados. </p><p>O pecado da manifestação empírica da sexualidade consiste em reduzir a vivência da sexualidade às suas manifestações empíricas, porque uma vivência é muito mais ampla do que suas manifestações empíricas. Seria mais ou menos como reduzir a caridade a dar esmolas (que, segundo a Didaquê, devem suar nas mãos antes de serem dadas).</p><p>Não que a relação sexual seja uma esmola, mas ela está para a sexualidade como a esmola está para a caridade (razão e proporção entre conceitos).</p><p>Dar esmolas é uma prática frequentemente acusada se ser um desencargo de consciência: quase sempre significa não se importar habitualmente com os outros mas dar umas esmolas para se sentir bom mesmo assim. É possível dar esmola para manifestar a caridade – para manifestar, de forma empírica e tangível – a misericórdia de Deus; e é possível fazer da esmola um modo de reprimir esta misericórdia, ou pelo menos de tentar reprimí-la.</p><p>A complexa rede multidimensional de sentimentos, desejos, ideias, conceitos e necessidades que compõe a sexualidade pode ser facilmente ignorada transando, como um analgésico que neutraliza dores, mas neutraliza necessariamente também a sensibilidade.</p><p>O Analista de Bagé, um personagem do Luiz Fernando Veríssimo, inventou a Terapia do Joelhaço, que consiste em provocar dores físicas (o joelhaço) até que elas doam mais do que as existenciais. A relação sexual segue a mesma lógica, mas troca a dor pelo pelo gozo físico e tem o mesmo resultado: suspende temporariamente alguma coisa (a complexidade da rede multidimensional da sexualidade, no caso da relação sexual) que volta renovada, a ponto de parecer que é uma (dolorida) novidade.</p><p>Segundo a minha opinião disfarçada de teoria profunda, portanto, defender a heterossexualidade ou a homossexualidade é, além de pecado, uma insensatez. </p><p>Por mais que eu acredite na doutrina católica de que a relação homossexual é um pecado, eu vejo mais pecados (e na minha opinião mais graves) sendo cometidos em relações heterossexuais. E por mais que eu defenda a mesma liberdade sobre o uso do corpo que os advogados da promiscuidade defendem, eu vejo esta liberdade sendo usada do mesmo jeito por todo mundo a ponto de se assemelhar a uma imposição.</p><p>Por isto que defender a homossexualidade ou a heterossexualidade é insensato: enquanto tudo gira em torno de transar, a sexualidade vai se apagando aos poucos, endurecendo cada vez mais as relações – inclusive as sexuais – entre as pessoas.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Mais um Especial de Natal do Porta</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19l356-mais-um-especial-de-natal-do-porta</guid>
      <pubDate>Fri, 13 Dec 2019 13:47:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/12/2019</p><p>Há anos eu leio teorias que aventam a homossexualidade de Cristo, sejam supondo um caso com S. João Evangelista, sejam ponderando que treze homens vivendo juntos só poderiam ser gays. Eu não acredito nestas teorias e acho-as parecidas com as que julgam que o homem nunca foi à Lua ou que a Terra é plana. Dá pra incluir aí a Teoria da Evolução de Darwin, que provavelmente é verdade, mas que compete com os que a negam, e com os que, aceitando-a, extrapolam afirmando que o ser humano veio do macaco – duas posturas opostas mas cujos efeitos práticos e demonstrações de desinformação são as mesmas.</p><p>Uma vez eu li que de qualquer texto é possível fundamentar praticamente qualquer interpretação, portanto é até possível inventar uma revelação divina escondida neste texto mesmo – afinal eu também tenho direitos.<br/>Mas se de qualquer texto é possível tirar qualquer interpretação, quanto mais a Bíblia, que, sem deixar de ser Palavra de Deus, é em muitos casos a tradução de uma tradução cheia de imagens e significados de culturas distantes.</p><p>Eu compraria todo este celeuma com o especial de fim de ano do Porta dos Fundos se já existisse algum debate generalizado sobre, sei lá, a interpretação da Bíblia, antes de eles lançarem mais um vídeo que, desde o primeiro, tem a intenção mesmo de ser ofensivo. Eles tem outros vídeos, cotidianos, alguns bons, outros ruins, alguns até mais ofensivos que o que dizem deste de final de ano, e outros que, por outro lado, poderiam até ilustrar temas de catequese, por exemplo.</p><p>Mas este celeuma todo não é pela ofensividade do vídeo – se fosse, todo mês haveria todo este barulho. E também não é porque retrata Jesus como gay, pois, como eu disse no primeiro parágrafo, esta ideia não é novidade. Este celeuma todo é porque eles tem publicitários competentes que sabem como fazer para chamar a atenção.</p><p>A manifestação mais sensata me pareceu a da <a href="http://www.ihu.unisinos.br/595164-cnbb-emite-nota-sobre-o-desrespeito-a-fe-crista">nota da CNBB</a>, que afirmou ter se sentido – com justiça – agredida, porque os relatos sobre o vídeo sugerem que ele seja mesmo agressivo, sem se limitar a dizer que Jesus era gay; mas, além de afirmar ter se sentido agredida, a CNBB clamou “a todos os cidadãos brasileiros a se unirem por um país com mais justiça, paz, respeito e fraternidade”, depois de reconhecer a autonomia de cada pessoa a reagir conforme a sua consciência.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>sexta-feira da segunda semana do Advento</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19l355-sexta-feira-da-segunda-semana-do-advento</guid>
      <pubDate>Fri, 13 Dec 2019 00:20:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/12/2019</p><p>Quando as bruxas eram queimadas em nome de um cristianismo desvirtuado, os dirigentes da Igreja deixaram um flanco aberto por causa de sua omissão, e foi por este flanco que seus sucessores apanharam alguns séculos depois – acusados não mais de omissos, e sim de homicidas. A acusação foi injusta, mas mas a censura ao comportamento dos seus predecessores foi correta. Mesmo que a Igreja alegue, com muita razão, que dentro do contexto da época os dirigentes puseram freios nas Inquisições, a resposta foi tímida, e isso não apaga que posteriormente tenha sido tão difícil um reconhecimento formal de que pelo menos hoje os métodos empregados naquela época eram errados.</p><p>As críticas ao comportamento da Igreja no período da Inquisição quase sempre são pelos motivos errados, mas são – igualmente – quase sempre justas. A Igreja não matava, e se é verdade que, pelo contrário, se esforçava para não deixar matar, fazia muitas vistas grossas.</p><p>Então veio o pedido de desculpa pela condenação a Galileu, alguns outros pedidos de desculpas por algumas outras coisas e, por fim, chegamos ao ponto em que o Papa mandou retirar do catecismo qualquer hipótese em que o assassinato não seja um pecado. </p><p>E aí isto foi um absurdo para alguns, mais apegados às próprias tradições assassinas do que à Tradição da Igreja; também foi muito pouco para outros, que esperam do Papa um pop como o Engenheiros tenta pintá-lo desde os anos 80 (ou O Papa é Pop é dos anos 90? Mas não deve ser nem de antes dos 80 nem de depois dos 90, pelo menos).</p><p>Assim a Igreja segue sendo como os meninos do evangelho de hoje, que reclamam por ninguém ter dançado quando tocaram flauta, nem ter chorado quando tocaram canções de luto.</p><p>Quando a Igreja parece ser sanguinária, mesmo sem o ser, o problema é a “malvadeza” da Igreja; quando a Igreja parece ser populista (como toda catedral, segundo O Papa é Pop), mesmo sem o ser, o problema é a “liberalidade” da Igreja.</p><p>A Igreja, santa pela ação de Deus e pecadora porque são pecadores que a constituem – pois se fossem entrar nela só os santos, seria apenas a Santíssima Trindade dentro dela; esta Igreja santa e pecadora segue Cristo, acerta aqui, erra ali, se deixa corrigir por Deus e segue em frente, indo atrás de Cristo.</p><p>Mas as críticas, que devem ser feitas quando forem justas – e estão aí os casos de encobertamento de padres abusadores para lembrar que há, sim, ocasiões para críticas muito justas – às vezes parecem ser motivadas não por erros cometidos pela Igreja e sim por… bem, seria ir pelo mesmo caminho destas críticas tentar adivinhar o que pode estar por trás delas.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>quinta-feira da segunda semana do Advento (festa de Nossa Senhora de Guadalupe)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 12 Dec 2019 15:59:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/12/2019</p><p>“Dogma” deriva do grego [“dogma” em caracteres gregos que não tem no meu celular] e significa “aquilo que aparenta; opinião ou crença”, e essa palavra em caracteres gregos deriva de outra, também em caracteres gregos (“dokeo” em letras normais) que significa “pensar, supor, imaginar” (cf. o verbete “dogma” da Wikipédia em português).</p><p>Antes de revoltar-se contra os dogmas católicos, convém pensar nas guerras dogmáticas contemporâneas: o preconceito, por exemplo, é uma heresia (segundo a Wikipédia, “heresia” significa “escolha ou opção”, cf. o respectivo verbete). A negação do preconceito é um dogma. <br/>Ambos, heresia e dogma, são muito parecidos: ambos têm a ver com um dogma, mas somente a heresia é opcional, enquanto que o dogma é inevitável como uma verdade. Afinal o que pode ser verdade, o preconceito ou a sua negação? Escolher a sua negação é como convencer-se de que um mais um é igual a dois, mas não por uma imposição lógica, e sim pelo triunfo do bom senso. Mas a escolha pela verdade não é como a escolha entre alternativas igualmente válidas entre si, e sim a escolha correta (pois existem na vida, como nas provas, respostas corretas), porque o possível não adquire validade e nem valor apenas por ser possível.</p><p>O dogma é a escolha pela verdade, pura e simplesmente. É um dogma apenas porque não pode ser demonstrada enquanto verdade, como pode ser demonstrada a verdade de que um mais um é dois. E também é, o dogma, a expressão da verdade – a negação do preconceito, no caso deste exemplo.</p><p>Obviamente as questões sociais não são um embate entre dogmas e heresias, era só uma analogia do que significam os dogmas católicos enquanto verdades que, indemonstráveis, ainda assim são verdadeiras e, além disto, implicam em negar a alternativa falsa.</p><p>Há dois dogmas católicos muito importantes (entre outros igualmente importantes): a encarnação de Cristo e a sua natureza tanto humana quanto divina.<br/>O primeiro dogma diz que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós”, e o segundo, que não deixou de ser o Verbo por isto, e nem deixou de ser plenamente humano por ser o Verbo encarnado.<br/>A Igreja sempre acrescenta “igual a nós em tudo, menos no pecado”, o que é verdade, mas omite (pela praticidade) toda a reflexão sobre o pecado ser desumano apesar de ser parte da condição humana, pelo menos entre este período de tempo entre a queda de Adão e Eva e o juízo final – depois do qual seremos, então, plenamente humanos.</p><p>Estes dois dogmas, a Encarnação e a Dupla Natureza (de Cristo), são importantes por causa do fundamento da esperança cristã: a ressurreição de Cristo. <br/>Um Cristo Ressuscitado exclusivamente divino que fundamente a esperança cristã é como dizer que o trabalho enriquece exemplificando isto com os ricos herdeiros que trabalharam verdadeiramente para justificar a posse do que seria deles mesmo se não tivessem tido todo este trabalho. Ou seja, Cristo abriu mão de seus recursos divinos para ser santo, sendo-o, portanto, em igualdade de condições conosco (exceto a condição do pecado), pois do contrário seria simples dizer “mas eu não posso fazer isto porque não sou Deus como é Cristo”. Trabalhar para ficar rico é uma furada como seria uma furada correr atrás de uma santidade acessível apenas a Deus. A ressurreição é uma obra exclusivamente divina, mas a santidade, condição para a Ressurreição, é humanamente possível, e o dogma que atribui a Encarnação a Cristo conta exatamente isto: era um ser humano, gente como a gente.</p><p>Só que este dogma não pode ser reduzido ao absurdo, o que consiste em negar a divindade de Cristo. Se Cristo não era Deus, então a humanidade que se salve. Se Cristo era só humano, Deus o recompensou por seu gigantesco esforço como quem paga uma dívida (e aí a santidade vira uma moeda, cujos proprietários poderão usar para exigir de Deus o que lhes cabe de direito), fazendo de Deus não mais Aquele que vem até nós, proativo em nosso favor, mas sim um Carimbador Divino menor do que a regra que lhe obriga a carimbar a ressurreição dos nobre e abnegados esforçados credores de Deus. Fazer do banco um deus é idolatria, mas fazer de Deus um banco é heresia.<br/>Deus não deve nada a ninguém, mas em compensação é mais generoso do que qualquer ricaço consciente que possa existir.</p><p>Então Deus se fez carne, a santidade é acessível ao simples ser humano e a salvação é uma dádiva divina. É o que dizem os dois dogmas e deles podemos concluir muitas coisas, inclusive a interação entre Deus e o homem, tão desnecessária para Deus quanto necessária para o homem. Cristo, Deus e homem sob todos os aspectos, atua em colaboração conosco para o nosso benefício – colaborar com Deus é uma necessidade da gente e não de Deus. E qual representante do Homem pode se apresentar como modelo e exemplo de colaboração com Deus? Cristo? Mas Cristo se fez homem para que ninguém diga que Deus não sofreu na carne o que sofremos. João Batista? Mas o menor no Reino de Deus é maior do que ele – ou seja, é um grande modelo mas não é o modelo maior. Os Apóstolos? Mas os apóstolos passaram o evangelho todo vacilando, e só o Espírito Santo pôde dar um jeito nisso quando veio em Pentecostes.<br/>Nós precisamos colaborar com Deus sem vacilar, dizendo sim a Ele e, ainda por cima, ser sermos espectadores passivos do espetáculo da salvação. João Batista veio preparar o caminho de Cristo, e não percorrer o caminho. Os apóstolos só por milagre entenderam as palavras de Cristo (literalmente, pois foi necessária a intervenção direta do Espírito Santo e de Cristo, no caso de Paulo, para entenderem e agirem segundo a vontade de Deus. <br/>Então quem já dizia “fazei o que ele vos disser” (certamente sob a inspiração do Espírito Santo mas) antes de Pentecostes? João Batista foi o precursor de Cristo, e não da nossa santidade. Fomos salvos pela morte e ressurreição de Cristo, então podemos esperar sentados que ele venha nos salvar? </p><p>Quando os apóstolos estavam indo com a farinha, Maria já estava voltando com o bolo. Ainda que todos – Maria, os apóstolos e nós – dependamos da graça imerecida de Deus, somente um de nós todos fez isto – ajudar Deus – primeiro, e de um jeito que ninguém mais poderia ajudar.</p><p>Portanto, enquanto os dois dogmas apresentam Deus entre nós e compartilhando dos mesmos problemas (até boletos Cristo tinha que pagar, basta ver o episódio da moeda dentro da boca do peixe).</p><p>Maria, pelo contrário, somos nós colaborando com Deus. É muito fácil identificar-se com Cristo e se agarrar na parte divina da identificação (quantos cristãos não preferem, por exemplo, imitar Cristo dizendo “não me toqueis porque ainda não subi ao Pai” do que imitar Cristo defendendo uma prostituta do linchamento?). Imitar Cristo é imprescindível, porém apenas imitar não basta, senão os dois ladrões crucificados com ele teriam sido expressamente admitidos no Reino. É necessário deixar-se redimir ao mesmo tempo em que se trabalha por esta redenção. </p><p>E é isto, ser redimido, que se comemora nestas comemorações marianas: não uma redentora, pois foi Cristo quem nós salvou, mas a redimida-mor, a redimida das redimidas. Se as ações dos Apóstolos, do Batista e de tantos outros personagens evangélicos podem nos servir de inspiração, quanto mais poderemos da primeiríssima colaboradora de Cristo. </p>]]></description>
    </item>
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      <title>Quarta-feira da segunda semana do Advento</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 11 Dec 2019 14:05:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/12/2019</p><p>Quando HAL 9000 tentou matar toda a tripulação do Discovery, depois de ter inventado um problema na antena que fazia a comunicação com a Terra, ele procurava resolver da forma mais lógica possível um conflito dentro da sua programação: por um lado ele fora originalmente programado para dar informações e respostas completas e verdadeiras sobre tudo o que lhe fosse perguntado; por outro lado, o governo dos EUA não queria que os objetivos reais da missão fossem revelados até que a nave chegasse a Júpiter, e para isto deu a informação a HAL, mas programou-o para que não revelasse isto aos astronautas durante a viagem.<br/>HAL fez o que lhe pareceu mais óbvio: tentou cortar a comunicação com a Terra, que era quem lhe forçava a mentir contra a sua programação, e tentou matar a tripulação da Discovery, para não ter para quem mentir contra a sua programação.<br/>Por sorte HAL é uma personagem de ficção, mas este fardo, a mentira, é um fardo que nós, pessoas reais, muitas vezes carregamos: seja por uma orientação de instâncias hierárquicas superiores, como chefes que proíbem divulgar segredos empresariais, seja por estratégia, como um criminoso que nega o crime que cometeu enquanto não encontram provas contra ele, por exemplo; a mentira, que é um fardo, às vezes parece até uma vantagem, como a pessoa que trai o cônjuge e se deleita em não precisar se abster de seus desejos nem de precisar se desgastar com a revelação da traição, ou o clássico político que descobre uma forma de ganhar dinheiro indevido graças a sua posição… aliás, são inúmeros os exemplos.</p><p>A questão é que a mentira é um fardo, mesmo quando parece uma vantagem. Sua falsa leveza nós verga sem percebermos, e às vezes demora tanto que temos a oportunidade de botar a culpa desta prostração em outras coisas, enquanto o peso das mentiras nos oprime.<br/>E a mentira é só um destes pecados que, em doses pequenas e em contextos inofensivos, é socialmente aceito por ser leve, tão leve quanto a pluma que pousa na simples e suave coisa, como na música dos Secos e Molhados (embora o amor, que é título da música e também o objeto, não mencionado, que é leve como uma pluma na letra da música, não se identifique como pecado, é óbvio).<br/>Há tantos pecados levíssimos, irreconhecíveis quando pesados pois só os reconhecemos camuflados pela leveza, que nos levam a atribuir o peso a outras coisas…</p><p>Cristo certamente alivia o fardo de pesos que não envolvem diretamente pecados: a miséria e a fome (que não são culpa dos miseráveis e esfomeados, e sim um pecado coletivo da humanidade), a doença e o sofrimento, a solidão e o desespero, as guerras e seus horrores (tudo isto também é fruto de um pecado coletivo, e Cristo alivia os fardos das consequências deles, bem como os fardos dos que procuram cuidar das vítimas destas violências).<br/>Mas isto é ao mesmo tempo óbvio e complexo: pecados sociais, pecados coletivos e estruturais, pecados do sistema nos pesam mesmo que não sejamos as vítimas diretas, e há os que carregam outro fardo, os que zelam pelo cuidado das vítimas imediatas – pesos que Cristo alivia também, e que certamente são os destinatários imediatos e preferenciais do texto do evangelho de hoje. Um assunto tão importante que é melhor deixar para os padres nas suas homilias e teólogos nos seus estudos.</p><p>Eu queria me referir apenas a estes fardos enganosos – um deles é a mentira e serviu como exemplo – que enganam por não parecerem fardos e se apresentarem com uma leveza às vezes até libertadora. Tão leves na aparência que, quando pesam, parece impossível que sejam a causa de andarmos curvados pela vida afora. <br/>E são estes fardos, creio eu, que Cristo alivia quando “tomamos sobre nós o jugo Dele” (cf. Mt 11,29). </p><p>Mas qual será o “jugo suave” e o “fardo leve” de Cristo? Não deve ser a Cruz, pesada em todos os sentidos. </p><p>Deve ser a vontade de Deus – esta sim, levíssima a ponto de ser quase imperceptível, como a doçura de uma cenoura que as doçuras artificiais impedem nosso paladar de perceber.<br/>A verdade, que é uma vontade de Deus e o complemento do exemplo neste texto, pode parecer de um peso arroz. Há anos Álvaro de Campos aguarda “ouvir de alguém a voz humana que confessasse não um pecado, mas uma infâmia” (Poema em Linha Reta), e é esta a maneira como, ainda dentro deste exemplo, o jugo é suavizado: falando a verdade (seja sobre pecados, seja sobre infâmias) sobre as coisas. <br/>E falar a verdade é difícil, é inconveniente; às vezes a verdade pode até ser usada tão malevolamente quanto um pecado (como denunciar as mentiras alheias para desviar a atenção das mentiras do próprio denunciante). Mas por mais que possa trazer muitos problemas, a verdade está alinhada com Cristo (que é caminho, verdade e vida), cujo jugo é suave e o fardo é leve.</p><p>Se é possível delinear assim assim tão claramente (embora este texto seja confuso) a leveza do jugo de Cristo (a verdade) contraposta à falsa leveza da mentira, quanto mais haverá descanso em carregar o fardo de Cristo em outras situações que não aparecem tão claras assim.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>terça-feira da segunda semana do Advento</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19l352-terca-feira-da-segunda-semana-do-advento</guid>
      <pubDate>Tue, 10 Dec 2019 14:12:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/12/2019</p><p>Um padre em uma missa mencionou, um dia desses, um santo afirmando que o pecado era uma coisa ótima, porque quando pecamos temos necessidade de sermos resgatados por Deus.<br/>Eu não lembro o nome do santo, e embora eu tenha entendido o sentido da afirmação, achei um tanto ousado, tanto o santo quanto o padre, em fazerem esta afirmação. Agora, ousadia das ousadias, o evangelho de hoje diz, por uma analogia, a mesma coisa: “Em verdade vos digo, se ele a encontrar [a ovelha que se perdeu], ficará mais feliz com ela, do que com as noventa e nove que não se perderam.” (Mt 8, 13) </p><p>Este elogio ao pecado pode dar margem a concluir alguma coisa do tipo “eba, então vamos pecar!!!”, o que seria uma conclusão racional, mas só assim, fora de contexto. <br/>Muito mais do que elogiar o pecado, esta passagem (e também a afirmação do santo) demonstram a confiança em Deus que muitos cristãos hoje em dia não tem: ao constatarem pecados (num recorte que exclui a maioria destes e inclui outros minuciosamente selecionados, como a homossexualidade e o aborto – uma seleção que me parece não se fundamentar em um zelo por Deus, mas em alguma outra coisa); enfim, ao constatarem pecados sendo cometidos em escala industrial, se desesperam com a depravação, com o assassinato dos inocentes, com o quão afastadas as pessoas estão de Deus, e então promovem uma cruzada verbal contra os pecadores que, se parassem para pensar direito, veriam que não serve para nada (olha aí os muçulmanos muito bem instalados nas suas terras, instalados inclusive em Jerusalém, depois de matarem e morrerem para expulsá-los séculos atrás – e, diga-se de passagem, num comportamento animalesco coerente com o pensamento de séculos atrás, mas não com o atual). <br/>Imagine você xingar de coisas horríveis um pecador, ofender ele até não poder mais, e no fim ele dizer “nossa, eu sou mesmo um pecador e você me xingou tanto que eu me converti”. Se fosse o ódio que salvasse as pessoas, Cristo não teria morrido na Cruz, mas destilado ódio santo em textões no Facebook. Seria também parecido com Cristo pedir às noventa e nove ovelhas restantes que berrassem “mééééé!!!” bem alto até a ovelha perdida voltar, ao invés de ter feito como fez o dono das cem ovelhas: ido pessoalmente procurar a perdida.<br/>Mas muitos cristãos fazem isto, cruzadas de xingamentos e mééééé’s chiliquentos, por falta de fé, ou melhor, pelo desespero causado pela falta de fé no Deus em nome do qual estão xingando e chilicando.</p><p>A ovelha perdida poderia ser muito bem retratada com um olhar malvado, um cigarro na boca, uma faca sangrenta numa das mãos, alguma depravação moral na outra e uma camiseta escrita “a ovelha perdida”.<br/>Neste quadro hipotético (ah, se eu fosse um artista) haveria uma outra ovelha de gravata, bem arrumada, talvez até com uma Bíblia Sagrada numa das mãos e a outra aberta em um gesto de interromper Cristo que fala com ela, que também usaria uma camiseta escrita “uma das noventa e nove que não se perderam”. Por uma janela em um dos cantos do quadro (ambientado em um bar, porque eu não preciso ser um artista para ser um clichê sem talentos) daria para ver as outras noventa e oito pastando tranquilas, nem perdidas nem desnecessitadas de salvação.</p><p>O grande perigo das ovelhas perdidas é estarem perdidas, o que é óbvio, mas demonstra que com as ovelhas perdidas tudo está muito claro: elas estão perdidas, e Cristo vai atrás delas.<br/>Mas o perigo das noventa e nove que não se perderam é julgar que também não precisam ser encontradas. São cidadãs de bem, trabalham, não roubam e nem matam (embora talvez gostassem de andar armadas para se proteger das outras, perdidas), vão a igreja todo domingo e talvez só lhes falte “ganhar um fuscão no juízo final e diploma de bem comportado” (Gonzaguinha) para completarem o seu checklist. <br/>Qualquer semelhança do cidadão de bem com o fariseu que dava graças a Deus por não ser ladrão, corrupto, adúltero, nem ser como o publicano que dividia o espaço com ele que jejuava duas vezes por semana e dava o dízimo de tudo o que ganhava … (cf. 18, 11-12); enfim, qualquer semelhança entre o cidadão de bem e o fariseu não é mera coincidência.</p><p>Cristo não quer que pequemos (assim como não o querem o padre e o santo mencionados no primeiro parágrafo), e por isto vai atrás dos pecadores – não como um cruzado disposto a eliminar o pecado junto com o pecador, mas apenas para oferecer o seu amor.<br/>Mas o que um Cristo manso e humilde de coração poderá fazer por um pecador que não precisa de salvação porque já se julga um santo?, um santo que se atribui uma licença 007, porque quem odeia o outro é um homicida (cf. 1Jo 3,15), mesmo que o deixe vivo, e quem chama o outro de louco – ou de idiota, em algumas traduções da Bíblia – vai pro inferno (cf. Mt 5,22). </p><p>Cristo vem oferecer a salvação ao cidadão de bem e à ovelha perdida, mas acho que deve ser mais fácil de lidar com o “não quero” da ovelha perdida do que com o “não preciso” daquela que não se perdeu.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>segunda-feira da segunda semana do Advento</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19l351-segunda-feira-da-segunda-semana-do-advento</guid>
      <pubDate>Mon, 09 Dec 2019 04:52:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/12/2019</p><p>Primeiro alguém lhe ofende. Ainda não importa se era uma ofensa ou seu capricho, mas sim ter sentido a ofensa. Então você odeia, o que é muito natural. Aí você pode perdoar ou condenar quem lhe ofendeu.</p><p>Mesmo que ninguém execute a sua condenação, ela lhe dá uma sensação de justificação – e então você é, pelo que lhe diz seu coração, uma pessoa justa. E assim o dia foi salvo pelo ódio, porque a condenação é a salvação do ódio. </p><p>Os fariseus e escribas que se ofenderam com o perdão concedido por Jesus seguiram por outro caminho: eles se sentiam justos por cumprir a Lei, e faziam isto às custas de muito sofrimento. Então vem Cristo e perdoa fácil fácil um zé-ninguém paralítico içado numa maca telhado abaixo. Ele nem teve que se esforçar, foram seus amigos que o trouxeram, carregaram-no telhado acima e o baixaram até onde Cristo estava. O zelo deles não era pela usurpação das prerrogativas de Deus (pois julgavam que Cristo não era Deus), mas sim pela facilidade com que o paralítico obteve aquilo que eles se esforçam tanto para nunca precisar: o perdão de Deus. Eles condenavam – mesmo que não executassem a condenação – porque estavam eles próprios acima de qualquer condenação. Tanto é que condenaram Cristo.</p><p>A auto-justificação que temos hoje em dia não se baseia na Lei. Mas o resultado é o mesmo: enquanto os escribas e fariseus justificavam-se pelo cumprimento da Lei, nós nos justificamos pelo ódio, porque é ele que sustenta a condenação. E é assim que ele se salva pela condenação do outro. <br/>Mas este ódio precisa ser alimentado, pois se ele desaparecer, a condenação também desaparece, e a auto-justificação se baseia nesta condenação. E o alimento do ódio é a ofensa. </p><p>Será que temos condições de condenar até mesmo os condenáveis escribas e fariseus? Mesmo que façamos do ódio uma nova lei?</p><p>Mas voltemos àquele “você” hipotético dos dois primeiros parágrafos (que, portanto, não se referiam a você, e sim a um “você” hipotético que pode ser qualquer um mas é óbvio que não é necessariamente você). Você decidiu perdoar ao invés de condenar.</p><p>Isto não impede que você tenha sentido o natural e aceitável ódio pela ofensa sofrida. Porém o perdão dissipa o ódio, porque este perdão é uma espécie de “deixa prá lá”. Aqui surge um perigo: o “deixa prá lá” pode permitir que o ofensor continue lhe ofendendo ou então ofenda os outros. <br/>É urgente não confundir “deixa prá lá o ódio” com o “deixa prá lá a ofensa”. Se esta confusão acontece, o perdão vira um passe-livre para a ofensa e o ofensor vai se sentir à vontade fazendo isto.<br/>O perdão implica tanto em deixar prá lá o ódio quanto em combater a ofensa. Sem combater a ofensa, o perdão tem o mesmo resultado que o ódio, só que neste caso o justificado é o ofensor.</p><p>Então temos a conservação do ódio condenador em benefício da auto-justificação; temos um tipo de perdão cúmplice do ofensor; e o perdão que “não esquece o que lhe fazem” (citando um trecho da música Mal Necessário de Ney Matogrosso). É necessário (não necessariamente um mal) não esquecer o que lhe fazem. E observe que o ódio também conserva a ofensa. </p><p>O ódio às vezes pode não estar servindo para a auto-justificação, pois a obstinação do ódio em manter a memória da ofensa, embora seja para se alimentar desta memória, é um meio de conservar a ofensa e assim poder combatê-la. Mas este ódio inevitavelmente fará de quem odeia alguém auto-justificado, porque a auto-justificação é amparada pela condenação, que conserva o ódio, que conserva a ofensa.</p><p>Cristo perdoou o paralítico mas não disse, como no caso dos dois cegos que imploravam a piedade de Cristo, “a tua fé te salvou”. No caso do paralítico ele disse apenas “teus pecados estão perdoados”. Se o paralítico se salvou ou não não vem ao caso. O que vem ao caso é o perdão gratuito de Cristo – pois o paralítico não fez nada para obter o perdão (o que revoltou os fariseus e escribas), ele nem mesmo pediu perdão, aliás, ele não fez absolutamente nada antes de Cristo mandar que ele pegasse a cama e andasse. <br/>É este perdão de Cristo – gratuito e incondicional – que tanto dissipa o ódio quanto conserva a ofensa sem conservar junto o ódio. </p><p>Perdoamos os outros porque Cristo nos perdoou e ainda assim podemos nos insurgir contra a perpetuação da ofensa. Quando o perdão se limita a deixar prá lá, o perdão perpetua a ofensa, e quando se insurge contra a ofensa sem perdoar, se alimenta o ódio que também é uma ofensa, quer ele ajude a destruir a outra ofensa, quer não.</p><p>Isto talvez explique a escalada de ódio sem precedentes nos tempos que correm hoje: entre a cumplicidade e a auto-justificação farisaica, não é tão fácil perceber que a solução é o perdão.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Domingo da segunda semana do Advento (solenidade da Imaculada Conceição de Maria)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19l350-domingo-da-segunda-semana-do-advento-solenidade-da-imaculada-conceicao-de-maria</guid>
      <pubDate>Sun, 08 Dec 2019 14:17:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>08/12/2019</p><p>A Igreja transmite fielmente a verdade e quem lhe dá esta fé (no sentido mais comum do termo, neste caso) pode dizer, com segurança, que Maria foi concebida sem pecado – não por suas virtudes, que de qualquer modo seriam maiores do que as nossas até se tivesse sido concebida com o pecado original, mas pela gratuita bondade da decisão de Deus.</p><p>Porque Deus fez assim com ela e não com todo mundo ou, ao menos, com alguns? A Igreja explica que, como ela iria conceber o Filho de Deus, convinha que Maria fosse Imaculada, dada a singular intimidade que só ela teve com Cristo – concebê-lo e levá-lo nas entranhas do seu corpo durante mais ou menos nove meses e depois alimentá-lo com o leite fluído do seu corpo.<br/>Se Maria não concebeu – obviamente – a divindade de Cristo, ainda assim ela concebeu o corpo humano de Deus; dizendo o mesmo em outras palavras: ela forneceu a matéria humana que formou cada célula do corpo do Filho Único de Deus. <br/>É claro que Deus poderia ter encontrado outras alternativas, como “isolar” o pecado de cada um dos componentes fornecidos pelo corpo de Maria, neste exemplo, contaminado pelo pecado original; poderia ter implantado já um feto santo protegido do pecado da mãe; poderia ter feito surgir o bebê já formado no quarto ao lado; etc.; mas levar as suposições sobre o poder divino por estes caminhos seria o mesmo que ficar se perguntando porque Deus não fez os besouros com um membro extra no seu casco para poderem se desvirar quando caem de mau jeito, ou uma atmosfera mais amigável (pro ser humano) à Lua e à Marte para facilitar a exploração espacial e, em última instância, poderíamos questionar porque Deus permitiu o pecado original, quando poderia ter dado à árvore uma proteção mais eficiente do que a frágil confiança no bom uso da liberdade de Adão e Eva. <br/>Só que levar o pensamento por estas águas hipotéticas é tão interessante e útil quanto discutir, como escreveu Luís Fernando Veríssimo, quantos anjos podem se equilibrar ao mesmo tempo na ponta de uma agulha.</p><p>Dando fé à Igreja, pode-se comparar Maria com Adão e Eva no que diz respeito à obediência a Deus: concebidos qual Maria sem pecado original, Adão e Eva disseram não a Deus; Maria, nas mesmas condições disse “sim”. E, guardadas as diferenças entre as personagens, comprometer-se com uma gravidez é mais complicado do que comprometer-se com a abstinência de uma coisa que nunca havia sido provada.</p><p>Então o significado deste dogma – a Imaculada Conceição – tem mais a ver com conceber uma nova perspectiva, agora positiva, sobre a humanidade, do que conceber um roubo à redenção de Cristo. Até porque uma redenção prévia ao ato redentor é uma ideia mais elegante do que uma confusa ideia de Deus agindo como um manipulador genético no ventre de Maria. </p><p>A navalha que Ockham sugeriu à ciência parece já ter sido largamente utilizada por Deus nos milagres narrados ao longo dos quatro evangelhos: quando poderia ter dividido as águas, Cristo preferiu caminhar sobre elas; quando podia ter feito chover mais Maná no deserto, ele preferiu multiplicar os pães que já tinha; até mesmo o imposto, cujo milagre da eliminação muita gente sonha hoje em dia, Cristo preferiu pagar com a ajuda de Pedro, de um peixe e de um discreto milagre do que não pagá-lo milagrosamente – e mesmo deixando claro que era injusto, sujeitou-se à injustiça.</p><p>A Imaculada Conceição de Maria que a Igreja celebra hoje não tem a intenção de ser uma festa da idolatria, mas sim de celebrar, por um dogma, a restituição da confiança de Deus na humanidade. Não que Deus dependesse de Maria para confiar, mas nós dependemos deste tipo de sinal para descobrir a renovada confiança de Deus no ser humano – restituída, portanto, pelas ações de uma mulher tão gente como a gente quanto Maria.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Sábado da primeira semana do Advento</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19l349-sabado-da-primeira-semana-do-advento</guid>
      <pubDate>Thu, 05 Dec 2019 14:32:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/12/2019</p><p>O particular deve servir ao coletivo tanto quanto o coletivo deve servir ao particular. E vice-versa.<br/>Isto não significa que indivíduos inúteis devam ser eliminados ou excluídos, nem que as coisas públicas que não me afetam devam ser ignoradas ou encerradas.<br/>Mas significa que os outros valem tanto quanto eu (no caso de um ego inflado) e que eu valho tanto quanto os outros (no caso de falta de autoestima).</p><p>Cristo olha para as multidões cansadas e se sente insuficiente para dar conta de toda a demanda delas. Em seguida apela para que peçam “ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita” (Mt 9,38) e escolhe doze discípulos para trabalhar em prol das multidões.<br/>E hoje faltam padres, faltam freiras, falta tudo – mas não é porque faltem trabalhadores para a colheita. Pois observando atentamente em volta, há muita gente trabalhando, e não é difícil imaginar quantos mais estão trabalhando fora das nossas vistas.<br/>Cristo, o Filho de Deus, já teve o seu pedido atendido assim que o formulou (pois ele não esperou muitos capítulos para escolher os Doze depois de pedir por mais trabalhadores ao dono da messe). E o dono da messe continua mandando levas e mais levas de trabalhadores. Mas o que eles fazem? Onde estão eles?<br/>Eles estão aí, cultivando as suas colheitas, trabalhando seus terreninhos, vendendo aquilo que colhem, cidadãos exemplares cuidando das suas vidas sem incomodar absolutamente ninguém.<br/>Enquanto isto, a colheita dos outros, ou melhor, de um Outro em particular, continua imensa e mal povoada de trabalhadores.</p><p>Não faltam trabalhadores. Falta apenas que que eles olhem para Cristo e vejam, nos olhos dele, a compaixão pelas multidões cansadas e abatidas – aliás, tão cansadas e abatidas quanto eles.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Sexta-feira da primeira semana do Advento</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19l348-sexta-feira-da-primeira-semana-do-advento</guid>
      <pubDate>Thu, 05 Dec 2019 01:59:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/12/2019</p><p>A fé é uma questão muito intrigante. Para além da Teologia da Prosperidade e d’O Segredo, temos Jesus perguntando nos evangelhos, como neste de hoje, se a pessoa que lhe pede um milagre acredita que Cristo pode fazê-lo.</p><p>A resposta sempre é sim, e eis a cura.</p><p>Porém não aparecem, nos quatro evangelhos, casos de quem tenha pedido, ouvido a pergunta e respondido “não”, ou de quem tenha respondido “sim” e ouvido de volta “mas eu não posso” – o que acontece muito em nossas vidas. Pois muitas pessoas pedem muitas coisas, e elas não vem.</p><p>Muitas vezes vem, mas demoram, ou vem de um jeito inimaginável – mas quantos desejos e pedidos já foram negados por Deus?</p><p>Uma das explicações mais correntes à pergunta de Cristo é que ele concede o que se deseja a quem acredita no poder de Deus: “vós acreditais que eu posso fazer isso?” (Mt 9,28).</p><p>Sim, Deus pode, pode isso e muito mais (basta ver o mundo criado, o ser humano salvo na Cruz, a Ressurreição de Cristo, etc.) Quem duvidaria do poder de Deus?<br/>Então esta é uma boa explicação, muito correta.</p><p>Mas, além disto, o “eu posso?” talvez tenha também um sentido parecido com “será que isso convém?” ou “será que está correto isto que você está me pedindo?”<br/>Se pedirmos ao dono dos anúncios do tipo “trago a pessoa amada em três dias”, ele não vai perguntar se isso é correto, se pedirmos “um carro do ano e muito dinheiro” também não – ora, ou talvez pergunte, sim!; talvez até mesmo se negue a fazer algo que julgue errado. Mas Cristo sempre pergunta, em todos os casos, em todas as vezes – a nós, hoje em dia, quando lhe pedimos algo: “vós acreditais que eu posso fazer isso?”</p><p>Deus tem poder para realizar os nossos desejos mais extravagantes, mas será mesmo que ele pode, por exemplo, se ocupar mais em providenciar férias na Disney do que em providenciar comida para os esfomeados?<br/>Não é porque Deus tem o poder que ele pode, ou melhor, não é porque Deus tem o poder que nós podemos presumir que ele pode tudo o que queremos. Ele pode o que quer, e o que ele quer é o melhor. Por isto que o que ele não pode, não é porque está além da sua capacidade, mas é porque o que pedimos está aquém do melhor que ele pode oferecer.</p><p>Por isto sempre convém, junto com o pedido, perguntar-se “será que Deus pode fazer isto?” não como dúvida do poder de Deus, e sim para verificar se o pedido está em conformidade com a vontade de Deus.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Quinta-feira da primeira semana do Advento</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19l347-quinta-feira-da-primeira-semana-do-advento</guid>
      <pubDate>Wed, 04 Dec 2019 12:37:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>04/12/2019</p><p>Ghandi e Sócrates são dois personagens que ilustram, do ponto de vista cristão, a ação de Deus que ultrapassa quaisquer fronteiras visíveis da Igreja: um pacifista e um sábio politeístas, cujas vidas e ideias testemunham princípios e valores que coincidem muito com princípios e valores cristãos. Pagãos que, apesar disto, podem facilmente ser chamados de “cristãos na prática” – pelo menos para efeitos ilustrativos.</p><p>Aí lemos no evangelho de hoje que “quem ouve estas minhas palavras [as de Cristo] e as põe em prática é como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha.” (Mt 7,24) e imaginamos que pessoas como Ghandi e Sócrates construíram suas casas sobre a rocha. E poderíamos pensar que basta ser gente boa e corajosa como os dois grandes nomes.</p><p>Mas sem desmerecê-los e nem à ação  invisível de Deus fora dos limites (visíveis) da Igreja, nobres pessoas cuja prática coincida com as palavras de Cristo podem até servir, entre outras funções, como um puxão de orelha aos cristãos (“tem pagão que é mais cristão que os que vão à igreja!!!!”), mas não são fontes de inspiração para os cristãos.</p><p>Pois neste evangelho, em que Cristo pede que traduzamos suas palavras em prática, ele também pede, indiretamente, que o ouçamos antes de praticá-las.</p><p>Ele exemplifica duas situações que ilustram o significado das relações entre ouvir e praticar: na primeira, quem ouve suas palavras e as pratica foi identificado com quem construiu sua casa sobre a rocha, um fundamento firme e estável, enquanto que quem ouve sem praticar se identifica com quem construiu sua casa sobre a areia, que não sustenta nem um puxão mais forte.</p><p>Muitas vezes podemos concluir que a fé em Deus resulta – ou deve resultar – em uma prática cristã, o que é uma conclusão correta, mas parece que aqui aparece um elemento novo nesta relação entre fé (as palavras de Cristo) e prática: está fundamenta aquela. Então este “sistema” fé-prática parece se estruturar como a fé sendo a precursora de uma determinada prática, e uma prática que estabiliza e sustenta a fé.</p><p>A prática das palavras de Cristo é mais do que um resultado, uma consequência: ela é também os muros da cidade fortificada mencionada por Isaías (Is 26,1) que protegem a fé. Se é verdade que a fé é mais importante que a prática, também é verdade que sem a prática a fé se esvai como a casa construída sobre a areia.</p><p>Pessoas como Ghandi e Sócrates podem até estar sobre uma rocha mais firme do que muitos cristãos, mas é como se vivessem sobre esta rocha à mercê do tempo, desabrigados sobre um firme piso nú sem sentido. Entre eles e aqueles que dizem “Senhor, Senhor” mas não praticam o que Cristo disse, devem se posicionar os cristãos, lembrando-se de fundamentar bem a sua fé com a prática – e também de oferecerem a casa que são as palavras de Cristo, tanto aos que vivem sobre uma rocha nua, quanto aos que vivem sobre a areia, abrigados ou não.<br/></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Quarta-feira da primeira semana do Advento</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19l346-quarta-feira-da-primeira-semana-do-advento</guid>
      <pubDate>Tue, 03 Dec 2019 12:46:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/12/2019</p><p>Os sentimentos se parecem com água e comida em muitas coisas.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Terça-feira da primeira semana do Advento</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19l345-terca-feira-da-primeira-semana-do-advento</guid>
      <pubDate>Sun, 01 Dec 2019 19:36:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/12/2019</p><img width="600" alt="" src="/midia/19l345-terca-feira-da-primeira-semana-do-advento.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/b4391-1575229108236125-0.jpg">    [https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/b4391-1575229108236125-0.jpg]  </a><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/3119f-1575229103389944-1.jpg">    [https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/3119f-1575229103389944-1.jpg]  </a><p>
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>segunda feira da primeira semana do Advento</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19l344-segunda-feira-da-primeira-semana-do-advento</guid>
      <pubDate>Sun, 01 Dec 2019 19:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/12/2019</p><img width="600" alt="" src="/midia/19l344-segunda-feira-da-primeira-semana-do-advento.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/75200-1575228752044890-0.jpg">    [https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/75200-1575228752044890-0.jpg]  </a>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Primeiro domingo do Advento de 2019</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19l343-primeiro-domingo-do-advento-de-2019</guid>
      <pubDate>Sun, 01 Dec 2019 11:44:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/12/2019</p><p>Nem toda a gambiarra é pecado, mas todo pecado é uma gambiarra. Adão e Eva, que não conheciam a morte, arriscaram facilmente a vida eterna em troca de uma fake news – a serpente disse a verdade sobre o conhecimento que daria comer o tal fruto proibido, e diante desta expectativa, radiosa como como a visão do fruto, foi fácil ignorar a parte do  “oh, não morreireis” (Gn 3,4), pois Deus disse a verdade, e a serpente, a mentira seguida de uma constatação verdadeira e inegável. A acusação mais ou menos frequente contra Deus, de que sonegou um conhecimento e por isso foi bem-feito que a serpente corrigiu esta sonegação é deste tipo de meia-verdade, aliás; pois Deus não sonegou o conhecimento quando permitiu que eles comessem tudo o que houvesse no Jardim do Éden nem escondeu a existência da árvore-do-conhecimento-do-bem-e-do-mal, mas só pediu que ninguém comesse do seu fruto. A gambiarra foi Adão e Eva julgarem que a serpente deveria ter razão sobre a morte, pois tinha razão sobre a expectativa de conhecimento contida no tal fruto.<br/>A polarização política atual é apontada como um problema sério etc., mas é outra meia verdade do tipo “oh, não morrereis”, pois encobre sistematicamente o ódio vivido como “ódio verdadeiro justificado” direcionado contra o outro polo, seja qual for este polo. O surto de histeria coletiva atual é fruto apenas do ódio, e não da polarização – embora o problema não seja o ódio pura e simplesmente, mas um ódio sistemático, explorado na divulgação de ideias que certamente farão o outro lado sentir muito ódio (seja o elogio ao AI-5, seja o empoderamento das minorias, por exemplo).<br/>O retorno de Cristo, imprevisível como um assalto, é negado de duas maneiras: uma é não contar com a possibilidade deste retorno ou, igualmente, colocá-la muito no futuro, e a outra, colocando-a no presente.<br/>Se Cristo não voltará  ou se voltará daqui a 200 anos, então não há problema em ignorá-lo; e se Cristo voltará amanhã ou dentro de cinco minutos, também não há problema em ignorá-lo, pois não adianta fazer mais nada.<br/>A verdade é que “na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá” (Mt 24, 44) e, portanto, o conhecimento do futuro, negado por Deus, é transformado em previsões de inovadoras ditaduras das minorias ou de reedições de velhas ditaduras.<br/>Se Cristo estivesse a caminho, a uma distância indeterminada, seria mais lógico promover o bem que ele traz consigo. Mas como Cristo não vem ou já chegou  e a maioria ainda não viu – uma gambiarra em forma de crença – todo o ódio aparenta a leveza de uma inconsequência inócua: já que afinal conhecemos o bem e o mal, podemos impor o primeiro e combater o segundo, seja porque Cristo vai demorar, seja porque já não há amanhã.<br/>Entre o imprevisto retorno e o improviso do ódio, ceder ao medo é tomar partido da serpente das meias-verdades reeditadas como as fake news “de que tanto tem se ocupado a imprensa” (O Circo Místico).</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Lc 16,1-8</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 08 Nov 2019 13:19:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>08/11/2019</p><p>O cristianismo é uma religião em nome da qual já se fez muitas coisas boas e más (inclusive coisas suspeitas, que ainda não temos como saber se foram boas ou más).<br/>Por isto mesmo é necessária a conversão do coração, que depende da interação entre Deus e o coração humano, pois sem isto até mesmo o “amai-vos uns aos outros” pode se traduzir em uma maldade.<br/>Se até mesmo as mensagens mais explícitas (“amai-vos…”) podem ser usadas para o mal, o que dirá Lc 16,1-8!<br/>Um administrador desonesto (nas palavras de hoje: corrupto) é descoberto, ganha um aviso-prévio, e aproveita este tempo de aviso prévio para roubar ainda mais o patrão bajulando os credores dele. E o patrão ainda aplaude.<br/>Jesus Cristo enlouqueceu nesta passagem! Ou Lucas esqueceu de acrescentar alguma coisa: uma reprimenda de Cristo ao administrador, uma recomendação de que não ajamos como ele, qualquer coisa!! Mas não, tudo o que Cristo tem a dizer é que os filhos deste mundo são mais prudentes no trato com seus semelhantes do que os filhos da luz.<br/>Mas talvez a ideia seja ressaltar a predominância do bem. O administrador desonesto não deve ter conseguido muita coisa com a sua desonestidade, pois o patrão descobriu até este último ato (se o patrão elogiou a esperteza do administrador é porque deve ter descoberto, e embora talvez tenha deixado prá lá a fraude, porque teria demitido o administrador pra começar?)<br/>Cristo não está dizendo “roube para fazer caridade com o dinheiro roubado”, mas sim “trate bem os outros”. A desonestidade do administrador fez mal a ele mesmo e fez bem aos outros. <br/>Como mais adiante Cristo vai dizer que quem é infiel no pouco também será infiel no muito, pode-se supor que se um um bem resultante de um mal é elogiável, quanto melhor será um bem resultante de um bem.<br/>Então o bem predomina, porque Deus é maior e mais forte do que o mal. Mas a máxima de que os fins não justificam os meios ainda vale: usar meios maus para resultar em um bem dá no mesmo que colocar barreiras à ação de Deus, o que não vai impedir Deus de usar até o mal para fazer resultar dele um bem, mas quem põe as barreiras arrisca o próprio pescoço. Agir contra Deus não vai impedir Deus mas vai prejudicar quem antagoniza Deus; agir a favor de Deus também não vai impedir Deus (é óbvio) mas vai ser benéfico para quem o ajuda: se até do mal Deus tira coisas boas, o que dirá do bem!<br/>Não é necessário fazer o mal para tratar bem os outros. Mas se é possível fazer o bem com destrato (uma esmola dada de cara feia, por exemplo), o bem vai ficar ainda melhor feito com bom-trato.<br/> (E eu tenho que voltar às aulas de português para relembrar as sutis diferenças entre bem e bom e entre mal e mau).</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Lc 14, 25-33</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19k341-lc-14-25-33</guid>
      <pubDate>Wed, 06 Nov 2019 16:31:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/11/2019</p><p>É possível dizer alguma coisa desta passagem do Evangelho além do que Cristo já disse, que é necessário o desapego a tudo aquilo que não seja o próprio Cristo para poder segui-lo?</p><p>Talvez menos importante seja uma reflexão sobre os dois exemplos de renúncia, do operário da torre e do rei ante uma ameaça de guerra.</p><p>Ambos estão a um passo do desconhecido: a torre não existe ainda, é só um projeto, e a guerra ainda não começou, embora o exército adversário já se aproxime. Diante dos dois há duas possibilidades: o sucesso e o fracasso. E eles têm a expectativa de sucesso, seja ver a torre construída, seja ver o exército inimigo derrotado.</p><p>Esta expectativa é posta em dúvida e ela que poderia ser ignorada por uma visão estreita ou pelo desejo imoderado de sucesso. Tal ignorância é um apego cego às próprias metas e objetivos no caso do operário e à vitória no caso rei. </p><p>Cristo aponta a necessidade de que os.dois verifiquem as condições de suas iniciativas para se certificarem de que não serão frustrados, pelo menos, por algo que poderia ter sido previsto se tivessem parado para refletir por um momento antes de se jogar à ação.</p><p>O operário da torre precisa considerar a possibilidade de não vê-la construída, talvez não agora, talvez nunca. O rei precisa considerar a possibilidade de não vencer e garantir a paz pela negociação diplomática. Os dois casos implicam renunciar aos projetos e objetivos muito importantes em prol de algo ainda mais.importante: a paz que vale mais.do que a vitória, e a aceitação dos próprios limites diante da falsa autosuficiencia.</p><p>O grande impasse em que este trecho do Evangelho nos coloca é: “mas como renunciar à família e à vida se ambas são importantes???” – lembrando que a própria Igreja ensina que a família e a vida são um projeto de Deus.</p><p>Estaríamos dentro de uma armadilha se não fosse Cristo. Pois estes – e todos os outros – projetos são pautados por Deus, e nós que tocamos estes projetos precisamos fazer isto seguindo Jesus e não os nossos narizes.</p><p>Aquilo de que nos desapegamos para seguir Jesus pode ser bom ou mau (e é bom no caso da família e da vida), e se nos apegamos em primeiro lugar a Cristo (“buscai primeiro o Reino de Deus”) isso não significa jogar todo o resto no lixo. Significa, sim, relacionar-se com tudo (inclusive com a família e a própria vida) conforme as condições desejadas por Deus, e não conforme nossos próprios juízos e convicções. </p><p>Ressignificar tudo partindo de Deus implica em abandonar os próprios.valores e isto dói, mas valorizar as coisas a partir desta ressignificação fará delas o que sem Deus não poderíamos fazer: torná-las coisas divinas sem que deixem de ser, ao mesmo tempo, humanas.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Sábado da 25ª semana do Tempo Comum</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19i340-sabado-da-25a-semana-do-tempo-comum</guid>
      <pubDate>Sat, 28 Sep 2019 10:53:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/09/2019</p><p>Na primeira leitura, o segundo anjo diz, da parte de Deus, que a população precisa ficar sem muralha, e que Ele próprio será uma muralha de fogo em torno dela; e mais para o fim da leitura, afirma que habitará no meio dela.<br/>No salmo se repete esta promessa de habitar no meio da população, quando diz que quem dispersou Israel vai congregá-lo, e o guardará qual pastor ao seu rebanho.<br/>No Evangelho, Cristo anuncia que será entregue nas mãos dos homens, logo depois de lermos que todos estavam admirados com o que Jesus fazia.<br/>A admiração do povo poderia levar os apóstolos a um triunfalismo, uma possibilidade que Jesus golpeia com o anúncio de sua morte. Anunciando previamente que iria morrer, Cristo fica sem muralha: ele deixa que o Senhor seja a sua muralha, como diz o segundo anjo na primeira leitura.<br/>O possível triunfalismo é, se efetivado, uma tal muralha.<br/>Talvez seja entregando-se assim a Deus, ao abrir mão das próprias muralhas e deixando que Deus seja a nossa proteção, que possamos nos abrir para que Deus nos guarde qual um pastor ao seu rebanho.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Imanência e transcendência</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19i339-imanencia-e-transcendencia</guid>
      <pubDate>Fri, 27 Sep 2019 11:31:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/09/2019</p><p>     Quando o Papa Fransciso escreveu, antes do pontificado, que “… na base de toda atitude corrupta há um cansaço de transcendência … Esse seria um primeiro traço característico de toda corrupção: a imanência.” (Bergoglio, 2013, p. 18) fui pego de surpresa.</p><p>___________________________</p><p>– Bergoglio, 2013: Bergoglio, J.M. Corrupção e Pecado. Editora Ave-Maria, 2013<br/>– Beauvoir, 1967: Beuavoir, S. de. O Segundo Sexo (A Experiência Vivida). Gallimard, 1967. <br/>– Deleuze e Guatarri, 2000: Deleuze, G. e Guatarri, F. O que é a Filosofia. Editora 34, 2000.
<p>p { margin-bottom: 0.25cm; line-height: 115%; background: transparent none repeat scroll 0% 0%; }</p>
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Fase minguante</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19f338-fase-minguante</guid>
      <pubDate>Sat, 15 Jun 2019 13:11:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/06/2019</p><p>Eu sempre achei que um dia daria certo na vida. Bem, nem sempre. Houve um tempo que isto não importava, em que eu apenas vivia, fazia o que tinha para fazer e deixava pra lá o que não dava. Simples assim.</p><p>Depois, sabe-se lá porque, eu comecei a querer. E a não conseguir. E desde então, agora sim, eu achei que um dia daria certo na vida. E nunca deu. </p><p>Na maior parte das vezes tudo dava errado antes de começar, era frustrante e dolorido e a vida seguia. Noutras vezes, a menor parte delas, as coisas começavam dando certo mas tudo dava errado no final. E era talvez até pior a frustração e a dor nesses casos.</p><p>Depois começou a piorar, e foi ficando cada vez pior. Até eu chegar no fundo do poço. Um poço bem fundo.</p><p>Deus foi quem se apresentou para me resgatar, e eu pensei que, desta vez daria certo enfim.</p><p>Mas parece que, afinal, Deus não me resgatou para que as coisas dessem certo, e sim somente para que eu não morra no processo.</p><p>Há um mérito gigantesco em quem, tendo sucesso na vida, escolhe Cristo em detrimento do sucesso que tem. Isso serve como testemunho. No meu caso, porém, o melhor que eu faço é me apagar.</p><p>Isto seria grave e perigoso em outra época, porque este apagamento seria literal. Mas não é o que acontece agora.</p><p>Eu apenas não pretendo mais ir além do que a vida pede: trabalhar, mandar dinheiro para as crianças, manter um contato, receber quem tem que receber, e não esperar quem não veio ainda. E não esperar o que não veio ainda.</p><p>Eu não sou grandes coisas. Sigo Cristo não como algum dos apóstolos, mas sim como um anônimo. Alguém sem nome que está lá.</p><p>Não é que eu esteja me retirando para o anonimato: eu nunca saí dele e sobrevalorizo as migalhas de sucessos medíocres que já tive. Sempre fui o personagem do Poema em Linha Reta do Fernando Pessoa, mas não tanto pela vileza, que vilões também são sucesso hoje em dia, mas pela mesquinharia da vileza. Não vil por ser mau, mas por ser pequeno, pouco, apagado.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Salmo 7, 11-16</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19e337-salmo-7-11-16</guid>
      <pubDate>Tue, 21 May 2019 15:59:18 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>21/05/2019</p><p>Se o cristianismo avançasse sobre a política as coisas não iriam melhorar como que num passe de mágica.</p><p>Mas seria um lastro melhor do que o atual, a cobiça. Principalmente a financeira, mas a política tem sido movida pela cobiça em geral.</p><p>Esta cobiça que agora se volta para o cristianismo e faz a política avançar sobre ele como uma fera pronta para dilacerar sua presa.</p><p>Esta fera, a política, não sabe distinguir uma coisa da outra, porém, e é por isto que não vê que o cristianismo é outra coisa, e não isto sobre o qual avança, dilacera e consome.</p><p>Neste furor ensandecido, sem querer, a fera consome aquilo que, de outro modo, permaneceria colado ao cristianismo tentando sempre se identificar com ele. Não que a fera – nem a cobiça que a atiça – mereça os parabéns, mas talvez seja Deus tirando algo bom de algo mau (o que, não custa repetir, não legitima o que é mau).</p><p>Acho que esta fera está comendo o messianismo, a teologia da prosperidade, a teologia da libertação, o personalismo, e sei lá o que mais grudou no cristianismo como sacolas plásticas grudam em um animal marinho.</p><p>Não acho que já seja a separação do joio e do trigo, que afinal de contas será feita por só no final. Mas acho que seja uma limpeza superficial – e imprescindível, apesar de superficial.</p><p>Quanto aos servos da cobiça, talvez sirvam os versículos 15 e 16 do salmo 7:</p><p>“Eis que o ímpio concebeu a iniqüidade, engravidou e deu à luz a falsidade. Um buraco ele cavou e aprofundou, mas ele mesmo nessa cova foi cair.”</p><p>Os versículos imediatamente anteriores (13 e 14) deste mesmo salmo se aplicam, eu acho, a estes servos da cobiça: “Se para ele o coração não converterem, preparará a sua espada e o seu arco, e contra eles voltará as suas armas. Setas mortais ele prepara e os alveja, e dispara suas flechas como raios.”</p><p>Acho que estas setas mortais e as armas que Deus volta contra os ímpios são aquilo descrito no versículo 16, a queda na cova cavada por eles mesmos. Quem não converte seu coração a Deus cai no buraco que cavou e esta conseqüência automática são as tais armas. “O Deus vivo é um escudo protetor, e salva os que tem reto coração” (Sl 7, 11) é o que Deus – o escudo protetor – faz deixando a fera consumir o que não é cristão no cristianismo, e a salvação dos que tem reto coração é o que acontece aos caídos na cova que eles mesmos cavaram, desde que a queda os leve a converterem o coração.</p><p>Talvez eu esteja só projetando o que mais ou menos foi até aqui a minha vida (concebi a iniqüidade, engravidei e dei uma à luz a falsidade, cavei e aprofundei um buraco no qual eu mesmo fui cair, etc.); talvez eu esteja projetando minha história pessoal na política nacional.</p><p>Mas quem garante que não é a política nacional reproduzindo minhas burrices pessoais?</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Uma “Navalha de Occam” cristã</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19e336-uma-navalha-de-occam-crista</guid>
      <pubDate>Fri, 10 May 2019 10:35:54 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/05/2019</p><p>Pelo que eu entendi (com ajuda <a href="https://cadurinaldi.wordpress.com/2010/09/22/sacrifcios-do-antigo-testamento-lei-que-se-refere-aos-sacrifcios-aos-sacerdotes-s-festas-e-outras-solenidades-tanto-civis-quanto-polticas/">deste texto</a>) dos sacrifícios que o povo de Israel oferecia conforme as indicações de Moisés, a carne dos animais oferecidos em sacrifícios de ação de graças deveria ser, pelo menos em parte, comido.</p><p>Quando Cristo informa que para ter para ter a vida é necessário comer a sua carne e beber o seu sangue, acho que é um dos pontos em que ele está “não abolindo a lei, mas levando-a à perfeição”.</p><p>Se antes era a carne dos animais que deveria ser consumida, agora é a carne de Cristo, oferecido de uma vez por todas, que deve ser consumida.</p><p>Aparentemente, o sangue dos animais era aspergido sobre o altar e, fora isto, era jogado fora, porque se considerava algo parecido com a vida estar no sangue e ninguém iria beber a vida dos animais (é nisto que as Testemunhas de Jeová ainda se apegam para proibirem doação e transfusão de sangue). Mas o sangue de Cristo é, segundo ele, para ser bebido, e acho que é neste mesmo sentido.</p><p>A Igreja Católica fez destes mandatos de Jesus o sacramento da eucaristia, que são, ao mesmo tempo, símbolos e realidades de fé – ou seja, não são carne e sangue materiais, mas sim materializadas, pela fé, no pão e no vinho (não pela fé no pão e no vinho, e sim em Cristo). Pois se fosse de outro jeito, o que conhecemos como Sagrada Comunhão seria apenas uma refeição macabra.</p><p>Aqueles sacrifícios de animais, complexos e caríssimos (imagine sacrificar diariamente um bicho, num tempo em que não havia o abate em massa industrializado que há hoje) foram elevados à perfeição por Cristo justamente porque eram representações antecipadas do sacrifício único de Cristo. Se não fosse assim, Deus seria um Deus indeciso e confuso, ora ordenando sacrifícios cheios de regras, ora dizendo que não precisa nada disso. E, além de tudo, não deixa de ser mais elegante uma hóstia do que um boi ensanguentado.</p><p>Sem esvaziar o que há de doutrinário e de conteúdo de fé nesta transformação dos sacrifícios em eucaristia, esta passagem de sacrifícios complexos e caros para algo simples e cotidiano (pois é mais comum encontrar alguém que comeu um pão do que alguém matou um boi) serve como metáfora para simplificar as coisas na vida. Não uma simplificação redutora, que é a que ocorre quando se tenta tirar Deus da jogada, mas uma simplificação libertadora, estilo uma Navalha de Occam, que só funciona adequadamente com a necessária participação de Deus.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Paz de Cristo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19e335-paz-de-cristo</guid>
      <pubDate>Sun, 05 May 2019 18:14:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/05/2019</p><p>“Senhor Jesus Cristo, que dissestes aos vossos apóstolos: eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz; não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima a vossa Igreja. Dai-lhes, segundo o vosso desejo, a paz e a unidade, vós que sois Deus com o Pai e o Espírito Santo. Amém.</p><p>…</p><p>Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós. <br/>Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós. <br/>Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, dai-nos a paz.”</p><p>Há anos atrás, neste trecho da missa o meu choro era líquido e certo. <br/>Passava a parte do “confesso a Deus todo-poderoso…” e eu seguia firme. Passavam as leituras, às vezes emocionantes, e eu seguia firme. Passava a consagração do pão e do vinho (“na véspera de Sua Paixão ele tomou o cálice…” também é propício a lágrimas e choradeiras para um coração angustiado) mas eu ainda assim seguia firme. Seguia o restante da oração eucarística, pela Igreja, pelos nossos irmãos, pelos mortos (outra oportunidade de choro), e eu nada.</p><p>Mas bastava chegar no “Senhor Jesus Cristo, que dissestes…” eu já pensava “não eu não vou chorar” para chegar no “dai-nos a paz” chorando.</p><p>Nesta época eu não tinha o que comer nem onde morar (e só fazia essas coisas graças ao favor alheio), não tinha dinheiro para mandar para a minha filha (depois veio o bolsa-família, até me arranjarem um emprego), e nem sabia se eu iria vê-la, pois não sabia o que seria dali em diante.</p><p>Embora eu passasse desapercebido pela vida, eu estava em um reequilíbrio contínuo, num desespero constante diante do qual eu só podia tentar buscar um mínimo de auto-controle para não deixar tudo (eu, no caso) ir pelos ares. Todos os dias eu comia “o pão das lágrimas” e bebia “um pranto copioso”.</p><p>A paz que Cristo oferece, pelo que posso perceber, não é aquela “Pax Romana”, semelhante à dos cemitérios, mas é uma paz interna. Não depende de se estar em um terreno em paz, mas a própria pessoa se torna um território de paz enquanto transita em diferentes terrenos.</p><p>De vez em quando esta paz se abala. Não é que a minha paz fique abalada mas é a Paz de Cristo em mim que eu começo a retirar do meu território – sem querer, quase que imperceptivelmente. E na missa, nesta parte do Cordeiro de Deus, as lágrimas vem mais ou menos como o arco-íris, para recordar: recordar, neste caso, o passado (cujas cicatrizes ainda eu sinto) e o pedido atendido, qual seja, a paz.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Notas #1</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19e334-notas-1</guid>
      <pubDate>Sat, 04 May 2019 11:59:51 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>04/05/2019</p><p>#1 Os padres do deserto, que são a origem do monaquismo, foram uma conseqüência do fim da era dos martírios encerrada por causa da legalização do cristianismo, transformado em religião do Império.</p><p>#2 O martírio era uma demonstração de fé em Deus que a Igreja aprovava, embora proibisse que fosse provocada intencionalmente.</p><p>#3 Com a incorporação do cristianismo ao “sistema”, acabaram as perseguições e o monaquismo foi a maneira que as pessoas encontraram para demonstrar o desapego ao mundo.</p><p>#4 O que não é uma “crítica” ao mundo (que, afinal, foi criado por Deus) mas sim ao apego exagerado ao mundo. Com a vantagem de dispensar a crueldade dos martírios (e suponho que Deus, embora valorize aqueles martírios, desaprove qualquer crueldade).</p><p>#5 Esta crítica ao apego exagerado ao mundo pode ser vivida, hoje em dia (estamos em 2019) inserida na sociedade, vivendo nas periferias sociais (tanto literal quanto metaforicamente).</p><p>#6 A falta de estrutura e o descaso administrativo e político para com as periferias é muito ruim e não merece nenhum elogio, mas sim o combate. Esta vivência religiosa nas periferias é outra coisa: a renúncia ao conformismo com o pecado.</p><p>#7 Mais precisamente: não se conformar (ao e) com o pecado, o que não implica em viver aprontando o dedo ao pecado alheio, e sim em viver e buscar viver fora das estruturas, esquemas e sistemas de pecado. Ou seja, corrigir o pecado em si e não nos outros, porque esta correção fraterna cabe à Igreja.</p><p>#8 Senão continuamos vivendo apontando os ciscos no olho alheio e cegos à trave que está no nosso olho.</p><p>#9 E, além disto, a denúncia silenciosa e inconsciente que emerge do exemplo é quase sempre mais impactante do que falar, falar e falar (porque falar, qualquer um fala).</p><p>#10 Enfim, não se trata de querer dar um exemplo, mas de agir em silêncio, e deixar que Deus fale o que, a quem, e como quiser porque nós não estamos em condições superiores uns aos outros para nós arrogarmos ser sua voz – e, sim, somos suas criaturas para ouvi-la quando ele fala.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Espiritualidade</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19d333-espiritualidade-2</guid>
      <pubDate>Tue, 30 Apr 2019 13:10:59 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>30/04/2019</p><p>“Espiritualidade” sempre foi, para mim, uma palavra tão cheia de sentidos que acabou se tornando sem nenhum conteúdo, como uma nuvem carregada que se evaporava antes de poder chover.</p><p>É uma palavra parecida com “política”, “filosofia”, “arte”, etc., cuja semelhança é ter muitos sentidos ao mesmo tempo que não tem sentido nenhum.</p><p>São palavras que se prestam a preencher discursos que geralmente se prestam a tentar manipular ideias e quem as ouve, exceto, talvez, quando quem faz o discurso deixa claro as premissas do seu pensamento.</p><p>Para este tipo de palavras vale o que a introdução do curso de <strong>Doutrinas Políticas: Novas Esquerdas</strong> diz sobre as grandes correntes de pensamento político, afirmando que estas “não são objetos que possam ser estudados a partir de uma definição clara, unívoca, aceita por todos. Adversários e partidários têm interpretações diferentes de cada corrente, e mesmo no interior de cada uma delas encontramos divisões importantes.”</p><p>Ou seja, quero dizer que “espiritualidade” (assim como “arte”, “política”, etc.) não são palavras que tenham “uma definição clara, unívoca, aceita por todos” e, por isto, é necessário partir sempre de uma perspectiva parcial, e é nesta parcialidade que mora o perigo de manipulação: mais precisamente, na omissão desta parcialidade.</p><p>Eu apenas estudo teologia e, portanto, sou ainda mais parcial do que a maioria, porque estou partindo da perspectiva da faculdade que estou cursando (quer dizer: eu não posso nem dizer que falo a partir de uma perspectiva católica, mas sim de uma perspectiva que pretende estar compreendida dentro daquilo aceito pela doutrina católica, sem no entanto representar a doutrina e também sem ser a única perspectiva possível dentro das perspectivas possíveis no interior da doutrina).</p><p>Filtrando ainda mais um pouco esta parcialidade, isto é o que eu entendi daquilo que li e ouvi nesta disciplina do curso, e que para mim pareceu maravilhoso.</p><p>A espiritualidade cristã se compõe de ideias e práticas nascidas do encontro com Cristo, e é a partir de Cristo que esta espiritualidade pode ser vivida. Embora ela tenha, necessariamente, um aspecto interior, a espiritualidade não existe se não manifestar-se em uma prática na qual se inclui a oração mas que não se detém nela.</p><p>Esta prática foi muitas vezes omitida, mas hoje se entende que a espiritualidade exige que a relação com Deus interfira também na relação com o outro (ou com o próximo): o encontro com Cristo permite que Cristo nos revele Deus e nesta revelação também se revela a condição de criaturas de Deus que todas as coisas possuem; as outras pessoas, principalmente, foram criadas por Deus, e portanto a mesma dignidade e valor que uma pessoa descobre em si a partir do encontro com Cristo também está nas outras pessoas, igualmente criadas por Deus com o mesmo valor e dignidade.</p><p>Assim como as pessoas, todo o resto foi criado por Deus e merece o cuidado necessário com algo criado por Deus, seja o planeta, o meio ambiente, os animais e também aquilo produzido pela humanidade (pois o que uma pessoa, criatura de Deus, produz, ela produz a partir de outras coisas criadas por Deus, incluindo aí sua inteligência, mas também os materiais que usa).</p><p>A espiritualidade cristã, portanto, incide também sobre corpos: o próprio corpo e o corpo alheio, e toda a matéria com a qual temos contato. Houveram correntes de pensamento (maniqueísmo, gnosticismo, etc.) que tentaram “criminalizar” a matéria, mas a espiritualidade cristã se estende a ela.</p><p>Quando Cristo prioriza a alma em detrimento da carne, ele não está condenando-a: se estivesse, não teria assumido um corpo e nem, ainda por cima, ressuscitado com o próprio corpo. Mesmo corrompida pelo pecado (exceto no caso de Cristo e, por graça de Deus, da Virgem Maria), a carne é uma criação divina a ser restaurada na vinda definitiva de Cristo. Por isto que, se por um lado, não vale a pena ganhar o corpo e com isto perder a alma, por outro lado, este predomínio da alma sobre o corpo é apenas na medida em que o corpo-corrompido não leve a perder a alma cuja fidelidade a Deus permitirá que o próprio corpo seja restaurado na ressurreição. A alma não conduz o corpo como quem carrega um fardo inútil e descartável, mas o ser humano, dualizado pelo pecado, precisa priorizar a alma para que ambos, corpo e alma, tenham a sua unidade restaurada no futuro. Portanto a inferioridade da carne é temporária porque será restaurada (não exatamente como a carne de Cristo mas à semelhança do que se lê nos evangelhos sobre seu corpo glorificado na ressurreição), bem como a unidade entre o corpo e a alma que também será restaurada.</p><p>Assim, tão importante como deixar a alma prevalecer sobre o corpo, é importante que a espiritualidade se estenda ao corpo, pois se queremos que Cristo salve o mundo, precisamos preservar este mundo para que Deus tenha o que salvar. O mundo – a carne – não leva à salvação, mas a espiritualidade precisa levá-los à salvação junto com a alma.<br/>
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Sobre Jo 3, 1-8</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19d332-sobre-jo-3-1-8</guid>
      <pubDate>Mon, 29 Apr 2019 10:24:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>29/04/2019</p><p>Santa Catarina de Sena, a julgar pelo artigo da Wikipédia em português sobre ela, foi uma santa que passou a vida sempre atribulada. Por isto me identifico com ela.</p><p>Isto começa com o evangelho de hoje, que é o diálogo de Jesus com Nicodemos sobre renascer do alto etc. No fim, Cristo diz que o Espírito sopra onde quer e ninguém sabe de onde vem e nem para onde vai.</p><p>A minha vida parece ser marcada não tanto por eu não saber de onde venho (embora às vezes eu esqueça isto de onde vim) mas sim por eu não saber para onde vai. Esta indeterminação quase absoluta não é um tipo de “selo de santidade” que me qualifique como santo, nem serve como sinal de Deus. Talvez possa ser estas duas coisas, mas o que eu vejo nisto é apenas uma condição pessoal que às vezes eu gosto, às vezes eu odeio, mas que está sempre presente independente de eu gostar ou não. </p><p>Tal indeterminação geralmente me dá medo, principalmente nas minhas crises pessoais. Aliás, uma das passagens da Bíblia que sempre me amedrontou foi esse diálogo com Nicodemos justamente por conta desse assunto do Espírito que sopra onde quer etc. A minha busca intensa na astrologia sempre foi uma tentativa de fuga desta indeterminação: conhecer o meu mapa astral a fundo e acompanhar o movimento astrológico diário para ter uma base sobre a qual calcular meus passos e saber exatamente para onde estou indo (imagine querer resolver algum problema importante numa terça-feira regida por Marte sabendo que no meu mapa Marte é retrógrado e, ainda por cima, está em detrimento em Touro… melhor nem sair de casa!). Rompi com a astrologia, no fim das contas, não por não acreditar nela, mas sim num gesto simbólico, significativo para mim, de confiança em Deus. Guardadas as devidas proporções, rompi com a astrologia como Cristo aceitou ser crucificado. Apesar de que saber de antemão dos problemas nunca me impediu de evitá-los (porque aquela constante da literatura fantástica, a inevitabilidade dos percalços mesmo diante da presciência do futuro, vale para a vida real na medida em que a arte imita a vida). A astrologia funciona sim, mas não resolve e por isto acaba sendo uma perda de tempo. </p><p>Aí eu leio o artigo da Wikipédia sobre a santa e eu vejo que ela brigou com a família para não casar com o viúvo da irmã, depois cortou os cabelos por não se sentir obrigada a ficar bonita pra homem nenhum e, além disto, porque não queria casar de qualquer jeito, então levaram ela numa fonte de águas termais para ver se ela se curava de não sei qual doença (cujos sintomas eu acho que eram essa rebeldia contra os desígnios familiares), aí ela ficou doente de verdade e só melhorou quando deixaram ela virar freira como ela queria, mas até nisto ela não teve paz porque queria ser freira em um convento onde só se aceitavam viúvas e comprou outra briga para ser aceita lá. Depois de aceita, em vez de ficar quietinha no canto dela o resto da vida (apesar de ter ficado quietinha por algum tempo), ela voltou pra casa para ajudar os pobres, para o incômodo da família, e, além disto, se meteu na política que, no seu tempo, era muito misturada com a religião, pregando a reforma do clero e, ainda por cima, insistindo com o Papa que ele deveria voltar para o Vaticano (pois a Santa Sé tinha sido transferida para Avignon). Tudo isto só para explicar a minha admiração por ela: nestes tempos de defesa da família e dos bons costumes, é importante lembrar que rebeldia não significa jogar a família no lixo e que defender a família não significa defender “as pessoas na sala de jantar … ocupadas em nascer e morrer”. Santa Catarina rogai por nós.</p><p>Acho que não sou o tipo de pessoa talhada para viver sem medo, mas sim para conviver com ele e agir apesar dele. O medo me paralisou inúmeras vezes ao longo da vida (quando não me fez correr, mas fugindo e ainda por cima como quem corresse em cima de uma esteira). E não foram poucas as vezes em que me aconselharam a deixar de ter medo para fazer tal ou qual coisa. Eu tenho medo, medo de não ter dinheiro para mandar pra minha filha e pagar as minhas contas, medo que meus pais morram, medo que eu também morra, medo da dor, da doença, do desemprego e de ficar sem cigarro, sem internet e sem alternativas, eu sou um catálogo de medos. </p><p>Mas preferi o tortuoso caminho de não abandonar o medo e também não abandonar o movimento. Todas as minhas tentativas de abandonar o medo resultaram em abandonar meu coração, e (infelizmente) para mim é muito fácil ter um coração de pedra. Fácil demais.</p><p>Por isto toda esta importância que eu dou à história de Sta. Catarina de Sena, e a este evangelho de hoje, especialmente a passagem do Espírito que sopra onde quer e ninguém sabe de onde vem e nem para onde vai.</p><p>Eu não vou dizer “agora tenho coragem de seguir o Espírito para onde quer que ele vá”, ou de seguir Cristo sem reservas. Prefiro algo mais parecido com a resignação de Tomé quando ele diz “vamos, para morrermos junto com ele”. </p><p>Talvez um dia eu entenda esta alegria no sofrimento, pois sempre que eu leio sobre a graça de sofrer por Cristo, eu peço a graça de ficar junto de Cristo apesar do sofrimento, porque não consigo ver alegria nenhuma em sofrer (com todo respeito aos santos que se alegraram no sofrimento, eu espero poder passar pelo sofrimento sem desistir e depois eu me alegro). </p><p>E espero, enfim, aprender a conviver com esse futuro indeterminado e que eu não perca a cabeça e o coração, mas possa caminhar, ainda que seja mancando, junto com Cristo.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Buscai primeiro</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 29 Apr 2019 07:16:59 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>29/04/2019</p><p>Quando Jesus menciona o fim dos tempos, o faz por motivos pedagógicos, transmitindo a nós aquilo que o Pai lhe revelou. Ele não usa o fim dos tempos como uma ameaça, e sim como uma advertência integrada ao resto da revelação que nos faz.</p><p>Embora nós possamos ouvir ou repetir esta advertência como uma ameaça, este sentido ameaçador deveria ser secundário e passageiro.</p><p>Quem é que deseja ir para o céu às custas de uma ameaça? Converter-se para poder entrar no Reino de Deus pode se tornar um utilitarismo ineficaz, um reforço positivo para o bom comportamento, como “ganhar um fuscão no Juízo Final e diploma de bem comportado”, nas palavras de Gonzaguinha em Comportamento Geral.</p><p>A conversão do coração é uma condição para entrar no Reino, mas é necessário converter-se como quem aceita os valores do Reino por eles mesmos, e não tendo em vista o Reino: ao mesmo tempo mantendo a esperança de alcançá-lo e vivendo estes valores por eles mesmos, não como moeda de troca (como quem pudesse dizer “fiz tudo o que o Senhor mandou, agora exijo entrar”).</p><p>Idéias como a reencarnação ou o materialismo histórico (por mais bem intencionadas que sejam) são dois entre muitos protótipos da tentativa de auto-redenção que se amparam, eu acho, no utilitarismo cuja raiz é focar no medo da perdição em lugar de focar em Deus. Este foco no medo da perdição eterna pode ser, também, foco no desejo de ganhar, ou de ter vantagem, ou no orgulho, etc. Viver os valores do Reino é uma condição para adentrá-lo, mas é a redenção de Cristo que tanto nos franquia a entrada no Reino, quanto (inclusive) gera em nós estes valores.</p><p>Não podemos deixar de agir como se tudo dependesse de nós (como diz o adágio “devemos agir como se tudo dependesse de nós, e rezar como se tudo dependesse de Deus”), mas precisamos, primeiramente, aceitar que tudo depende de Deus.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A Liberdade e o mal</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19d330-a-liberdade-e-o-mal</guid>
      <pubDate>Fri, 26 Apr 2019 14:50:46 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>26/04/2019</p><p>Os planos de Deus são insondáveis, incompreensíveis e santos. Eles às vezes nos alegram, noutras vezes nos decepcionam; às vezes nos confortam, mas também podem nos rasgar por dentro.</p><p>O mal não é parte dos planos de Deus, e segundo o magistério da Igreja, é um mistério. Além disto, confiar em Deus, uma obrigação nossa, inclui confiar que Deus transforma o mal em bem mesmo que não se perceba isto, etc.</p><p>E isto é muito difícil.</p><p>Com frequência eu me irrito com os planos de Deus. Ao mesmo tempo em que eu agradeço ter sido poupado dos piores males (pelo menos até agora), passo os dias passando raiva pelos pequenos revezes cotidianos que vêm com uma certeza quase matemática e com uma frequência ininterrupta. E, claro, cabe a mim aceitar os males com a mesma gratidão com que aceito os bens (os quais, ainda por cima, são quase sempre aquém do que eu esperava…).</p><p>Mas tenho uma teoria (pois eu tenho teorias mais ou menos como MacGyver tinha um clips e um esparadrapo para montar uma bomba só com isto, ou então como o Batman sempre tem alguma utilidade no seu cinturão). Eu sempre tenho uma teoria.</p><p>A minha teoria é que Deus tem apreço pela liberdade, um apreço que vai a níveis (para nós) assombrosos. O maior exemplo: quando quiseram matar Jesus, Deus não impediu ninguém. Ele deu oportunidades para todos voltarem atrás: Pilatos estava decidido a soltá-lo, o povo poderia ter matado Barrabás, poderiam nem ter começado todo o processo. Deus deu várias oportunidades de voltarem atrás, mas ninguém quis aproveitá-las. E Deus não impediu ninguém. Alguém duvida que Cristo poderia ter impedido tudo com um estalar de dedos?</p><p>Mas as pessoas são livres. Se Sartre errou ao afirmar que Deus não existe, acertou em afirmar a liberdade aterradora que nos condiciona. Deus existe sim, mas nossa liberdade de decisão também. O porquê de Deus impedir certas ações e outras não (porque de qualquer modo só vemos a maldade que Deus permitiu passar, certamente contrariado, mas não fazemos ideia do que Deus impede, também, o que deve ser em número muito maior do que o que passa).</p><p>Eu li um livro, de um padre chamado Fortes, que é um romanceamento da guerra espiritual que culminou na queda dos anjos liderados por Lúcifer (um texto sem pretensões de veracidade). No fim, o diabo levou às piores consequências a estupefação diante do plano divino de deixar-se matar pelos seres humanos que criaria (quase como se tivesse rompido com Deus por excesso de zelo para com Deus). Mesmo que não tenha sido assim a história, eu sempre lembro dela quando me questiono se tamanha liberdade é uma boa ideia de Deus. Logo eu, um intransigente defensor da liberdade, me pego às vezes neste questionamento diabólico da liberdade (o mundo dá voltas, Marcelo).</p><p>O que estou querendo dizer, enfim, é que talvez o plano divino seja a liberdade e não o mal, mas o mal (sem pretender ter “resolvido” o Mistério do mesmo) é resultado de ações contra-libertárias humanas – de maldades humanas.</p><p>A liberdade inclui a possibilidade de impedir a liberdade, e aí entra a ética e a moral: Deus permite, contrariado, ações contra a liberdade, mas não as quer e por isto não devemos fazê-las. O mal que Deus permite, devemos (mesmo com o coração destruído, e como isto é indizivelmente dilacerados) aceitar – mas sem esquecer o seguinte: aceitar o desígnio de Deus.</p><p>Porque não é porque Deus permite, contrariado, a violência (por exemplo) que ela deve ser aceita. Aceitar a vontade de Deus é não se revoltar contra ele, mas não deixar o mal passar, e não estou me referindo aqui aos meus pequenos contratempos irritantes diários (seria muito melhor não tê-los, mas, enfim).</p><p>Aceitar a vontade de Deus é lutar contra o mal nos termos de Deus. Isto implica em se abster de combater o mal com o mal. A homossexualidade, por exemplo, é um pecado, mas a homofobia também é e o é muito mais claramente do que a homossexualidade. O aborto é um pecado mas a falta de assistência às grávidas, às mães, às crianças que nasceram e às mulheres em geral também é – e não adianta fazer um super-trunfo dos pecados e ficar calculando qual é o pecado mais pesado (pois não deveria ser mais fácil defender os fetos que ninguém vê do que as pessoas que nasceram e vivem em condições deploráveis, o que só não vê quem não quer). Aceitar a vontade de Deus não é fazer uma apologia à permissividade. Cristo censurou Pedro quando ele quis usar a espada e curou a orelha de um dos seus captores.</p><p>Então, por fim, espero que eu me lembre de não me revoltar com Deus, e de trabalhar em prol da liberdade.<br/>
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Escatologia</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19d329-escatologia</guid>
      <pubDate>Thu, 25 Apr 2019 13:41:17 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/04/2019</p><p>O cristianismo gira em torno de Cristo, para começar pelo óbvio. Logo em seguida, a experiência concreta (e real) de encontro com Cristo é o que sustenta o cristianismo. A teologia é secundária para viver este encontro – mas secundária não significa dispensável.</p><p>No meu caso, eu estudo teologia como um recurso de aprofundamento da fé: quando eu repito o pedido aprendido na Bíblia “eu creio, Senhor, mas aumenta a minha fé”, eu sei que cabe a Deus aumentá-la, mas a mim cabe “preparar o solo” porque Deus age habitualmente em conjunto com as nossas ações. E espero aumentar a fé para que este aumento se reflita em um acréscimo na caridade.</p><p>Isto me faz sentir um tanto quanto deficiente em relação a tantas pessoas que julgo não precisarem de tanta coisa para se abrirem à graça de Deus e serem caridosas, mas eu procuro fazer o que posso com o pouco que eu tenho.</p><p>O que eu estou estudando neste momento é a escatologia. O que eu pude perceber, em um primeiro relance sobre o assunto, foi que a escatologia, que trata sobre o fim dos tempos, tanto o pessoal (a morte) quanto o geral (a segunda vinda de Cristo).</p><p>Eu fiquei surpreso em perceber como um tema que eu sempre julguei ser uma mera curiosidade tem, na verdade, uma importância central: vivemos para morrer.</p><p>O medo da morte hoje em dia leva a respostas como a negação, desde não se preocupar com isto até a sistematizar esta despreocupação em algum tipo de agnosticismo, passando por procurar alguma fuga na ciência (como a esperança de que a clonagem possa preservar o indivíduo replicando-o, a preservação do cérebro, o congelamento do corpo na expectativa de que seja descongelado quando a ciência possa mantê-lo vivo indefinidamente, o mero rejuvenescimento, que é uma mistura de agnosticismo com fuga na ciência, pois as pessoas tentam, diante da perspectiva da morte, pelo menos chegarem nela parecendo jovens, etc.); sem contar o apoio em diversos tipos de pensamento, espiritualidades e religiões que sugerem perenizar o ser humano na terra (como xamanismo e afins – pelo menos foi o que me pareceu no contato com essas espiritualidades), ou no cosmos (como nestas espiritualidades “quânticas” e todas as que inserem o ser humano em um organismo cósmico), etc., etc., etc.</p><p>O cristianismo lida muito com a morte, e isto começa com o fundamento da fé cristã que, segundo são Paulo, é a ressurreição de Cristo – uma Ressurreição precedida pela morte inevitável a todos nós.</p><p>A ressurreição de Cristo é o ponto de partida de todo o trabalho que o cristianismo dá (a relação com Deus e o amor ao próximo dão trabalho, pelo menos para mim que não sou santo).</p><p>Essa promessa de ressurreição (pois Deus não se comprometeu a evitar que morrêssemos, mas sim em vencer a morte, o que faz na ressurreição) não é um mero reforço positivo (como um preciosíssimo biscoito premiando um comportamento exemplar), mas é o objetivo pelo qual existimos, ou melhor, é aquilo que Deus deseja para nós: viver para sempre na plenitude divina. Já podemos, é claro, viver esta plenitude agora, mas ainda assim, aos trancos e barrancos – que não estarão presentes, tais trancos e barrancos, na plenitude definitiva.</p><p>O estudo da escatologia, enfim, é (ele sim) o reforço para ter sempre na lembrança que, se a bagunça que é esta vida é inevitável (” no mundo tereis tribulações…”), atravessar essa bagunça junto com Cristo resultará naquilo que desejamos e que somente em Cristo está(rá) se realizando.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Primeiro post do blog</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19d328-primeiro-post-do-blog</guid>
      <pubDate>Thu, 25 Apr 2019 12:32:15 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/04/2019</p><p>Este é o seu primeiro post. Clique no link Editar para modificar ou excluir, ou então <a href="https://wordpress.com/post">comece um novo post</a>. Se preferir, use este post para informar aos leitores o motivo pelo qual você iniciou este blog e o que planeja fazer com ele. Se precisar de ajuda, fale com os usuários simpáticos nos <a href="https://en.support.wordpress.com/">fóruns de suporte</a>.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A chave da arte</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">19a327-a-chave-da-arte</guid>
      <pubDate>Mon, 14 Jan 2019 12:35:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/01/2019</p><p>A minha frustração artística é consequência imediata da minha falta de habilidade.<br/>Eu sou (no sentido de “me considero”) um … magistral. <br/>As reticências estão ali porque eu não sei o nome do que eu sou:<br/>Público: eu sou o público das artes, um integrante das massas anônimas que vêem, assistem, prestigiam, ouvem, etc as obras de arte alheias. Mas público é público: o público usa metrô, e eu não sou um passageiro de destaque; o público opina, e eu não me destaco nas minhas opiniões; o público, aliás, é público e eu, apesar de ser tão público, sou muito privado  (mezzo timidez, mezzo orgulho).<br/>Consumidor: eu poderia me considerar um grande consumidor da arte, mas aí pareceria que eu compro. O problema é que dificilmente eu gasto um centavo com arte. Não me orgulho disto, mas todo o meu dinheiro vai para filhos, aluguel, cigarro, transportes e comida  (e até a comida eu compro com va e vr, então nem gasto diretamente dinheiro em comida). Eu consumo vorazmente a arte com os sentidos e a mente, o que é virtuoso mas não movimenta o mercado.<br/>Espectador: seria o termo mais exato, mas me parece muito restritivo a espetáculos como circo e teatro. Soa como platéia, e para mim significa gente sentada nas cadeiras vendo e ouvindo os artistas.<br/>Leitor, ouvinte, fã: se restringem muito a determinadas áreas da arte. </p><p>Como se chama este ser passivo a quem a arte se dirige e em quem não produz arte depois que ela chega? </p><p>Além de não saber o que eu sou, eu não sei criar, e nem mesmo reproduzir externamente a arte. Ainda não encontrei a chave que abre a cela em que ela está presa dentro de mim. E talvez nunca a encontre.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Missas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 09 Jan 2019 12:38:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/01/2019</p><p>Uma das maiores vantagens de São Paulo é a facilidade de encontrar uma missa. Na área da arquidiocese (que é uma porção abrangente mas limitada da cidade, já que ela se divide entre quatro dioceses) dá para pesquisar missas pelo site da arquidiocese.<br/>Apesar de ter algumas coisas irritantes na busca do site, só o fato se ter esta busca é uma maravilha inigualável. <br/>Além disto, tem missas diariamente das 06:00 às 20:00, embora período entre 13:00 e 15:00 seja problemático – considerando que é um “bom problema”, já que em outros lugares do país a maioria das missas é uma às 07:00 e outra às 18:00 e por isto tem que se virar nos trinta até para ir na missa de domingo, o único dia em que tem mais horários de missa.<br/>Alguns colegas de trabalho acham muito bonito que eu vá na missa quase todos os dias, como se eu fosse um santo por isto, mas eu, particularmente, penso que se eu fosse santo aí sim é que não iria, porque nesse caso não precisaria. Aliás, é bem pelo contrário: eu vou na missa porque eu não sou santo, e acho que se pode medir a minha insantidade pelo tanto que eu vou na missa.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Sobretensão</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">18i325-sobretensao</guid>
      <pubDate>Sat, 22 Sep 2018 04:27:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>22/09/2018</p><p>Há vinte anos atrás eu fiz um curso de eletrotécnica no senai, e nunca dei muita bola para isto. Fui viver outras coisas, fiz filosofia, um monte de faculdades que eu não terminei. Aliás, um monte de vidas que eu ensaiei.</p><p>Depois de anos trabalhando sentado atrás de um computador, eu comecei a sentir que não iria mais conseguir viver daquele jeito – não que fosse ruim, mas não era para mim. A sensação que eu tinha era que precisava trabalhar com as mãos. Na verdade eu precisava era lidar com o público, e é isto que eu faço hoje: passo oito horas e meia em pé, atendendo dezenas de pessoas diariamente, e é maravilhoso (tem xingamentos? tem; tem frustrações? tem; tem medo? tem também), mas é maravilhoso mesmo assim.</p><p>Só que eu preciso de mais: gosto de atender, e gosto de eletricidade (aparafusar coisas, ligar um treco no outro, testar, calcular, etc.), então decidi (que rolem os dados) retomar a eletricidade na minha vida. </p><p>Não sei se vai dar certo: eu preciso descobrir o que mudou de 20 anos prá cá (esses dias eu vi um aparelho com quatro fases: no meu tempo só tinham três fases ou eu é que era mal informado?), e as normas de segurança, os nomes dos aparelhos, as coisas novas que surgiram são itens que eu decidi correr atrás.</p><p>Porquê escrever isto? Só para lidar com a ansiedade de um novo plano infalível para a minha vida.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Portfólio artístico</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">18i324-portfolio-artistico</guid>
      <pubDate>Fri, 14 Sep 2018 08:48:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/09/2018</p><p>Eu gosto de escrever, e isto é toda a minha arte.<br/>Arte… eu estou ligado à arte por caminhos indiretos: sem ser um artista, sou perpassado constantemente por ela, e às vezes foi ela quem moldou algumas ideias e sentimentos, que no fim se transformaram em ações, algumas das quais se confundiram com o meu “quem eu sou” interno.</p><p>Os caminhos que me ligam com a arte – passagens subterrâneas, trilhas sazonais, cruzeiros clandestinos – não fazem de mim um artista, mas me credenciam como público, no sentido de espectador. Nunca se sabe o que o artista quis dizer, mas eu sempre sei bem o que se apresenta diante de mim (“sempre sei” se incluirmos aí aquilo que meu coração sente, que é seu modo de pensar, sobre o que se apresenta).</p><p>Eu raramente desfruto daquele prazer de ver (ler, ouvir, etc.) e compreender o contexto histórico, estético, politico ou biográfico que têm as obras de arte (o conceito por trás das deformações cubistas ou a vida da Frida Kahlo que ressignifica cada imagem das obras dela, por exemplo), mas eu sei do (por)que eu gosto do que gosto e isto inclui a movimentação incessante das minhas opiniões, placas tectônicas em um lento mas irrefreável movimento.</p><p>A única arte acessível a mim é a escrita, talvez porque as letras já tenham suas formas e eu só tenha que organizá-las direitinho em palavras (que na maioria já estavam inventadas quando eu nasci) numa estrutura paralela à roda-viva das minhas ideias e sentimentos. Mas eu não sou um artista: sem entender nem mesmo o uso dos “porquês” ou a diferença que há entre “através de” e “por meio de” (mas domino o uso da crase, um orgulho que guardo como quem guarda o papel de um bombom que ganhou da garota amada há vinte anos atrás), gosto de certas palavras e às vezes vou testando palavras legais umas com as outras até elas fazerem todas juntas algum sentido.</p><p>E, por mais estranho que possa parecer – para mim – todo o resto (imagens, sons, texturas, cheiros, etc.) são palavras: eu ia mencioná-lo, mas não seria capaz de demonstrar a estranheza que é ler também com a pele ou os ouvidos. Talvez eu esteja chamando a leitura de arte e me considerando artista por isto. Mas neste caso, seria como ter obras expostas em uma galeria que só eu posso visitar, o que é muito excitante porém muito vazio.<br/></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A Bolha</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">18i323-a-bolha</guid>
      <pubDate>Mon, 10 Sep 2018 10:49:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/09/2018</p><p>Metade do que eu já vivi foi só imaginação, e se eu tivesse algum talento literário pelo menos teria uma carreira – que talvez não fosse de sucesso, mas eu preferia ser um escritor medíocre do que não ser um escritor.<br/>O mais interessante é que tudo isto não tem nada a ver com o que eu ia escrever, exceto a parte da imaginação.</p><p>Um dos assuntos recorrentes do meu imaginário são as reformas que a Igreja não promoveu: ordenação feminina, comunhão de divorciados, casamento homossexual, etc.</p><p>Normalmente eu imagino como este tipo de mudanças podem ser compatíveis com a doutrina católica, e também se são compatíveis – o que poderia ser, como de fato já foi um dia, um exercício de orgulho, pois eu pensava como se eu decidisse essas coisas, mas que se transformou num exercício (difícil) de humildade (que acontece depois, enquanto eu lembro a mim mesmo que são decisões que não cabem a mim, embora isto não me exima de pensar sobre os assuntos).</p><p>Geralmente eu concluo que das duas, uma: ou estas reformas nunca irão acontecer, ou irão, mss este não é o momento adequado; como Deus sabe o que faz, se não ocorreram é porque ele não quer que ocorram (seja agora, seja nunca), e como Ele não me faz confidências, eu só posso especular e mr esforçar para manter minhas especulações dentro do seu extrato especulativo (o que é óbvio, mas é difícil e este é o exercício de humildade).</p><p>A minha mais recente teoria/especulação é a seguinte:</p><p>Não importa, talvez porque não adiante, reformas na doutrina católica enquanto nós católicos vivermos dentro de uma bolha de virtuosidade cristã.</p><p>Eu vou na missa todo domingo, rezo alguma coisa todos os dias, mantenho o celibato há (pouco) mais de um ano e leio a Bíblia diariamente, mas tudo isto não deveria me dar a sensação de segurança que, no fim das contas, isto tudo me dá. Eu frequentemente me lembro, ou sou lembrado, de que tudo isto, que eu devo manter, não me coloca em uma posição privilegiada em relação “aos pecadores” (segue uma lista de motivos, porque eu adoro listas):</p><p>– porque quem me ([pronome] nos) salvou foi Cristo, e não minhas boas ações<br/>– porque mesmo as minhas boas ações podem estar impregnadas de erros (quem garante que o pacote de bolachas que eu comprei pro cara que me pediu comida na rua não vai virar moeda de troca na biqueira, enquanto que o outro, pra quem eu disse que eu não tinha nada, realmente fosse comer as bolachas e nem fosse usuário?)<br/>– os pecados que eu evito, os evito graças a Cristo, e não aos meus méritos (eu só giro a chave do carro, Deus é quem liga o motor e depois conduz o carro, e Deus sabe como é difícil pra mim até mesmo girar esta chave…)<br/>– eu precisei aceitar Cristo na minha vida para fazer as coisas que a maioria das pessoas faz sem precisar rezar todos os dias e ir na missa todo o Domingo (imagino as coisas incríveis que essas pessoas fariam se fossem um pouco mais religiosas, considerando o quanto já são incríveis sem estar comprometidas com Cristo)<br/>– mesmo os pecados que eu evito, ainda permanece um certo impulso para cometê-los; o que mais me incomoda nisto (além da incômoda batalha contra alguns impulsos) é ver o quanto me falta aceitar de coração o que eu já aceitei racionalmente (“na volta do barco é que [a gente] sente o quanto deixou de cumprir”), e é este item que encerra esta lista e põe o texto de volta no rumo da teoria/especulação.</p><p>Eu não sei se (e não acho que) nem todos nem a maioria dos católicos padeçam dos males do último item da lista, mas tenho a sensação de que uma boa parte de nós (universo “pesquisado”: a internet) viva como uma comunidade dos justos de Deus. <br/>Homossexualidade é pecado, aborto também – mas que moral eu tenho de apontar mesmo estes pecados nos outros? “Ah, mas o pecado deve ser denunciado” está certo, mas porque concentrar as denúncias na homossexualidade e não na promiscuidade que impera na heterossexualidade? </p><p>Eu, por exemplo, já fui mais promíscuo em todas as minhas (forever alone – poucas) relações (hetero) sexuais do que o que eu sei que fizeram a maioria dos homossexuais que eu conheci. </p><p>Como eu, que tudo o que faço pela minha filha é mandar dinheiro pra mãe dela, posso apontar o dedo para os pecados dela (a mãe) quando é ela quem cuida – todos os dias, o tempo todo – da menina tal e qual Deus cuida de todos nós? O dia em que a minha filha me perguntar se Deus sempre está conosco, o melhor exemplo que eu vou ter para dar vai ser a mãe dela (“olha minha filha, se a mamãe que é só uma pessoa como todo mundo fica o tempo todo contigo, quanto mais Deus que é Todo-Poderoso etc.”) e não eu, que, exceto o fato de não ser ordenado (um fato gigantesco, é verdade), poderia rezar uma missa de olhos vendados com um pé nas costas (espero nunca precisar: rezar uma missa, nem ter os olhos vendados nem os pés nas costas).<br/>O que eu estou tentando exemplificar a partir de mim é que se nem os santos canonizados vivem em um pedestal (o que fica em pedestais são obras de arte representando estes santos), quanto mais nós, que ainda gememos e choramos neste vale de lágrimas (quem dera fosse só uma metáfora) podemos nos colocar sobre pedestais.</p><p>Assim como eu acho que esta histeria coletiva cristã anti-aborto-lgbt-feminismo-etc mascara mais pecados do que aqueles que pretende combater, também acho que a histeria anti-cristianismo-opusdei-igrejacatólica-etc está errada: são duas histerias se retro-alimentando enquanto que tanto o pecado quanto as inustiças sociais continuam se disseminando (inclusive em projetos de governo). </p><p>Eu, particularmente, tento todos os dias estourar minha bolha de virtuosidade pessoal (que muitas vezes estoura à minha revelia), e acho que todos estes formadores de opinião católicos poderiam dedicar uma parte de suas inteligências para ver se no meio de todo o joio que estão queimando, não tem uma quantidade ainda maior de trigo (eu ia escrever mais, mas eu gostei tanto da frase anterior que vou encerrar este texto aqui, para fechá-lo com – o que eu acho que foi uma – chave de ouro).</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Este mundo e o outro</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 10 Sep 2018 10:38:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/09/2018</p><p>Deus criou o mundo e viu que era bom. E mesmo depois de estragado, retorcido e distorcido pelo pecado, Deus não mudou de opinião, a prova disto é que não abandonou o mundo à própria sorte. Somente seguindo pelos caminhos de Deus é possível não desistir deste mundo.<br/>Quando eu tentei salvar o mundo por caminhos alternativos, o sonho de um mundo melhor se tornou uma ilusão, e se tornou necessário, neste caso, que eu me agarrasse ao que deixou de ser um sonho para se tornar uma miragem.<br/>Insistir em tornar o mundo melhor é – pelo menos para mim – uma necessidade, porque o mundo não pode continuar do jeito que está. Mas esta insistência em melhorar o mundo não pode ser às custas se negligenciar o Reino de Deus. Esta negligência é que leva aos caminhos alternativos que transformam a insistência em melhorar o mundo numa ilusão. <br/>Mas foi fácil, muito fácil, ficar olhando para o céu e esquecer o chão em que eu pisava. Não foi à toa que Cristo disse que o Reino do Céu está entre nós, e que depois da ascensão, os anjos vieram perguntar por que os discípulos ainda estavam olhando para o céu. A busca pelo Reino também tem os seus perigos e ilusões, uma das quais é se refugiar do mundo nas ideias e sensações celestes. Buscar primeiro o Reino de Deus supõe buscar mais coisas além do Reino – pois Cristo não disse “buscai SOMENTE o Reino de Deus”, e sim PRIMEIRO. Refugiar-se nas coisas celestes é uma distorção tão nociva quanto ignorá-las.<br/>A saída que eu encontrei foi desconfiar de tudo, mas a paranóia foi pior do que as negligencias anteriores. <br/>No fim, restou o abismo e Deus, e eu decidi dar uma chance a Deus porque qualquer coisa, o abismo daria um fim em tudo, pelo menos para mim.<br/>Optar por Deus é um trabalho diário, constante, em um minuto tudo está bem e no minuto seguinte tudo está desmoronando e quando eu percebo eu estou escorregando pelo abismo. É um trabalho, aliás, impossível, que somente Deus torna possível. <br/>Deus torna possível buscar primeiro o Reino de Deus e depois um mundo melhor. Deus torna possível desconfiar de tudo sem que isto vire uma paranóia, porque basta pôr a confiança em Deus (mesmo que a minha confiança vacile, como o sinal do celular dentro de um carro passando por um túnel, Deus vem em socorro, qual uma antena parabólica de emergência – ele que é também o sinal). Deus torna possível manter o mínimo de sanidade possível até que os tremores de terra terminem. Se eu estou crucificado com Cristo como São Paulo, e morri para este mundo, não foi como Cristo ou como o apóstolo, que o fizeram de maneira heróica, consciente, e santa.<br/>Para um suicida, a morte não é uma solução, mas sim uma adequação: no caso, matar o corpo para adequá-lo ao coração que já tinha morrido muito antes. Deus é para mim o equivalente a uma mistura de esqueleto de adamantium do Wolverine com o exoesqueleto do Robocop (sem a lavagem cerebral dos dois, é claro). Mas, diferente destes esqueletos, Deus encontrou, não sei em que parte, alguma vida no meu coração. <br/>Eu não saberia dizer se agora meu coração bate por si só, ou se funciona ligado a aparelhos, onde Deus faz às vezes dos aparelhos. Se der para comparar viver em Deus a respirar por aparelhos, tenho que fazer a ressalva que Deus é um Aparelho que continua – não me pergunte como – conectado mesmo quando o desconecto, para que eu não morra por um vacilo ou mil.<br/>Se eu já havia jogado fora a minha vida e só restava adequar meu corpo ao meu coração, a vida que eu tenho para oferecer a Deus é a que ele próprio providenciou, uma vez que eu não tinha mais vida, estava apenas clinicamente vivo.<br/>Tudo isto para eu continuar a buscar um mundo melhor, logo depois de buscar o Reino de Deus.<br/></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Prem Baba</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 10 Sep 2018 10:28:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/09/2018</p><p>A notícia sobre a acusação de abuso sexual contra o Prem Baba me levou a refletir sobre a minha passagem por uma comunidade tântrica que oferece a possibilidade de cura pelo sexo.</p><p>Seria injusto não explicar o que (eu penso que) eles entendem que fazem, pois seus terapeutas e mestres realmente acreditam estar revolucionando a saúde, o sexo e a espiritualidade humanas.</p><p>Enquanto eu estava lá a proposta era dessexualizar o sexo e canalizar o prazer sexual obtido por meio do contato não sexual para uma cura a princípio psicológica, que poderia evoluir para uma cura física baseada na crença de que os males físicos são o resultado da somatização de bloqueios psicológicos. <br/>A partir daí, as barreiras para a autorrealização integral (manifestada pela prosperidade material) cairíam; além disto, o prazer sexual entre duas pessoas poderia ser potencializado  (embora o sexo terapêutico não fosse um serviço oferecido pela empresa, duas pessoas poderiam praticar um sexo tântrico-terapêutico entre si, e o ensino da prática deste sexo era um dos serviços oferecidos na comunidade, embora os terapeutas apenas orientassem as práticas sexuais, sem no entanto participarem delas enquanto as ensinassem); e ainda havia a possibilidade de uma pessoa, enfim curada, tornar-se ela própria uma terapeuta.<br/>Embora houvessem pessoas que desvirtuassem os propósitos da comunidade (o centro onde a empresa oferece os seus serviços), os seus dirigentes desestimulavam e puniam (proibindo o uso do nome da empresa) terapeutas e aprendizes que fossem flagrados fazendo isto.</p><p>Feitas estas considerações, eu penso, hoje, que estas terapias sexuais são um sintoma da opressão sexual em que vivemos, que coloca todas as respostas no sexo, sobrecarregando-o de responsabilidades: fazer bem à pele, aliviar a tensão, afirmar-se, conhecer o próprio corpo, sentir aceitação, manter a atenção de outra pessoa, etc.</p><p>Oprimir o sexo poderia ser uma metáfora, mas quando o sexo se torna uma ferramenta de auto-conhecimento, um caminho para a interiorização e todo esse tipo de coisas, o peso do resultado recai sobre o outro ou sobre a própria pessoa, e o sexo sempre vai fracassar quando se tenta usá-lo para tudo isto, e o sofrimento do fracasso recai sobre quem transou.</p><p>Eu sou católico e, portanto, minha opinião sobre isto não é isenta: mas não existe nada que se consiga com o sexo que se consiga de um jeito melhor por outros meios. A não ser bebês. <br/>Com exceção da reprodução humana, o sexo se tornou o que os remédios alopáticos são para os homeopáticos: um tratamento intenso, tóxico, e pontual, porque – tanto o sexo quanto a alopatia – resolvem as coisas somente superficialmente e a curto prazo. </p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Na minha urna</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 03 Sep 2018 13:51:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/09/2018</p><p>Atualização pós-facada:<br/>O atentado contra o J.B. foi ruim por ser um atentado contra a vida, por servir como argumento para um discurso (falso) de vitimização da direita e por fortalecer a candidatura dele, então eu acho que vou trocar a Marina pelo Haddad mesmo, e trocar o Suplicy por outra candidata.</p><p>Nestas eleições eu estou tendo que virar um cientista político especializado nas minhas próprias prioridades políticas, simbolismos e sacrifícios ideológicos.</p><p>O perfil do meu candidato ideal é:<br/>– mulher<br/>– que não seja os mesmos de sempre<br/>– que seja de esquerda<br/>– que seja cristão<br/>– que não fomente o ódio <br/>– que não queira acabar com a homossexualidade por decreto<br/>– que não queira afirmar a homossexualidade por decreto<br/>– que pareça entender que o aborto e o descaso com as mulheres (sejam as grávidas, sejam as com filhos pequenos, sejam as que não tem filhos) são o mesmo pecado<br/>– que priorize as pessoas físicas em detrimento das pessoas jurídicas mas entenda que as empresas não são o inimigo<br/>– que tenha o mínimo compromisso com uma distribuição de renda mais justa<br/>– os outros critérios são pautas clássicas da esquerda</p><p>Então, para presidente, talvez eu vote no PT, principalmente por causa da Manuela (que é do PCdoB, eu sei), mas o problema é o Haddad – não que eu desgoste do Haddad, pelo contrário: acho que ele deveria ter sido lançado candidato a governador, tanto porque ele é mais conhecido em SP, quanto por ele ter mais condições de vencer o Dória, mas o PT resolveu colocá-lo como representante do Lula, provavelmente, por ser um dos poucos casos dentro do PT que não tenha o rabo preso (vontade de matar o PT por isto!). Acho que o PT deveria ter invertido a chapa e aceitado ser vice da Manuela (não com o Haddad, mas sim com o Suplicy) que também teria em seu favor o fato de ter sido endossada pelo Lula, e se fosse a Manuela a candidata eu iria até pra rua fazer campanha pra eles.</p><p>Mas do jeito que está, eu vou acabar votando na Marina, apesar do ranço dela contra a Dilma (que infelizmente é recíproco) e apesar de já ter apoiado o Aécio Neves (pobre Chico Mendes se revirando no túmulo…) – e não sei o que é pior nisto: ter apoiado o Aécio ou ter feito isso nem tanto pelo Aécio mas sim contra a Dilma…</p><p>Para o Senado, Suplicy. Em vez de pensar nisto como um sacrifício do perfil em que eu quero votar, estou pensando que ele entra na cota reservada para homens (porque eu também não posso ser radical acreditando que as mulheres vão salvar o mundo: é o protagonismo delas que vai melhorar o mundo, inclusive e em primeiro lugar para elas, eu espero); além disto o Suplicy apoia o pe. Júlio Lancellotti e o vicariato do povo de rua, o que para mim conta muitos pontos também (ter cantando Bob Dylan no congresso conta menos, mas também é um fato positivo :).<br/>Além dele, a Rede (que não me interessa muito como partido, e sim como partido da Marina) tem uma candidatura coletiva encabeçada por uma mulher chamada Moira Lázaro, e provavelmente o meu segundo voto para o senado vai para ela(s).</p><p>Para deputado federal está mais complicado: Sâmia ou Erundina? Erundina ou Sâmia? Quando eu penso que ser católico e votar no PSOL pode parecer incoerente, eu lembro que ser católico e votar no Bolsonaro seria ainda mais incoerente (para votar em alguém sem culpa, eu votaria no Papa Francisco, mas como eu nunca vou ser um cardeal, estou fadado a escolher sempre com um pé atrás). Erundina ou Sâmia? Sâmia ou Erundina? A Erundina tem a favor toda a história política dela, enquanto que a Sâmia tem em seu favor o fato de ter entrado para a política faz dois anos. Sâmia ou Erundina? Erundina ou Sâmia? A Erundina é nordestina, e a Sâmia era, até virar vereadora, uma funcionária qualquer como todos nós. Erundina ou Sâmia? Sâmia ou Erundina? Por sorte, na dúvida, eu posso votar na legenda e seja o que Deus quiser. Sâmia ou Erundina? Erundina ou Sâm… tá, agora chega!</p><p>Para governador, professora Lisete, mas dividido entre ficar aliviado por votar em uma governadora e apreensivo por ela ser menos conhecida que o Dória e (valei-me minha Nossa Senhora dos serviços públicos que deveriam ser gratuitos e de qualidade) correr o risco dele ganhar e vender tudo como se o estado de São Paulo fosse uma gigantesca 25 de Março.</p><p>Para deputado estadual, do nada (nem tão do nada assim) eu encontrei um Mandato Coletivo Feminino, um Megazord de mulheres de quem eu nunca tinha ouvido falar na vida, o que é um risco (mas a segurança que eu sinto nos nomes famosos é tão ilusória…) que também é o preço da expectativa de renovar a política.</p><p>Aí, relendo o texto antes de publicar, eu percebi que o único voto que eu pretendo dar sem muita preocupação é para o Suplicy, o único homem da minha lista. <br/>Se não fosse a concorrência com a Sâmia Bomfim, este voto despreocupado seria também na Erundina; e se não fosse o ranço anti-Dilma da Marina, o meu voto nela também seria despreocupado (primeiro pelo anti-dilmismo, mas também pelo receio do que ela possa fazer, se for eleita, por causa da triste porém justificada amargura contra o PT).<br/>Embora eu tenha todas as explicações do mundo para estas ressalvas pontuais contra todas as mulheres em quem eu pretendo votar (a amargura justificada da Marina, o partido da Moira Lázaro, a concorrência entre a Erundina e a Sâmia, o risco-Dória no caso da professora Lisete e o absoluto anonimato de onde saiu, para mim, o Mandato Coletivo Feminino), é sintomático que apenas as candidaturas femininas tenham alguma ressalva.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Em cima do muro ou em uma zona de fronteira?</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">18h319-em-cima-do-muro-ou-em-uma-zona-de-fronteira</guid>
      <pubDate>Tue, 14 Aug 2018 14:47:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/08/2018</p><p>Aborto é um pecado, independente de ser crime ou não. Por outro lado, as condições de carência (material, psicológica, espiritual, etc.) também são pecados, portanto o pecado das mulheres que abortam é consequência de pecados cometidos contra elas por outras pessoas – quase sempre homens.</p><p>O fato de elas serem vítimas não justifica que elas façam outras vítimas, mas expõe a brutalidade de quem recorre ao terrorismo psicologico em defesa da vida quando o correto deveria ser direcionar as palavras e as ações pró-vida para manter e divulgar meios de proporcionar condições para as mulheres terem, parirem e criarem seus filhos: o aborto é uma solução mais fácil e preguiçosa em comparação a levar adiante uma gravidez; mas combater ferozmente a descriminalização do aborto é igualmente uma solução fácil e preguiçosa em comparação a comprometer-se e empenhar-se pela vida dos fetos, dos recém-nascidos, das mães e das mulheres que não são mães mas também são tão violentadas quanto os inocentes massacrados antes de nascer.</p><p>Eu, que no passado já ajudei uma amiga a tentar abortar, me posiciono contra o aborto e por motivos religiosos, os mesmos motivos que me impedem de apoiar as campanhas contra a descriminalização do aborto.</p><p>Se os defensores da descriminalização estão pecando e os defensores da criminalização também estão, “…tu, porém…”, eu, neste caso, “… quem és, para julgares o teu próximo?” (Tg 4, 12), mas se estão pecando, eu também, que em toda esta batalha pela vida, tenho apenas esta postagem nas minhas mãos.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Se eu não vir as marcas dos pregos…</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 08 Apr 2018 14:02:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>08/04/2018</p><p>A passagem em Jo 20, 25 representa, principalmente, a incredulidade no Cristo  que não se vê (um resumo raso e incompleto), o que ilustra também a minha fé inconstante. <br/>Mas além de me ver representado nisto, me vejo representado em um pormenor secundário da atitude de São Tomé: a presunção excessiva do próprio protagonismo – o que significa que eu me acho mais do que o que eu sou.<br/>O pensamento que eu vislumbro por trás do “se eu não vir as marcas dos pregos etc.” é “como assim Jesus apareceu sem que EU estivesse presente?!?”; e a prova exigida deixa de ser um indício de incapacidade de crer no invisível para se tornar em negar a fé (e o bom senso ao mesmo tempo) porque Cristo mandou recado pelos outros ao invés de ter se mostrado ao vivo e em cores para mim.<br/>Talvez no fim das contas este pormenor não  se aplique a São Tomé e o caso traga à tona pecados meus e não os dos outros; afinal Cristo apareceu depois de novo, com São Tomé presente desta vez – o que pode significar que o apóstolo seja mais importante do que eu (autoironia).<br/>Mas fica o recado pra mim: “confia mais nos outros e não fica achando que o mundo para de rodar se você não estiver por perto”.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title/>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 18 Oct 2017 00:46:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/10/2017</p><blockquote>
La felicidad no es un sentimiento, es una decisión.
<p>— Naila👑 (@NaiTrejo) <a href="https://twitter.com/NaiTrejo/status/920448476399448065?ref_src=twsrc%5Etfw">18 de outubro de 2017</a></p></blockquote>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Efésios e a submissão das mulheres parte II</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 17 Oct 2017 01:40:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/10/2017</p><p>Nova teoria:<br/>S. Paulo pede que as mulheres sejam submissas aos maridos (Ef 5, 22), e justifica, no versículo 23, assim: “Pois o marido é a cabeça da mulher, assim como Cristo é a cabeça da Igreja, ele, o Salvador do seu corpo.” (“ele” se refere a Cristo, suponho).<br/>Bem, Cristo é a cabeça da Igreja, o Rei e Senhor, cuja coroa é de espinhos, e, Senhor da Igreja (esta, sua esposa submissa), se humilhou e se sacrificou por ela.<br/>Então, se São Paulo está “condenando” as mulheres à submissão aos maridos tal como a Igreja se submete a Cristo, São Paulo também está “condenando” os maridos a agirem como “reis e senhores” (tal e qual Cristo), se humilhando e se sacrificando por elas. Porque se Cristo, o único Rei e Senhor agiu assim, os maridos, que devem ser a imagem do seu Rei e Senhor, devem seguir o exemplo.<br/>Cristo reina sobre a Igreja, mas não vem ditar ordens à sua Esposa: errando ou acertando, está aí há 2000 anos procurando fazer a vontade de Cristo.<br/>“Ah, mas olha os horrores e atrocidades que a Igreja blá blá blá” – bom, quem nunca errou tentando acertar? Quem nunca tomou um caminho errado na vida? A Igreja, aliás, não erra nunca, mas seus “operadores” erram na operacionalização: a Igreja compreende a vontade de Cristo, e os encarregados (Papa, bispos, leigos, etc;), às vezes, erram, e erram feio na execução desta vontade (erros que podem ser macabros como a Inquisição). Duvido que a vontade de Cristo sejam assassinatos em massa, e duvido que a Igreja tenha entendido “evangelizar” como uma licença para matar; mas quem foi lá operacionalizar a função agiu, acredito, conforme aquilo que carregava no coração (e, mais uma vez, há duas dimensões nisto: de um lado, o pecado hediondo de oprimir as pessoas pretensamente em nome de Deus, e, de outro, quem se permite atirar a primeira pedra?).<br/>Acredito, enfim, que apedrejar a Igreja é, espiritualmente, apedrejar mais uma vez as mulheres. E assenhorar-se de uma ou de várias mulheres, seja em nome do que se lê em Efésios, seja por qualquer outro motivo, é usurpar o sacrifício de Cristo, o Todo Poderoso que se deixou ser humilhado, açoitado, morto e sepultado pelos nada poderosos.<br/>Acho que o conselho de Paulo não era para soar como “obedece, muié!” (conforme o entendimento cristalizado ao longo dos séculos), e sim como uma lembrança de que, diante de um homem capaz de agir como Cristo e se humilhar (pois é isso que faz a cabeça da relação), cabe às mulheres não usarem seu poder para sujeitar à força quem deveria estar se sujeitando espontaneamente (ou seja, os homens), e sim lembrarem também que, poderosas, valem para elas o mesmo “modo de usar seu poder” apresentado por Cristo.<br/>No fim das contas, penso que o norte do conselho de Paulo seja “Vós, que temeis a Cristo, submetei-vos uns aos outros…” (Ef 5, 21).</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Veneno anti-ressentimento</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 14 Jun 2017 03:46:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/06/2017</p><p>A minha luta contra o ressentimento é parecida com alguma luta contra o mofo, porque o ressentimento é um sentimento mofado, estagnado, podre porém vivo. <br/>Até mesmo um bom sentimento, que seja agradável, mofa e apodrece vivo. <br/>O ressentimento não é em si um sentimento, mas um modo de sentir. Não sei se existem outros modos de sentimento além de sentir ou ressentir, mas sei destes dois. <br/>A minha questão agora é como pode ser possível sentir, novo-sentir, algo assim. <br/>Porque desmontar ou destruir o ressentimento é importante e necessário, mas construir algo novo também é. </p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>F-15</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 22 May 2017 16:19:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>22/05/2017</p><img width="600" alt="" src="/midia/17e314-f-15.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/300e6-f-15.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/f1271-f-15.jpg]</a>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Quem sou eu hoje</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 06 Apr 2017 16:31:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/04/2017</p><img width="600" alt="" src="/midia/17d313-quem-sou-eu-hoje.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/eedfd-20172b13253a59253a40.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/f57f1-20172b13253a59253a40.jpg]</a><p><b>Linha do tempo</b><br/>Agora que eu retomei o blog, eu sinto a necessidade de também retomar a ideia originária dele: o endereço deste blog é “minhageografia” porque ele – o blog – é para representar uma linha que só às vezes é reta, mas na maioria das vezes faz curvas, voltas, volta atrás e depois transforma em frente o que era um dos lados, e  além de ser uma linha com caminhos tortuosos, às vezes é múltipla, sem deixar de ser a mesma, às vezes cada linha da multiplicidade avança em velocidades diferentes, em retas e cruvas  diferentes, uma passa por cima da outra, dá um nó, tem que cortar e emendar – ou às vezes deixar lá o nó; e isto tudo significa que a linha que o blog representa não é uma linha do tempo.</p><p><b>Código Morse</b><br/>O tempo é, ele próprio, uma linha, e uma linha do tempo é um destaque nesta linha mais larga, é uma linha em negrito dentro de um fluxo maior e indiferenciado. Por isto existe uma graduação em História e historiadores profissionais: todos vivemos o tempo e percorremos suas linhas, mas elas não são facilmente pensáveis. Tem que estudar.<br/>Eu não sou historiador, e também não sou geógrafo;  mas faço a minha geografia sem ser qualificado, assim como as outras pessoas fazem a sua história sem qualificações também.<br/>Eu precisei falar em linha, em descrevê-la tortuosa e errante, para ressaltar sua diferença de uma linha  do tempo, histórica, temporalmente  ordenada. Mas a verdade é que este blog não representa, de verdade, uma linha, e sim pontos. Um ponto, uma coleção de pontos próximos, pontos ligados entre si por uma linha ou outros pontos, pontos maiores que se tornam espaços ou regiões no espaço, enfim, locais que ocupam um tempo e um espaço, mas onde o tempo é sempre um hoje que transforma completamente  este espaço.</p><p><b>Mais do mesmo</b><br/>Quando eu comecei este blog, aliás, eu pensei que desviar a atenção do tempo e redirecioná-la ao espaço era uma ideia radicalmente inovadora – até me dar conta de que era apenas  praticidade: eu não consigo lidar com o tempo, portanto me voltei ao espaço para ver o que eu posso fazer com aquilo que o tempo fez nele.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Efésios e a submissão das mulheres</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 27 Mar 2017 02:55:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/03/2017</p><img width="600" alt="" src="/midia/17c312-efesios-e-a-submissao-das-mulheres.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/f785b-outono.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/87598-outono.jpg]</a><p>Na carta aos Efésios, São Paulo escreve a eles no quinto capítulo, o seguinte: “21.Sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo. 22.As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, 23.pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador. 24.Ora, assim como a Igreja é submissa a Cristo, assim também o sejam em tudo as mulheres a seus maridos. 25.Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, 26.para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, 27.para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível. 28.Assim os maridos devem amar as suas mulheres, como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. 29.Certamente, ninguém jamais aborreceu a sua própria carne; ao contrário, cada qual a alimenta e a trata, como Cristo faz à sua Igreja – 30.porque somos membros de seu corpo.”</p><p>No versículo 21, ele pede que todos sujeitem-se uns aos outros no temor de Cristo. No versículo seguinte, pede que as mulheres sejam submissas aos seus maridos e, no próximo versículo (23) explica que o marido é o chefe da mulher assim como Cristo é o chefe da Igreja.</p><p>Então, em primeiro lugar, todos devem se sujeitar a todos, conforme o versículo 21. Alguém que queira argumentar que as mulheres devem obediência aos homens por causa do versículo 22, deve lembrar que Cristo, que é o chefe da Igreja, disse em Mt 20, 27, “E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo.”, e como se não bastasse, depois disto não só se fez um escravo, mas ainda por cima sofreu e morreu pelos nossos pecados para depois ressuscitar para nos salvar, ou seja, o chefe da mulher, à exemplo de Cristo, deve fazer a mesma coisa: fazer-se escravo dela (não quero dizer à moda do 50 Tons de Cinza, é claro).<br/>Repetindo o versículo 21, São Paulo pede que todos sujeitem-se uns aos outros, e no 22, pede que as mulheres sejam submissas a seus maridos como ao Senhor – o que é a mesma coisa que São Paulo disse no versículo 21 para todos, só se dirigindo em particular (no v. 22) às mulheres e acrescentando “como ao Senhor”.</p><p>A recomendação aos maridos (que não estão excluídos da orientação do versículo 21) é que amem suas mulheres como Cristo amou a Igreja, o que leva novamente a sacrificar-se pela mulher (“sacrificar-se”, e não “sacrificá-la”), e, inclusive, a amá-la como ao seu próprio corpo, o que inclui, entre outras coisas, o prazer – quero dizer que antes de buscar o próprio prazer, seja por si só, seja na cama com ela, ou antes de fazer o oposto, buscar apenas o prazer dela, o que deve fazer (alguém que ame a mulher como ao seu próprio corpo) é buscar o prazer dela juntamente com o próprio, e buscar o prazer dela implica em atender ao que ela quer, em  perguntar o que ela quer, inclusive perguntar se ela quer, porque ela pode não estar afim agora, enfim…</p><p>Caso alguém ainda tenha dúvidas sobre se São Paulo estava dando toda essa moral para os homens, basta ler o versículo 33 (que eu não copiei ali em cima), em que São Paulo diz que, no fim das contas, o que importa é que elas os respeitem, e eles, as amem como a si mesmos.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Notas rápidas sobre o relato da criação na Bíblia</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 13 Mar 2017 15:26:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/03/2017</p><img width="600" alt="" src="/midia/17c311-notas-rapidas-sobre-o-relato-da-criacao-na-biblia.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/7a67d-inicio-de-uma-tempestade-no-mar-wallpaper-15423.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/fb0dc-inicio-de-uma-tempestade-no-mar-wallpaper-15423.jpg]</a><p>1. “Deus criou homem e mulher” vem antes do relato do sono e da costela – o que desmente qualquer argumento em prol da secundariedade feminina.</p><p>2. Se o relato do sono e da costela for tomado ao pé da letra, mesmo assim ele não apresenta a mulher como uma subalterna do homem. Se o homem foi formado “diretamente” do barro, e a mulher a partir de um elemento humano (uma costela humana), isso serviria mais para fazer do homem um ser humano menos pleno do que a mulher – onde o homem seria um ser humano demasiadamente ligado à animalidade, um bicho-homem, e a mulher seria mais plenamente humana, um homem-humano. Na verdade esta lógica que inferioriza o homem em detrimento da mulher é tão nociva quanto a lógica do “Deus criou primeiro o homem, logo, ele vale mais”, mas eu só quis inverter o raciocínio para demonstrar que se pode extrair qualquer coisa do relato bíblico, e o texto acaba servindo para legitimar um pensamento que, longe de ter sido extraído do relato bíblico, já  era uma convicção e o texto só serviu para dar uma aparência de legitimidade religiosa ao machismo – e isso vale para as sentenças de São Paulo sobre a mulher também (não estou dizendo que São Paulo era machista, e sim que o machista só quer apoiar seu machismo numa interpretação machista do que disse  São Paulo).</p><p>2.1. No fim das contas, eu quis dizer  que a Bíblia não inferioriza nem as mulheres e nem os homens, e sim as pessoas são quem inferiorizam umas às outras e ainda tentam usar a Bíblia como argumento do que fazem.</p><p>3. Estas reflexões foram motivadas pela leitura de uma <a href="http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/audiences/1979/documents/hf_jp-ii_aud_19791107.html">audiência geral</a> do papa João Paulo II.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Qualquer texto é menor do que a vida de qualquer pessoa</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 13 Mar 2017 14:08:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/03/2017</p><p>Este é provavelmente mais um post que será um rascunho e não vou publicar porque estou escrevendo-o movido exclusivamente pelo meu desejo de escrever.<br/>No momento, eu tenho um monte de tarefas para fazer, mas eu queria muito escrever, e é isto o que eu estou fazendo.<br/>É mais ou menos como quando dá uma vontade de cantar, mas, neste caso, com a caneta (que arcaico) ou com as pontas do dedo se dirigindo quase que por si sós às teclas correspondentes às letras que formam as palavras que desejo escrever.<br/>Eu desejo ficar escrevendo mais sobre qualquer coisa nenhuma, mas tenho que tentar manter um (des)equilíbrio entre as coisas, então vou ter que me contentar com o que foi escrito até aqui.<br/>P.S.: só gostaria de ter usado este título (que eu achei muito) legal em um texto mais interessante.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Luar comum</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 12 Mar 2017 22:49:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/03/2017</p><img width="600" alt="" src="/midia/17c309-luar-comum.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/45f26-1489358815606.jpg"> [https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/fde5d-1489358815606.jpg] </a>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Escalas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">17c308-escalas</guid>
      <pubDate>Sat, 11 Mar 2017 14:42:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/03/2017</p><p>Às vezes me sinto como uma corda estendida entre o prazer e o dever. <br/>É claro que existem deveres que são prazerosos, ou que não são prazerosos mas cujo resultado o é, e ainda há os deveres cujo prazer é intermitente: às vezes são prazerosos e às vezes não são. <br/>Os prazeres, eles também, às vezes acontece de não serem prazerosos no seu resultado, e por mais estranho que pareça, já corri atrás de prazeres cujo processo não foi nada prazeroso, algumas vezes com um resultado idem – sem contar as vezes em que fiz do prazer um dever e os resultados foram desastrosos, seja a curto, médio ou longo prazo. <br/>Mas no momento, sou esta corda estendida entre o prazer impedido de desfrutar do meu dia como eu quiser, e o dever de entrar no trabalho 12:00.<br/>Tudo o que me ocorre que eu possa fazer com esta tensão é tentar transformar esta corda tensionada em uma corda de violão, e fazer desta tensão uma afinação e, dedilhando esta tensão, tirar dela algumas notas musicais que, se não forem tão prazerosas, pelo menos que sejam um pouco bonitas. </p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>20 minutos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 10 Mar 2017 18:49:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/03/2017</p><p>São 15:40, e faltam 20 minutos para começar o meu expediente. <br/>Nos últimos meses tenho trabalhado 12 horas por dia em pelo menos três dos dias da semana, 8 horas nos outros dias e folgado nas quartas (saudades das folgas serem nas terças).<br/>Agora já faltam 19 minutos, e eu só espero que não haja excesso de rispidez da parte dos outros, e nem que eu dê margem a isto (às vezes a rispidez alheia é até justificada).<br/>Faltam 18 minutos, e vou fumar o último cigarro até meia-noite. Quem me dera saber lidar melhor com meus problemas do que fumando-os.<br/>16 minutos. Já me planejo subir, botar uniforme, ir no banheiro, lavar o rosto e tomar agua, um processo que precisa levar no máximo 5 minutos. <br/>14 minutos. Ainda tem meio cigarro mas já acabou o dia, e outro vai logo começar. Conter emoções, lidar com as dos outros e atender os clientes – internos e externos. <br/>13 minutos. Mais dois ou três pegas no cigarro. <br/>12 minutos. Seja o que Deus quiser. </p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>"A submissão recíproca ‘no temor de Cristo’ "</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">17c306-a-submissao-reciproca-no-temor-de-cristo</guid>
      <pubDate>Fri, 10 Mar 2017 16:16:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/03/2017</p><p>Lendo o texto da <a href="http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/audiences/1982/documents/hf_jp-ii_aud_19820811.html">audiência geral do finado São João Paulo II, de 11 de agosto de 82</a>, eu noto como me sinto desconfortável diante da passagem da carta aos Efésios que orienta as mulheres a serem submissas aos maridos.<br/>
Ainda me sinto assim, mas segue uma tentativa de compreensão da passagem, que não é um resumo mas se baseia no referido texto de JPII.<br/>
O que São Paulo expõe nesta parte da carta aos Efésios são normas para o casamento, e o casamento é apresentado como sendo – devendo ser – uma imagem da relação entre Cristo e a Igreja. Isso cai bem para a Igreja (simbolizada pela mulher) que deve ter Cristo (simbolizado pelo homem) como sua cabeça.<br/>
Mas não cai bem, não para mim, que a mulher (que simboliza a Igreja) seja submissa ao homem para  fazer jus à imagem – pois às vezes as consequências desta submissão, simbólica enquanto teologia, mas real e concreta enquanto experiência vivida, são nefastas.<br/>
O mesmo princípio que torna a  mulher submissa ao homem, torna o homem uma vítima da mulher. É muito fácil concluir, a partir disto, que o homem é quem manda e a mulher quem obedece, e que o pobre homem é uma vítima da malvada mulher – e além de ser fácil, é uma conclusão errada (nem toda conclusão fácil está errada porque é fácil, mas a maioria das conclusões erradas são também conclusões fáceis).<br/>
A mulher que se submete ao homem se submete a alguém que se coloca aos pés dela. É verdade que é ele quem se coloca e não é colocado aos pés dela por outrem, mas também é verdade que quem se submete é ela, e não é submetida a ele por outrem. E é por isto que, na mesma carta aos Efésios, São Paulo fala em submissão recíproca, e não em submissão unilateral.<br/>
Trata-se de aceitar ser submissa, e de aceitar ser vítima. Não se trata de ser submissa a um tirano doméstico, muito menos à violência, e sim de aceitar decisões; bem como não se trata de vitimar-se  diante de uma  tirana implacável, mas sim de acatar os seus desejos.<br/>
Eu resumiria isso em: ela deseja e ele faz acontecer o desejo dela. Ela projeta, ele executa. Coisas assim.<br/>
Nada disso implica no impedimento de trabalhar  fora, nem em exigir dela  tal ou qual comportamento, nem em sequer  supor inferioridade intelectual, espiritual, moral, etc. de qualquer mulher, e em resumo, não implica em nenhum argumento que submeta as mulheres aos desmandos de qualquer homem, mesmo que sejam bem-intencionados.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Retomada</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 10 Mar 2017 05:05:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/03/2017</p><p>Minha vida segue de retomadas em retomadas. Não é uma definição completa, mas as retomadas são relativamente constantes na minha vida, como a retomada deste blog, por exemplo – que espero que dure para além deste post.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Jaelle</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">11f304-jaelle</guid>
      <pubDate>Sun, 19 Jun 2011 06:16:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/06/2011</p><p>“Magda, já pensou alguma vez que talvez o mundo não esteja destinado a ser um lugar melhor? Talvez continue do jeito como é, a fim de que as pessoas possam escolher o que é realmente importante.” (Marion Zimmer Bradley, Cidade da Magia)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title/>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">11f303-309-2</guid>
      <pubDate>Fri, 17 Jun 2011 03:03:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/06/2011</p><p>Não é que eu não goste mais, pelo contrário. Mas devo deixar prá lá. Não posso obrigar ninguém a me incluir em seus planos, seu futuro, nem em seu coração. Não é que eu não tenha nada a oferecer – mas apenas não tenho nada que seu coração queira. Não posso deixar-me de lado por você, nem você pode deixar-se de lado por ninguém, assim espero. Não caibo em suas medidas e não são elas – e tampouco eu – que estão erradas: você tem seus critérios e eu não me encontro em nenhum deles; é simples. Não quero evitar a dor, a frustração nem a saudade – só quero evitar que venham em doses cavalares. Mas, além disto, quero imensamente evitar que você se transforme, dentro de mim, em uma má lembrança e em um indesejável sentimento.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Hipátia</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">11c302-hipatia</guid>
      <pubDate>Tue, 08 Mar 2011 13:40:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>08/03/2011</p><p><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81gora_(filme)">Alexandria </a>é um filme sobre como <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hip%C3%A1tia">Hipátia </a>morreu por causas políticas alheias a ela. Cristãos, judeus e pagãos vivem na Alexandria entre o final dos anos 300 e o início dos 400, e essa convivência é, digamos, harmonicamente tensa, até que <i>todos briga</i>, os cristãos destroem a biblioteca de Alexandria, depois a convivência pacífica juntamente com a tolerância religiosa e, por último, o Império Romano (o que não aparece no filme, mas foi assim, assumindo as rédeas das cidades, que o cristianismo, tanto para bem quanto para mal, assumiu o legado do já convalescente Império Romano e veja o filme porque ele é bom).</p><p>No filme, nenhum credo é tratado como santo ou vítima. Todos sofrem algum tipo de desrespeito e todos reagem de maneira desproporcional à ofensa sofrida. Os cristãos, porém, aparecem como levemente piores. Porque eles provocam. Eles não atiram a primeira pedra, mas irritam tanto que fazem com que os outros atirem, e depois não dão a outra face (um dos personagens, cuja morte foi o estopim da morte de Hipátia, responde que não devemos querer nos igualar a Deus, depois de um escravo dizer que uma pessoa o perdoou, mas ele próprio não consegue perdoar esta mesma pessoa…).</p><p>Não duvido que apareçam pessoas para dizer que o cristianismo é, hoje, do mesmo jeito que é apresentado no filme, e também que apareçam pessoas para dizer que o filme é um libelo anticristão. Essas pessoas se merecem e certamente ficarão muito felizes discutindo entre si, mas cada um faz do seu tempo o que preferir.</p><p>Acho que, da parte do cristianismo, o filme retrata um problema sério, uma variante do joio que vai crescendo junto com o trigo, digamos. Talvez uma ou duas variantes.</p><p>Uma delas é o excesso de zelo cristão que não raramente decai em cristianizar à força o maior número de pessoas possível. “Cristianizar”, e não evangelizar, catequisar ou converter. Aliás, cristianizar coisas é bom, mas fazê-lo à força não. Chamo de cristianizar essa transformação da cultura vigente em uma cultura em conformidade com o cristianismo. Tudo bem que a sociedade achasse por bem virar cristã, mas tudo mal que isso ocorra de maneira violenta e desleal, e isso o cristianismo soube fazer muito bem. Quando se fala em igreja santa e pecadora, essa parte corresponde ao pecadora. E o problema não é o excesso de zelo, e sim a crença de (espero que) alguns poucos cristãos em que todos à sua volta são obrigados a serem cristãos e a agirem como tal. Aí ao invés de zelar por si, às vezes acaba-se por zelar pelos outros, sem levar em conta a concordância deles em serem assim zelados.</p><p>Aí entra outro joio, ou pelo menos outra coisa que para mim é um mal recorrente. O cristianismo virou uma espécie de PMDB, sempre infiltrado no poder temporal. Certamente os fins do cristianismo são bem mais nobres do que os do PMDB, mas as consequências, se já são incômodas para quem não é cristão (pois muitas vezes precisam viver como se assim fossem), são ainda piores para o cristianismo. O cristianismo não deve ficar distante da vida e nem do poder político, como querem alguns. Mas também não pode cristianizar a sociedade à força de leis. Que o aborto, por exemplo, seja pecado, tudo bem. Mas impedir pecados, por piores que sejam, por meio de leis que afetam todos, cristãos e não-cristãos, é um tipo de opressão que Deus, por exemplo, não impôs às pessoas (porque Deus não endossa nem estimula pecados, mas os coíbe pedindo que não sejam cometidos, e não impedindo que sejam cometidos – mesmo que hajam penas temporais consequentes de pecados, a própria ocorrência destas penas atesta que Deus pede que não se peque, mas não impede que se peque). Longe de mim sugerir à Igreja que abandone seus meios de ação. Se as pessoas quiserem cristianizar os povos por meio de leis civis, por mim tudo bem. Mas é uma atitude estratégica e espiritualmente contraproducente. Defendo tanto o direito de quem não é cristão se debater contra a imposição de leis fundamentadas exclusivamente em critérios cristãos, quanto o direito de cristãos tentarem legalizar civilmente princípios religiosos (política é isso aí, diversos interesses em conflito), mas por mais que eu apoie os princípios cristãos, não aprovo que valham para todos por força de leis civis.</p><p>As duas modalidades de joio, o excesso de zelo e a infiltração no poder temporal, são na verdade duas coisas intrinsecamente ligadas, e não seriam, por si só, problemáticas. O problema consiste apenas na manifestação da tendência à oprimir os outros que, infelizmente, não é exclusiva do cristianismo (e também não é característica do cristianismo, só para esclarecer).</p><p>No fim das contas, o que matou Hipátia foi o bom e velho desprezo pela liberdade, que há anos mata mais por muito menos.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Mostra do cinema francês contemporâneo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 01 Mar 2011 13:24:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/03/2011</p><p>*SESC SÃO LEOPOLDO CONVIDA:* </p><p>*MOSTRA DO CINEMA FRANCÊS CONTEMPORÂNEO *</p><p> A Mostra do Cinema Francês Contemporâneo foi uma iniciativa que integrou as comemorações do Ano da França no Brasil, em 2009, e que em função da sua ótima repercussão,  será promovida em São Leopoldo pelo *Arte Sesc –Cultura por toda parte*. O objetivo da mostra é proporcionar o acesso a obras contemporâneas e o diálogo entre artistas, intelectuais e o público em geral. A curadoria dos filmes foi feita pela tradicional revista Lês Cahiers Du Cinéma, promotora histórica da reflexão sobre a arte do cinema.</p><p> *Local: Sala de Cinema do Centro Cultural José Pedro Boéssio (<a href="http://maps.google.com.br/maps?f=q&amp;source=s_q&amp;hl=pt-BR&amp;geocode=&amp;q=r+osvaldo+aranha,+934,+s%C3%A3o+leopoldo&amp;sll=-14.239424,-53.186502&amp;sspn=40.825232,56.513672&amp;ie=UTF8&amp;hq=&amp;hnear=R.+Osvaldo+Aranha,+934+-+Centro,+S%C3%A3o+Leopoldo+-+Rio+Grande+do+Sul,+93010-040&amp;ll=-29.762757,-51.148288&amp;spn=0.009109,0.013797&amp;z=16">Rua Osvaldo Aranha, 934</a>)* *<b>Horário</b>: 19h* *Entrada Franca* *Apoio: Secretaria Municipal de Cultura de São Leopoldo* *Realização: SESC RS*</p><p> <b>*Programação:*</b></p><p>*<b>01/03</b> (TER)*  *A Esquiva *  *L’esquive* (2003). De Abdellatif Kechiche – Comédia dramática -Duração 117’.<br/>Em um conjunto habitacional no subúrbio parisiense, um anjo passa declamando apaixonadamente versos da peça “Le jeu de l’amour et du hasard”. É Lydia, embalada por Marivaux e às voltas com os ensaios do espetáculo a ser montado por sua turma de sala de aula para as festividades da escola. Já Abdelkrim, apelidado de “Krimo”, no auge de seus 15 anos, é arriado pela sua colega de sala. Ele que se arrasta levando seu tédio pelas quebradas suburbanas em companhia de sua galera, descobre repentinamente o amor. Mas Krimo não é do gênero expansivo além de ter que manter a fachada.Então como se declarar à garota sem perder a pose? Uma solução se impõe: corromper seu amigo Rachid, parceiro de cena com Lydia, para obter o papel de Arlequim. O que Krimo não ousa dizer, Marivaux o fará em seu lugar! Mas a astuciosa manobra torna-se verdadeira odisséia para Krimo, apavorado com a amplitude do texto e as exigências implacáveis de sua professora de francês. Kim encontrará as palavras a serem ditas antes que o boato, as ciumeiras e as inimizades não se metam em seu caminho?</p><p>
<p>*<b>03/03</b> (QUI)* *Até já * *A tout de suite* (2004). De Benoit Jacquot – Drama – Duração 95’.</p>
<p>Ao desligar o telefone depois de um “até já” do namorado, ela sabe muito bem sem saber ainda aquilo que ela nem imaginava: aquele que ela ama, aquele “príncipe” de parte alguma é um bandido. Ele acaba de cometer um assalto, há mortos. Estamos nos anos 70, ela tem 19 anos e, como num sonho acordado, salta do espaço restrito do apartamento paterno – de longos corredores, num belo bairro – e mergulha de cabeça numa geografia fugitiva – da Espanha para o Marrocos e para a Grécia – passando de uma vida de garota normal para vida que ela escolheu, com suas delícias e conseqüências.</p>
<p>
<p>*<b>15/03</b> (TER)* *Assassinas* *Meurtrières* (2005). De Patrice Grandperret – Drama – 97’. </p>
<p>O encontro de duas jovens normais e um pouco frágeis. Entre elas, uma identicacação imediata. Juntas, elas são fortes, eufóricas. Sem muita sorte, nem muito dinheiro, elas têm apenas seus sonhos. Duas jovens em busca do amor. Cada instante que passa, cada encontro lhes fecha um pouco mais as portas de um mundo que elas não têm as chaves. Com nada no bolso, não se vai longe, ou diretamente muito longe.</p>
<p>
<p>*<b>17/03</b> (QUI)* *De volta à Normandia * *Retour en Normandie* (2006). De Nicolas Philibert. Documentário – Duração 113’. </p>
<p>Em 1975, Nicolas Philibert foi assistente de direção de René Allio em Eu, Pierre Rivière, que degolei minha mãe, minha irmã e meu irmão, baseado num crime local descrito em livro pelo filósofo Michel Foucault. Filmado na Normandia, a alguns quilômetros de onde aconteceu o triplo assassinato, o traço mais especial do trabalho de Allio era o fato de que todos os personagens do filme foram interpretados por camponeses da região. Trinta anos depois, Philibert retorna à Normandia para reencontrar estes atores de ocasião, personagens da vida real.</p>
<p>
<p>*<b>22/03 </b>(TER)* *O Último dos Loucos* *Le dernier des fous* (2006). De Laurent Achard – Drama – Duração 96’. </p>
<p>É verão e começo das férias. Martin tem onze anos, vive na fazenda de seus pais e observa, desamparado, a desunião de sua família: sua mãe vive enfurnada em seu quarto, seu irmão mais velho, que ele adora, se afoga no álcool, e seu pai é dominado pela avó. O menino assiste a um desastre familiar. Mas Mistigri, seu gato, e Malika, uma amiga marroquina procuram lhe reconfortar de alguma forma.</p>
<p>
<p>*<b>29/03</b> (TER)* *Povoado number one* *Bled Number One *(2006).* *De Rabah Ameur Zaïmeche – Drama – Duração 100’.</p>
<p>Mal saiu da prisão, Kamel é expulso da França para seu país de origem, a Argélia. Este exílio forçado o leva a observar com lucidez um país em plena transformação dividido entre o desejo de modernidade e o peso das tradições ancestrais. **</p>
<p>
<p>*<b>31/03</b> (QUI)* *A França * *La France* (2007). De Serze Bozon – Drama – Duração 102’. </p>
<p>No outono de 1917, a guerra prossegue. A milhas de distância do campo de batalha, a jovem Camille leva uma vida marcada pelas notícias que seu marido manda do front. Um dia ela recebe uma carta em que ele termina com o casamento. Desnorteada e determinada a continuar a qualquer custo, Camille decide se disfarçar de homem para encontrá-lo. Ela segue direto ao front de guerra, cortando caminho pelos campos para evitar as autoridades. Numa floresta, passa por um pequeno grupo de soldados que não suspeita de sua identidade. Ela os segue e assim embarca numa nova vida e, conforme os dias e as noites passam, descobre o que nunca poderia imaginar, o que seu marido nunca lhe contou e o que seus novos companheiros irão evitar lhe mostrar: a verdadeira França.</p>
<p>
<p>*<b>05/04</b> (TER)*  *Tudo Perdoado * *Tout est pardonné* (2007). De Mia Hansen-Løve – Drama – Duração 95’.</p>
<p>Victor vive em Viena com Annette, sua esposa e sua filha Pamela. É primavera. Fugindo do trabalho, Victor passa os dias fora, brinca com a filha e vadia no Parque. Apaixonada, Annette está confiante que ele se ajeitará. Mas Victor não abandona os maus hábitos e acaba se apaixonando por uma jovem junkie. Onze anos depois, Pamela descobre que o pai vive na mesma cidade e decide vê-lo novamente.</p>
</p>
<p>  *–<br/>Fernanda Fernandes<br/>Agente de Cultura e Lazer SESC São Leopoldo<br/>ffernandes@sesc-rs.com.br<br/>(51) 3592 2129<br/>*</p>
</p></p></p></p></p></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O tirano que comprou o Ocidente</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">11b300-o-tirano-que-comprou-o-ocidente</guid>
      <pubDate>Mon, 28 Feb 2011 15:16:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/02/2011</p><a href="http://www.elpais.com/articulo/reportajes/tirano/compro/Occidente/elpepusocdmg/20110227elpdmgrep_1/Tes"> esta reportagem</a>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Sandubão</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 28 Feb 2011 00:31:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/02/2011</p><p>Para que eu possa escrever neste blog, precisam ocorrer três eventos ao mesmo tempo: assunto, inspiração, computador, internet e tempo. Ok, são cinco eventos então. Por isso, minha tendência é sempre passar longos períodos sem postar e, num dado momento, escrever cinco ou seis textos diferentes tudo no mesmo dia. E eles podem ter algo a ver uns com os outros ou não.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Geometria</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">11b298-geometria</guid>
      <pubDate>Sun, 27 Feb 2011 23:50:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/02/2011</p><p>Li uma vez em algum lugar, acho que em uma entrevista de Deleuze (talvez o Abecedário, não sei), que direita e esquerda não existem, e nem nunca existiram.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Comorbidade</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">11b297-comorbidade</guid>
      <pubDate>Sun, 27 Feb 2011 23:26:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/02/2011</p><p>Existem coisas que se faz de um modo que não se deveria fazer e, se algo sai errado por causa dos outros, ainda assim irão culpar quem estava fazendo as coisas de modo errado, e não os outros que botaram tudo a perder. Atravessar fora da faixa de segurança, por exemplo, está errado, mas mesmo assim milhares de pessoas fazem isso todo o dia, e se alguém é atropelado fora da faixa, alguém vai aparecer para dizer “é, mas tava fora da faixa”, apesar de a prudência na direção ser necessária independente de haver uma faixa ou não.</p><a href="http://www.estadao.com.br/noticias/geral,motorista-que-atropelou-ciclistas-deve-se-entregar-na-2,685303,0.htm">atropelamento criminoso</a>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Tiririca</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">11b296-tiririca</guid>
      <pubDate>Sun, 27 Feb 2011 19:25:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/02/2011</p><p>Eu não me recordo quando foi que Boris Casoy “deixou escapar” seu desprezo para com os lixeiros que desejavam felicidades ao público da Band, mas me recordo da indignação, relativamente expressiva, que isto causou na época. Uma indignação mais do que justificada, pois desprezar alguém baseando-se em sua profissão não é diferente de desprezar alguém por conta de sua cor, nacionalidade, orientação sexual, religião, gênero, etc. Como estamos em um país livre, as pessoas tem liberdade de desprezarem quem quiserem pelo motivo que for, mas eu também me dou liberdade para supor a mentalidadezinha medíocre que sustenta um desprezo baseado no que foi mencionado na frase anterior. Bom, agora você já sabe o que o Boris despreza e o que eu desprezo também.</p><a href="http://www.estadao.com.br/especiais/o-novo-congresso-nacional,130363.htm">sabe-se lá que outras profissões</a>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Vênus e Mercúrio</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">11b295-venus-e-mercurio</guid>
      <pubDate>Wed, 16 Feb 2011 11:04:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>16/02/2011</p><p>Acho que astrologia funciona, mas não no sentido de prever se eu vou ter filhos e quantos, como será meu casamento ou se devo fazer tal coisa ou não. Indiretamente, ela faz isso, mas mais porque indica tendências psicológicas do que por supostamente prever o futuro.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Oposição</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">11b294-oposicao</guid>
      <pubDate>Wed, 16 Feb 2011 10:25:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>16/02/2011</p><p>No início deste ano, ou no final do ano passado, eu tive uma discussão (no sentido de debate) com alguém do twitter. Aparentemente era um jornalista e no fim ele me bloqueou – mas já estou fazendo terapia para me recuperar disto.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Motivos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">11b293-motivos</guid>
      <pubDate>Mon, 14 Feb 2011 20:28:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/02/2011</p><p>Eu ainda estou às voltas com meus motivos pelos quais começar (re-começar, na verdade) um blog. Da primeira vez, era algo terapêutico. Era outras coisas também, mas principalmente terapêutico. Não pelo fato de eu falar sobre a minha vida, mas sim por alguma coisa parecida com ter voz. Era isso ou começar a falar sozinho. Por isso não me importava – e ainda não me importa – ser relevante. Não que eu não queira que ninguém leia esse blog, pelo contrário, faço muito gosto; a questão é que antes da leitura alheia, vem minha própria escrita.</p><a href="http://olhometro.com/">Olhômetro</a><a href="http://somosandando.wordpress.com/">Somos Andando</a>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Um blog desinteressante</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">11b292-um-blog-desinteressante</guid>
      <pubDate>Mon, 14 Feb 2011 13:29:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/02/2011</p><p>Eu tinha, quando fiz esse blog, uma preocupação em fazer uma “geografia” de mim, ao invés de contar algo como uma história, ou um histórico de mim – por isso o endereço é minhageografia, e não minhahistoria, que devo ter cogitado em princípio (e além disso ia ficar com cara de título de música). Embora eu ainda tenha a mesma idéia, a de não estabelecer uma coerência entre os meus posts (é um blog sobre coisa alguma, qualquer coisa; antes de ser sobre mim, é a partir de mim), não quero mais brincar de geografia: se antes ele era um “front anti-historicizante” (ainda que muito discretamente), hoje tanto faz: eu não tenho mais nada contra a historicização, e apenas uma tênue preferência pela geografia, mas isso – repito – não faz mais diferença.</p><p>Dentre as minhas muitas opiniões anteriores: algumas continuam as mesmas, outras mudaram, outras mudaram em parte, outras mudaram tanto que até parecem outra opinião, outras são sobre assuntos aos quais não dou mais importância, outras são sobre assuntos aos quais ainda dou importância, a questão é: não me comprometo com elas. Pode ser que hoje eu dê uma opinião diferente da opinião de dois anos atrás sobre o mesmo assunto, pode ser que seja a mesma, etc. Talvez eu leia o que eu escrevi, talvez não. </p><p>É que naquela época ter um blog não era como me parece que é agora: mas tanto hoje como ontem eu não espero ter relevância, e nem escrever com maior clareza. A única diferença é que agora eu tenho um twitter e talvez eu faça propaganda deste blog lá.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Ontem</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">11b291-ontem</guid>
      <pubDate>Mon, 14 Feb 2011 13:27:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/02/2011</p><p>Eu comecei este blog há duzentos anos (desde 2006, mais precisamente) sabe Deus por que motivo. Tem um post, de 4 ou 5 anos atrás, que explica/define/posiciona o blog e o seu autor (eu).</p><p>Mas me interessa mais explicar o que, hoje, eu acho que era e o que ele é ou vai ser ser hoje e adiante – eu poderia simplesmente copiar e colar, ou então linkar aquele post, mas preferi nem ler ele, porque eu sou simultaneamente a mesma e outra pessoa em relação àquele tempo.</p><p>Minha idéia, naquela época, era fazer um registro dos meus pensamentos, idéias, reflexões, vida, etc. Tinha a intenção de fazer algo semelhante a quebrar um paradigma “historiográfico” e organiza-lo de um modo “geográfico”, porque na época eu andava lendo Mil Platôs e coisas assim. Por “geográfico” eu entendia registrar algo sobre diferentes “setores” da minha vida, pressupondo não seria uma exposição exaustiva de nenhum deles, e tendo por critério principal (mas não único) o fato de tal ou qual assunto estar em evidência na minha vida ou nos meus pensamentos. Ou seja, nada de regularidades (não era um blog sobre alguma coisa, nem sobre mim), a não ser aquilo que estivesse em destaque no momento. A idéia de uma geografia (considere que não sou um geógrafo nem tenho qualquer tipo de formação neste assunto) era esta: uma “vista” parcial sobre uma determinada “região” (= minha vida, ou meus estudos, ou uma notícia qualquer, etc) minha, sem necessariamente condicionar as postagens posteriores às anteriores, a não ser eventualmente; era para ser diferente de uma história porque não estava preso (o blog) a nenhum tipo de coerência temporal, pois eu poderia falar sobre algo antigo, atual ou divagar sobre o futuro sem pautar o texto por isto.</p><p>E no próximo post eu falo sobre o que é para ser o blog a partir de agora.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Nem lembrava deste blog…</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">11b290-nem-lembrava-deste-blog</guid>
      <pubDate>Mon, 14 Feb 2011 11:21:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/02/2011</p><p>Oh! :O</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Relação</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 14 May 2009 22:41:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/05/2009</p><a href="http://www.avaaz.org/">http://www.avaaz.org</a><a href="http://br.rd.yahoo.com/mail/taglines/mail/*http://br.maisbuscados.yahoo.com/">Top 10</a><a href="http://br.rd.yahoo.com/mail/taglines/mail/*http://br.maisbuscados.yahoo.com/celebridades/">Celebridades</a><a href="http://br.rd.yahoo.com/mail/taglines/mail/*http://br.maisbuscados.yahoo.com/m%C3%BAsica/">Música</a><a href="http://br.rd.yahoo.com/mail/taglines/mail/*http://br.maisbuscados.yahoo.com/esportes/">Esportes</a>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Tesão pelo amor e amor pelo tesão</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">09d288-tesao-pelo-amor-e-amor-pelo-tesao</guid>
      <pubDate>Mon, 06 Apr 2009 12:45:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/04/2009</p><p>Existe o amor e existe o tesão, que são duas coisas diferentes.</p><p>Mas você pode ter amor pelo tesão. Pode-se amar de tudo (se aquilo que você ama vai lhe fazer bem, depende daquilo que você ama e da maneira como se relaciona com esse amor), inclusive o tesão. Esse é o caso daquelas pessoas que conseguem fazer sexo com tudo o que lhes dá tesão. Não é necessariamente o caso de uma pessoa bissexual. Mas é o caso de uma pessoa que tenha necessidade, quase descontrolada, de fazer sexo com aquilo – qualquer coisa, toda coisa – que lhe dê tesão, que lhe excite.</p><p>E você também pode ter tesão pelo amor. Assim como pode-se amar de tudo, pode-se sentir tesão por tudo, também (e, novamente, aquilo que lhe causa tesão pode lhe fazer bem ou mal dependendo do que lhe dá tesão e da maneira como você se relaciona com seu tesão), inclusive pelo amor. Esse é o caso das pessoas que não conseguem diferenciar sexo de amor. Transar somente com a pessoa que se ama, ficar anos sem transar com ninguém são coisas normais para pessoas assim.</p><p>Mas as pessoas não se dividem entre esses dois grupos, o grupo do amor pelo tesão e o grupo do tesão pelo amor – nada mais brochante do que ouvir a clássica (machista, antiquada e sem-graça) estereotipação “mulheres fazem sexo por amor, e o homens amam para fazer sexo”, ou “homens diferenciam sexo de amor, e mulheres não”, essas classificações preguiçosas, enfadonhas, malvadas e nocivas.</p><p>Uma pessoa pode sentir tesão pelo amor e, também, amar o tesão; pode ser que essa pessoa dê maior proeminência ao tesão ou ao amor, mas que considere ambas as coisas indispensáveis; ou pode ser também que considere ambas dispensáveis. Uma pessoa pode amar mais seu conforto, status ou segurança financeira do que a uma pessoa, ou sentir mais tesão por essas coisas do que por uma pessoa, e pode ser que esse “uma pessoa” seja “qualquer pessoa”. Ou pode amar as pessoas e sentir tesão por outras coisas – e tanto pode sentir tesão pelo amor quanto pode sentir amor pelo tesão; sem contar que pode sentir tesão pelas pessoas (por todas, por algumas, por algum tipo de pessoas, por uma característica determinada) e amar outras coisas (como status, segurança financeira ou carros). Uma pessoa pode amar um tipo de pessoas (seus filhos, as pessoas de um determinado gênero) e sentir tesão por outras (amantes, pessoas loiras), e pode ou não sentir mais amor pelo tesão, ou mais tesão pelo amor.</p><p>Por isso, graças a essas inúmeras configurações humanas, que simplesmente classificar as pessoas entre o grupo que ama o tesão e o que tem tesão pelo amor é, no mínimo, um pouco de preguiça de pensar.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Holocausto</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">09b287-holocausto</guid>
      <pubDate>Fri, 27 Feb 2009 12:29:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/02/2009</p><p>Por um lado, um bispo católico dá uma entrevista em que nega que tenha havido o holocausto judeu – no máximo, um 200 ou 300 mil mortos*, segundo o bispo; de outro lado, uma reação internacional contra as declarações. Ótimo que tenha havido uma reação internacional contra um absurdo destes. Existem três motivos para você negar o holocausto: ou você é nazista, ou apenas não gosta de judeus, ou é uma pessoa um tanto burra. Duvido que existam outros motivos – portanto, duvido que qualquer negação do holocausto seja justificada.</p><p>A reação internacional contra a posição do bispo se baseia em uma aversão generalizada ao nazismo  (aversão esta muito bem-vinda). O problema desta aversão é que ela é limitada, acontece praticamente apenas na esfera do uso dos símbolos e das palavras.</p><p>Ninguém pode dizer “viva o nazismo!” ou “heill Hitler!” impunemente hoje em dia, e muito menos ostentar uma suástica na sua pele. Mas qualquer um pode decidir expulsar imigrantes do seu país, e ainda por cima sob argumentos como o desemprego (os imigrantes “roubam” os empregos dos cidadãos – um argumento muito parecido com um dos que o regime nazista usava para justificar-se), pode tratar estrangeiros como frutas podres, deportar em massa, praticar a xenofobia sem reservas, que é o que acontece na Europa hoje em dia; assim como qualquer um pode atacar um árabe, alguns árabes ou mesmo uma região habitada na maioria por árabes porque eles são terroristas, malvados, etc, qualquer um pode, inclusive, negar a um estado muçulmano o direito de manipular energia atômica, porque (supostamente) um estado muçulmano não é tão confiável, e porquê não é confiável?, porque é muçulmano.</p><p>Ninguém pode dizer “viva o nazismo!” ou “heill Hitler!” impunemente hoje em dia, e muito menos ostentar uma suástica na sua pele. Mas pode adotar práticas semelhantes, sob outras justificativas, sob outros nomes e sem as mesmas palavras de ordem do nazismo, sem maiores preocupações. Talvez falte expandir a aversão ao nazismo à esfera da prática, ou talvez a prática seja um indício de que a aversão não existe na esfera dos valores.</p><p>Mas é interessante observar como o aprendizado que o erro nazista trouxe (porque toda a Europa diz que aprendeu com este erro) não foi a necessidade da criação de meios de evitar o preconceito, no caso um preconceito xenófobo, mas sim a importância de camuflar práticas condenáveis sob termos inofensivos. Ou seja, a principallição do nazismo parece ter sido a importância e a necessidade da dissimulação.</p><p>*como se 200 ou 300 mil pessoas mortas não fosse um holocausto.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Sonho</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">08k286-sonho</guid>
      <pubDate>Fri, 21 Nov 2008 02:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>21/11/2008</p><p>Eu sou um sonho que não aconteceu. Sonhos não são reconhecidos. Ninguém dá importância aos sonhos – talvez apenas quem os sonhe; mas ninguém quer saber dos sonhos alheios. Especialmente dos que não aconteceram.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A hora e a vez da lixeira</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">08j285-a-hora-e-a-vez-da-lixeira</guid>
      <pubDate>Sat, 18 Oct 2008 19:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/10/2008</p><p>Existem muitos motivos pelos quais alguém não goste – ou deixe de gostar – de você: incompatibilidade de gênios, incompatibilidade de valores, incompatibilidade de tempo, pode ter perdido a graça, você pode magoar muito a pessoa, fazer algo de que ela não tenha gostado, pode ser que alguém tenha inventado coisas sobre você e a outra pessoa acreditou, enfim, motivos não faltam.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Idéias</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">08j284-ideias</guid>
      <pubDate>Sat, 18 Oct 2008 04:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/10/2008</p><p>Idéias</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O Pensamento Hetero</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">08j283-o-pensamento-hetero</guid>
      <pubDate>Thu, 02 Oct 2008 04:18:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>02/10/2008</p><p>Às vezes é bom falar de um texto que você leu a muito tempo. Não é didático nem instrutivo, pois você não sabe o que está inventando, o que está esquecendo e o que está falando corretamente. Mas é bom para ver o que ficou do texto.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Tempos modernos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">08i282-tempos-modernos</guid>
      <pubDate>Sat, 20 Sep 2008 04:03:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/09/2008</p><p>Estou lendo, para um grupo de pesquisa, um livro chamado Modernidade Líquida. A idéia central do autor é identificar a modernidade pós-revolução industrial como uma sociedade cada vez mais “liquifeita”. O liquido serve como metáfora que representa a enorme mobilidade, a velocidade das mudanças e transformações a que nos sujeitamos, em contraposição a um passado onde as mudanças eram lentas. Mas o principal não são as grandes mudanças históricas, e sim as “micro-mudanças”, as relações interpessoais, sociais, trabalhistas, etc, todas elas pautadas pelo ritmo líquido da sociedade: o que vale para hoje pode não valer para amanhã, o que valia há duas horas atrás pode não valer agora – e se vale agora, pode não valer mais daqui a meia hora. Isso é menos o que diz o autor e mais aquilo que eu compreendo. </p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Hillary ou Palin? Pallin ou Hilary?</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">08i281-hillary-ou-palin-pallin-ou-hilary</guid>
      <pubDate>Mon, 15 Sep 2008 04:12:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/09/2008</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Aconteceu (Marisa Monte e não sei mais quem)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">08i280-aconteceu-marisa-monte-e-nao-sei-mais-quem</guid>
      <pubDate>Sun, 14 Sep 2008 22:22:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/09/2008</p><p>Aconteceu<br/>O que aconteceu<br/>Foi melhor assim<br/>Estava por um fio<br/>Estava por um triz<br/>Estava já no fim<br/>Todo mundo via<br/>Que acontecia<br/>Pois aconteceu<br/>Era o que devia<br/>Quando um descaminho<br/>Acha o seu desvio<br/>Tudo se alivia<br/>Foi melhor assim<br/>Quando dei por mim<br/>Já estava aqui e agora</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Adeus</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">08i279-adeus</guid>
      <pubDate>Sun, 14 Sep 2008 06:20:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/09/2008</p><p>Suponho que “adeus” tenha surgido da seguinte forma: duas pessoas vão se despedir, e entregam a outra a Deus. Se for assim, então talvez a idéia completa fosse “te entrego a Deus”. Mais ou menos como um “fique com Deus” ou “vai com Deus” (minha vó diria “que Deus te proteja”, mas ela costuma se contentar com um “te cuida” – minha vó merece um post uma hora dessas).</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Delírio</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">08i278-delirio</guid>
      <pubDate>Fri, 12 Sep 2008 18:26:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/09/2008</p><p>Há tempos atrás, meu sentimento de bem-estar somente acontecia quando reconhecia o teu bem-estar. Minha alegria era a tua alegria e o teu sorriso me deixava feliz não porque era belo, mas porque por ele eu supunha a tua felicidade. Aprendi mais tarde a ser feliz com outras coisas – inclusive minhas – além de ser feliz apenas com a tua felicidade.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Movimento</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">08i277-movimento</guid>
      <pubDate>Thu, 11 Sep 2008 02:44:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/09/2008</p><p>Eu gosto da mobilidade, do movimento. A principal imagem que me vem à mente são placas tectônicas deslizando umas sobre as outras. Talvez porque seja um movimento ininterrupto, mas que preserva alguma coisa. No caso, o formato da terra.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Contradições</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">08i276-contradicoes</guid>
      <pubDate>Thu, 11 Sep 2008 02:38:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/09/2008</p><p>Sentimentos contraditórios: estou feliz, angustiado, apreensivo, cheio de expectativas, contente, animado, fraco e estimulado. Além disso, em um nível secundário: esgotado, mas cheio de planos.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>As coisas que vem depois do X e os prefixos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">08i275-as-coisas-que-vem-depois-do-x-e-os-prefixos</guid>
      <pubDate>Tue, 09 Sep 2008 01:23:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/09/2008</p><p>O problema não são as mulheres ou os homens, nem os homo ou os heterossexuais.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Retificação</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">08i274-retificacao</guid>
      <pubDate>Mon, 08 Sep 2008 19:17:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>08/09/2008</p><p>Acho que vou retificar um pouco o que disse abaixo.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Coisas aleatórias</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">08i273-coisas-aleatorias</guid>
      <pubDate>Sun, 07 Sep 2008 07:17:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/09/2008</p><p>Existem aquelas pessoas que eu amo. São pessoas que por algum motivo me fazem bem emocionalmente, que aumentam o prazer que eu tenho de viver.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Google Chrome</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">08i272-google-chrome</guid>
      <pubDate>Thu, 04 Sep 2008 02:41:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>04/09/2008</p><img width="600" alt="" src="/midia/08i272-google-chrome.jpg"/><p><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/78c72-chrome2.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/a9160-chrome2.jpg]</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Anaïs Nin</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 03 Sep 2008 20:51:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/09/2008</p><p>A minha primeira visão da terra foi através da água. Pertenço à raça de homens e mulheres que olham todas as coisas através desta cortina de mar e os meus olhos são a cor da água.</p><p>Olhava com olhos de camaleão a Face mutável do mundo e considerava anonimamente o meu ser incompleto.</p><p>Lembro o meu primeiro nascimento na água. À minha volta a transparência sulfurosa e os meus ossos moviam-se como se fossem de borracha. Oscilo e flutuo nas pontas sem ossos dos meus pés atenta aos sons distantes, sons para além do alcance de ouvidos humanos, vejo coisas que são para além do alcance dos olhos. Nasço cheia das memórias dos sinos da Atlântida. Sempre à espera de sons perdidos e à procura de perdidas cores, permanecendo para sempre no limiar como alguém perturbado por recordações, corto o ar a passo largo com largos golpes de barbatana e nado através de quartos sem paredes.</p><p>Expulsadas de um paraíso de ausência de som, catedrais ondulam à passagem de um corpo, como música sem som.</p><p>Esta Atlântida só podia ser novamente encontrada à noite pelo caminho do sonho. Logo que o sono cobria a rígida cidade nova e a rigidez do novo mundo, abriam-se os portais mais pesados deslizando em gonzos oleados e entrava-se na ausência de voz que pertence ao sonho. Era o terror e a alegria de homicídios conseguidos em silêncio, um silêncio de calhas e de escovas. O lençol de água cobrindo tudo e abafando a voz. E um monstro trouxe-me, por acaso, à superfície.</p><p>Perdida dentro das cores da Atlântida, cores que vão dar a outras e se misturam sem fronteiras. Peixes feitos de veludo, de organdi com dentes de rendas, feitos de tafetá, recamados de lantejoulas, peixes de seda e penas e plumas, com flancos laçados e olhos de cristal de rocha, peixes de couro curtido com olhos de groselha, olhos como o branco de um ovo. Flores palpitando-lhes nas hastes como corações de mar. Nenhum deles sentindo o seu próprio peso, o cavalo-marinho movendo-se como uma pena…</p><p>Era como um longo bocejo. Eu amava a facilidade e a cegueira e as mansas viagens na água transportando-nos através de obstáculos. A água estava ali para nos transportar como um abraço gigante; havia sempre a água para nos repousar, e que nos transmitia as vidas e os amores, as palavras e os pensamentos.</p><p>Eu dormia muito abaixo do nível das tempestades. Movia-me dentro da cor e da música como dentro de um diamante-mar. Não havia correntes de pensamentos, apenas a carícia-fluxo-desejo misturando-se, tocando, afastando, vagueando – no abismo infinito da água.</p><p>Não me lembro de ali estar frio, nem calor. Nenhuma dor provocada pelo frio ou pelo calor. A temperatura do sono, sem febre e sem arrepio. Não me lembro de ter tido fome. Era-se alimentado através de poros invisíveis. Não me lembro de ter chorado.</p><p>Sentia apenas a carícia de mover-me – de passar para um outro corpo – absorvida e perdida dentro da carne de outrem, embalada pelo ritmo da água, pela lenta palpitação dos sentidos, pelo deslizar de seda.</p><p>Amando sem consciência, movendo-me sem esforço, numa corrente branda de água e de desejo, respirando num êxtase de dissolução.</p><p>Acordei de madrugada, atirada para uma rocha, esqueleto de um barco sufocado nas suas próprias velas.</p><p><br/></p><p>(trecho do livro A Casa do Incesto)</p><p>
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Coisas que eu não entendo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 31 Aug 2008 02:17:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>31/08/2008</p><p>Quando prenderam o tal Daniel Dantas – o banqueiro, não o ator – o cara conseguiu dois mandatos de sei-lá-o-quê para não ficar preso em questão de horas. Quem deu esse presentão foi tal do ministro Gilmar Mendes (que é presidente do STF – não era a Ellen Gracie???)<br/>Se  o cara – o ministro – não é corrupoto, gente boa também não é, porque se a suspeita fosse sobre mim ou você, ele não ia facilitar tanto assim a nossa vida – ou será que ia? De qualquer modo, eu, quando ando na rua, tenho que andar com um olho nos bandidos e o outro nos policiais, quer eu esteja fazendo algo ilegal, quer não – e não vem ministro nenhum garantir nada para mim.</p><p>Até aí, tudo bem – é uma lei informal que a sua proteção estatal é proporcional à sua riqueza.</p><p>Mas aí ver em quase toda a mídia o Gilmar Mendes ser pouco a pouco transformado em herói, porque luta contra o nepotismo, porque quer reformar não sei o quê, porque colocaram uma escuta na sala dele  – quando qualquer um envolvido com algum criminoso ou suspeito está sujeito a isso – e porque ele está sofrendo com o estado policialesco, é nojento!! Eu sofro tanto pelo excesso de policiamento – porque se eu sair sem minha carteira de identidade vou direto para a cadeira – quanto pela falta de policiamento – porque aqui no centro da cidade tem brigadiano saindo pelo ladrão (sem trocadilho), enquanto que basta você se deslocar 1km do centro e você só encontra os bandidos gozando da segurança de que não vão encontrar a polícia ali. Quem sofre com o estado policialesco sou eu!! Vá ver se o pobre coitado do ministro não pode usufruir das vantagens da democracia mais do que eu – tais como ir e vir (porque eu só consigo ir e vir até onde minhas pernas alcançam, afinal o ônibus está caro e a carteira de motorista também), acesso à alimentação decente (quem me garante isso é minha mãe, e não a democracia) e educação (quem me garante isso é a briga semestral com a universidade para que eu possa fazer menos cadeiras do que o mínimo permitido). O problema não é a democracia, é gente se sentindo ofendida em cadeia nacional com coisas que a ralé que não é ministra de nada convive diariamente sem que o JN venha fazer uma reportagem.</p><p>Eu, quando me sinto amedrontado pelo sistema, posso no máximo fumar um cigarro de preocupação. Porque uma besta dessas não pega vai ler um livro ou fazer ioga e pára de chorar para o William Boner que está sendo perseguido.<br/>Ah, é! Ele faz isso porque é um servidor público que trabalha para garantir a minha liberdade, tinha esquecido dessa sua nobreza de espírito.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Resoluções para Setembro</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 31 Aug 2008 01:20:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>31/08/2008</p><p>Todas as pessoas costumam fazer resoluções de ano-novo. Mas porque não se faz resoluções, também, de semana nova (além da dieta, claro), de nova fase da lua, de quinzena nova, semestre novo, dia novo, etc?<br/>Eu, no momento, vou fazer minhas resoluções de mês novo. Dependendo, as mantenho para os próximos meses:</p><p>a) vou dedicar mais tempo para estudar, ler, ouvir música, descansar e comer com calma e sem pressa – quer dizer, dedicar mais tempo a mim. É incrível como uma pessoa pode dedicar tanto tempo aos outros em detrimento de tempo para si. Tem aqueles tempos que você não pode determinar: horas de trabalho, horas de sala de aula, horas de deslocamento, etc. Mas dá para dedicar menos tempo a coisas que têm menor retorno.<br/>As horas que eu dedico a gastar dinheiro: para gastar menos dinheiro, eu acabo gastando tempo demais pesquisando preço mais barato, indo mais longe – geralmente a pé – para comprar mais barato, calculando quanto dinheiro eu tenho, quanto custa o que eu quero, se vale a pena gastar ou não com aquilo, etc; na dúvida, não levo e deu. Porque, de qualquer maneira, eu entro sempre no cheque especial no fim do mês e o vale-refeição acaba antes que eu termine de comer. Então, menos tempo dedicado a gastar dinheiro.<br/>Tem também as horas que eu dedico aos outros: quebrar um galho aqui, ouvir um problema ali, visitar algém mais para lá, essas coisas. Eu não me dedico às pessoas de quem eu gosto esperando retorno – infelizmente, eu tenho o costume de pressupor que, assim como eu faço algo por alguém só porque gosto da pessoa, a pessoa fará o mesmo por mim. Ou é um problema de erro de julgamento meu, ou então as pessoas são assim, tal como eu, mas não gostam tanto assim de mim, não sei. Sei apenas que quando eu preciso, não encontro ninguém. Então, em vez de tentar contribuir para com as necessidades dos meus amigos, vou contribuir mais para com a minha necessidade. Não que eu não queira o bem das pessoas, pelo contrário: mas vou ficar só no “boa sorte”.</p><p>b) vou dormir e acordar cedo durante a semana, e dormir e acordar tarde nos fins de semana. Porque eu tenho feito o contrário: chego sempre em cima da hora no trabalho, e aproveito as maravilhosas manhãs do fim de semana. Está errado isso. Tudo errado.</p><p>c) vou parar de ser legal gratuitamente com os outros. Porque só eu faço isso e isso dá trabalho. É mais fácil mandar todo mundo se fuder por padrão e ser excepcionalmente legal só em certos casos. Cansei de me desgastar para ser legal por padrão e só mandar se fuder excepcionalmente em certos casos. Isso se chama “ligar o foda-se”.</p><p>d) vou escrever mais. Acho que é a resolução para Setembro mais simples que fiz.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>limite</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 15 Aug 2008 01:59:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/08/2008</p><p>De todas as pessoas no mundo, existem as que eu conheço. De todas as que eu conheço, existem as que tem alguma relação maior comigo, coisas em comum como morar na mesma cidade, trabalhar no mesmo lugar, compartilhar os mesmos interesses, essas coisas. De todas estas últimas, há algumas com quem eu convivo mais, seja por obrigação, seja por gosto.</p><p>Desse afunilamento, desde o mundo inteiro até as pessoas com quem eu convivo, eu precisava conviver com as pessoas, com o tipo de pessoas mais nocivo a mim? Eu precisava viver com o tipo de pessoas mais intolerante, mais formatada, mais tosca, mais centrada em si mesma, mais mesquinha, mais arrogante, mais distante de mim?</p><p>Poderia ser pior? Poderia: eu podia viver em um lugar onde eu fosse explorado sexualmente, economicamente, ou poderia viver em meio a tiroteios constantes, ou sem saneamento básico, qualquer desses horrores a que muitas pessoas estão sujeitas. Mas só porque poderia ser pior não quer dizer que não seja horrível e insuportável!!!</p><p>Eu nunca desisti de fazer as coisas com as quais eu sonho. Já desisti de muitas coisas, e muitos sonhos eu nem comecei porque não via perspectivas concretas de realizar no momento. Mas dos sonhos que eu comecei, eu nunca desisti e fui até o fim, nem que fosse apenas para terminar, mesmo que fosse mal terminado.</p><p>Eu já abri mão de muitas coisas na vida. Já me joguei no lixo inúmeras vezes. Mas de certos aspectos, de certas coisas minhas eu nunca abri mão. Eu não sei se talvez meu erro seja preservar uma ou duas coisas intocáveis, quando deveria, na verdade, abrir mão de tudo e me deixar levar, apostar e ver no que dá de maneira absoluta.</p><p>Às vezes é necessário desistir de certos projetos. Mas a minha única saída, a única perspectiva à minha disposição é desistir de projetar, de ter perspectivas, de sair do mesmo lugar em que eu me encontro.</p><p>Eu já não sou a mesma pessoa que era quando eu tinha, sei lá, 10, 14 e mesmo 20 anos. Mas mesmo com todas essas mudanças, eu continuo sempre e sempre à mercê exatamente das mesmas coisas a que sempre estive à mercê. É como se livrar-se desse horror fosse um trabalho de Sísifo. Mas não é a pedra, e sim eu que sempre rolo montanha abaixo, para recomeçar tudo novamente.</p><p>E a cada dia que passa a pedra se torna mais e mais pesada.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Quebra-galho</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 14 Aug 2008 22:09:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/08/2008</p><p>Isso não é uma avaliação sobre a maneira como as pessoas agem para comigo, pelo menos não necessariamente, mas sim uma avaliação sobre a maneira como eu enxergo as ações das pessoas.</p><p>A impressão que eu tenho é que as pessoas se aproximam mais de mim quando estão em uma fase ruim, e se afastam quando estão bem. Como se o único interesse que eu possa causar seja o de ser um ombro amigo para quando se está mal, e, depois, quando a pessoa está bem (não que eu tenha sido o que fez com que a pessoa melhorasse), vai se divertir e ser feliz com quem realmente interessa.</p><p>Eu não sou a pessoa a ser procurada para compartilhar coisas boas (não que ninguém compartilhe coisas boas comigo, eu acho), mas sim para compartilhar as desgraças da vida, para servir de apoio.</p><p>Sei lá, é ruim você descobrir que é uma pessoa exclusivamente temporária na vida das outras.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>…</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 14 Aug 2008 21:29:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/08/2008</p><p>Eu não deveria ser tão sensível. É tão patético da minha parte…</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Urgência e tamanho</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 14 Aug 2008 02:33:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/08/2008</p><p>Não existem pessoas com problemas maiores do que os meus. Eu detesto quando eu me arrisco a contar quais são os meus problemas, e tenho que ouvir que tem coisa pior no mundo, imagina os doentes, ou as pessoas sem comida na África, etc, estes sim têm problemas…</p><p>Primeiro, há uma diferença entre tamanho e urgência dos problemas.<br/>O tamanho de um problema é geralmente relativo à própria pessoa. Um mesmo problema por ter proporções muito diferentes para uma e para outra pessoa. E, geralmente, os problemas mais toscos não são às vezes capazes de ser resolvidos porque há algum problema maior e anterior que precisa ser resolvido – o que não torna certas pessoas menos chatas.<br/>A urgência do problema é outra coisa. Eu estou aqui, me sentindo mal, abandonado, sofrendo, etc, e que ninguém venha me dizer que isso não é nada! Mas concordo que não é um problema tão urgente quanto uma pessoa passando fome, ou uma pessoa que perdeu alguém que ama, por exemplo. Se as pessoas falassem em uma hierarquia de urgência, tudo bem. Mas meus problemas são sempre “probleminhas”.</p><p>Segundo, mesmo que eu aceitasse a idéia de que existem problemas maiores e problemas menores, ainda assim isso não deveria servir como redução dos meus problemas. Isso – essa idéia de que o probleminha de alguém não é nada comparado com o problemão de outra pessoa – às vezes (e eu disse às vezes) é sinal de que uma pessoa está com problemas, e vê outra com um problema “maior”, fica feliz e consolada porque tem alguém pior – ou seja, se contenta com a desgraça alheia. De qualquer maneira, o fato de outra pessoa ter um problema “maior” não diminui nem resolve o meu problema, e não me serve de estímulo para ignorá-lo. Mas não existe isso de problemas maiores ou menores. Existem problemas mais urgentes e menos urgentes. E o fato de haverem pessoas com problemas mais urgentes do que o meu não invalida os meus próprios problemas. É uma constatação triste a existência de pessoas com problemas mais urgentes que os meus, mas é uma constatação igualmente inútil tanto para mim com meus problemas menos urgentes, quanto para as outras pessoas com problemas mais urgentes. O fato de eu dar atenção aos meus problemas menos urgentes não significa que eu não dê bola para os problemas mais urgentes dos outros – significa apenas que eu também tenho meus problemas.</p><p>Eu não quero, com isso, “elogiar” o sofrimento menor. Só quero mostrar que um problema é sempe um problema, e os problemas alheios não resolvem os meus; e também que o tamanho de um problema é uma medida pessoal, somente a urgência deveria ser levada em conta.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Cada qual</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 12 Aug 2008 03:33:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/08/2008</p><p>Acho que meu problema é sobrevalorizar e universalizar o amor. Há tantas coisas que são acessíveis a outras pessoas e a mim não, assim como há coisas inacessíveis a outras pessoas que são acessíveis a, dentre outras pesssoas, eu.<br/>Talvez isso de amor, de alguém intressar-se, não seja para mim. Talvez haja outro caminho, sei lá, que não inclua alguém ter interesse por mim. Claro, a Receita Federal se interessa pelo meu CPF, as Lojas Americanas pelo meu dinheiro, meus amigos por saber que estou vivo. Mas amor, essa coisa toda de alguém se encantar comigo, não há. Para mim.<br/>Nem tudo o que vale para as outras pessoas vale necessariamente para mim. Simples desse jeito.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Afecção nº 5</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 09 Aug 2008 14:59:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/08/2008</p><p>“O desprezo (Contemptus) é a imaginação de uma coisa qualquer, imaginação que toca de tal modo pouco a alma que a alma é conduzida, pela presença desta coisa, a imaginar antes o que nela não existe que o que existe…” (Spinoza: Ética, Livro III, Definições das afecções, definição V)</p><p>Eu tenho crises de vez em quando. Nada patológico, ou orgânico, ou que seja resolvido com uma boa e velha receita médica, de qualquer modo. São crises emocionais, psicológicas, desse tipo de crises.</p><p>Geralmente ocorrem por conta de uma debilidade emocional minha. Quer dizer, se trata de uma incapacidade, naquele momento, de reagir emocionalmente a emoções prejudiciais, como sensação de opressão, de falta de autoestima, falta de perspectiva (desespero, mas moderado), coisas assim. Geralmente essas reações emocionais envolvem não deixar que as emoções mais convenientes sejam sobrepujadas pelas prejudiciais, o que me permite reagir, com alguma ação, contra o que me oprime, ou que me desespera, ou que desvaloriza, ou sub-valoriza, etc. Por isso, eu acho esses momentos de crise semelhante a uma AIDS emocional. Uma imuno-deficiência emocional que, por si só, não causa maiores danos (causa danos, mas reparáveis), mas que debilita minha capacidade de reagir, de me revoltar, de me colocar, essas reações que se tem frente a um ataque alheio. Digo isso considerando que essa situação nem se compara à AIDS, que, por mais tratamento que já possua, ainda assim é sério.</p><p>O HIV dessa AIDS emocional é o desprezo. Mas ao contrário do HIV original, este HIV emocional necessita de uma certa colaboração minha para ter forças.</p><p>Eu sempre tive problemas com o desprezo alheio. Durante um certo tempo da minha vida, eu me vi sempre sob a perspectiva alheia: se me aceitam, valho alguma coisa, e se não me aceitam, não valho nada, porque eu era tão valioso quanto as outras pessoas julgavam que eu era.<br/>Por algum motivo, eu sofro uma disposição a ser ignorado maior do que a média sofre. Assim, como eu me valorizava segundo o valor que davam para mim, mais essa minha facilidade em ser ignorado, o resultado era um auto-desprezo muito grande. Eu não sei se é a mesma coisa do que uma baixa autoestima, porque uma pessoa com baixa autoestima está convencida de que não vale nada; mas o meu caso era de me valorizar segundo o valor que me davam – quer dizer que hoje eu poderia não valer nada, e amanhã, tudo. Uma pessoa com baixa autoestima ainda afirma alguma coisa de si – afirma que não vale nada – (ainda que afirme algo prejudicial); eu, minha única afirmação era “vocês é que contam”, ou “o que eu valho é o que vocês dizem que eu valho”, como uma ação na bolsa de valores ou um litro de leite em uma prateleira de supermercado, que não possuem valores próprios, mas somente os atribuídos pela lei de oferta e procura exclusivamente, no caso das ações, e pela margem de lucro definida pelo supermercado mais a lei de oferta e procura, no caso do leite. A minha afirmação era de que eu não poderia afirmar nada, só ser afirmado.<br/>O desprezo alheio, portanto, tinha uma força muito grande sobre mim porque eu já me auto-desprezava de antemão, e esse auto-desprezo tanto favorece o desprezo alheio quanto qualquer outra ação alheia sobre mim. Eu não era algo em si (ou em mim), mas algo nos outros. É diferente de um parasita, que depende do hospedeiro para se manter; é mais um caso de um corpo inanimado que depende do ânimo alheio para ter vida, como um boneco de ventríloquo, um fantoche ou um verbo transitivo, ou então um caso de comensalismo, quando um indivíduo tira proveito de outro sem, no entanto, prejudicá-lo – como uma orquídea, que quando não tem acesso ao sol, trepa em outra árvore para ficar mais alta, mas não prejudica a árvore onde trepou; é diferente também de uma simbiose, onde os dois indivíduos se beneficiam.</p><p>Aí, depois de muito drama e sofrimento, aprendi a me auto-valorizar. Claro que a estima alheia sempre vem bem, e desprezo sempre vem mal, mas não vivia mais da estima alheia e não morria mais por causa do desprezo alheio.</p><p>Ocorre que esse HIV emocional (o auto-desprezo, o comensalismo emocional), tal como o HIV original, é passível de tratamento, mas não de cura. A consequência é que está sempre à espreita, não é eliminado. Mas habitualmente aprendi a mantê-lo em seu lugar.</p><p>Somente em momentos de crise é que esse HIV emocional ganha forças, e eu sinto como se realmente eu não valesse nada, especialmente quando certas frentes de combate não oferecem, de maneira alguma, um cessar-fogo devido à crise (uma observação especial às minhas chefes no trabalho que baixaram as armas nesse momento, o que me deixou na insólita e nunca ocorrida situação de me sentir melhor no trabalho do que em casa).</p><p>A debilidade emocional, a crise, os momentos de crise mais forte, ocorrem de uma maneira que ainda não sei identificar: um cansaço emocional, um momento de fraqueza que oportuniza uma devastação emocional, um conjunto de muitas situações adversas que acabam me vencendo naquele momento, eu não sei ainda.</p><p>Mas para isso que serve aquela concepção de desprezo descrita por Spinoza na sua Ética: se o desprezo é quando alguém, ao me ver, percebe mais o que eu não tenho (ou não sou) do que o que tenho, o auto-desprezo é quando eu somente vejo o que eu não tenho – e a maneira de combater isso é descobrir, e mesmo criar, se necessário, eu.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Tempos Modernos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 09 Aug 2008 07:03:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/08/2008</p><p>Intérprete: Marisa Monte<br/>Composição: Lulu Santos</p><p>Eu vejo a vida melhor no futuro<br/>Eu vejo isso por cima do muro<br/>de hipocrisia que insiste em nos rodear</p><p>Eu vejo a vida mais farta e clara<br/>Repleta de toda a satisfação<br/>Que se tem direito<br/>Do firmamento ao chão</p><p>Eu quero crer no amor numa boa<br/>E que isso valha prá qualquer pessoa<br/>Que realizar a força que tem uma paixão</p><p>Eu vejo um novo começo de era<br/>De gente fina, elegante e sincera<br/>Com habilidade pra dizer mais sim do que não</p><p>Hoje o tempo voa amor<br/>Escorre pelas mãos<br/>Mesmo sem se sentir</p><p>E não há tempo que volte amor<br/>Vamos viver tudo o que há prá viver<br/>Vamos nos permitir</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Preconceito reverso</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">08h261-preconceito-reverso</guid>
      <pubDate>Sun, 03 Aug 2008 18:42:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/08/2008</p><p>Eu tenho, como qualquer pessoa, meus preconceitos. São vários: contra pessoas de uma cidade vizinha à minha, por exemplo, que me dão a impressão de serem todos gente tosca e horrível – apesar de já ter conhecido uma pessoa maravilhosa de lá; contra pessoas exageradamente homofóbicas, as quais eu sempre suponho que o exagero esconde uma homossexualidade reprimida – não que eu pense que toda a homofobia seja fruto do recalque da própria sexualidade, mas sempre suponho que exageros inflamados sejam recalque; contra machistas, nos quais sempre julgo haver algum complexo de inferioridade; etc.<br/>São preconceitos porque as pessoas da minha cidade vizinha não são todas necessariamente toscas, nem todos os exageradamente homofóbicos serão necessariamente homossexuais recalcados e nem todos os machistas são necessariamente pessoas com complexo de inferioridade (“pessoas” porque existem também mulheres machistas, e também acho, preconceituosamente, que sejam casos de complexo de inferioridade). Claro que eu digo isso somente de maneira politicamente correta, porque não é o que eu sinto – sei, por exemplo, que as pessoas da cidade vizinha não são todas toscas, mas sinto o contrário. Tenho que trabalhar essas coisas, enfim.</p><p>Outro preconceito, que tenho que trabalhar de maneira mais urgente, é o de replicar preconceitos que eu já sofri sobre uma generalização das pessoas que me fizeram sofrer este preconceito. Assim:</p><p>Quando eu era “dimenor”, eu era meio maluquete. Eu era pré-adolescente e pensava que estaria fazendo a revolução usando all-star, por exemplo. Corrigindo, então, eu pensava que era maluquete, mas era um pré-adolescente como qualquer pré-adolescente – que maximiza tudo  o que faz de uma maneira quase infinita. De qualquer maneira, era muito escanteado pelas (então classificadas como) pessoas de bem: que eram meus colegas, com suas respectivas famílias, que não gostavam das minhas atitudes, dos amigos maconheiros, vileiros e marginais que eu tinha. Não que todos fossem realmente vileiros, maconheiros e marginais, mas quaisquer outros grupos em que se enquadrassem eram objeto de repulsa por parte das pessoas de bem; só menciono esses três porque são exemplos de pessoas que costumam causar repulsa, ainda, em muita gente. E minha cidade é uma cidade de pessoas de bem (“pessoas de bem” não é o mesmo que pessoas do bem, só para deixar claro).</p><p>Então, haviam pessoas com características semelhantes entre si que me hostilizavam, me rotulavam e o faziam ou pelas minhas atitudes ou, na falta delas, o faziam por causa das roupas que eu vestia, das pessoas com quem andava ou das idéias que eu expressava. Quer dizer, porque eu matava aula eu era uma má influência, porque eu andava com maconheiros eu fumava maconha, porque eu fumava maconha eu era, novamente, má influência, enfim.<br/>Acho que um preconceito parte de uma generalização. Você vê um indivíduo ou um grupo de indivíduos com determinadas características, e supõe que outros indivíduos, que possuam algumas características semelhantes, certamente irão apresentar as outras características que vocêo viu naquele primeiro grupo de indivíduos. Generalizar é você supor que alguma ou algumas características pressuponham necessariamente outras características, mesmo que você não tenha visto estas outras características. No meu caso, por exemplo, a característica de matar aulas levava as pessoas a acreditarem que eu faria com que os outros fossem matar aulas, porque pensavam que toda pessoa que mata aulas leva outras pessoas a matar aulas; ou a característica de andar sempre com maconheiros em volta levava as pessoas a acreditarem que eu fumava também (e isso que só fui fumar maconha depois dos vinte anos, e maconha aliás é muito bom, mas também não é bicho: não trocaria um chocolate, uma praia ou um vinho por um baseado, por exemplo – não que essas coisas se excluam, mas só para demonstrar a hierarquia das minhas preferências). Mas, enfim, generalização é isto, você pressupor que uma pessoa em quem você viu a característica A vai apresentar necessariamente a característica B, mesmo que você não tenha visto a característica B, só a A. Isso é uma maneira de criar um preconceito (tomara que seja a única).</p><p>O meu preconceito reverso consiste em generalizar as pessoas que têm algum tipo de preconceito contra mim, e pensar que sempre o mesmo tipo de pessoas terá preconceito contra mim. Nota: os preconceitos que pesam contra mim não são, de maneira geral, os preconceitos mais difundidos socialmente; muita gente acha que sou veado, por exemplo, e isso não me incomoda, é até um elogio de certa maneira, e minha única preocupação é que alguma garota que porventura esteja afim de mim não o diga porque pense “ah, o cara é gay, nem vou tentar”, mas também não esquento muito com isso; me refiro a outros preconceitos que não vou mencionar (aquele mencionado ali em cima é só um exemplo da minha adolescência, pré-adolescência, aquele período). Quer dizer, eu, que sou às vezes rotulado por algumas pessoas, “coleciono” as características delas e pressuponho que outras com características semelhantes vão me rotular, e já me sinto, por isso, rotulado de antemão, sem que necessariamente elas tenham me rotulado (porque eu geralmente não pergunto se me rotularam).</p><p>É um preconceito, como qualquer outro, e, além disso, influi de maneira negativa nas minhas relações com as pessoas. Como qualquer outro preconceito, aliás.</p>]]></description>
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      <title>Lei Maria da Penha.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 29 Jul 2008 19:36:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>29/07/2008</p><p>Dificilmente eu sou estou de acordo com a maioria das leis. Não é nada contra as leis em si, mas sim contra o seu conteúdo. Uma das poucas excessões foi a lei Maria da Penha (tem um número essa lei, como todas as outras, mas eu sei lá qual é).</p><p>Acho que nenhuma lei é perfeita. Quanto a esta, eu me sinto um pouco ameaçado. Não por ela, mas por algum uso esperto dela. Nada impede que uma mulher venha uma hora dessas e me acuse de violência contra as mulheres, só para, sei lá, ganhar dinheiro (logo de mim?), se vingar contra o androcentrismo em geral (logo em mim?), ou por qualquer outro motivo, as pessoas não precisam de motivos para serem filhas-da-puta. Mas, como eu me sinto ameaçado pelo uso esperto de outras leis contra mim (nada impede que qualquer pessoa me processe por qualquer coisa idiota baseada em qualquer outra lei, como, ah, sei lá, corrupção passiva por ser suspeito de ter votado na Yeda, por exemplo – independente de em quem eu tenha votado, conheço pessoas que dão como certo que eu votei nela – logo eu?)</p><p>E, mesmo que essa fosse a única lei que pudesse ser usada de maneira esperta contra mim, acho que o risco individual que ela representa é muito menor do que as vantagens coletivas – e individuais, não para mim, nesse caso – que ela traz. A começar que evita que qualquer macho ressentido sente a mão na primeira mulher que enxergar na frente (geralmente a esposa/namorada/algo do gênero) quando estiver sentindo-se humillhado pela sociedade/pelo mundo/pela vida/pelo sistema/etc. Agora, além de ser macho e ressentido, o cara vai ter que ser burro ou ter dinheiro para pagar bons advogados e comprar maus juízes. Além disso vêm as consequências óbvias: as mulheres que apanham têm uma coisa legal a que recorrer quando apanham (não deveria ser necessária a proteção legal, mas…), e eventuais linchamentos públicos de batedores de mulheres (deve haver algum termo oficial melhor para isso) poderão ser justificados como uma aplicação excessiva da lei – seria legal que caras que batem em mulher fossem tratados fora do presídio da mesma maneira que estupradores são tratados dentro do presídio (mas eu corro o risco de ser quase tão tosco quanto eles pensando assim).</p><p>Mas o Brasil é mesmo um lugar selvagem. Estou quase dando razão aos deputados norte-americanos (logo eu?) que pensam que o Brasil é uma selva onde os macacos e as onças frequentemente perambulam em território urbano.</p><p>Essa imagem de animais selvagens perambulando em território urbano, aliás, é menos assustadora do que a imagem (desta vez real) de animais (sic) racionais e civilizados como o juiz Marcelo Colombelli Mezzomo, de Erechim (RS), que considera a lei Maria da Penha surreal e populista, e por isso nega a maioria dos pedidos de medida preventiva baseados nela, ou como o juiz mineiro que, em 2007, afirmou que a lei Maria da Penha era ‘diabólica’, explicando que o controlar a violência contra a mulher tornaria o homem ‘um tolo’, ou ainda os juízes do Rio de Janeiro e de Mato Grosso do Sul que declararam inconstitucionais a lei. Esses animais não andam somente soltos em território urbano, eles julgam a aplicação das leis em território nacional!!! As onças-pintadas não são tão toscas quanto animais como esses. Pelo menos as onças-pintadas e os macados somente usam violência como forma de sobrevivência, quando é estritamente necessário (ou você já ouviu falar de macaco bater em macaca porque ela não foi catar os piolhos dele?).</p><p>Agora o presidente entrou com uma ação declaratória de constitucionalidade (que, pelo nome, deve querer dizer que serve para atestar que uma lei é constitucional) a favor da LMP (o nome por extenso é muito grande para minha preguiça). Imagina!! Porque, então, não declaram que a lei que diz que todas as pessoas têm o direito de comer também é inconstitucional?!? Afinal, é a mesma coisa dizer que as mulheres podem apanhar e que as pessoas não tem a garantia de comer. Puta que o pariu. E se você xingar um juiz desses, ainda por cima, podem te prender por desacato à autoridade ou qualquer porra que o valha! Que autoridade? A do pau dele? Porque parece ser a única na que ele acredita. A constituição não diz que “todo poder emana do pau, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente”, e sim que emana do povo. O único poder exclusivo do pau é mijar e ejacular – para o resto dos poderes do pau tem milhares de outros órgãos e objetos que têm os mesmos poderes. Aliás, nem mijar e ejacular, já que bucetas também mijam e, dizem os sites pornôs, ejaculam.<br/>Se o cara quer acreditar que o seu pau é o homem de aço, tudo bem: tem maluco que pensa que é Napoleão, tem a mulher-melancia que pensa que é gostosa, tem louco pra tudo no mundo e viva a lberdade de pensamento. Mas nunca vi gente com F30.1 ou F30.2 (veja na <a href="http://www.datasus.gov.br/cid10/v2008/cid10.htm">CID-10</a>) virar juiz.</p><p>Aí, se faltam argumentos mais sérios a favor da lei, aqui vai:</p><p>De maneira geral, homens são fisicamente mais fortes do que mulheres (já vi muita mulher com braço do tamanho do meu pescoço, mas tudo bem). Assim, um cara que queira bater numa mulher, geralmente, sai ganhando. O que você pode fazer quando tem diante de si um indivíduo que, sozinho, é mais forte do que você? Se une com outros indivíduos: o bom e velho “a união faz a força”. Como a legislação tem a intenção de substituir os punhos, isso se transpõe para esse mundo de coisas legais, ou seja, se é verdade que um homem é mais forte do que uma mulher, também é verdade que uma nação é mais forte do que um homem – e a lei vale para todos (menos para o Dantas que conseguiu dois habeas-corpos em menos de 48 horas – habeas-miojo: basta aquecer e em três minutos tá pronto, como disse o Macaco-Simão).<br/>Não ficou clara a idéia?</p><p>Uma mulher possui um déficit de força física, comparada com um homem. A lei serve para cobrir esse déficit. Só que, ao invés de lhe conceder força física, lhe concede amparo legal. Assim, qualquer mulher é tão forte quanto qualquer homem: ele é mais forte fisicamente, e ela, mais forte legalmente. Viu que simples?<br/>Claaaaro, é óbvio que a lei é uma e a realidade é outra: geralmente as leis são tão aplicadas no mundo concreto quando os Avada Kedavras do Harry Potter (aponte uma varinha a alguém e diga “Avada Kedavra!”, se der certo me avise). Todos, por exemplo, têm o direito de ir e vir – mas quem não tem dinheiro não tem o direito de ir do Rio Grande do Sul até o Acre, por exemplo; ou seja, eu tenho o direito de ir e vir, mas não posso (depois querem me convencer que o direito é mais forte do que o dinheiro – rá!). Mas a Lei Maria da Penha, até onde eu sei, está funcionando no mundo real. E é isso que esses b-o-s-t-a-s não admitem.<br/>Acho que, como representantes dos violentadores de mulheres, esses juízes deveriam ser atirados em um fosso aos jacarés, castrados ou qualquer coisa assim.</p>]]></description>
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      <title>Grupos humanos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 28 Jul 2008 23:29:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/07/2008</p><p>a) Tenho sérias reservas quanto à classificação das pessoas em grupos. Apesar de ser óbvio que existem negros ou pessoas altas, por exemplo, não acho que isso configure um grupo solidário, com mais afinidades entre si. Isso vale para para o que temos no meio das pernas.<br/>a.1) isso quer dizer que características físicas não determinam, necessariamente, a afinidade entre as pessoas, na minha opinião. Mas o “não… necessariamente” significa que pode vir a determinar. Mas estas afinidades não estão nas características físicas, e sim nas pessoas que carregam estas características e que desenvolvem ou não afinidade para com uma ou outra pessoa.</p><p>b) Apesar disso, as pessoas formam grupos segundo suas características físicas. Não quero acreditar que seja inevitável isso. Mas é um fato que eu não nego de maneira nenhuma.</p><p>c) Homossexualidade e heterossexualidade são coisas para as quais não se deveria ter que buscar explicações, na minha opinião. Mas, se é para buscar uma explicação, acredito que duas pessoas heterossexuais não serão heterossexuais necessariamente pelo mesma causa, nem duas pessoas homossexuais serão homossexuais pelo mesma causa.<br/>c.1) Assim como uma pessoa que tenha uma característica considerada como causa da heterossexualidade ou da homossexualidade, não será necessariamente uma ou outra coisa. Quer dizer: se X for a causa de uma determinada orientação sexual, uma pessoa que tenha esta característica X não terá necessariamente a orientação sexual atribuída àquela característica.</p><p>d) O que significa que – na minha opinião: uma mesma causa pode resultar em duas orientações sexuais diferentes, assim como duas causas diferentes podem resultar na mesma orientação sexual.</p><p>e) Tudo isto, até agora, foi para deixar claro que o exemplo que eu vou dar, não é um exemplo de causa da homossexualidade. Mas, se você acredita tanto que a homossexualidade é causada por algo e que eu identifiquei uma causa, tenha bem claro que parto da perspectiva de que<br/>e.1) se homossexualidade tem causas, a heterossexualidade também tem<br/>e.2) se X é causa da homossexualidade em uma pessoa, pode acontecer de não “causar” homossexualidade em outra<br/>e.3) se uma pessoa não apresenta X, ainda assim pode ser homossexual<br/>e.4) X, além de causa, pode ser apenas uma “condição que dê abertura para”, e não um “agente.</p><p>f) Uma <a href="http://www.mpisano.cl/">escritora</a> disse que nunca conseguiu estabelecer laços afetivos profundos com homens, mas somente com mulheres. Não sei se ela coloca isso como causa da sua homossexualidade (espero eu que não), mas de qualquer maneira isto é um “componente” da homossexualidade dela.<br/>f.1) pode ser que outras mulheres que somente consigam estabelecer ligações afetivas profundas com mulheres sejam lésbicas, e pode ser também que não sejam, apesar desta restrição: ou seja, acho perfeitamente plausível que uma mulher somente consiga estabelecer ligações afetivas profundas com mulheres, mas seja heoterossexual. O que vale também para homens.<br/>f.2) digo isso porque não quero determinar a sexualidade de ninguém.</p><p>g) Acho que, no que diz respeito a relacionamentos heterossexuais, existem muitas mulheres que são heteros, mas somente conseguem estabelecer relações afetivas profundas com mulheres, e não com homens.<br/>g.1) se essas pessoas – essas mulheres e homens – não têm problema quanto a isto, tudo bem para eles.</p><p>h) Mas eu não gosto disso para mim. Quer dizer que, nem que a garota seja a hetero das heteros e esteja a fim de mim, mas não consiga estabelecer uma relação afetiva profunda comigo, eu não quero.<br/>h.1) de onde resulta que as minhas opções são as seguintes:<br/>h.1.1) torcer para que as relações afetivas profundas não sejam exclusivas das relações (não necessariamente sexuais, cf. F1) – pelo menos li, uma vez, acho que num blog mas pode ter sido num livro, sei lá, essa hipótese: relações afetivas profundas somente acontecem entre pessoas do mesmo sexo<br/>h.1.2) se a hipótese de H.1.1 estiver correta, virar lésbica<br/>h.1.3) se a hipótese de H.1.1 estiver correta, virar gay<br/>h.2)  mas eu não posso virar lésbica por motivos biológicos (ou então financeiros, considerando a transsexualidade), e eu estou, em um aspecto pelo menos, na mesma condição da escritora mencionada em F: eu somente consigo estabelecer relações afetivas mais profundas com mulheres – o homem para com quem eu estebeleci a relação afetiva mais profunda (contando só os homens), não me atrai, e, atitude criticável ou não, para efeitos de afetividade considero-o como mulher (o que merece uma explicação: não passa nem por um segundo pela minha cabeça que ele seja uma mulher, mas a relação que tenho com ele – vamos dizer assim, de amizade muito valiosa sem sexo – só tenho com mulheres; ele é o único homem – ou a única não-mulher – com quem tenho este tipo de relação; por isso às vezes fica complicado, porque, por exemplo, geralmente presente de aniversário para mulher é mais fácil de dar, apesar de eu ter amigas que odeiam bibelôs, enfeites para casa ou roupas, e ele é, para efeitos de critérios para escolha de presente, mais uma amiga que não gosta dessas coisas, por exemplo). Enfim tudo isso foi para dizar que, apesar de ser perfeitamente possível que eu venha a namorar um cara um dia desses, esta é uma possibilidade com a qual eu não conto – apesar de ser uma possibilidade tão legítima quanto a possibilidade de namorar com uma mulher, para mim pelo menos.</p><p>i) Tudo isso tem a ver com a mesma pessoa a que se refere <a href="http://minhageografia.blogspot.com/2008/07/uma-ervilha-embaixo-do-meu-colcho.html">este post</a>.<br/>i.1) quer dizer, ela é uma menina declaradamente heterossexual, na prática bissexual, mas que somente consegue estabelecer relações de amizade, de respeito mútuo, essas coisas, com mulheres – apesar disso, ela não considera por nada no mundo namorar alguma das meninas com as quais tenha ficado.</p><p>j) Eu não consigo namorar alguém com quem eu não tenha, antes, uma relação de confiança – não que eu namore todo mundo com quem eu estabeleça esse tipo de relação, mas sim que este tipo de relação é um pré-requisito básico, para mim. Isso pode ser ou não um defeito. Como eu tenho a impressão (espero, muito mesmo, que seja uma impressão errada) de que a maioria das garotas heterossexuais que eu conheço são como a garota mencionada em I, só me resta mesmo sonhar.</p>]]></description>
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      <title>Livros, livros, livros.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 27 Jul 2008 23:39:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/07/2008</p><p>Acho que existem muitas maneiras de se ler um livro. Pelo menos eu tenho.</p><p>Um livro de História Geral, por exemplo, apesar de eu achar muito interessante, eu leio como um manual. Não é muito diferente do Google ou da Wikipedia, mas geralmente é mais preciso, ligeiramente mais confiável e eu posso ler mesmo sem luz ou conexão com a internet. Isso se refere a livros de informação, por isso a comparação com o manual: são livros que me servem para tirar uma dúvida, ou só para passar o tempo, coisas assim.</p><p>Tem livros que eu leio por gosto, seja do assunto, seja pelo jeito que é escrito. Os livros da Colette, por exemplo (pelo menos os dois que eu li), porque são bem escritos. O assunto não entra em questão. Os de Foucault, também, mas mais pelo jeito dele escrever. O assunto me interessa – eu estou começando a desconfiar que Foucault é indispensável para se estudar filosofia, qualquer assunto em filosofia, mas é só uma desconfiança, por enquanto – mas eu não entendo bem o que ele diz. Claro que A História da Sexualidade é compreensível, artigos como O que é um Autor ou as entrevistas também, mas a relação de tudo isso com As Palavras e as Coisas – assim como o próprio livro em si – por exemplo, eu não consigo entender. Mas ele escreve tão bem que dá gosto de ler só pelo texto, mesmo sem entender nada.</p><p>Há outros livros que são quase auto-ajuda. Tipo O Refém Emocional, que li como se fosse uma bula de remédio.</p><p>Mas volta e meia aparecem livros que, além de incategorizáveis, são – para mim – para toda a vida. Dois deles:</p><p>Um eu descobri há pouco: a Ética de Spinoza (Espinosa, Espinoza, sei lá). É – como diria o personagem do Toma Lá Dá Cá – M-A-R-A! Não é espantoso que um livro desses seja, se não renegado, pelo menos subvalorizado na academia. Mas eu me espanto que o restante das pessoas não tenha descoberto este livro. Gosto muito de Nietzsche, por exemplo, e apesar dos excessivos holofotes sobre ele, é um autor que merece todo o destaque do mundo (talvez mereça melhores leitores, mas…), e que, nas palavras dos jogadores de futebol, só vem para somar (apesar do medo que ele causa, talvez também por causa desse medo ele venha para somar). E esse frisson em torno de Nietzsche não é só dentro da academia, mas também fora dela. E é esse silêncio sobre Spinoza no além-academia que me espanta um pouco. Por outro lado, se for para ter os mesmos leitores “intelectu-malas” (ou “intelijumentos”, ou ainda “intelectuastros”, hehehe) que Nietzsche tem, melhor que Spinoza permaneça assim, esquecido.</p><p>O outro vem de anos e nunca sai dos meus top-hits: O Segundo Sexo. Sim, o livro é sobre as mulheres, autonomia das mulheres e tudo o mais. Mas, junto com isso, é um tratado sobre liberdade, sobre como o pensamento pode criar uma opressão concreta, real, material (que resulta, inclusive, em hematomas e escoriações) sobre as pessoas, e também sobre como o pensamento pode reagir à opressão – e mais do que reagir à opressão, criar autonomia, liberdade, essas coisas legais. E, de brinde, é o melhor exemplo que eu conheço para dar quando as pessoas vêm me dizer “ah, mas filosofia é muito teórico, não tem nada de prática”: se o feminismo não tem nada de prática, então, eu enlouqueci.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Uma ervilha embaixo do meu colchão?</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 27 Jul 2008 22:09:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/07/2008</p><p>Sem assunto, mas com vontade de escrever.<br/>Na maioria das vezes, no meu caso, é isso mesmo: só vontade de formar palavras, frases, parágrafos, etc.<br/>Mas outras vezes não é bem falta de assunto, mas sim uma certa indeterminação, indefinição, ou falta de clareza sobre o assunto. E acho que dessa vez é isso.</p><p>Talvez seja o fato de que – o que não é novidade – eu tenha percebido que certas pessoas (na verdade, uma pessoa determinada, mas vamos fazer de conta que é uma reflexão generalizada sobre a vida, bem vago) não merecem um mínimo<br/>a) da confiança que tenho nelas<br/>b) da dedicação que tenho a elas<br/>c) do carinho que tenho para com elas<br/>d) de alguns etcéteras que tenho para com elas.</p><p>Desde que o mundo é mundo que as coisas são assim: pessoas decepcionadas com pessoas que decepcionam. Mas as coisas também incluem as pessoas decepcionadas reclamando – e quem sou eu para acabar com uma estrutura ancestral dessas? Vou reclamar igual, portanto.</p><p>O lance é que eu, por traumas mal-resolvidos causados por experiências anteriores, sou muito prudente em confiar em alguém. “Confiar”, nesse caso, significa algo como “baixar a guarda”, qualquer que seja o significado correto de “confiar” caso não seja “baixar a guarda”.</p><p>E, para mim, baixar a guarda não implica só em deixar transparecer toda a minha enorme fragilidade, insegurança, medo e outros intens que compõem o meu “lado obscuro”, mas também em deixar transparecer tudo o que eu tenho de melhor, de interessante, de curioso, de belo e de agradável.<br/>O que eu costumo fazer, com a guarda em alerta, é selecionar um pouco de cada: um medo aqui, uma coisa bela ali, uma insegurançazinha menor mais prá lá, uma amabilidadezinha acolá.</p><p>Assim, eu sou um livro aberto, mas é uma edição de textos selecionados. Não é que eu me esconda, e sim, apenas, eu não entrego todo o jogo. A maioria das pessoas faz isso, eu sei, mas me impressiona como as pessoas tem facilidade em se abrirem em pouco tempo, às vezes por coragem, às vezes por descuido. Não é um espanto que indique uma crítica a essas pessoas: que sejam corajosas ou descuidadas tanto quanto queiram, tudo bem. É um espanto que indica admiração mesmo: eu não conseguiria fazer isso, me abrir, me deixar conhecer de maneira mais completa em pouco tempo. Acho que as pessoas tem forças diferentes, aquela velha história de que, para uma pessoa, um quilo pode pesar muito mais ou muito menos do que para outra.</p><p>Aconteceu, uma ou duas vezes, de eu baixar a guarda por precipitação: apesar dos meus traumas, me entusiasmei, e isso só serviu para reforçar o trauma. Mas uma vez, uma única vez, que eu me lembre, eu baixei a guarda voluntariamente.</p><p>Me pareceu que era o momento certo. A pessoa certa. Não que ela não fosse me atacar – eu não espero que qualquer pessoa não me machuque nunca, pelo menos um pouquinho. Mas me pareceu que – para conotinuar com a metáfora do livro – fosse alguém com interesse em ler, tentar compreender, e gostar da leitura. Você pode discordar completamente do que diz um livro e gostar dele. “Decorar”, me disse uma amiga minha uma vez, “vem da expressão ‘de coração’: quando você decora um livro, significa que o entendeu com o coração”. Claro que isso não vale, de maneira geral, para a tabuada, por exemplo, que você decora porque vai cair na prova. É mais no sentido – essa concepção de “decorar” como entender com o coração, e por isso lembrar do que leu – de decorar uma música que se gosta, por exemplo. Acho que “decoração” no sentido de enfeitar a casa com coisinhas bonitinhas também deve ter a ver com “de coração”. Mas a questão é que é isso, eu fui lido, talvez – t-a-l-v-e-z – até compreendido, mas não fui decorado.</p><p>Aliás, a palavra é muito boa.</p><p>Eu tanto não fui decorado no sentido de compreendido com o coração (como eu ando com um vocabulário fofo ultimamente), como não fui decorado no sentido de “enfeitado”. Porque, acho eu, você sempre enfeita uma pessoa de quem você gosta. Não necessariamente se iludindo com características daquela pessoa (quer dizer, maximizando ou inventando características), mas também reforçando, adornando a pessoa – é o caso de, por exemplo, você se prestar a ouvir problemas que, para você, são fúteis e facilmente solucionáveis, mas que para a outra pessoa são catástrofes de proporções mundiais, de maneira que você realmente sinta com ela (não por compaixão, mas por empatia de sentimentos*). De maneira que eu não fui decorado duas vezes.</p><p>*Porque “compaixão” é você empatizar com o sofrimento dos outros, mas é possível que você também tenha empatia pelos sentimentos de alguém porque você empatiza com as coisas alegres dela, quer dizer: é uma empatia aberta ao que vier, seja agradável ou não; e não uma empatia restrita ao sofrimento, que é uma restrição que caracteriza a compaixão, que por sua vez geralmente é sinal de sentimento de superioridade.</p><p>Eu sempre calculo minha abertura (a permissão de acesso a mim, digamos). E só dessa vez deixei todas as minhas portas abertas sem vigiar nada: pode ver e tocar o que quiser, sinta-se em casa. Várias vezes, ao achar melhor não abrir tanto, imaginei se não havia calculado errado, mas não tenho como saber isso e por isso mesmo não importa. Dessa vez, tenho cada vez mais certeza de que foi um cálculo errado, uma decisão inadequada. E não concluo isso por nada estrondoso, colossal, que mereça minhas lágrimas ou minha grosseria.</p><p>Dia desses eu disse para uma amiga minha, que estava se justificando sobre o fim que ela deu no namoro dela, que o que acaba com a relação são pequenas coisinhas que acabam pesando muito mais do que grandes eventos, como uma serenata (exemplo de um grande evento positivo) ou uma traição (exemplo de um grande evento negativo). Ela estava explicando que ele nunca fez nada de mau a ela, mas que em certas atitudes corriqueiras ele demonstrava uma indelicadeza muito desagradável para com ela. E eu disse que uma traição às vezes é menos destrutiva do que a contínua falta de afagos distraídos, por exemplo.</p><p>E são essas pequenas coisas, tanto a falta de umas como a presença de outras coisinhas pequenas assim, que me levam a concluir que eu me abri com a pessoa errada, ou melhor, que meu julgamento foi errado, ou, melhor ainda, minhas expectativas (para com a pessoa em questão) foram inadequadas. Quer dizer, acho minhas expectativas perfeitamente adequadas, mas são inadequadas a determinada pessoa.</p><p>Acho que talvez seja esse desconforto que esteja me dando vontade de escrever: eu preciso deixar bem claro, para mim, o que é que me incomoda tanto, tendo em vista que é um incômodo com uma pessoa que não fez para mim nada de ruim que mereça grande destaque.</p><p>E, sabe-se lá o que eu vou fazer quanto a isso, mas cedo ou tarde de alguma maneira eu tenho de resolver isso.</p>]]></description>
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      <title>Filosofia latino-americana</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 20 Jul 2008 16:57:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/07/2008</p><p>Eu não compreendo bem esta história da questão do autêntico filosofar latino-americano. Não fiz ainda esta cadeira, portanto o problema pode ser este.</p><p>Claro que há a noção de que a filosofia é pautada, dirigida e legitimada a partir da Europa, principalmente, e dos EUA, secundariamente. Assim, caberia à AL estudar o que eles estudam, falar na linguagem deles, compreender o pensamento deles e partir sempre disto para produzir filosofia.</p><p>Ocorre que há uma certa redundância nesta questão.</p><p>A filosofia latino-americana busca legitimar-se como autêntica filosofia. Tem então duas opções: ou bem afirma-se e pronto, foda-se o que pensam os outros; ou bem procura meios de ser “aprovada” pela Europa e EUA. Se escolher a primeira alternativa, o problema está resolvido. Se escolher a segunda, permanece ainda submissa à orientação, à “primazia” européia e norte-americana – pois, mesmo que seja reconhecida por eles, depende ainda do aval deles.</p><p>A primeira opção, afirmar-se e deixar para lá o que os outros pensam, supõe e resulta em questões específicas.<br/>Em primeiro lugar, esta é uma questão política: se a filosofia possui um governo, cabe a ele decidir o que é ou não legítimo em filosofia. Mesmo que esse governo seja apenas uma questão de autoridade, o resultado é o mesmo. Seria necessário delinear qual a posição política da filosofia latino-americana: uma posição contratualista? Uma posição revolucionária? Uma posição submissa? Reacionária? Colaboracionista? Anarquista?<br/>Trata-se de descobrir que pensamento político está implícito na filosofia latino-americana, qual pensamento político move-a. A pergunta pelo autêntico filosofar latino-americano pressupõe, desde já, algumas coisas: há um autêntico filosofar europeu; há um autêntico filosofar regional; a filosofia latino-americana quer/precisa/deseja diferenciar-se da filosofia européia; não é possível uma filosofia a-territorial, ou, pelo menos, não é possível pensar que o movimento do pensamento flua daqui para lá e de lá para cá – o mesmo que dizer que apenas flui de lá para cá, e não faz o movimento contrário; o pensamento é diferente lá e cá: idéias diferentes, maneiras de pensar diferentes.</p><p>A segunda alternativa insere-se dentro de uma questão social mais variada: a das minorias. Pois os negros, as mulheres, os homossexuais também tem esta questão colocada diante de si: somos seres humanos tão legítimos quanto o homem-branco-heterossexual-europeu-rico; dado que vivemos em uma mesma sociedade, controlada por eles, precisamos ser aceitos, seja à força, seja pacificamente.<br/>Margarita Pisano, no que diz respeito ao feminismo, propõe uma suspensão temporária da participação das mulheres na sociedade, na cultura. Para ela, os efeitos do machismo (incluindo a sua manutenção) ainda não desapareceram e ainda estão longe de desaparecerem. Não há o que comemorar. “Sociedade mais feminina”, “inserção feminina”, “igualdade” e “políticas de igualdade”, “direitos iguais entre mulheres e homens”, nada disso ocorreu; no máximo, têm-se uma renovação do mesmo velho patriarcalismo, oculto sob novas roupagens, ou realmente original, dificilmente identificável como patriarcalismo. O desejo de inserção feminina dentro da sociedade implica em uma “masculinização feminina”. Esta masculinização não diz respeito a uma masculinização física, pelo menos não exclusivamente: a mais doce e cálida feminilidade também é masculina, na medida em que é produzida pelos homens. A tomada de pode por parte das mulheres também é uma vitória masculina: a identificação da “vitória” feminina com uma sociedade controlada por mulheres significa uma vitória dentro dos códigos e regras masculinos, significa ser mais homem do que os homens. Ela propõe, diante disto, não uma tomada de poder, nem tampouco uma sujeição, mas um afastamento, uma suspensão: longe da sociedade, intrinsecamente masculina, as mulheres precisam definir-se quem são, o que querem, e como o farão. Definidas estas questões, então, sim, pode-se fazer algo propriamente feminino, o que quer que seja.</p><p>Desta estratégia, surge, porém, uma questão: haverá algo de novo a ser inventado ou trata-se de apenas definir-se, diante da multiplicidade de opções geradas ou criadas pelo mundo masculino? Ou, ainda, permitir-se talvez mesclar coisas absolutamente novas com coisas masculinas, agora apropriadas pelas mulheres? Tais respostas – e mesmo a legitimidade destas questões dentro do pensamento pisaniano – cabem somente a ela, ou às mulheres que aceitem tal tarefa.</p><p>Mas estas questões transpõem-se com facilidade para a questão do autêntico filosofar latino-americano que queira inserir-se, legitimar-se dentro de um pensamento dominado pela Europa. A filosofia latino-americana poderia – deveria? – criar algo absolutamente novo, completamente inédito, que carregasse sua marca, sua “latinoamericanidade”? Ou precisa produzir seu autêntico filosofar a partir do que já está dado, para daí construir algo novo? Ou, ainda, poderia misturar elementos absolutamente novos, exclusivamente latino-americanos, com elementos “estrangeiros”, apropriados como, na esfera da saúde, quebra-se patentes de remédios caros demais mas cuja produção é perfeitamente possível?</p><p>Neste ponto as duas opções, afirmar-se e impor-se, ou legitimar-se dentro do já estabelecido, aproximam-se a ponto de quase fundirem-se: talvez a condição para qualquer resultado seja esta suspensão pisaniana no pensamento latino-americano. Não que a mesma estratégia aplicada nas duas áreas – filosofia e feminismo – implique em equivalência das duas. Ocorre que uma solução criada dentro do feminismo encaixa-se perfeitamente dentro da filosofia, mas são dois problemas diferentes, sem nenhum paralelismo necessário. Pressupor tal coisa seria forçar todo o “pensamento menor” a comportar-se de maneira uniforme, ignorando que o problema das mulheres, o dos negros, o da filosofia latino-americana e o dos homossexuais é diferentes, e apenas assemelha-se no que diz respeito ao fato de referirem-se a pessoas marginalizadas, discriminadas, e violentadas frequentemente.<br/>A unificação das duas opções em uma mesma estratégia não é de caráter dialético: esta suspensão pisaniana não é uma síntese entre impor-se e legitimar-se, mas sim uma suspensão. “Afirmar-se ou impor-se?” pergunta-se a filosofia latino-americana. “Agir!” responde Margarita Pisano para o feminismo que faz a mesma pergunta – cuja resposta pode ser ouvida, também, pela filosofia norte-americana.</p>]]></description>
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      <title>Sociedade Líquida.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 19 Jul 2008 04:11:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/07/2008</p><p>Zygmunt Bauman tem um conceito de “liquefação” da sociedade atual. Para ele, a modernidade caracteriza-se por ser líquida. Isso quer dizer fluída, mutável, passageira, instântanea, coisas do tipo.<br/>Não li o livro inteiro dele, ainda – mas deveria ter feito isso já há uns dois meses, mais ou menos. É que é um livro interessante, mas meio chato. Bom.<br/>Pescando aqui e ali informações superficialmente, pude perceber que ele é um crítico dessa modernidade líquida, ou, melhor, da “liquidez” desta modernidade.<br/>O que não seria de se estranhar.<br/>Uma sociedade em constante mutação dificulta muito a vida das pessoas. As mudanças constantes, em geral, dificultam. Um dos problemas da inflação, além da alta, é que nunca se sabe qual será o preço das coisas amanhã – eu lembro que quando eu era criança achava fascinante essa troca constante: qual será o preço amanhã? E decorava os preços dos produtos do supermercado para ver como tinham mudado no dia seguinte. Claro que eu fazia isso porque não era eu quem pagava a divertida remarcação diária.<br/>Os telefones celulares também são assim. Você pega o número de alguém e vá saber se daqui a uma semana a criatura não trocou de celular e, junto com isso, de número e de operadora. Claro que tem gente – como eu – que fica anos e anos com o mesmo número (eu chego ao cúmulo de ter tido não somente apenas um número até hoje, como também apenas dois aparelhos desde 2002, quando ganhei o primeiro).<br/>Eu lembro de uma piadinha nos Simpsons (no “famigerado”, muito bom na minha opinião, episódio no Brasil), sobre as mudanças no nome da empresa de telefonia: “- vamos ligar para a cia. X; – mas ela se chama Y; – não, ela trocou de nome para Z; – mês passado trocou para V”, isso foi a fala de quatro personagens.<br/>Exemplos dessa liquidez social não faltam: ações na bolsa, moda, best-sellers do momento, etc e etc.<br/>Uma das críticas do autor é que isto dificulta qualquer combate: você vai brigar com quem hoje?<br/>Seu modem pifou, deu pau. Você reclama a) com o fabricante? b) com o provedor que lhe vendeu o modem no pacote promocional? c) com a cia. de energia elétrica por causa da queda de tensão? d) com o procon? e) com o governo que não fiscaliza essa gente toda? f) com os Estados Unidos que mandam no mudo e poderiam resolver isso mas só pensam na guerra no Iraque e em Israel?</p><p>O lance é que é um livro sobre nada (como eu li por cima, posso estar errado). Mas é um livro que se propõe a fazer uma crítica da modernidade excessivamente mutável que possuímos.</p><p>Mas qual é a alternativa? A modernidade sólida de 1500, 1600 prá cá? Mulheres solidamente instaladas na função exclusiva de reprodutoras, homossexuais solidamente compreendidos como criminosos e perversores da natureza (com sua sexualidade anti-natural), pessoas solidamente imutáveis empenhadas, principalmente, em que tudo permanecesse como sempre foi, essas são as alternativas? É óbvio que a fluidez social não chega, ainda, em certos âmbitos sociais: pobres ainda são solidamente pobres – a tendência é manterem a pobreza e só evoluírem em direção a uma maior miséria; mulheres ainda são solidamente “invasoras” de um mundo pretensamente – solidamente – masculino, basta ver que os mesmos argumentos que os nazistas do III Reich utilizavam contra os judeus, ou que os tosquinhos skinheads ainda usam contra os nordestinos, são utilizados sobre a entrada das mulheres no mercado de trabalho (estão tirando empregos dos homens), e que a dona de casa, hoje em dia, deve ser considerada uma profissional (a única profissão do mundo que não produz dinheiro…); esses dias eu descobri que ainda se usa, e muito, chamar gays de “putos”, como se todo gay se prostituísse… o próximo passo é me dizerem que todo mundo ainda pensa que todas as lésbicas não se depilam e querem ser homens, e que, sei lá, não existem militares homossexuais.</p><p>Eu não sei se estou me fazendo entender: é uma grande balela esta história de que a melhora das condições de vida estão está aí, disponível para todos, ou que vivemos em uma democracia. Mas a fluidez, mesmo que ainda não tenha desmanchado algumas pedras duríssimas, e mesmo que tenha trazido novas dificuldades para o mundo, ainda assim tem seus benefícios que, no fim das contas, acabam sendo vantajosos. Claro que é um problema que as pessoas sejam descartáveis como embalagens de leite, ou que o nível mais profundo que muitas pessoas consigam atingir em uma relação com outras pessoas seja o de dividir a mesma comunidade do Orkut; mas a idéia não era essa mesma? Tudo bem que hoje em dia as pessoas são mais manipuláveis do que ontem, mas a diferença é que ontem uma manipulação prevalecia sobre todas e era a verdadeira. Se é medíocre o fato de que hoje as pessoas querem ser aquilo que seu personagem de novela favorito é, muito pior é a opressão de nunca poder sair do modelo-padrão cristalizado pela tradição.</p><p>Eu não estou pedindo que tudo seja mutável: eu gosto de saber que a parada do meu ônibus vai estar amanhã no mesmo lugar onde estava hoje (e que ele vai ir para o mesmo lugar onde foi ontem também); gosto de saber que se ontem você gostava de mim (um “você” genérico, não é você – mas você pode gostar de mim, se quiser), hoje vai gostar também; gosto da perspectiva de que a moeda brasileira talvez ainda se chame “Real” daqui a dez anos, e não troque de nome a cada governo; gosto de ir no mercado e ver que o chocolate continua com o mesmo preço, horrível mas pelo menos igual (aí eu posso ir dois dias a pé para a faculdade e comprar uma barra no final de semana, e ainda pedir umas Sete Belo de troco – as originais, não essas esquisitices de maçã-verde e morango que inventaram) (ai que saudade das balas Xaxá que arrancavam minhas obturações a cada mordida…). Gosto, enfim de meia dúzia de certezas na vida.</p><p>Mas acho muito bom que a sociedade flua hoje em dia.</p>]]></description>
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      <title>Livre</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 17 Jul 2008 21:25:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/07/2008</p><p>há alguns anos encontrei um livro chamado Coração Enfurecido. Me chamou a atenção a descrição nas orelhas da capa, dizendo que o livro era de uma ex-candidata colombiana sequestrada pelas FARC, que ainda estava viva, havia deixado os filhos pequenos, etc. Achei o livro chato, mas desde aquela época torcia para que as FARC a libertassem logo. Faziam um ou dois anos do sequestro dela, tempo suficiente para que ela já fosse dada como morta, e para que as reações dos seus filhos, pequenos então, fossem angustiantes.</p><p>Não simpatizo com as FARC, “se pudesse, matarra mil”, como disse Jeremias José. Mas também não acho que sejam os vilões. Veja bem: acho horrível o que fazem, sequestrando pessoas que servem de proteção e moeda de troca para suas exigências. Mas as FARC são tudo aquilo que a sociedade onde estão inseridas também é – e não me refiro à sociedade colombiana. É mais ou menos o que eu penso dos traficantes de drogas em geral: gente horrível, tão horrível como os seus mais ferrenhos opositores.</p><p>Mas daí um dia desses leio que libertaram a Ingrid Betancourt (que, se você não se deu conta, foi quem escreveu o livro mencionado acima). “Uau, que alívio! Soltaram Betancourt, agora as FARC deram uma dentro”. Na verdade, ela havia sido resgatada.</p><p>Bom, melhor se tivesse sido libertada pelas FARC (melhor que nem tivesse sido sequestrada, para começar). Mas, dos males o menor. Mas qual foi a tática do resgate? “Holla, yo soy tu amigo! Mira la el Che en mi camiseta! Soy de las FARC como tu e voy a llevar estos que estan contigo, si?” Ah, convenhamos, isso funciona em filmes, parece o Luke Skywalker e o Hans Solo disfarçados de soldados do império dentro da Estrela da Morte. Mas, mal-explicado ou não, ela estava solta. Legal. Aí noticiam que houve um pagamento às FARC em troca dela e dos três norte-americanos. Bom, piorou mais, mas, ainda, que bom que libertaram ela.</p><p>Então Ingrid Betancourt, minha heroína até pouco tempo, começa a dar declarações sobre a loucura da sua ex-colega de chapa, candidata a vice, dizendo que a mulher tentou afogar o filho que teve com um guerrilheiro. A ex-candidata a vice responde dizendo que Ingrid está viajando.</p><p>A França, que nem sabia de Ingrid há pouco tempo atrás, decidiu fazer dela a causa nacional, e adotou ela agora. Estratégia do pequeno smurf Sarkozy?? Ingrid Betancourt, na França, virou a mesma coisa que o carnaval e as copas viram aqui.</p><p>Mas ela está solta.</p><p>Claro que, menos de uma semana depois do resgate, ela tem o direito de estar bonita, alegre e faceira: além de solta, é bem-vinda na França! Mas quantos ex-reféns de qualquer coisa você vê se recuperarem assim, tão rápido?</p><p>Se fosse apenas o fato de ela estar faceira da vida na mídia, ou apenas o fato de possivelmente terem pagado por um falso resgate, ou apenas o fato de ela avacalhar com a ex-candidata a vice dela, ou apenas o fato de estar se deixando usar pelo Sarkozy para virar ícone europeu (eu, que não gosto de Sarkozy, também me deixaria usar tranquilamente), ou apenas o fato de ter sido um resgate tão patético, ou apenas as camisetas do Che e o emblema falso da Cruz Vermelha, enfim, se fosse apenas uma ou duas coisas estranhas, tudo bem. Nenhum ex-refém tem obrigação de seguir protocolo padrão algum.</p><p>Eu ainda continuo satisfeito por ela estar livre, finalmente – melhor se mais reféns estivessem, claro. Só que – pode me chamar de influenciável pela mídia, insensível ou paranóico – tem alguma coisa estranha nesta história toda.</p>]]></description>
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      <title>Tecnicamente falando</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 17 Jul 2008 00:29:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/07/2008</p><p>Considerando a idéia de Spinoza de que tudo o que se é capaz de fazer é algo natural – pois o natural define-se justamente pelo limite das forças, da potência, da capacidade da pessoa – todas as coisas “artificiais” são tão naturais quanto tomar banho de chuva ou parir.</p><p>Uma das coisas que eu estou estudando é o conceito de técnica. Uma coisa meio chata, um professor meu estuda isso e me convidou para estudar e tal, mas ele é uma das pessoas menos toscas dentro da academia, não tem aquela arrogância acadêmica que caracteriza os integrantes dela, e por isso eu resolvi ir na dele. Claro, eu tenho um interesse indireto na coisa toda, mas, por iniciativa própria, faria isso por outros caminhos – por onde vou indo de fato, aliás.</p><p>Um dos meus interesses nesse assunto, do conceito de técnica, tem a ver com essa idéia de que a técnica, e as tecnologias por consequência, não são artificiais – ou, se ficar melhor dizer assim, as coisas artificiais são naturais.</p><p>Há aquela idéia de que, por um lado, não é mais possível encontrar nada “natural”. A partir do momento em que as pessoas criam uma cultura, e que espalham-se tanto pelo Planeta, que espaço dele está isento da ação humana? O derretimento de uma geleira, provocado pelo efeito estufa é natural ou artificial? Um derretimento causado pelo calor é natural, mas esse calor, responsável pelo derretimento, é artificial, produzido pela humanidade. Comer, fazer sexo, esse tipo de coisas são naturais. Mas essas coisas são feitas dentro de regras e códigos culturais – ou, quando são feitas à margem de códigos culturais – incensto, por exemplo (sem polêmicas penais, por favor: o casal é maior de idade nesse exemplo) – são feitas às escondidas ou buscam regulamentação (não lembro onde na Europa um casal de irmãos queria que a justiça legalizasse o casamento deles. Quero dizer que mesmo as coisas naturais são inseridas dentro da cultura. Não que a cultura as tenha produzido, mas insere-as dentro de si.<br/>Por outro lado – o de Spinoza, se o entendi bem – não é possível fazer nada que não seja natural. Se você fez, é natural. Um machado é natural. Um computador é natural. São coisas técnicas essas coisas.<br/>Heidegger tem um conceito depreciativo de técnica – e é praticamente tudo o que eu entendo de Heidegger. Mas posso chutar que é porque a técnica oculta a coisa em si, o famigerado dasein, quer dizer, “violenta” a coisa em si e desfigura-a. Mas é um chute, eu sei lá qual é a dele.<br/>Mas é esse tipo de idéia, seja ela de Heidegger ou não, que está no fundo da depreciação das coisas técnicas, artificiais. Esse afastamento da natureza, esse distanciamento das “raízes”.</p><p>Eu fico com a idéia de que tudo é natural. Se você fizer uma árvore nascer de cabeça para baixo ela é natural – porque está feito, existe, portanto é natural (faltam alguns termos neste raciocínio).</p><p>Voltando a mim um pouco: eu tenho essa mania de, depois de ver esses conceitos todos, me perguntar “tá, e daí?”, no sentido de “e as pessoas com isso?”</p><p>Por exemplo: filhos adotados. Quando se adota uma criança, persiste em torno dessa relação a mística de que uma mãe ou um pai nessas condições não é tão mãe ou pai quanto os pais “naturais”, biológicos. O que conta é o sangue. Aceita-se a adoção, com aquela benevolência com que se aceita as loucuras que se faz em nome de coisas boas, coisas politicamente corretas: “um desapego tão grande adotar o filho dos outros!!!” Mas uma relação assim não é menos natural do que uma relação entre pais e filhos biológicos. Mas não é um bom exemplo – não que seja um exmplo errado, só não é muito ilustrativo.</p><p>Outro exemplo: fertilização in vitro. Ao invés de dizer que por ser artificial não deixa de ser natural, prefiro dizer que é natural. Um óvulo fecundado fora o útero não é menos óvulo do que um óvulo fecundo dentro. Simples assim. Aliás, mais ou menos fora do assunto, eu não entendo porque ainda não conseguiram enfiar o núcleo de um óvulo dentro de outro. Posso estar usando os termos errados, mas, se dois óvulos contém, cada um, metade dos cromossomor, qual é a dificuldade em enfiar uma metade que está em um óvulo dentro de outro óvulo? As diferenças entre o espermatozóide e o óvulo, que eu saiba, são apenas três: o espermatozóide se mexe e tem aquela química que corrói a proteção do óvulo, e pode ter tanto um X quanto um Y. Ou seja: capacidade de mover-se sozinho, capacidade de fecundar o óvulo sozinho, e indeterminação do sexo do feto. Nada disso, eu acho, impede que os cromossomos de dois óvulos sejam fecundados in vitro. Mas é só especulação mesmo.<br/>Voltando ao assunto: a fertilização in vitro não é menos natural do que a fertilização “in cama” (eu não resisti a esta piadinha tão tosca…). Se está fertilizado, fertilizado está.</p><p>Enfim acho que essa idéia de unidade entre a técnica e o natural serve para isso: não menosprezar nem um lado nem outro.</p>]]></description>
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      <title>Y dale alegría a mi corazón</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 16 Jul 2008 03:36:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>16/07/2008</p><p>Y dale alegría, alegría a mi corazon<br/>Es lo único que te pido al menos hoy<br/>Y dale alegría, alegría a mi corazon<br/>Afuera se irán la pena y el dolor</p><p>Y ya veras, las sombras que aquí estuvieron no estarán<br/>Y ya, ya veras, bebamos y emborrachemos la ciudad</p><p>Y dale alegría, alegría a mi corazon<br/>Es lo único que te pido al menos hoy<br/>Y dale alegría, alegría a mi corazon<br/>Y que se enciendan las luces de este amor</p><p>Y ya veras, como se transforma el aire del lugar<br/>Y ya veras, que no necesitaremos nada mas</p><p>Y dale alegría, alegría a mi corazon<br/>Que ayer no tuve un buen día, por favor<br/>Y dale alegría, alegría a mi corazon<br/>Que si me das alegría estoy mejor</p><p>Y ya veras, las sombras que aquí estuvieron no estarán<br/>Y ya veras, que no necesitaremos nada mas</p><p>Y dale alegría, alegría a mi corazon<br/>Es lo único que te pido al menos hoy<br/>Y dale alegría, alegría a mi corazon<br/>Afuera se irán la pena y el dolor<br/>Y dale alegría, alegría a mi corazon<br/>Y dale alegría, alegría a mi corazon</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Instinto</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 14 Jul 2008 03:08:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/07/2008</p><p>Anthony Hopkins (esqueci o nome do personagem) é um cientista (antropólgo, biólogo ou zoologista, sei lá) que estuda macacos em uma floresta no continente africano. Um belo dia ele desaparece na selva e, quando é encontrado, mata dois guardas. Cuba Gooding Jr. (cujo nome do personagem também esqueci) é um estudante de psicologia (aparentemente, do mestrado ou doutorado, creio eu) que se propõe a analisar o cientista e descobrir porque ele reagiu daquela maneira, e o resto eu não vou contar.</p><p>Institno é um filme bem velho já (de 99), mas pode-se usá-lo em diferentes questões (se eu fosse pedagoga, diria que pode-se fazer muitas leituras dele – eu não gosto dessa expressão, mas o pior é que ela é muito útil). Uma das questões que aparecem é a arrogância humana. Não que este seja o tema central do filme (que poderia ser algo como “quem é o louco da história?”, ou “quem é o animal irracional da história?”), mas a arrogância é um detalhe do núcleo de idéias centrais do filme, pelo menos.</p><p>Em determinada altura do filme, o personagem de Hopkins fala de um tempo em que a humanidade não plantava nem matava mais do que o necessário para comer – que é o que faz o restante da natureza. Acho que nisso consiste um dos principais sinais da arrogância humana (sem contar os sinais óbvios que podem ser observados nas relações entre as pessoas): dominar a natureza. Essa arrogância, mais do que uma possível extinção da espécie humana no futuro (o que não é uma consequência tão má, afinal), resulta, hoje em dia, na miséria de muitas e muitas pessoas, diariamente. E não somente uma miséria financeira – que de todo modo é uma das mais urgentes. Mas também uma miséria existencial, ou uma vida miserável. Claro que você pode ser feliz com pouco, mas se existem condições para que a vida de uma maioria miserável melhore, para quê manter essa maioria com o mínimo indispensável apenas para conseguir ir trabalhar durante a semana e somente repor as energiar no fim de semana? Ah, claro, porque seria necessário reduzir a fortuna dos poucos que têm mais, muito mais, aliás.</p><p>Não se trata de ter pena dos pobres-coitados que vivem com menos de não sei que miséria de dólares por dia no mundo, e sim de que, com certeza, quando a maior parte das pessoas vive em condições sub-humanas, as que vivem em uma condição praticamente sobre-confortáveis vivem constantemente com medo: vivem mal também, a sorte é que têm dinheiro para viverem chapadas com direito a receita médica.</p><p>Fala-se mal do Islã (às vezes com razão, muitas vezes sem), mas aqui, no “glorioso” Ocidente, há menos democracia do que lá (e a situação das mulheres não é argumento, pois, por mais que tenhamos a Lei Maria da Penha – que só agora foi indenizada, por sinal – e Delegacias de Mulheres, a maioria das ocidentais que não vivem em países desenvolvidos, se não usam burca, usam escoriações, hematomas ou traumas psicológicoso como adorno): a opressão, nos países islâmicos, possui limites, pelos menos. Não que eu ache que devemos, então, regulamentar a opressão como acontece lá. Só acho que a situação é menos horrenda (comparativamente, claro, pois eu não estou querendo dizer que eu conseguiria – e nem que gostaria de – ser islâmico), mesmo que não deixe de ser horrenda.</p><p>Eu não se se me perdi demais do que eu queria dizer, mas o que eu queria dizer, mesmo, era isso.</p><p>Li uma ambientalista que falou que os mosquitos nunca vão dominar o mundo, porque, apesar de serem muitos e de se reproduzirem rapidamente, eles próprios matam uns aos outros, o que é um controle populacional excelente – isso ela disse como argumento contra os inseticidas e coisas assim. Mas acho que a arrogância humana é o “humanicida” mais eficiente que há, e, tal como os mosquitos, as pessoas matam-se a si próprias. Ao invés de tentar dominar a natureza, talvez fosse mais conveniente tentar dominar a própria humanidade (não um domínio de uma pessoa sobre outra, mas a maioria das pessoas terem acesso ao controle – e a um domínio – maior de suas próprias vidas).</p>]]></description>
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      <title>Nostalgia barata</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 12 Jul 2008 02:35:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/07/2008</p><p>Os anos 80 estão, todo mundo sabe, na moda. Por isso, eu já não fico mais contemplativo quando vejo coisas como Pogobol (eu nunca tinha escrito isso antes, mas tive um e brinquei até o troço estragar) ou Get Along Gang. Mas volta e meia os anos 80 me surpreendem.</p><p>Quem diria que o Spectreman foi o primeiro herói ecológico que surgiu por aí? (se existiram outros antes, tudo bem, mas é o mais antigo que conheço, bem antes do Capitão Planeta – “Vai Planeta!!!”)</p><p>Tem a musiquinha que é massa, mas tem uma fala no meio da música, cujo conteúdo eu não lembrava, só sabia que tinha. E veja só o que diz:</p><p><i></i></p><blockquote><p><i>Planeta: Terra. Cidade: Tóquio. Como em todas as metrópoles deste planeta, Tóquio se acha hoje em desvantagem em sua luta contra o maior inimigo do homem: a poluição. E, apesar dos esforços das autoridades de todo o mundo, pode chegar um dia em que a terra, o ar e as àgua`s</i> venham a se tornar letais para toda e qualquer forma de vida. Quem poderá intervir? Spectreman!!! (retirado da wikipedia)</p></blockquote><p>E uma coisa que eu não imaginava: o malvado dr. Gori fabricava seus monstro, veja só, com lixo reciclado. E pensar que hoje em dia os nossos mocinhos (as papeleiras, por exemplo, que geram empregos diretos e indiretos, ajudam a desenvolver a região e blá blá blá), são piores que os vilões mais antigos…</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Insônia</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 09 Jul 2008 04:22:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/07/2008</p><p>São 01:30, e eu tenho que acordar às 06:45. A falta de sono aliada à falta de assunto me leva a falar sobre o que eu estudei a maior parte do semestre: Spinoza.<br/>Começando pela grafia do nome: você pode encontrar tanto Spinoza, quanto Espinosa ou Espinoza. Os dois últimos nomes me lembram “espiga”, por isso eu prefiro o primeiro – pura frescura minha.</p><p>Bem, o que Spinoza tem de bom?</p><p>Eu não sei, porque faz pouco tempo que o estudo. Mas, até onde entendi, a concepção que ele tem do mundo é fascinante.</p><p>Não vá colocar essas coisas numa prova – sei lá se entendi tudo o que li – mas, para ele, existe uma única Substância. Tudo o que você conhece – e também o que não conhece – constitui-se, bem lá no fundo, dessa Substância (afirmação meio incerta).</p><p>Mas essa Substância possui dois modos de ser: Natureza e Deus. Não se tratam de duas coisas diferentes, separadas: Deus e Natureza são a mesma Substância, mas com atributos diferentes. Quer dizer, cada um dos modos reúne diferentes atributos. Alguns atributos são comuns a ambos os modos, mas outros são exclusivos de um ou outro.</p><p>Daí segue o de sempre: Deus cria a Natureza e imprime nela suas leis, que nem no catecismo, por exemplo. Mas, de diferente do catecismo, tem o seguinte: “Deus cria a Natureza” é o mesmo que a substância criando-se a si mesma, o modo criador é Deus, e o modo criado, Natureza. As leis divinas impressas na natureza não são normas, convenções, mas leis naturais, do tipo “você não pode lamber seu cotovelo” ou “você somente pode fazer aquilo que você tem capacidade de fazer”. Não são leis do tipo “faça isso assim ou assado”, mas sim do tipo “se é possível, você pode, se não, não pode”.</p><p>Como essa Substância existe e não pode não existir (do contrário nem eu nem você existiríamos), os modos também precisam necessariamente existir. E os atributos dos modos também. Nós – pessoas, plantas, animais, minerais, vento, fogo, etc – somos atributos de um dos modos (da Natureza), portanto, estamos sob a lei de existir, cada pessoa tem que manter a continuidade da sua própria existência. O poder de manter a própria existência vai de cada pessoa, mas, no geral, uma pessoa sozinha não tem muito poder para isso.</p><p>Assim, como meio de manter a própria existência, constitui-se a sociedade. A sociedade, portanto, serve para garantir a existência, a continuidade da existência das pessoas. Esta sociedade terá, ela própria, poderes sobre as pessoas, que serão gerenciados ou por um rei, ou por uma elite, ou por todos juntos. Quem quer que seja que torne-se responsável pela administração dos poderes da sociedade precisa prestar a atenção em duas coisas:</p><p>a) na obrigação de cumprir a função da sociedade, que é a de proteger a existência das pessoas;<br/>b) no cuidado para não oprimir as pessoas sobre as quais tem poder, pois se um grande número de pessoas estiver insatisfeita, poderá se rebelar e acabar com a sociedade.</p><p>Assim, as pessoas, dentro da sociedade, com a continuidade da sua existência garantida pelo Estado, podem viver as suas vidas, desenvolverem-se como quiserem, etc.</p><p>Quais as consequências dessas idéias? (na minha opinião, claro)</p><p>I) qualquer que seja a divindade em que se acredite, ela não é diferente da Natureza; você até pode não acreditar em divindade alguma, mas não pode duvidar da natureza (se duvida, experimente colocar sua cabeça dentro da boca de um leão selvagem esfomeado). Quer dizer, ou você respeita a natureza porque ela é sagrada, ou porque ela é mais forte do que você.</p><p>II) o Estado (= sociedade) existe para garantir a continuidade da existência de cada pessoa desse Estado. Se não o fizer, quem não recebe esta proteção não tem a menor obrigação de respeitar o Estado. Como o Estado é muito forte, uma pessoa sozinha insatisfeita se dá mal; mas muitas pessoas podem, unidas, lutar contra um Estado que não cumpre sua função; da mesma maneira, o Estado não pode oprimir demais as pessoas, senão elas juntam-se e acabam com ele. O Estado pode, claro, tentar fazer parecer que tudo está bem, mas só vai durar enquanto conseguir enganar as pessoas. Hoje em dia, as pessoas não se dão conta disto: uma imensa maioria é oprimida por um Estado que serve aos interesses de uma minoria. Enquanto todos acharem que o Estado é mais importante do que elas próprias, vão continuar servindo de tapete para uma meia dúzia pisar em cima. Não se trata de uma luta contra proletários X burgueses, por exemplo, mas sim de uma tensão entre pessoas que não têm suas vidas asseguradas pelo Estado com pessoas que têm essa segurança. Essa balela de “Estado mínimo” serve apenas para estimular um Estado enxuto que garanta a existência da minoria. Portanto se você se sentir relegado pelo Estado, junte-se a outras pessoas na mesma situação e dê um jeito.</p><p>III) tudo é uma questão de forças: quem é mais forte pode mais do que quem é mais fraco. O Estado deveria impedir que umas pessoas fossem mais fortes do que outras, mas não faz isso. Só que essa relação de forças não vale somente para a relação entre os indivíduos: vale entre todas as coisas, inclusive entre a sociedade e a natureza. Isso quer dizer que somos uma sociedade de kamikazes, que lutam contra a natureza que, pelo que me consta, é mais forte, e vai vencer a briga – isso vale tanto para quem efetivamente destrói a natureza (quem faz queimadas, polui o mundo com coisas químicas, mata bichos, etc), quanto para quem não faz nada (os mosquitos cada vez mais resistentes a venenos, por exemplo, não querem saber se você polui o mundo ou não quando lhe picam – e nem as enxurradas e outras desgraças naturais desse tipo).</p><p>IV) as consequências dos ataques à natureza talvez – talvez – sejam a longo prazo, mas a vida medíocre a que a maior parte das pessoas é submetida atualmente é um fato atual, do momento, deste exato momento. Não tentar subjugar a natureza, e obrigar ao Estado a cumprir sua função – ou acabar com ele caso não a cumpra – são coisas necessárias para hoje, agora, ontem até.</p><p>—</p><p>Pelo menos desta vez foi uma insônia produtiva.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Idiotas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 06 Jul 2008 17:14:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/07/2008</p><p>Segundo um professor, “idiota” é uma palavra que tem a ver com “idioma”: uma pessoa idi-ota seria aquela restrita ao seu idi-oma. Se a explicação está certa ou não, eu não sei, mas serve para o que eu quero dizer (ou seja, entenda “idiota” aqui nesse sentido, de pessoa limitada)</p><p>As pessas gostam de ser idiotas, têm orgulho de sua idiotice. Amam isso. Não gosto de justificar geneticamente o comportamento humano, mas estou quase acreditando que é genético: as pessoas possuem esse imperativo biológico que as obriga a ser limitadas ao seu mundinho, ao mundinho do seu cérebro, onde seus valores, suas crenças, seus gostos e suas certezas são absolutas. Tudo o que elas fazem é o que de melhor um ser humano poderia fazer. Tudo em que acreditam é a única coisa em que qualquer pessoa em sã consciência poderia acreditar. Seu valores são, é óbvio, os valores corretos, os melhores que uma pessoa pode ter. Sua vidinha é perfeita. Seus costumes são os costumes que todas as pessoas deveriam adotar, pois assim o mundo seria melhor. Não admitem, aliás, que o mundo seria melhor se todas as pessoas fossem como elas, mas acreditam nisso. Claro que nunca pararam para pensar em suas vidas – e nem há o que pensar, pois é claro como água que as coisas são assim. Porém são “tolerantes”: toleram essas pessoas ainda não “iluminadas” pelo modo de viver “correto”; “aceitam” porque são benevolentes, assim como são benevolentes para com as crianças, os cãezinhos e os idosos. Apesar de toda essa concessão que fazem aos inferiores, necessitam incutir nestes aquilo que estes não têm, mas que é indispensável à vida, ao mundo, a tudo. São “tolerantes” e “aceitam”, desde que esses seres inferiores ajam como elas. “Eu aceito que você seja assim, desde que você aja como eu”, “você deve agir quando e da maneira que eu acho correto, porque assim é melhor para todos”, isso tudo se parece (que coincidência!) com o velho “nós odiamos o pecado, mas amamos o pecador”. E, claro, fazem das tripas coração para serem assim “corretas”, sofrem com isso, mas não se importam de tentar impor justamente esse sofrimento aos outros. As limitações que impõem a si, as violências que cometem contra si mesmas, as justificativas impensadas que utilizam, são aquilo que lhes causa a maior satisfação impor aos outros, como quem estivesse fazendo um grande bem a estes outros – quando na verdade esse bem é feito a si mesmas, pois consideram como uma coisa boa fazer com que o maior número de pessoas possível possa compartilhar dessa sua mediocridade, pois assim têm certeza de que estão no “caminho correto”. São como o escorpião da piada, que não podia deixar de picar a tartaruga que o carregava pelo rio – mas, ao contrário do escorpião da piada, que não podia fugir àquela atitude porque, afinal de contas, era um escorpião e precisava fazê-lo, essas pessoas concluem que se sofrem, o melhor é que outras pessoas sofram junto; ou então, que se elas podem/puderam passar por este sofrimento, os outros também podem: “se eu sofro/sofri isso, você também pode”, “eu levo uma vida medíocre, porque você não deveria levar também?!?”, “não é que eu queria o mal para você, mas é uma necessidade da vida” (quando, na verdade, a necessidade é que não se sintam sozinhas em seu mundinho apertado e desconfortável).</p><p>Enfim a regra é que você seja idiota, ou que deixe-se transformar em idiota. Aspire a isso, seja assim. Dessa maneira todos ficarão felizes quando todos forem igualmente infelizes.</p>]]></description>
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      <title>Nietzsche e ecologia.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 06 Jul 2008 02:42:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/07/2008</p><p>a) Nietzsche foi um filósofo maldito até certo tempo. Depois disso, virou filósofo da moda – hoje em dia, mais exatamente. Sua legião de fãs considera-se maldita também, alternativa e coisas do tipo. Posso estar errado – e até espero estar – mas provavelmente a metade dos ditos malditos não entende metade do que lê, e entende mal a outra metade. “Deus morreu” não é um teocídio e nem uma frase de efeito gratuita (quer dizer, é sim uma frase de efeito, mas não está lá só pelo efeito, pela sensação que causa); “o homem criou a mulher da costela de seu deus, seu ‘ideal'” (citei de memória, provavelmente não é exatamente assim) não é uma frase machista (basta ler Simone de Beauvoir), pelo contrário, vai ao encontro do feminismo; declarar-se um descendente de nobres poloneses não é loucura e nem piadinha, isso não é sobre sua família. Mas é fácil citar Nietzsche por aí.</p><p>b) Por isso, eu acho difícil elogiar Nietzsche. Gosto dos seus livros, de muitas das suas idéias e do jeito como escreve. Mas não sou maldito, nietzschiano, alternativo, nem entendedor de Nietzsche. Por isso, fico meio assim de elogiá-lo. Mas, enfim, elogio.</p><p>c) Isso só para dizer que não quero falar da obra, nem do filósofo e sua filosofia, nada disso. Só sobre um detalhe fundamental da vida dele:</p><p>d) Nietzsche enlouqueceu no final da vida. O sintoma mais conhecido dessa loucura foi sua tentativa de defender um cavalo das chicoteadas que recebia, abraçando-se nele.</p><p>e) Se Nietzsche enlouqueceu, é necessário que se interne todas as socialites que dão festas de aniversário para seus cães, e para todas as outras pessoas, independente das condições sociais, que amam seus animais.</p><p>f) É necessário internar, junto, ambientalistas, ecologistas, pessoas que economizam recursos naturais, gente que compra ou vende créditos de carbono, enfim, essa malucada toda.</p><p>g) Ou, então, ele de louco não tinha nada, pelo contrário: a vida de um cavalo não vale mais do que a de uma pessoa – mas também não vale menos.</p><p>h) É difícil afirmar uma coisa dessas, quando nem as vidas humanas valem muito por si sós – aposto que se somarmos a renda de todas as pessoas assassinadas, mortas por negligência médica, balas perdidas, por nada, por assalto, etc, ela não será maior do que a renda das pessoas vivas hoje. O cálculo pode parecer tosco e inclusive pode dar errado, mas o que eu quero dizer é que a vida de uma pessoa, hoje em dia, vale mais ou menos tanto a quantia de dinheiro que ela tiver (incluindo conta no banco, investimentos tipo ações e imóveis, e cargos).</p><p>i) Por isso que “loucura” é você pensar (caso pense) que é um ser superior a qualquer bicho que vemos por aí. Eu não estou pregando que se pare de matar mosquitos no quarto, e nem que se pare de tomar Nescau (que, aliás, tem ficado horrível nos últimos anos, e por isso eu só tenho tomado Toddy ou Barra, este último mais barato). Isso, na minha opinião, é uma arrogância que não é diferente da arrogância comum que vemos tanto por aí.</p><p>J) E, por incrível que pareça, a arrogância não é o pior disso tudo (e não é tão fácil achar coisas piores do que arrogância – há muitas até, mas não é fácil).  O pior é que é essa arrogância que, possivelmente vai acabar com a vida humana no planeta.</p><p>K) Que bom se a humanidade conseguir manter-se por muitos e muitos anos sobre a Terra. Mas, se não puder, paciência. O ser humano não é o ápice da criação, e a natureza não tem necessidade de sua existência. Acho que a continuidade da espécie é um bom argumento para a promoção da manutenção da natureza, mas não é um argumento absoluto (tanto porque nem a espécie humana é tão importante para a natureza, quanto porque existem coisas mais importantes do que a perpetuação da espécie).</p><p>L) Um argumento que deveria ser indefensável é: viver bem hoje em dia.</p>]]></description>
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      <title>Idéias</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 04 Jul 2008 18:18:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>04/07/2008</p><p>A cada semana eu tenho idéia de um trabalho de conclusão diferente. Todas muito boas, mas muito falhas aqui e ali.<br/>Uma das que eu pretendo levar adiante (quer dizer, fazer durar pelo menos um semestre) é , sei lá eu como, fazer algum trabalho relacionado ao ambientalismo.<br/>Sei lá. A filosofia já tratou de deus, da sociedade, do indivíduo, da lógica, da semântica, mas fez pouca coisa por essas bandas.<br/>Só não quer ter que estudar Peter Singer – tenho direito aos meus preconceitos.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Roda viva</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 04 Jul 2008 18:15:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>04/07/2008</p><p>A gente vai contra a corrente, até não poder resistir. Na volta do barco é que sente o quanto deixou de cumprir.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Direito de calar</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 02 Jul 2008 02:28:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>02/07/2008</p><p>As apresentações orais dentro de sala de aula deveriam ser proibidas ou, pelo menos, não obrigatórias. A capacidade de falar em público é importante, mas não deveria ser determinante em um curso cujo foco não é a comunicação.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Primavera Silenciosa</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 01 Jul 2008 04:35:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/07/2008</p><p>Eu quero, nos próximos dias, semanas, meses ou anos (vá saber) escrever sobre todas as séries que eu gosto de assistir (que por coincidência são as mesmas que assisto – quer dizer que só assisto às que gosto). Eu ia escrever sobre Twin Peaks, mas vou esperar ver a última fita para falar, eu acho. Mas é demais!<br/>Mesmo assim, tem a ver com o assunto da série anterior. Não, na verdade não tem não. Foi algo só mencionado por cima no textinho sobre o The LW.</p><p>Não sei que artista deixou um cachorro morrer de fome amarrado em uma parede. Dá para entender a lógica dele: arte tem a ver com esse negócio de impactar as pessoas. Andy Warrol (é assim que se escreve) colocou aquele mictório na sua exposição para fazer refletir sobre o que é arte e o que não é arte, e blá blá blá. Certo, aceito isso. Mas e se fosse o broche da avó dele? O caso teria corrido o mundo e os anos como um tipo de marco na história da arte? Será que ele entraria para a história com as Marylin Monroes apenas? Foi muito legal a parada do mictório, confesso – mas Valérie Solanas não fez algo muito mais interessante e merecedor de maior destaque (me refiro ao SCUM e não ao tiro)? O que eu quero dizer é: o mictório precisou impactar para virar discussão. (por isso a história do broche: se fosse só o objeto deslocado, não teria o mesmo efeito; teve que ser um objeto impactante deslocado, entendeu?)</p><p>Certo, discutiu-se – e discute-se ainda – arte, o que é arte? o que é um objeto de arte? o que é estética? Ok.</p><p>Mas eu falava da lógica do cara lá: ele quis causar impacto. Andy Warrol colocou um mictório entre finos objetos de arte, causou impacto por uma boa causa. O artista matador de cusco? Matou o cão para mostrar a hipocrisia das pessoas. Lindo. E falo sério. Uma idéia genial. Como ele mesmo disse, ninguém daria bola para o bicho, só falam do cãozinho porque o sr. artista amarrou ele na parede (onde se lia “tu és o que tu lês”) e deixou-o morrer. E ninguém fez nada, desamarrar o cão, chamar a polícia, bater no artista…</p><p>Acho que a liberdade criativa é tão importante quanto comida. Mas você não precisa pensar assim, e pode preferir comer a ter liberdade. Eu vou fazer o que? Lhe obrigar a ter liberdade criativa? Dar pincel e tinta aos esfomeados pedintes da rua? “Aqui menininha, explore sua criatividade, expresse seu lindo interior com estas lindas cores nesta tela…” Se ela comer o pincel e beber a tinta, foi uma manifestação artística?</p><p>Mas além da liberade artística, há outra coisa em jogo: os bicho (que nem diz a minha vó). Animais não são gente – eu também acho. Mas o que dá o direito a uma pessoa a matar os animais por tais ou quais motivos? Eu sei que se um leão entrar com fome pela minha porta, ele me come e está se fudendo para o direito das outras espécies (eu, no caso) sobreviverem. E eu, com fome, matava ele e comia também (acho fascinante o vegetarianismo e suas variantes, mas não vivo sem um pão com salsicha ou mortadela ou uma lasanha e essas comidas antiecológicas). Mas leões e outros animais não abatem nenhuma outra espécie sistematicamente. Certo, vai que alguém aí sabe de uma espécie de macacos que mata sistematicamente uma espécie de, sei lá, cobras, porque uma espécie sente raiva da outra. Mesmo assim, eles não criam a espécie que odeiam, engordam-na com um monte de porcarias para ficarem mais saborosas, e comem-na nos dias de festa e de guarda. Eles sentem raiva, e matam. “O ser humano é o único animal que ri quando entende a piada”, disse o Luiz Fernando Veríssimo, mas também é o único que comete crueldades em bando e depois escreve livros de ética sobre isso. Onde eu quero chegar?</p><p>Os animais, ditos irracionais (e é racional que a fuga de capital estrangeiro da Bovespa mereça mais destaque que a fome no mundo?), por mais que matem, seja por fome, vingança ou esporte, não fodem com todo o ecossistema em que vivem. Se isso não é uma atitude racional, me internem. “Ah, mas eles não têm a intenção de proteger o ecossistema, eles só não têm capacidade para isso”. Mais irracional ainda é quem tem capacidade de fazer ou não fazer isso, e faz. Quero dizer que os seres humanos não se sustentam sós no mundo e, se não for pelo mero gosto pelos bichos, precisam respeitar e cuidar por questões de sobrevivência, de manutenção do mundo. Claro, esse argumento perde a validade se vc está se fudendo para as próximas gerações. Mas, então, que tal este? “Sem intenção alguma”, a selva inteira se vinga – e nem se trata de vingança, mas de autopreservação. Ou vc acha que, conscientemente (o que duvido) ou não, a selva não possui mecanismos de defesa contra uma espécie dominante? É só uma hipótese, mas tenho certeza de que está correta. Não imagino que a selva esteja arquitetando um plano para exterminar a humanidade. Ela (a humanidade, quer dizer, nóis) está se exterminando. Vai levar um monte de espécies junto, é verdade. Mas a selva vai sobreviver a isso, se reconstitui, e pronto, teremos um futuro sem pessoas no futuro. Mais do que isso: qualidade de vida, sem esse tipo de cuidado, não existe. Experimente viver só de mini-chicken e salsicha para ver como é bom.</p><p>Esse tipo de pensamento, de que os animais são inferiores, é que está por trás da grande idéia do sr. artista em matar o cão. Um cão vale menos do que a mensagem da sua morte, uma árvore vale menos do que as 500 folhas de papel que ela vai produzir, um rio vale menos do que uma papeleira instalada às suas margens, um boi menos do que um churrasco… se vc concordar com o pressuposto de que a espécie humana precisa das outras espécies para manter-se (não ´so a espécie, mas também os indivíduos, independente da espécie como um todo), logo esta sequência termina em que o ser humano também vale menos do que a papeleira, a mensagem, o churrasco.</p><p>Considero muito importante a mensagem que o cara quis passar. Mas o cachorrinho, creio eu, era muito mais importante do que ela.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Tudo pelo social</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 30 Jun 2008 20:10:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>30/06/2008</p><p>E, lendo coisas e mais coisas, pensando nas minhas reações passadas, de repente eu me dou conta de que tenho fobia social.</p><p>Primeiro, eu preciso observar que isso não é um diagnóstico, embora geralmente minhas opiniões sobre mim mesmo estejam certas.</p><p>Segundo, eu preciso observar que, com excessão das incuráveis e das fatais, eu poderia ter uma doença dessas mais chiques, ou então com maior apelo popular, tipo anorexia, LER, uma esquizofrenia leve talvez (doença de gente pós-moderna), ou uma depressão não muito forte.</p><p>Terceira observação: me fudi de qualquer jeito, porque ou eu tomo remédio para isso, ou pago uma psicóloga (um preconceito meu: não confio em psicólogos. Não confio em psicólogas também, mas desconfio menos – que fique claro que em ambos os casos o preconceito refere-se à profissão, ao contrário, por exemplo, do meu preconceito contra advogados, que vai além da profissão e chega à própria pessoa. Já conheci advogados e advogadas admiráveis, mas essas pessoas não foram o suficiente contra o meu preconceito contra a classe). Ainda na terceira observação: meu bolso também tem lá suas doenças, no caso, uma fobia a dinheiro, embora talvez o problema não seja do meu bolso, e sim do dinheiro, que talvez tenha fobia ao meu bolso. Talvez não seja nada disso, claro, pode ser simplesmente uma fatalidade, mas o fato é que eu estou sempre sem dinheiro, o que torna difícil o meu acesso tanto à psicologia profissional quanto aos remédios (no máximo, um paracetamol).</p><p>Da mesma maneira, aliás, que estou sempre angustiado com o fato de que o trabalho maravilhoso que eu fiz talvez não seja apresentado com alguma desculpa esfarrapada (esqueci o trabalho no banco do ônibus e a senha do meu e-mail!!!) porque eu não entendo como alguém pode sobreviver a uma apresentação de trabalho. Se eu tivesse depressão, por exemplo, todo mundo seria solidário comigo. Pelo menos eu imagino que uma crise de depressão seria menos ridícula e mais convincente do que uma crise de fobia social.</p><p>Eu tenho medo de altura, também,  e de aranhas e de baratas, e de dormir com a luz apagada. Mas nenhum desses medos tem a ver com o trabalho que eu tenho que apresentar amanhã e que não consigo nem escrever porque eu fico imaginando o que eu vou dizer. O_o</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Porque The L Word é tão bom?</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 29 Jun 2008 03:42:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>29/06/2008</p><p>Aviso: esse texto contém <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Spoiler">spoilers</a> sobre o seriado em alguns parágrafos. Se você não assistiu até a terceira temporada e não quer estragar sua diversão (no caso de você não gostar de saber de coisas que aconteceram na história antes de assisti-la, e no caso de você assistir à série, é claro), não leia.</p><p>a) há uma concepção de arte que define obra de arte como algo (um livro, um filme, um quadro, qualquer coisa) que causa impacto. Eu não sei explicar muito bem, mas é um impacto do tipo “uau!!!”, quer dizer, algo que impressiona quem está vendo (ou ouvindo, pois pode ser uma música – e vale para os outros sentidos também). Claro, se você atirar uma criança de uma janela você também vai causar impacto (em ambos os sentidos da palavra), mas acho que impacto, nesse caso, se refere a um impacto emocional que não coloque em risco a vida de ninguém, sejam crianças, <a href="http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/03/414372.shtml">cachorros</a> ou outras coisas vivas.</p><p>b) eu acho que um seriado, tal como um filme ou uma peça de teatro, é uma obra de arte. O fato de ser geralmente concebido como entretenimento não retira, de um seriado, o aspecto de obra de arte que ele contém. Não é só porque Lost é um seriado que vamos jogar todos os seriados na mesma vala comum das coisas idiotas. (observação: isso quer dizer que até Lost é obra de arte – mas eu tenho o direito de julgar certas obras como ruins, não imprta o que milhões de espectadores digam). Aliás, algo que seja concebido como entretenimento, ou que acabe virando entretenimento por acidente, não deixa de ser uma obra de arte só por causa disso (pois você pode ler Sheakspeare ou O Sangue dos Outros só para passar seu tempo, se entreter, sem que essas coisas deixem de ser arte).</p><p>c) mesmo que uma obra de arte seja engajada socialmente, não quer dizer, também, que deixe de ser arte. Claro que mesmo uma pintura surrealista, um quadro cheio de borrões, por exemplo, se insere dentro de uma cultura e, como tal, é resultado de alguma relação politica, e causa outras relações políticas (política, aqui, não se refere à tosquice partidária, que é só um aspecto, desagradável, aliás, da política), ainda que essas relações não sejam determinadas. Quer dizer, uma obra de arte, mesmo que não possua pretensão política alguma, está inserida dentro de uma relação política qualquer (porque ela existe em um mundo onde habitam pessoas que estabelecem relações políticas, e uma obra de arte não é imparcial, mesmo que seu autor quisesse que ela fosse – até porque o próprio autor não é imparcial, mesmo que quisesse ser). Se uma obra de arte que se pretende imparcial ou apolítica ainda assim acaba por estabelecer relações políticas e engajamentos sociais sem deixar de ser uma obra de arte, o contrário também vale, ou seja, uma obra de arte declaradamente política, que possua um corte determinado (como The L Word), ou uma intenção política clara (como os romances de Sartre), ou mesmo uma posição de defesa de tal ou qual coisa (como um rap), não deixa de ser obra de arte, sem prejudicar em nada suas posições políticas.</p><p>d) The L Word funciona como um porta-voz das lésbicas dos EUA, e, como a maioria dos outros países (com excessão, até onde eu sei, apenas da Espanha) não tem um seriado assim, acaba sendo porta-voz das lésbicas de todo o mundo. Claro que o seriado não defende o lesbianismo (ninguém defende o lesbianismo, uma pessoa é lésbica: o que se defende são direitos para as lésbicas, e a liberdade de amar a quem se quiser), mas mostra a vida de mulheres lésbicas (e meia dúzia de outras orientações sexuais). Não que o seriado seja um porta-voz do tipo “porta-voz do governo”, que fala pelo governo; mas, sim, fala sobre a vida de lésbicas, que, fora do seriado, costumam viver como lésbicas (e “viver como lésbicas” não é muito diferente do que viver como qualquer outra coisa, como heterossexuais, por exemplo, mas há peculiaridades comuns à maioria das lésbicas, como a <a href="http://www.gay1.com.br/cgi-bin/news/viewnews.cgi?id=20080115291028026274&amp;tmpl=news">felicidade</a> ou o preconceito, por exemplo, que não são categorias exclusivas das lésbicas, mas que assumem um conteúdo semelhante quando voltados às lésbicas), mas não costumam ver sua vida representada na TV (convenhamos, Assunto de Meninas pode valer para uma menina que estuda em um colégio interno e ser uma coisa muito boa na promoção da diviersidade e bla blá blá, mas não tem nada a ver com a América Latina, por exemplo, a não ser nos aspectos gerais de descoberta do amor, incompreensão, etc). Mas não é uma Ladyfest – assim como Um Maluco no Pedaço não é um quilombo. O seriado tem um publico-alvo claro (lésbicas), mas geralmente obras de arte não se limitam a atingir somente o grupo que o autor tinha em mente. E, mesmo, pelo que sei, as próprias autoras não definem o seriado como um programa para lésbicas. Mesmo que ele acabe se tornando uma febre entre elas, a palavra L forma muitas palavras.</p><p>e) os seriados costumam criar um mundo próprio. Se você nunca assistiu Alias não vai entender que a música perfeita para Sloane seria Used to Love Her (But I Had To Kill Her), mesmo que nunca tenha tocado no seriado; ou se nunca assistiu The Early Edition, não faz sentido pensar na relação entre o gato amarelo e o jornal. Leia Harry Potter ou Dom Quixote que você vai entender bem isso. O mundo que The L Word cria, ainda que seja focado na vida de mulheres lésbicas, lida com questões que tocam praticamente todas as pessoas (eu ia dizer “todas as pessoas”, mas acho que nada no mundo toca todas as pessoas do mundo, com excessão talvez das necessidades fisiológicas ou orgânicas ou biológicas, como respirar ou ir ao banheiro). Relações de amizade, amor, gente filha-da-puta, gente chata, essas coisas todas fazem parte desse mundo. E, ao contrário de algo como, por exemplo, Lost, não é um mundo quimérico – até Harry Potter é mais realista do que Lost. Não que um seriado tenha que ser realista. Se você assistir Gilmore Girls, pode morrer de inveja de uma cidade como Star Hollows, mas não existe uma cidade como Star Hollows, você nunca vai morar num lugar assim (se existir, me avise), mas as coisas pelas quais as duas Lorelais passam, as histórias que se desenrolam, os sentimentos e as atitudes – e as opiniões e reações – dos personagens do seriado são coisas muito reais. Até porque é impossível alguém fazer algo que seja absolutamente desligado da vida real (Lost quase consegue isso).</p><p>L) (esse parágrafo contém <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Spoiler">spoilers</a>) o que faz com que The L Word seja tão bom, afinal, na minha opinião, é que é uma obra artística que inevitavelmente causa emoções inesperadas, e bastante intensas. Sei lá, coisas do tipo Alice ir revirar o lixo atrás do cartaz da Dana, além da questão da obsessão, foi uma das cenas de amor mais legais que eu já vi (mais do que o Bruce Willis indo para o inferno atrás da esposa, ou o Jack morrendo congelado pela Rose, por exemplo); ou, então: eu nunca fiquei tão indignado com um acontecimento em um filme ou um seriado quanto como fiquei quando vi que a Kit estava, sem saber, dentro de uma clínica anti-abortista sem saber que a clínica era anti-abortista. Ainda mais, são histórias bem contadas, cenas bem-feitas, enfim, é algo além de mais um seriadinho sobre aviões caindo em ilhas perdidas ou donas de casa chatas desesperadas.</p>]]></description>
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      <title>Família</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">08f240-familia</guid>
      <pubDate>Sun, 15 Jun 2008 16:57:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/06/2008</p><p>Uma das consequências de você viver em sociedade é que cada pessoa possui um determinado grau de força. Se algumas pessoas reúnem suas forças, cada qual contribuindo com uma parcela do seu grau de força, serão mais fortes contra coisas que têm força igual ou maior do que a força de uma pessoa isolada.</p><p>Isso vale também para pequenos grupos, como as pessoas que moram em uma mesma casa. Você, isoladamente, tem uma força x, e as outras pessoas reunidas, digamos, outras três pessoas reunidas, têm uma força xxx. Lógico e natural.</p><p>Aí você quer estudar, e as outras pessoas não tem nada contra o estudo. Mas querem ver TV, falar berrando (por incapacidade em falar em um tom com uma altura apenas necessária para chegar aos ouvidos apenas da pessoa com quem fala), comer, fazer outras coisas, que acabam atrapalhando seu estudo. Você somente tem acesso aos recursos da casa quando outros já os utilizaram, ou quando chega primeiro e tem que disputar e defender seu direito de quem chegou primeiro. E tudo isso converge para seu estudo (sair, fazer festa, vc já desisitiu porque todo seu dinheiro vai ou para a manutenção do trabalho ou do estudo): quer dizer, o que atrapalha isso atrapalha seus estudos e vice-versa. Então você descobre que não tem mais forças para lutar contra todos sempre. Que não dá para resistir o tempo inteiro. Que precisa trocar para um curso “menos teórico e mais prático”, onde você dependa menos de ler e produzir textos, e possa fazer coisas que não demandem tanto tempo, e, de quebra, paguem melhor no futuro. Mas a única motivação que você tem para todo este esforço é seu gosto, é fazer a merda que vc gosta.</p><p>Só que todas as forças em seu entorno pressionam contra aquilo que vc quer, que vc gosta. É como se afogar, mas não na água, e sim em uma massa de interesses contrários ao seu. E você cada vez tem menos dinheiro, menos tempo, menos dias que você consegue encontrar a lavadora de roupas disponível, menos roupas quentes, menos tempo de sono, menos silêncio quando precisa, menos de tudo o que precisa e mais de tudo o que atrapalha.</p><p>Aí vc vê se aproximar o momento em que terá que decidir entre jogar fora tudo o que você fez até aqui, e começar alguma outra coisa, ou continuar, não mais para chegar até onde vc quer (que no fim das contas é realizar-se), mas apenas para ir até onde seja possível ir antes que destruam vc.</p>]]></description>
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      <title>Fofoquinha</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 23 Apr 2008 21:14:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/04/2008</p><p>Este é um post para ninguém ler (e quem lê isso aqui mesmo?), é mais minha necessidade de escrever do que qualquer coisa.</p><p>Em um episódio dos Simpsons, o Hommer sobe em um poste de rua para arrumar não sei o que (acho que era um problema com o telefone, e acho tb que foi naquele badalado episódio dos Simposns no Brasil, “Blame it on Lisa”, seja lá como é que se escreve). Aí ele enfia a mão dentro de uma caixa de metal e leva um choque. E tenta de novo, e leva outro choque. E tenta mais uma vez e leva mais um choque. E vai assim até cair do poste – se não caísse, ele continuava tentando.</p><p>Longe de mim querer explicar o humor, ou estragar piadas, mas o engraçado disso é que não há como ele não levar um choque, mas ele faz isso de novo, como se ignorasse que pudesse levar mais um choque – isso depois de dez choques.</p><p>Pois bem. Tenho uma parente, de resto muito querida, que tem a mania de distorcer as coisas que ouve. Já não tem mais como saber se faz isso voluntária ou involuntariamente – talvez nem ela saiba mais distinguir. Isso quer dizer que não se pode confiar no que ela diz das outras pessoas.</p><p>Todas as pessoas da família sabem disso. E, no entanto, sempre levam em consideração o que ela diz. Se dependesse das informações que recebo dela, não falaria, e desejaria todo o mal do mundo à todas as pessoas da família. Por isso, ignoro o que ela diz. Não comento, não questiono, não pergunto para os outros se é verdade o que eu ouvi dela. Porque eu sei que a coisa veio distorcida e que não foi bem assim.</p><p>Mas aí, de novo, eu banco o trouxa! Na primeira fofoca que surge sobre mim, “mas é verdade que tal coisa e tal coisa?”, “eu sei que ela distorce tudo, mas de algum lugar ela tirou esta história, e queremos saber de onde”.</p><p>Eu, que me dou a todo este trabalho, de ouvir e ignorar, de não pedir explicações a ninguém daquilo que ouvi, agora me vejo contra a parede, tendo que dar para os outros as explicações que eu não peço a ninguém. E também eu que passo por errado, por grosso por não querer explicar porra nenhuma.</p><p>Decididamente o ser humano não é um animal político, nem é o lobo do homem, nem é bom por natureza. O modelo-padrão de ser humano, tomando por base a minha família (palavra que, para mim, cada vez mais quer dizer apenas um tamanho de pizza), é o Hommer.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Músicas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 22 Apr 2008 02:22:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>22/04/2008</p><p>Em uma aula de física, aprendi que o movimento é uma variação da distância entre um objeto (que se move) e um ponto de referência. Como no segundo grau eu era inteligente, perguntei para o professor (não, é claro, nestas palavras): “segundo esta definição, se o objeto estiver preso por uma corda ao ponto de referência, e girando em torno dele, não vai ter movimento, pois a distância entre o ponto de referência e o objeto vai ser sempre a mesma”. Ele me respondeu (duas semanas depois) que, num movimento circular, a definição de movimento tinha algo a ver com os graus, com a variação de graus, eu acho (o objeto passa pelo grau 1, pelo grau dois, e assim vai até o grau 360 e começa a volta de novo). O que interessa é que isto parece minha vida no momento: não parece, mas algo está acontecendo.</p><p>Coisas estão acontecendo, mas nada mudou significativamente. É como um céu com as nuvens carregadas, a chuva se preparando para vir, quando você pode até sentir o cheiro da chuva chegando. Não está chovendo ainda, mas as pessoas já saem de guarda-chuvas na rua, ficam olhando para o céu o tempo todo. “É questão de tempo.”</p><p>Não sei se no meu caso é questão de tempo. Talvez toda esta tensão no ar não implique em nada, pode ser que dependa de algum movimento meu que ainda não fiz, que ainda não descobri qual é, ou como fazê-lo. Ou talvez venha uma onda, alheia à minha vontade, leve tudo e deixe só o que interessa. Não sei se o que talvez esteja por vir será conveniente ou não.</p><p>Mas enquanto isso eu escuto música. Li um texto de alguém, sei lá onde, que reclamava dos jovens viciados em músicas dos anos 80, 70 e 60 em pleno século 21. Eu acho que poucas coisas batem Beatles, L7, Doors e essas coisas assim.</p><p>Por outro lado, eu concordo que tem coisas ótimas dos anos 2000: Dixie Chicks, Indigo Girls, Portishead; e gentes antigas fazendo coisas novas legais, tipo Manu Chao, Björk, que são cantores meio anos 80, mas que fazem coisas interessantes nesse século.</p><p>Acho que o problema não é você cultuar as músicas mais antigas, afinal, não dá para não sentir saudades, mesmo que eu não estivesse nos anos 70, dos Mutantes, da Jovem Guarda ou das Frenéticas, e das coisas em outras línguas, como Fito Paez e Mercedes Sosa (e The Doors e toda a coisa manjadíssima de sempre – mas muito boa). É só uma questão de ouvir de tudo, sem rotular antes, e descobrir o que se gosta, independente do tempo ou do som. A Zélia Duncan, por exemplo: é absurdamente boa, ótima, demais – mas que fiasco com esses novos Mutantes. Cansei de escrever, mas eu tinha mais coisas, eu acho, para dizer.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Auto-lembrete</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 12 Apr 2008 19:41:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/04/2008</p><p>Tudo uma é questão de manter<br/>a mente quieta,<br/>a espinha ereta,<br/>e o coração tranquilo.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Tecla ALT</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 25 Mar 2008 12:48:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/03/2008</p><p>Procurando na internet, encontrei <a href="http://forum.cifraclub.terra.com.br/forum/11/145195/">aqui</a> uma lista com os atalhos da tecla ALT + . A maioria estava preenchida, mas uns vinte ou trinta não. Aí completei o negócio. E postei aqui.</p><p>Alt | Símbolo</p><p>1 ☺<br/>2 ☻<br/>3  ♥<br/>4 ♦<br/>5 ♣<br/>6 ♠<br/>7 •<br/>8 ◘<br/>9 ○<br/>10 ◙<br/>11  ♂<br/>12 ♀<br/>13 ♪<br/>14 ♫<br/>15 ☼<br/>16 ►<br/>17 ◄<br/>18  ↕<br/>19 ‼<br/>20 ¶<br/>21 §<br/>22 ▬<br/>23 ↨<br/>24  ↑<br/>25 ↓<br/>26 →<br/>27 ←<br/>28 ∟<br/>29 ↔<br/>30 ▲<br/>31  ▼<br/>32 (espaço)<br/>33 !<br/>34 “<br/>35 #<br/>36 $<br/>37  %<br/>38 &amp;<br/>39 ‘<br/>40 (<br/>41 )<br/>42 *<br/>43 +<br/>44 ,<br/>45  –<br/>46 .<br/>47 /<br/>48 0<br/>49 1<br/>50 2<br/>51 3<br/>52 4<br/>53 5<br/>54  6<br/>55 7<br/>56 8<br/>57 9<br/>58 :<br/>59 ;<br/>60 &lt;<br/>61 =<br/>62  &gt;<br/>63 ?<br/>64 @<br/>65 A<br/>66 B<br/>67 C<br/>68 D<br/>69 E<br/>70  F<br/>71 G<br/>72 H<br/>73 I<br/>74 J<br/>75 K<br/>76 L<br/>77 M<br/>78 N<br/>79  O<br/>80 P<br/>81 Q<br/>82 R<br/>83 S<br/>84 T<br/>85 U<br/>86 V<br/>87 W<br/>88  X<br/>89 Y<br/>90 Z<br/>91 [<br/>92 \<br/>93 ]<br/>94 ^<br/>95 _<br/>96 `<br/>97  a<br/>98 b<br/>99 c<br/>100 d<br/>101 e<br/>102 f<br/>103 g<br/>104 h<br/>105  i<br/>106 j<br/>107 k<br/>108 l<br/>109 m<br/>110 n<br/>111 o<br/>112 p<br/>113  q<br/>114 r<br/>115 s<br/>116 t<br/>117 u<br/>118 v<br/>119 w<br/>120 x<br/>121  y<br/>122 z<br/>123 {<br/>124 |<br/>125 }<br/>126 ~<br/>127 ⌂<br/>128  Ç<br/>129 ü<br/>130 é<br/>131 â<br/>132 ä<br/>133  à<br/>134 å<br/>135 ç<br/>136 ê<br/>137 ë<br/>138  è<br/>139 ï<br/>140 î<br/>141 ì<br/>142 Ä<br/>143  Å<br/>144 É<br/>145 æ<br/>146 Æ<br/>147 ô<br/>148  ö<br/>149 ò<br/>150 û<br/>151 ù<br/>152 ÿ<br/>153  Ö<br/>154 Ü<br/>155 ø<br/>156 £<br/>157 Ø<br/>158  ×<br/>159 ƒ<br/>160 á<br/>161 í<br/>162 ó<br/>163  ú<br/>164 ñ<br/>165 Ñ<br/>166 ª<br/>167 º<br/>168  ¿<br/>169 ®<br/>170 ¬<br/>171 ½<br/>172 ¼<br/>173  ¡<br/>174 «<br/>175 »<br/>176 ░<br/>177 ▒<br/>178  ▓<br/>179 │<br/>180 ┤<br/>181 Á<br/>182 Â<br/>183  À<br/>184 ©<br/>185 ╣<br/>186 µ<br/>187 ╗<br/>188  ╝<br/>189 ¢<br/>190 ¥<br/>191 ┐<br/>192 └<br/>193 ┴<br/>194  ┬<br/>195 ├<br/>196 ─<br/>197 ┼<br/>198 ã<br/>199 Ã<br/>200  ╚<br/>201 ╔<br/>202 ╩<br/>203 ╦<br/>204 ╠<br/>205 ═<br/>206  ╬<br/>207 ¤<br/>208 ð<br/>209 Ð<br/>210 Ê<br/>211  Ë<br/>212 È<br/>213 ı<br/>214 Í<br/>215 Î<br/>216  Ï<br/>217 ┘<br/>218 ┌<br/>219 █<br/>220 ▄<br/>221 ¦<br/>222  Ì<br/>223 ▀<br/>224 Ó<br/>225 ß<br/>226 Ô<br/>227  Ò<br/>228 õ<br/>229 Õ<br/>230 µ<br/>231 þ<br/>232  Þ<br/>233 Ú<br/>234 Û<br/>235 Ù<br/>236 ý<br/>237  Ý<br/>238 ¯<br/>239 ´<br/>240 ­ ­­<br/>241  ±<br/>242 ‗<br/>243 ¾<br/>244 ¶<br/>245 §<br/>246  ÷<br/>247 ¸<br/>248 °<br/>249 ¨<br/>250 ·<br/>251  ¹<br/>252 ³<br/>253 ²<br/>254 ■<br/>255   (parágrafo)<br/>256 (parágrafo)<br/>257  ☺(repete ALT+1)<br/>258 ☻(repete ALT+2 e assim por diante)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Roubo nº 2</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 23 Mar 2008 03:43:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/03/2008</p><p>Copiado sem autorização (quer dizer, roubado) <a href="http://quediaehoje.wordpress.com/">daqui</a>. O título do post é “Saiba”.</p><p>Que seus amigos vão se decepcionar pelo menos três vezes com você ao longo de sua vida. Que o volume do som dos intervalos comerciais da TNT e da FOX sempre serão mais altos. Que filmes dublados tiram toda a graça. Que seu cartão não vai passar um dia e você, sim, vai passar vergonha. Que sua mãe vai te encabular na frente dos seus amigos. Sua avó terá um neto preferido. Que incenso e maconha são complementares quando se é adolescente. Que toda família tem um segredo. Que você terá que usar pelo menos uma peça de roupa usada. Que você vai ter uma doença, vai ser assaltado, vai sofrer um acidente. Que a maioria dos seus amigos acredita em astrologia sem entender bem o que é. Que vai perder um relógio, uma chave e um guarda-chuva. Que vai ouvir falar em diversos tipos de superstição, mas nenhum deles é relevante. Quando se é adolescente tudo em você é desproporcional e todas as pessoas mudariam algo em si. O buraco (que não é buraco) da camada de ozônio é culpa dos carnívoros. Giz de cêra é cheiroso, mas não é comestível (a regra se aplica ao creme dental, à massinha e ao batom de sua amiga. Jovens gays têm que aprender a correr antes de se revelarem. Todo filme tem um erro, pelo menos. Os fios de aparelhos eletrônicos não devem ser dobrados. Poucas pessoas sabem do conteúdo básico de etiqueta. O tamanho das roupas de uma loja pra outra pode variar. O Brasil sempre será mal visto pelo mundo. Jornalistas precisam ser mimados com brindes e presentes. A moda é cruel, elitizada, rápida e nunca alcançável. É necessário saber cozinhar pelo menos um prato. Cerveja cura ressaca. É melhor ser asalariado, a menos que queira ser safenado. Pensar em doce engorda, passar vontade engorda o dobro. Não existe chefe perfeito. Câncer de pele existe. Terapeutas e psicólogos não são parte de uma raça superior e dona da verdade. Um amigo médico pode mudar seu fim de semana com apenas um carimbo. A maioria dos seus amigos quer “economizar e emagrecer”. Nordestinos não têm tecla SAP. Todos têm um professor predileto. Entrar no mar está fora de cogitação. Todo mundo compra algo que nunca irá usar. Nunca leve Kaiser a um churrasco. Nunca chore antes de se deitar. Tudo em exagero é ruim, menos sapatos. Que 95% da população mundial tem parasitas no intestino. Cílios grandes e cabelo liso são motivos de inveja até de seus melhores amigos. Dois “eles” e “y” não!</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Roubo nº 1</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 23 Mar 2008 03:41:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/03/2008</p><p>Copiado sem autorização (quer dizer, roubado) <a href="http://www.aboutliv.blogspot.com/">daqui</a>.</p><p>.<br/>quantos dias sem emprego são precisos pra vc se sentir inutil?<br/>quantas noites sem dormir pra se sentir insone?<br/>quantos meses sem ng pra se sentir carente<br/>quantas vidas sem sentido pra se sentir perdido?<br/>quantas calorias pra se sentir gordo<br/>quantos caminhos pra nao saber pra onde ir<br/>quantas escolhas pra se ter duvida<br/>quantas duvidas pra nao ter nenhum objetivo<br/>quantas contas pra se sentir falido<br/>quantos quilometros pra saber que esta longe<br/>quantos amigos pra se sentir feliz<br/>quantas baladas pra se sentir bohemio<br/>quantas vodkas pra sociabilizar<br/>quantos livros pra ser culto<br/>quantos filmes pra se emocionar<br/>….<br/>.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Dia de sono</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 23 Mar 2008 03:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/03/2008</p><p>Estou com sono – pouco mais de 36 horas sem dormir. Sei que para muita gente não é nada, mas para mim é um recorde – que eu não gosto de ter batido, aliás; prefiro bater recordes de tempo que passo dormindo (máximo de 12 horas até hoje – sem contar quando eu era bebê, é claro).</p><p>Este post deve ser efeito do sono, pois eu não tenho do que falar, logo, não teria motivos para postar. Ou então meu superego está dormindo tb e meu id tomou conta e resolvi escrever sobre coisas que eu não escreveria se estivesse com o sono em dia. Aliás, só com muito sono para confiar nesse papo de superego e id.</p><p>* Estou ouvindo um CD de uma dupla chamada Indigo Girls. Não gosto muito desta história de crianças indigo (imagina se forem que nem as crianças que apresentam os desenhos matinais do SBT!!..), mas a dupla é muito boa. Bom, eu achei, pelo menos, estou gostando de ouvir. A melhor música, até agora, é Three Hits, e o CD é Rites of Passage (que, com meu inglês tosco, pensei que fosse “Passagens da Rita”, mas depois me dei conta que é mais provável que seja “Ritos de Passagem”, mas tb não interessa). Li em algum lugar que elas surgiram em um festival chamado Lilith-alguma-coisa-em-inglês (ou alguma-coisa-em-inglês-Lilith ou ainda alguma-coisa-em-inglês-Lilith-alguma-coisa-em-inglês), que foi um festival organizado por uma mulher que ouviu de um produtor de um outro festival que não seria muito legal que, durante os shows, uma banda feminina sucedesse imediatamente outra (quer dizer, tinha que ter uma banda masculina entre as duas) e, à parte possíveis metáforas sociais que isso represente, é realmente rídicula a idéia do cara, entre outras coisas porque bandas masculinas sucederiam-se necessariamente (já que geralmente há menos bandas femininas e tal). Aí ela organizou um festival (o Lilith-etc…) só de bandas femininas e cantoras, que rolava em diferentes cidades e cuja renda sempre era revertida para alguma ONG voltada às mulheres naquela cidade. Alguém poderia fazer isso aqui no Brasil, aliás (se já fez, poderia divulgar mais até chegar nos meus ouvidos, e também ao de outras pessoas, claro).</p><p>* Marquei com uma amiga minha hoje: 11 horas aqui em casa. Nada demais, só para bater papo mesmo. Sou uma pessoa muito desorganiza, distraída, etc. Mas adoro pontualidade e sou pontual. Por isso, exijo também pontualidade, mas sem paranóias. Mas falta de consideração me irrita profundamente. Se vc marca com alguém e não pode ir, não há o menor problema: liga, manda e-mail, mensagem de celular, manda recado por alguém, pela rádio, sinal de fumaça, ou vai lá e avisa que não vai poder ir. Mas deixar alguém esperando é muito, muito foda. E ainda por cima chegar como se nada tivesse acontecido, “vamos lá em algum lugar?”, “tá, deixa eu só resolver umas coisas aqui.”, “não então deixa; vou indo, tchau!”.<br/>Pode ser que, por exemplo, a outra pessoa tenha chegado tarde em casa, umas seis da manhã, digamos, e tenha pensado “bá, marquei às 11 horas, melhor nem dormir senão não acordo”, porque a outra pessoa tem consideração. Aí chega 11 horas, a criatura morrendo de sono pega e liga para a primeira “e aí, vc vem?”, “claro!” e vem mesmo, mas três horas depois.<br/>Claro, não morri por isso, mas é muito inconveniente e, de qq maneira, para mim é sinal de desconsideração, de que tá pouco se fudendo para mim. O que é um direito de qualquer pessoa, tão legítimo quanto o meu direito de aplicar o princípio da reciprocidade (se o Brasil pode fazer isso com a Espanha, eu posso fazer com as pessoas), mas menos por retaliação, e mais porque a pessoa, agindo assim, faz com que eu perca meu interesse por ela.</p><p>* Por fim, sei lá, nada mais o que dizer.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Perfeição</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 18 Mar 2008 14:36:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/03/2008</p><p>“Quem faz muito erra muito.<br/>Quem faz pouco erra pouco.<br/>Quem não faz nada, não erra.<br/>Quem não erra é promovido.”
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Ass.: A.S.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 19 Feb 2008 07:58:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/02/2008</p><p>Eu vivo reclamando que ninguém me ama e ninguém me quer. Me apaixono, sofro e desapaixono; juro que “nunca mais!” (fico cantanto “a paixão já passou em minha vida, foi até bom mas ao final deu tudo errado, agora carrego em mim…” pelo cantos), e me apaixono de novo. Deve ser karma.</p><p>Mas eis que descubro uma admiradora secreta (aliás, sou descoberto por uma). Me achando – tem mulher prá tudo mesmo, veja só: – gostoso. Ótimo: gosto não se discute. Se queria me chamar a atenção, conseguiu, parabéns. SMS vai, SMS vem (era mais romântico quando era por cartas, mas ok), e a menina conseguiu, além de me chamar a atenção, me despertar um certo interesse. O que é um feito, porque apesar de eu apoiar e adorar garotas que tomam a iniciativa (eu devia fazer uma comunidade assim no Orkut – mas eu não tenho Orkut, pensando bem), eu gosto de ver seu rosto ou, pelo menos, saber seu nome. Despertou, então, meu interesse.</p><p>Eu, fui levando: elogia daqui, devolve elogio dali, “vc é mto intelig.”, “vc é um gt.”, “posso t fzer perg.?”, “pode sim, gtinho gost.”, etc. Mas, dali a pouco, o interesse, da minha parte, foi aumentando. E eu sugeri que nos encontrássemos, para nos conhecer. “Já nos conhec. Vc já falou cmg.”, “Qdo?”, “se vc ñ lembra…”. Pois é, na minha cabeça, passa-se algo como “e eu vou saber quem é você?!? Falo com muita gente todos os dias, e como eu vou adivinhar que é você?? Eu não tenho bolinha de cristal, baby”, mas no SMS só vai o “Não tenho bolinha de cristal”, sem o “baby”.</p><p>Mais SMS vão e vem, e a garota resolve me informar que não se sente à vontade para se expor. Aff…</p><p>Puta que o pariu: a garota tem coragem de entrar em contato comigo, transpareceu nas entrelinhas das “msgns” levar uma vida bem legal, ter uma “kbç” legal, fuma (não que fumar seja bem uma qualidade, mas é melhor dois fumantes ativos do que somente um passivo), é divertida, diz que me conhece, e não se sente à vontade para se expor.</p><p>EU também não me sinto nem um pouquinho à vontade de me expor: vai que é trote (o que já aconteceu comigo), vai que é uma criança de 10 anos maluca, vai que é sequestro-relâmpago, ou falso sequestro, sei lá quem está por trás do outro celular!!! Mas, mesmo assim, eu deixei bem claro que corria o risco. Eu sei que a criatura tem TODOS os motivos do mundo para temer se expor: um fora, ser ridicularizada, humilhada, estuprada, qualquer coisa assim. Mas, como eu disse para ela, se teme isso de mim, não diga que me conhece e parte prá outra então. Há também a timidez, a vergonha, etc. Mas eu deixei claro: você é bem-vinda. Se não rolasse nada, tudo bem, fizemos uma amizade, bem inusitada, aliás. Mas, não. A criatura continua lá, batendo siririca pensando em mim (pelo que deu a entender, pelo menos) todo santo dia, e eu aqui, fudido sem nobody (estou estudando inglês, viu só?), todo complexado porque nenhuma “ninguém me ama, ninguém me quer”.</p><p>Eu entendo bem a posição dela. Mas, então, não mande mensagem. Quando eu sei que não tenho coragem de aparecer para alguém que eu estou a fim, afim (junto, separado, sei lá!), não deixo nem transparecer que estou afim, a fim, enfim… Se eu mando cartinha secreta, faço na perspectiva de que pode ser que eu tenha que aparecer. Enrolo, mas um dia vou (já fiz isso uma vez, ai que vergonha).</p><p>Se por um lado eu entendo ela (existem dois sentidos para compaixão: ter dó e “sentir junto”; em relação a ela, me coloco no segundo caso), por outro fico muito bravo: que droga, mas uma vez vai tudo por água abaixo!!</p><p>Meu conselho (sim, o texto acabou e nada mais interessante vai vir; este é um adicional supérfluo e desnecessário que você não precisa ler) é: se ficar afim, ou a fim, de alguém, vai lá e fala, ou fica na sua (“eu gosto tanto de você que até prefiro esconder, deixo assim ficar subentendido…”), porque você pode, mesmo sem fazer a outra pessoa sofrer, desgastar um pouco mais o ânimo dela para coisas como amor e paixão. Até o dia em que tal pessoa não dirá “eu desisto!”, mas apenas desistirá, silenciosamente, de querer gostar de alguém.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Enquanto isso, na Espanha…</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 12 Feb 2008 09:40:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/02/2008</p><a href="http://www.elpais.com/articulo/sociedad/Poder/Judicial/estudia/suspension/juez/obstruyo/adopcion/parte/lesbiana/elpepusoc/20080212elpepusoc_2/Tes">El Poder Judicial estudia la suspensión del juez que obstruyó una adopción por parte de una lesbiana</a><p>Além de falar espanhol, que é uma língua em que até os palavrões soam bonitos (como também o francês), a Espanha ainda tem espanholas bonitas. Como se não bastasse apenas isso, lá ainda têm posturas como esta, noticiada no site do jornal El País.<br/>Eu amo a Espanha.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>É proibido gozar</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 10 Feb 2008 22:38:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/02/2008</p><img width="600" alt="" src="/midia/08b229-e-proibido-gozar.jpg"/><p><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/5915e-genital1.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/5915e-genital1.jpg]</a><br/>Eu não estou sujeito à mutilação feminina por razões orgânicas. Mas a imagem aí de cima me angustia como se eu estivesse. <a href="http://colectivofeminista.blogspot.com/2008/02/dia-internacional-de-tolerncia-zero.html">Mais sobre o assunto.</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>0</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 31 Jan 2008 22:00:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>31/01/2008</p><p>Sabe quando você caminha pela rua e tudo está desmoronando à sua frente? Sabe aquela sensação de que algo ou alguém vai aparecer e mudar, pelo menos amenizar tudo?<br/>Para mim, essa sensação só piora tudo: como sempre, ninguém mais estava ali.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Hipóteses</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 31 Jan 2008 03:55:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>31/01/2008</p><p>Duas hipóteses sobre a minha vida</p><p>Hipótese A): uma vez, há muitos anos, estive a ponto de me matar. Nos últimos momentos, porém, algo foi mais forte do que toda a dor e sofrimento e blá blá blá do momento: a curiosidade. Eu já havia me dado como morto. Desistido de tudo. Não é que eu sentisse desejo de morrer, nem tampouco repugnância pela vida. Simplesmente eu iria descansar. Mas a única coisa que me passava pela cabeça era: e o que vem depois? Não era uma pergunta espiritual: não era sobre a vida depois da morte. Eu tinha curiosidade em saber como seria a minha vida dali por diante – ou como ela poderia ser. E como se resolveriam situações do meu entorno, das pessoas que eu conhecia. Não morri por pura curiosidade. Mas decidi, naquele dia, que eu já havia morrido, e só me manteria vivo se as coisas continuassem minimamente interessantes. A hipótese em si: talvez eu já tenha morrido mesmo, e por isso eu as pessoas com quem eu convivo me causem mais sofrimento do que alegria. Como se eu já tivesse passado da data de validade: ninguém dispensa maiores cuidados com a comida estragada.</p><p>Hipótese B): no próximo post: as minhas costas doem demais no momento.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Outra piada</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 30 Jan 2008 14:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>30/01/2008</p><p>Eu estou com muita raiva, sentindo muita irritação por causa de determinadas atitudes de determinada pessoa.<br/>Mas, para conseguir dormir à noite, tive de fingir que tudo ia maravilhsamente bem entre nós.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Piada fora de hora</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 30 Jan 2008 08:48:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>30/01/2008</p><p>O juiz pergunta ao réu:<br/>– Como você conseguiu abrir a caixa-forte em menos de 15 minutos??<br/>– Desculpe, doutor. Não dou aula de graça.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>De canto</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 27 Jan 2008 04:17:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/01/2008</p><p>Eu não espero das pessoas uma heróica lealdade a mim, como se eu fosse um rei. Mas dos meus amigos eu espero confiança. Nos dois sentidos: espero que saibam que podem confiar em mim; mas espero que eu possa confiar neles. E não penso que confiança em coisa pouca seja bobagem. Dizem que você conhece o caráter de uma pessoa superior pela maneira como ela trata as pessoas inferiores. Eu desconfio muito desta distinção entre pessoas inferiores e superiores, mas acredito na distinção entre <i>coisas </i>superiores e inferiores, e assim adapto a sabedoria popular ao meu modo: você mede a confiança que pode ter nas pessoas pela confiança que elas demonstram ter nas coisas pequenas.</p><p>Se eu marquei com uma amiga minha de que eu iria ficar esperando ela em casa, me irrita muito o fato de que, para esperá-la, eu tenha deixado de passar na minha avó porque estava esperando-a, me irrita muito o fato de que por estar esperando ela eu tenha ido mais tarde à locadora, me irrita muito o fato de que, por esperá-la, eu tenha deixado de fazer um monte de pequenas coisinhas imaginando que, quando ela chegasse, faríamos juntos ou eu deixaria de fazer, dependendo de quem convencesse quem; me irrita também o fato de que eu deixei de ir comprar coisas gostosas no mercado porque tínhamos combinado de sair, e também o fato de que eu tenha deixado de sair com outras pessoas porque eu já havia combinado com a minha amiga de sair com ela, e, por consequência, me irrita o fato de que não só ela não veio, como não veio porque foi sair com outras pessoas. Também me irrita que eu tenha descoberto isso quando vi ela sentada com os amigos no bar onde eu fui comprar cigarro (teria ido mais cedo se ela tivesse chegado, ou se tivesse avisado de que não viria). Conhecendo-a como eu conheço, ela provavelmente viria falar comigo nos próximos dias, pedindo desculpas por não ter vindo porque saiu com seus amigos. Mas pior para ela que eu a encontrei antes de que ela viesse falar comigo.</p><p>Muitas coisas me irritam, e não quero deixar minha irritação passar batida. Mas o pior é a mágoa pela falta de confiança. Pode ser excesso de cuidado da minha parte, mas se eu combino uma coisa com alguém, e percebo que vou me atrasar, ou que não poderei ir, faço o impossível para avisar (depois de ter fracassado fazendo o impossível para cumprir o que prometi). Claro que eu não espero que as pessoas, por sua vez, façam o impossível para cumprir e, caso não o consigam, façam o impossível para me avisar. De maneira alguma. Mas espero que façam um pouco mais do que o mínimo para cumprirem o prometido, e se for possível fazer o mínimo para avisar que não vai dar, considero isso como o cumprimento do que foi prometido. Não espero que as pessoas sejam como eu; não acho que seja pedir demais esse pedido; será que eu estou tão errado assim??? Eu não estou falando de qualquer pessoa: trata-se de amizade. Será que eu devo desconfiar sempre das pessoas? Eu costumo desconfiar somente no começo.</p><p>Ás vezes me sinto – sem fazer disso uma tragédia – uma pessoa meio amaldiçoada. Por uma maldição que me condena a sempre me magoar com diferentes pessoas pelo mesmo motivo.</p><p>Já me disseram que, quando eu percebo que todas as pessoas estão erradas e eu certo, quem deve estar errado sou eu. Já recuei em muitas coisas com base nesse toque que me deram. Mas nisso eu não posso recuar. Me escantear assim demonstra indiferença. Pode ser que meu erro seja entender isso como indiferença, ou pode ser que seja considerar essa indiferença não declarada como uma onfensa – porque magoa; mas nesse erro eu terei de persistir.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Texto-cabeção sobre cinema-cabeção</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 23 Jan 2008 23:38:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/01/2008</p><p>Agora, darei uma de cabeção.</p><p>Assisti a alguns filmes de Godard, o Jean Luc, de três anos para cá.</p><p>O primeiro filme dele que vi foi Os Acossados, depois assisti Alphaville, Je Vous Salute Marie e Tempo de Guerra. Se assisti outros, não lembro ou não sabia que era dele.</p><p>Os filmes de Godard me irritam. As coisas acontecem de repente, do nada. Você não consegue encadear os fatos, a impressão é que as sequências dos filmes são aleatórias. É como se fossem pequenos filmes que compartilham os mesmos personagens, atores, cenários e certos antecedentes. Algo diferente desses filmes de agora, como Coisas que você pode dizer só de olhar para ela ou 21 gramas, por exemplo. Nos filmes de Godard, eu nunca sei o que o personagem quer, qual o seu problema, porque ele age assim ou assado. Tenho a impressão de que os atos dos personagens não têm razão alguma de ser. Não me parecem ser filmes que falem de alguma coisa.</p><p>Mas a mesma coisa que me irrita nos filmes dele torna-se também encantadora. Não são filmes confortáveis. O filme começa e você não sabe onde está, ele prossegue e você continua sem conseguir localizar-se dentro dele, então você se obriga a criar pontos de referência, sentidos, encadeamentos, razões de ser. Só que não dá para dizer “ah, entendi”, “saquei”. Quando você assiste o Homem-Aranha 2, pode perceber claramente que é a história de um super-herói à la Batman, muito humano, com todos os problemas que qualquer mortal possui, como o risco de ficar sem grana para o aluguel, a dificuldade nos relacionamentos amorosos, esses blá blá blás todos que a maioria das pessoas conhecem bem; e aí você pode entender que é um filme que fala sobre o heroísmo de um homem que mantém-se íntegro apesar de enfrentar as mesmas dificuldades que seus espectadores (só falta aparecer o Gorpo perguntando “o que aprendemos hoje”, como era no He-Man e na She-Ra). Mesmo um filme mais legal, como V de Vingança, tem uma moral da história no fim. Eu não consigo encontrar mensagem nenhuma nos filmes de Godard. A assiciação com o controle social no Alphaville eu só fiz porque achei parecido com O Grande Irmão ou Admirável Mundo Novo. Mas eu quebrei as pernas para poder ter alguma coisa a dizer de Je Vous Salute Marie – até dizem que nesse filme ocorrem duas histórias paralelas, mas eu só vi uma e talvez por isso eu não tenha entendido porque de repente aparecem umas cenas com uns estudantes nada a ver com o resto no meio do filme.<br/>Essa gratuidade dos fatos nos filmes de Godard eu acho encantadora. Porque não são filmes para curtir comendo porcaria (eu mantenho uma sagrada tradição segundo a qual deve-se obrigatoriamente comer alguma porcaria engordante e insalubre quando se assiste um DVD, como chocolate, doce de leite ou qualquer outra coisa que faça mal) – embora eu coma porcarias mesmo nesses filmes. São filmes (sei que a expressão vai soar idiota) “interativos”.</p><p>A Globo, tadinha, tenta ser interativa oferecendo dois filmes para que escolhamos um por meio do voto (variação: época de cinema brasileiro só com filmes brasileiros): oh, me sinto fazendo a programação da Globo. Mas isso não é interagir. Não decidimos a sociedade, não decidimos a cultura, não decidimos a programação da Globo, não decidimos o horário em que o Intercine vai passar, não decidimos quais serão as duas opções para amanhã no Intercine – mas decidimos que filme, dentre os dois escolhidos pela Globo queremos ver. Os partidos políticos escolhem pessoas – quase sempre homens – que se candidatarão à presidência, quem se eleger escolherá ministros, presidentes de estatais, chefes de casa civil, destino de recursos – mas nós escolhemos, dentre alguns previamente escolhidos, quem fará as escolhas por nós. Dos 1461 dias que compõem quatro anos, um é reservado para que escolhamos, do rescaldo das escolhas alheias, quem vai escolher por nós coisas fundamentais para nossas vidas por quatro anos – e dizem que somos nós quem construímos o país. Rá! Você é quem decide se vai sair do armário, mas não é você quem decide se seus bens ficarão com a pessoa de quem você gosta (afinal, legalmente vocês não são um casal) – com sorte, você pode contar com a piedade de algum juiz que lhe permita receber a aposentadoria da pessoa com quem você convivia, ou então ficar com o Chicão. Você é quem decide se compra Omo ou Ace, mas não é você quem decide o preço que vai pagar por isso. Quantos exemplos, nooosa.</p><p>Já a interatividade dos filmes do Godard é outra coisa. Ou você cria pontos de referência dentro do filme, cria sentidos dentro do filme, ou você não viu filme nenhum, perdeu seu tempo. Uma das coisas muito realistas dos filmes dele, creio eu, é justamente isso: você não tem certeza de que entendeu bem, de que entendeu qualquer coisa, mas você inventa algo ali. E quando eu digo “inventa” não quero dizer “viaja” (mas também pode ser isso). Quero dizer “você também faz alguma coisa”: você junta um monte de coisas descoladas uma da outra, um monte de peças, e monta o que você quiser, o que você for capaz. “É um milagre tudo o que deus criou pensando em você”, mas não é menos fenomenal tudo o que você pode criar vendo algum filme assim. Qualquer filme obriga uma pessoa a pensar. Mas não são todos que lhe obrigam a criar algo. E a vida – longe de formular uma definição, por favor! – é mais ou menos assim: você vai criando relações, valores, sentidos, essas coisas assim, com base em um monte de coisas nada a ver umas com as outras que você vai descobrindo.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Um texto como o de um gay careca</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 22 Jan 2008 13:32:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>22/01/2008</p><p>Este é um comentário no estilo irresponsável.</p><p>Eu estou cansado de ler textos relativos ao feminismo, à sexualidade, à crítica cultural, etc, todos escritos ao estilo Foucault.<br/>Nada contra – pelo contrário, tudo a favor – da maneira como Foucault escreve. Nem contra os assuntos, que, acho eu, devem ser falados, escritos, lidos, ouvidos, mencionados, levantados.<br/>Mas qualquer coisa que se vá escrever, começa-se mencionando a perspectiva clínica dos idos de mil seiscentos e não sei quanto, os silêncios de tal e tal época, enfim, essas coisas.<br/>Foucault tornou-se um modelo onipresente de assuntos, estilo de escrita e até de metodologia – porque quase todos os textos fazem alguma referência a como as coisas eram no início do período moderno, especialmente nas áreas médicas, psicanalíticas e jurídicas.<br/>Já li textos – muitos, talvez a maioria – onde, à guisa de introdução, aparece o “contexto histórico”. Sempre interessante, quase sempre revoltante (as coisas que a medicina já fez são, às vezes, horríveis), mas eu me pergunto: porquê esse contexto histórico? Já sabemos que, no passado, haviam horrores institucionalizados, e sabemos que hoje existem tantos ou mais horrores institucionalizados ainda. Mas esse fato não implica em que alguém que vá escrever sobre sexualidade, gênero ou qualquer tema polêmico assim precise sempre mencionar o contexto histórico. O que me irrita um pouco é que as pessoas não sabem – pelo menos não parecem saber – porque estão fazendo referências ao contexto histórico, às práticas médicas modernas, a essas coisas todas. A impressão que eu tenho – impressão, que, sim, pode estar errada, mas eu duvido que esteja – é que as pessoas lêem Vigiar e Punir, O Nascimento da Clínica ou a História da Sexualidade, por exemplo, e acham que foi gratuitamente que o cara falou de história, medicina, práticas diversas, leis e todos os outros assuntos. Com certeza, não foi porque era bonitinho e charmoso. Mas, depois de lerem Foucault, enfiam contextos históricos ali por nada, porque Foucault fazia assim, sem saberem porque Foucault ou elas próprias estão preocupadas com o contexto histórico, ou com as práticas médicas.</p><p>É um comentário meio irresponsável porque é possível que eu esteja falando mal de textos – de autores – que podem saber muito bem o que estão fazendo, e até é possível que a pessoa esteja tão inserida neste estilo de escrita que não perceba que parece que escreveu aquilo por nada. Também é irresponsável porque é um estilo que “pega fácil”. Eu também, quando vou escrever, a primeira coisa em que penso é em colocar um contextinho histórico básico sem motivos. Mas, quando faço isso, pelo menos eu sei que estou sendo idiota. Não fico pensando “oh, que texto cabeção que eu fiz, quanta intelectualidade”.</p><p>Eu não espero que as pessoas mudem seu estilo, nem que não copiem o estilo de Foucault, que é muito bom, pelo menos para mim. Mas só espero que saibam, que entendam o que estão escrevendo.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Comendo e aprendendo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 17 Jan 2008 23:25:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/01/2008</p><p>Descobri que são coisas gostosas:<br/>– brócolis<br/>– carne de soja<br/>– berinjela<br/>– iogurte natural com uma colherinha de mel<br/>– chá verde<br/>– qualquer coisa bem temperada com creme de leite</p><p>Sei lá. Nunca pensei que fosse gostar dessas coisas…</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Derecho al aborto</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">08a220-derecho-al-aborto</guid>
      <pubDate>Thu, 17 Jan 2008 14:20:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/01/2008</p><p>“No puedo sino mirar con cierto pasmo lo que está ocurriendo con el aborto en este país. Todas sabemos que el derecho al aborto no es sólo el más importante de los derechos reproductivos, sino uno de los derechos más importantes para las mujeres. El aborto es la piedra de toque de muchos otros derechos y si éste se pone en cuestión o no es reconocido en absoluto, o sólo medio reconocido, lo que está en juego es el derecho de todas las mujeres a ser dueñas de sí mismas, a sus cuerpos, a ser libres en definitiva. Teníamos una ley con la que se iba funcionando mal que bien y parecía que, en todo caso, tarde o temprano se aprobaría una ley mejor, una ley de plazos. Pero no. El PSOE saca este derecho de su programa electoral y la iglesia y los reaccionarios inician una campaña en contra de la aplicación de la misma con el objetivo de hacerla más restrictiva. Hace unos meses pensaba que esta ley era inamovible y que sólo se podía mejorar, que la derecha nunca se atrevería a tocarla.” (o restante deste artigo está <a href="http://www.mujeresenred.net/article.php3?id_article=1280">aqui</a>, e foi copiado do portal <a href="http://www.mujeresenred.net/">Mujeres en Red</a>).</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Reações</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">08a219-reacoes</guid>
      <pubDate>Tue, 15 Jan 2008 01:06:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/01/2008</p><p>Tudo bem que ninguém lê este blog, mas <a href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37868229&amp;postID=1828517765255033504&amp;isPopup=true">ironia </a>não.!!!</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O Segundo Sexo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">08a218-o-segundo-sexo</guid>
      <pubDate>Sun, 13 Jan 2008 00:56:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/01/2008</p><p>Dia desses fez cem anos que morreu (ou nasceu, sei lá) Simone de Beauvoir. Como meu teclado estava com uma séria deficiência de teclas, eu não escrevi em nada. Essa é a vantagem de se ter um blog sem audiência: eu poderia escrever isso daqui a cem anos que não ia estar atrasado mesmo. Ninguém ia me cobrar nada. Daqui a pouco eu me descuido e penso que sou livre.</p><p>Lá pelos meus 14 anos, sei lá porque, eu comecei a ler feito um condenado. Gostava de ler e tal, mas viciei a partir desse período. Vários livros me influenciaram muito de uma maneira ou de outra. Mas dois autores são dignos de menção, porque até hoje fazem quase tanto efeito quanto naquela época: Simone de Beauvoir e Sartre.</p><p>Não posso dizer, na verdade, que li Sartre. A biblioteca muinicpal não tinha o livro mais falado e comentado dele, O Ser e o Nada, e na época eu não teria entendido mesmo (anos depois, no começo da faculdade de filosofia, fui ler o tal livro, não entendi nada, e achei pouco interessante). O que sei de Sartre é com base em comentadores e meia dúzia de livros menores que li dele, como A Náusea ou O Muro. Sei que viajei minha adolescência toda na expressão “a existência precede a essência”. Por muitos anos declarei, ao menos para meu consumo interno, a essência como morta. Não existiam essências. Agora, depois de maior (porque não cresci ainda, apesar de tudo), acho que o fato de a existência preceder a essência não significa que, depois da existência, venha a essência, mas não vou explicar essa sutil opinião agora.</p><p>Com Simone de Beauvoir a história é outra. Passei metade da minha adolescência maldizendo o fato de ela já ter morrido – delírios adolescentes de ela, velhinha, apaixonar-se por mim apenas pelo fato de eu ser apaixonado por ela, vê se pode!…. Ainda sou apaixonado por ela – ou pelo que restou dela: fotos, textos e fofocas biográficas – mas tenho medo de fantasmas e não quero mais conhecê-la.<br/>A questão é que a influência desta mulher sobre mim chega a ser exagerada. Na primeira vez em que li O Segundo Sexo, eu pude entender aquela história do músico que tocou uma música e, quando ele terminou, a platéia permaneceu no mais absoluto silêncio: ele pensou que tinha sido horrível a música, começou a pedir desculpas e tal, e então todas as pessoas levantaram e começaram a aplaudir frenéticamente – o silêncio era, na verdade, incapacidade de reação diante da admiração das pessoas pelo que ouviram, de tão explêndido e incrível que foi. Na época eu não conhecia essa história, mas foi assim que me senti. Sem reação. Eu me perguntava como que não ensinavam aquele tipo de coisas na escola. Ainda me pergunto, mas eu também não me iludo mais. Depois de relê-lo uma ou duas vezes foi que seus efeitos começaram. Desde o meu comportamento até muito de minhas escolhas na vida são reflexos desse livro. Claro, nem de longe é o único livro que influencia minha vida, e nem os livros são as únicas coisas que me influenciam. Mas certos pontos, poucos e bem específicos de mim são, sim, resultado do que li no Le Deuxieme Sexe (eu me acho mesmo escrevendo em francês…).<br/>Hoje em dia, claro, o livro não me deslumbra mais. Tenho até críticas a fazer sobre um aspecto ou outro no livro. Mas isso não anula em nada os efeitos dela sobre mim: são coisas já consolidadas, ou então que, pelos menos, são coisas em torno das quais giram minhas preocupações, minhas idéias, etc (não exclusivamente, não custa repetir).<br/>Me desgasta muito ouvir as pessoas dizer que ela não era uma filósofa, ou então que O Segundo Sexo não é um livro de filosofia. Com certeza ela não era apenas filósofa, e este livro não é somente de filosofia. Mas o livro é tão filosófico quanto a Crítica da Razão Pura ou Mil Platôs, por exemplo.<br/>Enfim, eu que detesto homenagens, faço desse texto uma homenagem a Simone de Beauvoir – mesmo me desculpando de antemão pela homenagem tão reles e tosca.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Descoberta</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">08a217-descoberta</guid>
      <pubDate>Sun, 13 Jan 2008 00:36:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/01/2008</p><p>Uma descoberta e uma resolução.<br/>A descoberta: eu sou senspivel. Ao extremo, quero dizer. É fácil me machucar. Por algum estranho motivo, certas coisas que comumente machucam a maior parte das pessoas não me machucam, mas coisas aparentemente absurdas e banais têm sobre mim um efeito avassalador (palavra que, até hoje, eu nunca havia escrito). Isso é algo meu. Não significa que eu esteja realmente cercado de trogloditas insensíveis grosseiros em minha vida, significa apenas que o problema sou eu.<br/>A resolução: apesar de o problema ser meu, ele também é em mim. Eu geralmente assumo a posição de errado da história e engulo as patadas alheias por saber que, na verdade, foi um toque de leve que eu senti como uma patada. Então resolvi que vou tratar isso a partir da maneira como eu me sinto. Se eu senti uma patada, mesmo sabendo que foi apenas um golpe de leve, vou reagir segundo o que eu senti, e não segundo a intenção alheia. Simples e, eu espero, eficiente.</p><p>Nota nada a ver com o assunto: como é bom ter, novamente, um teclado em que teclas como N, K, B, home, aspas e outras assim funcionam.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Simone de Beauvoir, cem anos de feminismo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 06 Jan 2008 00:41:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/01/2008</p><p>PARIS (AFP) — Simone de Beauvoir, ícone feminista, envolvida em todos os embates intelectuais do século XX, completaria 100 anos no dia 9 de janeiro de 2008 – e continua, mais de duas décadas depois de sua morte, um modelo da mulher liberal moderna.</p><p>Seu nome tornou-se definitivamente associado ao filósofo francês Jean-Paul Sartre, de cuja vida e militância compartilhou durante meio século. A autora de “O segundo sexo” influenciou várias gerações de mulheres, com idéias de desconstrução de convenções e análises da condição feminina.</p><p>Nascida em 9 de janeiro de 1908 em Paris, filha de uma família burguesa decadente, Simone tomou consciência da mediocridade dominante em seu meio já na adolescência. Aluna brilhante, estudou filosofia na Faculdade de Letras de Paris, onde, além de Sartre, entrou em contato com toda uma geração de intelectuais.</p><p>A relação que então se estabeleceu entre os dois foi tumultuada e pontuada por “amores contingentes” e outros relacionamentos, como a que Simone manteve com o escritor americano Nelson Algren, que foi sem dúvida a paixão de sua vida. Mas o casal Sartre-Beauvoir durou até a morte e adquiriu uma aura mítica no mundo literário.</p><p>Aos 21 anos, Simone de Beauvoir era a mais jovem professora de seu tempo. Lecionou filosofia e publicou seu primeiro romance, “A convidada” (“L’invitée”), em 1943, aos 35 anos.</p><p>No campo político, Simone acompanhou Sartre em grande parte de suas idéias, mas o feminismo foi a causa pessoal que abraçou e o terreno de atuação onde mais se destacou.</p><p>“O segundo sexo” foi lançado em 1949, quando o termo ‘feminismo’ nem sequer havia sido cunhado. Seus capítulos sobre a sexualidade feminina escandalizaram a sociedade e provocaram enorme polêmica nos círculos literários. Traduzidos para 40 idiomas, os dois tomos da obra tiveram mais de um milhão de exemplares vendidos cada um.</p><p>Mas Simone de Beauvoir queria, acima de tudo, ser reconhecida como escritora. Em 1954 foi homenageada com o prêmio Goncourt por “Os mandarins” (“Les mandarins”), tornando-se um dos autores franceses mais lidos do Ocidente. Seus livros autobiográficos, começando por “Memórias de uma moça bem-comportada” (“Mémoires d’une jeune fille rangée”, 1958), no qual descreve a decadência financeira de sua família e seus esforços para escapar dos estigmas do meio burguês, a transformaram em uma figura central na vida intelectual francesa.</p><p>A fama foi usada para projetar sua militância política e feminista.</p><p>Simone morreu em 14 de abril de 1986. Mais de vinte anos depois, sua obra continua sendo discutida e “sua aura é ainda mais forte no estrangeiro do que na França, principalmente nos Estados Unidos”, em cujas universidades o estudo de suas idéias ocupa lugar de destaque, afirma a ex-ministra francesa do Meio Ambiente, Huguette Bouchardeau, que acaba de publicar uma biografia da escritora (“Simone de Beauvoir”, Editorial Flammarion).</p><p>A biografia é um dos muitos livros editados na França por ocasião de seu centenário, entre os quais figuram também “Beauvoir dans tous ses états”, de Ingrid Galster (“Beauvoir em todas as formas”, Ed. Tallandier), “Castor de guerre”, de Danielle Sallenave (“Castor de guerra”, Ed. Gallimard), “Simone de Beauvoir, une femme de son siècle”, de Marianne Stjepanovic-Pauly (“Simone de Beauvoir, uma mulher de seu século”, Ed. Jasmin) e “Simone de Beauvoir. Le goût d’une vie”, de Jean-Luc Moreau (“Simone de Beauvoir. O gosto de uma vida”, Ed. Ecritures).</p><p><a href="http://afp.google.com/article/ALeqM5i3LED0DU4Ii89M7ptsiK9b_tsLZw">http://afp.google.com/article/ALeqM5i3LED0DU4Ii89M7ptsiK9b_tsLZw</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Believe</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 06 Jan 2008 00:32:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/01/2008</p><p>I don’t believe in trouble<br/>I don’t believe in pain<br/>I don’t believe there’s nothing left<br/>but running here again</p><p>I don’t believe in promise<br/>I don’t believe in chance<br/>I don’t believe you can resist<br/>the things that make no sense</p><p>I don’t believe in silence<br/>cos silence seems so slow<br/>I don’t believe in energy<br/>the tension is too low</p><p>I don’t believe in panic<br/>I don’t believe in fear<br/>I don’t believe in prophecies<br/>so don’t waste any tears</p><p>I don’t believe reality would be<br/>the way it should<br/>But I believe in fantasy<br/>the future’s understood</p><p>I don’t believe in history<br/>I don’t believe in truth<br/>I don’t believe that’s destiny<br/>or someone to accuse</p><p>I believe, I believe!!!</p><p>I don’t believe in trouble<br/>I don’t believe in pain<br/>I don’t believe there’s nothing left<br/>but running here again</p><p>I don’t believe in promise<br/>I don’t believe in chance<br/>I don’t believe you can resist<br/>the things that make no sense</p><p>I don’t believe in silence<br/>cos silence seems so slow<br/>I don’t believe in energy<br/>the tension is too low</p><p>I don’t believe in panic<br/>I don’t believe in fear<br/>I don’t believe in prophecies<br/>so don’t waste any tears</p><p>I believe!!!</p><p>I want you to try, try<br/>to needing to know why, why<br/>No kidding, no sin, sin<br/>No running, no win, win<br/>I believe!!!</p><p>No angels, no girls, girls<br/>No memories, no Gods, Gods<br/>No rockets, no heat, heat<br/>No chocolate, no sweet, sweet<br/>I believe!!!</p><p>I want you to try, try<br/>to needing to know why, why<br/>No kidding, no sin, sin<br/>No running, no win, win<br/>No angels, no girls, girls<br/>No memories, no Gods, Gods<br/>No rockets, no heat, heat<br/>No chocolate, no sweet, sweet</p><p>No feeling, no secrets…<br/>The silence you feel…<br/>which hides you from<br/>the real…<br/>I want you to try, try<br/>needing to know why, why…</p><p>I believe, I believe!!!</p><p>Tradução<br/>Eu não acredito em problema<br/>Eu não acredito na dor<br/>Eu não acredito que não resta nada<br/>Além de correr aqui novamente</p><p>Eu não acredito na promessa<br/>Eu não acredito no acaso<br/>Eu não acredito que você possa resistir<br/>Às coisas que não fazem nenhum sentido</p><p>Eu não acredito no silêncio<br/>Porque o silêncio parece assim lento<br/>Eu não acredito na energia<br/>Se a tensão é muito baixa</p><p>Eu não acredito no pânico<br/>Eu não acredito no medo<br/>Eu não acredito em profecias<br/>Então não desperdiço nenhuma lágrima</p><p>Eu não acredito que a realidade seria<br/>Da maneira que deveria<br/>Mas eu acredito na fantasia<br/>O entendimento do futuro</p><p>Eu não acredito na história<br/>Eu não acredito na verdade<br/>Eu não acredito que é destino<br/>Ou alguém para acusar</p><p>Eu acredito! eu acredito!</p><p>Eu quero que você tente, tente<br/>Saber por quê, por quê<br/>Sem brincadeira, sem pecado, pecado<br/>Sem correr, sem ganhar, sem ganhar<br/>Eu acredito!      <br/><br/>Sem anjos, sem garotas, garotas<br/>Sem memórias, sem deuses, deuses<br/>Sem foguetes, sem calor, calor<br/>Sem chocolate, sem doce, doce<br/>Eu acredito!</p><p>Sem sentimento, sem segredos<br/>O silêncio que você sente<br/>O qual te esconde da realidade</p><p>Eu adoro Corra Lola Corra, adoro a atriz principal, adoro a voz dela, e adoro essa música.<br/>Mas só coloquei ela aqui porque, com excessão de uma ou outra passagem, ela traduz um pouco de mim no momento.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>W.O.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 28 Dec 2007 17:31:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/12/2007</p><p>Aos poucos, eu vou deixando de acreditar nas coisas.<br/>“Acreditar” no sentido de alimentar expectativas de vá dar certo, de que funcione, de que mude.</p><p>Acho, ou: tenho achado ultimamente, que não vale a pena preocupar-se, especialmente preocupar-se com outras pessoas. Já li um bom número de textos que falam do outro, de outrem. Nenhum deles me avisou que outrem não costuma reconhecer em mim outrem.</p><p>Não gosto da condição de não contar com ninguém, e de não poder permitir que ninguém conte mais comigo. Mas tem que ser assim. Senão, quando eu precisar, ninguém vai me ajudar, nem mesmo eu, que vou estar ocupado com os outros.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Infância, de Nathalie Sarraute</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07l213-infancia-de-nathalie-sarraute</guid>
      <pubDate>Thu, 27 Dec 2007 15:29:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/12/2007</p><p>“ – Durante muito tempo você não procurou descobrir o que podia significar esse julgamento.“</p><p>A frase acima é a quinta frase da página 161 do livro que estava mais próximo de mim (cujo título é o título deste post).</p><p>Alguém pode se perguntar: porque a quinta frase da página 161 do livro mais próximo de você?</p><p>Eu poderia, com esta deixa, responder: <a href="http://vangeleonel.blogspot.com/">neste blog</a>, encontrei esta idéia. As instruções seguem abaixo (devidamente copiadas e coladas, porque eu tenho preguiça):</p><p>1. Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);<br/>2. Abrir na página 161;<br/>3. Procurar a 5ª frase completa;<br/>4. Postar essa frase em seu blog;<br/>5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;<br/>6. Repassar para outros 5 blogs.</p><p>Só tive dúvidas quanto à definição de “frase” (aquilo que fica entre um ponto final e outro? entre quaisquer vírgulas? aquela história de oração subordinada?), mas fiquei com a definição da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Frase">Wikipedia</a>.<br/>Acho que é para repassar ativamente adiante essa idéia. Mas eu farei isso passivamente: se gostar, faça essa brincadeira também.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Saibam</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07l212-saibam</guid>
      <pubDate>Thu, 27 Dec 2007 00:02:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/12/2007</p><p>“<em>Saiba: todo mundo foi neném</em><br/><em>Einstein, Freud e Platão também</em><br/><em>Hitler, Bush e Saddam Hussein</em><br/><em>Quem tem grana e quem não tem</em><br/><em></em><br/><em>Saiba: todo mundo teve infância</em><br/><em>Maomé já foi criança</em><br/><em>Arquimedes, Buda, Galileu</em><br/><em>e também você e eu</em><br/><em></em><br/><em>Saiba: todo mundo teve medo</em><br/><em>Mesmo que seja segredo</em><br/><em>Nietzsche e Simone de Beauvoir</em><br/><em>Fernandinho Beira-Mar</em><br/><em></em><br/><em>Saiba: todo mundo vai morrer</em><br/><em>Presidente, general ou rei</em><br/><em>Anglo-saxão ou muçulmano</em><br/><em>Todo e qualquer ser humano</em><br/><em></em><br/><em>Saiba: todo mundo teve pai</em><br/><em>Quem já foi e quem ainda vai</em><br/><em>Lao-Tsé, Moisés, Ramsés, Pelé</em><br/><em>Gandhi, Mike Tyson, Salomé</em><br/><em></em><br/><em>Saiba: todo mundo teve mãe</em><br/><em>Índios, africanos e alemães</em><br/><em>Nero, Che Guevara, Pinochet</em><br/><em>e também eu e você</em>“</p><p>Esta letra foi retirada do site <a href="http://www.letrasdemusicas.com.br/">www.letrasdemusicas.com.br</a> <br/><br/>Adoro Adriana Partimpim</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Filosofia de buteco</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 25 Dec 2007 23:06:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/12/2007</p><p>Para Heráclito, tudo flui: não é possível entrar duas vezes no mesmo rio, pois, da segunda vez, tanto você quanto o rio já terão mudado.<br/>Para Parmênides, não há movimento. Todas as mudanças, as transformações, são enganos dos sentidos humanos. A prova é que, se você atirar uma pedra, ela terá que percorrer 1 metro, mas, antes, percorrer meio metro, e antes disso, 25 centímetros, e antes ainda, 12,5 cm, e por aí vai.</p><p>Eu estou mais com Heráclito. Mas não precisava ser tudo tão rápido.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Poeminha</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07l210-poeminha</guid>
      <pubDate>Sun, 09 Dec 2007 17:12:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/12/2007</p><p>Um dia você me disse<br/>“te amo!”, muito gentil.<br/>Mas, que pena: esse dia<br/>era primeiro de abril.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Sol na casa 8, lua na casa 5</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 30 Nov 2007 21:49:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>30/11/2007</p><p>“Neste período, que vai de 29/11 (ontem) às 20h50 a 02/12 às 5h24, a passagem do Sol pelo setor das crises pessoais pode significar <strong>um transbordamento de emoções e problemas que você tem tentado evitar nos últimos tempos</strong>, Marcelo. O Sol em trânsito pela Casa 8 entra em conflito com a Lua, sugerindo que você até deseja levar as coisas numa boa, com mais relaxamento e tranqüilidade, mas há problemas e pendências a resolver que não podem ser evitadas! O Sol neste momento pede que você não faça de conta que não existem coisas que lhe incomodam e que dê atenção a estes pontos, que jogue luz sobre eles. A Lua na Casa 5 lhe ajuda a ver as coisas com maior bom humor. A reflexão para o período é: <strong>do que eu preciso me libertar?</strong>“</p><p>Bom, podemos começar pelo sentimento de preterimento: sabe quando você é aquela pessoa que tanto faz se está lá ou não? Que pode ir se quiser, e ficar se quiser? Deve ser o que uma moeda sente dentro de um copo d’água: a água não vai transbordar com uma moeda ali dentro – a água nem vai sentir a diferença – só vai ficar muito suja. E as pessoas dizem que gostam de você. dou muito valor ao que me dizem, mas preciso ouvir isso por outros canais além dos auditivos.</p><p>Depois, podemos passar ao trabalho: você caminha muitas quadras a pé diariamente porque no local onde você trabalha não tem xerox, você precisa fazer orçamentos dos produtos mais inverossímeis com no mínimo 30 intens por vez em 6 horas, você precisa manter em dia as cópias dos formulários mais utilizados, você precisa fazer a manutenção do computador, você precisa ligar para o RH, você precisa reinstalar o anti-vírus, você precisa cortar as folhas A3 no meio para que virem A4, você precisa prender sua caneta com uma cordinha porque não existem mais canetas onde você trabalha, você precisa tomar todas as precauções possíveis e impossíveis para que as impressões saiam absolutamente perfeitas da primeira vez para não se incomodar e tem que imprimir agora já, porque a sua chefe está saindo em cinco minutos e pediu para você fazer o memorando agora…. e, de vez em quando, o que você ouve é “se fosse em outro lugar, você já teria sido demitido” na frente de todo mundo.</p><p>Chegamos, finalmente, em casa: as pessoas falam alto demais; assistem toda a grade de programação da Globo e metade do SBT e a apresentação do Pânico mais as duas reprises semanais na TV; ouvem o rádio no último volume (porque falam gritando); não deixam sobrar nada de comida para você no fim do dia; tiram suas roupas do varal, as roupas que você estendeu com todo cuidado e delicadeza para não amassarem, amassam-nas ou deixam-nas dependuradas com um só prendedor; meio-dia, quando você chega em casa com pressa para colocar a roupa na máquina, você abre a máquina com quilos de roupas e descobre que alguém colocou suas roupas para bater e a máquina já terminou de bater faz horas mas a pessoa esperava que o próximo que fosse usar fosse estendê-las, mas você não tem tempo para isso porque a água para a massa já deve ter fervido e ela fica pronta em sete minutos, e você deixa para lá, come em quinze minutos, fuma em cinco, escova os dentes vai no banheiro passa um creme passa um desodorante procura a chave encontra a chave em sete minutos e amanhã tem que lavar as cuecas no chuveiro e secar no ventilador ou atrás da geladeira; sua mãe, que ótimo, está apaixonada, lindo, mas o cara mora lá, e de vez em quando se confunde e usa – que nojo – as suas cuecas porque se confundiu no varal, e como você descobriu isso? porque quando você vai colocar descobre que caberiam dois de você dentro delas, o elástico está perdido.</p><p>Quase esqueço que eu também tenho um corpo: que não emagrece de jeito nenhum, de onde brotam pêlos por todos os lados (“todos os lados” não é força de expressão: surgem pêlos nos lugares mais impossíveis…), cuja cabeça dói constantemente, cujo estõmago está sempre embrulhado, cujos pés dóem todas as noites até que eu durma (e às vezes amanhecem já – ou ainda? – doendo), cujas costas doem (e, quando páram, basta eu me virar de um jeitinho todo especial que sempre acerto para que eu tenha a impressão de que alguém está tentando levar a minha espinha à força), fora outros detalhes realmente sórdidos dos quais não quero falar, só me livrar.</p><p>De que eu preciso me libertar?<br/>Eu já não sei, acho que de nada. Tenho a impressão de que não há nada mais de que eu deseje me libertar, além de uma coisa. Eu começo a acreditar em destino, carma, trabalho, olho-ruim, essas coisas.<br/>Eu estou começando, aos poucos, a perder a graça nisso tudo, a perder a graça disso tudo. Sempre achei tudo isso, no fim das contas, interessante ou engraçado. Mas mais e mais eu perco o interesse, e não acho mais engraçado essa coisa toda.<br/>Do que eu preciso me libertar??<br/>De mim, talvez.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Historinha</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07k208-historinha</guid>
      <pubDate>Mon, 26 Nov 2007 10:50:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>26/11/2007</p><p>Eu não sei o que pode significar essa história, mas eu achei interessante assim mesmo.</p><p>Um cavaleiro vinha cavalgando e deparou-se com um imenso pântano. Era tão grande que, se ele decidisse contorná-lo, levaria um dia para fazê-lo. Ele viu uma criança ali perto e perguntou a ela se o fundo era firme, e a criança respondeu que sim. Então ele começou a atravessar o pântano, e começou a afundar. Antes de ficar completamente submerso, disse à criança:<br/>– Você falou que o fundo era firme!!! – E a criança respondeu:<br/>– Mas você ainda não chegou ao fundo.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>alguns livros</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07k207-alguns-livros</guid>
      <pubDate>Sun, 25 Nov 2007 19:20:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/11/2007</p><p>Anais Nin dizia que sua primeira visão da terra fora através da água; que pertencia à raça de homens e mulheres que olham todas as coisas através desta cortina de mar e que seus olhos eram a cor da água.<br/>Ponto 1:<br/>A maioria dos homens que eu conheço tem uma verdadeira epifania divina quando vê duas mulheres se beijando (duas mulheres bonitas, bem entendido). Eu sempre me pergunto por que processo isso acontece. O que há de mais excitante em um beijo de duas garotas do que em, por exemplo, apenas uma garota? Acho muito bonito ver duas garotas se beijando, mas porque em geral são beijos mais românticos, gestos mais delicados e suaves e sinto muita inveja por saber que nenhuma garota me tratará assim; mulheres heterossexuais (as que eu conheci, pelo menos) querem Homens, aquela coisa máscula e viril, meio tosca que tem um andar desengonçado mas que, em meio a toda essa falta de graça e beleza, lhes oferecem flores, talvez gostem descobrir que em meio a toda aquela rudeza há algo suave e delicado que faz com que se aproximem. Eu sou um pouco mais confuso do que isso, mas não tenho nem a rudeza máscula e viril, nem a delicadeza e suavidade feminina para oferecer a ninguém. Não tenho nada que uma lésbica queira (as lésbicas que o digam), nem que uma heterossexual queira; mesmo uma mulher bissexual, sublinho novamente que é somente entre as que conheço, mesmo uma mulher bissexual quer masculinidade de um homem e feminilidade de uma mulher. Me fodi de qualquer jeito. Mas só o que eu queria dizer é que não acho a coisa mais excitante do mundo ver duas garotas se beijando – acho bonito, mas já vi beijos heterossexuais, ainda que em menor quantidade, tão doces e carinhosos quanto beijos lésbicos. E nem uma visão e nem a outra me excitam a ponto de me deixar no cio (que é a maneira que os caras ficam quando vêem duas garotas).<br/>A maioria dos homens que conheço, dentre os heterossexuais, também abomina levar uma cantada de um homem. Eu abomino, mas se for um cara feio. Fico com pena dos gays bonitos que, porventura, ficam a fim de mim (mas são poucos e não chego a constituir uma calamidade mundial aos pobre corações apaixonados): é só amizade, colega. Mas aceito um bom papo depois de uma cantada mal-sucedida, quando não é o caso de “eu não te quero como amigo”: quer conversar, ótimo, quer trepar, se deu mal, melhor sorte na próxima. Pode ser que apareça um cara que me convença a ficar com ele – mais exatamente: pode ser que apareça um cara com quem eu queira ficar. Mas até o momento, de barba mal-feita basto eu e nem da minha barba mal-feita me arranhando eu gosto (barba mal-feita só tem uma vantagem, que é ser muito boa para coçar a mão, mas qualquer coisa suficientemente áspera que não machuque serve também, o que significa que eu viveria perfeitamente bem sem minha barba crescendo que nem grama numa casa abandonada). Como eu escrevo demais para dizer pouca coisa, resumo: eu só queria dizer que não tenho maiores problemas com gays também; pode me cantar à vontade que eu sei dizer não com toda a educação, e ainda batendo as pestanas. Não pense também que toda hora tem um cara me cantando. Acho que são os mais desesperados.<br/>Escrevi os dois parágrafos anteriores só para dizer que não sou preconceituoso. E só escrevi a frase anterior para contradizê-la e corrigi-la. Eu sou uma pessoa tremendamente preconceituosa. Mas os meus preconceitos são muito singulares.<br/>Nem em meus preconceitos eu me enturmo. Se eu fosse homofóbico, poderia encontrar o meu grupo na TFP, ou virar católico e participar da renovação carismática, ou pentecostal e participar da oração dos 318 na Igreja Universal, ou então virar skinhead e bater em qualquer homossexual que encontrasse na rua. Mas esse tipo de coisas me dão ânsias de vômito demais, eu não seria feliz.<br/>Mas eu dizia que meus preconceitos são muito singulares. Você é lésbica? é gay? pouco me importa! Mas se você quer conhecer o pior de mim, basta me colocar para conviver com homens. Com exceções, claro: tenho um amigo homem de quem gosto muito, tanto quanto gosto de minhas amigas. Fora ele, tenho um vago sentimento de que o restante dos homens são pessoas e é nesse patamar que os respeito.<br/>É um preconceito odioso como outro qualquer, tal qual nazismo ou homofobia. E não faço a menor idéia de como me livrar dele. Quanto mais convivo com homens, com uma única exceção, mais aumenta meu preconceito. Ah, claro, outra exceção: gays são pessoas extremamente interessantes, também. Não sei porque, gosto dos gays em geral. Talvez eu seja, afinal, um gay reprimido, mas aí precisaria admitir que é uma repressão muito bem feita, porque tudo o que eu reprimo acaba escapando por algum outro lado e de maneira incontrolável, e não consigo identificar nenhum válvula de escape para uma possível homossexualidade reprimida minha. E eu já reprimi muitas coisas durante a minha vida para não reconhecer mais uma repressão. Admito que posso estar errado, mas é uma admissão mais por costume do que por achar mesmo que possa estar errado.<br/>Ponto 2:<br/>Todos os livros que me acertaram em cheio, que me tocaram de uma maneira mais significativa, foram escritos por mulheres. Mesmo alguns livros escritos para mulheres (Lado B é muito mais tocante do que A Insustentável Leveza do Ser, por exemplo). Não é que eu entenda as mulheres, e nem que as mulheres me entendam. Nem todas as mulheres que conheço me causam muito efeito. Mas os maiores efeitos que me atingiram foram causados por mulheres. Especialmente livros escritos por mulheres.<br/>A essa altura, preciso explicar o seguinte: a maioria dos livros que li, os achei muito medíocres – tanto livros escritos por homens, quanto livros escritos por mulheres. Em meio a toda a mediocridade, existem livros muito bons, tanto de homens quanto de mulheres. Mas existem livros cujas palavras realmente fizeram diferença na minha vida: desses, a maioria foi escrito por mulheres.<br/>Nietzsche, Foucault, Deleuze, Marion Zimmer Bradley, Lúcia Facco, Colette, J.M. Simmel (um homem), J.K. Rowling, Margarita Pisano, Simone de Beauvoir, Monique Wittig, J. Butler (uma mulher), Cecília Meireles, uma ucraniana naturalizada brasileira muito famosa cujo nome esqueci, Isabel Allende, Safo, acho que não esqueci ninguém. Não vou contar quantos são homens e quantas são mulheres, mas nem precisa.<br/>Conclusão:<br/>Por algum motivo que eu desconheço, escritoras me compreendem (sem o saber) muito mais do que escritores. Pode ser devido ao meu preconceito contra homens, mas acho que não. E eu disse tudo isso só para dizer do meu espanto com o que li (e escrevi lá em cima) em Anais Nin: como alguém pode me adivinhar assim? De certos livros que leio eu deveria cobrar os direitos autorais: é de mim que estão falando!<br/>Mas também não vou explicar de que maneira isso se refere a mim. Muita intimidade, mesmo para um blog tão sem IBOPE quanto este.<br/>“A minha primeira visão da terra foi através da água. Pertenço à raça de homens e mulheres que olham todas as coisas através desta cortina de mar e os meus olhos são a cor da água.” – É como ela escreveu a frase.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Eu enquanto pessoa ridícula</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 25 Nov 2007 19:19:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/11/2007</p><p>Sempre existem sobre uma pessoa no mínimo duas perspectivas: a da própria pessoa e a dos outros. “Perspectivas” porque, no final das contas, nem uma nem outra têm maior valor, nenhuma das duas é mais verdadeira; “no mínimo”, porque falo de duas perspectivas só para facilitar, pois acho difícil alguém ter sobre si somente uma perspectivas, e todas as outras pessoas dificilmente terão, todas elas, a mesma perspectiva sobre a mesma pessoa. “Perspectiva”, novamente, porque é somente uma opinião, uma posição, concepções relativas, que se tornam “verdadeiras” por serem aceitas como tal (não quero dizer, com isso, que não existem verdades, não defendo um relativismo total, pelo contrário: existem verdades, existem coisas sobre as quais pode-se descobrir verdades, existem opiniões, existem coisas sobre as quais somente pode-se construir opiniões; mas tanto as verdades e as opiniões quanto as coisas que podem ser verdadeiras ou subjetivas, somente são aquilo que se aceita que são; “o sol nasce”, por exemplo, é uma verdade, mas não é que o sol ou o seu nascimento diário “emane” uma verdade, e sim aceita-se que é verdade que o sol nasce, da mesma maneira, achar a Marília Gabriela linda é somente uma opinião, porque aceita-se que beleza é uma questão de gosto – e “gosto” é uma questão muito importante – que varia segundo cada pessoa).<br/>Assim, a opinião, a perspectiva que as pessoas tem sobre alguém é somente uma opinião, assim como a opinião que alguém tem sobre si é, também, somente uma opinião. Em geral é mais saudável uma pessoa levar mais em conta a própria opinião sobre si (até mesmo fazer dela uma verdade, caso isso seja mais efetivo) do que a opinião alheia (“não é possível agradar gregos e troianos” diz o ditado), mas a opinião alheia, de uma maneira ou de outra, em maior ou menor grau, é significativa.<br/>Considerando isso, chegamos a mim – que sou o assunto mais interessante deste blog. Alguém pode não me achar interessante, eu sei, e “alguém”, no caso, é a maioria; mas eu aceito as conseqüências disso, que são registrar o menor número de visitas no maior tempo possível (talvez seja um recorde) continuamente, quando o ideal de um blog, me parece, seria registrar o maior número de visitas no menor tempo possível, continuamente.<br/>Uma visão panorâmica sobre mim: uma pessoa ridícula.<br/>Pelo menos é um panorama rápido. Mas se você não entendeu, eu explico: é só um aspecto meu, que é o aspecto do qual quero falar. Isso quer dizer “não pense que eu me resumo a ser uma pessoa ridícula” – e não quero que você pense, por causa do último entre aspas, que meus outros aspectos sejam menos ridículos, ou mais legais. Só quero dizer que restrinjo o assunto a mim enquanto pessoa ridícula (“mim enquanto pessoa ridícula”, aliás, é uma construção frasal ridícula, digna do assunto do texto – e por isso também é o título desse texto).<br/>Mas eu sou uma pessoa ridícula, veja bem, na opinião alheia. Para mim, sou uma pessoa interessantíssima, com detalhes contraditórios, espaços mal-ajustados, coincidências surpreendentes, méritos inigualáveis, deméritos colossais, etc. Como todas as pessoas, aliás, e é isso que faz com que as pessoas sejam interessantes para mim.<br/>Simone de Beauvoir adorava mulheres (no sentido mais sexual possível) mas nunca admitiu isso: logo ela que derrubou o grande Castelo do Machismo (que todavia ainda refugia-se muito bem dentro de pequenas e odiosas construções) com um livro, não conseguiu chutar a pedrinha da sua bissexualidade (e, maldade minha, sempre me pergunto se era por realmente gostar de homens que ela amou um tão feio quanto Sartre, ou se ficar com um cara tão feio seria sinal de que o negócio dela mesmo era mulher). Heidegger foi nazista e se apaixonou por uma judia, depois largou o nazismo e a judia. São exemplos de pessoas famosas, mas as pessoas comuns são ainda mais interessantes.<br/>Eu sou, também, uma pessoa comum – portanto, muito interessante. Mas essa é a minha visão. Minhas dúvidas e inseguranças, minhas crenças e descobertas, são ridículas para as outras pessoas. E incríveis para mim. A maneira como penso, como me comporto, são como eu sou, e simplesmente não posso fazer nada, nem pela opinião das outras pessoas, e nem pela minha.<br/>Talvez o meu mal seja pensar assim: se você não gosta de mim, que pena, eu gosto. Isso somente me traz complicações quando a frase é “se você não gosta de mim, que pena, eu gosto de você”. Claro que me traz complicações desde que a maneira como eu sou seja intolerável, desagradável ou incômoda para as outras pessoas de quem eu gosto. Acho que tanto quanto gostar, eu deveria aprender a desgostar das pessoas. É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, mas também é preciso aprender a não gostar delas, quando necessário. Tim Maia se arrependeu de ter exortado as pessoas a seguirem o caminho do bem (embora sejam músicas ótimas). Devia ter dito que seguissem algum caminho, e aprendessem a escolher seus caminhos de acordo com seus próprios critérios.<br/>Desta maneira é que eu aceito que sou uma pessoa ridícula: respeito vossa opinião. Uma das maiores pragas da vida – da qual não sei se quero me livrar, porém – é respeitar (ia dizer “amar” mas não seria sinceridade minha) a liberdade. Não é nenhuma afirmação heróica, e nem o contrário. É, como qualquer posição, apenas uma.<br/>Você pode amar sua liberdade: que bom. Mas isso quer dizer que você ama a si: o que é ótimo. Mas amar sua liberdade não é amar a liberdade. Amar a liberdade é colocar a liberdade acima da sua própria liberdade. Explico-me: eu, tanto quanto você, posso fazer qualquer coisa; qualquer coisa mesmo (meio à la Sociedade Alternativa: “faze o que tu queres pois é tudo na lei”). Se eu prezo mais a minha liberdade do que a liberdade (será que eu deveria escrever “Liberdade”?), eu vou escolher a minha própria, caso ela entre em conflito com a liberdade alheia; se eu prezo mais a liberdade, eu vou prezar tanto a minha quanto a sua.<br/>A minha preferência recai sobre a segunda alternativa. Só não posso dizer que amo a liberdade porque eu não tenho um compromisso assim tão grande com a liberdade alheia. Além de tudo sou irresponsável.<br/>Por causa disto que, quando alguém me toma por uma pessoa ridícula, sei que é uma idiotice desse alguém. Mas não me explico, nem me defendo: pense de mim o que quiser, é um país livre (força de expressão). Eu deixo: deixo as pessoas pensarem o que quiserem de mim. E como a voz do povo é a voz de deus, deus diz “tu és uma pessoa ridícula”. Quem sou eu para querer calar a voz do povo?!?<br/>Disse isso tudo apenas para explicar de que maneira e porquê eu posso me dizer uma pessoa ridícula. Pois só o que eu tinha para postar era isso:<br/>Eu sou mesmo uma pessoa muito ridícula.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Dead Like Me e O Uso dos PRazeres</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 05 Nov 2007 09:02:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/11/2007</p><p> Comecei a assistir um novo seriado: Dead Like Me (ou A Morte lhe Cai Bem, na tradução – mal-feita, acho eu, que não entendo inglês mas traduziria por “A Morte me Quer”, ou “Morta como Eu”, sei lá).</p><p> Uma menina de 18 anos chamada Geórgia morre quando um assento de privada anti-gravidade cai em cima da cabeça dela, por causa da reentrância da MIR na Terra. Ao invés de morrer efetivamente, ela torna-se uma “ceifadora” (na dublagem em espanhol, fica “parcas”, que achei mais legal), mortos-vivos que fazem o mesmo trabalho da Dona Morte no Penadinho: levar as almas das pessoas que morrem. Dois esclarecimentos: eles não são mortos-vivos ao estilo dos filmes de terror, pelo contrário, sua aparência é a de qualquer pessoa comum; segundo, apesar de a abertura do seriado brincar com a imagem da morte vestindo uma  longa túnica preta e com uma enorme foice na mão, os ceifadores vestem-se como pessoas comuns. Aliás, eles só sabem as coisas relativas ao trabalho deles: não sabem o que há depois da morte, não vêem anjos, e nada disso – somente uns bichos feios que são responsáveis por causar os acidentes que matam as pessoas no mundo (que não são “maus”: graças a eles, mantém-se o equilíbrio entre nascimentos-falecimentos na Terra); no mais, precisam trabalhar para sobreviver, mudam periodicamente as feições do rosto (pois podem passar centenas de anos na Terra), vivem uma vida praticamente normal, só precisam buscar as almas na hora e local marcados – dados informados por meio de post-its – e não podem morrer.</p><p> Geórgia precisa se acostumar com a idéia de levar as almas das pessoas. Às vezes ela precisa fazer coisas como levar a alma de uma garotinha de seis anos, coisa bastante desagradável. Sem contar que o chefe do grupo de ceifadores não gosta de questionamentos, e nem das insubordinações da garota – uma relação um tanto difícil. Ainda por cima, o emprego dela é uma merda e a chefe uma idiota.</p><p> Porém, ela precisa aprender a se relacionar com as pessoas – esse não é bem o mote do seriado, é mais o que me diz respeito. Coisas como bater papo com a chefe chata só porque ela está meio carente, ou descobrir que uma simpatia cínica pode melhorar muito o dia; enfim, conviver com a adversidade do dia a dia.</p><p> Não que eu pense que o dia a dia compõe-se de adversidades. Existem muitas coisas legais na vida, como sair com amigos, beber com amigos, beber tão-somente, ler, pensar, conhecer pessoas interessantes, etc.  </p><p> Mas – e agora o assunto sou eu – as coisas são muito imperfeitas. A começar pelo meu corpo: gordo, cheio de pêlos, com um pênis um tanto desagradável dependurado no meio das minhas pernas; não é um corpo horrível, mas não é o que eu desejo ver no espelho. Segue o trabalho: pessoas fanáticas pelo horário, pessoas que têm inveja de praticamente nada (coisas bestas como o salário de 600 reais que você ganha, ou a possibilidade que você tem de tomar o café do intervalo junto com a chefe, bobagens assim), pessoas que levam a sério coisas bestas, pessoas que querem que você leve a sério aquilo que elas levam a sério, é uma lista longa demais. Ainda têm o machismo, a homofobia, os preconceitos em geral que existem no mundo, a cidade de merda onde eu vivo, a casa horrível onde moro (não me sinto à vontade aqui), o fato de nunca ter grana para nada, etc.</p><p> Eu sou uma pessoa orgulhosa. Muito orgulhosa. Gosto das coisas perfeitas. Ao contrário dos virginianos, porém, eu não me empenho em levas as coisas à perfeição. Para mim, as coisas no lugar deveriam ser o pré-requisito, e não uma meta. Não se trata de querer tudo pronto. Mas de que eu preciso de uma certa ordem inicial para começar – ordem esta que não existe. Acho que eu preciso “reinventar” esta minha necessidade. Não abandoná-la, mas adotar um certo “virginianismo”, uma certa capacidade de incluir nas minhas ações a organização das coisas, e, também, a capacidade de fazer as coisas em meio à adversidade. Isso significa mais trabalho, mas também significa a possibilidade de conseguir me mover.  </p><p> Esta parte, por sua vez, tem um pouco a ver com Foucault. E, neste ponto, preciso esclarecer algo. Não me considero especialista em Foucault. Nem mesmo estudante de Foucault. Li algumas coisas, ora por cima, ora com uma dedicação maior (“As Palavras e as Coisas”, por exemplo, li bem por cima e só uns pedaços; “Arqueologia do Saber” estudei mais a fundo, mas só uma vez e para fazer um trabalho; “Técnicas de Si” li para uso pessoal, não trabalhei de maneira filosófica no livro, mas para “consumo interno”).</p><p> Como “Técnicas de Si”, li também o primeiro capítulo da “História da Sexualidade – O Uso dos Prazeres” (o primeiro livro mencionado, li em espanhol e a tradução, para mim, é mais interessante: “Tecnologias del Yo”, ou “Tecnologias do Eu”).</p><p> Os dois textos, aliás, são muito parecidos. O primeiro capítulo do Uso dos Prazeres trata de como os gregos trabalhavam sua sexualidade. Não quero fazer um resumo nem um trabalho acadêmico do que li, mas só observações pessoais – quer dizer, se você achar esse texto no Google, não recomendo usar no seu trabalho sobre Foucault ou como fonte de estudos para alguma prova (nem todas as pessoas tem bom-senso). Para eles, segundo Foucault e conforme o que eu entendi, os desejos não são objetos de repressão-permissão, como no cristianismo. No cristianismo, você “monitora” seus desejos para confessá-los e reprimir ou permitir determinados desejos. Os gregos também procuram “evitar” certos desejos, pelo menos em determinados momentos, mas não tentam eliminá-los, ou insensibilizar-se a eles, e sim afastar-se daquilo que produz seu desejo (se um grego precisasse fazer um regime, por exemplo, não tentaria deixar de desejar chocolate, e sim evitaria passar no corredor de chocolates do supermercado, desviaria o olhar de chocolates à sua frente, coisas assim). A idéia (só para lembrar: segundo o que eu compreendi do texto) é a seguinte: o que você precisa fazer é trabalhar seus desejos, e não eliminá-los ou permiti-los.</p><p> Importa mais aos gregos impor-se sobre eles (os desejos), não deixar-se escravizar por eles, e também não isolar-se deles. Trata-se de uma certa temperança, onde não se deixa o desejo tomar o comando, mas também não se ignora ele, satisfazendo-o sem soltar dele as rédeas. Tal como o cristianismo, os gregos também “monitoram” seus desejos, mas não como quem cuida de vermes abjetos, e sim como quem “pastoreia” algum bichinho fofo – que pode às vezes ser agressivo, chato, incômodo, inconveniente, etc.</p><p> Essa coisa foucaultiana toda diz respeito a outras questões pessoais minhas. Mas aplica-se também a esta minha relação com a imperfeição do mundo. Como qualquer pessoa pisciana, “se a realidade não é como eu a sonho, foda-se a realidade” (li algo assim em algum livro de astrologia, e com certeza o termo “foda-se” não foi usado); sem entrar em questão sobre a validade ou não da astrologia (questão sobre a qual tenho uma posição, mas aqui não vem ao caso), esta característica pisciana fecha legal comigo. Quer dizer, eu preciso não me deixar dominar pela minha necessidade de perfeição, simplesmente. Mas é nisso que entra esse lance das técnicas de si: você precisa não suprimir seus desejos, e tampouco liberar geral, e sim “imperar” sobre eles. Li em Simone de Beauvoir (“O Segundo Sexo”, sei lá qual volume, mas acho que o primeiro, bem no começo do livro) que as pessoas todas têm um certo “instinto natural” (isso é mais uma maneira de se expressar do que uma descrição, que fique claro) à dominar o outro, a sujeitar o outro, a imperar sobre o outro. Acho que seria muito mais útil “canalizar” esta força para os desejos. Ou, então, tratar os desejos como animais de estimação. De qualquer forma, são maneiras metafóricas de colocar isso. Mas é uma idéia ótima. Pelo menos para mim.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>CONSTANTINE CAVAFY</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 04 Nov 2007 19:42:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>04/11/2007</p><p>Um poema interessante <a href="http://amediavoz.com/cavafy.htm#ITACA">aqui</a>. Chama-se “Ítaca”, e está em espanhol.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Atire a milésima pedra</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 04 Nov 2007 19:27:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>04/11/2007</p><p>“Todo corpo que tem um deserto tem um olho de água por perto; para ouvir basta abrir os poros, para aceitar basta oferecer.”</p><p>Eu adoro Marisa Monte pelo fato de que muitas vezes parece que o que ela canta foi inspirado na minha vida – embora isto não seja o único nem o principal motivo pelo qual gosto dela.<br/>Mas nesta música, trata-se com certeza da vida de outra pessoa.<br/>Eu não tenho nenhum olho de água por perto – no máximo, uma graaande e redonda barriga que nunca, eu acho, desparecerá, mesmo que eu decida morrer de fome; e não basta oferecer para aceitar, não na minha vida, onde ninguém aceitou o que eu tinha para oferecer.</p><p>Talvez eu esteja errado, afinal de contas: qualquer plantonista da Unimed que eu vou quando tenho algum problema, me diz que eu deveria tomar antidepressivos. Quer dizer, vai ver é só depressão, e não seja verdade que eu seja uma coisa grande, gorda e cheia de pêlos horrível.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Eme, a, e, til:</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 03 Nov 2007 21:50:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/11/2007</p><p>O que acho mais difícl, àsvezes, é compreender preceitosbásicos da vida, ou pelo menos da convivência.<br/>Mais de uma pessoa já veio me dizer que sou submisso à minha mãe. Mas acho estranho isso: a opinião dela é uma das que menos me importa… Gosto da minha mãe, não preciso provar isso com exemplos, e teria vários. Mas essegostar dela implica somente que quero queela esteja bem – e não que minha vida esteja nas mãos dela.<br/>Talvez todas as pessoas estejam certas, e eu esteja tão mrgulhado em uma dependência que não consiga percber. Mas, por ora, da minha parte, minha maior curiosidade é apenas entender o que as pessoas estão querendo dizer…</p><p>…</p><p>Como o assunto é mãe: um cara, acho que na França, está processando a mãe por não tê-lo abortado – ele é tetraplégico.<br/>Acho compreensível a revolta dele. Mas botar no da mãe dele?!?<br/>Quando ela estava grávida dele, cabia somente a eladecidir se teria ou não o rapaz. Depois de nascido, ele não pertence mais a ela – mas até nascer, pertencia. O que indica a atitudedele: que ele ainda se sente “pertencente” a ela, e responsabiliza-a pela vida dele.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Luluzinha e Bolinha</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07k201-luluzinha-e-bolinha</guid>
      <pubDate>Thu, 01 Nov 2007 14:31:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/11/2007</p><p>Simone de Beauvoir: as mulheres são presas da espécie, quer dizer, os “encargos” da espécie são mais pesados para elas (em função da gravidez: menstruar, carregar a criança 9 meses, aleitar, e todas as alterações hormonais implicadas nisso); mas funções biológicas não produzem uma afetividade, pelo contrário: a afetividade é que reveste as coisas, inclusive as funções biológicas.</p><p>Não é uma citação textual, mas de cabeça, do livro O Segundo Sexo.</p><p>Portanto, se uma garota vem me dizer que é vítima da natureza, nem venha. Ninguém tem a obrigação de engravidar – diga-se de passagem, nem de menstruar, mas é necessário algum dinheiro para isso. Claro que a pressão social para que qualquer mulher tenha filhos é muito forte, e há as que engravidam porque quiseram (curiosidade, realização pessoal, etc) ee as que engravidam porque têm medo do que o vizinho vai falar se ela não tiver filhos. E, para não complicar o assunto, nem vou mencionar o machismo da sociedade.<br/>Mas qualquer pessoa pode se colocar como vítima da natureza, se quiser apesar de tudo. “Oh, como sofro por ser mulher”; “oh, as mulheres sofrem tanto: são elas que parem, que cuidam das crianças, que cuidam da casa, que usam salto alto para ir trabalhar, são elas que gastam centenas de reais com cosméticos…” Tudo bem, pense assim se quiser.<br/>Mas querer colocar a culpa em mim?!?<br/>A geringonça toda que eu carrego no meio das pernas não é responsável pela sociedade machista não oferecer meios de as mulheres terem um acesso muitas vezes sofrido à pílula; assim como não é responsável por investirem mais dinheiro em pesquisas com armas do que com métodos contraceptivos menos agressivos. Se uma garota passa por tormentos relativos à sua menstruação, relativos a uma possível gravidez, ou porque se coloca na posição que a sociedade exige dela, não desconte em mim. Se uma garota é casada com um grosseirão insensível que não a respeita, xingue ele, mas não eu – que nem namorada tenho (e, se uma mulher acha que todos os homens não prestam só porque o dela é que não presta, deveria me dar os parabéns por não ter namorada, e não vir me acusar só porque o cara dela é tosco!). Eu não represento os homens, e nem algum em particular, aliás. Minhas opiniões e minha vida não são representativas de outras pessoas só porque elas têm um saco e um caralho no meio das pernas. E, se você quiser, mesmo assim, me julgar com base nos trogloditas que você conheceu, tenha bem claro que você está só falando das suas experiências ruins com os homens que você conheceu, e não de mim que você nem conhece. E se você achar que somente ser amiga de verdade de uma mulher, isso é problema seu e não meu: quer dizer, o fato de você amar o Clube da Luluzinha e desprezar o Clube do Bolinha (clubes criados por você, dos quais eu não participo, por sinal), isso só significa que é você que se entende melhor com mulheres, e não que eu tenho algum problema (e não estou falando de lesbianismo, que não tem nada a ver com o assunto).</p><p>Enfim, essa não é uma atitude generalizada, pelos menos não entre as mulheres que eu conheço (eu acho). Mas me irrita que as pessoas sofram nas mãos de outras e queiram me responsabilizar por isso.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>regimes</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07j200-regimes</guid>
      <pubDate>Tue, 30 Oct 2007 10:18:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>30/10/2007</p><p>Em processo de redução de ingestão de porcarias (que correspondem a 90% da minha dieta diária básica) e de cigarro. </p><p>Sabe lá o que vai dar essas coisas…</p><p><a href="https://i0.wp.com/www.portal3d.com.br/canal/saude/img/cigarro.jpg">[https://www.portal3d.com.br/canal/saude/img/cigarro.jpg]</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Paraná – Minas Gerais</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07j199-parana-minas-gerais</guid>
      <pubDate>Tue, 23 Oct 2007 23:38:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/10/2007</p><p>Toledo deveria chama-se “Tolhendo”. Nenhuma cidade tem a obrigação de ser boêmia, e nem mesmo de favorecer a boemia. Mas impedi-la diretamente, positivamente… é muito chato uma cidade que morre às oito da noite. Nem as vovós devem suportar isso. Segundo contou um garçom local, a cidade era, há tempos atrás, como qualquer outra – incluindo a violência; como fizeram para diminuir a violência? Acabaram com a vida noturna da cidade, simplesmente. Um pouco como acabar com uma doença matando os doentes – faltou pouco para isso. Enfim, uma cidade chata.</p><p>Uberlândia é uma cidade extensa. Assim como Toledo, não posso dizer “conheço a cidade”. Mas é mais interessante do que Uberlândia: você pode conhecer a cidade toda com R$ 2,00, descendo apenas nos terminais e pegando, neles, os ônibus “vermelinhos”, algo assim. Muito legal.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>05/68</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07j198-05-68</guid>
      <pubDate>Tue, 23 Oct 2007 23:25:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/10/2007</p><p>O Maio de 68 começou de maneira quase inocente: estudantes reivindicando o direito de conviver com estudantes do sexo oposto. Mesmo estudantes homossexuais, eu acho, saíam perdendo com essa barreira de gênero que existia nas escolas francesas: mulheres e homens têm uma formação cultural muito semelhante, dentro do seu próprio gênero, e esse contato, independente da orientação sexual, arejava a maneira de ver – e de viver – o mundo para alguém daquela época.<br/>Mas o Maio cresceu e foi além disso: transformou-se em uma mobilização geral na França, envolvendo, além dos estudantes, operários e intelectuais.</p><p>O que estava em jogo era a cristalização, a modorrice, a imutabilidade do comportamento. Não bastava uma vida tediosa, ela precisava ser forçosamente, deliberadamente e calculadamente tediosa; a palavra de ordem era reprimir-se e reprimir aos outros.</p><p>O resultado, a longo prazo, aparentemente fracassou: basta a vitória de Sarkozy para confirmar isto. Mas houveram, também, digamos assim, “lucros”: especialmente Capitalismo e Esquizofrenia, para citar algo que eu conheça minimamente.</p><p>Mas também ficou a nostalgia – “essa saudade que eu sinto de tudo o que eu ainda não vi”, talvez – e lembrança de que o mundo, mesmo hoje, não precisa necessariamente ser tão chato.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Ouvido</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 14 Oct 2007 02:10:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/10/2007</p><p>Ouvir MM é bom. Cantar junto também. Os vizinhos somente concordam com a primeira afirmação.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O Segundo Sexo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07j196-o-segundo-sexo-2</guid>
      <pubDate>Fri, 12 Oct 2007 17:38:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/10/2007</p><p>Se for possível dar crédito a Simone de Beauvoir, a opressão feminina é consequência, basicamente, da repetição incessante de uma condição estabelecida na aurora disso que hoje se reconhece como civilização.</p><p>Em um tempo quando era necessária, principalmente, a força física para defender-se e defender ao bando (ou clã, gens, etc), e uma certa regularidade da disponibilidade total do seu corpo, as mulheres acabaram por ficarem relegadas à proteção masculina: uma mulher grávida não dispõe da mesma força de um homem para lutar ou caçar.</p><p>Até este ponto ainda não se oprime as mulheres. Mais tarde, com a invenção de ferramentas para a caça e também para a agricultura, novamente as condições físicas das mulheres colocam-nas sob a proteção masculina. Mas, então, eis que os homens começam a querer expandir os campos cultiváveis, caçarem mais: isso demanda mais pessoas trabalhando. Em guerras, os vencidos tornam-se escravos, pessoas que são propriedades particulares de outras, e são utilizados para derrubar florestas que cederão espaço a campos cultiváveis. Da posse de uma pessoa como propriedade privada à posse da terra como propriedade privada foi um pulo.<br/>Esses homens reconheceram-se semelhantes entre si: reconheceram em si um grupo caracterizado pela capacidade de expandir, principalmente, suas próprias capacidades. Este grupo, ao mesmo tempo em que afirmou-se como soberano, não reconheceu nas mulheres, presas aos encargos que a natureza lhes punha, semelhantes: então escravizou-as.</p><p>Elas, porém, não constituíram, assim, um grupo à parte: elas mesmas reconheciam o desejo de expandir-se, comum a toda espécie humana mas realizado então somente nos homens, e, de fato, aceitaram esta primazia.</p><p>Não se trata de afirmar que foram as mulheres que se colocaram na condição de escravas: elas foram escravizadas e disso deriva a abjeção ao machismo. Se trata de afirmar que nem mulheres nem homens deram-se conta do seguinte fato, dito nas palavras de V. Solanas, no S.C.U.M. Manifesto: “Nada, humanamente, justifica el dinero ni el trabajo. Todos los trabajos no creativos (practicamente todos) pudieron haberse automatizado hace tiempo”. As ferramentas desenvolveram-se em função das necessidades de caça masculinas, e não das necessidades femininas. Nem eles olharam pasa elas e disseram “bom, agora vamos ver o que vocês precisam”, e nem elas disseram “bom, agora vamos ver do que nós precisamos”.</p><p>Tais condições permitiram, em tempos remotos, que os homens relegassem as mulheres à condição de “pessoas de segunda categoria” (como Eva, criada por deus como Adão, mas <em>para</em> este e a <em>partir do corpo</em> deste), e permitiram que as mulheres convencessem-se disto (pois não basta que eu lhe diga “você não vale nada”, você precisa concordar comigo para que eu possa valer mais do que você).</p><p>Se eu entendi bem o que li em Simone de Beauvoir, a questão é esta.</p><p>Pessoalmente, quer dizer, não estamos mais falando de Simone de Beauvoir, acho que reduzir as pessoas às suas condições biológicas é, no mínimo, medíocre. O corpo vivido é mais imperativo do que o corpo físico descrito pelos cientistas (idéia retirada de Simone de Beauvoir, mas faço minha a idéia dela). E, eu acho, ainda é este o vetor da opressão sobre as mulheres na sociedade: o confinamento das mulheres à espécie, à natureza, a essas coisas.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Infinito singular</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 11 Oct 2007 00:18:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/10/2007</p><p>Eu admito que gosto da solidão. Quer dizer: gosto de silêncio, gosto de não precisar dar muitas explicações, gosto de ser uma coisa meio misteriosa (mas é só mistério, não tem segredo), turista.</p><p>Porém, isto às vezes pesa. Não a solidão por si. Convivo com algumas pessoas com quem é possível, perfeitamente, “estar juntos a sós”, digamos assim. Não sou anti-social, veja bem. Mas é que adoro uma vida tranquila. Gosto de sair de uma festa e ter depois tranquilidade. Eu não poderia nunca ser o herói de nenhuma aventura: não há nada pior para mim do que viver 24 horas sob pressão.</p><p>O que pesa, mesmo, é a impossibilidade de fugir dessa solidão. Ser objeto de interesse de qualquer pessoa, nem se fala: nem isso me frustra mais. O que incomoda – e, admito, só às vezes, mas com certa frequencia – é não estar em lugar algum no mundo. Se digo que sou estudante, lembro que a faculdade está trancada. Se digo que trabalho, lembro que qualquer máquina bem projetada, ou mesmo um macaquinho bem inteligente, poderia fazê-lo tão bem quanto eu. Se digo que sou homem, lembro que virilidade e masculinidade são coisas até um pouco abjetas para mim. Se digo que sou heterossexual, lembro que existem homens interessantes; se digo que sou gay, lembro que existem, mais ainda, mulheres interessantes; se digo que sou bissexual, lembro que meus gostos não são tão equilibrados assim; e que, de qualquer maneira, somente simpáticos cachorrinhos e preguiçosos gatinhos têm maior interesse por mim. Se eu digo que sou brasileiro, lembro que não possuo um pingo de orgulho nacionalista. Se eu digo que sou humano, lembro que este é o conceito mais vago e mal-estruturado, ou pelo menos que é um dos mais vagos e mal-estruturados que existem. Se eu trabalho com informática, lembro que informática é a coisa mais chata do mundo (a única ciência exata onde não se sabe com exatidão onde está o problema que não se resolveu reiniciando o computador – aliás, a única ciência exata que tem uma solução mágica: reiniciar o computador). Se eu estudo, lembro que não consigo ler mais do que uma hora corrida. Dançar talvez seja a única coisa que faço sem objeções pessoais, mas dançar é algo corpóreo, e meu corpo redondo e peludo está longe de ser algo interessante.</p><p>E se eu reclamo de tudo, eu lembro que é possível ir levando, consertando as coisas aqui e ali.</p><p>Mas é muito difícil para mim, de maneira geral, essa singularidade excessiva.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>de A a G</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 08 Oct 2007 15:50:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>08/10/2007</p><p>a) o inferno são os outros<br/>b) relacionar-se com outras pessoas é difícil<br/>c) até aí, tudo bem; o problema são alguns relacionamentos terrivelmente insatisfatórios<br/>d) quer dizer: o problema não são os relacionamentos difíceis, e sim os “estéreis”, digamos<br/>e) por isso, o inferno são os chatos (de todas categorias e graus: desde as malas até pessoas fascistas, intolerantes, etc)<br/>f) o inferno, na verdade, são as pessoas intrometidas – as que se intrometem, e que insistem na intromissão<br/>g) ou seja, aquelas que não percebem que são intrometidas, pelo contrário, pensam que estão no seu direito se intrometendo</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Eu sinto bucolismo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07j193-eu-sinto-bucolismo</guid>
      <pubDate>Sun, 07 Oct 2007 18:36:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/10/2007</p><p>Como classificar “Pernambucobucolismo”?<br/>Certo: MPB. Mas, e além disso?<br/>Rock? Não é um samba. Nem forró, axé ou funk. Não se enquadra como jazz ou blues.<br/>Sei lá, se eu entendesse de música…<br/>Mas me parece algo um pouco psicodélico, “low psicodélico”, se é que existe – mais ou menos como psy trance, na música eletrônica.</p><p>Sei lá, acho que não me importa como classificar a música. Ela só é maravilhosa, espantosamente maravilhosa.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Divagações</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07j192-divagacoes</guid>
      <pubDate>Thu, 04 Oct 2007 21:09:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>04/10/2007</p><p>Porque aquele desenho ali em cima?<br/>– Eu queria uma imagem colorida, e aquela foi uma das únicas que couberam legal dentro do espaço para imagens, e eu gostei dela, também, porque aparece uma pessoa (que para mim é uma senhora) colhendo as flores.</p><p>Porque “Auto-cartografia”?<br/>– Porque eu ando lendo Deleuze demais. Quer dizer, não ando lendo ele demais, e, sim, deslumbrado demais, querendo “cartografar” tudo, encontrando rizomas em todas as partes, e fazendo esquizo-análises de todas as pessoas – sem entender muito bem ainda o que é tudo isso, note-se. Vou retornar ao título antigo, é mais legal.</p><p>O que você anda fazendo?<br/>– Preparando uma comunicação para apresentar em um desses intermináveis congressos de filosofia. Eu ia apresentar algo sobre Deleuze, um livro chamado <strong>Mil Platôs</strong>, mas mudei de idéia,  vou apresentar Simone de Beauvoir, mais precisamente, um livro dela chamado <strong>O Segundo Sexo</strong>.</p><p>O que mais você quer dizer mas que não encontrou nenhuma pergunta sensata onde pudesse fazê-lo?<br/>– Um dos melhores textos que li foi o <strong>S.C.U.M. Manifesto</strong>, de Valérie Solanas. Muito bom.</p><p>Você quer dizer mais alguma coisa?<br/>– Não. “Você” quer dizer “você”, e não “mais alguma coisa”.</p><p>Na verdade, “você” quer dizer “você”, e não eu. “Eu” faço as perguntas, “você” responde as respostas.<br/>– Mas sou eu quem estou fazendo estas perguntas e respondendo estas respostas.</p><p>Quer dizer que você sou eu,  e eu sou você?<br/>– É um modo de colocar as coisas, isso aí que você disse. Mas você não quer dizer mais alguma coisa, de maneira alguma.</p><p>Não quero mesmo.<br/>– Ok então.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Séries Premiadas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07i191-series-premiadas</guid>
      <pubDate>Fri, 21 Sep 2007 18:32:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>21/09/2007</p><p>Não sei mais como, mas encontrei um site onde você cria um perfil, e adiciona as séries que você já assiutiu ou está assistindo. Adorei, lembrei de coisas muito antigas, seriados que eu nem lembrava mais que faziam minha cabeça (que está em processo de adaptação a cremes para cabelo – nada a ver com o assunto, aliás). Tem desde coisas mais recentes como <strong>The L Word</strong>, que é a última que me interessou (tentei reassistir <strong>McGyver</strong>, mas não tive paciência, e <strong>Will&amp;Grace</strong>, mas é muito idiota – legalzinha, mas idiota de maneira geral), até <strong>Punky, A Levada da Breca</strong> e <strong>Alf, o É Teimoso</strong>.</p><p>The L Word é um seriado muito legal, do tipo Gilmore Girls e Alias – mas totalmente diferente, também. Um monte de garotas lésbicas (ou bissexuais e tem uma heterossexual, mas vamos generalizar a vida, porque senão são muitos detalhes) e a vida delas. Uma das coisas interessantes é que, no caso das histórias de amor da série, são coisas mais – pelo menos eu acho – aceitáveis e compreensíveis: mesmo em Gilmore Girls, por exemplo, a Rory era, até pouco tempo atrás, a última virgem com mais de 15 anos (e chutando para cima) do mundo, e seu maior problema amoroso era “será que fico com um rapaz lindinho, trabalhador e bonzinho ou com um badboy que me deixa louca de tesão?”, e a Lorelai só conseguia homens perfeitos na vida dela – professores bem-sucedidos, ricos empresários (nunca vi alguma amiga minha com tamanha sorte, e para muitas delas basta chutar uma árvore que caem pretendes às pencas). No The L Word, diferentemente de qualquer série que eu me lembre, as pessoas fazem sexo, se apaixonam, amam, terminam relações, voltam, ficam naquela “sei lá o que está havendo, mas é legal” sem morrerem de culpa, sem a vida toda centralize-se nisso. Eu estou pensando, ainda, na comparação com Gilmore Girls (já que em Alias o papo é outro): a Rory leva trezentos anos para decidir se fica com um cara ou não, e a mãe dela, 250 anos – porque é mais esperta na vida do que a filha (e isso que eu gosto do seriado) -, já em L Word, só para dar um exemplo, a Shane decidiu pedir Carmen em casamento (o que é surpreendente mas não tenho tempo de explicar porque), descobriu que é muito parecida com o pai, e que ele é um galinha, e largou a noiva, literalmente, no altar (um comentário rápido: uma atitude burra dela, já que ela não é o pai dela, por mais que ambos tenham hábitos parecidos – ela só é o pai dela se ela quiser).</p><p>Eu posso estar centrado demais no meu umbigo, mas esse tipo de coisa, esse dinamismo na vida (que não se refere somente a episódios tristes como esse, foi só um exemplo para ilustrar o dinamismo) é muito mais realista do que a vida em Star Hollows.</p><p>Enfim, o site onde você pode encontrar um monte de seriados é <a href="http://orangotag.com/">http://orangotag.com</a>.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Jardinagem e paisagismo alheio</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07i190-jardinagem-e-paisagismo-alheio</guid>
      <pubDate>Fri, 21 Sep 2007 18:29:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>21/09/2007</p><p>Uma coisa <a href="http://nojardimsecreto.blogspot.com/2007/09/era-uma-vez-um-jardim.html">triste</a>, e outra <a href="http://nojardimsecreto.blogspot.com/2007/09/era-uma-vez-um-jardim.html">alegre</a> – mas que não são da minha conta (quem sabe um dia eu aprendo).</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Reclamação, ou lamúrias e mais lamúrias</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07i189-reclamacao-ou-lamurias-e-mais-lamurias</guid>
      <pubDate>Sat, 15 Sep 2007 00:29:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/09/2007</p><p>Você quer escrever uma comunicação para apresentar em um congresso de filosofia. Aí você escolhe dois autores: Gilles Deleuze (em parceria com Felix Guattari) e Monique Wittig. Mas você só encontra <strong>um</strong> texto dela traduzido em português (<a href="http://www.geocities.com/girl_ilga/textos/pensamentohetero.htm"><em>O Pensamento Hetero</em></a>), apenas <strong>um</strong>, nada mais. Sorte a sua que outra autora, Judith Butler, escreveu um texto sobre Monique Wittig. Mas, nesse texto, ela fala também de Simone de Beauvoir e Michel Foucault. Você gosta de Beauvoir e Foucault. Mas quer escrever sobre Wittig.</p><p>Aí vem a luz: o assunto que você queria em Wittig também é o assunto de Judith Butler, e é até um pouco mais interessante, porque de todas estas pessoas citadas, somente Judith está viva ainda. Mas… decepção: somente existe <strong>um</strong> texto de Butler traduzido em português. <strong>Um</strong>. Chamado <em>Variações sobre Sexo e Gênero – Beauvoir, Wittig, Foucault</em>.</p><p>Aí você tem somente um pequeno artigo de Wittig disponível, somente um de Butler, e não tem dinheiro para fazer um curso de inglês. O que você faz?</p><p>Você faz “grrrr” e se vira para explicar na sua comunicação que vai apresentar um texto em que uma parte é sobre um texto de Butler que fala de um texto de Wittig que fala de um livro de Beauvoir – e depois, ainda, vai relacionar isso com um texto de Deleuze e Guatarri.</p><p>“Grrrrrrrrr!!!!!” é o que resta a dizer.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Ultimamente…</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07i188-ultimamente</guid>
      <pubDate>Mon, 03 Sep 2007 13:03:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/09/2007</p><img width="600" alt="" src="/midia/07i188-ultimamente.jpg"/><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/de941-lc3a1girma-juancordero-16.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/7c169-lc3a1girma-juancordero-16.jpg]</a><a href="http://www.foundmyself.com/gallery/displayimage.php?pos=-5418">http://www.foundmyself.com/gallery/displayimage.php?pos=-5418</a>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Dixie Chicks</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07h187-dixie-chicks</guid>
      <pubDate>Thu, 23 Aug 2007 13:19:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/08/2007</p><p>“Dixie Chicks é um trio musical norte-americano composto por Emily Robison, Martie Maguire e Natalie Maines. É um dos grupos femininos de maior sucesso de todos os tempos, tendo vendido um pouco mais de 30 milhões de álbuns em sua terra natal.</p><p>O grupo foi formado em 1989 em Dallas, Texas. Após anos de luta para reconhecimento e mudança nos integrantes, as Dixie Chicks finalmente conseguiram fazer um enorme sucesso nos mercados country e pop no final da década de 1990. As integrantes do grupo se tornaram bastantes conhecidas devido a seus caráteres, suas habilidades vocálicas e instrumentais, seu senso de moda e seus comentários políticos. Até o início 2007, o grupo já ganhou quatorze prêmios Grammy, e se tornou o primeiro artista country a receber mais de duas indicações para o prêmio de melhor álbum do ano (com Fly, Home e Taking The Long Way).</p><p>Em 2003, dez dias antes da invasão norte-americana do Iraque, a vocalista Natalie Maines disse se envergonhar do fato de que o presidente George W. Bush é texano assim como as integrantes do grupo. Tal afirmação causou controvérsia e o grupo foi banido de diversas emissoras de rádio por todo o país. Este momento infame da vida das integrantes do grupo serviu de base para o documentário Dixie Chicks: Shut Up and Sing (2006).</p><p>Em 2007, na cerimônia de entrega dos 49os. prêmios Grammy, as Dixie Chicks ganharam todos os cinco prêmios para os quais estavam indicadas, incluindo os mais prestigidos: melhor canção do ano, melhor gravação do ano e melhor álbum do ano. Elas interpretaram os prêmios como sendo “liberdade de expressão” exercida por parte dos votantes.” (Wikipedia)</p><p>E, ainda por cima, é ótimo de ouvir.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Enquanto eu escrevia o texto abaixo…</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07g186-enquanto-eu-escrevia-o-texto-abaixo</guid>
      <pubDate>Sat, 14 Jul 2007 18:16:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/07/2007</p><p>…duas coisas passaram na televisão. Uma foi a Sacha cantando, outra foi a juíza de futebol que posou para a Playboy.</p><p>Eu escrevi um enorme texto sobre a Sacha, mas de repente tudo tornou-se irrelevante. Só espero que ou a criança cante melhor quando for grandinha, ou que não cresça pensando que é cantora só porque mamãe disse que ela era isso.</p><p>Sobre a juíza de futebol. Acho que é ótimo que apareçam pessoas como ela, que obreigam outras pessoas a externarem todo o machismo que têm. Os dirigentes de futebol por exemplo, que a demitiram porque ela posou pelada para a Playboy. independente da questão de a revista ser ou não tão machista quanto os dirigentes, acho que foi uma violência intrometerm-se na vida dela asism. Até onde eu saiba, não se exige celibato de juízes de futbebol: porque só as juízas devem comportarem-se como freiras? E as torcidas que revoltaram-se contra os erros de arbitragem dela: mas quando você viu campanhas maciças contra outros juízes que também cometeram erros de arbitragem? Ah, é que um juiz errando é um erro de arbitragem, e uma juíza, é uma prova de que mulher não serve para isso. Serve, é claro, para ser gostosa, mas não para outras atividades.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Consuma até morrer</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07g185-consuma-ate-morrer</guid>
      <pubDate>Sat, 14 Jul 2007 17:44:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/07/2007</p><img width="600" alt="" src="/midia/07g185-consuma-ate-morrer.jpg"/><p>Para falar de uma coisa, terei de falar antes de outra – por mais que a outra coisa merecesse que eu falasse dela bem antes, independente da uma coisa.</p><p>Outra coisa: não me lembro procurando o quê no Google, encontrei um texto que também não lembro qual era. Mas esse texto estava em um blog que acabou me interessando muito além do texto que eu encontrei. O blog se chama <a href="http://perdidaenlamancha.blogspot.com/">Perdida en la Mancha</a> e, se você não sabe espanhol, significa “Perdida em La Mancha”, mesmo local onde Dom Quixote vive suas aventuras como cavaleiro. Depois eu coloco nos links, se a preguiça não vencer. Não me lembro de nada especial a dizer do blog, a não ser que a autora tem um texto agradável (em espanhol, coisa que por si só serviria para me agradar, mas o agradável dos textos dela vai além da língua que ela usa), às vezes um humor… – não me vem a palavra, então vai essa mesma – … sutil, e assuntos interessantes. Um blogão – e agora, um momento-modéstia: eu só me interesso por blogs que são foda.</p><p>uma coisa: nesse blog ali de cima, eu encontrei um link para o site <a href="http://www.letra.org/spip/">Consume hasta Morir</a>, que em bom e velho português quer dizer “Consuma até morrer”. Na apresentação do site, eles dizem que “ConsumeHastaMorir é uma reflexão sobre a sociedade de consumo em que vivemos, utilizando um de seus próprios instrumentos, a publicidade, para mostrar até que ponto se pode morrer consumindo”. Eu tenho certas reservas em sair apregoando por aí o horror que é a sociedade de consumo. E, veja bem, eu acho um horror certos aspectos dessa sociedade  de consumo em que vivemos, como a opressão que é você convencer uma menina de 15 anos que ela precisa ser magra até morrer, ou que um cara será fodão se tiver carro, cerveja e grana para pagar mulher, ou outras coisas desse tipo. Mas, por outro lado, eu também consumo, e goto de consumir: isso só se torna um problema para mim porque eu não tenho dinheiro para consumir tudo o que eu quero, e o que consumo, o faço contabilizando até os menores centavos possíveis, pedindo desconto até de um centavo. Quer dizer, se eu tivesse muito dinheiro, consumir não seria um problema para mim. Portanto, eu não sei se esse site está entre os melhores para mim.</p><p>Independente do meu gosto pelo site, encontrei lá uma imagem muito boa. Trata-se de uma contra-propaganda sobre a TV. E essa imagem é o motivo de tooodo esse post.</p><p>O quadro se chama Las Meninas, e quem o pintou foi Velazques. A TV, obviamente, não faz parte do original.</p><p><a href="https://i0.wp.com/www.letra.org/spip/IMG/jpg/meninastv.jpg">[https://www.letra.org/spip/IMG/jpg/meninastv.jpg]</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Poesia Concreta</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07g184-poesia-concreta</guid>
      <pubDate>Tue, 10 Jul 2007 00:55:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/07/2007</p><img width="600" alt="" src="/midia/07g184-poesia-concreta.jpg"/><p>Uma vez tive de fazer um trabalho sobre poesia para uma cadeira da faculdade, e fiz sobre poesia concreta. Apresentei um poema, lembro que era de um cara chamado Pedro Xisto, mas não lembro qual era. Ninguém se interessou muito. Eu achei legal. Por isso, vou colocar algumas dessas poesias aqui.<br/>Não gosto muito de postar imagens, porque muita gente tem conexão discada e é um saco ficar esperando as milhares de imagens carregarem. Mas, foda-se: sinceramente, só eu e o trequinho de indexação do google visitamos esse blog, portanto, ninguém vai ter que esperar meia hora para carregar o blog.</p><p><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/6922f-bavelinoparallelscabe.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/722a4-bavelinoparallelscabe.jpg]</a></p><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/b5bb3-bgastc3a3odebreixummetroemeiodepoesia.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/9790c-bgastc3a3odebreixummetroemeiodepoesia.jpg]</a><p><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/34265-bnanasoares4.gif">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/3eb27-bnanasoares4.gif]</a></p><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/ebae2-bneidediasdesc3a1-poemamc3a3os.gif">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/af46c-bneidediasdesc3a1-poemamc3a3os.gif]</a>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>deusas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07g183-deusas</guid>
      <pubDate>Thu, 05 Jul 2007 18:52:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/07/2007</p><p>Eu procurei, mas não encontrei nem lembrei de nenhuma música da MPB que endeuse as mulheres (daquelas tipo “mulher é um ser divino”, por exemplo), para deixar este post mais chique. Por favor lembre-se, portanto, de alguma música desse tipo, só para não perder o efeito.</p><p>Assim como muitos compositores brasileiros, <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/07/070703_deusanepal.shtml">o Nepal também tem divindades femininas vivas, e uma delas foi “demitida” porque visitou os EUA, o que tornou-a impura</a>. Aí meu cérebro localizou uma idéia encontrada no Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir.</p><p>A idéia: você pode oprimir e prender mulheres por meio da violência, da privação, das leis, enfim, a criatividade é o limite. Um modo muito original de fazer isso é endeusar as mulheres.</p><p>Esta pode parecer uma afirmação muito antipática, mas nem sempre as coisas bonitinhas são as que mais fazem bem.</p><p>Não recordo com muita clareza as palavras do livro – que, aliás, preciso reler ocm urgência – mas a idéia, em termos gerais, é que quando você confere esses atributos divinos a uma pessoa, torna-se fácil controlá-la. Até aqui é o que eu me lembro que ela escreveu.</p><p>A partir daqui, é minha compreensão do texto e meus argumentos. Isso me lembra, primeiro, Freud, de quem eu não gosto muito. Mas uma idéia muito boa de Freud é que uma das piores armas que existem é o elogio. Claro que é uma arma que depende muito da vaidade da “vítima” para que funcione.</p><p>Mas funciona mais ou menos assim: quando você dá o título de divindade a uma pessoa, ela precisa agir segundo esse título. É diferente de quando uma pessoa declara-se, por si mesma, uma divindade: nesse caso, não importa quem reconheça essa divindade, desde que a proópria pessoa reconheça-se uma divindade. Mas quando alguém lhe diz “você é uma divindade”, você será uma divindade para esta pessoa (ou grupo), e dependerá da aceitação e reconhecimento do grupo para prosseguir sendo uma divindade. Pode acontecer, claro, do grupo aceitar qualquer coisa de sua divindade e nunca questioná-la. Sorte da divindade, que será muito mais poderosa, então. Mas, em geral, e no que diz respeito à divindade feminina, ou à divinização do feminino, são homens ou outras mulheres conferindo essa divindade a uma mulher.</p><p>Alguém pode dizer que, pelo menos, que sejam outras mulheres a conferir divindade a uma, a algumas ou a todas as mulheres. Mas a) nem todas as mulheres querem ser divinas, b) nem todas as mulheres reconhecem qualquer divindade, c) a concepção de “divindade” pode variar muito de mulher para mulher, e de grupo de mulheres para grupos de mulheres, e d) nada impede que mulheres oprimam a outras mulheres, seja em seu próprio nome, seja em nome de algum homem.</p><p>E um grande exemplo disso – do que Simone de Beauvoir disse, e do motivo pelo qual eu me recuso a tratar uma mulher como um ser especial, “apartado” do mundo – é o que saiu na notícia do link ali de cima: uma menina, cultuada como deusa no Nepal, agiu contra a vontade dos anciãos do templo deles, e estes retiraram dela a divindade. <a href="http://orquideavioleta.blogspot.com/2007/06/tratar-mulheres-como-mulheres.html">Esse link</a> também serve como um bom exemplo disso.</p><p>Por isso, me irrita, mas fico de mãos atadas quando, por exemplo, chega o dia 8 de março, e tudo o que se vê – pelo menos aqui pelas bandas de onde moro – são flores sendo distribuídas, homenagens à força e à garra feminina das mulheres que trabalham fora, cuidam de pais, filhos, maridos, da casa, etc, e isso é tratado com orgulho.</p><p>Cansei de escrever agora.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>16 Toneladas (Sixteen Tonels)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07g182-16-toneladas-sixteen-tonels</guid>
      <pubDate>Thu, 05 Jul 2007 16:32:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/07/2007</p><p>Eu já tinha ouvido falar, bem por cima, de algum coisa chamada “<a href="http://www.funkcomolegusta.com/">Funk Como Le Gusta</a>“, mas nem dei bola.<br/>Meses se passaram.<br/>Até um belo dia (que, aliás, era uma noite) em que eu estava num lugar meio chato, mas legalzinho, dançando, e toca uma música muito boa – que, na hora em que ouvi, era MUITO BOA!, demais!, a melhor música já produzida no Planeta!, mas depois eu percebi que metade da minha opinião era porque eu estava bebendo e dançando.<br/>Mas fui atrás da tal música (eu decorei um trecho para me lembrar no outro dia e poder procurar), e descobri que ela se chama 16 Toneladas, e é do tal Funk Como Le gusta – que tem outras músicas muito boas (não baixei só a 16 Ton.). Como este blog não tem áudio (o único blog ao sul do Equador sem entrada USB), vai a letra (copiada com carbono) aí embaixo:</p><p>Sente este samba quente<br/>Que é muito legal<br/>É super pra frente<br/>É bem genial</p><p>Embalo como este<br/>Só quem vai curtir<br/>Quem não se machucar<br/>Quando deixar cair</p><p>Por isso vem, vem<br/>Embale na nossa<br/>Este balanço<br/>Tira qualquer um da fossa<br/>Ele é um barato e é da pesada<br/>Esse é o famoso 16  toneladas</p><p>Eu bolei o ano inteiro<br/>Este samba pra frente<br/>É gostoso paca<br/>É um samba decente</p><p>Segure esta conversa<br/>Segure a jogada<br/>Quem não gosta de samba<br/>Não gosta de nada</p><p>E é curtição<br/>No samba empolgado<br/>É o meu timão<br/>Num estádio lotado<br/>Turma da pesada<br/>Que segura a parada<br/>Esse é o famoso 16 toneladas</p><p>Sente este samba quente<br/>Que é muito legal<br/>É super pra frente<br/>É bem genial</p><p>Embalado como este<br/>Só quem vai curtir<br/>Quem não se machucar<br/>Quando deixar cair</p><p>Por isso, vem, vem<br/>Embale na nossa<br/>Este balanço<br/>Tira qualquer um da fossa<br/>Ele é um barato e é da pesada<br/>Esse é o famoso 16 toneladas</p><p>Eu já dei o meu recado<br/>Agora vou me mandar<br/>Vou refrescar a cuca<br/>Pra poder incrementar<br/>A mente está cansada<br/>E só da confusão<br/>Onda de pirado<br/>Deixa a gente na mão</p><p>Por isso vem, vem<br/>Quem vai me encontrar<br/>Agora estou na minha<br/>Pois estou devagar<br/>Já disse o que queria a toda rapaziada<br/>Ai, oh … é o 16 toneladas</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Opinião</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07g181-opiniao</guid>
      <pubDate>Tue, 03 Jul 2007 01:29:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/07/2007</p><p>tendo em vista a pior coisa que se possa dizer do ex-marido que fez isso, ainda assim pior está o casal: uma morta, e a outra viúva, assustada, agredida (por mais que talvez ela nem tenha sido tocada por ele – o que eu duvido – uma pessoa pode ser violentamente agredida mesmo sem o menor contato físico), fragilizada, etc. E sem a pessoa que ela gosta.</p><p>Mas o cara é medíocre. É interessante imaginar o que ele pensa, para ver o quão medíocre ele é.</p><p>A mulher é DELE. A partir de determinado momento, ele declarou a posse sobre ela. Ponto 1.<br/>Ele é um homem. Se uma pessoa é X, significa que ela deve adequar-se a X – sendo homem, portanto, ele deve adequar-se a sua virilidade. Ser homem, para ele, é, antes de mais nada, ter o direito de posse sobre uma mulher – um direito dos homens. Quer dizer, não é que ELE possa ter ela, ele administra, com exclusividade, uma propriedade do gênero dele. Assim, ele representa o XY, digamos, e precisa fazer jus a essa sua masculinidade. “Fazer jus a essa masculinidade” implica, possivelmente, várias coisas, mas com certeza, dentre elas, implica em possuir uma mulher na medida em que isso é um direito masculino. Ponto 2.</p><p>A mulher largou dele. Imagine a frustração dele. Quando lhe roubam alguma coisa, você se volta contra quem o roubou. Mas e quando suas propriedades fogem aos seu domínio – sua mesinha de centro declarando que você não manda nela, por exemplo – contra quem você se volta? Contra as suas propriedades. Se você considera uma pessoa sua propriedade, bem, assim como você tem o direito de quebrar um copo seu e inutilizá-lo, você tem o direito de quebrar o que é seu. Mas ele, provavelmente, passou por algo pior do que a frustração de ter perdido o domínio sobre sua propriedade.</p><p>Sabe-se lá como ele encontrou a mulher dentro de um galpão abandonado. Mas encontrou. E, além de deparar-se com a insubordinação de seu bem mais precioso, ainda por cima tomou as dores de sua classe – afinal de contas, foi uma dupla insubordinação, contra ele próprio, largando-o, e contra o direito masculin de posse sobre as mulheres, ficando com uma mulher. Se fosse uma ofensa apenas contra ele, tlavez ele pudesse relevar, “permitir” que ela fugisse ao domínio dele. Mas tratava-se de desdenhá-lo duas vezes: ele mesmo e sua masculinidade. E a masculinidade não pertence a ele – disseram que ser homem era ter uma mulher, e que ele deve ser Homem. Aí – ofendendo seu bando – ele teve de dar um jeito. Sendo um Homem Bom, ele não descarregou sua raivasobre o seu maior bem – afinal, ela ainda pertence a ele ainda, ele apenas deu-lhe permissão para afastar-se. Ele descarregou sua raiva na corruptora que afastou sua ex-mulher da relação correta – com homens. Uma mulher assim, que subverte a ordem e os princípios fundamentais da sociedade, merece morrer. Não morrer, não que a morte seja o que ele queria. Mas, tendo roubado dele dois bens tão valiosos – a mulher e o respeito ao Homem (“Homem” nos termos dele) – ela precisava pagar com pelo menos uma coisa igualmente valiosa: por acaso foi sua vida.</p><p>Trata-se de uma questão de valores. Valores esses que são toscos, pelo menos par mim. Mas ainda por cima, vem o fascismo: as outras pessoas precisam viver segundo os valores dele – na opinião dele – nem que tenham que ser obrigadas a isso. Aquele casal precisava agir segundo o que ele achava correto.</p><p>A mediocridade do cara, para mim, está nesse sistema de valores, primeiro: ele depende de alguém que seja submisso. Segundo: são valores que passaram para ele, sobre os quais ele não tem o menor senso crítico – ele nunca se perguntou se poderia agir de outra maneira. Terceiro: ele precisa firmar-se como aquilo que ele quer ser (no caso, Homem) mediante o reconhecimento dos outros, e sua vida torna-se insuportável se alguém – como as duas mulheres – não reconhece isso.</p><p>Uma das coisas que eu acho mais terríveis é uma pessoa não conseguir enxergar-se a si mesma. E essa é uma coisa que ele faz bem: dentro da mediocridade dele, ele deve estar orgulhoso de ter agido como um homem quando precisou.</p><p>***</p><p>Claro que eu não posso afirmar o que se passa na cabeça de uma criatura assim. Mas, além do terror que uma notícia dessas me dá (e contra esse terror ninguém luta com tanto afinco como quanto luta contra, por exemplo, os terroristas do Al Quaeda), e ter que admitir que não sei se esses foram mesmo os motivos dele, o que é pior nessa minha opinião aí de cima é que muitas pessoas pensam dessa maneira, e se não esfaqueiam as pessoas, praticam outros tipos de violências em diferentes níveis, muitas vezes sob a proteção de coisas como costumes, etiquetas, tradições e coisas assim.
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Murcia: uma mulher é morta pelo ex-marido de sua namorada</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07g180-murcia-uma-mulher-e-morta-pelo-ex-marido-de-sua-namorada</guid>
      <pubDate>Mon, 02 Jul 2007 20:12:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>02/07/2007</p><p>02/07/2007</p><p>
<p>1 de julio de 2007</p>
<p> Um homem de 58 anos de idade foi detido este domingo em Murcia, após ser acusado de assassinar a uma mulher ontem. A vítima, de 40 anos, era a atual namorada de sua ex-mulher.</p>
<p> O homicídio ocorreu no distrito de Algezares, a uns 5km da cidade de Murcia, Espanha, às 16:00 horas. Segundo um porta-voz da Polícia Nacional, a mulher assassinada mantinha um relacionamento amoroso com a ex-mulher do detido.</p>
<p> As duas mulheres estavam em um galpão abandonado, nas proximidades do centro de saúde de Algezares, quando foram encontradas pelo agressor. Ao deparar-se com a atual namorada de sua ex-mulher, esfaqueou-a no pescoço e a vítima faleceu nesse mesmo local.</p>
<p> O homem fugiu do lugar e sua ex-esposa foi quem alertou a polícia de que aquele havia agredido a vítima no pescoço com uma faca. Graças ao aparto de buscas montado para sua localização, foi detido pouco depois, nas proximidades de Algezares.</p>
<p> O detido confessou os fatos à polícia e está previsto que passe à disposição judicial nas próximas horas. Tanto o agressor, como sua vítima e sua ex-mulher são de nacionalidade espanhola.</p>
<p>Notícia copiada (e na medida do possível traduzida) sem autorização da <a href="http://www.redfeminista.org/index.asp">Red Feminista</a>.</p>
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Homofobia</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07f179-homofobia</guid>
      <pubDate>Thu, 28 Jun 2007 23:46:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/06/2007</p><p>Esse é um curta de dez minutos que assisti no <a href="http://www.portacurtas.com.br/">Porta-Curtas</a>, chamado Homofobia. A atuação é um pouco ruim, me pareceu a princípio, mas eu também não assisti com atenção. Caso você queira ver o curta antes de ler meus comentários, ou sem saber dos meus comentários, eis o link:</p><p><a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=37868229&amp;postID=3122750131566975736#">Assista ao curta</a></p><p>E, agora, meus comentários (coloquei depois do link porque eu comento coisas do filme, e é muito chato alguém entregar partes de um filme antes de assisti-lo):</p><p>Li comentários de pessoas dizendo que é um horror associar homossexualidade e drogas, já que os gays que aparecem no curta cheiram cocaína. Eu também acho um horror essa associação. E também li pessoas criticando o fato de o rapaz ter “se entregado ao seu agressor”. Outro horror com o qual eu concordo. Mas, acho eu, esse filme é apenas uma maneira de apresentar a homofobia: não necessariamente uma pessoa usa drogas e é homossexual: eventualmente sim, eventualmente não; não necessariamente uma pessoa apanha e depois “se entrega” a quem lhe agrediu porque é homossexual: eventualmente sim, eventualmente não. Quer dizer, porque o filme mostrou um gay que cheira e dá para um cara que bateu nele, não significa que o filme queira dizer que todos os gays cheiram, nem que dêem para quem bateu neles – são só possibilidades, e o filme apresentou uma possibilidade. Acho que criticar isso nesse filme é levar a sério demais a história (como pular da cadeira quando um trem vem em direção à câmera, ou fundar uma associação chamada “Salve o E.T. do filme”).</p><p>Os atores são um pouco ruinzinhos, com atuações meio forçadas. A namorada do homofóbico é muito politicamente correta (trabalha em ONG), santa demais, e eu acho que é um pouco forçação de barra, também, mas não chega a ser uma crítica.</p><p>Mas o curta vale a pena pela história, e pela idéia de que homofobia provavelmente é sintoma de recalque, medo de expor a própria homossexualidade.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Compasso</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07e178-compasso</guid>
      <pubDate>Mon, 28 May 2007 18:43:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/05/2007</p><p>É o que pulsa o meu sangue quente<br/>É o que faz meu animal ser gente<br/>É o meu compasso mais civilizado e controlado</p><p>Estou deixando o ar me respirar<br/>Bebendo água pra lubrificar<br/>Mirando a mente em algo producente<br/>Meu alvo é a paz!</p><p>Vou carregar de tudo vida afora<br/>Marcas de amor, de luto e espora<br/>Deixo alegria e dor ao ir embora</p><p>Amo a vida a cada segundo<br/>Pois para viver eu transformei meu mundo<br/>Abro feliz o peito, é meu direito! </p><p>Essa letra é de uma música da Ângela Ro Ro. Me espantei de vê-la no programa do Raul Gil (que, espanto número 2, está na Band), magra que nem um pau. Ela era bonita gordinha. Não ficou mais bonita, mas continuou bonita. Nem sempre acontece isso: uma pessoa pode engordar ou emagrecer e ficar mais ou menos bonita do que era antes, com a mudança. Ela continuou bonita. De uma beleza diferente, eu acho – não uma beleza “magra”, em contraposição a uma beleza “gorda”; mas sim, outra coisa, e uma outra coisa bonita.</p><p>Imagino que a letra dessa música, que deve ser, conforme eu ouço artistas falarem na TV, sua música de trabalho (tipo o hit do CD), faça alguma referência à vida dela. Sou tiete, às vezes, e por isso sinto curiosidade em saber mais, gostaria de ouvir de que aspectos da vida dela ela fala na letra da música; mas não sei, não tenho como saber.</p><p>Adorei a letra da música porque sua letra me toca. A canção, em si, me toca muito. Mas falo da letra, apenas. Sempre imagino essas coisas, esse tipo de letra (no estilo “volta por cima”), referindo-se a pessoas que apanharam na vida, deixaram as drogas fuderem sua vida, foram “underground”, gente maluca que por pouco não morreu, mas chegou até aqui e resolveu encontrar um pouco de paz.</p><p>Mas, para meu (terceiro) espanto, sinto que é uma letra que fala de mim também. Nunca tomei porres de cair habitualmente na rua. Nunca roubei nada. Nunca tive desafetos raivosos, só pessoa cuja cara eu não vou. Nunca vivi em nenhum submundo urbano. As pessoas nos bares não me conhecem, nem lembram de mim, nem me conheceriam se os frequentassem quando eu era mais jovem. Nunca me acabei com drogas ou brigas. Só minto um pouquinho, diria Tim Maia – mas eu não sou o pai do soul brasileiro.<br/>Apesar da minha entediante vida – minha biografia deve dar um parágrafo, dois se eu fizer um poema nela – me identifico com a letra da música. Talvez seja um caso de identificação medíocre, pois minha loucura nunca foi grandiosa.</p><p>De qualquer maneira, muitos “vivas” e “aêêês” a essa volta da Ângela Ro Ro, pelo menos da minha parte.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A arte de prender</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07e177-a-arte-de-prender</guid>
      <pubDate>Sat, 26 May 2007 15:19:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>26/05/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Bom velinho</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07e176-bom-velinho</guid>
      <pubDate>Mon, 14 May 2007 23:21:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/05/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Teoria da Relatividade ou Física Quântica?</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07e175-teoria-da-relatividade-ou-fisica-quantica</guid>
      <pubDate>Sun, 13 May 2007 16:57:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/05/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Foda-se</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07e174-foda-se</guid>
      <pubDate>Fri, 11 May 2007 19:57:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/05/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Cartoon</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07e173-cartoon</guid>
      <pubDate>Thu, 10 May 2007 20:17:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/05/2007</p><img width="600" alt="" src="/midia/imagem.gif"/><p><a href="https://i0.wp.com/www.xusto.com/imagenes/aborto.gif">[https://www.xusto.com/imagenes/aborto.gif]</a>No balão de cima, a personagem diz: “Bush é como o Papa, está contra o aborto.”<br/>No balão abaixo, a outra personagem diz: “Sim, prefere que se tornem adultos e tenham a oportunidade de morrer matando no Iraque.”</p><p>Encontrado <a href="http://colectivofeminista.blogspot.com/2007/04/25-de-abril-continua-ser-sinnimo-de.html">aqui</a>, mas retirado <a href="http://www.xusto.com/imagenes/aborto.gif">daqui</a>.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Imprensa oferece ajuda à ofensiva política do Vaticano</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 10 May 2007 20:07:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/05/2007</p><p>A mídia brasileira, talvez sem perceber,<br/>está ajudando o Vaticano a acionar uma ofensiva sem precedentes. A<br/>discussão sobre o aborto é apenas um pretexto: a visita do papa Bento<br/>XVI foi montada para exibir a ancestral capacidade mobilizadora da<br/>Igreja depois de uma longa letargia ante o avanço das crenças<br/>protestantes e da descrença racionalista. </p><p>O espetáculo da fé iniciado ontem a partir de São Paulo para todo o<br/>país é parte de um espetáculo político, minuciosamente planejado. </p><p>É legítimo: o Vaticano é um Estado, tem interesses ideológicos e<br/>interesses políticos. A mídia é que não deveria ignorá-los. Ou, pelo<br/>menos, não deveria esquecer que as comoventes exibições de devoção<br/>religiosa são a face visível de um projeto de poder que em determinados<br/>momentos deixa de lado a espiritualidade para recorrer a claras ameaças<br/>aos políticos que favorecerem a legalização do aborto. </p><p>Essas coisas escapam à mídia eletrônica que há muito abdicou de<br/>qualquer exercício crítico. O que chama a atenção é que a mídia<br/>impressa, sempre mais comprometida com o debate e a autonomia, parece<br/>seguir na mesma linha. Pelo menos até quarta-feira (9/5).<br/></p><p>Observatório da Imprensa<br/></p><p><br/><br/></p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Para dias frios: Lenha</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 10 May 2007 16:37:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/05/2007</p><p>Eu não sei dizer<br/>o que quer dizer<br/>o que vou dizer<br/>eu amo você<br/>mas não sei o que<br/>isso quer dizer<br/>eu não sei por que<br/>eu teimo em dizer<br/>que amo você<br/>se eu não sei dizer<br/>o que quer dizer<br/>o que vou dizer<br/>se eu digo pare<br/>você não repare<br/>no que possa parecer<br/>se eu digo siga<br/>o que quer que eu diga<br/>você não vai entender<br/>mas se eu digo venha<br/>você traz a lenha<br/>pro meu fogo acender</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Um pouquinho de desgraça</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 10 May 2007 00:39:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/05/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Dê sua cara à tapa pelas mulheres</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 09 May 2007 00:46:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/05/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Divagar divagarinho…</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07e168-divagar-divagarinho</guid>
      <pubDate>Mon, 07 May 2007 19:39:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/05/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Wal-Mart</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 07 May 2007 09:54:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/05/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Paranóia</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 06 May 2007 18:33:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/05/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O inferno são os outros</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 06 May 2007 14:43:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/05/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Diversão barata para gente medíocre</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 02 May 2007 23:54:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>02/05/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Futura</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 01 May 2007 02:44:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/05/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Sem assunto</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 30 Apr 2007 09:51:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>30/04/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Grunf!</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 29 Apr 2007 04:11:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>29/04/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>"Caminhando contra o peso, sem lanche, sem carobidrato, no sol de quase dezembro, eu vou…"</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 29 Apr 2007 03:35:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>29/04/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Entrevista comigo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07d159-entrevista-comigo</guid>
      <pubDate>Wed, 25 Apr 2007 21:57:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/04/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Apenas um comentário sem necessidade</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 19 Apr 2007 18:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/04/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Estapafurdices</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 19 Apr 2007 18:29:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/04/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>No ar puro de bosta, gelado.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 16 Apr 2007 20:45:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>16/04/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Nada</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 15 Apr 2007 08:08:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/04/2007</p><p><strong>Faça o dawnload de<a href="http://www.bernardbelanger.com/computing/NaDa/"> NaDa™</a> : </strong>Não ocupa nada, não instala nada, não funciona nada, nada de nada. Muito útil.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Poema sobre o meu blog</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 15 Apr 2007 06:15:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/04/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Poema sobre mim</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 15 Apr 2007 06:11:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/04/2007</p><blockquote><p><b>Timidez      </b><br/><br/>Basta-me um pequeno gesto,<br/>feito de longe e de leve,<br/>para que venhas comigo<br/>e eu para sempre te leve…<br/>– mas só esse eu não farei.<br/><br/>Uma palavra caída<br/>das montanhas dos instantes<br/>desmancha todos os mares<br/>e une as terras distantes…<br/>– palavras que não direi.<br/><br/>Para que tu me adivinhes,<br/>entre os ventos taciturnos,<br/>apago meus pensamentos,<br/>ponhos vestidos noturnos,<br/>– que amargamente inventei.<br/><br/>E, enquanto não me descobres,<br/>os mundos vão nevegando<br/>nos ares certos do tempo<br/>até não se sabe quando…<br/>– e um dia me acabarei.<br/><br/>Cecília Meireles<br/></p></blockquote><p><br/></p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>passado</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07d152-passado</guid>
      <pubDate>Sat, 14 Apr 2007 11:58:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/04/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Gostar de alguém</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07d151-gostar-de-alguem</guid>
      <pubDate>Sat, 14 Apr 2007 11:43:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/04/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Flores in the head</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07d150-flores-in-the-head</guid>
      <pubDate>Fri, 13 Apr 2007 00:21:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/04/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Amor, ou Condição necessária e condição suficiente</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07d149-amor-ou-condicao-necessaria-e-condicao-suficiente</guid>
      <pubDate>Thu, 12 Apr 2007 22:46:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/04/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Xena</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 12 Apr 2007 19:06:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/04/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Título</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 09 Apr 2007 19:59:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/04/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Enlatados</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07d146-enlatados</guid>
      <pubDate>Mon, 09 Apr 2007 19:09:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/04/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>mensalmente</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 08 Apr 2007 18:20:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>08/04/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Certas coisas que merecem links</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 08 Apr 2007 00:17:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>08/04/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>selfirélpi</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 07 Apr 2007 23:49:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/04/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Fios</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 06 Apr 2007 19:34:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/04/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Ecletismo S.A.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07d141-ecletismo-s-a</guid>
      <pubDate>Thu, 05 Apr 2007 02:04:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/04/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Pequena notícia</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 03 Apr 2007 23:27:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/04/2007</p><p><br/>Seria mais seguro visitar um presídio…<br/><br/><br/><br/><br/><br/></p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>feminismo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 01 Apr 2007 05:35:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/04/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Filmes doces</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07c138-filmes-doces</guid>
      <pubDate>Sat, 31 Mar 2007 20:59:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>31/03/2007</p><p><br/>E, claro, existe uma certa empatia de gênero. Eu fico pensando em<br/>amigas minhas que, andando num grupo de pessoas onde a maioria são<br/>homens (duas mulheres e três homens, por exemplo), acabam tendo<br/>atitudes que geralmente não tem, mas que naquele momento são fruto<br/>dessa empatia – quer dizer, conheço meninas que detestam coisas<br/>“fofas”, mas saem correndo para ver Hello Kitties porque a outra menina<br/>teve um ataque de fofura ao ver bonecos da Hello Kittie na vitrine.<br/>Isso somente vira uma coisa medíocre, na minha opinião, quando se tenta<br/>transferir esse tipo de empatia para coisas como literatura ou outras<br/>artes. Frida Kahlo tem mais temas femininos do que Magritte, mas a<br/>pintura dela não é mais “feminina”, ou a de Magritte mais “masculina”.<br/></p><p><br/>Enfim, trata-se de um certo tipo de ambiente feminino que eu gosto. E<br/>não falo de decoração bem-feita, casa arrumada ou capas de caderno<br/>cor-de-rosa.<br/></p><p><br/>Mas tudo isso para dizer que o filme Coisas que você pode dizer só de<br/>olhar para ela é o tipo de filme que eu gosto. Não é um filme femino.<br/>Nem masculino. Foi escrito por um homem (não sei o nome, mas o cara é<br/>filho do Gabriel García Marquez). Um filme encantador. O filme gira em<br/>torno do amor, para variar. Não que eu não goste, mas sinto falta de<br/>filmes onde a protagonista é uma mulher (ou o pretenso “universo<br/>feminino”) e o tema do filme é algo diferente do amor, como Xena ou<br/>Gilmore Girls.<br/></p><p><br/>Mas Coisas que você pode dizer só de olhar para ela é encantador. Gosto<br/>de filmes com capítulos (tipo Kill Bill), e filmes assim, múltiplos.<br/>Porque o filme não fala de uma mulher, mas apresenta muitas mulheres em<br/>muitas situações diferentes.<br/></p><p><br/>Só que não são as situações em si, e sim as coisas emocionais do filme quie são legais.<br/></p><p><br/>Gosto desses filmes com silêncios, meio paradões. Em uma das cenas, uma<br/>personagem pergunta a um colega se os outros homens do banco têm<br/>fantasias sexuais com ela. Eles ficam se olhando em silêncio até que<br/>ele responda, e dá tempo de perceber claramente a perplexidade do<br/>colega dela. Ou, em outra, a cartomante fica meia hora falando dos<br/>passarinhos, e os passarinhos passam a fazer parte do filme.<br/></p><p><br/>Enfim, o filme é ótimo.<br/><br/></p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Quem sou eu</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 30 Mar 2007 23:05:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>30/03/2007</p><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Mãe, ninguém me entende….</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 29 Mar 2007 01:09:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>29/03/2007</p><a href="/blank"></a><p>Powered by ScribeFire.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>transgressão e linguagem</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07c135-transgressao-e-linguagem</guid>
      <pubDate>Thu, 22 Mar 2007 23:43:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>22/03/2007</p><p>Minha opinião pode ser um pouco agressiva, mas eu não vejo nenhum tipo de “revolução” ou “revolta” na literatura atual.<br/>Além de agressiva, minha opinião pode muito bem ser desinformada, porque eu não compro um décimo do que é mais acessível, e leio menos do que isso, de toda a literatura que é lançada.</p><p>Mas, alguém escreve um livro com meia dúzia de descrições picantes, e é um livro “revoltado”. Outra pessoa vai e critica Cuba, ou os EUA, ou algum país da Europa, ou qualquer coisa assim, e é um livro “corajoso”. Mais alguém lança um livro no estilo Harry Potter, como O Código Da Vinci ou qualquer coisa do Paulo Coelho, e é “uauuu!!”. Adoro Harry Potter, mas também adoro fumar e Harry Potter está para literatura como cigarro está para saúde.</p><p>Literatura transgressora é outra coisa. E nem precisa ser transgressora. Precisa ser corajosa de verdade. Claro, eu compreendo que uma pessoa que queira escrever um livro queira ganhar dinheiro com esse livro. Nesse sentido, Dan Brown, Paulo Coelho, J. K. Rowling são perfeitos. Vivem de escrever. Eu também queria. Mas é porcaria.</p><p>Literatura corajosa é literatura que transgride – oh, que novidade – o mercado.</p><p>Em geral, aliás, a maior transgressão possível é contra o mercado e, falando com sinceridade, detesto o mercado, mas quero muito ganhar dinheiro. Me apresente outra possibilidade que eu vou correndo ver se dá certo. Mas só renuncio ao meu salário, à exploração econômica a que me submeto, quando ver que a outra possibilidade dá mesmo certo, e não “pode dar”, “dará”, ou “tem tudo para dar certo”.<br/>Eu acho muita graça dos punks, malvadões anti-capitalistas, que usam roupas de couro cravejadas de metais que eu, parte da massa alienada que sou, não compro com o meu salário. Me prove que não são os pais dos punks que pagam a roupa deles, que eu chamo esse pessoal de punk. É fácil ser anti-capitalista quando se tem o capital dos outros por trás.</p><p>Uma transgressão literária é fazer um livro fora do padrão. E isso eu raramente encontro. Tudo bem, é uma questão de gosto. Mas a maioria dos livros que leio são detestáveis. Quase sempre as mesmas histórias, repetições atualizadas de Shakespeare, da literatura francesa, Cervantes, e outras coisas menos cotadas. Claro, são coisas bem-feitas: Harry Potter não é uma cópia de somente um romance, nem reproduz somente um estilo. Dan Brown não é simplesmente uma Agatha Christie atualizada. Mas é tudo mais do mesmo.</p><p>E, tudo bem, já li muita porcaria que me pareceu legal. Basta citar Harry Potter.</p><p>Mas só me irrita que as pessoas vendam transgressão onde não tem nem cheiro de pólvora. Ou pensem que transgressão é pornozão barato. Nada contra nem a favor de pornozão barato, mas não me diga que descrições “quentes” são transgressões. Masturbação é mais transgressora do que isso.</p><p>***<br/>Nada a ver com o assunto, mas é que eu estou assistindo Jornal Nacional enquanto escrevo: pobre papa… Chamam-no de nazista, conservador, tosco, velho rabugento idiota, enquanto ele é apenas um incompreendido, como qualquer adolescente que se tranca no quarto para ouvir Sepultura ou Metallica para expressar sua perplexidade diante deste mundo mau e feio. O pobre alemão fala, o povo entende mal e, coitado, as pessoas ficam fazendo cara feia para ele. Primeiro foi quando ele falou mal dos muçulmanos: ninguém entendeu que ele apenas citava alguém que falava mal dos irmãos no monoteísmo, e também ninguém subentendeu o óbvio, que deveria-se compreender suas palavras como se fossem acompanhadas da legenda “a opinião dos autores citados não reflete necessariamente as opiniões desse pobre Servo de Deus”. Agora, ficam dizendo por aí que ele chamou casais que se casam novamente de “praga”. Erro de tradução, claro. A palavra que ele utilizou em latim pode ter o sentido de “praga”, mas seu uso mais comum é no sentido de “ferida aberta”.<br/>Gente de má vontade para com o Sucessor de Pedro, como eu, diria que a) uma “ferida aberta”, se não é uma praga, no mínimo é algo nocivo que deve ser curado e b) como sempre, tudo é um problema de linguagem. Se mandarem você se fuder, por exemplo, não cometa o erro de linguagem de pensar que é uma ofensa: essa pessoa está apenas recomendando que você se ame mais, acaricie-se mais, e se foda mesmo, já que fuder é uma coisa boa e ninguém melhor do que você para se dar esse prazer. A próxima citação do papa deveria ser “Cito Chaves do Oito: ‘Foi sem querer querendo, eu só quis dizer…”</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Hipóteses.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 21 Mar 2007 23:15:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>21/03/2007</p><p>Vamos supor que eu tenha entendido Deleuze. Deleuze, para quem não sabe, é um autor francês.</p><p>Não vamos supor que eu tenha entendido TODA sua obra. Só uns pedaços. E trata-se de uma suposição.</p><p>Se eu tivesse compreendido, eu diria que, segundo ele, filosofia é criação de conceitos.</p><p>E, como Tíbio e Perônio, eu diria mais. Diria que é uma criação de conceitos segundo as necessidades do tempo e do espaço onde está inserida a criação desses conceitos.</p><p>Por isso conceitos estão sempre em movimento, em devir. Devir-mulher, devir-criança, devir-homem, devir-amor, devir-vida. Coisas assim. Devir-coisa.</p><p>“Mulher”, por exemplo, não é o mesmo que era quando minha avó nasceu. Ela tem uns oitenta anos. Não se trata de um saudosista “é mesmo…” nem de um progressista “é mesmo!!”. Se trata de que “mulher”, ou as pessoas a quem correspondiam esse conceito, não podiam – muita coisa, como – usar calças. “Mulher” e “calças” eram dois conceitos separados um do outro. “Mulher de calças” ou era piada ou não era mulher. Ou não eram calças.</p><p>Para que “mulher” e “calças” pudessem andar juntas, algumas dessas pessoas a quem correspondia o conceito “mulher” tiveram de sair de seu território, o território das saias, e vestir calças, sem ser piada, e sem deixar de ser calças. A questão é: como não deixaram de serem “mulheres”?</p><p>Mudaram as calças? Aquelas pessoas mudaram? Calças, independente da cor e do formato e do tecido, seguem aquele princípio básico de duas pernas até as canelas unidas pela parte que cobre a pélvis e a bunda, culminando na cintura. E não consta que úteros, vaginas, seios, ossos, pele ou qualquer coisa assim tenha desaparecido daqueles corpos, e nem que nada diferente tenha brotado neles. Mudou a “mulher”, quer dizer, o conceito “mulher”.</p><p>Mudado o conceito (“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”, mas não só aí), o feminismo pôde queimar sutiãs, e fazer a baderna que fez – e que deveria fazer ainda, pelo menos mais do que faz, na minha superficial opinião.</p><p>Mas um conceito muda de cá prá lá, de grupo para grupo, de pessoa para pessoa (Martha Medeiros escreveu um artigo em que dizia que, pedindo-se para um homem descrever “mulherão”, ouviria-se algo sobre os peitões, o bundão, a cinturinha, etc, e, pedindo-se para uma mulher descrever um mulherão, ouviria-se coisas sobre trabalhar fora e dentro de casa, criar os filhos, cuidar do corpo, subir escadarias de salto alto, essas coisas – por exemplo).</p><p>Por isso, trata-se de, em filosofia, criar conceitos, que sejam funcionais a algo – o conceito de “mulher” de uma católica radical é bem diferente do conceito de “mulher” de uma lésbica apaixonada, embora ambos incluam certas coisas em comum, por exemplo.</p><p>Mas eu não entendi Deleuze, portanto, ainda não posso dizer nada disso.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Fácil, extremamente fácil…</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 19 Mar 2007 22:49:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/03/2007</p><p>Eu gostaria de saber porque é tão fácil de eu me apaixonar. É simples como um olhar, ou como ver a lua. Deve haver algum motivo… Basta bater uma brisa leve e pronto: me apaixonei. De novo.</p><p>Deve ser o tal eterno retorno. Fora as citações sobre o assunto, o único lugar onde me lembro de ter lido esse conceito de Nietzsche foi no livro Assim Falou Zaratustra. A idéia geral – pelo que eu lembre – é de uma pessoa que sai de debaixo de um arco, dá uma volta no mundo e chega no mesmo lugar pelo outro lado. Não sei o que significa o eterno retorno, mas um bom exemplo sou eu me apaixonando.</p><p>Adoro me apaixonar. Adoro olhar nos olhos de alguém e sentir ali alguma coisa como a primavera, ou como a água de um rio ou do mar. Mas esse é só um lado do tal portal. Tenho medo que o outro lado seja como era das outras vezes.</p><p>Eu não peço à chuva que preste atenção se o povo lá de cima vive na solidão. Peço que me diga se o povo lá de cima também vive na corda bamba de sombrinha, sem saber se fica contente ou triste por se encantar de novo com o olhar de uma pessoa.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Grandes pseudo-questões</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 18 Mar 2007 08:59:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/03/2007</p><p>O que fazer quando…</p><p>… as rodinhas de dança misteriosamente se desfazem quando você chega?<br/>… você quer continuar dançando mas seus pés doem?<br/>… você tem certeza de que a menina que você achou mais interessante na festa não vai dar a menor bola para você por motivos orgânicos?<br/>… só tem cerveja e você quer um pouquinho de água (ou coca-cola, nescau, ou qualquer coisa assim)?<br/>… só tocam músicas chatas e você está com vontade de dançar?</p><p>Claro que existem problemas maiores no mundo, mas isso não minimiza esses problemas de segunda.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Citações. Ou como queiras.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 15 Mar 2007 23:05:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/03/2007</p><p>Nunca na minha vida tive muita paciência para ler Shakespeare. Lembro que uma vez peguei um livro nas mãos, não entendi nada (um nome em negrito, um traço, um parágrafo, outro nome, traçõ, parágrafo) e larguei de volta na estante.</p><p>Agora tenho. E gostei.</p><p>“Alguns nascem grandes, outros alcançam a grandeza, e outros ainda são atingidos por uma grandeza que lhes é jpgada nos ombros” é um trecho de Noite de Reis (ou como queiras); mas “Soubesse eu que ele era valente, e ainda ardiloso na esgrima, tratava de lhe rogar uma praga em vez de chamá-lo para um duelo” é um trecho de que eu gosto mais porque é muito mais engraçado.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Coisas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 15 Mar 2007 20:42:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>15/03/2007</p><p>Volto atrás. Assumo que eu sou assim. Inconstante. Ou fraquejante. Ou capaz de voltar atrás. Virtudes ou falhas de caráter? Não sou pessoa virtuosa, nem acho que existam caráteres falhos e outros mais completos. Minhas prisões são outras – por isso, minhas liberdades também.</p><p>Mas não volto atrás em tudo, somente no fim de blog. Em outras coisas também, mas não vale a pena citar tudo. Ainda sustento que palavras são coisas inúteis, e que as pessoas somente estão interessadas em fuder com as outras no pior sentido que se possa dar para “fuder”.</p><p>Acontece que palavras são coisas inúteis para as outras pessoas. Ou, pelo menos, para certas outras pessoas. Para mim, não são inúteis. Já não sou mais tão criança a ponto de dar às palavras valor de verdade, mas também não vou dar inutilidade à palavra. É, ou talvez seja, uma questão de gosto.</p><p>As pessoas somente estão interessadas em fuder com as outras no pior sentido. Bom, eu não. Vou partir da minha perspectiva. Tosca, fracassada, mas é onde estou, e não onde me colocaram.</p><p>E, convenhamos, é mais provável que seja o caso de eu ter conhecido as pessoas erradas. Nem todas as pessoas que conheço são assim (poucas, mas valem por todo o resto e ainda sobra troco).</p><p>E o problema não é parar (com o blog) em si. O problema é parar por causa dos outros. Eu não posso esquecer: se eu não me controlar, outra pessoa o fará. Não é a cachorrice alheia que vai me fazer parar o blog, o sorriso, a vida ou o que quer que seja. Confiei, apostei e perdi? Eu sou as minhas moedas, e recolho da mesa o que sobrou de mim. Nem sempre sobra muito, mas sempre resta minha mão para me puxar, ou meu pé para me afastar, ou minha cabeça para pensar, ou meu olho para ver por onde eu posso sair. Só apanhei porque vivi, e não quero ficar resmungando de novo porque me passaram a perna.</p><p>Eu não me encolho diante de um golpe. Se não há mais solução, deixo cortar um pedaço de mim, e invento mil outras partes em outros lugares. Ou me regenero mais forte ainda. Ou qualquer outra coisa, menos me amarrar em uma pedra para evitar ceder à tentação de viver. Tudo o que se faz tem consequências, e eu não fiz curso de contabilidade para fazer muitos cálculos. Vou me fuder muito ainda, provavelmente (não que eu queira), mas não quero me esconder por trás das outras pessoas.</p><p>Enfim, ando só, pois só eu sei, prá onde ir e por onde andei.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Fim.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 06 Mar 2007 20:42:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/03/2007</p><p>Fim de blog.<br/>Palavras são coisas inúteis, as pessoas estão mais interessadas em fuder com as outras (fuder no pior sentido da palavra)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Algumas coisas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 05 Mar 2007 18:51:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/03/2007</p><p>Quero colo. Vou fugir de casa. Posso dormir aqui, com vocês?<br/>Estou com medo, tive um pesadelo.<br/>Help…</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Sem idéias de título para este post</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 05 Mar 2007 01:11:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/03/2007</p><p>Eu gosto de uma coisa em mim (além de algumas outras, claro): eu esqueço. Não é um esquecimento generalizado, guardo muitas coisas, muita porcaria, até, mas outras eu esqueço. Eu não faço a menor idéia do que eu escrevi aí embaixo, porque não lembro mais. Por isso, posso estar me repetindo. Mas vá lá.</p><p>Esperei, você disse que vinha. Desci, me afastei da música e fiquei na calçada. Eram cinco da manhã. Às seis fecharam as portas do lugar onde estávamos. Pensei que talvez você estivesse entre os retardatários. Os donos do lugar saíram e fecharam as portas. Será que lhe esqueceram no banheiro? Esperei. Talvez você tivesse saído sem que eu percebesse – mas voltaria, eu tinha certeza. Afinal, nós combinamos. Lá pelas sete e meia o céu já estava claro. E resolvi desistir.</p><p>Algum tempo depois, tive de ouvir de você coisas que nem parentes meus falariam a mim – e eu não tenho lá muito respeito dos meus parentes.</p><p>Tempos depois, estávamos indo, como sempre fizemos, até a sua casa. No meio do caminho, você me perguntou onde eu estava indo. Eu respondi. E você me perguntou “mas quem foi que te pediu isso? Você está indo porque quer.” Eu disse tchau e fui embora.</p><p>Há pouco tempo, no supermercado, eu esperei você descer. Muitas sacolas prendendo a minha circulação. Mas acendi um cigarro. Encontrei conhecidos. Acendi outro cigarro. Todas as pessoas que já estavam ali na frente quando eu cheguei já tinham ido embora, e algumas que chegaram depois já tinham ido. Fui embora.</p><p>Você me disse várias vezes “não se apegue”. Ouvi você. Só penso que “apegar-se” é diferente de “respeitar”. Se eu não conhecesse você, tudo bem. Mas conheço, e sei que você respeita as pessoas. Porque eu não mereço respeito? Não sei. E já não me interessa mais. Aí você aparecesse na minha casa e me pergunta se eu fiquei de cara por você não ter aparecido no outro dia, no mercado. Eu digo que sim. E assim ficamos.</p><p>Eu só gostaria de um pouco de respeito. De consideração. Claro que não posso exigir.</p><p>Eu não sei bem o que quero dizer, o que sinto. Conheço pessoas para quem eu não valho nada, e existem pessoas que não valem nada para mim. Nos ignoramos, ou nos tratamos apenas educadamente se não nos ignoramos. Mas nunca nenhuma dessas pessoas quis conviver comigo.</p><p>Não me importo de não valer nada para alguma pessoa – mesmo que eu goste dela. Tenho mais o que fazer. E justamente por ter mais o que fazer que eu me sinto – como em todos os meus finais – mais trouxa do que ontem e menos trouxa do que amanhã.</p><p>Só posso lhe agradecer por tudo. Valeu.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Ópera e coisas dramáticas afins</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 04 Mar 2007 19:24:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>04/03/2007</p><p>Divergência. O que sou e o que sinto. Divergência. Meu corpo e o que sinto. Divergência.<br/>Isso implica em que eu não seja uma pessoa bem-resolvida. Porque possuo uma divergência interna. Basicamente entre meus sentimentos e todo o resto de coisas minhas. Eu estou em duas instâncias diferentes. Isso é a base do platonismo.</p><p>Meus sentimentos deveriam surgir de mim. A partir do meu corpo, do meu ambiente, e das minhas necessidades, os meus sentimentos deveriam concordar com tudo isso.</p><p>Mas discordam. Meu corpo, principalmente, me insere automaticamente em determinados grupos, também permite que se pressuponha determinado horizonte de atitudes, idéias, e posições que eu assuma. Minha primeira revolta, portanto, é contra meu corpo. Mas essa revolta é o tipo de revolta mais nociva de uma pessoa. Lutar contra o próprio corpo.</p><p>“Existem coisas das quais não se pode fugir. Ninguém escapa. Ninguém. Cada vida tem o seu tango – e cada tango, tem o seu preço”: esse é um trecho de uma música de um grupo de humor, mas o fato de ter sido escrita por humoristas não faz desse trecho uma piada. Não se escapa do corpo e das convenções sociais sobre ele, e nem das expectativas sociais sobre ele. Meu corpo me pertence (ao menos em tese), mas não posso impedir que ele seja uma barreira intransponível para o resto do mundo. Nem mesmo eu consigo superar essa barreira…</p><p>Eu li Sartre pela primeira vez aos 14 anos. “Li” é modo de dizer, mas me inteirei dos assuntos e das opiniões dele. “As pessoas estão condenadas à liberdade”, não possuímos regras de como viver, do que é certo, errado, justo, injusto, bom, mau, nada. Simplesmente isso. Estamos aí, e vamos levando. Isso foi, na época, libertador. Quando você tem 14 anos e tudo parece conspirar contra você, isso é libertador. Ao menos para mim foi. Hoje isso é uma coisa cinza. A liberdade, para mim, pesa. Por teimosia, ainda defendo-a. Mas ela não tem mais o brilho e a festa que tinha nos meus 14 anos. Cabeça-dura que sou, eu deveria me convencer de que o mundo é assim mesmo e eu tenho mais é que me preocupar não com a liberdade de quem quer que seja, mas com a minha. Vamos ver quanto tempo ainda dura minha teimosia.</p><p>De Sartre para Simone de Beauvoir foi um pulo. “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher”. Dito em outras palavras, escritas com uma faca na mesa em um filme, “não há destino”. Isso é muito alegre, até é mais libertador do que o que li de Sartre. Simone de Beauvoir falava do segundo sexo, mas, querendo ou não, falava de tudo: ninguém nasce nem o que é, nem o que não é, nem nasce querendo ser o que quer ser, nem nada. Não nascemos como uma tábula rasa, mas nada na formação psíquica de uma pessoa obriga-a a ser assim ou assado. Quer dizer: uma criança rejeitada ao nascer vai ter uma configuração psíquica bem diferente da de uma criança desejada, mas nem uma condição nem outra obriga a qualquer coisa.</p><p>O que, afinal de contas, eu quero dizer, é: SIM, você é o que você quer. E NÃO, você o que lhe permitem que seja. Ou seja: você é o que você quer dentro de um limite pré-estabelecido socialmente.</p><p>Meu problema: eu não me encaixo nos limites. Simples assim. eu poderia até permanecer dentro dos limites e ser uma coisa extravagante, estranha. O extravagante e o estranho estão dentro dos limites. Mas eu ultrapasso até estes limites.</p><p>Isso cansa dia a dia. Somado a cretinice diária das pessoas, e às pessoas conscientemente ou não nocivas que encontro, fode tudo.</p><p>E eu descobri tarde demais que McGyver era só um filme, no final das contas.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Quase-criatividade</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 03 Mar 2007 23:16:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/03/2007</p><p>Eu ia escrever um texto, na minha opinião muito legal, mas achei um texto da Vange Leonel que diz tudo o que eu iria dizer no meu, e diz mais coisas ainda. Minha idéia era tão boa que outras pessoas já a tiveram, e a tiveram melhor ainda…<br/>Roubei <a href="http://mixbrasil.uol.com.br/cio2000/grrrls/ameaca.shl">daqui</a></p><blockquote>
O                    Clitóris Ameaçado<br/>                  Cientistas                    acham que o clitóris tende a desaparecer nas mulheres.                    Vange Leonel formula, numa brincadeira quase séria, uma                    pequena teoria para a evolução do clitóris.<br/>                   por                                        Vange Leonel<br/> <br/><i style="font-family:georgia"> </i>
<p>nota                      da autora: <i>esta minha teoria não tem nenhuma                      pretensão acadêmica apesar dos dados e informações                      apresentados serem todos extraídos de estudos científicos                      sérios, através de fontes primárias e                      secundárias. Trata-se mais de um pensamento inspirado                      lançado à rede para estimular as mentes críticas                      de nossas leitoras…</i></p>
<p><br/>                   Mas                      por quê, afinal de contas nós mulheres possuímos                      um clitóris? A primeira explicação vem                      rápida e ligeira: ora, para nos dar prazer! Só                      que essa justificativa não é suficiente para                      os Darwinistas de plantão. Para esse tipo de estudioso                      há apenas duas explicações possíveis                      para qualquer característica física em um ser                      vivo: ou o traço em questão favorece o sucesso                      reprodutivo e competitivo daquela espécie ou então                      é mero resquício de algo que no passado teve                      alguma função evolutiva e hoje não tem                      mais.</p>
<p>Nesse                      caso, patas mais velozes, caninos mais afiados e um pênis                      que fique duro para melhor penetrar a vagina de uma fêmea                      são, todos, traços e características                      favorecidos pela seleção natural, pois incrementaram                      o sucesso de muitos mamíferos, só para citar                      um exemplo. Porém, quando se trata de discutir o clitóris,                      a comunidade científica se divide: há aqueles                      que acham que o clitóris pode ter sido favorecido pela                      seleção natural e há os que acham que                      esse nosso grande pequeno órgão é apenas                      um vestígio de algo que um dia foi útil. </p>
<p>É                      claro que todos concordam que o clitóris é fonte                      do prazer feminino. Mas é que, em termos puramente                      ultra-Darwinianos, a mulher não precisa, tecnicamente,                      ter orgasmo para passar seus genes adiante. Todo mundo sabe                      que uma mulher estuprada e violentada pode engravidar sem                      ter qualquer prazer na relação – o mesmo, não                      acontece com os homens. Nesse sentido, o prazer masculino                      tem uma explicação evolutiva clara enquanto                      o orgasmo feminino e o clitóris permanecem um enigma,                      sob o ponto de vista dos Darwinianos e da seleção                      natural.</p>
<p>As                      Macacas</p>
<p>Observando                      nossas parentes geneticamente mais próximas, as macacas                      Bonobo, vários cientistas tentam descobrir pistas sobre                      quem fomos e como éramos logo que surgimos como espécie.                      A primatologista Sarrah Blaffer-Hrdy sugeriu, numa nota de                      rodapé de seu livro “The Woman That Never Evolved”,                      que os relacionamentos lésbicos entre as Bonobos poderiam                      ser uma maneira de reforçar os laços sociais                      femininos dentro de um grupo. Favorecidas pelos seus clitóris                      proeminentes as Bonobos, famosas por sua híper-sexualidade,                      têm uma facilidade enorme de travar contatos sexuais                      com suas parceiras. Nestes encontros as macacas estimulam                      os seus clitóris – que estão localizados na                      parte da frente do corpo, como em nós, humanas – preferindo                      a posição face-a-face nestas relações                      “lésbicas” (quando copulam com machos a posição                      de praxe é de quatro e de costas). Desta maneira, o                      clitóris teria um função primordial no                      contato de uma fêmea com outra (relação                      frontal e estímulo direto dos clitóris), sendo                      menos importante no contato de uma fêmea com um macho.                      </p>
<p>Assim,                      constatamos que o clitóris têm uma função                      clara quando se trata de sexo “lésbico” entre                      as primatas. Mas qual a vantagem reprodutiva que uma relação                      estéril entre macacas pode trazer? Ora, levando-se                      em conta que todas as Bonobos são basicamente bissexuais                      e, portanto, procriam, Blaffer-Hrdy chegou à conclusão                      que uma macaca, ao ampliar a sua rede de alianças com                      outras fêmeas (através do sexo lésbico),                      diminuía o risco de ter a sua prole ameaçada                      por ataques de outros indivíduos do grupo. Além                      de virem em sua defesa na ocasião de um ataque, essas                      fêmeas-namoradas não atacariam a prole de sua                      amiguinha, o que é muito vantajoso pois os macacos,                      em geral, costumam atacar os filhos daquelas que não                      são suas parentes próximas e com as quais não                      se relacionam afetiva/sexualmente. Desta maneira, o sexo lésbico                      (e o sexo promíscuo com outros machos) favoreceria                      o sucesso reprodutivo das macacas, incrementando as chances                      de sua prole crescer forte e saudável sem ameaças                      vindas do próprio grupo. Com a vantajosa alternância                      de sexo lésbico e heterossexual por parte das macacas                      – e agora a dedução é só minha                      – a seleção natural pode ter favorecido o clitóris                      das fêmeas.</p>
<p>Nós,                      demasiadamente humanas</p>
<p>Bem,                      se esta pode ser uma explicação cabível                      da função do clitóris para o sucesso                      evolutivo das fêmeas primatas, será que podemos                      inferir o mesmo para nós humanas? Um detalhe parece                      ser significativo quando nos comparamos com as macacas Bonobo:                      elas têm o clitóris muito maior. O que aconteceu                      então com os nossos clitóris desde que nos separamos                      evolutivamente do ramo das Bonobo? Será que nossos                      órgãos diminuíram com o tempo? Pode ser.                      </p>
<p>Talvez                      tudo tenha começado quando nós, hominídeos,                      lá na pré-história, deixamos de ser uma                      sociedade de caça e coleta, como os macacos, e passamos                      a dominar a agricultura. Deixamos de ser nômades e passamos                      a ter um pedaço de terra para plantar – e daí,                      para a instituição da propriedade privada, foi                      um passo! Com o advento da propriedade surge a monogamia,                      pois a propriedade têm que permanecer dentro dos domínios                      da família – adeus promiscuidade! Graças a enorme                      diferença de tamanho entre machos e fêmeas hominídeos                      (que favoreceu a dominação masculina pela força)                      a noção de propriedade se estende também                      às mulheres: os homens passam a possuir suas esposas                      e pais negociam propriedades por filhas.</p>
<p>Mas                      o que isso tem a ver com nossos clitóris diminutos?                      Simples: com a instituição da propriedade seguiu-se                      a alienação das fêmeas da espécie                      humana. O patriarcado enclausurou as mulheres e as separou                      do contato mútuo extra-familiar. Se é verdade                      que o clitóris evoluiu como uma maneira de reforçar                      alianças femininas através do sexo lésbico,                      a impossibilidade física de as mulheres realizarem                      tais encontros fez com que, darwinianamente falando, diminuísse                      a pressão seletiva sobre o clitóris da mulher.                      Desta maneira, depois de 8 mil anos de civilização                      patriarcal, nossos clitóris são bem menores                      que os de nossas irmãs Bonobos – e nossas alianças                      femininas, bem mais fracas! </p>
<p>O                      caso é que, mesmo que nosso clitóris não                      seja um resquício vestigial e que sua explicação                      evolutiva seja próxima da citada acima, a previsão                      catastrófica é que, com o tempo, nossos clitóris                      tendem a desaparecer. Por isso, só nos resta lançar                      um grito de alerta para as mulheres de todo o planeta: SALVEM                      O CLITÓRIS! FAÇAM MAIS SEXO LÉSBICO!</p>
</blockquote>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Epigrama no.8 (Cecília Meireles)</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 02 Mar 2007 23:21:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>02/03/2007</p><p>Como sabia bem tudo isso, e dei-me<br/>ao teu destino frágil,<br/>fiquei sem poder chorar quando caí.
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Coisas sem título</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07b123-coisas-sem-titulo</guid>
      <pubDate>Tue, 27 Feb 2007 13:42:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/02/2007</p><p>Eu sobrevivo. Tem uma música que tem uma letra assim, mas eu não entendo inglês. Mas estou cantando ela, assim mesmo.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Agora sim…</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07b122-agora-sim</guid>
      <pubDate>Mon, 26 Feb 2007 22:02:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>26/02/2007</p><p>…acho que ficaram as cores que eu queria.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Romance no deserto.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 26 Feb 2007 20:55:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>26/02/2007</p><p>(No meu caso, é menos romance e mais deserto,<br/></p><p>mas eu adoro essa música)</p><p>Eu tenho a boca que arde como o sol<br/>O rosto e a cabeça quente<br/>Com Madalena vou-me embora<br/>Agora ninguém vai pegar a gente</p><p>Dei minha viola num pedaço de pão<br/>Num esconderijo e uma aguardente<br/>Mas um dia eu arranjo outra viola<br/>E na viagem vou cantar pra Madalena</p><p>Não chora não querida que este deserto finda<br/>Tudo aconteceu e eu nem me lembro<br/>Me abraça minha vida, me leva em teu cavalo<br/>Que logo no paraíso chegaremos</p><p>Vejo cidades, fantasmas e ruínas<br/>A noite escuto o seu lamento<br/>São pesadelos e aves de rapina<br/>No sol vermelho do meu pensamento</p><p>Será que eu dei um tiro no cara da cantina<br/>Será que eu mesmo acertei seu peito<br/>Vem, vamos voando minha Madalena<br/>O que passou, passou, não tem mais jeito</p><p>Naquela sombra vou armar a minha rede<br/>E olhar os solitários viajantes<br/>Beber, cantar e matar a minha sede<br/>Lá longe onde tudo é verdejante</p><p>Não chore não querida que este deserto finda<br/>Tudo aconteceu e eu nem me lembro<br/>Me abraça minha vida, me leva em teu cavalo<br/>Que logo no paraíso estaremos</p><p>O padre vai rezar uma prece tão antiga<br/>Domingo na capela da fazenda<br/>Brinco de ouro e botas coloridas<br/>Nós dois aprisionados nesta lenda</p><p>Ouço um trovão e penso que é um tiro<br/>A noite escura me condena<br/>Não sei se vivo, morro ou deliro<br/>Depressa pegue a arma, Madalena</p><p>Tem uma luz por traz daquela serra<br/>Mira, mas não erra minha pequena<br/>A noite é longa e é tanta terra<br/>Poderemos estar mortos noutra cena</p><p>Não chora não querida que este deserto finda<br/>Tudo aconteceu e eu nem me lembro<br/>Me abraça minha vida, me leva em teu cavalo<br/>Que logo no paraíso dançaremos </p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Punhal de prata</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07b120-punhal-de-prata</guid>
      <pubDate>Mon, 26 Feb 2007 19:51:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>26/02/2007</p><p>Geralmente, escrevo por ter vontade, quase necessidade de escrever. Claro que a escrita possui muitas vantagens, como seu efeito terapêutico, o exercício da escrita, o exercício da articulação das idéias… Mas todas estas vantagens são secundárias comparadas à vontade que sinto de escrever. Se escrever não trouxesse vantagens, ou, mesmo, trouxesse desvantagens, eu seria uma pessoa doente, se acabando por causa da escrita, como qualquer dependente químico.</p><p>Assuntos surgem: alguns eu considero importantes, se não escrevesse sobre eles, falaria, faria música, desenharia, qualquer coisa; outros são apenas ocasiões para se escrever; e existem aqueles que não precisariam ser escritos, mas escrevo na falta de outros assuntos. Certas coisas, porém, eu não gostaria de escrever. Simplesmente porque nõ gostaria de ter acesso a essas coisas. Quer dizer, por mais inútil que seja um assunto, se eu escrevo sobre ele é porque tenho acesso a ele. Você somente escreve sobre algo que, de alguma maneira, aconteceu com você. O tipo de experiência que você teve pouco importa para a escrita. Talvez importe para a sua credibilidade, ou para a maneira como você escreva. Mas não para a escrita – se não fosse assim, não teríamos A Terra das Mulheres ou Admirável Mundo Novo.</p><p>Bom, quero apenas dizer que desta vez não sei se escrevo devido a minha necessidade de escrever, se tendo em vista os fins terapêuticos da escrita, ou se escrevo apenas porque, no momento, é o que me resta. Ainda por cima tenho que escrever sem citar nomes de pessoas ou de instituições, nem de cidades, nem de nada, porque esse blog é para ser anônimo (se bem que as pessoas envolvidas naquilo que já escrevi aqui, se lerem, dificilmente não saberão quem eu sou, mas, enfim, não sirvo muito para viver em esconderijos – se bem que este aqui está durando).</p><p>A questão é que trabalho com funcionários públicos. Ganho mal e trabalho muito, embora eu ganhe mais e trabalhe menos do que alguém que exerça a mesma função em uma empresa privada.<br/>No funcionalismo público você encontra gente de todos os tipos: desde gente muito boa até gente muito ruim. Mas mesmo as pessoas ruins são, não sei como dizer, aproveitáveis: conheci gente desgraçada, mas de quem eu pude aprender alguma coisa. E tem as pessoas doentes. Gente invejosa.<br/>Se uma pessoa me disser que sente inveja da Gisele Bündchen, ou do Bill Gates, por exemplo, eu acharia idiota, mas compreensível: se o seu sonho é o dinheiro do Bill Gates, ou, em caso de maior ambição, a beleze e o dinheiro como o que tem a Gisele, terá inveja. Não atenua a paspalhice d inveja, mas compreende-se. Agora, ter inveja de gente ralé como você, ter inveja de um colega que ganha praticamente o mesmo, é sinal de que você é uma pessoa muito podre e medíocre. Mais podre do que medíocre, se é que é possível. Pessoas assim são frieiras, cheiram como carne podre mas ainda viva, pois carne podre e morta, mais cedo ou mais tarde, pára de cheirar mal; se o mau cheiro vem da sujeira, basta lavar. Mas uma carne podre ainda viva, cheira mal enquanto o sangue correr por aquela podridão toda, e não há como lavar, o cheiro, a podridão é inerente àquela carne.<br/>Uma das pessoas que trabalham comigo é assim. A outra é quase, mas sabe aquele tipo de vilão do qual você tem pena, afinal de contas? Como o cangaceiro do Auto da Compadecida: gente desgraçada por força das circunstâncias.</p><p>Mas não é dessas pessoas que quero falar. É de gente limpinha, bonita, simpática, que nunca lhe prejudicou, e o que está fazendo, você sabe que está fazendo honestamente com o coração na mão.</p><p>O que mais me incomoda são várias pessoas sorrindo para você, sendo simpáticas, amáveis, fazendo você até pensar “puxa, estou sendo agradável”.<br/>Eu às vezes acho muito pesada a minha lucidez. Mas não a troco pela ilusão de pensar que sou agradável quando não sou. Prefiro que uma pessoa aponte o dedo para mim e diga que não gosta de mim do que… enfim.<br/>Não gosto que as pessoas armem para cima de mim pelas minhas costas. Prefiro que me chutem diretamente. Não gosto de armadilhas. Não gosto de, de repente, ver levantarem a cortina e dizerem “tchãrãããn!!”. Não gosto de surpresas premeditadas pelas outras pessoas. Evito a paranóia, e não gosto quando a estimulam.<br/>Sinto que talvez essa seja a única maneira de me estimular a ser filha-da-puta. E eu odeio filhadaputice – ainda mais quando me obrigam a agir assim.</p><p>Acho que estou escrevendo demais sobre nada.</p><p>Mas eu só queria deixar registrado que, cada vez mais, minha tendência a não confiar nas pessoas, em ninguém, ou talvez somente um pouco em pouquíssimas pessoas, cada vez mais essa tendência se reforça. Cada vez mais eu sinto que eu devo evitar ao máximo ter uma relação de proximidade, ou de convivência, com quem quer que seja, porque quanto mais você conhece uma pessoa, mais você descobre algo nocivo. Cada vez mais me convencem que essa conversa de ter uma relação saudável com os outros é papo-furado, e você deve ser como o príncipe de Maquiavel: dissimular ternura, e disseminar seu poder sobre as pessoas, dominá-las, para que ninguém venha lhe derrubar. Cada vez mais eu percebo que ficar no meu canto não basta, e que eu preciso realmente começar a atacar, viver em estado de guerra permanente, não baixar a guarda nunca. Já vivi assim e é difícil, cansativo e muito solitário. As pessoas não têm a obrigação de serem legais só porque eu acho que as pessoas têm de ser legais. Mas eu também não tenho a obrigação de esperar sempre que me ataquem, e cada dia mais eu vejo que eu é quem devo começar a atacar antes que me façam qualquer coisa, como se qualquer pessoa na rua fosse minha arqui-inimiga.<br/>Me parece, cada dia mais, que a frase “o homem é lobo do homem” não é uma triste constatação, mas um aviso, um dos melhores avisos que alguém pode ouvir.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Lamentações e muxoxos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07b119-lamentacoes-e-muxoxos</guid>
      <pubDate>Sun, 25 Feb 2007 19:59:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/02/2007</p><p>Eu gostaria de não ser uma pessoa essencialmente ridícula. Não patética. Ridícula.<br/>Não gostaria que o meu corpo tivesse um formato mais engraçado do que qualquer outra coisa. Aliás, eu gostaria de ter um corpo que me permitisse vestir qualquer coisa sem ficar com cara de piada. Não que eu ficasse bem vestino qualquer coisa. Mas que eu não precisasse escolher minhas roupas com a meticulosidade de quem escolhe uma casa a cada vez que vai sair.</p><p>Eu gostaria que as pessoas respeitassem “dor de cabeça”, “mau-humor sem motivo”, “vontade de não falar nada” quando fosse comigo, da mesma maneira que eu respeito quando é com os outros. Tudo bem que a minha natureza não me serve como desculpa para ações incompreensíveis, mas me colocar em um grupo de pessoas e não me respeitar simplesmente porque querem que eu faça parte desse grupo – e assim me tratarem como se eu fizesse – é um tormento diário.</p><p>Eu gostaria de saber porque quando eu ando na rua homens me olham com um interesse que, dependendo do meu humor, oscila entre o repugnante e o intrigante para mim. E gostaria de saber porque que quem eu quero que me olhe não me veja, ou me olhe como se eu fosse um pequeno espetáculo grotesco e curioso. Acho que também gostaria de ser menos um pequeno espetáculo grotesco e curioso – mas eu também me acho assim muitas vezes.</p><p>Eu gostaria de me tornar imperceptível, caso não haja saída. Se algum dia isso acontecesse, tudo bem, mas não desejo ser uma pessoa radiante e bela que desperta um olhar agradável de todas as pessoas na rua. Gostaria apenas que, se for para me perceberem de uma maneira que me cause repugnância ou vergonha, então que não percebam que estou ali. Se eu for em um supermercado, espero que a caixa me perceba; se eu fizer “ei, psiu!”, espero que me percebam, também. Mas falo de quando se está andando na rua, e você sente os olhares das pessoas sobre você. Preferia que eles simplesmente não se dirigissem a mim se forem para ser como são. E gostaria de ter dinheiro para comprar roupas menos esmaecidas e acinzentadas. Acho que vou começar a me vestir somente de preto e branco.</p><p>Eu gostaria de não ser uma pessoa com um humor tão oscilante. Às vezes saio na rua com uma segurança incrível, e em outros dias, saio como se fosse um gato, com medo, sem jeito, como se tivesse aprendido a andar ontem. Gostaria de ter essa constância de humor que vejo nas outras pessoas, que, por mais que sejam algumas delas pessoas com as quais eu absolutamente não concorde, admiro essa capacidade de serem ordinariamente previsíveis – quer dizer, sei lá que reações teriam em situações inusitadas, mas no dia a dia, mantêm sempre um comportamento medianamente igual ao de sempre.</p><p>Eu gostaria de não questionar tanto tudo. Eu questiono e, como ainda não cheguei a nenhuma resposta, não tenho certeza de nada. Isso faz com que eu sempre esteja em cima de uma corda bamba, pois não consigo acreditar no hábito. Isso às vezes é difícil.</p><p>Acho até que às vezes eu gostaria de ser uma pesoa um pouco mais conservadora, um pouco mais tradicional, que eu tivesse um pouco mais de respeito pelas leis, pela tradição, pelas coisas respeitáveis que todo mundo respeita. Deve ser confortador para uma pessoa ajoelhar-se em uma igreja e ter a certeza de que alguém a conforta, ou pensar na Ciência e acreditar nela. Isso deve ajudar as pessoas a dormirem melhor de noite e serem mais produtivas.</p><p>Eu sei que nem mesmo eu confio em mim. Mas a verdade é que é um pouco ao contrário: eu desconfio tanto de tudo que nem em mim eu confio. Eu sei que as coisas não são estáveis, mas, por um lado, eu vejo tantas coisas estáveis à minha volta, e, por outro, vejo pessoas que têm algum tipo de estabilidade na vida: militares, padres, esposas, filhos, pais, essas coisas assim. Eu não consigo acreditar na estabilidade, estou sempre esperando o momento em que tudo acabará e recomeçará. Gosto de recomeçar sempre e sempre, mas hoje em dia minhas costas dóem, meus dentes dóem, minha cabeça dói, fumar só me dá falta de ar, beber só me causa dor de barriga e um gosto ruim na boca no outro dia, filmes são a maioria previsíveis (eu não sei o que farei quando terminar de ver todos os filmes antigos clássicos que ainda não vi), livros são raros os que valem a pena comprar (Lado B – Histórias de Mulheres é uma excessão e eu não posso passar o resto da vida comprando os livros dessa autora), e nem pizza mais é tão gostosa como era. Tudo muda, tudo passa… mas – e eu até gosto disso – mas eu às vezes canso um pouco e não consigo, sei lá, descansar.</p><p>Eu sei também que é o maior clichê-chavão-lugarcomum ficar escrevendo “eu gostaria que…” e “eu só gostaria de um pouco de paz”. Mas acho que os clichês, no fim das contas, não são clichês por acaso.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Y dale alegria, alegria a mi corazon</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 24 Feb 2007 13:14:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>24/02/2007</p><p>Te amo. Sempre que se ama, se espera que seja recíproco. Que o amor cause amor, como uma reação em cadeia. Amor que cause amor.<br/>Mas o amor não funciona segundo as convenções que criamos para as coisas que conseguimos colocar sob o domínio das convenções. A paixão não tem sentido, e isso não quer dizer que amar seja uma coisa porra-louca, maluca, chapada. Quer dizer, simplesmente, que o amor nunca é convencional.<br/>Uma das atividades mais desnecessárias do mundo é querer descobrir as causas da homossexualidade. As causas da homossexualidade são as mesmas causas da heterossexualidade, e as causas de ambas as coisas são a paixão. E a paixão não está no domínio das convenções.<br/>A paixão, o amor, são coisas que estão na ordem do desejo, do gosto, do querer, do sentir. E desejo, gosto, sentimento, paixão, querer, amor, nunca são coisas convencionáveis.<br/>Acho mesmo uma violência que algum cientista queira explicar porque uma pessoa ame outra. “Qual é a diferença entre uma pessoa homossexual e outra heterossexual?” “Qual é o gene que causa a homossexualidade?” As razões do amor não seguem as convenções. As convenções estão em um domínio, e a paixão em outro. Explicar uma coisa é torná-la convencional, e toda explicação que explique o amor já estão, por definição, errada.</p><p>Por isso é tão magnífico que duas pessoas se amem. Uma pessoa ama outra. A outra ama uma. Mas o amor de outra pela uma não acontece porque uma ama outra. E nem o amor de uma pela outra acontece porque outra ama uma. Essa é simplesmente a coincidência mais feliz do mundo.</p><p>Por isso que eu te amo mesmo sabendo que isso só pode me machucar. Porque o amor não tem explicação. Azar da minha parte que eu acabei te amando. Não é azar que eu ame, e sim que seja você quem eu amo. A paixão não tem a obrigação de deixar ninguém feliz. Quando duas pessoas se amam, ficam felizes e viva o amor. Quando somente uma pessoa ama, azar de quem ama e viva o amor.</p><p>Você não tem obrigação de me amar porque eu te amo. Nem a obrigação de merecer minha confiança. Quem deveria ter ouvido a própria intuição era eu. Erro meu, portanto. Não posso nem dizer que estou sofrendo, porque ninguém fez nada para mim. Eu não ouvi minha intuição. Só me resta desistir de todas as coisas, ou viver assim, sabendo que isso de amar, por mais que seja magnífico, não é para mim. Não por sua causa, mas você foi apenas mais uma evidência disto.</p><p>Existem pessoas que são amadas, e existem pessoas que não são amadas. Paciência. A mim ninguém me ama, e nem toda a piedade do mundo poderá resolver isso, o que é mais um motivo para que eu rejeite qualquer piedade. Aliás, esta é a única reclamação que eu poderia fazer de você: sua piedade. Se você foi capaz de trair minha confiança, foi porque não se tratava – como achei que fosse – de amizade, e sim de pena. Piedade é o sentimento mais falso e egoísta que existe, e disso você sabe muito bem. E não foi a traição da minha confiança que lhe tornou uma pessoa insuportável para mim. Foi a sua piedade.</p><p>Não posso dizer que não te amo mais, sei o quanto ainda vou sofrer por isso. Mas sei que você tem piedade por mim, e é isso que me manterá distante de você, por mais que isso doa – prefiro essa dor do que sua piedade, do que qualquer piedade, aliás.</p><p>Da minha parte,</p><p>Y dale alegria, alegria a mi corazon<br/>           Es lo unico que te pido al menos hoy.<br/>           Y dale alegria, alegria a mi corazon<br/>           Y que se enciendan las luces de este amor.</p><p>           Y ya veras<br/>           Como se transforma el aire del lugar,<br/>           Y ya veras que no necesitaré nada mas.</p><p>           Y dale alegria, alegria a mi corazon<br/>           Que ayer no tuve un buen dia, por favor.<br/>           Y dale alegria, alegria a mi corazon<br/>           Que si me das alegria estoy mejor.</p><p>           Y ya veras<br/>           Las sombras que aqui estuvieron no estaran<br/>           Y ya veras que no necesitaré nada mas.</p><p>           Y dale alegria, alegria a mi corazon<br/>           Es lo unico que te pido al menos hoy.<br/>           Y dale alegria, alegria a mi corazon<br/>           Afuera se iran la pena y el dolor.</p><p>           Y ya veras<br/>           Las sombras que aqui estuvieron no estaran<br/>           Y ya veras que no necesitaré nada mas.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Fuga das galinhas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 23 Feb 2007 22:25:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/02/2007</p><p>É um comentário totalmente fora de contexto (como quando eu estava falando com um amigo meu sobre o gosto que temos pelos trailers dos filmes, e eu disse que eu deixo tocar os trailers como se fosse uma fita VHS – agora vem o comentário fora de contexto – e quando o DVD tranca, eu até digo “ih, rasgou a fita!!”…), mas é que enquanto eu estou vegetando na frente do computador, estou assistindo o noticiário da globo: é impressão minha ou as simulações que a globo faz são com bonecos de massinha??<br/>Por outro lado, o que não é programa de ficção na globo? Acho que antes de todos os programas (inclusive os noticiários) deveriam colocar aquela frase: “qualquer semelhança com fatos ou pessoas reais é mera coincidência”.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Música do dia</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 23 Feb 2007 21:27:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/02/2007</p><p>Je ne t’aime plus<br/>Mon amour<br/>Je ne t’aime plus<br/>Tous les jours</p><p>Segundo o Babel Fish, a tradução é:</p><p>Eu não te amo mais<br/>Meu amor<br/>Eu não te amo mais<br/>Todos os dias</p><p>Acho muito bom, ótimo, lindo, é o meu sonho dizer “eu te amo”.<br/>Mas às vezes é libertador poder dizer “eu não te amo” sem bater na madeira.</p><p>Bom, je me t’aime – em português: eu não te amo. Só para ficar claro. Sei lá, vai que se perde alguma coisa na tradução.<br/></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Os mitos e sua influência no mundo moderno</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07b115-os-mitos-e-sua-influencia-no-mundo-moderno</guid>
      <pubDate>Fri, 23 Feb 2007 20:46:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/02/2007</p><p>Este título é de <a href="http://orquideavioleta.blogspot.com/2007/01/os-mitos-e-suas-influncias-no-mundo.html">um texto muito mais relevante e interessante</a> (outras qualidades do texto que tem, originalmente, este título: foi feito por uma causa melhor – passar no vestibular; o assunto deste texto é muito mais pertinente ao mundo em que vivemos, quero dizer, vou falar também de um assunto pertinente ao mundo em que vivemos, mas o texto de onde roubei o título fala de um problema maior do que o meu; além do mais, falando em estilo, o texto que teve seu título roubado por mim tem um estilo muito melhor do que o que escreverei). Roubei-o porque também vou falar de mitos. De uma maneira mais tosca, é verdade. Como eu não posso copiar o texto e dizer que é meu, nem teria graça copiá-lo aqui, roubo o título, fazendo ao mesmo tempo uma homenagem ao texto original e fazendo referência a um texto melhor do que o meu, na esperança de que, de maneira meio subliminar, as pessoas achem meu texto legal, no mínimo, por ter um título legal que não é porque foi roubado que perde seu valor. Claro que, se eu não tivesse roubado o título, eu não teria que gastar tanto fôlego apenas para me explicar. Mas, tudo bem, eu gosto de escrever.</p><p>Em 13 de abril de 2029, um asteróide vai passar de raspão pela Terra, na mesma altura em que ficam os satélites, só para ter uma idéia do quão perto o asteróide vai ficar.<br/>No site do jornal El País, de onde eu tirei essa informação, colocaram um vídeo junto com a reportagem. O vídeo, pouco criativo, mescla cenas de Armagedom e falas de físicos explicando como será o futuro (não todo o futuro, só o do asteróide).<br/>No vídeo, o físico deixa bem claro que não precisamos nos preocupar, existe uma chance entre 50.000 de que o asteróide bata na Terra e, se der a zebra, ainda assim a União Européia tem um plano para nos salvar.<br/>Mas não foi o asteróide, a União Européia, nem o que o físico falou para acalmar o restante dos terráqueos. Foi como ele falou.</p><p>Sabe como você falaria com sua mãe se tivesse se acidentado de carro e, depois de sair do hospital, fosse contar para ela? “Oi mãe, assim, não te assusta, está tudo bem, mas eu me acidentei de carro, mas já me medicaram e eu estou ok.”<br/>Não sei se isso está claro. Você fala com toda a calma, para não alarmar, não assustar o coração da sua pobre mãe, fala com jeito, com calma, sorrindo, como se não fosse nada, até sorri enquanto fala, parece até que está falando da novela ou contando um causo sem importância.<br/>Bom, não sei se deu para entender o que eu disse, mas era dessa maneira que o físico dizia “mas existe somente uma chance em 50.000 de que o asteróide nos acerte, e temos um plano para evitar que isso aconteça, caso corramos esse risco”.<br/>Porque ele falou desse jeito? Porque a população pode se alarmar, pessoas podem se matar, seitas tomarão veneno para encontrar o senhor antes do juízo final, as lojas serão saqueadas, o caos tomará conta do mundo e não haverá mais nada para o asteróide destruir já que a população já terá toda morrido devido ao pânico que se formou.<br/>Mas, com exceção do filme Armagedom e outros do gênero, e da imaginação dos físicos, alguma vez já se viu acontecer isso?<br/>A mesma coisa sobre o suicídio. Não se divulga notícias sobre suicídio porque as pessoas tem medo que algum maluco se anime a se matar, já que leu no jornal que o vizinho fez isso.<br/>Claro, ao que me conste, ninguém se mata porque o vizinho se matou. Mas quem se preocupa com isso? Ninguém parou para pensar que, se for assim, homicídios não deveriam ser noticiados porque alguém pode ficar com vontade de matar os outros porque viu o comando vermelho dando tiros no Rio de Janeiro? Não se poderia falar de países árabes na TV, pois se correria o risco de que todo mundo quisesse virar muçulmano.<br/>Claro que, eu também acho, dependendo de como se notícia um suicídio, é bem capaz mesmo de aparecer uma carta de despedida dizendo que a criatura se matou porque leu no jornal. Mas é só falar com jeito.<br/>Tenho uma professora (não tenho mais aulas com ela, nem a vi nunca mais, mas ainda a considero minha professora porque até hoje ainda aprendo com ela) que dizia que vocÊ pode falar qualquer coisa, para qualquer pessoa, em qualquer momento, basta você falar da maneira certa.<br/>Quer dizer, são mitos: o mito de que o mundo entrará em pânico se disserem que tem um asteróide vindo em direção À terra, e o mito de que as pessoas se matam porque leram no jornal.</p><p>Não é nada, talvez seja implicância minha. Mas se continuarem tratando as pessoas, o populacho, o povão como criança, continuaremos tendo uma população com o mesmo nível mental das crianças do prezinho.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Rockxixe</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 23 Feb 2007 16:48:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/02/2007</p><p>Uma análise um pouco mais criteriosa e apenas um pouco menos passional dos fatos (se você, como eu, não tem a menor paciência de ouvir chororô de gente descornada e outros afins, visite meus links, que são muito interessantes, e não perca seu tempo lendo este post).</p><p>Eu sei quando uma pessoa, mesmo convivendo comigo, pode ser nociva. Não que essa pessoa seja o fel em si (eu não sei bem o que é fel, mas boa coisa não deve ser), mas o que não faz mal a uma pessoa pode até ser fatal para outra (um exemplo disso é aquele meninnho do filme Meu Primeiro Amor, que morreu de picada de abelha) (aliás, fizeram uma continuação desse filme – um contrasenso chamado Meu Primeiro Amor 2 – muito ruim, que parece com os novos mutantes, os quais podem muito bem ser novos, mas não têm nada de Os Mutantes).</p><p>Mesmo sabendo que uma pessoa pode ser nociva… O problema é que eu fiz exatamente aquilo que eu critico nas outras pessoas: achei que poderia mudar alguém. Não que eu pense que uma pessoa pode mudar outra. Mas pensei que eu pudesse mostrar que existem coisas legais em não se viver uma vida de verme – não que a vida que eu leve seja gloriosa, esplendorosa, e que eu não tenha meus dramas, meus traumas e meus contrasensos absurdos, mas não levo uma vida de verme.</p><p>Falando bem por cima e superficialmente, viver uma vida de verme é fazer da condição de parasita um modo de vida. Não que seja possível não ser nunca parasita: você sempre parasita aquilo do que você gosta. Parasitar, neste caso, não é algo degradante. É só mais uma dentre tantas maneiras pelas quais se estabelece uma relação com uma pessoa ou com outra coisa – e nunca se tem apenas uma relação com uma pessoa. Mas fazer do parasitismo um modo de vida é depender dessa condição de parasita, é ser parasita quase full time.</p><p>E tudo bem que uma pessoa queira ser parasita. É um modo de vida. Mas muitas pessoas se fodem querendo parasitar, acabam sendo nocivas a si mesmas. E certas pessoas acabam vivendo dessa maneira.</p><p>Não que eu tenha sido a pessoa parasitada – eu teria que ser muito interessante para que isso acontecesse. Mas praticamente tudo é passível de ser parasitado: um marido rico, uma esposa submissa, os pais de alguém, e também é possível parasitar o próprio passado, por exemplo.</p><p>***</p><p>Eu detesto pessoas humildes – quero dizer, pessoas que compreendem “humildade” como “pedir desculpas por existir”. Por isso, espero não parecer humilde. Mas sou uma pessoa muito tolerante com a cavalice e a grosseria alheia. Já levei as patadas mais fortes, já passei por grosserias muito além do simples ouvir desaforos. E às vezes preferi continuar a amizade com quem me sentou as patas ou fez alguma grosseria para mim, por diversos motivos. Mas uma patada, ou uma grosseria, depende menos do seu conteúdo, da grosseria em si, do que do contexto e da situação – e da pessoa –  de onde veio.<br/>Por isso, dessa vez, vou me ofender com isso.</p><p>Não importa que se perca um relacionamento muitas vezes legal e interessante. Não importa que eu tenha medo que uma pessoa se foda de vez na vida (o que eu realmente espero que não aconteça – existem muitas maneiras de não se ferrar na vida e espero que a criatura descubra-as), não importa que eu possa estar jogando fora uma convivência legal, não importa o que eu tenha descoberto nessa pessoa e em mais ninguém – e nem o meu medo de não encontrar mais isso; não importa.</p><p>Não importa e nem desimporta nada. Não me sinto melhor nem pior fzendo isso. Eu nem deveria estar escrevendo tudo isso.</p><p>Só que, desta vez, não ficou tudo bem.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Mudança de planos</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07b113-mudanca-de-planos</guid>
      <pubDate>Fri, 23 Feb 2007 00:01:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>23/02/2007</p><p>Eu ia falar do Poderoso Chefão, que eu assisti hoje à tarde. Ia dizer alguma coisa sobre a diferença entre este filme (a parte 1, pelo menos) e Os intocáveis, que O Poderoso Chefão é um filme sobre relacionamentos, relações de poder, as diferentes configurações que as relações assumem, sobre lealdade, enfim, um filme rico, enquanto que Os intocáveis é apenas um filme sobre como devemos cumprir a lei, quer dizer, um filme que heroiciza o a)homem b)cumpridor da lei, e se torna em um convite a idolatrar a lei. O Poderoso Chefão também é machista, mas não é construído em torno da masculinidade. Já falei demais sobre isso.</p><p>Vou falar de um assunto uma última vez, eu espero.</p><p>É muito fácil me fazer de idiota. Acho que nem quem me faz de idiota percebe o quanto é fácil o que faz. As pessoas que me fazem de idiota devem pensar “não, tu tá se fazendo de idiota”, ou “te peguei num péssim dia, né?”. Mas, não. Ordinariamente eu sou idiota, dia-a-dia é fácil me pegar.</p><p>Se eu for acompanhar você até sua casa, como faço todos os dias, por exemplo, e hoje você se vira e me pergunta “onde tu vai?” e eu respondo “vou contigo até a tua casa”, e ouço de você “mas eu não te pedi nada”, eu só posso dizer, então “ah, bom, que bobice da minha parte. Tchau.”</p><p>Eu não sei se eu vou conseguir expressar claramente o que eu quero: se fosse desprezo, você teria dito antes – meses antes – de alguma maneira que tem o mais absoluto desprezo pela minha companhia. E desprezo é uma das poucas coisas que, por mais que eu já tenha passado por isso, ainda consegue me machucar. Outros tapas eu quase nem sinto.</p><p>Uma pessoa que me faça isso, está obviamente simulando desprezo. E faz isso porque alguma coisa lhe incomoda. Se é em mim que algo incomoda, doente é você que andou comigo ese tempo todo. Se não é doença, é falta de companhia melhor: mas se você precisa andar comigo pensando que poderia estar com gente mais legal, você é uma pessoa muito medíocre – não porque anda comigo, mas porque se obriga a andar com quem não queria.</p><p>Se você estava de mal com a vida e resolveu descontar em mim, somente prova que não merece a confiança que comecei a lhe dar, e se transforma, para mim, em qualquer pessoa. Em uma pessoa qualquer. Entre você e uma lagartixa, a princípio fico com a lagartixa, que pelo menos come mosquitos e mosquitos me irritam. Pode ser que, caso você e uma lagartixa sejam atropeladas, eu prefira levar você ao hospital – mas por mera solidariedade humana, coisa que qualquer pessoa tem da minha parte sem esforço, ao contrário da lagartixa que é relevante para mim. Eu tenho uma dificuldade incrível, exorbitante para confiar em alguém, e uma facilidade levíssima em decidir que me enganei.</p><p>Suponhamos que fosse mesmo desprezo autêntico por mim: maior será sua mediocridade, que anda com pessoas que acha desprezíveis. “Ah, mas eu fui na sua casa, comi sua comida, assisti filmes na sua casa, você me deu presentes de natal: eu te usei e agora estou te jogando fora!” Nesste caso: a) você podia ter me usado melhor, tenho vergonha de ter sido um objeto nas mãos de alguém com uma visão tão curta, b) eu não preciso usar as pessoas para conseguir coisas que o governo me daria, me exigindo apenas o preenchimento de um cadastro. c) se me usar é prova de superioridade sua (quer dizer, se você me usou apenas para se sentir superior), não serei eu quem lhe informarei que somente pessoas inferiores têm necessidade de provar superioridade, e que eu, que nunca fui superior a ninguém, me torno superior a você – não que eu aumente meu status, mas você é quem se rebaixa.</p><p>Agora, você conseguiu mesmo me fazer de idiota – o que não requer esforço algum.</p><p>E foi com isso justamente que eu vi, maravilhoso, eu aprendi que sou mais forte que você.</p><p>O que eu quero dizer é: não é pela sua atitude que lhe acho medíocre. Outras pessoas que fizessem isso comigo me machucariam, mas não você, e você deveria ter percebido isso. Lhe acho medíocre porque somente as pessoas medíocres precisam pisar nos outros, e somente pessoas medíocres não percebem que suas patas não machucam ninguém.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Dor de dente</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 21 Feb 2007 23:26:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>21/02/2007</p><p>Nestas horas eu lembro de uma música muito popular quando eu era (ainda mais?) criança: “tem muita gente-te inteligente-te, que não escova o dentinho da frente-te: mas um dia vai comer um pão bem quente-te, e lá se foi o dentinho da frente-te.” Puro terrorismo infantil: você ficará banguela se não escovar o dentinho da frente, só falta uma gargalhada fatal no fim: huahuahuahuah. Sei lá, poderiam “focar” mais em fazer as crianças se preocuparem com a saúde, e se preocuparem com os dentes em função da sua saúde.</p><p>Pois-pois: quando eu era menor, escovava pouco meus dentes, e, como não caíam, não me preocupava em escová-los – afinal, a ameaça nunca se cumpria.<br/>Depois de grande e, digamos, responsável pero no mutcho, comecei a me preocupar mais (porém não tanto) com a minha saúde, e isso incluiu escovar os dentes. Mas alguns dos meus dentes já eram paredes velhas cheias de rebocos que volta e meia preciso retocar, e, até eu criar coragem e dinheiro para ir no dentista, haja paracetamol (já estou criando toleância ao remédio) para aguentar.</p><p>Enfim, dói.<br/>Se bem que, como diz meu pai: “ah, tá doendo os dentes? é sinal que tem dentes, que bom!”<br/>(Depois não sabem porque eu era uma criança revoltada…hehehe)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Um texto</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07b111-um-texto</guid>
      <pubDate>Wed, 21 Feb 2007 10:43:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>21/02/2007</p><p>Uma vez eu li, acho que foi num livro da Clarice Lispector, embora eu não possa ter certeza disso porque muitas coisas boas que eu leio eu sempre tenho a impressão que li em um livro da Clarice Lispector, mas, enfim, era o seguinte o que eu li:</p><p>um livro, um texto, uma passagem, enfim, qualquer destas coisas, somente vai ser interessante para a pessoa que lê se isso tiver alguma ressonância com algo dentro desta pessoa. Quer dizer: você só se interessa por um livro se, de alguma maneira, ele já estava dentro de você. Ou se aquela passagem já estava dentro de você, ou texto, ou qualquer coisa assim.<br/>A coisa fica mais interessante quando, neste livro, você descobre algo que não sabia que tinha em você.</p><p>Eu, Pessoa Exagerada da Silva, já extendo isso a pessoas, lugares, filmes, coisas assim: por exemplo, se você simpatiza com determinada pessoa, de alguma maneira você já simpatizava com ela antes de conhecê-la. Ou se vocÊ ama alguém, você já a amava antes de amá-la. Ou, quando você vai a uma cidade, e vê uma rua encantadora e se apaixona por ela, você somente descobriu que alguém trouxe para fora algo que você tinha dentro de si.</p><p>Tudo bem pensar a literatura como auto-descoberta, se identificar com algum personagem, descobrir que sua vida é um filme de Pedro Almodovar, que você ama como se fosse uma personagem de Shakespeare, ou que seu trabalho é como o de Sísifo. Também acho coisas assim, mas não era bem o que eu queria dizer.<br/>O que eu fico pensando é que literatura é sempre uma questão de dizer as pessoas, de… Por exemplo (casos pessoais….): li uma vez um livro (Clarice Lispector? Lya Luft?) onde a personagem passava o livro inteiro com um mal-estar no estômago, sentindo como se houvesse um animal que morasse lá dentro, como se um grande verme morasse lá; no fim do livro, ela pega um copo de leite, fica de joelhos em cima da cama, na beirada, põe o copo no chão e, atraído pelo leite, sai de dentro dela um enorme verme, e o livro descreve toda a angústia da personagem enquanto ela sente o bicho se movendo dentro dela, vindo pelo esôfago, até chegar à boca e passar por aí todo o seu corpo; então ela deita e olha para a borda da cama, de onde o bicho também olha para ela. E assim acaba o livro. Na época, aquele final (e todo o resto do livro) me descrevia, falava de mim: eu relia e relia o livro, especialmente o final, porque eu era aquela personagem. Não que algum dia eu tenha feito aquilo com o copo de leite, minha barriga teria espaço para abrigar um verme, mas é só gordura mesmo, no meu caso, mas as sensações, a angústia, tudo isso era eu, naquela época.</p><p>O que eu estou pensando para escrever tudo isso, o que eu quero dizer? Se você é assistente social, você trabalha ajudando as pessoas em situações de risco, se você é médica, você trata das doenças das pessoas, se você é cantor, você canta para as pessoas. E se você escreve um livro, você também está fazendo algo com um impacto social muito profundo, que vai além de mero entretenimento, de aquisição de conhecimentos, ou de cultura, ou de coisas assim. Você está modificando a vida das pessoas, você está influenciando a vida das pessoas, de alguma maneira.</p><p>Assim como andar de mãos dadas, ou conversar, ou liderar uma passeata, escrever também é uma maneira de se relacionar com as pessoas, de repercutir socialmente, digamos. Mas não repercutir socialmente de qualquer maneira, e sim repercutir, sei lá, literariamente.</p><p>Por isso me irrita, profundamente, quando você está lendo e vem alguém e diz algo como “já que você não está fazendo nada, me dá uma ajudinha aqui”, ou, quando você vai comprar um livro alguém lhe diz que é dinheiro jogado fora, ou quando você está escrevendo alguma coisa, e mesmo lendo, as pessoas conversam com você como se você estivesse olhando a novela (tipo: você está lendo, aí vem alguém e diz “bá, esfriou, né? Que bom, estava muito quente mesmo, eu detesto o verão, não vejo a hora de chegar o invernoo….”). Mas o que mais me irrita é que literatura, em geral, é vista como uma coisa parasitária, e não como uma coisa socialmente relevante. Sei lá, ler ou escrever é um ato tão humanitário quando salvar as baleias, ou o meio ambiente, ou os esfomeados da África, ou protestar contra a homofobia, ou contra os pedágios, ou qualquer coisa assim.</p><p>Eu já nem sei o que eu queria dizer no início, acho que era outra coisa, mas às vezes o que eu escrevo toma rumos próprios. Mas era isso que eu queria dizer.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Post rápido</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07b110-post-rapido</guid>
      <pubDate>Tue, 20 Feb 2007 22:05:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/02/2007</p><p>Computador virou artigo de luxo nessa casa (lei da oferta e da procura: muita gente para pouco computador).</p><p>Em um feriadão muito cultural (pfff…), assisti Os Intocáveis, e li Lado B – Histórias de Mulheres.</p><p>Os intocáveis é um filme legal, pena que sua “mensagem” seja: para fazer cumprir a lei, vale a pena fugir à lei, ou “tudo pela lei”, ou, ainda “a lei é tudo”. Um bom filme para inspirar, por exemplo, recrutas no exército. Mas vale a pena por ser legal, descontando, é claro, muitas coisas. A cena mais emocionante: um carrinho de bebê cai em uma escadaria, em meio a um tiroteio. Kevin Costner desce correndo atrás do carrinho, e fica sem balas. Quando tudo parece perdido (Kevin Costner está sem balas, e também não conseguirá pegar o carrinho antes que o bebê se espatife todo), Andy Garcia se atira no chão, vai escorregando até o carrinho de bebê e, neste movimento, atira uma arma a Kevin Costner, segura o carrinho de bebê com as pernas e coloca o gângster que ia matar o refém na mira. Tudo isso com um sorrisinho maroto no rosto.</p><p>Lado B – Histórias de Mulheres é ótimo: emocionante sem ser piegas, romântico sem ser lugar-comum, doce sem ser enjoativo, erótico sem ser pornozão barato (nada pessoal contra ponozões baratos, e nem a favor: mas qualquer pessoa minimamente letrada escreve um pornozão barato), bonito sem ser esplendoroso, e, o que eu acho mais importante e que faz o livro valer a pena mesmo: a escritora do livro escreve muuuuuuito bem, tem estilo, bom humor, eu queria escrever como ela. Quero ser como ela quando eu crescer. Tá, exagerei nessa. Mas, dentre os livros que eu gostei de ter lido (se bem que ainda não terminei), este é um dos poucos que valeu (ou está valendo, pq não terminei ainda de ler) cada centavo.</p><p>Vou parar de escrever antes que eu queira fundar uma religião do livro.</p><p>Mas, tirando meus exageros: muito bom o livro.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Arqueologia de um CD</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07b109-arqueologia-de-um-cd</guid>
      <pubDate>Mon, 19 Feb 2007 20:38:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/02/2007</p><p>Tudo começou quando Elis Regina gravou “O bêbado e a equilibrista”. Fizeram muitos discos e, anos depois, gravaram em CD. Algum tempo depois, alguém copiou essa música para o seu computador, e, tempos mais tarde, a mesma ou outra pessoa subiu a música para a Internet (segundo minha ex-professora, “Internet” é com maiúsculo porquê existe só uma Internet no mundo. Que coisa, não?).<br/>Muuuito tempo depois, eu copiei a música da Internet, e ela ficou gravada no computador. Passaram-se mais alguns anos, eu economizei algum dinheiro e, há poucos dias, comprei um gravador de CD para desafogar um pouco o computador. Copiei várias músicas para um CD da Faber Castell, (incluindo O bêbado e a Equilibirsta) e deletei-as do computador.<br/>Agora, neste momento, procuro o CD da Faber Castell onde está gravada O bêbado e a equilibrista e não encontro, e estou morrendo de vontade de ouvir a música.</p><p>Eu não sei se esta história serve como (mais) um exemplo na minha vida para que eu comece a me organizar. Eu não sei se esta história serve como metáfora para que eu me dê conta de que qualquer história começa em um ponto arbitrariamente convencionado e termina em outro ponto na mesma condição (por exemplo:eu poderia ter começado esta arqueologia do meu CD contando dos primórdios da gravação no mundo, ou contando sobre o início da música brasileira – assuntos, aliás, que eu não domino – e terminado contando sobre como eu decidi dar uma pausa na busca e escrever um pouco). Eu não sei se tudo isso não faz parte de um plano maior para que encontremos Cristo, ou para que os extraterrestres dominem o cosmos. Eu não sei.</p><p>Só sei que às vezes me surgem essas estranhas obsessões, como esta de querer ouvir esta música agora, e eu revirarei a casa inteira, deixando-a mais bagunçada ainda (e tornando mais provável, assim, que outras coisas se percam), até encontrar este CD.</p><p>Eu poderia, alternativamente, intitular este post como “As bagunças e as coisas”, que falaria sobre as metáforas que este episódio encerra (incluindo uma interpretação minha do quadro Las Meninas) mas, assim como este que digitei, não seria um texto tão elegante quanto o de Foucault. Eu poderia também cantar a música, e não soaria tão bem quanto na voz de Elis, a Regina.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Descrevendo não fica tão bom,</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07b108-descrevendo-nao-fica-tao-bom</guid>
      <pubDate>Mon, 19 Feb 2007 20:09:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/02/2007</p><p>… talvez fique até horrível, mas mesmo assim vou dizer como eu faria o clipe para a música “O bêbado e a equilibrista” cantada por Elis, a Regina.</p><p>No começo, tem aquela introdução, sei lá que instrumento deve ser, eu sei que não é uma gaita de foles, mas é a única coisa que vem à minha mente. Bom, durante aquela introdução, aparece uma menina, estatura mediana, cabelos pretos, lisos e curtos, estilo Amélie Poulan (não deve estar escrito corretamente) mas em formato de capacete, boca bem vermelha, jaqueta de brim, calça idem, camiseta preta, tênis branco, e uma mochila roxa com preta. Ela está dentro de um ônibus, o queixo escorado na mão e a cabeça bem próxima à janela, vendo a paisagem. Ela desce do ônibus e começa “Caía a tarde feito…”, a parada fica embaixo de um viaduto. Ela vê um bêbado trajando luto, sorri para ele, e recebe, de volta, uma reverência. Ela atravessa uma avenida, por baixo do viaduto, e aparece o bêbado fazendo (ir)reverências mil, em primeiro plano, e a menina de costas, lá embaixo, entrando em uma rua transversal ao viaduto.<br/>Ela dobra uma esquina e vai andando pela cidade, sem prestar a atenção em nada de especial, e nos meio-fios, em cima dos telhados, nas antenas de TV, em cima dos edifícios, nos fios de luz, equilibristas vestidas de bailarina dançam nas corda-bambas, de sombrinha.<br/>Quando chega na parte do “Mas sei, que um amor assim, pungente, não há de ser…”, a menina senta na soleira de uma porta, deixa a mochila entre as pernas, e observa as equilibristas que passam, com um sorriso pensativo.<br/>Na parte do “Azar, a esperança equilibrista…”, a menina levanta-se e começa a caminhar, no meio da rua, em cima daqueles tracejados brancos pintados em cima do asfalto.<br/>Quando começa a música instrumental igual à do início da canção, o bêbado com chapéu-côco faz uma reverência a uma equilibrista que passa equilibrando-se nas bordas do viaduto, e ela devolve a reverência.<br/>Depois disso, até morrer o som, uma equilibirsta equilibra-se em cima de um dos trilhos do trem.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Post roubado</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07b107-post-roubado</guid>
      <pubDate>Sun, 18 Feb 2007 01:45:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/02/2007</p><img width="600" alt="" src="/midia/07b107-post-roubado.jpg"/><p><a href="https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/8fcb3-babybailarina.jpg">[https://mrcl.files.wordpress.com/2020/10/0df54-babybailarina.jpg]</a></p><p>
<blockquote><p>Elas vão ter que ser responsáveis. Mas já não conhecerão a realidade do aborto clandestino. Elas poderão um dia querer optar por uma IVG. Mas o caso não será resolvido entre amigas da mesma idade e muitos diz-que-disse, nem acabarão nas mãos de uma “esperta”. Foi também por elas, e pelo Portugal futuro que vão conhecer, que votei SIM.<br/>Hoje, elas reconfortam-se nos nossos braços. Amanhã, queremos que também o façam. Mas podemos tão pouco por aqueles que amamos. Sinto que ontem preparamos esse amanhã. E hoje, e todos os dias, de maneira diferente. Mas podemos tão pouco.</p></blockquote>
 (Roubado descaradamete <a href="http://ante-et-post.weblog.com.pt/2007/02/sim">daqui</a>, sem autorização,<br/>pedido, prévio aviso, ou o menor escrúpulo.)
<p>Enquanto isso, na ex-colônia…</p>
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Frases perdidas.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07b106-frases-perdidas</guid>
      <pubDate>Sat, 17 Feb 2007 16:38:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/02/2007</p><p>Tédio. Velho tédio. “Tédio, tédio, mano velho, falta um tanto ainda, eu sei…”. Mau humor. Calor, calor insuportável. Abafamento. Nuvens de chuva secas. Sol quente. Ar imóvel. Sono. Despertar com gritos. Irritação. Insuportabilidade. A incrível capacidade de não suportar nada. A incrível capacidade que tudo tem de ser irritante. Raiva de nada=raiva de tudo. Não existe: silêncio, privacidade, ânimo. Dor de cabeça. Latejar. À beira de um ataque de nervos. A imagem mais sedutora do momento é a de qualquer coisa sendo jogada em qualquer direção e espatifando-se contra o que quer que encontre no caminho. O prazer de quebrar alguma coisa. O prazer de jogar longe. Um dia de Fúria, um bom filme. Dor de barriga. Porquê as pessoas emitem sons? Todas as pessoas poderiam permanecer em silêncio. O Comando Maluco deveria ser fuzilado por um pelotão de fuzilamento. Odeio mulheres gostosas de televisão. Odeio qualquer coisa que passe na televisão. Nos finais de semana, a televisão deveria passar filmes mudos em preto e branco. Eu gosto de alguns filmes preto e branco. Ninguém entende a piada que vi em um filme preto e branco: Hitler fica um minuto inteiro falando coisas em alemão e a tradução é “sim”; em seguida, diz apenas uma palavra e a tradução é um parágrafo enorme cuja legenda ocupa metade da tela. A piada é sobre peculiaridades da língua alemã e não sobre Hitler. Eu não sei contar piadas. Nem histórias. Quem conta bem histórias tem um instinto publicitário e propagandístico muito bom. Eu não sei tornar nada interessante. Ao meu lado, a descida de uma nave espacial na Terra daria sono. Talvez seja esse o meu dom: tornar tudo chato. Eu sou uma coisa anti-interesse. Contrata-se pessoas para tornar um produto chato e sem graça em um objeto de desejo de toda a população; a mim me contratariam para que as pessoas se convençam de que não vale a pena gastar tempo, dinheiro e atenção com alguma coisa. O corpo humano deveria ser proibido de suar. Pessoas que suam como eu deveriam ser presas. Agora sei bem o que significa “um dia modorrento”, nunca entendi bem o que era. Até o calor obssessivo pode ensinar alguma coisa. E, depois que ensinou, poderia ir embora. Eu não aguento mais. Por sorte eu não tenho o poder de destruir as coisas com a força do pensamento, senão tudo o que eu enxergo no momento teria explodido. Todas as coisas continuam absolutamente iguais. Absurdamente iguais. Milimetricamente iguais. Dói ranger os dentes.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Desejar o desejo?</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07b105-desejar-o-desejo</guid>
      <pubDate>Sat, 17 Feb 2007 02:28:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/02/2007</p><p>Vontade de escrever. Sobre o quê? Apenas vontade de escrever.<br/>Mais ou menos como vontade de ler. Às vezes você quer ler determinado livro, determinado site, determinadas idéias. Às vezes, qualquer amontoado de letras que faça algum sentido serve.</p><p>São estranhas as necessidades. Começam pelas básicas: comer, fazer amor, tomar água, ir no banheiro, esqueci alguma? Você pode ter ou não ter o que quer que seja você quer essas coisas. Claro, sempre há controvérsias.<br/>Conheço pessoas que dizem não querer fazer amor, o que é diferente de não fazer, pois uma pessoa pode querer e não fazer pelos mais diversos motivos. Também não estou pensando em quem não quer, mas somente em determinado momento, ou com determinada pessoa. Mas a maioria dessas pessoas se masturba – dentre as pessoas que conheci que me disseram que não querem fazer amor, todas com as quais tive mais intimidade disseram que se masturbam. E agora: coloco masturbação dentro de “fazer amor”, e continuo dizendo que todas as pessoas querem fazer amor, ou punheta é punheta e realmente existem pessoas que não querem transar?<br/>Existem pessoas que não querem comer: anoréxicos e o pessoal que quer viver de luz. Mas uma pessoa anoréxia, não é que ela não queira comer. Ela quer ser esqueleticamente magra. O problema de uma pessoa anoréxia não é com a comida, não é um transtorno alimentar, e sim visual – a pessoa quer ver-se magra, e este desejo sobrepõe o de comer – sobrepõe, mas não anula ou diminui. Um desejo nunca é anulado, somente sobreposto por outro desejo.  Quem deseja viver de luz também não é alguém que não queira comer. Destesto mas assisto Jô Soares, e lá que vi uma entrevista de uma mulher que dizia viver de luz. Ela se alimenta da luz do sol (e recomenda que ninguém faça isso em casa, pois somente os treinados pelo grupo conseguem olhar diretamente para o sol sem queimar a retina). Come. Come luz.</p><p>Necessidades básicas.</p><p>Mas o que é, ou em que consiste uma necessidade, um desejo?</p><p>Desejar o nada é niilismo – mas é possível não desejar? São duas coisas diferentes: desejar o nada, desejar o não-desejo, desdesejar. Pode ser que uma pessoa acorde um dia sem vontade de nada, mas não ter vontade de nada não é nesse caso, a realização de um desejo. É como uma gripe: passa. Quem deseja o nada, deseja não desejar, incomoda-se com o desejo. Destesta desejar. E quem deseja o nada, afinal, não deseja alguma coisa – ainda que nada? Qual será o contrário de desejar?<br/>Pois quem deseja não desejar ainda deseja. Seria preciso que uma pessoa dissesse um não incondicional: não a tudo. Não seria o caso de a pessoa desejar o não-desejo: mas sim, de (digamos) instintivamente não desejar. Tudo deve perder a importância para esta pessoa. Mas não de maneira calculada, e sim naturalmente. Se trata de uma indiferença absoluta, de dizer um “não” absoluto. Não é desejar o vazio, e sim não reter coisa alguma, não querer.</p><p>Well, well, well: escrevi. Legal.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Teste</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 14 Feb 2007 00:35:37 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/02/2007</p><p>Somente teste…</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Hello world!</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 13 Feb 2007 22:43:02 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/02/2007</p><p>Welcome to <a href="http://wordpress.com/">WordPress.com</a>. This is your first post. Edit or delete it and start blogging!</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Uma breve história do tempo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07b102-uma-breve-historia-do-tempo</guid>
      <pubDate>Tue, 13 Feb 2007 05:21:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/02/2007</p><p>Meu computador é a melhor coisa do mundo. Através dele eu pude entender, por exemplo, por exemplo, porque motivo, quando olhamos para o céu, olhamos para o passado.<br/>Quando você vê uma estrela, você está vendo a luz que ela emitiu. Como ela está muuuito longe, leva muuuito tempo para que a luz chegue aqui. Uma estrela que você vê agora pode nem existir mais.<br/>Um exemplo mais claro e concreto? No meu micro, eu clico em fechar o windows media player, abrir o firefox e digito www.google.com.br. No exato momento em que fiz tudo isso, uma estrela emitiu um facho de luz. A luz emitida neste momento somente chegará aqui lá por 3051, mais ou menos. E, dois minutos depois que esse facho de luz (emitido agora) chegar à terra, o meu computador terá finalmente fechado o windows media player, aberto o firefox e carregado a página do google.<br/>Não é incrível?!? Meu computador está em ressonância com as mais distantes estrelas do universo!!</p><p>E não é só isso: meu micro está destinado a ser histórico. As gerações futuras terão, graças ao meu computador, uma oportunidade única de ver como funcionava a informática em idos de 2007 – ao vivo!! E, assim, meu nome será inscrito na História, devido a este meu legado às futuras gerações. E tudo porque o meu computador é lento, lento, lento.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Tristeza calma</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 12 Feb 2007 20:27:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/02/2007</p><p>Acho que é isso que se sente quando se está triste, quem sabe uma depressão básica (fico feliz em saber que, pelo menos nesse ponto, sou uma pessoa bem moderna), mas que não é nada desesperadora, não chega a me atar, não chega a me derrubar.</p><p>Era para mim ver minha vida e me desesperar, me perder, entrar em parafuso, tudo o que perdi, o que nunca tive, o que  não tenho perspectivas de ter, o que não vivi, o que não descobri, o que esqueci, e o que não deveria ter lembrado.</p><p>Vi tudo isso, até um pouco claramente demais, demasiado lucidamente, mas o peso do mundo, desta vez, não pesou sobre mim, não dobrou os meus joelhos nem me obrigou a me arrastar por aí.</p><p>Eu não possuo disciplina o suficiente para levar adiante meus projetos. Tenho uma coleção de começos e deficiência de fins. Meus troféus são as faixas de inauguração. Muitas primeiras vezes, poucas últimas.</p><p>Eu preciso me apaixonar constantemente. Recentemente revi Cristiane F., e me sinto ela – minha heroína é me apaixonar. Só tem a vantagem de não ser ilegal. Não é difícil estar em um estado constante de paixão, mas acabei de me desapaixonar por motivos de saúde (meu deus, será que Cristiane F. era sobre mim?) e, por enquanto, não tenho forças nem perspectivas de me apaixonar de novo.</p><p>Onde foi que ouvi que quem pensa não casa?</p><p>Eu acho que penso demais. Sou uma pessoa impulsiva. Consigo conciliar muito bem estas duas condições antagônicas. Eu penso, penso e penso. Aí vou e faço exatamente (mas com uma precisão milimétrica) o que pensei e concluí que não deveria fazer. E descubro que realmente não deveria ter feito. Não tenho aquele tipo de impulsividade de quem, quando vê, fez sem pensar. Eu penso antes, e faço como se não tivesse pensado em nada. Mesmo que eu tenha planejado antes, eu traio todos os meus planejamentos. Impulsivamente.<br/>Sou como aquelas pessoas que entram em uma loja de cristais e ficam sete horas se movendo com cuidado, sem bater em nada. Aí, na saída, se vira para pegar o chapéu e derruba uma prateleira inteira.<br/>Acho que levei a sério demais essa história de “o que importa é o caminho, e não a chegada”. Pouco pragmatismo e muitas flores no caminho. Tenho que ser mais inglês, mas north-american, mais empresarial, tenho que ler menos literatura, ler ainda menos do que leio em geral, e perseguir meus objetivos doa a quem doer.</p><p>Minha vida teve meia-dúzia de fases depois da infância.</p><p>Vim de um período bem bobão, onde a bobice consistia em não perceber que os lugares onde eu estava não eram para mim. Sabe quando você sai de um lugar e se dá conta “putz, fiquei sobrando há horas e não percebi”? Espero que você não saiba. Mas é assim que eu me sinto em relação a este período.</p><p>Depois, veio a minha fase underground. Tudo era ruim, tudo era triste, tudo chato, nada nunca estava bom, nenhuma perspectiva, eu não queria nada e nada me faltava. Mas havia mais lucidez. Era um clima pesado, mas de um peso inexplicavelmente leve.<br/>Li a Insustentável Leveza do Ser, uma vez. Será mesmo que o peso é negativo e a leveza, positiva? – era o que se perguntava o livro.</p><p>Depois, minha fase cristã. O cristianismo (catolicismo, protestantes, pentecostais, etc) até tem coisas boas. Basicamente, tem pessoas muito bem intencionadas, sensíveis às mazelas e alegrias alheias, e dispostas a tornar todo mundo feliz.<br/>O problema do cristianismo é que o cristianismo é um underground disfarçado. Na minha fase dark, eu sabia muito bem onde pisava – eram pântanos, mas eu enxergava o lugar. Na fase cristã, permaneci no mesmo lugar, mas olhava para um céu que não estava lá, mas que eu esperava que estaria. Esse é, eu acho, pelo menos um dos problemas do cristianismo: você não é feliz por viver, por ver flores, por amar alguém; você somente é feliz porque a vida, as flores, o amor e a pessoa que você ama são obra de deus. Somente deus deixa você feliz, e você tem que acreditar, acreditar, imaginar, esperar, acreditar em algo que um dia virá. Você é feliz por uma promessa – mas nada do que existe hoje, agora, o sol dessa tarde, as cores daquela árvore, nada disso é bonito ou válido por si, e sim por causa de deus. Eu continuava tão dark quanto antes, mas apenas não queria enxergar isso. E, para não ver isso, eu acreditava em um futuro inventado que, por mais que seja possível, é somente uma possibilidade entre tantas outras – seria o mesmo que deixar de trabalhar contando com o prêmio da mega-sena (“um dia meus números saem”…)</p><p>Deixei o cristianismo sem deixá-lo, depois. Reneguei tudo, mas já não conseguia enxergar mais nada. É impressionante como é possível perder o mundo concreto de vista. Aprendi a viver de esperanças, e a vivê-las como se fossem reais. Mas nunca mais precisei me mover, pois já tinha o que queria: era muito feliz em esperar.</p><p>E, independente da fase onde eu estivesse, eu sempre aprendi a contar somente comigo – somente eu estive do meu lado quando eu precisei. Sempre. Aparentemente as pessoas pressentem essa minha autosuficiência (mas ninguém percebe que é uma autosuficiência falsa?) e não se preocupam, então, em estar ao meu lado. E, assim, continuo contando sempre somente comigo. É um caminho sem volta, como o tempo, uma queda ao ar livre, ou o curso de um rio.</p><p>Pelo menos, neste ambiente estranho em que estou agora, nessa conhecida tristeza sem o desespero, consigo ver. Se é para alguma coisa durar, que seja isso então – essa lucidez, seja lucidez do que for.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Fernando Pessoa</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07b100-fernando-pessoa</guid>
      <pubDate>Mon, 12 Feb 2007 08:34:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/02/2007</p><p>Poema em linha reta<br/>Álvaro de Campos</p><p>Nunca conheci quem tivesse levado porrada.<br/>Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.</p><p>E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,<br/>Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,<br/>Indesculpavelmente sujo,<br/>Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,<br/>Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,<br/>Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,<br/>Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,<br/>Que tenho sofrido enxovalhos e calado,<br/>Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;<br/>Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,<br/>Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,<br/>Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,<br/>Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado<br/>Para fora da possibilidade do soco;<br/>Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,<br/>Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.</p><p>Toda a gente que eu conheço e que fala comigo<br/>Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,<br/>Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…</p><p>Quem me dera ouvir de alguém a voz humana<br/>Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;<br/>Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!<br/>Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.<br/>Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?<br/>Ó príncipes, meus irmãos,</p><p>Arre, estou farto de semideuses!<br/>Onde é que há gente no mundo?</p><p>Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?</p><p>Poderão as mulheres não os terem amado,<br/>Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!<br/>E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,<br/>Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?<br/>Eu, que venho sido vil, literalmente vil,<br/>Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.</p><blockquote><p>Os versos acima, escritos por Fernado Pessoa sob o heterônimo de Álvaro de Campos, foram extraídos do livro “Fernando Pessoa – Obra Poética”, Cia. José Aguilar Editora – Rio de Janeiro, 1972, pág. 418,<br/></p></blockquote><p>e foram roubados <a href="http://www.releituras.com/fpessoa_linhareta.asp">daqui</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Il Dulce</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07b99-il-dulce</guid>
      <pubDate>Mon, 12 Feb 2007 05:52:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/02/2007</p><p>Uma amiga minha está apaixonada por um cara. Não sabemos – pelo menos nem eu nem ela – se ele gosta dela mas é tímido, gosta dela mas é burro, gosta dela mas não está emocionalmente preparado para assumir uma relação séria (uma madrugada de discussões sobre esta possibilidade e, na minha opinião, a mais provável), gosta dela mas não de monogamia, gosta dela mas inexplicavelmente é capaz de se acertar com ela, ou não gosta dela (a segunda alternativa mais provável, na minha opinião). Volta e meia eles ficam juntos, e ela passa duas ou três semanas feliz como se fosse natal. Depois, volta toda a deprê no estilo “seu guarda eu não sou vagabundo, não sou delinquente…” e debates intermináveis sobre ele.</p><p>Até aí, é a história do mundo (uma pessoa ama outra e não é amada) ou a base de praticamente toda a literatura, pelo menos. Nada de novo.</p><p>Mas a menina tem uma segunda paixão, que é uma amiga dela com quem ela ficou mas não quis continuar a sei lá eu quanto tempo atrás porque estava apaixonada pelo cara, o mesmo pelo qual ela ainda é. A menina dava em cima dela até não poder mais, até que ela também se apaixonou por um outro cara e vive com ele de maneira meio turbulenta e apaixonada.</p><p>Agora, noventa e dois anos depois, a minha amiga decidiu que é melhor tentar esquecer o cara. E, nesta busca por outro amor (eu juro que estou em tratamento para minha pieguice) só aparecem caras toscos nas mãos dela – muito bonitos, muito galantes, mas do tipo “ah, tu não quer me dar, então vou dizer prá todo mundo por aí que eu te comi e depois de larguei prás traças!”. Uns partidões…</p><p>Mas volta e meia aparecem umas meninas pelas quais ela fica meio caída e com algumas, às vezes, ela troca olhares carregados de sedução e paixão e um dia eu me perguntei, depois perguntei para ela “fulana, porque tu não tenta namorar uma menina?”</p><p>Claro que, eu estando de fora do problema, fiquei pensando principalmente nos aspectos práticos da situação: as candidatas – as que eu conheço, pelo menos – ou seja, as meninas que possivelmente ficariam com elas são, na maioria, de confiança, mais até que os caras que ela anda pegando por aí (eu faço esforços estelares para não concluir que homem não presta, a começar pelo fato de que isso é muito preconceituoso – mas está muito difícil). Quer dizer, muito mais prático, menos arriscado, e sem risco de engravidar porque estourou a camisinha (sim, eu sei que estou forçando, mas não deixa de ser um argumento – alguém disse que argumentos toscos não valem?, e é para o bem dela).</p><p>“Mas a minha mãe me mataria!” – quem é precisa de novela?!? Basta a vida real…</p><p>Por essas e por outras que o fascismo das pessoas me irrita. Sei lá, não tenho filhos e podem dizer que é por isso que eu penso assim, mas se um filho meu vem e me diz “Olha só, eu vou entrar no seminário para ser padre” (o que para mim seria o equivalente do que, para muitas pessoas é “eu sou homossexual”), só o que eu posso dizer é “vai e seja feliz, pode contar comigo”. Só porque eu abomino uma coisa não significa que outras pessoas, nem que fossem meus filhos, precisam abominar. Se quer ser padre, entrar para o PFL, formar uma banda gospel, ler Paulo Coelho, tudo bem. Eu não quero um mundo sem padres (queria só que não fosse ilegal enviá-los todos para a Groelândia só de batina), sem o PFL, sem o Pauo Coelho (pelo menos, as pessoas lêem) (poderiam ler bulas de remédio também, mas vá lá), sem o Faustão. Eu apenas acho tudo isso tosco, mas deixa as pessoas fazerem isso.</p><p>Por isso, aliás, essa coisa toda me irrita profundamente. Mesmo que homossexualidade fosse doença – só para ficar em apenas um argumento absurdo – é a vida alheia, droga. Mas aí alguém pode me dizer “vivemos em comunidade, a vida alheia é importante sim”. Mas só é importante quando afeta a mim.<br/>Se o meu vizinho decidir criar baratas ao ar livre na casa dele, isso me afeta e eu vou fazer o possível e o impossível para impedi-lo disso, porque é óbvio que as baratas vão passear na minha casa. Mas se ele criá-las presas (e muito bem presas, eu espero), seria igualmente nojento, mas isso seria lá com ele. E nem esse exemplo serve, porque o problema das baratas é que elas são nojentas e podem subir (puta merda, que horror) em cima de mim. Mas duas pessoas se beijando na rua são duas pessoas se beijando na rua, e não baratas: quem não gosta somente precisa virar a cara.</p><p>Acho que fascismo ainda é motivo para bombardeios aéreos, e isso era o que deveria ser feito em casas de pessoas fascistas. Se bem que isso também seria uma atitude fascista. Mas aí entra o velho problema da liberdade: se somos livres, uma pessoa não tem o direito de ser fascista? Bom, sei lá, mande-os para a Groelândia, então (junto com os padres, he, he, he).</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Vovó Mafalda</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 11 Feb 2007 06:43:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/02/2007</p><p>Eu tenho um computador? Tenho. Eu tenho uma placa de rede cheia de nomes em inglês? Tenho. Eu tenho um modem roteador, com um cabo que o liga na placa de rede e outro que o liga na luz? Tenho. Eu tenho energia elétrica em casa? Tenho. Eu tenho sinal de DSL? Tenho. Eu tenho um provedor de DSL? Tenho. A conta da Brasil Telecom está em dia? Sim. A conta do provedor de DSL está em dia? Sim. Eu consigo usar a DSL? Não.</p><p>Só me falta o nariz de palhaço, agora – porque o resto eu já tenho.</p><p>Cito Vovó Mafalda:</p><blockquote></blockquote><blockquote><p>– Que horas são, criançada? (ou era o Papai Papudo que dizia isso?)</p></blockquote><blockquote></blockquote>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Slogan 3</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07b97-slogan-3</guid>
      <pubDate>Sun, 11 Feb 2007 01:35:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/02/2007</p><p>Eu, que sempre reclamo de quem precisa se apoiar nos outros, faço o mesmo.<br/>Pois, sem assunto que estou, dedico o meu tempo a esculhambar argumentos alheios contra o aborto. Claro, o aborto é uma questão muito mais profunda do que argumentação e contra-argumentação.  É, muitas vezes, uma questão de sofrimento (ou de escolher qual sofrimento, enfim).<br/>Mas estamos na internet, e, nesse espaço, não sei do que haveria de melhor para fazer.</p><p>Slogan 3: O feto é parte do corpo da mulher</p><blockquote>
<p>Um slogan outrora vulgar mas hoje mais esquecido diz          que: “O bebê faz parte do corpo da mulher. O aborto mata uma          parte do corpo, um parasita.”<br/>       Este slogan parece ter muitas falhas:<br/> </p>
<p>1. Com igual legitimidade se poderia dizer: “O          bebê dentro da incubadora faz parte da incubadora. Matar o bebê          dentro de uma incubadora é matar uma parte dela, matar um parasita”.        <br/> </p>
<p>2. “Um astronauta num foguetão é          parte do foguetão. E como ele precisa do foguetão para sobreviver          pode ser eliminado a gosto do dono do foguetão, tal como o bebê          dentro do útero pode ser eliminado a gosto da dona do útero.”        <br/> </p>
<p>3. A questão é que uma pessoa não          deixa de o ser pelo fato de estar dentro de um espaço limitado          de alguma forma. O astronauta é uma pessoa e os seus direitos resultam          disso. Como um astronauta não deixa de ser pessoa quando está          no espaço, não perde por isso nenhum dos direitos das pessoas.          Na lógica abortista, o bebê na incubadora é um ser          humano pessoa e por isso não-executável. Os seus direitos          resultam do que ele é e não do sítio onde está.          O mesmo se aplica ao bebê não nascido: poderá ser          morto pelo que é e não pelo sítio onde está.          E o que é ele? E porque não tem ele direito à vida?          Sobre isto o slogan diz nada.<br/> </p>
<p>4. Se levarmos uma célula da mãe e uma          célula do filho a um especialista em genética, ele dir-nos-á,          facilmente, que se trata de células de dois seres humanos diferentes.          Convém repetir: não é a célula de uma pessoa          e outra célula de um macaco, ou de um tumor, ou de um parasita.          Tão pouco ele dirá que são duas células do          mesmo ser humano. Nada disso: são as células de dois seres          humanos diferentes. A gravidez é uma forma diferente de pegar num          bebê ao colo. Pode-se pegar num bebê com os músculos          dos braços ou com os músculos do abdomen. Pode-se alimentar          o bebê ao peito ou por transferências através da placenta.          Mas os músculos que sustentam o bebê ou o mecanismo físico          que o permite alimentar, são eticamente irrelevantes. O que conta          é o que ele é, e sobre isso o argumento diz nada.<br/> </p>
<p>5. As partes do corpo da mulher não têm          todas o mesmo valor. Uma pessoa que corta as unhas a outra, dificilmente          poderia ser punida por isso, e qualquer mulher pode pedir que lhe cortem          as unhas; quem cortar um braço a outra pessoa poderá ou          não ser punido por isso e, se houver necessidade, a mulher poderá          pedir que lhe cortem o braço (para a curar de um tumor, por exemplo);          é duvidoso que um médico possa cortar um braço, a          pedido da mulher, sem que haja necessidade da amputação;          quem tira o cérebro a uma mulher será punido de certeza,          ainda que lho tenha tirado a pedido da vítima. Neste quadro, e          ainda que se aceite que o bebê faz parte do corpo da mãe,          onde se coloca o bebê? Será uma parte protegida ou será          uma parte sem proteção? É uma das partes do corpo          à disposição da mãe, uma das partes que ela          pode pedir que lhe tirem sem problemas, ou é uma parte protegida          que não pode ser tirada nem com o consentimento da mulher? Sem          esclarecer estes pontos o slogan vale nada: limita-se a tentar iludir          a questão sem lhe responder. Em primeiro lugar, reduz um ser humano          à parte de outro; e depois sugere que a mulher pode dispor dessa          parte com a liberdade com que dispõe das unhas. Ou seja, o slogan          faz duas simplificações que não consegue provar.        <br/> </p>
<p>6. Mas ainda que o bebê fosse parte do corpo          da mulher, teria sempre de ser considerada uma parte muito especial: afinal          nenhum rim, coração ou fígado salta para fora de          uma pessoa e em poucos anos começa a escrever poemas. E será          que esta diferença não torna o bebê diferente das          unhas, do apêndice ou de um tumor?<br/> </p>
<p>7. Este argumento não permite justificar os          abortos por cesariana, posto que neste caso se mata o bebê quando          já não está ligado à mãe. Assim, teríamos          o absurdo máximo: pode-se matar o bebê embora nem todos os          métodos sejam aceitáveis. Ou seja, o direito à vida          resulta não do que o bebê é mas da forma usada para          o matar. Imagine o leitor que a sua vida só está protegida          no caso de o matarem com um tiro; no caso de o matarem com uma faca, o          leitor já não tem direito à vida nem a sua morte          é crime. Uma teoria curiosa! E se há alguma forma de justificar          o aborto por cesariana, porque não se usa esse argumento em vez          de recorrer a “o bebê é parte do corpo da mãe”?        <br/> </p>
<p>8. Se tudo que se disse está errado, se o bebê          for mesmo parte do corpo da mãe, e se daí resulta que a          mãe o pode matar, então pode-se abortar ao longo de toda          a gravidez! Logo, ou o slogan está errado, ou o aborto é          aceitável durante os nove meses. Então, porque se legaliza          só até ás dez semanas? Com que base se nega ás          mulheres um direito seu: o direito a abortar até aos nove meses?</p>
</blockquote><p>Texto menos “malandro” do que o outro, mas que, mesmo assim, ainda tenta ter alguma ginga.<br/>A idéia do “slogan” é que um feto é parte do corpo de uma mulher, e uma mulher pode dispor das partes do seu corpo como bem entender (isso me lembra duas músicas: uma eu não lembro de quem é, mas a letra é algo como “Se eu quero me estragar me estrago muito bem, se eu quero descansar descanso o que é que tem?, se eu quero me quebrar me quebro até cansar, se eu quero me mexer me mexo até a hora de parar“, e uma outra da Simone que é mais ou menos “quero ser assim, senhora das minhas vontades e dona de mim” – me lembrei de outras músicas, mas nenhuma que tenha algo a ver com o texto…).</p><p>No início do texto, iguala-se essa idéia a coisas como “um bebê dentro da incubadora faz parte da incubadora” ou “um astronauta dentro de um foguete faz parte do foguete”. Tosco.<br/>Uma mulher não é uma incubadora e nem um foguete: primeiro, não conheço nenhums mulher construída pela NASA, e nem alguma que você possa ligar e desligar segundo suas conveniências (ou será que existem pessoas que desejam mulheres assim?); segundo, comparar um feto a um parasita não é degradante para o feto (olha a que ponto chegamos…). Caso o autor do texto não saiba, ele tem parasitas dentro do seu intestino sem os quais morreria.</p><p>Mas a questão central écaracterizar o feto como parte do corpo da mãe. E realmente ele faz parte do corpo da mãe. Qualquer pessoa adulta tem o seu corpo formado pelas coisas que come. Mas um feto forma-se a partir do material que retira do corpo da mãe – ou de onde mais as células que se reproduzem retirariam material para constituirem-se? A diferença do feto, como o texto bem coloca, é que o feto é uma parte que, se deixar, sai para fora e começa a desenvolver-se de maneira independente (“independente” em termos: eu, por exemplo, ainda preciso de ajuda financeira da minha mãe – atenção, isso é uma piada.) “Independente” porque, depois que desmama, o corpo do bebê se constitui a partir da comida que ele come, e não mais do sangue da mãe, ou do leite da mãe. Mas, dentro do útero, o feto depende do corpo da mãe.</p><p>Aí, o que este texto quer provar? Que um feto é uma parte do corpo de uma mulher do qual a mulher não dispõe como as outras partes. Com base em quê? Com base em que um feto é uma parte do corpo do qual a mulher não dispõe como as outras partes. Deu para entender?<br/>É como se eu dissesse “você tem ir lá porque eu quero”, e você me perguntasse “mas porque eu tenho que fazer o que você quer?” e eu respondesse “porque eu quero”.</p><p>Santo Anselmo, antes de ser santo, foi filósofo. E uma das suas realizações foi ter concebido um argumento “infalível” para a existência de deus: deus é perfeito; um dos pré-requisitos básicos para que um ser seja perfeito é que ele exista; logo, deus existe e não pode não existir – do contrário, não seria perfeito. Acontece que, realmente, o pré-requisito para que algo seja perfeito é que esse algo existe. Mas só se diz que deus é perfeito porque se pressupõe que ele exista – e é isso que se quer provar. Primeiro deus tem que existir, para depois ser considerado perfeito.</p><p>O que o Santo Anselmo faz é deslocar a certeza: ele não tem mais certeza da existência de deus, mas tem certeza da perfeição de deus. Mas para ter certeza da perfeição de deus, é necessário que deus exista. Talvez fique melhor explicando de outra maneira. Eu estou, neste momento, comendo um Chandelle (é sério mesmo, estou comendo um Chandele. Só não ofereço porque não tem mais). Como eu posso saber que esse Chandelle existe? Não sei, eu não tenho mais certeza de que ele existe. Mas sei que é gostoso. Bom, mas um chandele, para que possa ser gostoso, tem que existir. Logo, eu tenho certeza de que o Chandele existe.</p><p>Essa é a esperteza do argumento teológico de Santo Anselmo: eu não sei se tal coisa existe, mas sua qualidade existe – logo, sei que a tal coisa existe.</p><p>A argumentação que o texto – sim, voltamos ao texto do “slogan” nº 9  – faz segue a mesma lógica: uma mulher não dispõe do feto dentro de seu corpo porque o feto não está a disposição da mulher como qualquer outra coisa em seu corpo. Porquê? Porque não é e ponto.</p><p>Aí ficamos assim: o texto bate o pé nesse ponto, e eu bato o pé que discordo.</p><p>Acontece que a gravidez, na sociedade humana, é uma situação que não tem paralelo em nenhuma outra situação. A comparação que o texto faz com o bebê na incubadora ou o astronauta dentro do foguete é tosca porque nada se compara a esta situação. Um feto é a única coisa dentro do corpo de qualquer pessoa que pode vir a se tornar gente.</p><p>A questão, aí, vira outra.</p><p>Uma gravidez é um fato sem paralelo algum, sem nada com o qual se possa comparar. Temos somente a situação em si: uma mulher carrega um possível ser humano (“possível” porque terá que, no mínimo, nascer). Mas vamos melhorar a situação para os pró-vida: vamos aceitar, por um momento, que o feto é tão gente quanto a gente – pessoalmente, não sei se é ou se não é, mas vamos considerar que sim. Bom, um feto é o único tipo de pessoa que depende de outra pessoa para sobreviver. É diferente de um filho de deszoito anos que não tem grana para pagar suas contas: um feto precisa de outra pessoa até mesmo para formar o seu corpo, precisa de outro corpo para retirar, deste corpo, material para si. E uma mulher  grávida é o único tipo de pessoa que dispõe seu corpo para outra pessoa alimentar-se dele.</p><p>O que está em questão é: qual das duas vidas tem a preferência? Não é o mesmo que decidir a preferência entre uma pessoa e seu assassino em potencial, ou decidir se, em um prédio em chamas, vão ser salvas primeiro as mulheres ou as crianças. Se trata de uma pessoa que tem outra dentro de si. E qual dessas pessoas tem preferência?</p><p>Infelizmente, esse é o principal indício de que vivemos em uma sociedade machista. Quem tem a preferência, ainda, é o ser vivo dentro do corpo da mulher, e não o ser vivo que contém o feto.</p><p>Por mais que seja uma vida que está dentro de uma mulher, aquela vida ainda é uma semi-vida, porque a mulher é a condição para que aquela vida possa desenvolver-se. É o pré-requisito para que aquela vida possa desenvolver-se. Mas o fato de possuir essa capacidade, não obriga qualquer mulher a usá-la. O que a sociedade faz é privilegiar o feto em detrimento da mãe. Uma mulher é plena de direitos até que engravidade: grávida, seus direitos são menos importantes do que os do feto.</p><p>Este que é – e isso é uma opinião – o absurdo da proibição do aborto: você perde seus direitos automaticamente para outra pessoa. Os próvida, então, apelam emocionalmente: “pobre do feto, idefeso dentro da barriga de uma mulher”. Mas esta é a condição de qualquer feto, ou, se se quiser, de qualquer ser humano nesta fase da vida: sua vida está sob total controle do corpo onde o seu próprio corpo se desenvolve.</p><p>Uma mulher não pressupõe necessariamente um bebê, mas um bebê pressupõe necessariamente uma mulher. E os próvida tentam, incessantemente, inverter essa lógica, dizendo que uma mulher pressupõe, necessariamente, um bebê!!! Eu não sei se é só para mim que fica claro que, assim, voltamos à condição da mulher como uma fábrica de bebês – ou seja, uma mulher somente tem valor na medida em que pode gerar crianças. É por isso que os fetos acabam tendo mais direitos do que as mães. É como se, ao ver uma mulher, as pessoas vissem somente bebês em potencial – ou como se uma mulher se resumisse aos seus óvulos e toda a coisa reprodutora associada.</p><p>Quando uma mulher quer abortar, trata-se de um conflito de quem tem mais direitos dobre o corpo da mãe: o feto (representado pela boa sociedade cristã que somos) ou a mulher?</p><p>A principal premissa, enfim, dos pró-vida da vida, é que o feto é uma pessoa. Mas eles esquecem que a mãe também é uma pessoa, e uma pessoa pressupõe um corpo, e, sobre um corpo, alguém tem poder. O que eu acho é que o poder sobre o corpo de uma mulher deveria ser não do feto (e, por extensão, de toda a sociedade, já que é a sociedade quem diz a uma mulher: “você não pode fazer isso!”), mas, sim, o poder sobre o corpo da mulher deveria ser da própria pessoa em questão.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Textão</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 10 Feb 2007 05:26:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/02/2007</p><p>Total falta de assunto há dois miutos atrás. Mas a internet, essa senhora maneira, me ajudou.</p><p>Há muito tempo atrás, eu devia ter uns 14 ou dezoito anos (a ordem cronológica da minha vida é constantemente violentada pela minha memória), quando eu estava sem assunto, eu entrava em um site “pró-vida” que apregoava coisas do tipo “a homossexualidade é um crime pior do que o assassinato” ou, em uma cartilha para jovens, recomendava que o casal de namorados deveria manter-se sempre à vista de outras pessoas (para evitar tentações), não devia se beijar, nem pegar muito nas mãos (de preferência, nem se tocarem), e fazer uma oração e um exame de consciência antes e depois do namorico. Respeito a opinião alheia, mas me dou o direito de ridicularizá-la – se eles escrevessem que desejam que o mundo seja assim, ok, mas recomendar isso, de maneira séria, é uma piada, pelamordedeus; se bem que deve existir gente que leve esse tipo de piada a sério… – me dou o direito de ridicularizá-la se achá-la ridícula. E nem adianta me ridicularizar de volta: já me ridicularizaram tanto na vida que possuo uma tolerância bastante alta à ridicularização – meus detratores criaram um monstro praticamente imune à ridicularização. He; he; he; bobocas.</p><p>Voltando aos meus hábitos de outros tempos, eu fazia isso para me irritar – eu só escrevia movido à irritação (a irritação era a minha benzedrina, seja lá o que for isso, mas alguns escritores só escreviam movidos a isso). Me irritava profunda e desesperadamente lendo aquelas coisas – e outras do tipo “o feminismo retira da mulher a sua maior glória e realização: cuidar da casa, do marido e dos filhos”… Mas eu me tornei uma pessoa mais calma, acho. Às vezes esse tipo de coisa me irrita, em outras vezes, eu somente me surpreendo com a inocência das pessoas que dizem esses disparates. Acho que consigo entender o que jesus sentia quando disse “perdoa-os, eles não sabem o que fazem”. É como você ver um cachorrinho correndo atrás do próprio rabo. O cachorrinho fazendo isso chega a ser comovente de tão burrinho que é, e no caso de quem faz aquele tipo de afirmações reproduzidas ali em cima, seria também comovente e adorável, se não fosse tão nocivo.</p><p>Como eu estava sem assunto, resolvi lançar mão do mesmo recurso de outrora (viu só como eu sei escrever bonito? Consegui juntar, em uma mesma frase “lançar mão do mesmo recurso” e “outrora”!!): ir no google e digitar alguma coisa como “feminismo”, “aborto” ou “homossexualidade”. No caminho até algum site muito idiota, se acha muita coisa interessante (como <a href="http://colectivofeminista.blogspot.com/">http://colectivofeminista.blogspot.com/</a>, por exemplo), mas muita mesmo. Felizmente, ao que parece, tem mais coisas interessantes do que coisas retardadas. Mas sempre há alguma idiotice nova no ar. Mas dessa vez não fiz isso para me irritar. Foi só para achar algum assunto, e até me diverti com as “Falácias dos slogans pró-aborto” (humor negro, claro), no site do Portal da Família. Aí eu resolvi escrever sobre o texto deles. Não vou indicar o site, se você queiser, me peça por e-mail, mas não vou fazer propaganda do endereço do site aqui.</p><p>O que eles fizeram? Pegaram 20 argumentos utilizados em defesa do aborto e “explicaram” porque eles são falácias (grupos “pró-vida” adoram o termo “falácia”, vá entender…), mentiras, enganos, engodos.</p><p>Eis o texto da Falácia nº 9 – Impor a Moralidade:</p><blockquote>
<p>Outro slogan vulgar postula o seguinte: “Proibir          o aborto é legislar moralidade. Pessoalmente sou contra o aborto,          mas não posso impor as minhas convicções morais aos          outros”. E o slogan companheiro deste é assim: “Nosso          país é um Estado laico, há separação          entre a Igreja e o Estado. Logo não se pode legislar moralidade,          ou fazer leis de base religiosa”.<br/>        Sobre isto diga-se o seguinte:<br/> </p>
<p>1. “Proibir a escravatura é legislar moralidade.          Pessoalmente sou contra a escravatura, mas não posso impor as minhas          convicções morais aos outros”. “A Igreja proíbe          a escravatura. Como nosso paísé um estado laico não          se podem fazer leis de base religiosa. O Estado não pode proibir          a escravatura sob pena de estar a violar a separação de          poderes”.<br/> </p>
<p>2. “Proibir o infanticídio é legislar          moralidade. Pessoalmente sou contra o infanticídio, mas não          posso impor as minhas convicções morais aos outros”.          “A Igreja proíbe o infanticídio. Como Portugal é          um estado laico não se podem fazer leis de base religiosa. O Estado          não pode proibir a infanticídio sob pena de estar a violar          a separação de poderes”.<br/></p>
<p>3. “Proibir a violação é          legislar moralidade. Pessoalmente sou contra a violação,          mas não posso impor as minhas convicções morais aos          outros”. “A Igreja proíbe a violação. Como          nosso país é um estado laico não se podem fazer leis          de base religiosa. O Estado não pode proibir a violação          sob pena de estar a ferir a separação de poderes”.         <br/> </p>
<p>4. “Legalizar o aborto é impor a moralidade          de alguns aos outros. Pessoalmente sou a favor da legalização,          mas não posso impor a minha moralidade aos outros.” “Como          nosso país é um estado laico, só podem existir leis          de base ateia”.<br/></p>
<p>5. Como se vê estes slogans valem nada. Todos          eles ignoram que o fundamental de uma lei é saber se é justa          ou não. A proibição de matar é uma lei justa          ou uma imposição moral? A proibição de roubar          é uma lei justa ou uma ofensa à separação          de poderes?<br/>        6. Se não se pode impor a moralidade, como poderão ser as          leis? Imorais?<br/> </p>
<p>7. Por trás deste slogan está uma cascata          de preconceitos. A saber, a)moralidade é religião; b)todas          as religiões são iguais; logo, c) todas as morais são          iguais. Mas se tudo isto é verdade, que base existe para punir          o seguidor de um culto satânico que faz sacrifícios humanos?         <br/> </p>
<p>8. Não se pode dizer que, por exemplo, se os          africanos são contra o racismo, então toda a pessoa que          luta contra o racismo é africana. Do mesmo modo, não se          pode dizer que se as religiões têm sistemas morais, toda          a moral é religião.<br/> </p>
<p>9. Basta que uma religião proíba um          determinado ato, para que os Estados fiquem proibidos de o proibir, sob          pena de estarem a violar a separação entre Igreja e Estado?          Será preciso que a Igreja aprove o homicídio para que o          Estado o possa proibir? Ao proibir o homicídio, Igreja e Estado          fazem a sua obrigação. Ao permitir o aborto, o Estado foge          à sua obrigação.<br/> </p>
<p>10. Além do mais, a proibição          do aborto é uma questão moral muito sui generis. Concordam          na proibição do aborto pessoas que devem estar de acordo          em muitas poucas questões mais. Seguem-se algumas pessoas de primeiro          plano, dentro dos grupos a que pertencem, e que defendem a proibição          do aborto:<br/> </p>
<p>Metodistas: Paul Ramsey,          Stanley Haverwas, Albert Outler, Donald Wildmon;<br/>Luteranos: Richard Neuhaus, John Strietelmeir;         <br/>Judeus: Rabbi Chaim Lipschitz, David Novak,          Hadley Arkes, David Bleich, Baruch Brody, Nathanson (agora convertido          ao catolicismo).<br/>Ateus: Nat Hentoff, Christopher Hutchins.         <br/> </p>
<p>11. Na questão do aborto não está          em causa saber qual a fonte, a origem ou a legitimidade para fazer leis.          O Estado já faz leis. O que interessa saber é porque se          julga o Estado com legitimidade para proibir o infanticídio e não          se julga com legitimidade para proibir o aborto. Por que não é          a proibição do infanticídio uma imposição          da moralidade enquanto o aborto o é? Será pelo fato das          vítimas serem essencialmente diferentes? Mas onde está a          diferença?<br/> </p>
<p>12. Ainda que tudo isto fosse falso, o resultado é          que o slogan referido permite defender o aborto até aos nove meses          posto que não há nada nele que impeça a legalização          do aborto em qualquer ponto da gravidez. Logo, ou o slogan está          errado ou aceitamos o aborto até aos nove meses.</p>
</blockquote><p>Bom, o “slogan”mencionado parte da idéia de que não se pode estender a proibição do aborto a todas as pessoas com base na alegação de que apenas algumas acham o aborto imoral. Ou seja, não é porque A não deseja abortar que B precisa deixar de abortar. Mas aí eles mencionam outro “slogan”: o de que não se pode proibir o aborto somente porque a igreja proíbe, pois o estado é laico.<br/>O que eu quero dizer disso é tão simples que chega a ser difícil.<br/>O “slogan” que eles querem denunciar como falácia é a idéia de que se eu não gosto que façam comigo, nada impede que você faça com você. Mas aí o texto anuncia um “slogan companheiro deste”, que é a idéia de que o estado não pode proibir o aborto simplesmente porque a igreja proíbe.<br/>É uma jogada muito boa do texto igualar as duas idéias. Mas o “slogan companheiro” é uma idéia que pode, realmente virar uma falácia, mas somente quando uma pessoa quer que o Estado sempre contradiga a igreja, como quem dissesse “se a igreja diz que o domingo vem depois de sábado, o estado tem que dizer que o sábado vem depois do domingo”, ou seja, fizesse birra.<br/>O texto faz o quê? Aponta o absurdo que seria defender que o estado deve sempre contrariar a igreja. Mas fala isso como se falasse do “slogan” que diz se eu não gosto que façam comigo, nada impede que você faça com você.<br/>O texto quer fazer parecer que quem defende que eu não posso impor minha moral aos outros está defendendo que o estado deve sempre contrarias a igreja.<br/>Mas essa jogada do texto somente é possível igualando o “slogan” ao “slogan companheiro”, e, ainda por cima, igualando o “slogan companheiro” a uma birra.</p><p>Vou tentar me explicar mais claramente. Existe a idéia de que eu não posso impor minha moral aos outros. Aí o texto diz que defender essa idéia é o mesmo que defender outra idéia, a de que o estado não pode impor preceitos cristãos às pessoas. E diz que quem defende a segunda idéia, defende que o estado precisa sempre contrariar a igreja.</p><p>Mas defender a idéia de que eu não posso impor minha moral aos outros é uma coisa. Outra coisa é entrar no caso da relação entre a igreja e o estado. Quando se defende a separação entre igreja e estado, não se está atacando a moral da igreja, nem dizendo que ela é feia: simplesmente se está dizendo que as decisões do estado não podem ser determinadas pela igreja. Até mesmo seria absurdo uma pessoa defender o estado laico e dizer que o estado é laico quando contraria a igreja – nesse caso, a igreja ainda estaria determinando as decisões do estado. Estado laico significa que a opinião da igreja não determina a opinião do estado.</p><p>Aí o textinho vem com essa: “Por que não é          a proibição do infanticídio uma imposição          da moralidade enquanto o aborto o é? Será pelo fato das          vítimas serem essencialmente diferentes? Mas onde está a          diferença?” Esse trechinho supõe que matar uma criança seja o mesmo que fazer um aborto – mas essa é uma idéia defendida pela igreja, é uma opinião da igreja – até onde eu saiba, a sra. Ciência não definiu ainda se um feto é tão gente quanto uma criança, aliás, a sra. Ciência ainda não conseguiu explicar o que é vida, nem definir o que é “ser humano“, portanto, ainda não é possível dizer se um feto tem o mesmo estatuto, o mesmo status de uma criança. Ou seja, o que o texto faz é dizer que a posição da igreja é pressupor uma opinião da igreja como se fosse uma verdade indiscutível, e, com base nessa pressuposição, afirmar que quem se opõe ao infaticídio deve posicionar-se também contra o aborto.</p><p>Enfim, o que o texto do Portal da Família faz é distorcer uma idéia para dizer que essa idéia é um engodo. Ou, falando nos termos deles, o que eles fazem é criar uma falácia para chamar uma idéia não-falaciosa de falácia.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Porquê…</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07b95-porque</guid>
      <pubDate>Fri, 09 Feb 2007 08:21:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/02/2007</p><p>… meu computador mostra coisas como “AssociaÃ§Ã£o ILGA Portugal”?<br/>… meu computador agora só funciona deitado de lado?<br/>… meu computador é assim?<br/>… eu faço perguntas desse tipo?<br/>… eu não tenho tempo para escrever sobre coisas sérias mas tenho tempo de escrever esta listinha de perguntas?<br/>… eu gosto tanto de listas?<br/>… eu não vou dormir?</p><p>Um doce para quem souber as respostas.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Fascismo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07b94-fascismo</guid>
      <pubDate>Fri, 09 Feb 2007 08:06:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/02/2007</p><blockquote><p>FACISTA adj. (Do it. fascista, de fascio, feixe.) 1. Que se refere ao fascismo ou a um regime análogo. – 2. que traduz tendências diatoriais e vioentas. / adj. e s. m. e f. 1. Partidário ou simpatizante do fascismo, de um regime ditatorial. – 2. Que ou aquele que impõe uma autoridade arbitrária, ditatorial e violenta aos que o circundam.</p></blockquote><p>São seis da manhã, minha internet é discada e, como eu levei meia hora só para copiar isso da enciclopédia, eu não vou poder escrever nada do que eu queria.<br/>Mas me assusta muito que ainda existam muitas pessoas fascistas no mundo. Embora eu tenha esperanças de que seja pura paranóia minha.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Técnicas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 09 Feb 2007 07:43:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/02/2007</p><p>Eu acho que realmente tenho uma maneira muito estranha de lidar com as coisas.<br/>Por exemplo: eu me apaixono, e percebo que não rola, não vai dar certo, no way. O que eu faço? Ao invés de me afastar, ou  pagar para ver e dizer o que eu sinto,  como qualquer pessoa normal (tenho braços, uma boca, pernas, essas coisas todas relativamente comuns em seres humanos – trata-se de outras anormalidades) faria, eu me aproximo do grande amor da minha vida, e convivo com ele.<br/>A minha lógica é mais ou menos a seguinte: se eu me apaixono, eu quero conhecer essa pessoa (entre outras coisas). E, conhecendo essa pessoa, eu descubro motivos que fazem com que eu perceba que, por mais que eu tenha me apaixonado, não daria certo. Claro, eu não sei ainda o que fazer com as coisas que fazem com que eu sinta que daria certo, mas nem todo plano é perfeito. Mas eu já estou me enjoando um pouco. Pelo menos, me enjoando com a idéia de ficar chorando pelos quatro cantos a minha dor. Me dei mal inúmeras vezes na vida, mais uma ou menos uma eu já nem sinto tanto assim. Quer dizer, sinto tanto quanto qualquer outra vez, mas não fica mais tão difícil de lidar com a situação, isso não me derruba mais tão facilmente, ou, pelo menos, não por tanto tempo.<br/>Não é como se meu sistema imunológico tivesse finalmente aprendido a me proteger de amores complicados/impossíveis/sem futuro/etc, mas ele aprendeu a, pelo menos, se recuperar mais depressa, reerguer a guarda toda mais rapidamente.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Sal Paradise</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 08 Feb 2007 06:35:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>08/02/2007</p><p>Primeira coisa: eu entro de férias, e poucos dias depois, o raio da internet discada pára de funcionar.</p><p>Segunda coisa: quando faltam menos de dez dias para eu voltar das férias,  eu abro meu computador,  deito ele de lado, não mexo em nada, e a internet volta. Quando eu tiver um carro, se ele parar de funcionar, eu espero que ele volte a funcionar quando eu deitá-lo de lado. Meu rádio, meu celular, as lâmpadas da minha casa, também.</p><p>Terceira coisa: é assustador você abrir sua caixa de email e ver um bilhão de emails não lidos. Tenho quase certeza de que 999.999.990 são spams, 3 são correntes, 4 devem ser mailing-lists (como deve ser isso em português?), e outros três devem ser coisas importantes. Amanhã eu vejo, não tive coragem hoje…</p><p>Quarta coisa: na falta de internet, assisti a todas as três temporadas disponíveis na locadora de Gilmore Girls. Sorte que eu conheci esse seriado antes de conhecer cocaína, porque agora eu já tenho um vício caro do qual eu não posso me livrar, e não preciso mais querer experimentar cocaína para ter um vício caro do qual eu não posso me livrar – cada um com as suas coisas decadentes.</p><p>Quinta coisa: é uma vergonha que eu precise estar de férias e sem internet para ler decentemente um livro, mas: como eu estava de férias e sem internet, resolvi ler decentemente um livro chamado On The Road (que, no Brasil, foi traduzido por Pé Na Estrada, mas acho que até mesmo no Brasil deve ser mais conhecido por On The Road). O livro é todo cheio de significados importantes, como ter sido um precursor da tal geração beat, dos hippies, do movimento punk, inspirou David Bowie, pessoas que o leram quando foi lançado largaram tudo e foram fazer as coisas que leram no livro, etc, mas mesmo assim é um livro legal. Odeio livros com significados importantes. Mas o pior é que a maioria deles são bons mesmo. Vou me retificar, então: odeio significados importantes para livros. Mas, rabugices minhas à parte, o livro é bem a cara dos tempos modernos mesmo. A maneira como foi escrito, as experiências que narra, são bem o tipo de coisas que ainda vigoram com força atualmente. A única coisa que ninguém falou desse livro é que, pelo menos até a página em que eu li, é um livro sobre homens e suas experiências. Nisso ele não é nada inovador e mantém tudo como está.</p><p>Sexta coisa: citação de uma frase legal do livro: “mañana, uma palavra adorável que provavelmente quer dizer paraíso.” (capítulo 13)</p><p>Oitava coisa: alguém no mundo leva mesmo a sério esses marcadores para os posts??</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Música</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07a91-musica</guid>
      <pubDate>Thu, 25 Jan 2007 17:24:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/01/2007</p><p><strong>Tango do Covil<br/></strong><br/>Ai, quem me dera ser cantor<br/>Quem dera ser tenor<br/>Quem sabe ter a voz<br/>Igual aos rouxinóis<br/>Igual ao trovador<br/>Que canta os arrebóis<br/>Pra te dizer gentil<br/>Bem-vinda<br/>Deixa eu cantar tua beleza<br/>Tu és a mais linda princesa<br/>Aqui deste covil</p><p>Ai, quem me dera ser doutor<br/>Formado em Salvador<br/>Ter um diploma, anel<br/>E voz de bacharel<br/>Fazer em teu louvor<br/>Discursos a granel<br/>Pra te dizer gentil<br/>Bem-vinda<br/>Tu és a dama mais formosa<br/>E, ouso dizer, a mais gostosa<br/>Aqui deste covil</p><p>Ai, quem me dera ser garçom<br/>Ter um sapato bom<br/>Quem sabe até talvez<br/>Ser um garçom francês<br/>Falar de champinhom<br/>Falar de molho inglês<br/>Pra te dizer gentil<br/>Bem-vinda<br/>És tão graciosa e tão miúda<br/>Tu és a dama mais tesuda<br/>Aqui deste covil</p><p>Ai, quem me dera ser Gardel<br/>Tenor e bacharel<br/>Francês e rouxinol<br/>Doutor em champinhom<br/>Garçom em Salvador<br/>E locutor de futebol<br/>Pra te dizer febril<br/>Bem-vinda<br/>Tua beleza é quase um crime<br/>Tu és a bunda mais sublime<br/>Aqui deste covil</p><p>No dia em que eu namorar, <em>pode</em> ser que ela queira casar comigo, e <em>pode</em> ser que eu aceite.<br/>Mesmo com tantas contingências (<em>se</em> eu namorar, <em>se</em> ela quiser casar, <em>se</em> ela aceitar), eu já estou pensando nas possíveis músicas do casamento, para sugerir. Essa aí é uma delas.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Paranóia??</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07a90-paranoia-2</guid>
      <pubDate>Thu, 25 Jan 2007 17:07:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/01/2007</p><p>Eu assisto a uma sériezinha, dessas bem no estilo enlatado norte-americano, que, resumindo, tem como assunto uma agente secreta da CIA, chamada Sidney Bristow, que precisa enfrentar mil coisas para – salvar o mundo, que é tudo o que os EUA fazem. Mas a série é legal. É uma mistura de MacGyver com uma rave e novela mexicana, com muitos segredos revelados, gente morta que não morreu, de repente se descobre que fulano não é filho de quem pensava, e quem menos se imagina é irmão de alguém.</p><p>Apesar de gostar, existem muitas coisas que eu critico nessa série (que se chama “Alias – Codinome:Perigo”… Tosco, mas é legal). Uma das críticas que eu sempre fiz é o seguinte: eles sempre estão às voltas com algum tipo de arma secreta que pode comprometer a vida de milhares de pessoas. E eu me irrito com isso, porque é muita paranóia. Imagine que as pessoas estão inventando armas a toda hora!! Maluquice da série, falta de assunto.</p><p>Mas não é que no jornal El país noticia isto?: “<em>Estados Unidos ha desarrollado un revolucionario sistema para repeler enemigos: el Active Denial System emite ondas de calor, que son invisibles y que penetran en la ropa del enemigo, provocando una sensación de subida de temperatura en el cuerpo</em>“. Na mesma matéria, explicam que a coisa não mata, e que até é muito melhor do que bala, menos perigoso e tal.</p><p>Ah, convenhamos!!! Se fazem uma arma que pode aumentar a temperatura do meu corpo a 500m de distância, eu vou acreditar que A) essa arma não pode ser usada a distâncias maiores (qual a distância entre o Iraque e os EUA?), e que B) a potência da arma não pode ser aumentada para me torrar feito uma pipoca de microondas???</p><p>Eu nunca acreditei seriamente em teorias da conspiração, essas coisas todas cheias de comunidades no orkut. Mas dessa fez, fiquei com medo.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title/>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07a89-601-2</guid>
      <pubDate>Wed, 24 Jan 2007 07:22:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>24/01/2007</p><h2>Maria de Verdade</h2><h2>Marisa Monte</h2><p>Composição: Marisa Monte</p><p>Pousa-se toda Maria<br/>no varal das 22 fadas nuas lourinhas<br/>Fostes besouro Maria<br/>e a aba do Pierrot descosturou na bainha</p><p>Farinhar bem, derramar a canção<br/>Revirar trens, louco mover paixão<br/>Nas direções, programado e emoldurado<br/>Esperarei romântico</p><p>Sou a pessoa Maria<br/>Na água quente e boa gente tua Maria<br/>Voa quem voa Maria<br/>e a alma sempre boa sempre vou à Maria</p><p>Farinhar bem, derramar a canção<br/>Revirar trens, louco mover paixão<br/>Nas direções, programado e emoldurado<br/>Esperarei romântico</p><p>Tou vitimado no profundo poço<br/>na poça do mundo<br/>do céu amor vai chover<br/>Tua pessoa Maria<br/>Mesmo que doa Maria<br/>Tua pessoa Maria</p><p>Farinhar bem, derramar a canção<br/>Revirar trens, louco mover paixão<br/>Nas direções, programado e emoldurado<br/>Esperarei romântico</p><p>Tou vitimado no profundo poço<br/>na poça do mundo<br/>do céu amor vai chover<br/>Tua pessoa Maria<br/>Mesmo que doa Maria <br/>Tua pessoa Maria  </p><p> ***</p><p> Farinhar bem, derramar a canção<br/> Revirar trens, locomove a paixão<br/> Nas direções, programado e emoldurado<br/> Esperarei romântico</p><p>eu sempre encontro essa letra como “revirar trens, louco mover paixão”. Mas, para mim, é “revirar trens locomove a paixão”.<br/>Sei lá, às vezes se precisa revirar trens para locomover a paixão. Não digo como uma imagem: trabalhar um dia inteiro é um trem. Conviver é um trem, uma locomotiva. E às vezes revirar esses trens, deixá-los do avesso, derrubar, descarrilar, são coisas necessárias para locomover a paixão – que também é um trem. E um trem bão, por sinal.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Sobre o post aí debaixo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07a88-sobre-o-post-ai-debaixo</guid>
      <pubDate>Wed, 24 Jan 2007 07:03:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>24/01/2007</p><p>Ah, é por isso que a foto do meu perfil é aquela mão: tem um monte de linhas, algumas delas são a linha da vida, outras linhas inúteis, outras linhas não sei do que, um monte de caminhos.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Porquê "minha geografia?"</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07a87-porque-minha-geografia</guid>
      <pubDate>Wed, 24 Jan 2007 06:07:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>24/01/2007</p><p>Eu gosto das minhas dúvidas e indagações: elas só tem alguma relevância para mim (me, yo, moi).<br/>Por exemplo: porque “minha geografia”? (isso quer dizer que ninguém vai nunca se matar, largar a faculdade, largar o emprego,  matar o presidente nem nada disso com as minhas respostas – só, possivelmente, eu).</p><p>Eu poderia falar da minha história: porque eu sou assim e não assado? Porque eu gosto do que gosto e  não gosto do que não gosto? Como meus pais me criaram? Qual a influência da vida conjugal deles na minha? Isso é psicologia barata, e eu gosto também de psicologia barata, mas é bom variar às vezes. “história” é história, e minha biografia interessa só a mim – aliás, eu a acho muito interessante.</p><p>Além disso, uma história tem muitos nuances: agregada à minha história, tem a história dos meus pais, das minhas irmãs, dos bichos aqui de casa, da minha casa, dos meus avós, dos meus amigos, dos meus vizinhos, da minha rua, da minha cidade, estado e país (sem contar o planeta e mais além ainda), da minha formação, muita coisa.<br/>“Mas, claro,” você diria, “sua besta: por isso selecionamos“. Sim, sim. Mas como selecionar? Que critérios utilizar? Li um livro de Foucault, um francês-careca-gay-inteligente-filósofo-falecido (não necessariamente nesta mesma ordem). Ele falava em fazer séries de séries, e dispor estas séries segundo uma série. Eu não entendi, então isso não me ajuda muito.</p><p>Aí vem a geografia: quando você faz um mapa, você mapeia determinadas coisas. Um mapa rodoviário é um mapa das rodovias, um mapa hidrográfico aponta os rios, um mapa das pizzarias da cidade mostra (dã) as pizzarias da cidade. Mas, além do óbvio: um mapa é muito mais claramente selecionável. “Imparcialidade” é um mito, ninguém é imparcial. Até os nêutrons tem o seu lado – que não é o lado do elétron nem o do [esqueci o nome]. E qualquer história tenta ser imparcial. Eu deixo bem claro que sou parcial. E a melhor maneira de ressaltar essa parcialidade é fazer um mapa meu.</p><p>Determinados assuntos não entram aqui, outros sim, alguns mais frequentemente, outros menos. Quando me perco, vira a bagunça que está.</p><p>Eu imagino que a minha vida tem diversos caminhos concomitantes, tipo diferentes frentes de trabalho: tem a filosofia, tem minha vida em casa, minha relação com as outras pessoas (cada pessoa uma relação diferente), meus gostos, minhas opiniões, minhas experiências (quem vê pensa mesmo que é muito experiente a criatura…), essas coisas. esses caminhos todos às vezes se cruzam, se influenciam, se afastam, mas cada qual tem seu curso próprio. Minha vida em casa influencia na minha vida em relação à filosofia. Mas eu não estudo esse ou aquele livro porque hoje não tem patê para o meu pão, por exemplo. Por outro lado, às vezes leio menos porque o supermercado estava lotado e eu cansei lá.</p><p>Se eu fosse me definir, eu desistiria e iria dormir, porque não gosto de me definir – eu sempre traio as minhas definições e elas nunca são completas, de qualquer modo. Sou uma pessoa muito imprecisa. Eu sou sempre quase isso. Mas nunca é bem isso. Mas uma coisa parecida com uma dfinição é: eu me componho de diversos caminhos (não só disso, claro). “Diversos caminhos” não quer dizer que eu vou para diferentes lados ao mesmo tempo, ou que me divido em várias posições. Não quer dizer algo como “diversas tentativas” ou “não me encontrei”.</p><p>Eu quero dizer que, por exemplo, no amor eu só me dou mal, mas nos estudos, não. O que não me impede de mudar radicalmente o curso dos meus estudos e me manter nesse caminho desastroso de erros no amor (ai que romântico – auto-zoação). Eu poderia dizer que atuo em diversos campos: mas quando estou na faculdade, não estou em casa. Quando saio de noite, não estou nem em casa nem na faculdade. E não quero dizer que estes lugares estejam em mim. Uso muito, mas prefiro evitar metáforas – ainda mais uma metáfora piegas dessas, como “meu lar vive em mim” ou “eu não estou: os lugares é que estão em mim”: tosco e sem sentido.</p><p>Por isso me constituo (não exclusivamente) de caminhos. Esses caminhos formam traçados: fazem curvas, interrompem-se, pegam atalhos, voltam, dão guinadas inesperadas, formam círculos. E o desenho que se forma sou eu – que medo de dizer “sou eu”, mas vá lá… Pelo menos, é parte do que sou eu, prefiro dizer assim.</p><p>Eu, propriamente, é bom deixar claro especialmente paraa mim que às vezes tenho surtos engraçados de megalomania, não sou um caminho. Mas me constituo deles. Eu não sou a filosofia, nem constituo a filosofia, mas a filosofia tem um traçado em mim. Não sou o fracasso nem o sucesso, mas ambos têm caminhos em mim.</p><p>Os meus amores, por exemplo, deixaram um traçado em mim, e em algum ponto do meu mapa está lá, uma linha tocando a linha de outra pessoa. Ás vezes eu procuro algo no mapa. Mas não na minha história: um olhar inesperado e marcante de milésimos de segundos que eu troquei com alguém na rua não é uma história – mas o traçado do meu olhar tocou o traçado do olhar de alguém, e esse desenho está lá, no meu mapa. Imagine se eu fosse considerar a relação da minha história com os romances que li!</p><p>“O livro ‘As Aventuras de Tom Savyer’ marcou muito minha vida. Li-o e vivi aquelas histórias em minha imaginação. Quem lê, viaja”. Além de ser uma coisa chata, tooooodas as professoras falam isso para seus alunos e deve ser por isso que às vezes as crianças se revoltam (às vezes as crianças merecem minha solidariedade: imagine passar quatro horas inteira com uma pessoa dizendo “nhénhénhé”, “agora, vamos pintar a Turma da Mônica”… Ô tédio!!…). As coisas que eu li me marcaram de maneiras diversas: esse livro que disse ali em cima, por exemplo, não me influenciou em construir barcos, em desvendar mistérios, em encontrar tesouros, nada. Mas estimulou meu gosto para ler romances. Eu não teria o que falar dele se fizesse a “História da Minha Formação Literária”: o livro (que esses dias fui reler) é chato, mal-escrito, muito comunzinho. Mas foi importante para mim. Por causa da influência que teve em certos traçados da minha vida. De maneira bastante indireta (mas essencial), por exemplo, ter lido aquele livro fez com que eu não me tornasse a coisa tosca que meus parentes projetavam para mim. E isso não pelo conteúdo, ou pelo estilo, mas porque eu gostei quando li e li mais dizentos outros para ver se achava um parecido, na época. essa não éa versão completa, mas serve de exemplo.</p><p>Por isso “minha geografia”: são os caminhos – alguns dos caminhos – que me constituem.</p>]]></description>
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      <title>sobre o post abaixo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 24 Jan 2007 06:03:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>24/01/2007</p><p>Eu gosto dos meus textos. Menos por narcisismo, e mais porque eu gosto do que escrevo. Não porque fui eu quem escrevi, quero dizer. Mas tenho conexão discada. Aí resolvi parar de gastar dinheiro nas lanhouses e comecei a escrever coisas à tarde para postar depois da meia-noite. E fica uma droga. Na hora o texto ficou legal, mas reli o que escrevi depois que postei e achei tosco. Sei lá, acho que textos – os meus – tem que ser que nem pastel, xis, suco de laranja: só fica bom quando é  feito na hora.</p>]]></description>
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      <title>Fútil</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 24 Jan 2007 06:01:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>24/01/2007</p><p>Acho que descobri que sou uma pessoa fútil.<br/>Tudo começou com meu travesseiro. Fazem anos que eu tenho esse travesseiro. Já viajei com ele para muitos lugares, já esqueci, encontrei, carreguei, babei e dormi muito nele. Ele já estava fino como papel de jornal. Aí eu comprei um traveseiro novo. Fiquei muito feliz com esse travesseiro novo. Ele é de tecido, azul com umas traços brancos na horizontal e na vertical, é bem gordinho e não esquenta muito. É ótimo!!<br/>Depois veio a toalha. Onde esteve meu travesseiro, esteve minha toalha. Anos de uso, ela deve conhecer meu corpo como ninguém. Ultimamente ela tinha mais buracos do que pano, mas ainda secava muito bem. Além de células mortas do meu corpo, ela tinha também restos de tintura de cabelo, um pedaço chamuscado, uma parte encardida e não tinha mais etiqueta. Por isso, comprei uma nova, amarela-mingau, toda felpuda com muitas bolinhas em relevo, maior do que eu – acho que consigo me tapar com ela.<br/>Por último, a maior compra que devo ter feito na minha vida (com excessão do meu certificado de filosofia, se bem que este é parcelado, enquanto que minha última compra foi à vista): um DVD. Um aparelho de DVD, e não uma fita, claro. O outro antigo, fazia “rrrrrrrr” meia hora antes de começar a tocar o DVD, trancava a fita quando bem entendia (acho que depois de tantos filmes que reproduziu, o aparelho adqiriu senso crítico e, quando não gostava de uma cena, trancava o filme em protesto), não abria a bandejinha, e nem o controle funcionava mais. Era um daqueles grandes, todo quadradão, cinza, com números digitais e cheio de coisas em inglês. Esse de agora é bem pequeno – já vi livros maiores que ele -, quase todo branco mas cheio de detalhes em diferentes tons de cinza, um monte de luzinhas (uma de minhas disfunções da infância: aparelhos eletrônicos, para mim, têm que ter luzinhas que piscam para tudo), a fita entra por cima, tipo aqueles CDs portáteis, o controle é do tamanho de uma carteira de cigarro, e ele não é todo reto, e sim cheio de voltinhas, meio arredondado, e os botões ficam na parte de cima, e não na frente. E as coisas vêm em português!! Nada mais de “loading”, “search”, “resume” e “no disc – insert a disc”: agora é só “lendo”, “abrir”, “selecione a opção…” O português não é “A” língua. Gosto muito de espanhol e de francês. E inglês eu sei que preciso aprender um dia. Mas não há nada como saber o que um aparelho está fazendo, e entender o que ele diz.</p><p>Por isso eu descobri que eu sou uma pessoa fútil, futilíssima!! Na Espanha, mais uma esposa foi morta pelo marido, e os latinoamericanos que moram lá estão em conflito com alguns xenófobos. Está acontecendo um FSM na África. O Irã está endurecendo contra a ONU, e a Europa, endurecendo contra o Irã. A América Latina está pegando fogo. A China começou a brincar de lançar mísseis espaciais. E a minha maior preocpação é se eu devo colocar meus CD-Rs do Manu Chao e da Fernanda Abreu para tocar no meu DVD.</p><p>E acho que não, pode estragar.</p>]]></description>
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      <title>Um pouco de biologia amadora.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 20 Jan 2007 06:14:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/01/2007</p><p>Vi um comentário em um blog do que estão ali em cima que, pode ser que eu tenha interpretado mal, mas que me parece ser um exemplo do pior tipo de coisa que a espécie humana consegue produzir. As espécies adaptam-se às necessidades surgidas no contexto em que vivem. Eu não sei que tipo de contexto faz com que desenvolvam-se seres calhordas. Você vê, por exemplo, gatos calhordas? Não. Você consegue imaginar um habitat em que o mais apto é o mais calhorda? Calhordice não é o mesmo que esperteza. Um ser calhorda é como um verme, um parasita nocivo dos seres de sua própria espécie. Uma pessoa calhorda é um ser repugnante. Você sente o cheiro da calhordice de longe (por isso eu posso ter interpretado mal, sou fumante e fumantes possuem narizes um pouco deficientes). E sente vontade de vomitar, e um dos melhores digestivos contra a ânsia que esse tipo de vermes provoca é analisar esse tipo de verme. Um santo remédio.</p><p>Primeira coisa sobre isso: “puta” pode ser ou não um xingamento (segundo motivo pelo qual eu posso ter interpretado errado). Conheço muitas putas que sentem-se elogiadas quando as chamam de putas (embora elas saibam quando dizem “puta” em forma de elogio, e quando “puta” é um xingamento). Você pode chamar alguém de puta, portanto, sem ofender. Mas, a princípio, você precisa ter uma certa intimidade com a pessoa para chamá-la de puta querendo elogiá-la (terceiro motivo pelo qual eu posso ter interpretado errado: vai que a criatura que eu estou classificando como verme é amiga de quem escreve o blog e eu estou xingando quem não devia – bom, aí o que eu escrever não se aplica à pessoa para quem eu escrevi, mas escreverei do mesmo jeito porque, no mínimo, isso se aplica a outras pessoas no mundo que, se conheço, já esqueci e espero não lembrar).</p><p>A seleção natural age diretamente sobre indivíduos, e somente indiretamente sobre uma espécie. Isso quer dizer que são os indivíduo que se adaptam (ou nascem melhor adaptados que outros) ao contexto em que vivem. Por isso é que eu me pergunto como a calhordice pode ser um fator de vantagem para um indivíduo na espécie humana. Posso talvez estar utilizando o termo “calhorda” de maneira errada, mas por “calhorda” quero dizer algo como “um parasita que parasita sua própria espécie de maneira nociva”.<br/>Claro que, dessa maneira, pode ser uma vantagem evolutiva ser calhorda: um indivíduo calhorda não é nada, não tem forças para sobreviver ao ambiente em que vive, nem para sobreviver ao convívio com os outros indivíduos de sua espécie. Aí ele parasita um ou mais indivíduos para sobreviver. A seleção, como eu já disse, se foca sobre o indivíduo: é a sobrevivência do indivíduo que sempre está em jogo. Por isso, talvez, seres calhordas consigam, afinal de contas, serem sucessos genéticos: parasitando outros indivíduos, eles conseguem se reproduzir e transmitir assim seus genes calhordas. Mas isso é ruim para os indivíduos parasitados.</p><p>Eu tenho sérias desconfianças sobre esta conversa de que o que importa é a conservação da espécie. Nunca vi uma mariposa lutando pela conservação da espécie. Ursos panda não movem uma palha pela conservação da espécie, quem se preocupa com isso é o Greenpeace. Os indivíduos preocupam-se com a própria sobrevivência e “sepá” (como diz minha irmã) com a sobrevivência de alguns outros indivíduos mais próximos. Preocupar-se com a preservação da espécie não é um, digamos, imperativo biológico. Somente os padres defendem isso (porque é um bom argumento para o casamento heterossexual e para a manutenção do cristianismo, afinal, é do maior interesse da igreja preservar a humanidade para que a igreja possa destruir mais pessoas, ou para que a igreja possa conduzir mais pessoas para o reino de deus, você que escolhe ver a igreja de um ou de outro modo). Claro que um indivíduo pode decidir conservar a espécie por outros motivos: por gosto, por simpatia à espécie, por acreditar que sobreviverá em sua descendência, por nada, enfim, nada de mais. Mas isso é lá com o indivíduo. O que existe de natural nesta conversa é que indivíduos existem em um ambiente – e em todo um contexto que vai além do ambiente, um contexto que compreende também o social, o imaginario, etc – e que diferentes indivíduos têm diferentes aptidões para sobreviver neste ambiente: alguns indivíduos sobrevivem ao ambiente, e outros sucumbem a ele. Portanto, o indivíduo calhorda não se salva nem com o argumento da manutenção da espécie: pois alguém poderia dizer que, sendo parasita, o calhorda, assim como as baratas, seria um dos tipos que, em caso de catástrofe ou hecatombe*, poderia manter a existência da espécie humana, pois sobreviveria. Mas é mais provável que o indivíduo calhorda acabe com a espécie, consumindo cada indivíduo até esgotar todas as suas fontes de sobrevivência. Portanto, já que a manutenção da espécie não é nenhum imperativo, nenhuma obrigação; e caso alguém decida fazer dessa manutenção uma obrigação, terá obrigação de eliminar os indivíduos calhordas. Por isso, eliminar esses indivíduos é uma solução bem atraente. Mas tem mais desvantagens do que vantagens: o indivíduo calhorda poderia, em sua calhordice, conseguir com que fossem eliminados indivíduos não-calhordas em seu lugar; também correria-se o risco de eliminar, por outros motivos, um indivíduo nã-calhorda como se fosse um calhorda; em terceiro lugar, perderíamos um equivalente humano às baratas – mas, por mais nojentos que sejam esses bichos, é uma ofensa às baratas equivalê-las a calhordas; é melhor desconsiderar esse terceiro motivo.</p><p>Tenho vários motivos para não dizer onde foi que encontrei o ser calhorda que me levou a analisar esse tipo: não pedi autorização para quem escreve esse blog para falar dele aqui; também não sei se, de repente, o comentário não foi recebido simpaticamente (eu posso muito bem ter interpretado mal – sei bem a diferença entre “puta” e “puta”); por fim, o último motivo que tenho para não dizer onde foi que encontrei a coisa calhorda é, também, a atitude mais saudável para com esse tipo de parasita: ignorar. Tive de fazer esse texto, mas eu falo aqui da calhordice em geral, e não do clahorda em particular – que bem pode não ser calhorda, afinal de contas. Ás vezes é necessário atitudes como essa de remexer na lixeira da espécie humana, como quem utiliza veneno de cobra como vacina para o próprio veneno. Mas não vou dar audiência ao calhorda em questão (tudo o que ele quer é atenção, é uma forma de parasitar os outros) nem ao seu blog. Também não vou querer que as pessoas vão visitar algum dos meus links para ver coisas calhordas – são links muito bons e existem centenas de milheres de motivos saudáveis para visitá-los, senão não estariam ali. Mas espero que esse texto ajude no trato e na lida com indivíduos calhordas. Tipo como uma referência para não se ficar doente por causa desse tipo de parasita, sei lá, ou um manual – não exaustivo – contra certas doenças.</p><p>*eu nunca entendi bem o que é “hecatombe”, mas gosto da palavra e parece que ela tem algo a ver com desgraças ou coisas assim.</p>]]></description>
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      <title>Lei</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 20 Jan 2007 06:02:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/01/2007</p><p>Vi no Jornal do SBT que um homem matou a mulher, e foi se entregar à polícia. Não entendi bem porque, ele não poderia ser preso – acho que por ter se entregado. Então ele foi em outra delegacia, a mesma coisa. Por último, ele foi em uma delegacia do tipo “central das delegacias”, alguma coisa assim. E, de novo, disseram que ele não poderia ser preso – a menos que ele fugisse, aí sim.</p><p>Eu não sei o que pensar, sinceramente. Acho que a pior coisa, mesmo, é que, provavelmente, se o cara tivesse atropelado uma tartaruga em uma estrada que passasse por alguma àrea de conservação, ele conseguiria ser preso.  Segundo um tio meu, se você estiver em uma estrada que passe por uma área de preservação ambiental e atropelar um bichinho, vale a pena atirar no policial que for prender você, caso você queria evitar problemas maiores: se lhe prenderem por ter atropelado o bicho, você pega muitos anos de cadeia e não poderá pagar fiança, mas se lhe prenderem por ter matado o policial, você poderá pagar fiança. Não sei se isso não mudou com esse novo Código Civil. Não deve ter mudado, pois se uma pessoa mata a esposa e não pode ser preso quando vai se entregar, qualquer bizarrice penal é coisa pouca.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Overman</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 20 Jan 2007 05:33:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/01/2007</p><img width="600" alt="" src="/midia/07a82-overman.png"/><p>[https://i0.wp.com/photos1.blogger.com/x/blogger/5650/4250/1600/325515/Overman.gif]Eu sou fã do Overman. Ele é um super-herói com capa, uniforme, identidade secreta e tudo o que tem direito. Mas é engraçado. Ele divide um beliche com Ésquilo, que tem muito mais inteligência do que o super-herói.</p><p>Essa tirinha é muito idiota, mas desde a primeira vez que eu li ela no jornal – só muito tempo depois eu fui encontrar na internet, no site do autor, eu acho – eu sempre acho graça. Sei lá, deve ser algum tipo de reflexo condicionado. Eu acho que gosto de coisas retardadas às vezes. Eu queria muito escrever alguma coisa inteligente sobre isso, mas eu só consigo achar graça mesmo.</p><p>Era isso</p>]]></description>
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      <title>Vantagnes em ser pobre</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 20 Jan 2007 05:29:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/01/2007</p><p>É Simples – Você não perde o seu precioso tempo com grandes sonhos e se contenta com um sonho da padaria no almoço e um Sonho de Valsa no jantar.</p><p>É Saudável – Você tem uma vida de atleta, correndo pra alcançar o ônibus, malhando pra conseguir um lugar pra sentar e se alongando pra passar por baixo da catraca.</p><p>É Anti-Estressante – Nenhum vendedor te liga pra empurrar alguma bugiganga porque, além da sua conta estar negativa, você não tem telefone!</p><p>É Aliviante – Com a sua fama de pé-rapado, nenhum amigo te pede dinheiro emprestado e, dependendo do seu grau de pobreza, eles nem serão mais seus amigos.</p><p>É Emocionante – Você nunca sabe se o dinheiro vai chegar até o final do mês e, assim, tem uma rotina muito menos previsível!</p><p>É Invejável – Enquanto os seus vizinhos farofeiros viajam, pegam trânsito no feriado e sofrem com as praias lotadas, você descansa na comodidade do seu barraco.</p><p>É Útil – Você tem de trabalhar aos domingos pra fazer hora-extra e, assim, não precisa assistir aos programas que são campeões de audiência de encheção de saco.</p><p>É Seguro – Você não precisa levar a carteira para todos lugares que for, pois ela está sempre vazia. Assim, os trombadinhas vão passar longe de você!</p><p>É Gratificante – Sem dinheiro pra acessar a Internet, você nunca vai ler textos cretinos como esse.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Resoluções de ano novo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 20 Jan 2007 05:29:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/01/2007</p><p>Vou me dedicar, daqui para a frente, a escrever sobre coisas menos angustiantes que opressão, coisas políticas, coisas sexuais, coisas feministas, coisas assim. Preciso de uma vida mais leve, é verão, preciso ser mais low prolife. Mais “flores na cabeça, nossos pés descalço-ô-ô-ôs, nossa vida toda-a-a-a, de paz e amor” e menos “não sei o que é direito, só vejo preconceito, e a sua roupa nova, é só uma roupa nova, você não tem idéias, prá acompanhar a moda, tratando as meninas, como se fossem lixo, ou então espécie rara, que só a você pertence, ou então espécie rara que você não respeita…” etc.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Os maus, muito maus</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 20 Jan 2007 05:27:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/01/2007</p><p>Hoje eu vi um pedaço de um filme japonês antigo de lutinha (só faltou um “Querido Diário,” no início dessa frase). Apesar de japonês, é estrelado por negros – mas “filme japonês antigo de lutinha” é um gênero, e será “filme japonês antigo de lutinha” mesmo que seja estrlado por Chuck Norris, Edi Murphy ou Angelina Jolie. Não conheço muito este tipo de filme. Sei que vêem na esteira de Bruce Lee, e que ficam muito engraçados com Jackie Chan. Só reconheço mais ou menos, a estética do filme, que tem aqueles quimonos parecidos com terninhos, uma escola de luta, a vaorização da honra ou qualquer valor cultivado por antigos (quaisquer que sejam os antigos, que vão desde lendários samurais até o sr. Miaggi – não sei se se escreve assim, talvez eu esteja confundindo com Maggi, ou miojo), e um grupo mau, muito mau, que oprime um grupo bom, muito bom.</p><p>O grupo mau, muito mau vai a extremos: ou se veste com roupas muito legais, ou muito debilóides. O grupo mau, muito mau do filme que eu vi era uma mistura de carnaval carioca com Mortal Kombat: penachos nas cabeças, estampas de oncinhas e coletes cheios de cortes diferentes. Sendo um grupo mau, muito mau, eles são realmente maus: humilham as pessoas mais fracas e aproveitam-se da nobreza dos nobres – que no fim do filme perdem a paciência, descem do salto e brigam.</p><p>O grupo bom, muito bom é bonzinho. Trabalham de dia e aprendem a lutar à noite. Encaram a luta como arte. Fazem daquilo um aprendizado para elevar seus espíritos aos mais altos patamares que um espírito iluminado pode alcançar sem sair do corpo nem virar Buda. Controlam suas reações, já que são verdadeiras máquinas de guerra que podem matar alguém com sua força e conhecimento (mais ou menos como a Liga da Justiça que passa no SBT atualmente). São bonzinhos.</p><p>Mas eu queria falar mesmo era dos maus, muito maus. Os maus, muito maus são muito inocentes, às vezes. O líder dos maus, muito maus adora ser adulado (“O” líder é sempre um homem – mas o líder dos bonzinhos também é). E os seguidores do líder são discípulos fervorosos, fiéis e obedientes. Amam seu líder. São inocentezinhos.</p><p>Acho isso engraçado porque, não tanto os filmes, mas esses dois grupos (os maus, muito maus e os bons, muito bons) fizeram parte da minha, sei lá, formação de vida.</p><p>Tenho diversos motivos para me indispor com coisas como igreja e exército. Mas os motivos iniciais que tive foram a identificação com esse amor fervoroso que os maus, muito maus têm pelo seu líder. O líder dos maus, muito maus é inquestionável, todo-poderoso, brabo, grita, sabe de tudo e tem necessidade de ser constantemente louvado. E eu odeio isso. Não consegui, é verdade, me identificar nunca com os bons, muito bons: eles são muito chatos. É uma vida muito tacanha ser parte dos bons, muito bons. Não estou fazendo apologia à loucuragem, à porralouquice, etc. Mas as pessoas sentem coisas, dizem “puta que o pariu” e são um pouquinho más, às vezes. Nada do tipo ir quebrar o restaurante japonês do inimigo, quero dizer. Mas levar uma vida de bom, muito bom é chato. Eu sei porque eu já tentei e tudo o que aprendi foi que existe o tédio, o Tédio, o TÉdio, o TÉDio, o TÉDIo e o TÉDIO, e mesmo o TÉDIO não é o maior nível. A vida dos maus, muito maus, também é chata, porque também é parecida com a vida na igreja ou no exército: uniformidade, uma pessoa como ideal de vida, obediência, e ilusão de ser “fodão”. O máximo que um fodão consegue é ser um “fofão” – trocadilho forçado, mas eu tenho essa mania besta. Desculpem, fico até sem jeito.</p><p>Mas os maus, muito maus – voltando a eles – são a coisa mais dvertidas desses filmes, hoje em dia, para mim. Porque são patéticos. Os bonzinhos são voluntariamente patéticos. Mas os maus são descolados, são super, são “fodões”. E tudo o que conseguem realmente ser é patéticos.</p><p>Pode ser que pensar assim seja uma auto-crítica, ou algum tipo de vingança contra pessoas do meu passado (se você tiver uma abordagem psicanalítica do que eu disse, guarde-a para si, detesto psicanálise). Mas que eu me divirto, eu me divirto.</p><p>Aí eu penso: “mas esse filme está muito tosco”, e troco de canal. Paro na novela O Profeta, quando uma cabeça (sim, somente a cabeça) conversa com a personagem principal (uma loirinha que apanha do marido) e diz a ela que ela deve cuidar muito bem da criança, porque esta criança vai trazer luz ao mundo, enquanto que ela, a personagem, está sentada, acariciando a barriga em um misto de congestão e felicidade, e os efeitos especiais toscos da Globo colocam um brilho saindo da barriga dela – o mesmo brilho, aliás, que circunda a cabeça falante. Em primeiro lugar, essa conversa de “filho que vai trazer luz ao mundo” tem, no mpinimo, dois mil anos de idade, e eu não acredito que ainda não tenham enjoado desse roteiro – ou será que esta novela é uma forma moderna de contar a vida de Jesus, o Profeta? Em segundo lugar, nada do que uma cabeça flutuante me fale eu vou acreditar. Imagine: eu estou em casa, e aparece uma cabeça falando comigo!! Ou eu corro, ou eu tenho um acesso de riso. Ou eu cumprimento: “E aí Cabeção!!”.<br/>Prefiro voltar ao filme de lutinha, onde o cara mau, muito mau, agora lança raios… Quem dera eu lançasse raios, para usar meus superpoderes nessas redes de TV chatas e sem criatividade e graça nenhuma.</p>]]></description>
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      <title>Borges</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 19 Jan 2007 03:56:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/01/2007</p><p>“Jorge Luís Borges armou um hábil jogo intelectual com a idéia do original e da cópia. No conto ‘Pierre Menard, autor do Quixote’, o narrador copia um trecho do romance de Cervantes. Trata-se do mesmo texto, sendo outro, porque o leitor do século XVII não é o leitor do séxulo XX.”</p><p>Eu nunca pude falar desse texto (Jorge Menard, autor do Quixote) antes por um motivo muito simples, muito bobo, tão besta e tão bobo que até parece uma coisa muito complexa: eu não conseguia explicar o texto, sem citar praticamente o texto todo. Não é que eu não tenha entendido, é que eu nunca consegi explicar esse texto.</p><p>E é uma idéia, ela também, tão simples, que parece difícil – e foi por isso que eu copiei o trecho acima de uma revista. Pierre Menard copia um trecho do Quixote e quer apresentar o que escreveu como sendo de sua autoria. Além da referência que o autor do artigo faz à diferença entre os leitores do século XVII e os do século XX, o narrador do conto, Pierre Menard, mostra outra diferença: imagine que ele, Pierre, escreveu no século XX um texto típico do século XVII. Ele não copiou D. Quixote, ele reescreveu. Mas reescreveu mantendo cada palavra, cada letra como estava no original – certamente um texto muito diferente dos textos atuais. Utilizou um espanhol antigo, já em desuso, um estilo antigo, cenas e costumes passados. Nem Cervantes escreveu uma obra assim, já que, quando escreveu D. Quixote, o espanhol que usou, as cenas e costumes que descreveu, o estilo que desenvolveu, eram contemporâneos.</p><p>Esse conto de Borges vale, para mim, antes de mais nada pela genialidade muito simples. Pelo menos para mim: eu, se tivesse tido essa idéia, diria em duas linhas que um romance antigo copiado e publicado hoje, seria diferente porque está inserido em outra época, em outro contexto. Sou uma pessoa simplória, no fim das contas.</p><p>Mas J.L. Borges teve uma idéia genial e escreveu o texto de maneira genial também.</p><p>Além disso, é um texto que funciona muito bem nos dias de hoje, em que se fala muito em direitos autorais: até que ponto um texto é inédito? Um dia li um texto do Luís Fernando Veríssimo (por quem tenho certas reservas, mas me divirto lendo) em que ele fala de escritores que citam algum trecho de algum livro na introdução: ele (LFV) se perguntava porque ele não poderia citar, por exemplo, todo o Dom Casmurro na introdução, e escrever depois uma história com dois parágrafos? Reneé Magrite tem um quadro que se chama (ou eu acho que se chama) Ce nes’t pas a pipe (“Isto não é um cachimbo”, e não confie na minha grafia em francês), que consiste no desenho de um cachimbo e, abaixo do desenho lê-se “isto não é um cachimbo” (escrito em francês); outro quadro de Magritte é o mesmo desenho, mas dentro de um quadro apoiado em um tripé e, acima do quadro, um cachimbo enorme. E se eu (em um excepcional rompante de artista, porque não sei pintar) pintasse um quadro que representasse o quadro de Magritte na sala da minha casa (um quadro muito ficcional, portanto, pois não tem nenhum quadro de Magritte na sala da minha casa)? E se outra pessoa pintasse outro quadro que representasse o meu quadro na sala da casa dela? E mais outra representasse o quadro anterior ao lado de uma garrafa de Coca-cola?</p><p>Na Wikipedia discute-se muito se deve-se adotar ou não o fair-use. Todo conteúdo cedido à Wikipédia deve ser, necessariamente, livre de direitos autorais. Mas se eu copio algo de outra pessoa sem permissão, estou infringindo seus direitos autorais, portanto, não se enquadra na licença da Wikipédia. Porém, quem defende o fair-use defende que os direitos autorais são direitos menores diante do direito à educação e à informação, e que, portanto, vale a pena copiar material alheio e colocar na Wikipedia. Eu até seria a favor disso, se a licença da wikipedia não liberasse o uso do seu material, também, para fins comerciais. Sou completamente a favor do copyleft e essas coisas todas, mas desconfio muito quando alguém vem querer ganhar dinheiro em cima do trabalho dos outros – coisa que eu faria se eu tivesse oportunidade, pelo menos enquanto eu não acertar uma Mega Sena acumulada. O problema nem é ganhar dinheiro em cima do trabalho dos outros – se meu trabalho pudesse render dinheiro também a outras pessoas, bom para elas. O problema é que se você, por exemplo, copia um texto protegido com copyright para a Wikipedia, arrisca a vir alguém e ganhar dinheiro com seu texto, enquanto que você não ganha.</p><p>Claro que isso é uma enorme hipocrisia social: é justamente isso que acontece com quem trabalha em chão de fábrica, por exemplo. A pessoa que monta os tênis que serão vendidos não é a autora daqueles pares de tênis que montou? Ou, no mínimo, co-autora, junto com a pessoa que projetou? O estivador não é o autor do carregamento da carga que carregou no navio? A secretária que redigiu a ata de umareunião não é a autora do texto que reproduz o que foi dito na reunião? Essas pessoas não recebem direitos autorais pelo que fazem, e sim um salário que permite abrir um crediário e parcelar a conta do telefone quando vem alta. Eu iria gostar de receber direitos autorais pelos memorandos e relatórios que faço: alguns são, modéstia à parte, pequenas pérolas.</p><p>Mas tudo isso foi só para falar daquele texto do Luís Borges, que é muito bom. A coisa boa em descobrir estes textos ótimos tardiamente – se eu me interessasse, poderia ter lido tudo isso quando era adolescente e ficava rateando na rua – é justamente descobrir estes textos hoje em dia. É muito bom achar novidades assim para ler.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Mais Monique Wittig</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07a77-mais-monique-wittig</guid>
      <pubDate>Thu, 18 Jan 2007 04:25:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/01/2007</p><p>Eu ia dormir e chegar no trabalho na hora. Mas desisti.</p><p>O que quer dizer o texto da Monique Wittig (eu só posso falar desse texto porque  só existem livros dessa autora em francês, e eu até me viro com um “bonjour” ou “je ne se pa”, mas ler um livro não funciona)?</p><p>Coisas óbvias: compreendemos o mundo a partir de determinadas categorias. Isso Kant já disse, é teoria do conhecimento. Que Kant tenha fundado tudo em um modelo pré-fabricado baseado na Física, Hegel já disse – e Hegel é mau, apesar disso.<br/>Compreender o mundo a partir de determinadas categorias é você dividir o cinema em, por exemplo, Hollywood e o resto. Você consegue isolar produções holywodianas de todas as outras, mas terá de ignorar que cinema brasileiro é muito diferente do iraniano, e, se levasse isso em conta, já seria outra categorização, e não mais Hollywood X o resto. Ou você poderia dividir sua compreensão do cinema entre documentários, filmes de ação, romances água-com-açucar, comédia, etc. Ou de qualquer outra maneira. Mas são compreensões diferentes do cinema. Se alguém dividisse o cinema em “Hollywood X o resto”, iria dizer que “Acossado” está no mesmo solo que “Deus e o diabo na terra do sol”, e podem até estar, mas não completamente. Mas, para essa pessoa, os dois seriam filmes igualmente chatos, e seria difícil conversar sobre cinema com alguém que pensasse assim. Isso porque sua categoria de “o resto” é uma mesma coisa, e eu teria que explicar as diferenças, e quando pensássemos em um exemplo de filme com boa fotografia, esta pessoa pensaria em Matrix, e eu, em cinema iraniano. Explicação complicada…</p><p>Outras categorias: isso se encontra em Deleuze, mas ele transforma tudo em rizomas, quer dizer, em vez de uma rede bem-delineada, com caminhos desenhados, até talvez tortos, mas objetivos; ligações esperadas, ligações inesperadas, caminhos que se cruzam de maneira surpreendente, surpreendentes não-ligações, como as raízes de gramas. Ou seja, tudo bem, há categorias, mas por mais que determinadas categorias sejam sobrevalorizadas, consideradas “corretas”, ainda assim surgem outras categorias – por isso é que, por exemplo, uma pessoa pode “pensar homossexualmente” em uma sociedade de “pensamento heterossexual”.</p><p>Mas qual a categoria predominante na maneira como se pensa a sociedade? “Uma mulher”, por exemplo, forma uma categoria em que entra muita gente portadora de determinadas características. E, socialmente, “uma mulher” “casa” com “um homem”. “Uma mulher”, “casar” e “um homem” são categorias “feitas umas para as outras”, na nossa sociedade.</p><p>Por isso que a autora diz, no fim do texto, que uma lésbica não é uma mulher. Tudo bem que, hoje em dia, mesmo a criatura mais preconceituosa sabe que a Cássia Eller é uma mulher (aliás, era). Mas esse “uma lésbica não é uma mulher” significa que “mulher mesmo é assim”, e “mulher mesmo”, hoje em dia, para a maioria das pessoas, é quem cuida da casa, dos filhos, do marido, do emprego fora de casa, e ainda tem tempo de se embelezar, faz regime, faz escova de chocolate etc. Imagine que horror uma mulher que não queira ter filhos. Aceita-se uma lésbica porque ela quer casar – mas aí se inventam teorias aos montes sobre “porque ela quer casar com uma mulher?”, quando ninguém se preocupa com os motivos que levem uma mulher a casar com um homem, a não ser que isso, indiretamente, ajude a descobrir porque certas mulheres querem casar com mulheres. Isso é uma categoria, e por mais que a categoria “mulher” seja a coisa que mais muda no mundo e na história, ainda assim uma mulher precisa portar-se como mulher.</p><p>Um outro exemplo, espero que mais claro: porque professores ganham mal? Porque o magistério é uma profissão feminina, e toda mulher tem um homem que a sustenta. Simples assim. E, ainda por cima, a maioria das pedagogas ainda ajuda a manter esse estado de coisas…</p><p>São categorias findamentais: por mais que a categoria mude, ainda assim as pessoas obrigam-se a enquadrarem-se nelas.</p><p>O que a autora aponta, particularmente, é que uma lésbica não é uma mulher porque mulher se casa com homem. Mas isso é no tempo dela – certo, muita gente hoje pensa assim, mas a situação é bem diferente de 1980. De maneira mais geral, porém, ela aponta que não importa o que você seja, você será ou dentro do grupo “mulher” ou do grupo “homem”, e toda a sociedade é pensada a partir disto. Qualquer coisa que se faça, se faz com base nesse filtro.</p><p>Fala-se em literatura feminina, em moda masculina, em profissões femininas… E é esta categorização, é esta divisão entre homens e mulheres que está na base de qualquer opressão – machista, homofóbica, racial, o que quer que seja. Mesmo coisas unissex são fruto desta divisão. “Tênis” é um calçado unissex. Mas vá na prateleira e não será difícil diferenciar os tênis masculinos e os femininos – se for difícil, peça um tênis rosinha-meigo tamanho 42, ou um daqueles cheios de parafernálias e cores berrantes que piscam e sei-lá-mais-o-quê tamanho 35.</p>]]></description>
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      <title>George Orwell</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 18 Jan 2007 04:15:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>18/01/2007</p><p>Os big brothers masculinos (tenho um certo prazer em falar deles como animais, tipo uma arara macho ou um pintassilgo fêmea, mas eu também assisito o programa) tiveram de se vestir de mulheres e fazer um desfile para as big brothers fêmeas. Esse foi o castigo que a produção deu a eles, depois que um dos big brothers masculinos disse que até tinha um amigo viado, mas que se a viadagem começasse a se aproximar dele, ele dava porrada.</p><p>Primeiro: você ter um amigo homossexual (uma amiga lésbica, um amigo “viado”) não é atestado de pessoa-politicamente-correta (sim, porque se você tem que invocar suas amizades com homossexuais para dizer que não tem problema com a homossexualidade dos outros, é porque, provavelmente, você tem sim problema com a homossexualdade dos outros e só quer ser uma pessoa politicamente correta). É sinal de que você suporta aquela pessoa apesar da homossexualidade dela. Eu tenho muitos amigos que fazem direito, o que não atenua meu preconceito contra pessoas que fazem direito, por exemplo. Se você tem que dizer “olha, eu não tenho nada contra, mas…” é porque tem sim. Quem dá muita explicação sobre alguma coisa é porque tem culpa no cartório, e eu sou um dos maiores exemplos disso.</p><p>Segundo: a coisa mais idiota que a globo poderia ter feito era esse desfile com esse povo. Eu posso estar dizendo besteira, mas ninguém quer que as pessoas se vistam de mulher ou virem todas homossexuais. Se uma pessoa tem algum tipo de homofobia, problema dela, merece ser espancada se bater em alguém, merece o meu desprezo se levar a sério essa homofobia mas duvido que alguém deseje que uma pessoa assim vire homossexual. Porque? Bom, homossexualidade não é castig. Se vestir como mulher não é castigo. Imagine a pena de um tribunal: “você foi condenado a dois dias de relações sexuais homossexuais, em regime semi-aberto”!!! E se vestir de mulher foi castigo da globo para aquele povo. Se quisesse castigar o cara que disse aquilo, bastava bater nele, pronto. Isso sim é uma coisa nociva, e não se vestir de mulher. Além do mais, se “puniram” as declarações homofóbicas do cara, reforçaram o status de inferioridade feminina: eles só tiveram que ser mulher por algumas horas – imagine as pobres coitadas que tem que ser mulher o tempo todo. Devem ter sido pessoas muito más na outra encarnação.</p><p>Uma das coisas mais nojentas que eu já vi foi um grupo de homens em um bar, um dia, todos vestidos de mulher, juntamente com suas esposas (também elas vestidas de mulher), fazendo a maior algazarra, caricaturizando mulheres e travestis. Isso é parecido com algo como “dia do contrário”, que nem no desenho do Corcunda de Notre-Dame. Só que uma travesti, e o povo LGBTERFDSA em geral, não é constituído de Quasímodos. Não são aberrações, falhas da natureza. Não um arquivo X para a Scully e o Mulder resolverem. Aqueles caras do bar ficaram somente um dia vestidos de mulher, e só para zoar – pobre dessa gente que tem um pau no meio das pernas (ouoperou) e passa o dia inteiro vestido de mulher. Vamos zoar essa gente também, porque pessoas normais vestem-se segundo seu sexo.</p><p>Não me preocupo com a mensagem que a globo possa ter passado, mas com a mentalidade, com as idéias implícitas na reação da produção do Big Brther: homossexualidade é um estado de excessão. Sim todo mundo sabe que a socieade vê as coisas assim mesmo. Mas assusta perceber o quão difundida essa mentalidade ainda está. Assusta incomoda muito ter certeza de que o problema é maior ainda, do tamanho que eu pensava que era.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Monique Wittig</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 17 Jan 2007 02:42:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>17/01/2007</p><p>Trata-se, então, de saber quais são os preconceitos opressivos, “injustos”, nocivos. Em geral, são os preconceitos que depreciam as pessoas. Nego é de pouca confiança. Lésbica é depravada, gay, além disso, é aidético e pedófilo. Alemão é nazista. Novela da Globo é boa, livro do Paulo Coelho é “edificante”.</p><p>Como se faz este processo?: você cria categorias, e características que caracterizam elementos desta categoria. A partir daí, você passa a colocar dentro desta categoria qualquer elemento que possua uma ou duas características próprias daquela categoria. Lésbica é depravada “Ai, imagine, ela lambe a buceta da outra” diz uma mulher que possivelmente não tem sua buceta labida pelo seu garanhão, apesar de isso ser tudo o que ela queria. “Ui, aquele nego é fedido”, diz uma pessoa branca que sustenta a Rexona e a Avon. Uma mulher que lamba a buceta da outra, uma pessoa cujo fedor é pressentido mais do que sentido, são pessoas fora do que se espera de pessoas “de bem”.<br/>Mas estes são exempos até meio infantis – ainda que muito disseminados.</p><p>A questão é que categorizamos. Até aí, tudo bem. O problema é levar a sério estas categorias. Categorias são uma ficção, um modo de pensar. Se podemos ou não fugir da categorização é outro problema. O problema é naturalizar o que é cultural, convencionado, criação.</p><p>“Negro” é uma pessoa com grandes quantidades de melanina na pele. Uma pessoa bronzeada pelo sol teria direito a ser Miss Negra 2007? Pais brancos descendentes de negros que gerem uma criança negra são uma família de que cor? Um branco, descendente tanto de alemães quanto de negros, tem o direito de celebrar Zumbi dos Palmares como quem celebra alguém de sua própria raça? Faz diferença a cor da minha pele? E a cor dos meus olhos? E a cor dos meus cabelos pintados? Só porque a Daniela Cicarelli é idiota eu vou deduzir que todas as pessoas que têm seis dedos nos pés vão, algum dia, tentar me impedir de usar o You Tube?</p><p>Mas é de se imaginar que exista alguma categorização “primordial” na sociedade. Qual será?<br/>Pois as categrias se interpolam, se misturam demais. Entre homo e heterossexuais, existem bissexuais e transexuais. Entre brancos e negros, existe uma enorme gama de cores – e mais ainda o bronzeamento, o bronzeamento artificial e o pó-de-arroz. Entre os bons e os maus, existem os desesperados e os cínicos. De certa maneira, por mais que ainda existam pessoas que creiam ferrenhamente no mundo categoricamente ordenado, não há como sustentar estas categorias. Só os EUA ainda vêem todo árabe como um terrorista em potencial – mas isso é paranóia debilóide, antes eram os comunistas, antes ainda eram os negros, há pouco tempo eram os “chicanos”… (um rápido comentário deslocado: esta paranóia é a principal arma nas mãos do Bin Laden: é mais do que óbvio que, estimulando o paranoicismo norte-americano e voltando-o contra os árabes, boa parte do mundo antipatizaria com os EUA). Com excessão do governo norte-americano, portanto, é difícil alguém levar realmente a sério as categorias. Mesmo as pessoas mais preconceituosas não conseguem mais, hoje em dia, serem livremente preconceituosas (isso não minimiza, é claro, a situação: por mais que vivamos em uma sociedade menos preconceituosa, ainda assim homossexuais são espancados, humilhados, ridicularizados ou, simplesmente, são vistos como extraterrestres, o que torna aquele “menos” quase insignificante).</p><p>Sobre qual categoria fundam-se todas as categorizações sociais? Ou, perguntando de outra maneira, qual categoria resiste, como de fosse de adamantium (nota para quem não assiste ou lê X-Man: adamantium é o que reveste o corpo de Wolwerine, e é o metal mais resistente de que se tem notícia, sendo, mesmo, indestrutível – e não se diga que “ah, x-man é ficção pura”: o enredo todo gura em torno do preconceito e da intolerância, coisas tão reais quanto o vidrinho para onde você olha agora*)? Qual categoria ainda não deixou de ser, e que pauta mesmo as transformações sociais que aconteceram ou estão em curso? A categoria “sexo” ou “gênero”: a diferença entre homem/mulher.</p><p>Não se trata de defender que liberou geral, todo mundo pelado agora, êêêê!!! Mas sim que esta ainda é a mão que mais oprime – e que só é sentida por minorias, negros, mulheres, lésbicas, pobres, etc (“pobre”, como se sabe, não é uma minoria, mas é oprimida como tal). Isso, essa diferenciação, essa categoria, esta convenção naturalizada, está na base de – isso é uma hipótese – todos os preconceitos, de toda a opressão que ainda resiste.</p><p>Pequenas provas indiretas disto: bissexuais são discriminados inclusive por homossexuais (não todos, preciso dizer isso mesmo?). Travestis são discriminados inclusive por gays (“por causa deles é que pensam que a gente quer ser mulher”). Pessoas andróginas são discriminadas por tutti quanti. Porquê? Bissexuais ficam tanto com homens quanto com mulheres – não “escolhem” um sexo de sua preferência, passam por cima disso. Travestis nascem homens e querem tornar-se mulheres – “escolhem” um sexo de sua preferência, mas passam por cima da barreira interssexual. Pessoas andróginas não querem ser do sexo oposto, apenas não apresentam-se como sendo de qualquer um dos dois – passam por cima, também, do “menino ou menina?”.</p><p>Claaaro que devem existir bissexuais que tenham alguma preferência por algum sexo. Muitos travestis consideram-se uma espécie de “terceiro sexo”. E só conheço pessoas andróginas de ouvir falar – e, também, o David Bowie numa de suas fases – portanto, sei lá qual é que é. Mas esse povo são exemplos deminorias dentro de minorias – o que quer dizer que mesmo minorias ainda dão tiros no próprio pé, alimentando o pensamento hetero.</p><p>“Pensamento hetero” não significa “agora todos devemos ser homossexuais”. Significa naturalizar a diferença entre os sexos. “Meu mundo pode ruir, todas as diferenças acabarem, todos os conceitos se transformarem, mas um homem será sempre um homem, e uma mulher, uma mulher”. Dito em termos filosóficos (filosofia metafísica, mais precisamente): “pensamento hetero” significa ontologizar a dicotomia entre os sexos. Não se trata de dizer que o fato de uma pessoa gostar de ter um relacionamento heterossexual é um horror e por isso que a coisa está ruim do jeito que está. Se trata de dizer que esta classificação sexista é nociva. Pressupor algo a partir do que uma pessoa tem no meio de suas pernas é nocivo. Gostar do que uma pessoa tem no meio de suas pernas é diferente, e uma pessoa pode gostar de qualquer coisa, e não gostar de qualquer coisa, e, ainda por cima, gostar de certas coisas em certas situações e não gostar em outras, e mais outras tantas possibilidades. Gosto é gosto e, por mais que eu ache que se discute, o fato de eu gostar disso ou daquilo não signifca que você tem que gostar também (é muito interessante discutir o gosto, independente de concordar com o gosto alheio ou não, mas eu estou figundo do assunto).</p><p>Pensamento hetero é a categoria mais estanque de que dispomos atualmente. Você pode questionar tudo, dizer que a ciência é resultado de uma moral (Nietzsche), dizer que não existem raças, que não existem verdades, que deus morreu, que o papa é pop, virar o Andy Wharrol (não se escreve assim), beijar meninas e meninos, não beijar ninguém, largar o último semestre de medicina e virar hippie, o que for. Mas que homem é homem, mulher é mulher e são duas coisas muuuuito, completamente, (o pior) intrinsecamente diferentes, não interpoláveis, que “mulheres são de marte, homens são de vênus”, que cperebros femininos funcionam diferente de cérebros masculinos, que mulheres são maternais e homens são mais ativos, isso, esssas coisas, nunca podem ser postas em questão.</p><p>Por isso, por essa recusa de colocar esta diferenciação em questão, lésbicas continuarão a serem aceitas mais como fetiches masculinos do que como uma coisa qualquer como qualquer outra coisa, gays continuarão a apanhar na rua (lésbicas só não apanham porque “em mulher não se bate nem com uma flor”, mas homens estão autorizados a mostrar para elas que o problema delas é falta de homem), cor de pele continuará sendo uma insignifcância determinante, mulheres prosseguirão sendo pessoas que tem a obrigação de cuidar da casa e homens pessoas que tem a obrigação de serem “H”omens, e por aí vai.</p><p>*duvido que alguém o faça, mas se você imprimir este texto, substitua ” o vidrinho” por “a folinha de papel”
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>complemento do post anterior</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 16 Jan 2007 03:59:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>16/01/2007</p><p>Eu também sou uma pessoa que adora fazer-se de vítima.<br/>Não, na verdade nao é que eu adore me fazer de vítima. Mas tenho ataques de vítima do destino. Acho que foram as novelas mexicanas assistidas em demasia, talvez. “Oh!, como yo sufro. Quien poderá me ayudar ahora??” (O Chapolim?)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Domingo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 14 Jan 2007 18:22:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/01/2007</p><p>Sou daquele tipo de pessoa que causa repugnância. Mas não uma repugnância clara, sensível. Somente uma repugnância indiferente.<br/>Gosto das diferenças, e acabo por ser diferente demais. Eu sempre estou em outro lugar, quando me pegam acabam descobrindo que não era eu, e isto, decerto, assusta as pessoas. Eu sou imapeável, ilocalizável, fluída demais para que se possa apontar.<br/>Me transformo demais. Como um X-Man, mudo de forma quando quero e absorvo as coisas das outras pessoas. Sei como é não poder tocar ninguém, ter um toque prejudicial.<br/>Mesmo quando não me escondo existe um véu em minha frente, em minhas costas, em torno a mim.<br/>Sei que sou eu quem faço isso, no final das contas.<br/>Eu, que tanto quero que já não importe dizer ou não dizer mais “eu”. Eu sei dizer “o sol nasce” como todo mundo. Mas sei demais que isso é só uma maneira de dizer as coisas.<br/>Eu não me encontro em território algum, caminho somente entre os limites de um e de outro – estou em vários territórios, e, ao mesmo tempo, em nenhum, por causa disso. Não posso dizer que me desterritorializei, porque em algum momento estou em algum território. Mas nunca tiro meus pés daquele espaço confuso, difuso, indefinido entre vários lugares.<br/>Eu não tenho tribo. Meu grupo não existe, talvez seja isso. Não há quem se identifique comigo. E isso é uma benção e uma maldiçao.<br/>Eu não suportaria me confinar, mas isso é doloroso e muitas vezes eu não quero mais isso.<br/>Eu não suportaria que me dissessem “tu és”: “tu és isso, tu és aquilo”. Mas somente é possível amar quem pode ser apontado. Discernido.<br/>Aí eu acabo carregando toda a leveza e todo o peso desta condição.<br/>Esta condição é o que quero. Mas certas consequências disto, às vezes, parecem ser mais do que eu consiga suportar.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O pensamento hetero</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07a72-o-pensamento-hetero-2</guid>
      <pubDate>Sun, 14 Jan 2007 17:05:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/01/2007</p><p>Estes discursos da heterossexualidade oprimem-nos no sentido em que nos impedem de falar a menos que falemos nos termos deles. Tudo quanto os põe em questão é imediatamente posto de parte como elementar. A nossa recusa da interpretação totalizante da psicanálise faz com que os teóricos digam que estamos a negligenciar a dimensão simbólica. Estes discursos negam-nos toda a possibilidade de criar as nossas próprias categorias. Mas a sua acção mais feroz é a implacável tirania que exercem sobre os nossos seres físicos e mentais.</p><p>Imagine que você não é heterossexual. Isso vale para qualquer sexo – apesar da linha intransponível que divide os sexos e torna-os essencialmente estranhos um ao outro – e para qualquer coisa que não seja heterossexual. Ainda assim, você se insere dentro de um contexto heterossexual. Isso refere-se, sim, ao contexto político, cultural, religioso, legal, socieal, etc, mas diz respeito, também, ao contexto linguístico onde nos inserimos.</p><p>Você não é heterossexual. No entanto, vivemos em uma sociedade heterossexual. A expressão desta sociedade é heterossexual. A linguagem é heterossexual. O imaginário simbólico desta sociedade é heterossexual. Como você se faz entender dentro desta sociedade? Você precisa expressar sua situação, a sua realidade, em termos heterossexuais – sem ser heterossexual. Isso significa que existe um tipo de incomunicabilidade – talvez maior que a incomunicabilidade entre homens e mulheres, esses dois mundos à parte um do outro – que impede que uma pessoa não-heterossexual se expresse dentro de um contexto heterossexual.</p><p>Isso é semelhante àquela situação: dado um casal homossexual, por exemplo, uma das partes é o homem, e a outra, a mulher. Podem ser dois homens ou duas mulheres, não importa. As pessoas somente conseguem compreender uma relação afetiva em que há um homem e uma mulher – mesmo que não haja um homem ou uma mulher naquela relação. Trata-se de organizar sua compreensão segundo determinado esquema, determinada organização. Algo impede que mesmo um casal mulher-homem tenha um tipo de relação homossexual? Seria incompreensível, pois todo casal é, por definição, heterossexual.</p><p>Serve só de exemplo, pois se está falando não necessariamente deste caso (que, de qualquer maneira, apenas expõe uma visão, uma interpretação heterossexual dos relacionamentos – que não poucas vezes, é compartilhada também por casais homossexuais – e não corresponde à visão de muitas outras pessoas). Se está falando de todoum sistema simbólico heterossexual, de toda uma cultura heterossexual. O dinheiro é heterossexual. Os filmes são heterossexuais (mesmo Beijando Jéssica Stein ou Brokeback Mountain). As sandalias da Via Marte são heterossexuais.</p><p>Os pressupostos sobre os quais funciona o entendimento são heterossexuais. Aí você vai explicar, vai se expressar vai amar de maneira não heterossexual – uma sociedade heterossexual vai cimpreender? Vai admitir tal possibilidade? Vai ser como se, acada vez que você falasse “Hoje é dia 9”, a pessoa entendesse “quero um copo d’água”.</p><p>Se você perguntar a uma argentina chamada Bianca qual é seu sobrenome, ela vai dizer “Bibi”, e você vai pensar que ela se chama Bianca Bibi. Se ela lhe perguntar seu “qual es tu sobrenombre?”, você vai responder “Ferreira Pinto”, e ela vai achar estranho que seus amigos lhe chamem de Ferreira Pinto. Isso porque Sobrenombre, na Argentina, é como eles chamam o que aqui chamamos de apelido (o sobrenombre do Edson Arantes do Nascimento é Pelé, e não Nascimento), e Apellído é o que chamamos de sobrenome (o apellído da Xuxa é Meneghel). Mi apellído es Nascimento, mas meu apelido é Pelé. Mi sobrenombre es Xuxa, mas meu sobrenome é Meneghel.</p><p>A mesma relação se dá entre a compreensão heterossexual do mundo. Não adiante você dizer “sou mulher e amo uma mulher”. A mente heterossexual compreenderá que uma das duas pensa que é homem. Uma das duas não é mulher, uma das duas não enquadra-se na definição de mulher.</p><p>É mais ou menos isso que diz – ou que, pelo menos, eu entendi – do texto do link abaixo. Não entendo como nunca ouvi falar dessa mulher antes!! Como não se estuda ela em sociologia, em psicologia, em linguística, em direito, em comunicação, e, no meu caso, como a filosofia não estuda isso?? Por isso que filosofia, mesmo, parece ser a que ocorre fora da Academia (exceto a Nova Acrópole, que consegue ser algo mais infeliz do que a Academia). Schopenhauer estava certo.</p><p>Bom, sei lá se a mulher quis dizer isso mesmo que eu entendi mas de qualquer maneira ela é muito boa, ótima. E trabalhou com Simone de Beauvoir, de quem sou fã incondicional.</p><p>http://www.geocities.com/girl_ilga/textos/pensamentohetero.htm</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Auto-flegelação</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 14 Jan 2007 01:03:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/01/2007</p><p>Não adianta a opinião que você tem.<br/>Certas coisas, certos cotumes, certa cultura, são praticamente impossíveis de dobrar. E a situação torna-se muito irritante. Você é feito de idiota, fica sobrando.</p><p>Fazer um bolo é coisa simples. Bem simples, mas não quando criam você para ter tudo nas mãos. Mas, tudo bem, você vai lá, quer fazer, aprender, etc. Mas cozinha é lugar de mulher – isso não é dito, obviamente, mas é praticado com muito orgulho. Não é dito porque, culturalmente, tanto cozinha é lugar de mulher quanto dizer “cozinha é lugar de mulher” é feio. Preferiria que nada fosse dito, mas que as coisas fossem como são ditas.</p><p>É patético você ficar em uma cozinha sobrando. “Ah, mas lavar a louça é muito importante”. Sim, dar uma ajuda nas tarefas domésticas é muito importante, mas, sabemos, o ônus das tarefas domésticas são das mulheres.</p><p>Um homem que fizesse TODAS as tarefas domésticas da casa seria um deus para a maioria das mulheres, pois estaria tendo uma atitude abnegada, desviando-se do seu lugar, das suas funções, para fazer aquilo que sua mulher deveria estar fazendo. Isso, opinião de muitas mulheres (uma opinião masculina seria “é um trouxa”, ou “tá querendo comer ela”, mas não vem ao caso agora).</p><p>A questão é que quando você convive com as pessoas, se elas gostam de se auto-açoitar, assumir tarefas homéricas sozinhas – mesmo que sejam a gradáveis, como fazer um bolo, o que é bem menos homérico e mais agradável – você pode tocar um belo foda-se e ficar na sua, ou saber que isso é absurdo e ir fazer o que você tem que fazer, independente do seu sexo. Mas aí você coloca-se na patética situação de ficar como uma peça da mobília, ou fazer a única tarefa masculina na cozinha: secar a louça. Nada contra lavar e secar a louça. O que irrita é a velha reprodução de costumes idiotas.</p><p>Tenho mesmo vontade é de mandar tudo à puta-que-pariu, deixar se foder, “quer viver como escrava, como minha escrava, como empregada? Então viva!” Posso muito bem controlar o meu sentimento de que a situação é injusta, de que me colocam em uma posição de “rei do pedaço” que sei que é opressora e falsa, ignoro isso e deixo se foder. Cansa isso, cansa. Irrita. “Ai, isso é típico de homem”, “ai, isso é assunto de mulher”, “os homens trazem as bebidas, as mulheres a comida” (sim, é muito mais fácil e menos trabalhoso ir no supermercado e comprar as bebidas do que ir no supermercado, comprar todos os ingredientes, preparar a comida e guardar na geladeira e ainda ficar se preocupando se gostaram ou não). Algumas mulheres precisam libertarem-se de si, de seu pensamento machista, antes de alguém vir lhes dizer “pare de beijar o chão que um homem pisa somente porque ele tem um pau de duas bolas no meio das pernas”. E não adianta eu agir com pena – EU não liberto ninguém, você se liberta, e eu convivo com você, porra!!</p><p>E eu estou cansando disso. Querem me colocar em um trono e me fazer de deus, de ser superior para ter o prazr (sim pois deve existir algum prazer nisso) de ficar murmurando “me oprimem”? Então coloquem.</p><p>Eu vou desistir logo logo de repetir “se te oprimem é porque, em primeiro lugar, VOCÊ é quem se oprime”. Se você não se oprime e tentam lhe oprimir de fora você esperneia, grita, luta, berra. Se você se oprime, vai murmurar pelos cantos “me oprimem” com ar de choro, mas vai bonitinho fazer o que te mandam.</p><p>Cansei. Se querem uma grande, reluzente e intransponível linha divisória entre mundo feminino e masculino, de preferência sendo primeiro subserviente ao segundo, tudo bem. Eu não me meto mais em assunto que não é da minha conta. É degradante, deprimente, opressivo e mais adjetivos desse tipo que não me ocorrem agora. Mas, para mim, pelo menos é mais fácil.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>My Girl</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 09 Jan 2007 03:19:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/01/2007</p><p>De repente, não quero mais. Claro, não foi “de repente” que eu não quis mais. Foi aos poucos. A cada dia. Até que em algum dia, aquilo que se insinuava sem ainda ser acontecimento, aquilo que ensaiava sem ainda ter se apresentado, aquilo que calava sem, no entanto, silenciar, falou, aconteceu, apareceu.</p><p>Não se perde o que não se tem, mas o que será o amor para que se possa dizer que isso ou aquilo deva necessariamente ter acontecido para que também o amor aconteça?<br/>É perigoso pensar assim, pois um estuprador também pode pensar assim: o que fiz foi por amor.<br/>Mas não. Não é assim. Algo não precisa ter acontecido entre duas pessoas para que seja amor, mas sim tem que ter acontecido com uma das pessoas para que seja amor, e se o estuprador não foi capaz de amar sem cogitar a possibilidade – e aceitar caso fosse o fato – de ser correspondido não como queria, mas como quem amava desejava corresponder, então não amou. Se te amo, amo teus desejos como se fossem meus. Inclusive o desejo de não me amar (dito em outras palavras, pode-se chamar isso de respeito, mas a palavra parece estar um pouco gasta).</p><p>Agora que sei que não ofereço justificativas ao estuprador, posso voltar a defender o meu amor. Sim, eu te amo. “Senhora, eu te amo tanto, que até por seu marido eu sinto algum quebranto”. Eu desejo o que desejo, e desejo também o que desejas. Desejo também para ti, não somente para mim.</p><p>Pode-se desejar para o outro aquilo que se deseja para si. É o princípio da ditadura. Pode-se desejar para o outro aquilo que o outro deseja para si. É o princípio da amizade. Mas quando se deseja para o outro aquilo que se deseja para si, sendo ainda capaz de aceitar que o outro não compartilhe desse desejo; e quando se deseja para o outro aquilo que o outro deseja para si, sem esquecer-se de que é o desejo do outro, e isso porque se sabe o que se deseja para si é o desejo do outro, se ama. Amar é tanto desejar que tu me desejes quanto os desejos que tens para ti. É amar teu desejo – desejar teu desejo.</p><p>Desejo teu desejo, e desejo para ti o que desejas para ti – tenho também desejos meus para ti. Mas sei que não tenho o teu desejo. Apenas desejo para ti o que desejas para ti.</p><p>Me pergunto: “será que ainda vou amar (outro) alguém?”. Deixo prá lá. Por mais que a palavra “amor” seja a mesma que eu, você e todas as pessoas utilizam, o amor por cada pessoa sempre será um diferente e novo amor. Acho que não se deveria falar o amor. Deveria sim existir, para cada diferente pessoa amada, uma palavra exclusiva, que somente eu e ela saberíamos que significa o amor. Como se o mesmo amor fosse – e de fato me parece ser – diferente para cada pessoa amada. Único e incomparável.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Regras</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 08 Jan 2007 02:34:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>08/01/2007</p><p>Toda a sociedade baseia-se em regras. Regras legais, regras morais, regras científicas, regras de educação, regras de trânsito, regras de redação.<br/>Aqui vai, então, minha contribuições ao que diga respeito às nossas regras.</p><p>Toda regra tem excessões. Não existem regras absolutas, sem possibilidades de transgressão.<br/>Mas, se for assim mesmo, então esta regra (que diz “toda regra tem excessões”) está errada, pois ela diz que toda regra necessita de uma excessão, e ela própria não tem excessões. Esta regra “regulamenta” todas as outras regras, mas quando tentamos aplicá-la a si própria, ela se torna falsa, errada: “não existem excessões à regra que diz que toda regra tem excessões; o simples fato de enunciar tal regra invalida-a”. Para que ela se torne válida, teríamos que encontrar uma regra sem esxcessões, absoluta: tal regra seria a confirmação daquela regra que diz que toda regra tem excessões.<br/>Assim, teríamos que encontrar um Deus e uma Igreja que fale em nome dele para nos dizer regras absolutas; ou uma Ciência e um cientista que fale em nome da Ciência para nos dar regras sem excessões; ou mesmo um psicanalista para nos dizer que tudo é culpa do complexo de édipo, sem excessões. Qual será a regra de ouro?<br/>Mas, espere um momento! “Toda regra tem excessões”, e realmente, quando se verifica que esta regra está correta, ela torna-se errada. Como ela torna-se errada? Não sendo válida para si própria. Mas, se ela não vale para si própria, então ela é uma excessão: ela é sua própria excessão e confirma-se a si mesma ao contradizer-se.<br/>Esta regra é muito estranha: ela somente vale portanto, ao contradizer-se. Somente quando ela própria, quando sua própria existência lhe trai, ela funciona.<br/>Mas, assim, podemos deixar de procurar regras absolutas, pois já a encontramos. “Toda regra tem excessões. Se isto é verdade, esta própria regra está errada; mas, se está regra está errada quando acerta, ela é verdadeira”.</p><p>Não sei se isso pode servir de alguma coisa. Mas é a única regra que conheço que diz algo como “não existe nada absoluto; viva a sua vida e deixe a dos outros em paz, pois você não tem condições de impor nada a ninguém.”</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Mais mudanças</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 07 Jan 2007 18:44:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/01/2007</p><p>X ainda é uma pessoa legal, incrível…. Mas não quero mais.<br/>Grande amizade. Somente mais uma amizade…</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Mudanças profundas…</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 07 Jan 2007 12:03:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>07/01/2007</p><p>… a começar pelo blog.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>a vida dos outros</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 06 Jan 2007 18:42:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/01/2007</p><p>Certos assuntos não deveriam ser problema, não deveriam chamar a atenção, não deveriam merecer campanhas, mais de dois segundos de atenção, não deveriam ser objeto de políticas públicas, de valorização, de nada. Deveriam ser assuntos corriqueiros, deveriam ser objeto de falta de assunto, ou de comentários assim, sem maiores preocupações.<br/>Assuntos como homossexualidade, racismo, inserção de mulheres no mercado de trabalho, casamento  gay,  eu tinha mais 150 assuntos na cabeça, mas foram todos embora, não tiveram paciência para esperar que eu escrevesse o parágrafo acima, decerto.<br/>Essas coisas deveriam ser triviais. Dia desses duas meninas passaram de mãos dadas em uma rua movimentada próxima a minha casa. As pessoas pararam para olhar. Se elas estivessem peladas chamariam menos a atenção. Até aí, infelizmente é de se esperar. Mas um pouco mais adiante um senhor e duas senhoras conversavam:</p><p>– Viu só que falta de vergonha?<br/>– É mesmo o fim da picada.<br/>– Com tanto homem por aí, vão ficar com mulher.</p><p>Eu fui adiante. Me intrometo demais nas coisas e fazer barraco na rua é legal só em novela. Mas me espanta que as pessoas consigam ser piores que eu. Vê lá se alguém tem que se intrometer dessa maneira na vida dos outros! E ainda mais no namoro dos outros. Se é minha amiga e vem me pedir ajuda tudo bem, mas estranhos são estranhos, e a gente chama assim justamente porque são pessoas que não deram a menor liberdade para a gente dar palpite, quanto mais repreender pelo que quer que seja. Respeito a liberdade do trio de bestas de ter a sua opinião. Se não gostam, tudo bem, ninguém tem que gostar de nada. Se ficaram chocados, guardem seu choque para a intimidade das quatro paredes da casa deles. Eu é que me choco com essas reações.<br/>Reagir é atitude típica de quem não tem capacidade para agir. Para você reagir, alguma coisa precisa agir em você. As meninas se conheceram, ficaram afim uma da outra e resolveram passear no centro (eu gosto de falar coisas óbvias), coisa que bilhares de pessoas fazem todos os dias, inclusive aqueles três patetas. As meninas agiram, fizeram alguma coisa da vida delas. Os três, entretanto, só tiveram capacidade de reagir. Porque eles não podem fazer nada. As meninas não se deram ao trabalho de desgrudar as mãos, eu imagino. Não reagiram. Continuaram na ação delas. Se você precisa reagir, geralmente isso significa impotência. Incapacidade de ação. Significa que você vive dependurado nas outras pessoas como um parasita vive dependurado num boi. Você não tem vida própria. Depende da vida, e da ação dos outros para ter vida. Pessoas assim são verdadeiros parasitas. Não digo isso, necessariamente de pessoas que achem horrível a homossexualidade dos outros. Digo isso de quem se importa com isso. É a mesma lógica da inveja: a homossexualidade, não, nem era a homossexualidade, porque eu nunca vi as duas meninas transando na minha vida e, a rigor, não posso afirmar que eram namoradas, as mãos dadas das meninas eram delas, e uma pessoa faz o que bem quiser com suas mãos; mesmo assim, os idiotas precisaram, tiveram muita necessidade de comentar isso. Mas já perdi muito tempo falando deles.<br/>A questão é que olha eu aqui, falando da vida dos outros. Esse é que é o problema. Ontem eu devo ter passado por muitas pessoas de olhos verdes. Isso incomoda alguém? Alguém reclamou que é o fim da picada aqueles olhos verdes? Com tanto olho castanho por aí? Não. Devem ter passado por mim, também, dezenas de pessoas usando sapatos amarelos (há gosto para tudo nessa vida). Alguém reinou? Isso virou problema para alguém? Alguém se deu ao trabalho de juntar um pequeno grupo e ficar falando dos sapatos amarelos de outra pessoa? Não, porque os pés são daquela pessoa, e o mau gosto também, não são da conta nem do interesse de ninguém. Se eu vendesse sapatos, seria remotamente do meu interesse, porque eu iria comprar mais sapatos amarelos para minha loja se visse que as pessoas estariam usando isso.<br/>Por isso que eu espero que esse tipo de assunto deixe de virar assunto.<br/>Os jornais do mundo inteiro fizeram o maior estardalhaço porque uma mulher é presidente da câmara alta (ou algo assim) dos EUA. Meu Deus!! Isso ainda é notícia? A Yeda Crusius foi eleita governadora no RS. A primeira governadora e daí? Só quem nunca teve chefe mulher para se espantar, decerto, e a primeira chefe que tive foi uma mulher (uma ex-professora minha) e não vi nada de mais. Ela era às vezes tão cachorra e às vezes tão brilhante quanto qualquer outro chefe que eu tive. E, convenhamos, tanto pior para o RS que elegeu a Yeda, diag-se de passagem.<br/>Enquanto as pessoas votarem nos pênis ou nas vaginas das pessoas, eu vou continuar me sentindo em 1960/70, mas sem as músicas disco, que são legais. A menos, é claro, que me provem que o que você tem no meio das pernas é decisivo na hora de tomar decisões governamentais: imagino o presidente conversando com seu pênis, ou a governadora conversando com sua vagina, antes de propor um pacote econômico (“-O que você acha?” “-Ah, sei lá, nem a luz do sol eu vejo há tempos, como eu vou lhe falar sobre economia?). Rídiculo.<br/>Não sei, mas outras coisas deveriam ser mais espantosas e merecer notícia, merecer a atenção das pessoas. Outras coisas é que deveriam ser incríveis. Ou ser motivo de indignação popular. Esses dias passei pelo vice-prefeito pela rua e não se formou nenhum bolinho para ficar falando mal da situação do hospital da cidade. Cadê aquele trio numa hora dessas? Ou quando os deputados quiseram aumentar o salário deles para R$ 24.000? Ou quando a minha faculdade aumentou a mensalidade e me obrigou a fazer três cadeiras por semestre sem me perguntar se eu podia pagar? Ou quando fecharam a maioria das livrarias por aqui para abrir, no lugar, farmácias ou igrejas universais?? O velho deveria estar em casa se masturbando vendo filme pornô, provavelmente com muitas lésbicas.<br/>O problema, eu acho, não é uma pessoa ter preconceito. o problema é uma pessoa se achar no direito de se meter desse jeito na vida dos outros. E nem é o problema de se meter na vida dos outros: se me atropelaram eu vou dar graças a deus que uma enfermeira venha se meter na minha vida para me socorrer. O problema é as pessoas quererem que os outros tenham os mesmos valores que elas, obrigatoriamente.<br/>O problema é não conseguir conviver com gente que valoriza outras coisas. É pensar que todo mundo tem que pensar como eu penso, agir como eu ajo, de preferência se vestir como eu me visto, gostar do que eu gosto e, enfim!, todos seremos um. Entre isso aí e uma ditadura eu não vejo diferenças. Às vezes eu tenho medo de que, quando um ditador morre, seus germes ditatoriasi se espalhem pelo mundo e contaminem mais e mais pessoas, um bando de mini-ditadorezinhos por aí, indignados pelo mundo não ser como eles são.<br/>Por isso que certas coisas, certos assuntos, enfim, a vida dos outros não deveria ser coisa interessante.</p><p>Sei lá, eu devo ter acordado de mau humor.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Vontade</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 06 Jan 2007 16:20:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/01/2007</p><p>Um amigo uma vez me perguntou o que seria pior, nada de vontade ou vontade de nada? Em outras palavras, é pior estar sem vontade, ou ter vontade de não ter vontade?<br/>Isso tinha a ver com dois filósofos que ele estuda, e que faz muito bem, por sinal.<br/>Mas eu não sei.<br/>Estar sem vontade é algo comum, com preguiça não estar afim. Não significa que acabou a vontade, é mais uma pausa técnica.<br/>Vontade de nada é é querer nada. É desejar o nada, desejar não querer. É quando ter vontade ter desejo, torna-se um empecilho, um incômodo.</p><p>Hoje, pela primeira vez em meses, acordei sem dor de cabeça. Sou uma pessoa somática: se me incomodo, me estresso, essas coisas, isso acaba me dando dor de cabeça (dor de barriga, insônia também, mas dor de cabeça é o top 10). E fico com dor de cabeça por preocupação, porque ontem foi um dia ruim, porque hoje tenho ansiedade.</p><p>Mas hoje a ansiedade parece ter ido embora (provavelmente com a chuva). Nada de ansiedade. X não apareceu, espero que apareça, mas não vou procurar. Não para evitar a dor de cabeça. Mas porque não tenho vontade. Não é que tenha perdido a graça, ou eu tenha desistido. Mas pareço ter ficado indiferente. Não a X, mas a não estar com X. Dificilmente X virá aqui em um sábado. Já veio várias vezes, mas X tem mais gente com quem conviver, com quem aproveitar seu sábado, eu imagino.<br/>É como se, de repente, eu retomasse o controle da situação. Desapareceu a necessidade. Acho que é isso. Não indiferença, ou retomada de controle. Desapareceu a necessidade. Tudo está calmo. Os sons todos estão baixos, ou, pelo menos, o barulho do rádio e da TV não incomodam mais tanto. A luz do sol não está muito forte, e quando as nuvens destapam o sol, ele brilha de maneira menos violenta. Não que X tenha se tornado desnecessária. Mas não tem mais pressão, eu não tenho mais pressão (nada a ver com a pressão do sangue eu espero).</p><p>As pessoas falam em equilíbrio. Deve ser isso. Meu coração vai sorrir se X aparecer. E se não aparecer, vou dormir. Acordar. Depois eu vejo o que faço: tirar um filme, ler um livro, caminhar um pouco. Parece fim de filme, daqueles filmes com muitas explosões, tiros, helicópteros barulhantos, correria, pulos, aí corta para uma loira alta de maiô, uma camisa masculina aberta por cima, e um chapéu, caminhando sem pressa na praia, sem preocupação, é manhça bem cedo e não tem mais ninguém por ali. Calma. Sem dor de cabeça. Será que alcancei a maturidade? Que coisa idiota de se pensar.</p><p>Agora, estou sem vontade, ou com vontade de nada? Vontade de nada é querer o nada, deixar de querer. Sempre ouvi que o problema todo da vida é desejar. Mas desejar sempre foi, para mim, o mais divertido. Estar correndo atrás de algo, sempre alerta, os ouvidos em alerta, em pé. Querer. Andar longas distâncias a pé, passar muito tempo dentro de ônibus, ir adiante e não se deter porque é longe, difícil ou improvável. Sempre desejando. Sempre muito emocionante, mesmo que não desse para notar.</p><p>Não sei, mas parece que isso é bom, logo eu que sempre tive medo de não querer mais nada. De me acomodar. “Desdesejo” eu nunca tinha conhecido. É diferente, acho que eu já disse, de desistir. Não se trata de ter desistido, se trata de isso não ser mais um incômodo. “Incômodo” não. Se trata de não ter mais pólvora para me tirar do lugar, para não me deixar dormir, para estar sempre por conseguir algo, por ir em algum lugar, para voltar depois, ou voltar mas querer sair logo, para me movimentar. Agora, essa calma sem vontade. Sem o temor de estar perdendo algo.</p><p>Posso estar me precipitando, e acordar a mesma pessoa de sempre, novamente.</p><p>Mas estar assim, flutuando em nada, é realmente estranho.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Oz</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07a64-oz</guid>
      <pubDate>Sat, 06 Jan 2007 05:32:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/01/2007</p><p>Oz é um seriadinho que passava no SBT há muito tempo, e que, sei lá eu desde quando, voltou a ser exibido.<br/>A história dele não é nada promissora: a vida em uma prisão masculina de segurança máxima.<br/>Lá, os detentos se dividem em diferentes facções: os  “chicanos”,  os negros,  os arianos (nazistas),  os muçulmanos,  e  os italianos (acho que todos mafiosos). Tem também os desgarrados,  que não estão em grupo algum,  mas  se ligam, às vezes, a tal ou tal grupo  dependendo de seus interesses.  Além dos detentos, os guardas  a administração e  um grupo que funciona como equipe de apoio (a irmã Peter-marie, o padre que eu não sei o nome, e a drª. Susan Neithan). A história é narrada por um preso cujo nome eu não lembro, mas é um ator negro de quem eu gosto muito porque seu rosto lembra uma amiga minha (mas ela não sabe disso).<br/>Eu lembro que, um pouco antes de iniciar o seriado, o SBT colocava chamadas do tipo “se você tem nervos de aço, assista OZ” ou “se você tem problemas cardíacos, não assista OZ”, coisas assim. E é bem violentinho, com cenas do tipo dois guardas segurando o chefe dos chicanos, na solitária, enquanto um terceiro cortava os tendões de aquiles do preso, porque este havia feito o mesmo naquele guarda em algum momento, e isso impediu o guarda de subir de posto; ou então um preso, um dos desgarrados, muito valentão e seguro de si, que reencontra um cara por quem ele se apaixona (parece que já er apaixonado antes de ser preso) e estupra-o, e o detalhe é você fica no suspense, porque, na rua, ele matava os caras que comia porque ninguém podia saber que ele gostava de homens (mas esse ele não matou, na prisão). Muitos gritos e sangue. Socos, pontapés, presos que estão se recuperando até que vem alguém e mata a mãe ou o irmão do cara e ele se vinga e se perde na recuperação, coisas assim. É bastante tenso o programinha.<br/>O que é mais interessante são as relações que os presos estabelecem. Uma hora, os italianos e os chicanos se unem contra os nazistas e matam um deles, aí vem uma resposta dos nazistas, que matam um dos negros (alguns presos são amigos de todos), aí os negros e os muçulmanos se aliam aos chicanos e italianos e ocorre uma guerra de proporç~es enormes no presídio. Semanas depois, os nazistas se aliam aos chicanos para controlar o tráfico de heroína no presídio, até que um preso põe um grupo contra o outro e fica ele no controle do tráfico, e daqui a pouco os guardas resolvem dar pau em todo mundo porque tá muito baginçado.<br/>Todos eles estão condenados a penas longas, ou estão a tempos esperando marcarem a data da sua execução (que demora a vir porque têm muitos recursos, e os protestos dos ativistas anti-pena de morte), assim, a maioria são velhos conhecidos, gente que um dia quase se matou, e no outro viraram amigos íntimos, depois se afastaram sem maiores problemas, etc.<br/>É, me parece, uma mini-reprodução da sociedade ali: as relações que se estabelecem, as amizades que se formam, as injustiças que acontecem: os nazistas, por exemplo, sempre escolhem alguém para ser a “mulher” do chefe do grupo; às vezes, pegam alguém que já era travesti mesmo, mas sempre são violentos com a criatura; que no mais das vezes são simpáticas. Os presos estabelecem relações também com os funcionários, ou fazem coisas como o líder dos muçulmanos estava tentanto fazer: abrir uma gráfica dentro de OZ, para poder publicar o livro do falecido Augustus Hill (é esse o cara que narra, ele já morreu na série mas ainda é o narrador). As relações ali dentro estão em constante mudança. quem assiste o seriado sabe quem é cachorro e quem é de confiança, mas às vezes se surpreende com o que os personagens fazem.<br/>é legal enfim.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Boas notícas copiadas de outros lugares</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">07a63-boas-noticas-copiadas-de-outros-lugares</guid>
      <pubDate>Sat, 06 Jan 2007 02:13:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/01/2007</p><h2>      Poesia é arma para combater ‘gerundismo’        </h2><p>Valor Econômico – 3/1/2007 – por André Borges e Talita Moreira <br/>“Através de um longo caminho, quem viveu um dia viu. Do papiro ao pergaminho, a comunicação então surgiu.” A primeira estrofe animou Evandro Grenzi, 25 anos. Sentindo-se inspirado, o coordenador de atendimento da TMS Call Center deixou o telefone de lado para se debruçar sobre as palavras. Buscava uma poesia para participar do concurso literário organizado pela empresa. Venceu. Em 20 de outubro, data tida como o Dia Nacional do Poeta, o jovem Grenzi, fã de Clarice Lispector, recebeu como prêmio um vale-brinde da Livrarias Saraiva, alguns livros de poesia e materiais de escritório. O concurso realizado pela TMS é apenas uma das atividades que a empresa adotou para minimizar o chamado “gerundismo” e de outros atentados cometidos contra a língua portuguesa. (copiado daqui: <a href="http://www.verdestrigos.org/agora/2006_12_31_archive.asp#116795324509647896">http://www.verdestrigos.org/agora/2006_12_31_archive.asp#116795324509647896</a>)<br/>***</p><p>Vou estar ficando feliz se esta mania estiver pegando. Tomara que esteja vingando.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Esperança</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 06 Jan 2007 02:08:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>06/01/2007</p><p>“Espera” tem o som de “expéra”. Poderia ser uma ex-pêra – uma pêra que tenha virado, talvez, uma maçã? A palavra, assim, parece contrariar aquilo que significa: ex-pera; “ex”, aquilo que não é mais (ex-presidente, ex-chefe), com o sentido de externo (por isso “ex”clusão, “ex”terno, “ex”odo), sempre para fora; péra, contração vulgar de “pára”, “péra aí”, pára aí, pare, stop. Ex-péra: fora de parar, exclusão de parar, fora de parada, externação de parar, colocar-se fora do estado parado. Mas estar fora desse estado parado é não estar em estado parado, é movimentar-se.</p><p>Será que, de alguma maneira, movimenta-se quando espera-se? Esperar será um movimento?</p><p>Talvez. Eu poderia não esperar. Desistir. A desistência é a verdadeira parada. Imóvel. Imoblidade. Movimentar-se, talvez, para outros lugares. Mas parar aquele lugar. Fechar aquela porta. Ai não haverá mais movimento. Talvez a espera seja como a parada que o braço de quem arremessa algo faz: o braço vem todo para trás e, antes de retornar para a frente, para lançar o objeto, precisar parar para trocar o sentido do movimento. A espera também compõe o movimento, afinal.</p><p>***</p><p>Eu te vi. Tu disseste “mais tarde eu apareço”. Eu fiz “o_O” mas confiei. Espero. Não posso ir onde tu estás – já nem sei se está onde disseste que irias, e se me quisesses lá, teria dito. De fato, não estás aqui (embora eu não saiba explicar como podes estar mais presente do que todas as pessoas que estão comigo nesta casa). Eu estou aqui, esperando. Te esperando. Poderia estar te procurando. De plantão em frente a tua casa, apertando no botão que tem o número do teu apartamento. Mas posso estar sendo demais – já me ouviste dizer, duas vezes, que odiaria ficar sobrando, e que me dissesses se fosse esse o caso: eu desapareceria antes que percebesses, sem dramas. Mas nunca disseste. Por isso não faço este movimento. Faço outro movimento (dentre tantos que poderia). Faço o movimento de espera. Te espero. Não chegas, mas te espero. São 23:30, mas te espero. Tenho nojo de baratas, mas estou aqui, assistindo Joe e as Baratas, te esperando. Não paro. Espero. Sei que não vens. Mas espero.</p><p>***</p><p>Um horóscopo (agora fico com a mania de dividir as palavras e inventar um significado: hóros-copo. O que significará? Será algo semelhante a es-copo? Mas eu também não sei o que é escopo) que eu li dizia que a parte mais emocionante de um… bem, um relacionamento, era a espera, a indefinição: será que vou te ver hoje? (existem, certamente, outros tipos de espera: esperar chegar do trabalho, esperar acordar, esperar dormir) Bom, já me conformei a não te ver mais por hoje. Será que vou te ver amanhã?</p><p>***</p><p>Passatempo enquanto se espera</p><p>e s p e r a<br/>s p e r a e<br/>p e r a e s<br/>e r a e s p<br/>r a e s p e<br/>a e s p e r</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Lista de mim</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 05 Jan 2007 02:22:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/01/2007</p><p>Uma pessoa que não sabe amar.</p><p>Uma pessoa intrometida.</p><p>Uma pessoa que delira a realidade ao mesmo tempo em que vive nela, sem desprender-se dela.</p><p>Uma pessoa estranha (item importante, não sai em hipótese alguma).</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Lua fora de curso</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Fri, 05 Jan 2007 02:13:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>05/01/2007</p><p>Brigar por nada. Por bobagem. Sei lá se para você era importante. Mas era bobagem. Mas discutimos. Até parecia um casal (como é fácil delirar sobre a realidade).<br/>Até brigar com você é bom, apesar de machucar um pouquinho. Mas tudo bem, é com você.</p><p>Caminhamos depois, eu e você. Flores, plantas, verde, pássaros (mosquitos, aranhas, mas dessa parte ninguém nunca lembra). Conversamos. A irritação não passou. Mas td bem, as flores, o verde, os mosquitos, e as irritações, foi com você.</p><p>Jantamos (quem diria? Mas não é hora de ironia). Espero que seu dia tenha sido, apesar de muito estranho, tão bom como foi o meu. Porque o meu, o meu foi com você.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Gente estranha</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 03 Jan 2007 02:30:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/01/2007</p><p>Eu acho que me explico e dou opiniões não solicitadas demais.<br/>Eu realmente sou uma pessoa que deveria ser  estudada pela ciência… heheeh.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Complementando o post anterior, que explica dois posts atrás.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 03 Jan 2007 02:23:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/01/2007</p><p>Quer dizer, se o sol não nasce onde você está, pelo menos você tem notícias de que o sol nasce em outros lugares para outras pessoas, e isso faz bem, compensa. Por isso “equilíbrio”.<br/>Que mundo esse…</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Explicação do post anterior</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 03 Jan 2007 02:20:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/01/2007</p><p>“Equilíbrio” porque aí você pensa: “Tudo bem, as pessoas que rodeiam você não rodeiam outras, e estas outras, por menos que você conheça, parecem realmente merecerem ser rodeadas por quem as rodeia. Gente que se preocupa com passarinhos, e gente que se valoriza essa preocupação”.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Equilíbrio</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 03 Jan 2007 02:16:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/01/2007</p><p>Mas aí você lê uma história sobre um passarinho em uma caixa de chocolates, e pelo menos você tem alguém por quem ficar contente.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Pequena história permeada de infantilidade, e que não se sabe ainda como vai acabar.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 03 Jan 2007 02:12:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/01/2007</p><p>Era um enorme desfiladeiro. No meio de uma mata qualquer. Devia ficar em um lugar alto, pois, quando olhávamos lá para baixo, somente se via neblina. Ali onde estávamos, porém, não havia neblina: será que estávamos acima da neblina, acima das nuvens? Mas era muito alto. Eu pularia primeiro, você depois. Éramos fortes o suficente para que quem ficasse ali em cima pudesse segurar quem havia se atirado, e para que, quem já houvesse chegado ao chão, segurasse quem pulasse depois. Uma vez vcê já tinha me deixado cair, mas você não sabia que eu pularia, e que o pulo era por sua causa. Agora, este desfiladeiro. Tenho medo, mas tenho disposição para pular primeiro e confiar em você, somente por gostar de você. E eu lhe perguntei: “Você vai pular depois?”. E você não respondeu. Meu maior medo não é de que você não me segure – sei que me exponho a esta possibilidade confiando em você, mesmo que fosse qualquer outra pessoa, estaria me expondo a esta possibilidade, mas somente com você eu me exponho assim. Tenho medo de que você não me segure, mas o meu maior medo é que você não pule também, depois. Talvez seja querer demais. Mas se é demais para você, realmente é melhor darmos meia volta e não ir mais tão longe. “Posso confiar na sua confiança em mim?”</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Confiança</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 03 Jan 2007 02:07:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/01/2007</p><p>Confiança não é coisa para qualquer pessoa. Da minha parte, por exemplo, é difícil de se obter. Veja bem, “difícil” não quer dizer “raro”. Eu sou bastante trouxa, o suficiente para que me façam de idiota com facilidade. Já desisti da malandragem. Não sei se funcionou para a Cássia Eller, mas fazem anos que eu canto “Eu só peço a deus um pouco de malandragem”, e nada. Só consigo ser mais trouxa. Talvez por isso… “Ou não”, como diria “Caê” (conheço pessoas que chamam Caetano Veloso de “Caê”, pessoas que eu sei que o cantor não faz a menor idéia que existem; me divido entre ter raiva de uma pessoa tão medíocre a ponto de tratar um artista como se fosse seu camarada, mesmo que este artista não saiba da existência desse camarada, e ter pena dessa mediocridade. Mas eu também tenho minhas mediocridades; espero apenas que sintam por mim o que quiserem, menos pena – mesmo quando eu queira que sintam pena de mim).<br/>Mas, sobre a confiança, a recíproca é verdadeira: é difícil conquistar, também, a confiança de outra pessoa. É difícil ser confiável. Têm pessoas de quem sei que tenho, ou acredito ter, confiança. Outras, não me interessa o mínimo se confiam em mim ou não. Tem também aquelas que, para seu próprio bem, espero que não confiem em mim, porque destas (poucas, mas contundentes) eu não teria o menor pudor em trair a confiança, a menos que isso fosse muito imprudente na hora. Mas existem pessoas, pouquíssimas, acho que talvez apenas uma, de quem eu gostaria de ter a confiança. Que pudesse deixar algo como, por exemplo, seu diário comigo e confiasse que eu não leria. Não importa se eu leria ou não (e, desta que tenho em mente, eu não leria mesmo). Mesmo sendo uma pessoa bastante fuxiqueira, curiosa além do que é de minha conta, estas poucas pessoas (talvez somente “esta” pessoa) merecem meu supremo esforço em não bisbilhotar onde sei que seria invasivo fazer isso. Até porque, por mais que realmente haja esforço de minha parte, de certa maneira é mais fácil não trair a confiança de quem eu gosto.<br/>Mas “de quem eu gosto”, no fim das contas, não tem confiança em mim. E é aqui que ou eu descobri algo muito importante, fundamental, ou então estou fazendo uma tempestade em um copo d’água.<br/>Acontece que o fato de eu confiar em alguém não gera um compromisso de reciprocidade: ninguém em quem eu confio tem obrigação de confiar em mim. Nem “de quem eu gosto”. Mas “de quem eu gosto”, por mais que eu goste, não tem confiança em mim. E isso muda tudo. Não tenho como esperar, como desejar, como me permitir alimentar expectativas por alguém que não confia em mim. Pessoas que eu espero que confiem em mim, mas que não confiam, tenho bastante no trabalho, na faculdade, na rua da minha casa… mentira, ninguém na rua da minha casa tem, da minha parte, esta expectativa. Eu não sei se eu me faço entender, e deve ser porque nem mesmo eu entendo bem. Mas uma amizade precisa ter confiança. Já me afastei de gente muito querida e importante por sentir a desconfiança alheia. É algo que você sente na nuca, um arrepio nos cabelos da nuca, mas, no caso, era ciúme, não de mim, mas ciúme da namorada, como se eu fosse calhorda o suficiente para trair a confiança de duas pessoas assim (porque quando você faz amizade com um casal, e imagina que as duas pessoas confiem em você, você trai as duas ao dar em cima de alguma das pessoas do casal, e o ciúme alheio na sua nuca, ainda mais sem motivo, apenas por paranóia espontânea, é realmente desagradável). A questão agora não é o ciúme de ninguém. É tão somente desconfiança. É colocar-se em posição de defesa, mesmo que seja de maneira muito sutil, quando vêem que você coloca a mão nos bolsos, com medo que você tire dali uma faca. É pensar que você seria alguém filha-da-puta o suficiente para agir de ma-fé. Não se trata tanto da mágoa que isso me causa. Mágoa passa, se passa por cima, dá trabalho, e muito, mas quando você gosta de alguém, vale o esforço. Se trata mais que uma coisa prática, uma questão funcional. Eu não posso querer conviver com alguém que não confie em mim. Tudo bem que me cobrem, mas cobrar lealdade constantemente seria o fim. Quando você convive com alguém, não precisa ser um relacionamento amoroso, em certos momentos é necessário tanto saber que eu posso fechar meus olhos e me deixar cair que alguém vai me segurar, quanto que a pessoa com quem eu convivo também seja capaz de fechar os seus olhos e confiar que eu estarei ali, que não a deixarei cair. E se a pessoa não for capaz de fechar os olhos perto de mim, se não for capaz de baixar a guarda, não é que não sirva, como se fosse uma tesoura sem fio, mas é que não funciona a relação. Pode-se estabelecer relações onde a guarda fica em alerta – no trabalho, na faculdade onde as cobras peçonhentas estão sempre sibiliando atrás dos murais e nas esquinas dos corredores – e, a´te algumas vezes, uma relação assim, mesmo permeada de desconfiança, pode ser muito agradável, porque você não espera que aquela pessoa confie muito em você, mas confie um pouco, níveis ordinários de confiança. Mas certas relações não vingam com desconfiança.<br/>Talvez eu é que seja exigente demais (talvez seja por isso que, afinal de contas, eu nunca tenha amado, por exigir confiança demais). Talvez eu queira das pessoas – de certas pessoas, ou de uma em particular – algo que ela não possa, ou quem sabe até nem queira me oferecer. Mas, por mais que isso seja quase como ter que cortar um pedaço da minha carne, e sem fazer escândalo, isso, a confiança, a confiança em mim, não é possível ficar faltando. Isso é como “avião sem asa, fogueira sem brasa”: não existe – ai, espero nunca ter que pagar por dizer isso – amor sem que confiem em você.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>The sound of music</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 03 Jan 2007 02:05:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/01/2007</p><p>A muitos e muitos anos, talvez também em uma galáxia muito distante, mas com certeza nesta, tinha um cigarro chamado Lark. Era o único cigarro que eu fumava de besta. Eu me sentia, olha só que estranho, a música da propaganda. A letra era “Lá, lá, Lark”, mas escrita assim, sem som, fica sem graça. Até porque não se tratava tanto da letra da música, mas do som (e importância da letra entrava somente porque o som delas também era bom: se fosse “Larque”, “Larq”, “L’Arc”, “Lahrc”, não faria diferença).<br/>As diferenças entre as diferentes escritas de um mesmo som somente têm importância na escrita. Em uma conversa, não existe diferença entre “casar” e “casá”, “mi dá um beiju” e “me dá um beijo”. Esse é um problema unicamente da escrita, que é um registro. Por outro lado, a escrita compartilha alguns problemas com a conversa: “Minha mãe disse que ela queria casar comigo” é uma declaração incestuosa ou uma fofoca sobre aquela menina?. Isso pode deixar parecer que a escrita é mais clara, mais confiável.<br/>A escrita é, ao menos pode ser, mais calculada. Falar é sempre mais espontâneo, é algo mais direto. E é sempre um complemento, até muito importante, mas complementar. Ouvir “eu te amo” não é apenas decodificar uma mensagem. Ouvir “eu te amo” implica também em sentir o calor do corpo de quuem fala, em olhar os olhos, o olhar, a forma do corpo de quem fala, em sentir a mão percorrendo a pele, os cabelos, em sentir a respiração ali na frente, outra respiração em nossa frente que também diz “eu te amo”, sem, no entanto, formular frase alguma, sem letras, apenas som e calor. Falar “eu te amo” já é amar (desconsiderando os casos de falsidade, de mentira; mas nunca podemos ter certeza da intenção alheia, somente pode-se confiar, e confiar já é, também, amar), porque já é toda essa maneira de dizer “eu te amo” também sem as palavras: com o corpo, com os sons, com o calor, com o contato entre as peles, as línguas, as bocas, com as respirações que acabam se tornando a mesma respiração, dois corpos, duas respirações que não se fundem, não se tornam uma mesma coisa, mas sim duas coisas que compartilham algo que somente essas duas coisas (coisas: corpo, respiração, pessoa) conseguem compartilhar. Nunca participei de Swing, menage a trois, nem de nada que envolvesse mais de três pessoas peladas e qualquer coisa parecida com sexo (mezzo falta de interesse, mezzo falta de oportunidade; mais ou menos assim: nas vezes em que tive curiosidade, faltou oportunidade, e nas poucas oportunidades que tive, não tive interesse – às vezes, porque o grupo ou alguns dos componentes não compensavam, ou por ter outras coisas para fazer; enfim, dei toda essa explicação só para dizer “nunca fiz, mas nada contra”, eu só sei simplificar depois de complicar). E falei do swing só para dizer que não sei se três ou mais pessoas conseguem compartilhar o amor. Há quem diga que se pode amar duas pessoas ao mesmo tempo, sei lá, até hoje nunca foi o meu caso.<br/>Mas a escrita é um registro da fala, em certos casos. Mas também se pode escrever coisas que não serão faladas: existe um mundo próprio da escrita.<br/>Eu queria chegar aqui: fumando Lark, eu me sentia a música (mais ou menos como um cara que beba cerveja para se sentir o pegador da propaganda, ou uma garota que use Seda para se sentir a mocinha do “Me olha. Me olha de novo.”, ou uma criança que compre as bonecas das RBD para se sentir uma Rebelde). Fumar Lark está para a música da propaganda mais ou menos como escrever “eu te amo” está para ouvir “eu te amo”. Nenhuma das duas experiências é pior, escrever é legal e amar também. Mas uma experiencia não traduz a outra, não substitui a outra. Fumar Lark não é o mesmo que dançar e ouvir a música, mas era o que eu fazia. Até acho que, se fumo hoje, é mais por nostalgia dos tempos do Lark (não só a música, mas tudo o que era aquele mundo de então), mesmo que eu não faça questão de que aqueles tempos voltem (foram bons, mas hoje é hoje e eu gostei de muito do que veio depois daquele tempo… não é bem isso, mas o assunto não é esse). Hoje eu tenho apenas um registro daquela música: 8mg de alcatrão, 0,8mg de nicotina e 8mg de monóxido de carbono, sem contar o Cádmio, o Mercúrio e todas as outras coisas que tem num cigarro.<br/>Tudo isso para dizer que eu tenho medo de dizer que amo X. Por mais que eu saiba que escrever “eu te amo” não seja amar, ainda me prendo muito à relação entre falar e escrever, entre escrever e viver: me pareceria mentira escrever “eu te amo” sem nunca ter dito, e mesmo por medo de jogar o “eu te amo” na vala comum (escrever “eu te amo” não é o mesmo que amar, mas como me prendo ainda à escrita, escrever ainda está muito dependente de viver).<br/>Eu não posso escrever o que sinto por X, porque nunca amei X. Mas também não posso dizer que não amo X, pois [leia-se: aquilo que não posso escrever]! Isso talvez signifique: não quero mentir. Mas pode significar outra coisa: toda esta divagação sobre X e o amor não tem o menor fundamento, pois não existe objeto que verifique o que escrevo (inclusiva, já me comprovaram várias vezes que nunca amei. Estamos ainda analisando as provas).<br/>Talvez possa dizer, pelo menos em relação à amizade que temos. Mas, como vou saber se não sou uma amizade de ocasião? Amizades de ocasião podem ser muito intensas, mas são de ocasião. Sei lá se X… mas não quero desconfiar. Talvez o que me falte seja o que muita gente (na verdade, apenas uma pessoa, mas que vale por uma multidão) me disse: fale. Até Pedro Almodóvar já me disse isso, logo ele que nem me conhece. Mas como arriscar perder alguém tão… tão X, apenas para assegurar que poderei… amar? Não devo ter amado nunca mesmo.<br/>O Lark substituía a música, claro que muito se perdia, mas o cigarro também tinha certos encantos que a música não tinha, e agora o Hollywood mentolado substitui o Lark.<br/>Mas o que vivo – o que quer que seja que vivo – com X é, também, intenso assim como é. Talvez me falte ambição, a ambição de amar. Talvez eu me contente com pouco. Mas tenho medo de que esse pouco se perca: seja por mudança de Estado (X pode, a qualquer momento, ir morar em outro lugar), seja por mudança de estado (X pode se encantar por qualquer outra pessoa aí pela rua), seja por mudança de estado (X pode pensar que a amizade que tenho era apenas pretexto, jogo de cena para me aproximar. Como se diz para alguém: “quero tua amizade, nunca quero perdê-la; mas também quero te amar, sem perder em nada da amizade mas acrescentando algo”?). Amor fraternal, amor de amizade, tudo isso tenho por X. Mas… sei lá. Talvez faça falta o corpo. O corpo de X estou falando, porque o meu está aqui.<br/>Mas como não se sentir uma coisa como o Quasímodo ao dizer “eu quero amar também o teu corpo?” Baixa auto-estima? Não sei se X me estima tanto quanto estimo X. O corpo é algo complicado, e não sei se X suporta meu corpo, que é o que quero oferecer – além de tudo o mais que X já tem de mim. Medo de rejeição? Mas já me rejeitaram tanto que, no que diz respeito somente à rejeição, mais uma ou menos uma não faria diferença. Somente esta que está em questão.</p><p>Mas, no fim das contas, são só palavras. Falta a música, a dança. “The Sound of Music”.</p>]]></description>
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      <title>Uma canção desnaturada – Chico Buarque</title>
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      <pubDate>Tue, 02 Jan 2007 08:22:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>02/01/2007</p><p>Por que creceste, curuminha<br/>Assim depressa, e estabanada<br/>Saíste maquilada<br/>Dentro do meu vestido<br/>Se fosse permitido<br/>Eu revertia o tempo<br/>Pra reviver a tempo<br/>De poder</p><p>Te ver as pernas bambas, curuminha<br/>Batendo com a moleira<br/>Te emporcalhando inteira<br/>E eu te negar meu colo<br/>Recuperar as noites, curuminha<br/>Que atravessei em claro<br/>Ignorar teu choro<br/>E cuidar só de mim</p><p>Deixar-te arder em febre, curuminha<br/>Cinquenta graus, tossir, bater o queixo<br/>Vestir-te com desleixo<br/>Tratar uma ama-seca<br/>Quebrar tua boneca, curuminha<br/>Raspar os teus cabelos<br/>E ir te exibindo pelos<br/>Botequins</p><p>Tornar azeite o leite<br/>Do peito que mirraste<br/>No chão que engatinhaste, salpicar<br/>Mil cacos de vidro<br/>Pelo cordão perdido<br/>Te recolher pra sempre<br/>À escuridão do ventre, curuminha<br/>De onde não deverias<br/>Nunca ter saído.</p><p>Gosto da letra desta música. Na falta de assunto, vamos comentá-la (“vamos comentá-la” é plural majestático, coisa de gente arrogante; eu devo ser arrogante, consequentemente; porque o plural majestático é coisa de gente arrogante? Eu não sei. Devo estar com sono).<br/>A letra parece ser a de uma mãe ou pai desnaturados. Todas as maldades que eles se arrependem de não ter feito à filha. Mas parece mais um lamento, pelos rumos que a menina está tomando (essa música faz parte da Ópera do Malandro, que tem toda uma história complicada, e a Curiminha em questão – que tem um outro nome na verdade – está, pelo que entendi, afim do inimigo do pai dela). Guardadas as devidas proporções e sem entrar em questões sociais, é mais ou menos como pais de drogaditos com a vida muito complicada quando dão graças a deus que o filho morreu e dizem “pelo menos agora sei onde está”, quer dizer que acabou a preocupação. Sei lá, parece que os pais da Curuminha estão decepcionados, coisa assim.<br/>Mas, deslocando a letra do contexto (personagens, etc), parece o lamento de muitos pais quando vêem seus filhos tomando rumos que não desejavam (não necessariamente rumos “maus”, apenas rumos diferentes daqueles que os pais esperavam que os filhos tomassem). Enfim, é o típico lamento de pais superprotetores: “Se fosse permitido/Eu revertia o tempo/Pra reviver a tempo/De poder/ … / Pelo cordão perdido/Te recolher pra sempre/À escuridão do ventre,/curuminha/De onde não deverias/Nunca ter saído.” O sonho de qualquer pessoa superprotetora.</p><p>Que comentários mais despropositados… Devo estar mesmo com MUITO sono.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Um trecho e uma citação</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Tue, 02 Jan 2007 08:09:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>02/01/2007</p><p>
<p>“<i style="font-style:italic">Um livro não tem objeto nem sujeito; é feito de matérias diferentemente formadas, de datas e velocidades muito diferentes. Desde que se atribui um livro a um sujeito, negligencia-se este trabalho das matérias e a exterioridade de suas correlações. Fabrica-se um bom Deus para movimentos geológicos. Num livro, como em qualquer coisa, há linhas de articulação ou segmentaridade, estratos, territorialidades, mas também linhas de fuga, movimentos de desterritorialização e desestratificação. As velocidades comparadas de escoamento, conforme estas linhas, acarretam fenômenos de retardamento relativo, de viscosidade ou, ao contrário, de precipitação e de ruptura. Tudo isto, as linhas e as velocidades mensuráveis, constitui um agenciamento. </i>Um livro é um tal agenciamento e, como tal, inatribuível. É uma multiplicidade — mas não se sabe ainda o que o múltiplo implica, quando ele deixa de ser atribuído, quer dizer, quando é elevado ao estado de substantivo. Um agenciamento maquínico é direcionado para os estratos que fazem dele, sem dúvida, uma espécie de organismo, ou bem uma totalidade significante, ou bem uma determinação atribuível a um sujeito, mas ele não é menos direcionado para <i style="font-style:italic">um corpo sem órgãos, </i>que não pára de desfazer o organismo, de fazer passar e circular partículas a-significantes, intensidades puras, e não pára de atribuir-se os sujeitos aos quais não deixa senão um nome como rastro de uma intensidade. Qual é o corpo sem órgãos de um livro? Há vários, segundo a natureza das linhas consideradas, segundo seu teor ou sua densidade própria, segundo sua possibilidade de convergência sobre “um plano de consistência” que lhe assegura a seleção. Aí, como em qualquer lugar, o essencial são as unidades de medida: <i style="font-style:italic">“quantificar a escrita”. </i>Não há diferença entre aquilo de que um livro fala e a maneira como é feito. Um livro tampouco tem objeto. Considerado como agenciamento, ele está somente em conexão com outros agenciamentos, em relação com outros corpos sem órgãos. Não se perguntará nunca o que um livro quer dizer, significado ou significante, não se buscará nada compreender num livro, perguntar-se-á com o que ele funciona, em conexão com o que ele faz ou não passar intensidades, em que multiplicidades ele se introduz e metamorfoseia a sua, com que corpos sem órgãos ele faz convergir o seu. Um livro existe apenas pelo fora e no fora. Assim, sendo o próprio livro uma pequena máquina, que relação, por sua vez mensurável, esta máquina literária entretém com uma máquina de guerra, uma máquina de amor, uma máquina revolucionária etc. — e com uma <i style="font-style:italic">máquina abstrata </i>que as arrasta. Fomos criticados por invocar muito freqüentemente literatos. Mas a única questão, quando se escreve, é saber com que outra máquina a máquina literária pode estar ligada, e deve ser ligada, para funcionar. Kleist e uma louca máquina de guerra, Kafka e uma máquina burocrática inaudita… (e se nos tornássemos animal ou vegetal <i style="font-style:italic">por </i>literatura, o que não quer certamente dizer literariamente? Não seria primeiramente pela voz que alguém se torna animal?) A literatura é um agenciamento, ela nada tem a ver com ideologia, e, de resto, não existe nem nunca existiu ideologia.“</p>
<p>Gosto deste trecho, acho um tanto poético. Gosto desse livro, na medida em que entendo alguma coisa. E gosto desse autor, é muito legal estudá-lo.</p>
<p>Cito Pica-Pau: “Eu gosto de você!“</p>
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>questões nada a ver</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 01 Jan 2007 21:01:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/01/2007</p><p>Nada de útil para escrever. … Por isso, vou falar de inutilidades.<br/>Gosto de escrever.  É estranho, mas expressar idéias por meio de palavras me atrai incrivelmente. Muitas vezes não tenho idéia alguma sobre o que escrever. Aí escrevo bobagens (como no post com a figua do T). Mas, também, escrevo para colocar para fora. Coisas cujo momento de serem faladas não é este, coisas das quais não tenho ainda certeza, coisas de que preciso me distanciar um pouco para, depois, ver se “funcionam” ou não.<br/>A escrita, apesar do gosto que tenho por ela, é muito limitadora. Escrevendo, muita coisa se perde. Escrevi logo abaixo sobre o meu ano-novo: metade do que eu quis dizer não está exposto ali, e muito do que foi escrito pode ser interpretado de maneira diferente. Tipo, minha relação com… enfim, com X, não mudou, continua igual; eu é que fiquei contente, feliz em ver X, depois de pensar que nunca mais X me procuraria. E me procurou em um momento que pensei que X nunca me procuraria. Foi uma supresa. Logo eu, que vivo dizendo que nada mais me surpreende no mundo… Levei nos dedos, de novo.<br/>Outra limitação da escrita é a delimitação do campo onde se aplica aquilo qe você está dizendo, ou seja, aquilo sobre o que você está falando.<br/>Se eu escrevo sobre filosofia e enfermagem, uma pessoa poderia pensar que eu entendo muito de ambos os assuntos. Mas sobre filosofia tenho um conhecimento fragmentado, incompleto, desencontrado. E sobre enfermagem, todo o meu conhecimento vem de minhas experiências como paciente. Em ambos os casos, muitas coisas vêm da minha reflexão. Digo isso porque pode parecer que penso que a enfermagem deve algo à filosofia, ou que pode-se fazer enfermagem com filsofia. Pelo contrário, acho que a filosofia é que pode ser muito tributária da enfermagem, na medida em que a enfermagem tem com as pessoas uma relação direta e muito pragmática: diferente das outras ciências, a enfermagem parece focar-se em promover o bem-estar não a um inexistente “ser humano em geral”, ou a algum ser humano ideal, e, nem mesmo, sua preocupação é o ser humano. Sua preocupação é com aquela coisa que designamos por pessoa e que, neste momento, precisa de cuidados. A enfermagem é pouco desenvolvida, me parece. Pode ser desinformação minha, mas vejo poucas palestras vindas da enfermagem obre saúde, vejo poucas contribuições da enfermagem para além do atendimento clínico. Embora justamente isso seja um dos aspectos que eu mais gosto na enfermagem, acredito que suas contribuições fazem falta no resto do território da saúde humana. Aí, pode ser, me parece, por mais que já tenha pensado muito sobre isso ainda não pensei o bastante, que a filosofia possa servir para alguma coisa no que diz respeito à saúde. Filosofia serve para alguma coisa, aliás, muitas, e, da minha parte, parto de um princípio que li em Deleuze (meu parco conhecimento do assunto me obriga a partir dos princípios dos outros, mas este tem me servido bem até agora): Filosofia é criação de conceitos, de conceitos utilizáveis de alguma forma pelas pessoas em seu dia a dia, em seu trabalho, nas relações com outras pessoas, com outras coisas, consigo próprias, com o mundo, com o que for. Não se precisa de filosofia para refletir, compreender, criar coisas, etc; a filosofia restringe-se à criação de conceitos (idéias de Deleuze – veja agora a petulância – corroboradas por mim – viu só, que petulante?). E a teoria do conhecimento, a literatura, a física, a biologia (embora ainda tenha muito espaço ainda aí), as ciências em geral, a sociologia, etc, estão muito bem servidas pela filosofia. Mesmo a medicina é muito bem servida, com suas concepções de ser humano, suas generalizações, suas especializações. O que imagino entre filosofia e enfermagem é uma relação de trazer para a filosofia alguma coisa que eu ainda não sei bem o que é, vinda da enfermagem, que permita à filosofia servir à saúde de alguma maneira, “de alguma maneira” que não seja, é claro, a da enfermagem (porque a enfermagem já está aí para isso) nem a da medicina (que, além de já estar aí, também tem muitos aspectos pouco funcionais e até um pouco nocivos, como a maneira de relacionar-se com seus pacientes). Trata-se de fazer a filosofia depender da enfermagem para explorar, no que diz respeito à saúde, aquilo que seja possível à filosofia.<br/>E tem também o que escrevo sobre X. Sobre isso, nem sei o que escrever. Acho que quando estou bem com X, não tenho o que escrever sobre tal letra. Que mediocridade só saber escrever sobre o amor quando se está sofrendo… Mas, por outro lado, já me disseram, e desconfio disso muitas vezes, que nunca amei (porque possuo “frieza” demais, não me desespero, ou, pelo menos, consigo controlar um pouco esse desespero que também é uma das consequências do amor). Talvez minha mediocridade no que diz respeito a escrever sobre o amor venha disso, afinal. Quem nunca amou só pode fazer literatura mediocre sobre o amor.<br/>Se é verdade que nunca amei, não sei o que é isso que me relaciona com X. Amizade? Sim, mas amizade também é amor. E, de qualquer maneira, “Amor” é uma amizade muito especial, que somente X consegue inspirar em mim, que, decerto, está em mim, mas que está em mim direcionado a X.<br/>Sei lá, nada a ver. Falta de assunto esse posti.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Feliz 2007!!</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 01 Jan 2007 16:09:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>01/01/2007</p><p>Pois, veja como é a vida (não que ela seja exclusivamente assim; melhor trocar a frase). Pois, veja como também é a vida:<br/>Você se programa para passar o reveillon (me acometem as mesmas dúvidas do Gabriel, daquela musiquinha “Well, well, well, Gabriel”) só, sem mais ninguém. Você compra coisas, você programa-se para fazer um monte de coisas (que se resumem em “o que vou comer?” e “o que vou fazer na Internet?”, com muitas opções em cada qual) e, principalmente, você se prepara para passar a tal virada somente consigo, que é uma ótima companhia. Claro, você tem que mentir para toda a sua família de que vai passar o reveillon (deve ser assim que se escreve) com amigos, e tem que mentir para os amigos que vai passar o reveillon (deve ter algum acento em algum lugar da palavra) com a família, porque todas as pessoas ficam com pena, como se você fosse uma coisa largada à parte e não estivesse adorando a possibilidade de passar o reveillon sem mais ninguém.<br/>Mas eis que chega uma criatura, se você for cristão, um composto de carbono, se a sua praia for a química, um representante da espécie humana, se você for biólogo, uma pessoa física, se você for jurista, um sujeito, se você for filósofo, um predador, se você for um mosquito, uma incógnita, se você for agnóstico, uma… enfim, uma paixão, se você for eu.<br/>Mas nunca você esperava ver esta pessoa chegar. Você passou os últimos dias querendo muito vê-la, você andava olhando para todos os lados, você não era um corpo com olhos, mas muitos olhos com um corpo, você sentia falta, você não sabia o que fazer, até que você achou melhor pensar “antes só do que sem a sua companhia”, resignou-se a nem dar um “feliz ano-novo” à pessoa… E ela bate em sua campainha. E lhe dá happy new year. E você passa a virada com esta pessoa. E você fica com muita pena da comida que comprou e dos planos que fez, mas fica feliz, muito feliz.<br/>Você sabe que, como as crianças, se contenta com pouco. Mas, dentro de certos contextos, certas coisas têm o tamanho do mundo.</p><p>E eu, que nunca dei bola para isto (continuo não dando), que nunca pensei que a pieguice fosse tão longe (mas foi), estou aqui desejando um Feliz Ano Novo para o mundo inteiro (e para eventuais aliens, caso existam).</p><p>Só espero que dure.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Mais filosofia e enfermagem</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l48-mais-filosofia-e-enfermagem</guid>
      <pubDate>Sun, 31 Dec 2006 18:37:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>31/12/2006</p><p>tem um texto de Thomas Khun (ou “Kuhn”) chamado “Consolando o especialista”. Neste aritgo, muito legal, ele descreve o especialista pegando como exemplo um bando de assalto a banco: assim com na ciência (Oh! Glória!), um bando de assaltantes de banco também conta com diferentes especialistas que formam uma equipe capaz de executar uma determinada tarefa. E, tanto em um quanto em outro caso, a equipe não trabalha pelo amor à ciência, pela busca da verdade ou pelo desejo de conhecer mais a fundo os bancos, mas sim por dinheiro. Ou porque outro motivo existiriam pesquisas sobre coisas absurdas (agora, quando mais preciso, não me ocorre nenhum exemplo, mas são aqueles tipos depesquisas que são apresentadas, por exemplo, pelo Jô Soares no seu programa ou, por outro exemplo, pesquisas como “quem tem mais neurônios, homens ou mulheres” – esse tipo de pesquisa, em particular, acho tosca, porque trata-se de mera estatística; estatísticas ´procedem por amostragem, quer dizer, de cem pessoas, pegamos dez e esperamos que esse grupo de dez reproduza todas as diferenças, semelhanças e relações que existem no grupo de 100 pessoas, é uma questão de confiança, de fé que o grande grupo se comporte de maneira semelhante à amostra, pois a impressão que fazem passar é que necessariamente o grande grupo se comportará como o grupo menor, o que é apenas uma possibilidade; como diz um amigo meu, se eu e você sentamos em uma mesa, e eu comer um frango e você nada,  estatisticamente somos duas pessoas bem alimentadas, pois cada qual comeu meio frango).<br/>Mas, voltando aos especialistas. A medicina é uma ciência de especialidades. Um médico é especialista em pernas, joelhos, rins, etc. A enfermagem é mais (não gosto dessa palavra, mas me rendo) holística. Eu nem sei direito o que quer dizer “holístico”, mas me soa algo como “global”. Sem querer defender coisas sistêmicas, nem me colocar contra, a enfermagem, tão desvalorizada, ainda assim consegue ser mais… sei lá. A questão é que a enfermagem é quem faz aquilo que atribui-se à medicina, que é cuidar de pessoas. À medicina interessam, é claro, as pessoas. Mas ela somente lida indiretamente com elas. A medicina investiga coisas relacionadas a pessoas, e não pessoas. É como a física, ou a química: no fim das contas, seus estudos acabam convergindo para as pessoas, mas o território delas é outro. A enfermagem, por seu lado, é muito mais antropólogica, digamos assim, do que a medicina (e talvez, mais do que a própria antropologia). Claro, ninguém tem a obrigação de estudar pessoas. A geologia é muito feliz estudando… coisas geo (não quis dizer “estudando pedras” porque acho que isso talvez não resuma a geologia). Mas o estatus que atribui-se à medicina pertence, de fato, à enfermagem. E a enfermagem nem precisa desse estatus, pois seu trabalho vai mais além, me parece.<br/>Está muito interessante escrever isso, mas tenho que tomar banho para ir comprar cigarros, senão fico sem até dia 2.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Momento sem assunto</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l47-momento-sem-assunto</guid>
      <pubDate>Sun, 31 Dec 2006 18:05:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>31/12/2006</p><p><a href="https://i0.wp.com/www2.uol.com.br/cafecombobagem/images/museudabobagem/tesao.jpg">[https://www2.uol.com.br/cafecombobagem/images/museudabobagem/tesao.jpg]</a>A piada pode ser até meio sem graça, mas, sei lá, é criativo… Tá, tá, não muito, mas…</p><p>Só para não ficar apenas na piadinha cretina:<br/>Por muitos e muitos anos, eu ouvi a música “Tédio com um ‘T’ bem grande pra você”, da Legião Urbana (que dizem que foi uma banda emo – precursora, na verdade -, mas de mim também já me disseram que sou emo. Por um lado, já disseram tanta coisa de mim que rótulo a mais, rótulo a menos, só coleciono – eu pareço uma mala de viagens, cheia daqueles adesivos dos lugares por onde ela passou; fica como lembraça dos lugares que visitei [ai que poético], mas esclareço que não sou mala, apesar da metáfora -; por outro lado, deixa o povo falar: pouca gente sabe que a minha tribo não existe). E eu sempre me impliquei com o “T bem grande pra você”. Até que um dia fez-se a luz: “claro, ‘T’ quer dizer ‘tesão’!”. Genial. Mas, tá! e daí? o que tem a ver tédio com tesão? Seguiram-se mais alguns anos, e, desta vez, não fez-se a luz, mas o sr. Óbvio bateu em minha porta ( e eu abri, mas ele não disse “sras. e srs, pulem num pé só; sra. e srs, ponham a mão no chão, sras. e srs, dêem uma rodadinha, e vá pro olho da rua!”) e me disse “Eu!”, (quer dizer, “Óbvio!”, afinal, ele era o óbvio) “tédio com um T bem grande pra você quer dizer tédio com T maiúsculo, ou seja, muito tédio”.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Da série "Textos enormes para problemas maiores ainda"</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 31 Dec 2006 17:42:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>31/12/2006</p><p>Roubado daqui: <a href="http://www.elpais.com/articulo/sociedad/faltan/68/mujeres/elpepusoc/20061231elpepisoc_1/Tes">http://www.elpais.com/articulo/sociedad/faltan/68/mujeres/elpepusoc/20061231elpepisoc_1/Tes</a></p><p>Aquí faltan 68 mujeres<br/>El primer año de plena aplicación de la Ley contra la Violencia de Género se salda con una víctima cada cinco días </p><p>Miguel, Fredy, Pedro y Manuel: cuatro agresores más. Catalina, María Elena, María y Alicia: cuatro mujeres menos. Ellos las mataron. Y fueron muchas más: 68 vidas de mujer menos en 2006, segadas por hombres que dijeron amarlas. Una sangría que continúa en el primer año de aplicación plena de la Ley Integral contra la Violencia de Género. Una norma aprobada por unanimidad y destinada a combatir un problema viejo, antaño privado y ahora público. Una ley que endurece las penas a los hombres que maltraten. Pero que, de momento, no cambia una costumbre: la maté porque era mía. O porque quiso dejar de serlo.</p><p>Una víctima de la violencia machista casi cada cinco días a lo largo de este año. Ocho muertas más que en 2005, cuatro menos que en 2004… El recuento, que empezó a hacerse apenas una década atrás, no para de aumentar. “Aunque sólo hubiera muerto una, nos alarmaría. Pero no podemos perder la perspectiva”, afirma la delegada del Gobierno contra la Violencia sobre la Mujer, Encarnación Orozco, personada como acusación en cada una de las 68 muertes. “La cadencia de víctimas es sostenida en los últimos años”, añade. Desde 1999 hasta hoy, 492 ciudadanas han perdido la vida por la agresión de su pareja o ex pareja, según el Instituto de la Mujer. Pero este ha sido el primer año natural en el que la ley contra la violencia, la primera que impulsó el Gobierno de Rodríguez Zapatero, estaba plenamente vigente.</p><p>“A esta norma se le pide un plus que no se le pide a ninguna otra. Tampoco el Código Penal acaba con los delitos”, asegura Orozco. “A la ley integral hay que darle tiempo para que cale en la sociedad. No sólo persigue el maltrato. También apuesta por la prevención. Su fin último es erradicar la violencia, y eso requiere un cambio social”, plantea.</p><p>“La cifra de víctimas es desoladora”, asegura la fiscal de Sala Delegada de Violencia sobre la Mujer, Soledad Cazorla. “Resulta especialmente alta en verano y en torno a la navidad, porque son fechas de mayor convivencia y de relaciones familiares más estrechas. Comprendo que la gente se alarme”, prosigue la mujer que coordina la actuación de los fiscales especializados en combatir el maltrato. “Lo que ocurre demuestra, justifica y ampara la existencia de la ley integral, pero ninguna ley acaba con un delito. Y, además, este no es un delito como otros. Median relaciones afectivas. Hay mujeres que no se creen que las vayan a matar y bajan la guardia. Pero el agresor, que es quien mejor conoce a la víctima, actúa”, añade Cazorla.</p><p>Como ocurre año a año, la mayoría de las fallecidas en 2006 no había presentado denuncia. Según los datos que maneja el Gobierno, que dejan fuera del recuento a las tres últimas víctimas, sólo 20 habían denunciado a su agresor. De ellas, 14 solicitaron -y obtuvieron- una medida de protección, generalmente una orden de alejamiento dictada para su maltratador. Pero sólo estaba vigente en 10 casos (tres mujeres renunciaron a ella y en el otro caso el agresor resultó absuelto). De la decena que perdieron la vida pese a contar con una medida para protegerla, cuatro permitieron al agresor que quebrantara el alejamiento.</p><p>Pero también murieron otras seis mujeres cuyos maltratadores se saltaron el alejamiento sin que nadie lo impidiera. “Eso es una llamada de atención. Hay que mejorar la respuesta a las mujeres protegidas”, afirma la delegada Orozco. De ahí que las últimas medidas de choque, aprobadas por el Gobierno a mediados de este mes, incluyan ofrecer un servicio de teleasistencia a todas las víctimas cuyos agresores cuenten con una orden de alejamiento. Hasta ahora, la entrega gratuita de ese transmisor para alertar de cualquier peligro se limitaba a las mujeres con orden de protección (una medida temporal hasta que se celebra el juicio). La otra opción, dado que el Gobierno considera inviable dar escolta policial a todas las maltratadas, son las pulseras electrónicas, aún sin generalizar por problemas técnicos, según el Ejecutivo.</p><p>“El balance de víctimas de este año es malo, pero eso no significa que no se haya avanzado”, asegura la magistrada Montserrat Comas, presidenta del Observatorio contra la Violencia Doméstica y de Género del Consejo General del Poder Judicial. “La ley contra la violencia es un buen instrumento y terminar con esa lacra ya se ha convertido en una prioridad política y social”, valora. A su juicio, “los resultados son lentos porque se trata de un problema complejo, ya que se mezcla una situación de violencia con la pervivencia de sentimientos, con la dependencia emocional”. Ana María Pérez del Campo, de la Federación de Mujeres Separadas y Divorciadas, asegura: “Las muertes no son responsabilidad de la ley. Hace falta más tiempo para ver sus resultados”.</p><p>“Sólo con penas más duras no se acaba con hechos criminales. Junto con el endurecimiento del castigo se necesitan otras medidas, sobre todo de sensibilización social, de educación en la igualdad, de prevención. Creernos la igualdad entre mujeres y hombres es el mejor antídoto contra esta violencia”, reflexiona Cazorla. Pero también cree que la norma tiene aún puntos flojos. El Gobierno quiere corregirlos con el plan de choque recién aprobado.</p><p>Dotado con 48 millones de euros, el plan permitirá, entre otras cosas, duplicar hasta 82 los juzgados que sólo se dedican a atender a las maltratadas. Los tribunales, algunos de ellos “sobrecargados” según Comas, han trabajado a buen ritmo. Entre julio de 2005 y junio de este año, los distintos órganos judiciales condenaron a 29.356 maltratadores, siete de cada 10 juzgados. Una media de 80 condenados por día. “Esto es gracias a la nueva ley y a la actuación de jueces, fiscales y policías. Antes se absolvía a siete de cada 10”, asegura la magistrada.</p><p>También en 2007 se desarrollará el plan de sensibilización y prevención, la última medida pendiente. Como recuerda Ángeles Álvarez, de la Fundación Mujeres, “este año la ley integral ha estado plenamente vigente, pero no totalmente desplegada”. Acaba 2006. Faltan 68 mujeres. </p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>nada de novo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l45-nada-de-novo</guid>
      <pubDate>Sat, 30 Dec 2006 03:45:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>30/12/2006</p><p>Dois assuntos reverberam na minha cabeça. dois assuntos bastante díspares, até mesmo quase sem relação um com o outro (dá para relacionar, até: ambos os assuntos envolvem seres humanos, e ambos me incomodam muito, de maneiras bem diferentes, é claro; mas vamos deixar de lado essas relações): um deles é que X não está aqui; o outro, é que uma menina de quinta série foi expulsa de um colégio porque chamaram-na de vadia (simples assim: “você é vadia!” Plim!!: foi expulsa da escola – onde estão as delegacias da mulher que não prendem ninguém por este tipo de violência?). Um assunto me faz sofrer, o outro me irrita profundamente. Em ambos os casos, me sinto impotente. Mas, novamente, são duas impotências bem diferentes.</p><p>É verdade que a história da menina não foi tão simples assim. Os meninos que a expulsaram (a diretora somente serviu de instrumento, como bem cabe a uma mulher em nossa cultura) tiveram de contar a seus pais que a menina fizera um boquete neles.<br/>Vejamos: primeiro, os pais tiveram que acreditar neles: “meus filhos não mentem, de maneira alguma. Mas, será que estão mentindo? Bom, essa menina terá que ser expulsa de qualquer jeito, pois meus filhos não podem passar por mentirosos”. Depois, a diretora teve de acreditar também.<br/>A menina disse que não, não fez isso. Se confirmasse que fez, é vadia. Se não confirmasse – como de fato fez – seria uma vadia mentirosa. Digamos que tenha feito. E, ainda por cima, digamos que tenha feito por gosto. Sei lá, tem gosto para tudo. Todo mundo sabe que existe sexo oral. E que é bom receber. Todo mundo sabe que mulheres fazem em homens ou em mulheres ou em ambos (não necessariamente ao mesmo tempo, mas às vezes sim), e que homens fazem em homens ou em mulheres ou em ambos (idem). Claro que nem todas nem todos fazem ou ganham. Mas ´uma realidade. A menina, estamos pressupondo que ela tenha feito e gostado, foi punida por fazer o que gosta. Por sentir prazer. Claro, tem todos os perigos da AIDS e outras doenças assim, mas gente mais “madura” se arrisca muito mais. Imagine que horror uma mulher gostar disso, gostar de ter prazer. Imagine que perigo o meu filho conviver com uma gente dessas. Meu filho vai casar com uma mulher direita, tem que aprender a gostar de mulher direita, que seja gostosa, que seja burra, que não goze, que cuide da casa, dos meus netos e do meu filho, que trabalhe também fora de casa, que seja competente em todos esses serviços, que cuide da aparência, que não engorde, que não seja anoréxica, que costure, cozinhe bem, tenha bom gosto para decorar a casa, que seja submissa sem o ser de maneira escancarada, que seja fiel, leal como um cusco (ou como uma cadela), sorria sempre, se vista bem, e isso só para começar.<br/>Mas a menina disse que não fez, portanto, vamos tomar partido dela (já que a escola não foi capaz disso). O que essa menina aprendeu com a sra. pedagoga, dona Escola?: a) nunca contrarie um homem. Isso é tudo o que uma mulher deve saber, o resto é consequência.<br/>Fala-se muito em magias, simpatias, etc. Nada disso é científico, pois nada disso pode ser palpável, provado, analisado. Agora me digam, senhores cientistas, o que não é palpável aí? Um menino diz “foda-se”, e a menina se fode. Tinha um cara que dizia “Shazam” e se transformava em Shazam. Não vá me dizer que isso é fantasia.<br/>As bruxas, as que foram queimadas no século passado, foram queimadas não por serem bruxas, não por associarem-se ao diabo, muito menos por terem a teta do diabo. Elas foram queimadas apenas por terem poderes. Dito asssim parece até piada: elas tem poderes (no episódio dos Simpons no Brasil, acho que se chama “Blame it Lisa” e eu não faço a menor idéia de como se traduz isso, a Marge diz a Lisa para não contrariar as freiras, porque elas tem poderes, e isso fica muito engraçado, porque é muito inocente). Mas elas tinham poderes. Sem entrar na questão de se uma simpatia, um encanto ou uma maldição funcionam mesmo ou não, o poder que elas tinham era o de dizer “vou amaldiçoar você” e a pessoa acreditar. Elas tinham crédito, as sras. bruxas. O poder é sempre uma questão de crédito: acreditam em você ou não.<br/>E mulheres nao são, em nossa belíssima cultura, seres dignos de crédito: mulheres tem TPM, menos neurônios, servem para enfeitar o mundo e parir.<br/>Certo, certo, tem a Michele Bachelet, a outra que é chanceler da Alemanha, a Dilma Rousseff, a Daiane dos Santos, a J.K. Rowling… Até que algum rapaz diga: “mãe, ela é vadia”<br/>(por favor, espero, um dia, levar nos dedos e descobrir que não é assim)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Variações sobre o mesmo tema: vá ler os outros posts ou visite os links.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l44-variacoes-sobre-o-mesmo-tema-va-ler-os-outros-posts-ou-visite-os-links</guid>
      <pubDate>Sat, 30 Dec 2006 02:55:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>30/12/2006</p><p>Para que serve um blog? Existem pessoas que realmente fazem estudos sérios com isso. Minha contribuição, então, à ciência – esta que é o diferencial do ser humano, afinal somos a única espécie que sabe, e que sabe que sabe. Também somos a única espécie que expulsa garotinhas de quinta série da escola porque uns pivetes coleguinhas dela contaram (veja bem, contaram que ela fez boquete neles – coisa que as nobres mamães não fazem nos seus maridos porque isso é coisa de puta, e que, se alguém fizer em seus filinhos, que não seja uma colega porque eles não podem estudar com putas, esse ser de qualidade inferior; afinal, além de mulher, é puta. – Enfim, eis minha contribuição à ciência:<br/>Um blog serve para falar da pessoa que se ama (será que amo mesmo? dizem – Hollywood, Walt Disney – que o amor d[a certo no fim. De qualquer maneira, independente do que dizem os estúdios de cinema norte-americanos, as pesssoas que conheço conseguem amar e ser amadas. Sei lá, o povo se acerta, dá um jeito, tem competência para isso.) enquanbto se está longe dela. Longe demais das capitais, na periferia do amor. (poético!, mas trocaria toda a poesia por um beijo, que, mais do que as palavras, é aquilo com o que se faz poesia).<br/>Renato Russo: “Saudade é só mágoa por ter sido feito tanto estrago” (no CD A Tempestade, não lembro o nome da música, é uma que começa assim: “Se a paixão fosse realmente um bálsamo, o mundo não pareceria tão esquivocado.”) Errou feio, desta vez, o finado. Que estrago houve? Nenhum. Nem oportunidade para isto houve. Ninguém estragou nada. Ninguém sequer tocou em nada, como se esperássemos a polícia chegar. Saudade não é mágoa pelo estrago. Saudade é consequência da diferença de fases, de potencial: eu gosto de você, você não gosta de mim. Certo, não é tão simples assim: você gosta de mim, simpatiza, quer o meu bem, mas não tem o menor problema em ficar longe, não sente a distância, também se machuca mas é por outra pessoaa. E eu, eu somente gosto de você, quero que você seja feliz, até mesmo com a trolha que você chama de “quem eu amo”. Mas a trolha nem para isso serve. Por isso é uma trolha. Bolha, trolha, troço, rolha de poço! (mas a trolha em questão não é gorda, foi só para ofender mesmo).<br/>Sempre escolhi os empregos errados, as carreiras erradas, sempre falei quando não devia, meu bilhete nunca é o premiado (menos quando tinham os palitos premiados da Kibon, foram poucos, mas ganhei alguns picolés de limão e de uva de graça, que saudade), os cursos que fiz, ou as escolas onde estudei, ou eram bons antes de eu entrar e quando cheguei já eram decadentes, ou começaram a brilhar depois que saí. Tem um filme chamado “O homem que não estava lá”, t´tulo que eu acho muito engraçado: assim como o homem do filme (que, aliás, nunca assisti, e gostaria de saber onde diabos ele não estava), eu também nunca estou lá. Ou estou chegando, ou já fui, ou mudei de rumo. Sempre aqui. “Esperando, parada, pregada na pedra do porto”, “como as pedras imóveis na praia, eu [não] fico ao teu lado … aprendi o segredo, o segredo, o segredo da vida, vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar. Vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar. Vendo as pedras que sonham sozinhas no mesmo lugar.” Enfim, mesmo quando eu pensava “se eu escolho sempre errado, basta que eu faça o contrário do que escolhi”, o que dava certo era o que eu tinha escolhido mas não fiz.<br/>Detalhe: veja a importância que uma pessoa acaba assumindo na vida de outra: existem muitas coisas boas, ótimass, supimpas na minha vida. E eu estou aqui contando sobre elas? Eu estou me lembrando delas agora? Não, estou aqui reclamando, resmungando que X não está aqui, que não vi X, que queria ver X, que gosto de X. Eu até me torno uma pessoa chata. Sempre o mesmo assunto. Mas é o que acontece quando… enfim, se anda sem se mover.<br/>Posso dizer até que minha vida anda, mas que, ao mesmo tempo, não anda.<br/>É como um disco girando: há movimento, pois, se você olhar as boras, elas giram, se movem; mas lá no centro, tudo parado, tudo calmo, tudo igual. Não queria que fosse como um disco, mas como um rio: movimentação, ida. Como o mar: ondas, maré alta, maré baixa, golfinhos, água salgada… Não esta poça d’água parada, não essa água de poço, não esse silêncio dos inocentes.</p>]]></description>
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      <title>…</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 30 Dec 2006 02:05:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>30/12/2006</p><p>Fazem anos que meu maior problema era que ninguém comentava nada aqui.</p><p>…</p><p>Sobre um post  q eu li em outro blog (está ali nos links, vá ler lá –  digo por dizer, só eu  leio  o que escrevo, e já li lá):<br/>Uma menina de 5ª série foi acusade de ter feito um boquete em uns coleguinhas dela. As mamães dos meninos ficaram sabendo, e expulsaram a garota da escola, porque ela era uma vadia.<br/>O poder que os homens tem é foda. Pivetes de 10 ou 11 anos já podem foder com a vida de uma garota. E, detalhe, sem nem tocar nela. Suponhamos que ela não tenha feito nada com ninguém. Digamos que os meninos tenham apenas ficado despeitados porque a menina não fez o que eles pediram. Um cara sabe como foder com a vida de uma garota. Diga que ela é: a) lésbica, b) galinha, c) pouco feminina. Somente meia dúzia de palavras bastam. Claro que, para esta meia dúzia de palavras funcionarem, você deve jogá-las dentro de um sistema que as faça ter o efeito desejado. Vá chamar alguma das putas que fazem ponto aqui na esquina da minha casa de vadia: quem se fode é você, porque elas não deixam por menos.<br/>Quer dizer, é uma questão de cultura: mamães ensinam suas filhas que não devem sentar de pernas abertas, que meninos devem ser respeitados, que a Disney estava certa (sempre aparecerá um príncipe, encantadíssimo, e ele sempre será bom), que você deve dar-se ao respeito, que o mais importante de sua vida é ser elogiada por sua beleza, essas coisas todas. Ensinam às meninas apenas que elas existem para os outros, por isso é tão fácil foder com a vida de muitas mulheres.<br/>Li algumas dessas cartas que pessoas carentes escrevem para o papai noel e mandam para os correios, e que os correios disponibilizam para o restante da população para que esta realize os pedidos das cartas; em uma delas, uma mãe pedia coisas para seus filhos, sua mãe doente, o marido desempregado, e, para ela, pedia apenas que deixasse aquelas pessoas felizes, que ela ficaria feliz. É para isso que existem mulheres: para trazer felicidade aos outros. Como um chocolate, um baseado ou um copo de pinga. Assim como um chocolate, um baseado ou um copo de pinga, uma mulher tem que funcionar, tem que fazer o coração bater mais fforte, tem que fazer seu marido, seus filhos, seus pais (ia dizer “seu chefe”, mas já citei tantos chefes das mulheres) felizes. Claro que ela pode ser feliz, mas que não espere que os outros façam isso por ela – se eles fossem dar-se ao trabalho de fazê-la feliz, que tristeza, estariam tirando o sentido da existência dela… Pobre.</p><p>Fico feliz em pertencer a tão avançada cultura. Acho que devemos ter orgulho de ter criado esta sociedade, em participar dela, e em mentâ-la como está. Cada vez q eu leio O Segundo Sexo, desconfio que o livro foi escrito ontem, e não a quase cinquenta anos. Mas cada vez mais desconfio que vai demorar até que alguma – ou algumas – mulher tome tino e… O que eu mais gostaria de ver era que um monte de mulheres fizesse algo parecido com o Michael Douglas em Um dia de Fúria. Terrorismo feminino. Mas conseguem aprisionar as mulheres dentro das menter delas, e desse lugar é difícil sair.</p>]]></description>
    </item>
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      <title>Não sei que título dar a isso.</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 30 Dec 2006 02:01:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>30/12/2006</p><p>Eu deveria ser mais forte. Mais capaz de s´portar não te ver. Em um horóscopo de um dia desses, li uma pérola, que aconselhava a aproveitar a emoção de não saber se a pessoa amada apareceria ou não. Que grande besteira! Se alguém um dia lhe disser que é muito bonita essa incerteza, essa espera, essa ansiedade que pode culminar ou em alegria, ou em frustração, mate-a! Ou mande-a calar a boca, caso você seja uma pessoa mais civilizada. Porque isso não é conselho que se dê, isso não é coisa que se diga. Uma pessoa que diz uma coisa dessas ou nunca precisou esperar ninguém, ou agora não precisa mais.<br/>É muito fácil não ter medo do escuro quando é o sol está a pino.<br/>Mas, de qualquer maneira, eu deveria ser mais forte. Deveria ter a força que tenho quando estou junto de… X (muito criativo). Deveria ser alegre longe desta letra como sou junto dela. Deveria ser alegre, e não ficar alegre por ela. Força, alegria, leveza, vontade de dançar, de falar, deveriam fazer parte de mim, e não somente o resultado de estar com X.<br/>Mas tudo o que sinto é um aperto no coração. Medo de não ver esta letra mais. De descobrir que ela foi para outro estado, outra cidade, outro bairro. Que prefere andar com outras pessoas, que cansou da minha companhia, que não tem mais tempo para… nós (neste caso, “nós” = entidade metafísica sem existência concreta ou pública; devaneio; delírio; loucura; sonhos de uma noite que nunca houve).<br/>Tenho medo longe de X. É interessante, até. Nunca tive muito medo. Não que não conheça o medo (também não tenho nada de Chuck Norris, que não conhece o medo, e já contou até o infinito – duas vezes). Mas passei a conviver com um tipo de medo quase insuportável.<br/>Talvez o medo seja uma antecipação mental do perigo. Tipo, você ouve um tiro, mas não levou um tiro; então, sente medo de levar um tiro. Você projeta uma consequência de determinada configuração de fatos presentes. Podem haver outras consequências (como nennhum tiro acertar em você, ou já terem parado de atirar), mas você se prepara para evitar a consequência pior, qie seria levar um tiro.<br/>Mas, neste caso, a consequência pior está acontecendo e pode acontecer ainda. Estar distante de X já é um fato. E pode acontecer que eu me mantenha por mais tempo distante de X. Esse é que é o problema. Não estou antecipando uma consequência, mas tenho medo de que a configuração de fatos deste momento se mantenha. Para os outros medos, para as outras consequências, me preparava, e procurava não tanto em evitar, mas sim em ter meios de reagir. Para este medo, que não é somente uma projeção, já que já é um fato, e o que existe de projeção, neste caso, é a possibilidade da manutenção, do prosseguimento deste fato; para este medo, não sei como, não tenho como reagir, a não ser encontrando X. O pior que pode acontecer é tudo ficar como está agora.<br/>Saudades apenas. E que ninguém venha me dizer que “é a palavra mais bonita da língua portuguesa”.</p><p>…</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Letras de músicas</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Thu, 28 Dec 2006 02:15:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>28/12/2006</p><p>Duas letras da banda Relógios de Frederico. Correm muitas lendas sobre a origem do nome da banda, e eu não conheço nenhuma. Mas dizem que o nome inspirou-se no episódio da morte do rei Frederico IV: no exato momento em que ele faleceu, dizem que todos os relógios de sua coleção pararam de tocar. Outras lendas dizem que o nome surgiu da descoberta de uma estranha compulsão de Nietzsche (que, como todos sabem, chamava-se Friederich, como o citado rei) por relógios, compulsão esta batizada, informalmente entre os biógrafos, de vontade de as horas ver.<br/>Além das lendas, sabe-se que neste álbum da banda (cujo nome – do álbum – eu não me lembro) são executadas canções atonais, do gênero música atonal, que vêm a ser uma coisa muito interessante mas que, devido à minha preguiça de explicar, não explicarei e sugerirei, ainda por cima, que você pesquise no Google (no Yahoo também pode ser, ou você pode tentar o Cadê, que é brasileiro como o café, mas que tem base de dados menor – fato que, entretanto, nada tem a ver com o café). Mas ouvir estar músicas é mais legal do que ler.</p><p>escalinha<br/>Eis a melodia que eu canto,<br/>que eu fiz pro meu amor<br/>eu vou cantando e vou subindo,<br/>e a cada nota evoluindo,<br/>e agora que eu cheguei,<br/>cheguei no topo, vou descer,<br/>e devagar eu vou voltando,<br/>de parte em parte eu vou cantar<br/>a melodia tão bonita<br/>que eu fiz pro meu amor,<br/>e que me faz sentir assim:<br/>Lálálálálálá!<br/>Lálálálálálá,<br/>lálálálálálá,<br/>lálálálálálá,<br/>lálálálálálá…</p><p>chá de marshmallow<br/>Eu odeio o teu sorriso<br/>que me atrapalha,<br/>deixa eu tocar!<br/>Evitar vivo tentando,<br/>mas acontece que quando eu ando,<br/>em minha volta tudo o que eu vejo:<br/>teus dentes criados todos podres.</p><p>“Todos teus dentes são horríveis, não sobra nenhum que não seje muito feio.<br/>De burro morreu um velho – que se não morreu, tem que morrer.”</p><p>Tadinho do tubarão, que também vai cair na<br/>Rede Chinelona!<br/>Chinelona! Chinelona! Chinelona! Chinelona! Chinelona! Chinelona! Chinelona! Chinelona! Chinelona! Chinelona! Chinelona!</p><p>“Todos teus dentes são horríveis, não sobra nenhum que não seje muito feio.<br/>De burro morreu um velho – que se não morreu, tem que morrer.”</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Existem sacos que merecem ser puxados</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 27 Dec 2006 16:19:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>27/12/2006</p><h2></h2><p>A) Não pedi autorização da autora para copiar.<br/>B) Espero que ela não fique brava, caso descubra.<br/>C) Existem textos dos quais eu morro de inveja (veja bem, dos textos), e os quais eu gostaria muito de ter sido a pessoa que escreveu, a pessoa que teve a idéia, enfim, são tão bons que gostaria que fossem meus (quer dizer, são raros textos que conseguem me expressar, por mais que não tenha sido eu quem tenha escrito), e de qualquer maneira eu os cito, eu reflito sobre eles, os reconstruo e esqueço para lembrar de novo um dia; são coisas como todo O Segundo Sexo, todo o Mil Platôs, todo o Anti-édipo, muitos poemas de Cecília Meireles, muitos de Fernando Pessoa, algumas músicas da Graforréia Xilarmônica, toda a Geneaolgia da Moral, enfim, e mais alguns outros, dentre eles, esse aí debaixo.<br/>E) estou me controlando para não mentir e dizer que fui eu quem fiz.<br/>F) Mas, no fim, eu  sempre me controlo.<br/>G) E talvez você prefira ver o texto direto no blog da menina, o que eu recomendo, assim como recomendo também que leia o resto: <a href="http://orquideavioleta.blogspot.com/">http://orquideavioleta.blogspot.com/</a></p><h2>26.12.06</h2><p>  </p><h3>      Não, eu não sou discreta.        </h3><p><em>por Orquídea</em></p><p>
Eu não sou discreta. E não quero ser. Sou feliz assim, com um “gay” escrito na testa. Namorando no shopping, comprando presentes de Natal com a namorada. Passando o Natal com a família da namorada. Andando de mãos dadas. Me sinto normal assim. Por que deveria ser diferente? Homens beijam mulheres em público. Eu também quero beijar a minha.
.
Logo que minha mãe me assumiu para tios e tias, ela ouviu uma enxurrada de “fale para a Orquídea ser discreta, afinal, o mundo é cruel!”. Mais cruel, para mim, é perder minha vida me escondendo. Escondendo o que sou para o mundo. Escondendo a verdade de mim mesma.
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O Amor deve ser celebrado, dignificado. Não oculto e vergonhoso. Eu amo, assim como tantos outros amam, e beijam, abraçam, trocam carinhos. Eu também quero trocar carinhos. Por que isso me é negado?
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Desconsiderei os apelos de meus tios. Se é para sofrer com o preconceito, prefiro que ele seja esfregado na minha cara. Não agüentaria a sensação de sufocamento ao saber que todos presumem, falam mal pelas costas, riem de mim, sentem pena do meu “desvio”. Eu não tenho um desvio. Eu estou bem desse jeito, e quero que todos saibam disso. 
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Lésbica? Sim, eu sou. A única da família, mas isso não me deixa tímida. Isso me dá coragem para vestir a roupa de “diferente”, “sapatão”, “esquisita”, o que mais quiserem. Desde que saibam. Desde que eu diga, na cara deles, que essa é a vida que eu escolhi para mim, e eu a amo. Não a trocaria por nada, nem por um homem, nem por um casamento, nem por aceitação social. Eu adoro o mundo gay. Eu adoro amar outra mulher. Eu adoro me sentir livre de padrões heterossexuais. Eu adoro as baladas gays. (os héteros são normais e chatos, pra mim. entediantes.) Eu adoro a bandeira do arco-íris.
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Eu gosto da subversão, do inverso, do inusitado. Quero quebrar as correntes que me prendem num gênero único e certinho: “você é mulher, usa salto, gosta de cor-de-rosa, sonha em casar de branco e ter filhos loirinhos”. Eu quero gritar a todos que eu existo, assim como tantas outras, e que nós somos felizes assim. Que nós somos normais. Para que um dia não exista mais armário nem militantes, apenas igualdade e respeito.
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Mas isso não acontecerá se formos todos discretos. Invisíveis. Inexistentes. A sociedade nunca mudará se nós continuarmos escondidos, marginalizados, desconsiderados. Seremos sempre a minoria negada, facilmente jogada para debaixo do tapete. Apagados dos livros de história.
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Quero aparecer, quero mostrar que existo, e quero dar a cara à tapa: quem tiver algum problema comigo que fale na minha frente, pois eu assumo o que sou para você. Por que isso te incomoda? Não vou ser discreta. Quero abalar as estruturas. Quero derrubar os preconceitos. Quero que as pessoas se sintam incomodadas, afinal, quem sabe assim elas olham para além de seus próprios umbigos. Quero uma revolução. Não vou me esconder.
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E quem tiver essa flama acesa dentro de si, tome a dianteira também. Vá para a linha de frente, alguém tem que fazer esse papel. Assuma. Lute contra seus próprios medos e preconceitos, eles nos matam mais que os externos. Seja você. Contagie outros a sua volta. Liberte-se. Vamos mostrar ao mundo a que viemos – e não, eu não vim ao mundo a passeio, nem para jogar minha vida no lixo enquanto outros aproveitam as suas. Quero amar, ser amada, ser respeitada, ser normal. E para isso faço minha parte. Você já pensou em como pode fazer a sua?
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Poeminha tosco</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 25 Dec 2006 20:29:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/12/2006</p><p>Não vou dizer que a tua voz sonolenta é a voz mais doce do mundo. Eu não gosto dessas doçuras todas, dengos e manhas que somente tu consegue me fazer gostar.<br/>Eu não vou dizer que tua doçura me encanta até o mais longe que posso sentir em mim. Afinal, eu sempre achei que “encanto” fosse alguma coisa parecida com “mentira”. E também não vou te contar que “encanto” hoje em dia é tão real quanto qualquer realidade real.<br/>Eu não vou dizer que o menor movimento teu pode me trazer a mais ampla alegria ou a mais tenebrosa tristeza. Eu, que nunca gostei de depender de ninguém, não vou admitir assim, fácil, que dependo de ti como a lua depende do sol para brilhar.<br/>Tu nunca me ouvirá dizer que tua presença é também minha presença, que longe de ti fico distante de mim. Isso porque sempre eu estou contigo, nem que seja dentro de mim, do coração, ou em qualquer um desses lugares abstratos aos quais nunca fomos, mas que conhecemos melhor do que nossa casa. Isso porque acho que gosto de ti.<br/>Não sei terminar poemas, espero esquecer também como se termina uma relação.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Citação</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l38-citacao</guid>
      <pubDate>Mon, 25 Dec 2006 04:20:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/12/2006</p><p>Este blog precisa de mais seriedade. Segue, portanto, uma citação, para não dizerem que eu não me baseio em referências certificadas:</p><p>“Eu nunca julgo as coisas pela aparência, nem mesmo bolsas de tapete.”</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Enquanto isso, na décima segunda casa:</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 25 Dec 2006 03:55:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/12/2006</p><p>“Peixes (19/02 a 19/03) por Amanda Costa    <b>Segunda, 25 de Dezembro de 2006 </b></p><p> As coisas estão ficando mais sérias e profundas, mas isso não impede que continuem divertidas. Aquilo que você esperava não pintou, ou simplesmente não preencheu suas expectativas? Será mesmo? Encontros românticos se tornam ainda mais significativos quando os amantes não sabem ao certo se irão ou não se encontrar outra vez… “</p><p>Profético, eu espero…</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Fim de carreira</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l36-fim-de-carreira</guid>
      <pubDate>Mon, 25 Dec 2006 03:28:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/12/2006</p><p>(alertamos que a cena a segir é forte e chocante. se você possui problemas cardíacos, insonia ou se assusta fácil recomendamos que pule este post, visite um de nossos links, etc. CUIDADO! Cenas FORTES de tédio e depressão!!)</p><p>Cena: sala de estar, TV ligada, computador ligado.<br/>Minha irmã, esperando virem buscá-la para a festa, assiste TV. Na Globo. A Globo detém os direito de transmissão da Copa, da F-1, do nascimento da Sascha. E deve possuir também os direitos de transmissão da missa do galo rezada pelo papa nazista. É o que ela assiste. Tem até comentários!!</p><p>O negócio é o seguinte: se você NUNCA foi numa missa, saiba que assistir a missa do galo na TV é mais chato ainda, não perca tempo com isso. Se você já foi em uma missa, você já viu TODAS as missas. PORQUE, então, alguém comenta alguma coisa? “O papa pega a hóstia! Ele merguuuulha no cálice, agora ele leva a óstia à boca, ele vai tomaaaaar o sacramento minha gente! E, como eu disse, ele está tomando, tomando o coooooorpo de Cristo, vai tomar, olha lá: abriu a boca, levou a óstia e, e, eeeee Améééémmm, ele tomou o corpo de cristo, em uma jogada impressionante!!!! Vamos rever. Foi uma jogada artística”</p><p>Durante muitos, mas muitos anos mesmo, eu me perguntava o que poderia significar “Tédio com um T bem grande para você”. Infelizmente descobri. Por pior que fosse, pelo menos o Karol era mais carismático. Sei lá, parecia um vovô carinhoso. Claro, era tão mau como esse, mas esse de agora tem até cara de mau (como bem observa minha irmã).</p><p>Acho que, tudo bem, se a pessoa precisa de drogas (precisar é diferente de usar), faça bom proveito. Mas use maconha, coca-cola, chocolate (eu adoro amargo, é muuuito bom)… até cocaína, que eu (veja bem: eu, opinião meramente pessoal e, ainda por cima, muito superficial) acho muito decadente, é melhor do que a driga que o papa vende (veja bem outra coisa: nada contra o cristianismo, a pessoa gosta do que quer, mas tudo contra certo tipo de cristianismo): pelo menos a pessoa – em geral – goza quando cheira.<br/>Sei lá, opiniões meio perigosas, mal formuladas, mas a missa do galo é horrível.</p><p>Pelo menos começou Marry Poppins, que é muito legal.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Filosofia e enfermagem</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l35-filosofia-e-enfermagem</guid>
      <pubDate>Mon, 25 Dec 2006 02:32:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>25/12/2006</p><p>Acho que eu estou começando a entender o meu interesse por enfermagem.<br/>Estive falando com uma prima, que é enfermeira, sobre as relações entre medicina e  enfermagem. Trata-se de uma relação um tanto conflituosa: médicos (sem, é claro, generalizar exageradamente) vêem enfermeiros como “hierarquicamente inferiores”, digamos assimn. Quer dizer, a enfermagem é uma coisa menor, uma ocupação mais vil, mais chã.<br/>A coisa toda tem mais detalhes, mas comi muito peru (na verdade era um porco) e isso tira o ânimo da pessoa escrever.<br/>Mas existe uma relação semelhante na filosofia. existe uma filosofia “enfermática” e uma filosofia “médica”. Kant, por exemplo, faz uma medicina filosófica – ou uma filosofia médica, se se quiser assim. Ou seja, Kant prescreve, diagnostica, trata a parte pelo todo. Kant investiga o conhecimento, descobre seus limites, suas propriedades, faz uma crítica. Por outro lado, temos alguém como Kierkegaard. Kierkegaard (que, já me disseram, pronuncia-se “kirquigór”, com o segundo “r” puxado como o do interior – outra curiosidade fora do assunto: ele chama-se Soren Kierkegaard, meu teclado não tem aquele “o” cortado no meio para escrever certo, e “Soren”, em dinamarquês, é “Severino”; imagine Kierkegaard recitando: “meu nome é Severino, não tenho outro de pia…”); enfim, Kierkegaard tem os seus diferentes pseudônimos, ele escreve um livro com um pseudônimo e, com outro pseudônimo, polemiza com o anterior – aliás, os estudiosos (os epsecialistas) de Kierkegaard consideram cada pseudônimo praticamente de forma independente: não foi Kierkegaard quem escreveu Migalhas Filosóficas, mas sim Climacus. Kierkegaard escreveu as Obras do Amor, ou o Diário de um Sedutor, mas não as Migalhas. Interessante. E muito diferente de uma Crítica da Razão Pura.<br/>Kierkegaard, Nietzsche, Montesquieu, esse povo é um pouco escanteado na filosofia – não muito, claro, pois Nietzsche está na moda, Foucault também – mas é uma filosofia tida como de segunda categoria, como a carne mais barata que se compra no supermercado, uma filosofia que não é um Kaaant, não é um Heeeegel, mas é uma filosofiazinha, tem seu valor, é bonitinho. Mas você tem que conhecer, mesmo, é Kant, a filosofia séria de Hegel, Descartes, Habermas….<br/>Não é para parecer um conflito de classes – nem na saúde, e nem na filosofia, embora essa coisa toda também dê margem a isso. Mas mais do que um conflito de classes, é uma postura. O médico que te olha por cinco segundos – e já é muito – e te diz “é uma virose, tome uma aspirina e volte em quinze dias se não passar” ou “mas você não pode ter dor aí: o raio-x não mostra nada, pode olhar”; possui uma postura diferente do filósofo menor que escreve por aforismas, cria conceitos ou fala em mônadas.<br/>Acho que é por aí.<br/>…</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Manu Chao</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l34-manu-chao</guid>
      <pubDate>Sun, 24 Dec 2006 22:37:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>24/12/2006</p><p>CLANDESTINO</p><p>Solo voy con mi pena<br/>Sola va mi condena<br/>Correr es mi destino<br/>Para burlar la ley</p><p>Perdido en el corazón<br/>De la grande Babylon<br/>Me dicen el clandestino<br/>Por no llevar papel</p><p>Pa’ una ciudad del norte<br/>Yo me fui a trabajar<br/>Mi vida la dejé<br/>Entre Ceuta y Gibraltar</p><p>Soy una raya en el mar<br/>Fantasma en la ciudad<br/>Mi vida va prohibida<br/>Dice la autoridad</p><p>Solo voy con mi pena<br/>Sola va mi condena<br/>Correr es mi destino<br/>Por no llevar papel</p><p>Perdido en el corazón<br/>De la grande Babylon<br/>Me dicen el clandestino<br/>Yo soy el quiebra ley</p><p>Mano Negra clandestina<br/>Peruano clandestino<br/>Africano clandestino<br/>Marijuana ilegal</p><p>Solo voy con mi pena<br/>Sola va mi condena<br/>Correr es mi destino<br/>Para burlar la ley</p><p>Perdido en el corazón<br/>De la grande Babylon<br/>Me dicen el clandestino<br/>Por no llevar papel</p><p>Argelino clandestino<br/>Nigeriano clandestino<br/>Boliviano clandestino<br/>Mano negra ilegal</p><p>Gosto das músicas dele.<br/>Sempre me dizem que se escreve Mano Chau, mas eu nunca acredito.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>De uma música que me adivinhou</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l33-de-uma-musica-que-me-adivinhou</guid>
      <pubDate>Sun, 24 Dec 2006 22:33:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>24/12/2006</p><p>“Cuando me buscan nunca estoy<br/>Cuando me encuentran yo no soy<br/>El que está en frente porque ya<br/>Me fue corriendo más allá”</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Copiando</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l32-copiando</guid>
      <pubDate>Fri, 22 Dec 2006 21:14:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>22/12/2006</p><em>saudável</em><em>oposição sexual</em><em>Pretensamente</em><a href="http://orquideavioleta.blogspot.com/">http://orquideavioleta.blogspot.com/</a><a href="http://www.fotolog.com/stop_homophobia">www.fotolog.com/stop_homophobia</a><a href="http://www.benditazine.com.br/">http://www.benditazine.com.br/</a>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Metas de fim de ano</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l31-metas-de-fim-de-ano</guid>
      <pubDate>Thu, 21 Dec 2006 21:19:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>21/12/2006</p><p>Emagrecer e sair do SPC (talvez, pagando as contas vencidas, eu fique sem dinheiro para comer.)<br/>(“Ria de si, antes que algum aventureiro o faça” – podem me citar)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>O mundo natural</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l30-o-mundo-natural</guid>
      <pubDate>Thu, 21 Dec 2006 21:18:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>21/12/2006</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Vontade</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l29-vontade-2</guid>
      <pubDate>Wed, 20 Dec 2006 16:32:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/12/2006</p><p>Vontade de dizer algo, mas não sei o quê. Talvez seja apenas vontade de dizer, de falar. Talvez seja apenas vontade de dizer para quem eu quero que ouça – qualquer coisa, apenas falar e ouvir. E faz calor.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Fico assim sem você – Adriana Calcanhoto II</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l28-fico-assim-sem-voce-adriana-calcanhoto-ii</guid>
      <pubDate>Wed, 20 Dec 2006 02:33:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/12/2006</p><p><em>Avião sem asa<br/>Fogueira sem brasa<br/>Sou eu assim sem você<br/>Futebol sem bola<br/>Piu-piu sem Frajola<br/>Sou eu assim sem você</em></p><p>Porque que é que tem que ser assim?<br/>Se o meu desejo não tem fim<br/>Eu te quero a todo instante<br/>Nem mil auto-falantes<br/>Vão poder falar por mim</p><p>Amor sem beijinho<br/>Buchecha sem Claudinho<br/>Sou eu assim sem você<br/>Circo sem palhaço<br/>Namoro sem amasso<br/>Sou eu assim sem você</p><p>Tô louca pra te ver chegar<br/>Tô louca pra te ter nas mãos<br/>Deitar no teu abraço<br/>Retomar o pedaço<br/>Que falta no meu coração</p><p>Eu não existo longe de você<br/>E a solidão é o meu pior castigo<br/>Eu conto as horas pra poder te ver<br/>Mas o relógio tá de mal comigo<br/>Por quê? Por quê?</p><p>Neném sem chupeta<br/>Romeu sem Julieta<br/>Sou eu assim sem você<br/>Carro sem estrada<br/>Queijo sem goiabada<br/>Sou eu assim sem você</p><p>Porque que é que tem que ser assim?<br/>Se o meu desejo não tem fim<br/>Eu te quero a todo instante<br/>Nem mil alto-falantes<br/>Vão poder falar por mim<br/><br/><em>Eu não existo longe de você<br/>E a solidão é o meu pior castigo<br/>Eu conto as horas pra poder te ver<br/>Mas o relógio tá de mal comigo (2x)<br/></em></p><p>Reabilitando a música. É doce e é um pecado estragá-la. Soa como uma canção de ninar…</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Só um comentário dispensável…</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l27-so-um-comentario-dispensavel</guid>
      <pubDate>Wed, 20 Dec 2006 02:26:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/12/2006</p><p>Postar comentários no blogger é o único lugar onde se pode escolher a identidade. Nada a ver com nada, mas…  que coisa.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>nota ao post anterior</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l26-nota-ao-post-anterior</guid>
      <pubDate>Wed, 20 Dec 2006 02:20:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/12/2006</p><p>{?} está feliz. E não entende como é que pode isso.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Estréia</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Wed, 20 Dec 2006 02:11:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>20/12/2006</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Quadrilha – Carlos D. de Andrade</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l24-quadrilha-carlos-d-de-andrade</guid>
      <pubDate>Tue, 19 Dec 2006 11:45:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>19/12/2006</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Movimento</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l23-movimento-2</guid>
      <pubDate>Sat, 16 Dec 2006 15:58:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>16/12/2006</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Gramática</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l22-gramatica</guid>
      <pubDate>Thu, 14 Dec 2006 02:13:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/12/2006</p><img width="600" alt="" src="/midia/imagem.gif"/><p>
<p><br/></p>

do Lat. <i>ego</i></p><p>
pron. pess.,  </p><p>
s. m.,  </p><p>
<p><br/></p>
</p><p>
<a href="http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx">http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx</a>
<p>
<p>_________________________</p>
<p>Eu desisto.</p>
</p></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Genética e auto-regulação da espécie</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l21-genetica-e-auto-regulacao-da-especie</guid>
      <pubDate>Thu, 14 Dec 2006 02:10:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>14/12/2006</p><p>Eu tenho um repelente anti-relacionamento-amoroso. Isso deve estar no sangue. Mas no fim das contas, talvez seja bom, caso eu esteja pensando no bem da espécie. Não reproduzirei. E assim a linhagem termina. Os genes com repelente anti-relacionamento-amoroso não vão mais se propagar: sem querer, eu salvo a humanidade!<br/>Não que a humanidade deva a mim – odeio que me devam algo. A humanidade não faz mais do que se proteger. Mas acidentes acontecem, e até hoje a humanidade tem sido eficiente em evitá-los. Acontece, digo, não-acontece.<br/>Faço minha boa ação do dia todos os dias, sem esforço. Quem é que pode fazer tanto bem assim, com tanta facilidade? Quem?<br/>Já vou começar a reunir os documentos para minha canonização. Para facilitar a vida dos meus hagiógrafos.<br/></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Prefixo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l20-prefixo</guid>
      <pubDate>Wed, 13 Dec 2006 22:40:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/12/2006</p><p>As notícias atuais e seu comentário!</p><p>                                                                                                                      Dramas supérfluos e cotidianos.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>A – E</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l19-a-e</guid>
      <pubDate>Wed, 13 Dec 2006 22:26:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/12/2006</p><p>A) existe um grupo de judeus que defende uma versão bastante singular do holocausto: ele foi horrível? foi. grotesco? claro! condenável? Certamente. Mas, como foi obra de Deus, não devemos reclamar e nem desejar que nunca mais aconteça – afinal de contas, vai que deus queira que aconteça de novo; e, se deus quiser, até nossos filhos mataremos. Não sei deus, mas eu me incomodo um pouco com isso. Imagina, se atropelar a esposa grávida de um desses caras, ele vai agradecer a deus, se eu doar R$ 100.000.000,00 para ele, deus vai ouvir “obrigado” do mesmo jeito. Muito anulador, creio eu. Mas crenças são crenças, né?</p><p>B) Se apaixonar é (+ou-, guardadas as devidas  proporções, não me interprete mal, etc) como  xis (de cheeseburguer): você sabe que faz mal (engorda, colesterol, fritura…),  que  pode encontrar coisa melhor,  que não precisa daquilo. Mas você não passa sem. Arrependendo-se, ou não, você vai e procura um.  Não vive sem. diz que “ama x”: “X, eu te amo”, em algum momento de calórica euforia. Mas X faz mal. Não importa. Você tem esperança…</p><p>C) Caía a tarde feito um viaduto<br/>E um bêbado trajando luto<br/>Me lembrou carlitos<br/>A lua, tal qual a dona do bordel,<br/>Pedia a cada estrela fria<br/>Um brilho de aluguel<br/>E nuvens, lá no mata-borrão do céu,<br/>Chupavam manchas torturadas, que sufoco!<br/>Louco, o bêbado com chapéu-coco<br/>Fazia irreverências mil pra noite do brasil.<br/>Meu brasil<br/>Que sonha com a volta do irmão do henfil.<br/>Com tanta gente que partiu num rabo de foguete.<br/>Chora a nossa pátria mãe gentil,<br/>Choram marias e clarisses no solo do brasil.<br/>Mas sei que uma dor assim pungente<br/>Não há de ser inutilmente, a esperança<br/>Dança na corda bamba de sombrinha<br/>E em cada passo dessa linha pode se machucar<br/>Azar, a esperança equilibrista<br/>Sabe que o show de todo artista<br/>Tem que continuar…</p><p>D) O show tem que continuar?!?<br/>O show tem que continuar…</p><p>E) de “esgotamento”.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Fico assim sem você – Adriana Calcanhoto</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l18-fico-assim-sem-voce-adriana-calcanhoto</guid>
      <pubDate>Wed, 13 Dec 2006 14:45:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>13/12/2006</p><p><em>Avião sem asa<br/>Fogueira sem brasa<br/>Sou eu assim sem você<br/>Futebol sem bola<br/>Piu-piu sem Frajola<br/>Sou eu assim sem você</em></p><p>Porque que é que tem que ser assim?<br/>Se o meu desejo não tem fim<br/>Eu te quero a todo instante<br/>Nem mil auto-falantes<br/>Vão poder falar por mim</p><p>Amor sem beijinho<br/>Buchecha sem Claudinho<br/>Sou eu assim sem você<br/>Circo sem palhaço<br/>Namoro sem amasso<br/>Sou eu assim sem você</p><p>Tô louca pra te ver chegar<br/>Tô louca pra te ter nas mãos<br/>Deitar no teu abraço<br/>Retomar o pedaço<br/>Que falta no meu coração</p><p>Eu não existo longe de você<br/>E a solidão é o meu pior castigo<br/>Eu conto as horas pra poder te ver<br/>Mas o relógio tá de mal comigo<br/>Por quê? Por quê?</p><p>Neném sem chupeta<br/>Romeu sem Julieta<br/>Sou eu assim sem você<br/>Carro sem estrada<br/>Queijo sem goiabada<br/>Sou eu assim sem você</p><p>Porque que é que tem que ser assim?<br/>Se o meu desejo não tem fim<br/>Eu te quero a todo instante<br/>Nem mil alto-falantes<br/>Vão poder falar por mim<br/><br/><em>Eu não existo longe de você<br/>E a solidão é o meu pior castigo<br/>Eu conto as horas pra poder te ver<br/>Mas o relógio tá de mal comigo (2x) </em></p><p>Dizem que a mesma mão que acaricia, às vezes, também mata.<br/>Pois, a mesma música que apaixona, às vezes pode ser dolorida.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Suiça</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l17-suica</guid>
      <pubDate>Tue, 12 Dec 2006 02:05:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>12/12/2006</p><p>Milhares de mulheres e homens que vivem no território helvético são vítimas de casamentos forçados. A denúncia é da Fundação Surgir, que encomendou o primeiro estudo sobre o assunto na Suíça.</p><p>A Surgir lança um apelo ao governo para que elabore uma estratégia nacional a fim ajudar as vítimas que sofrem física e psicologicamente dessa prática ilegal no país.</p><p>
<p>Ativa na defesa das mulheres vítimas de violências, a Fundação Surgir apresentou os resultados do primeiro estudo do gênero realizado na Suíça. A presidente da ONG, Jacqueline Thibault considera que a extensão do problema é “enorme”.</p>
<p>“O estudo será apresentado às autoridades suíças. Elas que precisam agir”, declarou a swissinfo. “Não há atualmente qualquer estratégia a respeito dos casamentos forçados na Suíça”, acrescentou a presidente da Surgir.</p>
<p>Para ter uma idéia do problema, já que não existem estatísticas, duas pesquisadoras contratadas pela ONG questionaram cerca de cinqüenta instituições como centros para migrantes, casas de acolhimento para mulheres, médicos, escolas e as polícias nos cantões de Vaud, Genebra, Friburgo, Berna, Zurique e Basiléia.</p>
<p>Mais aqui: <a href="http://www.swissinfo.org/por/capa/detail/Casamentos_for_ados_s_o_frequeentes_na_Su_a.html?siteSect=105&amp;sid=7328567">http://www.swissinfo.org/por/capa/detail/</a><br/><a href="http://www.swissinfo.org/por/capa/detail/Casamentos_for_ados_s_o_frequeentes_na_Su_a.html?siteSect=105&amp;sid=7328567">Casamentos_for_ados_s_o_frequeentes_na_Su_a.html</a><br/><a href="http://www.swissinfo.org/por/capa/detail/Casamentos_for_ados_s_o_frequeentes_na_Su_a.html?siteSect=105&amp;sid=7328567">?siteSect=105&amp;sid=7328567</a></p>
<p>Gostei da brincadeira de bancar a estação repetidora. Ou isso, ou ficamos com a alternativa B, que diz que eu é que escolho ótimas fontes de notícias (tipo: me senti A Bolacha + gostosa do pacote).</p>
<p>Mas, enfim, mesmo tendo somente uma leitora – imagino que menina ainda dê uma lida de vez em quando – faço de conta que este blog é um outodoor e coloco coisas como se levasse informação a milhares de pessoas. “Eu sou de peixes e não desisto nunca”, o governo foi quem roubou esta frase dos nativos de peixes.</p>
<p>Bom, só existem duas soluções para as colegas Helvéticas (nota rápida: lendo esse Swissinfo, eu descobri que “helvetica” não é somente o nome de uma fonte): ou elas decidem tomar as rédeas de suas vidas e enfrentar os percalços, o preço de romperem com as tradições (coisas que outras mulheres fizeram no passado, e por isso pagaram um preço caro para que tanto mulheres quanto homens de hoje em dia pudessem colher os frutos disso), o que não é fácil e não seria humilhante se não conseguissem (afora a humilhação inerente a sua condição); ou elas aceitam sua condição e aprendem a gostar dela – coisa muito comum ainda hoje em dia,  e, mesmo, uma atitude interssexual (já que todas as coisas ou são femininas ou são masculinas e “meu país é o que tenho no meio das minhas pernas” – a frase é minha, podem me citar 😉 não acabou o perêntesis ainda – roupas de mulher, roupas de homem, programas de mulher, programas de homem, mas, sei lá se eu estou reclamando de alguma coisa com nexo, ainda não pensei sobre isso e estou fugindo do assunto tá acabou esse parêntesis). Cansei, era isso. Boa sorte para as suíças que estão nestas condições degradantes.</p>
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>pê-éssis</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 11 Dec 2006 22:34:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/12/2006</p><p>P.S. para o posto intitulado “Cidadania”: eu escrevi  “[champanhe é o]Nome antigo do espumante – de muito mau gosto, por sinal”. “De muito mau gosto” se refere a espumante, e não a champanhe.<br/>P.S. para o post de baixo: “obituário” perdeu um “i”. Se alguém encontrá-lo, mande para mim, por favor. Agradeço.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Obituáro</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 11 Dec 2006 22:04:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/12/2006</p><p>É estranho quando acontece alguma coisa que deixa a pessoa – pelo menos quando a pessoa em questão sou eu – na seguinte situação: não sei se fico alegre ou triste. Terceira alternativa: nem um nem outro, porque minha vida não vai mudar em nada.<br/>(Cito Filó) “Mórreu” (fim de citação) o ex-ditador Augusto “Malvado” Pinochet. “Ufa, menos um no mundo”, penso yo, “se bem que tem tantos ditadorezinhos por aí… Mas, pelo menos, podemos descobrir que vaso ruim quebra sim!”. Por outro lado, fica o sentimento de vingança (isso é estranho, ele não fez nada para mim, nem matou sequer um parente meu – diferente do que fez com o povo chileno, onde não existe família que não tenha perdido alguém pelas mãos, pelas ordens ou simplesmente, de maneira geral, pelo regime horrendo deste vovôzinho simpático de olhos azuis – porque eu iria ter sentimentos de vingança??) suspenso: ninguém vai poder atirar na cara dele “Assassino!” com a proteção da lei. Dane-se, claro, a proteção da lei: já atiraram isso na cara dele muitas vezes (eu espero). Mas seria muito bom chamá-lo de assassino legalmente. Sei lá, dá segurança…<br/>Então, fico sem saber se digo Iuuupí! ou Ahhh, tão cedo?<br/>Em todo caso, cito alguém cujo nome não me lembro agora: “Morreu? Antes ele do que eu.”</p><p>Vi em uma reportagem que atribui-se a ascenção de Pinochet ao poder à ganância de sua esposa. Ou seja, ele traiu Allende não por ser horrível, mas por ser um homem apaixonado desejoso de agradar a esposa. Isso me lembra outra história… mas não sei bem qual… parece… parece que envolvia algo como um casal nú, uma cobra, uma maçã e uma Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal… Bom, de qualquer maneira, é gosto de pensar que tenha sido assim mesmo: Pinochet era, no fundo, um fraco sem personalidade incapaz de dar um passo sequer com suas próprias pernas, e sua esposa, uma perua (o termo pejorativo, e não o automóvel). Nada contra fracos sem personalidade etc… e nem contra peruas (conheço várias pessoas tanto de um quanto de outro grupo, e algumas delas são muito legais, fazer o quê?). Mas com certeza pessoas como o sr. e a srª. Pinochet odiariam ser vistos assim.</p><p>Meu texto, especialmente no final, denota um certo preconceito contra eles? Mas eles merecem TODO o meu preconceito e tudo o que de pior eu tiver para oferecer. Só não ofereço mais porque já é muito conceder-lhes meu preconceito – já que, no fundo, nem isso eles merecem.</p><p>São falecimentos assim que, às vezes, fazem com que eu espere que NÃO haja vida após a morte. Arder no mármore do inferno seria um presente muito grande para essa gente.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>…</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Mon, 11 Dec 2006 22:02:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>11/12/2006</p><p>Declara-se terminado o período de depressão. Não se entende isso mesmo…</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Anotação para o futuro</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sun, 10 Dec 2006 17:08:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/12/2006</p><p>Tenho que parar de escrever estes posts grandes (se bem que foram só dois postões: um deprimido e outro 70% copiado) : nem eu tenho paciência para ler o que escrevi.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>El Holocausto, según Teherán</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l12-el-holocausto-segun-teheran</guid>
      <pubDate>Sun, 10 Dec 2006 15:58:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/12/2006</p><p>El empeño del Gobierno iraní por cuestionar la veracidad del Holocausto cuenta con la complicidad de un nutrido grupo de pensadores europeos. Decenas de revisionistas participarán la semana que viene en Teherán en una conferencia que pretende poner en tela de juicio la muerte de seis millones de judíos a manos del nazismo; la organiza el Ministerio de Exteriores iraní.</p><p>Nueve países europeos tienen leyes que condenan la negación de los crímenes nazis</p><p>
<p>Los promotores de la iniciativa no han querido desvelar la identidad de los participantes, conscientes de que en una decena de países europeos negar el Holocausto es delito. Algunos de los <i>negacionistas</i> consultados por este diario han anunciado, sin embargo, su participación en un evento que consideran crucial para impulsar su causa.</p>
<p>Hasta 67 <i>investigadores</i> de 30 países forman el elenco académico que pretende desmontar “una de las herramientas de propaganda, utilizada con fines políticos para apoyar al pueblo judío en el siglo XX”, según reza la presentación del encuentro, que se celebrará el próximo lunes y martes en Teherán, en la sede del Instituto de Estudios Políticos e Internacionales del Ministerio de Exteriores iraní.</p>
<p>Bajo el título <i>Revisión del Holocausto: una visión global,</i> el encuentro tratará además la conexión entre las consecuencias del régimen nazi y la cuestión palestina. “El Holocausto y la emigración de judíos a Palestina”, o “El Holocausto y el régimen islámico”, son algunos de los temas propuestos para la discusión.</p>
<p>Algunos <i>negacionistas </i>viven desperdigados en países europeos que les han ofrecido asilo político. Otros están en prisión por cuestionar el Holocausto. Forman una red, muy activa a través de Internet, pero rara vez se encuentran. Teherán se presenta como su gran cita, y algunos de ellos correrán el riesgo de volver a prisión con tal de participar en lo que consideran un caso único del ejercicio de la libertad de expresión.</p>
<p>Serge Thion, de 64 años y antiguo investigador del Centro Nacional de Investigación Científica de París, es uno de los invitados de excepción del Gobierno iraní. Condenado en Francia por “poner en cuestión la existencia de crímenes contra la humanidad”, Thion piensa que el presidente iraní, Mahmud Ahmadineyad, “ha hecho soplar vientos de libertad” al poner sobre el tapete el Holocausto. “Parece mentira que los iraníes nos tengan que dar lecciones de libertad de expresión”, dice en conversación telefónica desde Italia, horas antes de partir para Teherán.</p>
<p>Lo mismo piensa Flávio Gonçalves, un joven portugués que el jueves viajó a Irán y que se define como anarcosindicalista revolucionario y que piensa que el Holocausto es “la coartada perfecta para que Israel haga lo que quiera”. “El régimen iraní está siendo un apoyo importante para las corrientes revisionistas y negacionistas de Europa y para dar a conocer a la gente de la calle que hay gente que tiene dudas sobre ese periodo histórico”. Gonçalves es un miembro atípico del movimiento revisionista, dominado por la extrema derecha, pero en la que también caben toda suerte de posiciones extremas.</p>
<p>Menos locuaz se muestra el francés Robert Faurisson, venerado líder del movimiento y autor de numerosos libros sobre el tema. Su ponencia, titulada <i>Las victorias del revisionismo</i>, es una de las que más expectación ha despertado en Teherán, donde se espera su llegada en los próximos días. Faurisson, de 78 años, teme, sin embargo, confirmar su participación. “Este tema es muy delicado. Corremos muchos riesgos si nos declaramos revisionistas. Da igual de qué país vengamos. ¿Ha oído hablar de la euroorden? Podemos ser detenidos en cualquier parte de Europa”, dice en conversación telefónica este antiguo profesor universitario, condenado recientemente a tres meses de prisión y para quien las cámaras de gas fueron simplemente “hornos crematorios donde se llevaban los cadáveres. Era necesario, porque entonces había muchas infecciones”.</p>
<p>Austria, Bélgica, Francia, Alemania, la República Checa, Lituania, Polonia, Eslovaquia y Suiza tienen leyes que condenan la negación del Holocausto. En virtud de estas normas, son muchos los <i>negadores</i> que han acabado entre rejas. El neonazi alemán Ernst Zundel, encarcelado en su país desde hace más de dos años por difundir propaganda nazi e incitar al odio después de ser extraditado desde Canadá, es uno de los reos más célebres y admirados del movimiento.</p>
<p>Junto a él, también en prisión, Horst Mahler, ex fundador de la Baader-Meinhof, la Fracción del Ejército Rojo alemán, y hoy miembro de la extrema derecha. Hace meses que a Mahler, uno de los invitados de excepción de la conferencia de Teherán, las autoridades alemanas le retiraron el pasaporte tras anunciar su intención de participar en el seminario. Después de su encarcelamiento el mes pasado por divulgar propaganda antisemita, su asistencia ha quedado descartada.</p>
<p>En principio, no está prevista la participación de ningún español, aunque sí de Gerd Honsik, miembro de la extrema derecha austriaca afincado cerca de Marbella, del que sus amigos dicen desconocer su actual paradero. En su página <i>web,</i> Honsik tiene colgados vínculos con la Falange de Málaga, con otras páginas <i>negacionistas</i> y con foros germánicos.</p>
<p>La celebración del encuentro académico en Teherán forma parte de la campaña orquestada por el presidente Ahmadineyad para cuestionar el Holocausto. Primero fue el concurso iraní de caricaturas sobre el Holocausto, convocado como reacción a la publicación en un diario danés de unas viñetas de Mahoma. Y ahora, la conferencia. La crisis de las viñetas se ha convertido en la coartada argumental de los <i>negacionistas,</i> que argumentan que la libertad de expresión que Europa predica a la hora de permitir la publicación de caricaturas del profeta debería aplicarse también a los que niegan los crímenes del nazismo.</p>
<p>ANA CARBAJOSA – Bruxelas – 09/12/2006 – El Pais</p>
<p>Um iraniano negar o holocausto é compreensível. Os iranianos não gostam dos israelenses. Têm rixas históricas, como as que existem entre Canadá e EUA ou Brasil e Argentina, por exemplo – se bem que, no caso do Oriente Médio, a briga vai muito além da implicância e das piadinhas de mau gosto. É uma briga entre eles, cultural – não menos abominável – mas em família. Não que o ocidente não deva se intrometer, afinal, ocidente e oriente (mesmo o médio) estamos tutxunthreunido, e olha aí a briga deles respingando aqui na tríplice fronteira.</p>
<p>Mas esta onda revisionista, da parte do ocidente, é má. Chega a ser brilhante a maneira como essas pessoas conseguem atualizar o nazismo, sem colocar um judeu sequer na câmara de gás, sem montar um campinho de concentração, sem nenhum Hitler para coordenar tudo com muito carisma e ressentimento – será? será possível? será possível que se possa cogitar que “Hitler”, não o falecido personagem histórico, mas seu espírito, continue vivo e, ainda por cima, multiplicado em centenas de pessoas diferentes? Centenas de hitlerzinhos, mais pacíficos, não violentos, “gente de bem”, gente que compra no supermercado, respeita a democracia, paga seus impostos, contribui para obras de caridade; será possível que Hitler renasceu mais calmo, diplomático, e mais numeroso? Centenas de Hitleres menos “potentes” do que o modelo, mas, sendo em grande número, quando somados, formando uma entidade pior do que o rapaz nervoso de bigodinho? Agora deu medo.</p>
<p>É notável, também, como pode ocorrer tantas interpretações toscas juntas. Se eu apóio os árabes, terei também que adotar as hipóteses revisionistas, afinal, são úteis à causa? Se eu sou revisionista (agrh!, me desculpem) tenho que ser pró-árabe? Se eu me horrorizo com o holocausto, preciso usar uma estrela de davi no bolso?</p>
<p>Será que eu não posso achar que Israel apenas está aproveitando o apoio que recebe dos EUA, que muito bem poderia ser pró-árabe e deixasse os israelenses na condição de injustiçados, para vencer a briga; e dizer que, embora prefira os árabes, sei que é quase como escolher entre Bush e Saddam, e que, qualquer que seja minha preferência, apoiar o revisionismo é uma maneira muito atual de raspar a cabeça e tatuar uma suástica no corpo?</p>
<p>Não adianta contemporizar com o revisionismo: você tem o direito de dizer que não houve holocausto, e eu tenho o direito de sentir a mais profunda repugnância à sua idéia. Sou uma pessoa manipulada pela mídia? Eu tomo coca-cola, cara! Só não como Macdonalds porque pelo mesmo preço compro dois xis galinha em qualquer boteco por aí! Sou anti-americano? Sou, mas tenho um Blogger, conta no Google, uso Windows  e meu processador (quer dizer, do computador) é Intel Inside – e eu nem sei o que quer dizer “Inside”.</p>
<p>O que eu quero dizer é que o revisionismo é um movimento muito esperto: esse mesmo discurso, de manipulação da verdade, de injustiça histórica, é o mesmo que a esquerda (que não existe mais, morreu junto com a direita) utilizava há vinte anos; ao mesmo tempo em que pode perfeitamente ser utilizado contra o revisionismo.</p>
<p>No fim das, revisionismo ou aceitação do holocausto, acaba sendo uma questão de gosto: uns gostam de isentar o nazismo, outros se escandalizam imaginando um judeu – um americano, um europeu, um argentino, um católico, um conservador, um entregador de pizzas, um mendigo, um papa, a Gisele Bünchen, enfim, qualquer pessoa – entrando em uma chuveirada coletiva sem entender porque ainda não ligaram o chuveiro e não consegue mais respirar sentindo que vai morrer sem nenhum motivo.</p>
<p>Quem mandou gozar do Profeta? Quem diria que o equivalente emocional ocdidental seria não Deus, Jesus, Maria ou o FMI, mas sim um massacre?</p>
</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Diálogo</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l11-dialogo</guid>
      <pubDate>Sun, 10 Dec 2006 14:58:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/12/2006</p><p>– Fui eu quem escreveu isto? Este texto tão negativo, mas também tão claro, este texto triste, mas tão equilibrado? – perguntei-me outro dia.<br/>– Foi você  quem  sentiu isso. – respondi, sem olhar-me nos olhos.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Momento Deprê</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l10-momento-depre</guid>
      <pubDate>Sun, 10 Dec 2006 05:40:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>10/12/2006</p><p>O que seria de um blog sem um momento de depressão, em que se chora as mágoas por todos aqueles problemas universais, mais antigos do que mijar pra frente (como diz uma amiga minha, mas ela dizendo é mais engraçado – e agora não pode ter graça, pq este é um momento deprê), que são fáceis de ser resolvidos apenas com uma mudança de atitude, com um bom banho ou uma boa noite de sono, mas que, mesmo assim, continuam atormentando os seres humanos em seus mais brilhantes momentos de coitadismo e auto-piedade?<br/>O que seria de um blog sem alguns posts de lamentação (afinal, pertencemos a uma sociedade judaico-cristã, e, no que diz respeito à parte judaica, temos que ter um muro das lamentações – uma prezadíssima colega de blogger, muito simpática e com dois blogues muito legais [procure-a nos comentários, é a única pessoa que comentou além de mim e acabou com a minha invisibilidade :)], comentou que gostamos muito de nos comparar com os gregos, e gostamos mesmo, mas esqueçemos de compararmo-nos com a civilização judaica, e, eis aqui, minha contribuição para a diversidade de civilizações com as quais podemos nos comparar)?<br/>Afinal, o que seria um mundo sem problemas? Mesmo que sejam os problemas mais toscos; vejamos: existem pessoas homo ou bissexuais, e existem as homofóbicas (e esqueceram de falar nas pessoas fóbicas do bi); assim, eu, que fiz um blog, acabo precisando participar de uma campanha anti-homofóbica digital e colocar banners piscantes em meu blog, que NÃO seriam necessários se as pessoas homofóbicas não fossem tão influentes no mundo (este foi um problema tosco). Existem os problemas mais requintados: será ético comer animais? E as plantas, então? A única opção que não nos traria qualquer problema ético seria se pudéssemos viver de luz; como precisamos de coisas orgânicas, precisamos comer bichos e alfaces mortas e arcar com os questionamentos éticos – sempre depois do almoço, claro (este foi um problema requintado). E existem os velhos problemas de sempre, as velhas depressõezinhas que atormentaram gerações e gerações (às vezes, rendendo bons poemas) e que, por mais fácil que seja a solução, mesmo assim dificilmente são solucionadas (“dificilmente são solucionadas” tanto quer dizer que muita gente não soluciona quanto quer dizer também que quando são solucionadas, muitas vezes são solucionadas com dificuldade), e são nesses probleminhas, nessas picuinhas emocionais e existenciais sem maiores relevências, sem grandes novidades, sem maior interesse literário, filosófico ou científico, são nesses quase pseudo-problemas que inclui-se este post-deprê.<br/>Se você está em um momento feliz e/ou sensibiliza-se com a depressão alheia a ponto de estragar seus dias ou alguns de seus momentos graças a essa sensibilidade, recomendamos expressamente que procure outro post neste blog, outro blog (neste caso recomendamos o da coleguíssima que comentou aqui – depois eu procuro o endereço para o alento das pessoas preguiçosas que não se darão ao trabalho de vasculhar os comentários para achar), outra atividade na internet (vá ver seus e-maisl, entrar no ókutchi, num chat, baixe um ebook, um programa legalzinho – o Baixaki está aí prá isso mesmo) ou alguma atividade fora da Internet (vá namorar, passear, pescar, ler um livro, ver TV, dançar, ver o sol, qualquer coisa), mas que não leia os tenebrosos escritos que virão a seguir. Não nos responsabilizamos pelo possível deprimente efeito que possam causar.</p><p>Agora sim, o muro das lamentações.</p><p>A) se você está mal, serão infinitamente pequenas as chances de que apareça alguém para ajudar.<br/>B) se você está mal por causa de uma pessoa devido a sua incapacidade de dizer a ela o que você sente por ela/quais expectativas você possui por ela, serão infinitamente grandes as chances de que seja justamente ela que esteja ao seu lado – e, ainda por cima, que você ache os momentos em que esta pessoa passou ao seu lado, indiferente aos seus sentimentos que de qualquer maneira ela não conhece, momentos maravilhosos e guarde-os no fundo do coração até serem comidos pelas traças.<br/>C) se você está carente, é mais provável que fique ainda mais carente.<br/>D) quando você está confiante em si e não precisa de ninguém à sua volta, as pessoas todas aparecem.<br/>E) quando você olha no espelho e vê algo que apenas por distantres semelhanças se parece com você em seus dias de mais radiante beleza, qualquer desconhecido na rua lhe olhará com mais nojo do que você quando se viu no espelho.<br/>F) quando você olha no espelho e fica pensando “se tu não fosse eu a gente se casava”, as pessoas em volta lhe olharão concordando.<br/>G) quando você se apaixona por alguém, essa pessoa já está G1) apaixonada por outra pessoa, G1.2) e ainda por cima não é correspondida, sofre com isso e você com ela; G2)desiludida com o amor e não quer nada com você, G2.2)desiludida com alguém do mesmo sexo q você e desconta o que passou nas mãos dos outros em você que nem sabia de nada e nem sequer desconfiava do mal que era capaz por causa do formato do que quer que você tem entre as pernas; G3)está com outra pessoa, G3.1) e é uma pessoa monogâmica; G4)simplesmente não quer nada com você. Ainda não me apaixonei por ninguém que tenha morrido dois dias depois de nos conhecermos, mas também era só o que me faltava.<br/>H)Se você é uma pessoa calada ninguém vai estranhar seu silêncio estranho.<br/>I) Ninguém vai perguntar “o que houve?”<br/>J) qualquer manifestação de carência será mal-interpretada<br/>L) somente as pessoas que você não suporta demonstrarão alguma atenção e lhe oferecerão afeto L1)isso somente piorará seus sentimentos de desgraça<br/>M)seu horóscopo estará M1)horrível (“dia péssimo para relacionamentos, melhor nem sair da cama”), M2) incompreensível (“entre em contato com o eu cósmico que fecundou a Terra em seu alvorecer meridional”), M3) sem relação nenhuma com seu momento (“dia propício para investir em imóveis”) ou M4) errado (“hoje você está feliz e disposto, a pessoa amada lhe retribuirá todo seu carinho)<br/>N) você não percberá o quanto suas atitudes e sua disposição estão sendo tolas, infantis, adolescente e imaturas (coisa que você pecebe com facilidade nos outros quando você está bem porque tem dificuldades em olhar para o próprio rabo)</p><p>Como o assunto é depressão, e depressão por causa de amores, com pitadas de probemas no trabalho e na faculdade, vamos radicalizar.<br/>Mas radicalizaremos cientificamente, pois além de greco-judaico-cristã, somos uma civilização científica e racional.<br/>Existem três tipos de suicidas:<br/>1)os que se matam<br/>2)os que se mataram<br/>3)os que não se matam.<br/>Na categoria três, na qual eu me incluo, podemos identificar outras subdivisões:<br/>3.1)os que somente querem atenção<br/>3.2)os que acham isso bonito<br/>3.3)os que somente pensam em se matar para aumentar sua auto-comiseração, pensando que ninguém sentiria profundamente sua falta (o que os aproxima do pessoal da categoria 3.1).<br/>Nesta categoria 3.3, novamente a minha, podemos encontrar mais subdivisões (a ciência é foda):<br/>3.3.1)os carentes<br/>3.3.2)os sem auto-estima disfarçados (pois se auto-estimam muito mas querem que os outros digam que também os estimam)<br/>3.3.3)os coitados<br/>Estas três últimas sub-categorias carecem de maior análise, pois são muito semelhantes entre si e parece que me incluo nas três. Embora o faça com algumas reservas, cogito enquadrar-me na categoria 3.3.2, mas, como dissemos, necessitamos de pesquisas e estudos poreriores.<br/>Veja só o quão profunda foi a análise realizada. Conseguimos categorizar o suicida de maneira quase exata, e pudemos me colocar, embora com reservas, em uma categoria específica. É muita exatidão, muita cientificidade no ar.<br/>Necessitamos de categorias muito bem categorizadas listas muito bem organizadas: você somente pode ser uma pessoa gorda ou magra; branca ou preta (quiçá amarela ou pele-vermelha); alta ou baixa; feliz ou infeliz; homo, hetero ou bissexual (ainda podendo ser trangênera ou não, operada ou não, travesti, crossdresser ou transformista; sem esquecer das pessoas panssexuais, sadomasoquistas, passivas ou ativas, uau!); mulher ou homem; criança, adulta, adolescente ou idosa; incrível!!! Você pode combinar diferentes categorias e assim formar sua personalidade; e mais ainda!!!: você terá, enquadrando-se em diferentes categorias (nota rápida: cada categoria terá diferentes opções, como hetero, bi ou homossexual; homem ou mulher; ter TDAH ou não; você não poderá contemplar-se com duas opções da mesma categoria, pois são auto-excludentes, mas pode, como dissemos antes, combinar diferentes categorias), enfim, colocando-se em diferentes categorias, você terá a possibilidade de ser absolutamente!, completamente!, grandiosamente original!, sem precisar se preocupar com nada, bastando seguir o modelo previamente colocado (você sabe o quanto será original tendo que administrar diferentes categorias de si, realizando combinações nunca dantes sonhadas pela vã filosofia). E tem mais ainda (glória, oh! glória à ciência): caso você não se enquadre em categoria alguma, a boa sociedade greco-judaico-racional-científico-cristã terá o prazer de lhe enquadrar em alguma e exigir atitudes coerentes com a categoria na qual lhe colocou! Viva! Palmas a nós, ápice da evolução.</p><p>Para piorar sua depressão, você descobrirá que o post mais longo é o mais depressivo. Você somente alcança prolixidade quando sofre.<br/>Em meio a toda insegurança possível, você ainda pensa em um raro elogio que recebeu e se pergunta: será que pelo menos escrevi bem? 😉<br/>Ops, este post é depressivo<br/>;(</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Cidadania</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l9-cidadania</guid>
      <pubDate>Sat, 09 Dec 2006 19:28:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/12/2006</p><p>Tem uma música do Gonazaguinha:<br/>“Você deve notar que não tem mais tutu, e dizer que não está preocupado. Você deve lutar pela xepa da feira, e dizer que está recompensado. Você deve estampar sempre um ar de alegria e dizer ‘tudo tem melhorado’. Você deve rezar pelo bem do patrão, e esqecer que está desempregado. Você merece, você merece, tudo vai bem, tudo legal: cerveja, samba… E amanhã, seu zé? Se acabarem com teu carnaval??<br/>Você deve aprender a baixar a cabeça, e dizer sempre muito obrigado: são palavras que ainda te deixam dizer, por ser homem bem disciplinado. Deve, pois, só fazer, pelo bem da nação, tudo aquilo que for ordenado, prá ganhar um fuscão no juízo final, e diploma de bem-comportado.<br/>Você merece…”<br/>Enquanto eu assistia “Eu, a patroa e as crianças”, apareceu uma propaganda, que não interessa – e eu nem lembro – qual era. Mas o vendedor anunciava que se você não tem cartão, cheque especial, coisas assim, você não tem crédito – coisa que ele dava mesmo sem ter nada daquelas coisas.<br/>Pois bem, você precisa de conta em banco, certidão de nascimento, carteira d eidentidade, CTPS, certeira do sindicato, conta de e-mail (eventualmente, conta no Orkut), MSN, CPF, carteira estudantil, uma opinião politicamente correta, um relacionamento amoroso estável, um emprego respeitável, presença nas festas de sábado à noite, etc, para que você possa ser cidadão.<br/>Melhor do que o Gonzaguinha, talvez Shakira se aplique melhor no que eu quero dizer:<br/>“Saludar al vecino, acostarse a una ora, trabajar cada dia, esto es vivir la vida. Y contestar solo aquello, y sentir solo esto, y que Diós nos ampare de malos pensamientos. Cumplir todas tareas, assistir al colegio – que diria la familia se eres un fracasado! Ponga siempre sapatos, no haga ruidos na mesa, usa meias de lana, te compuerta en las fiestas. Las mujeres se casan siempre antes de treinta,  sino vestiran santos*, y aunque asi no lo quieran. Y en una fiesta de quince es mejor no olvidar una funa champanha** – y bailar bien el valtz.”</p><p>Não sei se me fiz entender.</p><p>*O mesmo que ficar para titia, segundo me explicou minha irmã que entende tanto de espanhol quanto eu, mas que recebeu esta explicação de uma professora.<br/>**Nome antigo do espumante – de muito mau gosto, por sinal.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Invisibilidade</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l8-invisibilidade</guid>
      <pubDate>Sat, 09 Dec 2006 19:20:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/12/2006</p><p>Talvez seja melhor trocar o subtítulo de “o primeiro blog sem resumé” para “o blog mais comentado da Rede”, em tom irônico, é claro.<br/>Mas… não.<br/>Talvez seja melhor não suscitar comentários. Comentários – ou seja, a opinião alheia – importa e não importa. Mas ser invisível é algo que poucas pessoas conseguem.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Matemática</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l7-matematica</guid>
      <pubDate>Sat, 09 Dec 2006 19:14:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/12/2006</p><p>Será possível fazer a n-1? Será tão difícil gritar “viva o múltiplo?” Isso não é mais pertinente do que a fundamentação da moral, o discurso científico ou – o sentido da vida?</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>copy &amp; paste</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 09 Dec 2006 19:09:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/12/2006</p><p>Ainda sobre o cansaço: por um lado, copiar e colar um texto que se achou interessante é sinal de cansço; por outro, lê-lo não é; por um terceiro lado (onde está a lei do terceiro excluído agora, sr. Aristóteles de Estagira?)  li esse texto há muito tempo em um livro (que consistia somente deste texto).<br/>Somente conheço moedas com múltiplos lados….</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Manifesto SCUM</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 09 Dec 2006 19:03:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/12/2006</p><p>(não são minhas palavras, e com isso tb não digo que não discordo)<br/>Como a vida em nossa sociedade, na melhor das hipóteses, é um tédio<br/>sem fim, e considerando que nenhum aspecto da sociedade tem a menor<br/>relevância para o sexo feminino, só resta às mulheres politizadas,<br/>conscientes, responsáveis, vibrantes, subverter o governo, eliminar<br/>o sistema monetário, instituir a automação completa e destruir o<br/>sexo masculino.<br/>Hoje é tecnicamente possível reproduzir sem a ajuda dos macho (e,<br/>aliás, das fêmeas) e buscar o nascimento de fêmeas, apenas.<br/>Precisamos começar a fazer isso imediatamente. Conservar o sexo<br/>masculino não tem sequer o objetivo incerto da reprodução. O macho é<br/>um acidente biológico: o gene Y (macho) é um X (fêmea) incompleto,<br/>ou seja, tem um conjunto incompleto de cromossomos. Em outras<br/>palavras, o macho é uma fêmea incompleta, um aborto ambulante,<br/>mutilado no estágio de gene. Ser macho é ser deficiente,<br/>emocionalmente limitado. A condição masculina é uma deficiência, e<br/>os machos são inválidos no setor emocional.<br/>O macho é totalmente egocêntrico, enredado em si mesmo, incapaz de<br/>ter empatia ou de se identificar com os outros, inábil para o amor,<br/>a amizade, a afeição ou a ternura. É uma unidade em isolamento<br/>absoluto, que não consegue se relacionar com ninguém. Suas relações<br/>são totalmente viscerais, não cerebrais. Sua inteligência é uma<br/>simples ferramenta a serviço do seu instinto animal, de impulsos e<br/>necessidades. Ele é incapaz de paixão mental, de inteiração mental.<br/>Não se relaciona com nada além de suas próprias relações físicas. É<br/>um semimorto, uma excrescência insensível, incapaz de dar ou receber<br/>prazer ou felicidade. Conseqüentemente, ele é — mesmo dando o<br/>melhor de si— um tédio, uma bolha inofensiva, já que só pode ter<br/>encanto quem é capaz de se concentrar nos outros. Ele está preso<br/>numa zona crepuscular a meio caminho entre os seres humanos e os<br/>macacos e consegue ser bem pior que estes, uma vez que, ao contrário<br/>dos macacos, é capaz de uma série de sentimentos negativos — ódio,<br/>ciúme, desprezo, repugnância, culpa, vergonha, incerteza— e<br/>sobretudo tem consciência do que é e do que não é.<br/>Embora completamente físico, o macho é inepto até para o serviço de<br/>garanhão. Mesmo admitindo a capacidade mecânica que poucos homens<br/>têm, ele é — em primeiro lugar— incapaz de tirar uma pesa de<br/>roupa com tesão, com desejo. Em vez disso, é consumido pela culpa e<br/>pela verginha, pelo medo e pela insegurança: sentimentos que,<br/>enraizados na natureza masculina, até o mais esclarecido dos<br/>treinamentos só consegue minimizar. Em segundo lugar, o sentimento<br/>físico que ele atinge está próximo do nada. E em terceiro, ele não<br/>sente empatia pela parceira, mas fica obcecado pela idéia de como<br/>está se saindo, transformando o ato sexual num desempenho nota 10,<br/>fazendo um bom trabalho de encanador. Chamar um homem de animal é<br/>elogiá-lo. Ele é uma máquina, um pênis artificial ambulante.<br/>Frequentemente ouve-se que os homens usam as mulheres. Usam-nas para<br/>quê? Para o prazer é que não é.<br/>Consumido pela culpa, pela vergonha, por medos, por inseguranças e<br/>obtendo uma sensação física perceptível somente por sorte, o macho<br/>é, contudo, obcecado por sexo. É capaz de atravessar um rio de<br/>catarro ou de andar um quilômetro com vômito até o nariz se<br/>acreditar que no final terá uma vagina amigável à sua espera. Fará<br/>sexo com a mulher que ele despreza, uma bruaca velha e desdentada, e<br/>pagará por isso. Por quê? Alívio de tensão física não é a resposta,<br/>já que isso a masturbação resolve. A satisfação do ego também não<br/>serve como explicação, porque não pode ser proporcionada por<br/>cadáveres fudidos e bebês.<br/>Completamente egocêntrico, incapaz de se relacionar, de ter empatia<br/>ou de se identificar, e com uma sexualidade vasta, penetrante e<br/>difusa, o macho é fisicamente passivo. Por odiar essa passividade,<br/>ele a projeta nas mulheres, defini-se como ativo e então parte para<br/>provar essa condição (“provar que é Homem”). Trepar é o seu<br/>principal artifício para provar que é o ativo na relação (o Grande<br/>Homem com um Grande Pinto tirando a roupa de um Grande Avião). Uma<br/>vez que ele está tentando legitimar um equívoco, precisa “comprová-<br/>lo” interminavelmente. Assim, trepar é uma tentativa desesperada,<br/>compulsiva, de provar que ele não é passivo, que não é mulher. No<br/>entanto, ele é passivo e na verdade quer ser mulher.<br/>Sendo uma fêmea incompleta, o macho passa a vida procurando se<br/>completar, isto é, tornar-se mulher. Faz isso buscando as fêmeas,<br/>confraternizando-se e tentando viver e se fundir com reivindicando<br/>para si todas as características femininas —resistência emocional<br/>e independência, força, dinamismo, decisão, calma, objetividade,<br/>auto-afirmação, coragem, integridade, vitalidade, intensidade,<br/>profundidade de caráter etc. — projetando nas mulheres todos os<br/>traços masculinos — vaidade, frivolidade, trivialidade, fraqueza<br/>etc. Só existe uma área evidente de superioridade masculina sobre a<br/>fêmea: a de relações públicas. (Ele teve sucesso absoluto na tarefa<br/>de convencer milhões de mulheres de que os homens são mulheres e as<br/>mulheres são homens.)</p><p>Leia o restante: <a href="http://br.groups.yahoo.com/group/antipatriarcado/message/74">http://br.groups.yahoo.com/group/antipatriarcado/message/74</a></p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Cansaço</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
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      <pubDate>Sat, 09 Dec 2006 16:21:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>09/12/2006</p><p>Escrever sem ter vontade. Quem quer?<br/>    Na verdade se trata de escrever sem ter assunto. Melhor: ter vontade de escrever, ter o que escrever – mas o cansaço é forte.<br/>    De novo, a força. No caso, agora, forças externas. O cansaço não é falta de força, mas sim uma força que impede outras forças. Não que estar cansado seja ago horrível. Uma pessoa tem um limite. Mas o cansaço não é não-ser.<br/>    Somente é preocupante o cansaço quando ele é a força dominante, predominante. O cansaço avisa: “olha, é hora de dar uma pausa, relaxar o corpitcho, distrair-se um pouco, dormir mais cedo e acordar mais tarde.”<br/>    Quem assistiu Blossom, um seriado sobre uma menina filha de um músico e irmã de um viciado e de um idiota, conheceu o Joey, o irmão idiota. Era um personagem engraçado, ao estilo Magda – outro seriado, desta vez brasileiro, chamado Sai de Baixo, mas mais recente – se você não conheceu, basta pensar que todas as piadas de loira poderiam ser protagonizadas por ele (isso não é o mesmo que ter visto e rido do Joey na TV, mas serve para sentir o teor da coisa). Joey, como todo idiota de TV, possuía clarões de lucidez, sem perder a graça. Uma de suas pérolas de sabedoria consistia em um sistema para esvaziar a mente, quando estaba com a cabeça cheia: basta a pessoa deixar a cabeça pender para o lado, deixar o queixo cair naturalmente (quer dizer, não escancará-la nem mantê-la fechada, apenas relaxar o maxilar), e mirar o infinito. Não é necessário deitar, sentar-se, concentrar-se, meditar, preparar-se ou entrar em contato com o que quer que seja. Basta fazer.<br/>    É isso que, às vezes, é necessário: ficar em stand by, deixar ligado somente o necessário para a sobrevivência. Muitas outras coisas são também necessárias, mas elas não vem ao caso aqui.<br/>    Mas quando o cansaço domina, aí têm-se um problema. Quer dizer… Uma pessoa tem todo o direito do mundo de render-se ao cansaço, de entregar-se a ele. É como diz o poeta: “Se eu quero me matar, me mato muito bem; se eu quero me estragar, me estrago, o que é que tem?” Mas o problema que gera é que tais pessoas afetam outras, que não querem cansar-se. Mas conviver com alguém movido pelo cansaço, obriga a pessoa a lutar contra esta força em si e emanante do outro, também. Por isso, é muito melhor que essa pessoa possa espantar seu cansaço para longe de si – e, consequentemente, para longe de mim – do que eu me ver na obrigação de espantar essa pessoa para longe de mim. É verdade que nem sempre precisamos conviver com quem não queremos, mas estou pensando naquelas situações em que tão cedo não será possível distanciar-se da pessoa.<br/>    Este era o problema.<br/>    Talvez seja, mesmo, um problema social. Um cansaço disseminando-se entre as pessoas todas, tornando toda uma sociedade apática e rengue. As pessoas que surfam predominantemente nas ondas do cansaço espraiam suas águas por todo o tecido social. Imagine o perigo!<br/>    Nem sempre é o momento de vencer o cansaço. De um passo pra frente e dois para trás em outro passo pra frente e mais dois pra trás, olha aí o Aldo Rebelo: foi presidente do Brasil. Mas, mais do que nessa situação, o cansaço serve de aviso, de que a pessoa está precisando fazer uma pausa técnica. “Pausa” e não “Stop”, que sempre é um passo para o “Rewind” (dos idos tempos do VHS) eterno. Pausa estratégica. Pausa da respiração entre uma aspiração e uma expiração, e não pausa sem fim da respiração.<br/>    Cansei. || </p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Filosofia clínica</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l3-filosofia-clinica</guid>
      <pubDate>Sun, 03 Dec 2006 22:03:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/12/2006</p><p>Um professor uma vez comentou, em um contexto que não vem ao caso, que as doenças e a manutenção da saúde é tarefa dos médicos; o cuidado com os pacientes, da enfermagem; a pesquisa sobre a formação do corpo, suas características, enfim, sobre a biologia do corpo, é terefa da biologia. Mas o conceito de saúde, a quem cabe? “À filosofia”, disse ele em causa própria.<br/>Eh, bien! Vejamos: clínica é o local onde exerce-se a medicina. Centros médicos, hospitais, postos de saúde, são clínicas. A medicina é o exercício da manutenção da saúde do corpo (em geral, humano). Operações, tratamentos, investigações; consultas, são tarefas dos médicos. Você se sente mal, com dor de cabeça, tonturas, engravidou, torceu o pé, e vai no médico. Pede um remédio, uma recomendação, um atestado. Médicos são coisas detestáveis: você está mal, doente, fragilizado de alguma maneira, e tudo o que está em questão é que você enquadre-se dentro de determinadas expectativas clínicas. Hoje em dia está em moda a virose: tossiu muito à noite? Sente dor de cabeça? Fraqueza? É um vírus. Muito comum no verão. Compre este antibiótico. Não se preocupe, o genérico é o mesmo preço. Até as ciganas me conhecem melhor, quando se trata de conhecimento genérico sobre mim. Por isso, confio mais nelas, embora nunca pague pelas previsões….<br/>Enfermeiros são legais. Existem os puxa-sacos, eles existem em todos os lugares, mas geralmente estão do lado da gente e não do médico. Prefiro os cuidados dos enfermeiros do que os dos médicos. Médicos são chatos, e enfermeiros são mais despachados, fazem piadas (inclusive sobre o médico), contam causos, dizem que não vai doer (todos sabem que é mentira, mas enganam bem).<br/>Se não me falha a memória, Nietzsche foi enfermeiro. Sei lá onde, mas cuidou dos feridos de guerra em algum conflito ocorrido antes de 1900. Dizem que enlouqueceu e quis salvar um cavalo ferido no meio da rua. A) ele enlouqueceu B)quis salvar um cavalo ferido no meio da rua C) disso NÃO se conclui que enlouqueceu. Foi seu lado enfermeiro que foi posto em ação, aposto. Até, hoje em dia, não entendo como não é cultuado, como não virou ainda ícone desta nova ética dos animais. Imagine: o malvadão Nietzsche precursor de Peter Singer! Meigo.<br/>Mas ele foi enfermeiro. O enfermeiro é um médico sem a burocracia, me parece. Não acho que todo médico deveria ser, na verdade, enfermeiro; ao contrário, os enfermeiros deveriam ser as cabeças da medicina. Uma enfermeira sabe de longe se o enjoô se resolve com leite de magnésia ou com um pré-natal. Os médicos, talvez não todos, também sabem, mas precisam de muitos exames para confirmar, e ai de quem sentir-se diferente do que atestam os exames.<br/>A filosofia de Nietzsche é, entre outras coisas, uma manutenção das forças. Difícil explicar isto assim, acho que este texto vai servir somente de introdução porque estão acabando meus cigarros e se levantar do computador, não volto.<br/>Mas toda esta questão das forças reativas X modos de valoração nobres é uma questão de forças, e saúde é um estado no qual se está de posse de suas forças, está forte, está saudável.<br/>O que é saúde? Não pergunte ao seu médico. Pergunte a Nietzsche – ou a algum outro enfermeiro.</p><p>(que comparação não será tosca?) Nietzsche também foi o precursor do blog, com seus aforismas. Se bem que de um aforisma para um post a queda é grande, dependendo do post. (anotação para o futuro: que mania de encontrar precursores, ainda mais precursões assim, criativas)</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>Geografia deste blog</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l2-geografia-deste-blog</guid>
      <pubDate>Sun, 03 Dec 2006 21:37:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/12/2006</p><p>Blá blá blá… Blog em geral é isso. Não tenho paciência para ver blogs dos outros, e nem de manter um. Esse deve ser o centésimo vigésimo blog que faço. Não sei porque alguém faz um blog. Existem uitos estudos a respeito disso, e eu não entendo como e porque alguém perde tempo estudando isso.<br/>Alguém fez um blog. Pronto. “Porque” ele foi feito? “O que” as pessoas têm a dizer? O que interessa?<br/>Seria mais interessante procurar blogs interessantes e analisar, ou estudar,  o que há neles. As pessoas fazem blogs porque blogs estão disponíveis! (para perguntas tolas, respostas superficiais)</p><p>Meu blog! Aqui interessa porque EU fiz um bog (pela centésima vigésima vez).</p><p>Às vezes, é um bom passatempo escrever. Existem diversos motivos para escrever. Um deles: tive uma professora formada em psicanálise. Me recomendou ir em um psicanalista, recomendando ir somente algumas vezes, não sistematicamente; somente quando eu sentisse necessidade de falar de mim e ser escutado sem ser interrompido; segundo ela (e, hoje, confirmo isto), ir num psicanalista é como dar uma boa cagada: somente para dar uma aliviada, falar um pouco, mais ou menos como quem tem um diário – ou um blog. E aqui chegamos: fiz um blog para aliviar de vez em quando. Às vezes quero escrever mas estou sem assunto. Noutras, tenho assunto mas não estou no pique de escrever. Às vezes tanta coisa, e tenho vontade de escrever, entre uma atividade e outra, ou como a atividade do momento. Daí fiz um blog.</p><p>Gosto de escrever. Saudosista em certos pontos, tenho nostalgias pela máquina de escrever e por papel e caneta. Mas às vezes nõ dá tempo de sentar e escrever à moda antiga, e não tenho máquina de escrever. Assim, fiz um blog.</p><p>Apesar de minhas timidezes, às vezes gosto de me expor. Poderia tirar fotografias minhas e colocar em algum Orkut da vida, ou mandá-las a algum site pornô – caso fosse o meu corpo o que eu quisesse expor. Talvez eu faça – ou já tenha feito – isso, mas o que vem ao caso é que o quero expor é algo que eu escreva. Não tudo, nem qualquer coisa: mas o que eu escrever neste blog.</p><p>Trocadilho com a música do Martinho.</p><p>Tosco. Refinado. Esguichado. Planejado. Tudo junto agora. Só alguns itens desta vez. Outros não mencionados. Enfim: variável – ou variant, como era aquele carro.</p><p>Enfim, se isto servir para algum estudo sobre o mundo dos bogs, tanto pior. Mas era isso.</p>]]></description>
    </item>
    <item>
      <title>De primeira</title>
      <link>https://mrclmlt.com.br</link>
      <guid isPermaLink="false">06l1-de-primeira</guid>
      <pubDate>Sun, 03 Dec 2006 21:16:00 +0000</pubDate>
      <description><![CDATA[<p><a href="/">Voltar para o início</a></p><p>03/12/2006</p><p>Só para testar….</p>]]></description>
    </item>
    </channel>
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